1pontepress 1024x575 Pottker. O artilheiro que o Corinthians desperdiçou e ainda fez chorar. Tem a chance de sua redenção. Ganhar o Campeonato Paulista em cima do time que o fez sofrer. E ir, em paz, para o Internacional...
Um jogador será o centro das atenções na final do Paulista.

Ele tem 23 anos.

É o artilheiro torneio, com nove gols.

Já havia sido do Brasileiro de 2016.

Joga pela Ponte, está vendido para o Internacional.

Mas deveria e queria ser atleta do Corinthians.

Clube que o fez chorar ao anunciar a desistência de sua contratação.

A falta de competência dos dirigentes corintianos foi espantosa. A principal revelação do Campeonato Paulista de 2017 foi perdida de maneira absurda. Sem o menor critério. Por falta de comunicação entre o departamento de futebol corintiano e o campineiro.

Birra.

Os dois lados discutiram por meses.

E intermediado por Fernando Garcia, empresário e dono de 80% de Pottker. Ele é irmão de Paulo Garcia. Ambos são herdeiros do milionário grupo Kalunga. E com profundas ligações com o Corinthians. Paulo já foi candidato, perdeu. E se aliou a Andrés Sanchez, deixando a oposição. Fernando era conselheiro e dominava a base. Chegou a ter 25 jogadores. Foi pressionado e entregou o cargo de conselheiro.

Ele é dono da Elenko Sports.

Sua empresa tem nada mais nada menos do que 70 atletas.

E é inegável a influência de Fernando Garcia no Corinthians.

Possui oito atletas profissionais.

Ele deixou tudo encaminhado

O primeiro clube a se interessar por Pottker foi o Botafogo.

Mas o empresário não quis a transação.

Deseja colocá-lo no Corinthians.

Roberto de Andrade se interessou e quis comprá-lo.

Ofereceu R$ 7 milhões por 50% dos seus direitos.

A transação foi aceita pela Ponte e pelo jogador.

O Corinthians até emprestou o zagueiro Yago e Lucca para a Ponte.

Lucca, aliás, pertence a Fernando Garcia.

Tudo estava certo.

O jogador chegaria para o Campeonato Paulista.

Só que, antes do seu desembarque, começou a Copa do Brasil.

E ele foi escalado pela Ponte Preta.

Jogou e fez gol contra a Campinense.

A revolta no Parque São Jorge foi enorme.

O atacante não poderia atuar pelo Corinthians na competição.

Roberto de Andrade se revoltou.

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Fernando Garcia o havia convencido a emprestar Lucca à Ponte.

O Corinthians cedeu também Yago como demonstração de boa vontade.

O presidente mandou avisar: o negócio estava desfeito.

Pottker poderia jogar onde quisesse.

Menos no Corinthians.

A notícia chegou ao jogador em Campina Grande.

Na noite daquele 8 de fevereiro.

O atacante que já planejava sua vida em São Paulo desabou.

Foi preciso o apoio dos companheiros de time.

E até de dirigentes.

Seu sonho de jogar no Corinthians acabava de morrer.

Ele só fez um pedido à diretoria campineira.

Queria falar.

E falou em uma depressiva entrevista coletiva.

"Sinceramente eu não sabia (sobre veto para o jogo). "Conversei com presidente e diretores e realmente eles não sabiam. Realmente sei o que eles sabiam. Em comum acordo, se o Corinthians pedisse para não colocar senão não negociaria, o presidente veria o que é melhor para o clube e consequentemente para mim. Acredito que não teria problema se o Corinthians tivesse entrado em contato com a Ponte Preta ou comigo."

Realmente não houve o aviso.

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A cúpula corintiana acreditou estar implícita a decisão. E a Ponte não escalaria o atacante na Paraíba. Mas não foi o que aconteceu. E ainda se revoltou ao saber da participação do jogador. O diretor de futebol, Flávio Adauto, falou por Roberto de Andrade.

"A partir de agora, ninguém mais fala sobre esse atacante. A Ponte Preta quis usá-lo na Copa do Brasil. Colocou ponto final na transação."

O atacante recebia R$ 80 mil na Ponte.

Iria ganhar R$ 250 mil no Corinthians por quatro anos.

Além de luvas de R$ 1,2 milhão.

Divididas em parcelas de R$ 100 mil.

Fernando Garcia quis consertar a situação, não houve como.

Roberto de Andrade se sentiu verdadeiramente traído.

Apenas uma semana depois, o Internacional acertou a compra do jogador.

E contrato de quatro anos.

O atacante prometeu que se dedicaria à Ponte mais que Gabriel Jesus fez no Palmeiras. Sem medo de se machucar, sem fugir das divididas. Se sentia em dívida com o clube que tanto o ajudou.

No Campeonato Paulista sua dedicação foi total.

A motivação era algo contagiante.

Quer não só a artilharia.

Mas sair campeão paulista.

E, como em um filme infanto-juvenil, a chance de redenção total chegou.

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O Corinthians será o adversário.

Ele sabe o quanto o clube da Capital é visto como rancor em Campinas.

Até hoje há muita mágoa pela decisão de 1977.

A pressão até do governo militar para que os corintianos vencessem.

A manipulação da FPF forçando três finais no Morumbi.

A expulsão de Rui Rey na partida decisiva não foi esquecida.

Muito menos como sua ainda mais estranha contratação.

No ano seguinte, em 1978, pelo Corinthians.

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40 anos depois, estas lembranças ainda incomodam.

Em 1979, outra atitude vergonhosa da Federação Paulista.

Três jogos no Morumbi.

Corinthians campeão de novo.

Pottker foi um dos jogadores a pedir à diretoria.

Nada de fazer as duas partidas em São Paulo.

Por dinheiro nenhum.

O presidente Vanderlei Pereira chegou firme na FPF.

E avisou que o primeiro jogo seria em Campinas.

Nada de repetir o que fez a Linense com o São Paulo.

Roberto de Andrade já sabia dessa situação.

E não criou problemas.

Apenas deixou encaminhada a compra de Clayson.

O atacante velocista e habilidoso de 22 anos.

Será uma compensação pela perda de Pottker.

Mas antes da compra vão acontecer os dois jogos.

E o atacante da Ponte vai dar sua alma para ser campeão.

Mostrar o que Roberto de Andrade perdeu.

Por falta de comunicação, de um mero telefonema.

O atacante já é o artilheiro do Paulista, junto com Gilberto.

Ele e o jogador do São Paulo tem nove gols.

O atacante que chorou pelo Corinthians quer sua redenção.

Sair para o Internacional com o título paulista.

Mais a faixa de campeão.

Quer que as lágrimas desta vez fiquem no Parque São Jorge.

E quem sabe um dia, os dois não se reencontrem.

Mas não como aconteceu com Rui Rey...
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