flickatleticomineiro Ronaldinho Gaúcho e Independência. Um jogador renascido e um caldeirão fazem Belo Horizonte voltar a ser a capital do futebol. O Brasil é obrigado a olhar admirado para o Horto. Para o Atlético...
Um jogador e um estádio mudaram o eixo do futebol nacional.

Ronaldinho Gaúcho e o Independência redescobriram Minas Gerais.

O Estado estava afastado das grandes façanhas.

O último título nacional do Cruzeiro já tem dez anos.

O do Atlético, 42 anos.

Nos últimos anos, os dois estavam irmanados nas decepções.

A ponto de em 2011 jogarem valendo o rebaixamento celeste.

Tão salvadora quando estranha, uma goleada por 6 a 1 salvou o Cruzeiro.

Apesar do vexame, Alexandre Kalil resolveu manter Cuca.

O treinador reformulou o time.

Apesar do apoio econômico do banco BMG, faltava o brilho.

E ele veio de maneira inesperada.

Com Ronaldinho Gaúcho se desentendendo com o Flamengo.

Faltou profissionalismo à Patrícia Amorim e sua equipe.

O clube não conseguiu capitalizar o importante nome mundial.

Patrocinadores não vieram, salários foram atrasados.

E o jogador descontava sua raiva se perdendo na gandaia.

As farras o tiraram da seleção, o fizeram deixar de ser levado a sério.

A inesperada virada veio graças a Cuca.

O treinador havia atuado com Assis no Grêmio, quando Ronaldinho era garoto.

Foram muito amigos, de frequentar a casa um do outro.

Cuca enxergou a oportunidade e conversando com Assis, resolveu bancar o meia.

Convenceu Alexandre Kalil que valeria a aposta.

O dirigente só quis ter a certeza de que não compraria briga com o Flamengo.

Isso ficaria por conta de Assis e Ronaldinho.

Pagaria menos da metade dos R$ 1,25 milhão que deveria receber na Gávea.

Por R$ 500 mil, o jogador surpreendeu o Brasil e aportou em Belo Horizonte.

Ao mesmo tempo, a confusa reforma do Independência chegava ao final.

Foram quatro anos e R$ 125 milhões até o estádio acanhado ser reinaugurado.

Kalil não quis participar da administração do Mineirão com o Cruzeiro.

Viu no acordo com a BWA mais vantagens e fechou por 10 anos.

Lá seria o caldeirão atleticano.

Um estádio para 23 mil pessoas, com inclinação de 45%.

Com seis mil pontos cegos.

Lugares onde o torcedor sentado não vê 100% do gramado.

Por isso é normal que todos acompanhem os jogos em pé.

A pressão a favor do Atlético fica insuportável ao adversário.

Tanto que desde a sua reinauguração, o time não perdeu.

São 32 jogos de invencibilidade.

Não é por acaso que atleticanos ironizam.

"Caiu no Horto, tá morto."

O Independência fica no bairro do Horto.

O sucesso é tão grande no estádio que Kalil decidiu.

O Atlético quer a ampliação da arena, para 40 mil torcedores.

Enquanto ela não acontece, o dirigente segue os passos de seu rival.

Sangra seu torcedor como Andrés Sanchez.

Os preços para o jogo de hoje são revoltantes.

Vão de R$ 50,00 a R$ 400,00.

Na prática, o estádio passa a ter o mesmo que 40 mil pessoas.

Os torcedores pagam o dobro, o triplo, do preço normal.

Empolgados com a campanha, os atleticanos lotarão o estádio.

Ronaldinho Gaúcho foi responsável pelo estado de euforia.

No ano passado, ele mostrou não estar morto.

Grande parte da imprensa não acreditava mais nele.

Tive acesso a várias informações na Gávea.

Seu estado físico era pavoroso.

1reproducao7 Ronaldinho Gaúcho e Independência. Um jogador renascido e um caldeirão fazem Belo Horizonte voltar a ser a capital do futebol. O Brasil é obrigado a olhar admirado para o Horto. Para o Atlético...

Gordo, desinteressado, com noites viradas.

Sua explosão muscular, os reflexos eram de um quarentão.

Assis buscava interessados no Oriente Médio, no Leste Europeu.

Mas não conseguia.

Mano Menezes deixava claro que ele havia sabotado a carreira.

Não só na seleção, mas mesmo na sua vida nos clubes.

Eu acreditei que Kalil havia embarcado em uma aventura sem futuro.

Queria apenas levar os holofotes para seu clube.

É o que provavelmente aconteceria.

Se Ronaldinho Gaúcho não tivesse ficado com o orgulho ferido.

E encontrado Cuca e Carlinhos Neves.

O treinador atleticano o tratou como um irmão mais novo.

O protegeu e mostrou que o time jogaria em função dele.

Só pediu responsabilidade, fim das noites viradas.

Das manhãs dormidas nos vestiários com a desculpa de musculação.

Isso não aconteceria na Cidade do Galo.

E Carlinhos Neves o incendiou.

O preparador físico do Atlético estava na seleção.

Garantiu a ele que o Brasil não tinha um meia, uma referência.

E que se levasse a sério a sua preparação, haveria tempo para a Copa.

Foi dedicação total de ambos os lados.

Ronaldinho Gaúcho deixou o Brasil de queixo caído.

Calou os descrentes, como este jornalista.

Foi ótimo para o futebol brasileiro.

Até ao Cruzeiro, que precisou se virar, voltar a investir.

O Atlético Mineiro tinha equipe para ser campeão do País.

O título escapou.

Mas veio a classificação para a Libertadores.

Depois de 13 anos, o clube retornou à competição mais importante da América.

Com o time mais amadurecido, com Tardelli, Gilberto Silva.

O Independência se transformou no Bombonera mineira.

Um caldeirão insuportável aos adversários.

O Atlético ganhou 100% dos pontos atuando em casa.

Recebe o São Paulo hoje mais do que empolgado.

A campanha do time paulista fora dos seus domínios dá vergonha.

Foram quatro jogos e quatro derrotas.

Perdeu para o Bolívar, Arsenal, The Strongest e Atlético Mineiro.

Cuca se mostra mais consciente, mais confiante.

Sua síndrome das decisões parece estar sob controle.

Ronaldinho Gaúcho e o Bombonera do Horto o acalmam.

Ele pode olhar com confiança ao grande time que montou.

Uma equipe técnica, vertical, objetiva.

Que é empurrada pelos gritos dos seus satisfeitos torcedores.

Kalil venceu Juvenal e emplacou árbitros estrangeiros para os confrontos.

Na vitória por 2 a 1 no Morumbi, o paraguaio Antonio Arias.

E hoje, o uruguaio Roberto Silveira comandará a partida.

A vitória nos bastidores foi grande.

Newell’s x Vélez tem arbitragem argentina.

Mas no confronto entre brasileiros, estrangeiros.

Ronaldinho Gaúcho concordou com a decisão do dirigente.

E se sente mais à vontade em campo com árbitro de fora.

Muito melhor ainda no Independência.

O jogador e o estádio fizeram exatamente o que Kalil sonhava.

Tiraram os holofotes do eixo do Mal, São Paulo e Rio.

O País hoje é obrigado a olhar para Minas Gerais.

A um caldeirão incandescente chamado Independência.

Nele, um tal camisa 10 que renasceu para o futebol.

Belo Horizonte hoje é a capital do futebol hoje no Brasil.

Graças a um jogador e um estádio...
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