R$ 335 milhões em dívidas transformam Pescarmona e Granieri nos ‘candidatos do medo’. Apesar do péssimo mandato, o dinheiro faz do bilionário Paulo Nobre o favorito à reeleição no Palmeiras…

 R$ 335 milhões em dívidas transformam Pescarmona e Granieri nos candidatos do medo. Apesar do péssimo mandato, o dinheiro faz do bilionário Paulo Nobre o favorito à reeleição no Palmeiras...
Mais de R$ 335 milhões em dívidas. R$ 135 milhões só com Paulo Nobre. Necessidade de pagar 13º salário de jogadores e funcionários. Folha salarial só do futebol: R$ 8,5 milhões. Falta de patrocínio master na camisa há um ano e seis meses. Briga selvagem com a W.Torre emperrando a nova arena. Perspectiva de Segunda Divisão.

Este será o terrível quadro financeiro do Palmeiras em novembro, mês das eleições. Os conselheiros aliados de Nobre, entre eles Mustafá Contursi, tem defendido com unhas e dentes a reeleição. E apresentado os representantes da oposição, Wlademir Pescarmona e Luiz Carlos Granieri como os 'candidatos do medo'. A inspiração vem no famoso depoimento de Regina Duarte, apoiando Serra e dizendo temer Lula no poder.

Os bilhões que possui a família de Nobre são a garantia ele poderá ajudar o Palmeiras enquanto o administra. Os R$ 135 milhões que injetou até agora conseguiram manter o clube sob controle. Sem o seu dinheiro, as dívidas teriam quase que dobrado, só em juros. O clube antecipou receitas de televisão e fez empréstimos. Ficou sem caixa. O dirigente se colocou como avalista para emprestar R$ 135 milhões ao clube.

Os opositores Granieri e Pescarmona não têm condições financeiras de fazer a mesma coisa que Nobre. Pela lógica dos defensores do bilionário dirigente, a saída é mantê-lo. O Palmeiras chegou a este ponto. Projetos, planos ficaram para trás. Nem mesmo o péssimo trabalho feito no futebol do clube, com o ultrapassado José Carlos Brunoro pesa. Pouco importa os 35 jogadores que contratou. Fora os dois ou três que deverá anunciar até sexta-feira, atletas que estavam na Segunda Divisão, Série B.

Mesmo com tantos atletas, o Palmeiras não conseguiu formar sequer um grande time. Teve três treinadores no mandato de Nobre. Gilson Kleina, Gareca e agora Dorival Júnior. Ao demitido argentino, o clube pagará multa até o próximo ano. A campanha terrível, sem a conquista de um título. Fracasso em dois Paulistas, Libertadores, duas Copas do Brasil e dois Brasileiros. O maior desejo neste final de ano é escapar de volta à Segunda Divisão. Seria a terceira visita em 12 anos. A segunda em três anos.

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Mesmo com tudo isso, a estratégia do medo está dando certo. A dívida enorme do Palmeiras tem coibido novas candidaturas. Fora o 'filtro'. Só candidatos com 15%, no mínimo, de apoio dos conselheiros poderão concorrer à presidência. Nobre é apoiado pelo grupo de Mustafá Contursi. Pescarmona por Belluzzo. E Granieri se apresenta como 'terceira via'.

Fugindo de entrevistas mais profundas, Nobre se especializou em coletivas. Foi muito bem treinado por seu assessor especial, Fernando Mello. Ele foi assessor de imprensa de Kia Joorabchian, presidente da MSI no Corinthians. Sabe muito bem o que Nobre deve ou não falar. Nestes dois anos, as única frases que escaparam do bilionário presidente foi para a revista Placar.

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"Pessoas às vezes me aplaudem, me dizem: "Você é um grande palmeirense". E eu falo para você: tenho vergonha de, na minha gestão. Ele se referia ao fato de ser obrigado a ser mecenas do clube, tamanha a falta de credibilidade do centenário clube frente às instituições financeiras.

"Os clubes de futebol têm credibilidade tão baixa no mercado que, para tomar dinheiro, ou não conseguem ou tomam com taxas absurdas. Como eu aplico dinheiro - e sou agressivo nos meus investimentos -, consegui captar dinheiro a menos da metade do que o Palmeiras pagaria. Mas não me sinto honrado, me sinto envergonhado. Quero que o Palmeiras devolva isso em dez ou 15 anos porque, se tiver que devolver num período mais curto, vai pegar tanto da sua receita anual que o clube vai ter que começar a tomar empréstimo para me pagar. E não é esse o objetivo", detalhou.

O Palmeiras deve R$ 135 milhões a Paulo Nobre. Vai pagar com juros abaixo do mercado, 1% ao mês. A primeira parcela será cobrada em maio de 2015, quando o clube receberá a cota pelo Brasileiro do próximo ano. A partir daí, 10% de todo o dinheiro que chegar ao Palmeiras será destinado ao bilionário. A perspectiva é que receba tudo o que tem direito entre dez e 15 anos.

É incrível, porém esse cenário de terra arrasada, piorado pela própria diretoria, é que faz Paulo Nobre favorito absoluto à reeleição. A tática do medo está funcionando. Só falta Regina Duarte circular pelos corredores do Palestra Itália mostrando pavor de Pescarmona e Granieri...
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Não adianta os presidentes de clubes comemorarem. O infiltrado do ABC na torcida do América só prova o acerto da lei. As equipes continuarão a pagar pelo vandalismo de seus torcedores. É o caminho para a civilidade nos estádios…

1gazeta Não adianta os presidentes de clubes comemorarem. O infiltrado do ABC na torcida do América só prova o acerto da lei. As equipes continuarão a pagar pelo vandalismo de seus torcedores. É o caminho para a civilidade nos estádios...
Aconteceu o que muitos presidentes de clubes grandes do Brasil sonhavam. Emanuel Victor Pinheiro de Lima atirou uma garrafa de água das arquibancadas da Arena Dunas. Ela caiu perto do bandeira Kleber Lúcio Gil. Ela foi jogada do meio das organizadas do América do Rio Grande do Norte, que enfrentava ontem o Flamengo. Mas acontece que Emanuel pertence à Gang Alvinegra, do ABC, maior rival do América.

Aconteceu o sonho dourado de Mario Gobbi, Alexandre Kalil, Paulo Nobre, Gilvan Tavares, Roberto Dinamite, Fabio Koff. E outros dirigentes que já se manifestaram tentando isentar o clube das atitudes de suas organizadas. À primeira vista seria a consagração de quem defende essa tese.

Mas é justamente o contrário. Emanuel só foi detido porque torcedores do América ficaram revoltados por sua atitude. Sabiam que iria prejudicar o clube. O seguraram e chamaram os seguranças do estádio. Diante de policias, quando foi lavrado o Boletim de Ocorrência, ele confessou ser membro da Gang Alvinegra. E que só foi à partida com a intenção de jogar a garrafa de água para prejudicar o clube que ele odeia.

Se os atos da torcida não prejudicasse o América, Emanuel poderia ficar tranquilamente nas arquibancadas. E se resolvesse jogar outra garrafa ou até o sorveteiro em direção ao gramado, tudo bem. O princípio de os clubes pagarem pelo que seus torcedores fazem nos estádios nasceu na Europa. E funciona bem há anos. Todos torcem juntos, mas se policiam.

Além disso, com as novas arenas construídas por causa da Copa, não há mais desculpa para as autoridades. O circuito de câmeras mapeia as arquibancadas. É fácil identificar o transgressor. Desde que os seguranças e os policiais resolvam trabalhar. O vândalo precisa ser identificado e preso de verdade. Os estádios não são terra sem lei no Brasil.

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Agora caberá aos auditores do STJD terem discernimento no julgamento do América. Héber Roberto Lopes fez o relatório destacando a garrafa de água atirada em direção ao campo. Foi sua obrigação. Agora cabe ao tribunal perceber a sabotagem amadora de Emanoel. A punição ao dono da casa seria descabida. A sociedade é que precisa cobrar uma pena ao infiltrado. O próprio América deve processá-lo.

O Rio Grande do Norte está virando o paraíso dos infiltrados. Torcedores do ABC se misturaram aos do Ceará. No dia 26 de outubro de 2013. Provocaram uma briga violenta no acanhado estádio José Nazareno do Nascimento, em Goianinha. Saldo do confronto: 22 detidos e quatro baleados. Cocaína e maconha foram encontradas com os membros de organizadas dos dois lados.

A polícia potiguar trabalhou bem tanto no ano passado como ontem. Prendeu e identificou os infiltrados. A ajuda de torcedores normais, vigiando a ação de quem está sentado ao seu lado no estádio, também foi fundamental. Portanto, os presidentes de grandes clubes brasileiros podem perder a esperança. Seus clubes continuarão a pagar por atitudes de seus torcedores.

 Não adianta os presidentes de clubes comemorarem. O infiltrado do ABC na torcida do América só prova o acerto da lei. As equipes continuarão a pagar pelo vandalismo de seus torcedores. É o caminho para a civilidade nos estádios...

Uma lastimável prova de quanto as equipes estão ligadas às organizadas aconteceu no ano passado. O Ministério Público de São Paulo implorou para que as diretorias de Santos, Palmeiras, São Paulo e Corinthians assinassem um Termo de Ajuste de Conduta. Se comprometeriam a não ajudar financeiramente os torcedores. Se fosse descoberta qualquer ajuda, os clubes poderiam ser multados. Depois de prometer assinar, os presidentes mudaram de ideia. E esse documento foi esquecido.

Embora neguem publicamente, a esmagadora maioria dos clubes brasileiros têm ligação com suas organizadas. Por isso a festa dos dirigentes pelo infiltrado do ABC no meio da torcida do América é inútil. Os presidentes da CBF, José Maria Marin e Marco Polo del Nero juram que a legislação não será alterada. As equipes continuarão a pagar pelos atos de seus torcedores. Até que enfim, Marin e Marco Polo tomaram uma decisão que faz bem ao futebol deste país...
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Mano Menezes, o envelhecido John Travolta do Itaquerão, dançou, feliz. Foi uma resposta para os críticos, as organizadas que o querem fora do Corinthians. E principalmente para Roberto de Andrade, maior defensor da volta de Tite…

Logo depois que Luciano marcou o segundo gol corintiano, Mano Menezes se voltou aos torcedores no Itaquerão. Mais especificamente para os que o xingavam. E resolveu dançar. Levantou as mãos para o alto e arriscou alguns passos. Digno de um John Travolta careca, envelhecido, gaúcho. Não queria nem saber da irregularidade no gol, quando Luciano empurrou Leandro Donizete antes de fazer 2 a 0. Isso não o preocupava...

O treinador corintiano saboreava a vitória diante do Atlético Mineiro. Ironizava os torcedores que pediram sua demissão. Aqueles que protestaram por ter colocado Luciano em campo. E também, seu maior inimigo declarado no Parque São Jorge, Roberto de Andrade.

"Sou assim mesmo, autêntico. Tem horas que sou como fui, acho que o momento era adequado para ser assim. Todas as danças que aprendi foram no Sul. E a gente não pode ser boçal, tem de evoluir, aceitar a modernidade. E de vez em quando extravasar. Vida de técnico não é fácil para o coração. Tem de colocar para fora. Já estou com 5.2, quilometragem alta tenho de extravasar", justificava. "Até porque é surpreendente uma vitória dessa maneira para um time que só joga atrás."

E Mano precisa mesmo aliviar o coração. Não esperava encontrar no Corinthians um ambiente tão hostil. Ao voltar ao Parque São Jorge depois de fracassar na Seleção e Flamengo, acreditava estar 'voltando' para casa. Seria um lugar que teria o aconchego de Andrés Sanchez e seu pupilo Mario Gobbi. Não imaginava que os dois estavam para romper, virar inimigos políticos.

O plano era simples. Ouviu dos dirigentes que teria de reformular a equipe campeã do mundo e da Libertadores, deixada por Tite. Ela estaria envelhecida e mimada. O recado foi para não se preocupar com títulos. A pressão seria menor porque o foco da mídia em 2014 estaria na Copa do Mundo. Obrigação apenas com a Libertadores de 2015, competição mais rentável, ainda mais jogando no Itaquerão.

2ae Mano Menezes, o envelhecido John Travolta do Itaquerão, dançou, feliz. Foi uma resposta para os críticos, as organizadas que o querem fora do Corinthians. E principalmente para Roberto de Andrade, maior defensor da volta de Tite...

Mas o rompimento de Andrés e Gobbi sabotou o seu escudo. Políticos corintianos que detestam a sua postura, como Roberto de Andrade, se sentiram livres para dizer que não gostariam de trabalhar com o treinador. Mano é considerado uma pessoa muito arrogante no Parque São Jorge. Não permite aproximação dos jogadores, conselheiros, funcionários, torcedores. A postura foi um choque depois da saída do carinhoso Tite.

Logo ele e seu empresário Carlos Leite se viram muito criticados. Principalmente pela ala com maior chance de vitória na eleição de fevereiro de 2015: a de Roberto de Andrade, indicado por Andrés Sanchez. Depois com o rompimento com seu mentor e ex-presidente, Gobbi está cada vez mais isolado politicamente. Candidatos até evitam seu apoio político. Mano se viu protegido por um presidente fraco e em final de mandato.

Enquanto isso, Mano reformulava o time de Tite. Alessandro parou. Paulo André, Guilherme, Edenílson, Douglas, Romarinho, Alexandre Pato, Cléber foram embora. A mando de Gobbi passou a dar chances para atletas da base. Era sempre tranquilizado pelo dirigente. Teria apoio para seguir trabalhando em 2015. Mano rapidamente percebeu o quanto era vazio o discurso. Por mais que até queira, o presidente não tem força para garantir o que fala.

Mano passou a se defender, lembrando que não teve R$ 60 milhões para reforços como Tite teve em 2013. Só se esqueceu de citar que esse dinheiro todo veio porque o ex-técnico corintiano venceu a Libertadores e o Mundial em 2012.

Grande esteio de Andrés é a torcida. As organizadas o acompanham cegamente para onde for. Ao se afastar do clube, não preservou o ex-pupilo. Fez críticas ao seu trabalho. Elas foram entendidas como recado para as organizadas. As decepcionantes partidas do time foram a desculpa. E os ataques a Mano e a Gobbi se intensificaram.

1reproducao Mano Menezes, o envelhecido John Travolta do Itaquerão, dançou, feliz. Foi uma resposta para os críticos, as organizadas que o querem fora do Corinthians. E principalmente para Roberto de Andrade, maior defensor da volta de Tite...

Depois da boa vitória corintiana ontem, Mano reverteu a situação. Aproveitou-se para dizer que a pressão que está sofrendo acontece só com a aproximação das eleições. Esqueceu-se do irregular futebol corintiano, despencando no Brasileiro.

"Algumas coisas sabemos que tem interesse peculiar, está ficando assim pela maneira como se disputam eleições atualmente, a parte política. Vamos ter que conviver com isso".

A rejeição a Mano Menezes por parte de Roberto de Andrade é escancarada no Parque São Jorge. O dirigente deverá lançar a sua candidatura oficialmente nas próximas semanas. Mas ele já foi perguntado várias e várias vezes por conselheiros sobre a volta de Tite. A reação é sempre a mesma. Sorri e disfarça. "Vamos ganhar as eleições, primeiro." Mas não é segredo o apreço de Andrade ao técnico. Ele é muito grato ao treinador. Sabe que, se não fossem as conquistas da Libertadores e do Mundial, a situação econômica corintiana estaria caótica. Além disso, a sua ligação nunca negada a Andrés o prejudicou demais em relação à Seleção.

3ae Mano Menezes, o envelhecido John Travolta do Itaquerão, dançou, feliz. Foi uma resposta para os críticos, as organizadas que o querem fora do Corinthians. E principalmente para Roberto de Andrade, maior defensor da volta de Tite...

Para fortalecer sua vontade de trazer Tite de volta, há a frieza de Mano. Foi Andrade quem acertou detalhes da volta ao Parque São Jorge. Mas o técnico nunca fez questão de se entrosar com ele. Preferia falar com Gobbi, que era responsável pelo futebol nos tempos de Andrés. Quando Roberto começou a se desentender com o atual presidente, Mano teria tomado partido. Ficado com quem manda mais. Daí nasceu a rejeição de Andrade à continuidade de Mano.

O técnico sabe que se Roberto vencer a eleição, o que tem muita chance de ocorrer, ele não continuará no Corinthians em 2015. Mas o vaidoso técnico quer atender ao único pedido de Gobbi. Colocar de qualquer maneira o time na próxima Libertadores. Tanto faz o caminho. Conquistando a Copa do Brasil ou terminando o Brasileiro nas primeiras colocações.

A vibração de ontem do Corinthians contra o Atlético Mineiro não foi por acaso. Mano sabia o quanto precisava da vitória. As derrotas contra Figueirense e Atlético Paranaense tiraram o time do G4 no Brasileiro. A marcação sob pressão no Itaquerão foi fortíssima. Refletia a raiva do técnico pelos protestos dos torcedores organizados, que estão do lado de Roberto de Andrade, de Andrés.

Por isso, a dança irônica assim que Luciano marcou 2 a 0. Era o desabafo de Mano Menezes. Ele sentia que a possibilidade de o Corinthians chegar à semifinal da Copa do Brasil aumentava muito. E o técnico não deseja apenas entregar o clube classificado para a Libertadores. Seu desejo é não esperar ser dispensado. Mas anunciar seu acerto com outro time em 2015. Carlos Leite é muito inteligente e não está parado. Por tudo isso, a felicidade do John Travolta envelhecido no Itaquerão...
3agenciacorinthians Mano Menezes, o envelhecido John Travolta do Itaquerão, dançou, feliz. Foi uma resposta para os críticos, as organizadas que o querem fora do Corinthians. E principalmente para Roberto de Andrade, maior defensor da volta de Tite...

Robinho herói e vilão. Decidiu o jogo contra o Botafogo para o Santos. Mas depois conseguiu ser expulso de forma infantil no Maracanã. O cartão vermelho deixou vivo o time de Vagner Mancini…

 Robinho herói e vilão. Decidiu o jogo contra o Botafogo para o Santos. Mas depois conseguiu ser expulso de forma infantil no Maracanã. O cartão vermelho deixou vivo o time de Vagner Mancini...
Robinho deu a vantagem ao Santos. Mas também é o responsável pela confiança que os jogadores do Botafogo têm de chegarem às semifinais da Copa do Brasil. O rodado atacante foi o centro das atenções na vitória santista por 3 a 2 no Maracanã. Marcou dois gols, era o atleta mais talentoso no gramado. Só que conseguiu ser expulso infantilmente. Fez um favor aos rivais, não estará na partida de volta na Vila Belmiro, que decidirá a vaga.

"Nós não podemos perder tantos gols. Éramos para ter conseguido marcar quatro, cinco. Mas faltou caprichar no último toque. Nós perdoamos. Os adversários não nos perdoam", desabafava, irritado, Edu Dracena.

E com razão, enquanto Robinho teve fôlego, o time criou inúmeras chances para golear o Botafogo. Mesmo com Enderson Moreira sendo fiel ao maior motivo de ser contratado pelo Santos, tentar recuperar Leandro Damião. O lento atacante foi escalado de maneira injusta para atuar ao lado de Robinho. O ideal seria o menino Gabriel. Mas Enderson insiste em não perceber o óbvio. Ou fazer de conta que não vê. Birra inaceitável.

Pior para o Santos. Poderia ter dado decidido a vaga logo nessa primeira partida. Na casa do adversário. Mergulhando em uma profunda crise financeira, o Botafogo tinha seus limitados jogadores. Guerreiros, capazes de enfrentar meses que duram 90 dias. Encaram a Copa do Brasil como grande chance de tentar ganhar dinheiro. Vagner Mancini montou sua equipe aberta, buscando vencer em casa. Comprou a briga, como franco atirador. Sua maior esperança era o potencial do veterano Sheik.

Não eram Pelé, Coutinho, Zito, Didi, Garrincha, Nilton Santos. Mas quem assistiu a Santos e Botafogo não tem do que reclamar. Foi uma partida aberta, divertida, interessante. A técnica deixava a desejar. Mas a compensação vinha na correria, na vontade de vencer dos dois times. Principalmente os botafoguenses.

Não demorou muito para Vagner Mancini gemer de saudades de Doria. Jefferson foi sair jogando pela entrada da área com Gabriel. O jogador não teve a visão de deixar a bola passar e sair jogando. Ao tentar dominá-la, errou. Robinho roubou a bola, tocou para Leandro Damião e a recebeu de volta. Marcou como quis, aos 24 minutos do primeiro tempo.

O gol dado por Gabriel desesperou o time carioca. Mas o futebol é irônico. Coube a Gabriel no minuto seguinte fazer um gol de muita beleza plástica. Ele bateu da entrada da área, encobrindo Vladimir, substituto do contundido Aranha. O empate animou ainda mais a partida.

Só que rapidamente, o Santos marcaria seu segundo gol. Robinho, sempre ele, tabelou com Cicinho. E ganhou dividida com Dankler. Afobado o zagueiro botafoguense chutou a bola em cima do atacante santista. Experiente, ele amorteceu o chutão e invadiu a área para fazer 2 a 1, aos 28 minutos.

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O Botafogo queria empatar e se esqueceu das suas limitações. Vagner Mancini preferiu caprichar na marcação de Lucas Lima. Deixou livre Robinho. O jogador encontrava em Geovânio alguém para entender seu raciocínio. Leandro Damião também. Mas não tinha arranque, velocidade para chegar bem nas tabelas e conclusões. Mesmo assim, o Santos criava e desperdiçava chances.

O Botafogo perdia seu melhor jogador. Sheik sentia contusão e pediu substituição. Antes que deixasse o campo, assistiu Geovânio invadir pela esquerda e chutar forte. Jefferson saltou para a bola defensável, mas falhou. Além de tomar o 3 a 1, sofreu uma luxação no dedo mínimo esquerdo. Aos 42 minutos, os cariocas perdiam seus dois principais jogadores.

Para o segundo tempo, o Santos já não tinha tanta velocidade ou domínio do jogo. Havia dois motivos. O cansaço de Robinho que, cada vez menos suporta 90 minutos de bom futebol, e a covardia tática de Enderson Moreira. O time paulista entrou recuado, tentando explorar os contragolpes. Pensamento pequeno do técnico.

Vagner Mancini adiantou a marcação de sua equipe, buscando sufocar os santistas. Não foi preciso esperar muito tempo. A zaga santista é muito indecisa. David Braz e Edu Dracena complicavam lances fáceis. Principalmente mal posicionados. Foi assim que Zebbalos se antecipou a Cicinho e marcou, aos 11 minutos.

A partida ficou frenética, com muita correria. O Botafogo adiantava todo o seu meio de campo. Um pouco mais de coragem e o Santos se aproveitaria da escancarada postura do adversário. Robinho era procurado em todos contragolpes. Foi cansando. E reclamando demais com o árbitro Dewson Freitas da Silva. Tomou o cartão amarelo aos 34 minutos. Cinco minutos depois, foi simular uma falta. Recebeu o segundo amarelo e foi expulso. Era a melhor notícia para Vagner Mancini. O Santos perdia o seu melhor jogador para a partida decisiva de maneira estúpida.

"Foi injusto o meu primeiro cartão. Já o segundo, ele (árbitro) disse que simulei. Pode até dizer isso, porque se eu deixasse a perna iria me machucar. Mas o primeiro eu não entendi. Foi uma falta do Wallyson, o lateral era nosso, e ele inverteu. Não sou muito de falar de arbitragem, mas acho que ele estava meio confuso. Depois, eu xinguei de tudo quanto é nome", assumia Robinho, após a partida. Corre o risco de ainda sofrer uma suspensão. Precisa controlar seu ego.

Lucas Lima deixou livre Allan Santos para marcar 4 a 2, só que ele teve a coragem de chutar fora, por cima. O Botafogo lutou até o final da partida. Mas não conseguiu o empate. Além da derrota, ficou o sentimento de inveja nos seus jogadores. Os santistas receberam o mês de atraso nos seus salários...
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A Polícia Militar e a Arena Minas serviram como bode expiatórios. O STJD fez um carinho no Cruzeiro e no Atlético. A selvageria de suas organizadas no Mineirão custou apenas um jogo de suspensão. A sentença só incentiva violência nos estádios…

1reproducaoemdapress A Polícia Militar e a Arena Minas serviram como bode expiatórios. O STJD fez um carinho no Cruzeiro e no Atlético. A selvageria de suas organizadas no Mineirão custou apenas um jogo de suspensão. A sentença só incentiva violência nos estádios...
As diretorias do Cruzeiro e do Atlético Mineiro têm mesmo motivo para comemorar. O STJD foi brando demais pela selvageria das suas organizadas no clássico do dia 21 de setembro. Diante da troca de disparos de rojão, roubo, tentativa de invasão do setor adversário, cenas de vandalismo em lanchonete, a punição foi um carinho. Pena de apenas perda de um jogo de mando e multa de R$ 50 mil. A Polícia Militar mineira e a Minas Arena foram os bodes expiatórios perfeitos.

Os advogados dos dois clubes seguiram o mesmo caminho. Acusaram a polícia de soltar bombas. E a Minas Arena pela absurda revista que permitiu a entrada de rojões, sinalizadores e até soco inglês. Foram firmes. Contaram com depoimentos contundentes de dois rivais históricos. Gilvan Tavares e Alexandre Kalil se uniram para atacar as suas próprias organizadas. Além do trabalho da PM e da administradora do estádio. Fizeram um ótimo trabalho, livrando seus clubes.

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"Torcida organizada, hoje, pelos bandidos que se infiltram nela, virou caso de polícia. Eles só estão ali pelas receitas que ela gera. Por isso mandamos parar de usar símbolos do Cruzeiro. Mais que isso não dá para fazer. Estamos fazendo o máximo para que as organizadas não atrapalhem o espetáculo." Gilvan Tavares reafirmou que o seu Cruzeiro não tem e não quer mais o mínimo contato com seus torcedores.

Disse que cortou qualquer auxílio financeiro como aluguel de ônibus e distribuição de ingressos. E até proibiu judicialmente que usem camisas com os símbolos cruzeirenses. O rompimento definitivo aconteceu quando brigas e arrastões que começaram nas organizadas impediram a festa de comemoração do Brasileiro de 2014.

"Eles não soltam só bomba não, fumam maconha, usam crack. Mas é crianças que são impedidas de entrar com jogadores. As organizadas continuam lá, isso é que eu não entendo." Alexandre Kalil foi direto. Acusou o uso de drogas por torcedores. E já avisou que o Atlético Mineiro abrirá mão dos 10% de ingressos que teria direito nos próximos clássicos com o Cruzeiro.

Advogados e dirigentes dos dois clubes seguiram pelo mesmo caminho. Não negaram por um instante sequer a confusão durante o jogo. Com direito até ao técnico Levir Culpi deixar o banco de reserva atleticano. E implorar para os torcedores do seu clube não jogarem mais rojões nas organizadas cruzeirenses.

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A punição tinha de ser mais pesada. Está bem claro pela legislação que, no futebol brasileiro, os clubes pagam por atos de suas torcidas. O que aconteceu no Mineirão foi deprimente. Barbárie pura que começou tiros atingindo quatro torcedores atleticanos que estavam parados em um ponto de ônibus. Por pura sorte nenhum deles foi morto. A polícia mineira prendeu um integrante da Máfia Azul, torcida organizada cruzeirense como um dos autores dos disparos. Chegou até ele pelas câmeras de segurança, que filmaram o seu Gol vermelho.

A notícia se espalhou. Chegou aos torcedores organizados que estavam no Mineirão. E aí foi a briga, o ódio entre os dois lados. E um trabalho bizarro, amador. Tanto dos seguranças da Minas Arena, omissos. E com a PM jogando bombas de efeitos moral para conter os torcedores. Essas bombas serviram como tábua de salvação para Cruzeiro e Atlético Mineiro. Serviram para os advogados desmoralizarem a súmula do árbitro Marcelo de Lima Henrique, claríssima sobre o que aconteceu.

"Interrompi a partida aos 41 minutos do primeiro tempo, após ouvir estouros de artefatos explosivos que vinham da divisa das duas torcidas. Solicitei a administração do estádio e ao policiamento encarregado, que tomassem as devidas providências para o prosseguimento da mesma. (...)

Ao final da partida fui informado pelo sargento PM Bárcaro, comandante do policiamento interno do estádio, que os artefatos explosivos foram lançados pelas torcidas Galoucura do Clube Atlético Mineiro e Pavilhão Independente do Cruzeiro Esporte Clube, uma contra a outra, não sabendo precisar quem iniciou o citado confronto."

Como a PM assumiu ter jogado bombas contra os torcedores, foi aceito que pelo STJD que foram elas que foram ouvidas. Foi desprezado o fato de a PM ter apreendido vários rojões com as organizadas. Havia ainda sinalizador e soco inglês, de ferro.

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Mesmo diante de tantas evidências, o Cruzeiro enfrentará o Palmeiras mais de cem quilômetros longe do Mineirão. E o Atlético jogará com o São Paulo também longe do Independência. E vida que segue. A promotoria do STJD não se conformou com a sentença tão branda e promete recorrer. Mas normalmente as sentenças não são mudadas. Tudo deve ficar como está.

O Ministério Público de Minas Gerais baniu por seis meses as organizadas Máfia Azul, Pavilhão Independente (do Cruzeiro) e Galoucura do Atlético Mineiro. Seus membros poderão entrar nos estádios. Mas sem camisetas, faixas ou nada que representem as torcidas. As organizadas prometem recorrer na justiça contra a decisão do MP.

Talvez, se seus advogados colocarem a culpa na PM e na Minas Arena, consigam reverter a sentença. E possam respirar aliviadas como as diretorias do Cruzeiro e Atlético fazem agora, agraciadas com uma punição branda demais. O julgamento deveria ser exemplar. Servir como alerta para as torcidas de todo o país. A chance de travar os vândalos nos estádios brasileiros foi jogada na lata do lixo pelo complacente STJD...
2reproducaoemdapress A Polícia Militar e a Arena Minas serviram como bode expiatórios. O STJD fez um carinho no Cruzeiro e no Atlético. A selvageria de suas organizadas no Mineirão custou apenas um jogo de suspensão. A sentença só incentiva violência nos estádios...

Sheik e Valdivia, 66 anos de pura esperteza. Comemoram, vaidosos, terem escapado do STJD. Mais uma vez usaram a lábia e saíram ilesos. São dois fenômenos neste triste futebol brasileiro…

1reproducaoframe Sheik e Valdivia, 66 anos de pura esperteza. Comemoram, vaidosos, terem escapado do STJD. Mais uma vez usaram a lábia e saíram ilesos. São dois fenômenos neste triste futebol brasileiro...
"Muita gente entendeu errado. Foi um desabafo, sim. Foi um lugar que não poderia, mas foi um desabafo. A adrenalina estava a milhão. Isso vem acontecendo ao longo dos útimos meses,ao longo desses meses de competição. Acho que todo mundo está insatisfeito com o que está acontecendo.

Em momento algum eu quis ofender a CBF. Espero que as pessoas não tenham entendido como uma ofensa à entidade, porque foi um desabafo. Não tive a intenção de ser polêmico e de causar tudo isso. É um descontentamento meu, pessoal e talvez em um momento errado eu tenha tornado isso público. É um descontentamento com toda essa confusão arbitragem que vem apitando o nosso futebol vencedor e campeão."

"Falaram em pena entre quatro e 12 jogos de suspensão. Também se falou em agressão, e terminei com dois jogos e arquivado em ato hostil. Depois de tudo o que se falou, claro que é uma alegria pegar só essa quantidade de jogos. Em um momento torcemos para que fosse um, que foi cogitado. Mas sei muito bem do rigor desse tribunal. Foram as mesmas pessoas que analisaram o caso do Petros. O saldo, então, não foi tão negativo assim, como se falou depois do jogo contra o Flamengo."

Os dois primeiros parágrafos resumem o que Emerson Sheik disse depois do seu julgamento de ontem no STJD. O terceiro foi o que Valdivia falou aos repórteres, um pouco antes, no mesmo tribunal, no Rio de Janeiro. Os dois sorriam. Tinham motivo.

Sheik e Valdivia deixaram muito felizes os advogados botafoguenses e palmeirenses. Os dois deram um show de esperteza nos seus depoimentos. Conseguiram reverter situações complicadíssimas. Mostraram toda a facilidade verbal com que nasceram. Ela é capaz de convencer os incautos. Quem deseja ser convencido.

Emerson tem 36 anos. Se considera um sobrevivente. Falsificou identidade, diminuiu a idade. Mudou até o nome, o verdadeiro é Márcio. Foi acusado de contrabando de veículos e lavagem de dinheiro. Jogando no Corinthians, beijou na boca um homem e colocou nas redes sociais. Não faz nada o que não deseja na sua vida. É muito inteligente.

A desculpa que a 'adrenalina de Sheik estava a milhão' é absurda. Ele sabia muito bem o que estava fazendo quando, expulso contra o Bahia, caminhou em direção à câmera no Maracanã e decidiu classificar a CBF como 'vergonha'. A maior prova foi quando tomou o cartão amarelo ele já tinha feito a mesma coisa. E disse: "Essa é para você, CBF". Foi de caso pensado que ele quis desmoralizar a instituição presidida por José Maria Marin.

1divulgacao2 Sheik e Valdivia, 66 anos de pura esperteza. Comemoram, vaidosos, terem escapado do STJD. Mais uma vez usaram a lábia e saíram ilesos. São dois fenômenos neste triste futebol brasileiro...

Poderia ter pego 18 partidas de suspensão. E o Brasileiro estaria terminado para ele. Não atuaria mais no Botafogo. O desabafo contra a CBF estava classificado por ofensa contra a ética desportiva. Mas a sua atuação diante dos auditores foi tão convincente que mudou o rumo do julgamento. Eles consideraram que Emerson, ou Márcio, exerceu seu direito de se expressar. Apenas escolheu o lugar errado para chamar a CBF de 'uma vergonha' foi inocentado.

Foi também absolvido da entrada violentíssima em Uélliton do Bahia, que lhe custou o cartão vermelho. E um corte na canela do jogador do time do Nordeste.

Mas não poderia sair livre das palavras românticas que dirigiu ao árbitro Igor Benevenuto: "Apita essa porra! "Safado, sem vergonha, você é um merda, vagabundo, não apita nada!." Por essas ofensas pegou quatro jogos de suspensão. Como cumpriu um, teria mais três partidas para ficar de fora. Vitória, Palmeiras e Corinthians. O departamento jurídico do Botafogo tem certeza que conseguirá o efeito suspensivo. E ele poderá atuar pelo menos contra o Vitória e Palmeiras. Diante do Corinthians, não. Ele pertence ao clube paulista, que lhe paga metade dos salários para jogar pelo Botafogo. Mas com a lábia de Sheik, nada é impossível.

Do seu lado, Valdivia, 30 anos, também mostrou seu incrível poder de reverter situações desfavoráveis. Não carrega o apelido de Mago por acaso. O chileno pisou nas nádegas de Amaral do Flamengo. O volante estava caído, de costas, indefeso. O meia do Palmeiras poderia ser suspenso até por 12 partidas. Por agressão.

1ap5 Sheik e Valdivia, 66 anos de pura esperteza. Comemoram, vaidosos, terem escapado do STJD. Mais uma vez usaram a lábia e saíram ilesos. São dois fenômenos neste triste futebol brasileiro...

"Entrei no início do segundo tempo com aquela vontade, com obrigação de reverter resultado de 2 a 0. Provocação normal dentro do que é o futebolFoi um lance em que a gente se enroscou e na hora que ele caiu eu pisei sem querer na bunda do jogador. Sem maldade, sem querer machucar. Assumi o erro depois do jogo."

Sua postura humilde, arrependida garantiria uma vaga no disputado Actors Studio em Nova York. Ele soube dar o peso dramático a cada palavra. Depois do intenso depoimento, a acusação virou atitude hostil. E apenas não jogará diante do Chapecoense, na quinta-feira. Merecia um Oscar.

Só faltou a diretoria palmeirense soltar fogos diante do excelente resultado do julgamento. Dorival Júnior também estava muito aliviado. Sabe que com o elenco fraquíssimo que possui, ruim com ele, muito pior sem ele. A felicidade é tanta que todos já se esqueceram da firula do chileno que custou a derrota para o Figueirense. Inacreditável a idolatria com que Paulo Nobre e Brunoro tratam o problemático e caríssimo jogador.

Sheik e Valdivia se viram, se cumprimentaram. Sentaram lado a lado. Poucas vezes na sua história o STJD teve dois jogadores tão acostumados a criar confusões e sair delas ilesos. Podem ser considerados maquiavélicos, caras de pau, descolados. Ambos estão no estágio final de suas carreiras. Milionários. O comprometimento de ambos é o mesmo: apenas com o próprio umbigo.

Porém enquanto,vaidosos, comemoram ter saído de mais uma enrascada, não param para perceber. Poderiam ter ido muito além nas suas carreiras. Ser as principais esperanças de Botafogo e Palmeiras para escapar da Segunda Divisão é muito pouco. Tinham potencial para atuar em grandes times europeus. Serem conhecidos e respeitados no mundo todo. Talento nunca faltou. O problema dos dois foi exatamente o que mostraram no tribunal: 'esperteza' demais...
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O triste teatro orquestrado por Mario Gobbi. Jogadores defendendo, de ‘maneira espontânea’, Mano Menezes para a imprensa. Com o presidente na plateia. Vexame no Corinthians…

1futurapress5 O triste teatro orquestrado por Mario Gobbi. Jogadores defendendo, de maneira espontânea, Mano Menezes para a imprensa. Com o presidente na plateia. Vexame no Corinthians...
Para quem gosta de teatro ruim, foi um espetáculo e tanto. Mario Gobbi resolveu defender Mano Menezes diante dos jornalistas. Mandar recado aos torcedores. Dizer que ele continuará no clube de qualquer maneira até o final de seu mandato. E Ralf, Fábio Santos e Renato Augusto também apareceram para falar bem do técnico. Tudo orquestrado por Gobbi. O recado não foi para a imprensa e nem à torcida.

Na verdade, Gobbi foi dar uma resposta aos conselheiros do clube. Principalmente os ligados a Roberto de Andrade. O favorito a substituir o presidente na eleição de fevereiro de 2015. Muito ligado a Andrés Sanchez, ele não esconde de ninguém que o treinador que deseja ver no Corinthians é Tite.

Gobbi pretende ter vida ativa no Conselho Deliberativo quando deixar seu cargo. Rompido com Andrés, ele quer mostrar força. E não apenas um marionete. Mas em final de mandato e sem carisma algum, o atual presidente sabe que não ganharia as manchetes. Por isso fez questão da participação dos jogadores.

Por motivos distintos, o trio atendeu a convocação de defender Mano. Ralf quer sair do Corinthians no final do ano. Ele precisa estar bem com a diretoria. Renato Augusto é grato pela paciência do clube com suas inúmeras contusões. E Fábio Santos acabou de renovar seu contrato. Constrangidos, eles falaram.

O mais ridículo é que Gobbi ficou ouvindo o depoimento dos três. Lógico que só elogios a Mano e ao ambiente corintiano. Além das infalíveis promessas de recuperação no Brasileiro. E de total aplicação na primeira partida das quartas-de-final pela Copa do Brasil, quarta-feira, no Itaquerão. Tudo previsível. Para agradar não só Gobbi como Mano. Sem um pingo de espontaneidade.

 O triste teatro orquestrado por Mario Gobbi. Jogadores defendendo, de maneira espontânea, Mano Menezes para a imprensa. Com o presidente na plateia. Vexame no Corinthians...

Foi um tiro no pé de Mario Gobbi. Conselheiros ligados a Roberto de Andrade perceberam a manobra forçada do presidente. E o quanto ele está sem rumo, inseguro. Ele optou por expor três jogadores porque sabia que apenas sua palavra não bastaria. Não repercutiria nem dentro do clube.

Ao mesmo tempo que percebiam a manobra de Gobbi, os conselheiros comentavam sobre o reforço nas grades e na segurança do Centro de Treinamento. O medo que as organizadas invadissem outra vez o local para protestar é enorme. Gobbi sabe que seu discurso também não mobiliza os torcedores. Eles são muito ligados em Andrés Sanchez. E sabem que os dois estão rompidos.

Mano Menezes sabe que não ficará em 2015. Mas nem cogita pedir demissão diante da pressão pela fraca campanha. O teatro de hoje serviu para Gobbi mostrar publicamente o que já está sendo publicado aqui há muito tempo. O presidente corintiano está isolado no apoio ao técnico. Como não tem respaldo entre os conselheiros, nada melhor do que colocar para falar o que ele deseja os jogadores que paga regiamente.

Causou muito espanto a maneira como Gobbi se referiu aos títulos corintianos. Como se fossem mérito seu.

"Quem está falando aqui não é um aventureiro, um marinheiro de primeira viagem. Fui três anos diretor de futebol e três anos sou presidente do Corinthians. Nesses três anos eu participei e fui vice-campeão da Copa do Brasil de 2008, peguei o time na Série B, fui campeão da Série B com 22 pontos de vantagem para o segundo, também tem Campeonato Paulista invicto de 2009, campeão da Copa do Brasil de 2009, campeão invicto da Libertadores, do Mundial e da Recopa."

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O fim do mandato de Gobbi está muito difícil. As dívidas por causa do Itaquerão se acumulam. Não teve como competir com o Internacional por Nilmar. E nem tentou Jones, atacantes que Mano Menezes desejava. As organizadas continuam revoltadas com os preços dos ingressos no Itaquerão. Os candidatos à presidência não se interessam por seu apoio. Os da situação buscam o apoio de Andrés Sanchez. E os da oposição se aliam a Paulo Garcia e Roque Citadini.

Do título do Brasileiro, o dirigente abriu mão faz tempo. Também não quis falar sobre conquista da Copa do Brasil. Mas garantiu um último feito antes do fim do seu mandato: a classificação para a Libertadores da América.

"A vaga na Libertadores é o compromisso mínimo nosso que eu tenho no clube de recolocar o Corinthians na Libertadores."

Sabe o quanto precisa de no mínimo essa classificação. Estão em jogo nada menos do que R$ 9 milhões. As três eventuais partidas do Corinthians na primeira fase da Libertadores chegariam a esse valor no estádio corintiano. A partir daí, R$ 4 milhões no mínimo nos jogos eliminatórios. A diretoria vê como obrigação de Gobbi deixar essa herança para o novo presidente. Para ajudar a pagar os juros do Itaquerão.

E terá de ser com Mano. Queira ou não a torcida, os conselheiros. E Roberto de Andrade. Tite que espere a nova administração se quiser voltar ao Corinthians. Com Gobbi, não. Como prova o triste teatro que os jogadores foram obrigados a participar...
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A diretoria do Avaí acredita que todos os brasileiros são idiotas. Antônio Carlos xingou Francis do Boa Esporte de macaco. Fez até um B.O. E o árbitro Ceretta ‘não viu e nem ouviu nada’. O STJD precisa agir contra o racismo e a omissão…

1reproducao32 A diretoria do Avaí acredita que todos os brasileiros são idiotas. Antônio Carlos xingou Francis do Boa Esporte de macaco. Fez até um B.O. E o árbitro Ceretta não viu e nem ouviu nada. O STJD precisa agir contra o racismo e a omissão...
"Relata o comunicante no decorrer do segundo tempo, entre Avaí e Boa Esporte, válido pelo Campeonato Brasileiro da Série B, 26ª rodada, após uma disputa de bola, em que o atleta Valmir Aparecido Franci de Campos Junior, do Boa Esporte Clube, disputando a bola com o atleta de número 3 do Avaí Futebol Clube, Sr. Antonio Carlos Cunha Capocasali Junior.

Após a disputa foi em direção do atleta do Boa Esporte Clube, Sr. Valmir Aparecido Francis de Campos Junior, chamando-o de "macaco do caralho", após esse fato o atleta foi em direção ao árbitro da partida, Sr. Guilherme Ceretta de Lima dizendo para ele você está vendo do que ele está me chamando, neste momento o árbitro da partida falou a seguinte reposta: " vamos joga Francis, vamos jogar", não foi nada". Que ao final do jogo o atleta de número 3 do Avaí procurou o atleta Valmir, para pedir desculpas, mas o atleta Valmir não aceitou. Nada mais."

Este foi o Boletim de Ocorrência que o atacante Francis do Boa Esporte fez após a partida entre seu time e o Avaí, no sábado. Ele foi no primeiro Distrito Policial de Florianópolis e registrou o que sofreu no gramado. O atacante negro foi chamado de 'macaco do caralho' pelo zagueiro Antônio Carlos.

2reproducao16 A diretoria do Avaí acredita que todos os brasileiros são idiotas. Antônio Carlos xingou Francis do Boa Esporte de macaco. Fez até um B.O. E o árbitro Ceretta não viu e nem ouviu nada. O STJD precisa agir contra o racismo e a omissão...

Outra vez um jogador teve a coragem de enfrentar o sistema. Seria mais fácil se calar. Aceitar as desculpas de Antônio Carlos após o jogo. A omissão de Ceretta. Só que as câmeras do Sportv escancararam a situação. A frase foi captada de maneira clara, indiscutível. A revolta do jogador do Boa Esporte foi instantânea.

O STJD já pediu as imagens para analisar. E Antônio Carlos corre o risco de ser suspenso por dez jogos. O Avaí, ao contrário do Grêmio, não pode ser punido. Só se vários atletas do mesmo clube cometessem a 'injúria racial'. O que não foi o caso.

Mas a diretoria do time catarinense está apavorada. Não quer que o clube tenha a imagem arranhada, ligada ao racismo. Sabe o quanto isso afasta patrocinadores. O Avaí faz excelente campanha na Série B. Ocupa a segunda colocação. Briga com todas as chances de classificação à Série A em 2015. Só tem a perder com essa ofensa absurda de seu zagueiro.

Só que em vez de lamentar, tenta o caminho mais absurdo. Negar o que aconteceu. Acreditar que os brasileiros são desprovidos de neurônios. Somos todos idiotas. E que Antônio Carlos teria chamado Francis de 'malaco' e não 'macaco'. Uma defesa infantil, que só piora as coisas. As imagens mostram muito bem a articulação da boca do zagueiro na hora da ofensa.

3reproducao9 A diretoria do Avaí acredita que todos os brasileiros são idiotas. Antônio Carlos xingou Francis do Boa Esporte de macaco. Fez até um B.O. E o árbitro Ceretta não viu e nem ouviu nada. O STJD precisa agir contra o racismo e a omissão...

"O carioca utiliza muito uma expressão que segundo Antonio Carlos, zagueiro do Avaí, teria usado contra o atacante Francis do Boa Esporte. Aliás, ambos são da raça negra. Depois de muita catimba durante por parte do atacante do Boa Esporte o zagueiro do Avaí irritado teria dito "Levanta, malaco" expressão usada pela chamada malandragem carioca", foi a versão que o gerente de futebol do Avaí, Chico Lins, teve a coragem de divulgar.

Se tivesse ouvido malaco, Francis não teria ido ficado revoltado, ido até a delegacia, mentido para a Polícia Militar. O que a diretoria do Avaí está fazendo é complicar mais as coisas. Chico Lins, tenta desmentir o indesmentível. Para não ver seu jogador acusado, acusa.

"Existe uma paranoia. Todos querem levar o Avaí ao STJD. Primeiro que o atleta é negro. A mãe dele é negra. Não acredito que ele tenha xingado outro cara da mesma raça", diz, sem convicção, Lins.

Sua declaração às rádios mais revolta do que serve como desculpa. Há muitos negros que ofendem outros de macaco, infelizmente. A frase de Antônio Carlos está tristemente cristalina. Envergonha o futebol brasileiro. O jogador tem de ser punido para que seu exemplo não seja seguido. Gramado também não é lugar para atitudes racistas.

Não é porque Francis pertence ao pequeno Boa Esporte que deve ter menos atenção do que mereceu Aranha. O racismo é algo abjeto e que precisa ser banido do futebol brasileiro. E também está na hora do STJD punir de verdade os árbitros omissos. Com medo de se envolver em confusões e não serem mais escalados, deixam de ouvir e enxergar.

1fotoarena5 A diretoria do Avaí acredita que todos os brasileiros são idiotas. Antônio Carlos xingou Francis do Boa Esporte de macaco. Fez até um B.O. E o árbitro Ceretta não viu e nem ouviu nada. O STJD precisa agir contra o racismo e a omissão...

Ceretta, conseguiu ser pior do que Wilton Pereira Sampaio. Embora perto da jogada, não ouviu Antônio Carlos chamar Francis de macaco. Assim como Wilton, do quadro da Fifa, não ouviu ou viu os dezenas de torcedores gremistas chamando Aranha de 'macaco' e 'preto fedido'. Depois, relatou na súmula. Disse que 'viu na televisão'. Sua omissão foi punida com 45 dias, muito pouco para o que aconteceu. Só que o juiz de Avaí e Boa Esporte, nem isso. Não colocou nada na sua súmula. Deveria ter colocado ao menos a reclamação de Francis. Um absurdo!

Vai ser duro, o racismo precisa acabar. O futebol tolera o racismo desde que o esporte chegou ao país, há mais de cem anos. Mas finalmente acordou para o absurdo de um jogador negro ser comparado a um macaco. Os poucos torcedores racistas infiltrados na torcida gremista aprenderam a lição. E vão deixar sua intolerância para a sua vida, bem longe dos estádios.

Que a diretoria do Avaí eduque seus jogadores. E que também não pense que o país é formado por idiotas. Querer fazer que o mundo acredite que Antônio Carlos disse malaco e não macaco chega a ser agressivo, estúpido. Na ansiedade de tentar proteger o clube, os dirigentes acabam tendo uma postura covarde diante atitude racista de seu zagueiro. Inaceitável...

Imagens do Sportv na Internet

A vitória mais difícil de Diego Tardelli. Contra a rebeldia genética. Virou referência no Atlético, na Seleção. E orgulha seu pai, que ficou pelo caminho no futebol e desperdiçou seu talento…

1siteoficialatletico A vitória mais difícil de Diego Tardelli. Contra a rebeldia genética. Virou referência no Atlético, na Seleção. E orgulha seu pai, que ficou pelo caminho no futebol e desperdiçou seu talento...
Há dez anos, sugeri uma pauta no Jornal da Tarde. Levar para onde nasceu, o jovem e rebelde atacante do São Paulo. Matéria aceita. Fomos eu e Diego Tardelli a Santa Bárbara do Oeste, pequena cidade no interior paulista. Ele era ainda desconhecido para o grosso da população. Do prefeito, dos políticos locais. Mas lembro bem do orgulho que tinha ao posar para as fotos com os amigos de infância. E principalmente dos conhecidos de seu pai. Zé Tadeu.

Ele cresceu afastado do pai, jogador de futebol. Zé Tadeu era um meia promissor, talentoso, mas que a indisciplina sabotou a carreira. Passou por Atlético Paranaense, Portuguesa de Desportos, Paraná Clube, Londrina, Portuguesa Santista, América de São José do Rio Preto e Votuporanguense. Mesmo separado da mãe de Diego, sempre foi o ídolo do jogador. Ficou nítido para mim a sua fixação, vontade de mostrar ao pai que seria um jogador de sucesso. Muito maior do que ele havia sido.

O Tardelli que carrega como sobrenome na verdade nunca pertenceu à sua família. Zé Tadeu ficou impressionado com a alegria, a emoção do italiano Marco Tardelli ao marcar o segundo gol de sua seleção na final da Copa de 1982, contra a Itália. Quis que o filho tivesse o mesmo sucesso, o mesmo prazer com o futebol. A separação da esposa afastou os dois.

Por ironia, Diego nasceu com o dom do pai. Mostrava talento desde a infância com a bola nos pés. Mas também com o gênio difícil. Rebelde, que não obedecia ordens de ninguém. Foi por causa de sua personalidade que foi dispensado das categorias de base do Santos, do time que tinha Robinho e Diego. Ele sabia que a sua família dependia do seu sucesso no futebol.

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Teve de tentar a sorte no União Barbarense, time de sua provinciana cidade. Seu potencial logo o levou para o São Paulo, com 17 anos. Foi muito bem na Copa São Paulo de 2004. Logo estava no time principal com 19 anos. Leão nunca foi um treinador com grande visão tática, estratégica. Mas teve grandes relações paternalistas na sua carreira. Foi assim com Diego Tardelli. O problemático atacante conseguiu do técnico a atenção que tanto necessitava. E foi onde teve o seu melhor momento no São Paulo. Foi artilheiro do Campeonato Paulista de 2005 e grande revelação.

Mas tudo acabou quando Leão se indispôs com os demais jogadores, principalmente Rogério Ceni. E com parte da diretoria. Ele aproveitou um convite e foi para o Japão. Paulo Autuori não teve o mesmo cuidado com Tardelli. O treinador o fez mero reserva. Se aproveitou do time montado por Leão. Ganhou a Libertadores e o Mundial. A esta altura, Diego já havia caído na tentação. Baladas e indisciplinas o fizeram ser emprestado a três clubes. Betis, São Caetano e PSV Eindoven. Muitos problemas, pouco futebol.

Foi para o Flamengo. Teve um bom início. Mas faltou sorte. Fraturou o braço e logo foi vendido para o Atlético Mineiro. A desconfiança fez a diretoria adquirir apenas 50% dos seus direitos. Em Belo Horizonte percebeu que estava imitando a carreira do pai. Desperdiçando seu talento por indisciplina e noitadas. A postura foi importantíssima para mostrar a si mesmo o jogador que sempre foi. O sucesso o levou ao russo Anzi, vendido por R$ 11,5 milhões. Apesar da companhia de Roberto Carlos e Jucilei, não se adaptou.

1reproducao31 A vitória mais difícil de Diego Tardelli. Contra a rebeldia genética. Virou referência no Atlético, na Seleção. E orgulha seu pai, que ficou pelo caminho no futebol e desperdiçou seu talento...

E apenas nove meses depois, estava no Al-Gharafa do Catar. Mesma coisa. Não gostou do país, queria voltar para o Brasil. Ao Atlético Mineiro, onde tinha sido tão feliz. Não imaginaria que seria muito mais. Teve uma identificação incrível com Ronaldinho Gaúcho e Jô. Atletas que haviam sido desprezados pelo mundo do futebol por seus exageros nas baladas e indisciplina. Formaram um ataque arrasador que levou o clube à inédita conquista da Libertadores.

A fama de indisciplinado e boêmio o atrapalhou na Seleção Brasileira. Felipão não confiou no seu futebol e o deixou de fora da Copa do Mundo. O que foi um baque para o jogador. Assim como o fracasso do Atlético Mineiro no Mundial. A volta de cabeça à farra de Ronaldinho Gaúcho acabou com o bom ambiente no clube. Seu futebol estava decaindo. Quando chegou Levir Culpi. O técnico foi contratado por Alexandre Kalil com carta branca para travar a decadência do campeão da Libertadores de 2013.

Bastaram poucos dias e Levir percebeu que o problema era Ronaldinho Gaúcho. Sua falta de comprometimento estava afetando o restante do time. Diego Tardelli e Jô tentaram proteger o amigo. Mas o técnico foi bem claro. O camisa 10 não atuaria mais com o nome. Ou seria participativo, vibrante ou iria para a reserva. O empresário e irmão do jogador, Assis, percebeu o que ocorria. E decidiu pela rescisão de contrato, enquanto poderia ser pacífica.

"Você quer saber por que o Ronaldinho saiu do Galo? Pergunte ao Levir. Quando o jogador percebeu que não poderia fazer o que o nosso técnico queria que ele fizesse, foi embora.", diz abertamente Kalil.

Quando Ronaldinho foi embora, Levir chamou Tardelli para uma conversa. Disse que a referência do time passaria a ser ele. Ele teria toda a liberdade para atuar como mais gostasse. Se movimentando como um meia, sem ter a obrigação de marcar. Ficaria inteiro fisicamente para colocar em prática todo o seu talento ofensivo.

Porém havia mais. Levir lembrou que foi treinador do pai de Diego no Paraná Clube. Coincidência irônica. E sabia muito bem. Zé Tadeu poderia ter ido muito mais longe na carreira. Mas a desperdiçou.

A conversa foi fundamental. Desde então, Tardelli tem se dedicado como nunca. Sua forma física é invejável. Assim como o aprimoramento nas finalizações, na visão de jogo. Se tornou fundamental no Atlético Mineiro. O resultado pode ser contabilizado.

Desde que Ronaldinho saiu, o time de Levir disputou 14 partidas no Brasileiro. Venceu oito, empatou três e perdeu apenas duas. Tardelli virou o símbolo e já se transformou no quarto artilheiro da competição, com nove gols. Dunga acredita que pode confiar nele. O convocou para as partidas diante da Colômbia e Equador. E também está na lista contra a Argentina e Japão.

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Aos 29 anos, a vida está dando mais uma oportunidade a Tardelli. É um dos melhores jogadores deste Brasileiro. A maior esperança e referência de Levir Culpi na disputa com o Corinthians por vaga na semifinal da Copa do Brasil. Ídolo maior da apaixonada torcida atleticana. Diego já mostrou ao pai Zé Tadeu. Foi muito além do pai distante. Não se deixou vencer pelo gênio forte, pela rejeição às ordens.

Com alguém que lhe dê atenção, mas o cobre como fez Leão e agora Levir Culpi, seu talento aflora. Melhor para o Atlético Mineiro, para a Seleção Brasileira. E para o menino que está no coração do homem de 29 anos.

Pode encarar agora encarar as fotografias do talentoso Zé Tadeu. Vestido com as camisas da Portuguesa Santista, América de Rio Preto e Votuporanguense, clubes dignos mas pequenos para o seu potencial. Diego tem o direito de comemorar ter vencido a inimiga genética que travou a carreira do pai e que está no seu sangue. A inconsequente rebeldia, vazia. Optou por se transformar em um jogador profissional de futebol...
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A irresponsabilidade de Valdivia foi a responsável pelo Palmeiras perder do Figueirense. E continuar na zona do rebaixamento. Até quando Brunoro e Paulo Nobre vão permitir que o chileno sabote o clube que lhe paga R$ 475 mil mensais?

2reproducao14 A irresponsabilidade de Valdivia foi a responsável pelo Palmeiras perder do Figueirense. E continuar na zona do rebaixamento. Até quando Brunoro e Paulo Nobre vão permitir que o chileno sabote o clube que lhe paga R$ 475 mil mensais?
O Palmeiras vencia o Figueirense por 1 a 0. Dominava o time catarinense. Se vencesse, sairia da zona do rebaixamento. A bola caiu limpa para Valdivia. Aos 22 minutos, ele invade a área, dribla um zagueira e fica diante do desesperado goleiro Tiago Volpi. O chileno quis esnobar. Não quis fazer o gol. Tentou rolar, displicente, para Bruninho. A zaga afastou.

O castigo veio. Rápido, cruel. A falta de comprometimento, irresponsabilidade de Valdivia custou caríssimo ao Palmeiras. O Figueirense virou, venceu o jogo importantíssimo por 3 a 1. A brincadeira do camisa 10 e que tem a coragem de jogar com a tarja de capitão travou o time na zona do rebaixamento. Foi o responsável pela 14ª derrota do clube em 25 jogos.

"Eu errei na hora, de não fazer o gol. A partir daquele momento o Figueirense cresceu. Não dá, estava de frente para o goleiro e tentei passar para o Henrique, que estava marcado. Tinha de ter batido para o gol. A culpa é minha",", disse o chileno sem o menor constrangimento. Como se não entendesse o que estava em jogo.

2getty A irresponsabilidade de Valdivia foi a responsável pelo Palmeiras perder do Figueirense. E continuar na zona do rebaixamento. Até quando Brunoro e Paulo Nobre vão permitir que o chileno sabote o clube que lhe paga R$ 475 mil mensais?

Valdivia travou a reação do Palmeiras no Brasileiro. Como fez na partida do Flamengo, quando pisou nas nádegas do volante Amaral, caído de costas. E foi expulso. Por essa expulsão será julgado amanhã no STJD. A tendência é que ganhe uma punição pesada. Mas os dirigentes palmeirense juram que entrarão com pedido de recurso. E enquanto isso, o efeito suspensivo o manterá em campo.

Valdivia continua fazendo o que quer no Palmeiras. Fosse outro que tivesse brincado hoje no jogo disputado sob dilúvio em Santa Catarina, seria substituído imediatamente. E tomaria uma dura de Dorival Júnior, do valente José Carlos Brunoro, do ainda mais valente Paulo Nobre. Dificilmente escaparia da cobrança e até de um pescoções de companheiros. Mas ninguém tem coragem de enfrentar o jogador.

Há muitos conselheiros importantes no clube que juram. A divulgada multa de R$ 50 mil por pisar no flamenguista não é real. Apenas uma desculpa para acalmar imprensa e torcedores. Luxemburgo que frequentou muito tempo o Palestra Itália dizia que essa era uma prática normal por lá. Principalmente envolvendo jogadores importantes.

Valdivia pôs a perder uma partida que o Palmeiras estava se superando. Jogando com o coração, marcando forte o Figueirense na sua intermediária. Dorival Júnior organizou muito bem a equipe. Ele tem casa em Florianópolis. E sabe muito bem que o time de Argel precisa de espaço para jogar. Com um futebol solidário, de muita aplicação, os palmeirenses não deixaram o rival respirar.

1getty4 A irresponsabilidade de Valdivia foi a responsável pelo Palmeiras perder do Figueirense. E continuar na zona do rebaixamento. Até quando Brunoro e Paulo Nobre vão permitir que o chileno sabote o clube que lhe paga R$ 475 mil mensais?

Renato, Marcelo Oliveira davam sustentação à zaga. Diogo, Valdivia e Cristaldo deveriam fechar a intermediária e tentar encontrar espaço para Henrique, fixo na frente. Os laterais João Pedro e Vitor Luis ficavam fixos, apenas marcando. O Figueirense não tinha qualidade para sair da sua defesa para o ataque. Dentro de suas limitações, o Palmeiras fazia uma partida surpreendente como visitante.

Tudo ficou maravilhoso para o time paulista quando Diogo fez ótima jogada e cruzou da esquerda. Cristaldo bateu forte, indefensável para Thiago Volpi. 1 a 0 Palmeiras, aos 34 minutos do primeiro tempo. Tudo parecia se encaminhar bem demais para uma desejada vitória.

Dorival Júnior estava orgulhoso do seu time. Não precisava mudar nada para o segundo tempo. A ordem era fazer a mesma coisa. Argel precisava também vencer. Adiantou a marcação do Figueirense na saída de bola palmeirense. O que se viu foi uma guerra. Com dois times marcados, dando carrinhos, chutões. O time paulista continuava melhor.

Até que Valdivia teve a chance para marcar o segundo gol. E colocou tudo a perder. O lance que teve a intenção de humilhar os catarinenses acabou despertando a ira do Figueirense. O mais baixo dos seus atacantes, Clayton, subiu de cabeça e empatou o jogo. Apenas oito minutos depois da brincadeira do capitão palmeirense.

Foi muita emoção em seguida para os comandados de Dorival Júnior. Raiva de Valdivia e angústia pelo empate. Todo o trabalho do motivador psicológico Lulinha Tavares estava sabotado. A partir do 1 a 1, o que se viu foi o Palmeiras entregue, desesperado. E logo tomou mais dois gols. Apenas dois minutos depois do empate, Clayton novamente entrou nas costas de Vitor Luis e completou levantamento de Geovani. Sem chance para Deola: 2 a 1. O golpe viria aos 35 minutos. Leandro levantou e Marcão cabeceou livre para o fundo do gol palmeirense: 3 a 1.

O que era festa, virou depressão. Dorival Júnior já não sorria. Os jogadores no banco estavam cabisbaixos. E Valdivia continuava agindo como se nada tivesse acontecido. O mais revoltante em toda essa situação é ter a certeza que José Carlos Brunoro outra vez vai defender o chileno, que recebe R$ 475 mil desde 2010 e tem mais um ano de contrato.

1ae41 A irresponsabilidade de Valdivia foi a responsável pelo Palmeiras perder do Figueirense. E continuar na zona do rebaixamento. Até quando Brunoro e Paulo Nobre vão permitir que o chileno sabote o clube que lhe paga R$ 475 mil mensais?

É inacreditável que um clube com a história do Palmeiras se sujeite a ser rebaixado pela terceira vez à Segunda Divisão. Não bastasse o time medíocre montado por Brunoro, o clube fica à mercê de seu camisa 10 que pensa ser uma estrela internacional. Mas não desperta o interesse sequer de equipes médias européias. Já foi expulso várias e várias vezes de maneira desnecessária, suas contusões demoram muito mais para ser curadas do que qualquer jogador no elenco, sumiu, foi para a Disney sem dar satisfação a ninguém, já xingou dirigentes, mostrou a genitália para a Mancha Verde.

Valdivia tem esse comportamento irresponsável porque tem muitos cúmplices no Palmeiras. Todos na diretoria. Apáticos, incompetentes. Mais irresponsáveis até do que ele. Que dividam felizes mais essa derrota do Palmeiras no Brasileiro...
2ae18 A irresponsabilidade de Valdivia foi a responsável pelo Palmeiras perder do Figueirense. E continuar na zona do rebaixamento. Até quando Brunoro e Paulo Nobre vão permitir que o chileno sabote o clube que lhe paga R$ 475 mil mensais?