Pressionados pelas organizadas, Andrés Sanchez e Roberto de Andrade convocam a cúpula da PM de São Paulo. Para tentar acabar com a selvageria no Itaquerão.  Represálias pelas faixas ? Ninguém sobrevive no Corinthians sem apoio das torcidas...
Já exilado do Parque São Jorge, Alberto Dualib me confidenciou. Um dos seus maiores erros foi parar de ajudar as organizadas corintianas.

"Eu ouvi os conselhos de gente muito próxima. E quando eles começaram a me criticar, cobrar pelo fracasso na Libertadores de 2006. Porra, tinha acabado de ganhar mais um título para eles, o Brasileiro. Decidi parar de dar ingressos, ajudar nas viagens, com o Carnaval.

"Fui presidente mais vencedor no Parque São Jorge. Ninguém ganhou tantos títulos quanto eu. Trouxe o Tevez, o Mascherano. Fiz o Corinthians manchete no mundo todo.

"Mas depois que fiquei contra as organizadas, não tive como presidir mais o Corinthians.

"Quem ficar contra as torcidas não se sustenta em clube grande nenhum do Brasil."

A entrevista de Dualib foi na calçada do fórum que respondia a acusação de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, por causa da MSI. O ano era 2008.

Oito anos depois, a situação continua exatamente a mesma. Os clubes grandes de São Paulo seguem reféns das organizadas. O Ministério Público já tentou inúmeras vezes uma simples atitude. Fazer com que os presidentes de São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos assinem compromisso público de não auxiliar financeiramente suas organizadas.

Ninguém quer por medo.

Medo não só dos óbvios vândalos infiltrados nas torcidas. Capazes de ameaçar, perseguir, intimidar. Alberto Dualib renunciou depois da ameaça de ser preso pela Polícia Federal. Mas também depois de torcedores se postarem na frente de sua casa, exigindo sua saída. Dia e noite. Soltando rojões durante a madrugada. Telefonando o tempo todo. Parentes e vizinhos, amedrontados, fizeram coro para sua saída.

Arnaldo Tirone passou por coisa parecida no Palmeiras.

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O medo dos dirigentes dos torcedores é algo palpável.

Ainda mais de quem 'nasceu nas arquibancadas'. Andrés Sanchez é fundador da Pavilhão Nove. Torcida organizada que homenageava os corintianos presos no violento pavilhão, no extinto presídio do Carandiru.

Protegido do falecido vice presidente de Dualib, Nesi Curi, Andrés galgou rapidamente seu espaço na direção. Passou de diretor da base para o futebol. Tinha todo o apoio dos chefes das organizadas. Se aliou a Kia. Foi também investigado pela Polícia Federal. Pulou para a oposição. E derrubou Dualib. Seu ato teve o efeito colateral de tirar do poder Nesi Curi.

Desde 2007, Andrés manda no Corinthians. Até 2015 com o apoio irrestrito das organizadas.

Ele trabalhou nos bastidores e articulou vereadores, deputados, senadores, ministros e até o ex-presidente Lula. Todos se juntaram para tirar 12 membros das organizadas presos na Bolívia. A acusação era a morte do garoto de 14 anos, Kelvin Spada. Ele teve seu cérebro perfurado por um foguete sinalizador. O artefato partiu das organizadas.

O jogo valia pela Libertadores. O Corinthians enfrentava o San Jose. As torcidas tiveram dinheiro para contratar advogados internacionais. Todos foram libertados. O então menor de idade, Hélder Alves Martins, se apresentou como autor do disparo. Deu entrevista ao Fantástico. Mesmo muita gente duvidando da confissão.

Hélder ganhou das organizada uma bolsa de estudo. Para a faculdade que desejasse. Recusou. Preferiu o cargo no setor de bandeiras da Gaviões da Fiel.

"Ele foi um bode expiatório. Todos sabem que ele foi apontado por ser menor. E assim não ser preso. Ninguém pagou pela morte do meu filho", lastima até hoje Limbert Beltrán.

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O ex-presidente corintiano, Mario Gobbi, é delegado de polícia. Mas sempre esteve ao lado das organizadas. Quando vândalos invadiram o CT, ameaçaram jogadores, apertaram o pescoço de Guerrero, nada aconteceu. As câmeras simplesmente não filmaram ninguém, travando a investigação da polícia. Quando Sheik deu um beijo na boca de um dono de restaurante, como um protesto contra a homofobia, desagradou muita gente no Corinthians. Chefes das organizadas tiveram acesso ao CT. E levaram o jogador a uma pequena sala. Aos berros o intimidaram e avisaram que não permitiriam mais atitudes como esse beijo. Sheik garantiu que não repetiria o gesto.

Esses episódios mostram como as organizadas são poderosas e têm espaço no Corinthians.

E em praticamente todos os clubes deste país.

Mas desde o ano passado, o desgaste entre as organizadas e Andrés cresce. Começou com o preço caro dos ingressos no Itaquerão. Mesmo com o clube dando desconto nas entradas. E também houve revolta pela falta de apoio com o que chamam de perseguição da FPF. Estão punidas nos estádios paulistas pelo uso de sinalizadores.

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Além disso, as organizadas compraram briga aberta com a Globo. A emissora carioca estaria fazendo pressão não só pela punição dos vândalos. Mas tentando forçar a opinião pública pela extinção das torcidas. O deputado estadual Fernando Capez. Ele ganhou fama como promotor e tinha como lema o fim dar organizadas.

A Gaviões da Fiel, decidiu, ir para os estádios munidas com faixas. Contra os seus 'inimigos'. Só que houve uma reação violenta da polícia paulista. Primeiro as retirou. Alegava o artigo 13 do Estatuto do Torcedor, inciso quarto, as torcidas não podem "portar ou ostentar cartazes, bandeiras ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo".

Logo a tese foi derrubada. As faixas eram de questionamento. Não de ofensa. A partir daí, elas foram liberadas. Mas o comportamento da Polícia Militar, controlada pelo governador Geraldo Alckimin, ficou mais violento. A dispersão dos torcedores, após os jogos do Corinthians passou a ser na base do cacetete. Há relatos de torcedores que viram soldados de campana na entrada dos banheiros. Assim que acabam as partidas, estão partindo para cima das organizadas. E dos torcedores que estão perto.

Há dezenas de vídeos espalhados na Internet.

Os dirigentes das organizadas vêem represália na ação dos policiais. Principalmente contra o presidente da Câmara Estadual, Fernando Capez. Ele é uma figura importante do PSDB de Alckimim. E está sendo acusado na Operação Alba Branca, que investiga o recebimento de propina de políticos. Para o desvio de merendas escolares.

O presidente da Gaviões, Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, o Rodriguinho foi espancado há 20 dias. Saía de uma reunião no Fórum Criminal da Barra Funda. Convocado pelo promotor Paulo Castilho, ele e mais os presidentes das torcidas Independente, do São Paulo, e da Mancha, do Palmeiras. O objetivo era a pacificação nos estádios.

Diguinho apanhou tanto que teve suspeita de fratura nos dois braços. Os dirigentes das torcidas rivais asseguraram que não tinham nada a ver com o que aconteceu. A cúpula da Gaviões acredita piamente que não foram torcedores. E que seu presidente sofreu represália pelas faixas nos estádios.

E por isso, a Gaviões exigiu de Andrés e Roberto de Andrade providências. Principalmente pelo que classificam como 'selvageria' na saída da partida contra o Linense, sábado, no Itaquerão.

Além de agressões, bombas de efeito moral foram lançadas aleatoriamente.

Já fora do estádio.

Não sobre as organizadas.

Mas na torcida de forma geral.

Em pleno estacionamento do estádio.

Cenas assustadoras.

Parecia uma guerra.

As famílias comuns ficaram desesperadas.

Por pura sorte ninguém foi ferido gravemente.

Os dirigentes exigiram uma reunião com os policiais.

A PM nega excessos.

Alega que os torcedores atiraram pedras.

Fizeram tocaia, bateram em PMs.

As organizadas prometem que seguirão com as faixas.

Agora com o respaldo oficial do Corinthians.

De maneira clara, cristalina.

As organizadas são um tentáculo dos clubes brasileiros.

Indissolúvel.

Melhor assim.

Tudo as claras.

Sem hipocrisia.

"Ninguém sobrevive no Corinthians sem as organizadas."

Já ensinou Alberto Dualib...
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