Só para lembrar, o Rio fará a final da Copa e sediará as Olimpíadas. Alguém avise os bandidos para maneirar, por favor...

Rio de Janeiro...

Um final na cidade maravilhosa.

Sol brigando com as nuvens.

O inverno vai se aproximando do seu final.

Vasco e Fluminense, clássico que faço questão de assistir amanhã no Maracanã.

Mas no sábado pela manhã, quero ir para a Barra da Tijuca.

E, lógico, tenho de passar pelo hotel Intercontinental.

10h30 da manhã.

A Polícia Militar isolou a área, com a invasão dos bandidos que fugiram da Rocinha.

Dou de cara com o Caveirão, soldados com fuzis apontando para todos os lados.

Policiais com revólveres na mão, desconfiados de todos.

Me sinto como um dos figurantes de Tropa de Elite.

E do lado errado.

Mas a sorte ajuda.

Acredito não ter a fisionomia de alguém que tentaria ajudar os bandidos que fazem reféns no luxuoso hotel.

Me deixam ir embora.

Não atiram em mim, não cobram documentos.

Estou abismado com o que vi.

Chego na belíssima Barra da Tijuca que tanto gosto.

Coincidência, encontro Djalminha e Luizão.

Os dois ex-jogadores me reconhecem e conversamos rápido.

Pergunto a Djaminha como vai o showbol, já que ele é o principal organizador do esporte no Brasil.

"Está indo muito bem.

Íamos até jogar na Rocinha hoje.

Só que o jogo foi suspenso por causa da invasão ao hotel Intercontinental.

Foi uma loucura que aconteceu lá.

Queria tanto jogar lá", diz, constrangido, Djalminha, que é apaixonado pelo Rio.

Passo pelos modernos quiosques e a tevê de plasma mostra que os bandidos foram presos.

Uma mulher que seria da quadrilha teria morrido.

Assisto Tande dizer que estava indo também para a Barra jogar vôlei e viu o tiroteio entre os policiais e os bandidos.

Disse que esteve em um pesadelo.

Depois vem um oficial do Bope e diz que, por coincidência, a ação dos policiais foi muito bem feita por um motivo.

"Acabamos de fazer um treinamento para invasão terroristas nos hotéis.

Já nos preparamos para as Olimpíadas e a Copa do Mundo."

"É verdade", me lembro das duas maiores competições do planeta.

O Rio de Janeiro será o palco principal das duas.

E penso nos luxuosos escritórios do presidente da Fifa, Joseph Blatter e do Comitê Olímpico Internacional, Jaques Rogge.

Qual será a reação íntima dessas pessoas que brigaram tanto pelo Brasil, pelo Rio realizar a Copa, a Olimpíada.

Um bando de bandidos descem do morro e vão até o hotel cinco estrelas.

Atirando contra a polícia, invadem a cozinha e fazem funcionários e hóspedes como reféns.

Levaram só cinco.

Eram mais de 800 hóspedes no hotel Intercontinental.

O desgaste para a imagem do nosso país é imenso.

Por que passamos tanta vergonha?

Será que temos conviver com esse medo constante de levar uma bala perdida?

Por que será que quando uma criança mal vestida nos olha no farol sentimos nosso coração disparar?

Por que as ruas são tão escuras?

Por que os policiais ganham tão pouco?

Quando chegar a Copa do Mundo e a Olimpíada vamos fazer como no Panamericano?

Colocar o Exército nas ruas para disfarçar.

E na verdade comemorar o acordo feito com os chefes das quadrilhas...

Nada de confusão durante as competições.

Em compensação, ninguém invade os morros atrás de drogas, de traficantes.

E assim vamos vivendo.

Mas sempre com a cabeça baixa.

De vergonha.

E com medo de uma bala perdida.

Que o Cristo, o redentor, estique sempre seus braços...

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