nuovomondov PC Gusmão e Celso Roth traíram o Ceará e o Vasco?

PC Gusmão e Celso Roth.

Traíram o Ceará e o Vasco?

Traíram a si mesmos?

Merecem ser crucificados?

Os casos precisam ser analisados com calma.

Sem paixão.

PC Gusmão é cria de Vanderlei Luxemburgo.

Em nove anos de carreira ele já viveu a sensação de chegar a um clube como treinador por 17 vezes.

Ele troca de equipe como quem troca de roupas.

É uma questão de opção.

O caminho que escolheu para trilhar sua carreira.

Os dirigentes que o contratam sabem: se surgir uma proposta melhor, ele vai embora mesmo.

Ele deixou o Ceará na vice liderança do Brasileiro.

A campanha era irrepreensível.

A sensação que deixou no ar é a de que não acreditava no próprio trabalho.

Há o sentimento de que ele resolveu sair cedo, por cima.

Aproveitar o sucesso dos cearenses nas primeiras rodadas do Brasileiro.

Ficou o feeling de que o próprio técnico não acreditava no fôlego do seu trabalho.

E que o sucesso foi um aborto da natureza.

Mas vai ter o seu castigo.

Encontra um clube tão glorioso como o Vasco em frangalhos.

Não há dinheiro, não há planejamento, não há elenco, não há garantia de que vá trabalhar até o final do Brasileiro.

Há sim muita desconfiança do seu trabalho.

Treinou o Vasco em 2001 e não deixou a menor saudade.

Roberto Dinamite foi buscá-lo porque sabia que ele não diria não a voltar a trabalhar no Rio, em um centro maior.

Com muito mais mídia, câmeras de TV.

Não quis investir no próprio trabalho.

Saiu sem se importar com o que deixa para trás.

A multa de R$ 300 mil foi acertada entre as diretorias de Vasco e Ceará.

De acordo com a imprensa cearense, foi para o Rio para receber o dobro: R$ 200 mil.

E Celso Roth?

Abandonou seu posto também sem olhar para trás.

O Vasco que encontrou era assustador.

Além do time fraco, a diretoria não serviu como escudo para protegê-lo da torcida.

Muito pelo contrário.

Ele tinha a obrigação de se explicar aos torcedores vascaínos.

Foi sabatinado, xingado.

Fez uma uma lista de reforços fundamentais para o time.

Não para brigar pelo título.

Mas para escapar do rebaixamento.

Percebeu que nem metade dos pedidos seria atendida.

Surgiu então Fernando Carvalho e a proposta para treinar o Inter.

A diretoria gaúcha estava abalada pela recusa de Felipão.

E com a responsabilidade de ter um técnico para disputar as semifinais da Libertadores.

Era como se Roth finalmente tivesse a chance de comer um filé sem ter de roer o osso.

E aceitou sem pensar.

Desde 1991, quando começou sua carreira, chegou em um clube como técnico nada menos do que 28 vezes.

Não tem um título marcante.

É conhecido como o treinador do sofrimento.

Seus times nunca foram exuberantes.

São equipes brigadoras, nunca técnicas.

Ganhou de presente um elenco habilidoso, com jogadores de talento, de personalidade forte.

Atletas que não se dobraram ao uruguaio Jorge Fossati.

Um casamento que parece fadado ao breve divórcio.

Mas têm sido assim as vidas de PC Gusmão e Roth.

Já se acostumaram às despedidas.

Não se abalam com lágrimas ou abraços apertados.

Têm o coração de segurança de aeroportos.

Passear pelo país atrás da melhor oferta.

Sem olhar para trás.

E nem para a frente.

Planejamento, anos de contrato?

Ligação afetiva ao clube?

De jeito nenhum.

O importante é fazer um bom supermercado ao final do mês.

Só eles sabem quantas vezes foram demitidos...

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