152 Sete horas no ônibus é vingança infantil da diretoria do Palmeiras. Cuca fará sua revolução no elenco mais caro da América Latina. Afastará jogadores importantes para acabar com os vexames...
Nestes tempos modernos, clubes grandes, quando passam por vexames, fogem. Se escondem. Não da imprensa. Alguns poucos seguranças bombados precisam apenas de caretas para assustar jornalistas com seus microfones, gravadores e bloquinhos. O medo é da violência das organizadas. Neste país da impunidade, fazem o que querem.

Nos últimos anos, o grande Palmeiras pisa na sua história. Se tornou exímio nas duas situações. Fazer seu torcedor passar vergonha e depois fazer seus jogadores se tornarem invisíveis. Para escapar de tocaias. Pronunciar duas palavras ao atual elenco o faz tremer. Mancha Verde.

Depois da derrota por 4 a 1 para o Água Santa de Diadema, os jogadores precisavam voltar para São Paulo. Estavam 559 quilômetros distantes, em Presidente Prudente. No sábado, o time chegou com festa na cidade. Foram 1m20 de vôo. Mas depois dos vexame de ontem, a decisão da diretoria. Os atletas foram avisados pelos dirigentes. "Por segurança", para fugir das organizadas, voltariam de ônibus.

Na verdade, foi um castigo da revoltada diretoria.

Acabou a tolerância com o elenco mais caro da América Latina.

Nada menos do que R$ 12 milhões mensais.

Acossado pela ala de conselheiros que o apoia, Paulo Nobre teve de acordar. O time está a um passo da eliminação da primeira fase da Libertadores. E a três da zona do rebaixamento no insignificante Campeonato Paulista. É o ultimo colocado na sua chave. Atrás de Ituano, Novorizontino, Ponte Preta e São Bernardo...

Nobre promete enquadrar, seu executivo nota 100, Alexandre Mattos. Nobre fez exatamente o que ele recomendou ao final de 2015. Enebriado pela conquista, aos trancos e barrancos, da Copa do Brasil, Mattos falou que havia encaminhado os reforços 'pontuais' que Marcelo Oliveira precisava. O presidente disse que, mesmo com a crise, faria um sacrifício. Seguraria todos os jogadores campeões. Não venderia ninguém. Apenas exigiria uma grande campanha na Libertadores. Se possível, o título.

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O presidente se convenceu que 'calaria a boca' daqueles que pediam a chegada de um grande meia. No lugar de Valdivia. E usaria um atleta que era apontado como sua pior contratação. Não pelo futebol. Mas por questões físicas, que o impedem de entrar em campo, Cleiton Xavier. A aposta foi feita sem qualquer embasamento médico mais profundo.

Cinco anos na Ucrânia, atuando pelo Metalist, sacrificaram seu frágil corpo. Voltou com enorme desequilíbrio muscular. Pior do que Alexandre Pato. Teve de atuar com lesões mal curadas, se submeteu a infiltrações. O Palmeiras o levou para grandes especialistas no país. Nobre sabia que a recuperação do meia de 33 anos seria lenta. E imprevisível, sujeita a novas contusões. Mas decidiu arriscar. Apostou no instinto. E quebrou a cara.

A última partida de Cleiton Xavier foi em agosto de 2015. E talvez, ele possa atuar contra o Rosário Central, na Argentina, dia 6 de abril. Talvez. Ninguém nos departamentos médico ou físico tem coragem de afirmar algo definitivo sobre o meia. Beira a insanidade.

Presidentes que atuam de maneira amadora são a maioria neste país. Mas executivo e treinador que aceitam tamanha irresponsabilidade é que precisam ser cobrados. O Palmeiras não tem sequer um grande meia, graças a Paulo Nobre. A economia na contratação desta peça é o estopim da crise. Por isso, Nobre não teve piedade de Marcelo Oliveira. E também encurrala Alexandre Mattos.

Cuca chegou no meio deste furacão. E falou abertamente a Nobre. Ele deseja uma reformulação no elenco. O time foi fui superestimado com a conquista da Copa do Brasil. O treinador avisa que é preciso mexer com atletas de renome, que tiveram grandes conquistas. Mas não estão rendendo com a camisa palmeirense.

Zé Roberto é o primeiro deles. Ele fará 42 anos em julho. E Cuca descobriu que ele é humano. Não entendia porque não atuava como o meia que o Palmeiras precisa. Porque não tem força física, explosão muscular, vigor. Não rende também como lateral ou como volante. Improdutivo, nada acrescenta ao time. A não ser belas preleções.

Arouca se tornou outra decepção. Com mais três anos de contrato, o volante se tornou mero burocrata. Carimbador de bola. Não chega como velocidade, habilidade no ataque. Não marca os adversários. Está atuando apenas com o respeito que todos têm pelo seu passado. É a grande decepção no ano. Sua aura de intocável acabou com Cuca.

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Assim também o treinador está cansado de Robinho. Ele é quase tudo. Quase segundo volante. Quase meia. Quase defende. Quase cobre os laterais. Quase ataca. Quase é um grande cobrador de faltas. Só bate bem na bola, ninguém tirará esse mérito. Não mostra o protagonismo para vestir a camisa titular do Palmeiras.

Lucas sacrifica dois atletas para que possa atuar de forma razoável. Cruza bem, tem boa visão ofensiva. Mas se não houver um volante e um meia o auxiliando na marcação, o lado direito do Palmeiras é uma peneira. Convite ao prazer para os atacantes adversários. Não se mostra lateral para o time que sonha ser campeão da Libertadores.

Edu Dracena é capaz de dar a vida em campo. Sangrar para o Palmeiras vencer um jogo. Atuar com o nariz, o braço, a costela quebrados. Mas o grande problema é sua decadência física. Lento nas coberturas. E sem força física para disputar no ombro as bolas levantadas na grande área. Fernando Prass sabe disso. Não fala nada, mas se desespera em cada cruzamento.

Egidio mostra insegurança assustadora. Não consegue render 20% do que fazia no Cruzeiro. Transpira falta de confiança aos torcedores, aos companheiros de time, aos adversários. Não consegue ser o lateral efetivo campeão do país em Belo Horizonte. Teve mais chances de se redimir do que o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha.

Roger Carvalho e Leandro Almeida têm limitações técnicas. Vitor Hugo ainda supera na força física a falta de técnica. Os dois melhores defensores foram injustiçados. Tobio e Nathan. Um está no Boca Juniors. E outro está desvalorizado, na reserva do reserva do reserva. Seu pecado? Ter saído da base.

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Lucas Barrios, o maior salário palmeirense, segue agindo como um nômade estrangeiro. Jogador da Crefisa, segue sem envolver sua alma com os problemas e expectativas do clube. Treina, se dedica. E só. Se o time está montado, rendendo, ótimo. Se não, também tudo bem. Entre salários e luvas, recebe cerca de R$ 1 milhão mensais.

Dudu segue um poço de tensão. Disputado por São Paulo e Corinthians, viu o Palmeiras oferecer muito dinheiro e também a promessa de grande time, em janeiro de 2015. Alexandre Mattos usou a sua lábia e o bolso de Paulo Nobre. Disse que a grande equipe teria potencial para ganhar as grandes competições do país. E Seleção Brasileira seria uma consequência. Dudu é o atleta que mais sente falta de meias, alguém faça a bola chegar com qualidade aos seus pés. Irritado, várias e várias vezes, abandona os lados do campo e volta para iniciar a jogada pelo meio, como um volante. Sacrifica o seu futebol e estraga o esquema tático.

Foi um parto para o Palmeiras seguir com Rafael Marques. Mas conseguiu, oferecendo um contrato de dois anos. Ele fará 33 anos em maio. E sente a falta de velocidade, agilidade que sua posição exige. Cristaldo corre, perturba os zagueiro, dá carrinho, anima a torcida. Mas é apenas voluntarioso. Os poucos gols marcados aos trancos e barrancos iludem a torcida. Mas sua produtividade é irregular. Por falta de talento.

Estatísticas mostram que o Palmeiras tem seu pior início de temporada nos últimos 30 anos. Mas a crise vai além disso. O planejamento do bilionário executivo e sensitivo Paulo Nobre era claro. Este ano é o último de seu mandato. Com a nova arena lotada, o elenco mais caro da América Latina, e um treinador de ponta, a conquista da Libertadores, depois de 17 anos de jejum era a meta.

Agora é tentar sobreviver na primeira fase da Libertadores. E escapar da eliminação vergonhosa do Paulista. Sem contar a chance matemática de rebaixamento.

Cuca não quer vingancinha, como fazer o time viajar sete horas de ônibus.

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Ele exige uma reformulação profunda no elenco.

Sem poder contratar ninguém até o meio do ano, ele vai agir.

Fará a sua reformulação.

Pelo menos tirar quem está atuando apenas com o nome.

Os gols após o Água Santa denunciam.

Nenhum jogador tem a coragem de cobrar o outro.

Todos se calam, aceitam o fracasso.

Falta comprometimento.

O treinador jura a pessoas próximas que vai surpreender.

E reagir.

Para o bem do Palmeiras.

E o seu próprio.

A revolução precisa vir logo contra o pobre Rio Claro.

Por que Corinthians e Rosário Central aguardam o Palmeiras.

Sem a menor piedade podem tirá-lo do Campeonato Paulista...

E da Libertadores.

Chegou a sua hora, Alexi Stival.

Já foram quatro jogos.

E quatro derrotas.

Pare de rezar.

Justifique seu salário de R$ 500 mil.

Tenha coragem e tire do time quem não está rendendo.

Faça sua revolução.

Os jogadores vão entender.

Afinal, o Palmeiras é grande.

Ou não é?

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