1reproducao23 Denúncias implodem a candidatura de Zezé Perrella à presidência do Cruzeiro. Sem apoio e sob o risco de ser expulso do clube, terá de desistir da disputa. Efeito da Lava Jato e das gravações da Polícia Federal com seu mentor, Aécio Neves...

Foram quatro mandatos no Cruzeiro. Nada menos do que 22 títulos. Os principais foram a Copa Libertadores de 97, a Tríplice Coroa, em 2003, e o tricampeonato da Copa do Brasil (96, 2000 e 2003).

Arrastou a popularidade que o clube lhe deu para a política.

Virou senador da República.

Era suplente do falecido ex-presidente Itamar Franco.

Com atuação pífia.

E participação ativa na Bancada da Bola.

Defensor aguerrido de Marco Polo del Nero.

Se envolveu em escândalo em 2013, quando um helicóptero de sua família foi detido no Espírito Santo. Dentro dele, 445 quilos de pasta de cocaína. Zezé e o seu filho, o deputado estadual Gustavo Perrella, foram inocentados. E receberam até o helicóptero de volta.

O piloto e outros três homens que transportavam a droga ficaram apenas seis meses presos.

Estão em liberdade.

E o caso foi esquecido.

Zezé continuava com a ficha limpa, podendo ser candidato não só a qualquer cargo político como à presidência do Cruzeiro. Zezé se dizia desgastado em Brasília e queria voltar ao Cruzeiro.

Nos últimos tempos, vinha aproveitando cada eliminação do time para anunciar sua volta. Fez assim logo após a derrota na decisão do título mineiro de 2017 para o Atlético Mineiro.

O atual presidente, Gilvan Tavares, foi eleito graças ao apoio de Perrella. Mas não aceitou a influência do ex-presidente no Cruzeiro. Ambos romperam. E Zezé seria candidato à sucessão sem o apoio de Gilvan.

616 1024x722 Denúncias implodem a candidatura de Zezé Perrella à presidência do Cruzeiro. Sem apoio e sob o risco de ser expulso do clube, terá de desistir da disputa. Efeito da Lava Jato e das gravações da Polícia Federal com seu mentor, Aécio Neves...

Só que uma denúncia acabou com as possibilidades de Zezé voltar ao Cruzeiro. E ameaça até a sua liberdade. Ele está envolvido em uma denúncia grave. Há gravações que comprovam. Aécio Neves, senador afastado do PSDB, pediu a Joesley R$ 2 milhões para custear a sua defesa na operação Lava Jato.

A Polícia Federal assegura que seriam entregues quatro malas, com R$ 500 mil cada uma, a um primo de Aécio , Frederico Pacheco de Medeiros. Fred, de acordo com as investigações, repassou o dinheiro a Mendherson Souza Lima, assessor parlamentar do senador mineiro Zezé Perrella (PMDB-MG).

A PF garante ter provas incontestáveis.

O que pode resultar em processo e cassação do mandato de Perrella.

Constatada sua culpa, o político não poderia se candidatar ao cargo de presidente.

O estatuto não permite um postulante ao pleito com ficha suja.

Com a revelação do escândalo, Zezé perdeu todo apoio que tinha no Cruzeiro.

Conselheiros e membros das organizadas não aceitam nem que seja candidato.

Querem também a sua cassação como conselheiro do clube.

A sua e de outros cinco conselheiros envolvidos no escândalo.

Principalmente Aécio Neves.

"Consta no estatuto do Cruzeiro que o presidente precisa ter ficha limpa, mas torço que o nosso ex-presidente siga com a ficha limpa e possa se candidatar. Pessoalmente, sou contra isso (o retorno do seu mentor, Zezé Perrella), jamais faria. Ninguém que já foi presidente, principalmente por dois mandatos, deveria voltar, porque é um negócio desgastante e cansativo demais", garante o atual presidente Gilvan Tavares.

A eleição no Cruzeiro é em outubro.

Zezé Perrella nem é levado mais em consideração.

Não resta outra saída a não ser desistir da candidatura.

325 Denúncias implodem a candidatura de Zezé Perrella à presidência do Cruzeiro. Sem apoio e sob o risco de ser expulso do clube, terá de desistir da disputa. Efeito da Lava Jato e das gravações da Polícia Federal com seu mentor, Aécio Neves...

A situação que já era péssima, ficou pior com a matéria do jornal mineiro Hoje em Dia de Ontem.

A jornalista Janaína Oliveira é responsável pelo texto e pela revelação do áudio.

"Dois dias após a quebra do sigilo da delação da Odebrecht, em 13 de abril deste ano, a operação “Lava Jato” interceptou uma conversa telefônica entre o senador Aécio Neves, do PSDB, e o senador Zezé Perrella, do PMDB.

No diálogo, Aécio cobra fidelidade de Perrella e o critica duramente pelo fato de o aliado de longa data ter dado uma entrevista à rádio Itatiaia se gabando de não estar na lista de Janot e no “mar de lama” do Brasil.

Na conversa interceptada pela PF, que ocorreu bem antes da divulgação da delação da JBS, os senadores mineiros não falam de crimes. Mas Aécio evidencia seu aborrecimento com a declaração de Perrella à emissora, na qual ele se orgulha de estar fora da “Lava Jato”.

"Acho que não preciso provar o quanto sou seu amigo na vida, né cara. Então vou te falar como amigo, com a liberdade de amigo. Poucas vezes vi uma declaração tão escrota, Zezé, como essa que você deu na rádio Itatiaia", disse Aécio.

Nesse ponto da conversa, o tucano lembra como o ex-presidente do Cruzeiro chegou ao Senado. Primeiro suplente de Itamar Franco, Perrella conquistou a cadeira na Casa após a morte do ex-presidente, em 2011. A composição da chapa foi conduzida por Aécio.

“A pretexto de se defender, você jogou todo mundo na lama. A não ser, Zezé, que sua campanha foi financiada na lua, pela semente lá sua, pela quentinha do Alvimar. Nossa campanha foi a mesma Zezé", frisou o tucano.

 Denúncias implodem a candidatura de Zezé Perrella à presidência do Cruzeiro. Sem apoio e sob o risco de ser expulso do clube, terá de desistir da disputa. Efeito da Lava Jato e das gravações da Polícia Federal com seu mentor, Aécio Neves...

“Numa hora dessa é hora de mostrar solidariedade, de separar o joio do trigo. Você nos igualou no campo do PT, dos picaretas todos”, continuou Aécio.

Perrella se mostra constrangido e cita o caso do helicóptero carregado de droga para justificar a entrevista à Itatiaia. Em 2013, a aeronave da família do senador foi flagrada com quase meia tonelada de pasta de cocaína. “Qual a maneira que eu encontrei de rebater… Essas coisas que eles falam de mim do helicóptero até hoje”, explicou Perrella.

Em um trecho mais adiante, Aécio diz a Perrella que ele também pode vir a ser citado no âmbito da operação da “Lava Jato”. "Olha onde você tá indo. Amanhã, Zezé, nada impede que alguém te cite por alguma razão, por sacanagem. E aí você virou bandido? Fiquei chateado como teu amigo meu irmão".

E volta a cobrar lealdade de Zezé. "Nós temos que enfrentar isso com firmeza. Se nós começarmos a separar, começar a achar que cada um que se safa sozinho, acabou meu amigo".

O grampo termina com a promessa de Perrella de conceder nova entrevista, dessa vez incluindo a defesa de Aécio. "Não fiz essa declaração na Itatiaia não, mas vou fazer… Não fica chateado não porque você sabe que te adoro", diz Perrella.

"Por isso que fiquei chateado porque te adoro também. Na hora que a gente tá levando porrada pra c.… se os amigos da gente", responde Aécio.

Perrella garante: "Olha, vou falar de você e Anastasia, que tenho certeza que vocês estão sendo injustiçados e tal. Pode ficar tranquilo faço isso no Senado e na própria Itatiaia", finalizou.

6reproducao6 Denúncias implodem a candidatura de Zezé Perrella à presidência do Cruzeiro. Sem apoio e sob o risco de ser expulso do clube, terá de desistir da disputa. Efeito da Lava Jato e das gravações da Polícia Federal com seu mentor, Aécio Neves...

Histórico

No último dia 18, os senadores Aécio Neves e Zezé Perrella foram alvos da operação Patmos, desdobramento da “Lava Jato”. A empresa de Perrella, Tapera Participações e Empreendimentos Agropecuários, é suspeita de ser a destinatária de propina repassada a Aécio pelo delator Joesley Batista, dono da JBS.

Na época do diálogo entre os senadores mineiros, Aécio já era alvo de cinco inquéritos no STF, em decorrência das delações da Odebrecht.

Outro lado

Por meio da assessoria, Zezé Perrella disse que "a campanha mencionada em conversa com o senador Aécio era do senador Itamar Franco". "Eu era apenas suplente", afirmou.

A assessoria de Aécio Neves disse que tratam-se de conversas particulares, que não têm qualquer relação com o objeto da investigação. "Sendo de teor privado, não há o que comentar", disse.

A nota afirma ainda que "as campanhas do senador Aécio Neves, do senador Antonio Anastasia e do presidente Itamar Franco ao Senado, de quem o senador Zezé Perrella era suplente, foram feitas em absoluto respeito à legislação vigente".

Aqui, o áudio...

Zezé Perrella merece ser presidente do Cruzeiro?

O Cruzeiro merece ter um presidente como Zezé Perrella?

Será que seu lugar é mesmo na Toca da Raposa?

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