1fotoarena Se não fosse por Marcelo Oliveira, Gabriel Jesus teria ido embora do Palmeiras. Ao contrário de Oswaldinho, ele apostou no menino e esqueceu os medalhões... Enquanto isso, a torcida do Cruzeiro implora pela demissão de Vanderlei Luxemburgo...
Assim que o Palmeiras fez 3 a 0, Gilvan Tavares foi aconselhado a ir embora do Mineirão. E foi o que fez. O presidente do Cruzeiro estava sendo xingado e ameaçado no seu camarote. Torcedores do atual bicampeão brasileiro estavam inconformados com o dirigente que desmanchou uma equipe excelente. A tirou da mão de Marcelo Oliveira. E a entregou para ninguém menos do que Vanderlei Luxemburgo, técnico que vem de sete demissões.

O time cruzeirense afunda no Brasileiro. Está a um ponto da zona do rebaixamento. Sobreviver ao confronto com o Palmeiras e seguir para as quartas da Copa do Brasil. Este seria o remédio para espantar a crise. Gilvan avisou o treinador. Ouviu que tudo seria diferente. Só que o presidente percebeu, aos 33 minutos, o quanto as promessas do treinador Luxemburgo se tornaram vazias.

Ao final da partida, com a eliminação da Copa do Brasil, por 3 a 2, a torcida cruzeirense mostro que o encanto com seu decadente técnico acabou. E um potente coro dominou o Mineirão.

"Adeus, Luxa. Adeus, Luxa. Adeus, Luxa."

Para variar, o treinador seguiu o mesmo script que já virou rotina. Assume time que diretoria quer um dar um choque. Acerta salários, dá entrevista coletiva, promete que colocará a equipe no eixo. Afasta algum atleta conhecido. Anima o grupo. Depois ele mesmo desanima. Começa com trocas táticas incoerentes. Opções erradas de titulares. A reação logo acaba. Passa a ser pressionado até que é demitido. Este próximo passo está perto de ser dado. Porque, também como sempre, Luxemburgo não pedirá demissão.

Sem nada a ver com isso, o Palmeiras se deleitou no Mineirão. Principalmente graças à visão de Marcelo Oliveira. Ele percebeu que contra os lentos Bruno Rodrigo e Paulo André, a melhor aposta seria Gabriel Jesus. Com o jovem habilidoso e rápido jogador, seria fácil aproveitar o presente oferecido por Luxemburgo.

 Se não fosse por Marcelo Oliveira, Gabriel Jesus teria ido embora do Palmeiras. Ao contrário de Oswaldinho, ele apostou no menino e esqueceu os medalhões... Enquanto isso, a torcida do Cruzeiro implora pela demissão de Vanderlei Luxemburgo...

E assim foi. O treinador cruzeirense preparou seu time para o ainda inseguro Lucas Barrios, o trombador Leandro Pereira e o rápido, mas péssimo finalizador, Dudu.

Mas entrou o garoto de apenas 18 anos entrou e transformou toda a partida. Deu um gol para o paraguaio, sofreu falta que valeu a justa expulsão de Bruno Rodrigo. E marcou dois gols. Um deles, sensacional. Foi o principal personagem na vitória por 3 a 2, e pela classificação às quartas de final.

"Todos me elogiaram, deram parabéns, mas não dá para ficar satisfeito. É um começo e um jogo. Pelo jeito que eu subi, pretendo fazer mais jogos assim. O celular está vibrando para caramba. Deve ser minha mãe, meus familiares, amigos..." dizia Gabriel Jesus no Mineirão.

A frase 'pelo jeito que eu subi' resume muito bem as dificuldades que enfrentou. Vale a pena reproduzir parte do texto que saiu em fevereiro deste ano no blog.

"Gabriel Jesus. Ele surgiu no Anhanguera, clube amador. Na Copa São Paulo sub-15, marcou 29 gols. Cobiçado por vários clubes, o Palmeiras se antecipou. E fechou contrato em julho de 2013, aos 16 anos, até dezembro de 2015. A promessa ganhava R$ 2,5 mil. Continuou se impondo. Marcou 37 gols em 22 partidas no Campeonato Paulista de Juniores. Sua multa rescisória se tornou baixa: R$ 3 milhões. Era um risco assinar com outro clube.

O São Paulo era o principal interessado. Conselheiros garantiram que foi ofertado ao garoto uma casa no valorizado condomínio de Alphaville, em Barueri. Bastaria ele não renovar seu vínculo com o Palmeiras. Paulo Nobre ouviu essa história e resolveu oferecer um contrato de quatro anos ao jovem atacante.

3ae29 Se não fosse por Marcelo Oliveira, Gabriel Jesus teria ido embora do Palmeiras. Ao contrário de Oswaldinho, ele apostou no menino e esqueceu os medalhões... Enquanto isso, a torcida do Cruzeiro implora pela demissão de Vanderlei Luxemburgo...

A renovação não foi fácil. Os empresários do menino sabiam que havia outros interessados. Primeiro mudaram seu nome. De Gabriel Fernando, passou a Gabriel Jesus, mais marcante. E trataram de avisar à diretoria palmeirense. Queriam uma parcela maior dos direitos de Gabriel para ele ficar. Sem saída, Nobre cedeu. Renovou o vínculo até 2019. Mas o Palmeiras ficou com apenas 30% dos direitos do jogador. O clube tinha 80%. Era isso ou o jogador não renovaria.

Seus salários saltaram para R$ 15 mil até o final do ano. Em 2016, pularão para R$ 25 mil. R$ 35 mil em 2017. R$ 45 mil em 2018. R$ 60 mil em 2019. Sua multa rescisória saltou de R$ 3 milhões para R$ 30 milhões."

Há seis meses, Oswaldo de Oliveira fechava os olhos para o menino. Os próprios companheiros de treino não entendiam. Gabriel Jesus impressionava por suas arrancadas, dribles, mas o inseguro Oswaldo preferia jogadores rodados, recém contratados por Alexandre Mattos.

Os empresários do garoto, Fabio Caran e Cristiano Simões, não se conformavam em ver Maikon Leite, Rafael Marques, Cristaldo e Leandro Pereira no ataque. Quando Alecsandro e Lucas Barrios foram contratados, chegaram à conclusão que era melhor negociá-lo. Mas um homem evitou o desperdício.

Marcelo Oliveira chamou Gabriel Jesus para uma longa conversa. O técnico trabalhou por anos na base do Atlético Mineiro. E sabe valorizar jovens talentos. Apesar de não estar no DNA do Palmeiras apostar nos seus garotos, o treinador deixou claro que, com ele, iria jogar. Desde que continuasse treinando tão bem, com tanta dedicação. Pouco importariam o dinheiro gasto por Paulo Nobre para buscar outros atacantes rodados.

 Se não fosse por Marcelo Oliveira, Gabriel Jesus teria ido embora do Palmeiras. Ao contrário de Oswaldinho, ele apostou no menino e esqueceu os medalhões... Enquanto isso, a torcida do Cruzeiro implora pela demissão de Vanderlei Luxemburgo...

Os empresários perceberam que o cenário realmente estava mudando. Marcelo Oliveira era bem diferente de Oswaldo de Oliveira. Esqueceram os contatos com empresários europeus. Decidiram acreditar no treinador e atender a vontade do menino. "Eu quero vencer no Palmeiras antes de ir jogar fora", disse o atacante.

O que aconteceu ontem no Mineirão não surpreendeu conselheiros e pessoas ligadas à base do Palmeiras. O futebol do atacante sempre mostrou talento diferenciado. Havia a eterna incerteza se o time principal daria espaço a Gabriel Jesus.

Foi até engraçada a maneira que Gabriel revelou descobrir que jogaria ontem.

"Fiquei sabendo que ia jogar, estou até desnorteado...na segunda, quando a gente treinou, né? Não, na terça, ontem. Então ele (Marcelo Oliveira) me passou tranquilidade, falou para eu demonstrar meu futebol, marcando, juntando, com compromisso, mas para jogar com a bola. Pude mostrar meu futebol. E é só o começo", prometia.

Esse é o futebol brasileiro, a vida, a sorte. Se não chegasse um treinador que acreditasse em jovens garotos, ele agora poderia estar fazendo as malas. E embarcando para a Udinese, Málaga, Eintracht Frankfurt. Qualquer time pequeno europeu, buscar seu futuro. Mas ficou e a perspectiva de sua carreira mudou.

Melhor para o Palmeiras e para o próprio garoto de 18 anos.

Gabriel Jesus precisa agradecer a coragem de Marcelo Oliveira.

O técnico bicampeão do país que Gilvan mandou embora.

Para ficar com Vanderlei Luxemburgo.

Pena que o presidente tenha ido embora antes do Mineirão.

Se não, ouviria o que a torcida pensa do 'seu' treinador.

A mesma torcida desvalorizada por Isaias Tinoco.

Não por acaso, dirigente parceiro de Luxemburgo...

http://r7.com/SAGA