reuters43 Quem dispensa um artilheiro antes de uma decisão? O organizado São Paulo Futebol Clube...

Sorrisos, abraços apertados, despedida emocionada.

Agradecimentos.

Tudo teatro.

A saída de Washigton do São Paulo foi cercada de muita raiva.

Dos dois lados.

Sendo criticado, em péssima fase, ganhando o apelido de 'cone' entre os torcedore, ele marcou gols.

Fez nada menos do que 45 em um ano e meio de São Paulo.

Desde que começou sua carreira, Washington sonhava em jogar em um clube grande paulista.

Corinthians e Palmeiras lutaram muito por ele em várias ocasiões.

Mas tinha a certeza de que iria se consagrar no São Paulo.

Com a infraestrutura, com a moderna diretoria, com os companheiros de alto nível.

Tanto que, em 2009, ele me fez uma revelação importante depois de um programa de televisão.

"O Fluminense e o Grêmio me pagariam muito mais.

Escolhi o São Paulo porque sei que vou fazer história.

Não vou sair de lá tão fácil."

Só que, muitas vezes, a vida não é como a gente sonha.

Washington logo teve pela frente a concorrência de Dagoberto e Borges.

Muricy Ramalho deixou os três se matarem para colocar o que considerava os dois melhores.

Houve um grande e desnecessário desgate.

O incrível é que essa briga em três serviu para aproximá-lo de Dagoberto, com que não se dava bem no passado.

Borges percebeu que seu espaço estava reduzido demais e foi embora.

Desde a chegada de Ricardo Gomes, Washington percebeu que o treinador queria mais dele.

Não bastaria ser aquele atacante fixo na área.

O truculento goleador cuja função era apenas empurrar a bola para as redes.

Não.

Ricardo queria movimentação.

Trabalho de pivô.

Que ele saísse mais da área do que estava acostumado.

Foi assim que começou a matar, expor Washington.

Ele passou a se desgastar muito mais nos jogos.

Como não era mais um menino, o cansaço acabou por prejudicar a eficiência das conclusões.

Daí os inúmeros gols perdidos.

Ele estava cansado, irritado e passou a perder a confiança.

De jogador falante, amigo, se tornou fechado, tenso.

Já tinha recusado o Flamengo, sondagens do Palmeiras.

Mas até que chegou o Fluminense.

Justo às vésperas das semifinais da Libertadores.

Ele tinha certeza que a diretoria do São Paulo iria tentar convencê-lo a ficar pelo menos até o final da competição que o clube ama.

Como abrir mão do artilheiro faltando quatro partidas para a competição terminar.

Mesmo com a contratação de Ricardo Oliveira.

Ninguém no elenco tem o estilo e o faro de gols de Washington.

Mas foi a própria diretoria do São Paulo que o aconselhou a sair.

Ricardo Gomes disse que ele não faria falta.

E assim foi feito.

Washington foi receber mais dinheiro no Fluminense.

Sorriu na apresentação,  diz que se 'sente em casa'.

Mas as pessoas próximas a ele sabem o quanto ele saiu magoado e profundamente decepcionado com o São Paulo.

Que ele não faça falta hoje à noite em Porto Alegre.

Ou até mesmo se o clube paulista golear por 5 a 0...

A decisão inédita de mandar embora um artilheiro na véspera de uma decisão é da diretoria do São Paulo...

Com a indicação, lógico, de Ricardo Gomes...

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