147 Pesquisa mostra 19,5% dos brasileiros não torcem. Não querem saber dos clubes. O número é maior do que flamenguistas e corintianos. O que falta para a CBF e a Globo se convencerem que estão sabotando o futebol deste país?
Um tapa na cara das cúpulas de CBF e da Globo. Ou acordam ou cada vez mais, o 'país do futebol' será uma mentira deslavada dos narradores de tevê e rádio. Há anos as pesquisas já vinham mostrando o crescimento da faixa da população que não torce e nem simpatiza com qualquer time do Brasil. Não tem interesse no esporte.

Em setembro já havia soado o alarme. Um estudo feito em conjunto pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), realizado em todas as capitais do país, mediu o grau de envolvimento do torcedor brasileiro, no acompanhamento das notícias, interesses pessoais, consumo de produtos oficiais e fidelidade no pay-per-view do futebol. Só nas capitais, cidades com maior poder financeiro. O número de pessoas que mora nas capitais do Brasil chega a 49 milhões de pessoas. O restante está espalhados nos demais municípios.

Flamengo, 18,3%; Corinthians, 11,6%; São Paulo, 5,7%; Vasco, 5,5% e Palmeiras, 4,3%, os cinco primeiros. Mas a camada da população que não quer nem saber de qualquer clube chegou a 12,9%. Ou seja, fica em segundo lugar na classificação geral, atrás apenas do Flamengo, na frente do Corinthians.

Há outros dados significativos na pesquisa.

Como a tevê aberta e os sites são os locais onde os torcedores mais buscam informações sobre seus times. A maioria não compra produtos oficiais dos seus clubes. E 62,7% dos fãs de clubes brasileiros não assinam pay-per-view.

Tivessem Marco Polo del Nero e a cúpula da Globo levado a sério, a situação não pioraria.

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Piorou.

E o próprio jornal O Globo mostrou dados alarmantes na pesquisa feita pela Paraná Pesquisas. A busca era mostrar a popularidade dos clubes. E o número vencedor, com 19,5% é o daqueles que não torcem por clube algum. A situação é muito significativa.

Ficou na frente das equipes mais populares. Flamengo (16,2%), Corinthians (13,7%), São Paulo (7,4%), Palmeiras (5,8%), Vasco (4,6%), Cruzeiro (4%), Grêmio (3,5%), Santos (3,1%), Atlético Mineiro (2,8%), Internacional (2,7%), Bahia (2%), Botafogo (1,7%), Fluminense (1,6%), Sport (1,3%), Ceará (1,1%), Atlético Paranaense (0,8%), Fortaleza (0,8%), Vitória (0,8%), Coritiba (0,7%), Santa Cruz (0,7%). Outros times citados (5,1%).

Ou seja, nas capitais a falta de envolvimento já era de 12,5%.

Agora, envolvendo o país todo, 19,5%.

Nos últimos dez anos, a audiência do futebol na tevê aberta caiu em 22%.

Futebol na tevê aberta significa Globo, por causa do seu monopólio, que vem desde os tempos da Ditadura Militar. Não é por acaso que cada vez está mais difícil para a emissora conseguir patrocinadores para o futebol. Antes os contratos eram renovados em junho, julho. Agora, a emissora só fechou em dezembro. E, de acordo com donos de agências de publicidade, fazendo concessões que não costumava fazer.

Enquanto a milionária CBF enriquece a cada dia, com patrocínios da Seleção Brasileira e negociando transmissões de torneios, não enxerga um palmo à frente do seu nariz. Marco Polo não tem coragem de enfrentar os falidos estaduais, que não enganam ninguém. Não adianta as Federações, como a Paulista, derramarem caminhões de dinheiro para os clubes. O torcedor não suporta mais ver confrontos insignificantes. Times grandes, que disputam a Libertadores, poupando seus atletas contra times de aluguel, montados para três meses, por empresários bem relacionados com prefeitos. É uma hipocrisia sem tamanho.

Os presidentes de clubes têm sua enorme parcela de culpa. A incompetência se encontrou com a covardia. A Primeira Liga, que deveria revolucionar o futebol deste país, começar a tirar o poder da CBF, acabou domesticada, capada por Marco Polo del Nero. Virou uma competição sem o menor motivo para existir. O que seria um passo em direção ao final dos Estaduais, virou apenas um torneio sem sentido, empilhado no calendário absurdo do futebol deste país.

A Copa do Nordeste é um belíssimo exemplo que deveria ser seguido. Seria maravilhosa, se não houvesse os Estaduais para atrapalhar. Os dirigentes sabem disso, mas também não têm coragem de virar as costas. Porque sabem, no íntimo, que é a única competição que podem ganhar, de verdade.

Os Estaduais atrapalham os clubes na Libertadores, desgastam, machucam seus jogadores, por nada. A média do Campeonato Paulista deste ano foi de 7.271 torcedores. A do Carioca, 3.905. A do Mineiro, 5.401. A do Gaúcho, 3.876.

Será que é tão difícil enxergar que esses Estaduais estão mortos?

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Mas a Globo só quer saber de preencher os horários de quarta-feira à noite e domingo às 16 horas. Por preguiça, os executivos nem pensam mais. Só que os produtos que mostram são cada vez pior. Com raríssimas exceções, os dirigentes dos clubes brasileiros são incompetentes, irresponsáveis e acovardados. O nível do futebol brasileiro piora a cada ano. Cada vez menos jogadores importantes atuam por aqui. Os talentosos estão na Europa e até na China. Só ficam por aqui quem não têm talento para atuar por lá.

Com inúmeras opções de lazer no mundo moderno, não há porque seguir preso, acorrentado a um espetáculo ruim. Ao futebol do domingo ou de quarta-feira à noite. Muito menos seguir um clube, decorar sua escalação, saber quem é o treinador.

Há 14 anos o Brasil não vence uma Copa. O 7 a 1 diante da Alemanha conseguiu superar o Maracanazo, a Copa que o Brasil perdeu para o Uruguai em 1950. O futebol não é mais motivo de orgulho no Exterior. Não é o cartão de apresentação para estrangeiros.

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Como vestir a camisa de um clube popular em qualquer capital e sair para trabalhar sem medo? Com as facções criminosas, o PCC e CV, dominando a maioria das torcidas organizadas? A violência gratuita em cada esquina. A impunidade dominando o país. A não ser quando os agredidos são os policiais, como acontece no Rio de Janeiro e a prisão dos corintianos...

Os adolescentes crescem percebendo que o esporte nacional não os representa.

E se afastam.

Uma revolução precisa acontecer.

O mais rápido possível.

Marco Polo del Nero precisa parar de ficar contando dinheiro.

E a Globo já que comprou o futebol para sempre, tem de forçar uma mudança.

Mostrar filmes às quartas e aos domingos é mais barato.

E a audiência muitas vezes é até maior que o futebol.

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2016 foi mais uma mostra.

Estados Unidos, União Européia, China, Japão. As maiores economias do mundo levam muito em conta as pesquisas para traçarem suas metas, seu rumo. O Brasil, não. Segue desprezando os sinais. Principalmente no futebol.

Basta querer enxergar.

Cada vez mais, os brasileiros não querem saber de futebol.

Não deste que a CBF e a Globo oferecem.

Esse calendário ultrapassado, viciado, desinteressante.

19,5% de brasileiros não torcem por clube algum.

Será a TV Globo leva em consideração o que é publicado no jornal O Globo?
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