Andrés Sanchez preferiu se afastar do Itaquerão. Perdia popularidade. Motivos: preços altos dos ingressos e dois anos sem conseguir vender o nome do estádio. Ficou com medo de não conseguir seu grande sonho: destronar Tiririca…

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O Itaquerão estava no caminho de impedir o sonho de Andrés Sanchez: destronar Tiririca. O ex-presidente tinha uma certeza. O estádio que deu para seu clube o transformaria no deputado federal mais votado do Brasil. De todos os tempos. Ele deseja do fundo de sua alma ouvir do seu grande amigo Lula a seguinte frase em outubro: "Espanhol, nunca na história desse país um deputado federal teve tantos votos."

Só que, de repente, o Itaquerão se transformou em um entrave. Acabara o brilho de conseguir levantar para o Corinthians o seu primeiro estádio digno em mais de cem anos de existência. Como Maquiavel renascido na Vila Matilde, Andrés conseguiu amarrar um acordo entre Ricardo Teixeira, Kassab, Lula e Blatter. Com a conivência da Globo, o corintiano tirou o Morumbi da Copa. E fez com que o Itaquerão fosse criado. Golpe genial.

A torcida já o adorava. Empurrou para fora do Parque São Jorge o presidente que lhe deu o futebol na época da MSI, Alberto Dualib. Conseguiu modernizar o clube. Deu condições para que a equipe conseguisse vencer a Libertadores e o Mundial. Obteve o melhor contrato de transmissão ao lado do Flamengo. Tem uma receita maior graças aos patrocinadores. Mas o estádio que deveria ser seu maior trunfo se virou contra ele.

A começar pelo preço dos ingressos. O clube tem 12 anos para pagar os cerca R$ 400 milhões que deve para a Caixa Econômica Federal pelo estádio. O dinheiro foi emprestado pelo BNDES. A Caixa teve de ser a fiadora, já que pelo acordo da Copa, o BNDES não emprestaria diretamente a clube algum. Além disso há a quantia devida à Odebrecht. Os valores poderiam chegar até R$ 300 milhões.

A saída para o pagamento estaria na bilheteria do estádio. Andrés estava otimista. Acreditava que o clube chegaria a R$ 290 milhões por ano. Mas muitas pessoas na diretoria aposta que não chegará nem a R$ 100 milhões. Tudo começou a azedar.

O preço dos ingressos na arena é alto. Mantido por ordem de Sanchez. Só que ele não esperava a revolta das torcidas organizadas corintianas. Reclamando dos preços entre R$ 50,00 até R$ 400,00. Fundador da Pavilhão Nove, Andrés não se conformou em ser xingado e cobrado pelos torcedores. Não poderia ficar contra sua previsível principal fonte de votos para deputado federal.

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O Itaquerão ficou ainda mais perigoso em relação aos naming rights. Andrés marcou sua despedida do controle do estádio daqui 12 dias. Seu desejo é convencer empresários árabes para que comprem por R$ 400 milhões o nome da arena por dez anos. Vai tentar fazer o impossível para fechar esse negócio neste curto prazo que resta.

Há dois anos ele vem prometendo fechar a transação. Já cruzou o mundo atrás do dinheiro e voltou com as mãos abanando. Foi até a China, os Emirados Árabes. Seus assessores ligavam para as redações de jornais. A senha: "agora vai". Vários veículos respeitados caíram no 'agora vai".

Lógico que não na sua frente, mas vários conselheiros corintianos costumam brincar. Ironizar as promessas de Andrés em relação ao naming rights. Já percebeu seu enorme desgaste nas mais altas esferas do clube. Assim como o desgosto dos corintianos mais simples. Se arrependeu de ter criado a expectativa.

O mercado está retraído. Das 12 arenas da Copa só a Pernambuco e a de Salvador conseguiram vender para a Itaipava. As outras empresas perceberam que de nada adiantou a indústria de cerveja pagar. Os veículos de comunicação e os torcedores desprezam o nome da cervejaria. Até mesmo o estádio do Palmeiras, vendido a Allianz, tem sido um fracasso. Todos só tratam a arena de Palestra Itália. Ou arena Palmeiras. É como se não existisse patrocinador.

O nome Itaquerão já ficou tão forte quanto Morumbi, Maracanã, Pacaembu. André reconhece que perdeu tempo demais. Sonhou alto e não poderia oferecer muito menos. Como o Palmeiras que aceitou apenas R$ 15 milhões anuais. O ex-presidente corintiano garantiu R$ 40 mil a cada doze meses.

As mortes de operários na construção do estádio e a vexatória campanha da Seleção Brasileira na Copa se tornaram inimigos enormes. Mais a crise mundial. Amigos íntimos de Andrés garantem que ele está lutando 24 horas por dia atrás de uma empresa que batize o Itaquerão. Mas está a ponto de desistir.

E instintivamente inteligente, percebe. Seu apoio maciço está se esvaindo. Deixou de ser tratado como a reencarnação de Tutankamon no Parque São Jorge. Pelo contrário até.

Seus cabos eleitorais haviam garantido que conseguiria um milhão de votos para o Partido dos Trabalhadores como deputado federal. Mas a ganância logo surgiu. Assim como a lógica rasteira. Quem consegue um milhão, obtém um milhão e quatrocentos mil. Passa Tiririca, o mais deputado mais votado da história, com um milhão e trezentos mil votos. E entra para a história. Podendo sonhar em ser prefeito de São Paulo, um dia.

Dos ambiciosos planos de Andrés, seus dois próximos passos seriam os seguintes. Ser o deputado federal mais votado da história. E depois, voltar à presidência do Corinthians em 2018. A prefeitura de São Paulo o atiça.

Mas o Itaquerão começava a ser um entrave nos seus devaneios. Resolveu sair e centralizar toda sua atenção na campanha política. Tentará pelos últimos 12 dias a reviravolta. Trazer, por exemplo, a Emirates para batizar o Itaquerão. Trabalha 24 horas, obsessivo. Se não conseguir, vai pensar apenas na eleição. E, principalmente, na estratégia para destronar Tiririca. Talvez usando um novo slogan: "pior do que está, sempre fica..."
(Tanto fica que o Ministério Público Federal está acusando Andrés de crimes fiscais quando presidiu o Corinthians. A dívida cobrada chega a R$ 94,1 milhões. O problema teria acontecido entre 2007 e 2010...)
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Ele foi para a Europa para ser o melhor do mundo. Conseguiu o título do brasileiro mais decepcionante da história. De volta ao Santos, seu refúgio: Robinho…

1reproducao3 Ele foi para a Europa para ser o melhor do mundo. Conseguiu o título do brasileiro mais decepcionante da história. De volta ao Santos, seu refúgio: Robinho...
Leandro Damião ganha R$ 450 mil mensais. Mais singelos R$ 50 mil de 'auxílio moradia'. Robinho já deixou tudo apalavrado. Por uma questão de 'carinho', ele aceitará ganhar apenas R$ 600 mil fixos a cada 30 dias. Serão R$ 1,1 milhão por apenas dois jogadores.

No último balanço, no final de 2013, o clube presidido por Odílio Rodrigues devia R$ 296 milhões. A oposição garante que as dívidas já passaram dos R$ 400 milhões.

Mesmo assim Odílio oferece a Robinho mais do que o Cruzeiro e o Flamengo estavam dispostos a pagar. Com bônus, seu salário poderá atingir mais de R$ 900 mil. Será a terceira vez que o jogador retorna à Vila Belmiro.

Robinho é visto como um trunfo eleitoral da situação. A diretoria de Odílio Rodrigues passou por um vexame bizarro. A oposição conseguiu barrar os votos pela Internet. Será obrigatória a presença dos eleitores no dia 6 de dezembro. O que é um alento. Opositores ridicularizaram a inscrição de sócios. Divulgaram carteiras verdadeiras de inscrição no Santos do gângster Al Capone, Don Corleone, personagem do filme Poderoso Chefão, o ditador chileno Augusto Pinochet, o presidiário Alexandre Nardoni, acusado de matar o próprio filho. O caso foi registrado na Polícia Civil.

O clima está pesado para a situação. A mal explicada venda de Neymar para o Barcelona é um fardo para Odílio Rodrigues. A aproximação com Renato Duprat e sua Doyen Sports se tornou outro ponto fraco. A perda do Paulista para o Ituano e a decepcionante campanha no Brasileiro se juntam. Odílio precisava de um elemento novo. Por isso Robinho.

2reproducao11 Ele foi para a Europa para ser o melhor do mundo. Conseguiu o título do brasileiro mais decepcionante da história. De volta ao Santos, seu refúgio: Robinho...

O jogador atuará pela terceira vez no Santos. Da primeira vez saiu brigado. Bateu no peito avisando que iria para o Real Madrid virar o melhor do mundo. A declaração de 2002 conseguiu irritar o elenco do clube espanhol. Robinho fez de tudo, mas foi rejeitado. Seu pecado: pensar primeiro nele e só depois nos seus companheiros.

O trauma nunca foi superado. Robinho perdeu a velocidade, a agilidade em Madrid. O motivo: se submeteu à tratamentos de fortalecimento que desenvolveram seus músculos mas atrofiaram sua habilidade.

Ele virou uma mera promessa que ficou muito, mas muito longe do que se esperava. Nem mesmo seus familiares o elegeriam como melhor do mundo nos últimos 12 anos. Pelo contrário. Sua decadência foi impressionante. Se a Fifa criasse o troféu de atleta mais decepcionante, colecionaria alguns troféus.

Dirigentes de Real Madrid, Manchester City e Milan votariam em peso no brasileiro. Fizeram muito carnaval por nada. Houve muita alegria nestas equipes em relação a Robinho. Quando o contrataram e, muito mais, quando o negociaram.

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O Santos sempre surgiu como uma espécie de abrigo. E que sempre deu guarida nas horas difíceis. Em janeiro de 2010, a Copa da África estava escapando. Reserva dos reservas no Manchester City. Chegou e teve a sorte de atuar ao lado dos jovens Neymar e Paulo Henrique Ganso. Na época, eles os trataram como ídolo. Dentro e fora do campo. Esqueceu um pouco a frustração, sua constante companheira na Europa.

Mas teve de voltar depois do fracasso do time de Dunga. E sem o menor clima em Manchester foi despachado para o Milan. Nunca foi titular absoluto, grande destaque do time de Berlusconi. Muito pelo contrário. Sua inconstância valeram críticas constantes dos jornalistas italianos. Nem a camisa 7 conseguiu. Era de Alexandre Pato.

A cada abertura de janela era um dos atletas que mais o Milan tentou negociar. O clube havia pago R$ 40 milhões por ele, menos da metade dos R$ 96 milhões que o Manchester City pagaram ao Real Madrid. Quando falou que partia para o Velho Continente para ser o melhor do mundo rendeu R$ 60 milhões ao Santos. A sua desvalorização é impressionante.

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Seu contrato com o Milan vai até 2016. Mas os italianos se cansaram de vez dele. E resolveram vendê-lo. Kaká tentou ajudar e convencer a direção do Orlando City a contratá-lo para atuar ao seu lado. Mas não houve interesse. Os norte-americanos são muito ligados às estatísticas no esporte. Nas últimas partidas de Robinho pelo Milan ele marcou apenas 17 vezes. Pouco demais para um atacante que pedia mais de R$ 1 milhão para jogar por lá.

Robinho foi deixado de lado da pré-temporada do Milan nos Estados Unidos. Ficou na Itália exatamente para ser vendido. Só que pesou muito contra o atacante o fato de ter sido esquecido por Luiz Felipe Scolari e não disputado a Copa do Mundo no Brasil. O fato, acrescido de sua idade , em janeiro completará 31 anos, foi fatal.

Tudo ficou muito mais fácil para o Santos. Conselheiros garantem que ele terá privilégios extras, além do salário. Camarote, camisas, bolas, ingressos, pequenos agrados. Para que se sinta em casa. Desfrute o empréstimo.

O Santos terá seu filho pródigo por pelo menos até janeiro de 2015. Na nova abertura da janela, o Milan tentará novamente vender o jogador. A direção italiana espera que ele aproveite o baixo nível do futebol brasileiro para marcar muitos gols, fazer grandes jogadas. E aí repassá-lo para mercados da periferia do esporte como Estados Unidos, Oriente Médio, China. Se não conseguir, Robinho ficará na Vila Belmiro até julho de 2015. Ou para sempre.

Triste fim para aquele que deveria ter sido o melhor jogador do mundo. E acabou como o mais decepcionante dos que deixaram o Brasil. E só faz a festa no poluído litoral paulista...
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Duas notícias importantes do Corinthians. A primeira: a vitória dos vândalos. Não haverá mais cadeiras no setor dos visitantes no Itaquerão. Só cimento frio. E o clube fechou a contratação de Oscar Romero. Chegará em janeiro. Atuará emprestado ao próprio Cerro Porteño até lá…

Uma boa notícia para os corintianos. E uma vergonhosa para o futebol brasileiro, para a decência. Constrangedora aos que acreditam em civilidade.

Primeiro, a constatação que o Brasil não é a Suíça. E que não há como manter padrão Fifa. Não no Itaquerão. O responsável pelo estádio, Andrés Sanchez, resolveu. Os vândalos venceram. Não há como manter cadeiras no setor dos adversários.

Para os selvagens, os duros e frios degraus de cimento. Foram vários fatores que levaram a diretoria corintiana tomar essa providência. As 258 cadeiras quebradas de propósito pela Mancha Verde. Os R$ 45 mil reais que o Palmeiras arcará. Houve também desgaste de o Corinthians ser citado no STJD por ser proprietário do estádio.

Havia a certeza que seria uma triste rotina. Nos clássicos contra São Paulo e Santos, no Itaquerão, a mesma violência. Ou mesmo diante de adversários com torcidas maiores. Como Flamengo, Atlético Mineiro, Bahia. O festival de vandalismo não teriam fim. A decisão está tomada. Lá já não havia espelhos e televisões para evitar depredações.

O setor reservado aos corintianos atrás do gol também perderão as cadeiras. O motivo não é vandalismo. É a mania de querer assistir aos jogos em cima das frágeis cadeiras. Em todas as partidas várias delas têm aparecido quebradas. Por pura falta de cuidado. Lá também deverão bastar os degraus de cimento. O preço será o mesmo: R$ 50,00!

Acabou a história de Padrão Fifa, que Andrés Sanchez tanto detestava. A própria PM disse que não era possível conter os vândalos. Não poderia mandar um destacamento tão grande capaz de vigiar cada um dos torcedores visitantes e sua respectiva cadeira. A solução que partiu de Andrés foi abolir de vez a cadeira. Quem não quiser sentar no chão frio poderá optar por assistir ao jogo em pé.

A notícia interessante é que o Corinthians já contratou Óscar Romero. As negociações foram fechadas nesta segunda-feira. O irmão gêmeo de Angel se apresentará ao clube em janeiro. Até lá atuará emprestado no próprio Cerro Porteño. Ele foi comprado por um grupo de investidores. Entre eles, o empresário Beto Rappa. Foi ele quem havia negociado Angel. A transação será confirmada no decorrer do dia.

Oscar é habilidoso, rápido, vibrante. Canhoto. E com ótima visão de jogo. Tem apenas 22 anos. É uma aposta da diretoria. Ele e seu irmão atuam juntos desde a base. Os dois insistiram demais com os dirigentes para que a negociação se efetuasse.

Com a confirmação da chegada de Óscar, Danilo vive seus últimos momentos de Corinthians. Ele não ficará em 2015, quando completará 36 anos...

Desde que nasceu, nenhum jogador humilhou tanto o Palmeiras como o desaparecido Valdivia. Para desviar o foco do chileno, a diretoria tenta transformar na Fifa um torneio em Mundial. Conquistado 63 anos atrás. Triste centenário…

1reproducao1 Desde que nasceu, nenhum jogador humilhou tanto o Palmeiras como o desaparecido Valdivia. Para desviar o foco do chileno, a diretoria tenta transformar na Fifa um torneio em Mundial. Conquistado 63 anos atrás. Triste centenário...
Nunca em toda a sua quase centenária história, o Palmeiras foi tão humilhado por um jogador. Valdivia fez e faz o que quer com o clube. Já xingou diretor, mostrou a genitália para a Mancha Verde, ficou tanto tempo sem jogar que inaugurou um deprimente chinelômetro. Priorizou descaradamente a Seleção Chilena ao clube. E agora está sumido. A última notícia do jogador que, fará 31 anos em outubro, é interessante. Se divertia na terra do Pateta, na Disneylândia. Desde então nem Jack Bauer sabe dele.

Somando as duas passagens do atleta pelo Palmeiras são seis anos de decepção. Ele ganhou um Campeonato Paulista em 2008, uma Copa do Brasil em 2012 e o bi brasileiro da Segunda Divisão, em 2013. Foi rebaixado com o time de Felipão e Kleina há dois anos.

Valdivia enganou corações e mentes. Apesar do seu talento, importante no pobre cenário brasileiro, ele nunca se envolveu com o Palmeiras. Sempre foi amor de um lado só. O Palestra Itália foi parada obrigatória de um meia que não servia para os grandes clubes europeus. Individualista, egoísta, nunca se preocupou em se modernizar. Ser uma atleta capaz de entender a necessidade de recomposição, preenchimento de espaço. Sempre quis apenas a bola nos pés. Mostrar o que sabe fazer. Com o restante do time correndo para ele.

Belluzzo é um homem que ganhou fama no Palmeiras por ter trazido o dinheiro da Parmalat no início da década de 90. Conselheiro econômico de Sarney, Fernando Henrique Cardoso e até de Lula. Deveria revolucionar não só o clube como o próprio futebol brasileiro. Mas ao assumir a presidência, se deixou envolver por seu amor de torcedor. E foi acumulando erros e mais erros.

O péssimo acordo com a W Torre para o novo estádio é um bom exemplo. Mas o pior foi a sua relação com jogadores. Belluzzo se revelou um saudosista da pior espécie. A que acreditava que os ídolos que passaram pelo clube deveriam voltar. A receita não haveria como dar errado. Trouxe de volta Kléber, Vagner Love, Luiz Felipe Scolari. E Valdivia. Apesar de vários conselheiros implorarem, o presidente ofereceu o que poderia ser de pior ao egocêntrico meia: um contrato de cinco anos.

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A contratação foi caríssima para um jogador sem mercado nos grandes clubes europeus. Foram R$ 14,6 milhões ao Al Ain dos Emirados Árabes. Mais R$ 3,8 milhões em comissões. Ganharam o empresário Rodolfo Forte, o pai do jogador. E até quem convenceu o arrependido Osório Furlan a investir no atleta. "Ele é um mau caráter, não vale nada", já resumiu o dono de 36% dos direitos do chileno.

Com cinco anos de compromisso, o Palmeiras ficou de joelhos para Valdivia. Teria de pagar cerca de R$ 475 mil de junho de 2010 até junho de 2015. Para se livrar dele, precisaria indenizá-lo como se tivesse trabalhado até o último dia do compromisso. Negócio espetacular.

Valdivia deitou e rolou. Sempre demorou mais do que o normal para se recuperar das contusões mais simples. E durante o tratamento cansou de ser visto saindo à noite. Luiz Felipe Scolari chegou a escrever um documento junto com o então dirigente Wlademir Pescarmona. Nele, Valdivia se comprometeria a se cuidar nas férias. Ele não só se recusou, como ridicularizou Pescarmona e ainda ameaçou procurar o sindicato dos atletas. O clube desistiu da ideia.

Por anos, o Palmeiras agiu como se tivesse um dos maiores meias do futebol mundial. O que nunca foi verdade. Ele é um atleta talentoso mas improdutivo. Jorge Sampaoli ficou decepcionadíssimo com ele. O treinador argentino assumiu o Chile e teve como obsessão recuperá-lo. Valdivia estava esquecido. Por um bom motivo.

O jornal El Mercurio o acusou de se apresentar bêbado para um treinamento da seleção, em 2011. Foi banido das convocações. Sampaoli teve de implorar para dirigentes chilenos. Conseguiu o perdão. Mas o desempenho de Valdivia foi pífio. Não se enquadrou no futebol tático, de sacrifício individual que o argentino impôs no país andino. E acabou na reserva do reserva na Copa do Mundo. Acabou desistindo oficialmente da seu selecionado pelo twitter. Só que não tinha mais chance alguma de ser chamado por Sampaoli ou por quem estiver à frente do Chile.

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Sucessivas diretorias palmeirenses foram humilhadas pelo jogador. Mas a atual, a de Paulo Nobre e Brunoro, foi onde o clube passou mais vergonha. O presidente rompeu com a Mancha Verde por causa de uma briga entre o meia e a principal organizada do clube. Torcedores cobravam mais empenho do jogador na Argentina. Ele se irritou e mostrou a genitália a membros da organizada. Seguranças o protegeu. Mas eles se encontraram no aeroporto em Buenos Aires. Se não fossem os atletas, Valdivia seria espancado. Fernando Prass sofreu um corte na orelha no conflito.

Nobre rompeu com a Mancha Verde. Comprou uma briga que traz muitos problemas na sua administração. Mas Valdivia não mostrou o menor reconhecimento. Pelo contrário. Deixou claro que iria se dedicar para voltar à Seleção Chilena e disputar a Copa do Mundo. Foi sua meta. O Palmeiras ficou em segundo plano.

A humilhação final vem agora. Já empresariado por Wagner Ribeiro. O clube estava estourando foguetes. Havia conseguido vender o meia ao Al Fujairah dos Emirados Árabes. Eram nada menos do que R$ 16,6 milhões. Ele foi para lá, posou com o cachecol do time. Mas na hora de assinar o contrato, pediu mais dinheiro do que o combinado. Irritou os dirigentes árabes. E sumiu.

Wagner Ribeiro diz que não consegue falar com ele. Mas manda avisar pela imprensa que tem uma proposta de um clube francês da primeira divisão. O próprio pai do jogador também não sabe dele. E diz a jornalistas: quem falar com Valdivia pedir que ele telefone.

Os dirigentes expões o Palmeiras mais uma vez ao escárnio público. Brunoro foi ontem na TV Gazeta. Não confirmou se sabe ou não sabe onde está o meia. E avisa que ele tem mais sete dias para resolver sua situação com Al Fujairah. Enquanto isso, seu régio salário está sendo pago.

É uma situação descabida, inaceitável. Conselheiros palmeirenses estão revoltados. Querem que Paulo Nobre se livre de Valdivia o mais rápido possível. Cresce o número dos que defendem a saída também de Brunoro e Omar Feitosa.

Atuação tão amadora com seu principal jogador desestimula ainda mais investidores. Não é por acaso que o clube está há um ano e três meses sem patrocínio master de sua camisa. O centenário será comemorado no dia 26 de agosto. O time despenca no Brasileiro. Já há a sombra de novo rebaixamento. A diretoria tenta transformar a Taça Rio de 1951 em título mundial. Um título de gabinete de 63 anos atrás é tudo o que Paulo pode ofertar nos cem anos palmeirenses. Além de mais de R$ 100 milhões que emprestou ao clube.

Não é por acaso que Valdivia faz o que quer no Palestra Itália. Ele que continue acumulando seus R$ 475 mil a cada trinta dias. E que continue se divertindo com o Pateta, Clarabela, Minie. Quando cansar, escolha entre Emirados Árabes, França ou Palestra Itália.

De braços abertos e humilhados, os dirigentes palmeirenses o esperam. Parecem hipnotizados. Não sabem para quem dar a mítica camisa 10 verde. O chileno já percebeu isso. Deita e rola. Tem sido assim desde 2010. Triste Palmeiras, refém de um jogador. E que não tem a menor ideia de onde esteja...
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Sheik é mais importante para o Botafogo do que Seedorf. Ele escancarou o drama do clube que devia R$ 237 milhões em 2008. E hoje acumula uma dívida indecente de mais de R$ 700 milhões…

1gazetaesportiva Sheik é mais importante para o Botafogo do que Seedorf. Ele escancarou o drama do clube que devia R$ 237 milhões em 2008. E hoje acumula uma dívida indecente de mais de R$ 700 milhões...
"Nos clubes em que joguei no Brasil, os jogadores, na maioria, tinham conforto. Aqui, estou vendo atletas com dificuldades de botar gasolina. Nunca vivi isso. Mas não esqueço de onde eu saí. A molecada está sem receber. E não recebe salários astronômicos. São três, cinco meses. E tão importante quanto o dinheiro é o carinho. O ser humano espera uma palavra de apoio, conforto, carinho, uma esperança. Óbvio que precisa de grana para pagar contas. Supermercado não aceita carinho."

"Ninguém mandou me contratar. Não gosto de perder. enquanto eu ver coisa errada, eu vou falar. Pessoas de bom coração, que são honestos e são dignos, ai eu abraço. E quando eu abraço é foda.."

"Quando cheguei aqui, fui muito bem recebido. Não tenho nada a dizer. Mas com o passar do tempo, vi situações que não alegram, não trazem benefício, não agregam. Vi promessas não cumpridas. Datas, prazos e nada por salários. No dia acertado, todos ficam esperançosos. Depois, no dia, vem a desilusão. Isso cansa. Ninguém é babaca. Ninguém é idiota. Sou a favor da verdade. Quem vende sonho é padaria. O atleta quer verdade."

"Há contratações extremamente duvidosas. Do caráter financeiro. Envolvimento de diretoria com empresários… Tem que dar um basta nisso."

"Doa a quem doer, tem que ser sincero. Falar a verdade. Eu, muitas vezes, me prejudiquei na carreira por falar o que penso. Se a lei me dá o direito, não vou mentir. Eu, Emerson, com família, mulher, filhos, sairia. Tenho família, contas a pagar."

"Cheguei ao clube na terça e estava um silêncio no vestiário. Pensei que fazia parte por causa da derrota para o Flamengo. Aí, cheguei na quarta e a mesma coisa. Comecei a não entender. Futebol não te dá muito tempo para chorar. Aí, eu liguei a minha caixa de som pensando que ia dar uma animada. Um jogador chegou perto, no meu ouvido… E, baixinho, disse: “Emerson, que bom que você chegou com essa energia toda. Eu não estou triste com a derrota para o Flamengo, mas porque a diretora do colégio me ligou para dizer que mais um mês da mensalidade venceu. E eu não sei mais o que falar.”

"O Corinthians me paga. E, assim, o dia que era para ser de alegria é o de maior tristeza. Eu sei que todo dia cinco o meu salário cai na conta. E aqui? Sei que a maioria aqui não. O Julio Cesar é meu amigo, um irmão. Fico pensando nos filhos dele, na mulher dele, na roupa, como estão se vestindo. E a dos outros? É foda..."

Foi uma das reveladoras entrevistas do ano. Deveria estar decorada pelo ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, e da própria presidente Dilma Rousseff. Eles que pressionarão a liberação de R$ 4 bilhões de dívidas dos clubes nesta semana.

A situação que Emerson Sheik detalhou ao jornal Extra sobre o Botafogo é vergonhosa, chocante. Não foi por acaso que os atletas entraram para o clássico contra o Flamengo com carregando uma faixa em pleno Maracanã.

Muitos e muitos comentaram o lado emocional do que estava escrito. "Estamos aqui porque somos profissionais e, por vocês, torcedores." Mas o que deveriam ter sido explorados eram os dados assustadores. Três meses de salários atrasados, cinco meses sem direito de imagem, além do clube não estar depositando o Fundo de Garantia dos jogadores.

A dívida do Botafogo saltou de R$ 237 milhões em 2008 para mais de R$ 700 milhões. O governo federal assistiu de braços cruzados um dos clubes mais tradicionais do país dar essa demonstração de incompetência administrativa. Como ele há vários outros que juntos somam mais de R$ 5 bilhões em dívidas públicas. Impostos não pagos que fechariam qualquer empresa. Mas como são clubes seguidos por milhões de torcedores/eleitores têm a permissão de seguir existindo da maneira mais irresponsável possível.

Quando o Proforte começou a ser discutido no ano passado, as dívidas dos clubes brasileiros com a União era de R$ 4 bilhões. Só que menos 12 meses depois, já chega a R$ 5 bilhões. A bola de neve já é gigante demais. O dinheiro que Rebelo e Dilma querem dar já não será suficiente.

Na teoria não dói tanto. Mas a prática explícita é assustadora. Sheik tem uma carreira tumultuada. Fraudou idade e o próprio nome. Teve problemas na justiça com carros importados. Resolveu dar um beijo na boca de um amigo para desviar o foco de um problema com Tite. Mesmo sendo fundamental na conquista da sonhada Libertadores, tornou sua permanência insustentável no Corinthians depois daquele beijo. Acossado pelas organizadas, seu futebol caiu e teve de aceitar ir embora.

2gazetaesportiva Sheik é mais importante para o Botafogo do que Seedorf. Ele escancarou o drama do clube que devia R$ 237 milhões em 2008. E hoje acumula uma dívida indecente de mais de R$ 700 milhões...

Apesar do potencial, os outros grandes clubes viraram as costas a ele. O endividado e problemático Botafogo o viu como esperança. Teria um jogador consagrado. Emerson é esperto. Sabia onde estava se metendo. Só aceitou a transação depois de o Corinthians se comprometer a pagar seu salário integral. Os cariocas devem ao clube paulista e não ao jogador.

Com todos os diversos problemas de sua carreira, ele se tornou muito mais importante do que o impecável Seedorf. Por ter atitude. O holandês criticava internamente, cobrava o presidente Maurício Assumpção. Orientava os jogadores. Acreditava que estava ajudando o clube sendo discreto. Um enorme erro. O que o Botafogo precisava de verdade era alguém como Sheik. Com coragem de expor o dia-a-dia. A tragédia econômica dos jogadores. Que trabalhador estaria em paz recebendo de três em três meses?

Sheik é visto com muito maior admiração pelos botafoguenses do que Seedorf. O brasileiro empresta dinheiro aos companheiros, como o holandês também fazia. Mas a sua coragem de peitar a diretoria em público tem sido fundamental. Até para a reação do time. Tem encorajado a todos a seguir lutando em campo. Não foi por acaso que, mesmo com um time limitado, empatou ontem contra o poderoso Cruzeiro, líder do Brasileiro.

A dedicação dos atletas segue a filosofia simplista de Sheik. Se está ruim sem receber fora da zona do rebaixamento, tudo ficará ainda pior se o time cair para a Segunda Divisão. A maioria do elenco já tem mais de sete partidas pelo Botafogo. Já vivemos agosto.

O consenso geral é se segurar até o final do ano. Fazer de tudo para manter o clube na Série A, até para não desvalorizar as próprias carreiras. E no início de 2015, tomar um rumo na vida. Talvez até com uma ação conjunta, com uma debandada geral. Os jogadores se livrando do clube devedor. Mas liberdade com a certeza de receber tudo o que o Botafogo lhes deve.

Sheik, quem diria, é mais importante para a história atual do Botafogo do que Seedorf. Por isso é adorado pelos companheiros de clube. Teve a coragem de mostrar o drama que vivem. Sem medo algum da diretoria.

"Ninguém mandou me contratar. Enquanto eu ver coisa errada, eu vou falar. E quando eu abraço (uma situação) é foda..."
 Sheik é mais importante para o Botafogo do que Seedorf. Ele escancarou o drama do clube que devia R$ 237 milhões em 2008. E hoje acumula uma dívida indecente de mais de R$ 700 milhões...

Luiz Felipe Scolari não é um bandido. É um treinador de futebol que fracassou na Copa de 2014. Como venceu em 2002. Não merece ser humilhado pela equipe do Pânico. Aliás, ninguém merece…

1ae1 Luiz Felipe Scolari não é um bandido. É um treinador de futebol que fracassou na Copa de 2014. Como venceu em 2002. Não merece ser humilhado pela equipe do Pânico. Aliás, ninguém merece...
O Pânico na TV foi lançado em 2003 na Rede TV. Foi um choque para os brasileiros. Bullying nas celebridades e brincadeiras envolvendo muita dor ou humilhação dos próprios participantes. Ninguém tinha visto nada parecido no Brasil.

Mas nos Estados Unidos, já. Big Brother Skateboard Magazine era um programa que mostrava as peripécias dos dublês Johnny Knoxville, Dave England, Chris Pontius e Wee Man. Isso em 1998. Knoxville, dublê, resolveu testar sua resistência a tombos, socos, ser lançado de canhão, rolar ribanceiras em cima de uma bicicleta. Eram verdadeiras sessões de masoquismo. O público adolescente adorou. E a MTV não deixou passar a oportunidade. E em 2000 foi criado o Jack Ass.

Na MTV foram acrescentados os trotes às celebridades. Quanto mais mau gosto, maior a repercussão. Era tudo que a trupe do Jack Ass queria. O programa durou dois anos. Não pela MTV. Mas pelos dublês. Eles resolveram andar com as próprias pernas. Fizeram filmes, programas especiais independentes.

Vovô Sem Vergonha, filme feito pela equipe de Knoxville foi lançado em 2013, custou R$ 15 milhões. Faturou mais de R$ 145 milhões no mundo todo. Fora o dinheiro dos dvds.

Nos seus 11 anos de existência, o Pânico seguiu o mesmo caminho sem o menor constrangimento. Mas acrescentou sátiras, imitações hilárias. Lançou comediantes com muito talento como Carioca, Ceará, Eduardo Sterblitch. Só que não parou por aí. A gosto do fiel público adolescente, esticou seus olhos para o futebol.

E tome bullying em jogadores e treinadores. Em 2010, Dunga chegou a chamar a polícia para tirar a equipe do programa que não saía de frente à sua casa, após a perda da Copa da África do Sul. Em 2012, um dos membros do Pânico, Alfinete, telefonou de madrugada para o então treinador do Emelec, Marcelo Fleitas. Ele fez questão de acordá-lo e xingá-lo muito. O motivo era que os equatorianos jogariam com o Corinthians pela Libertadores. O trote foi ao ar e fez sucesso.

Muitos atores, cantores, jogadores e técnicos não falam com alguns membros do Pânico. Já virou praxe, mesmo assim, as câmeras ficarem ligadas, apontadas para o rosto do 'entrevistado'. É de um constrangimento atroz. O desejo da pessoa não é respeitado. Mas como rende audiência é levado ao ar.

O que aconteceu na última quinta-feira foi absurdo. A equipe do Pânico já cercava a casa de Felipão em São Paulo há três dias. Ele não queria dar entrevistas. Chegou até a discutir com um membro da equipe. Mas há dois dias, Scolari teve de viajar para Porto Alegre. Assumir o cargo no Grêmio.

Foi quando a produção do programa descobriu que viajaria de TAM às 8h28, no vôo 3865 da quinta-feira. Daniel Peixoto conhecido como Alfinete viajou com Daniel Zukerman, o Impostor. Ambos fizeram tudo o que não tinham direito no vôo. Instigaram passageiros a cantar músicas humilhando Felipão. Chegaram até a usar o hino nacional.

Não contentes, tentaram forçar uma entrevista com o técnico. O Impostor acompanhado por um câmera e produtores fez de tudo para que o treinador falasse. Parecia haver um prazer mórbido com o constrangimento do treinador. Passageiros filmavam a cena deplorável.

Acuado, Felipão buscou ajuda das aeromoças. Diante da negativa do técnico em dar entrevistas, voltaram as cantorias tentando ridicularizá-lo. Só foram calados diante da ordem do piloto do avião.

Esse tipo de humor faz bem para quem? Acrescenta o quê na vida das pessoas? Tripudiar alguém, humilhar, apelar para o bullying com que propósito? Incentivar crianças africanas a repetir nos microfones "Dunga burro" faz rir? Comparar Preta Gil a uma baleia encalhada atinge em cheio as crianças obesas. Estimula rejeição, as agressões nas escolas.

Vivemos em um regime que permite a liberdade de expressão. Que o Pânico continue fazendo o que acredita ser o seu melhor. Mas humilhar pessoas é um caminho que escolheu em 2003. E onze anos depois repete a mesma situação. Nos últimos dois anos perdeu 45% de sua audiência. Se no passado, já chegou a liderar a briga pela concorrência, agora está estagnado na quarta colocação. No domingo passado atingiu apenas 4,5 pontos.

Seria bom a direção do Pânico se inspirar novamente nos passos de Knoxville. Nos atuais. Pensar nos R$ 145 milhões E tentar se reinventar. Massacrar pessoas indefesas diante de uma câmera por mais de uma década é algo lamentável.

O que aconteceu no vôo para Porto Alegre não foi constrangedor para Felipão. Mas para o próprio programa humorístico. Ele é um técnico de futebol, não um bandido. Por isso as portas do futebol estão cada vez mais fechadas à trupe de Emílio Surita. Tão criativa, com alguns comediantes do mais puro talento, mas cuja essência perdeu o rumo. Cansaram as agressões gratuitas, desnecessárias, repetitivas. Nem mesmo os mais sádicos adolescentes deste país suportam. A resposta que o Pânico finge não ver está no Ibope de cada domingo...

Dirigentes se unem para tentar acabar com privilégio de Corinthians e Flamengo nas cotas da Globo. E, para não perder patrocinadores, CBF investe na credibilidade. Fazer valer os resultados no campo…

1divulgacao Dirigentes se unem para tentar acabar com privilégio de Corinthians e Flamengo nas cotas da Globo. E, para não perder patrocinadores, CBF investe na credibilidade. Fazer valer os resultados no campo...
José Maria Marin e Marco Polo del Nero ouviram Marcelo Campos Pinto. O diretor da Globo Esportes foi claro. É preciso acabar com os escândalos no Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Casos como o rebaixamento da Portuguesa no ano passado e o do Brasília na Copa Verde, este ano, desmoralizam o futebol. E, mais importante para os três, afastam os patrocinadores.

A lei continuará sendo cumprida. Mas a CBF fará de tudo para antecipar os casos. O TJD mudará sua filosofia. Tentará antecipar, evitar os casos. O contato com os clubes será mais imediato. O uso da Internet e o comprovante de recebimento da lista dos atletas que não podem entrar em campo serão obrigatórios.

O novo presidente do STJD, Caio Cesar Rocha, conversou muito com Marin e Marco Polo. A CBF quer priorizar ao máximo tudo o que acontece dentro de campo. O caso envolvendo o Brasília é ridículo. E vale ser detalhado.

A primeira Copa Verde foi disputada entre clubes do Acre, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O campeão ganharia, além do título, uma vaga na Copa Sul-Americana. É um torneio de integração, mais do que justo.

O Brasília e o Paysandu chegaram à decisão. Os paraenses haviam vencido o primeiro jogo por 2 a 1, em Belém. Perderam pelo mesmo placar no estádio Mané Garrincha no Distrito Federal. E acabaram derrotados nas penalidades por 7 a 6. Houve festa, comemoração, volta olímpica. Tudo transmitido pela Globo. A partida aconteceu no dia 21 de abril.

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Mas nesta segunda-feira, dia 28 de julho, o STJD deu o título ao Paysandu. E a vaga para a Copa Sul-Americana de 2015. O motivo? O Brasília atuou com quatro jogadores irregulares na decisão. Gilmar, Igor, Índio e Fernando. O detalhe absurdo: eles não foram regularizados por erro da CBF. O clube do Planalto Central enviou a documentação da prorrogação dos contratos a tempo, mas o quarteto não foi inscrito no BID. Inconcebível.

A maior prova da falha da entidade foi a demissão sumária do diretor Luiz Gustavo Vieira de Castro. Ele era o responsável pela administração do BID. Trabalhava na CBF há mais de vinte anos. Caiu graças à essa nova postura da entidade.

Reinaldo Buzzoni ocupará seu cargo. Além de burocrata, ele trabalha como dublador. Sua voz era a dos protagonistas dos filmes Matrix e da saga Crepúsculo: Neo e Edward.

A credibilidade do futebol brasileiro vem sendo massacrada há anos. O estranho caso de Héverton da Portuguesa no ano passado e o absurdo cometido contra o Brasília agora passaram de todos os limites.

Embora os paraenses já comemorem, o clube do Planalto Central vai recorrer ao pleno do STJD. Até por conta do resgate da credibilidade do que acontece em campo, o Brasília deverá recuperar seu título. O resgate será importante até na relação entre CBF e Globo.

Mas não será apenas prazer o sentimento que envolverá a emissora responsável pela transmissão do futebol no país. Está renascendo depois de três anos uma entidade para defender os clubes. E brigar por cotas mais equilibradas. O Clube dos 13 foi implodido em 2011 quando a Globo corria o risco de perder seu monopólio no Brasileiro.

O presidente do Atlético Mineiro revelou quem e porque implodiu o Clube dos 13.

"O ex-presidente do Corinthians (Andrés Sanchez) desde o início falou que ia sair e detonar (o Clube dos 13). O Andrés Sanchez tinha um estádio prometido para detonar a mesa. Ele ia ganhar um estádio. Estou falando aqui porque ele falou comigo e não pediu segredo. Falei com ele e perguntei: ‘Que sacanagem é essa’. Porque ele é tudo, menos bobo. ‘Kalil, estou ganhando um estádio’. Virei as costas e saí andando. Porque eu também se me dessem um estádio detonava a mesa." Kalil falou à ESPN.

 Dirigentes se unem para tentar acabar com privilégio de Corinthians e Flamengo nas cotas da Globo. E, para não perder patrocinadores, CBF investe na credibilidade. Fazer valer os resultados no campo...

A partir daí cada clube passou a negociar diretamente com a emissora. Os mais populares, Corinthians e Flamengo, passaram a ganhar bem mais. Hoje recebem R$ 110 milhões. São Paulo ganha R$ 80 milhões. Vasco e Palmeiras, R$ 70 milhões. Santos, R$ 60 milhões. Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Grêmio e Internacional, R$ 45 milhões. Os demais clubes da Série A, R$ 27 milhões. Os da Série B, R$ 3 milhões.

A distância ficará maior a partir de 2016. Corinthians e Flamengo passarão a receber R$ 170 milhões. O São Paulo, R$ 110 milhões. Vasco e Palmeiras, R$ 100 milhões. Santos, R$ 80 milhões. Fluminense, Botafogo, Cruzeiro e Atlético Mineiro, 60 milhões. E os demais clubes da Série A, 35 milhões. Para a B, o valor passará a ser de R$ 6 milhões.

Os clubes estão aproveitando o clima de mudança, revolução no futebol brasileiro para se juntar. Querem o equilíbrio das cotas. No entender de vários dirigentes, Corinthians e Flamengo são beneficiados demais. Por receberem mais são mais presentes nas transmissões da emissora. Com maior visibilidade, os patrocinadores mais fortes os procuram. Vira uma bola de neve desigual. O presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, é o mais ativo até agora.

Em 2009, a divisão era mais justa. R$ 25 milhões para Corinthians, Flamengo, Vasco, São Paulo e Palmeiras, R$ 18 milhões para o Santos, R$ 16 milhões para Fluminense, Botafogo, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio e Internacional.

Os valores aumentaram e muito. Ficaram mais próximos do que acontece no resto do mundo. Só que há muito dirigente querendo abortar os acordos já feitos com a Globo. Principalmente os que valem a partir de 2016. A CBF, com medo de ser o início de uma liga independente, tenta aproximar as equipes revoltosas da emissora. Até que enfim os presidentes de clubes estão percebendo sua força. Entendendo como tudo acontece neste país...
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Governo dará esmola de R$ 4 bilhões aos clubes. Dilma pensa em tomar o poder da CBF em 2019. Marin busca apoio da Globo e mudará o calendário. É a velha briga entre a guerrilheira e o governador biônico da Ditadura. Não há lugar para amadores…

1cbf11 Governo dará esmola de R$ 4 bilhões aos clubes. Dilma pensa em tomar o poder da CBF em 2019. Marin busca apoio da Globo e mudará o calendário. É a velha briga entre a guerrilheira e o governador biônico da Ditadura. Não há lugar para amadores...
José Maria Marin é um sobrevivente. Se salvou do desastre do Brasil na Copa de 2014. Todo o peso da derrota está tatuado nas costas de Luiz Felipe Scolari. Mesmo tendo sido o presidente da CBF quem prendeu a Seleção pelo pé na ultrapassada concentração da Granja Comary.

Permitiu a farra dos helicópteros em Teresópolis, de Luciano Huck, Mumuzinho, dos patrocinadores. Dos centenas de repórteres do mundo registrando a bagunça. A programação absurda concebida por Parreira, como se o ridículo de Weggis não tivesse existido em 2006. O excesso de folgas. O Brasil foi, das 32 seleções da Copa, a que menos treinou.

O fracasso já foi destrinchado. Agora a questão é a sobrevivência.

O vexame atingiu em cheio quem iria se beneficiar com a euforia de um eventual hexacampeonato: a presidente Dilma Rousseff. Com o fracasso, sua herança é bem maior do que as vaias e palavrões que recebeu no Maracanã. O descontentamento nas derrotas por 7 a 1 contra a Alemanha e nos 3 a 0 diante dos holandeses reflete. Na intenção dos votos em outubro. A chance de vitória no primeiro turno praticamente inexiste. Se o Brasil ganhasse a Copa, especialistas, garantem que o clima festivo poderia sim contaminar a população. E a reeleição seria favas contadas.

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Mas Dilma precisa reagir. Ela não entende absolutamente nada de futebol. Nos encontros com jornalistas, membros do Bom Senso e com os dirigentes ficou claro o quanto é perdida. Não tinha noção do absurdo calendário brasileiro com 20 até 25 jogos a mais por ano do que os europeus. Dos calotes dos dirigentes. Da irresponsabilidade administrativa que fecharia a maioria dos clubes brasileiros, se este país fosse sério.

Dilma ficou possessa em relação à saída dos jogadores muito cedo para o Exterior. A farra dos empresários com o fim da lei do passe. Mas algo irritou sobremaneira a presidente: a riqueza da CBF. Ela não se conforma como a entidade pode ter um patrimônio que passa os R$ 800 milhões e os clubes devendo mais de R$ 5 bilhões entre impostos e ações trabalhistas.

Marin foi seu adversário político na época da ditadura. Governador biônico e radicalmente contra os comunistas. É acusado por Ivo Herzog de ser o responsável pela tortura e morte do seu pai, Vladimir Herzog por agentes da Ditadura Militar. Marin discursou contra a presença dos comunistas na TV Cultura de São Paulo. Vlado era o presidente da emissora. Foi levado para o DOI-CODI, do II Exército. Teria de prestar depoimentos. Foi torturado e morto. Seus assassinos tentaram simular suicídio.

Dilma sabe muito bem dessa história. Foi guerrilheira. Usava vários nomes falsos, principalmente o de Stela. Defendia a ação armada contra a Ditadura Militar. Foi presa por dois anos e um mês.Teve seus direitos cassados por 18 anos. Sempre viu Marin como representante de tudo o que enfrentou nos anos de Chumbo.

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Por incrível que pareça, ela o tolera mais do que a Ricardo Teixeira. Não podia chegar perto do ex-presidente da CBF por causa das várias acusações envolvendo o ex-dirigente. Mas Dilma quer tirar tanto poder da CBF. Só que Marin está tranquilo porque a lei o protege. A entidade que comanda o futebol no país é privada. Não é possível uma intervenção governamental.

Por isso Dilma e Aldo Rebelo resolveram o atacar pelas beiradas. O governo vai ceder à escandalosa chantagem dos
irresponsáveis dirigentes de clubes. Eles se acostumaram a fazer barbaridades administrativas e depois ficar de joelhos diante do governo. Foi assim que nasceu, por exemplo, a Timemania.

Nos últimos cinco anos, as dívidas dos principais clubes brasileiros cresceram 74%! Quem é essa gente controlando essas entidades tão importantes?

1divulgacao4 Governo dará esmola de R$ 4 bilhões aos clubes. Dilma pensa em tomar o poder da CBF em 2019. Marin busca apoio da Globo e mudará o calendário. É a velha briga entre a guerrilheira e o governador biônico da Ditadura. Não há lugar para amadores...

Com a chave do cofre na mão, Dilma vai aprovar a populista ação de liberar R$ 4 bilhões aos clubes endividados. E eles terão 300 meses. Serão 25 anos para pagar suas dívidas. Negócio de mãe para filho único. Uma vergonha. Quantas e quantas empresas geridas de maneira responsável mergulham na falência sem o governo ajudar. Acontece que auxiliar clubes populares reflete na eleição presidencial.

Esses R$ 4 bilhões de dinheiro público terá um efeito colateral importante. Fará com que todos os clubes fiquem compromissados com o governo. Quem tem o direito de voto na CBF? Os presidentes de federações e as equipes da Série A. Ou seja, Aldo Rebelo e Dilma terão, na teoria, vinte votos a seu favor. A próxima eleição na entidade será em 2019. Tempo mais do que suficiente para a presidente e Rebelo conquistarem algumas federações. Seus presidentes não são exemplos de fidelidade. Nestes quatro anos, o governo pode moldar um candidato para tomar o controle do futebol brasileiro.

Marin é um sobrevivente. Não quer que o controle escape das mãos dos seus. Marco Polo assumirá em 2015. Se ficasse de braços cruzados, acabaria engolido por Dilma e Rebelo. Por isso, Marin pediu uma reunião com a cúpula da TV Globo. Percebeu que a saída só seria possível com a emissora que determina a rotina do futebol neste país.

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A jogada foi muito inteligente. Marin avisou que teria de mexer no calendário. Usou como argumento a queda história de audiência dos jogos na Globo, são 28% nos últimos dez anos. Isso se deve aos canais a cabo e também aos péssimos espetáculos. Os clubes estão falidos e não adianta a Globo pagar mais. O dinheiro está sendo desviado para as dívidas e os times não se reforçam a ponto de atrair mais audiência.

O presidente da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto, concordou com a proposta da CBF. Ele também entende que o produto futebol está vulgarizado no país. E quer uma mudança para que os patrocinadores que banca o esporte não fujam da emissora.

O presidente da CBF ganharia um beijo na bochecha direita de Maquiavel. Escolheu medidas que agradam o governo, o Bom Senso, a Globo e evita uma rebelião contra a CBF. Ele vai diminuir o número de jogos que um atleta brasileiro poderá fazer durante o ano. Será, no máximo, 60. Medida humanitária? Nem tanto. O octogenário reverte o pedido do Bom Senso. O movimento queria limitar o número de partidas dos clubes. Ou seja, as equipes poderão atuar mais de 60 vezes, só os atletas que não. O dinheiro da bilheteria continuará entrando enquanto os atletas descansam.

Marin foi além. A CBF finalmente respeitará as datas-Fifa. Ou seja, a Seleção Brasileira seguirá o mundo moderno. Só atuará quando todas as outras seleções jogarem. Acabarão as partidas caça-níquel que sequestrava os principais jogadores das equipes e só rendia dinheiro à entidade.

Em 2015, os clubes já terão um mês de férias e outro mês para a pré-temporada. Ou seja, os campeonatos começarão em fevereiro.

A CBF não acionará a sua bancada da Bola (políticos que a defendem no Congresso) para barrar as medidas vistas como obrigatórias por Dilma. A fiscalização trimestral da Certidão Negativa de Débitos dos clubes. A punição até com o rebaixamento para as equipes que atrasarem salários e direito de imagem dos atletas. A fixação de uma idade mínima para os atletas terem vínculos com seus clubes formadores. Possivelmente 18 ou 19 anos. O governo pretende travar a ação dos empresários.

Tudo Marin vai aplaudir. Ele só não quer que o governo se volte seriamente para a CBF. E resolva tomar as rédeas do futebol. Por isso, a reunião com a Globo. O calendário brasileiro e a vida da Seleção Brasileira terá um pouco mais de sanidade. Mas Marco Polo que se prepare. A esmola de R$ 4 bilhões que o governo destinará aos clubes geridos por dirigentes irresponsáveis e incompetentes pode fazer milagre. O alvo é a eleição de 2019.

Dilma aprendeu a planejar. A traçar objetivos distantes. Desde que passou dois anos e um mês presa pela Ditadura Militar. E acabou presidente do Brasil. É bom Marin e Marco Polo não esquecerem com quem estão lidando...
2divulgacao1 Governo dará esmola de R$ 4 bilhões aos clubes. Dilma pensa em tomar o poder da CBF em 2019. Marin busca apoio da Globo e mudará o calendário. É a velha briga entre a guerrilheira e o governador biônico da Ditadura. Não há lugar para amadores...

Petros, a grande descoberta do Corinthians em 2014. Jogador de personalidade e inspirado em Schweinsteiger. Ao mesmo tempo em que prevê duelo com o Cruzeiro pelo título brasileiro, já sonha com a Seleção de Dunga…

1ae21 Petros, a grande descoberta do Corinthians em 2014. Jogador de personalidade e inspirado em Schweinsteiger. Ao mesmo tempo em que prevê duelo com o Cruzeiro pelo título brasileiro, já sonha com a Seleção de Dunga...
Há muito tempo entrevistas com jogador de futebol não me surpreendiam. Clichês, medo da repercussão, desinteresse em se expor. Muitos acabam escravos dos seus assessores e agentes. Passam uma imagem imbecilizada, superficial. Não enxergam a oportunidade da mídia, de mostrar sua verdadeira personalidade aos torcedores. Depois que a carreira acaba reclamam pelos cantos terem sido esquecidos.

Não foi o caso com Petros. Volante inteligente, vivido que o Corinthians descobriu no Penapolense. Dono de um futebol moderno. Jogador mais importante taticamente no time de Mano Menezes. Inteligente, interessado, estudioso. E com personalidade para dizer o que pensa.

Tive contato com ele no programa Fox Sports Radio. Petros foi convidado como eu. A conversa foi excelente comigo e com os inteligentes e ensandecidos Oswaldo Pascoal, Flávio Gomes, Fábio Sormani e Mano. Petrus deixou a todos nós de queixos caídos.

Depois do programa tive a chance de fazer algumas perguntas a ele. Misturo com as dos companheiros de programa. Nem importa quem perguntou, mas as respostas do jogador corintiano.

Petrus, você é um volante de joga de cabeça erguida, muito inteligente taticamente. Tem 25 anos. Por que nenhum time grande do Brasil o enxergou antes?

Sinceramente, acho que as coisas aconteceram comigo quando deveriam. Eu não teria cabeça para chegar no Corinthians, por exemplo, no ano passado. Talvez não conseguisse jogar. Não é fácil suportar a pressão, as cobranças. Só agora me sinto preparado e posso atuar como eu sei. Se chegasse antes, poderia ter fracassado, ter sido apenas mais um.

Esta visão de jogo não é comum. Você marca, recompõe, orienta e ainda é importante no ataque. Faz todas as funções. Parece um meio campista europeu. Você se inspira em quem?

Eu sinceramente gosto de estudar, entender taticamente o melhor futebol do mundo. E tenho de reconhecer que a Alemanha está muito acima de todos os países. Não é por acaso que ganhou a Copa do Mundo. As triangulações do meio para a frente são impressionantes. Não há posição fixa. E sempre quem tem a bola tem duas opções para passe ou pode tentar a jogada sozinho. Isso desorienta qualquer sistema defensivo. Eu não vou negar. Tento entender e trazer para mim o que faz o Schweinsteiger. Inteligente, habilidoso e joga para o time. Não está interessado em se destacar.

Seu futebol coletivo realmente já se destaca. É titular absoluto de Mano Menezes. Mas ele está irritado com você. Quer que chute mais a gol. Por que você não bate mais? Qual o problema?

Sinceramente? São duas coisas. A primeira é que realmente eu tenho mais prazer em dar um lançamento, um passe, abrir a defesa e deixar o meu companheiro livre para marcar do que fazer o gol. Não é falta de ambição, não. É pensar no futebol coletivo. Por que vou chutar de forma egoísta e desperdiçar um passe que pode fazer com que meu time faça o gol mais fácil. O outro fator é o desgaste. Eu tenho de me desdobrar no meio de campo do Corinthians. Sou responsável por fechar o setor mais forte do meio de campo adversário. Pela minha facilidade de marcar. Para que o Elias tenha mais liberdade e o Ralf não fique sobrecarregado. Muitas vezes chegou cansado, desgastado na hora do arremate. Só que já marquei o gol contra o Palmeiras, paguei a minha dívida com o Mano. Ele pode deixar de me cobrar tanto.

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Você que é um admirador do futebol alemão, me diga o que você faria se estivesse jogando a Copa. E eles estivessem tão superiores. O 7 a 1 foi inevitável?

Taticamente eles estavam muito, mas muito melhores do que o Brasil. Tanto que faziam gols como a gente faz em rachão, brincando. "Faz você, não, faz você." Eu não me conformei com o que eu vi. Se eu estivesse em campo, teria tomado atitude. Algo que ninguém fez. O Felipão não reagiu no banco de reservas. Tem horas em que os jogadores precisam se assumir em campo. Depois do 2 a 0, eu teria gritado para o meu goleiro, cai. "Vamos arrumar essa droga." Era preciso parar o jogo de qualquer maneira. Não me conformei com a dependência do time em relação ao técnico. A Alemanha era superior, mas não teria conseguido uma goleada tão alta se o jogo fosse parado nos 2 a 0. O time precisa ter tanta personalidade que pode ajudar o treinador e não ser apenas dependente.

Você está falando com uma convicção interessante. O Dunga prometeu uma revolução no futebol brasileiro. Tem esperanças de servir a Seleção Brasileira?

Sei que podem falar que está muito cedo, mas eu tenho sim esperança. Quero ajudar o quanto puder o Corinthians. Mas não vou negar que o sonho de jogar pela Seleção já está em mim. Se vier a chance vai me encontrar pronto. Chegou a hora mesmo de dar chance para os jogadores talentosos que estão por aqui. Eu acho um absurdo o Cruzeiro não ter sequer um jogador no grupo que disputou o Mundial. Ao menos o Everton Ribeiro tinha de estar. Meia habilidoso, inteligente taticamente, diferenciado. Muitas vezes o jogador que atua por aqui está sendo deixado de lado na Seleção e só se valoriza quem atua fora. Isso está errado.

Você começou no Vitória, passou pelo Democrata, Fluminense de Feira de Santana, Boa Esporte, Penapolense. E agora Corinthians. Fala com uma desenvoltura e firmeza impressionante. Seu vocabulário também é diferenciado.

Minha mãe é professora e foi clara comigo: só iria jogar futebol se estudasse. Aprendi a valorizar o conhecimento e percebo que o jogador tem sim de se posicionar. Cursei três semestres da faculdade de Administração. Quero de qualquer maneira acabar o curso. Mas está difícil conciliar com o futebol. Vou dar um jeito.

Qual o potencial que você vê no Corinthians na briga pelo Brasileiro?

Muito forte. Ainda mais depois da nossa arena em Itaquera. Nós no período de Copa do Mundo treinamos muito. Aprendemos a tirar todo o potencial de jogar na nossa casa. Não é por acaso que foram três jogos e três vitória. Lá a proximidade do torcedor nos dá muita força para derrotar os nossos adversários. Eu acredito que o nosso grande rival pela conquista do Brasileiro será o Cruzeiro. Time que atua de maneira moderna. A diferença entre eles e nós está no fato de que os mineiros são ofensivos até demais. O elenco é excelente. Será uma grande briga pela conquista do Brasileiro. Eu ainda acredito no nossa força mais compacta, competitiva, de preenchimento de espaço aliado à técnica.

O que você achou dos corintianos encontrando as portas do metrô fechadas na semana passada?

Um enorme desrespeito. Sei que deve acontecer uma liberação por parte do metrô (realmente houve, eles passarão a fechar mais tarde em noites de jogos). Mas a solução não é essa. O horário decente para o futebol às quartas-feiras é as 19h30. Seria bom para os torcedores e ótimo para os jogadores. Nós perdemos muito tempo da nossa vida nas partidas às 22 horas. Ficamos presos, irritados esperando o tempo passar na concentração. Poderíamos estar fazendo algo produtivo na nossa vida, como por exemplo, estudar. Também não tem cabimento o torcedor que vai trabalhar no dia seguinte chegar em casa de madrugada. Sei que é uma exigência da televisão. Mas está errado. Todos sabem e ninguém age. Isso não vou entender nunca...
 Petros, a grande descoberta do Corinthians em 2014. Jogador de personalidade e inspirado em Schweinsteiger. Ao mesmo tempo em que prevê duelo com o Cruzeiro pelo título brasileiro, já sonha com a Seleção de Dunga...

Felipão, Parreira e Murtosa receberam mais de R$ 9 milhões pela demissão da Seleção. A revelação deste valor absurdo é ótima para Marin. A opinião pública entenderá a dispensa. E esquecerá a ‘traição’…

1cbf10 Felipão, Parreira e Murtosa receberam mais de R$ 9 milhões pela demissão da Seleção. A revelação deste valor absurdo é ótima para Marin. A opinião pública entenderá a dispensa. E esquecerá a traição...
Nos bastidores do futebol não há lugar para amadores. Ainda mais quando estão envolvidas pessoas que militaram na política brasileira. Aprenderam que perdão é fraqueza. Como o atual presidente da CBF. O ex-governador biônico de São Paulo, José Maria Marin.

Ele já percebia uma onda favorável a Felipão na imprensa. Não pelo desempenho do Brasil nos jogos decisivos na Copa do Mundo. Mas pela maneira como foi dispensado da Seleção Brasileira. Logo após a derrota por 7 a 1 para a Alemanha, ele se reuniu com Marin e com o seu sucessor eleito, Marco Polo del Nero. Recebeu dos dois a promessa que continuaria, seguiria na Seleção. Fosse qual fosse o resultado contra a Holanda.

Mas veio outra derrota desmoralizante por 3 a 0. E o discurso raivoso de Galvão Bueno na TV Globo exigindo uma reformulação na Seleção Brasileira. Marin e Marco Polo decidiram que seria melhor esquecer a promessa feita a Scolari. E seguir a vontade da opinião pública. Fazer mudanças. Desde que não fosse um treinador estrangeiro.

Optaram por um representativo e que, de tão satisfeito pela escolha, se submeteria aos planos dos dois. Aceitasse ser um funcionário encaixado na engrenagem. Que não questionasse calendário, qualidade dos amistosos, Gallo na Seleção Olímpica, Gilmar Rinaldi na coordenação. Dunga aceitou feliz da vida retornar à Seleção.

Mas havia a história da 'traição' a Felipão. Era necessário jogar a pá de cal na questão. Só havia um caminho para ganhar a opinião pública. Revelar com todos os centavos quanto a CBF gastava com a Comissão Técnica que fracassou na Copa de 2014. Um velho golpe que sempre costuma dar resultados.

2cbf1 Felipão, Parreira e Murtosa receberam mais de R$ 9 milhões pela demissão da Seleção. A revelação deste valor absurdo é ótima para Marin. A opinião pública entenderá a dispensa. E esquecerá a traição...

E os documentos de quanto Felipão, Parreira e até Murtosa ganhavam chegaram à Folha. Coincidência oportuna. Capaz de mostrar de vez o acerto na dispensa do trio. Juntos, os três receberam cerca de R$ 9 milhões com a demissão.

Scolari ganhou em junho R$ 902.014,79 como salário. Estava computada uma premiação de quase R$ 300 mil. Seu vencimento mensal anterior era de R$ 612.154,43. Ao ser mandado embora ganhou R$ 4.197.000,00. O valor cobre multas e FGTS já que tinha registro na carteira de trabalho e foi demitido 'sem justa causa'.

O coordenador Parreira embolsou R$ 4.197 milhões. Ele recebeu em junho R$ 901.538,75. Seu salário era de R$ 612.154,43, o mesmo de Felipão. Murtosa, o auxiliar técnico, também não tem o que reclamar. A demissão lhe rendeu R$ 751,700. Ele recebia R$ 82.785,50. Em junho, foram depositados na sua conta R$ 372.169,82.

Ou seja, a CBF pagou R$ 9.135.000,00 como indenização ao trio que comandava a Seleção Brasileira na Copa do Mundo.

A divulgação dos valores tem um efeito colateral imediato. Chocar a opinião pública. Mostrar o quanto Marin apostou no trabalho dos três. E que não há motivo algum para que eles reclamem de nada. Nem da eventual 'traição'.

Realmente, até agora, 9 horas da manhã desta quarta-feira, nenhum dos três reclamou de Marin. Não publicamente. Todos acataram a decisão do presidente da CBF. Mas o trio não esperava que sua vida financeira fosse tão escancarada. Sem dúvida alguma, a partir de hoje, Dunga terá mais paz para trabalhar.

Do outro lado da discussão, mas também sem um pingo de ingenuidade, está Fábio Koff. O ex-juiz de Direito e ex-presidente do Clube dos 13 comanda o Grêmio. E acertou ontem a volta de Felipão ao clube depois de 18 anos. Para dar um ar de parceria com o técnico, fez questão de avisar à imprensa gaúcha. Os dois acertaram os valores até o final de 2016 em um guardanapo. Tamanha a confiança entre os dois.

Mas fique a lição que mata a ingenuidade do leitor. Nada do que acontece no futebol brasileiro é por acaso. Principalmente envolvendo dinheiro.

Os salários, os custos em manter uma derrotada Comissão Técnica da Seleção deixaram de ser segredos hoje. Quando daqui a pouco haverá a primeira entrevista coletiva de Felipão depois da sua dispensa. Como falar em traição de Marin recebendo tanto dinheiro da CBF?

É preciso parar alguns segundos e perceber o que está por trás de uma revelação jogada no ar. Perceber o porquê e quando ela se torna pública. Qual seu objetivo...
1gremio Felipão, Parreira e Murtosa receberam mais de R$ 9 milhões pela demissão da Seleção. A revelação deste valor absurdo é ótima para Marin. A opinião pública entenderá a dispensa. E esquecerá a traição...