1vasco Sequestro, espancamento, tortura, choques elétricos. Sete tiros. Vingança do chefe do tráfico da favela da Maré. Ameaça de suicídio. Esse é o saldo na noitada de Bernardo, atacante do Vasco. 22 anos e pai de quatro filhos...
Os relatos são apavorantes.

Misturam traição, sequestro, tortura e tiros.

E até ameaça de suicídio.

Mostram a corriqueira selvageria que domina boa parte do País.

Só terão destaque porque envolve um jogador de futebol.

Bernardo, meia de 22 anos, do Vasco da Gama.

No domingo ele e mais Charles do Palmeiras e Wellington Silva saíram à noite no Rio.

Foram até a Favela Salsa e Merengue.

A uma festa.

Lá o vascaíno teria se envolvido com Dayana Rodrigues.

Uma das várias 'esposas' do traficante Menor P.

Marcelo Santos das Dores é chefe do tráfico da comunidade.

E chefe do tráfico não pode ter uma mulher apenas.

Tem várias.

Ao ficar sabendo que os dois estavam juntos, Menor P. não vacilou.

Quis vingança.

Mandou que fossem sequestrados.

Ordenou que os levassem ao Morro do Timbau, na Maré.

Wellington Silva do Fluminense resolveu tentar amenizar.

Sempre de acordo com a polícia.

Como nasceu na favela e conhece os traficantes, conseguiu ir com os dois.

Queria evitar que Bernardo fosse assassinado.

Tudo indicaria que seria o destino do casal.

As cenas foram brutais, segundo policiais do 21ª DP de Bonsucesso.

Levados a uma casa na Vila do João, acabaram amarrados com fita crepe.

Nus, foram torturados com choques elétricos.

Espancados, com chutes e pontapés.

Os traficantes estavam armados.

Se mostravam dispostos a matar os dois.

Foi quando Wellington Silva começou a implorar pela vida de Bernardo.

Ele insistiu.

Repetiu que se Bernardo morresse seria pior para Menor P.

Assim que fosse divulgada a morte de um jogador famoso, viria a retaliação.

E o Complexo da Maré seria invadida.

Ou seja, ganharia uma Unidade de Polícia Pacificadora.

E Menor P não teria mais como traficar.

Perderia o controle da favela.

De acordo com a polícia esse argumento funcionou.

A selvageria da traição foi descarregada em Dayana.

Menor P. perderia prestígio se não reagisse.

O jogador escaparia, mas a amante, não.

Tomou tiros de raspão e um na sua perna.

Teve de ser operada, passou por dois hospitais.

Assustada, não quis incriminar Menor P.

Disse que se fosse depor insistiria que foi vítima de bala perdida.

Wellington Dias tenta agora desmentir a versão da polícia.

Diz que mal encontrou Bernardo.

O medo que o traficante Menor P impõe no Rio de Janeiro é impressionante.

1reproducao18 Sequestro, espancamento, tortura, choques elétricos. Sete tiros. Vingança do chefe do tráfico da favela da Maré. Ameaça de suicídio. Esse é o saldo na noitada de Bernardo, atacante do Vasco. 22 anos e pai de quatro filhos...

Bernardo se recupera em casa dos ferimentos.

Ele já estava com uma lesão no joelho.

Com operação marcada para o dia 1º de maio.

Sua carreira é absolutamente problemática.

Ele nasceu em Sorocaba, interior de São Paulo.

Filho do ex-jogador Hélio Doido, com passagens por Palmeiras e Sport.

De temperamento explosivo, surgiu no Cruzeiro.

Jogou até na Seleção Brasileira sub-15.

Bernardo era uma grande promessa.

Mas o ponto fraco era conhecido.

A atração pelas noitadas.

Suas farras irritaram os dirigentes da Toca da Raposa.

A direção do clube mineiro decidiu que não investiria nele.

Poderia se tornar péssima influência.

O emprestou ao Goiás.

Em seguida ao Vasco.

No Rio fez uma ótima temporada em 2011.

Marcou 18 gols e acabou comprado por R$ 3,5 milhões.

Mas logo o clube carioca se arrependeria da transação.

Bernardo se tornou figura constante nas baladas dos jogadores.

Cansado de ser cobrado pela diretoria, resolveu dar o troco.

Entrou na justiça querendo a rescisão de contrato.

Motivo: atraso nos salários.

Depois de várias reuniões, a situação foi contornada.

Mas o desgaste impediu que continuasse em São Januário.

Acabou emprestado ao Santos.

Muricy Ramalho via muito potencial no meia atacante.

Mas o desencanto não demorou.

Só que agiu exatamente como fez com Adriano no São Paulo.

Percebeu que estava mais interessado na noite do que no dia.

E logo o isolou do grupo.

Não queria que influenciasse principalmente Neymar.

Bernardo acabou devolvido ao Vasco.

Com apenas 22 anos, Bernardo já não tinha mais confiança dos dirigentes.

Não era tratado como jogador diferenciado que parecia ser.

O clube já estava atento outra vez às suas noitadas.

Quando veio a contusão.

Rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo contra o Quisamã.

Era o artilheiro do fraco time vascaíno com sete gols.

A contusão travou a vontade de negociá-lo.

O diagnóstico: seis meses sem poder jogar futebol.

Muito provavelmente só volte aos campos em 2014.

Tudo já estava muito ruim até que veio a barbaridade.

O espancamento no domingo.

De acordo com policiais, Bernardo tem motivos para comemorar.

Escapou por sorte de ser assassinado.

De acordo com a polícia, as palavras de Wellington Silva salvaram sua vida.

Conseguiu sobreviver.

Porém que se prepare.

A situação foi chocante demais para o futebol brasileiro.

Bernardo já não tinha mercado entre os grandes clubes do País.

Tudo ficará pior depois das cenas de horror na favela da Maré.

Aos 22 anos, o meia atacante conseguiu travar sua carreira.

Entrou para um grupo 'seleto' formado por Jobson, Adriano, Marcelinho Paraíba.

Atletas com potencial, mas problemáticos crônicos.

A irresponsabilidade de Bernardo atinge em cheio o Vasco da Gama.

O clube acabou desmoralizado com a constrangedora situação.

Que tipo de jogadores mantém no seu elenco?

Pelo menos Bernardo está vivo.

Poderá cuidar dos seus quatro filhos.

Sim, ele já tem quatro filhos.

1reproducao19 Sequestro, espancamento, tortura, choques elétricos. Sete tiros. Vingança do chefe do tráfico da favela da Maré. Ameaça de suicídio. Esse é o saldo na noitada de Bernardo, atacante do Vasco. 22 anos e pai de quatro filhos...

O primeiro nasceu quando tinha apenas 15 anos.

Sobreviveu para cuidar de Beatriz, Enzo, Lucca e Mattheo.

Esse é o único lado positivo.

Ele já estava fazendo tratamento intensivo com a psicóloga do Vasco.

Sua missão era tirá-lo das farras.

Mas parece não ter dado certo.

E o que é ruim ficou pior com o passar das horas.

Bernardo teria ficado desesperado com o vazamento da história.

E fez os dirigentes vascaínos acreditarem que poderia até se suicidar.

"Se isso vazar, não me responsabilizo pelo que sou capaz de fazer.

Antes de qualquer coisa, abandono tudo.

Não vou resistir.

Minha família não pode passar por isso."

As frases são chocantes.

Mostram o seu desespero.

Justo para quem havia acabado de tatuar a palavra 'brave' no pescoço.

Brave significa corajoso.

O desabafo chegou aos ouvidos de Marluci Martins.

Ótima repórter carioca com fontes confiáveis no Vasco.

É um drama pesado demais.

Retrata o grau de permissividade dos clubes brasileiros.

Não só o Vasco.

Quando um garoto tem talento, tudo lhe é permitido.

As consequências demoram, mas costuma ser infalíveis.

Como aconteceu a Bernardo.

Depois de sua deprimente noitada na favela da Maré.

Resta só uma pergunta.

E agora?

(Como policiais esperavam.

A primeira providência de Bernardo foi previsível.

Dizer que está bem e nada aconteceu.

Não foi agredido por traficantes.

Nada aconteceu.

Tirou foto sorrindo.

E vai cuidar do joelhos.

A desconfiança é óbvia.

Ele não quer ter mais problemas com Menor P.

Não mais do que já teve.

Por coincidência, decidiu passar o fim de semana longe do Rio.

Por coincidência, claro...)


1fotoarena3 Sequestro, espancamento, tortura, choques elétricos. Sete tiros. Vingança do chefe do tráfico da favela da Maré. Ameaça de suicídio. Esse é o saldo na noitada de Bernardo, atacante do Vasco. 22 anos e pai de quatro filhos...

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