a Sebastião Lazaroni afirma que não trabalharia no Palmeiras se fosse convidado. Não seria benéfico para a sua carreira. Prefere seguir sua vida no Catar, bem longe do Palestra Itália...

"Foi a minha pior escolha.

Errei.

Nunca deveria ter me deixado levar por Eurico Miranda."

Esta declaração foi dada por Ricardo Teixeira.

O ano, 1991, ao confirmar a escolha de Falcão para a seleção.

O ex-presidente da CBF mostrava seu arrependimento.

Havia dado o comando da seleção brasileira a Sebastião Lazaroni.

Ele era homem de confiança de Eurico.

Teixeira foi levado ao cargo pelo então sogro João Havelange.

Presidente da Fifa na época, deu toda a guarida a Teixeira.

E sem experiência alguma, assumiu a seleção.

Ganhou nos laços familiares.

Aconselhado por Havelange, dividiu o poder com Eurico Miranda.

Até entender que já sabia tudo e acumulou também o cargo de diretor de futebol.

Despachou Eurico antes da Copa da Itália.

Mas fez questão de manter Lazaroni.

Teórico, mas de excelente trato, chegou à seleção por recomendação de Eurico.

Ele se mostrou um homem de confiança de Teixeira.

Submetia suas convocações a ele sem qualquer discussão.

Respeitava a hierarquia.

Teve como primeira missão, vencer a Copa América, disputada no Brasil.

Quase provocou uma insurreição baiana por não convocar Charles.

A seleção foi muito pressionada.

Mas conseguiu se superar e venceu a competição.

Com o time ganhando até da Argentina de Maradona.

Os jogadores tinham enorme influência na escalação do time.

E mais: viviam talvez a última grande disputa Rio-São Paulo na seleção.

As panelas se atacavam, não conviviam bem.

Se detestavam.

Se aproveitando da inexperiência de Teixeira, sabotaram a patrocinadora da seleção.

A Pepsi estava se acertando com a CBF e os atletas exigiram uma parte do patrocínio.

Demonstraram sua posição na pose da foto oficial da seleção.

Fizeram questão de tampar o símbolo da Pepsi da camisa.

A afronta saiu em todos os jornais, complicou a negociação.

Lazaroni não tomou atitude alguma.

Acabou queimado dos dois lados.

Antes da disputa do Mundial, havia fechado contrato com a Fiorentina.

O Brasil foi muito mal na Copa.

O estilo 3-5-2 de Lazaroni foi visto como uma heresia.

O fato de colocar um líbero virou motivo de piada.

A seleção acabou eliminada para a Argentina ainda nas oitavasdefinal.

Lazaroni foi demitido.

Pior, virou sinônimo de treinador defensivo, inseguro, fraco.

Tudo recaiu sobre suas costas.

Girou o mundo como um nômade.

O fato de haver dirigido a seleção em uma Copa lhe abriu portas.

Um técnico ruim não poderia ter tido essa oportunidade.

Esse pelo menos foi o pensamento que norteou os 15 times que o contrataram.

E mais as seleções do Catar e da Jamaica.

Desde a Copa América, em 1989, ganhou pouquíssima coisa.

Nenhum título significativo.

Alguns torneios internos no Japão, Arábia, China, Catar.

Não chegou sequer a ser campeão nacional nos países que peregrinou.

Vasco, Grêmio, Botafogo e Juventude se arriscaram a trazê-lo de volta depois do Mundial da Itália.

Lazaroni foi mal demais.

Aos 62 anos, perdeu espaço.

Não é levado em consideração pelas grandes equipes do País.

Há um enorme preconceito em relação a seu nome.

Por parte de dirigentes e até de empresário.

Sendo assim, Lazaroni acompanha tudo de longe, sem detalhes.

De vez em quando, aceita dar sua opinião, falar para o Brasil.

Justo hoje o técnico do Catar Sport Club resolveu falar.

O sotaque carioca continua forte.

Falou à Fox.

Deu uma pincelada sobre tudo.

No entanto o que mais chamou a atenção foi sobre o Palmeiras.

Marcante a sua rejeição ao clube.

Não aceita nem pensar.

Foi perguntado se estaria pronto para assumir o clube se fosse preciso.

Pergunta ótima para entrevistado que deseja voltar ao Brasil.

Excelente chance de elogiar a história de um dos mais vitoriosos clubes do País.

Mesmo sendo um especialista em autopromoção, Lazaroni foi por outro caminho.

Palmeiras, de jeito nenhum...

"É muito difícil eu estar ausente do Brasil há mais de cinco anos...

E voltar para uma situação de série B que eu não acompanho.

Acho que eu não assumiria o Palmeiras no momento, caso fosse convidado.

Não seria uma coisa benéfica para mim."

Não seria benéfico.

Ou seja, prefere ficar no Catar Sport Club a ir para o Palestra Itália.

Lazaroni desprezando o Palmeiras...

A declaração de hoje chega em ótimo momento.

Quando Paulo Nobre e Brunoro garantem que nada mudará no clube.

A derrota para a Penapolense de ontem por 3 a 2 nada significa.

Não há pressa para reforços e Gilson Kleina não será cobrado.

Por pior que tenha montado a equipe, um caos de organização ontem.

Mesmo com conselheiros já defendendo Dorival Júnior e Jorginho.

O que importa é tentar trocar Luan por Josimar do Internacional.

Um atacante titular por um volante sem espaço no Beira Rio.

Com mais de R$ 200 milhões em dívidas.

Adiantamentos já feitos por Tirone de cota de transmissão de TV.

Mais empréstimos tomados, o Palmeiras está encurralado.

Com um péssimo elenco, sem dinheiro.

E a Libertadores começando no dia 16 de fevereiro para o clube.

Em seguida, virá a Segunda Divisão.

Sebastião Lazaroni está mais do que certo.

O Palmeiras não seria uma coisa benéfica para ele.

Muito melhor desfrutar o Catar do que o atual Palestra Itália.

A fama do Palmeiras atravessou o mundo...

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