1reproducao4 Raí chega para mandar no futebol do São Paulo. Não quer ser traído como Rogério Ceni
Leco é um dos dirigentes mais inseguros do país. E desde que realizou o sonho de sua vida, se tornar presidente do São Paulo, sempre procurou usar ídolos do clube como escudo. Foi assim com Rogério Ceni e Lugano. Por isso, Raí acaba de ser confirmado como o novo executivo de futebol.

Como não poderia deixar de ser, os veículos de comunicação destacam o acerto entre o campeão mundial e o clube. Na hierarquia da idolatria atual no Morumbi, Raí só perde para Rogério Ceni. E briga, cabeça a cabeça, com Lugano.

Mas o sorriso de satisfação de Leco pode sumir. E de maneira muito rápida. Além de ser preparado culturalmente, ter enorme vivência no futebol, Raí está longe de ser uma pessoa fácil de lidar. Principalmente quando as coisas não acontecem de maneira transparente, que fogem do combinado.

Em 2002, ele foi colocado no cargo de diretor de futebol do São Paulo, pelo falecido presidente Marcelo Portugal Gouvêa. Acabou ficando apenas três meses no cargo. O motivo? Não aceitou interferências e desprezo ao planejamento.

Raí tem ambições políticas no esporte. Ele pretende um dia assumir a presidência da CBF ou mesmo do São Paulo Futebol Clube. Criador, ao lado do ex-jogador Leonardo, da Fundação Gol de Letra, que atende cerca de mil crianças e adolescentes carentes em São Paulo e no Rio de Janeiro. E também é fundador e atuante da ONG Atletas pelo Brasil, que defende a modernidade e transparência na gestão dos clubes e das federações esportivas.

Além disso, Raí é extremamente rigoroso com a sua imagem. Sabe o que representa como tetracampeão do mundo e um dos maiores ídolos da história não só do São Paulo, mas também do PSG. É extremamente zeloso de tudo que se relaciona com seu nome.

Raí era o membro mais atuante no Conselho de Administração, órgão criado no São Paulo, para ajudar o presidente a administrar o clube. Ele é o mentor da ideia de revolucionar o futebol do São Paulo. Instituindo planejamento, metas, adequação dos garotos de Cotia ao time principal, comissões técnicas bem remuneradas e com profissionais qualificados na base. Respeitar de maneira quase religiosa o que for determinado para gastos. Acabar com o improviso.

E impor uma filosofia. Respeitando a sua insegurança e falta de rumo, Leco chega a nove comandantes no futebol, nos dois anos e dois meses que comanda o clube. É uma das grandes provas de quanto o presidente não sabe qual caminho escolher.

Importante, nenhum mísero título.

 Raí chega para mandar no futebol do São Paulo. Não quer ser traído como Rogério Ceni

Gustavo Vieira de Oliveira, sobrinho de Raí, Ataíde Gil Guerreiro, Luiz Cunha, José Alexandre Médicis, José Jacobson Neto, Marco Aurélio Cunha, Fernando Bracalli Chapecó e Vinicius Pinotti. Cada qual com sua ideia sobre o que seria melhor para o São Paulo. Pinotti foi além. Milionário, ele não só dava idéias ao clube, mas emprestava dinheiro. Foram mais de R$ 20 milhões. Quantia que precisa ser devolvida com sua demissão. Politicamente, foi anunciada a sua demissão. Mas ele seria demitido, devido ao fracasso em 2017.

Pinotti foi desrespeitado quando Leco se reuniu com o empresário e futuro gerente de futebol do Cruzeiro. O time de Belo Horizonte quer comprar Lucas Pratto. Pinotti só soube depois. E de uma maneira mal explicada. Tanto que até ameaçou procurar a Fifa e acusar o Cruzeiro de aliciamento. Quando, na verdade, Leco concordou em começar a negociação.

Leco fez com Pinotti exatamente o que fez com Luis Cunha. Ele mandou contratar o peruano Cueva sem o conhecimento do então comandante do futebol. Desmoralizado, Cunha pediu para ir embora, já que não tinha poder algum.

Raí acaba de concluir seu Mestrado Executivo da Uefa para Jogadores Internacionais. O curso durou dois anos e teve sete etapas em sete cidades diferentes: Lyon, Paris, Munique, Londres, Amsterdã, Barcelona e Nova York. A apresentação final foi em Londres. O ex-jogador fala muito bem francês e inglês.

O 'sim' de Raí só saiu hoje depois que teve a certeza que Leco lhe dará autonomia. Não quer a interferência direta do presidente nas decisões que tomar no futebol. E também ambos acertaram a remuneração. O novo responsável pelo futebol terá um salário significativo, coerente com o cargo.

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A partir de hoje, o planejamento para a temporada 2018 será decidida. O primeiro tópico será a permanência ou não de Dorival Júnior como treinador. Isso ainda não está claro. Seu trabalho é considerado por Leco como instável. Raí quer a participação efetiva, de quem for o treinador do clube para o próximo ano, nas dispensas de atletas. E principalmente na aquisição de jogadores.

Ao contrário do que sempre aconteceu com Leco, o técnico será respeitado. Será ele quem definirá se quer ou não os jogadores que farão o São Paulo gastar. E com Raí vigorará o orçamento de vendas. Ele não será jogado no lixo, como foi em 2017, quando a previsão era de R$ 60 milhões e foram vendidos R$ 182 milhões.

Há a possibilidade de trabalhar com Leonardo, seu parceiro na Fundação Gol de Letra. Por coincidência, ele foi demitido hoje do Antalyaspor. Em dez partidas pelo clube turco, venceu quatro, empatou uma e perdeu cinco. Com experiência como dirigente e treinador, ele pode ser o homem de confiança do irmão de Sócrates.

Raí tem 52 anos e uma personalidade forte.

Leco já foi avisado.

Ele abandonou o cargo de diretor, com três meses de trabalho, em 2002.

Ao contrário de Ceni e Lugano, Raí chega no clube com muito poder.

E avisa que quer exercê-lo.

Ou irá embora.

Não aceitará ser traído, como Rogério Ceni foi.

Simples, assim...
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