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Por que abriu mão tão fácil de Barcos? Como não falou com Marcelo Moreno antes de fechar o negócio? Por que confunde o nome dos novos contratados? Que Brunoro é esse que voltou ao Palmeiras, 16 anos depois, sem a Parmalat?
Postado por Cosme Rímoli em 10 de fevereiro de 2013 às 05:44 em Sem categoria | 84 Comments
Bastava citar esse nome em voz alta no Palestra Itália.
E conselheiros se animavam, saudosos.
Lembravam que era o 'homem' de Gianni Grisendi.
O poderoso presidente da Parmalat na América Latina.
Contratou o ex-treinador de vôlei para administrar o futebol [2] do Palmeiras.
Por cinco anos Brunoro fez história no clube.
Era os olhos, os ouvidos e a boca de Grisendi.
O dinheiro vinha fácil da Itália.
Caiu no colo de Luxemburgo.
Com ele pôde formar os times como um garoto escolhe uma equipe de botão.
Os dólares permitiram a formação de seleções que jogaram de verde.
O Palmeiras terminou seu jejum de 17 anos sem títulos em 1993.
Venceu três vezes o Paulista, duas vezes o Brasileiro.
Bruno saiu em 1997, mas deixou jogadores importantes.
Vários deles seriam campeões da Copa do Brasil, a Mercosul e a Libertadores.
A saída de Brunoro se deveu a uma briga selvagem com Mustafá Contursi.
A Parmalat queria reestruturar a categoria de base.
Só que o Mustafá não aceitou.
Fez de Brunoro seu inimigo mortal.
A base estava distribuída entre dirigentes que lhe davam sustentação política.
A gota d'água foi o apoio escancarado do homem de Grisendi a Seraphim del Grande.
Del Grande enfrentou Mustafá, viraram inimigos.
Brunoro se queimou na briga e acabou tendo de sair do Palmeiras em 1997.
Virou uma figura mítica.
Seu nome ficou associado às vitórias, à modernidade.
Tanto que os conselheiros que votaram em Paulo Nobre sabiam.
Com ele, Brunoro voltaria.
Bastaria o milionário empresário e piloto de rali vencesse a eleição.
Foi o que aconteceu.
Nobre entregou o futebol do Palmeiras a Brunoro.
Aceitou logo de cara o veto que ele fez a Riquelme.
E deu ao dirigente a simbólica camisa 10.
Ela seria do argentino.
O presidente ficou empolgado, confiante por ter o executivo a seu lado.
Tanto que passou a registrar tudo o que acontece diariamente.
Tem a certeza de que ele e seu parceiro mudarão profundamente o Palmeiras.
A sua convicção é tanta que decidiu escrever um livro sobre sua administração.
Atitude mais do que corajosa, imprudente.
Ele promete mostrar a retomada, como reergueram o humilhado gigante verde.
Pura pretensão, diante das enormes dificuldades.
Depois de 16 anos, Brunoro tem carta branca no futebol.
Com a chance de implantar tudo o que desejar.
Mexer inclusive na categoria de base.
Só que há mudanças significativas neste retorno.
O agora diretor executivo não tem o dinheiro de uma multinacional.
Pelo contrário: precisa administrar o clube no meio de uma profunda recessão.
Há uma dívida de R$ 210 milhões.
O time, bipolar, está na Libertadores e na Segunda Divisão.
A Série B é uma excelente desculpa para a montagem de uma equipe barata.
Os torcedores sabem que 2013 só vai valer para a volta para a Série A em 2014.
Até porque será o ano do centenário palmeirense.
Brunoro encontrou atletas desmoralizados, questionados, ameaçados pela própria torcida.
E prometeu a Nobre dar um jeito nisso.
Depois que saiu do Palmeiras, ele mergulhou no mundo acadêmico.
Passou a ensinar como administrar de maneira moderna um clube.
Falou tanto em gestão que convenceu Abilio Diniz a investir o que não queria no Audax.
Os resultados foram excelentes.
Jogadores foram formados na base como o volante Paulinho do Corinthians.
Há o time paulista, que está na A2.
E o do Rio de Janeiro, disputando a divisão de elite do Campeonato Carioca.
Assim, Brunoro voltou somando experiência, teoria e prática.
Seu salário é de alto executivo, R$ 130 mil.
Mas sente na pele o quanto tudo mudou nestes 16 anos.
O Palmeiras se tornou um dos clubes mais difíceis para trabalhar.
O ressentimento de quem já foi poderoso é imenso.
Se tornou a quarta força em São Paulo.
Terra que tem o Corinthians campeão do Mundo.
O São Paulo, da Sul-Americana.
O Santos, tricampeão paulista, e dono de Neymar, o melhor da América do Sul.
A Copa do Brasil conquistada no ano passado perdeu o sentido com o rebaixamento.
Jogadores se negam a vir para o clube com medo da parte violenta das organizadas.
A falta de confiança é nítida no fraco elenco.
Por parte da diretoria, da torcida, da cáustica mídia.
Brunoro ficou 16 anos longe não só do Palmeiras, mas de um clube grande.
E demonstrou toda esta falta de traquejo com Barcos.
Era o único ídolo de verdade.
Valdivia perdeu o posto há muito tempo.
O argentino era o jogador que fazia a torcida se orgulhar.
Goleador argentino, lutador incansável.
Conseguiu a sua melhor fase da vida com a camisa verde.
A ponto de ser chamado para a Seleção Argentina e ter a chance de disputar a Copa.
Ele e seu irmão e empresário, David, nunca sonharam com isso.
Se deslumbraram.
Mas ficaram com medo de jogar tudo fora com o Palmeiras na Série B.
O medo de Hernán passar a ser desprezado por Sabella era imenso.
Brunoro sabia que o time palmeirense era fraco demais.
A direção gremista procurou David e ele levou uma proposta ao Palmeiras.
Ela vazou.
E daí Brunoro começou a trocar as mãos pelos pés.
Mostrou o quanto está enferrujado.
Disse na quinta-feira que Barcos não sairia de jeito nenhum do Palmeiras.
Na sexta-feira, no dia seguinte, o atacante era vendido.
Para surpresa e decepção dos que acreditaram no diretor executivo.
O clube recebeu R$ 5,4 milhões.
E divulgou que teria Marcelo Moreno, Rondinelly, Leandro, Léo Gago e Vilson.
O administrador pensou: a última parcela de Barcos à LDU seria paga.
Teria dois atacantes, dois volantes e um zagueiro.
E se livraria dos salários de R$ 400 mil mensais de Barcos.
Mais o atraso de três meses de salário do atacante.
O absurdo foi que Brunoro não tinha conversado com o principal jogador do quinteto.
Acreditou que o boliviano aceitaria a liberação do Grêmio como ordem.
Só que Marcelo e seu pai ficaram revoltados.
Ambos não queriam o time da Segunda Divisão.
"Clube de fracassados", decretou o pai do atacante.
Diante do vexame público, Brunoro se encarregou de mudar a situação.
Fez de conta que não soube das declarações ofensivas paternas do atacante.
E ligou ontem, insistiu com Fabiano Farah, procurador de Marcelo.
Implorou, mas não houve jeito.
Ele quis continuar no Grêmio.
Não quer sair de Porto Alegre, principalmente para o Palmeiras.
Nem se ganhar um substancial aumento.
Não quer a Segunda Divisão.
"Não saio do Grêmio.
Tenho contrato e vou continuar em Porto Alegre.
Está decidido", disse Marcelo Moreno ontem às rádios.
Depois do dirigente palmeirense falar com seu procurador.
Foi uma mensagem clara para que o clube paulista desista dele.
Brunoro entendeu a derrota.
O clube gaúcho ou dará uma nova compensação financeira ou oferecerá outro atleta.
Que não faça falta a Luxemburgo, como os jogadores que atuarão no Palestra.
Para piorar, a direção do LDU ficou possessa.
Os equatorianos ainda têm 30% dos direitos econômicos de Barcos.
Não foram consultados sobre a transação.
E querem uma compensação financeira, ameaçam ir à Fifa.
Foram duas escorregadas que combinam com amadores, não com Brunoro.
Não falar com o jogador gremista antes de permitir que o nome vazasse.
Justo o que mais interessava.
E não se dar ao trabalho de telefonar ao outro time dono do argentino.
Não bastasse isso, o diretor executivo esqueceu até nome dos novos contratados.
Jornalistas ficaram assustados quando ele se referiu a Weldinho e Kléber.
Brunoro os chamou de Naldinho e Valber.
Como assim?
Aos 62 anos, ele perceberá o quanto será cobrado.
Seus gestos, suas atitudes questionadas.
Pode mudar a assessoria de imprensa, colocar quem for.
Brunoro chegou com um brilho raro entre os dirigentes brasileiros.
Mas não tem ideia de que Palmeiras retornou.
É o clube mais difícil para trabalhar.
E mandar embora o maior ídolo atual não foi um primeiro passo.
Muito pelo contrário.
Provocou imensa decepção, inclusive de conselheiros poderosos, aliados a Paulo Nobre.
O diretor executivo avisou ao presidente para não se preocupar.
Ele sabe o que está fazendo.
Afinal, montou um curso sobre administração moderna no futebol.
Escreveu livro.
Montou a estrutura do Audax de Abílio Diniz.
Pelo menos é o que pensa.
O Palmeiras de 2013 é absurdamente mais difícil do que o Palmeiras de 1992.
Não só sem a Parmalat.
Há o rebaixamento para a Segunda Divisão.
O incômodo sucesso do rival Corinthians, campeão do mundo.
A festa do Santos por Neymar.
A reestruturação do São Paulo e seu elenco milionário.
As pessoas que saíram vencedoras e retornaram ao Palmeiras fracassaram.
Kléber, Valdivia e Luiz Felipe Scolari são os maiores exemplos.
A tolerância para o erro é muito menor no Palestra Itália.
Já há um estranhamento, um princípio de decepção com Brunoro.
Ele foi infeliz demais em relação a Barcos.
Incoerente, confuso.
Prometer a permanência na quinta e se desmentir na sexta-feira.
Falar em Marcelo Moreno quando ele nem sabia da transação.
Errar nomes de atletas contratados.
Há algo de errado.
Não era esse dirigente que muitos esperavam.
E torciam para que um dia retornasse.
A humilhação veio com a declaração de Arnaldo Tirone.
Um dos piores presidentes da história do Palmeiras.
Confirmou que teve várias propostas por Barcos.
Inclusive do Grêmio.
Mas se recusou a vendê-lo por se tratar de um ídolo.
"O Palmeiras atual precisava manter o argentino.
De qualquer maneira.
Ele dava orgulho aos torcedores."
Essa lição básica o diretor executivo esqueceu.
E já começou a pagar pela falta de visão, de sensibilidade.
Questionado não só por opositores de Nobre.
Mas por quem o elegeu.
A pergunta é a mesma dos dois lados.
Quem é esse Brunoro que voltou ao Palestra Itália?
Será que tem ideia?
Imagina quanto dói ao palmeirense ver Barcos com a camisa do Grêmio?
Se não souber, está no lugar errado...
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