Por trás da guerra, do ódio entre Sport Club Corinthians ‘Paulista’ e ‘São Paulo’ Futebol Clube, a filosofia que todo paulistano busca. “Não sou conduzido. Conduzo.” Parabéns, São Paulo…

a131 Por trás da guerra, do ódio entre Sport Club Corinthians Paulista e São Paulo Futebol Clube, a filosofia que todo paulistano busca. Não sou conduzido. Conduzo. Parabéns, São Paulo...
Os dois têm as cores da bandeira paulista.

O branco, o preto e o vermelho estão presentes nos uniformes.

Nas bandeiras.

De maneira escancarada no situado no Morumbi, na elitista Zona Sul.

Discreta, no outro da Zona Leste, no popular Tatuapé, ZL.

Neste aniversário da maior cidade da América Latina, a pergunta.

Qual clube representa de verdade São Paulo?

O que leva o nome da cidade estampado no peito?

Ou o que arrebata a maioria dos corações do paulistano?

O Palmeiras é atrelado demais à colônia italiana.

Nenhum estado no País tem dois clubes tão representativos.

E que deu tantas conquistas para uma cidade.

A identificação já está nos nomes.

Que a correria do dia-a-dia não nos faz mais prestar atenção.

Sport Club Corinthians 'Paulista'.

'São Paulo' Futebol Clube.

O orgulho dos rivais em mostrar a que cidade pertencem.

Juntos, deram à cidade cinco títulos mundiais.

Nenhuma no Brasil chega perto.

Porto Alegre tem dois.

Rio de Janeiro, um apenas.

As outras metrópolis nacionais nunca venceram.

Mais conquistas vieram da dupla.

Quatro Libertadores da América.

Conquistaram 11 Brasileiros de verdade, depois de 1971.

Acumulam 47 conquistas de Campeonatos Paulistas.

Quarenta e sete...

Estimativas apontam em 25 milhões os corintianos pelo País.

E cerca de 16,2 milhões de são paulinos.

O Corinthians é o segundo clube de maior torcida no Brasil.

O São Paulo, o terceiro.

Ambos atrás do Flamengo.

Mas em São Paulo, o domínio já é total.

O clube do Tatuapé tem 37% dos torcedores.

E o do Morumbi fica com cerca de 20%.

Ultrapassou o Palmeiras, que estagnou nos 13%, de acordo com pesquisa do Data Folha.

O Santos, vem bem atrás com 6%.

A polarização na mais rica cidade do continente está escancarada.

Na guerra para tomar de vez o território não há limite.

Com artimanhas políticas, o Corinthians tirou a sede da Copa de 2014.

Seria no Morumbi.

E está construindo o mais moderno estádio da cidade.

A um custo não assumido de um bilhão.

Se aproveitou bem demais de Ricardo Teixeira.

O comando do futebol brasileiro mudou.

E o cenário agora é favorável ao São Paulo.

Se aproveita agora de José Maria Marin.

A Seleção já voltou a usar o estádio.

Acordos políticos também estão amarrados.

A milionária reforma, com direito a cobertura está aprovada.

Assim como a ligação do metrô, a cidade terá acesso de verdade ao campo.

Os dois disputarão os melhores shows, eventos, até cultos religiosos.

Estão tirando da idade das pedras a venda de ingressos.

O Corinthians ensinou o caminho, valorizou o sócio-torcedor.

Elevou o preço e elitizou suas arquibancadas.

Pobres não conseguem acompanhar o clube de verdade.

É o que o São Paulo também busca.

As diretorias querem estádio cheio, mas os cofres mais ainda.

Os dois representam bem o ideal de vida do paulistano.

Vindo de origem humilde, conseguiram se estabelecer.

Começam a enriquecer.

O São Paulo saiu na frente, se organizou.

Se Lula foi fundamental no Itaquerão, Laudo Natel, primordial ao Morumbi.

O poder público ajudou os dois clube populares.

Os estruturou.

Da mesma maneira injusta em relação aos outros.

Mas os dois não têm do que reclamar.

a31 Por trás da guerra, do ódio entre Sport Club Corinthians Paulista e São Paulo Futebol Clube, a filosofia que todo paulistano busca. Não sou conduzido. Conduzo. Parabéns, São Paulo...

Os administradores são paulinos seguiram o modelo europeu.

Fizeram o mesmo que ingleses, italianos, espanhóis.

Um grande estádio e sede social.

E tiraram o futebol profissional e o amador do clube.

Quilômetros de distância.

Até para manter a imprensa longe.

E os torcedores, que tinham acesso aos treinos.

Com dois Centros de Treinamento dignos de Primeiro Mundo.

E implantou o mais moderno centro de medicina esportiva do País.

O Corinthians disfarça, fala em Espanha.

Mas seguiu exatamente o mesmo molde.

E não há do que se arrepender.

Só agora acordou em relação aos garotos, mas o novo CT virá.

O que acontece em São Paulo é isso.

Uma guerra que não tem nada de santa.

Neste 2013, que marca 459 anos da cidade, as batalhas serão terríveis.

Com ambos os lados se preparando para confrontos históricos.

O treinamento será no Campeonato Paulista.

Mas o enfrentamento que os dois lados esperam, o tira-teima será na Libertadores.

A maior competição da América do Sul.

Graças ao São Paulo, os grandes clubes brasileiros voltaram a valorizá-la.

O Corinthians foi o último dos grandes paulistas a conquistá-la.

No Morumbi, a afirmação mais ouvida é porque o clube não a disputou em 2012.

Agora, não.

Os dois estarão em campo lutando e querendo provar quem é o melhor.

E o sobrevivente tentar lutar por mais um Campeonato Mundial.

Além disso haverá a Recopa.

Torneio que reúne o campeão da Libertadores contra o vencedor da Sul-Americana.

Justo os dois, mais ninguém.

Duelo dos mais esperados.

Nunca esse torneio sul-americano teve tanta importância.

A guerra é declarada.

Juvenal Juvêncio e Andrés Sanchez conversam, se abraçam.

Chegam até a se articular pensando nos seus clubes.

Mas se odeiam.

Para um, o outro representa a elite falida, ultrapassada.

O outro enxerga no rival o novo rico, com seu mau gosto.

Mas essa briga, esse ódio, faz bem para a cidade.

Nessa disputa, muitas vezes, fútil, desleal, o futebol cresce.

Um obriga o outro a não se estagnar.

A cidade dos paulistas é privilegiada por ter Corinthians e São Paulo.

Clubes com potencial econômico para figurar entre os maiores do mundo.

E, se estapeando, acordaram para a modernidade.

Se estruturaram, servem de exemplo.

E espalham o que o paulistano tem de maior característica.

A ambição, a vontade insana de trabalhar para ter mais.

Não é só dinheiro.

A busca é outra, mais profunda.

E que foi cunhada com toda felicidade na bandeira paulista.

Está lá em latim.

Non Ducor Duco.

É o exemplo que fica para os 12 milhões que moram na caótica metrópole.

Nesta guerra sangrenta entre corintianos e são paulinos.

Fica cravada a filosofia que impulsiona cada filho desta cidade.

Tenha sangue nordestino, oriental, africano, índio, europeu...

"Não sou conduzido. Conduzo."

Parabéns, São Paulo...

a41 Por trás da guerra, do ódio entre Sport Club Corinthians Paulista e São Paulo Futebol Clube, a filosofia que todo paulistano busca. Não sou conduzido. Conduzo. Parabéns, São Paulo...