rodrigo cosme2 224x300 Sou bicampeão do mundo. Com o Boca e com o Inter. Por que não posso ganhar o Brasileiro com o Goiás?

Iarley.

35 anos.

De Quixeramobim para o mundo.

Literalmente.

Ninguém tem o currículo do cearense.

Bicampeão mundial.

Um brasileiro infiltrado no Boca Juniors.

Campeão vestindo a camisa 10 de Maradona.

Com direito a figurar na Galeria de Honra na Bambonera.

Um prazer reservado só aos grandes jogadores da história do Boca.

E bicampeão do planeta, com o Internacional.

Ganhou duas vezes a Libertadores pelo clube argentino e pelo gaúcho.

Para quem conseguiu tanto, fazer do Goiás campeão brasileiro está longe de ser impossível.

O time é terceiro no Brasileiro, com um jogo a menos que o São Paulo, vice.

Se ganhar do Botafogo, assume isolado a segunda colocação.

Em entrevista exclusiva ao blog, Iarley mostra a personalidade forte que o levou tão longe.

Sem rodeios: o Goiás pode ser campeão brasileiro?

Pode e vai brigar como nunca pelo título.

Nós mantivemos a base do ano passado e reforçamos muito o time.

Nenhuma equipe do Brasil tem dois alas como os nossos.

Temos uma zaga segura, um meio de campo inteligente e um ataque fortíssimo.

E além de tudo chegou o Fernandão para dar ainda mais qualidade.

O Hélio dos Anjos também está arrancando o máximo de cada um.

É terrível ganhar do Goiás aqui em Goiânia.

Temos as mesmas chances de Palmeiras, São Paulo, Inter, Atlético Mineiro.

Não duvidem do Goiás.

Você não teme um complô para ajudar os clubes mais tradicionais?

Equipes com um passado vencedor nacionalmente?

Não tenho motivo para acreditar que os juízes irão nos prejudicar.

Jogador que coloca isso na cabeça não sai do lugar na carreira.

Não tem porque pensar que a CBF irá nos atrapalhar.

Se continuarmos a jogar bem, a chance de ser campeão do Brasil depende do Goiás.

E já antecipo, a partida que será chave é contra o Palmeiras.

Se ganharmos, vai ser duro nos segurar.

Iarley, de onde vem tanta confiança?

De acreditar no seu potencial e trabalhar.

Tenho 35 anos, mas ninguém trabalha mais do que eu.

Foi assim que ganhei meu espaço na vida.

Quem fica de braço cruzado, com medo, deixa a oportunidade passar.

Foi assim que fui do Paysandu para o Boca Juniors.

E pensaram que eu iria me intimidar.

Me impus e ganhei tudo que tinha para o Boca ganhar.

Venci o Argentino, a Libertadores e o Mundial.

A pessoa precisa acreditar nela e trabalhar.

Eu sempre soube do que era capaz, não importava o que os outros falassem.

E só eu sei como trabalhei.

(Desde que completou 30 anos, Iarley faz questão de treinar fisicamente nas férias.

Tudo para não chegar abaixo dos companheiros mais jovens.)

Por que você saiu do Boca Juniors?

Porque na Argentina se paga muito mal.

Todos ganham bem menos do que recebemos no Brasil.

Eles me ofereceram um contrato de três anos.

Disse não e fui para o Dorados do México ganhar cinco vezes mais.

É ótimo ser ídolo no Boca Juniors, mas receber pouco, não.

Então eu tratei de ir tratar da minha carreira no México.

Depois voltei para o Internacional.

Ganhava quatro vezes mais do que recebia no Boca.

Você teve uma carreira brilhante no Inter.

Mas a saída foi triste. Você chorou muito...

Chorei porque doeu o que fizeram comigo.

Eu ajudei muito na Libertadores e no Mundial.

Ensinei e valorizei meninos como o Rafael Sóbis, o Pato.

Estava jogando bem.

Mas disseram pelas minhas costas que eu estava velho.

Que eu tirava o espaço dos jovens atacantes que surgiam.

Os dirigentes fizeram um papel muito feio.

Me disseram que eu iria renovar e depois me ofereceram para o Goiás.

Só me chamaram quando haviam fechado o negócio.

Só aceitei porque percebi que não me queriam mais.

Fiquei chocado, chateado pela maneira com que me trataram.

Foi duro.

E eu chorei mesmo.

Fui traído. Fizeram tudo pelas minhas costas.

E como foi recomeçar no Goiás?

Foi ótimo.

Eu tive propostas de clubes de São Paulo e do Rio.

Aceitei o Goiás por causa do Fernandão.

Nós somos muito amigos.

Nós e nossas mulheres.

Além de me convencer, ele convenceu a minha mulher que o melhor seria vir para cá.

E deu tudo certo demais.

Tanto que ele acabou vindo para cá no meio do ano.

Está tudo perfeito.

No final do ano terminará o seu vínculo com o Goiás.

Para onde você vai?

Tem gente que brinca dizendo que eu vou ficar com a faca e dois queijos.

Mas eu não vou fazer leilão por aí.

Há sondagens de clubes de São Paulo e Rio.

Eu quero ficar no Goiás.

Vou tentar fazer um contrato de três anos e encerrar por aqui.

Vai depender da diretoria do Goiás.

Estou feliz demais aqui.

Por que vocês têm problemas com a imprensa goiana?

Eu sou direto e vou falar a verdade.

Apenas um quarto dos jornalistas daqui torcem para o Goiás.

O restante torce para o Vila Nova, para o Atlético Goianiense e para clubes fora daqui.

Foi por isso que criaram essa coisa de ciúme do Fernandão.

Perdemos dois jogos e disseram que o time estava com ciúme dele.

Uma grande bobagem.

A começar por mim que sou um dos seus maiores amigos.

Não dá para não ficar chateado com esse tipo de imprensa.

Mas deixa para lá, o que importa é que ninguém vai apagar essa campanha maravilhosa do Goiás...

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