AE1 Simples operários unidos mostram o lado podre da Copa do Mundo no Brasil. A construção das arenas. A proposital falta de um órgão para controlar todas as 12. Basta comparar com a África e passamos vergonha...
Na África do Sul, a decisão era simples.

Havia um comitê responsável pela construção das arenas da Copa de 2010.

Tudo centralizado e controlado.

Havia uma uniformidade em relação aos trabalhadores.

Todos recebiam a mesma coisa.

A segurança, alimentação, transporte, higiene...

Havia um padrão e ponto final.

Esse comitê também avaliava os gastos de cada obra para evitar o superfaturamento.

Isso aconteceu na África do Sul.

Da forma mais transparente possível.

No Brasil, não.

O governo e Comitê Organizador Local oficializaram a confusão, o descontrole.

Parece que foi proposital.

Parece...

Tudo tem origem no escândalo das 12 arenas.

Em todas as copas, o número máximo de estádios exigidos era oito.

Por quê no Brasil subiu para 12?

Porque nosso país aceitou.

Festa para as construtoras.

Depois, e muito pior, foi a liberação absurda.

Cada estado é responsável pela construção da sua arena.

Oportunidade para cada governador, prefeito, senadores, deputados, vereadores, tirarem sua casquinha.

Contratarem as empreiteiras que acharem melhor.

Pagando quanto quiser, dando condição de trabalho que achar melhor, ou pior, aos operários.

Ninguém precisa dar satisfação a ninguém em relação a isso.

Os cadernos de encargo da Fifa devem ser seguidos como cada um achar melhor.

E acabou.

Sem um controle único das 12 arenas fica garantida a bagunça, a falta de transparência.

A única preocupação do governo central é o prazo.

O estádios precisam estar prontos para a Copa.

Não importa como.

Nem quanto for o gasto.

A ameaça de greve dos 25 mil trabalhadores nas arenas brasileiras é importante, fundamental.

Alerta as autoridades que ainda têm um certo grau de decência, os absurdos que acontecem no Brasil.

Apostando no silêncio das operários, há todo tipo de abuso.

Desde a distribuição de comida estragada, falta de banheiros, turnos exaustivos de trabalho...

Descontrole proposital em relação às horas extras, falta de plano de saúde, maus tratos...

Condições, que juntas, remetem a algo perto do trabalho escravo.

Que os operários tenham coragem.

Se as condições de trabalho não forem muito melhoradas e unificadas, que façam a greve.

Recebam Blatter de braços cruzados.

Paralisem as arenas.

Mostrem que não aceitam serem escravos de ninguém.

E que desejam apenas trabalhar de uma maneira decente.

Quem manda na Copa de 2014 articulou essa bagunça inaceitável com interesses vergonhosos...

Mas não contava com esse efeito colateral.

A revolta da classe operária.

A situação é mais séria do que parece.

Muito mais.

Lembrando, esta é a Copa mais cara da história.

Custará aos cofres público, R$ 70 bilhões.

Mais do que os mundiais do Japão, Alemanha e da África do Sul.

Juntos.

É ou não é para dar orgulho?

Com o Brasil ninguém pode.

Até na gastança...

O País vai pagar satisfeito mais do que as três...

Enquanto isso, Ronaldo promete jogar com os operários que terminarem suas arenas.

Não pôquer, que tanto gosta.

Os trabalhadores não teriam dinheiro para suas rodadas.

Vai disputar peladas.

É essa a contribuição que ele acha que está dando ao seu país.

E quer que todos se orgulhem.

Da Copa de 2014 no Brasil...

E do seu desempenho como membro executivo do Comitê Organizador Local...

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