O Brasil já viveu o mesmo desamparo que sente ao perder Neymar. Foi com Pelé em 1962. A diferença é que agora não há um Garrincha. Nem mesmo um Amarildo para colocar contra a Alemanha…

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Fortaleza...

O cronômetro apontava 41 minutos do segundo tempo. Neymar chegou antes da bola que seu marcador Juan Zúniga. Como quase em toda a partida. Driblou, tabelou, se aproveitou do setor esquerdo, direito da Colômbia. Irritou, desgastou demais o lateral que atua no Napoli. Não tanto quanto poderia.

Neymar já estava atuando com dor. As pancadas contra o Chile ainda atrapalhavam. Mas ele não reclamava. Nunca iria supor pela vingança maldosa do colombiano.

O lateral sabia que não poderia roubar a bola. Aproveitou que estava no embalo e resolveu dar uma pancada no camisa 10. Dobrou a perna e acertou com toda a força seu joelho nas costas de Neymar. E a Copa do Mundo mudava para o Brasil.

"A pancada foi fortíssima. Fraturou a terceira vértebra lombar do Neymar. Não se rompe um osso facilmente. O trauma foi pesado. A recuperação infelizmente levará de quatro a seis semanas. Acabou a Copa do Mundo para ele. Não há a menor possibilidade de um milagre. Nenhuma..."

A voz desolada do médico Rodrigo Lasmar dava o tom no vestiário brasileiro. Como por encanto o Brasil ter chegado à semifinal da Copa do Mundo ficou para o segundo plano. Os jogadores se revoltaram ao saber que teriam de seguir sozinhos. Perderam o melhor do grupo por um golpe covarde, violento do colombiano.

"Pois é...O jogador deu uma pancada enorme por trás nas costas do Neymar. O tirou da Copa do Mundo e não recebeu nem uma advertência, um cartão amarelo. Nada. E aí muita gente vem e fala que o Brasil está sendo favorecido pela arbitragem. Taí a resposta."

O desabafo é do capitão do time, Thiago Silva.

"Nos nossos jogadores se pode bater, machucar e nada acontece. Tudo por causa daquele pênalti no Fred. Aquele que a imprensa disse que inventaram para o Brasil. Agora tiram o Neymar da Copa. E aí?, perguntava, irritado Hulk.

Mal a notícia se espalhava pela zona mista, os jogadores iam fechando seus semblantes. Preocupados, tensos. Todos já estavam traumatizados com a saída do jogador do campo. Ele deixou o gramado carregado pela maca. E foi direto para a clínica São Carlos, a melhor em traumatologia daqui de Fortaleza.

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"Ele chorava muito. Estava desesperado. Suas dores era enormes. Esse tipo de fratura dói demais. Nós tratamos de acalmá-lo. Fizemos os exames e vimos que a terceira vértebra no processo transverso estava rompida. Mesmo depois do exame e já com a dor sob controle, ele continuou a chorar", disse o médico Rodrigo.

O motivo era óbvio. Neymar sabia que a sua Copa do Mundo havia acabado.

A princípio não haverá a necessidade de operação. O osso se regenera sozinho. Mas ele terá de ficar imobilizado por uma cinta. A princípio, o atacante quer seguirir com o grupo. Mas não há a confirmação de que poderá. Ele viajou com o time logo depois do jogo para o Rio de Janeiro. Lá ele submeterá a novos e mais detalhados exames.

Dez minutos antes da confirmação da fratura de Neymar, Zúñiga passava pelos jornalistas. Já desconfiava que tinha machucado o brasileiro. Mas não tinha noção de quanto. E tentava se inocentar.

A diferença entre os dois fisicamente é a mesma de um lutador de MMA com um jóquei.

2ae1 O Brasil já viveu o mesmo desamparo que sente ao perder Neymar. Foi com Pelé em 1962.  A diferença é que agora não há um Garrincha. Nem mesmo um Amarildo para colocar contra a Alemanha...

"Foi uma jogada normal, nunca tive a intenção de fazer mal ao jogador. Quando estou em campo, faço de tudo para defender meu país, é a camisa que eu visto, mas sem a intenção de lesionar qualquer jogador. Era uma partida em que ambos queriam ganhar, e estava tudo um pouco quente, todos entrando forte, mas eles (brasileiros) também estavam fazendo o mesmo. Isso é normal. Não fui para a jogada esperando que ele fraturasse a coluna, estava defendo minha camisa, meu país. É uma coisa muito triste para um jogador, mas espero que, com a ajuda de Deus, não seja nada mais grave e que ele melhore, pois todos sabem que é um grande talento para o Brasil."

Zúñinga já estava longe quando foi confirmado o fim da Copa do Mundo para Neymar.

O choque pode ser comparado ao que aconteceu com o Brasil em 1962 com Pelé. A Seleção perdeu o melhor jogador do mundo no Chile. Logo na segunda partida. O time caminhou até o título, ao bicampeonato. A equipe era fantástica. Tinha Garrincha, Zito, Didi. Amarildo entrou no seu lugar e surpreendeu com um desempenho excelente.

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O repertório da atual Seleção não é tão grande. Felipão pode colocar três volantes. Entrar contra a Alemanha com Luiz Gustavo, Fernandinho e Paulinho. Oscar seria adiantado, jogando com Fred e Hulk.

Ou então colocar simplesmente Willian na vaga de Neymar. E o esquema seria mantido em Belo Horizonte.

Luiz Felipe conseguiu que o time não chorasse de emoção. Mas não contava com as lágrimas de Neymar. Eles foram as mais primárias de um ser humano: de dor. Agora quem chora é o Brasil. Em uma partida que entrará para a história.

Marcará o jogo no qual o Brasil se classificou para a semifinal da Copa. E não houve festa. O clima na Seleção e no país era de luto. A Seleção perdia a sua maior esperança de fazer o time hexacampeão do Mundo.

O semifinalista Brasil chora por Neymar. Exatamente como chorou por Pelé em 1962. A sensação de desamparo é a mesma. Só que sem Garrincha. Ou mesmo um Amarildo para colocar contra a Alemanha...

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O Brasil poderia ter goleado a Colômbia. Desperdiçou vários gols. Perdeu Thiago Silva. E, suando sangue, está na semifinal da Copa. A melhor campanha desde 2002. Agora, a Alemanha…

1vipcomm3 1024x681 O Brasil poderia ter goleado a Colômbia. Desperdiçou vários gols. Perdeu Thiago Silva. E, suando sangue, está na semifinal da Copa. A melhor campanha desde 2002. Agora, a Alemanha...
Fortaleza...

O Brasil sofreu por não ter decidido o placar quando poderia. Uma partida que era fácil se tornou dramática no final. Vitória sofrida contra a Colômbia por 2 a 1 aqui em Fortaleza. Teve de suar sangue nos últimos minutos, mas conseguiu. Está na semifinal da Copa. Melhor campanha desde 2002. Vai enfrentar a Alemanha, terça-feira, em Belo Horizonte. Sem Thiago Silva suspenso. Neymar tomou uma pancada fortíssima nas costas. E será avaliado pelos médicos.

Antes do jogo começar, duas preocupações de Felipão. A primeira era psicológica. Ele não queria os seus jogadores chorando. A ordem era parar de derramar lágrimas no hino nacional. O capitão Thiago Silva se mostrava mais firme, tomando a frente do elenco. O grupo estava interessado em fazê-lo mostrar que ele merecia ser o capitão do time. David Luiz continha a natural empolgação.

Depois de limpar a imagem, chegava a hora de arrumar um grave defeito do time. O lado defensivo direito. Daniel Alves e sua insegurança deixava a vaga para Maicon. Substituição mais do que justa. A troca foi para travar Armero e o temido artilheiro da Copa, James Rodríguez. Paulinho ajudaria a fechar o corredor que era tão explorado pelos adversários.

Foi empolgante o início da partida. Com os dois times tentando marcar por pressão. Ambos tinham a mesma ambição. Marcar o primeiro gol logo no início da partida. Para obrigar o adversário a se abrir. A estratégia coincidia.

O Brasil tinha um ingrediente a mais: jogava com raiva. As críticas nitidamente haviam mexido com a equipe. Fred, Oscar, Hulk e Neymar travavam a defesa colombiana. Sem recursos, apelava para os chutões.

Os colombianos estavam muito nervosos, tensos com a responsabilidade da partida. A Colômbia nunca havia chegado tão longe em uma Copa. Jogador de futebol é instintivo, sente o cheiro de medo.

E foi assim que veio um simples escanteio. A movimentação na área era intensa. A bola veio alta, David Luiz ganhou na força e desviou pelo alto de cabeça. A bola procurou o jogador que mais precisava fazer um gol: Thiago Silva. O tão questionado capitão desviou de joelho a bola para as redes de Ospina.

1 a 0, Brasil, logo aos sete minutos.

Era hora de extravasar. Mas nada de lágrimas!

Apontando para o distintivo da CBF, ele gritava para a câmera de alta definição mais próxima. "Aqui é Brasil, nesta porra! Aqui é Brasil, nesta porra! É Brasil!"

Foi o seu pedido de respeito ao time. E principalmente a ele mesmo, tão massacrado pelo excesso de lágrimas, capazes de ajudar o reservatório da Cantareira. Depois ficou de joelhos e agradeceu aos céus. Sabia o quanto precisava do gol...

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O gol mexeu com o jogo. Pékerman foi obrigado a adiantar a Colômbia. Não queria e nem podia ficar muito tempo atrás no placar. O lado emocional e o placar já estavam do lado brasileiro. Ao contrário do que sonhava.

A necessidade de adiantar Ibardo e Cuadrado. Assim como Sanchez e Guarin. O Brasil passava a ter muito espaço na intermediária colombiana. Era só retomar a bola que virava um desespero. O Brasil forçava por seu lado mais talentoso: o esquerdo.

Marcelo e Neymar tinha mais espaço para articular contragolpes em velocidade. Zuñiga e Zapata eram vencidos com facilidade. O problema é que a bola caiu três vezes no pé esquerdo de Hulk. O atacante chutou duas vezes em cima do goleiro Ospina. A terceira para longe do gol. Puro desperdício.

A partida foi ficando tensa. Acabava a simpatia nas divididas. Mas o que importava do lado brasileiro eram as excelentes atuações de Fernandinho e Paulinho. A intermediária estava bem protegida, firme. Não deixava brechas. James Rodríguez mal pegava na bola. Sentia a pressão do jogo.

Pékerman sentia o golpe. Seu time não sabia atacar sem dar espaço. O que era uma dádiva ao Brasil. A proposta de jogo era extremamente favorável aos mais talentosos. Melhor para o Brasil. A superioridade no placar poderia e deveria ter sido muito maior.

No segundo tempo, os colombianos voltavam com Ramos no lugar de Ibardo. Um meia atacante no lugar de um volante. Sabia que precisava do ataque. O Brasil voltou na mesma filosofia. Explorar os espaços oferecidos pelos colombianos.

Thiago Silva fazia grande partida. Oscar taticamente se sacrificava pelo time. Era um terceiro volante compondo o meio de campo. O Brasil estava compactado. Como uma mola encolhida esperando pelos contragolpes.

O problema era Fred, não Freud. O atacante brasileiro fazia sua quinta partida da Copa estático. Sem movimentação alguma. Estava em campo apenas para empurrar zagueiros. Sua falta de participação no jogo compromete o time como um todo. Mas como é líder, não sai.

Estava tudo dando certo. A Colômbia não conseguia criar. O jogo estava brigado, mas sob controle. Até que, aos 17 minutos, Thiago Silva teve uma pane mental. Resolveu travar Ospina para uma reposição de bola normal. Tomou o segundo cartão amarelo. Está fora da semifinal contra a Alemanha em Belo Horizonte. Desfalque importantíssimo.

Felipão imediatamente coçou a cabeça preocupado. Sabia que não tem um substituto à altura. Estava desmanchada a mais cara e competente zaga do planeta.

O time ficou atordoado por alguns momentos. Sentiu o golpe de seu capitão. Foi quando em uma cobrança de falta, o veterano Yepes conseguiu fazer o gol, mas o impedimento acabou marcado corretamente. Em seguida, o castigo decisivo aos colombianos.

Jame Rodríguez mostrou que não estava descansando em Bogotá. Continuava em campo. Fez falta em Hulk na intermediária. David Luiz cobrou com força e direção: 2 a 0, Brasil. Aos 22 minutos do segundo tempo, a Seleção estava na semifinal da Copa do Mundo.

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Os colombianos escancaram de vez seu esquema. Buscavam na base da raça mudar alguma coisa. O Brasil continuava criando chances de ampliar, o que facilitava as coisas. Havia espaço. E foi assim que o time de Pékerman conseguiu um pênalti.

Depois de ótima troca de bola na entrada da área, Bacca ficou livre diante de Júlio César. Foi derrubado pelo goleiro. James Rodríguez deslocou o goleiro: 2 a 1, aos 34 minutos.

Só aí Felipão resolveu fechar sua intermediária. Trocou Hulk por Ramires. Era preciso estabilizar o time. Paulinho cansado também saiu para a entrada de Hernanes. A pressão dos colombianos não tinha neurônios, só correria.

O que estava ruim, ficou muito pior quando Zuñiga foi maldoso. E deu uma joelhada nas costas de Neymar. Ele teve de ser substituído. Felipão colocou Henrique como terceiro zagueiro. A equipe ficou atrás dando chutões. Com muito sofrimento, eliminou os colombianos. Faz sua melhor campanha desde 2002. Está nas semifinais...
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Dinheiro de narcotráfico, Liga Pirata, empresários levando garotos para a Europa. Como o futebol da Colômbia chegou à sua melhor campanha em Copas do Mundo. Exclusiva com Gabriel Meluk…

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Fortaleza...

Gabriel Meluk é um dos principais jornalistas colombianos. Chefe de Esportes do El Tiempo de Bogotá. De estilo poético, bebeu na mesma fonte de Gabriel Garcia Marques. Firme nas suas convicções. Não se furta a falar o que pensa, o que os mais de vinte anos de cobertura de Seleção Colombiana.

"Nós temos time para ganhar do Brasil. Mas não é o interesse da Fifa, da competição que o time de Scolari saia no meio da Copa. Não sejamos ingênuos. Futebol não é decidido apenas no campo.

Mas confio no melhor time que montamos na história do nosso país. Uma equipe talentosa, com um excelente técnico e com a experiência europeia. Não se assuste se acabarmos com a festa brasileira hoje."

A confiança colombiana que algo fora do comum acontecerá daqui a pouco no Castelão não tem limites. 15 mil exemplares do jornal foram impressos em espanhol no Rio de Janeiro. E estão sendo distribuídos gratuitamente aos colombianos que chegam para o jogo.

É algo histórico, inédito no jornalismo colombiano. "Viemos para o Brasil deixar nossa marca", provoca Gabriel.

Como a Colômbia pode vencer hoje?

Sendo a Colômbia. Não se intimidando com a pressão da torcida em relação do Brasil. Tendo a coragem de se assumir como grande. Esquecer da história maravilhosa da Seleção Brasileira. Esquecer da camisa. E acreditar no que está saltando aos olhos: temos no mínimo o mesmo potencial do time brasileira. Nossa equipe está até jogando bem melhor. É a melhor geração que surgiu a Colômbia já mandou para a disputa de uma Copa. Um grupo talentoso, com experiência europeia. Pela primeira vez temos três atletas que atuam no nosso país. Quatro na Argentina. E os 16 restantes na Europa.

Qual a importância do Pékerman?

Total. Temos um treinador que é muito trabalhador. Não é tricampeão do mundo sub-20 por acaso. É estudioso taticamente. Meticuloso. Poucas pessoas se recordam. Ele está invicto na Copa do Mundo. Foi eliminado nos pênaltis quando dirigiu a Argentina. E agora fez a melhor campanha da história da Colômbia. Nos trouxe para as quartas de final. Com toda a chance de derrotar o Brasil. Não falo por falar, não. Nós acreditamos que somos, no mínimo igual, ao time de Felipão.

O que há de errado no Brasil?

São duas coisas. A primeira é que o time tem apenas um craque, Neymar, que é um menino. O Brasil campeão de 2002 tinha quatro e vividos: Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo e Roberto Carlos. Isso desequilibra. Não só um jogador. Neymar é muito pouco. Todos sabemos da dependência incrível do time de Scolari dele. Além disso, o Brasil continua jogando igual, da mesma forma da Copa das Confederações. Não há variação tática. Não foi por acaso que México e Chile conseguiram travar o Brasil. Dentro de campo, sinceramente, não me preocupo. Fora o Brasil é muito mais.

Como assim?

A escalação do juiz espanhol (Carlos Velasco), por exemplo. Não gostei. Ninguém da Colômbia pode reclamar da sua escalação. Mas não tenho dúvidas que a Fifa não quer que a festa acabe pela metade. Há muita coisa em jogo. Não acredito em manipulação. Nada disso. Mas a pressão que um trio de arbitragem sofre em partidas de Copa do Mundo é absurda. Basta ver a história. Mas apesar disso estou confiante. Um árbitro pode se equivocar em um ou dois lances. Não o jogo todo.

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A história do futebol colombiano daria livros maravilhosos de Gabriel Garcia Marques. Desde a década de 50 foram revoluções, como a liga pirata, o envolvimento do narcotráfico, até a fase atual com os empresários bancando o investimento nos garotos...

Realmente a história do nosso futebol é incrível. Nós não tínhamos dinheiro e nosso futebol era muito fraco em 50. Quando os jogadores argentinos resolveram fazer uma greve. Nossos dirigentes trouxeram os melhores, assim como os melhores uruguaios. Vavá e Garrincha do Brasil. A liga não era pirata. A Fifa queria que fosse porque nossos dirigentes conseguiram pagar os melhores salários. Foi um período chamado de El Dorado. Houve partidas que ficaram para a história. O Millonario de Bogotá um dos melhores do mundo, tinha Di Stéfano. Ganhou do Real Madrid, em Madrid. Fez partidas brilhantes. Até que a greve na Argentina acabou, assim como o dinheiro. E entramos em decadência.

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Tudo só voltou em 1990 com o narcotráfico?

Houve alguns times e jogadores que ficaram fortes de maneiras espontânea. Mas só houve o boom na Colômbia com o dinheiro dos traficantes de cocaína. Era uma maneira de lavar o dinheiro. Os dirigentes da época ficaram surpresos com esse aporte de dinheiro. Trataram de aproveitar. Pablo Escobar e todos os grandes traficantes decidiram colocar milhões e milhões de dólares nos time. O grande beneficiado foi o América, com o cartel de Cali. Esteve entre os quatro primeiros nos anos 90 e 2000. Isso era impensável para o futebol colombiano. O Deportivo também teve sua parcela. Foi assim vice da Libertadores de 1999. Sem falar também do Cartel de Medellin. O dinheiro do narcotráfico mudou até o biotipo da mulher colombiana.

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Espere um pouco, Gabriel. Biotipo da mulher colombiana?

Sim. Porque os traficantes adoravam seios grandes. E a onda se espalhou pelo país até hoje. Há um livro excelente que resume a situação. Sin Tetas Non Hay Paraiso de Jorge Franco Ramos. Sim, é isso mesmo. Sem seios não há paraíso. Hoje as meninas quando fazem 15 anos pedem de presente para os pais seios de silicone. A beleza da mulher colombiana ganhou esse aditivo que veio para ficar.

Esse período coincide com o time de Rincón, Valderrama, Higuita...

Sim, é verdade. Um timaço comandado pelo Maturana. Poderiam ter ido além. Mas faltou experiência europeia. Foram poucos que conseguiram ir para lá. E tarde. A legislação era diferente. Havia maiores restrições. Esses ídolos eram adorados pelos traficantes. Tratados com toda admiração. Ganhavam muitos presentes. E todos se vestiam como cantores de hip hop. Com cordões gigantes de ouro. Várias vezes dados pelos traficantes.

Como tudo acabou?

A influência no futebol acabou. Vários traficantes importantes foram presos, mortos. Mas na sociedade do mundo todo a força do narcotráfico continua. O carnaval do Rio de Janeiro também tem a participação dos traficantes daqui. Infelizmente é um drama da vida moderna.

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Como está o futebol colombiano atualmente?

A organização e a modernidade chegaram. A Federação Colombiana acaba de inaugurar sua sede. Finalmente, depois de décadas. Há um trabalho enorme e bem feito nas categorias de base com os garotos. Vários empresários tratam de buscar meninos com talento. Um deles é o português Jorge Mendes. Empresário do Cristiano Ronaldo, do Mourinho, do Scolari. O James Rodrígues é dele, por exemplo. Por isso essa geração que disputa a Copa é europeia.

Como foi a chegada de Pékerman?

Foi incrível. Ele só está la graças a um escândalo absurdo. Hernán Darío "El Bolillo" Gómez foi para uma discoteca e acabou discutindo com uma mulher que havia levado. Acabou batendo nela, dando socos. Foi um caos. A sociedade pressionou e ele teve de ir embora. Essa surra ficou na nossa história. Não fosse por ela, Hernán estaria aqui. Leonel Alvarez passou rapidamente mas entrou em conflito com a Federação. E finalmente contrataram o Pékerman. Um treinador excelente e caríssimo. Ganha muito bem pelo que está fazendo.

Você acha que ele mudou o que em dois anos de Colômbia?

Muita coisa. Sabe por quê? Ele jogou anos e anos na Colômbia. Tem filha colombiana. Sabe como somos, temos a nossa alegria em jogar. Ele é muito racional. Trouxe a marcação, a organização. Sem tirar o prazer da essência do futebol. Não estamos fazendo a melhor campanha da nossa história na Copa à toa. Por isso estou tão confiante. Vamos enfrentar o Brasil no mínimo de igual para igual. No mínimo...

Qual é a influência da ausência de Falcão Garcia? E quem é James Rodrígues?

Foi uma tragédia no nosso país o Falcão Garcia estar fora da Copa. Mas taticamente o time conseguiu se superar. Se encaixou de outra maneira. O forte da equipe é o conjunto. Pode perceber que há variação tática no time. A falta de uma estrela obrigou a isso. O James é um garoto novo, com excelente potencial. E que desabrochou no Brasil. É tímido por ser gago, foge das entrevistas. Tem apenas 22 anos, terá um futuro brilhante. Assim como o da nossa seleção. Nossa caminhada não vai acabar hoje, não...
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A maior esperança do Brasil hoje é ser atacado pela Colômbia. E chegar à semifinal da Copa nos contragolpes. Não haverá meio-termo. Aqui em Fortaleza será tudo ou nada…

1getty A maior esperança do Brasil hoje é ser atacado pela Colômbia. E chegar à semifinal da Copa nos contragolpes. Não haverá meio termo. Aqui em Fortaleza será tudo ou nada...
Fortaleza...

O Brasil torce desesperadamente para ser atacado pela Colômbia. O plano de Felipão para chegar à semifinal da Copa do Mundo é simples. Contragolpear em velocidade. Depois de todo o desespero que o time passou contra a competente marcação chilena, Scolari aposta suas fichas na euforia ofensiva do ótimo time de José Pékerman.

A campanha da Colômbia até aqui é impecável. É a melhor da história do seu país. Nunca equipe alguma havia passado das oitavas. Nem mesmo o memorável time de Rincón, Valderrama, Higuita, conduzido por Maturana foi tão longe.

O time é o mais ofensivo da Copa, marcou 11 gols nas suas quatro partidas. Venceu todas e apenas sofreu dois gols. Tem o artilheiro da Copa, James Rodríguez com 5 gols. O país está eufórico pela campanha.

É com esse clima de empolgação que Felipão conta. Acredita que os colombianos vão tentar fazer história. Buscar atacar o Brasil em pleno Castelão. Utilizar uma marcação fortíssima já na intermediária. Buscar sufocar para tentar marcar o seu primeiro gol no início do jogo e descontrolar psicologicamente a Seleção.

Desde os seus tempos de Criciúma, Felipão gosta de ver seu time atacado. Sobra espaço para contragolpes em velocidade. Daqui a pouco, ele acredita que Neymar terá como ser não só o grande articulador, como mostrar o seu dom para artilheiro do time.

A Colômbia de Pékerman não usa duas linhas de quatro. Nem marca individualmente. Joga no 4-4-2. Atua apostando na velocidade de Cuadrado, James Rodríguez, Martinez e Gutierrez. É uma equipe naturalmente ofensiva. E que busca desesperadamente sair na frente no placar no início do jogo.

Conter esse ímpeto com Fernandinho, Paulinho e Oscar, atuando mais entre as intermediárias do que o normal. Hulk também terá de ajudar mais na marcação de saída de bola colombiana. Luiz Gustavo, suspenso, fará falta.

 A maior esperança do Brasil hoje é ser atacado pela Colômbia. E chegar à semifinal da Copa nos contragolpes. Não haverá meio termo. Aqui em Fortaleza será tudo ou nada...

Quem deverá ter espaço na Seleção serão Daniel Alves e Marcelo. Pérkerman dá liberdade até demais para Zuniga e Armero. Os dois laterais chegam até atacar ao mesmo tempo. E deixam muito espaço nas suas costas. Por onde podem surgir os laterais brasileiros, como pontas.

Não é o famoso 'joga e deixa jogar'. A proposta da Colômbia é prioritariamente atacar. Não tem o time montado para ficar atrás, se submeter à pressão adversária. Seus jogadores são muito talentosos, habilidosos, leves.

"O Brasil é o time pentacampeão do mundo. Joga a Copa em casa. Tem uma excelente equipe. Será um grande desafio para a nossa equipe. Mas não vamos mudar a nossa maneira de atuar. Nós chegamos até aqui buscando a vitória. É isso que sabemos fazer."

O discurso de Pékerman deveria ser o de Felipão. Mas não é. O time está abalado pelo sofrimento contra o Chile. E por todas as críticas. Que vão desde descontrole emocional até atuações fraquíssimas individuais.

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Os jogadores defendem a presença de Fred na equipe. Felipão chegou a treinar a equipe sem ele, colocando o zagueiro Henrique improvisado como terceiro zagueiro. O atacante fez questão de falar com Parreira logo após o treinamento. Colocou a chuteira no rosto para que ninguém fizesse leitura labial do que dizia. Lógico que não ficou satisfeito.

Mas o atacante a princípio deverá começar o jogo. Só que a entrada de Henrique está programada em duas circunstâncias. A primeira, se o Brasil ficar em vantagem no placar e os colombianos pressionarem. Ou se os colombianos conseguirem se impor no meio de campo logo no primeiro tempo.

Será uma partida que exigirá muita estratégia. Apenas a energia dos torcedores cantando o Hino Nacional durante o jogo não será suficiente. A Seleção precisará ter muita dedicação tática e aplicação. Roubar a bola no meio de campo e explorar a correria.

É a típica partida sem meio-termo. Se a marcação brasileira encaixar e os contragolpes forem bem articulados, o time poderá surpreender. E até ganhar bem, de forma convincente dos colombianos e ganhar um fôlego importante para aqueles que seriam os dois últimos jogos da Copa, semifinal e final.

Agora, se o Brasil se enervar diante do excelente toque de bola dos rivais, não terá salvação. O time de Pékerman sabe fazer gols. E tem outro detalhe que não pode ser deixado de lado. É a equipe mais 'europeia' da história do futebol colombiano.

Como por aqui, os atletas de lá têm saído cada vez mais cedo para jogar no Exterior. Do atual grupo, três atuam na Colômbia, quatro na Argentina. Os outros 16 no futebol europeu. Ou seja, estão acostumados à pressão. São mais bem preparados do que se poderia imaginar para um jogo tão importante quanto o de hoje.

"Nós sabemos que esta Colômbia gosta de jogar futebol. Será um jogo bem diferente do que foi contra o Chile. Estaremos preparados", disse, confiante, Neymar.

Ele sabe bem. Não haverá meio-termo no Castelão. Se a marcação brasileira encaixar, o Brasil viverá no Paraíso. Até porque tem jogadores melhores tecnicamente do que o adversário. Fará o que quiser nos contragolpes.

Se não conseguir, será um Inferno. Enfrentar um adversário habilidoso, corajoso, organizado e querendo fazer história não é fácil.

Será literalmente: tudo ou o nada...
1cbf1 A maior esperança do Brasil hoje é ser atacado pela Colômbia. E chegar à semifinal da Copa nos contragolpes. Não haverá meio termo. Aqui em Fortaleza será tudo ou nada...

Felipão confirmou que, se pudesse, faria uma troca. Traria outro jogador. A avaliação nos seu grupo leva a Alan Kardec ou Robinho. Pelo que estão treinando mal, Jô e Bernard hoje não fariam falta…

1ap3 Felipão confirmou que, se pudesse, faria uma troca. Traria outro jogador. A avaliação nos seu grupo leva a Alan Kardec ou Robinho. Pelo que estão treinando mal, Jô e Bernard hoje não fariam falta...
Fortaleza...

Felipão teve de responder a maior confidência que fez em na reunião com seus seis jornalistas amigos. Na intimidade, ele confessou que gostaria de trocar uma de suas convocações. Ou seja, há o arrependimento de haver chamado um dos 23 jogadores que estão disputando a Copa do Mundo. Confissão inacreditável que desestimula. Espalha a desconfiança entre os reservas.

"O que eu disse foi que neste momento da competição eu poderia acrescentar um jogador com característica diferente por conta dos jogos deste momento", tentou consertar.tic

Pura semântica. Se para colocar um é necessário tirar outro. E aí é que surgem as análises, a importância de determinados jogadores. E falta de relevância de outros.

Fred vive um momento muito fraco na Seleção. Mas o de Jô consegue ser até pior. O arrependimento pode estar ali. Na vaga do jogador do Atlético Mineiro, um atleta melhor qualificado tecnicamente poderia acrescentar, ser opção. Alan Kardec tem grande fã clube entre os jornalistas excluídos por Felipão.

Haveria a possibilidade até do jogador do São Paulo ser titular do time. Já que ele tem potencial não só para finalizar, mas para tabelar, abrir espaço na zaga adversária. Seria muito útil.

 Felipão confirmou que, se pudesse, faria uma troca. Traria outro jogador. A avaliação nos seu grupo leva a Alan Kardec ou Robinho. Pelo que estão treinando mal, Jô e Bernard hoje não fariam falta...

Ou até Robinho. Jogador vivido, experiente. De característica diferente dos lentos Fred e Jô. Velocista pelos lados do campo. Bernard voltou para o Brasil sem alegria nas pernas. É reserva dos reservas na Ucrânia. Poderia muito bem ser trocado pelo experiente ex-jogador do Santos.

Além do fator técnico, Robinho é muito amigo de Neymar. Verdadeiro ídolo do principal jogador brasileiro. Amigo fraterno. Serviria de escudo para o inexperiente grupo que tanto chora durante a Copa do Mundo. O que pesa contra é o seu fraco rendimento no final da última temporada pelo Milan.

Felipão não falou claramente aos jornalistas. Deixou no ar. O que não é uma postura boa para um time com a obrigaçao de vencer a Copa. E às vésperas de disputar a vaga em uma semifinal. Esse tipo de desabafo também poderia ter ficado secreto. Mas, apesar de estar ao lado do seu assessor pessoal, o treinador da Seleção não pediu que não fosse levado a público.

A situação é completamente desnecessária. Surreal para o Brasil disputando a sua Copa do Mundo. Mostra também falta de convicção na convocação da própria Comissão Técnica.

Luiz Felipe disse ter por norma não falar sobre jogadores que não convocou. Mas ele mesmo entra em contradição. E lamenta a ausência de um atleta que não tem. Não pode ter. Mas poderia ter tido. Teve todo o tempo para fazer sua relação de 23 jogadores.

Admite que errou. E alguém desnecessário está na concentração. Ocupando espaço de um jogador muito mais útil para o Brasil. Por culpa de uma má avaliação na hora de escolher o time.

Diante do clima de estranheza dos repórteres, ele se apressa em dizer.

"Os 23 estão escolhidos há muito tempo e, quando você faz essa escolha, morre abraçado com os 23, sabendo que vão nos levar à vitória."

Discurso estranho e que não motiva ninguém. Pelo contrário. Só deixa mais inseguro..
1vipcomm2 Felipão confirmou que, se pudesse, faria uma troca. Traria outro jogador. A avaliação nos seu grupo leva a Alan Kardec ou Robinho. Pelo que estão treinando mal, Jô e Bernard hoje não fariam falta...

Ninguém vai tirar a braçadeira de Thiago Silva. Por mais que David Luiz seja o verdadeiro capitão do Brasil. E represente melhor a tradição de Carlos Alberto Torres, Dunga e Cafu…

1efe Ninguém vai tirar a braçadeira de Thiago Silva. Por mais que David Luiz seja o verdadeiro capitão do Brasil. E represente melhor a tradição de Carlos Alberto Torres, Dunga e Cafu...
Fortaleza...

Felipão não tem como tirar a tarja de capitão de Thiago Silva. Seria a desmoralização de um dos maiores zagueiros doo mundo. Mas as lágrimas derramadas, a reza exagerada e o afastamento do grupo na hora dos pênaltis comprometeram o jogador. A aura dia liderança se desmanchou. Principalmente para o grande público.

Mas Felipão é leal. Quis aproveitar sua coletiva para tentar reconstruir a imagem do jogador. Não é fácil. Mas não há outra maneira. Era até uma obrigação. Depois de dizer na reunião com seus seis jornalistas amigos que dois pilares da Seleção estavam abalados demais. O jovem Neymar e justamente Thiago Silva. Teriam virado o fio emocional.

O treinador brasileiro teve de voltar dez anos no passado. "Em 2004, o Luiz Figo era meu capitão de Portugal na Euro. Eu o havia substituído contra a Inglaterra. Ele desceu e ficou nos vestiários. A decisão foi para as penalidades. O Figo não apareceu. A imprensa cobrou o porque. E depois descobriu que ele ficou rezando pela Nossa Senhora de Fátima. Cada um tem a sua maneira de reagir. O Thiago é meu capitão."

Felipão sabe que David Luiz ocupou o espaço que seria normalmente do grande líder da equipe. É quem mais fala nas preleções. Quem anima os companheiros. Cobra o time. É muito mais ativo do que o verdadeiro capitão.

Thiago está extremamente magoado com tudo que foi dito e publicado sobre o seu comportamento decepcionante. Tentou se justificar.

"Quando a gente se entrega aquilo que ama fazer é assim. A minha descarga foi pela situação, se perde ali volta para casa. Eu me entrego de corpo e alma naquilo que faço."

Mas a verdade é que ele teve toda a atenção de Regina Brandão. Até porque é o símbolo da Seleção Brasileira. Precisa justificar a braçadeira. E nessa hora vale tudo. Até lembrar da grave doença que Thiago teve. Foi lembrada para toda a imprensa.

"Sou um caro emotivo, e acho que é a coisa mais natural do ser humano. Isso não me atrapalha dentro de campo. As pessoas estão falando um pouco de bobagem. Muito pelo contrário, isso me ajuda. Superei a tuberculose, corri risco de vida e hoje posso dizer que sou um campeão. Tenho minha personalidade e o respeito de todos."

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Embora sua imagem esteja muito desgastada, Thiago é adorado pelo grupo. Os jogadores, principalmente, David Luiz ficou em sua defesa. Tanto logo após a vitória contra o Chile, como depois. Os dois já viraram amigos na Copa das Confederações. Viraram inseparáveis depois que foi confirmada a ida do vibrante zagueiro ao PSG.

"O Thiago é e merece ser o nosso capitão. Tem uma grande liderança no elenco. Não precisa ficar mostrando para ninguém. Nós sabemos o quanto ele é importante", defende David. Ele trata de colocar um fim na questão. "Não há no grupo alguém com melhor perfil do que ele."

Mas a choradeira de Thiago esteve em todos os lugare

Quando essas coisas são ditas, você tem de olhar para o lado. O comandante está aqui do meu lado. Em momento nenhum, ele contestou minha atitude. Não tenho que ligar para o que dizem, as pessoas não me conhecem. O próprio Marin (presidente da CBF) me ligou, almoçou com a gente e disse que está tudo bem. Não tenho que ligar para o que as pessoas falam."

Mas liga. Tanto que na entrevista obrigatória da Fifa estava completamente diferente. Não sorriu, tenso. Tinha de passar a imagem firme de um típico capitão de Felipão.

" Líder que é líder tem que liderar o grupo. Mesmo sofrendo, tem de mostrar que está tudo bem. O time está muito para baixo. Não pode. Tem que entrar em campo para cima e dar tudo. O time está chorando quando canta o hino, quando se machuca, quando bate pênalti! Peraí... Para de chorar! Chega!

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"Sinceramente, nunca vi isso, nem mesmo na vitória ou nas grandes decisões. Falam que é a pressão pelo fato de jogar em casa. Mas deveriam ter se preparado para isso. Sabiam que passariam por isso. Cadê a psicóloga? Isso mostra que o time não está 100% preparado para encarar uma Copa do Mundo. Quando você se prepara para ganhar, tudo acontece automaticamente. Quando não está preparado, você chora quando o resultado não é positivo. É o que está acontecendo agora."

As declarações fortes são de Carlos Alberto Torres, tricampeão de 70.

"Agora não é nada. Eu não vejo pressão sobre eles. Todo mundo está animado, as críticas começaram a surgir depois das dificuldades que tiveram para passar pelo Chile nas oitavas de final, mas muito pouco. Em nossa época era bem pior. O Thiago deveria estar preparado para a cobrança", critica Dunga.

“O capitão é o equilíbrio da equipe, tem que ter pulso firme, voz de autoridade para que ele possa ser respeitado por todo mundo. O Thiago tem o jeito ele. É uma grande pessoa. Mas temos que controlar a emoção porque dentro de campo, às vezes, precisamos agir com a razão." Ensina Cafu.

Thiago Silva sabe que está sendo questionado. Teve de conversar com Regina Brandão. Entendeu que não pode chorar. É tudo o que Felipão quer que ele faça fora do campo. Dentro, está muito satisfeito com seu futebol. Disso ninguém reclama...
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Felipão que aproveite os seus 45 minutos de privacidade para montar o time contra a Colômbia. A CBF expõe o Brasil à pior preparação entre as oito seleções que decidem a Copa. A culpa está longe de ser só o emocional dos jogadores…

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Fortaleza...

A assessoria de imprensa da CBF avisa aos jornalistas do mundo todo. Só terão acesso a 15 minutos de treinamento no CT Presidente Vargas, aqui no Ceará, hoje. A leitura é outra. Felipão só terá 45 minutos de direito de treino secreto para uma quartas de final de Copa do Mundo.

A Granja Comary em Teresópolis é péssima, ultrapassada. Atrapalha o Brasil de uma maneira absurda. Pergunto ao diretor de Comunicação da CBF, Rodrigo Paiva. "O Felipão não vai tirar o Brasil daqui? Levar para um CT perto para fazer um treino de duas horas secreto?" A resposta foi direta.

"Não há necessidade. O Felipão faz treinos secretos na cara de vocês. Ele faz várias formações e depois escolhe a que quer. A imprensa só fica sabendo na hora que o time vai entrar em campo."

Assim está sendo durante a Copa toda. Mas o ápice foi ontem. O técnico fez um coletivo e teve pouquíssimo tempo para testar mudanças profundas na equipe. Foram menos de 15 minutos com o time sem um centroavante fixo, como a maioria das grandes equipes que restaram na Copa atua. Com Willian no lugar de Fred.

Também perto disso com o time atuando com três zagueiros. Colocando Henrique no time. Estratégia que Felipão havia adiantado na reunião com seus seis jornalistas de confiança. Fez Maicon de novo entrar na vaga de Daniel Alves, atuando fixo na direita.

Alterações radicais que mexem com toda a maneira de o Brasil se movimentar em campo. Mas que que puderam ser analisadas por 15 minutos. Talvez mais os 45 minutos de hoje. Incrível, inacreditável? Mas as coisas na Seleção seguem esse rumo.

Na maior parte do tempo, Felipão simplesmente colocou Paulinho na vaga de Luiz Gustavo, suspenso. Fernandinho como primeiro volante. E o Brasil treinou exatamente da mesma maneira que vem jogando a Copa do Mundo. Ou melhor: como atua desde a Copa das Confederações em 2013. Quatro zagueiros, dois volantes, três meias e um atacante fixo.

Não é por acaso que México e Chile conseguiram não só travar a Seleção como empatar os jogos. Seus treinadores sabiam exatamente que duas linhas de quatro jogadores conseguem tirar o oxigênio do time. Tirar centímetros de Neymar. O deixar encalacrado entre oito adversários.

Não adianta dourar a pílula. O Brasil é dependente demais do seu camisa 10. O argentino José Pékerman é tricampeão mundial sub-20. Treinador fascinado por estratégia. Montou a Colômbia muito leve, rápida quando está com a bola. Mas com grande poder para se proteger, fechar sua intermediária.

Sem sua principal estrela, Falcão Garcia, que não veio à Copa contundido, Pekérman faz do conjunto a força. James Rodríguez é o destaque. A referência é a interessante movimentação do time. Os colombianos atuam no 4-3-1-2. Durante o jogo, variam para o 3-5-2 com a posse de bola. Costumam variar ainda pressionando a saída de bola adversária. Apelando para o 3-3-4.

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Nunca há menos do que dois atacantes na frente. Assim como não há menos do que quatro meio campistas fechando a intermediária. São três esquemas que variam durante 90 minutos. Foram treinados e executados à exaustão nos últimos dois anos.

Mesmo assim, os treinamentos colombianos foram fechados nesta Copa. Ninguém pode ver o que ele fez ontem na Universidade de Fortaleza. O CT impedia a presença de repórteres. E desta vez a TV Globo não mandou helicóptero como fez no treinamento chileno.

O contraste é inacreditável. O Brasil, país anfitrião da Copa do Mundo e cujo treinador e jogadores garantem que serão campeões, escancara a maneira com que vai jogar. E quando resolve mudar, tem apenas 45 minutos de verdadeira privacidade.

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Como já escrevi quatrocentas e oitenta vezes, não há a menor possibilidade de fechar os treinamentos na Granja Comary. Os campos são cercados por condomínios e montanhas. Não há muros. Todos os treinamentos são acompanhados por torcedores que ficam gritando pelos jogadores. Além de arquibancada onde ficam cerca de cem convidados, espaço aberto para os patrocinadores.

Não chega a ser a esculhambação de Weggis, na Suíça, em 2006. Lá se cobravam ingressos dos treinos. Havia escolas de samba, passistas, prostitutas. Um carnaval. Mas a granja Comary não merece ser chamada de concentração.

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O presidente Marin forçou o treinador a aceitá-la por uma questão política. Não quis deixar o Brasil em território do PT ou do PSDB. Haverá eleição presidencial em outubro e o dirigente não quis se arriscar, ficar do lado errado. Optou pelo que seria a neutralidade: Teresópolis, a Suíça tupiniquim.

A conquista da Copa das Confederações foi o argumento que deu tranquilidade para a escolha esdrúxula. Com mais de mil jornalistas todos os dias acompanhando os treinamentos. Sem restrição. Lógico com vários dos países adversários da Seleção. Não está descartado até a possibilidade de visita de espiões de treinadores. Tudo é escancarado de forma inaceitável para uma competição tão séria como a Copa do Mundo.

Que Felipão aproveite bem os seus 45 minutos de privacidade. Que tenha a sabedoria para usar cada um dos seus pouquíssimos minutos de isolamento com seu time. Busque uma maneira de surpreender os colombianos. Mesmo sem o mínimo de tempo de entrosamento.

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O Brasil tem optado por um longo e estranho descanso de três dias sem atividade dos titulares após cada partida. Apesar de todas as equipes que disputam o Mundial, inclusive as europeias, terem jogadores desgastados, nenhuma delas treina tão pouco. Quanto menos treino, menos entrosamento. Menos possibilidade de testar novos posicionamentos.

Talvez a explicação para tanto sofrimento até as quartas de final vá além do lado psicológico. A parte técnica pura foi relegada. Por isso, os 67% de aproveitamento nos primeiros quatro jogos. Uma vitória contestada, contra a Croácia. Uma fácil diante de Camarões e dois empates desesperados, diante do México e Chile.

Meu amigo Alexandre Simões do jornal Hoje em Dia me avisa que é apenas a 14ª campanha entre os anfitriões que chegaram até as quartas de final em uma Copa. Isso sem enfrentar um selecionado grande, tradicional.

Nada é por acaso no atual futebol moderno. O talento do jogador brasileiro e a loteria dos pênaltis em Belo Horizonte trouxe o Brasil até a partida de amanhã contra a Colômbia. O adversário ganhou seus quatro jogos, marcando 11 gols e sofrendo dois. Tem o artilheiro da competição, James Rodríguez com cinco gols. E não abdica do seu direito de treinar suas variações táticas escondidas, como recomenda o futebol moderno.

Para que Marin possa fazer política, Felipão tem de se virar com 45 minutos antes de cada jogo. Pela programação original, a situação continuará assim até a final. Isso se o Brasil conseguir chegar. Triste e inaceitável improviso justo de quem organiza a Copa do Mundo.

Fora o presidente abrir a concentração para programas da TV Globo. Uma ordem que Felipão teve de engolir. A determinação de Marin é que tudo fosse diferente do que a emissora passou nas mãos de Dunga na África. Houve quatro reuniões antes do Mundial em que todos os detalhes foram acertados.

A CBF teve sete anos para escolher sua estratégia. E se priorizou a sobrevivência política do presidente da sua entidade a dar condições modernas e privacidade aos treinador e a seus jogadores. Essa é a selfie do Brasil...
 Felipão que aproveite os seus 45 minutos de privacidade para montar o time contra a Colômbia. A CBF expõe o Brasil à pior preparação entre as oito seleções que decidem a Copa. A culpa está longe de ser só o emocional dos jogadores...

Neymar descobriu que psicólogo não é só para loucos. Compreendeu que não vai morrer se o Brasil perder a Copa. Felipão percebeu que só seus abraços não resolveriam. Santa Regina Brandão…

1vipcomm 1024x680 Neymar descobriu que psicólogo não é só para loucos. Compreendeu que não vai morrer se o Brasil perder a Copa. Felipão percebeu que só seus abraços não resolveriam. Santa Regina Brandão...
Teresópolis...

"Não preciso de psicólogo. Não sou louco."

Essa sempre foi a resposta de Neymar. Mas o tempo passou. Chegou a Copa do Mundo no Brasil. A pressão de conquistar o título. Ser o símbolo e melhor jogador do Brasil. E as seguidas crises de choro nos hinos e nas vitórias contra adversários até sem tradição, como o Chile.

Felipão percebeu o óbvio. Não sabia lidar com algo tão profundo. Ele é um motivador nato. Um técnico que faz do seu time uma família comprometida. Mas esse comprometimento que impôs ao time com 17 atletas que nunca disputaram uma Copa transbordou. Principalmente para Neymar.

Regina Brandão foi chamada às pressas. E ontem fez terapia intensiva com alguns jogadores. O capitão Thiago Silva teve a sua atenção. Como Neymar. O garoto de 22 anos acaba de demonstrar o quanto fez bem a sua consulta com ela. Aprendeu que não precisa ser louco para ser analisado.

Ganhou uma boa dose de confiança. E principalmente começou a enxergar melhor a situação. Esperta, Regina transformou a responsabilidade de disputar uma Copa em casa. Virou uma mera pelada com amigos, como as tantas que Neymar já jogou descalço, nas areias de Santos, Praia Grande, Suarão.

"A Copa tem de ser vista como um jogo no seu quintal contra um amigo. A gente se esforça tanto para ganhar para não ser zoado. Como se eu perdesse para o Chile, o Alex (Sánchez) iria me zoar (no Barcelona). Agora serei eu quem o irá zoar...”

"Sei que tenho de estar feliz por ter a chance de jogar uma Copa do Mundo perto dos meus  parentes, dos meus amigos, da minha  torcida. Isso é um privilégio, não um peso...”

"Tenho de me divertir, aproveitar. Estou fazendo o que tanto gosto que é jogar futebol. Não posso ficar pensando que se perder a Copa estou morto. Não vou estar.”

"Não posso reclamar de estar em uma Copa se era o meu maior sonho de menino. Não parava de falar para a minha família que era tudo o que eu queria. Disputar um Mundial e ser campeão como o Ronaldo foi. Estou tendo essa oportunidade. Tenho é de estar feliz, não reclamar de nada.”

"Além da diversão há a responsabilidade. O que é muito diferente da pressão. Meu pai me ensinou desde menino que treino é jogo. E jogo é guerra."

1afp3 1024x576 Neymar descobriu que psicólogo não é só para loucos. Compreendeu que não vai morrer se o Brasil perder a Copa. Felipão percebeu que só seus abraços não resolveriam. Santa Regina Brandão...

A entrevista da principal arma do Brasil na Copa trouxe alívio. O próprio Felipão havia dito aos seus seis jornalistas de confiança em Teresópolis que estava preocupado com Neymar. Ele era um dos seus dois principais alicerces do time. O outro era Thiago Silva. Os dois teriam se deixado levar pela pressão, pela obrigação de vencer a Copa.

Neymar aprendeu com seu choro incontrolável contra o Chile o quanto precisava de apoio, de força psicológica. E não estava louco. Só inseguro quanto qualquer ser humano. Era só elogios ao trabalho de Regina Brandão.

"Eu nunca havia feito e estou gostando bastante. Não somos só nós, do futebol, envolvidos com emoção todos os dias, que temos de fazer psicologia. Aconselho vocês a fazerem porque faz bem para a vida do ser humano, torna mais leve e tranquilo. A relação com a Regina Brandão é muito boa, é uma grande pessoa. Estou aprendendo muito e espero continuar fazendo".

A postura firme de Neymar deixou o ambiente na Seleção Brasileira mais seguro. O time é absolutamente dependente do talento do atacante. Sua ótima reação ao tratamento intensivo de Regina é um alívio.

Depois de se revelar mais forte e entendendo que responsabilidade não é sentença de morte, ele falou sobre outros aspectos fundamentais.

"Não sinto mais dores. Estou bem, pronto para jogar contra a Colômbia".

"O problema com o Fred é que os times estão marcando bem demais. A bola não está chegando nele. Temos de nos esforçar para deixá-lo 50 vezes na cara do gol. E ele irá marcar 51 gols."

2afp3 Neymar descobriu que psicólogo não é só para loucos. Compreendeu que não vai morrer se o Brasil perder a Copa. Felipão percebeu que só seus abraços não resolveriam. Santa Regina Brandão...

Neymar não quis comprar a tese de que o time pode ficar melhor sem um atacante fixo. Sem Fred. O atacante do Fluminense tem uma ascensão sobre o time impressionante. Perguntado sobre o melhor rendimento do time nos poucos momentos de treino sem Fred, Neymar foi liso. Não defendeu a tese que a entrada de Willian foi melhor para o ataque.

"Eu me adapto a qualquer esquema. Só depende do que o nosso excelente técnico escolher".

No mais, fugiu do óbvio duelo que muitos quiseram criar com James Rodríguez da Colômbia. Destaque da Copa do Mundo, artilheiro e melhor jogador do adversário se sexta-feira. E também com apenas 22 anos.

"Ele é um grande jogador. Mas não me preocupo com ele. Mas sim com o time colombiano que é muito bom. O que me importa é o Brasil sair vencedor. Não com a minha atuação. Espero que o ciclo dele acabe agora e a seleção brasileira continue, com todo respeito, é claro".

Depois de 33 de coletiva, Neymar levantou mais leve. Estava mais do que transparente o que a sessão de análise tinha feito para o melhor jogador do Brasil. Foi uma lição para o retrógrado e preconceituoso futebol deste país. Análise é importantíssima em uma competição esportiva.

Neymar descobriu que não 'é coisa para louco'.

Já Felipão assumiu que seu número 10 não é uma máquina. E precisa sim de apoio psicológico. Mas profissional. Não só paternalismo. Santa Regina Brandão...

3afp Neymar descobriu que psicólogo não é só para loucos. Compreendeu que não vai morrer se o Brasil perder a Copa. Felipão percebeu que só seus abraços não resolveriam. Santa Regina Brandão...

O choro e a insegurança do time fazem com que Felipão mude a estratégia. A psicóloga Regina Brandão ficará até o final da Copa. Chega de lágrimas. Scolari quer o time tenso, agressivo…

1afp2 O choro e a insegurança do time fazem com que Felipão mude a estratégia. A psicóloga Regina Brandão ficará até o final da Copa. Chega de lágrimas. Scolari quer o time tenso, agressivo...
Teresópolis...

A postura da Seleção mudará. Em vez de choro e sorrisos, raiva, vibração. Chega de vídeos com crianças órfãs, paraplégicas. É o que Luiz Felipe Scolari deseja. Basta de a Seleção se dominar pela emoção. Passar a imagem de fraqueza aos adversários.

O desejo do treinador é que o Brasil tenha a 'cara' dos times de Felipão. Irritados, tensos, vibrantes. Raivosos. Engolir o choro contra a Colômbia. A mudança é profunda, já que não possui atletas desse perfil nos 23 que convocou.

"A hora não é hora de trabalhar o lado emocional. O que deveríamos fazer, já foi feito. Precisamos é ajustar o time." Essa era a vontade de Fernandinho. Mas ele foi voto vencido.

Como o blog antecipou ontem à noite, a psicóloga Regina Brandão veio para Teresópolis às pressas. Como se fosse um médica de UTI.

Para não ficar mal, assumir o inesperado descontrole do time, a CBF divulgou um vídeo onde foi divulgado que a visita era esperada, planejada. Não era. E mais, Regina aproveitou para dizer que estará na concentração na semana que vem em caso de vitória contra os colombianos.

Ou seja, o tratamento com os jogadores brasileiros durará toda a Copa. A instabilidade do grupo a obrigou a mudar radicalmente a forma de trabalhar com o time de Felipão. Nada de só traçar o perfil e virar as costas. Não. Ela estará bem perto dos jogadores.

1reproducao O choro e a insegurança do time fazem com que Felipão mude a estratégia. A psicóloga Regina Brandão ficará até o final da Copa. Chega de lágrimas. Scolari quer o time tenso, agressivo...

Scolari admite nos bastidores que foi além do que desejava com seus jogadores. Muita gente 'virou o fio'. Não quer mais choro ao entrar em campo, antes, durante e depois do hino nacional, como ironizou. Pelo contrário. Se possível quer que as lágrimas sequem.

E fazer de Thiago Silva o símbolo da recuperação da consciência do bom senso. Afinal, ele é o capitão da Seleção Brasileira. Jogador simbólico. Felipão quer que desvincule o medo de ser o 'capitão do fracasso', atleta que capitaneava a seleção olímpica, derrotada pelo México na decisão. Foi um dos jogadores que mais sentiram a derrota. Mano Menezes teve de lhe dar força, reanimá-lo.

Isso porque a disputa foi na Inglaterra. Sem cobrança alguma da arquibancada. Bastaram os poucos jornalistas brasileiros para tirar o foco de Thiago.

Agora tudo é muito pior. Claramente ele subestimou a importância de uma Copa do Mundo no Brasil. Ao posar mostrando os seis dedos para a Placar, ele não sabia o que fazia. Ninguém promete a conquista de uma Copa do Mundo impunemente.

Sentiu na pele que a conquista da Copa das Confederações nada tinha a ver com Copa do Mundo. A começar pelo simples gesto de levantar a taça do time campeão. Ele caiu na armadilha de dizer várias como faria o gesto, sonho seu de infância.

A cada partida, onde a dificuldade cresce, Thiago Silva se encolhe. Pelo menos é essa impressão que passa. E seu grande amigo David Luiz ocupa o seu espaço.

"Isso é o que vocês acham. O Thiago é mais reservado, mas muito firme. Eu sou mais extrovertido. Agito todo mundo. Mas as suas palavras colocadas na hora certa têm muito mais força do que qualquer grito. Ele é com todos os méritos o nosso capitão", garante David Luiz.

Thiago Silva sabe o quanto será observado na partida contra a Colômbia em Fortaleza. Ele já mudou desde hoje. Enquanto observava o treinamento dos reservas, o jogador manteve o seu semblante fechado. Nada de sorrisos, brincadeiras. Bem diferente de quando chegou em Teresópolis. Já é um sinal evidente de sua mudança de atitude.

Outro que também precisa mudar é Neymar. Ele é o símbolo da Seleção. E também trouxe a responsabilidade para os seus ombros de fazer o país campeão do mundo. Ele até que se segurou bem até que chegaram as penalidades contra o Chile.

O choro depois da vitória do Brasil foi incrível alívio. Ele chegou a deitar de bruços no gramado e passou um grande tempo soluçando. Demonstração do excesso de adrenalina. E também receio de ver a Seleção eliminada.

2afp2 O choro e a insegurança do time fazem com que Felipão mude a estratégia. A psicóloga Regina Brandão ficará até o final da Copa. Chega de lágrimas. Scolari quer o time tenso, agressivo...

Neymar faz tratamento intensivo das pancadas que levou contra o Chile. Mas já garantiu que estará em campo na sexta-feira. E mais, quer participar do coletivo de amanhã. Felipão quer ter a certeza de que ele pode jogar. Não é mais uma demonstração de superação, empurrada pela emoção.

Em relação ao treinamento, Felipão usou hoje a mesma estratégia de antes contra o Chile. Os titulares completaram hoje três dias sem qualquer atividade no campo. Situação complicada para quem busca uma nova maneira de atuar.

Felipão fará um coletivo pela manhã. Deverá testar o Brasil com três zagueiros. E definir o companheiro de Fernandinho no meio de campo. Paulinho deverá voltar a ser titular. Hoje treinou muito bem. Assim como Maicon, cotado para entrar na vaga de Daniel Alves.

A assessoria de imprensa de Thiago Silva disse ser uma grande injustiça tudo o que está acontecendo em relação ao capitão da Seleção. Principalmente em relação à declaração sobre ele não querer cobrar pênalti contra o Chile. Disse a Felipão que seria o último a bater. Depois até do goleiro Júlio Cesar.

"O mal hoje no futebol é ser sincero. O Thiago fez isso para o bem do grupo. Ele detesta cobrar pênalti. Só isso. Ninguém está mais envolvido na conquista desta Copa do que o Thiago. Falar a verdade é sinônimo de fragilidade agora. Parece que no jornalismo todos querem a mentira. E mentir não faz parte da vida do Thiago. Isso ele não vai fazer nunca", desabafava seu assessor pessoal. Carlos Eduardo Machado...
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O fracasso da reunião entre Felipão e seus jornalistas de confiança – expôs ainda mais seus jogadores, mostrou sua falta de convicção tática, levantou suspeitas sobre a Fifa. Vários tiros no pé…

1afp1 1024x576 O fracasso da reunião entre Felipão e seus jornalistas de confiança   expôs ainda mais seus jogadores, mostrou sua falta de convicção tática, levantou suspeitas sobre a Fifa.  Vários tiros no pé...
Teresópolis...

A conta é simples. Há mais de 700 jornalistas credenciados. Felipão resolveu falar com seis. Escolheu a dedo para quem se queixar. Mais que os 'eleitos', ele queria os veículos de comunicação.

Seu assessor pessoal de imprensa, que só está na Copa com o crachá da Sportv - empresa da Globo -, tratou de ir atrás desse seleto grupo que tem o coração de Felipão. E os pegou sem a menor discrição. Os arrancava de onde conversavam com outros jornalistas. Puxava pelo braço. Dizia: "Vem, vem".

Quando em uma Copa do Mundo se é arrastado pelo assessor de imprensa do treinador da Seleção, não se recusa. Fernandinho Fernandes da TV Bandeirantes, Oswaldo Paschoal da Fox e Rádio Globo, Juca Kfouri do UOL, Folha, ESPN e CBN, Luis Antonio Prósperi, do jornal Estado e PVC da ESPN.

A situação foi surreal. A conversa poderia ter sido combinada de maneira discreta. Mas foi acintosa, querendo mostrar quem importava para Felipão entre as sete centenas de jornalistas na Granja Comary. Deu margem a se acreditar que o resto não conta.

Depois de 20 minutos de conversa, o assessor busca alguém do Rio de Janeiro, do jornal O Globo. Foi cômica a cena. Maurício Fonseca se recusou a ir. Disse que a reunião já havia começado há muito tempo. O repórter Carlos Eduardo Mansur aceitou pegar a conversa na metade.

A estratégia não foi inédita. Em 2006, encurralado pelas críticas para a Seleção Brasileira, Parreira convocou também seis jornalistas com quem tinha bom relacionamento, e seus veículos, influência. Há muita chance de a ideia ser de Parreira para este encontro.

Tudo a partir daí ficou confuso para os próprios jornalistas. Encontraram Felipão, Murtosa e Parreira tensos. Com o trio pedindo palpites sobre o que estava de errado na Seleção. E o porquê de tanta cobrança. Cada convidado deu a sua versão.

Os jornalistas insistiram sobre o nervosismo do time. A falta de variação tática do time. Avisaram que o Brasil não era mais surpresa para nenhum adversário. E que era preciso parar com o choro dos atletas, que passava a imagem de descontrole, fraqueza.

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Depois ouviram várias revelações que deveriam ser íntimas. O treinador disse que suas duas pilastras do time estão abaladas demais emocionalmente: Neymar e Thiago Silva. O questionamento já começa aí: por que expor peças tão fundamentais?

Afinal, era para manter segredo ou não. Dez minutos após a reunião, já estava em site o eixo central da conversa. Foi o sinal para o sexteto começar a trazer tudo à tona.

O que ganhou Felipão dizer que Thiago Silva não quer ficar marcado como capitão derrotado? E que carrega essa pressão desde a derrota do Brasil na Olimpíada de Londres? Isso não vai motivar o jogador.

Só serviu para lembrar os 694 jornalistas excluídos que o capitão da Seleção é uma pessoa já traumatizada. E por isso rezou, chorou e pediu para ser o último a cobrar pênaltis, depois de Julio César. Por medo de errar.

Dizer que ele e Neymar 'viraram o fio' emocionalmente é também expor o melhor jogador brasileiro. Permite a leitura que o camisa 10 de 22 anos não tem maturidade suficiente para a responsabilidade que exerce no time. Ou seja, as duas colunas do time não são sólidas.

Mais, Felipão teria dito que se pudesse, faria uma troca no time. Chamaria outro jogador que deixou de fora na lista dos convocados. Lucas? Ganso? Pato? Kaká? Alan Kardec? Imaginar o arrependimento fica por conta de cada um.

Mas há o outro lado. Que jogador é um peso morto entre os atuais 23? Alguém deveria sair para Scolari fazer a tal troca que não pode fazer. E aí, quais são os candidatos? A revelação é uma insanidade. Só traz mais insegurança a um grupo tenso demais.

1ap1 O fracasso da reunião entre Felipão e seus jornalistas de confiança   expôs ainda mais seus jogadores, mostrou sua falta de convicção tática, levantou suspeitas sobre a Fifa.  Vários tiros no pé...

Como não poderia deixar de ser. Houve a lembrança por Murtosa que a imprensa brasileira só gosta de falar do pênalti (simulado) de Fred. E despreza, por exemplo, a revelação de Robben. Ele teria cavado uma penalidade para a Holanda contra o México.

Murtosa não percebe que os 700 jornalistas que estão na Granja Comary estão para cobrir a Seleção. Não a holandesa. Muito menos vai escrever, falar sobre algo que não existiu. Como o pênalti que o Brasil ganhou de presente contra a Croácia.

De acordo com quem esteve na reunião, Felipão cruzou outra fronteira perigosa. Teria dito que a Fifa não tem interesse nenhum em que o Brasil conquiste a Copa do Mundo agora. Nada de hexa. O país ficaria com muito mais conquistas que os rivais.

Tudo ficou muito no ar. Quer dizer que, alguma vez, a Fifa teve interesse em ver a Seleção campeã? E o Brasil que se prepare porque será prejudicado pela arbitragem?

Que tipo de vantagem um treinador campeão do mundo tem ao revelar seu medo mais profundo? Só traz mais pressão às arbitragens nesta reta final do Mundial. Segredo que deveria ficar na concentração brasileira. Não ser publicado em jornais, falado em televisões, rádios, Internet.

Aí chega a vez de Felipão deixar no ar que pode fazer uma mudança no sistema tático contra a Colômbia. Talvez colocar um terceiro zagueiro. Das duas, uma: ou ele quer confundir o técnico José Pekerman dando uma pista falsa e enganando os seis jornalistas...

Ou até pior. Felipão não tem convicção no seu sistema. E está anunciando em praça pública que vai fazer uma mudança profunda. Alterar a maneira de jogo que utiliza há mais de um ano. A três dias do confronto que vale a vaga para a semifinal da Copa. Pensa em Dante e adiantar David Luiz para fechar o setor de James Rodríguez.

1cbf O fracasso da reunião entre Felipão e seus jornalistas de confiança   expôs ainda mais seus jogadores, mostrou sua falta de convicção tática, levantou suspeitas sobre a Fifa.  Vários tiros no pé...

Deixa claro que desperdiçou semanas em que poderia treinar um sistema tático diferente. Mas preferiu fortalecer fundamentos. Chutes a gol para jogadores que disputam a Champions League. Ensinar a bater na bola não é a prática mais correta a um time que disputa a Copa do Mundo se autoproclamando como favorito.

Todas essas revelações ao sexteto na verdade só fragilizaram a figura do treinador. O comandante do pentacampeonato em 2002 parece perdido. Não tem certeza do que faz. Precisa não só do apoio da imprensa. A quer como cúmplice em uma eventual derrota.

Felipão expôs seu grupo de atletas e a sua falta de convicção. Conseguiu ainda ter o ressentimento de 694 jornalistas, os excluídos. Deixou claro que a cobertura da Seleção tem castas, como o regime indiano.

Os seis escolhidos seriam os Brâmanes, os sacerdotes com maior sabedoria. Representantes da classe mais elevada da sociedade e que nasceram sobre a proteção do deus Brama.

Do outro lado da base da pirâmide social, os 694, estão os párias. Os excluídos da sociedade. Aqueles que não merecem a sabedoria.

Os convidados não têm culpa. Ninguém recusaria o chamado. Triste é a postura amadora de uma Comissão Técnica que foi duas vezes campeã do Mundo, com Parreira e Felipão. Expôs as mazelas do time e a falta de certeza que poderá cumprir a promessa de fazer esse time campeão do mundo.

E mais. Em vez de aproximar a imprensa da Seleção, conseguiu o contrário. O clima de revanchismo dos jornalistas aumentou e muito na Granja Comary. Se esse time não cumprir a promessa de ser campeão do Mundo, Felipão vai perceber o que fez...
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