1ae6 Sabella, Luxemburgo, Abel, Braga. O São Paulo está sem rumo. Não sabe quem contratar para o lugar de Muricy. Postura amadora, perdida da diretoria, acaba com a aura de clube diferenciado, moderno...
O que André Villas-Boas, Vanderlei Luxemburgo, Alejandro Sabella, Abel Braga e Mano Menezes têm em comum? A falta total de rumo da diretoria do São Paulo. Carlos Miguel Aidar e Ataíde Gil Guerreiro não sabem quem contratar para o lugar de Muricy Ramalho. A cada instante, o presidente e o vice têm uma 'ideia brilhante'. Já acionaram empresários para sondar os treinadores, quem aceitaria assumir o mais rápido possível o clube. E pelo menor preço. Poucas vezes na história recente se viu o clube com dirigentes tão perdidos.

Muricy Ramalho tem diverticulite desde 2011, quando trabalhava no Santos. São quatro anos de tratamento paliativo. As pedras na vesícula apareceram no ano passado. A recomendação médica era a retirada dessas pedras para evitar que se pudesse se transformar em pancreatite, doença muito mais grave. As viagens, as noites mal dormidas, o stress são cúmplices para deixar o quadro perigoso para um paciente de 59 anos.

Aidar e Ataíde desprezaram o diagnóstico do treinador. Acreditaram na sua vontade de continuar e ponto final. Jogaram o futuro do São Paulo na Libertadores, torneio mais importante de 2015, nas mãos de um treinador doente. A incompetência fica maior porque sabiam que o grupo é problemático, formado por jogadores pouco competitivos, caríssimos, mimados. Até o auxiliar Tata, que completará 62 anos, já não mostrava tanto vigor para ajudar seu parceiro.

O presidente e o vice de futebol tiveram todas as férias para contratar um novo técnico. O contrato com Muricy, assinado até o final deste ano, não previa multa. Aidar não teve coragem de mexer com o treinador que foi vice campeão brasileiro. E que servia como escudo para a imprensa. Uma pessoa capaz de desviar o foco da guerra com Juvenal. Era só isso que a cúpula do clube queria enxergar.

Mas o futebol do time se deteriorou. Muricy não conseguia definir esquema, escalação. Nem fazer com que os atletas se comprometessem em campo. Até as amizades são superficiais. Não há cumplicidade, comprometimento. Tudo ficou agravado com a diretoria atrasando direito de imagem. E, erro maior, não pagando o prometido bônus da classificação para a Libertadores de 2015. Os atletas ficaram irritados, se sentiram enganados com o atraso.

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A saúde de Muricy acompanhava o ritmo do time. Piorou muito rápido. Até a demissão de ontem. Não houve comum acordo. Os dirigentes do São Paulo deixaram claro que ele deveria ir se cuidar. Mas, esperto, entendeu que sua presença se tornou mais do que dispensável. A derrota para o limitado Botafogo de Ribeirão foi a gota d'água.

Em janeiro, Muricy deixou de ser o técnico até o final de mandato de Aidar. O dirigente mudou a conversa e disse que ele cumpriria seu contrato até dezembro. Depois seria liberado para se operar. Um europeu, provavelmente, André Villas-Boas, entraria no seu lugar. E Muricy não voltaria. Mas os fracos resultados fizeram Aidar decidir tirar o treinador ontem.

O português Villas-Boas está muito bem empregado. Dirige o Zenit da Rússia. E seu time caminha para ser campeão nacional. Está recuperando sua imagem na Europa, depois do fracasso no Totenham. Só viria para o São Paulo se sua campanha com o Zenit também naufragasse. O que não foi o caso.

"Meu planejamento não existe mais", afirmou Ataíde, sem rumo. Ele queria de todas as maneiras segurar Muricy. Porque teme exatamente o que está acontecendo. Vaidoso, Aidar quer o nome de maior impacto possível para a mídia, para a torcida. Por isso deixou vazar que pode se encontrar com Alejandro Sabella, ex-treinador da Seleção Argentina. Ele foi vice campeão da Copa de 2014.

O presidente ficou entusiasmado ao saber que o técnico havia jogado no Grêmio e foi auxiliar de Daniel Passarella no Corinthians. Tem muita familiaridade com o futebol brasileiro, com o português. Bem ao contrário do que aconteceu com Gareca no Palmeiras. Mas o que fez Aidar quase dar cambalhotas foi o quanto ele recebia na Seleção Argentina. Trabalhou por três anos por lá recebendo R$ 400 mil mensais. Menos do que Tite, Abel e Mano recebiam no Brasil.

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Sabella quis descansar após o Mundial. Esperava ter um ano sabático e voltar a trabalhar no futebol europeu no meio deste ano. De acordo com a imprensa argentina, ele recebeu sondagens de equipes espanholas. Sua personalidade é forte, é um homem sério. Seu esquema tático exige jogadores comprometidos, vibrantes, intensos. Seria um choque para o acomodado time são paulino.

Ataíde ainda está tentando fazer valer o seu cargo. Ele não quer que o presidente contrate o técnico. E por isso tem pressa. Vazou de propósito o interesse por um treinador de ponta brasileiro. A princípio, seu preferido seria Abel Braga. O ex-treinador do Inter, campeão da Libertadores, está livre. Mas é caro, seu último salário no Beira-Rio, em 2014, era de R$ 700 mil. E ainda tem sondagem do futebol árabe.

Antes do previsível e também desempregado Mano Menezes, há Vanderlei Luxemburgo. O treinador que Juvenal Juvêncio havia jurado que nunca pisaria no Morumbi. "Ele não tem o perfil do São Paulo. Técnico no meu clube é técnico. Não manager, não vende ou compra jogador. Comigo, não", repetia Juvenal. Mas não é assim que pensa Ataíde. Ele gostou demais do renascimento do treinador no Flamengo. Elogia sempre que pode o seu trabalho para conselheiros no Morumbi. Repete que, desde que não o deixe tentar mandar no departamento de futebol, Luxemburgo seria ótima opção.

Midiático, o avô de 62 anos seria ótimo escudo. Desviaria o foco da imprensa com suas declarações estudadas para ganhar manchetes. O interesse é real.

Luxemburgo não se fez de rogado. "Se eu tiver proposta de alguém tenho direito de discutir a proposta. Aceitar ou não é outra história. Qualquer um de nós tem direito de discutir. O que não pode é passar por mercenarismo. É simplesmente profissionalismo", disse ontem no Sportv. Ou seja, seu 'projeto' na Gávea não é tão imutável, não. Empolgado, falou até em como fazer o problemático Ganso render.

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"Quando você tem um 10 como o Ganso, você tem que ter no meio jogadores que tenham dinâmica de acompanhar por trás o time, com boa qualidade, e dar liberdade para esse 10 encostar nos três da frente, por trás do atacante, para distribuir a jogada.". Vanderlei é o técnico que melhor sabe se vender no Brasil. Seu salário no Flamengo é de R$ 400 mil. Como ele estava em baixa, passou oito meses desempregado, renovou até dezembro sem aumento.

O também desempregado Paulo Roberto Falcão está sendo oferecido. Ele aceitaria um salário baixo para poder voltar a trabalhar. Há resistência porque seus últimos trabalhos como técnico foram péssimos.

Há ainda algo pior. A indefinição sobre a interinidade de Milton Cruz. Aidar e Ataíde não sabem se será bom deixar o auxiliar comandar o time nos mata-matas do Paulista e nos jogos decisivos da Libertadores. E preservar o novo treinador. Ou se já colocam o contratado no fogo, de uma vez. Vão deixar a decisão nas mãos do contratado. É muito amadorismo.

Há sim também uma decepção em relação à postura de Rogério Ceni. O líder dos jogadores lavou as mãos em relação a Muricy Ramalho. Nem o apoiou muito menos pediu a sua saída. Conseguiu decepcionar o ex-treinador e também a cúpula são paulina. Não exerceu foi ídolo participativo que todos esperavam. Por isso Aidar e Ataíde não querem se dar ao trabalho de consultá-lo na escolha do novo técnico.

O certo é que o São Paulo está perdendo tempo precioso. Jogando fora a competição mais desejada, valiosa de 2015. Atrasando direitos de imagem, premiação. Sem saber sequer o perfil do comandante do seu futebol. Foi além, acabou com sua aura de clube aristocrático, diferenciado, visionário.

Com seus comandantes sem rumo e ligados a torcidas organizadas. Cobrando ingressos caríssimos, espantando o torcedor comum, fazendo o clube perder apoio quando mais precisa. O clube se mostra tão amador, ultrapassado como qualquer outro deste país. Se nivelou por baixo...
1reproducao13 Sabella, Luxemburgo, Abel, Braga. O São Paulo está sem rumo. Não sabe quem contratar para o lugar de Muricy. Postura amadora, perdida da diretoria, acaba com a aura de clube diferenciado, moderno...

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