22 Sofrido, suado, peleado. Mas o Grêmio mostrou alma. E está na sua quinta final da Libertadores
Foi sofrido, peleado. Mas o Grêmio justificou sua fama de copeiro, mostrou alma. E está na quinta final da Libertadores da América de sua história. Vai enfrentar o surpreendente argentino Lanús. Em Porto Alegre pesou demais a vitória no Equador por 3 a 0. O Barcelona de Guayaquil, equipe aguerrida e corajosa, mostrou porque eliminou Palmeiras e Santos.

Os equatorianos se impuseram, mostraram o ótimo trabalho de Guillermo Almada. Venceram por 1 a 0, gol do uruguaio Jonatan Álvez. Insuficiente para tirar do Grêmio a chance do tricampeonato da Libertadores da América, com toda justiça. Coroando o desempenho de Renato Gaúcho que, depois de nove anos, chega à sua segunda decisão do torneio mais importante da América.

Foi necessário muita raça, muito sangue frio para conseguir segurar a vantagem conseguida em Guayaquil. Mérito para o preparo psicológico, porque mesmo atuando muito pior que os equatorianos, os gremistas não perderam a disposição tática. Seguiram marcando forte na intermediária, travando, frustrando o time técnico e veloz que tinham pela frente. Os comandados de Renato Gaúcho justificaram a fama do Grêmio, a de ser o mais copeiro time do país.

"Sufoco, né? O mais importante é que o Grêmio está na final. Uma partida de Libertadores não se define em 90 minutos. Conseguimos um belíssimo placar no Equador. Hoje, perdemos por 1 a 0, mas o que vale é o resultado final. Não fizemos uma boa partida, a gente tem consciência disso. Mas o adversário veio sabendo que precisava do resultado, não à toa passou pelo Palmeiras, Santos. Não adianta dar voltinhas, falando aquilo e isso. O Grêmio está na final da Libertadores e ponto", dizia, consciente, Renato Gaúcho.

Além da chegada à final, o Grêmio comemorou o fim de uma novela. A renovação de contrato de Luan, até dezembro de 2020.

Renato Gaúcho teve um desfalque importantíssimo de última hora. O argentino naturalizado paraguaio, Lucas Barrio, sentiu uma lesão muscular e não teve condições físicas de jogar.
O treinador pensou nos três gols de vantagem que seu time tinha e colocou em campo o versátil Cícero, meio campista, que se revezaria com Luan na frente e fechando a intermediária.

 Sofrido, suado, peleado. Mas o Grêmio mostrou alma. E está na sua quinta final da Libertadores

Não há como esconder que perder a final para a LDU da Libertadores de 2008, comandando o Fluminense, em pleno Maracanã, está tatuado na psique de Renato Gaúcho. Lógico que ele sabia que hoje era a segunda partida mais importante de sua vida como técnico. Contra outro time equatoriano. E ele poderia perder até por 2 a 0. Não iria se empolgar com a arena gremista lotada, com a imprensa gaúcha ensandecida. Não. Para ele, o Grêmio não teria de se expor, ganhar o jogo de qualquer maneira, muito menos golear. Renato teria um time equilibrado e consciente de que tinha a vantagem de 3 a 0 no placar do confronto de 180 minutos.

A filosofia de Renato Gaúcho é fácil traduzir.

Feio é ser eliminado em casa na semifinal da Libertadores.

O Grêmio esqueceu o seu tradicional 4-2-3-1 e tratou de se organizar no 4-5-1. A ideia era clara. Travar as intermediárias. Não permitir as triangulações pelas laterais. E muito menos os lançamento em profundidades. Renato Gaúcho queria seu time fechado. Não se importando se a iniciativa do jogo fosse equatoriana. Ele sabia que o Barcelona atuaria aberto,
tentando impor a correria, buscaria a vibração. Marcar um ou dois gols para incendiar o jogo.

A cinematográfica virada do Lanús diante do River Plate, serviria como inspiração. Ficou claro, desde o primeiro minuto, que os equatorianos acreditavam. Tinham a certeza que era possível vencer, no mínimo por três gols, e decidir a vaga nos pênaltis.

Mas a postura séria, firme, de pura concentração defensiva dos gremistas virou uma grande barreira para o Barcelona. Seu time forçava, atacava em bloco, com velocidade, força.
Só que não conseguia grandes chances diante de Marcelo Grohe. Até que aos 32 minutos, Marcos Caicedo fez uma jogada sensacional. Driblou três jogadores e cruzou. Kannemann desviou. Mas a bola procurou o artilheiro Jonatan Álvez. O chute foi forte, indefensável. 1 a 0 para o Barcelona.

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Foi quando o Grêmio mostrou maturidade. Não se deixou levar pela obrigação de vencer diante dos seus torcedores. O time não se abriu. Seguiu marcando forte. E mesmo assim teve uma chance clara, incrível. Fernandinho levou a bola para a linha de fundo. E cruzou na cabeça de Cícero, que entrava livre. Ele tentou desviar do goleiro. Mas pegou mal na bola e ela foi longe das traves. Lance imperdoável para uma decisão.

O segundo tempo começou com os equatorianos pressionando. E o Grêmio contou com a sorte. Aos dez minutos, Díaz se livrou de dois marcadores e serviu para Esterilla girar e acertar a trave gremista. Renato compactou ainda mais suas linhas. Aumentou a pegada de seus jogadores. Com direito a mais faltas para acabar com o ímpeto equatoriano. E contragolpear só com a defesa montada.

Aos 32 minutos, o lance que balançou a arena gremista. Bruno Cortez cruzou da linha de fundo e Jael cabeceou na trave. Foi o último lance consciente do jogo. A partir daí, os equatorianos partiram desesperados para a frente. E o time de Renato Gaúcho recuado, dando chutões. A ordem era segurar o resultado. E foi isso que conseguiram. Não se importaram com a derrota.

O que valeu é que, pela quinta vez, o Grêmio chega à uma final de Libertadores. Fez o que os milionários elencos do Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro prometeram e não cumpriram.

O Grêmio justificou sua fama.

É o time mais copeiro do país.

Que venha o Lanús...
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