divulgação53 Ricardo Gomes um técnico gentil demais para o Vasco da Gama... para o Brasil...
Acabo de falar com uma pessoa que acompanhou toda a trajetória de Ricardo Gomes no São Paulo.

Alguém vivido no futebol.

Ele me confirma que, na sua opinião, não existe homem mais "distinto e de princípios" no futebol brasileiro.

Homem de caráter, digno até na hora de dar as broncas nos jogadores.

De preferência na sua sala, com tom de voz baixo.

Ele me diz que Ricardo cobrou vários jogadores importantes e ninguém ficou sequer sabendo.

Assumiu o São Paulo no lugar de Muricy Ramalho.

Mas sem a alma de Juvenal Juvêncio.

Ele estava entregue na busca de fazer do Morumbi palco da abertura da Copa do Mundo.

E quanto mais dificuldades ele encontrou na CBF e na Fifa, o Juvenal teimou.

A ponto de deixar Ricardo Gomes entregue à frágil proteção do vice-presidente de apelido Leco.

Depois dos gritos, dos palavrões de Muricy, a educação de Ricardo Gomes foi mal interpretada.

Os jogadores se sentiram à vontade demais.

Tiveram saudade das cobranças em voz alta.

"Jogador de futebol é um ser estranho.

Detesta cobrança.

Mas não suporta mesmo é ser bem tratado."

Quem disse isso foi Cruyff.

O holandês odiou a transição de um jogador genial a um treinador ríspido.

O São Paulo sem dinheiro para contratações e sob uma pressão enorme.

Fracassou na tentativa da conquista do Brasileiro de 2010.

O que significaria a vitória da infraestrutura e não do treinador, o tricampeão Muricy Ramalho.

Depois outro vexame no Paulista.

Eliminação fácil demais para o Santos de Neymar e Ganso.

As forças ficaram para a Libertadores.

Ricardo Gomes foi o comandante na vergonhosa atuação do time contra o Inter em Porto Alegre pelas semifinais.

Poucas vezes o São Paulo foi tão covarde.

Na volta, a eliminação da final da Libertadores em pleno Morumbi.

Juvenal Juvêncio jurou que não iria demitir o "Francês", como era chamado por conselheiros poderosos no Morumbi.

E não o demitiu.

Esperou apenas definhar.

Quando acabou seu contrato foi embora do clube, em agosto.

Desde então ficou desempregado.

Foi procurado por Roberto Dinamite depois das recusas de Carlos Queiroz e Dunga.

Ele aceito o desafio de assumir um grupo fraco formado por jogadores limitados e veteranos sem comprometimento.

A dívida já passou dos R$ 400 milhões.

Dinamite quer Ricardo Gomes reconstruindo o futebol do clube.

A escolha foi controversa.

Outra vez pesou o regime presidencialista.

Dinamite definiu e ponto final.

Ricardo Gomes terá de enfrentar o problemático Carlos Alberto, como primeira missão.

Difícil situação.

Ainda mais para quem não está acostumado com o enfrentamento.

No auge da crise no São Paulo, ele teve um AVC.

Voltou antes do tempo recomendado pelos médicos.

Mas nem o gesto heróico despertou a simpatia dos dirigentes.

O respeito dos jogadores.

Ricardo Gomes só dará certo como treinador quando aprender a se impor.

No teatro do futebol a liderança de um grupo é conquistada aos gritos, aos murros na mesa.

Não com elegância.

Infelizmente é assim.

Talvez não na França, onde ele venceu a Copa da França, a Copa da Liga Francesa e o Troféu dos Campeões Franceses.

E no Brasil só venceu a Copa do Nordeste em 1999.

Aqui realmente é diferente.

Broncas, cobranças só aos gritos e na frente dos outros jogadores, com preferência perto de alguém da imprensa...

Aqui é assim...

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