1reproducao21 1024x768 Para o ambicioso Tite, empatar com o Uruguai não basta. Quer quebrar um recorde histórico. Vencer a sétima partida em sete jogos nas Eliminatórias. Por isso, o Brasil vai jogar para ganhar em Montevidéu...
Por trás de sua postura paternal, Tite é muito ambicioso.

Desde 2014, seu ano obrigatoriamente sabático, quando perdeu o Corinthians para Mano Menezes e a Seleção para Dunga, o treinador aprendeu a planejar sua carreira. Analisar com sangue frio os passos que precisa dar para aproveitar ao máximo, 'otimizar' como gosta de dizer, cada passo.

Ele não confessará nem sob tortura, mas tinha certeza que Dunga fracassaria na Seleção. E não deixaria outra opção para Marco Polo del Nero. Seria impossível chamá-lo. Para isso precisava tirar o máximo do Corinthians. Acrescer a conquista do Campeonato Brasileiro, do hexacampeonato corintiano, à Libertadores e ao Mundial.

Para isso, se aplicou de corpo e alma. Usou os conhecimentos adquiridos na Europa. Nas observações detalhadas no trabalho do seu ídolo Carlo Ancelotti. Aprimorou as triangulações e a maneira letal de aproveitar os contragolpes em velocidade. Descobriu o poder da marcação alta. E o segredo da intensidade. Com o italiano compreendeu a necessidade absoluta da cumplicidade com seus jogadores.

Embora tenha até cópias de vídeos de treinamentos de Guardiola, considera o catalão exageradamente ofensivo, a ponto de escalar apenas um ou até nenhum zagueiro. Da linha de quatro defensivos, Tite não abre mão. E também não compactua com a maneira de expor os atletas do espanhol. Em cada falha defensiva ou de finalização do Manchester City, o treinador não poupa gestos negativos. O que é explorado pela imprensa desde o Barcelona, depois no Bayern e envenena o ambiente nos clubes onde trabalha.

Por isso, Tite é um ator durante os jogos.

Sabe que está sendo focado nos bons e maus momentos.

Tem ojeriza ainda maior ao comportamento de José Mourinho. O treinador português se comporta como uma prima donna. Adora chamar a atenção em qualquer situação. Mais do que os jogadores que comanda. E Tite vê exageros na maneira defensiva com que 'The Special One' monta seus times quando atua fora de casa. O famoso 'ônibus' que coloca em frente ao seu goleiro. São tantos jogadores que não há como articular contragolpes eficientes, já que a equipe fica muito longe das traves adversárias.

Adenor é fã da sobriedade e ambição silenciosa de Ancelotti. Do trabalho com muito mais sucesso do italiano no Bayern do que a passagem do midiático Pep Guardiola. É ele sua fonte de inspiração constante. Faz questão de ver cada partida do time bávaro para aprimorar seus conceitos.

Foi dessa maneira, preparado, que Tite chegou à Seleção Brasileira. Sabendo exatamente o que iria fazer. Gritando aos quatro ventos que iria explorar cada jogador na sua posição. Quando na verdade, ele os fez se encaixar no 4-1-4-1, esquema que considera o ideal. Para o preenchimento dos espaços. E que permite atacar e se defender com eficiência. Mais do que isso, libera a possibilidade de atuar da mesma maneira em casa ou fora dos seus domínios.

2mowa1 Para o ambicioso Tite, empatar com o Uruguai não basta. Quer quebrar um recorde histórico. Vencer a sétima partida em sete jogos nas Eliminatórias. Por isso, o Brasil vai jogar para ganhar em Montevidéu...

E os resultados não deixam dúvidas. Assumiu o Brasil quando a Seleção estava na sexta colocação. Venceu os equatorianos, que ocupavam a segunda colocação. Desprezou a altitude de Quito. 3 a 0. Depois, derrotou os perigosos colombianos, em Manaus, por 2 a 1. Em Natal, 5 a 0 contra os bolivianos. 2 a 0 na Venezuela, em Merida.

No Mineirão, estádio escolhido por ele, humilhou os argentinos com Messi. 3 a 0. E em Lima, dobrou os valentes peruanos. 2 a 0.

Alcançou uma campanha histórica.

Só João Saldanha conseguiu seis vitórias consecutivas em Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970. Nenhuma outra seleção de qualquer país sul-americano atingiu essa sequência. Tite mais do que ninguém sabe que está para fazer história, amanhã, às 20 horas, em Montevidéu.

Ambicioso como aprendeu a ser, ele quer mais este triunfo.

Sabe que não pode desperdiçar a chance para aumentar o seu currículo. Ainda mais com a ajuda do destino. Óscar Tabárez não terá sua principal estrela, Luiz Suárez, suspenso. E também o ótimo goleiro Fernando Muslera. E mesmo assim, será pressionado a vencer em casa. Sua equipe é a segunda colocada das Eliminatórias. Tem 23 pontos contra os 27 pontos dos líderes brasileiros.

 Para o ambicioso Tite, empatar com o Uruguai não basta. Quer quebrar um recorde histórico. Vencer a sétima partida em sete jogos nas Eliminatórias. Por isso, o Brasil vai jogar para ganhar em Montevidéu...

Tabárez sabe que aos rivais basta um ponto, um empate. E estará carimbado o passaporte para a Copa da Rússia. Já seria, estatisticamente, ótimo resultado aos brasileiros empatar em pleno estádio Centenário.

Só que Tite quer mais. A sua ambição ficou evidente no Centro de Treinamento do São Paulo. Enquanto Leco circulava pelo clube, orgulhoso por ter a Seleção Brasileira nos seus domínios e ainda ser chefe da delegação nos jogos contra Uruguai e Paraguai, Tite fazia o seu treinamento 'fantasma'. Os titulares estavam sozinhos no gramado, enfrentando um adversário imaginário. O que importava era movimentação do time com e sem a bola.

E como o Bayern de Ancelotti tem feito nesta Champions League e no Campeonato Alemão, o Brasil atuará da mesma maneira em Montevidéu como se a partida contra os uruguaios fosse no Maracanã. Para a sentida ausência de Gabriel Jesus, Tite não pestanejou. Colocou Roberto Firmino. Poderia ter escolhido um jogador que adora, Diego Souza. Ele o vê como um jogador inteligente, alto, técnico, capaz de fazer o pivô, cabecear, abrir espaço a Neymar, Philippe Coutinho e ao onipresente Paulinho.

 Para o ambicioso Tite, empatar com o Uruguai não basta. Quer quebrar um recorde histórico. Vencer a sétima partida em sete jogos nas Eliminatórias. Por isso, o Brasil vai jogar para ganhar em Montevidéu...

Mas com Firmino, o time segue agudo, vertical quando tem a posse de bola. A velocidade que exige nos contragolpes precisa de alguém definidor, ágil com a bolas rasteiras, nas costas da zaga adversária. Mesmo sem a mesma qualidade técnica, a capacidade dos improvisos de Gabriel Jesus, o alagoano do Liverpool tem condições de fazer o time manter o eficiente 4-1-4-1 amanhã.

O Brasil entrará em campo amanhã para ganhar do Uruguai.

O caminho para não sofrer passa longe da catimba, da violência. Tite quer o time com a pegada forte, firme. Mas essencialmente bem distribuído em campo. Apostando na excelente fase de Casemiro para fechar a intermediária, proteger Marquinhos e Miranda, travar Cavani. O técnico quer a recomposição, as linhas próximas. E muita intensidade nas intermediárias. O time preparado para atacar e defender em bloco.

Chegar a sete vitórias em sete jogos.

Garantir antecipadamente a vaga para a Rússia.

Mesmo com o time precisando de um ponto, conseguir três.

Entrar pela porta da frente na história do futebol brasileiro.

Obter um recorde que parecia impossível com Felipão, Dunga.

E partir daí para o sonho de vencer a Copa na Rússia.

Depois seguir.

Assumir um dos grandes clubes europeus.

Mostrar que aprendeu tão bem que pode ensinar.

Para isso, sabe que cada passo é importante.

Vencer o Uruguai no Centenário se tornou fundamental.

Para o ambicioso caminho que escolheu trilhar.

Depois da Seleção, não há como voltar ao futebol nacional.

Nos clubes brasileiros já atingiu o patamar mais alto...
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