1reproducao18 Político que comparou Ronaldinho a macaco é professor de Direitos Civis no México. Estava ensinando aos seus alunos: o horror da segregação contra os negros nos Estados Unidos. Vergonhoso...
"Tento ser tolerante, mas detesto o futebol e o fenômeno idiotizante que produz. O detesto ainda mais porque o povo estorva e inunda as avenidas para fazer com que se demore duas horas para se chegar em casa, e tudo para ver um macaco, brasileiro, mas macaco ainda. Isto já é um circo ridículo."

Carlos Manuel Treviño escolheu errado o jogador de futebol para mostrar o seu racismo. O político que foi secretário de Desenvolvimento Social de Querétaro por três anos escolheu Ronaldinho Gaúcho. Comparou o negro brasileiro a um macaco, com todas as letras no seu facebook. Ele desabafou sua raiva por ter ficado preso no trânsito na sexta-feira à noite, quando o meia foi apresentado como novo contratado do Querétaro no Estádio La Corregidora.

Treviño é uma figura deprimente, estúpida. Usa as redes sociais para mostrar sua aversão aos sul-americanos e ao futebol. "O mundo seria melhor sem comentaristas de futebol argentinos. E sem argentinos!" Desprezou os fãs do esporte que detesta. "São como animais."

Mas ele vai pagar caro desta vez por sua estupidez. Ronaldinho Gaúcho é o jogador estrangeiro mais importante a ser contratado da história do México. Jamais alguém eleito pela Fifa duas vezes como o melhor do mundo, campeão da Copa foi atuar no país. Não só a cidade de Querétaro, mas todo o país está orgulhoso da contratação. Da mídia internacional que o brasileiro ainda é capaz de trazer.

O milionário Olegario Vázquez Raña é dono de um conglomerado que vai reúne desde fábrica de móveis, hospitais e uma poderosa rede de telecomunicação no México. Possui também o Querétaro. Foi ele quem decidiu pagar dois milhões de dólares, cerca de R$ 4,6 milhões, para Ronaldinho Gaúcho passar duas temporadas no seu time. Mais bônus por vitórias, desempenho nos torneios a serem disputados. Mansão e carros de luxo. Ainda passagens de primeira classe para o Brasil. Para o jogador e seus familiares.

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A primeira entrevista de Ronaldinho Gaúcho foi transmitida em rede nacional. Ele já frequentou os principais programas da tevê mexicana. Foi capa de revistas e jornais. Lógico que seu primeiro contato com o torcedor do Querétaro iria causar confusão. Principalmente no caótico trânsito mexicano. Foi o que aconteceu. E irritou Carlos Treviño.

Mas como já foi exposto, o deputado nunca havia escondido a repugnância que sentia aos sul-americanos e ao futebol. Quando se levanta o passado dessa pessoa, se descobre outros motivos para o desvio do seu caráter. Na sua visão doentia de mundo, o fanatismo também tem espaço. Ele é um descontrolado do Pittsburgh Steelers, time de futebol americano. A equipe é dos Estados Unidos, da Pensilvânia. Não entende como seu esporte seja desprezado pelo restante da população mexicana, que prefere o esporte de Ronaldinho.
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O mexicano racista pensou que iria mostra sua insanidade sem maiores consequências. Quem iria ter a coragem de enfrentar um ex-deputado? Um ex-secretário do Desenvolvimento Social? Que ironia... A reação internacional foi intensa. Mas dentro do México, Treviño conseguiu ser pior. E foi muito além da ingênua campanha #somostodossimios. A maioria esmagadora de políticos de seu partido, PAN, Partido da Ação Nacional, exige a sua expulsão. Fora radicais torcedores do Querétaro que juraram vingança.

Treviño decidiu pedir desculpas. Mas do seu jeito. "Ofereço minhas sentidas desculpas para Ronaldinho por meu comentário infeliz. Assumo a responsabilidade dos meus atos. Peço desculpa sinceramente ao clube Querétaro e aos seus torcedores pela minha lamentável expressão. Como pessoa e como jogador, Ronaldinho tem todo o meu respeito." Sua maior preocupação estava com o processo de sua expulsão do PAN. "Ofereço de coração sinceras desculpas por minha imprudente declaração que atenta contra a instituição e seus princípios."

Ele deveria saber muito bem que o racismo é muito discutido no México. Não só contra os negros. Mas contra os indígenas. Campanhas são feitas para a integração dos descendentes dos primeiros habitantes do país. Manifestações são feitas na rua. A situação é incômoda. Inquieta a população.

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Apesar das desculpas de Carlo, a pressão do milionário Olegario Vázquez Raña vai continuar. O clube exige que as autoridades mexicanas façam o que for possível contra Treviño. A 'Comissão do Jogado", associação de atletas mexicanos também exige resposta imediata das autoridades.

Assis e Ronaldinho ainda não se posicionaram oficialmente. Na verdade, estão assustados com a situação. Não esperavam esse ataque racista. Por natureza, Assis não gosta de se envolver em confusão. A tendência é que ele e seu irmão apoiem o que o Querétaro fizer. Ambos querem voltar o foco ao futebol. O meia de 32 anos deverá estrear neste domingo contra o Chivas, em Guadalajara. Os primeiros reflexos dessa possibilidade já atingiram o preço dos ingressos. Subiram 50%. As arquibancadas passaram de 100 pesos, R$ 17,68, para 150 pesos, cerca de R$ 26,52.

E ontem, Treviño mostrou todo o seu desespero na tevê. Ele e sua família estão sendo ameaçados pela sua demonstração de racismo. A situação ficou muito mais irônica.

Revelou ser professor de Direitos Civis. Sim, professor. E, apaixonado que é pela sociedade norte-americana, estava detalhando aos seus alunos a luta contra a segregação racial. Também a batalha de Nelson Mandela na África do Sul.

Só que todos os seu princípios foram esquecidos diante do congestionamento de trânsito provocado por Ronaldinho, na última sexta-feira. A raiva o fez comparar o brasileiro a um 'macaco'.

"Racista jamais. Intolerante, sim eu sou" Disse o professor de Direitos Civis à Milenium Televison mexicana, tentando se justificar.

Carlos Treviño deverá ser expulso o PAN e também corre o risco de ser demitido da escola onde é professor. E ser processado. Ele e sua família estão sendo ameaçados. Seu arrependimento tardio é cômodo. Ele não esperava a repercussão. Afinal, havia dito que o mundo seria melhor sem argentinos. E que os torcedores de futebol são animais. E nada tinha acontecido.

Só que o castigo chegou. Sua punição deverá servir de exemplo. Comparar uma pessoa negra a um macaco é inaceitável. Mesmo sendo um ignorante, alienado. Tudo fica pior quando é um professor de Direitos Civis. Pessoa que passa seu conhecimento a alunos. Por isso o México e o mundo estão chocados. A contratação de Ronaldinho Gaúcho já começa a fazer bem para a vida mexicana...
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