Everton Ribeiro e Ricardo Goulart fora da Seleção. O preço por optar pelo dinheiro árabe e chinês. Além da concorrência fortíssima de Philippe Coutinho e Roberto Firmino. Focado nas Eliminatórias, Dunga não quer a Olimpíada…

1ap Everton Ribeiro e Ricardo Goulart fora da Seleção. O preço por optar pelo dinheiro árabe e chinês. Além da concorrência fortíssima de Philippe Coutinho e Roberto Firmino. Focado nas Eliminatórias, Dunga não quer a Olimpíada...
Goleiros:Jefferson (Botafogo), Marcelo Grohe (Grêmio) e Diego Alves (Valencia); laterais, Fabinho (Monaco), Danilo (Porto), Filipe Luís (Chelsea) e Marcelo (Real Madrid);

zagueiros, David Luiz (Paris Saint-Germain), Thiago Silva (Paris Saint-Germain), Marquinhos (Paris Saint Germain) e Miranda (Atlético de Madrid); volantes, Elias (Corinthians), Luiz Gustavo (Wolfsburg), Fernandinho (Manchester City) e Souza (São Paulo);

meias, Oscar (Chelsea), Willian (Chelsea), Philippe Coutinho (Liverpool) e Roberto Firmino (Hoffenheim); atacantes, Neymar (Barcelona), Diego Tardelli (Shandong Luneng), Douglas Costa (Shakhtar Donestsk) e Robinho (Santos).

Estes os convocados de Dunga. Não só para enfrentar a França e o Chile. Mas a esmagadora base da Seleção que disputará a Copa América do Chile. A fase de testes está no fim. O treinador não teve restrição alguma. Pôde chamar que considera os melhores. Um dado muito significativo foi a perda de espaço de Everton Ribeiro e Ricardo Goulart. Os jogadores que o Cruzeiro vendeu para os Emirados Árabes e para a China. O treinador os deixou de lado.

A desculpa do treinador foi que eles não estão bem fisicamente, já que estão em pré-temporada. Só que Diego Tardelli também. E entrou para a história como o primeiro atleta atuando no futebol chinês convocado pelo Brasil. A verdade é que Dunga está encantado com a fase sensacional de Philippe Coutinho. O meia está jogando muito bem. Sendo figura de destaque no difícil Campeonato Inglês.

Ao lado dos obrigatórios Oscar e Willian do Chelsea, Philippe Coutinho se jogar metade do que faz no Liverpool irá para a Copa América. Roberto Firmino se impôs no futebol alemão, tão admirado por Dunga. Jogando muito bem, o atleta de 23 anos está sendo perseguido pelo Arsenal. A direção do clube inglês colocou seu nome como prioridade. Douglas Costa está sendo assediado pelo Chelsea de Mourinho. Os ucranianos tentam segurá-lo de qualquer maneira.

Robinho é um jogador que Dunga tem carinho acima do normal. Mesmo que, aos 34 anos, não chegará à Copa da Rússia. O atacante se diverte no Campeonato Paulista, contra fraquíssimos times. Mas o treinador o chama tanto pela falta de concorrência quanto por gratidão. O treinador nunca esqueceu as brigas com dirigentes europeus do jogador, no seu auge, para atender os chamados para a Seleção que disputaria a Copa de 2010.

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Agora, caminhando para o final da carreira, sem mercado nos grandes clubes europeus, o treinador o recompensa. Até pela falta de atacantes confiáveis nascidos no Brasil. Dunga não pode nem ouvir falar em artilheiros que atuem parados, fixos na área, como Fred, Jô, Leandro Damião. O que muitos consideram um atleta como referência, ele vê o time com dez atletas.

Sem a pressão interna das conquistas do Cruzeiro, Everton Ribeiro e Ricardo Goulart ficam órfãos. Eles nunca foram titulares absolutos, intocáveis de Dunga. Ao contrário de Tardelli. Agora atuando em campeonatos de baixo nível técnico, será bem difícil ambos serem lembrados para a Copa América. Os dois foram avisados por seus empresários. Mas aceitaram correr o risco. Preferiram o dinheiro a seguir no Cruzeiro até pelo menos o final da Libertadores. O efeito colateral pode ser o esquecimento da Seleção.

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Contra a França e Chile, o técnico irá insistir no que estava fazendo em 2014. E que fez o Brasil vencer os seis amistosos que disputou, depois do vexame na Copa do 2014. Foram 14 gols a favor e um contra. O esquema da Copa das Confederações, o 4-2-3-1 e que fez do Brasil uma presa fácil no Mundial, foi esquecido.

Dunga está fazendo do Brasil uma equipe mais sólida, vibrante, intensa. Apela para o que a Europa já usa faz tempo. Para a distribuição tática competitiva: 4-1-4-1. Variando para o 4-3-3 quando o Brasil tem a posse de bola. O treinador está obcecado em acabar com a dependência de Neymar. O jogador do Barcelona é o maior talento do país, isso é indiscutível. Mas o técnico não quer cair na mesma armadilha de Felipão. Ele era tão submisso a Neymar que nunca preparou o Brasil a atuar sem o atacante. Todos se recordam o que isso custou contra a Alemanha e Holanda.

Dunga aproveitou esse início de ano para ter uma séria conversa com Marco Polo del Nero e José Maria Marin. Está muito feliz com o nível dos amistosos. Quer os mais fortes porque acredita que, não só o nível da Copa América, mas principalmente o das Eliminatórias da Copa, será bem mais alto que jamais foi.

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Argentinos, uruguaios são adversários tradicionais. Mas o crescimento dos chilenos, colombianos e equatorianos incomoda. Além da reestruturação dos paraguaios. Fora isso, há a pressão, o descrédito, o rancor da imprensa e da população brasileira com o vexame na Copa do Mundo do ano passado.

Por tudo isso, Dunga pediu formalmente a Marco Polo e Marin. Não quer comandar a Seleção Olímpica do país. Não deseja repetir o que fez em Pequim, quando conseguiu apenas o bronze. Na inesquecível entrega de medalhas, quando Ronaldinho Gaúcho fez questão de atender o celular em plena premiação. Aquilo incomodou mais o técnico do que a derrota para a Argentina de Messi, nas semifinais.

Muito menos o treinador mostra a ganância de Mano Menezes, que tirou o time montado e campeão mundial das mãos de Ney Franco e mesmo assim, perdeu a medalha de ouro para o México. E o emprego. Gallo que continue no cargo. Os presidentes da CBF aceitaram suas ponderações.

Dunga quer manter o foco na reconstrução da Seleção Brasileira para a Copa de 2018. Aproveitando o que há de melhor nesta nova geração. Quer os atletas disputando torneios competitivos. Emirados Árabes e China não são referência. Diego Tardelli é exceção. Everton Ribeiro e Ricardo Goulart que assumam suas opções por salários milionários. E saibam que jogar na Seleção Brasileira ficou muito mais difícil do que era no Cruzeiro...
 Everton Ribeiro e Ricardo Goulart fora da Seleção. O preço por optar pelo dinheiro árabe e chinês. Além da concorrência fortíssima de Philippe Coutinho e Roberto Firmino. Focado nas Eliminatórias, Dunga não quer a Olimpíada...

Tite reconhece. O Corinthians teve sorte. O empate seria o resultado mais justo contra o San Lorenzo. Dispara na liderança do Grupo da Morte. Pior para São Paulo e o atual campeão da Libertadores….

1getty Tite reconhece. O Corinthians teve sorte. O empate seria o resultado mais justo contra o San Lorenzo. Dispara na liderança do Grupo da Morte. Pior para São Paulo e o atual campeão da Libertadores....
A sinceridade é velha companheira de Tite. O treinador deseja desesperadamente voltar a ser cotado para a Seleção Brasileira. Sofreu demais com o ano afastado do futebol. Depois de excelentes jogos do Corinthians na Libertadores contra o Once Caldas e São Paulo, o time conseguiu a vitória mais importante do ano. Venceu o San Lorenzo ontem em plena Buenos Aires por 1 a 0.

Derrotar o atual campeão da Libertadores, time do Papa, no seu estádio foi uma façanha. Deixou o clube isolado na classificação, com duas vitórias em dois jogos. Liderança isolada no grupo da Morte. Seis pontos e agora duas partidas seguidas contra o lanterna Danubio. A oportunidade de alcançar 12 pontos e quando reencontrar o San Lorenzo e o São Paulo, já pode estar classificado para os mata-matas. Ou seja, foi o jogo-chave do grupo.

Muitos treinadores iriam aproveitar os microfones para exaltar seu feito. Dizer, sem contestação, que a campanha corintiana é excepcional. Que o jogo foi difícil, mas o Corinthians se impôs. Que o gol de Elias saiu de suas observações, de seu treinamento. Fazer propaganda de sua inteligência, de sua capacidade. Mas ele mostrou como é diferente de treinadores como Vanderlei Luxemburgo e Mano Menezes, por exemplo.

"Pelo desempenho das duas equipes, o resultado mais justo seria o empate. Pegando desempenho, o empate seria o resultado mais justo. Só que o futebol premia eficiência, transformar oportunidades em gols. Mas, em desempenho, não. Para mim, o empate seria mais condizente com o que foi o jogo."

Ou seja, Tite seguiu o caminho contrário da autopromoção. Foi verdadeiro. O Corinthians tomou um sufoco do San Lorenzo. E parecia que o 'time do Papa' era o brasileiro, tamanha as chances desperdiçadas pelos argentinos. Edu Dracena e Gil padeceram com a falta de entrosamento. E proporcionaram oportunidades claríssimas aos argentinos. Além de torcer para a bola bater na trave ou ir para fora por centímetros, Cássio foi obrigado a uma defesa fantástica.

Cauteruccio, Blanco, Romagnoli e Mauro Matos desperdiçaram chances incríveis. Tiveram nos seus pés e cabeças oportunidades cara a cara com Cássio. O secreto medo de Tite se tornou realidade. Fagner e Uendel defenderam muito mal. Proporcionaram ao San Lorenzo inúmeros cruzamentos da linha de fundo.

Edgardo Bauza montou muito bem sua equipe. Marcou forte o Corinthians na intermediária brasileira. Não deu chance para o toque de bola, o San Lorenzo foi mais intenso. E desmantelou as pretensões ofensivas corintianas com suas triangulações pelas laterais. Foi um sufoco durante boa parte do jogo.

O Corinthians se ressentiu de seus desfalques. A começar pelo problemático Sheik. Sem ele, Tite tratou de apostar no colombiano Mendoza. Ele correu muito, mas descobriu aquilo que os brasileiros já sabem há muito tempo. O quanto são enganadores os estaduais. Uma coisa é fazer o que quiser com a bola diante do Linense. Outra é enfrentar os defensores do campeão da Libertadores. Não conseguiu nada de efetivo. A entrada de Petros fechou o meio de campo.

2reproducao1 Tite reconhece. O Corinthians teve sorte. O empate seria o resultado mais justo contra o San Lorenzo. Dispara na liderança do Grupo da Morte. Pior para São Paulo e o atual campeão da Libertadores....

Desta vez a ausência de Guerrero foi muito sentida. Danilo compôs o meio de campo, se deslocou, procurou abrir espaço para quem vinha de trás. Mas não conseguiu ser importante como pivô. O poder de marcação do operado Fábio Santos fez falta com Uendel na sua posição Renato Augusto tomou uma forte pancada e teve de ser substituído por Cristian. Felipe, com dor no ouvido, ficou de fora. Edu Dracena entrou e esteve muito mal.

Jadson teve uma recaída. Foi omisso. Cuidou apenas de marcar, tirar o espaço dos volantes argentinos. Muito pouco para o Corinthians, que precisa tanto dos seus lançamentos, chutes a gol, enfiadas de bola.

Tite melhorou o sistema defensivo no segundo tempo. O Corinthians ficou mais compacto. O esquema passou do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1. Elias foi liberado para atacar. Com a entrada de Cristian passou a ter mais espaço, mais confiança. O treinador corintiano faz exatamente o contrário de Mano Menezes. Com ele, o volante tem liberdade. Pode buscar o gol. Não é um homem postado diante dos zagueiros, como fazia no ano passado.

E foi graças a essa postura que veio o gol do Corinthians. Aquele que, segundo o próprio Tite, deixou o placar injusto. Em um contragolpe em velocidade, Elias desceu com a bola dominada, correndo, driblando. Ao invadir a área, ele tentou o passe para Petros, que o acompanhava pela direita. Só que o volante errou o toque, a bola tocou no zagueiro Cetto e ficou à disposição do corintiano fuzilar o goleiro Torrico. O gol aos 20 minutos do segundo tempo mudou todo o lado psicológico da partida.

Os argentinos ficaram afobados, nervosos, tensos. O Corinthians recuou de vez e tratou de segurar a bola. Deixar o tempo passar. A pressão do time da casa continuou. Mas a equipe paulista se defendeu valentemente. E conseguiu sair do vazio estádio Nuevo Gasómetro com uma vitória espetacular, em termos de classificação. Não de atuação.

São seis pontos em duas partidas. Liderança absoluta no grupo 2. E mais: repassou para São Paulo e San Lorenzo a terrível tarefa de se matarem, duelando em dois jogos seguidos.

"O resultado justo seria o empate. Mas não vou reclamar", ironizava Tite, feliz demais com a importantíssima vitória na Argentina...
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A Globo não mostrará o Corinthians pela Libertadores. Jogo contra o Danúbio será terça, dia 17. Exibirá o São Paulo contra o San Lorenzo, no dia seguinte. Arrependimento no ar…

3reproducao1 1024x576 A Globo não mostrará o Corinthians pela Libertadores. Jogo contra o Danúbio será terça, dia 17. Exibirá o São Paulo contra o San Lorenzo, no dia seguinte. Arrependimento no ar...
Executivos da TV Globo falharam. Perceberam tarde algo importantíssimo. A Conmebol marcou Corinthians e Danúbio para terça-feira, dia 17, daqui 13 dias no Uruguai. O horário: 19h30. O acordo entre a entidade sul-americana e a emissora carioca prevê: transmissão apenas jogos da Libertadores às quartas-feiras.

A partida daqui duas semanas mostrada ao vivo será São Paulo e San Lorenzo, no Morumbi. Dia 18, às 22 horas, uma quarta-feira.

Acontecerá um rompimento marcante entre a Globo e Corinthians. Seu clube paulista mais mostrado não será mostrado na tevê aberta.

Fox Sports e Sportv podem alcançar números impensáveis, transmitindo ao vivo o confronto entre os uruguaios e o Corinthians. Executivos da Globo se viram encurralados quando perceberam. Foi impossível a antecipação da transmissão. Por motivos comerciais. Os patrocinadores do Jornal Nacional e da novela Babilônia são diferentes dos que bancam mais de um bilhão de reais pelo futebol.

Há um grande clima de arrependimento na cúpula da Globo. A relação entre a emissora e a Conmebol é excelente. Se houvesse um cuidado maior quando a tabela foi divulgada, a troca dos jogos seria feita, sem problemas. O São Paulo passaria para terça-feira às 19h30. E o Corinthians atuaria na quarta-feira. Mas quando todos perceberam, já era tarde.

1reproducao3 A Globo não mostrará o Corinthians pela Libertadores. Jogo contra o Danúbio será terça, dia 17. Exibirá o São Paulo contra o San Lorenzo, no dia seguinte. Arrependimento no ar...

Para quem duvida da preferência da Globo em relação ao Corinthians, há um depoimento claro, franco do apresentador Thiago Leifert. Em uma palestra a alunos da Faculdade Uninove, ele assumiu publicamente. A emissora carioca tem no time mais popular de São Paulo a certeza de mais audiência. Thiago também colocou o Flamengo na mesma situação, para o público carioca.

A revelação aconteceu há dois anos. Mas continua valendo. Desde que seu depoimento vazou, Thiago não toca mais no tema, esteja onde estiver. A reação dos dirigentes dos outros clubes grandes foi de revolta com a confissão. Mas nada puderam fazer porque têm contrato com a Globo até o final de 2017.

Por isso a Globo vai continuar mostrando cada vez mais jogos de Corinthians e Flamengo. Sem constrangimento. Ainda mais na Libertadores. O que acontecerá na terça-feira, dia 17, será uma grande, enorme exceção...

Belo Horizonte era a capital do futebol em 2014. A ganância e falta de visão dos dirigentes de Cruzeiro e Atlético entraram em ação. Transformaram BH na capital da decepção deste país…

1reproducao2 Belo Horizonte era a capital do futebol em 2014. A ganância e falta de visão dos dirigentes de Cruzeiro e Atlético entraram em ação. Transformaram BH na capital da decepção deste país...
"O entrosamento é fundamental quando se pega equipes fechadas. O espaço é pequeno, são segundos para tomar uma decisão e às vezes não se sabe onde está o companheiro. Quando o time está entrosado, todos já sabem a passada do lateral. O Cruzeiro não tem um time absolutamente entrosado e faz falta quando é Libertadores e o adversário joga fechado, porque tem que decidir rapidamente a jogada. Um time entrosado faz isso de forma muito natural."

"Faltou coordenação tática e técnica. Empenho teve, eles se esforçaram e correram o que puderam. Sem falar que foi um confronto com um time que se posicionou bem atrás e saiu com qualidade. Com isso, a pressão pela vitória deixou nosso time com uma produtividade menor ainda. Ainda estamos buscando o entrosamento."

As declarações são de Marcelo Oliveira e Levir Culpi. Ambos sintetizavam toda a frustração de dois treinadores que tinham equipes montadas, azeitadas, vencedoras. E que entrariam para disputar a Libertadores da América como favoritas aos título.

Mas a ganância de dirigentes do Cruzeiro e do Atlético Mineiro acabaram com a certeza que os técnicos nutriam em 2014. Gilvan Tavares e Daniel Nepomuceno, diante de propostas milionárias, usaram a desculpa fácil. "Quando o jogador quer ir embora, não tem jeito de segurar." E só faltou levarem lenços brancos no aeroporto para se despedirem de atletas com nível técnico de Everton Ribeiro, Diego Tardelli, Ricardo Goulart, Lucas Silva. Todos com potencial e idade para disputar a próxima Copa do Mundo, em 2018, na Rússia.

Pessoas próximas aos dois treinadores, em Belo Horizonte, sabe que ambos tinham a convicção que as negociações deveriam ser feitas. E cultivavam, calados, com os dedos cruzados, a esperança. Acreditavam que Gilvan e Daniel seriam ótimos negociadores. Conseguiriam convencer chineses, árabes e espanhóis a só liberarem os jogadores depois da Libertadores da América. Mas, infelizmente, os dirigentes nem tentaram. Foram pelo caminho mais simples: 'vendeu, entrega'.

 Belo Horizonte era a capital do futebol em 2014. A ganância e falta de visão dos dirigentes de Cruzeiro e Atlético entraram em ação. Transformaram BH na capital da decepção deste país...

Tavares e Nepomuceno não têm obrigação de entender de futebol profundamente. Para isso acreditam bastar os treinadores que pagam regiamente. Fizeram contratações para tentar compensar as perdas. Os atletas que partiram a troco de milhões de reais. E desprezaram o princípio óbvio: entrosamento.

Não é por acaso que Cruzeiro e Atlético Mineiro já estão correndo o sério risco de serem eliminados na primeira fase da Libertadores. De quatro partidas que fizeram, com 12 pontos possíveis, obtiveram apenas dois. Ou melhor, obteve. Só o time de Marcelo conseguiu a façanha de dois empates: contra o Universitário Sucre na Bolívia e, ontem, contra o Huracán da Argentina, no Mineirão. Dois 0 a 0 frustrantes.

Desempenho muito pior teve a equipe de Levir Culpi. Derrotas para o Colo Colo no Chile , por 2 a 0; e contra o Atlas mexicano. 1 a 0 no Independência, quando no passado, quem caísse no Horto estava morto. A equipe é a lanterna do grupo. Com a Comissão Técnica já fazendo cálculos e mais cálculos para tentar fugir do vexame da eliminação precoce.

O atual bicampeão brasileiro e o campeão da Copa do Brasil penam. Seus técnicos perderam peças fundamentais dos seus times. Agora são obrigados a reformular suas equipes em plena competição mais desejada por seus torcedores. A mais difícil do ano. Sob a pressão da própria imagem que ficou guardada nas retinas dos seus fãs. Cruzeiro e Atlético orgulhavam Minas Gerais pelo que faziam em campo há três meses.

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O clima de desilusão não é restrito a Belo Horizonte. O país e mesmo os adversários estrangeiros esperam equipes muito mais fortes nesta Libertadores. Gilvan Tavares adorou a história de contratar vários jogadores e os entregar com um laço na cabeça para Marcelo Oliveira. E exigir uma equipe competitiva, vencedora. Isso não se faz da noite para o dia. E nem sempre o resultado é garantido. O encaixe dos jogadores não é uma ciência simples. Quantos atletas talentosos nada renderam atuando ao lado de outros com excelente potencial?

O atual bicampeão brasileiro perdeu peças que tornavam o time fortíssimo. Equipe competitiva, moderna, intensa. Lucas Silva se multiplicava em campo. Everton Ribeiro e Ricardo Goulart tinham entrosamento a ponto de, se preciso for, atuariam de olhos fechados. Ditavam o ritmo frenético que o Cruzeiro impunha do meio para a frente. Foram trocados de maneira precoce por dinheiro.

Marcelo Oliveira é fiel e não desabafará publicamente. Mas sabe que levou meses para conseguir dar liga ao campeão brasileiro de 2013. Não foi esta loucura organizar a equipe durante a Libertadores. Os reforços são muitos e de característica diferentes dos que saíram: De Arrascaeta, Joel, Riascos, Leandro Damião, Henrique, Felipe Seymor, Mena, Fabiano, Judivan, Gilson... Estão abaixo tecnicamente.

Aparentemente, Levir não teria perdido tanto assim. Mas só quem o conhece profundamente sabe a dor de estômago que sentiu quando Diego Tardelli foi para a China. A saída foi um desastre. Porque o meia atacante vivia o seu melhor momento em toda a carreira. Aprendeu como organizar o time do meio para a frente. Com toda a liberdade, estava atuando como excelente meia, com o faro de um artilheiro técnico, oportunista. Não virou titular absoluto da Seleção Brasileira de Dunga por acaso. Sozinho compensava muitos defeitos atleticanos.

Levir tentou avisar, mas não houve como a diretoria atleticana entender. Perder Tardelli desestruturou toda a parte ofensiva atleticana. O time teve de mudar radicalmente sua postura. Cárdenas e Pratto juntos não compensam. Nem a fixação de Carlos. Muito menos o instável e irritante Maicosuel. O treinador ainda teve desfalques que deixaram a equipe ainda mais insegura. As derrotas custaram a lanterna no difícil grupo que ainda conta com o Colo Colo chileno.

Belo Horizonte foi a capital do futebol brasileiro em 2014. Todos os demais estados não tiveram outra saída a não ser admitir a superioridade mineira. Terra da atual bicampeão do país e do dono da Copa do Brasil. Mas a ganância fez com que trocassem seus principais jogadores por dinheiro. Seus dirigentes não tiveram competência para segurá-los até o final da Libertadores, torneio mais desejado.

Como não há milagre no futebol, agora frustram suas torcidas. Nada é por acaso. Tanto na vida como no futebol. Marcelo Oliveira e Levir deram o alerta. Avisaram os dirigentes. Tudo seria muito diferente em 2015. Tinham razão...
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Cruzeiro, baixa audiência e pouco público nas últimas rodadas. Essas as desculpas da Globo, Marco Polo e Eurico Miranda para forçarem a volta do mata-mata no Brasileiro. Você concorda?

2ae1 Cruzeiro, baixa audiência e pouco público nas últimas rodadas. Essas as desculpas da Globo, Marco Polo e Eurico Miranda para forçarem a volta do mata mata no Brasileiro. Você concorda?
Corinthians, Coritiba, Atlético Mineiro, Grêmio, Flamengo, Vasco, Sport e Atlético Paranaense. Dirigentes destes clubes foram 'encumbidos' pela CBF. Formam uma comissão que terá a missão de estudar a volta dos mata-mata no Brasileiro.

A pressão é enorme que acabe o torneio por pontos corridos. Embora muito mais justo, já que o campeão é o clube que soma mais pontos, há uma grande rejeição ao campeonato. As conquistas por antecipação do Cruzeiro nos dois últimos anos viraram desculpa. Tanto para a perda de audiência e de público nas últimas rodadas.

Por trás desse movimento estão Marco Polo del Nero, Eurico Miranda e executivos da TV Globo. O dirigente assumirá a CBF de fato no próximo mês. E ele sempre foi um defensor irritante dos mata-mata. Em conversas informais, ele deixou escapar que gostaria de uma fórmula híbrida. Como no Campeonato Paulista. Com os clubes jogando dois turnos. Os oito primeiros se classificaria para um mata-mata. Em duas partidas.

Depois,o primeiro colocado enfrentando o oitavo; o segundo, o sétimo; o terceiro, o sexto; o quarto decidindo a vaga com o quinto. Com os vencedores se enfrentando nas semifinais. Quem ganhar, decide o título. Do primeiro ao quarto colocado depois dos dois turnos, ganham o direito de atuar no jogo decisivo em casa.

O maior defensor do Brasileiro por pontos corridos foi o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Ele sabia que a Globo não desejava. Mas ele acreditava ser mais justo o critério de decisão. Ficou profundamente chocado com o 'injustiçado' São Paulo. O clube foi o primeiro na classificação geral. Mas foi derrotado no mata-mata pelo oitavo colocado, o Santos. O time de Robinho e Diego acabou campeão do Brasil de 2002.

Teixeira definiu que a 'modernidade e a justiça' começariam a imperar no futebol brasileiro. E seguiu o exemplo dos grandes centros de futebol do mundo. Turno e returno com o clube com mais pontos sendo campeão. Os últimos quatro rebaixados. O primeiro torneio neste formato aconteceu em 2003.

Depois de 12 anos, a audiência da Globo despenca no futebol. Canais a cabo, péssima qualidade dos times, fracassos seguidos da Seleção Brasileira. Fatores não faltam. Mas os executivos insistem com José Maria Marin. Querem a volta do mata-mata. O atual presidente da CBF acredita que a justiça se faz no torneio por pontos corridos. Mas concorda que as últimas rodadas estão desestimulantes, com o campeão conhecido com antecipação.

Marco Polo del Nero está construindo uma ponte para o retrocesso. Algo que garanta o retorno dos mata-matas. Ele tem o apoio da maioria dos clubes. Eurico Miranda é o presidente mais empolgado com a ideia. A princípio, os dirigentes esperam conseguir o mata-mata já a partir de 2016.

1ae2 1024x576 Cruzeiro, baixa audiência e pouco público nas últimas rodadas. Essas as desculpas da Globo, Marco Polo e Eurico Miranda para forçarem a volta do mata mata no Brasileiro. Você concorda?

No meio da conversa, Vanderlei Luxemburgo já conversou muitas vezes com Eduardo Bandeira do Mello. O técnico acredita ser demais 20% dos clubes que disputam o Brasileiros serem rebaixados. Por ele, três ou até mesmo duas equipes seriam suficientes caírem para a Segunda Divisão. Quatro é muito risco a todos. Por enquanto, esse é um item fora da discussão. O que importa agora é resgatar o mata-mata.

O incrível é que, assim como aconteceu em 2003, a população não é consultada. Não há uma consulta séria, um plebiscito entre os torcedores. A CBF não quer saber realmente o que o consumidor do Brasileiro espera. As coisas são assim no Brasil, em relação ao futebol. O presidente da CBF e da Globo se acertam, tudo muda. E ponto final.

Aqui, não. Qual a sua opinião? O Campeonato Brasileiro deve ser decidido em mata-matas? Embora mais justo, o torneio por pontos corridos é frio, sem emoção? Quantos clubes devem ser rebaixados? O mata-mata será a salvação do futebol na Globo e nos estádios?
3ae1 Cruzeiro, baixa audiência e pouco público nas últimas rodadas. Essas as desculpas da Globo, Marco Polo e Eurico Miranda para forçarem a volta do mata mata no Brasileiro. Você concorda?

Tite mostra aos jogadores e à diretoria do Corinthians. Acabou a dependência de Sheik. Pesaram seus atrasos e a desconfiança de que estaria fugindo dos jogos do Paulista. Por isso está fora do time que enfrenta o San Lorenzo pela Libertadores…

1futurapress Tite mostra aos jogadores e à diretoria do Corinthians. Acabou a dependência de Sheik. Pesaram seus atrasos e a desconfiança de que estaria fugindo dos jogos do Paulista. Por isso está fora do time que enfrenta o San Lorenzo pela Libertadores...

Acabou a graça. O que era para ficar em segredo foi vazado. Não por Tite. Se dependesse dele, os problemas ficariam internos. Ainda mais agora, no início da Libertadores, com o Corinthians mostrando o melhor futebol da competição. Mas seus auxiliares diretos não conseguiram se calar. Não quiseram. A opinião pública tinha de saber. Outra vez, Emerson Sheik traiu a confiança do treinador.

Tite ouviu de forma clara de Roberto de Andrade em 2014. A diretoria não queria continuar com Sheik. Estava disposta a deixá-lo longe do Parque São Jorge. Mesmo se tivesse de pagar metade dos R$ 520 mil mensais até o final do contrato, em julho. Depois, adeus.

Os motivos foram deixados claros por Mano Menezes. Sheik seria um péssimo exemplo ao restante do grupo. Com seus atrasos, sua pouca intensidade nos treinamentos, seus questionamentos aos técnicos, o desrespeito à hierarquia. E um item complicadíssimo: a escolha dos jogos que deseja atuar.

O ex-presidente Mario Gobbi ficou horrorizado quando Mano expôs o que pensava do jogador. E tratou de despachá-lo, com todo o prazer, para o Botafogo no ano passado. E ficou combinado entre os dirigentes da situação que havia acabado o ciclo de Sheik no Corinthians.

O ex-presidente e mentor de Gobbi e Roberto de Andrade, Andrés Sanchez, havia sentenciado nas rádios, no final de 2014. "O Sheik deve procurar outro clube para jogar. Não há espaço para ele no Corinthians."

Só que surgiu Tite. O técnico que substituía Mano Menezes se apressou a ter uma longa conversa com Roberto de Andrade. E resumiu o que pensava em relação ao problemático atacante. "Comigo ele joga", garantiu o treinador. E fez questão que a diretoria o segurasse.

Roberto de Andrade tentou argumentar que ele era caro e poderia outra vez prejudicar o grupo. O presidente se referia à temporada de 2013. O ano seguinte à conquista da Libertadores e do Mundial. O atacante nem parecia o atleta empenhado, comprometido de 2012. Só renovou contrato depois de Tite interceder, implorar por ele. Gobbi não queria mais dois anos de contrato para um jogador de 34 anos. Foi convencido diante da enorme insistência do técnico.

Mas foi só ter o compromisso firmado: 24 meses recebendo R$ 520 mil, e Sheik mudou. Seu desempenho se tornou pífio em campo. Perdeu velocidade, força física. Os atrasos voltaram. Era uma caricatura malfeita do atleta decisivo na Libertadores de 2012.

Começou a ser substituído constantemente por Tite. Até que, em uma partida contra o Coritiba, no Pacaembu, ao tirá-lo do jogo, Tite se levantou do banco para cumprimentá-lo. Emerson, irritado, fez que não enxergou. E passou direto. Temendo a repercussão no dia seguinte, no mesmo domingo foi a um restaurante de um amigo.

1ae1 1024x576 Tite mostra aos jogadores e à diretoria do Corinthians. Acabou a dependência de Sheik. Pesaram seus atrasos e a desconfiança de que estaria fugindo dos jogos do Paulista. Por isso está fora do time que enfrenta o San Lorenzo pela Libertadores...

Só que surgiu Tite. O técnico que substituía Mano Menezes se apressou a ter uma longa conversa com Roberto de Andrade. E resumiu o que pensava em relação ao problemático atacante. "Comigo ele joga", garantiu o treinador. E fez questão que a diretoria o segurasse.

Roberto de Andrade tentou argumentar que ele era caro e poderia outra vez prejudicar o grupo. O presidente se referia à temporada de 2013. O ano seguinte à conquista da Libertadores e do Mundial. O atacante nem parecia o atleta empenhado, comprometido de 2012. Só renovou contrato depois de Tite interceder, implorar por ele. Gobbi não queria mais dois anos de contrato para um jogador de 34 anos. Foi convencido diante da enorme insistência do técnico.

Mas foi só ter o compromisso firmado: 24 meses recebendo R$ 520 mil e Sheik mudou. Seu desempenho se tornou pífio em campo. Perdeu velocidade, força física. Os atrasos voltaram. Era uma caricatura mal feita do atleta decisivo na Libertadores de 2012.

Começou a ser substituído constantemente por Tite. Até que em uma partida contra o Coritiba, no Pacaembu, ao tirá-lo do jogo, Tite se levantou do banco para cumprimentá-lo. Emerson, irritado, fez que não enxergou. E passou direto. Temendo a repercussão no dia seguinte, no mesmo domingo foi a um restaurante de um amigo.

Com a desculpa de fazer um gesto contra a discriminação sexual, Sheik e o dono do restaurante trocaram um beijo na boca. A cena foi fotografada. E Sheik a divulgou nas redes sociais. Conseguiu desviar o foco, mas ganhou o ódio do delegado Mario Gobbi e das organizadas.

O presidente autorizou a entrada dos torcedores no Centro de Treinamento corintiano. As lideranças das maiores e mais violentas facções se sentaram com o atacante. Sheik foi repreendido aos gritos. E teve de jurar não ser homossexual. Um vexame que Gobbi colocou na conta de Tite.

3ae Tite mostra aos jogadores e à diretoria do Corinthians. Acabou a dependência de Sheik. Pesaram seus atrasos e a desconfiança de que estaria fugindo dos jogos do Paulista. Por isso está fora do time que enfrenta o San Lorenzo pela Libertadores...

Sem Gobbi e com Roberto de Andrade, muito mais próximo, mais amigo, o treinador corintiano resolveu colocar 'uma pedra' nas falhas de Sheik em 2013. Ele já teria pago seus pecados com Mano e com o Botafogo. Sabia que teria sua última chance no Corinthians. Tendo a competição que o consagrou: a Libertadores.

Tite apostava que a mistura Sheik e torcida corintiana no Itaquerão seria fantástica. Ele assumiria a alma do torcedor em campo. Brigando pela bola, catimbando rivais e árbitros. Foi assim contra o Once Caldas e diante do São Paulo. Duas vitórias incontestáveis, inspiradoras.

Mas no meio do caminho há o inútil e obrigatório Campeonato Paulista. Se os jogadores e treinadores dos clubes grandes pudessem responder uma enquete anônima, 99% detestam os estaduais. Sabem que não levam a nada. São insignificantes. Mas eles são proibidos pelos comprometidos dirigentes a se manifestar contra os campeonatos. Por medo de retaliação da Globo e das federações.

1reproducao1 Tite mostra aos jogadores e à diretoria do Corinthians. Acabou a dependência de Sheik. Pesaram seus atrasos e a desconfiança de que estaria fugindo dos jogos do Paulista. Por isso está fora do time que enfrenta o San Lorenzo pela Libertadores...

Esperto, vivido, Sheik não reclama. Porém sabe que, aos 36 anos, não tem condições de manter um alto nível de atuação neste estúpido calendário brasileiro. Os times classificados para a Libertadores são sacrificados com os estaduais. Tite precisa entrosar a equipe. Sonha que os atletas possam, de olhos fechados, saber onde estão os companheiros, dependendo de onde estiver a bola.

No esquema escolhido para a temporada, o 4-1-4-1, a intensidade é tudo. Os jogadores precisam se desdobrar para atacar, defender, se deslocar, ser responsabilizados por faixas de campo. Um sacrifício para quem está no ocaso da carreira como Sheik.

Apesar de estar na alça de mira por tudo o que já aprontou não só no Corinthians, como na carreira, Sheik voltou a bobear. "Deixar na reta", como confirma um conselheiro ligado à direção. Ele voltou a se atrasar nos treinos. Desta vez não quis apelar para helicóptero, como fez no passado, para chegar na hora. Pior: também passou a sentir dores no joelho direito. Dores que dependem mais do diagnóstico do próprio jogador do que dos exames nos modernos aparelhos no Corinthians.

1reproducaolance Tite mostra aos jogadores e à diretoria do Corinthians. Acabou a dependência de Sheik. Pesaram seus atrasos e a desconfiança de que estaria fugindo dos jogos do Paulista. Por isso está fora do time que enfrenta o San Lorenzo pela Libertadores...

Daí, muita gente na Comissão Técnica, somou um mais um. E aposta que Sheik estaria se poupando para as partidas do Corinthians na Libertadores. E fugindo dos jogos do inútil Campeonato Paulista. Não atuou nos últimos três: Linense, Ituano e Mogi Mirim. A alegação do desconforto no joelho começou a incomodar. Ele chegou atrasado ao treinamento de domingo. Mas disse que as dores haviam diminuído e acreditava que poderia jogar contra o San Lorenzo amanhã.

Só que o preparador físico Fábio Mahseredjian se sentiu desrespeitado. E expôs a situação a Tite. O treinador concordou que a situação teria de acabar. Se levasse Sheik para o jogo da Libertadores poderia 'perder o grupo'. Jogadores sabem muito bem quando um companheiro foge de partida insignificante, se poupa para a importante. Já havia sim as suspeitas que o veterano atleta tem regalias com o técnico.

Por isso, Tite deu um basta. E resolveu deixá-lo em São Paulo. Já que está reclamando de dores, que faça um reforço muscular intenso. Foi divulgado pelo clube que as dores o havia tirado do importante jogo da Libertadores. E ponto-final. Mas pessoas próximas a Tite fizeram questão de expor a situação. Deixar claro que Sheik está outra vez abusando. Agindo de forma irresponsável.

Uma pena, desperdício. Outra vez, Sheik trai a confiança do treinador corintiano. Ele terá de mudar a formação que deu tão certo no início da Libertadores. Petros, Mendoza ou Vagner Love. Um dos três entrará no lugar de Emerson. Era fazer a mudança ou Tite perder a força diante dos seus atletas. Emerson poderia atuar pelo menos por um tempo na Argentina.

Sheik ficou em São Paulo. E de novo está na marca do pênalti. Caso não pare com os atrasos, esteja pronto para atuar no insignificante Paulista, como os demais, as consequências poderão ser piores. Acabou, por fim, a paciência de Tite. O problemático atleta não está apenas jogando a sua renovação de contrato no lixo. Está arriscando a sua posição de titular, sua importância no grupo.

Há muitos dirigentes corintianos cansados do jogador. Na Comissão Técnica também. Seu último defensor desistiu. Tite não mais fechará os olhos para a indisciplina e inoportunas dores. Acabou sua dependência de Sheik. Cabe ao 'esperto' Emerson entender. A situação é completamente ao contrário. Ele é quem depende de Tite para continuar no Corinthians...

(Sheik tomou uma grande dura. E não viajou para a Argentina. Fez questão de postar no seu Instagram uma foto sua com Tite. A legenda é uma confissão: "Mais uma lição, com certeza." E assim segue Emerson, com 36 anos e eternamente tendo o que aprender...)

(Ao desembarcar na Argentina, há pouco, Elias foi direto em relação ao afastamento de Sheik do jogo. "Regras são para serem cumpridas." Não é preciso falar mais nada...)

(Já que não viajou para a Argentina, Sheik não para de usar as redes sociais. Tenta desmentir que escolha jogo. E avisa que quer encontrar pessoalmente repórter do site da Globo que também divulgou sua atual situação no Corinthians...)

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Novo estádio faz o Palmeiras o clube que mais arrecada no Brasil. Sozinho, lucra mais que os campeonatos Carioca, Gaúcho e Mineiro. Com tanto dinheiro, cresce a chance de Valdivia ficar…

 Novo estádio faz o Palmeiras o clube que mais arrecada no Brasil. Sozinho, lucra mais que os campeonatos Carioca, Gaúcho e Mineiro. Com tanto dinheiro, cresce a chance de Valdivia ficar...
Há um ambiente de festa no Palmeiras. Paulo Nobre está entusiasmado. Não é por causa do time. Mas por causa do novo estádio. A adesão da torcida está indo além de qualquer previsão. O clube não esperava lucrar tanto no início do Campeonato Paulista. Calculava, no máximo, R$ 5 milhões. Só que o erro foi enorme. O valor foi quase o dobro. A direção do clube subestimou a empolgação dos torcedores com os 19 reforços e a nova casa. Mesmo com o inútil Campeonato Paulista, chegou a um patamar de Libertadores da América.

Os cinco jogos renderam R$ 9,7 milhões. Isso tendo compartilhado a arrecadação do primeiro jogo do torneio, com o Audax. Os números são espetaculares. Por causa do acordo com a WTorre, construtora do estádio. É completamente diferente de Corinthians e Odebrecht. Os corintianos terão de pagar o estádio em 12 anos. A arrecadação de seus jogos vai para um fundo que gere essa dívida que está em R$ 750 milhões e não para de crescer, por causa dos juros.

Se Roberto de Andrade e Andrés Sanchez não conseguirem desatar o nó dos R$ 420 milhões em CDIs oferecidos pela Prefeitura, e bloqueados pelo Ministério Público, será o caos. A dívida subiria para mais de um Bilhão. Mesmo assim, a situação é caótica. Enquanto não se resolve, os juros só aumentam.

O acordo palmeirense foi diferente. A WTorre vai explorar o estádio por 30 anos. Toda a arrecadação dos jogos de futebol fica com o clube de Palestra Itália. A construtora tem o naming rights e shows. Ao Palmeiras, apenas uma pequena porcentagem. Há uma grande briga em relação às cadeiras, já que o texto do contrato dá dupla interpretação.

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Mesmo assim, só o dinheiro dos jogos é uma grande vitória palmeirense. Em 2014, os cinco primeiros jogos renderam muito pouco em comparação a este ano. R$ 400 mil contra o Linense; Penapolense, mais R$ 410 mil, São Paulo, R$ 911 mil; Audax, R$ 492 mil; Ituano, R$ 230 mil. São apenas R$ 2,4 milhões. Fora despesas altas com o aluguel do Pacaembu. Na sua nova casa, o Palmeiras ganhou R$ 7 milhões a mais.

Paulo Nobre está empolgado porque tem a certeza que não é 'fogo de palha'. Por um simples motivo. A localização do estádio. Na Água Branca, zona Oeste de São Paulo, de fácil acesso. Por carro, metrô ou ônibus. Entre dois shoppings. E muito perto do centro da cidade.

Por isso, o presidente nem pensa em abaixar o preço dos ingressos mais caros do país. Em média, R$ 76,3 contra R$ 33,1 dos outros grandes paulistas. Pelo contrário, Nobre pode deve até aumentá-los na fase aguda do torneio estadual. Não aliviará também na Copa do Brasil. A empolgação cresce porque a capacidade do estádio é de 43 mil torcedores. A média nestes primeiros cinco jogos do desinteressante Campeonato Paulita é de 25 mil palmeirenses.

A expectativa de Paulo Nobre é que o Palmeiras seja o clube que mais arrecade em 2015. Superando até os clubes envolvidos na Libertadores. Até porque há muita confiança que este novo time, comandado por Oswaldo de Oliveiras, chegará na fase final da Copa do Brasil e brigará pelas primeiras colocações do Brasileiro. Otimista, o presidente vê chances de títulos nas duas competições.

Há outro dados incríveis. O Palmeiras arrecadou mais do que todas as partidas do Campeonato do Rio de Janeiro até agora (perto de R$ 7 milhões). Do Rio Grande do Sul, com Grenal e tudo (R$ 6,5 milhões). O de Minas Gerais fica perto de um terço. (na casa dos R$ 3,5 milhões). As partidas todas do Paulista chegam a R$ 10,5 milhões.

A entrada de tanto dinheiro pode beneficiar Valdivia. O meia que ainda não entrou em campo em 2015 terá seu contrato encerrado no dia 17 de agosto. O diretor executivo, Alexandre Mattos, já avisou a Nobre. Quer segurar a maior estrela palmeirense. Mas desde que ele aceite um contrato de produtividade. Ganhando quantas vezes entrar em campo.

 Novo estádio faz o Palmeiras o clube que mais arrecada no Brasil. Sozinho, lucra mais que os campeonatos Carioca, Gaúcho e Mineiro. Com tanto dinheiro, cresce a chance de Valdivia ficar...

Os números dão razão ao dirigente. Os números do chileno são arrepiantes. Nos 314 jogos que o Palmeiras fez desde a volta do meia, ele só atuou em 138 deles. E só em 59, atuou por 90 minutos. Ele ficou de fora 176 partidas. Estava machucado 122 vezes, suspenso 15, poupado 13, dispensado 9, Seleção Chilena, 17.

Valdivia se mostra resistente. Quer como é o seu contrato atual, R$ 475 mil mensais. Sem desconto algum quando não joga. Alexandre Mattos terá que dobrar também Paulo Nobre. O presidente não quer perder o chileno. Acredita que precisa de sua estrela para continuar a atraindo público.

De qualquer maneira, o momento financeiro é especial no Palestra Itália. O bilionário presidente comemora e respira aliviado. Acredita que, a partir deste novo estádio, não precisará emprestar mais dinheiro do próprio bolso ao clube. Ele já colocou R$ 135 milhões. Mas já se comprometeu a começar a receber quando deixar a presidência palmeirense, em 2017. Até lá, sua expectativa é lucrar até não poder com a nova arena. Os quatro anos que esperou para voltar a jogar em casa valeram a pena...
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O Brasil ouve Galvão Bueno há 40 anos. O melhor vendedor de emoções, e ilusões, lançará sua biografia. Será uma versão privilegiada. Da voz da dona do monopólio do futebol neste país…

1reproducao O Brasil ouve Galvão Bueno há 40 anos. O melhor vendedor de emoções, e ilusões, lançará sua biografia. Será uma versão privilegiada. Da voz da dona do monopólio do futebol neste país...
Final de julho de 1993. Estava admirado com o hotel de alto luxo que o Jornal da Tarde me colocou, em San Cristóbal, na Venezuela. Por engano dos burocratas do jornal, com certeza. Tomava café e pensava nas pautas do jogo da Seleção de Parreira das tumultuadas Eliminatórias para a Copa dos Estados Unidos.

Gritos femininos me chamaram a atenção. Aliás, de toda a legião de jornalistas esportivos que estava no hotel. Os gritos eram em português. Fomos todos para a piscina, de onde saíam. Era uma mulher revoltada, dizendo ter tido suas joias roubadas no quarto do hotel. Os funcionários mal começaram a responder. Quando uma voz firme anunciou.

"Eu quero tudo isso resolvido. Quero as jóias da minha mulher de volta. E ponto final. Não tem mais conversa."

Era Galvão Bueno de sunga vermelha, sem camisa, pulseira, anéis e gargantilha. Sua postura imponente e, principalmente, sua voz fez tremer camareiras e garçons. Tudo ficaria pior quando ouvi o gerente, avisando a todos. "Ele é o mister Galvão da TV Globo. Vamos resolver." Até hoje não sei se as joias foram encontradas, se o hotel pagou por outras. Tudo acabou resolvido. Para mim, ficou nítido o quanto o principal narrador esportivo brasileiro é conhecido fora deste país. E tem suas entranhas ligadas à Globo.

Essa lembrança retorna agora depois que Galvão Bueno confirma que lançará este ano sua biografia. Mais do que autorizada. Sem muito dos bastidores que testemunhou. Ele lembrará seus 40 anos de carreira ao jornalista Ingo Ostrovsky. Os dois são amigos de décadas. Ingo atualmente dirige o Bem, Amigos, programa do narrador no Sportv. Por anos, Ingo representou a Nike junto à Seleção Brasileira.

 O Brasil ouve Galvão Bueno há 40 anos. O melhor vendedor de emoções, e ilusões, lançará sua biografia. Será uma versão privilegiada. Da voz da dona do monopólio do futebol neste país...
Nunca existiu e nem existirá alguém como Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno. Ninguém jamais teve tanto espaço para não só narrar, como opinar e impor o que pensa nas transmissões esportivas do país. Ele representa o monopólio da Globo no futebol brasileiro.

Nos meus 29 anos de carreira no jornalismo, nas últimas seis Copas do Mundo, nas Eliminatórias, nas Copas América, amistosos encontrei Galvão inúmeras vezes. E sem exceção vi um profissional de extrema qualidade, muito bem preparado, que vai muito além da designação narrador. Mas que sabe muito bem o poder que tem. E o exerce sem cerimônias. Faz questão de estar nas coletivas mais importantes da Seleção Brasileira. E depois delas, faz questão de conversas individuais com o técnico. Na frente dos mesmos jornalistas que imploravam pelo direito de fazer uma pergunta.

Galvão não pede entrevistas. As impõe. Os treinadores e jogadores cedem. É como se Galvão tivesse tatuado o logotipo da Globo na testa. A emissora que controla o futebol deste país há 40 anos. Paga por esse privilégio. Daí as notícias exclusivas do narrador. Não é bom negócio virar as costas a emissora com o monopólio do futebol no país. Dunga sentiu isso na Copa de 2010. Voltou e está muito mais acessível.

Nas conversas, Galvão não se limita a perguntar. Ele diz o que pensa sobre tática, sobre jogadores, sobre convocações, desconvocações, escalações. Todos aceitam. Ou pelo menos, fingem concordar. Por trás de sua personalidade forte, que o torna arrogante, há conhecimento tático. Se tornou narrador por acaso. Ele entrou no jornalismo esportivo como comentarista. Passou por uma enorme peneira, na então poderosa Rádio Gazeta, em São Paulo. Era 1974.

Eu e o meu grande chefe no Jornal da Tarde, Castilho de Andrade, fizemos uma longa entrevista com Galvão no início dos anos 2000. Tenho de confessar que ele foi um das pessoas mais difíceis de aceitar falar com o jornal. Mesmo sendo próximo de Castilho, dos maiores especialistas em Fórmula 1 no país. Depois de muita insistência, marcou no lobby do hotel Fasano, onde estava hospedado.

A entrevista foi marcante. Conheci o jornalista que está por trás do personagem. Ele já assumia ser muito além de um mero narrador, mas um 'vendedor de emoção'. O que repetiria à Veja mais de dez anos depois. Não foi por acaso que, na sua peneira na rádio Gazeta, quando foi perguntado qual esporte conhecia além do futebol, respondeu, encarando a bancada: "todos". Conhece mesmo.

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Galvão percebeu o despreparo da mídia de uma maneira geral neste país. E tratou de mergulhar nas regras, detalhes, bastidores do futebol, Fórmula 1, vôlei, basquete, atletismo. Deu um exemplo de modernidade percebendo a crescente relevância do MMA. Fez questão de se transformar também no principal narrador do UFC no Brasil.

Sem ingenuidade, Galvão Bueno tem a mesma função do locutor que fica em frente a uma das lojas da 25 de março. Ele precisa vender o produto. Mesmo não acreditando que ele seja o melhor, só precisa convencer o público. Muitas vezes talvez ele nem acredite no que está falando. Busca as explicações mais esdrúxulas, ridículas para justificar o interesse que o telespectador deve manter em relação a um jogo. "Vendedor de emoções" é assim mesmo.

Sua importância no cenário nacional, e internacional, é indiscutível. Vaidoso, ele faz questão de mostrar sua intimidade com as personalidades como as que colocará no seu livro: Pelé, Ayrton Senna, Nelson Piquet, Ronaldo, Zico, Gustavo Kuerten, Hortência, Neymar.

4reproducao 1024x576 O Brasil ouve Galvão Bueno há 40 anos. O melhor vendedor de emoções, e ilusões, lançará sua biografia. Será uma versão privilegiada. Da voz da dona do monopólio do futebol neste país...

Galvão sabe que significa a aprovação da opinião pública. Os ídolos também. Ter o seu aval é a garantia de patrocinadores fortes. Levar o narrador à empolgação em um gol, em uma cortada, em uma cesta pode representar uma transferência a um clube europeu. Porque além da vibração, há sua infalíveis opiniões.

O grande problema do narrador está na superexposição. Forçada muitas vezes pela própria Globo. A emissora carioca sabe que sua presença valoriza o evento, traz mais audiência. E ele não se faz de rogado. Embora, milionário, more parte do ano no principado de Mônaco, aceita transmitir o que for determinado.

Embora vários executivos já tenham tentado nestas últimas décadas, ninguém cala Galvão. Ele narra, opina, critica arbitragem. Discorda de comentaristas, de árbitros que o acompanham nas transmissões. Sua palavra é a última. Isso passa ao ar. Fica extremamente antipático. Sabe e não se importa. A estrela é ele, ponto final.

Não aceita nem ficar mais baixo do que seus comentaristas. Invariavelmente, quando a tomada é de corpo inteiro, ele pisa em uma plataforma para ficar da mesma altura de Casagrande, Arnaldo. Isso é lei na Globo.

Já teve problemas graves com Reginaldo Leme, Pelé, Renato Mauricio Prado. Casagrande é o único rebelde que tem coragem de enfrentá-lo nas transmissões. Mas acaba perdendo os embates. Porque, literalmente, ninguém cala Galvão. Caio e Júnior sabem disso e nem perdem tempo. Arnaldo César Coelho, apesar de amigo, tem que se controlar porque o narrador acredita que entende mais de arbitragem do que o primeiro juiz não europeu a apitar uma final de Copa do Mundo. Também não aceita ser contrariado por Arnaldo.

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Mas é na ansiedade de mostrar erudição, conhecimento, que acaba se sabotando. Sem alguém como coragem para travar sua língua e com muito tempo com o microfone, exagera. Um livro chegou a ser lançado em 2010 com o singelo título de "Cala a Boca, Galvão". São frases gafes e frases absurdas, sem sentido, ditas pelo narrador. Só foram levadas a sério porque se trata do maior narrador do país.

Seu patriotismo se mistura com a vontade de vender emoções. E tenta fazer times medíocres como o de 1990 e 2010, 2014 máquinas imbatíveis no imaginário popular. Galvão é responsável pela ilusão e desilusão atual no futebol brasileiro. Como é que a equipe sensacional que ganhou a Copa das Confederações passa vergonha na Copa realizada dentro do país? Perde de 7 a 1 para a Alemanha? O brasileiro comum se sente traído pelo narrador em quem confiou. Por isso ele tem de rever as expectativas que desperta.

Flamenguista assumido, ele precisa sempre trabalhar cercado de seguranças, quando vai para os estádios. Invariavelmente é xingado, quando reconhecido. O coro de: "Galvão vá tomar no ..." é obrigatório. Em ginásios, estádios. Torcedores o enxergam como a voz não só da Globo, como da CBF. Também não entende que sua proximidade com João Havelange, Ricardo Teixeira, José Maria Marin sempre foi um tiro no pé. Mas está claro que a vaidade interfere. Gosta de mostrar a reverência que os poderosos da CBF reservam a ele. Mesmo sabendo que é à Globo, dona do futebol.

Em junho, ele completará 65 anos. Já narrou onze Copas do Mundo. Como Silvio Caldas já prometeu se aposentar várias vezes. Mas sempre muda de ideia. Seu contrato vai até 2019 com a Globo. Lá terá 69 anos. Não há a menor certeza se irá parar. Age como se fosse eterno. Nunca permitiu que a emissora efetivamente preparasse um substituto. Faz questão de estar nos principais eventos. Luís Roberto, Cléber Machado ficam com as partidas, as lutas, as corridas que não interessam. Executivos globais lhe dão apoio porque sabem que ele representa audiência.

O brasileiro ama odiar Galvão Bueno há 41 anos, quando narrou a Copa de 1974, na Alemanha. Tem muitas histórias para contar. Aprendeu com a Globo que a autocensura é um dom. E vai colocar no livro as mais amenas, menos perigosas, para alívio dos poderosos.

Inteligência e bom senso nunca faltaram ao ex-vendedor de enciclopédias. Galvão se desenvolveu na arte de negociar emoção. A tal ponto que se tornou especialista em transmitir ilusão. A dura e suja realidade do esporte, principalmente do futebol, nunca interessou à Globo. Muito menos ao dono de sua voz. É o que se pode esperar de sua biografia. Livro que deveria ser lançado no ano passado. Mas o fracasso da Copa do Mundo não seria um bom incentivo aos leitores.

Motivos para questionar Galvão sobram. Mas ninguém pode negar. Ele é o melhor narrador deste país. O que mais tem responsabilidade nas costas. É a voz da dona do monopólio do futebol no Brasil. E continuará assim enquanto tiver fôlego para vender emoções. Muitas vezes desilusões...

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Aos 25 anos, Alexandre Pato acordou. Percebeu que não é um príncipe. E sim um jogador que tinha muito futuro. Mas está totalmente desacreditado. Ou acorda para a vida ou aceita o fracasso…

 Aos 25 anos, Alexandre Pato acordou. Percebeu que não é um príncipe. E sim um jogador que tinha muito futuro. Mas está totalmente desacreditado. Ou acorda para a vida ou aceita o fracasso...
"Se ele continuar a jogar como está fazendo, fica. Se não, sai do time. Comigo é simples. Não tem frescura."

Esse é o resumo de Muricy Ramalho em relação a Alexandre Pato. O treinador se cansou. Não quer mais saber de teorias sobre as 14 lesões musculares que teve no Milan. No pouco tempo que o Internacional trabalhou seus fundamentos básicos, como cabeceio e chute. Como a sua personalidade instável, sua sensibilidade, falta de reação no maus momentos de um jogo, quando é bem marcado. E menos ainda sua mania de trocar de namoradas como troca de roupa.

O treinador do São Paulo não deseja dribles exuberantes, lançamentos fantásticos, pose para bater lateral. Beijinhos para as tribunas, agora frequentadas por Fiorella Mattheis. Só agora, aos 25 anos, Alexandre Pato entendeu. A fórmula para voltar a ser respeitado é simples: marcar gols.

Mesmo o empresário do jogador, Gilmar Veloz, sabe. Até hoje Pato sofre com a precipitação generalizada. Foi rotulado como craque cedo demais. Nas categorias de base do Internacional, surgiu de maneira avassaladora. Com tanto potencial ofensivo que, com 16 anos, disputou e ganhou o Brasileiro sub-20, contra adversários quatro anos mais velhos. Foi o artilheiro da competição.

Foi escondido pela direção do clube gaúcho até que assinasse seu primeiro contrato como profissional. Na estreia, contra um pobre Palmeiras, em novembro de 2006. Com 17 anos marcou logo com um minuto de jogo, tabelando com Fernandão. Deu três assistências para gols e ainda acertou a trave do desesperado Marcos.

Acabou inscrito com o número 11 no Campeonato Mundial. E quebrou o recorde de Pelé, como mais jovem atleta a marcar um gol em competição oficial da Fifa. Na semifinal da competição, ao abrir o placar contra o Al-Ahly. Tinha nada além do que 17 anos e cento e dois dias.

A partir daí sua vida virou um pandemônio. Campeão mundial, foi vendido no ano seguinte por 24 milhões de euros, cerca de R$ 76 milhões. Na época, a segunda maior transação da história do futebol brasileiro. Só perdia para Denílson, que o São Paulo vendeu para o Bétis por 31,5 milhões de euros.

Foi tratado a princípio com uma grande estrela na Itália. Chegou casado com a atriz global, Stheffani Britto. O casamento durou nove meses. A imprensa italiana alegou que ela não suportou as farras do marido. Pato logo sofreu uma sequência inacreditável de lesões musculares. Foram 14 em quatro anos e meio. Perdeu confiança. Ganhou a filha do bilionário dono do Milan e ex-primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, Barbara. Com a namorada, sua vida de glamour ofuscava a decepção nos gramados. Virou reserva de luxo no Milan.

Na Seleção, não conseguiu convencer Dunga que mereceria disputar a Copa de 2010. Embora houvesse um enorme lobby da Nike por sua convocação. Chegou até a desfilar em Londres, mostrando o uniforme que o Brasil usaria na África. Mas foi deixado de lado.

No Milan, os dirigentes haviam desistido dele. Por mais que fosse namorado do filha do dono do clube, não era mais útil. Surgiu a oportunidade da Nike o colocar no clube que havia acabado de ser campeão do mundo. O Corinthians. Seria uma excepcional oportunidade de marketing, já a equipe também tinha a fabricante de material esportivo como patrocinadora.

Seria uma estratégia 'excelente'. Com certeza, acreditavam os gestores da carreira de Pato, o atacante se imporia no fraco futebol brasileiro. Marcaria gols e mais gols. A pressão popular obrigaria o técnico que estivesse comandando a Seleção a chamá-lo para a Copa de 2014. Seria muito mais fácil do que ficando na reserva na Itália.

1reproducao25 Aos 25 anos, Alexandre Pato acordou. Percebeu que não é um príncipe. E sim um jogador que tinha muito futuro. Mas está totalmente desacreditado. Ou acorda para a vida ou aceita o fracasso...

Só que Tite não pediu e não queria a chegada dessa 'estrela' que a Nike assegurava faltar no time campeão mundial. Pato chegou com salários de R$ 800 mil mais 40 mil de auxílio-moradia. Acabou rejeito pelo técnico, pelos jogadores, pelos torcedores. Na fatídica invasão das organizadas no ano passado, alguns vândalos cantavam em coro que iriam quebrar suas duas pernas, pelo péssimo futebol que mostrava no Corinthians. Pato ouviu trancado nos vestiários, tendo bancos de maneira colados à porta, para evitar que as organizadas o encontrasse.

Sua passagem foi deprimente. Virou reserva, marcador de lateral esquerdo. Apesar disso foi convocado por Felipão. Teve a chance de se recuperar da péssima Olimpíadas que disputou em Londres. Ainda assim, fracassou. Perdeu a oportunidade de disputar mais uma Copa do Mundo. A do Brasil.

Ao chegar ao São Paulo, Pato contou todas essas histórias. E mesmo pertencendo ao Corinthians até dezembro de 2016, ele jurou que para o Parque São Jorge não volta. Muricy e Rogério Ceni deram todo o apoio na troca. Só que outra vez, se mostrou inseguro. Não se firmou e ainda perdeu espaço depois que o clube contratou Alan Kardec. E Luís Fabiano parou de se contundir e colecionar infantis cartões amarelos e vermelhos.

Alexandre Pato começou o ano desacreditado. Um pobre garoto milionário. Embolsando R$ 840 mil mensais. Mas esquecido. Clube algum da Europa tentou pagar 15 milhões de euros, cerca de R$ 47 milhões, que valia até dezembro do ano passado. Hoje, já vale, por contrato, um terço a menos: 10 milhões de euros, R$ 30 milhões. Nem assim. Sequer houve sondagens.

A diretoria do São Paulo já poderia exercer o direito da compra. Mas vai decidir apenas em dezembro. Aos 25 anos, Pato finalmente percebeu que conto de fadas está se desfazendo. Gilmar Veloz, Muricy e Fiorella se juntaram. E trataram de encurralá-lo na parede. Ou a reação viria agora, ou que se conformasse com a mediocridade que conseguiu transformar sua carreira.

2reproducao9 Aos 25 anos, Alexandre Pato acordou. Percebeu que não é um príncipe. E sim um jogador que tinha muito futuro. Mas está totalmente desacreditado. Ou acorda para a vida ou aceita o fracasso...

"Eu nem entendo tanto de futebol, mas a gente conversa bastante, tento ajudar ele no que eu posso fora de campo. Tem o lado psicológico, estou do lado dele, tenho que dar força. Enfim, tento participar um pouco", disse a atriz após a partida contra o Danubio, quando Pato marcou dois belos gols.

Alexandre Pato é paparicado, sempre foi. Talentoso, chegou com uma grande descoberta ao Internacional. Tinha 11 anos quando deixou Pato Branco, pequena cidade paranaense onde nasceu. Protegido por técnicos, dirigentes, preparadores físicos, todos sabiam que ele valeria muito dinheiro. Só pensaram nisso. Deixaram de lado o aspecto psicológico. Por isso tanta dificuldade na hora de ser firmar como jogador. O ego e a insegurança o sabotaram.

Pato está tentando resgatar o tempo perdido. Nos treinamentos está muito mais dedicado, concentrado, focado. Suas deficiências nas finalizações, sua precipitação, a afobação começam a ser dominadas. A aceitação pelo grupo de jogadores do São Paulo e por Muricy têm um peso enorme.

5reproducao Aos 25 anos, Alexandre Pato acordou. Percebeu que não é um príncipe. E sim um jogador que tinha muito futuro. Mas está totalmente desacreditado. Ou acorda para a vida ou aceita o fracasso...

Por enquanto, Carlos Miguel Aidar não cogita comprar Pato. Tem até o final do ano para decidir se gasta ou não R$ 30 milhões com o atacante. O Corinthians já avisou que aceita parcelar. Os dirigentes no Parque São Jorge, principalmente, Andrés Sanchez, não enxergam a possibilidade de uma volta. A rejeição da torcida já era enorme. Ficou insuportável depois de tanto carinho que ele dedica ao São Paulo.

O sucesso neste início de temporada de Pato parece repentino. Mas não é. Foi moldado a muita frustração, lágrimas de arrependimento, sacrifício do próprio ego. Apoio de Muricy, de Fiorella, de Gilmar Veloz. E, principalmente, fim do deslumbramento.

Alexandre Pato olhou no espelho como homem e não mais como menino deslumbrado. Não viu um príncipe. E sim um jogador de futebol que tinha muito futuro e está completamente desacreditado. Precisa dar a vida para mudar essa certeza. Ou aceitar o fracasso...
4ae11 Aos 25 anos, Alexandre Pato acordou. Percebeu que não é um príncipe. E sim um jogador que tinha muito futuro. Mas está totalmente desacreditado. Ou acorda para a vida ou aceita o fracasso...

A Justiça do Rio solta os 97 cavalheiros envolvidos na briga entre organizadas do Fluminense e Vasco. A legislação brasileira trata com todo o carinho os gentlemen infiltrados nas torcidas organizadas…

1ae28 A Justiça do Rio solta os 97 cavalheiros envolvidos na briga entre organizadas do Fluminense e Vasco. A legislação brasileira trata com todo o carinho os gentlemen infiltrados nas torcidas organizadas...
A Justiça do Rio de Janeiro acaba de libertar 97 presos. Eles têm algo de especial. Fazem parte das torcidas organizadas do Fluminense e do Vasco da Gama. Haviam combinado brigar pela Internet no domingo passado. De acordo com a polícia carioca, membros da Força Jovem do Vasco desobedeceram o trajeto combinado para ir ao Engenhão. Foram pela estação de trem do Meier e se encontrou, de propósito, com dignos representantes da Young Flu.

Cerca de 300 cavalheiros bem apessoados, trajando bermudas e camisetas, ou de peito nu, trataram de mostrar toda a afeição à raça humana. E o refinamento que desenvolveram. Elegantes, com paus, rojões, socos ingleses, pedras e protetores bucais, partiram para uma selvagem briga. A Polícia Militar do Rio, avisada, fez ótimo trabalho. E conseguiu proteger a população dos vândalos.

119 gentlemen foram presos. Entre eles havia menores, que foram encaminhados ao juizado. Os adolescentes foram liberados em seguida. Os pais com certeza deverão cortar mesada e cobrar, com mais afinco, a lição de casa. Restaram encarcerados 97 cidadãos de bem. Ele acabam deslocados para o presídio Bangu 10. Onde a etiqueta, a arte do chá das cinco e a tabuada seriam cobradas pelos guardas.

Aliás, representantes da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro avisava. Desta vez, os vândalos teriam o 'tratamento que mereciam'. E que sentiriam na pele a força da legislação brasileira. Não se sabe se eles estavam se referindo ao fim das gemadas no café da manhã ou à restrição da carne argentina no almoço ou talvez ao fim do direito de dormirem ouvindo Benito de Paula.

Presos, para passar o tempo e mostrar às autoridades quem é que manda, os torcedores se distraiam cantando hinos de suas facções. Um verdadeiro deleito aos ouvidos dos presos. E também prova de bom gosto, com os refrões recheados de palavras de incentivo à vida. Afinal, o que são ameaças de morte e palavrões se não uma homenagem ao homem moderno?

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Na quinta-feira, o juiz Marcelo de Oliveira Silva transformou a prisão preventiva dos cavalheiros. Ela passou para flagrante. Teriam de responder, imaginem, pela terrível acusação de formação de quadrilha e violência no esporte. Um ultraje. Ninguém mais respeita uma boa e sincera troca de carinho.

Mas os dignos advogados representantes do torcedor Lusenrik Sarandi Pinto, conseguiram um habeas corpus para o seu cliente. Ou seja, ele poderia deixar a cadeia. A medida acabou beneficiando todos os demais 96 cavalheiros que o acompanham no caloroso encontro de domingo passado.

Impressionados com a personalidade forte e fraternal dos torcedores, o Tribunal de Justiça do Rio decidiu. Eles não poderão frequentar estádios de futebol durante os jogos. Terão de comparecer a delegacias do perigoso centro carioca duas horas antes das partidas. E só poderão sair de lá duas horas após o confronto esportivo acabar.

A decisão é do desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto, da Sétima Câmara Criminal. Os representantes da justiça no Rio comemoraram a decisão. Lógico que advogados dos presos, alguns pagos pelas torcidas organizadas, tentarão livrá-los da pesadíssima pena. Com certeza, conseguirão.

Cada vez que um nobre cavalheiro desses é preso e em seguida solta, o efeito colateral nas torcidas organizadas é em cascata. Vem a certeza que vivemos em um país sem leis, sem punição. Então nada melhor do que arquitetar outra briga, outra tocaia. Vândalos visitar presídios e voltar sorrindo é algo que combina muito bem com a seriedade dos nossos políticos em Brasília.

Infelizmente é sempre a mesma história. A legislação brasileira é arcaica, ultrapassada. Impede que os vândalos, criminosos infiltrados nas torcidas organizadas sejam realmente punidos. Enquanto isso acontecer, cada vez mais brigas e mortes acontecerão pelo país.

A prisão dos 119 membros de organizadas do Fluminense e do Vasco havia sido histórica. Impressionante a firmeza das autoridades, que enviaram 97 brigões para a penitenciária de Bangu. A polícia carioca trabalhou de forma brilhante. Evitou o que poderia ser uma calamidade na estação de trem do Meier. Mas a Justiça brasileira conseguiu encarcerar essas pessoas por apenas cinco dias. Todos já deverão voltar às ruas ainda hoje.

Comemorar as visitas às penitenciárias é algo tímido demais. Essas pessoas deveriam ao menos utilizar tornozeleiras eletrônicas. Serem vigiadas de verdade. O serviço de inteligência da Polícia Civil entrar em ação. E separar o joio do trigo. Prender os traficantes e criminosos que partem para o confronto querendo matar o torcedor rival. E a legislação ser modificada, para que que essas estúpidas e selvagens brigas fossem qualificadas como realmente são: tentativas de homicídio.

Se esses vândalos soubesse que correriam o risco de ficar anos atrás da grade, não se agiriam com tanta naturalidade. Sabem que nada de mais acontecerá se resolver se juntar em bandos e combinar brigas pela Internet. Como se as cidades não passarem de cenário e as pessoas comuns testemunhas de sua ignorância, da sua vontade de sangrar o oponente.

A polícia brasileira está mais atuante. Os juízes, desembargadores também estão muito mais envolvidos. Os promotores do Ministério Público também. Mas infelizmente todos se defrontam com um inimigo insuperável. A velha legislação brasileira. Feita décadas atrás quando os torcedores eram pessoas comuns. Não foi adequada para os criminosos vândalos infiltrados. Aqueles que têm sede de sangue.

Por isso, a alegria com a prisão de membros das violentas organizadas termina em pouco tempo. Qualquer advogado minimamente instruído tira da cadeia gente perigosa. Com a maior facilidade. E logo recoloca essas pessoas nas ruas. As devolve para a sociedade. Onde logo elas estarão planejando novas brigas, novos confrontos, novas mortes. E assim segue a vida neste país. Com cada vez mais motivos para simpáticos membros das torcidas organizadas sorrirem. Mesmo algemados. Porque sabem que as algemas durarão poucos dias, poucas horas...
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