115 1024x797 Para o mundo, a estreia de Tite será hoje contra a Argentina. No Mineirão, palco dos 7 a1, o Brasil vai poder mostrar que tem cérebro, estratégia. Não é mais um mero exportador de pés...
Foi Dunga quem escolheu o Mineirão.

Queria que o Brasil começasse sua recuperação moral nas Eliminatórias no mesmo palco do maior vexame da sua história. O Mineirão dos 7 a 1, deixados como herança por Felipão. O ex-coordenador Gilmar Rinaldi adorou a ideia que a repassou para Marco Polo del Nero. O presidente da CBF achou interessante expurgar os 'maus fluídos' com uma vitória sobre o time de Messi. Afinal, Dunga parecia ter a fórmula para derrotar os 'hermanos'.

Só que não houve tempo para o autor da ideia colocasse em prática seu plano. Ele foi demitido no dia 14 de junho, depois de conseguir a façanha de comandar a Seleção eliminada na primeira fase da Copa América dos Estados Unidos. Nove dias depois que ele estava bem longe da sede da CBF, houve o anúncio do confronto no Mineirão.

Esse dia chegou. É muito tentador escrever sobre o confronto entre Messi e Neymar. Detalhar que o argentino venceu três e perdeu. Mas a partida vai muito além desse encontro entre o melhor jogador do mundo contra o terceiro. O Mineirão terá frente a frente o duelo de filosofia de dois países que conquistaram sete títulos mundiais, mas que buscam reconquistar o respeito, a sina de campeões.

Bastaram quatro partidas, 12 gols marcados e apenas um sofrido para que a opinião pública brasileira tivesse mudado. Saído da extrema depressão para a mais pura empolgação. Com a modernidade, Tite trouxe a convicção que o país voltou a ser respeitado internacionalmente. Afinal, já é o líder das Eliminatórias, com os os 12 pontos acumulados.

Só que comunidade internacional não se empolga com vitórias diante do Equador, Colômbia, Bolívia e Venezuela. São tratadas como obrigação. Apesar de ter seu nome gritado pela torcida e por jornalistas entusiasmados, Tite ainda é uma incógnita fora das fronteiras nacionais. O celebrado Mundial e a Libertadores pelo Corinthians também não badalados como a comunidade tupiniquim acredita que deveriam.

O treinador nunca recebeu sequer sondagem de um grande clube europeu.

Muito menos de um selecionado importante.

O Brasil segue exportador de pés e não de cérebros.

Vanderlei Luxemburgo no Real Madrid e Felipão no Chelsea se incumbiram de estragar a imagem do técnico brasileiro junto à elite do futebol mundial. Luxemburgo não conseguia sequer se comunicar em espanhol. Scolari também era alvo de ironias dos jogadores e imprensa por falar muito mal inglês. Ou seja, não sabiam o básico da comunicação. O resultado de ambos foi demissão sumária e arrependimento dos dirigentes europeus.

A demissão de Felipão já aconteceu há sete anos. Desde então, a Europa seguiu não levando a sério os treinadores daqui. Ultrapassados, meros alunos dos grandes mestres de lá: Guardiola, Mourinho, Ancelotti.

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Entre os treinadores que os brasileiros aprenderam a copiar está Diego Simeone. O argentino que faz revolucionou o futebol do Atlético de Madrid. O transformou em uma máquina de jogar, independente da força financeira de uma equipe média. Intensidade, compactação, jogadores atuando em bloco, mistura tática de basquete e handebol para defender, contragolpes em alta velocidade, em bloco. Virou modelo de trabalho e admiração em todo o mundo.

Simeone é apenas um exemplo de competência dos treinadores argentinos. Jorge Sampaoli, no Sevilla, Mauricio Pochettino, no Totenham. Juan Antonio Pizzi assumiu o Chile. José Péckerman comanda os colombianos. Ricardo Gareca comanda o Peru. Tata Martino resolveu enriquecer acertando com o Atlanta United dos Estados Unidos. Há inúmeros outros treinadores argentinos espalhados pelo mundo.

Ao contrário do que os técnicos brasileiros adoram propagar, o sucesso não está no idioma espanhol. Eles são muito mais desenvolvidos porque buscam o aperfeiçoamento na Europa, com cursos reconhecidos pela Fifa. Estudam. Valorizam o aprimoramento do uso da estratégia, da alta performance atlética, psicologia. Há uma base de estudo profunda por trás de grandes trabalhos.

Tanto desenvolvimento trouxe para os técnicos argentinos a amplitude da visão do futebol como um todo. Por isso que o melhor deles não aceita comandar a Seleção do seu país. Diego Simeone vê a AFA mergulhada em corrupção e atraso. Já negou mais de seis convites para assumir o cargo. Não quer porque não acredita na estrutura que a Argentina oferece. E não se submete à tutela de dirigentes que influenciam em absolutamente tudo. Até nas convocações.

Além dele, Marcelo Bielsa segue justificando o apelido de Louco. Suas manias já beiram a esquizofrenia. E por isso não assumiu nem a Lazio e muito menos a Argentina. Gerardo Martino, abandonou a seleção pelo fracasso em duas finais de Copa América e não conseguir reunir 22 jogadores para a Olimpíada. Só por isso, o cargo caiu no colo de Edgardo Bauza.

O ex-treinador do São Paulo é visto mais como um pacificador do que um estrategista. Convenceu Messi a recuar, esquecer a ideia de abandonar a Seleção Argentina. Mas o quadro não foi alterado. Apesar de ter o melhor jogador do mundo, a atual geração é fraca. E o camisa 10 não consegue fazer o milagre de levar o país a grandes conquistas. Daí Bauza misturar Libertadores da América, sua especialidade como bicampeão, com Eliminatórias. E a Argentina é o selecionado de elite mais retrancado do planeta. Mesmo assim, sofre. Está apenas na sexta colocação nas Eliminatórias.

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O Brasil de Tite entra no Mineirão para o seu confronto mais midiático. O de maior repercussão internacional do resultado. Contra a camisa mais pesada, bicampeã do mundo. Mas não necessariamente o jogo mais difícil. A Argentina é uma equipe desajustada, de forte marcação, catimbeira. Dependente ofensivamente de jogadas individuais de Messi, Higuain, Di Maria. E que entrará para fazer mais uma guerra de nervos do que uma batalha tática.

Os 'hermanos' dependem de Messi como o Brasil dependia de Neymar com Mano Menezes, Felipão e Dunga. O mundo poderá começar a reparar que a Seleção deu um salto estratégico. Tite levou a modernidade. Mas seu maior trunfo foi montar um time que valoriza o coletivo. Neymar é o mais talentoso, dos melhores do mundo. Mas coloca seu futebol a favor do time. Passou a jogar como no Barcelona, sendo uma peça fundamental, mas não todo o time do meio do campo para a frente.

Chegou a hora de Tite impor seus conceitos desenvolvidos nos últimos anos. Marcação alta, recomposição, intensidade, dinâmica de jogo, linhas próximas, trocas constantes de posição do meio para a frente, triangulações, inversões. Infiltrações dos volantes. Bolas aéreas.

É a partida para o Brasil se consagrar.

Recuperar o respeito internacional.

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No gramado do Mineirão.

Mesmo lugar que imbecis tentam amaldiçoar.

Como se o estádio fosse responsável pelos 7 a 1.

E não o incompetente trabalho de Felipão.

Mais importante do que 'lavar a honra', o Brasil tem que vencer.

Mostrar que voltou para a elite do futebol mundial.

Porque descobriu a estratégia, o trabalho de um técnico.

Não depende mais apenas de dribles, arroubos dos seus jogadores.

Nem se abre de forma ingênua para agradar torcida.

Se expõe a vexames por falta de noção.

Para o mundo, o trabalho de Tite começa hoje...
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