1reproducao27 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...
"A torcida do Palmeiras é muito vibrante, apaixonada. Vai até as últimas consequências apoiando o time. Já sofreu muito. Foi motivo de chacota nos 17 anos de jejum. Por isso não aceita que ninguém mais a tripudie. A minha identificação foi imediata. Eles sabiam que tinha em campo um jogador sem medo e que enfrentaria a todos em busca de uma vitória. Esse foi o segredo do meu sucesso com a camisa verde. Era um amor enlouquecido dos dois lados."

As palavras são de Edmundo. Os três primeiros anos no Palmeiras foram inesquecíveis. Fez tudo o que tinha e o que não tinha direito. Brigou, chutou câmera, fez greve de silêncio, xingou dirigentes, protagonizou uma batalhar campal contra o time do São Paulo em pleno Morumbi. Com direito a chamar o baixinho Juninho Paulista de 'meio homem'.

Aprontou, mas jogou muito futebol. "O Edmundo tinha uma personalidade explosiva que contaminava o time. Mas seu talento com a bola nos pés era enorme. Sua capacidade de dribles, a velocidade, a visão de jogo. Eram impressionantes. Foi um dos melhores atacantes que eu vi jogar."

As declarações de Evair ganham até mais credibilidade. Afinal, os dois nunca se deram bem. Ficaram tempos sem se falar fora do campo. No gramado, juntos, foram responsáveis por muitos gols e jogadas que acabaram não só com o jejum de 1976 até 1993, como os levaram à Seleção.

Para o bem e para o mal, o atacante carioca justificou o apelido que, no início detestava, depois passou a se orgulhar. Osmar Santos foi o autor da substantivo que virou adjetivo e que o acompanhará pelo resto da vida: "Animal".

Edmundo marcou o coração dos palmeirenses. Ele costuma estar nas seleções de todos os tempos dos torcedores, jornalistas, apaixonados pelo clube. Seu carisma conseguiu convencer a maioria a cometer enorme heresia. Esquecer do genial Julinho Botelho.

Entre aqueles que guardam camisas verdes número 7, com dedicatória de Edmundo, há uma pessoa que se destaca. Paulo de Almeida Nobre. O presidente palmeirense é absolutamente obcecado pelo polêmico atacante. Frequentador assíduo das arquibancadas do antigo Parque Antártica, com a camisa das organizadas TUP, Inferno Verde e Mancha Verde, ele cansou de gritar, aplaudir e até chorar com as jogadas do explosivo jogador. E também via admirado as brigas, provocações.

2reproducao9 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

Por isso aprendeu a valorizar muito mais esta camisa do que a número 10. Depois do primeiro mandato, com o clube afundado em dívidas, nômade, sem estádio, Paulo Nobre jurou. Montaria um time digno em 2015. Ele teria a obrigação de chegar à Libertadores de 2016. E começar um novo ciclo vitorioso palmeirense.

Enquanto Alexandre Mattos foi comprando jogador e mais jogador, Nobre avisava. "Ninguém chegue perto da número 7." Ele buscava um jogador talentoso, especial. Vários nomes foram colocados na mesa. Mas inviáveis. Lucas do PSG, Bernard, Luis Adriano.

Mas de repente, surgiu uma oportunidade. Dudu, um dos melhores atacantes do Brasileiro de 2014, não ficaria no Grêmio. O clube gaúcho não tinha os R$ 19 milhões para comprá-lo do Dinamo de Kiev. O Corinthians conseguiu convencer o atacante e seus empresários. Acertaram salários inclusive. Só que o clube o desejava por empréstimo. Não tinha o dinheiro exigido. Além disso, os dirigentes da Ucrânia ficaram revoltados por serem os últimos a saber da transação. Diante disso, Carlos Miguel Aidar decidiu atravessar a negociação. E deixou tudo muito bem encaminhado com a diretoria. Mas Dudu não queria trair os dirigentes corintianos. Disse que desejava atuar no Parque São Jorge.

1gremio Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

Conseguiu complicar a negociação. Diante do entrave, Paulo Nobre deu o aval a Alexandre Mattos. E ele atropelou tanto o Corinthians como o São Paulo, que havia 'roubado' Alan Kardec. E Dudu chegou ao Palestra Itália. Foi a maior contratação entre os clubes brasileiros, neste santo ano de 2015, com o país mergulhado em uma profunda recessão. Ninguém gastou tanto com um só jogador.

O mineiro Mattos conhecia muito bem a fama de Dudu. Desde a base do Cruzeiro, o atacante é tão talentoso quanto explosivo. Dono de personalidade forte, não aceitava a reserva, discutia com quem se colocava no seu caminho. Junior, provocava, não tinha medo dos zagueiros titulares, mais velhos. Desrespeitava a todos. Dentro e fora de campo. Com esse gênio, não se adaptou à Toca da Raposa. E muito menos à hierarquia do futebol russo.

3reproducao10 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

Ao chegar no Palmeiras, Dudu foi percebendo o que a torcida e a direção do clube, principalmente Paulo Nobre, esperavam dele. Oswaldo de Oliveira não é admirador de jogadores explosivos, provocativos. Prefere os mais politicamente corretos, como Zé Roberto. Com apenas 23 anos, o atacante tentava se adaptar, se segurar.

Mas veio o jogo contra o São Paulo. O clube que tentou comprá-lo sem se importar com sua vontade. Razão de várias discussões entre Bruno Paiva e os outros donos da OTB Sports, seus empresários, com a cúpula do Dinamo. Além do mais, sabia o quanto Paulo Nobre tem Aidar atravessado na garganta. Jogo na nova arena palmeirense.

Aí, Dudu foi Dudu. Provocou Rafael Toloi, tomou uma entrada dura do zagueiro, retribuiu com uma leve, mas desleal cotovelada, que não foi percebida pelo árbitro Vinicius Furlan. O são paulino ficou alucinado e tratou de dar um pontapé por trás no franzino, mas folgado adversário. Cartão vermelho, o time de Muricy ficou com um jogador a menos com sete minutos de partida.

Mas a camisa 7 do Palmeiras testemunharia a reencarnação de Edmundo. Dudu driblava, tocava a bola e não tirava o sorriso do rosto. E quando Furlan estava longe, xingava, irritava. Conseguiu tirar do sério até o gelado Paulo Henrique Ganso. Ele desfilava palavrões ao palmeirense até ser substituído.

4ae9 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

Sua maior ousadia aconteceu com Edson Silva. Zagueiro forte, 1m87, pernambucano, de gênio forte. Em uma jogada de linha de fundo, ele chegou antes de Dudu. O palmeirense que vinha correndo, não se fez de rogado ao ver a bola saindo. Deu um pulo nas costas do zagueiro e o fez de 'cavalinho'. A torcida palmeirense delirou. Conselheiros garantem que Paulo Nobre ficou entusiasmado com tanta coragem. Edson Silva nem acreditou no que acontecia. Ao perceber o papel ridículo que fazia, jogou o abusado de 1m65 no chão.

A esta altura, os palmeirenses aplaudiam, riam, provocavam. Gritavam de prazer. Tanto pela vitória humilhante diante do São Paulo como pela cena inacreditável. Ganhavam, depois de uma década, outro ídolo atrevido, provocador, talentoso, rápido e politicamente incorreto.

6ae2 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

Como acontecia com Edmundo, Dudu já está 'jurado'pelos jogadores do São Paulo. Esperam com ansiedade a chance de tê-lo ao alcance em um próximo clássico. O goiano sabe que isso acontecerá. Tem sido assim desde o início da carreira. Como o agora comentarista de tevê, ele tem certeza que será mais fácil. Seus marcadores entrarão abalados psicologicamente.

Nos bastidores deste novo Palmeiras, todos sabem. Dudu está rindo da situação. É assim, abusado, que deseja ser conhecido. Ganhar espaço no futebol nacional. Brigar pela Seleção. Não vai mais se sujeitar ao politicamente correto de Oswaldo. Vai fazer as loucuras que passar pela sua cabeça. Como montar de cavalinho em um zagueiro adversário.

Dudu já começa a ganhar a admiração da torcida. Que se aprendeu a esperar tudo e mais um pouco de Edmundo. Finalmente a camisa 7 verde voltou a ser admirada. Ter torcida particular. Valeu Paulo Nobre tê-la reservado.

Os palmeirenses estavam precisando de um ídolo corajoso, brigador, provocador, que não leve desaforo para casa. De sangue quente, italiano. E principalmente abusado, folgado, destemido. Ele chegou. Se chama Dudu. Seu marcadores que preparem o cangote...
2ae19 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

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