415 Renato Gaúcho merece a estátua. Ele fez o Grêmio tricampeão da Libertadores. 2 a 1 no Lanús
Renato Gaúcho merece a estátua que tanto pede, em frente à arena gremista. Ele se tornou o primeiro jogador e técnico a vencer a Libertadores da América. Jogando com a personalidade e esperteza do seu comandante, o Grêmio se impôs diante do Lanús, por 2 a 1. Venceu as duas partidas da decisão. Desde 1963, uma equipe brasileira não conseguia o título mais importante do continente, em plena Argentina. O único clube a conseguir essa façanha foi o Santos de Pelé. E agora terá a chance de buscar o bicampeonato mundial, nos Emirados Árabes. O sonho é a decisão contra o Real Madrid.

Renato exorcizou o fantasma de 2008 quando, no comando do Fluminense, perdeu o título da Libertadores em pleno Maracanã, para a LDU, nos pênaltis. Depois de acabar com o jejum de 15 anos sem conquistas, venceu a Copa do Brasil em 2016 e hoje conquista o tricampeonato sonhado, há 22 anos, pelos gremistas. Parece que, finalmente, se assumiu como treinador de verdade.

O comportamento tático do seu time foi perfeito. Renato Gaúcho conseguiu tirar o máximo de seus jogadores. Muitos deles desacreditados como Fernandinho, Cortez, Ramiro, Cícero. E ainda potencializou o futebol de um quarteto, que merece estar presente no grupo que Tite levará para a Rússia. Marcelo Grohe, Geromel, Arthur e Luan têm todas as condições fazer parte da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2018.

Luan ganhou, com todo o mérito, o prêmio de melhor jogador da Libertadores de 2017.

Renato Gaúcho foi muito corajoso hoje. Ele sabia que o Lanús iria pressionar e esperava o time brasileiro atrás, tentando segurar a vantagem que havia conseguido, na vitória magra por 1 a 0. Só que, instruído por seu técnico, os gremistas atuaram como se estivessem em casa. Surpreenderam a tudo e a todos marcando a saída de bola do time argentino. Não permitindo que usasse sua principal arma, sair jogando com a bola dominada.

Jamais Jorge Almirón sonharia com tamanha ousadia.

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O resultado é que seu técnico time ficou perdido, sem saber o que fazer. Não era essa a partida que se preparou. A equipe esperava ter pela frente um Grêmio acuado, acovardado. E irritados, passaram a dar pontapés sem bola. Dar entradas maldosas. O que só animou os brasileiros. Mostraram que estavam inferiorizados no futebol e precisavam apelar para a violência. Ainda bem que a equipe gaúcha não entrou na provocação barata.

Tocando bola como se a Fortaleza, apelido do estádio do Lanús, fosse seu estádio. O que tirou toda a concentração do time argentino que, tenso, passou a errar passes, deixar aberta sua intermediária. Tentava vencer o jogo na força, não na estratégia. E deixou espaço precioso no seu sistema defensivo. E pagaria caro por isso.

Aos 27 minutos, Fernandinho, que sempre foi conhecido como um jogador disperso, mostrou toda a sua entrega. Versátil, ele não só atacou como marcou muito bem. E graças a este empenho, roubou a bola no meio de campo, com uma velocidade espantosa, deu um sprint inesperado com a bola, pegou a zaga argentina de surpresa e, ao invadir a grande área, acertou chute fortíssimo, indefensável para o bom Andrada. Grêmio 1 a 0.

O gol desnorteou de vez os argentinos. E calou quarenta mil torcedores do Lanús. Enquanto isso, os cinco mil gremistas faziam a festa. Cantavam, dançavam e pressentiam: o tricampeonato da Libertadores seria mais fácil do que parecia.

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Sem saída, precisando vencer agora por dois gols de diferença, o time de Jorge Almirón se abriu ainda mais. Arthur se desdobrava, dominando a intermediária. Geromel se impunha na área. Marcelo Grohe transpirava segurança, confiança para toda a equipe. Enquanto Luan, com espaço, mostrava cada vez mais o seu talento, a técnica quando a bola caía nos seus pés.

E aos 41 minutos, Luan recebeu a bola de Jaílson na esquerda, dominou a bola, deu um drible de corpo, fingiu que buscaria a linha de fundo, mas cortou para o meio da grande área. Os zagueiros não entendiam o que acontecia. Andrada saiu, desesperado. O atacante mostrou o sangue frio de um craque e o encobriu, dando um toque sutil na bola. Golaço. 2 a 0, Grêmio.

Todos no estádio sabiam. O título da Libertadores de 2017 já tinha dono. Seria uma questão de protocolo disputar o segundo tempo. O Lanús não teria condições de fazer quatro gols no time brasileiro.

O Grêmio voltou para campo já ciente que tinha uma vantagem grande demais. E se faltava a mesma ambição do primeiro tempo, o time se mostrava seguro na marcação. Não dava espaço para os argentinos, que atacavam muito mais no coração do que na estratégia. Acosta, o jogador que mais importunava a defesa gremista, acabou premiado. Ele sofreu pênalti, um tanto precipitado, de Jaílson. José Sand bateu com convicção, deslocando Grohe. 2 a 1, aos 25 minutos.

Mas com personalidade, os gremistas conseguiram controlar o jogo. Não se importaram com o desespero argentino. Mostraram toda a segurança das duas linhas de quatro, com dois jogadores abertos na frente para os contragolpes. Estratégia para defender difundida na Europa.

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Os brasileiros ficaram mais próximos de marcar o terceiro do que sofrerem o empate.

A firmeza mesmo jogando na Argentina era impressionante.

A vitória foi mais do que justa e sem sufoco.

Renato Gaúcho fez do Grêmio um time moderno, talentoso, confiante.

Fez à sua semelhança como jogador.

O tricampeonato da Libertadores é mérito todo seu.

Se ele já era o maior ídolo da história do Grêmio...

Depois de hoje, seu patamar exige, no mínimo, a tal estátua.

Renato Gaúcho conseguiu orgulhar hoje não só os gremistas.

Mas os brasileiros.

Que venha o Real Madrid...
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