Dorival Júnior está fazendo o impossível para salvar o Atlético Mineiro do rebaixamento.

A começar por enfrentar o próprio presidente Alexandre Kalil.

O dirigente acreditava que a única solução para tentar consertar o estrago deixado por Luxemburgo seria dinheiro.

Estava disposto a pagar a maior premiação do Brasil se os seus jogadores conseguissem manter o clube na Série A.

Talvez até mesmo maior prêmio do que o futuro campeão do País.

Só que Dorival insistiu que o problema nunca foi dinheiro.

Mas a falta de comprometimento.

Luxemburgo escolheu atletas rodados e sem história de envolvimento com os clubes por onde passaram como reforços para o Brasileiro.

Dorival não sentiu maior emoção nestes jogadores depois da sua estreia com derrota para o Grêmio.

E tratou de mudar a filosofia de trabalho.

Ao contrário do que era com Luxemburgo, os treinamentos passaram a ser em dois períodos.

Principalmente pela manhã, coisa que não acontecia.

Dorival Júnior fez questão de comandar todos os treinos.

Inspirado em José Mourinho, Luxemburgo só assumia de verdade o treinamento nas sextas-feiras.

Dorival Júnior acabou com o falso glamour que tanto agradava Kalil.

Tratou de colocar em campo uma equipe competitiva, compacta, com forte poder de marcação.

E contragolpe em alta velocidade.

Viu a bobagem que era a estratégia anterior de tocar a bola com calma para tentar vencer o jogo apenas no talento.

O novo treinador percebeu que o time não estava mais acostumado a marcar, a brigar pela bola.

As cobranças passaram a ser tão duras quanto criativas.

Discretamente, ele deixou Alexandre Kalil e o diretor Eduardo Maluf longe dos vestiários.

Os palpites terminaram.

Os jogadores perceberam o forte comando de Dorival.

Forte o suficiente para acabar com o complexo de grandeza da diretoria.

Antes de sonhar em ganhar a Sul-Americana e sonhar com a Libertadores de 2011, muito mais importante era não ver o Atlético Mineiro rebaixado de novo para a Série B.

E o técnico conseguiu o impossível.

Convenceu Kalil a priorizar o Brasileiro de forma absoluta.

O dirigente aceitou, percebendo o quanto eram vazios os sonhos de conquista da América, a internacionalização do Atlético Mineiro, proposta por Luxemburgo.

O fundamental era continuar na elite dos clubes brasileiros.

E aceitou.

Tanto que Dorival Júnior, Kalil e até a torcida sabem, e não se importam, do enorme favoritismo do Palmeiras nas quartas-de-final da Sul-Americana.

Importante de verdade são as sete partidas que restam pelo Brasileiro.

A vitória no clássico contra o Cruzeiro, só com torcedores azuis, foi fundamental nesta corrida de recuperação.

Para entender a façanha, nada como desvendar o criativo segredo de Dorival Júnior.

Impressionado com os filmes Tropa de Elite e Tropa de Elite 2, o treinador fez um dos capitães do Bope que inspiraram José Padilha a dar uma palestra antes do clássico.

Paulo Storani foi para Uberlândia e insuflou os jogadores do Atlético Mineiro.

Eles entraram no Parque do Sabiá como se estivessem subindo o morro, sem medo de nada e de ninguém.

Se impuseram diante dos inimigos.

Chegaram até a estar vencendo por 4 a 1 o Cruzeiro, então líder do Brasileiro.

Jogadores malemolentes como Tardelli e Diego Souza pareciam outros em campo.

A palestra do capitão do Bope entrou no coração, na alma de Obina.

Assim Dorival Júnior está conseguindo a maior façanha do Brasileiro.

Está conseguindo ressuscitar o morto Atlético Mineiro de Luxemburgo.

Mostrar a grande bobagem que a diretoria do Santos fez ao optar por sua demissão em vez de punir Neymar como deveria.

E acordar Alexandre Kalil.

Quando o presidente do Atlético Mineiro for contratar treinador vai pensar no presente e não no passado, no currículo de quem vai comandar seu time.

Porque, se Luxemburgo continuasse, nem o Bope e a Swat juntos salvariam o clube da Série B...

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