A vitória mais difícil de Diego Tardelli. Contra a rebeldia genética. Virou referência no Atlético, na Seleção. E orgulha seu pai, que ficou pelo caminho no futebol e desperdiçou seu talento…

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Há dez anos, sugeri uma pauta no Jornal da Tarde. Levar para onde nasceu, o jovem e rebelde atacante do São Paulo. Matéria aceita. Fomos eu e Diego Tardelli a Santa Bárbara do Oeste, pequena cidade no interior paulista. Ele era ainda desconhecido para o grosso da população. Do prefeito, dos políticos locais. Mas lembro bem do orgulho que tinha ao posar para as fotos com os amigos de infância. E principalmente dos conhecidos de seu pai. Zé Tadeu.

Ele cresceu afastado do pai, jogador de futebol. Zé Tadeu era um meia promissor, talentoso, mas que a indisciplina sabotou a carreira. Passou por Atlético Paranaense, Portuguesa de Desportos, Paraná Clube, Londrina, Portuguesa Santista, América de São José do Rio Preto e Votuporanguense. Mesmo separado da mãe de Diego, sempre foi o ídolo do jogador. Ficou nítido para mim a sua fixação, vontade de mostrar ao pai que seria um jogador de sucesso. Muito maior do que ele havia sido.

O Tardelli que carrega como sobrenome na verdade nunca pertenceu à sua família. Zé Tadeu ficou impressionado com a alegria, a emoção do italiano Marco Tardelli ao marcar o segundo gol de sua seleção na final da Copa de 1982, contra a Itália. Quis que o filho tivesse o mesmo sucesso, o mesmo prazer com o futebol. A separação da esposa afastou os dois.

Por ironia, Diego nasceu com o dom do pai. Mostrava talento desde a infância com a bola nos pés. Mas também com o gênio difícil. Rebelde, que não obedecia ordens de ninguém. Foi por causa de sua personalidade que foi dispensado das categorias de base do Santos, do time que tinha Robinho e Diego. Ele sabia que a sua família dependia do seu sucesso no futebol.

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Teve de tentar a sorte no União Barbarense, time de sua provinciana cidade. Seu potencial logo o levou para o São Paulo, com 17 anos. Foi muito bem na Copa São Paulo de 2004. Logo estava no time principal com 19 anos. Leão nunca foi um treinador com grande visão tática, estratégica. Mas teve grandes relações paternalistas na sua carreira. Foi assim com Diego Tardelli. O problemático atacante conseguiu do técnico a atenção que tanto necessitava. E foi onde teve o seu melhor momento no São Paulo. Foi artilheiro do Campeonato Paulista de 2005 e grande revelação.

Mas tudo acabou quando Leão se indispôs com os demais jogadores, principalmente Rogério Ceni. E com parte da diretoria. Ele aproveitou um convite e foi para o Japão. Paulo Autuori não teve o mesmo cuidado com Tardelli. O treinador o fez mero reserva. Se aproveitou do time montado por Leão. Ganhou a Libertadores e o Mundial. A esta altura, Diego já havia caído na tentação. Baladas e indisciplinas o fizeram ser emprestado a três clubes. Betis, São Caetano e PSV Eindoven. Muitos problemas, pouco futebol.

Foi para o Flamengo. Teve um bom início. Mas faltou sorte. Fraturou o braço e logo foi vendido para o Atlético Mineiro. A desconfiança fez a diretoria adquirir apenas 50% dos seus direitos. Em Belo Horizonte percebeu que estava imitando a carreira do pai. Desperdiçando seu talento por indisciplina e noitadas. A postura foi importantíssima para mostrar a si mesmo o jogador que sempre foi. O sucesso o levou ao russo Anzi, vendido por R$ 11,5 milhões. Apesar da companhia de Roberto Carlos e Jucilei, não se adaptou.

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E apenas nove meses depois, estava no Al-Gharafa do Catar. Mesma coisa. Não gostou do país, queria voltar para o Brasil. Ao Atlético Mineiro, onde tinha sido tão feliz. Não imaginaria que seria muito mais. Teve uma identificação incrível com Ronaldinho Gaúcho e Jô. Atletas que haviam sido desprezados pelo mundo do futebol por seus exageros nas baladas e indisciplina. Formaram um ataque arrasador que levou o clube à inédita conquista da Libertadores.

A fama de indisciplinado e boêmio o atrapalhou na Seleção Brasileira. Felipão não confiou no seu futebol e o deixou de fora da Copa do Mundo. O que foi um baque para o jogador. Assim como o fracasso do Atlético Mineiro no Mundial. A volta de cabeça à farra de Ronaldinho Gaúcho acabou com o bom ambiente no clube. Seu futebol estava decaindo. Quando chegou Levir Culpi. O técnico foi contratado por Alexandre Kalil com carta branca para travar a decadência do campeão da Libertadores de 2013.

Bastaram poucos dias e Levir percebeu que o problema era Ronaldinho Gaúcho. Sua falta de comprometimento estava afetando o restante do time. Diego Tardelli e Jô tentaram proteger o amigo. Mas o técnico foi bem claro. O camisa 10 não atuaria mais com o nome. Ou seria participativo, vibrante ou iria para a reserva. O empresário e irmão do jogador, Assis, percebeu o que ocorria. E decidiu pela rescisão de contrato, enquanto poderia ser pacífica.

"Você quer saber por que o Ronaldinho saiu do Galo? Pergunte ao Levir. Quando o jogador percebeu que não poderia fazer o que o nosso técnico queria que ele fizesse, foi embora.", diz abertamente Kalil.

Quando Ronaldinho foi embora, Levir chamou Tardelli para uma conversa. Disse que a referência do time passaria a ser ele. Ele teria toda a liberdade para atuar como mais gostasse. Se movimentando como um meia, sem ter a obrigação de marcar. Ficaria inteiro fisicamente para colocar em prática todo o seu talento ofensivo.

Porém havia mais. Levir lembrou que foi treinador do pai de Diego no Paraná Clube. Coincidência irônica. E sabia muito bem. Zé Tadeu poderia ter ido muito mais longe na carreira. Mas a desperdiçou.

A conversa foi fundamental. Desde então, Tardelli tem se dedicado como nunca. Sua forma física é invejável. Assim como o aprimoramento nas finalizações, na visão de jogo. Se tornou fundamental no Atlético Mineiro. O resultado pode ser contabilizado.

Desde que Ronaldinho saiu, o time de Levir disputou 14 partidas no Brasileiro. Venceu oito, empatou três e perdeu apenas duas. Tardelli virou o símbolo e já se transformou no quarto artilheiro da competição, com nove gols. Dunga acredita que pode confiar nele. O convocou para as partidas diante da Colômbia e Equador. E também está na lista contra a Argentina e Japão.

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Aos 29 anos, a vida está dando mais uma oportunidade a Tardelli. É um dos melhores jogadores deste Brasileiro. A maior esperança e referência de Levir Culpi na disputa com o Corinthians por vaga na semifinal da Copa do Brasil. Ídolo maior da apaixonada torcida atleticana. Diego já mostrou ao pai Zé Tadeu. Foi muito além do pai distante. Não se deixou vencer pelo gênio forte, pela rejeição às ordens.

Com alguém que lhe dê atenção, mas o cobre como fez Leão e agora Levir Culpi, seu talento aflora. Melhor para o Atlético Mineiro, para a Seleção Brasileira. E para o menino que está no coração do homem de 29 anos.

Pode encarar agora encarar as fotografias do talentoso Zé Tadeu. Vestido com as camisas da Portuguesa Santista, América de Rio Preto e Votuporanguense, clubes dignos mas pequenos para o seu potencial. Diego tem o direito de comemorar ter vencido a inimiga genética que travou a carreira do pai e que está no seu sangue. A inconsequente rebeldia, vazia. Optou por se transformar em um jogador profissional de futebol...
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A irresponsabilidade de Valdivia foi a responsável pelo Palmeiras perder do Figueirense. E continuar na zona do rebaixamento. Até quando Brunoro e Paulo Nobre vão permitir que o chileno sabote o clube que lhe paga R$ 475 mil mensais?

2reproducao14 A irresponsabilidade de Valdivia foi a responsável pelo Palmeiras perder do Figueirense. E continuar na zona do rebaixamento. Até quando Brunoro e Paulo Nobre vão permitir que o chileno sabote o clube que lhe paga R$ 475 mil mensais?
O Palmeiras vencia o Figueirense por 1 a 0. Dominava o time catarinense. Se vencesse, sairia da zona do rebaixamento. A bola caiu limpa para Valdivia. Aos 22 minutos, ele invade a área, dribla um zagueira e fica diante do desesperado goleiro Tiago Volpi. O chileno quis esnobar. Não quis fazer o gol. Tentou rolar, displicente, para Bruninho. A zaga afastou.

O castigo veio. Rápido, cruel. A falta de comprometimento, irresponsabilidade de Valdivia custou caríssimo ao Palmeiras. O Figueirense virou, venceu o jogo importantíssimo por 3 a 1. A brincadeira do camisa 10 e que tem a coragem de jogar com a tarja de capitão travou o time na zona do rebaixamento. Foi o responsável pela 14ª derrota do clube em 25 jogos.

"Eu errei na hora, de não fazer o gol. A partir daquele momento o Figueirense cresceu. Não dá, estava de frente para o goleiro e tentei passar para o Henrique, que estava marcado. Tinha de ter batido para o gol. A culpa é minha",", disse o chileno sem o menor constrangimento. Como se não entendesse o que estava em jogo.

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Valdivia travou a reação do Palmeiras no Brasileiro. Como fez na partida do Flamengo, quando pisou nas nádegas do volante Amaral, caído de costas. E foi expulso. Por essa expulsão será julgado amanhã no STJD. A tendência é que ganhe uma punição pesada. Mas os dirigentes palmeirense juram que entrarão com pedido de recurso. E enquanto isso, o efeito suspensivo o manterá em campo.

Valdivia continua fazendo o que quer no Palmeiras. Fosse outro que tivesse brincado hoje no jogo disputado sob dilúvio em Santa Catarina, seria substituído imediatamente. E tomaria uma dura de Dorival Júnior, do valente José Carlos Brunoro, do ainda mais valente Paulo Nobre. Dificilmente escaparia da cobrança e até de um pescoções de companheiros. Mas ninguém tem coragem de enfrentar o jogador.

Há muitos conselheiros importantes no clube que juram. A divulgada multa de R$ 50 mil por pisar no flamenguista não é real. Apenas uma desculpa para acalmar imprensa e torcedores. Luxemburgo que frequentou muito tempo o Palestra Itália dizia que essa era uma prática normal por lá. Principalmente envolvendo jogadores importantes.

Valdivia pôs a perder uma partida que o Palmeiras estava se superando. Jogando com o coração, marcando forte o Figueirense na sua intermediária. Dorival Júnior organizou muito bem a equipe. Ele tem casa em Florianópolis. E sabe muito bem que o time de Argel precisa de espaço para jogar. Com um futebol solidário, de muita aplicação, os palmeirenses não deixaram o rival respirar.

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Renato, Marcelo Oliveira davam sustentação à zaga. Diogo, Valdivia e Cristaldo deveriam fechar a intermediária e tentar encontrar espaço para Henrique, fixo na frente. Os laterais João Pedro e Vitor Luis ficavam fixos, apenas marcando. O Figueirense não tinha qualidade para sair da sua defesa para o ataque. Dentro de suas limitações, o Palmeiras fazia uma partida surpreendente como visitante.

Tudo ficou maravilhoso para o time paulista quando Diogo fez ótima jogada e cruzou da esquerda. Cristaldo bateu forte, indefensável para Thiago Volpi. 1 a 0 Palmeiras, aos 34 minutos do primeiro tempo. Tudo parecia se encaminhar bem demais para uma desejada vitória.

Dorival Júnior estava orgulhoso do seu time. Não precisava mudar nada para o segundo tempo. A ordem era fazer a mesma coisa. Argel precisava também vencer. Adiantou a marcação do Figueirense na saída de bola palmeirense. O que se viu foi uma guerra. Com dois times marcados, dando carrinhos, chutões. O time paulista continuava melhor.

Até que Valdivia teve a chance para marcar o segundo gol. E colocou tudo a perder. O lance que teve a intenção de humilhar os catarinenses acabou despertando a ira do Figueirense. O mais baixo dos seus atacantes, Clayton, subiu de cabeça e empatou o jogo. Apenas oito minutos depois da brincadeira do capitão palmeirense.

Foi muita emoção em seguida para os comandados de Dorival Júnior. Raiva de Valdivia e angústia pelo empate. Todo o trabalho do motivador psicológico Lulinha Tavares estava sabotado. A partir do 1 a 1, o que se viu foi o Palmeiras entregue, desesperado. E logo tomou mais dois gols. Apenas dois minutos depois do empate, Clayton novamente entrou nas costas de Vitor Luis e completou levantamento de Geovani. Sem chance para Deola: 2 a 1. O golpe viria aos 35 minutos. Leandro levantou e Marcão cabeceou livre para o fundo do gol palmeirense: 3 a 1.

O que era festa, virou depressão. Dorival Júnior já não sorria. Os jogadores no banco estavam cabisbaixos. E Valdivia continuava agindo como se nada tivesse acontecido. O mais revoltante em toda essa situação é ter a certeza que José Carlos Brunoro outra vez vai defender o chileno, que recebe R$ 475 mil desde 2010 e tem mais um ano de contrato.

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É inacreditável que um clube com a história do Palmeiras se sujeite a ser rebaixado pela terceira vez à Segunda Divisão. Não bastasse o time medíocre montado por Brunoro, o clube fica à mercê de seu camisa 10 que pensa ser uma estrela internacional. Mas não desperta o interesse sequer de equipes médias européias. Já foi expulso várias e várias vezes de maneira desnecessária, suas contusões demoram muito mais para ser curadas do que qualquer jogador no elenco, sumiu, foi para a Disney sem dar satisfação a ninguém, já xingou dirigentes, mostrou a genitália para a Mancha Verde.

Valdivia tem esse comportamento irresponsável porque tem muitos cúmplices no Palmeiras. Todos na diretoria. Apáticos, incompetentes. Mais irresponsáveis até do que ele. Que dividam felizes mais essa derrota do Palmeiras no Brasileiro...
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O burocrático Corinthians de Mano Menezes perdeu para o limitado Atlético Paranaense. Despencou para sétimo lugar. Saiu da zona da Libertadores. Para desespero de Mario Gobbi, o último protetor do técnico no Parque São Jorge…

1reproducao29 O burocrático Corinthians de Mano Menezes perdeu para o limitado Atlético Paranaense. Despencou para sétimo lugar. Saiu da zona da Libertadores. Para desespero de Mario Gobbi, o último protetor do técnico no Parque São Jorge...
A falta de ambição do Corinthians nos jogos fora de casa pesou. E está fora da zona de classificação da Libertadores. Jogando outra vez um futebol burocrático, o time de Mano Menezes perdeu. Foi derrotado em Curitiba por 1 a 0. O resultado acontece logo depois que as organizadas protestaram contra o treinador corintiano. O ambiente no clube que já estava ruim deverá ficar muito pior.

O resultado leva muita angústia a Mario Gobbi. O presidente corintiano sabe muito bem o quanto o clube necessita disputar a Libertadores de 2015. As dívidas com o Itaquerão se acumulam. E ter a principal competição sul-americana no seu estádio seria a certeza de milhões em caixa. Só nos três jogos como dono da casa, na fase de grupos, seria possível arrecadar pelo menos, R$ 9 milhões. No mínimo. Se chegasse nos mata-matas, pelo menos, mais R$ 4 milhões por partida. Na pior das hipóteses.

Mas para isso acontecer, há a necessidade de classificação. O Brasileiro ainda é considerado o caminho mais fácil. Com uma vaga entre os quatro primeiros. Mas acontece que o time de Mano Menezes vem perdendo força com o passar do Brasileiro. Não consegue se impor mesmo contra adversários reconhecidamente mais fracos.

Mano detesta a expressão muito usada para resumir a maneira como monta o Corinthians: covardia tática. Mas é incrível como seu time muda a maneira de atuar. Dentro do Itaquerão busca a iniciativa do jogo, pressiona, não deixa a equipe adversária nem respirar. A marcação é forte, ainda no tiro de meta. Pressing, compactação, firmeza. Bons conceitos do futebol atual.

Mas basta tirar o jogo do seu estádio e levar, por exemplo, para a Vila Mariana e tudo mudo. Incrível a falta de personalidade do Corinthians fora de casa. Só tem coragem de atacar quando está perdendo. Se não, tenta diminuir o ritmo da partida. Cadenciar o toque de bola, diminuir o ímpeto do dono da casa. Por isso tantos e tantos empates.

O que aconteceu hoje na Arena da Baixada foi o de praxe. Mano foi muito infeliz na escolha de como substituir o suspenso Ralf. Ele tratou de recuar Elias. Perdeu qualidade na saída de bola e o jogador surpresa na área adversária. Bruno Henrique, Petros e Renato Augusto completavam o quarteto das intermediárias. Na frente, Malcom e Guerrero correndo como alucinados pelas beiradas do campo.

Com medo de recorrentes bolas nas costas, Fagner e Fábio Santos estavam presos. Pouco ultrapassavam a linha do meio de campo. Ou seja, o Corinthians entrou em campo para amarrar o adversário. Acontece que Claudinei Oliveira não é ingênuo. Sabendo do time limitado que tem nas mãos, tratou ele de marcar muito forte. Exigir que o Corinthians tivesse a iniciativa do jogo. Montou duas linhas de marcação. Os zagueiros e cinco homens no meio de campo. Na frente, Marcelo.

Mesmo com campo para atacar, o Corinthians mostrava muita lentidão. Pouca ambição. Falta de convicção. Nada de competitividade. Apenas troca de bola burocrática, lenta. A marcação paranaense sobressaía. O Corinthians tinha muito mais posse de bola, mas era impotente. Não levava perigo ao gol adversário. Petros se ressentia de falta de ritmo. Deveria ter saído logo na primeira meia hora de jogo. Nada fazia de produtivo.

O Atlético era muito mais objetivo. Chegava pouco, mas sempre com perigo. Como aos 21 minutos, quando Marcelo cruzou na cabeça de Douglas Coutinho. Ele ganhou de Anderson Martins e cabeceou para fora. Foi uma grande chance de gol. A outra, a equipe não desperdiçou. E graças a uma falha incrível de Elias.

O volante ajudava na marcação. Deu um chutão que bateu no braço de Sueliton. O árbitro Marcelo de Lima Henrique acertou, não deu toque. Foi claríssima bola na mão. Mas ela sobrou para Cléo. O atacante invadia a área, quando Elias chegou atrasado ao tentar 'dar o bote'. Fez pênalti claro. O próprio Cléo teve muito sangue frio e cobrou, deslocando Cássio. Atlético Paranaense 1 a 0. Na primeira etapa, os paranaenses chutaram oito bolas a gol, os paulistas, duas!

 O burocrático Corinthians de Mano Menezes perdeu para o limitado Atlético Paranaense. Despencou para sétimo lugar. Saiu da zona da Libertadores. Para desespero de Mario Gobbi, o último protetor do técnico no Parque São Jorge...

O segundo tempo foi ainda mais decepcionante para o Corinthians. O time tinha prazer em desmentir a tese de Guardiola. O treinador espanhol insiste quem a equipe de maior posse de bola tem todas as chances de vencer. Não se for o time de Mano Menezes. A troca de passes é inútil. Na sua intermediária, longe do gol adversário. Irritante a falta de ambição.

O indeciso treinador resolveu trocar Petros, Renato Augusto e Bruno Henrique. Colocou Romero, Danilo e Jadson. Mas nada aconteceu. Claudinei Oliveira travou muito bem as laterais. A única saída para um time sem convicção e jogadas agudas era previsível. Cruzamentos inúteis longe da linha de fundo que só facilitavam a tarefa dos zagueiros atleticanos, que chegavam inteiros, de frente para a cabecear a bola.

Os jogadores corintianos mostravam garra, mas não disciplina tática. Não havia triangulações, aproximação. Neurônios. Nada ensaiado. Era cada um por si. O que foi ótimo para os atleticanos muito bem distribuídos nas intermediárias. Não havia como penetrar. Claudinei, com um time pior, deu um banho estratégico em Mano Menezes.

 O burocrático Corinthians de Mano Menezes perdeu para o limitado Atlético Paranaense. Despencou para sétimo lugar. Saiu da zona da Libertadores. Para desespero de Mario Gobbi, o último protetor do técnico no Parque São Jorge...

Depois de vencer o São Paulo, parecia que o time iria desabrochar, lutar pelo título do Brasileiro. Mas vieram as duas derrotas. Contra o Figueirense e hoje diante do Atlético Paranaense. A surpresa termina quando se lembra que elas aconteceram longe do Itaquerão. O Corinthians hoje é um mero time caseiro. Mano Menezes já havia jogado a toalha do título depois de empatar com a Chapecoense. Do jeito que está vai acabar desistindo também da Libertadores. Para desespero de Mario Gobbi. O último defensor do decepcionante treinador no Parque São Jorge.

Pressionado, o treinador começará sua briga para sobreviver na Copa do Brasil. Terá o Atlético Mineiro no Itaquerão. Mano sabe da rejeição de dirigentes, conselheiros e organizadas. E da pressão pela volta de Tite. Uma eliminação precoce diante do time de Levir Culpi pode custar o seu emprego, queira Gobbi ou não. Mano Menezes poderá pagar pela burocrática maneira que escolheu para o Corinthians jogar...

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Muricy deixa a UTI. Carlos Miguel Aidar o quer o mais rápido possível treinando o São Paulo. O time, mesmo com o quadrado mágico, despenca. A saúde do treinador que fique em segundo plano…

1ae37 Muricy deixa a UTI. Carlos Miguel Aidar o quer o mais rápido possível treinando o São Paulo. O time, mesmo com o quadrado mágico, despenca. A saúde do treinador que fique em segundo plano...
Dos últimos 12 pontos, o São Paulo fez apenas um. Perdeu para o Coritiba, Corinthians, empatou com o Flamengo e foi derrotado ontem diante do Fluminense por 3 a 1, com 'quarteto mágico' e tudo. Está a dez pontos do líder Cruzeiro. Jogadores admitem que o título está indo embora. "Não sei explicar o que está acontecendo. Não podemos continuar assim", resumiu Kaká, com medo de o time despencar da zona da Libertadores.

A torcida, revoltada, vaiou o time no segundo tempo. Percebeu que o título do Brasileiro está indo embora de vez. Ao final da partida gritava no Morumbi: "Libertadores é obrigação". Luiz Fabiano mostra sua irritação pela reserva. Assim como Pato por ter sido substituído na quarta-feira.

O homem que poderia mudar esse quadro está internado há quatro dias na Unidade de Terapia Intensiva do hospital São Luiz. E sem previsão de alta. Os médicos querem entender o motivo da abrupta e forte arritmia cardíaca. Muricy Ramalho a sofreu em pleno treino dos reservas na quinta-feira.

Embora não pareça, Muricy completará 59 anos em novembro. Está muito acima do seu peso ideal. Como todo treinador de time grande é submetido a uma pressão imensa a cada partida. "É comum eu só conseguir ir dormir nos dias de jogos lá pelas quatro, cinco da manhã. Fico esperando a adrenalina abaixar. Nas derrotas é pior, fico pensando o que poderia fazer para evitá-las. Aí é que eu não durmo", já desabafou o técnico.

O quadro médico recente de Muricy não é bom. Em 2009, ele teve de ser hospitalizado por conta de pedras no rim. Em 2011, foi constatada uma hérnia nos discos. E em 2013, uma incômoda diverticulite (inchaço dos intestinos).

Pessoas ligadas ao futebol do Santos ficaram assustadas. O técnico repetia constantemente sua vontade de parar de trabalhar. Repetia que não seguiria o mesmo caminho de Telê Santana. Ele foi seu mentor e grande inspirador como treinador de futebol.

"Mas o Telê não teve vida. Se dedicou de corpo e alma ao trabalho. E não aproveitou como poderia a família maravilhosa que tinha. Eu não quero fazer isso. Ser técnico é se submeter a muita pressão. Não quero ter um treco. Preciso aproveitar a minha vida, meus filhos, minha mulher", disse a conselheiros santistas.

E foi o que fez. Mal se recuperou da diverticulite, mudou sua rotina. Viajou de férias com a família, procurava não varar as madrugadas trabalhando, discutindo o time com os parceiros de Comissão Técnica. A equipe já havia perdido sua grande estrela Neymar. As derrotas se acumulavam. Os membros do Comitê de Gestão viam Muricy menos dedicado. E decidiram pela sua demissão.

2gazeta2 Muricy deixa a UTI. Carlos Miguel Aidar o quer o mais rápido possível treinando o São Paulo. O time, mesmo com o quadrado mágico, despenca. A saúde do treinador que fique em segundo plano...

De maio até setembro de 2013, Muricy ficou sem trabalhar. Viajou, descansou, aproveitou a vida. Ficou com sua família, seu cachorro. Mas até que, fiel ao seu estilo, disse em entrevistas. "Já deu. Descansei o que tinha de descansar. Voltou a trabalhar no próximo ano. Estou sentindo falta do futebol." Falou isso em agosto. Em setembro voltava para salvar o São Paulo que estava ameaçado pelo rebaixamento.

Voltou ao Morumbi, teve todo apoio da torcida, de Juvenal. Conseguiu salvar o clube da Segunda Divisão. Mas tropeçou no torneio mais fácil e que poderia levar o time à Libertadores. Perdeu a semifinal da Sul-Americana para a Ponte Preta. Frustrou Juvenal. O presidente queria montar uma equipe muito poderosa para 2014. Já buscava patrocinadores para o retorno de Kaká. Com a eliminação, mudou seus planos. E mesmo Muricy, que renovou contrato até o final de 2015, não teve o aumento que teria se o clube conseguisse voltar à Libertadores.

O técnico voltou a ser muito questionado com a eliminação pelo Penapolense no Paulista. Seu time não chegou nem à semifinal do torneio estadual. Em seguida, o São Paulo caiu na Copa do Brasil diante do Bragantino. O treinador passou a ser muito questionado. Toda a tranquilidade que havia adquirido com o descanso no ano passado sumiu. A tensão voltou de forma ainda mais forte. Com Muricy mais velho.

 Muricy deixa a UTI. Carlos Miguel Aidar o quer o mais rápido possível treinando o São Paulo. O time, mesmo com o quadrado mágico, despenca. A saúde do treinador que fique em segundo plano...

Carlos Miguel Aidar voltou de uma maneira estranha à presidência do São Paulo. Primeiro a briga pública com Juvenal Juvêncio. Dirigente de 80 anos que várias vezes saiu do hospital, onde luta contra um câncer de próstata, para ajudar na campanha política de Aidar. O atua presidente tem uma atitude dúbia em relação a Muricy. Primeiro avisou que ele ficaria de qualquer maneira até o final de 2015. Mas diante da instabilidade do time no Brasileiro, Carlos Miguel disse que Muricy teria de reagir.

A postura incendiária da nova diretoria deixou o clima pesado demais, tenso. O clube está rachado politicamente. A grande maioria dos conselheiros influentes se bandearam, indignados, para o lado de Juvenal. Aidar se aproxima da oposição. Quer convencê-la a apoiá-lo na profunda reforma, praticamente uma reconstrução, do Morumbi. Seu grande cabo eleitoral seria o time vencedor. Classificado ao menos para a Libertadores de 2015.

Embora disfarçasse, Muricy sabia. Com Kaká, Alan Kardec, Alexandre Pato, Paulo Henrique Ganso, Rogério Ceni, Álvaro Pereira e Luís Fabiano, jogadores importantes e caríssimos, estar na principal competição sul-americana é obrigação desde que Aidar assumiu. E se cobrava demais pelos últimos resultados ruins.

O empate com o limitado time do Flamengo de Luxemburgo foi uma enorme decepção. O time carioca jogou muito melhor, foi ágil, veloz. Merecia a vitória. Conselheiros ligados a Aidar ficaram irritados. A vitória era vista como obrigatória. O 2 a 2 foi mais um motivo de uma noite insone do técnico. Até que à tarde da quinta-feira, veio a fortíssima arritmia cardíaca. Cardiologistas garantem que geralmente ela está ligada à pressão alta. A tensão é uma das causadoras mais comuns.

4ae2 Muricy deixa a UTI. Carlos Miguel Aidar o quer o mais rápido possível treinando o São Paulo. O time, mesmo com o quadrado mágico, despenca. A saúde do treinador que fique em segundo plano...

Muricy tem sua vida financeira resolvida. Pode parar com o futebol na hora que quiser. Seus filhos e até seus futuros netos não passarão por dificuldades. Seus altos salários que recebe há dez anos, desde que assumiu o Internacional, viraram imóveis e investimentos seguros. Sua família já pediu que levasse em conta sua saúde em 2013. Agora está preocupada com a internação por problemas cardíacos. O exemplo de Ricardo Gomes, que teve de deixar de ser treinador por causa de um AVC, também é levado em consideração.

6ae Muricy deixa a UTI. Carlos Miguel Aidar o quer o mais rápido possível treinando o São Paulo. O time, mesmo com o quadrado mágico, despenca. A saúde do treinador que fique em segundo plano...

Aidar quer saber a real situação de Muricy. Sua presença é fundamental para o final da temporada. Na disputa dos últimos jogos do Brasileiro e na briga pela Sul-Americana. Com dívidas que chegam a R$ 150 milhões, o presidente conta com o clube na Libertadores de 2015. O problema com o coração de Muricy era tudo o que não esperava. Ele quer pelo menos que o treinador fique até o final do ano.

Há um medo silencioso que anuncie o fim da carreira. Conselheiros garantem que a família do técnico está muito preocupada. Ninguém se esquece da promessa que ele fez ainda em 2008. Falou ao site da Globo.

"Penso em mais uns cinco anos porque meu desgaste é muito grande. Tenho boa saúde, se fosse mais calmo daria para ir um pouco mais, mas me estresso muito e tive o exemplo do seu Telê. Ele ficou doente por isso aqui, era trabalhador e estressado. Não é fácil, o cara acaba ficando doente, fundindo o motor sem perceber, e não quero que aconteça comigo, por isso o plano de cinco anos..."

2008 mais cinco anos é igual a 2013. Ou seja, a ideia de parar é algo que acompanha Muricy há muito tempo. A derrota para o Fluminense ontem deixou os companheiros de Carlos Miguel arrepiados. Tudo o que eles querem é que Muricy trabalhe pelo menos até o fim do Brasileiro e da Copa do Brasil. São praticamente dois meses de jogos decisivos. Se não conseguir, Milton Cruz continuará como interino.

Tudo dependerá dos resultados dos exames. E de quando o treinador sair do hospital. A previsão era que Muricy dormisse na UTI na quinta-feira. E que na sexta, já voltasse para casa. Hoje é domingo e até agora, nada de alta. A previsão era amanhã. O médico José Sanches já mudou seu discurso. Virou 'talvez' no início desta próxima semana...

(Muricy de forma surpreendente, até para os dirigentes, teve alta do hospital hoje. O quadro reverteu de maneira rápida demais. Mas Carlos Miguel Aidar não se preocupa. Quer o técnico trabalhando o mais rápido possível. Não importa se ele acaba de passar por um período na UTI. No Morumbi, as coisas são assim, agora...)
5ae2 Muricy deixa a UTI. Carlos Miguel Aidar o quer o mais rápido possível treinando o São Paulo. O time, mesmo com o quadrado mágico, despenca. A saúde do treinador que fique em segundo plano...

O R7 completa cinco anos. O prazer de ser um dos muitos pais deste projeto. Talvez o mais orgulhoso. A repercussão pelo mundo, da primeira entrevista do blog, já mostrava a credibilidade do portal…

1ae36 O R7 completa cinco anos. O prazer de ser um dos muitos pais deste projeto. Talvez o mais orgulhoso. A repercussão pelo mundo, da primeira entrevista do blog, já mostrava a credibilidade do portal...
No site oficial da Fifa, http://tinyurl.com/yd9ww54, no da CNN, http://tinyurl.com/yzqdhg9, no Corriere dello Sport (Itália), http://tinyurl.com/yhjgszy, no World News, com 28 idiomas diferentes http://tinyurl.com/ykmdle9.

Na Sports Illustrated, http://tinyurl.com/yzqdhg9. Four Four Two australiana,http://tinyurl.com/yza83sx. No Russia Today, http://tinyurl.com/yjz4ky5. Na Sky Sports Football, http://tinyurl.com/ydbrh2p. No Fussballboom da Alemanha, http://tinyurl.com/ygjpbtv.

No México, o site da Televisa, http://tinyurl.com/yhp7k5p. No Mundo Deportivo (Espanha), http://tinyurl.com/yj9kpag. Record de Portugal, http://tinyurl.com/yzqdhg9. A Bola (Portugal), http://tinyurl.com/ykbgft8. No Ole da Argentina,http://tinyurl.com/yf6vzn6. Cronica Viva , do Peru httptinyurl.com/yhogtrz. O Yahoo europeu,http://tinyurl.com/ykhqcdb.

Esses foram só alguns sites do mundo todo que repercutiram a entrevista com Adriano no R7. Foi a minha primeira matéria na inauguração do portal. Há exatos cinco anos. 4.820 posts e 320 mil e duzentos e dois comentários depois, a constatação do quanto valeu a aposta.

Estava empolgado com o blog no UOL. Vendo o blog brigar cada dia pelo privilégio de ser o mais acessado no Esportes. Duelo mais do que estimulante com Juca Kfouri, uma referência do jornalismo esportivo. Tendo o prazer de ver os nossos nomes divulgados pelo portal em propagandas na Folha de São Paulo.

Acertava detalhes da viagem, da cobertura pelo UOL da Copa da África. Quando fui convidado para conversar com Antônio Guerreiro. Me deixei contagiar com seu entusiasmo pelo novo portal que a TV Record criaria. Os planos eram ambiciosos, a proposta ousada. Soube da seleção dos jornalistas que trabalhariam ao meu lado como blogueiros. Pessoas importantes, consagradas nas suas diversas áreas.

Além disso, Guerreiro me queria comentando futebol no jornal da Record News. Heródoto Barbeiro estava sendo contratado. Uma pessoa que exala credibilidade no jornalismo neste país. O entusiasmo me contagiou. Sabia que o UOL seguiria muito bem sem mim. A sensação de ser um dos muitos pais do novo portal foi irresistível.

A vida oferece algumas escolhas que podem mudar ou não sua vida. Trabalhei no Jornal da Tarde por 22 anos. Tive oito propostas de trabalho para ganhar bem mais do que recebia. TV Globo, Bandeirantes, Cultura e Folha de São Paulo. Recebi dois convites, em anos alternados, de cada um desses importantes veículos de comunicação. Resolvi ficar no JT, enebriado pelo ambiente espetacular de trabalho, pela ousadia jornalística. Mas mal administrado, o jornal fechou.

Estava feliz no UOL, tendo todo o respaldo do meu chefe Alexandre Gimenez. Por anos foi meu concorrente, trabalhando com competência pela Folha, no dia-a-dia nos clubes, na cobertura da Seleção. Estava até mais entusiasmado do que eu com o sucesso do meu blog. A ideia havia sido dele. Ficou chocado quando o chamei para conversar e avisei que iria para o R7. Me ofereceu aumento, falou da importância do portal. Agradeci muito e expliquei que queria estar neste novo projeto.

Gimenez se despediu dizendo que as portas estariam sempre abertas. Sei que ainda estão. Mas sinto que acertei na aposta. Aqui me sinto em casa. Guerreiro não exagerou. Os objetivos ousados do R7 foram alcançados, dia após dia. O respeito, a credibilidade, a audiência do portal são impressionantes. Principalmente levando em conta que tem apenas cinco anos.

Pelo R7 cobri as Copas da África do Sul, do Brasil. Olimpíada de Londres. Panamericano do México. Mundial de Clubes do Japão. Etapas do UFC. Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil. Entrevistei Vicente del Bosque, Neymar, Romário, Marta, Muricy, Anderson Silva, Felipão, Carlos Alberto, Ademir da Guia, Marcelo Oliveira, Kaká, Dunga, Paulo André e muitos outros personagens importantes do esporte.

Passo horas e horas do meu dia buscando informações para contextualizar, explicar, criticar o jogo muitas vezes sujo dos bastidores do futebol. Não é fácil. Mas a participação incrível dos leitores é revigorante. Sou competitivo por natureza. E saber que o blog é o mais comentado entre os 96 que o R7 oferece me estimula a cada dia. Ainda mais sabendo do alto nível dos meus colegas.

Acompanho diariamente a importância do jornalismo digital. Percebo que sua agilidade está ganhando profundidade, respeito. É o caso deste portal. Tenho mesmo orgulho em trabalhar nesta casa. Sou um jornalista de vestir camisa, fincar raízes. Feliz, com uma estranha sensação de paternidade neste aniversário de cinco anos. Reparto com os leitores, meus companheiros de todos os dias, essa alegria.

Faço questão de reproduzir como presente para mim e para quem lê o blog a entrevista com o Adriano. Sua primeira confissão para a mídia dos graves problemas que tinha. E os sonhos que não conseguiu alcançar.

Hoje é um dia muito importante na vida do R7 e na minha. Há cinco anos se confundem, entrelaçadas. Grande abraço. Muito obrigado a todos pela companhia...

1ap4 O R7 completa cinco anos. O prazer de ser um dos muitos pais deste projeto. Talvez o mais orgulhoso. A repercussão pelo mundo, da primeira entrevista do blog, já mostrava a credibilidade do portal...

Casa nova.

Adriano.

A fragilidade por trás dos músculos.

A prova do que a tristeza pôde causar na vida de um dos melhores jogadores do mundo.

Na entrevista exclusiva ao blog, ele abriu o coração e contou, sem meias palavras, tudo que viveu.

Foi um depoimento duro, sincero.

No Rio de Janeiro, na Gávea, no clube que tanto ama, Adriano não teve vergonha de ser Adriano.

E jura que nunca esteve mais forte na vida.

Desceu ao inferno e voltou.

Você sabe o que significa ao futebol brasileiro?

Não tinha o direito de fazer tudo o que vez com você mesmo...

Não concordo.

Precisava passar pelo que passei para ser quem sou hoje.

Eu tenho plena noção do que represento.

Era um ídolo.

Eu mostrei o que é superação, de volta por cima.

As crianças, as pessoas olham para sim e me vêem como um exemplo.

Como assim?

Eu fiz muita coisa errada e consegui superar.

Se eu pude, as outras pessoas também podem.

Vou contar o que eu enfrentei.

Eu enfrentei uma depressão que foi de 2005 até 2009.

Só eu sei o quanto sofri.

A morte do meu pai deixou um buraco enorme na minha vida.

Ele morreu em agosto de 2004.

Foi a pessoa que me fez quem eu sou.

Devo tudo a ele e a minha família.

Eu acabei ficando muito sozinho, me isolando quando ele morreu.

Foi a pior coisa.

Me vi sozinho, triste, deprimido na Itália.

2ap1 O R7 completa cinco anos. O prazer de ser um dos muitos pais deste projeto. Talvez o mais orgulhoso. A repercussão pelo mundo, da primeira entrevista do blog, já mostrava a credibilidade do portal...

Foi quando surgiu o problema de alcoolismo?

Foi.

E vou ser bem sincero para você entender o que vivi.

Eu passei a beber, só me sentia feliz bebendo.

Eram festas todas as noites.

E bebia o que passava pela frente: vinho, uísque, vodca, cerveja... muita cerveja.

A situação ficou fora de controle.

Eu só conseguia dormir bebendo.

Acordava e não sabia nem onde estava.

Eu era jogador de um dos maiores times do mundo.

Comecei a ter problemas com o treinador, o Mancini, com os companheiros.

Eles perceberam?

Não tinha como não perceber.

Eu chegava bêbado para os treinos da manhã.

Com medo de perder a hora dormindo, eu ia bêbado mesmo.

Isso aconteceu várias vezes.

Eu ia dormir no departamento médico e diziam para a imprensa que eu estava com dores musculares.

A direção da Inter foi sensacional comigo, tentou me ajudar de todos os jeitos.

Eu passei a me dar mal com o Mancini, o técnico.

A situção ficou insuportável.

Eu não parava de beber, tive de sair da Inter.

O São Paulo me ajudou muito a consertar a minha vida.

3ae8 O R7 completa cinco anos. O prazer de ser um dos muitos pais deste projeto. Talvez o mais orgulhoso. A repercussão pelo mundo, da primeira entrevista do blog, já mostrava a credibilidade do portal...

Como assim?

Olha, a ideia de vir para o São Paulo por empréstimo foi do meu empresário, Gilmar Rinaldi.

Quando eu cheguei havia um esquema preparado para a minha recuperação.

Me deram psicólogo, carinho, acompanhamento 24 horas.

Eles se propuseram a salvar a minha carreira.

Tive várias conversas com os dirigentes, com o Muricy.

Conversas de apoio e até conversas duras.

Eu fui percebendo o mal que estava fazendo para mim.

A carreira estava indo indo embora.

E passei a perceber o quanto estava mal cercado de amigos.

Amigos que só me levavam para as farras, mulheres, bebidas

Não eram meus amigos, eram pessoas que queriam usufrir do que eu poderia proporcionar.

Foi a direção do São Paulo que me abriu os olhos.

Sinto que poderia ter retribuído mais ao São Paulo.

Deveria ter feito mais por tudo que fizeram para mim.

Por que você voltou para a Inter de Milão?

Porque o Mourinho assumiu e o Mancini tinha ido embora.

Só que quando me vi novamente na Itália, me senti sozinho, sem o apoio que precisava.

Voltei a beber.

Lembrando hoje, fico até com pena do Mourinho.

Ele queria demais me ajudar, ficou brigando com a diretoria, que queria me mandar embora.

O fundo do poço foi quando eu tinha voltado para o Brasil, parado de treinar e bebido muito.

A Inter mandou o preparador físico ao Rio para me ver.

Eu estava um boi de tão gordo, de tão inchado.

Quando vi a cara do preparador físico me olhando, eu senti: cheguei no fundo.

Decidi encerrar o meu contrato com a Inter.

Não queria voltar para lá.

Não tinha forças para superar.

Se tivesse voltado seria o fim da minha carreira.

Mas você tinha mais um ano e meio de contrato.

Era um dos jogadores mais bem pagos do mundo.

Muita gente diz que você foi louco e rasgou dinheiro...
1divulgacao1 O R7 completa cinco anos. O prazer de ser um dos muitos pais deste projeto. Talvez o mais orgulhoso. A repercussão pelo mundo, da primeira entrevista do blog, já mostrava a credibilidade do portal...

Eu vou ser bem sincero com você.

Eu não rasguei dinheiro.

O que eu fiz foi comprar a minha felicidade.

Não tem milhões de euros que compense eu ter voltado para o Brasil.

Foi nessa época que o Gilmar Rinaldi quis te internar?

Sim. Essa história eu agora posso falar que foi verdadeira.

Ele queria de todo o jeito me internar para acabar com meu problema com o alcool.

Ele e o meu assessor, o Flávio Pinto, cuidaram de mim como puderam.

Mas eu me recusei.

Sabia que a cura para o alcoolismo estava em mim, na minha infelicidade.

Voltei ao Brasil, à comunidade, à favela da Vila Cruzeiro, onde cresci.

E me vi forte, confiante, cercado da minha família e dos meus verdadeiros amigos.

Isso me fez voltar a ser eu mesmo e sair da depressão.

O que você fez quando sumiu na favela da Vila Cruzeiro?

Até hoje é um mistério...

Eu fui ser o Adriano de verdade.

O que gosta de andar só de bermuda, com os pés no chão.

Fiquei conversando, brincando com meus amigos, convivendo com a minha família.

Falaram até que eu estava morto.

Eu tenho raiva dessa parte irresponsável da imprensa que fica espalhando mentiras por aí.

Essa gente irresponsável que se esquece que o jogador tem família, mãe, avó.

Minha mãe, minha vó ficaram apavoradas quando ouviram isso.

Mas você ficou convivendo com traficantes?

Olha, eu vou ser direto com você.

Eu tenho amigos na comunidade que são traficantes, trabalhadores, policiais.

Para mim, dá no mesmo.

Se são meus amigos, eu vou dar a mão, conversar, brincar.

Não vou virar as costas porque seguiram pelo lado que acho errado na vida.

Mas não é por isso que vou ficar cheirando cocaína, como muita gente acha.

Sou um jogador profissional e não uso e quero saber de drogas.

Você não usou cocaína nesta crise que teve?

Não. E não tenho porque mentir.

Hoje estou bem.

Poderia falar que usei e hoje me recuperei.

Mas não usei.

O meu problema era com o álcool.

Eu não me controlava.

Fui forte e superei.

Não sou hipócrita, na minha folga bebo uma cerveja, um vinho, como todo jogador faz.

Bebo uma cerveja e acabou.

No dia seguinte estou treinando, correndo até mais forte.

Sei o que é a minha carreira e dei valor para ela como nunca.

A religião o ajudou, te fortaleceu?

Sim. Minha avó é evangélica.

Ela me levou para várias missas.

Ouvi, prestei atenção no que ouvi nas missas.

Me senti mais em paz, fortalecido.

Não me converti, mas gosto da paz que a religão me traz.

Qual conselho você daria a um jogador que fica deprimido e mergulha no alcoolismo?

Primeiro que confesse a ele mesmo que tem um problema.

Você só sara quando assume para você o problema.

Não para os outros, para você, que é muito mais duro.

E depois peça ajuda.

Até médica se for preciso.

Não tenha vergonha.

Eu não me internei, mas tive ajuda para superar a minha depressão e o alcoolismo.

Como é ser Adriano?

Não é fácil. Ser observado, ser cobrado todos os dias.

São vários convites, várias armadilhas.

Você precisa ter uma estrutura psicológica muito forte.

E graças a Deus, agora eu estou forte o suficiente para ser Adriano...
2ap2 O R7 completa cinco anos. O prazer de ser um dos muitos pais deste projeto. Talvez o mais orgulhoso. A repercussão pelo mundo, da primeira entrevista do blog, já mostrava a credibilidade do portal...

A rejeição a Mano Menezes no Corinthians. Conselheiros, dirigentes e torcedores não suportam sua covardia tática. Ele voltou muito inseguro depois dos fracassos na Seleção e no Flamengo…

1getty3 A rejeição a Mano Menezes no Corinthians. Conselheiros, dirigentes e torcedores não suportam sua covardia tática. Ele voltou muito inseguro depois dos fracassos na Seleção e no Flamengo...
A decepção com Mano Menezes é enorme no Parque São Jorge. O blog já relatou o descontentamento de conselheiros. A pressão que fazem para que Mario Gobbi o troque por Tite. A sombra do técnico que fez o clube campeão da Libertadores e Mundial é enorme. A derrota diante do Figueirense foi a gota d'água para as organizadas. Elas fizeram questão de ir protestar contra o trabalho do técnico.

A principal queixa de torcedores e conselheiros é pela maneira pouca ofensiva que ele monta o Corinthians. Em 24 jogos, seu caro elenco marcou 29 gols. Enquanto o Cruzeiro fez 49, o São Paulo, 42. O time já despencou para a sexta colocação. Mano Menezes já havia desistido do título do Brasileiro ao empatar com a Chapecoense no Itaquerão. Matou o sonho de o clube ser campeão do país. Faltando 16 rodadas. Não é por acaso que enlouqueceu os corintianos.

Os adjetivos que mais ouve é ser 'retranqueiro'. E montar o time de uma maneira covarde, medrosa. Postura que não combina com a história do Corinthians. Acuado hoje por faixas na entrada do Centro de Treinamento, Mano desabafou com os jornalistas.

"Estou acostumado com os adjetivos reservados a mim. Eles se repetem com uma falta de criatividade impressionante. O Corinthians não é uma equipe extremamente ofensiva, mas tem a quinta melhor produção em gols do Campeonato Brasileiro. Tem 14 retranqueiros piores do que eu. Por isso técnico tem de ser bem escolhido. Você precisa ter discernimento necessário nessas horas para não fazer bobagem, não desorganizar."

É assustadora a irregularidade corintiana. O time é capaz de vencer o clássico contra o São Paulo, para logo em seguida, perder para o Figueirense. Mano tem uma mania incrível. Basta o time sair do Itaquerão e ele trata de colocar seus jogadores todos atrás, marcando. Põe o time para contragolpear. Atrai o adversário. Não importa se ele é muito pior tecnicamente do que a equipe que tem nas mãos.

Esperto, ele tenta desvalorizar a opinião dos torcedores. Os trata como se fossem retardados, não enxergassem a maneira medrosa com que tem colocado o Corinthians para atuar. Buscou desvalorizar o protesto de hoje.

"Não posso fazer uma leitura do protesto. A torcida tem o direito de protestar. Se o fizer com limites, não temos que nos opor a isso. Nem supervalorizar também. Vamos continuar fazendo o melhor trabalho possível. Vamos a Curitiba para buscar a vitória, que há tempos não conseguimos fora de casa. Nosso torcedor ficará feliz como ficou após o clássico contra o São Paulo. Esse é o objetivo."

2ae17 A rejeição a Mano Menezes no Corinthians. Conselheiros, dirigentes e torcedores não suportam sua covardia tática. Ele voltou muito inseguro depois dos fracassos na Seleção e no Flamengo...

De propósito, ele faz de conta que os torcedores só estão reclamando pela derrota de quarta-feira. Finge não perceber que a cobrança é muito mais profunda. Acompanhando todas as partidas do time, as organizadas reclamam da descaracterização do Corinthians neste Brasileiro. Um time frio, sem intensidade, sem gana, coragem. Derrotar o fraco Atlético Paranaense não vai mudar este quadro. A postura imediatista de Mano é, de propósito, superficial.

Na verdade, ele sabe que não continuará no Corinthians em 2015. Ele não agrada nem a situação, que deve concorrer com Roberto de Andrade. E nem a oposição que deverá ter Paulo Garcia ou Roque Citadini. Mano não interessa a ninguém no Parque São Jorge a não ser Mario Gobbi. Até mesmo Andrés Sanchez está desiludido com a forma que o Corinthians está jogando em 2014.

O técnico insiste em se defender. Diz que o combinado com Gobbi este ano seria reformular o time de Tite. E por isso os resultados não estão sendo espetaculares. Muitos conselheiros que cercam Gobbi insistem que esta é apenas uma mera desculpa de Mano. Ele voltou muito inseguro ao Corinthians depois dos fracassos na Seleção e no Flamengo.

A salvação do treinador estava ao alcance de sua boca. Um discurso otimista, firme poderia mudar o rumo das coisas. Mas nem hoje, pressionado pelos torcedores, ele consegue se impor. Garantir que o time ao menos lutará para ganhar o título brasileiro. Ele parece ter alergia, urticária em citar a chance de fazer o Corinthians campeão. Ele sempre sai pela tangente, como há pouco.

"Se você não fala em título, vão dizer que não temos ambição, que não se pode estar em clube grande, onde você sempre deve buscar a conquista. Se falar, é outra teoria, com uma pressão a mais. Não temos saída no futebol. Se ganharmos, estaremos certos. Se perdermos, estaremos errados."

1fotoarena4 A rejeição a Mano Menezes no Corinthians. Conselheiros, dirigentes e torcedores não suportam sua covardia tática. Ele voltou muito inseguro depois dos fracassos na Seleção e no Flamengo...

A rejeição a Mano é impressionante. Cresce a cada instante. E ele contribui com sua falta de firmeza. Não tem o perfil sonhado pela torcida corintiano. A Seleção e o Flamengo lhe fizeram muito mal. Ele se tornou um homem amargurado, inseguro. É isso que está colocando tudo a perder. Tudo isso indica que o cargo está voltando para Tite. Ele é o treinador predileto de Roberto de Andrade, favorito a assumir no lugar de Gobbi em fevereiro. Roberto não suporta Mano.

O clube precisa conquistar pelo menos uma vaga na Libertadores de qualquer maneira. A dívida pelo Itaquerão se acumula. Seria um fracasso grande demais o clube ficar de fora da maior competição da América Latina. A diretoria está desesperada com a possibilidade de ficar fora outro ano seguido. Mesmo assim, Gobbi o apoia. Por isso passa a ser também alvo dos torcedores.

E o técnico sabe disso. Só que em vez de buscar aliados. Consegue novos inimigos a cada dia. Com o protesto de hoje, as organizadas já mostraram. Elas também não suportam mais o inseguro treinador. Mano nunca esteve tão fragilizado desde que Andrés Sanchez o trouxe de volta ao Corinthians. O fantasma de Tite se materializa um pouco mais a cada dia...
1ae35 A rejeição a Mano Menezes no Corinthians. Conselheiros, dirigentes e torcedores não suportam sua covardia tática. Ele voltou muito inseguro depois dos fracassos na Seleção e no Flamengo...

Vitória da decência no pleno do STJD. Grêmio fora da Copa do Brasil. Como os racistas prejudicaram o clube, dirigentes gremistas querem punição às equipes de torcedores homofóbicos. Negro não é macaco. E nem gaúcho é sinônimo de homossexual…

1reproducao28 Vitória da decência no pleno do STJD. Grêmio fora da Copa do Brasil. Como os racistas prejudicaram o clube, dirigentes gremistas querem punição às equipes de torcedores homofóbicos. Negro não é macaco. E nem gaúcho é sinônimo de homossexual...
Quando um torcedor racista sentir vontade de gritar 'macaco' ou 'preto fedido' para um jogador negro pensará duas vezes. Os gritos de alguns fizeram com que o Grêmio fosse eliminado da Copa do Brasil. Os auditores do pleno do STJD minimizaram. Trocaram a palavra excluído pela expressão perda de três pontos. O que significa exatamente a mesma coisa, já que os gremistas perderam o primeiro jogo por 2 a 0. O clube gaúcho está fora de uma competição nacional por racismo de seus torcedores.

A história foi feita no tribunal. Há agora oficialmente o precedente que faltava contra os racistas de plantão. Por mais que o STJD tenha tentado amenizar. Seus auditores disfarçarem. Enquanto falavam que não haveria 'precedente', puniam o clube. Ou seja: falavam uma coisa e fazia outra. A CBF se apressou a divulgar que não haveria novo jogo, já que os gremistas tinham perdido seis pontos. E em um novo jogo contra o Santos só poderia chegar a três. Fim da Copa do Brasil para o clube gaúcho.

Não adianta buscar o termo jurídico injúria racial para se esconder. Pessoas que comparam um negro a um macaco serão punidas. E punirão também os clubes que juram amar. Como é o caso de Patricia Moreira da Silva. Ela pode participar dos encontros públicos com negros onde quiser. Mas a imagem dela gritando, com raiva e nojo, 'macaco' em direção ao negro goleiro santista Aranha ficará para sempre. Ela contribuiu muito para a eliminação do Grêmio da Copa do Brasil. Manchou a imagem do clube no país e no Exterior. A punição é mais do que justa.

A decisão foi unânime. Por sete a zero. Foi por terra a esperança difundida por conselheiros gremistas na imprensa gaúcha. A certeza de uma reviravolta, com o clube perdendo apenas o mando de duas partidas. E ainda na Copa do Brasil de 2015. A notícia foi divulgada como certeza absoluta. A imagem do presidente Fábio Koff sorrindo chegando ao tribunal pareceu uma mensagem. A certeza de que tudo melhoraria para o seu clube. Ledo engano.

1ae34 Vitória da decência no pleno do STJD. Grêmio fora da Copa do Brasil. Como os racistas prejudicaram o clube, dirigentes gremistas querem punição às equipes de torcedores homofóbicos. Negro não é macaco. E nem gaúcho é sinônimo de homossexual...

Os auditores foram fiéis ao comportamento inaceitável de alguns membros da torcida gremista. As imitações de macaco e os gritos racistas eram claros demais. Embora os discursos dos auditores não fossem taxativos como no primeiro julgamento, no STJD, o pleno condenou. Mostrou ser insuficiente a campanha do clube contra a discriminação dos negros. Racistas ainda frequentavam a sua arena e usando camisas, cachecóis tricolores. A figura de Patricia Moreira da Silva foi citada várias vezes.

Depois do veredicto, Fabio Koff sabia. A perda é enorme ao clube que preside. E vai além da Copa do Brasil. A imagem fica desgastada demais. Ficará muito, muito mais difícil a venda do naming rights da arena. Que empresa quer colocar seu nome em um estádio frequentado por racistas? Mesmo que seja uma parcela ínfima da torcida gremista, os que ofenderam Aranha eram adeptos do time gaúcho.

O fato de Luiz Felipe Scolari ser o treinador do clube ajuda a difundir a sentença histórica no mundo todo. É comum ler nos portais internacionais: 'clube de Felipão punido por racismo'. O prejuízo para a imagem do Grêmio é gigantesco. Quando o Banrisul, banco do Estado do Rio Grande do Sul, decidir tirar seu patrocínio na camisa, não deverá ser fácil encontrar outro tão cedo.

Fabio Koff se rendia à sentença. Mas avisava que iria cobrar o STJD em relação a qualquer outro ato de racismo.

"Em primeiro lugar, houve uma decisão unânime no Tribunal. Temos que respeitar. Se é justa ou não, do ponto de vista da consciência popular e do senso comum, vamos aguardar outros inquéritos que estão aí de discriminações previstas na lei, se serão jugados com o rigor que o Grêmio foi julgado. Porque o Grêmio teve pena preventiva, não houve inquérito, e foi punido rigorosamente.

Se isso indica que os outros expedientes que aguardam julgamento de outros clubes vão merecer o mesmo tratamento. Veremos. Se não houver, vou dizer que foi injusta. Até lá não vou me manifestar sobre a decisão."

1futurapress4 1024x682 Vitória da decência no pleno do STJD. Grêmio fora da Copa do Brasil. Como os racistas prejudicaram o clube, dirigentes gremistas querem punição às equipes de torcedores homofóbicos. Negro não é macaco. E nem gaúcho é sinônimo de homossexual...

Os advogados gremistas avisavam que daqui para frente vão notificar qualquer ofensa que o clube receber. Principalmente a ligada à homofobia.

"É uma pena pesada, um precedente perigoso. Temos que analisar se os demais casos serão analisados assim. Homofobia é igual ao racismo. Se há este tipo de caso, precisa ter o mesmo rigor", disse o advogado Gabriel Vieira. Já devia ter cobrado há mais tempo. E não esperado seu clube ser punido por atitudes racistas de alguns de seus torcedores.

Gabriel tem razão. O coro de 'gaúcho viado' infelizmente costuma acompanhar os jogos do Grêmio. E também do Inter. Gritado pelas torcidas adversárias. Dirigentes e jogadores gremistas e colorados precisam pressionar os árbitros a relatarem na súmula quando esse coro surgir novamente. Estádio de futebol não é um paraíso para a escória da sociedade. Onde tudo é permitido. O julgamento do pleno do STJD mostra isso. Jogador negro não pode ser comparado a macaco. E nem gaúcho é sinônimo de homossexual.

O Brasil caminha lentamente em direção à modernidade. Torcidas organizadas ainda matam a pedradas, usam vasos sanitários como armas letais, sinalizadores. Tribunais esportivos precisam que as autoridades também façam seu papel. Tirem da sociedade os criminosos.

Mas o dia é de comemoração. Não contra o Grêmio, um dos clubes mais importantes do País. Mas contra a discriminação, a intolerância racial. Quem decidir frequentar estádio de futebol no Brasil é preciso ter algo em mente. Não é porque um negro está atuando numa equipe adversária pode ser chamado de 'macaco', 'preto fedido'. Caso contrário corre o risco de ser processado pela Justiça, como Patricia Moreira da Silva será. E ainda prejudicará profundamente o seu próprio clube. Vitória da decência no pleno do STJD...

A selvageria das organizadas também se impõe em Santa Catarina. A morte de João Augusto Grah, apedrejado, não foi por acaso. A impunidade estimula vândalos e criminosos há muito tempo…


"2005 - Após uma partida entre Marcílio Dias e Joinville, pelo Campeonato Estadual, no Estádio Hercilío Luz, em Itajaí, Rafael Cesar Bueno, torcedor do JEC, levou um tiro na cabeça, em confronto com torcedores da Fúria Marcilista. Bueno perdeu a visão do olho direito.

2006 - Júlio César Ganzer da Cruz, torcedor do Joinville de 17 anos, morreu ao ser atingido, dentro do ônibus, por uma pedrada na BR-101, em Biguaçu. Ele voltava de um jogo entre JEC e Avaí.

2008 - Bomba atirada por torcedor do Avaí em direção à torcida do Criciúma, no Estádio Heriberto Hülse, atingiu o torcedor Ivo Costa. Na ocasião, seu Ivo, que já é falecido, perdeu a mão.
2008 - Torcida organizada do Coritiba ataca a sede de torcida organizada do Figueirense, em Florianópolis. 300 torcedores foram detidos pela PM por vandalismo.

2011 - Casa de presidente de torcida organizada do Figueirense é atingida por 13 tiros, disparados por um grupo de motociclistas.
2011 - Torcida organizada do Avaí entra em confronto com torcida organizada do Joinville nos arredores da Arena Joinville. 10 pessoas ficaram feridas e um sargento da PM teve traumatismo craniano.

2012 - Torcidas organizadas do Avaí e da Chapecoense se envolvem em confronto na sede de um dos grupos, em Chapecó. Três torcedores foram hospitalizados, um deles com um tiro de raspão no braço.

2013 - Briga entre torcedores do Atlético-PR e do Vasco na Arena Joinville, na última rodada do Brasileiro, repercutem no país inteiro. Quatro ficaram feridos, 40 envolvidos foram identificados pela Polícia Civil e três torcedores do Vasco foram presos.

2014 - Presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim de Pádua Peixoto Filho leva um soco de um torcedor no estacionamento do estádio Orlando Scarpelli, após jogo entre Marcílio Dias e Atlético de Ibirama. O carro dele também foi apedrejado.
2014 - Membros da organizada do Avaí são atacados na BR-101. Um torcedor é internado com escoriações graves. Membros da organizada do JEC postaram imagens comemorando o fato. Na Arena, houve também confusão, com dois torcedores feridos e carros depredados.
2014 - Torcedores do Sport brigam entre si no Scarpelli, em jogo contra o Figueirense, foram detidos e retirados do estádio."

3reproducao8 A selvageria das organizadas também se impõe em Santa Catarina. A morte de João Augusto Grah, apedrejado, não foi por acaso. A impunidade estimula vândalos e criminosos há muito tempo...

Esse é um apanhado do jornal Diário Catarinense da crescente violência relacionada ao futebol em Santa Catarina. Fora do eixo Rio-São Paulo, as notícias não ganharam muita repercussão na mídia nacional. Só esporadicamente. Mas, infelizmente, desde quarta-feira, os catarinense voltaram a ganhar manchetes. De uma forma assustadora.

O torcedor João Augusto Grah foi morto no Balneário Camburiú. Ele estava em um micro-ônibus no quilômetro 136 da rodovia BR 101. Voltava do Paraná, onde havia ido acompanhar a partida do seu time, Avaí, contra o Paraná Clube. Estava empolgado com a ótima campanha, segundo na classificação geral da Série B.

A equipe havia empatado fora de casa, 1 a 1. A animação dos torcedores era grande. João estava em pé, conversando com o motorista. A janela estava aberta. O veículo estava perto do viaduto da rodovia Interpraias. Não poderiam imaginar que, em cima, havia um pelotão de fuzilamento improvisado. Um carro havia parado e vários membros da torcida organizada Fúria Marcilista desceram carregando pedras com cerca de 30 centímetros.

Esperavam por torcedores do Avaí. E assim que avistaram o micro-ônibus jogaram as pedras para baixo. Com raiva. Três delas acertaram o alvo. Uma delas atravessou o para-brisas e atingiu em cheio a cabeça de João. Desesperado, o motorista tentou salvá-lo. O levou para o hospital Ruth Cardoso, mas ele não resistiu e chegou morto.

João tinha 27 anos. Trabalhava em uma empresa de informática em Florianópolis. E tudo que queria era acompanhar a caminhada do Avaí na volta para a Série A. Morava com a namorada Karina Assunção. Tentou convencer o primo e o tio para irem até Curitiba. Não conseguiu, foi sozinho. Após a partida, pediu para Karina ir buscá-lo no Terminal Cidade, ponto final do micro-ônibus. Havia escrito no whatsapp, entre Itajaí e Camburiú, que desejava chegar logo em casa. Não chegou.

4reproducao4 A selvageria das organizadas também se impõe em Santa Catarina. A morte de João Augusto Grah, apedrejado, não foi por acaso. A impunidade estimula vândalos e criminosos há muito tempo...

As imagens do apedrejamento são chocantes. Mostram a banalidade com que a vida humana é tratada. A intenção por esses membros da organizada Fúria Marcilista era se vingar. A Polícia Civil catarinense descobriu que um carro de um torcedor desta torcida teria sido apedrejado por avaianos. Aquela seria a vingança.

A Polícia Civil conseguiu deter dez suspeitos de terem jogados as pedras. Todos ligados à torcida Fúria Marcilista. Entre eles, um menor de 16 anos. A Federação Catarinense promete impedir o acesso da organizadas nos estádios. As empresas de ônibus não querem mais aceitar levar torcedores para jogos fora de Santa Catarina. Por medo da violência das organizadas.

Santa Catarina é mais um estado vítima da impunidade, da falta de ação das autoridades. Há vândalos e criminosos infiltrados em suas organizadas. Como em todo o Brasil. Enquanto não houver uma ação dura, firme, tudo continuará como está. Também está na hora de dar um fim às estatísticas frias, que acalmam o coração. Não fazem perceber a gravidade, a selvageria do que acontece no país.

João Augusto Grah tinha identidade, família, trabalhava e só queria ter o direito de torcer, acompanhar os jogos do clube que amava. Foi morto por isso. Com uma pedra que estourou sua cabeça. Atirada por alguém que não o conhecia. E nem queria conhecer. Era um inimigo. No facebook de João ele mostrava que, se dependesse dele, tudo seria diferente. A rivalidade acabaria no gramado.

1ae33 A selvageria das organizadas também se impõe em Santa Catarina. A morte de João Augusto Grah, apedrejado, não foi por acaso. A impunidade estimula vândalos e criminosos há muito tempo...

Para entender quem João era, vale ler a mensagem que escreveu no Facebook. No dia 4 de novembro de 2013, após a vitória por 4 a 0 do Figueirense contra o seu adorado Avaí. Não mostrava ressentimento. Desejo de vingança, ódio diante do rival. Entendia a graça da competição, mesmo na derrota. Queria celebrar o futebol. Reafirmar o orgulho de seu clube mesmo após tomar uma goleada. Não desejava mal a ningúem. Não imaginava que iria se tornar mais uma vítima fatal nesse país sem lei, paraíso da impunidade, que tanto incentiva vândalos e criminosos. Santa Catarina também está infectada pela violência gratuita, estúpida das organizadas como todo o Brasil

"Hoje é dia de vestir o manto Avaiano. Porque viver de vitória, viver de título é muito fácil. É na hora difícil, na derrota que o verdadeiro torcedor tem que aparecer e abraçar o time. (...) Futebol da capital sempre foi assim, os dois alternando bons e maus momentos. (...) Ontem foi o dia do Figueirense. Apesar de não concordar com a atitude de alguns, acho que esse clima de festa e gozação é valido, faz parte do futebol. Mas aqui é Avaí Futebol Clube, como e aonde estiver! Abraço para os meus amigos alvinegros e avaianos..."
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Interpretação absurda da Comissão de Arbitragem compromete o Brasileiro. Vários pênaltis inexistentes foram marcados. Marin e Marco Polo estão constrangidos. E o coronel Marcos Marinho pode assumir o comando dos juízes em 2015…

1getty2 Interpretação absurda da Comissão de Arbitragem compromete o Brasileiro. Vários pênaltis inexistentes foram marcados. Marin e Marco Polo estão constrangidos. E o coronel Marcos Marinho pode assumir o comando dos juízes em 2015...
A arbitragem brasileira nunca passou por um momento tão desmoralizante. Juízes amadores, fracos, inseguros e sem a menor coerência na interpretação das regras do futebol. Mas a indefinição em relação à bola na mão ou mão na bola passou de todos os limites. E tem motivos patéticos.

A Comissão de Arbitragem da Fifa acrescentar a expressão movimento 'anti-natural' em relação à bola na mão. Ou seja, quando o jogador movimento o braço de maneira deliberada para ocupar mais espaço. A cúpula da entidade acreditou que tudo ficaria mais fácil para os árbitros.

E mão na bola continuou sendo falta. E bola na mão, não. Em todos os lugares no mundo. Menos no Brasil. A Comissão de Arbitragem da CBF ficou completamente desnorteada com a situação. E venceu o exagero. Os juízes do País foram orientados a não titubear quando a bola tocasse na mão do jogador. Na dúvida se o movimento é ou não anti-natural, eles passaram a marcar faltas ou pênaltis.

De nada adiantavam os protestos de treinadores, jogadores, dirigentes, imprensa. Para a Comissão de Arbitragem, tudo estava normal. A única providência que a CBF tomou foi espalhar um vídeo tentando explicar a nova determinação para os juízes. Ana Paula Oliveira, ex-bandeira que virou celebridade depois de posar nua, se tornou diretora-secretária da Escola Nacional de Arbitragem. E com óculos, imagem recatada, ela tentava explicar o tal termo 'anti-natural.' O vídeo foi colocado no ar há seis dias...

A explicação mais complica do que elucida. Tudo ficou muito pior, confuso. Vários e vários jogos, a mesma confusão. Lances claros como bola na mão, viraram pênaltis absolutos no território nacional. Para deixar a situação mais constrangedora, em outros campeonatos pelo mundo, a situação continuava a mesma. Bola que batia no braço de qualquer jogador era desconsiderada. O presidente da Comissão de Arbitragem, Sérgio Corrêa, passou a ser cada vez mais questionado. Inclusive pelo presidente José Maria Marin.

Corrêa insistia que a interpretação brasileira estava correta. Deixava claro que quem questionava é porque nunca foi árbitro. Mas tudo ruiu de vez ontem. O chefe da arbitragem da Fifa, Maximo Busacca, ridicularizou os critérios nacionais. Falou a vários veículos brasileiros. Garantiu que nada mudou.

"Um jogador precisa de sua mão e de seu braço para correr, se equilibrar e saltar. Não se pode jogar sem a mão. O árbitro precisa fazer a leitura correta do lance. Não se pode dar falta a qualquer toque na mão. Isso é um absurdo. O árbitro deve ver se a mão estava no local de forma natural ou não-natural.

"Tem que ser avaliado se o toque (da mão na bola) foi intencional ou não. Quando um jogador tenta fazer seu corpo maior usando a mão, isso deve ser punido. O juiz não pode só pensar como juiz e aplicar o que está escrito. Precisa se colocar no lugar do jogador para entender o movimento." Ou seja, o critério brasileiro era bizarro.

2reproducao13 Interpretação absurda da Comissão de Arbitragem compromete o Brasileiro. Vários pênaltis inexistentes foram marcados. Marin e Marco Polo estão constrangidos. E o coronel Marcos Marinho pode assumir o comando dos juízes em 2015...

A cobrança foi pesada para Sérgio Corrêa. Ontem mesmo ele correu para apresentar a sua versão dos fatos. E, lógico, tentar isentar a Comissão de Arbitragem. E a CBF. Usou o veículo de comunicação que confia.

"A CBF não deu nenhuma orientação diferente. A CBF apenas reproduziu, através de um instrutor da Fifa, o Jorge Larrionda, árbitros de três Copas do mundo e membro da comissão de arbitragem da Fifa. Em recente curso aqui no Brasil, ele deu orientações no sentido da bola na mão e mão na bola.

"O que nós temos e ouvimos que há essa diretriz. Ela foi ampliada, não é uma mudança na regra do jogo, a lei que trata do assunto continua com o mesmo texto, os mesmos termos. Não é que alterou, agregaram-se informações para que o árbitro pudesse interpretar se foi bola na mão ou mão na bola. Foi isso que aconteceu. A CBF não dá instrução."

Sergio Corrêa falou no Sportv, canal a cabo, da Globo. Ele transferiu a culpa ao árbitro uruguaio Jorge Larrionda.
Um curso é que 'teria mudado' a visão da Comissão de Arbitragem em relação a lances fundamentais de jogos do Brasileiro, da Copa do Brasil. Ele é instrutor da Fifa. E 'teria sido levado mais a sério' por ter apitado a Copa de 2006 e 2010.

Na África, Larrionda não validou gol escandaloso da Inglaterra, depois de chute de Lampard, contra a Alemanha. A bola bateu no travessão e caiu além da linha. Gol legítimo que o uruguaio não validou. Involuntariamente, contribuiu que a tecnologia fosse implementada na Copa de 2014.

Diante das declarações de Busacca para a imprensa brasileira, tudo mudou. A bola na mão voltou a ser bola na mão...

3ap Interpretação absurda da Comissão de Arbitragem compromete o Brasileiro. Vários pênaltis inexistentes foram marcados. Marin e Marco Polo estão constrangidos. E o coronel Marcos Marinho pode assumir o comando dos juízes em 2015...

Mas Corrêa não teve tempo de avisar, por exemplo, o árbitro goiano André Luiz de Freitas. Ele marcou um pênalti absurdo ontem a favor do São Paulo. Samir tocou na bola sem a menor intenção e ainda, para piorar as coisas, fora da área. O juiz não quis nem saber. Apontou a marca do cal. Rogério Ceni bateu mal e Paulo Victor defendeu.

Vanderlei Luxemburgo ficou histérico. Foi uma das raríssimas vezes em que estava certo. Até mesmo Muricy admitia que a penalidade dada para o seu time não existiu. Assim como o de Antônio Carlos contra o Corinthians e tantos outros. A classificação do Campeonato Brasileiro foi alterada com essa interpretação absurda. Times ganharam e perderam pontos graças a esses pênaltis inexistentes que foram marcados.

3reproducao7 Interpretação absurda da Comissão de Arbitragem compromete o Brasileiro. Vários pênaltis inexistentes foram marcados. Marin e Marco Polo estão constrangidos. E o coronel Marcos Marinho pode assumir o comando dos juízes em 2015...

José Maria Marin e Marco Polo del Nero ficaram constrangidos com o que aconteceu. Mas não pretendem de jeito algum tirar Sergio Corrêa da presidência da Comissão de Arbitragem. Não por enquanto. Ele é homem da mais profunda confiança de Marin. Nem tanto de Marco Polo. O dirigente que assumira a CBF em janeiro de 2015 é muito ligado no coronel Marcos Marinho. Não será surpresa se ele ganhar o lugar de Corrêa.

Agora a bola na mão involuntária voltará a não ser absolutamente nada para os juízes. E quantos aos resultados que foram drasticamente mudados com pênaltis inexistentes marcados? Todos vão fazer de conta que nada aconteceu. Assim caminha o futebol brasileiro. Dando vexames em todos os seus segmentos...
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A CBF não quer revanche com a Alemanha. Deseja é voltar a ganhar muito dinheiro com a Seleção. A humilhação diante dos germânicos fez o preço dos amistosos cair por mais da metade. Isso incomoda…

1ap3 A CBF não quer revanche com a Alemanha. Deseja é voltar a ganhar muito dinheiro com a Seleção. A humilhação diante dos germânicos fez o preço dos amistosos cair por mais da metade. Isso incomoda...
O motivo para José Maria Marin e Marco Polo Del Nero estarem tentando fazer dois amistosos com a Alemanha é diferente. Não tem nada a ver com o sentimento de revanche, raiva, engasgo na garganta com o 7 a 1 no Mineirão. O motivo é financeinro. Eles querem voltar a viabilizar economicamente a Seleção Brasileira. A Copa foi danosa para a imagem do pentacampeão mundial. Principalmente depois do vexame contra os germânicos.

O patamar cobrado pelos jogos do Brasil teve de cair drasticamente. O time agora de Dunga deixou de ser atração como era antes do Mundial. O reflexo foi imediato. E revelado sem o menor constrangimento pelo presidente da Federação Ucraniana, Vladimir Lashkul. Falou com todas as letras. Vale lembrar suas palavras.

"As negociações com os brasileiros estão encerradas. O principal motivo foi o desempenho do Brasil na Copa do Mundo. Antes do Mundial, os valores giravam em torno de US$ 3,5 milhões (cerca de R$ 8 milhões), além de uma adicional de U$ 250 mil, caso o Brasil fosse campeão. Gostamos, mas ficamos de retomar a negociações após a Copa, o que não nos interessa mais." Disse ao jornal ucraniano "Sport Express". A conversa começou antes do Mundial. E seria fechada logo após. Foi cancelada.

O desgaste atingiu diretamente a empresa árabe ISL e a inglesa Pitch. Ricardo Teixeira vendeu o direito de a ISL arrumar os amistosos para a Seleção até 2022. A Pitch entrou depois, repartindo a busca de adversário. À CBF cabe uma porcentagem nos jogos. Quanto maior for o cachê, melhor. Seus interesses financeiros foram atingidos. O patamar do cachê da Seleção caiu drasticamente. Não há país que pague nem perto dos US$ 3,5 milhões para o Brasil. Muito menos bônus pelo time ter ficado em quarto lugar. O pedido é o mesmo de antes da Copa das Confederações: entre US$ 1,5 milhão (R$ 3,6 milhões) e US$ 1 milhão (R$ 2,4 milhões). Para a CBF chegam entre R$ 1,5 milhão e R$ 1 milhão, sem impostos. Mais todo o transporte e hospedagem da Seleção. ISL, Pitch, Marin e Marco Polo querem aumentar esse dinheiro.

 A CBF não quer revanche com a Alemanha. Deseja é voltar a ganhar muito dinheiro com a Seleção. A humilhação diante dos germânicos fez o preço dos amistosos cair por mais da metade. Isso incomoda...

Depois de pensarem chegaram à conclusão que o melhor caminho é ter pela frente os alemães. Seria uma mostra ao mundo que a derrota por 7 a 1 teria sido um mero apagão. E que o Brasil continua forte como sempre. E porque esses dois amistosos contra o time de Joaquim Low? Porque para os europeus, asiáticos e norte-americanos, a Copa América não tem o menor valor. A equipe de Dunga pode vencer com um futebol deslumbrante as duas edições. A primeira no próximo ano no Chile. E a segunda, em 2016, nos Estados Unidos. Vitórias maravilhosas também nas Eliminatórias teriam ainda menos valor. Para amenizar o vexame da Copa, os alemães se tornaram obrigatórios.

Dunga já foi mesmo consultado por Marin. O treinador nunca diria não ou mostraria medo diante de qualquer partida. Ainda mais nessas. Elas seriam as ideais para mostrar à crônica esportiva brasileira que tem muito mais visão do que Felipão. "Não tem problema nenhum (os dois amistosos). Temos que respeitar (a Alemanha), mas não tem que ter medo. Se você pegar jogador por jogador não tem uma diferença tão grande entre Brasil e Alemanha. Dunga comentou que o jeito de a Alemanha jogar não é uma novidade. “Nós (Brasil) já jogamos assim", disse à Fox Sports.

O treinador não iria perder uma oportunidade dessas para valorizar seu trabalho. Sua modernidade. Na verdade, até um vendedor de zona azul na Praça da Sé não usaria a tática de Felipão e Parreira contra os campeões mundiais. Nem o cobrador de ônibus, da rota Capão Redondo-Praça da República, enfrentaria a Alemanha com uma equipe que treinou por dez minutos. Foi o que o Brasil fez, entrando no Mineirão, com Bernard. Passou vergonha.

Dentro do campo, os alemães continuam muito melhor. A geração é bem mais talentosa que a brasileira. Mas o time de Dunga é muito mais competitivo, marca mais e dá mais pontapés do que o de Felipão. Psicologicamente é mais amadurecida. Menos juvenil do que a de Felipão. Duas derrotas ainda poderiam acontecer. Mas não por 7 a 1.

Até para os jogadores seria excelente se acontecer os amistosos. E o Brasil for bem. Depois da vergonha que a Seleção fez a população passar, os atletas foram banidos das propagandas na tevê. Apenas Neymar e David Luiz fazem aparições esporádicas. Os restantes, nem pensar. Assim como Felipão e Murtosa. Essa enorme fonte de renda acabou para a dupla. O meio publicitário ainda não procurou Dunga. Empresa alguma quer, neste momento, relacionar seu nome com a Seleção que fracassou há pouco mais de três meses.

1reproducao26 A CBF não quer revanche com a Alemanha. Deseja é voltar a ganhar muito dinheiro com a Seleção. A humilhação diante dos germânicos fez o preço dos amistosos cair por mais da metade. Isso incomoda...

Há algo muito mais importante que vai além do fato comercial. Não há como ter uma revanche contra a Alemanha. Nem se o Brasil vencer os dois jogos por 10 a 0. Ninguém a sério compara meros amistosos com partidas por uma Copa. O que passou, passou. Ficou para a história. Há 64 anos o Brasil tenta se vingar o Uruguai pela derrota em 1950. Cada confronto entre os dois países é apontado como 'vingança'. Pura bobagem. Ninguém tira o título uruguaio. Nem voltará atrás a incrível vitória da Alemanha na semifinal da Copa em Belo Horizonte por 7 a 1.

O que Marin e Marco Polo estão tentando fazer é resgatar a viabilidade comercial do Brasil. Que deixou de ser um produto de luxo para se tornar algo barato, sem impacto ou credibilidade. Basta lembrar o mais recente amistoso, há apenas 16 dias. Contra o Equador nos Estados Unidos, em New Jersey. O Metlife Stadium tem capacidade para 82 mil pessoas. Apenas 35 mil se animaram para ver o jogo. Pouco mais de um terço da capacidade da arena. A arrecadação foi um fracasso.

Organizadores de amistosos espalhados pelo mundo todo sabem: a Seleção Brasileira está muito desvalorizada. Por ironia, a saída pode estar no time que a envergonhou, a Alemanha...
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