135 Palmeiras perto da eliminação da Libertadores. A falta de visão do iludido Paulo Nobre fez milagre. Transformou cada palmeirense em uma viúva saudosa de Valdivia...
O folclórico presidente do Corinthians, Vicente Matheus, cunhou inúmeras frases para a história. Mas havia uma que ele gostava de repetir. Aprendeu com Oswaldo Brandão.

"De nada adianta ter flechas se não falta o arco."

Sem hipocrisia, é isso que acontece com o Palmeiras que está prestes a dar adeus à Libertadores de 2016. Justo a competição mais desejada, lucrativa. E graças às decisões equivocadas de uma pessoa. Paulo de Almeida Nobre. O presidente bilionário agiu de maneira amadora em agosto do ano passado.

Valdivia deu todos os motivos para não ter seu contrato renovado. Todos. Farreou. Não cuidou de suas lesões. Xingou dirigentes. Brigou com técnicos. Destratou companheiros. Deitou e se acomodou em um contrato de cinco anos. E que rendia, somando comissão e luvas, R$ 500 mil mensais. O Palmeiras o tornou milionário.

Mas dentro de campo, sem contusão, disposto a jogar, ele era um dos melhores meias da América do Sul. Jogador com potencial para atuar na Europa. Um bobo egocêntrico que desperdiçou a chance de defender clubes poderosos. Caberia na Juventus, Milan, Atlético de Madrid, Arsenal, Liverpool.

Paulo Nobre estava cansado dos abusos de Valdivia desde o início de 2015. Teve oito meses para amadurecer a decisão. Deixou claro o que faria para Alexandre Mattos, o substituto do ultrapassado Brunoro. Mattos o apoiou. Mas não teve personalidade para abrir os olhos de Nobre. Nas 25 contratações que fez em 2015, o bilionário dirigente não reservou uma quantia importante para contratar um jogador à altura de Valdivia.

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Fez pior. Quando a relação com o casal dono da Crefisa era ótima, o que fez Paulo Nobre? Pediu dinheiro para contratar um jogador importante, que traria títulos, faria gols. Mudaria o status palmeirense. José Roberto Lamacchia e Leila Pereira comprometeram cerca de R$ 40 milhões até o junho de 2018. E acertaram a vinda do argentino naturalizado paraguaio, Lucas Barrios.

Nobre, que tem fixação por camisas, aproveitou para humilhar Valdivia. Deu a Barrios a 10, que sempre foi do chileno. Era o adeus antecipado.

E a confirmação do erro que Vicente Matheus não cometeria. O Palmeiras abria mão de um dos melhores arcos da América Latina. Sem ter outro. Por mais que Paulo Nobre não entenda de futebol, realmente não entende, alguém deveria ter testosterona e vergonha na cara. E dizer ao iludido presidente que Cleiton Xavier não seria o substituto à altura do chileno. Nem se estivesse saudável, livre de contusões. O que infelizmente não é verdade. Por praga ou não de Valdivia, o jogador não atua desde agosto do ano passado, mês que o meia foi para os Emirados Árabes.

Allione, Régis, Robinho, Fellype Gabriel, Moisés e Cleiton Xavier. Esses são os meias palmeirenses. Junte o potencial desses atletas. Não dá meio Valdivia. De que adianta ter Dudu, Lucas Barrios, Erik, Cristaldo, Alecsandro se contorcendo como peixe fora d'água, correndo desesperados entre os zagueiros? Não há o mínimo talento para fazer a bola chegar para a conclusão. Um meia que abra espaço, atraia a marcação. Mude o ritmo do time.

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Marcelo Oliveira teve direito a oito reforços pontuais em 2016. Eram 33 atletas em doze meses de Alexandre Mattos. O Palmeiras já estava classificado para a Libertadores. E faltou coragem para dizer na cara de Paulo Nobre. "Preciso de um meia de verdade, diferenciado. Alguém com o talento de Valdivia." Não. Ele teve a coragem de dizer que estava satisfeito com Cleiton Xavier. Todos no clube sabiam que não estava. Mas quem enfrenta o presidente? Ninguém.

Nem quem deveria. Alexandre Mattos. O executivo 'nota 100' também não quis contrariar o dono do Palmeiras. O homem capaz de colocar do próprio bolso, R$ 131 milhões para tornar o clube viável. Mas foi incapaz de enxergar a necessidade de um atleta fundamental.

Ficou iludido ao levantar a taça da Copa do Brasil com Zé Roberto. Não percebeu que o time conquistou o torneio aos trancos e barrancos. Os grandes responsáveis foram Fernando Prass e a torcida que transformou a arena em um inferno para os adversários.

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Só a insana Copa do Brasil permite a incrível superação dos mandantes, na sucessão de mata-matas. Paulista de Jundiaí, Santo André e Criciúma também foram campeões do torneio nacional.

E o Palmeiras parecia não precisar de um grande meia. De um arco para suas flechas.

O destino poderia ser outro. José Roberto Lamacchia e Leila Pereira chegaram a oferecer no final do ano mais dinheiro da Crefisa. Ambos queriam uma grande estrela internacional na equipe que disputaria a Libertadores. "Vamos ser mais importantes para o Palmeiras que a Parmalat foi", dizia Leila.

O ultrapassado Brunoro revelou que Nobre sonhava com Conca na vaga de Valdivia. O argentino está nadando em dinheiro na China. Ganha R$ 2 milhões mensais no Shanghai Dongya. É ídolo. Sua contratação seria muito difícil. Mas nem foi tentada. Marcelo Oliveira adora o futebol de Everton Ribeiro. Joga nos Emirados, no Al-Ahli. Recebe R$ 1,2 milhão. A compra não seria tão difícil.

A Crefisa ficou à disposição para fazer mais este investimento. Só que Nobre disse não. Não perdoou uma entrevista de Leila. Nela, ela acusa Nobre de buscar contratações de 'quinta categoria'. E ameaçava levar a Crefisa para o Flamengo. Deste então, acabou o bom relacionamento.

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Como provocação, depois do não, o casal provocou. Tirou foto justo com Valdivia em Dubai. E perguntou aos torcedores palmeirenses qual era o sonho para 2016. Mexeu em um vespeiro. Nobre ficou possesso. Avisou Mattos que não aceitaria jogadores bancados pela Crefisa. E o Palmeiras ficou sem um grande meia.

Ao assumir o Palmeiras, tive a informação da preocupação de Cuca com a articulação do ataque palmeirense. Por isso pude antecipar o seu desejo de apostar nos 42 anos de Zé Roberto. Jogador que anunciou que se aposentará no final do ano. Na sua avaliação não há um meia importante no gigantesco elenco montado por Alexandre Mattos. De nada valeu a preferência por jogadores do empresário Edurdo Uram.

Por isso pediu a Zé Roberto para tentar atuar em uma posição que ele sempre foi excelente. Mas 15 anos atrás. A meia esquerda. Ele fez o que pôde no primeiro tempo contra o Nacional, ontem em Montevidéu. Só que não conseguiu produzir. Faltou força muscular, velocidade, vigor físico. Saiu Egídio, Zé Roberto foi para a lateral e entrou Robinho, com seu DNA de segundo volante, atuar como meia. Não rendeu também.

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O Palmeiras tem peças importantes no seu elenco. Mas todas coadjuvantes. Não há um protagonista. Ou ano menos um meia eficiente na armação, na articulação. Essa falha é gravíssima. Não há elo entre o meio de campo e o ataque.

A sonhada Libertadores 'para valer' de Paulo Nobre chegou. E já está indo embora, ainda na fase de grupos. Ele despreza a de 2013, que o clube disputou estando rebaixado. Agora há a pressão da torcida na moderníssima arena. Elenco competitivo. Mas carente. Que apela para cruzamentos e ligações diretas para compensar a falta de um pensador.

A torcida está inconformada. Marcelo Oliveira já foi despachado. Cuca chegou, cercado de expectativa. Mas o time nunca chutou tão pouco ao gol adversário quanto ontem no Uruguai. O esquema tático do novo treinador depende demais de um articulador.

Foram apenas seis chutes durante 90 minutos.

Quatro para fora.

Muito pouco a um elenco de natureza ofensiva.

Tentou o veterano Zé Roberto e depois com Robinho.

Viu que os dois fracassarem.

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E o Palmeiras perdeu a partida que não poderia.

A lógica aponta a eliminação.

A lição que fica?

O iludido Paulo Nobre conseguiu exatamente o que não queria.

Tornou todo palmeirense em uma viúva saudosa de Valdívia...

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