“Seleção não é uma obsessão. A ideia de ficar muitos anos no Cruzeiro me atrai cada vez mais. Quero de verdade é fazer história por aqui.” Exclusiva com Marcelo Oliveira, o melhor técnico do Brasil…

1cruzeiro3 Seleção não é uma obsessão. A ideia de ficar muitos anos no Cruzeiro me atrai cada vez mais. Quero de verdade é fazer história por aqui. Exclusiva com Marcelo Oliveira, o melhor técnico do Brasil...
"Treinar a Seleção Brasileira seria ótimo. Mas não é minha obsessão. Se acontecer, será naturalmente. O que eu quero de verdade é fazer história no Cruzeiro. Por que se o trabalho está dando certo, não posso ficar anos e anos como na Europa?

"Um dos segredos do Cruzeiro é a pesquisa que a gente faz na hora de contratar. Procuramos saber como o jogador é fora de campo. Como ele se comporta com o grupo. E seu histórico de lesões. Nada é por acaso no futebol.

"Fui campeão paranaense no Coritiba, com o melhor ataque e a defesa menos vazada. Os dois principais artilheiros. Quebramos o recorde mundial de vitórias seguidas, chegamos à final da Copa do Brasil. No final do ano, sete jogadores foram vendidos. Como é possível destruir um time assim e ainda cobrar resultados? Falta no Brasil planejamento. No Cruzeiro, eu encontrei.

"O bairrismo não atrapalha tanto como no meu tempo de jogador. A concorrência era enorme para atuar na Seleção, tínhamos jogadores muito talentosos. Mas atuar nos times de São Paulo e Rio pesava nas convocações. Os outros centros como Minas Gerais eram prejudicados.

"Não é justo crucificar o Felipão pelo que aconteceu na Copa. O Brasil treinou pouco demais. A Alemanha levou sete anos para formar o campeão do mundo. Na derrota por 7 a 1 eu fiquei triste, chateado demais. Mas sabia que era uma partida injusta. Um time preparado de verdade com conjunto e outro que tenho compensar tudo focando na parte emocional, na garra. Mas bastou tomar dois, três gols e tudo desmoronou. Como tinha de ser.

"No futebol não há mágica. Se o talento se equivaler, vai prevalecer o melhor conjunto. O time que ataque de forma mais compactada e que defenda sem a bola. Simples, mas difícil demais para conseguir."

"O jogador brasileiro é preguiçoso. Quanto mais talento tem, mais vergonha tem de marcar. É uma questão de mentalidade atrasada que precisa ser mudada. Talvez seja essa a minha maior vitória no Cruzeiro. No começo do ano aviso logo, quem não trabalhar e priorizar o grupo não vai jogar. Por melhor que seja. Um time com um ou dois jogadores que não participem intensamente da partida vão fazer a equipe deixar de ser campeã. Isso não acontece comigo."

Esses são alguns conceitos preciosos de Marcelo Oliveira. Em uma reveladora entrevista exclusiva, ele detalha como montou o Cruzeiro campeão do Brasil e que já acumula sete pontos de vantagem na briga pelo bicampeonato. E que não quer deixar escapar a Copa do Brasil. O sonho da tríplice coroa é real. Já é campeão mineiro. "É possível, lógico que eu quero. Só que não vou menosprezar ninguém. Teremos adversários difíceis demais pela frente. Mas é possível", diz, sem querer passar a imagem de arrogante.

Mas na conversa sincera, Marcelo não esconde que aprendeu demais com a sofrida eliminação do time na Libertadores. E quer mostrar que deseja ir além de onde parou, nas quartas de final contra o San Lorenzo. Deixa claro que, por ele, seu contrato com o Cruzeiro não terminará em dezembro.

"Estou pensando muito nesses dias. Ficar onde o trabalho está dando resultado, há entendimento perfeito com a diretoria, utilização da base, ótimo clima com jogadores, torcedores. Não vejo motivo para trocar o que tenho por aqui no Cruzeiro. Estou feliz de verdade. Espero que estejam comigo..."

Devem estar. Ele tem o melhor aproveitamento da história do Cruzeiro. Os números são impressionantes. Até agora são 111 jogos, 78 vitórias, 18 empates, 15 derrotas. 241 gols marcados e 88 sofridos. Saldo 153. Aproveitamento de 75,68%.

As torcidas organizadas que não queriam a sua contratação pela origem atleticana, hoje o veneram. Virou o maior ídolo do clube. Mais até do que os jogadores...

O nível do futebol brasileiro está muito ruim? Principalmente comparado com o europeu?

A diferença é que por aqui não há continuidade no trabalho. As trocas de treinadores são constantes. Não há filosofia de trabalho. O planejamento não é respeitado. Jogadores saem a todo o instante. Não há como formar uma equipe que atue junta por muito tempo. Sem tempo para entrosar, não há esquema tático que dê certo. Tudo fica muito amador. Não tem cabimento comemorar o fato de eu ser o treinado que trabalho há mais tempo em um clube no Brasil. Um ano e oito meses é muito pouco. Ter um mesmo treinador por anos reflete em campo, no trabalho de base, no ambiente do clube. Nada é por acaso. É preciso muito trabalho. No Brasil improvisamos a todo instante. Ninguém respeita uma filosofia. Bastam virem alguns resultados ruins e todo planejamento é abandonado. Esse é o nosso mal. Se financeiramente estamos abaixo dos europeus, deveríamos respeitar ainda mais a filosofia de trabalho. Isso não acontece.

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Você é a favor do que a maioria dos treinadores do país teme, a quarentena? Ou seja, o técnico só poderia trabalhar em um clube em cada campeonato. Se fosse demitido ficaria recebendo do clube que o contratou até a temporada terminar?

Lógico que sim. Mas isso é utopia. Por um motivo bem simples. O futebol é o retrato da nossa sociedade. O combinado não é cumprido. As pessoas não arcam com suas responsabilidades. Vou dar um exemplo pessoal. Eu trabalhei e não recebi do Vasco, do Ipatinga e do Paraná Clube. Tive de procurar a Justiça. Se os clubes já não pagam com o técnico trabalhando de verdade, vão pagar com eles demitidos? Não vão. Nosso país está atrasado. Pouquíssima gente cumpre sua palavra, respeita lei. Então ficamos presos ao atraso. E ele se reflete nas horas mais importantes. Como em uma Copa do Mundo, por exemplo. O Felipão não pode ser crucificado por um problema que é muito mais profundo, estrutural. Se as pessoas não perceberem isso, continuaremos atrasados. E as cobranças continuarão vindo nas grandes competições. Mas é no dia a dia que ficamos atrás.

O que você sente quando toda a culpa pelo vexame do Brasil na Copa é colocada nas costas do Felipão?

Tristeza por tamanha injustiça. Não é justo crucificar o Felipão pelo que aconteceu na Copa. O Brasil treinou pouco demais. A Alemanha levou sete anos para formar o campeão do mundo. Na derrota por 7 a 1 eu fiquei triste, chateado demais. Mas sabia que era uma partida injusta. Um time preparado de verdade com conjunto e outro que tenho compensar tudo focando na parte emocional, na garra. Mas bastou tomar dois, três gols e tudo desmoronou. Como tinha de ser. É mais fácil tentar personalizar a derrota do que entender que é um problema estrutural. Se o Felipão perdeu sozinho agora, ele ganhou sozinho em 2002. Não é assim. Todos estão envolvidos no que acontece com a Seleção: dirigentes da CBF, técnico, jogadores, preparadores físicos e por aí vai. É um grupo de trabalho envolvido.

1ap3 Seleção não é uma obsessão. A ideia de ficar muitos anos no Cruzeiro me atrai cada vez mais. Quero de verdade é fazer história por aqui. Exclusiva com Marcelo Oliveira, o melhor técnico do Brasil...

Você quer trabalhar na Seleção Brasileira? Acredita que se assumir um clube de Rio ou São Paulo será mais fácil?

Treinar a Seleção Brasileira seria ótimo. Mas não é minha obsessão. O bairrismo não atrapalha tanto como no meu tempo de jogador. A concorrência era enorme para atuar na Seleção, tínhamos jogadores muito talentosos. Mas atuar nos times de São Paulo e Rio pesava nas convocações. Os outros centros como Minas Gerais eram prejudicados. Agora talvez pese um pouco, mas muito menos. Mas repito, faço o meu trabalho focado em dar o melhor para o Cruzeiro. Minha vida não tem como meta a Seleção e sim fazer o clube em que estou fazer o melhor possível.

Muita gente considera que um dos segredos para o seu sucesso como técnico é a sinceridade, além da visão tática moderna de futebol.

Aprendi na minha vida que o melhor é sempre ser sincero. Sempre. E isso pesa quando você comanda um grupo com tantos jogadores de qualidade. Eles sabem que é impossível todos entrarem em campo. Por isso aviso logo no início do ano. Comigo irão sempre jogar aqueles que estiveram atuando melhor. Que ajudem o grupo. Não me importa nome, salário, de onde veio. O importante é o futebol que o time consegue mostrar. É o que acontece no Cruzeiro desde o ano passado. No início tinha alguma carinha contrariada com a reserva. Mas agora todos já sabem que a prioridade é o bem do grupo. Dou como exemplo o Dagoberto. Para ele jogar, o time precisa mudar. Os volantes têm de se desdobrar marcando os laterais adversários. Isso nem sempre é possível. Por isso muitas vezes ele entra durante o jogo. Sabe que é melhor para o time. Por essa filosofia clara é que não tenho problema disciplinar.

Marcelo, o Cruzeiro não tem uma grande estrela internacional. Por exemplo, o Diego Souza não se encaixou na sua filosofia e foi vendido?

Gosto muito do Diego Souza. Fui eu quem pediu a sua contratação. Mas acontece que o time estava muito rápido, ágil sem ele. Ele se desdobrou, mas não conseguiu se encaixar na equipe. Percebeu que não conseguia render. Era ele ou o time. Foi quando surgiu a possibilidade dele ser vendido. Seria muito dinheiro para o Cruzeiro e para ele. O próprio Diego me procurou e disse que seria melhor sair. Então o liberei. Pode ficar certo. Tudo é feito às claras por aqui no Cruzeiro.

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Qual a maior lição que ficou com a derrota esse ano na Libertadores?

Foi muito sofrido, triste. Mas percebi que o time precisa e está aprendendo a valorizar o resultado. Saber defender. Entender que não é possível atacar a todo instante. É difícil também para mim. Fui um jogador muito técnico e está em mim buscar sempre as vitórias. Colocar o time na frente. Mas não é assim que se conquista uma Libertadores. Foi um aprendizado duro, dolorido. Mas não adianta sofrer e não tirar lições do que deu errado. Eu tirei muitas. Utilizar time ofensivo, aberto quando se pode. Quando não, o mais importante é ter paciência. Esperar o adversário no seu campo. Faltou essa vivência para o Cruzeiro. Por isso que eu te digo: é muito importante um treinador ficar muito tempo no clube. Ganhar, perder. Aprender a conhecer profundamente seu elenco. Tudo o que aconteceu com o Cruzeiro na Libertadores não se repetirá na próxima.

O fato de o Cruzeiro ter não só mantido o time de 2013, mas reforçado a equipe é fundamental, não?

Fui campeão paranaense no Coritiba, em 2011. Com o melhor ataque e a defesa menos vazada. Os dois principais artilheiros. Quebramos o recorde mundial de vitórias seguidas, chegamos à final da Copa do Brasil. No final do ano, sete jogadores foram vendidos. Como é possível destruir um time assim e ainda cobrar resultados? Falta no Brasil planejamento. No Cruzeiro, eu encontrei. Tivemos a possibilidade de vender o Everton Ribeiro, o Ricardo Goulart e o Lucas Silva. Mas a diretoria fez força e os segurou. O resultado está aí. Nada é por acaso.

Como manter o foco na conquista de um novo Brasileiro? É possível desta vez conquistar também a Copa do Brasil ao mesmo tempo?

Nosso calendário é pesado demais. Só que esta é a vantagem de ter montado um elenco grande, com muitas peças importantes. O foco na competição é o que garante a escalação do jogador. Ele sabe que se não se aplicar diariamente perde a posição. E ficará muito complexo para recuperá-la. A concorrência é grande demais. O Léo, por exemplo. Ele entrou para atuar ao lado do Dedé e foi bem demais. Não há como tirá-lo do time. Apesar de todo o ótimo trabalho do Manoel nos treinamentos. Aliás, é um dos jogadores que mais vi trabalhar na minha vida. Mas enquanto o Léo estiver bem, não sai. Ele e o Manoel sabem bem disso. O importante é que eu tenho o melhor time possível para as partidas do Brasileiro e também para a Copa do Brasil. A seriedade com que ganhamos do Santa Rita é bem o retrato do que estou falando. Quero ganhar as duas competições. É muito difícil pelo nível dos adversários. Mas possível.

A maneira do Cruzeiro atuar taticamente é a mais moderna no Brasil. Você tem alguma inspiração?

Olha, o time do Atlético Mineiro que joguei em 1977 já marcava e atacava em bloco. As lições que tive do Telê Santana ficaram para sempre. E fui desenvolvendo essa filosofia de buscar o gol, mas fazer o time recompor, preencher o espaço sem ela. O jogador brasileiro é preguiçoso. Quanto mais talento tem mais vergonha tem de marcar. É uma questão de mentalidade atrasada que precisa ser mudada. Talvez seja essa a minha maior vitória no Cruzeiro. Time com um ou dois jogadores que não participem intensamente da partida vão fazer a equipe deixar de ser campeã. Isso não acontece comigo. No futebol não há mágica. Se o talento se equivaler, vai prevalecer o melhor conjunto. A equipe que ataque de forma mais compactada e que defenda sem a bola. Simples, mas difícil demais para conseguir.

Qual a sua maior alegria que você teve com o futebol? E o seu plano para o futuro?

A minha maior alegria foi ter sido campeão brasileiro. É difícil demais. As pessoas não têm ideia de quanto é duro enfrentar tantos jogos seguidos, com adversários de alto nível. Clássico seguido de clássico. Ganhar o Brasileiro do ano passado me deu mesmo um prazer enorme. Sinto que o Cruzeiro pode, se mantiver o foco, brigar pelo título novamente. Não tem essa história de que tudo já está ganho. Falta muita coisa. Demos uma boa arrancada, mas ninguém aqui vai se iludir. Vamos lutar para não oscilar. Os adversários são difíceis. Mas lógico que vejo que o trabalho está indo em um bom caminho. Quanto ao futuro tenho pensado nesses dias em ficar muito tempo no Cruzeiro. Não vejo motivo para trocar. Meu contrato termina em dezembro. Não conversamos ainda sobre renovação. Mas essa é uma possibilidade que me atrai cada vez mais. Estou me sentindo muito bem por aqui. Feliz. E com a certeza de que ainda posso conseguir muita coisa com o Cruzeiro...
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Golear o humilde Santa Rita por 5 a 0, tentando marcar 10 a 0, mostra o respeito do Cruzeiro ao futebol. E explica o principal motivo que o transformou no melhor time do Brasil…

2cruzeiro1 Golear o humilde Santa Rita por 5 a 0, tentando marcar 10 a 0, mostra o respeito do Cruzeiro ao futebol. E explica o principal motivo que o transformou no melhor time do Brasil...
"Ganhar por 5 a 0 foi a nossa maneira de mostrar respeito ao Santa Rita. Se pudéssemos marcar mais, marcaríamos. Aqui ninguém tenta humilhar ninguém. Dar dribles desnecessários. Jogamos em função da vitória. Seja contra o adversário que for."

A declaração de Henrique ontem no Mineirão resume o que acontece no Cruzeiro. O melhor elenco do país tem uma folha salarial que bate nos R$ 8,5 milhões. O sorteio da Copa do Brasil reservou o adversário mais humilde. O alagoano Santa Rita. O time da cidade de Boca da Mata faz campanha histórica no torneio. Eliminou o Santa Cruz e chegou às oitavas-de-final de uma competição nacional.

Enquanto os mineiros lideram com folga a Série A do Brasileiro, os rivais não estão nem na série D. 2014 terminará para seus jogadores se não conseguirem eliminar o Cruzeiro. O nível técnico do vice campeão alagoano não se compara aos comandados por Marcelo Oliveira.

1cruzeiro2 Golear o humilde Santa Rita por 5 a 0, tentando marcar 10 a 0, mostra o respeito do Cruzeiro ao futebol. E explica o principal motivo que o transformou no melhor time do Brasil...

Mas foi emocionante a dedicação, a luta. Não dos alagoanos, tentando se transformar em onze Rocky Balboa. Essa era mais do que a obrigação de trabalhadores tentando sobreviver. Mas empolgou a dedicação do time cruzeirense. Sem afetação, correndo do início ao final da partida. Com seus atletas, cujos salários pagariam meses do time adversário, se desdobrando em campo. Lamentando cada gol perdido. Jogando com toda dedicação, profissionalismo. O que é muito raro, principalmente no Brasil, quando há tanta disparidade técnica.

O trabalho de Marcelo Oliveira se nota nos carrinhos de Júlio Baptista, nas divididas de Henrique, na luta de Dedé nas duas áreas, na aplicação de Dagoberto. Quando Neilton tentou enfeitar uma jogada já foi cobrado. Não pelo treinador, mas por seus companheiros de gramado. Queriam seriedade. A jovem estrela que saiu do Santos rapidamente se enquadrou. Percebeu logo na sua estreia com a camisa azul como tudo acontece no novo clube.

O Cruzeiro perdeu pelo menos mais oito gols feitos. Acertou a trave do corajoso e ágil goleiro Jeferson. Marcelo Moreno marcou dois, mas desperdiçou pelo menos mais três. Mesmo com a vitória nas mãos, o time não perdeu o ritmo. Continuou firme, buscando aumentar o placar. Orgulhou seus mais de 15 mil torcedores que foram ao Mineirão assistir uma partida que já se sabia decidida. Não é por acaso que o clube já arrecadou R$ 20 milhões brutos em jogos atuando como mandante. O bom futebol estimula sua torcida.

Com um elenco recheado de bons jogadores, mas sem qualquer grande estrela internacional, Marcelo Oliveira sabe manter o nível de competitividade interna. Sem dar espaço a estrelismos. Ricardo Goulart, Everton Ribeiro e Léo foram poupados. Júlio Baptista, Dagoberto e Manoel deram todo o suor para aproveitar suas chances. E voltarão ao banco tranquilamente, sem criar problemas dentro do elenco. Foi assim que conseguiu a simbólica vitória de número 1000 no Mineirão.

O Cruzeiro caminha a passos firmes para vencer o Brasileiro novamente. Duas vezes em seguida, como Minas Gerais nunca fez. Já venceu o primeiro turno. Acumula sete pontos de vantagem para o São Paulo, segundo colocado. Mas continua com fome. Não quer deixar escapar a Copa do Brasil. No ano passado, caiu diante de um heroico Flamengo. Não de Mano Menezes. Mas de Elias. Desta vez está muito melhor.

O respeito com que goleou o frágil Santa Rita por 5 a 0, querendo marcar 10 a 0, explica o sucesso do Cruzeiro. Jogando de forma compacta, atacando e recompondo em bloco. Sufocando o adversário. Uma equipe cujo treinador precisa ser observado com muito mais cuidado. Marcelo Oliveira tem uma mentalidade muito acima de seus concorrentes no país. Se estivesse trabalhando em São Paulo ou no Rio, Seleção não seria um sonho distante...
1ae26 Golear o humilde Santa Rita por 5 a 0, tentando marcar 10 a 0, mostra o respeito do Cruzeiro ao futebol. E explica o principal motivo que o transformou no melhor time do Brasil...

Em Cuiabá, novos vexames do Corinthians de Mano Menezes. Derrota para o Bragantino. E, como Petros, desta vez foi Guerrero quem deu uma trombada no árbitro pelas costas. STJD à vista…

 Em Cuiabá, novos vexames do Corinthians de Mano Menezes. Derrota para o Bragantino. E, como Petros, desta vez foi Guerrero quem deu uma trombada no árbitro pelas costas. STJD à vista...
"Aplaudindo o quê? Você deve estar de brincadeira se acha que eu aplaudiria uma trombada com o árbitro. De maneira nenhum eu aplaudiria esse lance! Tem de cuidar com as coisas irresponsáveis que parece que você viu. O Paolo estava olhando para cima e trombou com o árbitro. Em momento nenhum eu aplaudi esse lance. Não tem sentido sua afirmação e ela é irresponsável. É importante ser honesto quando a gente faz algumas afirmações."

Essa foi a resposta de Mano Menezes ao repórter da ESPN, Sérgio Loredo. O jornalista se referia a uma sequência muito estranha na derrota do Corinthians para o Bragantino em Cuiabá, pela Copa do Brasil.

40 minutos do segundo tempo. O Corinthians perde por 1 a 0 para o time interiorano. O goleiro Cássio dá um chutão para o campo do Bragantino. Guerrero tromba com Leandro Bizzio Marinho que está de costas. O corintiano o empurra com o cotovelo direito. Ele cai de quatro no gramado. Perde até o ponto eletrônico. Logo em seguida, sem edição, a câmera focaliza Mano Menezes. Ele aparece sentado no banco, olhando para o campo, com os braços estendidos, batendo palmas.

Se Mano aplaudia ou não o choque entre seu jogador e o juiz é o que menos importa. Desvia o foco de novo problema grave para o Corinthians. O clube já tem Petros com efeito suspensivo por ter dado um empurrão no árbitro Rafael Klaus. No julgamento do STJD ele tomou uma pena de seis meses sem poder jogar futebol. O Corinthians entrou com recurso no Pleno. Enquanto o novo julgamento não acontece, o meio campista poderá atuar.

É uma irônica e estranha coincidência. O atacante peruano empurra nitidamente o juiz Leandro Marinho com o cotovelo direito. Não há a menor dúvida disso. Se foi reflexo ou não, fica impossível saber. Mas o árbitro é atingido. Como Petros, Guerrero não recebeu nem cartão amarelo. Depois do jogo, Rafael fez um adendo à súmula relatando o empurrão que sofreu. É possível que Leandro faça a mesma coisa depois de ver o lance na televisão.

Se o STJD tive o mínimo de coerência, Guerrero deverá ser notificado. A ação de Guerrero foi idêntica a de Petros. O Corinthians pode novamente ter um jogador citado por ter empurrado um árbitro.

O lance vai roubar a atenção em mais uma derrota do Corinthians. Desta vez para o Bragantino, penúltimo colocado da Série B. Elenco limitadíssimo. A diretoria vendeu o mando de jogo para empresários por R$ 1 milhão. Eles levaram a partida para a Arena Pantanal, elefante branco de R$ 628 milhões da Copa de 2014.

Os 28 mil torcedores transformaram o estádio em uma espécie de clone do Itaquerão. Simplesmente não havia torcida do Bragantino. Eram todos apoiando o Corinthians.

 Em Cuiabá, novos vexames do Corinthians de Mano Menezes. Derrota para o Bragantino. E, como Petros, desta vez foi Guerrero quem deu uma trombada no árbitro pelas costas. STJD à vista...

Mas o time de Mano Menezes decepcionou mais uma vez. O treinador tirou Jadson do time. Colocou Renato Augusto no seu lugar. O treinador havia assistido as partidas do time de PC Gusmão contra o São Paulo. E sabia que o Bragantino iria congestionar o meio de campo. E buscar contragolpes em velocidade.

O Corinthians entrou para o jogo no 4-2-3-1. A ideia era que Renato Augusto, Lodeiro e Luciano iriam se movimentar muito e servir o isolado Guerrero na frente. Além das chegadas de Elias e até Ralf. Ferrugem, como muita justiça como titular, e Fábio Santos poderiam apoiar.

Mas para tudo isso dar certo, o time teria de superar o 4-1-4-1 muito bem montado por PC Gusmão. O Bragantino conseguia congestionar as intermediárias. Não só travava o Corinthians como criava chances de gol. O time de Mano pecava pela lentidão e falta de imaginação. A saída eram cruzamentos aéreos. Principalmente para Anderson Martins.

Era muito pouco. Outra vez a equipe mostrava pouca inspiração para atacar, o que vem sendo uma constante. Tudo ficou pior quando Sandro acertou excelente chute da entrada da área, indefensável para Cássio. Bragantino marcava 1 a 0 aos dez minutos do segundo tempo.

O Corinthians partiu em bloco para tentar o empate. Com Jadson no lugar de Renato Augusto, Romero no de Luciano e Romarinho na vaga de Lodeiro. O esquema estava mudado. O time passava a ter três atacantes, atuava no 4-3-3. O que houve foi muita luta, correria. Mas pouco futebol, apesar de todo o apoio da torcida corintiana.

O time foi se enervando, irritando com o passar do tempo. Queria evitar a derrota a qualquer custo. Os jogadores tinham muita vontade, mas nenhuma disposição tática. Se tivesse um pouco mais de talento, o Bragantino poderia ter ampliado sua vitória, tamanho o espaço que tinha para atacar.

No final da partida, a vitória do penúltimo da Segunda Divisão. Muita decepção dos corintianos na Arena Pantanal. E muita preocupação. Para a partida de volta, no Itaquerão, o time não terá Elias, Gil, Lodeiro, Guerreiro todos convocados para jogarem amistosos com suas seleções e mais Ferrugem expulso.

Mano terá de montar um time que seja efetivo no ataque. Que consiga marcar gols, que pare de colecionar decepções, como ontem. Fora isso, tudo pode ficar ainda mais complicado, dependendo do STJD aceitar mais do que provável denúncia contra Guerrero. Assim como fez com Petros. Os corintianos precisam parar de empurrar árbitros pelas costas.

Realmente, não há motivo para aplausos, Mano Menezes...

(Como tudo que está ruim pode ficar pior, membros da torcida organizada Gaviões tentaram invadir o vestiário corintiano em Cuiabá após mais essa derrota. Afinal, a diretoria do clube tem ou não ligação profunda com seus torcedores?)

(imagens da ESPN Brasil)

O responsável pela negociação mais inesperada, inacreditável de 2014. O Barcelona de Messi, Neymar e Suárez comprar Douglas do São Paulo. Juan Figer conseguiu o que parecia impossível…

1reproducao20 O responsável pela negociação mais inesperada, inacreditável de 2014. O Barcelona de Messi, Neymar e Suárez comprar Douglas do São Paulo. Juan Figer conseguiu o que parecia impossível...
Juan Figer Svirski foi o gênio atrás de uma das melhores transações da história do São Paulo. O empresário uruguaio de 80 anos enxergou o que ninguém viu. Ou teria coragem sequer de imaginar. Oferecer Douglas para o Barcelona.

O lateral de 24 anos nunca foi uma unanimidade no Morumbi. Não desfrutava de prestígio entre os técnicos, dirigentes e mesmo entre os jogadores. Era visto como um lateral ofensivo muito voluntarioso. Mas com extrema dificuldade em recompor e também marcar.

Vários times adversários adoravam tê-lo pela frente. Sabiam que teriam um corredor para explorar. Esse foi o impasse desde que ele chegou ao Morumbi em 2012. O lateral então com 21 anos pertencia à Traffic. Ela negociava com o Internacional. Mas Douglas sofreu uma lesão no púbis que o tiraria do gramado por dois meses. Os gaúchos titubearam e os paulistas ficaram com o atleta.

Assim que se recuperou, Douglas começou a mostrar seu talento do meio de campo para a frente. E sua fragilidade da intermediária para trás. Em muitos jogos comprometeu o sistema defensivo são-paulino. A saída para poder explorar seu potencial era montar o time no 3-5-2. Com três zagueiros e ele atuando como ala. Como lateral era um convite à tragédia defensivamente.

A situação era tão comprometedora que Muricy pediu e o clube contratou Luís Ricardo da Portuguesa. Ganhou um duelo com o Palmeiras. Pagou R$ 1,3 milhão. Ele deveria ocupar justamente a posição de Douglas. Mas não conseguiu se firmar. Douglas voltou a ser titular, mas o problema defensivo persistia.

2reproducao7 O responsável pela negociação mais inesperada, inacreditável de 2014. O Barcelona de Messi, Neymar e Suárez comprar Douglas do São Paulo. Juan Figer conseguiu o que parecia impossível...

Foi quando Figer, empresário e amigo íntimo de Juvenal Juvêncio, entrou em ação. Ele tem excelente relacionamento com o mercado internacional. O seu currículo é riquíssimo. Esteve por trás de grandes transações.Negociou Maradona, Klinsmann, Gullit, Rijkaard, Lineker, De León, Sócrates, Careca, Vialli, Casagrande, Dunga, Zé Roberto, Müller, Pedro Rocha, Figueroa, Lugano, Lúcio, entre muitos outros.

Cansou de comprar jogadores com seu dinheiro e registrar atletas nos clubes uruguaios Central Español e Rentista. Daí negociava com quem quisesse.

Foi ele quem uniu os pontos. Sabia que o Barcelona está disposto a negociar Daniel Alves. Esta será a sua última temporada na Catalunha. Confirmou essa informação com amigos na diretoria espanhola. Ele já tem 31 anos. Ao contrário do que chegou a ser divulgado, não foi Carlos Miguel quem procurou Figer. Foi o oposto.

O veterano empresário primeiro havia feito contato com os espanhóis. E garantiu que havia no Brasil um 'Daniel Alves' sete anos mais novo. Os catalães adoraram o que viram. Lá Douglas pode atuar quase como ponta-direita que será muito bem recebido. Afinal, foi como Daniel Alves atuou nos últimos seis anos.

A negociação foi rápida. E empolgou demais a cúpula são paulina. Há quem jure que Douglas não acreditou que pudesse ser verdade. Pensou que fosse engano, piada. Ele sabia o quanto era questionado no Morumbi. Sua autoconfiança estava muito perto de virar depressão. Quando um dos maiores clubes do mundo surge querendo contratá-lo.

A imprensa espanhola, principalmente a catalã, ficou irritadíssima. Jornalistas levantaram rapidamente os antecedentes de Douglas. E, sem dó, questionaram a transação. Um chocante exemplo foi o artigo de Joan Josep Pallás no Mundo Deportivo.

"Aos 24 anos, ele foi incapaz de desbancar Daniel Alves e Maicon, com 31 e 33, respectivamente, como laterais-direitos do Brasil, país cuja liga é um cemitério de elefantes e cuja seleção, em seu Mundial, esteve muito norte-coreana: pelo choro exagerado de seus jogadores escutando o hino e pelo nível de seu futebol."

Os catalães se acostumaram com grandes contratações. Ídolos mundiais fazendo fila para desembarcar no clube. Quando Douglas foi confirmado ontem, as críticas continuaram nas rádios e na tevê.

Mas os R$ 12 milhões já haviam chegado ao Brasil. 60%, R$7,2 milhões cabem ao São Paulo. R$ 4,8 milhões à Traffic. Fora a comissão que Juan Figer recebeu dos espanhóis e do clube brasileiro.

O negócio tem tudo para ser o mais surpreendente de 2014. A cúpula do São Paulo não tinha a menor ideia que o lateral poderia interessar um clube tão importante. Muito menos o próprio jogador. Foi o olho muito bem treinado de Figer que conseguiu o inesperado. Unir Douglas a Messi, Neymar, Suárez...
1spfc3 O responsável pela negociação mais inesperada, inacreditável de 2014. O Barcelona de Messi, Neymar e Suárez comprar Douglas do São Paulo. Juan Figer conseguiu o que parecia impossível...

Nenhum clube foi tão humilhado por Ronaldinho Gaúcho como o Palmeiras. A terceira tentativa frustrada de contratá-lo estragou o banquete do centenário. Verde e branco ele só quer o seu boné do camarote no Carnaval de Salvador…

1afp2 Nenhum clube foi tão humilhado por Ronaldinho Gaúcho como o Palmeiras. A terceira tentativa frustrada de contratá lo estragou o banquete do centenário. Verde e branco ele só quer o seu boné do camarote no Carnaval de Salvador...
Nem mesmo o Grêmio fez sua torcida passar tanta decepção com Ronaldinho Gaúcho. O Palmeiras fez seus torcedores acreditarem por três vezes que teria o meia que foi melhor do mundo por duas vezes. E três vezes ficaram frustrados.

No banquete do centenário do clube, que deveria ser festivo, alegre, libertário, outra vez a enorme decepção. Infelizmente a frustração roubou a festa. Conselheiros reclamavam, xingavam, lamentavam. Saíram de suas casas, pagaram R$ 1.200,00 para jantar no Citibank Hall. Tinham a certeza de que a sobremesa seria Ronaldinho Gaúcho vestindo a camisa verde e branca número 100. Foram embora furiosos com Paulo Nobre.

O bilionário presidente tentou ao máximo evitar esse clima ruim. Mandou sua assessoria de imprensa divulgar pela Internet, rádio, televisão que a negociação havia fracassado. Isso logo depois das 18 horas. Era para os conselheiros chegarem no banquete cientes que não haveria anúncio algum.

Mas não adiantou. A grande maioria daqueles que escolherão o novo presidente do Palmeiras passaram o dia sonhando. Acompanhando cada lance da transação. Vibraram quando souberam pela manhã que o vice Maurício Precivalle havia fechado com Assis. "Estava tudo acertado", garantiam conselheiros próximos a Paulo Nobre.

Parecia um filme de suspense. Com tudo acontecendo no último instante. Ontem era o derradeiro dia de inscrições na Copa do Brasil. Por isso, o Palmeiras tratou de pagar a taxa de R$ 600,00 para a Federação Mineira transferir a documentação de Ronaldinho Gaúcho para a Federação Paulista. Isso aconteceu às 16h54.

Foi então que conselheiros e funcionários do clube passaram a espalhar a notícia a jornalistas amigos. Tudo estava chegado. Não haveria como a transação andar para trás, acreditavam. Não sabiam o quanto estavam longe da realidade.

1reproducao19 Nenhum clube foi tão humilhado por Ronaldinho Gaúcho como o Palmeiras. A terceira tentativa frustrada de contratá lo estragou o banquete do centenário. Verde e branco ele só quer o seu boné do camarote no Carnaval de Salvador...

Assis e Precivalle chegaram ao mínimo que o jogador receberia: R$ 300 mil. Chegando a um mínimo de partidas em campo, receberia mais R$ 175 mil. R$ 475 mil é o salário de Valdivia. A preocupação da diretoria era não criar um rompimento entre o jogador e o restante do grupo por causa do dinheiro. A partir daí seria 'bônus'. Assis pediu 20% da renda das partidas do Palmeiras que o irmão estivesse atuando. E mais 30% de participação no patrocínio da camisa que o meia atraísse. Tudo certo. A direção do clube e Nobre aceitaram.

O Palmeiras chegou até a redigir o contrato. Ele iria até dezembro com a possibilidade de renovação por mais um ano. Assis está negociando com um clube chinês e outro norte-americano. Acredita que Ronaldinho pode viver pelo menos mais uma temporada fora do país e ganhando muito bem. Quis fazer com o Palmeiras o que Kaká faz com o São Paulo. Ganhar bom dinheiro até o final do ano e manter o ritmo de competição até 2015.

Só que uma velha reclamação de quem já negociou com Assis voltou à tona. Depois de tudo apalavrado e contrato feito, o empresário decidiu pedir mais. Quis que os 20% da arrecadação bruta dos jogos do Palmeiras que o irmão atuasse. O clube que se virasse com os descontos. Seria um aumento significativo.

1ae24 1024x576 Nenhum clube foi tão humilhado por Ronaldinho Gaúcho como o Palmeiras. A terceira tentativa frustrada de contratá lo estragou o banquete do centenário. Verde e branco ele só quer o seu boné do camarote no Carnaval de Salvador...

Essa decisão irritou profundamente Paulo Nobre. Se com Alan Kardec, o dirigente quis economizar R$ 20 mil, não daria cerca de R$ 200 mil a mais para o meia do que havia combinado. O vice Precivalle mandou avisar que o clube manteria o combinado. Seria 20% sobre a arrecadação líquida e nunca a bruta.

Foi a deixa para Assis afirmar que o negócio estava desfeito. O meia não mais viajaria do Rio de Janeiro, onde curte suas férias, para São Paulo. Nada de presença no banquete e apresentação oficial para a torcida. A resposta pegou a todos como uma bomba. Não havia tempo para discutir mais nada. Não haveria como inscrever Ronaldinho Gaúcho para a Copa do Brasil. E o grande presente do banquete do centenário estava cancelado.

Nobre tentou salvar ao menos a reputação do clube. Mandou avisar que o Palmeiras tinha desistido de Ronaldinho Gaúcho. Era uma saída política. E com menos danos políticos. O presidente que emprestou R$ 125 milhões ao clube tentará a reeleição. Tentou se preservar o máximo que pôde.

Só que o desgaste já estava feito. Muitos conselheiros saíram frustados. Haviam ido para o banquete sonhando com fotos ao lado do novo contratado. Tiveram de se contentar com selfies com vários ídolos do passado. Paulo Nobre teve de dar inúmeras explicações. Consolar muita gente.

O que aconteceu foi melhor para Roberto Frizzo e Wlademir Pescarmona. Os dois candidatos de oposição que tentarão enfrentar o poderio econômico de Nobre na eleição. A conselheiros faziam questão de mostrar o quanto ele havia sido amador. Deixou vazar a informação que contrataria Ronaldinho Gaúcho e depois passava por um grande vexame. Expunha outra vez o Palmeiras de maneira desnecessária.

Em 2011, Assis havia garantido a dirigentes palmeirenses que seu irmão iria jogar no Palestra Itália. Disse a mesma coisa para a diretoria gremista. E ele foi para o Flamengo. Em 2012, outra vez o Palmeiras chegou primeiro. O empresário havia deixado tudo certo. Só que o meia acabou no Atlético Mineiro. E ontem mais uma enorme decepção. Estragou o banquete do centenário do clube.

O Palmeiras foi preterido três vezes por Ronaldinho Gaúcho. Virou motivo de chacota, humilhação nacional. Tomara que o meia encerre logo a carreira. Para evitar mais frustração pelos lados do Palestra Itália. Verde e branco ele só quer o boné do seu camarote no Carnaval de Salvador...
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Com Andrés Sanchez só cuidando de sua candidatura a deputado, Corinthians sepulta os planos de naming rights. E se conforma. O nome do seu estádio sempre foi e sempre será Itaquerão…

1reproducao18 Com Andrés Sanchez só cuidando de sua candidatura a deputado, Corinthians sepulta os planos de naming rights. E se conforma. O nome do seu estádio sempre foi e sempre será Itaquerão...
Foi em junho de 2010 que a Fifa oficializou. O Morumbi estava fora da Copa. Foi a consagração. A maior vitória da vida de Andrés Sanchez. Com o apoio de Lula, Ricardo Teixeira, Joseph Blatter, de Gilberto Kassab, Andrés Sanchez teve sua maior vitória na vida. A certeza que o Corinthians teria seu estádio. E construído com uma facilidade absurda, inimaginável. O clube da Zona Leste foi quem mais ganhou com o Mundial de 2014.

R$ 420 milhões de incentivo fiscal da prefeitura. R$ 80 milhões do governo estadual. Os demais R$ 700 milhões de empréstimo do BNDES, com taxa de juros superespecial por causa da Copa do Mundo. Delícia construir um estádio assim.

Ou seja, há mais de quatro anos, Andrés sabia que o estádio realmente existiria. Quando seu segundo mandato acabou no Parque São Jorge, passou a assumir publicamente o que sempre foi. O responsável pela nova arena. "Um mestre de obras", ironizou Carlos Miguel Aidar. O atual presidente são paulino só aumentou a rivalidade que começou com Juvenal Juvêncio. Ele chegou a classificar Andrés como 'analfabeto'.

Andrés estava obcecado. Tinha a certeza que economizaria R$ 400 milhões para o Corinthians. Colocou esse número na cabeça e saiu pelos quatro cantos da Terra. Ofereceu até não mais poder o naming rights do estádio que estava nascendo. Foram quatro anos e dois meses de planos mirabolantes.

Cansou de garantir a conselheiros que não faltariam interessados. Afinal, seria o estádio do Corinthians, o clube mais popular do estado mais rico do país. Foi alertado que o mundo havia mergulhado em uma profunda crise. Tanto na Europa, nos Estados Unidos como na Ásia.

12 Com Andrés Sanchez só cuidando de sua candidatura a deputado, Corinthians sepulta os planos de naming rights. E se conforma. O nome do seu estádio sempre foi e sempre será Itaquerão...

Não havia saída. Ainda mais para um projeto tão caro. Cerca de 200 milhões de dólares para batizar um estádio brasileiro por dez anos. Não havia apelo comercial.

Mesmo assim, Andrés foi várias vezes para o Oriente. Principalmente para os Emirados Árabes. Acreditava firmemente que seus contatos com a Emirates faria a empresa bancar a arena. Chegou a ir para a China. Sempre com o projeto embaixo dos braços.

Enquanto brigava muito as vezes para ser atendido, seus parceiros de diretoria faziam vazar para jornalistas amigos. A negociação iria ser fechada, faltavam 'detalhes'. Foram várias e várias vezes que repórteres caíram no conto e fizeram seus veículos de comunicação passar por vexames históricos.

Na volta de suas viagens, Andrés não admitia cobranças. Repetia que esteve mesmo muito perto de fechar o acordo. Mas sempre algo fazia o interessado fugir. Foi assim com as tristes mortes dos operários que trabalhavam na arena. A repercussão foi péssima para qualquer coisa relacionada ao estádio. Desesperado, chegou a baixar o preço de sua pedida para R$ 300 milhões. Foi aumentando paulatinamente o prazo que a empresa teria o direito de batizar o estádio. Até chegar a 20 anos. E mesmo assim, nada...

O fracasso do Brasil na Copa também teve um peso enorme para desanimar investidores internacionais.

O pior é que, enquanto isso, o tempo foi passando. E o apelido foi ganhando espaço entre os brasileiros. Já faz mais de três anos que o estádio é conhecido por Itaquerão. O que estava difícil ficou quase impossível. Não bastasse a crise internacional, há o fato de o apelido já ser de domínio público. Como é o Morumbi, Maracanã, Mineirão.

"Itaquerão é a puta que o pariu!" Assim, educadamente, Andrés corrigia jornalistas que citavam o estádio. Irritado ele teve de ouvir até locutores da sua parceira Globo chamar a desejada arena pelo apelido que odeia.

O estádio começou a atrapalhar sua caminhada política. Ele sonha ser o deputado federal mais votado da história do Brasil. Ultrapassar Enéas e Tiririca. Para isso não poderia ficar mais brigando com seu principal curral eleitoral: os corintianos. Basta olhar com atenção sua propaganda eleitoral. A bandeira estilizada de São Paulo lembra muito a que está na bandeira corintiana. As duas letras PT são minúsculas.

Membros das organizadas já protestavam contra Andrés por causa do altíssimo preço dos ingressos. O ex-presidente dizia a conselheiros que cobrava caro para mais rápido o clube pagar o empréstimo do BNDES.

Foi quando decidiu se afastar da arena de vez. Avisou que ficaria até o dia 18 de agosto. Nestes 18 dias deste mês ofereceu os naming rights do Corinthians a quem pôde e quem não pode. Só que nada conseguiu.

Para piorar vazou a ação penal do Ministério Público. Ele mais Roberto de Andrade, ex-diretor de futebol e candidato a sucessor de Mario Gobbi, Raul Correa da Silva, diretor financeiro do clube, e André Luiz de Oliveira, ex-diretor administrativo do clube e também aspirante a presidente. Todos teriam, de acordo com os promotores, retido, "consciente e voluntariamente, o valor referente ao imposto de renda retido na fonte, não tendo recolhido aos cofres públicos". O valor passaria dos R$ 93 milhões.

3reproducao6 Com Andrés Sanchez só cuidando de sua candidatura a deputado, Corinthians sepulta os planos de naming rights. E se conforma. O nome do seu estádio sempre foi e sempre será Itaquerão...

Um escândalo que explicaria os excelentes números na balança financeira do clube. Principalmente quando Andrés era presidente. Para tentar resolver a situação, o Corinthians conseguiu R$ 13 milhões de empréstimo da TV Globo. E mais R$ 6,6 milhões da Federação Paulista de Futebol. E pagou pelo que o clube não teria recolhido à Receita Federal no período de julho a dezembro de 2010.

Com tudo isso, a venda do batismo do estádio foi abandonada. Andrés quer se livrar da acusação de sonegação e mergulhar fundo na sua campanha política. Conselheiros já perderam o respeito ao ex-presidente. E citam Itaquerão no Conselho Deliberativo, na vida comum do clube. Especialistas em marketing garantem que a batalha já está perdida. Vários veículos de comunicação utilizam Itaquerão há tempos.

Membros da diretoria de Mario Gobbi não levam nem em cogitação a possibilidade do naming rights. Ela foi enterrada e morta com a saída de Andrés da 'gerência' do estádio. Por uma questão de respeito ao ex-presidentes repetem 'arena Corinthians' quando ele está por perto. Mas basta ele se afastar que os próprios corintianos tratam o estádio por seu nome mais conhecido. Não há sentido mandar ninguém mais à 'puta que o pariu' por pronunciar Itaquerão...
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O centenário do Palmeiras é importante demais. Sua comemoração não pode ficar na dependência da boa vontade do veterano Ronaldinho Gaúcho. É pensar muito pequeno…

11 1024x744 O centenário do Palmeiras é importante demais. Sua comemoração não pode ficar na dependência da boa vontade do veterano Ronaldinho Gaúcho. É pensar muito pequeno…
O Palmeiras completa hoje cem anos de uma vida repleta de glórias. Fez por merecer a alcunha de 'campeão do século XX', tantos foram os títulos, as conquistas nos anos 1900. Ninguém ganhou mais no território nacional do que o clube que veste verde nos seus jogadores.

Até jogou com a camisa da Seleção Brasileira no Mineirão. Honraria mais do que justa. Teve duas academias inesquecíveis, genuínas. E uma terceira montada com o dinheiro da Parmalat. Um clube assumidamente com a origem italiana conseguiu ser o quarto no Brasil em número de torcedores. Se reinventou na Segunda Guerra Mundial, mudou seu nome querido, Palestra Itália, para sobreviver. Seus dirigentes foram espertos para evitar que o São Paulo tomasse seu estádio.

Sua galeria de ídolos é tão imensa quanto invejável. Ademir da Guia, Oberdan, Julinho Botelho, Edmundo, Marcos, Roberto Carlos, Luís Pereira, Rivaldo, Djalma Santos, Djalma Dias, Djalminha, César Maluco, Dudu, Jair Rosa Pinto, César Sampaio, Alex, Heitor, Mazzola, Jorge Mendonça, Evair, Servilio, Tupãzinho, Leão...

O melhor time do Palmeiras que me encantou os olhos foi Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, Cesar e Nei. Ganhou tudo o que teve pela frente. Uma pena que no começo da década de 70, amistosos eram mais valorizados do que a Libertadores. Não fosse isso, as academias teriam trazido algumas delas para a sua abarrotada sala de troféus.

2reproducao5 O centenário do Palmeiras é importante demais. Sua comemoração não pode ficar na dependência da boa vontade do veterano Ronaldinho Gaúcho. É pensar muito pequeno…

Os constrangimentos não chegam nem a 20% da sua maravilhosa história. O jejum de 1976 até 1993 e as duas visitas à Segunda Divisão em dez anos: 2002 e 2012. Foram momentos de sofrimento e lágrimas que humanizaram ainda mais um dos maiores clubes da América Latina.

A briga para manter o estádio durante a Segunda Guerra conseguiu ser menor do que a atual. O embate entre WTorre e o clube conseguiu o absurdo de a nova arena não estar pronta em quatro anos. Hoje seria um dia obrigatório para a festa no moderno e lindo palco. Um dia Walter Torre e Paulo Nobre ou quem quer que seja presidente palmeirense farão um acordo na divisão das cadeiras. E o clube desfrutará do Palestra Itália dos anos 2000.

A dívida de mais de R$ 300 milhões precisa ser resolvida. A categoria de base tem de ser levada a sério como nunca foi. As oitos famílias que disputam o poder, misturando amor e ódio, vão acabar se acertando. As organizadas vão entender que não são mais importantes que o clube. Técnicos precisam parar de mandar assessores de imprensa jogar sal grosso no gramado. Só assim para uma empresa séria voltar a pagar para estampar seu nome na nobre camisa verde e branca.

1ae23 O centenário do Palmeiras é importante demais. Sua comemoração não pode ficar na dependência da boa vontade do veterano Ronaldinho Gaúcho. É pensar muito pequeno…

O momento atual é reversível. A história do Palmeiras mostra saídas, revoluções, reinvenções.

O que não tem cabimento é em uma data tão importante, tão marcante...Com um estádio estalando de novo para ser inaugurado, um jogador roubar a cena. Ganhar mais espaço na mídia do que o centenário palmeirense.

Um atleta que o presidente fez questão de confidenciar a amigos e eles espalharam para os jornalistas amigos. Pela terceira vez, o Palmeiras fica de joelhos para Ronaldinho Gaúcho. Desta vez aos 34 anos. Negocia com o instável Assis. O mesmo que virou as costas para o clube em 2011 e 2012. Nem mulher de malandro é tão persistente.

O bilionário presidente que já emprestou R$ 125 milhões a 1% de juros ao ano para o Palmeiras quer. Entendeu que o anúncio da equivalência da Taça Rio de 1951 a um mundial de clubes não anima ninguém. Buscando, desesperado, a reeleição, Nobre quer Ronaldinho. Entre as exigências que vazaram, o veterano jogador quer R$ 600 mil, parte da arrecadação das partidas em que estiver. E o número 100 nas costas.

O próprio Nobre negocia com Assis. Afastou o seu mentor Brunoro. Conselheiros perceberam o que está ocorrendo. Quer que a 'vitória' seja sua. Seu grande desejo é anunciar a contratação hoje no banquete do centenário no Citibank Hall. A R$ 1.200,00 por cabeça. O sonho é com a presença do meia que foi melhor do mundo por duas vezes. O dirigente adora que figuras importantes coloquem a camisa do Palmeiras. Como fez com a própria presidente Dilma.

Por trás de tanto glamour, se a contratação for efetivada, o desejo é um só. Ronaldinho ajudaria o clube a não ser rebaixado. Sua missão estaria mais do que cumprida até o final do ano. Com a possibilidade de ir atuar na liga norte-americana ou na periferia do futebol pelo mundo. Nos grandes clubes da Europa ele não pisa mais.

Essa situação constrange. A comemoração, a festa, o orgulho do centenário passa a ser um 'sim ou não' dos Moreira Brothers. Se a contratação se efetivar, já será muito questionável. Ronaldinho Gaúcho não se leva a sério mais como jogador desde a conquista da Libertadores com o Atlético. O último ano foi uma sucessão de farras, festas e péssimo futebol. Kalil acertou sua saída sem um pingo de dor no coração.

2ae9 O centenário do Palmeiras é importante demais. Sua comemoração não pode ficar na dependência da boa vontade do veterano Ronaldinho Gaúcho. É pensar muito pequeno…

Agora, se pela terceira vez, ele disser não ao Palmeiras será terrível. O centenário ficará com o gosto de mais uma derrota, especialidade dos últimos dirigentes incompetentes que passaram pelo clube. Desde a saída da Parmalat, tem sido assim.

O que já era garantia de uma grande e histórica festa, virou a expectativa da vinda ou não de um jogador. É vexatória a maneira amadora como o Palmeiras vem sendo administrado nestes anos 2000. Quase faz esquecer tudo o que aconteceu desde 1914.

"O palmeirense é um tipo muito esquisito. Não importa tudo o que consiga ganhar. Só consegue se lembrar das derrotas. É uma raça que gosta de sofrer. Não sei por que somos assim", desabafa Marcos, o ídolo mais sincero desse glorioso clube que se veste de verde...
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Endividado, o São Paulo cobra CBF por jogadores que cedeu à Seleção desde 1998. Os outros clubes prometem seguir o mesmo caminho. Essa briga pode ser o embrião da sonhada Liga Independente…

2ae8 Endividado, o São Paulo cobra CBF por jogadores que cedeu à Seleção desde 1998. Os outros clubes prometem seguir o mesmo caminho. Essa briga pode ser o embrião da sonhada Liga Independente...
Notícias ruins não param de surgir de todos os lados. A primeira. Carlos Miguel Aidar quebrou a tradição que Juvenal Juvêncio tanto se orgulhava. E antecipou a cota que o clube receberia da TV Globo até 2018. Foram R$ 50 milhões.

A revista Veja publicou ontem que o clube deve três meses de salários para Muricy Ramalho. O treinador foi perguntado ontem por duas vezes sobre a realidade da informação. Ele não desmentiu e não confirmou. "Do meu salário eu não falo." Essa ambiguidade só despertou mais a certeza que algo está errado. Se estivesse tudo em dia, por quê o treinador não confirmaria?

Os R$ 80 milhões que o clube conseguiu com a venda de Lucas inflaram o balanço de 2013. Mesmo assim, o clube começou 2014 com R$ 65 milhões em déficit. A dívida do clube em agosto já estaria batendo nos R$ 100 milhões.

Sem patrocínio master na camisa, sem os clássicos em que não é mandante, o clube buscava uma fonte alternativa de arrecadação. E tratou de fazer na prática o que Juvenal Juvêncio ameaçou com Ricardo Teixeira, mas havia voltado atrás quando José Maria Marin assumiu a CBF. Cobrar pelo período que a Seleção utilizou seus atletas. Quer em amistosos e mesmo competições oficiais.

De acordo com o levantamento do clube, desde 1998, quando a legislação foi aprovada, o valor é significativo. São mais de R$ 20 milhões. O São Paulo já notificou a CBF há 15 dias.

1ae22 Endividado, o São Paulo cobra CBF por jogadores que cedeu à Seleção desde 1998. Os outros clubes prometem seguir o mesmo caminho. Essa briga pode ser o embrião da sonhada Liga Independente...

A postura marca um rompimento na política de boa vizinhança com a CBF. A entidade fará de tudo para que seu departamento jurídico consiga reverter o quadro. Não quer abrir essa exceção. Marin tem a certeza que haverá um efeito cascata. Ou seja, os demais atletas que tiveram atletas convocados deverão apelar para a Lei Pelé.

O primeiro parágrafo do capítulo 41 é muito detalhado. E claro.

"A entidade convocadora indenizará a cedente dos encargos previstos no contrato de trabalho, pelo período em que durar a convocação do atleta, sem prejuízo de eventuais ajustes celebrados entre este e a entidade convocadora."

Ou seja, a CBF deveria estar pagando os clubes desde 1998. Mas só que 16 anos depois, ninguém havia cobrado. O medo sempre foi que a entidade passasse a não convocar mais seus jogadores.

O São Paulo resolveu quebrar esse paradigma. Até porque a situação no Morumbi está longe de ser confortável. Carlos Miguel ainda quer liderar os outros clubes para a formação de uma liga. Mas não quer passar por incompetente. A dívida perto dos R$ 100 milhões o incomoda.

A ponto de o dirigente afirmar precisar vender dois ou três atletas importantes para equilibrar as finanças. Dentro desse quadro caótico, não quis virar as costas para os R$ 20 milhões. A CBF promete lutar para não pagar. Será um embate que pode ter consequências importantes ao futebol brasileiro.

A questão juridicamente poderá levar meses. O suficiente para acabar o mandato de José Maria Marin. Ele é conselheiro do São Paulo e amigo íntimo de Carlos Miguel Aidar. A partir de janeiro quem mandará na CBF será o conselheiro do Palmeiras, Marco Polo del Nero.

Aí sim a situação deverá esquentar. Com Aidar comprando de vez a briga. Ela pode até se tornar uma cisão definitiva. E criar uma razão comum a todos os clubes terem coragem e dar origem à esperada liga independente da CBF. Os primeiros passos já foram dados graças ao endividamento do São Paulo nas mãos de Carlos Miguel...
3ae Endividado, o São Paulo cobra CBF por jogadores que cedeu à Seleção desde 1998. Os outros clubes prometem seguir o mesmo caminho. Essa briga pode ser o embrião da sonhada Liga Independente...

Com medo das organizadas do São Paulo, Gabigol pede desculpas por ter mandado a torcida tricolor ‘calar a boca’. Se desculpou com a santista também. Só falta com o time de Muricy onde já coleciona inimigos…

1ae21 Com medo das organizadas do São Paulo, Gabigol pede desculpas por ter mandado a torcida tricolor calar a boca. Se desculpou com a santista também. Só falta com o time de Muricy onde já coleciona inimigos...
Gabigol errou feio ontem no Morumbi. Depois de marcar o gol de empate de pênalti, o atacante de 17 anos tirou a camisa do Santos e ainda mandou a torcida do São Paulo calar a boca.

O jogador estava com dois cartões amarelos. Tomou o terceiro por ter tirado a camisa. Não enfrentará o Botafogo no Rio de Janeiro. Oswaldo de Oliveira, diretoria e a própria torcida santista ficaram irritadas com o atacante. Logo à noite, ele começou a receber ofensas e ameaças de são paulinos ofendidos com seu 'cala a boca'. Gabigol sabe muito bem da violência de parte das organizadas tricolores. Recentemente, um santista foi morto a golpes de barras de ferro. Ninguém ainda foi preso pelo bárbaro crime.

Tomou uma reprimenda de Lucas, ex-São Paulo, jogador do PSG. Ele retratou, no twitter, o que outros atletas do Morumbi pensam. A começar por Rogério Ceni.

De manhã, não teve dúvidas. Usou o twitter para se desculpar não só com os santistas, mas com a torcida são paulina. Deixou claro que nunca mais tomará essas atitudes.

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Só está faltando também pedir desculpas aos jogadores do São Paulo. Vários deles não querem nem ouvir o nome da jovem promessa santista. Após o empate no clássico, ele passou a provocar o time de Muricy. Tocava a bola para um lado, olhava para outro. Dava risada, ironizava. Acreditava que seu gol aos 40 minutos do segundo tempo selava o resultado. Não poderia supor que Pato faria o 2 a 1 aos 42 minutos.

Os dois minutos que separaram um gol do outro foram suficiente para Gabigol colecionar inimigos no Morumbi. É bom ele se desculpar também com o time de Muricy. Ou no próximo clássico, a confusão estará garantida.

Gabriel precisa se emendar. Ele tem enorme potencial. É nome certo na Seleção Brasileira de base. E tem tudo para se firmar como titular absoluto do Santos. Leandro Damião demonstra a cada partida o quanto foi errado o clube investir R$ 42 milhões na sua contratação.

O jovem atacante teve o seu salário dobrado em junho. Pulou de R$ 60 mil para R$ 120 mil. E ainda firmará novo compromisso na Vila Belmiro em 2015. Mas Gabigol só irá se impor como grande jogador se controlar o gênio. E domar o seu ego que está indo muito além do aceitável...
1instagram Com medo das organizadas do São Paulo, Gabigol pede desculpas por ter mandado a torcida tricolor calar a boca. Se desculpou com a santista também. Só falta com o time de Muricy onde já coleciona inimigos...

Paulo Henrique Ganso. O melhor meia do futebol brasileiro. Só falta ele descobrir o que significa vibração, competitividade, sangue nas veias…

1getty4 1024x576 Paulo Henrique Ganso. O melhor meia do futebol brasileiro. Só falta ele descobrir o que significa vibração, competitividade, sangue nas veias...
"O Ganso é genial. Se ele for competitivo durante os 90 minutos, ele é jogador do Real Madrid e Barcelona. O talento dele ninguém tira. Precisamos provocar a competitividade nele. Fazer ele se mover dentro de si."

As declarações são de quem conhece profundamente Paulo Henrique. O jogador que está no seu dia-a-dia. E não se conforma com tanto talento desperdiçado por falta de garra, da vontade básica de qualquer atleta: competir, lutar, suar pela vitória: Rogério Ceni.

Sem querer, o maior ídolo de todos os tempos do São Paulo expõe a maior dúvida que atormenta Dunga. Dar ou não dar uma chance real para o talentoso paraense? Justo agora que o treinador da Seleção já escancarou o novo perfil do time que formará para José Maria Marin.

Dunga quer o Brasil mais competitivo possível. Montar uma equipe aguerrida, veloz. Com jogadores brigando a todo o instante por um centímetro a mais de espaço. Com poder para atacar em bloco e recompor com consciência e vigor sem a bola. Tudo o que não combina com a maneira de Ganso jogar.

"O Ganso é muito talentoso, mas por vezes parece um meia clássico dos anos 70. Daqueles que jogam em uma velocidade abaixo da correria atual. Que tem prazer e capacidade para fazer o que quiser com a bola. Adora colocar os companheiros na cara do gol.

Mas não luta, não marca, não vibra. Deixa isso para os companheiros. Isso era ótimo quando os volantes eram volantes e os meias eram meias, como no meu tempo. Agora o futebol mudou. Todo mundo cobra maior participação, competitividade. E isso não está nele.

Não é que ele seja frio. Apenas tem o jeito dele. É isso que as pessoas não entendem."

A análise foi feita para o blog por quem viveu uma situação muito parecida. Ademir da Guia, o maior camisa 10 da história do Palmeiras. Mesmo na década de 70, 'quando os meias eram meias e os volantes eram volantes', Ademir foi injustiçado. Principalmente na Seleção Brasileira. O motivo era sua aparente passividade, falta de vibração. Ninguém ousava questionar o seu talento. Apenas a sua falta de envolvimento emocional no jogo.

A cobrança hoje para Ganso vai muito além. Marcar um gol maravilhoso como o que fez ontem contra o Santos, dar chapéus, dribles e enfiadas de bola desconsertantes aos atacantes é só metade do caminho. Se quando o São Paulo é atacado, fica parado na intermediária adversária, assistindo a partida é um importante atleta a menos atrás da linha da bola.

Ou ainda pior. Quando qualquer treinador medíocre faz o óbvio e coloca um volante para marcá-lo o campo todo, Ganso não pode aceitar a marcação. Precisa correr o dobro do que faz. Se deslocar às laterais, se embolar com os atacantes, driblar, tabelar. Enfim, comprar a briga. Ter sangue nas veias e saber o quando o futebol é competitivo atualmente. Se nasceu na época errada, o problema é dele.

2getty 1024x576 Paulo Henrique Ganso. O melhor meia do futebol brasileiro. Só falta ele descobrir o que significa vibração, competitividade, sangue nas veias...

Todo treinador que já teve a oportunidade de trabalhar com Paulo Henrique passou muita raiva. Há um inconformismo enorme pela maneira com que o jogador conduz a sua carreira.

"No dia em que o Ganso vibrar, competir vira titular absoluto da Seleção. E os grandes clubes da Europa vão fazer fila para tentar contratá-lo. Ele sabe disso. Eu mesmo já cansei de dizer isso para ele."

Essas declarações são de Dorival Júnior, treinador com quem o meia fez muito sucesso em 2010. A ponto de ser muito mais cobrada a sua convocação de Dunga do que a de Neymar, na época.

Ganso perdeu tempo em relação a onde poderia estar nestes quatro anos. O São Paulo é um dos grandes clubes do país. Mas seu potencial técnico poderia tê-lo levado ao Real Madrid ou Barcelona, como avalia Rogério Ceni. Perdeu oportunidades de ouro. Como na Olimpíada de 2012.

Ninguém me falou. Eu pude acompanhar a preparação e todos os jogos do time olímpico de Mano Menezes em Londres. O treinador ficava constrangido e com muita raiva. Cobrou, deu bronca, xingou, incentivou, fez de tudo para tentar fazer o meia vibrar com a camisa da Seleção. Ele vinha de uma artroscopia. Em menos de 15 dias atuou pelo Santos contra o Corinthians, na semifinal da Libertadores. O que foi enorme erro. Não jogou bem. E mais, ficou traumatizado, com medo de nova lesão no joelho.

Foi assim que chegou em Londres. O medo era tanto que não tinha confiança nem em chutar forte ao gol. Foi um fantasma na Olimpíada. Mano cogitou cortá-lo. Mas não queria aumentar o clima de tensão que já era forte com o corte do goleiro Rafael. O meia virou mero fantasma em Londres. Lamentável.

O episódio ainda está muito fresco na memória de muita gente na CBF. Paulo Henrique terá de mostrar uma frequência de boas partidas como nunca fez. Parar de tanta instabilidade para poder sonhar com Seleção, com grandes clubes europeus.

Vale lembrar que mesmo tendo se submetido a quatro cirurgias nos dois joelhos, o meia não tem qualquer dificuldade física. Sua recuperação física foi perfeita.

Muricy já quase perdeu a voz de tanto insistir para ele atuar mais perto da área adversária. Ter coragem de chutar para o gol. "Eu tenho mais prazer em dar um passe para o meu companheiro marcar do que eu mesmo fazer o gol", assume o jogador para a imprensa e para o próprio técnico.

1cbf1 Paulo Henrique Ganso. O melhor meia do futebol brasileiro. Só falta ele descobrir o que significa vibração, competitividade, sangue nas veias...

Mas o treinador do São Paulo foi duro com ele. Invocou o fato de estar casado, querer um futuro melhor para a sua família, fazer história como atleta. O meia de 24 anos recebe R$ 300 mil e tem contrato com o São Paulo até 2017. Começou no Santos ganhando o mesmo que Neymar. Hoje o atacante ganha cerca de R$ 4,5 milhões mensais no Barcelona. E é a principal estrela da Seleção. Paulo Henrique ficou muito para trás.

"Talento o Ganso tem de sobra. É um craque. Basta agora de uma vez por todas ele querer mais. Ainda dá tempo para fazer o que quiser com sua carreira. Orientação ele teve e tem até de sobra. Eu mesmo encho o saco dele falando tudo o que pode fazer. Nada do que ele aprontar em campo vai me surpreender. Lógico que ele tem espaço na Seleção ou em qualquer clube do mundo. Mas existem coisas que dependem só do jogador", desabafa Muricy.

E infelizmente com Ganso, ninguém pode garantir nada. Tudo de bom que ele fez ontem no clássico contra o Santos pode ter sido apenas mais uma miragem, uma demonstração do que pode fazer. E infelizmente não há sequência por pura falta de competitividade no coração, na alma. Isso ninguém pode colocar...
 Paulo Henrique Ganso. O melhor meia do futebol brasileiro. Só falta ele descobrir o que significa vibração, competitividade, sangue nas veias...