Chegou a hora de uma revolução. Mourinho, Guardiola, Klopp, Sampaoli. É preciso acabar com a reserva de mercado na Seleção. Buscar o melhor técnico, sem importar onde ele nasceu…

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Belo Horizonte...

José Maria Marin não escolheu Felipão. Quem decidiu que ele era a melhor opção para comandar a Seleção na Copa de 2014 foi Marco Polo del Nero. Não só indicou como avisou a Marin que desejava que ele continuasse até 2018.

A vitória na Copa das Confederações só reforçou o acerto de sua escolha. Mas veio a Copa do Mundo. E Felipão acabou engolido pelos compromissos de Marin com a Globo, com a ultrapassada Granja Comary e, principalmente, com os laços emocionais com os jogadores campeões do torneio de exibição do ano passado.

Ficou claro que, para Felipão e seu coordenador Parreira, o tempo não havia passado. O esquema tático e os jogadores foram mantidos. Nada precisaria ser alterado na visão dos dois campeões mundiais. Só que os adversários decoraram a maneira de o Brasil andar em campo.

O rendimento de jogadores importantíssimos foi muito ruim em toda a Copa. Mesmo assim, continuaram intocáveis. Fred, Oscar, Hulk. E outros caíram demais em relação a 2013: Marcelo, Daniel Alves, Paulinho. A equipe viveu a dependência de Neymar no seu mais alto grau.

Nunca houve um plano B. O Brasil não se preparou para atuar sem seu melhor jogador. Felipão agiu como se ele fosse indestrutível. O que aconteceu ontem diante da Alemanha não foi por acaso. Foi um treinador que superestimou seu elenco. E pior, que treinou pouquíssimo. Não buscou novas alternativas táticas.

Aos 65 anos, Felipão mostrou falta de reação no banco de reservas. Seu time tomava um, dois, três, quatro, cinco gols e ele continuava impassível, inerte.

Infelizmente, o treinador mostrou limitações inimagináveis e inaceitáveis para seguir comandando a Seleção Brasileira. Justo ele que jurou que o Brasil seria campeão do mundo. Assim como Parreira que já via o time com uma mão na taça ante de começar o Mundial.

É preciso trocar, renovar para a Copa de 2018. A goleada por 7 a 1 na semifinal da Copa do Mundo obrigará Marin e Marco Polo se acertarem. O novo presidente da CBF assumirá no próximo ano. Mas como a Seleção é uma fábrica de dinheiro para entidade, há a necessidade de escolher um novo treinador já em setembro.

O Brasil jogará com a Colômbia e Equador nos Estados Unidos. Serão dois meses para escolha de nova Comissão Técnica.

Tite é candidato declarado. Ele desempregado de propósito. Recusou sondagens do Grêmio, do Internacional e do Flamengo. Quer a Seleção. Seu assessor de imprensa chegou a circular na Granja Comary. O jornalista também assessora Bernard.

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O ex-treinador do Corinthians ganhou a Libertadores e o Mundial. Mas tem algo que desagrada Marco Polo e Marin. Ligação com Andrés Sanchez, inimigo número um da dupla. Muricy Ramalho e Abel Braga seriam dois técnicos que também teriam chance.

Só que a escolha por qualquer um dos três nada traria de novidade. Nenhuma revolução na metodologia de trabalho no Brasil. Depois do choque dos 7 a 1 para a Alemanha, seria necessário uma revolução para revigorar o futebol brasileiro.

A saída seria quebrar o tolo preconceito. E ir buscar um treinador estrangeiro de gabarito. A Seleção pentacampeã do mundo e a milionária CBF teria prestígio e dinheiro para trazer um profissional para impor seu método nos próximos quatro anos.

Com direito à Copa América, Eliminatórias antes de chegar no Mundial da Rússia. A chegada seria um alento inclusive para os torneios internos. A derrota da Seleção na Copa refletirá em um futebol já em crise. Com várias equipes tradicionais sem patrocinadores e elencos medíocres. O baixo nível dos jogos espantam público e telespectadores.

Investir em um nome como José Mourinho, Guardiola, Jürgen Klopp ou Sampaoli traria o frescor, o impacto que o futebol brasileiro necessita. Seu ego, sua autoconfiança foram feridos de morte depois do inapelável 7 a 1 de ontem.

É preciso que Marco Polo e Marin mostrem ousadia. Ter a coragem de sair do lugar comum. Entregar o futuro da Seleção para Tite é ter um treinador atualizado mas que foi para a Europa aprender como se faz. Mourinho, Guardiola, Klopp ou até Sampaoli sabem como ensinar.

O Brasil precisa dar um salto tático. Está estagnado. Passou vergonha ontem aqui no Mineirão. Seus jogadores não sabiam como fugir do ótimo esquema montado por Joachim Loew. Deu pena do time de Felipão. 7 a 1 foi até um placar humilde. Se chegasse a 10 a 1 seria mais justo.

O medo de presidentes da CBF que passaram pelo cargo é que os torcedores e a imprensa não aceitassem um treinador de fora, com métodos diferentes dos daqui. Mas o momento é esse. Todos estamos chocados como o Brasil está atrasado taticamente em relação às grandes seleções europeias.

Marco Polo e Marin não podem ceder à tentação de pegar o treinador mais fácil. Infelizmente qualquer brasileiro, seja ele Tite, Muricy ou Abelão, teria algo profundo para acrescentar ao time que disputará a Copa de 2018.

Parreira é um estudioso tático. Felipão um excepcional motivador. Mas juntos não conseguiram superar o método de trabalho alemão. Se Loew não mandasse seu time diminuir o ritmo para ter força física para a final da Copa, domingo no Maracanã, o desastre seria muito maior.

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Marco Polo terá de rever seus conceitos. Felipão se despedirá da Seleção após a decisão do terceiro lugar no Mundial, sábado em Brasília. Ele não merece ser execrado. Assumiu a Seleção desacreditada nas mãos de Mano. Conquistou a Copa das Confederações, fez a população redescobrir o amor à Seleção. Conseguiu levar a Seleção às semifinais de novo, depois de 12 anos.

Mas Felipão chegou no seu limite tático. Sem Neymar tudo ficou ainda mais explícito. Presa fácil de ser abatida. A repercussão mundial é vexatória. Mesmo internamente a imprensa não tolera o que aconteceu. A capa do jornal O Dia chega a mandar Felipão para o inferno.

A hora da revolução é agora. Esperar passar o sábado, agradecer muito a Felipão e Parreira e tocar em frente. Buscar um novo comandante para a Seleção. O basquete masculino, a ginástica olímpica, o boxe deram salto de qualidade com a chegada de técnicos estrangeiros. Chegou a hora do futebol.

Marco Polo e Marin precisam reconstruir a esperança da conquista da Copa do Mundo. E chegou a hora de apostar em um estrangeiro. Esquecer essa reserva de mercado só tem travado o futebol brasileiro. Mas para isso é preciso coragem de dizer não a Tite...
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David Luiz pede desculpas ao povo. Os demais jogadores, não. Apenas sentem muita vergonha pelos 7 a 1. E medo de ficarem marcados como novos Barbosas…

 David Luiz pede desculpas ao povo. Os demais jogadores, não. Apenas sentem muita vergonha pelos 7 a 1. E medo de ficarem marcados como novos Barbosas...
Mineirão...

"Eu peço desculpas. Sei que um país inteiro estava esperando pela alegria que prometemos dar. Mas não conseguimos. Foi uma pena. Não tenho explicação. Não faltou amor, dedicação. Estamos arrasados. A única coisa que eu posso fazer é pedir desculpas. Eu só queria poder dar alegria ao meu povo, a minha gente que sofre tanto. Infelizmente não conseguimos."

O maior símbolo do futebol brasileiro estava com os olhos inchados de tanto chorar. E com o olhar perdido na saída dos vestiários. Estava em choque. Arrasado.

David Luiz não sabia que rumo tomar. Estava tenso, visivelmente envergonhado. O final do sonho havia sido drástico demais. A derrota por 7 a 1 diante da Alemanha lhe doía a alma.

"Nós nos perdemos depois do primeiro gol. O time não conseguiu reagir. Ninguém deixou de lutar. Mas simplesmente não conseguimos reagir. E vieram os gols em seguida. Sei que frustramos muito gente. A dor é grande, profunda. Eu só posso pedir desculpas aos brasileiros. E jurar que um dia ainda vou dar a alegria que eles tanto querem dentro do campo."

David Luiz era o jogador mais arrasado.

O mais revoltado com a goleada por 7 a 1 era Paulinho. O volante a mais que Felipão não quis escalar e que poderia ter sido importante para travar o excelente toque de bola alemão.

"Foi a pior vergonha da minha carreira. Ficará marcado para sempre na minha história. Ser eliminado da final da Copa por 7 a 1 é demais. Não dá para negar que é a maior derrota do futebol brasileiro em todos os tempos.

"Por quê eu não fui escalado? Se eu deveria ter começado o jogo? Ah, isso foi decisão do meu treinador. E eu respeito. Quando ele me colocava no time não perguntava o motivo. Só posso lamentar o que nós mostramos em campo. Isso me envergonha demais."

O mais sem explicação coerente era Júlio César. O goleiro que sonhava com a sua ressurreição pessoal, também estava com os olhos vermelhos. Tenso, aos 35 anos, sabia que Copa para ele nunca mais. Com todo o cuidado evitava atacar os companheiros de time.

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"Olha, não dá para culpar ninguém mesmo. Deu uma pane geral no time. De repente, estávamos encurralados. Não tínhamos como escapar a pressão alemã. Eles nos atacavam com vários jogadores ao mesmo tempo, conseguiam invadir a nossa área. E chutar.

"Se é hora de contratar um treinador estrangeiro? Não sei. Acredito que temos ainda muitos técnicos importantes e com condições de comandar a Seleção se o Felipão sair. Mas isso eu deixo para quem manda na CBF. O que quero falar é do jogo de hoje.

Foram seis ou sete minutos que ficamos parados, tomando gols e sem força para reagir. De repente o time parou. Papai do Céu me deu a oportunidade de jogar outra Copa depois daquele acidente na África. Mas infelizmente acabamos caindo hoje de uma maneira incrível. Não tenho explicação. Nosso grupo é forte demais para perder por 7 a 1."

Talvez se Júlio César conversar com Dante, ele tenha uma pista sobre o motivo da goleada. O zagueiro do Bayern de Munique foi no ponto. Para ele tudo era simples, não havia mistério.

"Nosso time estava desorganizado e enfrentou uma equipe muito bem preparada. O Felipão nos orientou bem. Só que os alemães treinam e jogam juntos já seis anos. Eles estavam muito entrosados. E conseguiram fazer o que queriam em campo.

"Tinham muito conjunto. Coisa que faltou ao Brasil. Eles estavam bem preparados demais para nós. Por isso foram marcando e não tivemos força para reagir. Se a nossa geração ficará marcada por essa goleada? Talvez."

Daniel Alves, se destacou pela original maneira de analisar a goleada sofrida pelo Brasil. Conseguiu surpreender os jornalistas que o entrevistaram.

"Olha, não tem motivo para ter vergonha, não. A derrota não foi histórica. 7 a 1 não quer dizer nada demais. Se tivéssemos perdidos por 1 a 0 seria exatamente a mesma coisa. O que conta é que perdemos a chance de sermos campeões. 7 a 1 não tem mesmo nada de mais."

"Olha, eles foram melhores do que a gente. Conseguiram encaixar o jogo que eles queriam. Lutamos, mas não conseguimos reagir. Ele aproveitaram toda a superioridade em tudo. Não há desculpa. Foram muito melhores. A goleada não foi por acaso", reconhecia Luiz Gustavo, conformado.

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O mais ressentindo na saída do time era Thiago Silva. Ele ainda não conseguiu superar os ataques da imprensa brasileira pelas sucessivas crises de choro. Na hora de analisar a eliminação por 7 a 1, ele não olhava para ninguém. Fitava o alto buscando se concentrar. Mas sua fisionomia não era nem um pouco amistosa.

"Olha, nunca na minha carreira eu tive uma derrota tão grande. Mas se eu estivesse em campo poderia ser oito, nove. Mas talvez a minha experiência ajudasse. Evitasse a tal pane. Mandaria o time segurar, se acalmar. Tomamos gols em seis minutos...

"A minha dor é tão forte que não consigo nem chorar. Nem chorar. Sei que não vou dormir. A lição? Todos vão falar do Felipão. Mas todos nós somos culpados da derrota. Tenho certeza que doeu tanto como em 1950 no Maracanã. O pior é que muita gente vai questionar tudo. Como se nada que fizemos tivesse sido certo. Fizemos, mas as pessoas vão esquecer depois desse 7 a 1. Vamos ficar marcados."

A sensação é que todos sabiam no vestiário. Ficarão tão marcados como Barbosa ficou em 1950. Carregarão para sempre nos ombros o peso de perder uma Copa dentro de casa. No Brasil...
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O maior vexame da história do futebol brasileiro. A Seleção pagou o preço do amadorismo com que se preparou para a Copa. Derrota por 7 a 1 para a Alemanha. Que comece logo o novo ciclo…

1vipcomm6 1024x682 O maior vexame da história do futebol brasileiro. A Seleção pagou o preço do amadorismo com que se preparou para a Copa. Derrota por 7 a 1 para a Alemanha. Que comece logo o novo ciclo...
Mineirão...

Acabou da pior maneira o sonho de hexacampeonato. Uma tragédia que ficará para a história do futebol brasileiro. Mostrou a diferença entre um time treinado, organizado, consciente. Contra outro improvisado, desorientado, infantilmente montado. Em 28 minutos de jogo, já perdia por 5 a 0 no Mineirão. A inesquecível goleada merece ser batizada de Mineirazo. 7 a 1 foi pouco.

Depois do terrível vexame, o time disputará o terceiro lugar, sábado em Brasilia, contra o perdedor de Argentina e Holanda.

Não se promete nunca que um time será campeão de um torneio. Quanto mais bater no peito e jurar que o Brasil iria ganhar a Copa. O vexame é muito maior por causa das juras de Felipão, de Parreira. Marin previu, viria o inferno se o Brasil perdesse. Ele veio!

Nada foi por acaso. O Brasil ficou de joelhos taticamente para a Alemanha. Felipão fez exatamente tudo o que Loew queria. Sem Neymar, seu jogador capaz de mudar o rumo das coisas, o treinador brasileiro fez a mais insólita, pior aposta. Escolheu Bernard, o pior jogador nos treinamentos em Teresópolis.

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O técnico brasileiro fez de conta que esqueceu todo o espaço que a equipe deixava. Os desacertos que levaram o time a passar sufoco contra a Croácia, México, Chile e Colômbia. Não levou em consideração a força do adversário.

Muita gente esperava que Felipão fosse Felipão. Montasse uma equipe com três volantes, vibrante, guerreira na marcação. Mas, não. Optou pelo pelo sistema de um ano atrás, que venceu a Copa das Confederações. E sem seu o melhor jogador e capitão. Pediu pela decapitação.

Pagou caro e fez a torcida chorar. A equipe desmoronou de maneira inédita na sua história. Primeiro tomou um gol de escanteio por pura falta de atenção. Kross cobrou escanteio e Müller, livre, tocou para as redes. 1 a 0, Alemanha aos 10 minutos de jogo.

O time entrou em pane. Percebeu o quanto não tinha repertório para escapar da marcação forte firme, os espaços preenchidos. Era como um grupo de dente de leite perdido diante de uma equipe adulta. A estratégia tem esse poder. Não importa músculos, raiva, aspecto emocional ou entrar em campo para tentar homenagear um colega contundido.

Em 17 minutos o Brasil tomou mais quatro gols. Era como se os alemães fizessem um coletivo. Tocavam a bola e desciam em bloco. Diante de uma equipe anestesiada, pedindo clemência. Algo que a Alemanha, para o bem do futebol, não teve.

Os gols foram de dar pena do Brasil. O pais pentacampeão do mundo, aceitando que os alemães trocassem bola dentro de sua grande área. Até cansar e fuzilar um atônito Júlio César. O goleiro com os olhos esbugalhados ia tomando os gols e sofrendo.

Klose marcou o segundo aos 22 minutos e se tornou o maior artilheiro em Mundiais. Chegou a 16, passando Ronaldo, com 15. Mas viriam outros mais. Dois minutos depois, Kroos completou livre cruzamento de Lahm. 3 a 0 aos 24 minutos.

Felipão continuava de braços cruzados. Estava evidente que a goleada seria humilhante. Tinha de agir. Fechar o meio de campo. Torcedores e jornalistas imploravam para que colocasse mais um volante, tomasse alguma atitude. Mas, não. Ele continuou impassível.

Melhor para a Alemanha. Não iria desperdiçar a chance de fazer história. Ainda mais diante de um adversário tão tradicional. Foi assim que Khedira roubou a bola de Fernandinho e tocou para Kross marcar o 4 a 0.

Mas viria ainda mais. Khedira tabelou com Özil e fez como quis 5 a 0. Foram 28 minutos de pesadelo. Com um placar tão largo, os alemães perderam o interesse pelo jogo. Passaram a tabelar, se poupando. Sabiam que já estavam na final da Copa do Mundo.

Enquanto isso nas arquibancadas, só choro, raiva, tristeza. O time de Felipão era xingado, vaiado. As lágrimas logo viraram coro contra Dilma, contra Fred.

O Brasil pagava o preço por sua soberba, por acreditar ter um potencial maior que jamais teve. Por se deixar levar pela politicagem da CBF. A entidade ofereceu a pior concentração entre as 32 seleções. A granja Comary onde o treinamento secreto não existe. Enquanto os alemães construíram seu bunker inexpugnável na Bahia. Organização vergonhosa.

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O que se viu em campo era o resultado das invasões de Luciano Hulk depois do aquecimento. Mumuzinho entrando para abraçar Neymar durante o primeiro coletivo. As informações como escalação da Seleção sendo anunciadas no Jornal Nacional para Patricia Poeta. A parceria com a TV Globo foi um dos grande motivos do desastre.

A emissora que tem o monopólio do futebol no Brasil fez questão de passar a imagem de uma seleção imbatível. Iludiu a população. Atrapalhou o quanto pôde e o quanto não pôde. Tudo por conta de Marin, que desejava ficar bem com a emissora.

O amadorismo na preparação seria pago da maneira mais cruel possível. Os alemães que não tinham nada a ver com a manchete do Jornal Nacional, continuavam a jogar sério, mostrar sua preparação séria para tentar ganhar a Copa.

Felipão tirou o inútil Hulk e o inseguro Fernandinho. Colocou Ramires e Paulinho. Loew tratou de mandar seu time diminuir o ritmo. Já não precisava se esforçar para marcar tão forte na intermediária brasileira. Bastava tocar a bola e deixar o tempo passar.

Mas o Brasil tentava descontar. E não havia mais o menor desenho tático. Lembrava time de várzea, não a grande seleção pentacampeã mundial. O jogo parecia que durava horas. E lógico, tudo que estava péssimo ficaria muito pior.

Aos 23 minutos, Lahm serviu Schürrle que, livre, fez 6 a 0. Dilma e Fred foram novamente xingados. O time brasileiro não tinha força nem para fazer faltas, dar pontapés, fazer qualquer coisa. Os jogadores tomavam a maior goleada na história moderna da Seleção e se comportavam como garotos assustados.

Viria ainda o cruel 7 a 0. Schürrle acertou um chute maravilhoso. A bola tocou no travessão antes de entrar no gol do humilhado Júlio César. Era o inacreditável. A maior goleada da Copa de 2014. Nunca a Seleção havia perdido por uma diferença tão grande em nenhum dos Mundiais, desde que eles começaram em 1930.

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Oscar ainda conseguiu marcar um gol diante dos alemães saciados. A torcida mineira, ironizou o gol. Gritava "Eu acredito!, eu acredito!"

Terminava de maneira vergonhosa a caminhada pela vingança de 1950. Diante do que aconteceu aqui no Mineirão, aquele 2 a 1 diante do Uruguai não é motivo para tristeza. Deu até saudade. Perder de 7 a 1 em uma semifinal de Copa do Mundo é inaceitável.

Que um novo ciclo comece logo. Esse acabou. Premiando todo o amadorismo da preparação. Nada foi por acaso. Diante da primeira grande força que o Brasil encontrou nessa Copa foi humilhado. Com toda a justiça. 7 a 1 foi até pouco demais. Que comece logo o novo ciclo...
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Dilma descobriu a popularidade do futebol. Não vai só entregar a taça ao campeão. Quer a Seleção com Neymar em Brasília depois da Copa. Tenha o resultado que tiver daqui para a frente. Vale voto…

 Dilma descobriu a popularidade do futebol. Não vai só entregar a taça ao campeão. Quer a Seleção com Neymar em Brasília depois da Copa. Tenha o resultado que tiver daqui para a frente. Vale voto...
Belo Horizonte...

Mesmo se o Brasil for derrotado pela Alemanha e perder a terceira colocação na Copa, Felipão e seus jogadores já terão compromisso depois do Mundial. A presidente Dilma receberá a delegação, aconteça o que for daqui para a frente.

Com a presença de Neymar, seu novo parceiro, lógico...

O ministro Aldo Rebelo já deixou vazar para assessores a felicidade da presidente com o time de Scolari. A contusão de Neymar só deixou tudo dramático. Esperta, como convém a toda presidente de um país, Dilma já percebeu.

Sem Neymar não existe mais Maracanazo, Mineirazo ou Garrinchazo. Com a ausência forçada do camisa 10, o Brasil ganhou uma inesperada licença poética na Copa. Poderá até perder que não afetará politicamente Dilma. Sua solidariedade significaria pontos com o eleitorado.

 Dilma descobriu a popularidade do futebol. Não vai só entregar a taça ao campeão. Quer a Seleção com Neymar em Brasília depois da Copa. Tenha o resultado que tiver daqui para a frente. Vale voto...

Agora, se Felipão consegue a superação e o título seria o céu na terra. A Seleção será aproveitada até o osso. Com desfile em carro aberto. Não só em Brasília como é costumeiro. Mas com possibilidade nas 12 sedes da Copa.

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Tirar proveito político de conquistas de Copa do Mundo é um velho costume por aqui. Começou com Juscelino Kubitschek em 1958. Fotos e medalhas para os campeões pela primeira vez. Em 1962, João Goulart seguiu o mesmo caminho.

Os militares se aproveitaram bem do tricampeonato de 1970. O general Medici comemorou como nunca, já que teve interferência direta na troca do treinador. Parreira foi com prazer receber o abraço de Itamar.

Felipão e sua 'família Scolari' foram divertir Fernando Henrique Cardoso. Principalmente Vampeta com as cambalhotas bêbado na rampa do Planalto.

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Ter a Seleção em Brasília não garante eleição. Mas acrescente ao político a simpatia da população. Dilma sabe o que as pesquisas mostram. A aprovação total da Copa do Mundo dentro dos gramados.

A situação é tão boa que ela confirmou que entregará sim a taça ao time campeão, domingo no Maracanã. Rebelo a convenceu que os ecos das vaias da Copa das Confederações desapareceram.

Os R$ 2 bilhões gastos em segurança valeram. Assim como a inclusão do MST ao plano Minha Casa, Minha Vida. E o monitoramento dos líderes estudantis pela Polícia Federal acabou de vez com os protesto, as manifestações.

Por tudo isso e pela campanha do time de Felipão, Dilma finalmente pode se aproveitar da visibilidade da Copa de R$ 30 bilhões. E até sorrir para as câmeras fazendo um 't' com os braços. Em um gesto que hoje é de domínio público no Brasil.

Como aprendeu a repetir, a presidente e candidata à releição, Dilma Rousseff...

"É tóis!!!"

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Transformar o jogo em uma guerra. Com divididas raivosas, faltas, pegadas, intimidação. Essa é a esperança do Brasil, time mais faltoso da Copa, contra a favorita Alemanha. O time de Felipão vai entrar cheirando a Vick Vaporub nos calções…

2afp8 Transformar o jogo em uma guerra. Com divididas raivosas, faltas, pegadas, intimidação. Essa é a esperança do Brasil, time mais faltoso da Copa, contra a favorita Alemanha. O time de Felipão vai entrar cheirando a Vick Vaporub nos calções...
Belo Horizonte...

"Se Brasil e Colômbia acontecesse na Europa, os 22 jogadores não terminariam a partida. Essa energia física no jogo com a Colômbia foi além dos limites.

"Foram faltas brutais, não apenas aquela contra o Neymar, mas faltas cometidas por trás, faltas perigosas, carrinhos por trás e pelo lado. Temos que proteger os jogadores.

"Que essas faltas muito violentas sejam paradas, senão, não veremos mais Neymar, Messi etc, veremos outros jogadores que vão entrar em campo para destruir."

As frases de Joachim Low repercutiram na delegação brasileira. Não como ele gostaria. Ficou claro para Felipão que a Alemanha não quer que o Brasil apele para o jogo 'bruto' hoje, no Mineirão. Pura ilusão. É justamente isso que a Seleção vai fazer.

Já está certo que, sem Neymar, o Brasil entrará com uma equipe que nunca atuou junta na Copa. A dependência do atacante era tanta que Felipão não preparou a Seleção sem ele. Portanto, em uma semifinal de Copa do Mundo, terá de improvisar. E vai fazer exatamente o que mais pode incomodar os germânicos: apelar para a pegada firme do time.

Mesmo com Neymar, a Seleção já era o time mais violento de toda a Copa. A Alemanha é atenta às estatísticas da Fifa. O Brasil cometeu 96 faltas. Muitas delas duras. Uma das frases prediletas de Felipão nos treinamentos os jogadores já decoraram.

"Feio não é fazer falta. Feio é tomar gol, porra!"

O Brasil praticamente dobrou com Felipão o número de faltas que o time faz por jogo em relação ao apático time de Mano Menezes. Nesta Copa, por exemplo, são 19,2 por partida. Com Mano, eram apenas 11. O treinador incentiva o contato físico. Principalmente em jogos decisivos, importantes como hoje.

1ap10 Transformar o jogo em uma guerra. Com divididas raivosas, faltas, pegadas, intimidação. Essa é a esperança do Brasil, time mais faltoso da Copa, contra a favorita Alemanha. O time de Felipão vai entrar cheirando a Vick Vaporub nos calções...

"O futebol se tornou muito mais competitivo. O Brasil não é uma equipe violenta. Mas briga mais pela bola como tem de ser. Não damos espaço mesmo para os nossos adversários. Os times campeões no mundo todo fazem isso. Repetiremos isso contra a Alemanha, lógico."

A promessa foi feita por Luiz Gustavo. O volante atua no país europeu e sabe muito bem o quanto o atual time alemão prefere a técnica ao contato.

A equipe de Low fez 56 faltas durante toda a Copa. A média é baixa em relação ao Brasil. Apenas 11,2. Seus atletas preferem a antecipação. Influenciado pelo toque de bola espanhol que foi campeão de 2010, Low exige o controle do jogo. Com passes até em excesso, os germânicos evitam o combate, os confrontos.

O plano de Felipão é exatamente acabar com esse toque de bola. Repetir o que fez com a Espanha na final da Copa das Confederações no ano passado. A escalação mais coerente para o jogo de confronto que pretende seria colocar três volantes: Luiz Gustavo, Paulinho e Fernandinho. Quando o Brasil fosse atacado, Oscar recuaria.

A ideia desenvolvida pelo próprio time alemão do Bayern campeão do mundo de 2013. Duas linhas de quatro para travar Thomas Müller, Özil, Kroos, Schweinsteiger. Matar o toque de bola alemão no seu nascedouro. Sem economizar faltas.

4afp1 Transformar o jogo em uma guerra. Com divididas raivosas, faltas, pegadas, intimidação. Essa é a esperança do Brasil, time mais faltoso da Copa, contra a favorita Alemanha. O time de Felipão vai entrar cheirando a Vick Vaporub nos calções...

O ex-jogador Edílson esteve na concentração brasileira em Fortaleza. Foi chamado por Felipão para animar o grupo que estava se afogando nas próprias lágrimas. Entre piadas, ele contou como detestava enfrentar os times de Felipão. Habilidoso, detestava os marcadores 'fungando' no seu pescoço.

Foi exatamente isso que Fernandinho e Paulinho fizeram durante toda a partida contra James Rodríguez. O colombiano foi anulado. Com boa dose de faltas. "O Brasil usou virilidade e não deslealdade, o que é muito diferente", sentenciou Paulinho.

Quem conhece Felipão há décadas, sabe que ele não é de mandar aviso. Na coletiva de ontem aqui no Mineirão, o treinador brasileiro estava gentil, risonho. Passava a imagem de quem estava para embarcar em um avião e ir para a Disney. Não é bom se enganar.

Quando Scolari está assim na véspera de uma decisão, é quando o seu time entra mais pegador em campo. É bom Low se preparar. O Brasil entrará para a semifinal declarando guerra aos germânicos. Com uma marcação pegajosa, faltosa, irritante, vibrante. Felipão tentará desestabilizar os rivais.

E contará com o apoio emotivo da torcida mineira. O pungente grito de "eu acredito" que consagrou a campanha do Atlético Mineiro na Libertadores de 2013 voltará a ser ouvido. Ainda mais agora que o time perdeu a sua maior arma técnica, Neymar.

A Seleção Brasileira não terá vergonha de apelar para a maior característica dos times vencedores de Felipão. O pouco de refinamento que tinham vinham do talento individual dos atletas. A filosofia do Grêmio e do Palmeiras campeões da Libertadores era a forte pegada, intimidação ao adversário. E alguns pontapés quando era necessário.

O Brasil campeão de 2002 não era um time nada bonzinho. Dividia com força, raça. Era leal, mas não deixava o adversário tocar a bola impune. A final de 2002, contra a própria Alemanha, deixou isso muito claro.

O caminho para o Brasil tentar uma surpreendente vitória está na marcação, na peleia, como dizem o gaúcho. Ainda mais com David Luiz como capitão do time, substituindo o suspenso Thiago Silva.

Por isso não é bom Low acreditar no discurso e nos sorrisos de Scolari de ontem na sua entrevista. De avô bonzinho ele só tem a aparência e o tom de voz. O Felipão que incendeia, enlouquece o seu time virá à tona.

Para quem não sabe, quando era jogador, o treinador do Brasil costumava passar Vick Vaporub, um unguento fortíssimo para desobstruir o nariz. Mas ele colocava nas suas partes íntimas, o que provoca um ardor irritante.

"Aquilo não me deixava relaxar durante todo o jogo. Coitado do centroavante que vinha disputar a bola comigo." Será exatamente esse o clima que os alemães vão enfrentar daqui a pouco no Mineirão.

Thomas Müller, Özil e Schweinsteiger que não estranhem se, por acaso, estiver um cheiro de Vick Vaporub no ar quando a bola começar a rolar.

Muitos alemães vão aprender a voar...
1afp11 1024x576 Transformar o jogo em uma guerra. Com divididas raivosas, faltas, pegadas, intimidação. Essa é a esperança do Brasil, time mais faltoso da Copa, contra a favorita Alemanha. O time de Felipão vai entrar cheirando a Vick Vaporub nos calções...

O duelo de blefes entre Felipão e Low. Começou a guerra entre Brasil e Alemanha, final antecipada da Copa. A ausência de Neymar tornou tudo imprevisível amanhã, aqui no Mineirão…

1vipcomm5 1024x614 O duelo de blefes entre Felipão e Low. Começou a guerra entre Brasil e Alemanha, final antecipada da Copa. A ausência de Neymar tornou tudo imprevisível amanhã, aqui no Mineirão...
Belo Horizonte...

Bem-vindo ao mundo surreal. Onde duas seleções com oito títulos mundiais vão disputar a semifinal de uma Copa. Uma time foi moldado, lapidado por seis anos. E o outro, que é anfitrião da competição treinou a equipe que entrará em campo por dez minutos. Sim, dez minutos...

Uma que fez todos os seus treinamentos fechados. Construiu um Centro de Treinamento indevassável na Bahia. A outra, não. Construiu até arquibancadas para cem pessoas ligadas aos patrocinadores ou artistas da Globo assistirem a tudo o que seus jogadores faziam. Ao lado de 700 jornalistas credenciados. E mais centenas de torcedores comuns atrás de autógrafos e selfies.

O país que perdeu seu principal jogador contundido está mais leve, tranquilo. Com a sensação de dever cumprido. Já o oponente ficou bem mais preocupado. Não sabe o que esperar. Havia se preparado para enfrentar esse principal atacante, um dos melhores do mundo.

1ap9 O duelo de blefes entre Felipão e Low. Começou a guerra entre Brasil e Alemanha, final antecipada da Copa. A ausência de Neymar tornou tudo imprevisível amanhã, aqui no Mineirão...

Luiz Felipe Scolari e Joachim Low fizeram um duelo de blefes aqui no Mineirão.

"Antes de falarmos sobre nós mesmos queria dizer algo sobre o Neymar. Sentimos muito por nós e pela seleção o fato de ele estar lesionado. É algo sério para ele, para o time e o país. Situação terrível, teríamos adorado vê-lo no campo durante a Copa e gostaria de desejar uma boa e rápida recuperação. Espero que volte em breve."

O treinador da Alemanha lamentava não enfrentar o único jogador cujo talento poderia decidir a partida para o Brasil.

"Nós já terminamos essa fase de envolvimento, desse aspecto que ficamos tristes, desde que sabíamos que não poderíamos ter mais o Neymar, e ele na primeira oportunidade depois de estar mais tranquilo, nas manifestações e jeito de conversar, fez com que os jogadores entendessem que a parte dele ele tinha feito e agora é a nossa parte que temos que fazer."

Felipão garantia que não havia mais o peso de perder seu principal jogador na concentração. Mas não é assim. Não se fala em outra coisa. O time não para de se comunicar por whatssap com o contundido atacante. Os atletas prometem vencer não só amanhã como conquistar o título mundial por eles.

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Joachim Low afirma que está tranquilo, confiante sobre a semifinal. Não está preocupado com seu futuro. Outra falácia. Ele assumiu o time em 2006. Fez da Alemanha terceira na Copa de 2010. Segunda na Euro de 2008. E terceira em 2012. Ou seja, nada de título. Seu contrato vai até o final de 2016. Mas nova decepção significará o final da linha.

Felipão, pelo contrário. Sabe que Marco Polo del Nero quer sua permanência. Assim como Marin. O relacionamento entre os três é da mais pura cumplicidade. Só que o treinador está sendo cotado para seguir na sua última aventura na carreira. Dirigir uma equipe estrangeira na Copa de 2018. O sonho é a Itália. A realidade: interesse de Portugal e Rússia.

Os blefes seguiram fortes. Felipão e suas quatro formações diferentes que treinaram cada uma apenas dez minutos. Diz que baseará a sua escalação nas observações de Gallo e de Roque Júnior. Eles podem no máximo dar algumas orientações. Mas Felipão sabe o óbvio. Precisa bloquear o meio de campo alemão. E está muito propenso a colocar três volantes. Luiz Gustavo, Fernandinho e Paulinho. Daniel Alves pode voltar, atuando quase como um ponta direita, já que terá cobertura até de sobra.

A opinião pública alemã deu um corte na mania de improvisar, criar, algo que Low adora. Lahm, por exemplo, voltou para a lateral por causa de tanta reclamação. O treinador não tem alguma alteração que possa surpreender o Brasil. Seguirá firme na dependência de Schweinsteiger, Thomas Müller, Kroos e seu protegido, Özil, que vive péssima fase. Lembra até a situação de Fred com Felipão.

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O treinador alemão não quis assumir o favoritismo. A responsabilidade de eliminar o Brasil dentre de sua casa. Apesar de saber que seu time é muito mais entrosado e forte tecnicamente.

"Acredito que o Brasil amanhã irá liberar toda sua paixão e emoções. Isso é algo muito fácil de ver nos jogos anteriores, que de fato ali está a paixão. Qualquer ataque que se aproxime de gol será acompanhado por gritos e grande potencial da torcida brasileira. Temos que fazer nosso jogo, não nos concentrarmos nos brasileiros. Temos que nos concentrar e ter coragem para fazer o que é preciso. Temos que fazer o que estamos acostumados a fazer."

Discursou como se fosse um treinador de jogadores que disputam a liga amadora de Mococa e não a Champions League. Pura bobagem. A poderosa Alemanha se deixar levar por gritos de torcida chega a ser ridículo.

Irônica foi a postura de Felipão ao falar do árbitro do jogo. O mexicano Marco Rodrigues. O juiz que não viu a polêmica mordida de Suárez na partida do Uruguai contra a Itália.

"Se ele não viu, não viu. Muitos lances acontecem em que o árbitro não viu uma falta, um lance qualquer, diferente. Este foi um lance inusitado, ele estava olhando a bola, para isso tem auxiliares e tudo mais. Pelo que sabemos, ele é um árbitro em sua terceira Copa, experiente, deve ser uma das escolhas corretas da Fifa para apitar nosso jogo."

Lógico Felipão sabe que terceira ou oitava Copa não isenta árbitro algum. O mexicano Marco Rodrigues é um juiz instável emocionalmente. Não há como não esperar uma partida marcada por discussões e entradas duras de lado a lado.

Low foi hábil e avisou que o jogo não pode terminar com a pancadaria que foi entre Brasil e Colômbia. "Espero e acredito que o árbitro mexicano Rodríguez Moreno fique atento a isso, pois vi nos últimos jogos, como no último da Colômbia, que essa energia física foi além dos limites que temos na Europa. Se isso acontecesse lá, os 22 jogadores não teriam acabado esse jogo.

"Foram faltas brutais. Esse tipo de combate físico, bloquear o adversário com toda a energia, acho que foi um pouco exagerado. Acredito que temos que parar com essas jogadas violentas. Pois, caso contrário, nós não vamos ter Neymar, Messi e etc. Vamos ter outros tipos de jogadores que vão entrar em campo para destruir..."

Mas há a certeza. Os jogadores alemães não irão fugir das divididas. Pelo contrário. Não esperarão pelos brasileiros. Vão tentar ganhar esse jogo na força física. Os contatos físico estão mais do que garantidos.

Não há dúvida alguma que a guerra já começou. Com os treinadores de Alemanha e Brasil falando exatamente o contrário do que pensam. Ainda mais sem Neymar.

Será uma final antecipada da Copa do Mundo. Onde haverá apenas um sobrevivente. Talvez o que tenha blefado mais hoje aqui no Mineirão...
1reproducao4 O duelo de blefes entre Felipão e Low. Começou a guerra entre Brasil e Alemanha, final antecipada da Copa. A ausência de Neymar tornou tudo imprevisível amanhã, aqui no Mineirão...

Chegou a hora de Oscar voltar a ser o meia que fez o Chelsea disputá-lo a tapas. Basta de dar carrinho. Sem a sombra de Neymar, os neurônios do Brasil são todos dele nesta semifinal contra a Alemanha…

1reuters Chegou a hora de Oscar voltar a ser o meia que fez o Chelsea disputá lo a tapas. Basta de dar carrinho. Sem a sombra de Neymar, os neurônios do Brasil são todos dele nesta semifinal contra a Alemanha...
Belo Horizonte...

Neymar lhe tomou a camisa 10 na Copa das Confederações. Tirou o status de maior revelação no futebol brasileiro nos último tempos. Ficou com uma faixa de campo que era sua, o meio da intermediária. Acabou deslocado para as laterais, atuando quase em cima da linha de cal.

Perdeu a função clássica de meia armador, articulador. Passou a usar a sua explosão muscular para uma missão menos nobre do que driblar, lançar, dar assistência, marcar gols. Oscar virou um especialista em carrinhos para desarmar o adversário. São em média 12,5 desarmes por partida. Ele havia parado de tentar ajudar o Brasil a fazer gols.

"Eu faço o que o treinador me pede. Estou aqui para colaborar com a Seleção. Não tem essa história de vaidade. Se é preciso ajudar a intermediária, sem problemas. O importante é o Brasil vencer. O resto não importa", diz Oscar.

Ele sabe que se tornou um jogador invisível para a torcida. Mas essencialmente tático. Quase um terceiro volante. Sem espaço algum para brilhar.

Nas formações que Felipão articulou por dez minutos para a partida de amanhã, Oscar ganhou um novo status. Terá toda a intermediária para armar, tabelar, infiltrar, lançar. Pode, finalmente, parar de correr atrás de laterais que decidem entrar na defesa brasileira pela diagonal.

1afp10 Chegou a hora de Oscar voltar a ser o meia que fez o Chelsea disputá lo a tapas. Basta de dar carrinho. Sem a sombra de Neymar, os neurônios do Brasil são todos dele nesta semifinal contra a Alemanha...

Há a oportunidade para que deixe de ser um mero coadjuvante amanhã. Situação que ele não esperava mais passar. Submisso ao esquema de Felipão. Estava complemente conformado em ficar nas sombras.

Havia perdido o ímpeto de que havia virado até modelo da Calvin Klein. E cuja imagem era cobiçada pelo empresário Ronaldo. Apesar de finalizar muito bem, ser sangue frio diante dos goleiros adversários, se conformou em ser mais um.

"Eu não vim na Copa para pensar em mim. Se todos quisessem aparecer, pensar apenas em si, não teríamos um time. Eu posso fazer qualquer função no meio de campo. Sei da minha importância. O Felipão tem o seu esquema tático definido. E ele vem dando resultado. Ganhamos a Copa das Confederações e estamos na semifinal da Copa. Está tudo indo muito bem", dizia Oscar.

Ele não tinha ideia da gravidade da situação de Neymar. Não tinha ideia que deverá a atuar como fazia na base do São Paulo, no Internacional. E algumas vezes apenas no Chelsea. Ser o pensador do meio de campo com a liberdade para definir o lance. E pelo caminho que achar melhor: pela direita, meio ou esquerda. Flutuar.

A força física do meio de campo alemão não o intimida. Ele está acostumado com o pesado Campeonato Inglês. Sabe se virar muito bem. Oscar é o jogador mais frio do elenco brasileiro. O que é uma vantagem na situação que vive.

Uma estrela que aceitou ser coadjuvante de Neymar. E que agora, na reta final da Copa do Mundo, ganha de novo a coroa. Sem mostrar a mínima afetação ou empolgação. Oscar aprendeu a ser frio.

"Ele é um garoto maravilhoso. Faz o que for pelo time. Estou muito satisfeito co o seu trabalho. Não reclama, não cobra, faz o que eu peço. Está perfeito", define assim, Felipão.

Contra a poderosa Alemanha, o Brasil precisa de seu camisa 11 jogando o futebol que o fez ser disputado a tapa pelo Chelsea. Quem se lembra de suas atuações no Campeonato Inglês não acredita que seja o mesmo jogador em Teresópolis. Mas é agora ou nunca. Chega de ficar à sombra de Neymar...

Sem Neymar, Felipão virou o principal personagem da semifinal contra a fria e flamenguista Alemanha de Low. O jogo será uma guerra. Scolari decidirá se o Brasil entrará com um exército poderoso ou não…

3afp5 1024x445 Sem Neymar, Felipão virou o principal personagem da semifinal contra a fria e flamenguista Alemanha de Low. O jogo será uma guerra. Scolari decidirá se o Brasil entrará com um exército poderoso ou não...
Teresópolis...

O cenário está como Felipão aprendeu a crescer como treinador. Foi assim no Criciúma quando foi campeão da Copa do Brasil. No Grêmio, campeão da Libertadores. No Palmeiras, ao reconquistar a América. E na própria Seleção, que fez campeã do mundo em 2002.

O covarde golpe de joelho de Zúñiga em Neymar revolucionou a semifinal da Copa amanhã. A razão aponta para o favoritismo da Alemanha de Joachim Low. Os frios germânicos prepararam essa geração com o objetivo de ser campeã do mundo aqui no Brasil.

Low levou seus atletas para a Copa da Alemanha para ganhar experiência. Schweinsteiger tinha 25 anos, Thomas Muller, 20 anos, Özil, 21 anos, Lahm, 26, Kroos, 20 anos. Mesmo com o time jovem, os alemães foram terceiros colocados.

O trabalho foi muito elogiado. E ficou a certeza de que, quatro anos mais tarde, essa equipe estaria pronta para a consagração. O time fez uma ótima Eurocopa em 2012, mas caiu na semifinal diante da Itália por 2 a 1.

A pressão na Alemanha é para que o resultado venha aqui, com o título. Para isso é necessário vencer o Brasil. Havia uma preocupação imensa com o improviso de Neymar. Ele seria capaz de romper com o futebol pragmático, muitas vezes até mecânico mostrado nesta Copa.

1ap8 1024x682 Sem Neymar, Felipão virou o principal personagem da semifinal contra a fria e flamenguista Alemanha de Low. O jogo será uma guerra. Scolari decidirá se o Brasil entrará com um exército poderoso ou não...

A filosofia é simples de Low. Seu time busca vencer sem correr riscos desnecessários. Sem se preocupar com o espetáculo. Marcou 4 a 0 contra Portugal graças ao desespero do rival que entrou em paranoia após tomar o segundo gol. A equipe de Cristiano Ronaldo, que já era fraca, se escancarou taticamente. Foi um convite para a goleada.

No restante da Copa, empatou com Gana em 2 a 2. Depois vitórias por apenas um gol de vantagem. 1 a 0 contra os Estados Unidos. 2 a 1 em uma batalha épica contra a Argélia. E outro 1 a 0 frio, calculista contra a França.

O máximo que Low se permite quando o adversário está em momentos mais fracos é colocar seu time no 4-3-3. Durante quase todo a Copa, ele segue o esquema consagrado neste mundial e que tem igualado as partidas; 4-2-3-1.

Com o obsessivo preenchimento de espaço. Buscando evitar o desgaste com o clima quente. Os jogadores estão sentindo o desgaste do final de temporadas massacrantes na Europa. Por tudo isso, a Alemanha é o time mais consistente e frio dessa Copa do Mundo.

Encara a Copa com a mesma missão de um operário especializado que veio construir um carro. Sabendo da sua eficiência e não se deixando envolver emocionalmente com os jogos.

Neuer, Lahm, Boateng, Hummels e Howedes; Schweinsteiger e Khedira; Kroos , Ozil e Muller; Kloze. Esse a provável equipe de Low amanhã.

Ele precisa ganhar a Copa ou deverá ser demitido. Acumula bons trabalhos. Foi vice da Euro de 2008. Terceiro na Copa da África. E terceiro também na Euro de 2012. Os alemães exigem a conquista do Mundial. Já está na fila desde 1990, há 24 anos...

Em uma grande estupidez dos seus dirigentes, eles também cometem imbecilidades, a Alemanha usará a camisa inspirada no Flamengo. Rubro negra. O time carioca é dos mais odiados em Belo Horizonte. A rivalidade de atleticanos é histórica. Isso só dará mais força para os torcedores vibrarem pela Seleção nas arquibancadas.

2ap3 Sem Neymar, Felipão virou o principal personagem da semifinal contra a fria e flamenguista Alemanha de Low. O jogo será uma guerra. Scolari decidirá se o Brasil entrará com um exército poderoso ou não...

Felipão é o técnico certo, perfeito nessas horas dramática. Ele sabe utilizar os recursos como um diretor de teatro. Sem o seu principal jogador, o treinador vai utilizar o fator emocional para provocar uma catarse. Fazer o time doar a alma para dar a Copa do Mundo pelo querido camisa 10, covardemente tirado dos jogos finais.

Como desestabilizar os nervos de aço alemães? Com uma estratégia que os incomode. Os tire da zona de conforto. Há como montar o time para o confronto. Comprar a guerra. Escalar o talentoso porém tímido William no lugar de Neymar. Colocar Dante na vaga do suspenso Thiago Silva. E não mexer na estrutura do time.

Júlio César, Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo e Fernandinho; Hulk, Oscar e Willian; Fred.

Essa seria o time mais ofensivo. Mas também o mais exposto. É pior taticamente e mais inexperiente em todos os setores. Seria a de menor pegada. Sofreu contra os mexicanos e chilenos mesmo com Neymar.

O time mais indicado e que teria mais o espírito guerreiro é outro. A 'cara de Felipão' seria colocar três volantes firmes, cimentar a intermediária brasileira. Luiz Gustavo, Fernandinho e o renascido Paulinho. Não deixar jogadores talentosos como Kroos, Özil e Müller respirarem. Além de cobrirem as descidas de Marcelo e do racional Maicon, menos anárquico que Daniel Alves.

Na frente, Felipão teria de encarar a realidade. Parar de ficar pensando em roteiros de filmes para adolescentes. Fred não está em uma Sessão da Tarde, onde o final feliz é garantido. O Brasil disputa uma Copa e o seu definidor está mal demais. Fez apenas um gol em cinco partidas. Não tem mobilidade, nada acrescenta ao time.

Se Fred é mesmo o líder que todos apregoam, deveria colaborar. E não só aceitar passivamente ir para a reserva. Mas até propor a situação, o que nunca ocorrerá.

Para atacar a firme defesa alemã, o ideal seria o improviso. Oscar articulando pelo meio para Hulk pela direita e Willian pela esquerda. Com essa formação, Paulinho poderia voltar a ser o homem surpresa na área germânica. E Fernandinho teria espaço para chutar de fora da área.

Se Felipão fizer a mescla, três volantes, Oscar no meio e Hulk e Fred na frente, o caminho do contragolpe mais lento. Mais previsível. Mas ao menos, o time teria consistência do meio para trás.

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Tudo isso poderia estar muito bem treinado. Mas o Brasil apostou na sorte. Não levou a sério a possibilidade de ficar sem Neymar. E agora o destino está batendo à porta. Ele está deitado com dores terríveis nas costas na sua mansão no Guarujá.

Em linha reta são exatamente 513 quilômetros que separam Neymar do Mineirão. O Guarujá de Belo Horizonte. Não adianta sonhar com infiltrações, pajelança, novenas. O principal talento do futebol brasileiro não vai jogar.

O principal personagem e que irá dar o tom nesta partida será o senhor Luiz Felipe Scolari. Que ele irá transformar o confronto em uma guerra não há a menor dúvida. Resta saber se ele escolherá seu exército mais forte, o mais competitivo. Ou o mais vulnerável por ligações sentimentais.

Contra a pragmática e poderosa Alemanha, o Brasil está nas mãos desse treinador de 65 anos. Seu segredo acabará daqui 24 horas. E terá consequências para a história do futebol mundial...

(Acaba o treinamento que seria decisivo para o jogo amanhã. Dante será o substituto de Thiago Silva. David Luiz passou a jogar pela direita. Essa troca era esperada. O insólito foi a volta de Daniel Alves entre os titulares. Maicon foi muito mais seguro contra a Colômbia...

Na granja Comary, sem privacidade alguma, ele usou várias formações táticas. Começou com três volantes, depois tirou Paulinho e colocou Willian no time. Depois Bernard na vaga de Oscar. E finalmente Jô na de Fred. Cada uma delas por dez minutos.

Por não ter um CT fechado, o Brasil vai entrar amanhã com uma escalação que treinou por dez minutos. Triste programação para uma partida que vale a chegada à final de uma Copa do Mundo...)
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CBF tranquiliza Barcelona. Seu patrimônio de R$ 300 milhões está protegido. Ninguém fará infiltração em Neymar. Não haverá milagres. Ele está fora mesmo da Copa do Mundo de 2014…

1ae4 CBF tranquiliza Barcelona. Seu patrimônio de R$ 300 milhões está protegido. Ninguém fará infiltração em Neymar. Não haverá milagres. Ele está fora mesmo da Copa do Mundo de 2014...
Teresópolis...

Quando iniciei a minha carreira no jornalismo esportivo, há 28 anos, fui cobrir uma prova hípica. Notei, desconfiado, que havia alguns cavalos que raspavam ou até batiam nos obstáculos e continuavam competindo. Pouco importava o sangue escorrendo em suas patas.

Me perguntava sobre as dores? Como é que eles não sentiam?

Descobri que nessa prova não havia antidoping. E que muitos cavalos eram submetidos a injeções de analgésicos, as conhecidas infiltrações. Elas tiravam a sensibilidade às dores. Mas os medicamentos era terríveis para as articulações, ligamentos, diminuíam a vida útil dos animais. Fora as pancadas de machucavam e eles não sentiam.

Essa metodologia cruel foi utilizada em jogadores de futebol nas décadas de 50, 60 e 70. Garrincha foi um dos casos mais conhecidos. Para não perder partidas importantes, inclusive pela Seleção, ele cansou de ter analgésicos infiltrados diretamente em suas contusões. Principalmente nos joelhos. Era algo criminoso que encurtou sua carreira.

Até mesmo Pelé admite que também se submeteu a algumas infiltrações. Vários desses analgésicos se tornaram doping com o passar dos anos. Alguns, não. Só que este recurso é cada vez menos utilizado entre atletas de elite por prejudicar o corpo, a carreira desses jogadores.

Todo o contrato de Neymar com o Barcelona tem valores que passam de R$ 284 milhões. Ele é o segundo jogador mais importante no clube. Vem logo depois de Messi. Entre salários e publicidade, seus rendimentos anuais já teriam saltado para R$ 90 milhões.

Haveria uma crise sem precedentes entre CBF e Barcelona caso se confirmassem os boatos que Neymar seria submetido a infiltrações nas costas para disputar a final. Os comentários surgiram depois que ele recebeu uma visita que recebeu no Guarujá.

O médico do Santos, Maurício Zenaide; o fisioterapeuta do clube, Rafael Martini e Nicola Carneiro, especialista em coluna. Eles estiveram na sua casa para uma avaliação da sua situação médica. Para Neymar ter uma segunda opinião sobre a sua fratura na vértebra, depois da covarde joelhada que recebeu do colombiano Zúniga.

Zenaide sempre cuidou de Neymar no Santos e são muito próximos. Houve a consulta para saber se haveria alguma possibilidade de ele jogar a final da Copa. Não haveria. Mas a consulta vazou...

1sfc CBF tranquiliza Barcelona. Seu patrimônio de R$ 300 milhões está protegido. Ninguém fará infiltração em Neymar. Não haverá milagres. Ele está fora mesmo da Copa do Mundo de 2014...

Foi o que bastou para os comentários se espalharem em Santos. Neymar poderia ter uma chance de jogar a final. Desde que uma dose maciça de analgésicos fosse introduzida nas suas costas. As dores não existiriam mais. Só que a fratura na vértebra continuaria, lógico. Com os movimentos, ela poderia ganhar uma proporção inimaginável. Seria o risco para estar em campo.

Lógico que os boatos se espalharam pelo Brasil todo. Bateram as portas da concentração brasileira. O médico José Luiz Runco ficou revoltadíssimo. Nem admitiria essa possibilidade. O tratamento de Neymar é repouso absoluto e o uso de uma cinta imobilizadora. A fratura se consolidará sozinha dentro de cinco a sete semanas.

Tudo foi crescente rapidamente em Teresópolis. Jornalistas já consultavam outros médicos e uma chuva de opiniões foram disparadas. Uma falsa expectativa foi criada de que o milagre poderia acontecer. E, se o Brasil vencesse a Alemanha amanha, Neymar se sujeitaria ao mesmo sacrifício dos cavalos da década de 80. E estaria no Maracanã com a camisa 10 do Brasil.

O departamento médico do Barcelona queria saber se havia um fundo de verdade. Se um patrimônio seu, avaliado em R$ 300 milhões, seria exposto a essa loucura. A CBF negou de forma absoluta. Mas era preciso conter a opinião pública. Na Internet virou uma febre. A situação estava fugindo de controle.

1barcelona 1024x576 CBF tranquiliza Barcelona. Seu patrimônio de R$ 300 milhões está protegido. Ninguém fará infiltração em Neymar. Não haverá milagres. Ele está fora mesmo da Copa do Mundo de 2014...

A CBF precisava se manifestar. E por isso, Runco deu entrevista no programa de Fausto Silva na TV Globo. Era o caminho oficial para o desmentido.

"Não vamos criar a ilusão de algo que não existe. Não existe a menor possibilidade de ele jogar na terça, contra a Alemanha, ou no domingo, se nos classificarmos para a final."

"O Neymar tem uma lesão estável que precisa se consolidar. Hoje, ele tem uma lesão estável que poderia se transformar instável e comprometer o seu futuro."

O que deveria ser o ponto final, cresceu durante a tarde e à noite. Aí a imprensa europeia se juntava à brasileira. Neymar jogaria domingo? A situação ficou perto do insustentável para a assessoria do jogador e da CBF. Até o Santos era atingido

Foi combinado que os dois lados divulgaram notas desmentindo essa possibilidade.

O site oficial de Neymar entrou em ação. Destacou que o jogador apenas recebeu a visita dos médicos no sábado. Mas seguirá o procedimento indicado por Runco.

"A notícia (infiltração) não procede em razão de Neymar Jr. estar sob cuidados do Chefe do Departamento Médico da Seleção, José Luiz Runco, até o final da Copa. Tendo sido ele o avalista da liberação do atleta para a continuação do tratamento (repouso absoluto) junto à família. O acompanhamento diário do tratamento está sendo feito pelo fisioterapeuta particular do atleta. Qualquer informação diferente desta é pura especulação."

A CBF também divulgou no final da noite uma nota oficial.

"A CBF esclarece que o atleta Neymar, com fratura estável de apófise transversa de L3, com excelente prognóstico à sua vida de atleta, desde que a consolidação da mesma se faça no tempo que a boa prática médica requer, e que condutas açodadas colocam em risco sua vida futura como atleta conforme as propagadas em alguns informes de mídia, por colegas médicos, o que, óbvio, não muda a conduta da comissão médica da Seleção Brasileira.

As medidas da ética médica, que requer o caso, serão encaminhadas à análise do Conselho Federal de Medicina para os procedimentos cabíveis ao caso, ao nosso ver de extrema gravidade aos artigos de nosso código de condutas."

 CBF tranquiliza Barcelona. Seu patrimônio de R$ 300 milhões está protegido. Ninguém fará infiltração em Neymar. Não haverá milagres. Ele está fora mesmo da Copa do Mundo de 2014...

Tradução: a CBF não autoriza nenhum outro médico a tentar fazer qualquer coisa com Neymar. A possibilidade de infiltração está completamente enterrada.

Mesmo assim, o Barcelona deverá enviar ao Brasil um médico para acompanhar como está o seu jogador. Acompanhar de perto a sua recuperação. Runco já informou e até enviou ao clube catalão exames do jogador. E há a concordância sobre o repouso absoluto.

O domingo foi agitado até o seu final por conta do sonho de ver Neymar em campo de novo na Copa de 2014. Isso não vai acontecer. Ninguém vai fazer qualquer infiltração no jogador de R$ 300 milhões.

A notícia confirmada envolvendo o atleta foi a demissão da enfermeira Cinthia, da clínica São Carlos, em Fortaleza. Ela protagonizou uma cena revoltante.

Filmou Neymar agonizando de dor com seu celular. Ele não conseguia mexer as pernas graças à vértebra fraturada. Depois do jogador passar gemendo, Cinthia fez com os dedos o V da vitória, comemorou, e focalizou seu próprio rosto rindo. Manda um beijo para a câmera.

Pagou com o emprego pela absurda falta de sensibilidade e solidariedade, requisitos básicos para uma enfermeira...

“O Brasil não é só Neymar. Vamos entrar com um time fortíssimo contra a Alemanha. Não duvidem da força do nosso elenco.” O desabafo de David Luiz, capitão da Seleção no Mineirão…

1getty1 O Brasil não é só Neymar. Vamos entrar com um time fortíssimo contra a Alemanha. Não duvidem da força do nosso elenco. O desabafo de David Luiz, capitão da Seleção no Mineirão...
Teresópolis...

"Eu vou ser ser bem sincero. Eu aprendi a amar o Neymar. Ele é um dos jogadores que mais se entregou ao grupo nesta Copa do Mundo. Colocou a Seleção muito acima do seu talento. Não teve essa história de ego. É um drama o que aconteceu com ele. Mas não vamos jogar por ele, não.

Vamos dar a vida para tentar ganhar da Alemanha. Mas por cada um de nós que formamos o grupo. E lógico que o Neymar tem o seu lugar. Mas aqui ninguém é mais importante do que ninguém. Somos 23 jogadores com a sorte imensa de representar 220 milhões, um país, uma nação. É por ela que iremos colocar a alma para tentar buscar essa Copa."

São declarações dessa natureza que fizeram David Luiz o grande líder da Seleção nesta Copa do Mundo. Personagem carismático, midiático, sincero. E cada vez mais importante. Como nesse momento, sem Neymar fora da Copa e Thiago Silva, suspenso.

"Escute bem o que vou falar. Quem jogar no lugar do Neymar e do Thiago vai entrar e resolver. O nosso grupo é forte demais. Confiamos no potencial de todos os jogadores que estão aqui.

O Dante ou o Henrique, quem entrar vai jogar até com mais fome do que eu e o Thiago Silva. Sonharam tanto como a gente estar nesta Copa. O Felipão sabe tirar o melhor de cada um. Não concordo que somos dependente de quem quer que seja. Somos uma equipe forte, muito forte. Não um time. Aliás, o Brasil não é só Neymar. Vamos entrar com um time fortíssimo contra a Alemanha. Não duvidem da força do nosso elenco."

1afp7 1024x576 O Brasil não é só Neymar. Vamos entrar com um time fortíssimo contra a Alemanha. Não duvidem da força do nosso elenco. O desabafo de David Luiz, capitão da Seleção no Mineirão...

David Luiz é mineiro de Juiz de Fora. Saiu de casa para jogar futebol com 12 anos. Foi dispensado do São Paulo por ser considerado baixo nas categorias de base. Hoje, ele tem 1m89. Foi para o Vitória. De lá, empresários o levaram para Portugal. Fez muito sucesso no Benfica.

Acabou sendo comprado a peso de ouro pelo Chelsea. R$ 75 milhões mais o sérvio Matic, avaliado em R$ 20 milhões. Na Inglaterra estourou para o mundo. Ganhou a Copa da Inglaterra, a Liga Europa e a Champions. Se firmou como o zagueiro mais valioso e todos os tempos. O PSG acaba de pagar R$ 132 milhões por ele.

Se esperasse um pouco, o Chelsea faturaria ainda mais. O Mundial está sendo excepcional na carreira do brasileiro. Até as oitavas foi escolhido como nada menos do que o melhor jogador da Copa. Com média de 9,79 pontos. Na frente de Messi, Neymar, Robben, Thomas Müller, James Rodrígues, Benzema, Cristiano Ronaldo.

Há a enorme possibilidade de ele ter aumentado ainda mais sua nota depois da exuberante partida contra a Colômbia. Seus números nas cinco partidas da Copa. 31 bolas roubadas, 78% de passes certos e marcou dois gols.

A liderança é algo nato em David Luiz. Com a suspensão de Thiago Silva, ele será o capitão do Brasil contra a Alemanha. Mas a tarja não quer dizer nada. O zagueiro é o jogador mais vibrante entre os brasileiros que disputam essa Copa. Está sempre falando, orientando, cobrando e, principalmente, incentivando os companheiros. Até mesmo nos raros coletivos que Felipão deu até agora, ele elogia algum reserva que faz grande jogada. Não há como ser adorado pelos companheiros.

Dentro de campo, para os adversários, ele não é esta candura toda. Várias vezes depois de uma dividida, ele peita o rival até fora do lance. Encara, fala, provoca, xinga. Sabe usar sua experiência na Europa para se impor. De anjo talvez só o cabelo.

A torcida e os patrocinadores se apaixonaram pelo zagueiro. Em todas as partidas do Brasil são comuns perucas, camisas e até fotos do jogador. Ele já é garoto propaganda de oito marcas diferentes neste Mundial. DirecTV, Vivo, Seguros Unimed, Gatorade, Pepsi, TAM, Nike e Itaú.

1reproducao3 O Brasil não é só Neymar. Vamos entrar com um time fortíssimo contra a Alemanha. Não duvidem da força do nosso elenco. O desabafo de David Luiz, capitão da Seleção no Mineirão...

O mercado comentava em tom de descrença. Mas é verdade, mesmo. Ele teve proposta de duas cervejarias importantes antes da Copa do Mundo. Só que o jogador se recusou. Alegou que não bebe e que sua imagem está ligada demais às crianças e adolescentes. Dispensou as propostas milionárias. Os jogadores da Seleção comentam com orgulho esta postura.

David Luiz também tem outra qualidade discreta. Ele é leal demais. Percebeu o quanto Thiago Silva foi criticado por chorar demais contra o Chile. E os elogios foram todos para a sua postura, mais firme do que a do capitão. O que ele fez contra a Colômbia? Se conteve.

Mudou sua postura radicalmente. Foi discreto com os companheiros. Deixou Thiago Silva tomar à frente desde o aquecimento. Esperto, quando percebia as câmeras filmando e mostrando o que acontecia nos vestiários para os telões, o zagueiro ficava balançando a cabeça, concordando com as palavras de Thiago. Isso é ser além da amigo, é parceiro de verdade.

Ele foi um dos atletas que mais ficou ligado a Neymar. Chorou ao saber que não continuaria no Mundial. E também na despedida do camisa 10 da granja Comary. A amizade entre a dupla também é emocionante. Muitos jogadores que estavam perto dos dois choraram ontem ao ver o abraço que trocaram.

1cbf2 O Brasil não é só Neymar. Vamos entrar com um time fortíssimo contra a Alemanha. Não duvidem da força do nosso elenco. O desabafo de David Luiz, capitão da Seleção no Mineirão...

Só explodiu na hora em que marcou o gol de falta, o seu segundo na Copa. "Marquei porque ando e bato na bola com os pés virados para fora, o famoso 'dez para as duas'", ironizou. Na verdade, o gol não foi por acaso. Ele treina muito a cobrança de faltas. Um pouco mais longe da área. Costuma bater com força e direção.

Alucinado de felicidade, Felipão comparou a sua batida na bola com a de Marcelinho Carioca. Puro delírio. Mas explicável. Felipão não poderia estar mais contente como o seu zagueiro. Além do excelente futebol, ele tem importância fundamental nas preleções, nas conversas com o time na preparação para o jogo.

Mas o que fascina Felipão, ex-beque tosco do interior do Rio Grande do Sul, são a simplicidade e a lealdade do jogador. Ele é o zagueiro mais caro de todos os tempos. E faz questão de ser tratado como qualquer um no grupo. E não para de incentivar, valorizar os companheiros.

Nos momentos de maior pressão, quando o time era mais cobrado, enfrentou a imprensa com personalidade. Não fugia das entrevistas como muitos consagrados fizeram.

"Ninguém pode desmerecer o trabalho desse grupo. Pode ser que até não joguemos bem. Mas todos estão dando a alma para fazer o melhor pelo Brasil. Sem exceção. Temos o privilégio e orgulho de representar a nossa nação de 220 milhões de habitante. Queremos e estamos fazendo de tudo para tentar ganhar a Copa. E o mínimo que esse grupo exige é respeito", fala encarando o jornalista.

Thiago Silva é um excelente jogador. Tem uma liderança importante, silenciosa.

Mas o verdadeiro capitão da Seleção na Copa de 2014 sempre foi David Luiz...
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