Globo revoltada com a CBF. A emissora dona do monopólio do futebol no país não aceita a volta de Dunga à Seleção. Confronto sério à vista. Ou Dunga deixará de ser Dunga. Como Felipão não foi Felipão…

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Para bom entendedor, uma última mensagem no Fantástico vale muita coisa. A Globo fez questão de avisar. Dunga, o novo treinador da Seleção, teve 85% de rejeição na pesquisa que a emissora fez com seu público. E fez questão de divulgá-la com destaque. Ou seja. O ressentimento ainda não acabou.

Marin e Marco Polo não terão o apoio da rede de televisão que detém o monopólio do futebol e da Seleção no país. O prejuízo com o vexame na Copa do Mundo foi palpável para a emissora. Havia várias campanhas publicitárias engatilhadas com um eventual título.

A derrota afeta também os campeonatos internos. Nos Brasileiros da Série A e da Série B, de propriedade da emissora. Que os mostra na tevê aberta e a cabo, na Sportv. O clima de ressaca com a derrota do Brasil é generalizado.

Executivos da Globo sonhavam com uma revolução depois de Felipão. A contratação de um executivo com trânsito internacional como Leonardo. E a aposta em um técnico estrangeiro. De renome. Guardiola, Mourinho, Jürgen Klopp. Até o argentino Sampaoli que comanda o Chile.

A Globo esperava e queria uma revolução. Daria novo ânimo para o futebol, produto que assume como seu.

A confirmação de Gilmar Rinaldi já abalou a relação com Marin e Marco Polo. Foi um balde de água fria. Por mais idôneo que Rinaldi seja, e é, colocar um empresário para tomar conta de todas as seleções é simbólico. Inaceitável. Mas o melhor estava reservado para o nome do técnico.

Nunca um treinador havia rompido com a Globo como Dunga. Ele enfrentou o então presidente Ricardo Teixeira em plena Copa da África do Sul. Ele havia encarcerado a Seleção em um clube de golfe. Proibido o acesso dos jornalistas. E as entrevistas mesmo nas folgas.

A 'proibição aos jornalistas' quis e atingiu em cheio o coração da Globo. A emissora foi quem sempre se beneficiou de privilégios na cobertura da Seleção. Mesmo o disciplinador Felipão teve de se dobrar ao acordo entre Marin e Globo. E engoliu Luciano Huck e Mumuzinho atrapalhando coletivos. Bruna Marquezine, Juliana Paes, Carolina Dieckmann na concentração durante a Copa do Mundo.

O então presidente Ricardo Teixeira ficou histérico com a proibição. O executivo responsável pela Globo Esportes, departamento que engloba todo o futebol da emissora, exigiu que a CBF agisse. Teixeira mandou que Dunga cedesse e abrisse a concentração para a Globo. O técnico negou e até ameaçou abandonar o cargo em plena Copa.

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Em seguida, teve a histórica situação com o apresentador Alex Escobar. Dunga dava uma coletiva e Escobar falava ao celular. Depois de uma resposta, o treinador entendeu que Escobar desdenhava de suas respostas. Passou a xingá-lo enquanto o que falava era traduzido aos jornalistas internacionais. Foi um escândalo.

A Globo rompeu com o técnico. E depois da derrota diante da Holanda, ele foi crucificado na emissora. Nunca um treinador foi tão execrado por um veículo de comunicação. Teixeira logo pediu arrego. Fez jogadores da Seleção homenagearem Escobar. Robinho posou com uma camisa com o nome do jornalista xingado pelo técnico.

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Dunga ficou sem trabalhar por três anos. Mas antes de assumir o Inter, a Globo buscou a reaproximação entre Alex Escobar e ele. Muito constrangidos, os dois até marcaram 'um café' para conversar. O que nunca aconteceu.

Dunga voltou ao futebol depois que seu pai, que passou anos em coma, morreu. Fez um trabalho fraco no Internacional. Ganhou o Gaúcho do confuso Grêmio de Luxemburgo. Mas fracassou no Brasileiro e, apesar de ídolo no Beira-Rio, foi demitido sem dó. O time despencava.

O técnico se recolheu, magoado. Se foi esquecido pelos grandes clubes do país, um país o queria de qualquer maneira comandando sua seleção: a Venezuela. Foram oferecidos salários de R$ 350 mil mensais e mais premiação de R$ 11 milhões caso classificasse o time para a Copa da Rússia.

Dunga estava pronto para aceitar. O presidente da Federação Gaúcha, Francisco Noveletto, estava intermediando sua ida para lá. No meio do processo, Dunga desapareceu. Disse apenas por mensagem no celular que precisava ir a São Paulo. Verdade. Veio e se reuniu com Marco Polo, Marin e Gilmar Rinaldi.

O treinador foi escolhido pelo que representa. Foi o único capitão de toda a história do futebol a levantar o troféu da Copa do Mundo xingando. Em 1994 mostrava a taça e xingava os jornalistas que o perseguiram desde 1990, duvidaram da Seleção de Parreira.

Com ele, Marin tem a certeza que o perfil do psicológico do time brasileiro mudará. Em vez de lágrimas, a raiva, a autoestima. Gilmar Rinaldi convenceu Marin e Marco Polo com os números de Dunga no comando da Seleção. Foram 59 partidas, 41 vitórias, 12 empates e apenas seis derrotas. Conseguiu 76% de aproveitamento. Classificou o time em primeiro nas Eliminatórias, ganhou Copa América e Copa das Confederações.

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A cúpula da CBF nem pensou em consultar ou avisar a parceira Globo. Foi um ato de independência inesperado. E que reverberou da pior maneira nos corredores globais. A postura cuidadosa de quem trata o futebol como um produto vai mudar. Ou melhor, já mudou.

Dunga já começa a ser questionado, bombardeado nos programas com espaço para opinião na Sportv. Até a Globo perdeu a história condescendência. A firmeza com que divulgou os 85% de rejeição ao novo 'velho' treinador foi significativa. Os executivos não aceitarão passar pelas mesmas situações vividas em 2010. Ter as portas da Seleção fechadas como os outros veículos de comunicação.

Em 2010, Dunga justificava ser democrático. Não abriria exceção para ninguém. Só se esqueceu que a Globo paga pelo futebol. E exerce o direito que o dinheiro lhe dá há mais de 40 anos, desde a época da Ditadura Militar. Ela sempre teve acesso aos intestinos da Seleção Brasileira.

Só houve um treinador que disse não. E que executivos da emissora tinham certeza que nunca mais pisaria na CBF. Foi esse mesmo que Marin, Marco Polo e Gilmar Rinaldi resgataram. Não levaram em conta a velha e autoritária parceira. O motivo: mostrar independência.

A farra da Globo na granja Comary com Felipão e Parreira foi imposta por Marin. Tirou o foco dos jogadores, atrapalhou profundamente o trabalho. O Brasil foi a única das 32 seleções que disputaram a Copa a ter o direito de fazer um treino secreto em sua concentração. Para agradar a Globo.

Marin e Marco Polo ficaram revoltados quando a própria emissora passou a criticar o trabalho na Granja Comary. Foi amador justamente para agradar a Globo. Quando não deu certo, ela cobrou a falta de seriedade. Por isso teve o troco. Ele se chama Dunga. O treinador com 85% de rejeição dos brasileiros, segundo o Fantástico.

Confronto à vista. Entre os antigos sócios: a emissora que controla o futebol e a CBF. Só há dois caminhos. Ou a Seleção realmente se fecha, faz um trabalho sério, sem privilégios, enfrentando um bombardeio de cobranças. Ou Dunga não será Dunga. Como Felipão não pôde ser Felipão. E hoje se arrepende muito, massacrado pela emissora que tanto ajudou na Copa. Não haverá meio termo...
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A falta de ambição de Muricy Ramalho. Sem um pingo de dor na consciência, ele abre mão da briga pela Seleção. Até avisa que Dunga merece nova chance. Muricy é o ‘Rubens Minelli” dos anos 2000. Muito mais feliz…

1ae14 A falta de ambição de Muricy Ramalho. Sem um pingo de dor na consciência, ele abre mão da briga pela Seleção. Até avisa que Dunga merece nova chance. Muricy é o Rubens Minelli dos anos 2000. Muito mais feliz...
Mais de 43 mil pessoas lotaram ontem o Morumbi. Fizeram música especial para Rogério Ceni, ele completaria 600 vitórias pelo clube que ama. Trataram de ironizar o Palmeiras pelo clube ter tomado Alan Kardec. Se ajeitaram nas arquibancadas vermelhas prontas para desfrutar uma goleada.

E homenagear aquele que deveria estar na Seleção, pelo menos na concepção do são paulino. Mas o "É Muricy ! É Muricy!" ficou entalado na garganta. Como homenagear o treinador depois do vexame?

A derrota por 1 a 0 para a Chapecoense foi simbólica. Muricy Ramalho parece não ser talhado para a Seleção Brasileira. Não fez desse projeto sua meta de vida. Muito pelo contrário. Por dois motivos. O primeiro não se sujeitar aos caprichos da cúpula da CBF. E o segundo, preservar sua saúde diante de tanta pressão.

Ele nunca se empenhou em fazer política para chegar ao cargo. Como, por exemplo, Vanderlei Luxemburgo. Ele declarou por anos que chegaria ao cargo. Fez alianças profundas com Jota Hawilla, dono da Traffic, e amigo íntimo de Ricardo Teixeira. Chegou ao cargo, mas a CPI do Futebol lhe fechou as portas para sempre da CBF. Assim como agora os clubes grandes já o abandonaram. Na Copa fez um bico como comentarista da Fox Sports e disse a jornalistas que pretende revolucionar o futebol brasileiro, abolindo as concentrações. Pregou ao vento. Continua sem convite para trabalhar.

Muricy seguiu o caminho totalmente contrário do seu contemporâneo Luxemburgo. Preferiu o trabalho na sua plenitude. Sem buscar lobby de imprensa, aliança com dirigentes. Trilhou as pegadas de Rubens Minelli. Treinador revolucionário no futebol brasileiro na década de 70. Tricampeão seguido brasileiro. Venceu dois títulos com o Internacional, 75 e 76. E em 1977 fez o São Paulo campeão, com um time muito fraco, em pleno Mineirão contra um fortíssimo Atlético Mineiro.

Minelli nunca chegou à Seleção Brasileira. Na época, o comando da CBF era carioca. O bairrismo estava muito mais aflorado, até porque os jogadores tinham inúmeros obstáculos para atuar no Exterior. Os melhores ficavam ou no Rio ou em São Paulo. O capitão do Exército, Cláudio Coutinho, foi para a Copa da Argentina em 1978.

Muricy Ramalho pelo menos vai poder dizer que foi além: teve o convite da CBF. Deveria assumir a Seleção na vaga de Dunga. A maneira com que o técnico foi convidado para o cargo expõe como é amador o futebol deste país.

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O Fluminense havia jogado no Maracanã em julho de 2010. Muricy Ramalho estava caminhando para sua coletiva obrigatória. Quando foi abordado por jovem bronzeado, sorridente. Ele o chamou de lado e avisou que então presidente Ricardo Teixeira o queria na Seleção Brasileira. Muricy pensou que fosse pegadinha. Se irritou. Não sabia quem era a pessoa que o abordava e nem como tinha liberdade para entrar no vestiário.

Se tratava de Victor Rios. Auxiliar do diretor de Comunicação da CBF. Ricardo Teixeira havia escolhido Muricy. Mas estava brigado com o então presidente do Fluminense, Roberto Horcades. E mandou Victor convidar o treinador a uma conversa. Muricy só aceitou conversar quando o assessor o colocou para falar por telefone com Ricardo Teixeira.

No dia seguinte, se reuniu com o dirigente e Rodrigo Paiva. Acertou tudo. Mas havia os R$ 5 milhões de multa rescisória para deixar o Fluminense. Horcades mandou avisar que não liberaria o treinador sem o dinheiro. Era uma afronta a Teixeira. Por birra, a milionária CBF avisou que não daria um centavo. E Muricy continuou nas Laranjeiras. Mano Menezes foi para seu lugar.

Outro fator que o desestimula a brigar pela vaga que foi de Felipão é a saúde. Em 2013, Muricy teve uma diverticulite. Nunca passou tão mal na vida. Pensou que poderia até morrer. Ficou obsessivo lembrando da isquemia cerebral que afetou Telê Santana. Se sentiu muito culpado por negligenciar a família em relação ao futebol. Decidiu que teria férias de verdade. Viajaria, descansaria muito mais ao lado da esposa e filhos. Não seguiria o exemplo de Telê, dormindo na concentração do clube. Desde então passou a dosar melhor sua carreira e vida particular.

Ao contrário do que o coordenador de Seleções, Gilmar Rinaldi, declarou, Muricy não se encaixa no perfil do novo técnico da Seleção. Não tem disposição para viajar à Europa para entender as mais modernas maneira de treinar um time. Não quer assumir a postura de um estudante.

Aos 58 anos, o tetracampeão brasileiro quer é reconstruir o São Paulo. Montar uma equipe forte, recolocá-la na Libertadores de 2015. Brigando pelo título nacional. De maneira tradicional. Pressing principalmente no início da partida, duas linhas de quatro, troca consciente de bola do meio para a frente. Do meio para a frente um time sem posição fixa. Situações que viu na Copa do Mundo. E ainda estão sendo treinadas.

A derrota para a Chapecoense mostra que ainda há muito trabalho a fazer. Mas com calma, com a forte pressão de um clube. É o que suporta. Não quer o país todo cobrando uma revolução na Seleção Brasileira. Por isso, Muricy abre mão da concorrência.

4ae A falta de ambição de Muricy Ramalho. Sem um pingo de dor na consciência, ele abre mão da briga pela Seleção. Até avisa que Dunga merece nova chance. Muricy é o Rubens Minelli dos anos 2000. Muito mais feliz...

"O trabalho que Dunga fez foi muito bom. O resultado que teve, até o meio tempo contra a Holanda, estava perfeito. Em 45 minutos mudou tudo. O futebol é difícil. Então, pelo trabalho que ele fez, mesmo não tendo experiência, foi muito bom. Merece outra chance."

Muricy já se colocou fora da briga pelo comando da CBF. Lógico que ele não queria. Mas a derrota para a Chapecoense veio bem a calhar. Não há como defender hoje sua nomeação. O impacto da frustração de ontem pesa. Pelo jeito, Muricy seguirá a trajetória de Rubens Minelli. Não terá o prazer de comandar a Seleção Brasileira. Só que sem sentir um pingo de frustração. Na verdade, uma boa dose de alívio.

Seus dois prazeres na vida são brigar por novos títulos para o São Paulo e viajar com a família. Dispensa as profundas dores de cabeça que a Seleção, com toda a certeza, lhe reservaria...
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O retorno de Dunga à Seleção não seria revolução. Mas retrocesso. A situação parece encaminhada. Muricy e Tite já agem como preteridos. Esse é o Brasil de Marin e de Gilmar Rinaldi…

1afp19 O retorno de Dunga à Seleção não seria revolução. Mas retrocesso. A situação parece encaminhada. Muricy e Tite já agem como preteridos. Esse é o Brasil de Marin e de Gilmar Rinaldi...
O novo técnico da Seleção já está contratado. Será anunciado às 11 horas, na próxima terça-feira, na sede da CBF. Os jornalistas já foram convocados para a entrevista coletiva de apresentação. Ou seja, tudo se sacramentou.

Resta apenas saber quem será o substituto de Felipão. A rádio Jovem Pan, a revista Placar e o jornal Extra garantem. Gilmar Rinaldi teria acertado o retorno de Dunga. Nome surpreendente. Tanto quanto um empresário coordenar todas as seleções brasileiras.

Tudo rapidamente caminha para uma incrível mudança de cenário. José Maria Marin e Marco Polo del Nero não querem nem pensar em treinador estrangeiro. Nacionalistas, acreditam que o país conquistou cinco títulos com treinadores brasileiros e não seriam eles quem entregaria a Seleção a alguém que não nasceu por aqui.

As candidaturas dos dois favoritos ao cargo estão se desmanchando. Desde que o Corinthians não quis renovar seu contrato, dezembro de 2013, Tite ficou na espreita. Foi para a Europa, se 'reciclar', aprender como os grandes treinadores do mundo preparam os times, as seleções. Esperava usar esses métodos novos na CBF.

A espera tem sido em vão. Desde que Felipão foi demitido não recebeu nenhum contato. A garantia vem da própria família de Tite. E mais, pessoas que trabalham com o treinador garantem ser verdade. Cansado do desprezo por parte de Marin, o técnico já deixou vazar. Ele autorizou Gilmar Veloz a conversar com a Seleção Japonesa. Muito embora, o mexicano Javier Aguirre, tenha deixado tudo certo com o comando do time oriental. Seria uma última manobra para a CBF reagir.

Muricy Ramalho já cortou essa expectativa de Seleção. Seguindo o seu estilo, tratou de encerrar as especulações. Deixou transparecer que não 'teria saco' para comandar o Brasil. Até porque as coisas deveriam ser feitas de acordo com o que ele pensa. Ou seja não se submeteria às exigências de Marin e de Gilmar Rinaldi. Quer autonomia e independência que a CBF não deseja dar.

Marin quer um treinado que seja um funcionário subalterno. Que se adapte às exigências do presidente ao cargo. Não o contrário. Não há mais espaço para 'estrela' mandando na Seleção.

Wanderley Nogueira é um repórter com 44 anos de credibilidade. Não é polêmico. Nem faz questão de brigar para antecipar notícias. Trabalha na rádio Jovem Pan e na TV Gazeta há décadas. Ele está garantindo que Dunga já assinou até contrato com a CBF. Situação estranha. Não é típica da carreira de Wanderley. Bancar de forma tão intensa algo que os colegas não têm indícios.

Gilmar Rinaldi é, ou foi, empresário por 14 anos. Mora em São Paulo. Várias e várias vezes nos últimos anos foi figura constante nos programas de Wanderley. O laço de amizade entre os dois é enorme. O repórter da Jovem Pan já vem escrevendo sobre Dunga desde sexta-feira.

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A lógica indica que Gilmar não deixaria o amigo passar por ridículo. Já teria no mínimo o corrigido. Dito que não há negociação alguma. Muito pelo contrário. Hoje, Wanderley já crava a negociação. A revista Placar e o jornal Extra são menos intensos, mas garantem que o caminho para o retorno de Dunga está aberto.

O grande entrave para a volta de Dunga não existe mais. Na África do Sul, o treinador fechou a concentração para a imprensa brasileira. Inclusive para a Globo, situação que nem Felipão conseguiu enfrentar. Luciano Hulk, Mumuzinho, Patricia Poeta fizeram o que desejaram durante a Copa do Mundo.

Dunga teve uma discussão lamentável com o apresentador global Alex Escobar em plena coletiva na África. O xingou em plena coletiva. Situação bizarra. Mas que foi resolvida. Em novembro de 2012. Depois de dois anos e cinco meses. Ele e Escobar marcaram até tomar um café de reaproximação.

"Se um dia voltasse à Seleção não cometeria os mesmos erros", disse antes de voltar ao batente.

Só então o treinador voltou a trabalhar. E não foi nada além do que razoável no Internacional. Ganhou o Campeonato Gaúcho. E foi demitido em plena disputa do Brasileiro. Após quatro derrotas seguidas. O time estava na 11ª colocação. Foram 53 jogos, com 26 vitórias, 18 empates e nove derrotas.

Se for confirmado o furo de Wanderley, a escolha será um retrocesso. Dunga não tem o perfil tático para revolucionar a Seleção Brasileira. É um grande motivador, a exemplo de Felipão. Na Copa da África do Sul ele conseguiu deixar seus jogadores tão ou até mais despreparados psicologicamente para disputar a Copa. O time afundou quando tomou o empate contra a Holanda. E em seguida a virada, sendo eliminado nas quartas.

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Dunga convocou mal para a Copa. Não acreditou na juventude de Neymar e Ganso. Bancou Kaká, apesar de o meia disputar a Copa com o joelho precisando ser operado. Apostou que conseguiria controlar o explosivo Felipe Melo. Enclausurou a Seleção na África. Seu mérito foi tirar o máximo da equipe contra adversários fracos, desestruturados. Venceu a Copa América, Copa das Confederações e a Copa América.

Nada de inovações táticas sob seu comando. Um 4-4-2 tradicional. De muito combate por parte dos seus atletas. Time ortodoxo. Voltado principalmente para os contragolpes em velocidade. E de marcação forte.

Sua demissão foi quase unanimidade nacional. Desde então, só voltou a trabalhar no Internacional, clube em que é um dos maiores ídolos da história. Mesmo assim, saiu pela porta dos fundos, demitido. Sua saída aconteceu em outubro de 2013. Nenhum grande equipe ou seleção o procurou. A não ser empresários representando a Venezuela. Está sem trabalhar há nove meses.

Por coincidência, seus telefones estão desligados. Amigos no Sul garantem que ele esteve os últimos dois dias em São Paulo. Onde mora Gilmar Rinaldi, seu companheiro em campo inclusive na conquista da medalha de prata olímpica em 1984, em Los Angeles. Em conversas nos últimos dias, os dois teriam acertado o retorno à Seleção. Com a certeza de que Dunga aceita viajar para a Europa buscando se reciclar, buscar o 'mais moderno' à Seleção.

Limitando o cenário de treinadores a apenas brasileiros, Marin e Marco Polo caíram em uma armadilha. As opções são muito poucas. A ponto de Dunga ser o favorito a assumir o Brasil de novo. Deixou Tite e Muricy para trás. Isso não é revolução em lugar nenhum do mundo. Seria a contrarrevolução. Mas com Marin, tudo é possível. Se não der certo o seu retorno, em quem o Brasil vai apostar? Em Ricardo Teixeira?
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A decepção de Marin e Marco Polo. Romário é líder disparado nas pesquisas para o Senado pelo Rio. Há a certeza que os ataques à CBF vão até aumentar. A última foi pesada demais. “Só ratos como Marin e Del Nero para escolherem Gilmar Rinaldi”…

1reproducao12 A decepção de Marin e Marco Polo. Romário é líder disparado nas pesquisas para o Senado pelo Rio. Há a certeza que os ataques à CBF vão até aumentar. A última foi pesada demais. Só ratos como Marin e Del Nero para escolherem Gilmar Rinaldi...
O Datafolha jogou um balde de água fria na cúpula da CBF. E a pesquisa esperada não tem nada a ver com a escolha do novo técnico da Seleção. Ela se refere à escolha do senado carioca.

Romário ter sido apontado como líder disparado com sua candidatura pelo PSB chocou. Ele tem 29% da preferência dos eleitorado do Rio de Janeiro. À frente inclusive de César Maia, que foi 12 anos prefeito carioca, com 23%. Os demais candidatos não chegam nem a 8% de intenção de voto.

O caminho firme do ex-jogador ao Senado desagrada profundamente Marin e Marco Polo. O presidente da CBF garantiu no ano passado que entrou na Justiça contra ele. As declarações de Romário foram pesadíssimas. Chegou a pedir a prisão dos dois.

"O presidente da entidade, José Maria Marin, é ladrão de medalha, de energia, de terreno público e apoiador da ditadura. Marco Polo Del Nero, seu atual vice, recentemente foi detido, investigado e indiciado pela Polícia Federal por possíveis crimes contra o sistema financeiro, corrupção e formação de quadrilha. São esses que comandam o nosso futebol. Querem vergonha maior que essa?

Marin e Del Nero tinham que estar era na cadeia! Bando de vagabundos!!!"

A eventual ação na justiça não calou o deputado federal. Pelo contrário, as acusações continuaram. E ontem atingiram não só os dois como também a Gilmar Rinaldi, o novo coordenador de todas as seleções da CBF. Foi uma sequência declarações na sua conta pessoal no twitter.

"Galera, só pode ser uma dessas duas coisas: sacanagem ou pegadinha. É inadmissível Gilmar Rinaldi ser escolhido para assumir o cargo de diretor/coordenador de Seleções da CBF. O cara é empresário de vários jogadores. Tive o desprazer de trabalhar com ele no Flamengo, é incompetente e sem personalidade. Posso afirmar que Rinaldi vai fazer da CBF um banco de negócios para defender os seus interesses."

Lógico que o mais forte ele reservou para os seus inimigos favoritos.

"Só os ratos do Marin e Del Nero para escolherem uma pessoa como essa. Para piorar, ele (Gilmar) ainda é agente FIFA."

1camarafederal A decepção de Marin e Marco Polo. Romário é líder disparado nas pesquisas para o Senado pelo Rio. Há a certeza que os ataques à CBF vão até aumentar. A última foi pesada demais. Só ratos como Marin e Del Nero para escolherem Gilmar Rinaldi...

Chamar o atual e o futuro presidente da CBF de 'ratos' calou fundo na dupla. E seus advogados estudam novo processo contra o deputado. Gilmar Rinaldi pode seguir o mesmo caminho.

Romário não se abala. Segue em plena campanha ao Senado federal. Garante que não irá se calar. Pelo contrário. Estará atento à escolha do treinador. Se não concordar ou considerar estranha, mais críticas virão.

Analistas políticos acreditam que estas acusações funcionam como grande armas para Romário. Atinge em cheio o eleitorado. Ainda mais depois do vexame do Brasil na Copa do Mundo. Atacar a cúpula da CBF atrai a simpatia de grande parte da população.

"As ofensas e mentiras não estão no âmbito parlamentar. Ele pode e será punido pelo que está falando", garantia Marin ainda em 2013, quando garantiu que processaria o político. Desde então, se nega a falar sobre Romário.

Apenas é fato que na CBF há uma torcida imensa para que o ex-jogador da Seleção não consiga se eleger senador. Sua proteção jurídica e política ficaria ainda maior, fora o prestígio.

Romário promete não amenizar suas críticas, acusações. Segue irritadíssimo também pelo fato de a CBF ter prometido em 2011 repassar 32 mil ingressos da Copa a pessoas deficientes. A promessa foi esquecida. O ex-jogador se sente enganado, já que foi ele quem divulgou a 'notícia' depois de encontro com Ricardo Teixeira. Para ele, Marin deveria ter se esforçado para cumprir o acordo e nada fez.

Encorajado com as pesquisas, Romário deverá continuar com as acusações e questionamentos sobre tudo que envolver a CBF de Marin e Marco Polo. Se for eleito senador promete fazer de tudo para tirar o controle do futebol brasileiro da dupla. Quer desesperadamente uma CPI...
 A decepção de Marin e Marco Polo. Romário é líder disparado nas pesquisas para o Senado pelo Rio. Há a certeza que os ataques à CBF vão até aumentar. A última foi pesada demais. Só ratos como Marin e Del Nero para escolherem Gilmar Rinaldi...

O fracasso na audiência da volta do futebol brasileiro na Globo. O Planeta dos Macacos foi mais assistido os jogos do São Paulo e Fluminense. A ressaca depois do vexame na Copa do Mundo vai custar caro…

1reproducao11 O fracasso na audiência da volta do futebol brasileiro na Globo. O Planeta dos Macacos foi mais assistido os jogos do São Paulo e Fluminense. A ressaca depois do vexame na Copa do Mundo vai custar caro...
Já está acontecendo o que a cúpula da Globo temia. Com o fracasso da Seleção na Copa do Mundo, os reflexos cairiam sobre o Campeonato Brasileiro. Os dois principais mercados deram a resposta imediata que a emissora já sabia que viria.

Bahia e São Paulo deu 18 pontos de audiência. Criciúma e Fluminense, 17, foi a pior audiência às quartas-feiras de futebol em 2014. A crítica de tevê da Folha, Keila Jimenez, não perdeu tempo. E comparou. O filme Planeta dos Macacos deu 24 pontos na semana passada.

Nos últimos dez anos, a audiência do futebol na Globo já caiu 28%. Por outro lado, os patrocinadores continuam pagando cada vez mais. Ambev, Coca-Cola, Banco Itaú, Johnson & Johnson, Vivo e Volkswagen. Cada uma pagou R$ 185 milhões. Ou seja, R$ 1,1 bilhão.

O ano foi mais rentável por causa da Copa do Mundo para a emissora. Ambev, Coca-Cola, Banco Itaú, Johnson & Johnson, Hyundai, Magazine Luiza, Nestlé e Oi! pagaram R$ 179,8 milhões. Mais de R$ 1,4 bilhão.

Ou seja, R$ 2,5 bilhões de faturamento. Mas a perspectiva é assustadora. Com o fracasso da Seleção há um desânimo generalizado. As arenas construídas para a Copa estão desprezando a sua totalidade. A Arena Pantanal já 'matou' 25 mil lugares na partida do Vasco, na terça-feira. Diminuiu o estádio para apenas 15 mil lugares.

O Corinthians, segundo clube mais popular do Brasil, está retirando suas arquibancadas móveis do Itaquerão. A diretoria sabe que são desnecessárias. Os vinte mil lugares a mais não farão falta.

A ressaca é maior por causa da própria Globo. A emissora chegou ao cúmulo de exibir futebol em 87% de sua programação jornalística. Criou uma expectativa vazia, mentirosa de título. E quando ele não veio, os brasileiros se sentiram traídos.

As 64 partidas transmitidas ao vivo tiveram um efeito colateral dolorido. Houve muitos jogos do melhor nível técnico mundial. Partidas com Thomas Müller, Cristiano Ronaldo, Messi, Suárez, Neymar. Fora o clima maravilhoso de uma Copa do Mundo. Os confrontos entre países.

Tudo isso viciou o telespectador. O ritmo dos jogos empolgante. Com muita intensidade, dramaticidade. Partidas eliminatórias onde apenas uma equipe sobreviveria. As partidas eram garantia de emoção, tensão. Bom espetáculo.

1ap19 O fracasso na audiência da volta do futebol brasileiro na Globo. O Planeta dos Macacos foi mais assistido os jogos do São Paulo e Fluminense. A ressaca depois do vexame na Copa do Mundo vai custar caro...

No cenário dos clubes brasileiros é exatamente o contrário. Pelo pouco poderio econômico dos clubes, ficaram por aqui os jogadores sem capacidade de atuar no Exterior. Ou por já terem ido e voltado no final de carreira ou fracassado. Ou aqueles sem condições técnicas para sequer sonhar em atravessar a fronteira.

Treinadores ultrapassados dão o complemento ideal. O que sobraram são partidas com um ritmo muito lento, jogadores sem técnica refinada. Cada partida do Brasileiro dá saudade da Copa que mal acabou.

A Globo mantém o monopólio do futebol para ter lucros, evidente. Não está fazendo donativo. Quer ganhar dinheiro. Com a audiência despencado, os executivos vão acabar acordando. E percebendo que estão associados com o lado errado. A sociedade não deveria ser com a CBF. E sim com os clubes.

Quanto mais fortes os clubes, maior interesse do telespectador. A criação de uma liga independente é fundamental para a sonhada revolução no futebol. Não adianta copiar o esquema tático da Alemanha.

O caminho é entender que o país só rompeu sua crise técnica no começo dos anos 2000 quando a Federação fortaleceu os clubes. Ajudou que cada clube tivesse seu centro de excelência para revelar jovens jogadores. E fortalecê-los em academias modernas.

Tudo está à mão. Ou a emissora carioca participa para valer do processo ou seus executivos vão se desesperar a cada rodada do Campeonato Brasileiro. Morrendo de medo que os patrocinadores abandonem o futebol. E com a direção da Globo com uma saudade imensa. Não da Copa do Mundo. Seria pedir demais. Mas do bom e velho Planeta dos Macacos...
2reproducao7 1024x714 O fracasso na audiência da volta do futebol brasileiro na Globo. O Planeta dos Macacos foi mais assistido os jogos do São Paulo e Fluminense. A ressaca depois do vexame na Copa do Mundo vai custar caro...

A escolha do empresário Gilmar Rinaldi é puro medo de Marin. Não quer um técnico estrangeiro, personalista, na Seleção. Deseja um imitador nacional, um funcionário. Tite e Muricy são os nomes de preferência…

1ae12 A escolha do empresário Gilmar Rinaldi é puro medo de Marin. Não quer um técnico estrangeiro, personalista, na Seleção. Deseja um imitador nacional, um funcionário. Tite e Muricy são os nomes de preferência...
O Brasil vai continuar imitando, copiando o que os melhores treinadores do mundo fazem. Faltou coragem a José Maria Marin. Nem a assumir que foi quem demitiu Felipão, apesar de haver jurado que o técnico continuaria, fosse qual fosse o resultado da Copa.

Marin não permitiu que a Seleção tivesse um técnico da qualidade de Guardiola, de Mourinho, Jürgen Klopp. Vai atrás de um que se sujeite a viajar até a Europa. Peça o favor do técnico imitado explique a eficiência do que está fazendo.

É exatamente o que Tite aprendeu a fazer. Se 'reciclar' na Europa. Ou seja, aprender. Ele passa a ser o grande favorito a ocupar o lugar de Felipão. Mas se Muricy aceitar ganhar milhas pode brigar pela preferência. A influência do São Paulo Futebol Clube na CBF aumenta a cada dia. O nome do novo técnico será anunciado provavelmente na próxima terça-feira.

O atraso, o nacionalismo tortuoso venceu. Vale prestar atenção nas três frases mais importantes de Marin na coletiva.

"Nós não queremos um técnico absoluto. Ele será apenas uma das peças importantes da Seleção, só isso."

Ou seja, Marin não abrirá mão de dar a última palavra. Inclusive nas convocações. Como exigiu de Mano e de Felipão os nomes antes da divulgação das listas dos convocados. Contra quem o Brasil jogará. Onde a Seleção atuará. E mais: a partir da agora até 2016, ou próxima 'revolução', entre 30% a 50% dos jogadores terão idade para disputar a Olimpíada do Rio. Pep Guardiola, José Mourinho ou Klopp não aceitariam se submeter a tanta interferência.

O revolução para não revolucionar nada já começou com a escolha do coordenador das Seleções. Marin optou por chamar Gilmar Rinaldi. Pessoa que vendia, comprava, emprestava jogadores até ontem, quando mandou mensagem se despedindo dos seus jogadores.

Ele não tem experiência para coordenar todas as seleções do Brasil. Nem vivência internacional, contatos como, por exemplo, Leonardo teria. Gilmar Rinaldi foi jogador de futebol. Passou dois anos na superintendência do Flamengo. E os últimos 14 anos negociando jogadores. Seu grande atleta que gerenciou, infelizmente para a própria Seleção, foi um fracasso: Adriano.

1 A escolha do empresário Gilmar Rinaldi é puro medo de Marin. Não quer um técnico estrangeiro, personalista, na Seleção. Deseja um imitador nacional, um funcionário. Tite e Muricy são os nomes de preferência...

"Me desliguei. Não sou mais empresário", garantiu hoje. Mas ontem era. E as ligações que manteve nos últimos 14 anos continuam fortes. Por mais idôneo que seja, e é, Gilmar ficar sempre sob suspeita. Qualquer transação envolvendo jogadores da base enquanto estiverem na Seleção pode ser questionada. Situação desnecessária a que Marin expõe a Seleção e o próprio Rinaldi.

Gilmar tem ótimo trânsito com Marco Polo del Nero e com Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo. Na coletiva deixou muito claro que será um funcionário de extrema confiança de Marin. Acatou logo de cara todos o projeto da base desenvolvido por Gallo. É dele esta ideia da obrigatoriedade dos jogadores olímpicos na Seleção principal. Ele tem um evidente interesse. Será Alexandre Gallo quem estará comandando o Brasil na Olimpíada do Rio. E ele quer seus atletas rodados, não dependentes dos três jogadores com mais de 23 anos, como virou costume no Brasil.

Mesmo como funcionário de Marin, Gilmar terá direito à dar seus pitacos. O maior é o fim do culto à vaidade na Seleção.

"O que mais me irritou na partida contra a Alemanha não foi a derrota por 7 a 1. Mas o boné com que os jogadores entraram. Nele deveria estar escrito "Força, Bernard. E não estava. Esse tipo de atitude não acontecerá mais daqui para a frente."

Tradução. Os atletas em plena semifinal da Copa, o time que iria enfrentar a Alemanha se preocupava com quem não estava no jogo. Na cabeça dos jogadores estavam os bonés com a inscrição "Força, Neymar". Gilmar queria que os atletas destacassem Bernard. Ele era o titular inesperado que Felipão colocava para enfrentar o excelente time alemão.

1cbf6 A escolha do empresário Gilmar Rinaldi é puro medo de Marin. Não quer um técnico estrangeiro, personalista, na Seleção. Deseja um imitador nacional, um funcionário. Tite e Muricy são os nomes de preferência...

Se tiver poder para isso, Gilmar vai acabar com tanta exposição de Neymar. E dos atletas da Seleção. O excesso de selfies, o culto à vaidade. Isso também é influência de Gallo. O treinador não permite brincos, longas madeixas, roupas extravagantes na seleção de base. Pelo contrário. Ele quer os jogadores de cabelos curtos e postura de total subserviência ao técnico.

"No Brasil daqui por diante vai prevalecer o coletivo sobre o individual." Decretou Gilmar.

Marin acredita que Felipão e Parreira não tiveram força para conter o ego dos jogadores durante a Copa do Mundo. Isso teria se manifestado não só nas roupas, nos selfies, nos brincos. Mas a atitude de David Luiz. O zagueiro contra a Alemanha e Holanda abandonou a zaga e foi jogar como meia. Encarnou que seria o herói do time. E acabou facilitando a tarefa dos atacantes adversários. Esse tipo de comportamento será vetado pelo novo treinador.

O presidente da CBF foi além de anunciar que copiará o que será feito na Europa. Ele não quis assumir que foi ele quem dispensou Felipão.
"A partir do momento que o Scolari apresentou (a vontade de sair), nem precisou apresentar seu pedido de demissão. Tínhamos combinado que, após a Copa, iríamos nos encontrar. Só tenho agradecimentos, não só ao Scolari, mas a toda a comissão técnica. O Felipe Scolari era meu conhecido. Hoje o considero um grande amigo. Espero que a reciprocidade seja verdadeira."

Não é. Felipão se sente traído por Marin. Acreditou na promessa que continuaria no cargo. Parreira também acreditou. A desilusão do ex-coordenador técnico foi tão grande que ele abandonou o futebol. Já Felipão busca uma nova seleção no Exterior para seguir trabalhando.

O período da família Scolari está enterrado na Seleção. Mais do que nunca, Marin e Marco Polo comandarão de verdade o futebol brasileiro. Gallo, Gilmar Rinaldi e o novo treinador serão funcionários subalternos. Que terão de se sujeitar à visão de futebol do dirigente de 82 anos e do seu sucessor, com 73 anos. A ordem é copiar a modernidade. E manter com mão de ferro os clubes.

Marin e Marco Polo querem imitar o método de trabalho das grandes seleções, como a Alemanha. Mas não a revolução que fortaleceu os clubes, a força que a Liga Alemã independente ganhou. Não, isso não. O futebol brasileiro continuará de joelhos à CBF. Ao atual presidente e ao futuro da entidade. Eles não quiseram revolucionar o futebol, coisa alguma.

Trataram apenas de ratificar a força para o time olímpico, virou obrigação agora a medalha de ouro em 2016. Improvisar um empresário de futebol como coordenador de todas as Seleções. Escolher até terça-feira o treinador que melhor saiba copiar os métodos europeus. Além de, lógico, se submeter à vontade de tudo o que pedirem Marin e Marco Polo. Tristes opções para quem sonhava com uma revolução de verdade...
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Flamengo lanterna do Brasileiro. Dois meses de salários atrasados, torcida implorando por saída de Felipe, Elano e André Santos. Ney Franco sem rumo. Bem-vindo ao país depois da Copa do Mundo…

1gazeta 1024x577 Flamengo lanterna do Brasileiro. Dois meses de salários atrasados, torcida implorando por saída de Felipe, Elano e André Santos. Ney Franco sem rumo. Bem vindo ao país depois da Copa do Mundo...
O Flamengo teve 40 dias para se reinventar. Ney Franco é um treinador experiente, vivido. Não fosse o envolvimento de Ricardo Teixeira com a ISL e a obrigação de se demitir da CBF, Ney seria hoje o treinador da Seleção Brasileira. Mano Menezes trabalharia até a Copa e depois deixaria o cargo para o homem que comandava a base.

Só que planejamento copiado, por coincidência, da Alemanha implodiu. Ney foi para o São Paulo, depois Vitória e finalmente Flamengo. Sua missão : resgatar o time que, para a diretoria, caminhava para o rebaixamento. O problema seria o técnico Jayme. Pouco rodado para suportar a pressão na Gávea. Pouco importavam os títulos da Copa do Brasil e o Carioca. "Dois abortos da Natureza", debochou um conselheiro importante.

Jayme viveu a 'síndrome Andrade'. A maioria dos conselheiros e dirigentes do clube não acreditavam no treinador humilde, ex-jogador. Preferiam um treinador de renome. Daí a traiçoeira troca. O time foi mal demais na Libertadores. Torneio que não estava no planejamento disputar. Foi um presente de Jayme com a Copa do Brasil. Mas sem reforços, vieram os vexames. O Carioca não compensou. Veio a troca, muito cruel.

A imprensa soube antes de Jayme que ele estava fora. E que Ney Franco estava contratado. Quem vazou a informação queria tranquilizar a torcida. A reação viria forte. O treinador badalado teria 45 dias para preparar o time durante a Copa do Mundo. As nove primeiras rodadas do Brasileiro deveriam ser desprezadas. Importaria o que viria pela frente. Havia até novo comandante do futebol, Felipe Ximenez.

A torcida só implorava por três situações. As saídas dos veteranos Felipe, Elano e André Santos. Mas o clube carioca não conseguiu se livrar de nenhum deles. Ney teve de continuar convivendo com atletas sem clima no clube. Dirigentes importantes também querem a saída do trio. Mas eles têm contratos muito bem amarrados. Não vão jogar dinheiro fora.

Ney passou a Copa do Mundo toda implorando a Ximenez reforços. Ele entendeu que seriam pouquíssimos. Tentasse se superar. O grande Flamengo passava a ter um objetivo menos nobre até o final de 2014. Nada de vencer o Brasileiro ou sequer sonhar com uma vaga para a Libertadores. O desejo é não ser rebaixado para a Segunda Divisão. Se não fosse a estranha confusão envolvendo a Portuguesa, ele já estaria na Série B este ano.

O treinador que deveria estar treinando a Seleção foi obrigado a pensar pequeno. Lembrar de 2005, ano glorioso na sua carreira. Quando foi campeão mineiro. Não montando um grande Cruzeiro ou um excepcional Atlético Mineiro. Ney ganhou Minas Gerais com o pequeno Ipatinga.

Rodrigo Posso, Luizinho, Willian, Irineu e Beto, Fahel, Paulinho, Leandro e Léo Medeiros; Walter e Kanu. Esse era o esquadrão. Mais ofensivo até do que o Flamengo que preparou na Copa do Mundo. Precisava mudar. Na derrota por 3 a 0 contra o Cruzeiro, em Belo Horizonte, ele já deixou escapar o que sentia.

"Não era para ter tomado de três ou quatro. Era para ter tomado de oito. De oito. Eu sei que tem jogador que não está nem ai para essa porra. E se não está nem ai para essa porra, eu não estou nem ai para esses caras aí, também." O educado dirigente perdia o controle.

Já Ney Franco, depois de uma passagem pela Disney, passou a trabalhar muito. Tratou de montar seu time com três zagueiros. Seria a solução para proteger a equipe. Sabe que seu elenco é fraquíssimo.

A arrancada seria ontem em Macaé, diante do Atlético Paranaense de Doriva. E os sonhos já ruíram. Assim como a convicção de Ney Franco. O Flamengo jogou outra vez mal e perdeu a partida por 2 a 1. A torcida perseguiu Felipe, Elano e André Santos desde que seus nomes foram anunciados pelos alto-falantes. Foram xingados de perto e com ódio no acanhado estádio. Foram péssimos na partida.

Bastou esse jogo e Ney Franco já anuncia que abandonou a ideia de três zagueiros. Samir se machucou. Não deveria importar. E a convicção na filosofia? Nenhuma. O vivido e caro treinador está se deixando engolir pelo tsunami que se forma na Gávea. O clube já é o lanterna, o último colocado no Brasileiro. Na décima da 38 rodadas. Há 28 para buscar a salvação.

1ae10 Flamengo lanterna do Brasileiro. Dois meses de salários atrasados, torcida implorando por saída de Felipe, Elano e André Santos. Ney Franco sem rumo. Bem vindo ao país depois da Copa do Mundo...

O clube tenta amenizar a situação. E apresentará Eduardo da Silva, atacante brasileiro naturalizado croata. Ele nunca jogou futebol profissional no Brasil. Saiu garoto para a Leste Europeu. Se destacou em um torneio no Rio para comunidades carentes: a Taça das Favelas. Foi muito bem no Dinamo Zagreb e acabou vendido ao Arsenal. Estava se firmando quando sofreu uma entrada criminosa de Martin Taylor do Birmingham City, em 2008. Teve fratura exposta da fíbula. Perdeu a chance de disputar a Eurocopa pela Croácia.

Se recuperou fisicamente. Mas não conseguiu voltar a jogar um grande futebol. O Arsenal o vendeu à Ucrânia, para o Shakhtar Donetsk. Aos 31 anos, depois de 15 anos fora do Brasil, recebeu a proposta de atuar pelo Flamengo durante a Copa do Mundo. E aceitou retornar ao país. Vem sem custo, dono dos seus direitos. Seu salário será por metas. Na Ucrânia, recebia R$ 900 mil. A tendência é que o Flamengo parta de R$ 400 mil.

Júlio César, goleiro mais vazado de todas as Copas, estava negociando seu retorno à Gávea. Mas foi aconselhado que a 'hora não era certa'. Ou seja, o elenco é fraco. E as chances de rebaixamento são reais, concretas.

O Flamengo diminuiu suas dívidas. Mas o balanço oficial de 2013 mostra que é o clube com maiores problemas financeiros do País. Eram R$ 757,4 milhões ao final do ano passado. A torneira foi fechada de vez em 2014. Se comenta que as contas negativas estariam em R$ 650 milhões. Mesmo assim, torna uma tortura tentar administrar o clube.

O presidente Bandeira de Mello sente a pressão vinda do futebol. Não tem paz para seguir tentando reestruturar financeiramente o clube. Na verdade, o rebaixamento para a Segunda Divisão não seria um desastre. Pelo menos na parte administrativa. Seria possível formar uma equipe mais barata e ter um ano de sossego aos cofres do clube. Algo que sempre acalmava a diretoria da Portuguesa na sua 'briga' para ficar na Série A.

Lógico que ninguém será louco na Gávea de falar em como seria bom o Flamengo na Série B em 2015. E Bandeira de Mello não deseja essa mancha na sua carreira como dirigente. Por isso o único pedido feito a Ney Franco nestes cinco meses que restam ao final do ano é um só: que salve o time da Segunda Divisão.

O que não está nada fácil. Não bastasse a pressão da torcida, da imprensa e da própria situação, os jogadores entraram em campo ontem com dois meses de salários atrasados. Tudo se complica ainda mais. Melhor para os adversários. Bem-vindo à realidade do futebol brasileiro após a Copa do Mundo...
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Leonardo, Gallo… Marco Polo del Nero e José Maria Marin reestruturam a Seleção Brasileira. Enquanto isso, abandonado, Felipão vê as mesmas pessoas que o apoiavam lhe virar as costas. O fracasso é órfão…

1mowa6 Leonardo, Gallo... Marco Polo del Nero e José Maria Marin reestruturam a Seleção Brasileira. Enquanto isso, abandonado, Felipão vê as mesmas pessoas que o apoiavam lhe virar as costas. O fracasso é órfão...
Chegou a hora da reestruturação na Seleção Brasileira. Sem antes, como é de praxe, a lavagem de roupa suja. As famosas traições. Com cada um tentando se salvar do massacre. Até para seguir trabalhando.
O primeiro e mais gritante caso é o de Alexandre Gallo. Vazou nos corredores da CBF que o observador recomendou a Felipão que teria uma maneira de enfrentar a Alemanha. Ele deveria tirar do time Fred e entrar com três volantes: Luiz Gustavo, Paulinho e Fernandinho. Alertou que o meio de campo era o ponto forte do adversário.
Parreira teria até concordado com a avaliação. Mas Felipão preferiu ser fiel ao esquema que conquistou a Copa das Confederações. Deixou o time 'aberto'. A observação chegou nos ouvidos de José Maria Marin e de Marco Polo del Nero. E revoltou a dupla. Toda a conta da goleada vexatória por 7 a 1 ficou nas costas do ex-treinador da Seleção.
"Vocês (jornalistas) querem me jogar contra o Gallo", disse Felipão, assustado, com a revelação. Mas depois da sua demissão, as observações do seu 'espião' sobre a Alemanha foi parar na imprensa. Algo que expõe a escolha errada do técnico e preserva aquele que deveria ser seu auxiliar de confiança.
Gallo conseguiu sobreviver. Ele não está no enorme grupo de demitidos pela CBF. E mais. O treinador comandava a base da Seleção. Venceu no mês passado o importante torneio de Toulon, com garotos sub-21. Foram cinco vitórias em cinco partidas. Com direito à goleada por 5 a 2 contra a França, dona da casa. Ele era protegido por Felipão, que o defendia como técnico da Seleção Olímpica.
Marin é apaixonado por Gallo desde que ele revelou como os garotos iriam se comportar com ele. Estavam proibidos brincos, andar com fones de ouvidos na concentração, a partir de quando os jogadores fossem convocados, nada de tatuagens.
"Não aceito jogador com marra. Não quero estrelismo. Preciso de personalidade, comprometimento. Aliás, isso importa mais para mim do que a capacidade. Não adianta nada para o grupo alguém talentoso mas individualistas. Comigo vai predominar o grupo."
Gallo propôs a Marin a unificação do trabalho nas categorias de base, como as grandes seleções fazem há muito tempo. Espanha e Alemanha são bons exemplos. O que é esta 'unificação'? Na verdade uma padronização tática. Os times atuarão com esquemas idênticos, com poucas variações. Seguindo como referência, a Seleção adulta. Para que, desde menino, o jogador se encaixe.
O plano foi desenvolvido por Felipão, Parreira e Gallo. Mas todos os méritos acabaram com o treinador da base. E agora a revelação que aconselhou Felipão a fechar o time contra os alemães veio a calhar. Tanto que ele ganhou uma moral incrível com Marin.
Há a possibilidade real de que amanhã ele seja anunciado como treinador interino do Brasil até o final do ano. Comande a Seleção principal para amistosos já marcados. Isso daria um fôlego para a CBF buscar um técnico para preparar a Seleção para a Copa de 2018.
O calendário até lá é pesadíssimo. Tem Eliminatórias, Copa América do Chile em 2015;outra Copa América comemorativa de 100 anos, nos Estados Unidos, em 2016; além da Olimpíada no Rio. De novo com a obrigação de o time conseguir a medalha de ouro pela primeira vez.
Será nomeado um novo coordenador técnico. Com o perfil bem diferente de Parreira, principalmente na idade. O que acaba de ser dispensado tem 71 anos. O ex-jogador da Seleção e dirigente do Paris Saint Germain e que tem passagens rápidas como técnico do Milan e da Inter recebeu o convite. Ele está propenso a aceitar.
1efe3 Leonardo, Gallo... Marco Polo del Nero e José Maria Marin reestruturam a Seleção Brasileira. Enquanto isso, abandonado, Felipão vê as mesmas pessoas que o apoiavam lhe virar as costas. O fracasso é órfão...
Seus contatos importantes seriam fundamentais na escolha do novo técnico para o Brasil. E também a vivência. Leonardo teria a capacidade de organizar o futebol da Seleção nos moldes seguidos pelos grandes clubes do Exterior. Criar condições até para um técnico de fora e de grande vivência, assuma o Brasil a partir de 2015.
Essa questão ainda não está fechada. Tite e Muricy seguem comentados se a opção for pela reserva de mercado. "O Brasil para os brasileiros", já disse um dirigente de federação, mais radical.
As reuniões na CBF se sucedem, buscando o novo. Mas a mágoa dos que foram dispensados é imensa. Carlos Alberto Parreira garante que não quer mais saber de futebol. Só cuidará de seus negócios particulares. O ex-diretor de Comunicação, Rodrigo Paiva, foi dispensado por telefone depois de 12 anos no cargo. Não quer mais tocar no assunto de sua demissão.
Triste mesmo está Felipão. Ele não chegou nem a fazer o relatório da caminhada do Brasil na Copa do Mundo. Soube que Marin não tinha o menor interesse em recebê-lo. Percebeu isso ao ir para a casa do ex-presidente da CBF na segunda-feira. Tinha esperanças de continuar na Seleção. Acreditava no que havia ouvido de Marin, após o desastre contra a Alemanha.
1vipcomm12 Leonardo, Gallo... Marco Polo del Nero e José Maria Marin reestruturam a Seleção Brasileira. Enquanto isso, abandonado, Felipão vê as mesmas pessoas que o apoiavam lhe virar as costas. O fracasso é órfão...
Mas ao chegar no local já viu um carro de reportagem da TV Globo. Percebeu que a emissora não estava lá só para registrar uma simples reunião. Mas o último ato, a sua demissão. Felipão entendeu que o apoio que recebeu na derrota diante dos germânicos foi irreal. Marin ganhava tempo, esperava apenas a derradeira partida na Copa. E aí tirar o seu cargo.
Felipão está recluso e magoado. Com Marin, com Gallo, com Galvão Bueno. O discurso do narrador no sábado depois da derrota contra a Holanda foi considerado uma punhalada pelo ex-técnico.
De uma hora para outra, Galvão se virou contra o método de trabalho que tanto havia elogiado. Descobriu que o time não treinava, a granja Comary era aberta demais e questionou a repetição da estratégia usada na Copa das Confederações na Copa do Mundo. Tudo o que os principais veículos de comunicação apontavam desde o início do Mundial. Galvão esperou o fracasso para se queixar dos métodos da Comissão Técnica.
Felipão percebeu que de nada adiantou abrir a concentração para Luciano Huck, Mumuzinho. Nem trocar confidências sobre o time com Patricia Poeta. Fazer o Jornal Nacional o veículo oficial da Seleção. Obedecia a Marin. Com o fracasso, a Globo, representada por Galvão, se voltou contra ele.
Se o sucesso tem vários pais, o fracasso é órfão de pai e mãe. É assim que Felipão se sente hoje, abandonado. Por pessoas que há dez dias lhe abraçavam e o enchiam de elogios. E até se sentaram no seu colo...

(O golpe para finalizar Felipão. Informantes da CBF vazaram o salário que recebia o treinador. R$ 900 mil na carteira de trabalho. Com os encargos trabalhistas, o custo bateria nos R$ 1,5 milhão. Mostrando o quanto ele era caro, a cúpula da entidade espera arrebanhar a opinião pública. A informação vazou, por coincidência, em São Paulo e no Rio. Bastidores do futebol brasileiro...)

(O repórter da TV Globo, Marco Aurélio Souza, avisa que Felipão não poderia ter visto o carro da Globo em frente à casa de Marin. Ele realmente estava lá, mas não tinha logotipo, sendo impossível a identificação. O jornalista garante que foi pura coincidência, já que sua pauta com Marin era outra. E que seria 'mentira' do treinador ter recuado ao ver o carro da Globo em frente à casa do presidente da CBF...)
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Marin decide: sobrou também para a psicóloga de Felipão. Regina Brandão não conseguiu controlar o rio de lágrimas, o desequilíbrio do time que garantia que seria campeão do Mundo. Ela não será chamada de volta para trabalhar na Seleção…

1ae9 Marin decide: sobrou também para a psicóloga de Felipão. Regina Brandão não conseguiu controlar o rio de lágrimas, o desequilíbrio do time que garantia que seria campeão do Mundo.  Ela não será chamada de volta para trabalhar na Seleção...
São Paulo...

O massacre de informações sobre a Copa do Mundo foi imenso. Todos os jogos transmitidos ao vivo. E a Seleção mostrando suas entranhas na tosca Granja Comary.

O clima de fracasso impera. Foi vexatório demais a promessa do título e ter de suportar a pior derrota da história. 7 a 1 para a Alemanha, com os jogadores diminuindo o ritmo. Evitando vencer por placar ainda maior. Depois a Holanda, passeando em campo e, desinteressada, vencer por 3 a 0.

Chilenos e mexicanos também foram melhores do que o time de Felipão. Na hora do balanço, veio a demissão do treinador e sua Comissão Técnica. Só agora é assumido outro detalhe que todos que acompanharam os jogadores sabiam: o quanto desequilibrado psicologicamente era o grupo.

Regina Brandão veio à tona agora para revelar o quanto o futebol brasileiro esteve mal representado.

"Os jogadores tinham qualidades muito importantes, mas tinham pouca experiência de enfrentar essas situações de muita cobrança.

A equipe não conseguiu acertar o jogo em si e isso foi gerando uma redução na autoconfiança apesar de ter toda experiência"

A psicóloga Regina Brandão foi à TV Cultura e expôs os graves problemas de uma equipe pressionada. Formada por 17 atleta que nunca havia disputado uma Copa. Mas seu treinador havia jurado por eles: venceriam o Mundial no Brasil, vingariam 1950. A confiança era absurda.

1reproducao10 Marin decide: sobrou também para a psicóloga de Felipão. Regina Brandão não conseguiu controlar o rio de lágrimas, o desequilíbrio do time que garantia que seria campeão do Mundo.  Ela não será chamada de volta para trabalhar na Seleção...

"Foi acontecendo alguma coisa que foi minando a confiança que os jogadores tinham na capacidade de ir lá e atingir o objetivo." Ou seja, o grupo percebeu que os rivais eram muito mais fortes e preparados que os adversários na Copa das Confederações.

Felipão e Parreira tomaram a atitude que a psicologia do esporte mais condena. Não se promete conquistar um título. E sim dar a vida, a alma pela vitória. Não garanti-la. Jogaram algo pesado demais ao grupo. Faltou habilidade. Por isso Regina Brandão foi chamada às pressas. Ela deveria traçar o perfil dos jogadores antes da Copa começar. E mais nada. Só que Scolari percebeu que o grupo estava implodindo.

As lágrimas dos atletas eram exageradas. Na hora do hino, na alegria, nas tristeza, na tensão, na hora de ir ao banheiro... Jamais se viu uma Seleção tão chorona. Com os nervos à flor da pele.

Os atletas se iludiram. Acreditaram que ganhariam a Copa com tranquilidade. Bastaria o apoio da torcida. Sem visão das realidade ou da verdadeira força dos adversários. Era nítido que não sabiam o que fazer diante das dificuldade nos jogos. Entravam em campo acreditando seguir o roteiro de um filme da Sessão da Tarde. Mas com ninguém avisando seus adversários.

Como contra o Chile, com a bola na travessão no último minuto do jogo. Até a decisão por pênaltis. "Felipão tinha preocupação há mais de um ano com o Chile, talvez isso tenha sido um pouco demais, no sentido que ele colocou muita pressão nos jogadores. E ele reconhece isso, reconheceu para mim."

3reproducao1 Marin decide: sobrou também para a psicóloga de Felipão. Regina Brandão não conseguiu controlar o rio de lágrimas, o desequilíbrio do time que garantia que seria campeão do Mundo.  Ela não será chamada de volta para trabalhar na Seleção...

Ou seja, o ex-treinador do Brasil foi o grande responsável pela instabilidade emocional do time que montou. Sua intenção era exatamente contr. Passar confiança ao time. Mas conseguiu abalar a todos. Principalmente David Luiz.

Ao ver o Brasil perdendo os jogos para a Alemanha e Holanda, ele abandonou sua posição. Foi atuar como meia, como atacante. Algo nunca treinado e que só escancarou a Seleção. E a expôs. Os dez gols que sofreu em duas partidas não foram por acaso.

"Foi coisa do momento e vou ter que falar todo mundo entrou em pânico, e quando entra em pânico, você não pensa. A sensação do David nesse jogo, como no próximo, foi tentar resolver por conta própria, e perdeu o coletivo. Cada um tenta resolver por conta própria."

Regina explicou que teve pouquíssimo para trabalhar. O ideal seria ter passado muito mais tempo com os atletas. Desde que saiu a convocação definitiva, por exemplo. Mas isso nunca foi cogitado. Felipão queria repetir o mesmo trabalho de 2002. O perfil de cada um. E depois usar essas informações durante o Mundial.

Mas não estava programada essa relação tão intensa. O resultado foi o grupo mais imaturo e desequilibrado que já disputou uma Copa pelo Brasil.

Só que: justo, ou não, José Maria Marin já decidiu.

Regina Brandão caiu de vez com Felipão. Não trabalhará mais na Seleção Brasileira. Neste rio de lágrimas que foi a perda da Copa, sobrou para a psicóloga também...

(Foram anunciadas oficialmente as saídas de dois personagens importantes. O primeiro é Rodrigo Paiva. Chefe de Comunicação da CBF desde Ricardo Teixeira. Ele é um arquivo vivo de tudo que aconteceu no futebol brasileiro nas últimas três Copas. Sua saída mostra que Marco Polo já está assumindo aos poucos o cargo que será seu em 2015. Quem ganha força para entrar no lugar de Rodrigo é Isabel Tanese, assessoria de imprensa do novo presidente da CBF.

O médico José Luiz Runco também foi dispensado. O médico sempre foi um prestador de serviços. Não tinha vínculos com a entidade. Rodrigo e Runco são cariocas. A influência paulista irá aumentar na Comissão Técnica da Seleção...)
1afp18 Marin decide: sobrou também para a psicóloga de Felipão. Regina Brandão não conseguiu controlar o rio de lágrimas, o desequilíbrio do time que garantia que seria campeão do Mundo.  Ela não será chamada de volta para trabalhar na Seleção...

Uma conversa fictícia entre Marin e Pep Guardiola. O presidente da CBF explica tudo o que um treinador precisa fazer para assumir a Seleção Brasileira. Ele vai enriquecer. Mas em compensação…

1af Uma conversa fictícia entre Marin e Pep Guardiola. O presidente da CBF explica tudo o que um treinador precisa fazer para assumir a Seleção Brasileira.  Ele vai enriquecer. Mas em compensação...
Rio de Janeiro...

Primeira conversa fictícia de José Maria Marin e Marco Polo del Nero com Pep Guardiola, o treinador dos sonhos de 11 entre dez torcedores brasileiros. Os dois dirigentes o levam para uma suíte exclusiva do Copacabana Palace, de frente para o mar. Paulista é como mineiro, adora o mar do Rio de Janeiro.

Com a palavra, Marin.

"Pep, me permita tratá-lo assim. Seremos íntimos como um dia eu fui do Mano Menezes e do Luiz Felipe Scolari. Mas eu tive de virar as costas para eles para sobreviver no meu cargo. Não iria permitir que governo algum estatizasse a CBF. Já chega o que aconteceu com a pobre Petrobrás. Melhor mudar de assunto.

"Mas caro amigo basco, ou melhor, catalão. Vamos ao que interessa. Quero mostrar que aos 82 anos sou mais moderno do que pensam. Ouço MC Guime. Adoro as correntes e medalhas de ouro que ele carrega no peito. Isso é moda de verdade para mim. Se eu pudesse, só usava medalhas. Mas não ficaria bem.

"Caro amigo. Vou revelar o meu sonho. Quero fazer história. Colocar o maior patrimônio nacional nas mãos de um estrangeiro. O escolhido é você.

"Mas você tem de se adaptar à maneira brasileira de trabalhar. Esqueça tudo que você viveu na vida fora de campo. Espanha e Alemanha não são exemplo para ninguem. Ganhar as duas últimas Copas não é nada. Diz para ele, Maro Polo, somos penta.

"Só não vá deixar de se lembrar dos seus sistemas táticos. Parece que você é meio louco e gosta que o time atue de duas ou três maneiras diferentes durante o mesmo jogo. Dói até a cabeça em pensar algo assim. Com o Felipão e o Parreira era mais fácil. Só tinha um, até eu e o Marco Polo decoramos.

"Vou explicar como é delicioso treinar a Seleção Brasileira. Primeiro, você terá um salário milionário. Pode pegar os R$ 46 milhões por ano e dobre. Podemos pagar tranquilamente R$ 92 milhões a cada doze meses até a Copa de 2018. Bom, né? Dá para você comprar vários ternos Armani que ficam tão bem no seu corpo de toureiro.

"E estão liberadas as propagandas. Tudo entrará no seu bolso. Bonitão como é vai chover na sua horta. É assim que se diz, não é Marco Polo? Até o Murtosa com aquele bigode escovão fez publicidade. Tu vai se dar bem, meu irmão, como dizem os cariocas. Técnico da Seleção aparece mais nos reclames do que a moça do tempo do Mappin, né Marco Polo? Ah, é mesmo, o Mappin fechou. Mas vai ganhar dinheiro assim mesmo, Pepito...

1divulgacao2 Uma conversa fictícia entre Marin e Pep Guardiola. O presidente da CBF explica tudo o que um treinador precisa fazer para assumir a Seleção Brasileira.  Ele vai enriquecer. Mas em compensação...

"Para enriquecer tanto, você precisa entender que o Brasil tem de fazer mais amistosos do que todos os países. Não para entrosar o time. Mas é que vendemos a uma empresa árabe chamada Pitch até 2022. São eles que arrumam os jogos. Não temos o menor controle sobre eles. Você conhece aquele chocolate de caixinha que tem uma surpresa dentro? Então, não acelera o coração você vê o que é? É a mesma coisa quando chega o fax. Sim, eu gosto de fax, não e-mail.

Quando a secretária me diz que chegou fax, fico ansioso É aquele suspense tentando adivinhar o país com quem vamos jogar.. Mas o que interessa é que cada uma dessas partidas fazem a CBF lucrar R$ 2 milhões livres, sem impostos. Bom, né?

"Os adversários são sempre diferentes. E sempre tem jogo bom para te dar moral. Fizemos o Mano e o Felipão parecerem modernos, poderosos. Aí usamos a nossa autonomia. E pedidos mesmo, porque ninguém brinca com a gente. Austrália, Zâmbia, Honduras, Coréia do Sul. Podemos repetir a dose para você. Já pensou: Japão, China, Sudão? Hein, hein?

Só te peço parar não reclamar do campo. Se pintar uma lamazinha, tudo bem. Deixa as pernas dos jogadores mais fortes. Aqui é Brasil, meu caro. América do Sul, Amazônia, pulmão do mundo. Lá é úmido, sabia?

1reproducao9 Uma conversa fictícia entre Marin e Pep Guardiola. O presidente da CBF explica tudo o que um treinador precisa fazer para assumir a Seleção Brasileira.  Ele vai enriquecer. Mas em compensação...

"Penso em você impondo o taca taca. Como é, Marco Polo? Tiki-taka? É isso. Nossos jogadores tocando a bola e enchendo os adversários de gols. Mostrando o encanto do país que nasceu para jogar futebol.

"Duas linhas de que? Marco. De quatro? Isso não é tricô, ponto cruz, essas coisas? Ah, oito jogadores marcando? Será bom. Passei muita vergonha com os sete gols no Mineirão. Ainda bem que os holandeses são boa praça. Fizeram três e descansaram..."

"De vez em quando, esses pentelhos da imprensa vão encher os patuás. E aí a gente arruma uns jogos mais difíceis. Traz a Inglaterra, a Itália, a Islândia para jogarem em Manaus. Aliás é outra coisa que vou te pedir. Vamos usar as arenas que construímos nos dois primeiros anos do seu contrato. Muito jogo por lá. A gente fala que é para aproximar de novo a Seleção do povo. Essa coisa do verde e amarelo do Zagallo. E ele, Marco Polo? Está bem? Ótimo...

"Os governadores e prefeitos já encheram os meus celulares de mensagens. E querem que a Seleção joguem nas novas arenas uma vez por mês. Vamos fazer um belo de um rodízio. Por falar nisso, depois te levo no Porcão...

"Imagine, Pepito, estão preocupados com os R$ 7 milhões que vão gastar por ano para manter essas 12 obras primas que custaram uma bobagem de R$ 9 bilhões. Não sei porque tanto escândalo dessa imprensa arrivista.

"Então estamos combinados...Esqueça essa tal de data-Fifa. Quando os chatos dos dirigentes europeus quiserem respeitar a legislação, não ligue não. Chame os jogadores que atuam aqui. Adversário não vai falar.

"A gente inventa um novo "Superclássico. Não com os argentinos que eles estão bem. Que tal os venezuelanos? Eles melhoraram muito na última década? Jogão...

1ae8 Uma conversa fictícia entre Marin e Pep Guardiola. O presidente da CBF explica tudo o que um treinador precisa fazer para assumir a Seleção Brasileira.  Ele vai enriquecer. Mas em compensação...

"Não importa se nós temos atletas que já não servem para a Europa com outros que nunca servirão. Vamos prestigiar o produto nacional. Os presidentes dos clubes e das federações que me sustentam no poder vão adorar. Aproveita e da uma mordida na cocada. Você vai adorar.

"Agora vamos fala de concentração. Nós temos a mais moderna do mundo, Pepito. Granja Comary, até o nome impressiona. Não, tem nada a ver com galinhas. Pensa só no Comary, com y e tudo.

"Lá temos os melhores lugares para colocar os painéis dos nossos patrocinadores. Eles bancam mais R$ 420 milhões por ano para colocar suas marcas com a Seleção. Não vamos esquecê-los de jeito algum.

"Olha que delícia. Fica em Teresópolis. 871 metros de altitude. Temperaturazinha gostosa no inverno entre sete e doze graus. O Felipão nem ligou de treinar lá e jogar em Fortaleza, com 29, em Brasilia, com 26... É como na sauna, sabe? Você sai da piscina fria e entre no calor a sauna seca. Faz bem para a pele, te deixa guapo...

"Então, estava falando sobre os patrocinadores. Lá na granjita tem uma arquibancada só para que eles possam ver os treinos. Eles, suas famílias, amantes, filhos, empregadas. Quem quiser. É só não se preocupar. Quando o treino acabar, se os jogadores quiserem, podem dar autógrafos e posar para fotos. E sinto no ar que eles vão querer. Sou meio vidente, sabia?

"Tem mais. Do outro lado dos campos há condomínios. Onde fica a torcida. Histérica gritando pelos jogadores. É bom. Eles já são mesmo celebridades, se sentem em casa. Você só terá de falar um pouco mais alto. Com essa voz grossa de basco que tem, será ótimo. Basco, não, já sei: catalão. Eu tenho um CD do Julio Iglesias que acho o máximo...

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"Lá é impossível fazer treinamentos secretos. A área é descampada, cercada de montanhas. Não vamos querer a imprensa se sujando de barro. Vamos dar o que eles tanto gostam: café, wi fi, chá e eu quero incrementar, umas bolachas. Com o bucho cheio, as críticas são menos pesadas.

"Hermano, gastamos R$ 15 milhões com uma reforma que muitos chamam de inútil. Colocamos fizemos quartos confortáveis, televisões modernas para os jogadores brincarem de videogame, coisa mais barulhenta, né? Não podemos fazer nada com os campos, infelizmente. Mas você é batuta, vai dar um jeito.

"Faça como o Felipão. Treine quatro times diferentes em um coletivo só. E coloque para jogar contra a Alemanha uma equipe que jogou junta por dez minutos. Pode não ter essa besteira de entrosamento, mas é uma delícia enganar a imprensa.

1ap18 1024x576 Uma conversa fictícia entre Marin e Pep Guardiola. O presidente da CBF explica tudo o que um treinador precisa fazer para assumir a Seleção Brasileira.  Ele vai enriquecer. Mas em compensação...

"Outra coisa, Papito, desculpe Papito é o filho do senador Suplicy... Pepito, tem a emissora que banca o futebol no país. Ela paga tudo. Campeonatos nacionais, jogos do Brasil. A relação íntima há mais de 40 anos.

Não podemos contrariá-la. Ela tem uma grade de programação imensa. E apresentadores e humoristas que são chapas dos jogadores. E querem mostrar essa intimidade ao vivo.

"Tem um menino, o Luciano. Gente boa, ajuda muita gente. Lógico que essa ajuda vira Ibope, mas ajuda. Quando ele quiser levar alguma pessoa com problemas físicos e interromper um treino, faça como Felipão. Colabore. Se um humorista decidir ficar ao lado do campo gritando o nome dos jogadores, tirando toda a concentração do time em um coletivo de Copa do Mundo, não se importe. Se faça de surdo. Sou muito grato ao Scolari.

"Sabe aquele lema 'tu casa, mi casa'? Vale para a concentração e o elenco de 450 atores, humoristas, apresentadores e até papagaio de plástico da emissora. Todos têm livre acesso. Inclusive para fazer um pagode. Falar nisso, Marco Polo, precisamos descobriu uma música para a nossa nova fase. O Zeca e a Ivete deram certo. O grupo Infiltração, quero dizer, Revelação, não deu certo. Onde anda a Mara Maravilha?

"Sei que não gosta dessa coisa de exclusiva. Mas é preciso abrasileirar. Ou melhor. Basta atender o telefone. Tem uma jornalista do jornal das nove horas que gosta de dar notícias exclusivas. Faz a alegria da moça. Não custa nada. Mostre de preferência como você vai montar o time em uma Copa do Mundo. Segredo para quê? E é bom para nós da CBF. Os adversários não assistem os telejornais brasileiros. Fique tranquilo.

"Eu não sou trouxa, Pepinho. Não sou como o Ricardo Teixeira que passou vergonha quando o Felipão não levou o Romário e ganhou a Copa de 2002. Sabe, eu gosto de ver a lista de convocados antes. Para ver se eu concordo com a sua linha de pensamento. Sabe, entendo de futebol. Joguei na ponta direita do São Paulo, meu time de coração. Caso eu não goste de alguém, a gente conversa. Se eu vou interferir? Imagine...

"Você vai repetir o Felipão e o Parreira. Vai bater no peito catalão e dizer em bom português, vai treinando aí e não reclama. O Aldo Rebelo queria em tupi guarani. Mas para nós serve português mesmo. 'Vou ganhar a Copa de 2018. Eu prometo." Se você puder também cantar: "Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor", seria ótimo.

"Pepito? Onde você vai? Volte aqui, sente. Marco Polo, vá atrás dele. Precisamos acertar ainda os bonés e os agasalhos com patrocínios que ele vai ter de usar. Tenho de avisar que o Ronaldo será o seu auxiliar técnico. Foi indicado pelas empresas que bancam a CBF.

"Ele já foi embora, Marco Polo? Esses bascos são mesmo estourados. Ligue para o Mourinho. Compre um vinho do Porto, do bom. Bacalhau a Gomes de Sá é demais. Melhor que presunto Pata Negra. Como é que chama mesmo aquela cantora de fado? Amália o quê? Marco Polo? Marco Polo, volte aqui, você também...

"Onde é que está o telefone do Tite? Se eu não achar, serve o do Muricy mesmo. O número do Juvenal Juvêncio, eu sei de cor. Aliás, preciso ligar para ele. Também quero um diretor de Seleção moderno. Esse mar de Copacabana é lindo. O Papito não sabe o que perdeu. Marco Poooooooooooolo????"
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