1reuters4 Rogério Ceni insinua disputar a Libertadores de 2014. E reanima o São Paulo. Sua aposentadoria pode passar para 2014. Para a raiva dos rivais que comemoravam seu humilhante fim de carreira...
Não está acontecendo nada do que sonhara.

O que deveria ser fim da carreira está sendo um suplício.

A eliminação no Paulista justo contra o Corinthians.

A sétima seguida.

Ele estava em todas as quedas nas semifinais.

Agora, o vexame na Libertadores.

Justo na competição mais desejada.

Da pior maneira possível.

Com o time perdendo seis dos dez jogos que disputou.

O preço de ser o maior ídolo do São Paulo veio à tona.

Virou motivo de piada nacional.

Se é amado pelos tricolores, sua arrogância cultivou inimizades.

Ao contrário de Marcos, as torcidas rivais o detestam.

Assim como grande parte da imprensa.

Inclusive a que frequenta todos os dias o treinamento do São Paulo.

Ele é prepotente, não tolera opinião contrária à sua.

Graças a seu gênio difícil não teve vida longa na seleção.

Disputou apenas 17 jogos como titular.

Mesmo tendo potencial para bem mais.

Fez do Morumbi seu reinado.

Começou de uma maneira que assustaria até a mulher de Denis.

Aquela que reclamou de Ceni na internet.

Por ele não dar chance ao marido.

Nem mesmo machucado, gripado.

Ceni sempre foi assim.

Nunca deu oportunidades para seus reservas.

Todos tiveram de se conformar em treinar e assistir aos jogos do banco.

Rogério tem 23 anos de São Paulo.

E 17 como titular absoluto.

Ganhou a posição em 1996 de maneira surreal.

Encurralou os dirigentes.

Ele tinha proposta do clube de seu coração na infância.

O Inter queria levá-lo e ele não desejava mais ficar na reserva.

A diretoria tomou um susto com a arrogância do jogador.

Mas se dobrou, vendeu Zetti ao Santos.

A partir daí, ninguém mais o questionou.

Virou o maior jogador de todos os tempos do São Paulo.

A paixão pelo Inter foi esquecida, virou coisa de criança.

O amor ao tricolor paulista é incontestável.

Como sua absurda dedicação ao clube.

Ninguém ganhou tantos títulos.

Ou entrou tantas vezes com a camisa tricolor.

Ousado, talentoso com a bola parada.

Virou cobrador oficial de pênaltis e faltas do time.

Coitados dos treinadores que tentaram dizer não.

Como Mário Sérgio.

Foram enxotados do Morumbi.

Rogério Ceni quebrou recorde atrás de recorde.

Só que os anos se passaram.

Inclusive para ele.

Vieram as consequências.

Como a diminuição da explosão muscular.

As dores por tantos treinamentos são insistentes.

Não tem mais condições de aprimorar faltas como adorava.

Ombro e tornozelo operados.

Os 40 anos chegaram.

Assim como o que deveria ser inevitável: a aposentadoria.

Anunciada oficialmente quando o São Paulo derrotou o Atlético no Morumbi.

Era a última partida da fase de grupos da Libertadores.

Sua preleção foi arrepiante.

Mostrou porque os jogadores e os dirigentes o veneram.

Ele é um grande líder, sem dúvida.

A vitória salvou o time da eliminação, deu esperança de título.

Para quem se considera um predestinado, tinha certeza.

Seu último ano de futebol seria marcante, vitorioso.

Rogério Ceni acreditava nisso piamente.

Só que a realidade veio à tona.

Já no Paulista.

A eliminação diante do time que mais odeia.

O Corinthians.

Contra o time que teve o prazer de marcar seu centésimo gol.

Mas em compensação, está perto de tomar também 100 gols.

Estatísticas divergem.

Mas a maioria aponta 84 gols sofridos.

Não queria justo o maior rival o tirando da final estadual.

Mas ele ainda não controla o destino.

Por isso o desespero na cobrança de pênalti de Pato.

Se adiantou seis passos, defendeu, mas passou por vexame.

A cobrança foi repetida e sofreu o gol, a eliminação.

Sua arrogância acabou exposta novamente.

"Eu me adianto.

Fica por conta do juiz ter peito para mandar voltar."

Ou seja, aposta na intimidação do árbitro diante dele.

Ceni criou sua imagem arrogante, ninguém mais.

Por isso não se queixa.

A articulação da direção do clube fez um trabalho ruim.

Ney Franco foi uma decepção.

Demorou demais para definir um time.

Não soube encaixar o caríssimo Paulo Henrique Ganso.

Lúcio e Luís Fabiano, veteranos indicados por Ceni, sabotaram o time.

Até que veio a decisão, a luta pela sobrevivência na Libertadores.

A competição que o São Paulo ensinou a sua importância aos brasileiros.

A partida em Belo Horizonte exigiria maior superação.

Derrotar o Atlético no Independência.

Ceni acreditava que o destino reservava esse feito no seu último ano.

Tinha a esperança de ser um jogo épico.

E tentou espalhar essa confiança ao time, a Ney Franco.

Suas palavras no vestiário antes do jogo nunca serão públicas.

Só quando o time vence as preleções são reveladas.

Suas previsões falharam.

O time outra vez ficou de joelhos diante do rival.

No gramado do Horto, o São Paulo foi humilhado.

Ele teve de pegar a bola nas redes por quatro vezes.

Justo na que seria a última Libertadores, o maior vexame.

"Acho que é a pior que eu participei", admite.

A campanha do São Paulo foi realmente ridícula.

Em dez partidas, perdeu seis jogos.

Ganhou três e empatou um.

Foi derrotado nas cinco vezes em que saiu do Morumbi.

Fez 19 gols e tomou 18.

Rogério Ceni é o recordista entre todos os jogadores brasileiros.

Participou de nove Libertadores como titular.

E três na reserva de Zetti.

Atuou 82 vezes.

Marcou 14 gols, artilheiro do São Paulo na disputa.

Esperava que a disputa de 2013 fosse consagradora.

Queria sair por cima.

Não humilhado, ridicularizado por torcedores.

Não, Rogério Ceni.

Aí escapou o que não queria deixar escapar.

Seu ego falou mais alto, para variar, no vestiário.

Não quis confirmar que esta foi sua última Libertadores.

Quer ir além.

Para alegria de Juvenal Juvêncio, que é contra a sua aposentadoria.

"Não vou fazer previsão de futuro.

Já chega ter que responder da derrota.

Não vou fazer projeção do futuro, não tem condições."

Ou seja, não confirmou que esta tinha sido a sua última Libertadores.

Deixou no ar que pretende disputar mais uma.

Suas frases ditas na madrugada já dominam o Morumbi.

A direção do clube ganhou novo ânimo.

O time será reforçado para o Brasileiro.

A cobiça por uma vaga na Libertadores de 2014 voltou.

É obrigação para Juvenal Juvêncio.

O dirigente septuagenário deixará o cargo em abril do próximo ano.

Ele quer sair com o time na competição mais desejada.

Quer ir até o final da disputa, já que faz o que quer no São Paulo?

Para isso, conta com Rogério Ceni como titular, aos 41 anos.

O primeiro passo em direção a isso foi dado ontem no Independência.

Em plena humilhação após o 4 a 1.

Antes disso há o Brasileiro.

E a sonhada Recopa, dois jogos contra o Corinthians.

Ou, se as duas diretorias conseguirem, apenas um.

Mas disputado na China.

Há sim essa possibilidade remota.

É lógico que Rogério Ceni estará em campo.

Testará sua condição física.

Porque seu ego já o empurra.

Ele quer continuar em 2014.

E disputar a Libertadores derradeira.

Mas de maneira digna.

Com um grupo mais forte, talvez um técnico menos inseguro.

Tem todo o apoio de Juvenal Juvêncio para continuar.

E é o que deseja.

Para o bem ou para o mal.

Deixar o futebol de maneira humilhante seria a morte.

Ainda mais para alguém que fez da arrogância a chave do sucesso.

Por isso a gana de continuar mesmo aos 41 anos.

A última Libertadores pode ter virado a penúltima.

O goleiro não admite sair assim tão por baixo.

Humilhado.

Não, ele não.

O dono do maior ego de todo futebol brasileiro.

Sua carreira pode ter ganhado uma sobrevida inesperada.

Mais um ano com a camisa do São Paulo.

Ficam duas perguntas sem respostas.

Que tem coragem de dizer não a Rogério Ceni?

Por que será que seus rivais querem tanto sua aposentadoria?
1gazeta6 Rogério Ceni insinua disputar a Libertadores de 2014. E reanima o São Paulo. Sua aposentadoria pode passar para 2014. Para a raiva dos rivais que comemoravam seu humilhante fim de carreira...

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