19 Pense em Telê Santana. E o vergonhoso 2017 ficará mais explícito, para o São Paulo de Leco e Pinotti
Para compreender o ano absurdo que o tricampeão mundial São Paulo viveu, só apelando para a literatura fantástica, surreal. Buscando inspiração nos excepcionais livros do genial Gabriel Garcia Márquez, a caminhada vergonhosa ficaria ainda mais explícita, se acompanhada por alguém acima do bem e do mal.

Telê Santana.

Neste exercício de imaginação, troque Rogério Ceni e Dorival Júnior por Telê. Por um instante vale pensar como o rígido, competente e vencedor trenador se comportaria se fosse o comandante do time em 2017. E fosse cercado por tanta incapacidade.

Pelos olhos de Telê, o vexame ficaria mais dolorido.

Os reis ficariam ainda mais nus.

A começar pelo comportamento do presidente Carlos Augusto Barros e Silva. Seria inadmissível para Telê aceitar que o combinado, o planejado fosse desprezado pela desenfreada ganância. Se Leco repetisse o que fez com Rogério Ceni, afirmando que precisaria vender R$ 60 milhões em jogadores e vendesse R$ 181 milhões, promovendo um desmanche ensandecido no time, Telê não só iria embora. Como faria um digno escândalo.

Thiago Mendes foi por € 9 milhões (R$ 34 milhões),80% para o clube. Luiz Araújo, € 10 milhões (R$ 37,7 milhões), 70% parte do São Paulo. David Neres, € 12 milhões (R$ 45 milhões) – percentual 100 %. Maicon, € 7 milhões (R$ 26,4 milhões), integral para o São Paulo.

Lyanco: € 6 milhões (R$ 22,6 milhões), integral. Luisão, € 3 milhões (R$ 11,3 milhões), Galván – € 1 milhão (R$ 3,8 milhões).

Jamais Telê suplicaria pela permanência de alguns atletas, como Luiz Araújo e Thiago Mendes, acabasse com a convicção que ficariam no elenco, para, em seguida, serem vendidos. Foi muita humilhação a que Rogério Ceni se submeteu. Nem os R$ 5 milhões que embolsou pela demissão compensam.

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E mais, Ceni viu seu time se desmanchar, sem tempo para o menor entrosamento. Como o jovem, inexperiente, imaturo e milionário Vinicius Pinotti à frente do futebol, o Morumbi se tornou assumido balcão de negócios. Além das vendas, o clube contratou. Seguindo uma lógica absurda. Leco e Pinotti decidiram quais atletas chegariam. No máximo avisaram depois que as transações estavam mais do que encaminhadas. Foi assim com Rogério e com Dorival. Os dirigentes colocavam em uma lista as opções apresentadas por empresários, agentes de sua confiança, e decidiam quem comprar. Tendo como recurso dvds e a palavra dos profissionais de vendas de atletas.

Jamais Telê Santana ficaria de braços cruzados esperando por jogadores que não indicou. É algo bizarro. E que despreza o bom senso, desrespeita a visão, a filosofia do treinador. Mas Leco e Pinotti foram além. Renovaram contrato com um grande ídolo, Diego Lugano, em junho. Mesmo sabendo que, aos 37 anos, ele ficaria na reserva da reserva. Seria mais um auxiliar de Dorival Júnior, um animador de elenco. Por mais que tenha feito na história do clube, era a imagem do desperdício.

Se os R$ 280 mil mensais pagos ao uruguaio saíssem dos bolsos dos dirigentes, jamais ele ficaria até o final do ano.

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Assim como Telê não aceitaria simplesmente os jogadores saídos da base, sem ter o direito de escolher. Não se fiaria em recomendações de treinadores de Cotia. Não, ele acompanharia de perto e traria apenas os garotos que tivessem condições de atuar. Não pensaria apenas em uma valorização artificial, levando em conta o treinamento com os profissionais. Trabalho sem rumo, sem consistência, que leva em consideração melhorar seus currículos para eventuais vendas.

E seria inimaginável para quem conheceu Telê Santana, ele se submeter a reuniões com membros das organizadas. Caso Leco e Pinotti tivessem a ousadia de propor o encontro com torcedores para não só ouviriam o justo pedido de demissão. Mas ouviriam um sermão sobre o ridículo. É inadmissível um clube tricampeão mundial ficar de joelhos diante de quem deveria apenas apoiar a equipe das arquibancadas. Mesmo percebendo o cheiro de medo proveniente de Leco e Pinotti. Receio de nova invasão ao CT da Barra Funda. Assim como também de ameaças físicas que tanta preocupação traziam para suas famílias.

"Ou se tem coragem para ser dirigente ou não", replicaria Santana.

As duas reuniões que jogadores, Dorival e os dirigentes ficaram se explicando, ouvindo queixas, reclamações e orientações do que fazer, dos torcedores, entram para a história do São Paulo Futebol Clube. Como uma demonstração explícita de subserviência.

Mas valeu a pena.

Os prometidos protestos nunca aconteceram.

5reproducao 1024x673 Pense em Telê Santana. E o vergonhoso 2017 ficará mais explícito, para o São Paulo de Leco e Pinotti

Telê Santana acompanharia com desprezo a vulgarização dos preços dos ingressos. Os dirigentes compraram o apoio da torcida. Cobraram preços insignificantes, entre R$ 10,00 e R$ 1,00, para ter o Morumbi cheio. Não pela empolgação da busca de mais um título para a sua gloriosa história. Não. Se reuniam no estádio, milhares de desesperados torcedores, que tinham a pequena compensação proposta por Leco e Pinotti. A mesma que move as equipes humildes do mundo. Não ser rebaixado.

Na sua história como treinador, Telê Santana quando assumiu o São Paulo em 1990, o time havia sido rebaixado no Paulista e estava para cair no Brasileiro. Fez questão de jurar que, com ele, seria a última vez que o tricolor passaria essa vergonha. E cumpriu a promessa. Assumindo o futebol como um treinador de verdade precisa fazer. Jamais no Morumbi ele encabeçou campanha contra a Segunda Divisão.

Assim como não se submeteria ao U2. Não pelo menos calado. Vivia seu recorde negativo da história na zona do rebaixamento, 14 rodadas, quando Leco e Pinotti confirmaram cinco partidas do Brasileiro fora do Morumbi. Mesmo com o acordo tendo sido selado há tempos, o técnico não ficaria com a boca fechada. Não aceitaria o amor ao dinheiro superar o amor ao time, à beira do precipício.

Nunca Telê Santana aceitaria que outro treinador se encontrasse com líderes do elenco, como Hernanes e Rodrigo Caio para aconselhá-los a evitar o rebaixamento. Como Dorival Júnior se submeteu às visitas de Muricy Ramalho. Era a prova que apenas seu trabalho não era o suficiente para evitar o caos. Uma intervenção branca, pedida pela diretoria do clube ao aposentado tetracampeão brasileiro.

 Pense em Telê Santana. E o vergonhoso 2017 ficará mais explícito, para o São Paulo de Leco e Pinotti

E bicampeão mundial, Telê Santana não vibraria, aceitaria as palmas da torcida, os elogios pela recuperação aos trancos e barrancos do time. E permitiria que a diretoria cedesse e vestisse o Morumbi com uma camisa tricolor enorme. Com os dizeres "time grande não cai".

Mas o mestre Telê não está mais entre nós.

Está livre de passar tanta vergonha.

Leco e Pinotti seguem livres para desfilar sua incompetência à vontade.

Abraçados às organizadas.

Com treinadores aceitando passivamente a incapacidade da dupla.

Que despreza a história gloriosa do São Paulo Futebol Clube...
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