2015 começa com uma briga de gigantes, para que o brasileiro assista a Champions League. Net e Sky, parceiras da Sportv e ESPN, não abriam espaço para o Esporte Interativo. Até que chegou a Turner…

1ap10 1024x676 2015 começa com uma briga de gigantes, para que o brasileiro assista a Champions League. Net e Sky, parceiras da Sportv e ESPN, não abriam espaço para o Esporte Interativo. Até que chegou a Turner...
Primeiro minuto de 2015. A principal negociação na televisão a cabo do ano passado refletirá agora. Este ano, o 'fã do esporte' ficará órfão. A ESPN não terá mais Barcelona, Bayern, Real Madrid, Chelsea, PSG, Juventus, Manchester United, Atlético de Madrid com suas estrelas. Transmitirá a Champions League apenas até o dia 6 de junho. Mostrará a final em Berlim.

A partir do dia 7 de junho de 2015 até junho de 2018, o torneio mais importante de futebol no mundo terá outro dono no Brasil. O Esporte Interativo. ESPN e Sportv, que disputaram o direito de transmissão, ficaram para trás. O motivo: a proposta que teria chegado a 120 milhões de dólares, cerca de R$ 318 milhões. Algo incrível para o mercado, já que em 2010, a ESPN pagou apenas 16 milhões de dólares, cerca de R$ 42 milhões.

Nesta disputa não há lugar para amadores. Por trás de Esporte Interativo está a bilionária Turner Broadcasting. Ela resolveu investir no mercado das transmissões esportivas no Brasil. Atraída pela eterna rival Fox, que criou a Fox Sports.

Só que basta ter memória para saber que a situação não é tão simples como deveria. A Uefa vendeu para o EI os direitos da Champions League e todo amante do futebol teria acesso garantido aos jogos. Muito pelo contrário. As duas maiores operadoras de tevê a cabo no Brasil, a Net e a Sky, não retransmitem os eventos do Esporte Interativo. Elas possuem, em média, oito em cada dez assinantes de tevê a cabo no Brasil. O país está próximo dos 19 milhões de assinantes, de acordo com dados da ABTA, Associação Brasileira de Tevê por Assinatura.

A conquista inédita do Mundial Feminino de Handebol pelo Brasil, por exemplo, só pôde ser vista por quem tem ClaroTV, OiTV, Vivo e outras menores. São as que retransmitem o EI.

Após o título brasileiro de handebol, Edgar Diniz, desabafou ao UOL.

"No mundo da competição controlada da TV Paga, em que as duas maiores operadoras do Brasil tem que perguntar a uma programadora se podem lançar um canal concorrente, é exatamente o contrário. Quanto mais apelo, quanto mais sucesso, maior a barreira de entrada."

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O recado foi claro. Esperto, o empresário deixou claro que os canais concorrentes ESPN e Sportv pressionavam a Net e a Sky para o Esporte Interativo não entrasse na programação das operadoras. Mesmo tendo a Libertadores, a Fox Sports sofreu processo parecido.

Foi quanto Edgar reagiu. Percebeu que não poderia brigar com gigantes sem ter o apoio de um. Procurou o banco de investimento Goldman Sachs. Procurava um sócio no mercado internacional. Encontrou a Turner. A empresa que faturou nada menos do que 10 bilhões de dólares, cerca de R$ 26,5 bilhões em 2013. Por R$ 80 milhões, vendeu, com gosto, parte de sua empresa à empresa norte-americana.

Além do dinheiro, a Turner tem outro grande poder de barganha. Os seus canais que já estão na Net e Sky: Cartoon Network, CNN, TNT, Space, Warner e outros. A pressão já está sendo imensa para que as operadoras aceitem encaixar o novo canal. Até porque houve a promessa feita à Uefa que todos os jogos das três próximas Champions League serão transmitidos ao vivo.

Na pior das hipóteses, a Turner colocará as imagens dos jogos nos seus canais. Mas não é essa a intenção. A briga será feroz. Mas de uma coisa, ESPN e Sportv já sabem e lamentam. Ganharam um novo e pesado concorrente. Mal haviam se recuperado da entrada da Fox Sports, agora o Esporte Interativo chega amparado pela Turner. Quanto mais briga melhor. Mais eventos para quem quer acompanhar as maiores competições do mundo.

Mesmo sem poder se expor, Edgar Diniz aceitou dar uma entrevista ao blog. A primeira de 2015. O leitor terá de ser meu cúmplice. Ler nas entrelinhas. Infelizmente, teve de ser por e-mail. Mas valeu. Cada palavra digitada por ele serve para mostrar o quanto é cruel a pressão para mais um canal esportivo entrar para valer na casa do brasileiro. E que muitas vezes se torna utópica a liberdade das operadoras. A Globo conseguiu renovar o direito da Champions League na tevê aberta. E só mostrará, no máximo, dois jogos por semana.

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Edgar, vamos detalhar essa caminhada desde o início. Por que você deixou o mercado financeiro para trabalhar com futebol?

Tinha o sonho de trabalhar com esportes, a minha grande paixão desde pequeno e um desejo grande de empreender. Juntei as duas coisas.

Você estava disposto a seguir pelo marketing esportivo. E logo de cara levou um grupo argentino para administrar o Vitória, quando o clube se aventurou na profissionalização. A experiência foi ruim. O que aconteceu?

Na época assessoramos o Vitória a atrair capital do Exxel, fundo argentino que era o maior da América Latina. Foi uma transação ótima pro Vitória, zerou a dívida e injetou capital. E o Vitória foi o ponto de partida pra Copa do Nordeste, uma das nossas maiores realizações até hoje.

Sentiu na pele o quanto é complicado negociar com dirigentes de futebol? Sua decepção trabalhando dentro de um clube foi muito grande?

Era uma fase muito diferente da que o futebol brasileiro vive hoje. Acredito que os clubes não estavam preparados para a profissionalização que estávamos dispostos a implementar. Foi importante para o nosso amadurecimento profissional e aquela história ficou guardada para retomarmos um pouco mais na frente.

Como foi a organização da primeira Copa do Nordeste. E o envolvimento com a Directv?

Como falei a Copa do Nordeste é até hoje uma das nossas grandes realizações. Foi a primeira Liga profissional de futebol no Brasil e a única competição brasileira até hoje a ter sua marca pensada e promovida. Os direitos de TV paga foram vendidos para a DirecTV, que investiu pesado e teve grande sucesso na região Nordeste, tendo o evento como seu grande diferencial. E já na primeira edição pudemos comprovar o estrondoso sucesso, em todas as esferas: público, bilheteria, patrocínio, direitos, nível técnico, aceitação dos torcedores, dos jogadores e dos clubes. A competição foi capa da revista Placar como a mais bem sucedida do Brasil.

E depois a relação de amor e ódio com a Rede TV!? Foi para lá que você levou o Campeonato Inglês e outros torneios. Sua empresa se chamava Top Sports.

Prefiro não comentar a passagem pela RedeTV. Foi uma passagem curta e que foi resolvida na justiça, recebemos nossa indenização e nunca mais tivemos relação com eles.

Muito se soube sobre o escândalo envolvendo a transmissão da Champions League pela Rede TV! Você tinha comprado os direitos, só que não poderia assinar o contrato já que não era dono de emissora de tevê. Pagou e a Rede TV! assumiu como se ela tivesse pago. Como é que isso chegou a esse ponto?

A RedeTV tentou se apropriar de direitos de transmissão que nos pertenciam e pelos quais pagávamos e nós recuperamos os direitos na justiça. Foi um período conturbado, porque a justiça brasileira é lenta, pois a questão era indiscutível.

E foi verdade que a emissora transmitia os jogos com os portões trancados para que oficiais de justiça não entrassem e impedissem as transmissões? Houve cachorros soltos na entrada da RedeTV!? E helicópteros voando de um lado para o outro? Explique, por favor, essa história.

Todo mundo acompanhou o que aconteceu e, como respondi na pergunta anterior, a Justiça fez o seu papel e resolveu a questão. (A história parece um filme. Oficiais de justiça foram impedidos de entrar na emissora de todas as maneiras possíveis. Houve sim cachorros, helicópteros. Foram cenas bizarras...)

Depois dessa traumatizante experiência, você negociou, já como Esporte Interativo, com a Bandeirantes. Como foi a parceria? E o histórico dia em que vocês derrotaram a Globo, o Faustão, com Real Madrid e Barcelona, com o Ronaldinho Gaúcho? Como foi a audiência? E a comemoração?

Nossa parceria com a Band foi muito importante para a nossa história e nos rendeu muitos amigos e muito aprendizado. Tivemos excelentes resultados, tanto de audiência quanto de evolução profissional. Na Band, confirmamos nossas apostas de que o brasileiro estava interessado em ver futebol de qualidade, ainda que não fosse com clubes brasileiros. E que as pessoas estavam prontas para viver integralmente a interatividade, a segunda tela, a participação efetiva e ativa nas transmissões. Nessa época, comemoramos muitas conquistas. O primeiro lugar em audiência, é claro, foi muito emblemático, mas não foi a única vitória daquela fase tão importante na nossa história.

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Quando e por que resolveu criar o Esporte Interativo independente de uma tevê aberta?

A parceria com a Band era ótima, tanto que, mesmo com o Esporte Interativo no ar, continuamos com a parceria por um tempo. Mas tínhamos conteúdo e direitos suficientes para um canal independente. Isso fazia parte do nosso sonho e, quando chegou o momento, colocamos em prática.

O mercado de transmissão pelas parabólicas estava abandonado? Que competições resolveu comprar?

Existia um grande público nas parabólicas e encontramos ali o espaço que procurávamos para levar entretenimento esportivo de qualidade ao maior número de pessoas possível. Entramos no ar com o Campeonato Inglês que, aliás, foi a primeira transmissão do Esporte Interativo, no dia 20 de janeiro de 2007. Tínhamos também direitos do Campeonato Italiano e Português e de torneios das seleções brasileiras de base. Cerca de dois meses depois, o Campeonato Alemão também entrou na nossa grade e, em seguida, a NBA.

A estratégia de se fixar no Nordeste foi inteligente. Quais campeonatos, o Esporte Interativo conseguiu? Era um mercado abandonado?

O Nordeste tem clubes importantes para o cenário nacional, tem torcedores fanáticos e tem história. Essa combinação merecia uma competição que impactasse os principais clubes, que fomentasse as rivalidades locais e que fosse atraente para o público. A reedição da Copa do Nordeste, sucesso no passado, foi o primeiro passo para retomarmos nosso investimento na região. A competição, que está indo para a terceira edição seguida, é um sucesso indiscutível, o melhor campeonato do primeiro semestre no Brasil, reconhecido por crítica, público e com resultados extraordinários. Além da Copa do Nordeste, temos os direitos de sete campeonatos estaduais da região, além de outros torneios menores. E, no início deste ano, lançamos o Esporte Interativo Nordeste, o primeiro canal regional de esportes do Brasil (modelo consolidado de sucesso nos EUA), que faz ampla cobertura dos clubes da região, faz pré e pós-jogos, programas locais, transmite as partidas e dá ao torcedor nordestino a atenção e o conteúdo que ele não tinha com os outros canais de esportes. É uma aposta de longo prazo que une nossa visão e paixão.

É verdade que o preço está aumentando rapidamente dos torneios que você comprava sem gastar tanto? Como Mundial de Handebol, Judô, Taekwondo, Europa League, Supercopa da Espanha e outros? O que está acontecendo?

O conteúdo esportivo é cada vez mais importante pra TV paga, no Brasil e no exterior. É isso que está por trás do aumento do valor dos direitos de transmissão.

Você também não esperava o mercado da tevê a cabo de braços abertos, esperando por um novo canal esportivo brasileiro. Mas a rejeição e o boicote não têm sido pior do que jamais sonhou?

O mercado de mídia e de TV paga tem enormes barreiras a entrada, algumas legítimas e outras nem tanto. Nossas conquistas nunca foram fáceis e essa tem o grau de dificuldade que estamos acostumados. O que esperamos é que as negociações ocorram dentro das regras competitivas de mercado.

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Por favor, detalhe a experiência do Mundial Feminino de Handebol. O Brasil venceu e o país não pôde acompanhar a conquista porque o EI não está nas principais operadoras.

Mais de 25 milhões de brasileiros assistiram a essa conquista, segundo números do IBOPE. De fato, aproximadamente 15% da população brasileira, assinantes das duas maiores operadoras, não puderam assistir em suas casas, da forma tradicional. Nesses 25 milhões, não estão incluídos os que assistiram em casa de amigos ou através do EI Plus, nosso serviço de TV Everywhere, que explodiu em novos assinantes, interessados no conteúdo que estávamos exibindo. Acompanhamos a repercussão na imprensa e também nas redes sociais e pudemos comprovar que o torcedor lutou pelo direito de ter o melhor conteúdo à disposição dele. Foi um momento muito importante e emblemático pela conquista da Seleção Brasileira e também para nós que apostamos nessa competição e nessa equipe vitoriosa.

Qual a sua sensação com o Sportv comprando muito mais caro que você pagou o próximo Mundial Feminino de Handebol?

É reflexo do sucesso da competição e da visibilidade que o título inédito do Brasil teve para os apaixonados por esportes. Estamos felizes por estarmos aumentando o espaço pra esportes que não tinham visibilidade na TV.

Você chegou a escrever um comunicado deixando claro o boicote das duas maiores operadoras de tevê a cabo no Brasil. Quem está por trás desse boicote?

Prefiro não comentar esse assunto.

Qual a sua relação com a Globosat? É ela quem não quer o Esporte Interativo na Sky e na Net?

Temos uma relação normal com a Globosat. A segunda pergunta não deve ser dirigida a nós, não tenho como respondê-la. Sob nossa perspectiva, a competição saudável é ótima, seja com a Globosat, a ESPN ou a FOX, porque ela nos faz trabalhar mais duro todos os dias e oferecer uma experiência cada vez melhor para os amantes de esportes.

Como funciona de verdade o mercado dos canais esportivos nos canais a cabo no Brasil? Como a entrada da Fox Sports nas grandes operadoras mexeu com a estrutura que já estava estabelecida? Parecia haver um acordo. A ESPN dominava o futebol internacional. O nacional e da Seleção Brasileira ficava com a Globosat, Sportv. Era assim mesmo?

Acho que essa pergunta deve ser feita às programadoras e aos canais.

A Globosat é forte o suficiente para vetar a entrada do Esporte Interativo na Net e na Sky?

É outra pergunta que não cabe a mim responder.

A bilionária Turner comprou 20% de sua empresa. Se noticia que foi por R$ 80 milhões. Logo em seguida, vocês adquiriam a exclusividade da Champions League na tevê a cabo por três anos. Derrubaram Sportv e ESPN. O mercado garante que foi por 120 milhões de dólares. Dê detalhes, por favor, da negociação?

Essas informações são confidenciais.

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O torcedor amante de futebol está muito preocupado. Como é que vai acompanhar a Champions nos próximos três anos? Ainda mais se ele já paga Net ou Sky?

Essa é uma decisão que depende de negociação com as operadoras, mas temos confiança de que temos uma oferta de conteúdo muito atraente para o assinante que gosta de esportes. Essa oferta acaba de se tornar irrecusável com os direitos exclusivos da maior competição de clubes do mundo. Quem gosta de futebol não vai querer esperar até 2018 pra ver os grandes duelos entre Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique, Paris Saint German, Chelsea, Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar, Ibrahimovic, Robben. No fim o Esporte Interativo e as operadoras certamente vão ter interesse em levar estes grandes duelos aos seus assinantes .

Como é que vocês vão cumprir a promessa de mostrar oito jogos das próximas Champions ao vivo, em cada rodada? E é bom deixar claro, o torneio não será mostrado pelas parabólicas. É para a tevê a cabo.

Temos um plano de investimento e de preparação para fazer a maior e melhor cobertura da história da Liga dos Campeões no Brasil. Vale lembrar que temos grande experiência com volume de jogos simultâneos porque este ano transmitimos todos os jogos da Copa do Nordeste, fazendo até seis transmissões simultâneas. Nossos direitos da Liga dos Campeões se restringem à TV paga e internet.

O Zico já está sendo anunciado pela imprensa como comentarista da Champions no Esporte Interativo em 2015. Há outros nomes de peso do mercado que vocês contratarão ou ex-jogadores importantes?

O Zico é nosso parceiro há muito tempo e nossa intenção é, sim, tê-lo nos principais jogos. Já temos uma equipe de grande qualidade e iremos reforçá-la ainda mais, sem mudar nosso estilo.

O André Henning é uma ótima revelação como locutor. Este caminho mais descontraído nas transmissões e na programação tem dado certo. E é um pedido seu. Você acha que o jornalismo esportivo brasileiro precisa entreter e não apenas informar?

Nossa missão é conectar, entreter e transformar as pessoas através da emoção do esporte e o André Henning traduz tudo isso com seu jeito espontâneo, divertido e emocionante de levar ao telespectador todas as emoções que só o esporte oferece. Nós somos todos no Esporte Interativo apaixonados por esportes e encorajamos nossos narradores, comentaristas e repórteres a dividir essa paixão com o público de forma transparente.

A Turner não pode pressionar as operadoras principais do Brasil, ameaçando, por exemplo, tirar o canal Cartoon Network? Ou o Esporte Interativo entra na grade ou adeus ao canal infantil mais assistido na tevê fechada?

Não acho que faz sentido.

A Turner não vai acabar comprando todo o Esporte Interativo?

Não comentamos assuntos internos e não fazemos especulação sobre o futuro.

Se você não quiser vender o seu canal, como vislumbra o futuro? Há planos de tentar Copa do Mundo, Campeonato Brasileiro, Libertadores?

Como falei acima, não fazemos especulações sobre possibilidades futuras.

Qual é a sensação de enfrentar gigantes pré-estabelecidos no mercado e conseguir vencê-los em várias disputas? Principalmente na Champions League?

Temos vitórias e derrotas e encaramos tudo com naturalidade. Estamos muito felizes com essa conquista porque ela permitirá crescer o tamanho do nosso sonho e não por termos vencido canal A ou B.

Qual o limite do Esporte Interativo? Há como se impor como o canal esportivo mais forte da tevê a cabo no Brasil? A concorrência é fortíssima: Sportv, ESPN e agora Fox Sports...

Vejo espaço pra vários canais de esportes bem sucedidos no Brasil e uma competição livre entre eles leva a um grande vencedor: o amante de esportes.
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Até que enfim acaba 2014. O ano que o futebol brasileiro olhou no espelho. E viu o quanto parou no tempo. Feliz 2015 a quem puder…

Alemanha 7 a 1 Brasil, Gol da Alemanha!, Felipão, Parreira, Neymar

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Último dia de 2014. Ano tão esperado, desejado para o futebol brasileiro. Depois de 64 anos, a Copa do Mundo voltava ao país. A Fifa não tem do que reclamar. Todos os sustos que Blatter e Valcke passaram com o improviso, a demora criminosa na finalização dos estádios compensaram. Foram R$ 4 bilhões livres de impostos para os cofres da Suíça.

Misturando Exército, Marinha, Aeronáutica, Forças Especiais, Polícias Militar e Civil, Dilma Rousseff gastou só com a segurança R$ 2 bilhões. Os traficantes sumiram, como por encanto. Os turistas aproveitaram. Eles acreditaram estar no paraíso.

Dentro de campo ficou escancarado o nosso atraso. A mediocridade da preparação, da estratégia. A Seleção dependente de um garoto de 22 anos. Ficou claro também o feitiço da mídia massacrante se virando contra o feiticeiro. Com uma programação ensandecida, a Globo, parceira da Fifa, estimulou o quanto pôde a Copa. Vendeu a falsa imagem que o Brasil seria campeão. O Jornal Nacional chegou a dedicar 90% de seu tempo ao Mundial.

Os torcedores que foram levados no embalo foram acordados no Mineirão. A vitória por 7 a 1 da Alemanha foi um tapa na cara. Um choque de realidade. Finalmente as descontroladas lágrimas do time de Felipão e Parreira se justificaram.

Cobri a minha sexta Copa do Mundo em seguida. Recebi muitas críticas de leitores iludidos. O mínimo que ouvi foi que eu tinha 'complexo de vira-lata'. Isso porque nos posts mostrei a pífia preparação. A falta de privacidade nos treinos da Seleção, a única entre todas as 32 que disputaram a Copa a não fazer sequer um treino secreto. Para não desagradar a Globo.

Denunciei a dependência de Neymar, a falta de um plano B, em caso de ausência do jogador. O descontrole emocional do time, que chorava até em tiro de meta. Luciano Huck estragando aquecimento da Seleção. Mumuzinho, humorista do programa Esquenta!, abraçando jogador em pleno coletivo. Felipão fazendo cara de paisagem. Marin chegando de helicóptero na Granja Comary jurando que o título estava garantido.

Revendo tudo o que aconteceu há menos de seis meses é revoltante. Mas a Copa ficou para a história. Como também 2014. A 'revolução' terá de ser mesmo com Dunga.

Quero agradecer muito a companhia, os acessos durante durante mais este ano. No Mundial, o blog foi teve mais de quatro milhões e meio de visitas. Muito obrigado pela confiança...

Faço questão de não deixar uma, mas as duas matérias que considerei mais significativas no ano. As duas se convergem. A primeira preparou o terreno para a segunda. Apenas uma semana, sete dias, as separaram. O incrível é que parece que as escrevi há anos...

Foi o sexto da existência do blog. O quinto pelo R7. Quero desejar a todos os leitores e cúmplices um excepcional 2015! Com muitas realizações e sem tantas desilusões. Este ano que acaba já bastou.

Grande abraço aos amigos. E aos inimigos...

Cosme Rímoli...

"O Fracasso da Reunião Entre Felipão e Seus Jornalistas de Confiança – Expôs Ainda Mais Seus Jogadores, Mostrou Sua Falta de Convicção Tática, Levantou Suspeitas Sobre a Fifa. Vários Tiros No Pé…

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Teresópolis... Primeiro de Julho de 2014

A conta é simples. Há mais de 700 jornalistas credenciados. Felipão resolveu falar com seis. Escolheu a dedo para quem se queixar. Mais que os 'eleitos', ele queria os veículos de comunicação.

Seu assessor pessoal de imprensa, que só está na Copa com o crachá da Sportv - empresa da Globo -, tratou de ir atrás desse seleto grupo que tem o coração de Felipão. E os pegou sem a menor discrição. Os arrancava de onde conversavam com outros jornalistas. Puxava pelo braço. Dizia: "Vem, vem".

Quando em uma Copa do Mundo se é arrastado pelo assessor de imprensa do treinador da Seleção, não se recusa. Fernandinho Fernandes da TV Bandeirantes, Oswaldo Paschoal da Fox e Rádio Globo, Juca Kfouri do UOL, Folha, ESPN e CBN, Luis Antonio Prósperi, do jornal Estado e PVC da ESPN.

A situação foi surreal. A conversa poderia ter sido combinada de maneira discreta. Mas foi acintosa, querendo mostrar quem importava para Felipão entre as sete centenas de jornalistas na Granja Comary. Deu margem a se acreditar que o resto não conta.

Depois de 20 minutos de conversa, o assessor busca alguém do Rio de Janeiro, do jornal O Globo. Foi cômica a cena. Maurício Fonseca se recusou a ir. Disse que a reunião já havia começado há muito tempo. O repórter Carlos Eduardo Mansur aceitou pegar a conversa na metade.

A estratégia não foi inédita. Em 2006, encurralado pelas críticas para a Seleção Brasileira, Parreira convocou também seis jornalistas com quem tinha bom relacionamento, e seus veículos, influência. Há muita chance de a ideia ser de Parreira para este encontro.

Tudo a partir daí ficou confuso para os próprios jornalistas. Encontraram Felipão, Murtosa e Parreira tensos. Com o trio pedindo palpites sobre o que estava de errado na Seleção. E o porquê de tanta cobrança. Cada convidado deu a sua versão.

Os jornalistas insistiram sobre o nervosismo do time. A falta de variação tática do time. Avisaram que o Brasil não era mais surpresa para nenhum adversário. E que era preciso parar com o choro dos atletas, que passava a imagem de descontrole, fraqueza.

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Depois ouviram várias revelações que deveriam ser íntimas. O treinador disse que suas duas pilastras do time estão abaladas demais emocionalmente: Neymar e Thiago Silva. O questionamento já começa aí: por que expor peças tão fundamentais?

Afinal, era para manter segredo ou não. Dez minutos após a reunião, já estava em site o eixo central da conversa. Foi o sinal para o sexteto começar a trazer tudo à tona.

O que ganhou Felipão dizer que Thiago Silva não quer ficar marcado como capitão derrotado? E que carrega essa pressão desde a derrota do Brasil na Olimpíada de Londres? Isso não vai motivar o jogador.

Só serviu para lembrar os 694 jornalistas excluídos que o capitão da Seleção é uma pessoa já traumatizada. E por isso rezou, chorou e pediu para ser o último a cobrar pênaltis, depois de Julio César. Por medo de errar.

Dizer que ele e Neymar 'viraram o fio' emocionalmente é também expor o melhor jogador brasileiro. Permite a leitura que o camisa 10 de 22 anos não tem maturidade suficiente para a responsabilidade que exerce no time. Ou seja, as duas colunas do time não são sólidas.

Mais, Felipão teria dito que se pudesse, faria uma troca no time. Chamaria outro jogador que deixou de fora na lista dos convocados. Lucas? Ganso? Pato? Kaká? Alan Kardec? Imaginar o arrependimento fica por conta de cada um.

Mas há o outro lado. Que jogador é um peso morto entre os atuais 23? Alguém deveria sair para Scolari fazer a tal troca que não pode fazer. E aí, quais são os candidatos? A revelação é uma insanidade. Só traz mais insegurança a um grupo tenso demais.

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Como não poderia deixar de ser. Houve a lembrança por Murtosa que a imprensa brasileira só gosta de falar do pênalti (simulado) de Fred. E despreza, por exemplo, a revelação de Robben. Ele teria cavado uma penalidade para a Holanda contra o México.

Murtosa não percebe que os 700 jornalistas que estão na Granja Comary estão para cobrir a Seleção. Não a holandesa. Muito menos vai escrever, falar sobre algo que não existiu. Como o pênalti que o Brasil ganhou de presente contra a Croácia.

De acordo com quem esteve na reunião, Felipão cruzou outra fronteira perigosa. Teria dito que a Fifa não tem interesse nenhum em que o Brasil conquiste a Copa do Mundo agora. Nada de hexa. O país ficaria com muito mais conquistas que os rivais.

Tudo ficou muito no ar. Quer dizer que, alguma vez, a Fifa teve interesse em ver a Seleção campeã? E o Brasil que se prepare porque será prejudicado pela arbitragem? Que tipo de vantagem um treinador campeão do mundo tem ao revelar seu medo mais profundo? Só traz mais pressão às arbitragens nesta reta final do Mundial. Segredo que deveria ficar na concentração brasileira. Não ser publicado em jornais, falado em televisões, rádios, Internet.

Aí chega a vez de Felipão deixar no ar que pode fazer uma mudança no sistema tático contra a Colômbia. Talvez colocar um terceiro zagueiro. Das duas, uma: ou ele quer confundir o técnico José Pekerman dando uma pista falsa e enganando os seis jornalistas...

Ou até pior. Felipão não tem convicção no seu sistema. E está anunciando em praça pública que vai fazer uma mudança profunda. Alterar a maneira de jogo que utiliza há mais de um ano. A três dias do confronto que vale a vaga para a semifinal da Copa. Pensa em Dante e adiantar David Luiz para fechar o setor de James Rodríguez.

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Deixa claro que desperdiçou semanas em que poderia treinar um sistema tático diferente. Mas preferiu fortalecer fundamentos. Chutes a gol para jogadores que disputam a Champions League. Ensinar a bater na bola não é a prática mais correta a um time que disputa a Copa do Mundo se autoproclamando como favorito.

Todas essas revelações ao sexteto na verdade só fragilizaram a figura do treinador. O comandante do pentacampeonato em 2002 parece perdido. Não tem certeza do que faz. Precisa não só do apoio da imprensa. A quer como cúmplice em uma eventual derrota.

Felipão expôs seu grupo de atletas e a sua falta de convicção. Conseguiu ainda ter o ressentimento de 694 jornalistas, os excluídos. Deixou claro que a cobertura da Seleção tem castas, como o regime indiano.

Os seis escolhidos seriam os Brâmanes, os sacerdotes com maior sabedoria. Representantes da classe mais elevada da sociedade e que nasceram sobre a proteção do deus Brama.

Do outro lado da base da pirâmide social, os 694, estão os párias. Os excluídos da sociedade. Aqueles que não merecem a sabedoria. Os convidados não têm culpa. Ninguém recusaria o chamado. Triste é a postura amadora de uma Comissão Técnica que foi duas vezes campeã do Mundo, com Parreira e Felipão. Expôs as mazelas do time e a falta de certeza que poderá cumprir a promessa de fazer esse time campeão do mundo.

E mais. Em vez de aproximar a imprensa da Seleção, conseguiu o contrário. O clima de revanchismo dos jornalistas aumentou e muito na Granja Comary. Se esse time não cumprir a promessa de ser campeão do Mundo, Felipão vai perceber o que fez..."

5a Até que enfim acaba 2014. O ano que o futebol brasileiro olhou no espelho. E viu o quanto parou no tempo. Feliz 2015 a quem puder...

"O Maior Vexame da História do Futebol Brasileiro. A Seleção Pagou o Preço do Amadorismo Com Que se Preparou Para a Copa. Derrota Por 7 a 1 para a Alemanha. Que Comece Logo o Novo Ciclo…"

Mineirão...8 de Julho de 2014...

1aa Até que enfim acaba 2014. O ano que o futebol brasileiro olhou no espelho. E viu o quanto parou no tempo. Feliz 2015 a quem puder...

Acabou da pior maneira o sonho de hexacampeonato. Uma tragédia que ficará para a história do futebol brasileiro. Mostrou a diferença entre um time treinado, organizado, consciente. Contra outro improvisado, desorientado, infantilmente montado. Em 28 minutos de jogo, já perdia por 5 a 0 no Mineirão. A inesquecível goleada merece ser batizada de Mineirazo. 7 a 1 foi pouco.

Depois do terrível vexame, o time disputará o terceiro lugar, sábado em Brasilia, contra o perdedor de Argentina e Holanda.

Não se promete nunca que um time será campeão de um torneio. Quanto mais bater no peito e jurar que o Brasil iria ganhar a Copa. O vexame é muito maior por causa das juras de Felipão, de Parreira. Marin previu, viria o inferno se o Brasil perdesse. Ele veio!

Nada foi por acaso. O Brasil ficou de joelhos taticamente para a Alemanha. Felipão fez exatamente tudo o que Loew queria. Sem Neymar, seu jogador capaz de mudar o rumo das coisas, o treinador brasileiro fez a mais insólita, pior aposta. Escolheu Bernard, o pior jogador nos treinamentos em Teresópolis.

1vipcomm1 Até que enfim acaba 2014. O ano que o futebol brasileiro olhou no espelho. E viu o quanto parou no tempo. Feliz 2015 a quem puder...

O técnico brasileiro fez de conta que esqueceu todo o espaço que a equipe deixava. Os desacertos que levaram o time a passar sufoco contra a Croácia, México, Chile e Colômbia. Não levou em consideração a força do adversário.

Muita gente esperava que Felipão fosse Felipão. Montasse uma equipe com três volantes, vibrante, guerreira na marcação. Mas, não. Optou pelo pelo sistema de um ano atrás, que venceu a Copa das Confederações. E sem seu o melhor jogador e capitão. Pediu pela decapitação.

Pagou caro e fez a torcida chorar. A equipe desmoronou de maneira inédita na sua história. Primeiro tomou um gol de escanteio por pura falta de atenção. Kross cobrou escanteio e Müller, livre, tocou para as redes. 1 a 0, Alemanha aos 10 minutos de jogo.

O time entrou em pane. Percebeu o quanto não tinha repertório para escapar da marcação forte firme, os espaços preenchidos. Era como um grupo de dente de leite perdido diante de uma equipe adulta. A estratégia tem esse poder. Não importa músculos, raiva, aspecto emocional ou entrar em campo para tentar homenagear um colega contundido.

Em 17 minutos o Brasil tomou mais quatro gols. Era como se os alemães fizessem um coletivo. Tocavam a bola e desciam em bloco. Diante de uma equipe anestesiada, pedindo clemência. Algo que a Alemanha, para o bem do futebol, não teve.

Os gols foram de dar pena do Brasil. O pais pentacampeão do mundo, aceitando que os alemães trocassem bola dentro de sua grande área. Até cansar e fuzilar um atônito Júlio César. O goleiro com os olhos esbugalhados ia tomando os gols e sofrendo.

Klose marcou o segundo aos 22 minutos e se tornou o maior artilheiro em Mundiais. Chegou a 16, passando Ronaldo, com 15. Mas viriam outros mais. Dois minutos depois, Kroos completou livre cruzamento de Lahm. 3 a 0 aos 24 minutos.

Felipão continuava de braços cruzados. Estava evidente que a goleada seria humilhante. Tinha de agir. Fechar o meio de campo. Torcedores e jornalistas imploravam para que colocasse mais um volante, tomasse alguma atitude. Mas, não. Ele continuou impassível.

Melhor para a Alemanha. Não iria desperdiçar a chance de fazer história. Ainda mais diante de um adversário tão tradicional. Foi assim que Khedira roubou a bola de Fernandinho e tocou para Kross marcar o 4 a 0.

Mas viria ainda mais. Khedira tabelou com Özil e fez como quis 5 a 0. Foram 28 minutos de pesadelo. Com um placar tão largo, os alemães perderam o interesse pelo jogo. Passaram a tabelar, se poupando. Sabiam que já estavam na final da Copa do Mundo.

Enquanto isso nas arquibancadas, só choro, raiva, tristeza. O time de Felipão era xingado, vaiado. As lágrimas logo viraram coro contra Dilma, contra Fred.

O Brasil pagava o preço por sua soberba, por acreditar ter um potencial maior que jamais teve. Por se deixar levar pela politicagem da CBF. A entidade ofereceu a pior concentração entre as 32 seleções. A granja Comary onde o treinamento secreto não existe. Enquanto os alemães construíram seu bunker inexpugnável na Bahia. Organização vergonhosa.

3aa Até que enfim acaba 2014. O ano que o futebol brasileiro olhou no espelho. E viu o quanto parou no tempo. Feliz 2015 a quem puder...

O que se viu em campo era o resultado das invasões de Luciano Hulk depois do aquecimento. Mumuzinho entrando para abraçar Neymar durante o primeiro coletivo. As informações como escalação da Seleção sendo anunciadas no Jornal Nacional para Patricia Poeta. A parceria com a TV Globo foi um dos grande motivos do desastre.

A emissora que tem o monopólio do futebol no Brasil fez questão de passar a imagem de uma seleção imbatível. Iludiu a população. Atrapalhou o quanto pôde e o quanto não pôde. Tudo por conta de Marin, que desejava ficar bem com a emissora.

O amadorismo na preparação seria pago da maneira mais cruel possível. Os alemães que não tinham nada a ver com a manchete do Jornal Nacional, continuavam a jogar sério, mostrar sua preparação séria para tentar ganhar a Copa.

Felipão tirou o inútil Hulk e o inseguro Fernandinho. Colocou Ramires e Paulinho. Loew tratou de mandar seu time diminuir o ritmo. Já não precisava se esforçar para marcar tão forte na intermediária brasileira. Bastava tocar a bola e deixar o tempo passar.

Mas o Brasil tentava descontar. E não havia mais o menor desenho tático. Lembrava time de várzea, não a grande seleção pentacampeã mundial. O jogo parecia que durava horas. E lógico, tudo que estava péssimo ficaria muito pior.

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Aos 23 minutos, Lahm serviu Schürrle que, livre, fez 6 a 0. Dilma e Fred foram novamente xingados. O time brasileiro não tinha força nem para fazer faltas, dar pontapés, fazer qualquer coisa. Os jogadores tomavam a maior goleada na história moderna da Seleção e se comportavam como garotos assustados.

Viria ainda o cruel 7 a 0. Schürrle acertou um chute maravilhoso. A bola tocou no travessão antes de entrar no gol do humilhado Júlio César. Era o inacreditável. A maior goleada da Copa de 2014. Nunca a Seleção havia perdido por uma diferença tão grande em nenhum dos Mundiais, desde que eles começaram em 1930.

Oscar ainda conseguiu marcar um gol diante dos alemães saciados. A torcida mineira, ironizou o gol. Gritava "Eu acredito!, eu acredito!"

Terminava de maneira vergonhosa a caminhada pela vingança de 1950. Diante do que aconteceu aqui no Mineirão, aquele 2 a 1 diante do Uruguai não é motivo para tristeza. Deu até saudade. Perder de 7 a 1 em uma semifinal de Copa do Mundo é inaceitável.

Que um novo ciclo comece logo. Esse acabou. Premiando todo o amadorismo da preparação. Nada foi por acaso. Diante da primeira grande força que o Brasil encontrou nessa Copa foi humilhado. Com toda a justiça. 7 a 1 foi até pouco demais. Que comece logo o novo ciclo..."
 Até que enfim acaba 2014. O ano que o futebol brasileiro olhou no espelho. E viu o quanto parou no tempo. Feliz 2015 a quem puder...

Candidato único à direção do Atlético Goianiense é acusado de mandar matar jornalista em 2012. O inquérito terminou. Enfrentará júri popular. Mesmo assim deverá ser aclamado presidente. Feliz 2015…

Assassinato de Valério Luiz, Mauricio Sampaio candidato único à presidência do Atlético Goianiense

1reproducaog1 Candidato único à direção do Atlético Goianiense é acusado de mandar matar jornalista em 2012. O inquérito terminou. Enfrentará júri popular. Mesmo assim deverá ser aclamado presidente. Feliz 2015...
A mais simbólica maneira de terminar 2014. O Atlético Goianiense terá uma candidatura única para a presidência. O empresário Mauricio Sampaio deverá ser o novo mandatário. Foi vice-presidente, se afastou depois de, conforme assegurou, haver emprestado R$ 3,2 milhões. De acordo com ele, o dinheiro não teria sido ressarcido pelo clube. Antes fosse esse o problema...

Maurício Sampaio é apontado pela polícia goiana como o principal suspeito de um crime bárbaro. De acordo com investigações, ele teria sido o mandante do assassinado do jornalista esportivo Valério Luiz. O cronista foi morto depois de receber sete tiros logo após sair da Rádio Jornal AM. Um motoqueiro fez os disparos em plena luz do dia, às 14 horas. No dia 5 de julho de 2012.

Valério Luiz já estava proibido de entrar no Atlético Goianiense. Ele e os dois veículos de imprensa onde trabalhava. Os motivos: fortes críticas e questionamentos em relação à diretoria do clube. A gota d'água teria sido declarações feitas dois dias antes de sua morte, na televisão. Foi bem claro em relação a patrocinadores 'tenebrosos' do clube, envolvidos em escândalos financeiros. Insinuou que, no clube, haveria dinheiro de Carlinhos Cachoeira, empresário acusado de jogo do bicho, crime organizado e corrupção política.

O jornalista foi além. Disse que quem colocou dinheiro no Atlético Goianiense foi "em passes de atletas, para tirar (com lucro) depois". Foram, porém as frases no final de sua participação na tevê, que teriam provocado o crime.

"Meu amigo, você pode ver em filme de aventura. Quando o barco está enchendo de água, os ratos são os primeiros a pular fora." O recado teria endereço certo. Sampaio havia acabado de se afastar da diretoria do clube.

Depois de oito meses de investigação foi divulgado o inquérito feito pela polícia goiana. O comerciante Urbano de Carvalho Malta teria contratado o cabo da Polícia Militar Ademá Figueiredo e o açougueiro Marcus Vinícius Pereira Xavier para matar o jornalista. O sargento Djalma da Silva da Polícia Militar acabou indiciado por atrapalhar as investigações, ameaçado Marcus Vinicius.

Urbano morava de favor em uma casa que pertencia a Mauricio Sampaio. Ela ficava em frente à rádio Jornal AM. De acordo com o inquérito, ele acompanhou o crime. E teria até verificado se Valério estaria mesmo morto. De acordo com as investigações dos policiais, teria sido o cabo Ademá quem teria disparado os tiros. Marcus Vinícius emprestou sua moto e teria ajudado no planejamento do assassinato.

Todos os cinco envolvidos chegaram a ser presos preventivamente. Inclusive Mauricio Sampaio. Marcus Vinícius confessou. Aliás, fez duas confissões. Na primeira, disse que não sabia de nada. Na segunda, porém, foi direto. Garantiu que, na primeira vez havia mentido. Por medo. Segundo ele, os policiais envolvidos, Djalma e Ademá, haviam ameaçado matar sua família. Ele também seria assassinado na cadeia, caso dissesse ter agido a mando do empresário. O açougueiro só teria mudado seu depoimento após a prisão dos PMs.

Os advogados de Mauricio Sampaio afirmaram que a Polícia Civil errou. E que seu cliente é inocente. Alegam que a investigação partiu do principio que Sampaio era culpado. Não houve outra linha de investigação. O dirigente falou o mínimo possível publicamente sobre o caso. Mas chegou a dizer que era inocente. E estava sendo acusado por pessoas interessadas em ficar com o cartório, que é dono.

1reproducaoopopular Candidato único à direção do Atlético Goianiense é acusado de mandar matar jornalista em 2012. O inquérito terminou. Enfrentará júri popular. Mesmo assim deverá ser aclamado presidente. Feliz 2015...

A Justiça de Goiânia acabou liberando os acusados. Eles foram avisados que o inquérito continuaria. Marcus Vinícius fugiu para Portugal. Estava confiante que nada mais aconteceria. Tanto que postou fotos no facebook. Ao tentar fixar residência em Lisboa, acabou preso. Seu nome constava na lista de fugitivos da Interpol. Ficou preso quatro meses até que o governo português fez sua extradição. Chegou ao Brasil no dia primeiro de dezembro e, desde então, está detido.

Enquanto isso, o Atlético Goianiense enfrenta graves problemas financeiros. Não havia interessados no cargo de presidente do clube. Foi quando em uma reunião no último final de semana que o vice jurídico, Marcos Egídio abriu mão da sua candidatura para Sampaio. De acordo com Egídio não há problema algum, o candidato único e virtual presidente do clube estar sendo acusado de mandante de assassinato.

Mauricio Sampaio tem todo o direito legal. Mas só que a postura é inaceitável. Ele e outros quatro suspeitos irão para júri popular. Precisarão se defender da acusação da morte de Valério Luiz. Podem pegar, cada um, de 12 a 30 anos de cadeia, caso sejam condenados.

Se o empresário considera normal sua candidatura, caberia aos conselheiros do Atlético Goianiense tomar uma posição. Como qualquer cidadão, ele tem o direito de se defender de qualquer acusação. Mas só deveria assumir o cargo mais importante do clube depois que tudo fosse esclarecido.

Desde que aconteceu a morte do jornalista, cresceu rumores que o real motivo seria uma vingança amorosa. "Isso é mentira. Querem desviar o foco. Meu filho era muito religioso. Minha família está tranquila em relação a isso. Um absurdo para tentar justificar o crime." A declaração é de Manuel de Oliveira, pai de Valério.

A situação é surreal, triste, bizarra. A sociedade se cala. Uma pessoa foi assassinada. Foram sete tiros a queima-roupa. A Polícia Militar investigou e chegou à conclusão que deveria acusar um empresário, ex-vice presidente do Atlético Goianiense como mandante do crime. Um dos envolvidos confirmou serem verdadeiras as suspeitas. Assim que pôde, fugiu para Portugal. O julgamento está para ser marcado. Mesmo assim, o suspeito é candidato único à presidência do clube. Deverá ser aclamado, com direito a festa.

O ideal deveria ser Maurício e o Atlético Goianiense esperassem o fim do julgamento. Até por respeito à alegada inocência do dirigente. Impossível não haver outra pessoa disposta a assumir o clube.

2014 é um ano que não deixará saudades no futebol. O San Lorenzo é o campeão da Libertadores. O River Plate ganhou a Sul-Americana. A Seleção Brasileira foi humilhada, teve a maior derrota de todos os tempos. Perdeu por 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo que promeveu. Os patrocinadores estão fugindo, não querem saber dos clubes e suas administrações obsoletas. Aumentam os brasileiros que não torcem por time algum. Nada nessa vida é por acaso...
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Marcelo Cirino é a porta de entrada da Doyen Sports no Flamengo. O fundo de investimento quer o clube mais popular do Brasil como vitrine. Resultado da profunda amizade de Renato Duprat e Luxemburgo…

 Marcelo Cirino é a porta de entrada da Doyen Sports no Flamengo. O fundo de investimento quer o clube mais popular do Brasil como vitrine. Resultado da profunda amizade de Renato Duprat e Luxemburgo...
Usar o clube de maior torcida do Brasil como vitrine. E esquecer o Santos. Esse é o plano simples, mas efetivo da Doyen Sports, fundo de investimento maltês. Com dívidas que batem nos R$ 750 milhões, o Flamengo recebe de braços abertos a iniciativa da empresa. Está pronto para receber Marcelo Cirino. Atacante revelação do Atlético Paranaense. E quem mais vier.

Com o aval de Vanderlei Luxemburgo, a Doyen não perdeu tempo. Comprou por R$ 13,1 milhões 50% do artilheiro de 22 anos. E está fechando os últimos detalhes do repasse para o clube carioca. A intenção é valorizá-lo e vendê-lo para a Europa. Ao clube carioca caberia apenas pagar os salários do atleta.

A transação fechada em Curitiba foi tratada em sigilo. Levou mais de dois meses. Antes, a Doyen já havia comprado 70% de Douglas Coutinho, jovem atleta de apenas 20 anos. E busca colocá-lo no mercado europeu nesta janela do final de ano. O primeiro alvo é o Porto, clube português que serve de trampolim para brasileiros aos maiores times do mundo. Se não der certo, a Gávea é opção.

Em relação ao Flamengo, tudo parece ser mais simples. O responsável pela Doyen Sports no Brasil é Renato Duprat. Ele é o homem que levou a MSI para o Corinthians. As transações com dinheiro vindo da Rússia, via Inglaterra, despertaram a atenção da Polícia Federal. A parceria teve de ser rompida depois da devassa no clube paulista. Desde então, o empresário se mantém longe do Corinthians.

A proximidade de Vanderlei Luxemburgo e Duprat começou no Parque São Jorge. Continuaram amigos quando ele comandava o Santos. Neste ano, Duprat tentou ajudar o técnico a assumir o Palmeiras.

2ae14 Marcelo Cirino é a porta de entrada da Doyen Sports no Flamengo. O fundo de investimento quer o clube mais popular do Brasil como vitrine. Resultado da profunda amizade de Renato Duprat e Luxemburgo...

A relação de amizade entre os dois pode facilitar a vida da diretoria do Flamengo. Marcelo Cirino pode ser apenas o primeiro jogador da Doyen a desembarcar na Gávea. A relação com a nova diretoria santista é muito mais fria do que era com a anterior.

O novo presidente, Modesto Roma Júnior, já afirmou que não ficará refém do fundo investidor. Com dívidas batendo nos R$ 300 milhões, quer se livrar de Leandro Damião de qualquer maneira. Acredita ser um desperdício ter de pagar R$ 500 mil mensais ao atleta, fora os R$ 50 mil de auxílio moradia.

Negocia seu empréstimo com o Cruzeiro. O clube mineiro queria pagar R$ 250 mil, 50% de seu salário. Modesto disse não. A proposta subiu para R$ 400 mil. Mas os dirigentes santistas desejam que os mineiros paguem integralmente os vencimentos do atacante.

Leandro Damião não quer mais jogar no Santos. Seu empresário, Vinícius Prates, não para de repetir. Não há como seu atleta seguir em uma equipe que não acredita no seu potencial. É verdade. Os dirigentes santistas têm certeza que o atacante não acrescenta nada ao elenco.

 Marcelo Cirino é a porta de entrada da Doyen Sports no Flamengo. O fundo de investimento quer o clube mais popular do Brasil como vitrine. Resultado da profunda amizade de Renato Duprat e Luxemburgo...

A Doyens Sports tem deixado o clube santista tratar diretamente do empréstimo do atacante. Em compensação, Renato Duprat está sendo muito procurado em relação a Lucas Lima. O meio-campista foi muito bem na Vila Belmiro. Seria ótimo negócio levá-lo a um clube que dispute a Libertadores. Ou então para o Flamengo. A política santista será investir na base, economizar em 2015.

Luxemburgo não é exatamente manager. Mas, depois de salvar o Flamengo do rebaixamento no último Brasileiro, ganhou muita moral. E tem a liberação dos dirigentes para trabalhar junto com o executivo Rodrigo Caetano. E ele tem apelado a amigos. Como Renato Duprat.

O treinador quer reforços importantes para o próximo ano. Ele renovou seu contrato com o Flamengo até 2015. Recusou o Internacional por conta de seu mais novo projeto. Classificar o clube para a Libertadores de 2015. Há até um bônus milionário prometido pela direção do clube. Além de continuar no firme propósito de recuperar sua desgastada carreira.

Para isso, precisará de reforços. Marcelo Cirino, Jadson, Arthur Maia são nomes considerados certos na Gávea. A relação com Duprat pode abrir outras possibilidades. Como Lucas Lima, Douglas Coutinho. Ou até, quem sabe, Leandro Damião.

 Marcelo Cirino é a porta de entrada da Doyen Sports no Flamengo. O fundo de investimento quer o clube mais popular do Brasil como vitrine. Resultado da profunda amizade de Renato Duprat e Luxemburgo...

O sucesso de Everton no Flamengo serviu como grande incentivo na negociação envolvendo Marcelo Cirino. A diretoria do Corinthians, que quase o contratou no meio do ano, considerou o atleta muito exigente, difícil de negociar. Pior até mesmo do que o problemático Mario Celso Petraglia.

O dirigente não desistiu da sua primeira pedida por 50% do atacante: cinco milhões de euros, cerca de R$ 16,4 milhões. De uma vez só. O clube paulista pretendia parcelar em cinco vezes. Nada feito.

O mercado brasileiro é visto como um campo de oportunidades para 2015. A recessão chegou para valer. Os grandes patrocinadores estão fugindo do futebol. Há clima de desespero nos grandes clubes brasileiros. Negociar com o fundo maltês pode ser a salvação.

Vanderlei Luxemburgo enxergou a possibilidade. Ter grandes jogadores sem o Flamengo investir. Servir apenas de vitrine para a Doyen. Ao contrário do que acontece na Vila Belmiro, os dirigentes cariocas prometem não criar obstáculos para a Doyen.

Eduardo Bandeira de Mello sentiu durante todo o ano. É impossível ter paz na Gávea se esquecer o futebol. A estratégia de 'bom e barato' quase levou o Flamengo à Segunda Divisão. O presidente jurou que não passaria novamente por tanto sufoco. Dentro desse cenário, chega Renato Duprat.

A Doyen Sports é apenas um braço do Grupo Doyen. Ele se apresenta como um fundo de investimentos nos países emergentes do mundo. Suas aplicações vão de extração de minerais, construção de hotéis, prédios. Até o futebol.

A Ilha de Malta, onde a Doyen Sports concentra o seu patrimônio, é considerada um paraíso fiscal. Cobra taxas baixíssimas aos investidores. Além de preservar suas identidades. São esses especuladores que estão por trás de Marcelo Cirino, Leandro Damião, Lucas Lima, Douglas Coutinho no Brasil. No Exterior, o jogador mais representativo é o colombiano Falcão Garcia...

Para Vanderlei Luxemburgo nada disso importa. Ele quer é o Flamengo forte em 2015. Renato Duprat e seu fundo de investimento podem oferecer um time muito competitivo. Por isso o treinador está tão feliz neste final de ano...
(Leandro Damião foi para o Cruzeiro. E os dirigentes do Flamengo mandaram avisar ao blog que devem só R$ 600 milhões. E que não nada de ilegal se abrirem as portas para a Doyen...

5ae Marcelo Cirino é a porta de entrada da Doyen Sports no Flamengo. O fundo de investimento quer o clube mais popular do Brasil como vitrine. Resultado da profunda amizade de Renato Duprat e Luxemburgo...

Paulo André. Um nome banido pelos grandes clubes do futebol brasileiro. Ninguém quer o zagueiro campeão do mundo. Por medo da CBF. O líder do Bom Senso que fique na China…

1reproducao24 Paulo André. Um nome banido pelos grandes clubes do futebol brasileiro. Ninguém quer o zagueiro campeão do mundo. Por medo da CBF. O líder do Bom Senso que fique na China...

"Não dá para acordar em plena segunda feira e ler em todos os sites que o Marin e o Marco Polo querem um treinador que represente a “reformulação” (Dunga para a Seleção). Qual é? Só eu que fico indignado? Sempre o mesmo papinho. Querem enganar quem? Eu também quero uma reformulação. A começar por eles. E outra, será que dá pra me explicar por que esses senhores (na lista abaixo) estão no poder das federações estaduais há 20, 30, 40 anos?

José Gama Xaud, 40 anos no poder da Federação de Roraima;
Carlos Orione, 33 anos no poder da Federação de Mato Grosso;
Delfim P. Peixoto Filho, 29 anos no poder da Federação de SC;
Antonio Aquino, 26 anos no poder da Federação do Acre;
Francisco C. Oliveira, 25 anos no poder da Federação do MS;
Rosilene A. Gomes, 25 anos no poder da Federação da Paraíba;
Heitor da Costa Jr., 25 anos no poder da Federação de Rondonia;
Antonio C. Nunes da Silva, 24 anos no poder da federação do Pará;
José C. de Souza, 24 anos no poder da Federação do Sergipe;
Dissica V. Tomaz, mais de 20 anos no poder da Federação do Amazonas;
Leonar Quintalha, 19 anos no poder da Federação do Tocantins.

Esses são onze dos 47 caras que comandam o futebol nacional (27 presidentes das Federações e os 20 presidentes dos clubes da Série A). São eles que escolhem o presidente da CBF e que definem os regulamentos das competições da entidade. Só eles, mais ninguém. E alguém acha que um novo treinador vai conseguir reformular alguma coisa?
Parem com isso!
Que cada um assuma a sua parcela de culpa (jogadores, comissão, eu, você, todos temos um pouco. Mas a desses caras é gigante, só não é maior do que a cara de pau). Esses presidentes (da Confederação e das Federações), que jamais deram as caras nas derrotas, que jamais foram vaiados nos estádios e que jamais deixaram de receber seus vencimentos no final do mês (porque a Confederação e as Federações pagam em dia), são os maiores responsáveis pelo caos em que se encontra o futebol brasileiro.
Olhem para seus umbigos e tenham vergonha do que construíram! Clubes grandes endividados, clubes pequenos sem calendário, estádios vazios, atletas sem salários, etc… E a solução é o novo treinador? #Cansei."

1ae31 Paulo André. Um nome banido pelos grandes clubes do futebol brasileiro. Ninguém quer o zagueiro campeão do mundo. Por medo da CBF. O líder do Bom Senso que fique na China...

Um jogador com capacidade de se expressar tão bem e com tanta coragem não iria passar impune. Não em um país que tenta perdoar R$ 3,7 bilhões de dívidas dos clubes com o governo. Sem dar absolutamente nada em troca. Dirigentes irresponsáveis e incompetentes que acumulam salários atrasados, péssimas condições de trabalho e calotes. Não, nenhum deles iria querer ter um revolucionário nas entranhas.

Não é nada combinado, um acordo. Veto unificado. Mas os grandes clubes do Brasil não têm o menor interesse em um zagueiro experiente, técnico e campeão mundial. O que ele faz dentro do campo é deixado de lado. Pelo que faz fora, Paulo André não interessa.

Não está na lista do São Paulo, do Internacional, do Cruzeiro, do Atlético Mineiro e muito menos do Corinthians. Os clubes que vão disputar a Libertadores, por coincidência, precisam reforçar sua zaga. Mas pelos presidentes das cinco equipes, que Paulo André continue no Shanghaï Greenland até o final de seu contrato, em 2016. O mesmo vale para os maiores times do país.

O líder do Bom Senso Futebol Clube é visto como um desagregador. Seu intelecto assusta. É capaz de motivar o grupo onde estiver a fazer greve se um jogador não receber. Sua coragem de desafiar José Maria Marin e Marco Polo só atrapalha. As diretorias de clubes brasileiros vivem de joelhos à CBF. Pedindo adiantamento, empréstimos. E sabem que comprar briga com os presidentes da entidade é querer não ter respaldo político nas grandes decisões. Correr o risco de ter o árbitro que o elenco menos gosta apitando seus jogos mais importantes.

 Paulo André. Um nome banido pelos grandes clubes do futebol brasileiro. Ninguém quer o zagueiro campeão do mundo. Por medo da CBF. O líder do Bom Senso que fique na China...

Além de tudo isso, Paulo André teve a sua caveira feita por Andrés Sanchez. O dirigente ficou revoltado com o processo que o jogador move contra o Corinthians ele quer R$ 2,5 milhões. O motivo: débitos da premiação do Campeonato Paulista e Recopa de 2013, salário, férias e décimo terceiro. Além disso, o atleta exigiu uma compensação prevista na lei. Compensação financeira por não ter folgado na segunda-feira, após jogado no domingo. Ele veio a público esclarecer que nunca pediu horas extras por jogar aos domingos e nem adicional noturno por atuar às 22 horas nas quartas-feiras. Isso foi passado para a imprensa para queimar sua imagem.

Andrés já avisou que Paulo André nunca mais pisa no Parque São Jorge. Além disso, sempre que é perguntado, faz questão de criticar o jogador nas suas entrevistas. A verdade é que o jogador foi quase empurrado para fora do Corinthians neste ano. O ex-presidente corintiano acreditava que sua liderança do movimento Bom Senso estava atrapalhando o grupo. Tirava o foco do futebol do time nos torneios que participava.

Paulo André era capitão da equipe campeã mundial. No final do ano passado recusou propostas importantes do futebol italiano. Mas em fevereiro, foi enxotado para a China. Foi uma negociação absurda. O Corinthians não cobrou um tostão, mesmo com o atleta tendo mais dez meses de contrato. Só faltou Mario Gobbi e Andrés o levarem ao aeroporto.

2ae13 1024x576 Paulo André. Um nome banido pelos grandes clubes do futebol brasileiro. Ninguém quer o zagueiro campeão do mundo. Por medo da CBF. O líder do Bom Senso que fique na China...

"Eu tive propostas do futebol italiano. Do Verona e da Roma. Mas não quis ir, acreditava na minha missão no Corinthians.Só que desta vez percebi que o ambiente não era mais propício a mim. E que tinha de sair. Foi o que eu fiz."

Paulo André tinha plena certeza de que seria esquecido pelos grandes clubes brasileiros nesta janela. E nas próximas. Tanto que já se estrutura a sua vida. Quer ficar até o final do seu contrato na China. E em seguida encerrar a carreira. Não quer voltar com 33 anos, atuar em uma equipe fraca e se expor. Estragar a imagem de campeão mundial.

Mas os dirigentes brasileiros que o desprezam agora talvez possam ter uma grande surpresa. Não há nada definido. Porém não está descartada a possibilidade de o jogador no futuro ingressar na política. E brigar em Brasília pela modernização do futebol no Brasil. Por enquanto, a CBF e os clubes podem ficar sossegados. O 'revolucionário' como era chamado ironicamente no Parque São Jorge, estará calado. Comandar o Bom Senso da China é impossível.

Mas em 2016, tudo pode mudar. E Brasília conhecer os seus neurônios, sua coragem, sua indignação. Que tanto assustam os cartolas. E que fazem falta demais neste país dos 7 a 1...
1ap9 Paulo André. Um nome banido pelos grandes clubes do futebol brasileiro. Ninguém quer o zagueiro campeão do mundo. Por medo da CBF. O líder do Bom Senso que fique na China...

Uma negociação rara. Corinthians, Flamengo e Jadson estão empolgados. O meia está a meio passo de ser anunciado como novo camisa 10 de Vanderlei Luxemburgo. Bom para todos os envolvidos…

1ae30 1024x576 Uma negociação rara. Corinthians, Flamengo e Jadson estão empolgados. O meia está a meio passo de ser anunciado como novo camisa 10 de Vanderlei Luxemburgo. Bom para todos os envolvidos...
"O mundo é um lugar pequeno e mal frequentado." A frase foi cunhada por Luis Fernando Veríssimo. E é mesmo. Fui exercer a prosaica obrigação de cortar os cabelos. Para a minha surpresa fui avisado que um jogador do Corinthians havia acabado de sair. Por curiosidade, perguntei quem era. A resposta veio direta, com complemento. "Quem veio foi o Jadson do Corinthians. Além de cortar, ele colocou uma tinta preta. Para esconder os cabelos brancos. Parece que ele passou muita preocupação este ano."

A inconfidência demonstra algo muito interessante. Realmente, 2014 foi uma gangorra para Jadson. No início do ano ele estava encostado, desanimado no São Paulo. Foi envolvido na ida de Pato ao Morumbi. Foi feliz da vida para o Corinthians. Tinha certeza de que a passagem seria uma reviravolta na carreira. Começou muito bem. Só que sucumbiu. Não conseguiu ser o jogador intenso que Mano Menezes precisava. Acabou na reserva do reserva. A primeira opção para entrar no time era Danilo.

Foi um alívio no São Paulo. Afinal de contas, Muricy não estava enganado. Jadson continuava um jogador de grande potencial. Na definição do treinador, ele é inteligente taticamente. Dono de um chute certeiro. Com ótima visão para assistências. Mas instável. A primeira partida ruim parece ser a senha de uma sequência cada vez pior. Que acaba custando a sua posição de titular. Depois deixa de ser a primeira opção para o meio. Até que termina esquecido. Criou a fama de facilmente se abater. Com essa personalidade, sua passagem pela Seleção foi relâmpago.

Juvenal Juvêncio gastou R$ 11 milhões para tirá-lo do Shakthar Donestk. Ele foi para a Ucrânia depois de se destacar no Atlético Paranaense. Para complicar de vez sua passagem pelo Morumbi, Paulo Henrique Ganso foi contratado. Jadson jogou muito futebol de salão na sua adolescência. É um meia de toques curtos, rápidos. Ganso é exatamente o contrário. Lento, de toques longos. O casamento fracassou. E Jadson foi repassado para o Corinthians.

Mano Menezes teve várias conversas com o meia. Explicou o quanto precisava e confiava nele. Mas não teve resposta. Sua inexplicável apatia foi assunto de várias reuniões. Inclusive com psicólogo. Mas nem eletrochoque parecia que daria jeito. Tite sabe de tudo o que se passou no Parque São Jorge no ano em que estava longe. Se a saída de Jadson foi uma maneira de o clube conseguir recursos para tentar Conca ou manter Guerrero, está tudo certo.

Vanderlei Luxemburgo foi avisado. O Flamengo não fará grandes contratações esse ano. O foco da diretoria está em continuar diminuindo as dívidas. Mas terá uma equipe melhor. Não há a menor intenção de correr o risco de rebaixamento, como foi neste Brasileiro.
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O treinador está atento às ofertas de mercado. E Jadson é um produto em baixa. De custo acessível. E de possível recuperação. Como é de seu feito, ele garantiu ao novo executivo do clube da Gávea, Rodrigo Caetano. "Contrata que eu recupero, valorizo."

Desde então as conversas sigilosas cresceram entre dirigentes flamenguistas e corintianos. Até que vazaram neste sábado modorrento de final de ano. Jadson gosta de mostrar o que está sentindo nas redes sociais. Religioso, agradecia a Deus sua transferência para o Parque São Jorge.

"Obrigado Senhor pelo novo desafio na minha vida." E ao lado destas palavras, uma foto com a camisa de treino do Corinthians.

O desafio de atuar bem no novo time não foi vencido. Foi titular apenas 31 vezes. Saiu da reserva 12 vezes. 19 partidas, nem isso. Marcou apenas oito gols. Ele ganhava R$ 250 mil no São Paulo. Seus salários no Corinthians passaram a ser de R$ 300 mil. É um atleta caro diante da sua falta de produtividade.

Apelando para a 'linguagem dos sinais', Jadson já deixou claro que a negociação com o Flamengo está mais do que avançada. Está para ser anunciada. O meia tratou de postar uma foto vestido com uma camiseta Adidas, sua patrocinadora oficial. Concorrente de morte da rival Nike, fornecedora de material esportivo para o Corinthians. A cor da camisa escolhida por Jadson: vermelha. Semelhante às que o Flamengo usa nos seus treinamentos.

1reproducaotwitter Uma negociação rara. Corinthians, Flamengo e Jadson estão empolgados. O meia está a meio passo de ser anunciado como novo camisa 10 de Vanderlei Luxemburgo. Bom para todos os envolvidos...

A multa rescisória de Jadson no Corinthians é baixa R$ 15 milhões. Mas o mau momento do jogador facilita a pechincha, a diminuição do preço. O clube paulista quer negociá-lo em definitivo. Não quer saber de empréstimo. Na avaliação do clube, o melhor é fazer dinheiro com ele. O meia já tem 31 anos.

Luxemburgo garante que sabe como recuperá-lo. E torná-lo o meia ágil, rápido, inteligente que precisa. Já que, sem muitos reforços, o treinador apelará para o bom e velho plano tático. Contragolpes rápidos em velocidade. Foi assim que o time conseguiu se salvar da Segunda Divisão, ou 'confusão' como batizou Vanderlei.

Jadson está muito perto de mais uma tentativa de salvar sua carreira. Mostrar seu potencial em outra equipe de muito apelo popular. A sequência pode ser mais do que interessante. São Paulo, Corinthians e Flamengo. A diretoria flamenguista não desmente que a negociação está bem adiantada.

Acredito que não encontrarei mais Jadson mantendo o seu cabelo preto. Salões não faltam no Rio de Janeiro. Assim como as preocupações na Gávea, capazes de embranquecer muitas cabeleiras. Ou talvez aconteça o encaixe no time e ele viva momentos de alegria. Pode ser.

Mas dificilmente acontece um negócio assim como esse. Na teoria, muito interessante para as três partes. Corinthians, Flamengo e para o jogador. A camisa 10 do Corinthians não cabe mais nas costas de Jadson. Mas a do Flamengo, sim...

Neymar, aos 22 anos, é tudo o que Robinho, à beira dos 31 anos, sonhava ser. E não conseguiu. A diferença de uma carreira estruturada diante do improviso. O pupilo deixou o mestre para trás…

1reproducaolance1 Neymar, aos 22 anos, é tudo o que Robinho, à beira dos 31 anos, sonhava ser. E não conseguiu. A diferença de uma carreira estruturada diante do improviso. O pupilo deixou o mestre para trás...
Mesmo de barbas descoloridas e de sunga, repórteres e torcedores se desesperavam. Todos queriam ouvir uma palavra que fosse de Neymar. Ele só teve paz por estar cercado de seguranças. Enquanto isso, Robinho saia tranquilamente do estádio Parque do Sabiá em Uberlândia. O jogo beneficente, uma brincadeira, mostrou a distância entre os dois melhores jogadores que surgiram no Santos depois de Pelé. Existe um abismo entre eles.

Neymar é tudo o que Robinho sonhou para sua carreira e não conseguiu. Se firmou em um dos melhores clubes do planeta. Nem mesmo o fracasso retumbante do Brasil de Felipão atingiu sua carreira. Pelo contrário. Ele continua cada vez com mais prestígio no Barcelona, na Seleção Brasileira, no mercado publicitário. E até como cidadão. Seu instituto na Praia Grande beneficiará mais de dez mil crianças carentes. Com direito a atendimento médico e dentário. Tudo isso com apenas 22 anos.

Robinho, não. Já virou o Cabo da Boa Esperança. Completará em janeiro 31 anos. Sua carreira nos grandes clubes europeus está encerrada. Por desinteresse dos times do Velho Continente. Seu futebol empolgante, irreverente, assustadoramente talentoso ficou na promessa. Escolhas erradas, declarações desastrosas, arrogância. Tudo se juntou para tornar sua carreira muito menor do que poderia ter sido.

Não fez questão de se aprimorar. Só interessava os dribles. Sua finalização sempre foi fraca. As cobranças de falta indecentes. Não quis evoluir. Entender o jogo taticamente. Mal sabe cabecear. Seu ego não permitia cobranças. Daí problemas com treinadores. E ter perdido a Copa de 2014. Parou no tempo.

Robinho jamais ouvirá da boca de Neymar. Mas os fracassos de sua carreira serviram como lição. O caminho a não ser seguido. Ambos tiveram o mesmo empresário que os lançou no cenário internacional: Wagner Ribeiro. Ele não esconde para ninguém que foi ambição desmedida a grande inimiga de Robinho.

Ele surgiu em 2002, no time que conseguiu, de maneira surpreendente, ser campeão brasileiro. Em cima do Corinthians. As oito pedaladas que enlouqueceram o experiente Rogério, o obrigando a cometer pênalti, entraram no inconsciente coletivo dos brasileiros. Até hoje, Robinho provoca expectativa, ansiedade ao entrar em campo. Ele assustava seus marcadores. Agora não mais.

1reproducao23 Neymar, aos 22 anos, é tudo o que Robinho, à beira dos 31 anos, sonhava ser. E não conseguiu. A diferença de uma carreira estruturada diante do improviso. O pupilo deixou o mestre para trás...

No Real Madrid se queimou garantindo que chegava para ser o melhor do mundo. Era a deixa para a panela comandada por Raúl o boicotar. Sem o menor constrangimento. Ele era um estranho no ninho. Os dirigentes do clube espanhol ficaram desolados. Eles enfrentaram até ameaças da Fifa para tomar Robinho do Santos. Sua saída em 2005 foi deplorável. Rendeu muito pouco, cerca de 30 milhões de dólares. Na época, R$ 50 milhões.

Deixou muita mágoa. Mas parece que a praga dos dirigentes santistas pegou. Depois do boicote no Real Madrid, ele estava acertado com o Chelsea de Luiz Felipe Scolari. Mas os dirigentes merengues mostraram quem mandava. E Robinho foi parar no Manchester City. Irritado, de cara demitiu Wagner Ribeiro. Sem o escudo de Felipão, irritado e muito pressionado, seu rendimento foi péssimo. As brigas com Roberto Mancini foram deprimentes. Nem no banco de reservas passou a ficar.

Voltou para a sua casa, o Santos. Os dirigentes o perdoaram como uma filha que fugiu para casar e foi abandonada pelo marido. Em 2010, encontrou o garoto Neymar e Ganso. No baixo nível técnico do futebol brasileiro, Robinho ajudou demais o Santos. Foi importante. Mas basta uma olhada em retrospectiva fria, ele já era coadjuvante da nova revelação santista. Com o auxílio do garoto que o admirava desde menino, seu rendimento foi ótimo.

A ponto de despertar o interesse do Milan. No seu retorno para a Europa, acabou no Milan. Só que encontrou o tradicional time italiano sem o poderio financeiro de décadas atrás. O elenco fraco não ajudava o futebol do brasileiro que rapidamente deteriorava.

Nunca foi protagonista na Seleção Brasileira. Sua imagem não atraia patrocinadores. Sua carreira ficava muito aquém do que sonhava. Mesmo assim, o São Paulo e o Flamengo tentaram contratá-lo. O Milan já o utilizava apenas de vez em quando como titular. Não foi chamado para disputar a Copa de 2014. Sem saída, desanimado, voltou pela terceira vez para o Santos. Encontrou um time com suas finanças desequilibradas e elenco fraco.

1ae29 Neymar, aos 22 anos, é tudo o que Robinho, à beira dos 31 anos, sonhava ser. E não conseguiu. A diferença de uma carreira estruturada diante do improviso. O pupilo deixou o mestre para trás...

Na Europa, Robinho cedeu à tentação. Ficou mais forte fisicamente. Perdeu habilidade e velocidade. Se tornou um jogador previsível, facilmente marcável. Voltou para o Santos com salários excelentes de R$ 600 mil. Não correspondeu. Não para o que se esperava dele. E há grande chance de que acabe sendo dispensado. Não há mobilização, desespero, empenho hercúleo de Modesto Roma Júnior para pagar seus alto salário para o futebol brasileiro.

Mesmo assim, a empáfia atrapalhou sua ida para o Orlando City. Kaká convenceu o brasileiro dono da equipe norte-americana a levar o atacante. Flávio Augusto da Silva se irritou com a pedida alta do atacante. Quando soube que Kaká receberá R$ 1,4 milhão, Robinho teria pedido R$ 1 milhão mensais. Flávio negou. A transação foi cancelada.

Na véspera dos 31 anos, o atacante não sabe o que será de sua carreira. No Palmeiras, Paulo Nobre está sendo pressionado para bancar o seu salário. A transação é fácil. O Santos abre mão do jogador. Só depende do bilionário dirigente. O Atlético Mineiro e o Flamengo também surgem como possibilidades. A verdade é que o encantamento por Robinho passou até no futebol brasileiro.

Ao contrário do que acontece com Neymar. O menino que sonhava ser Robinho, hoje é tratado como um semideus. Ficou muito para trás as pedaladas que dava em cadeiras na sala, gritando ser Robinho. Neymar se transformou em um dos maiores jogadores midiáticos do planeta. O Barcelona lhe paga oficialmente R$ 35,6 milhões anuais. Seus rendimentos passam de R$ 50 milhões anuais com ações publicitárias.

Neymar conseguiu o impossível. Sair ileso da sua absurda venda ao clube catalão. Em 2011, jogando a final do Mundial com a camisa do Santos, diante do Barcelona, seu pai já havia embolsado 10 milhões de euros, cerca de R$ 32 milhões, só para garantir a preferência. E vencer o Real Madrid na concorrência.

O saldo é um dos maiores absurdos nas transações esportivas já feitas neste país. O Santos ficou com R$ 57 milhões. E a família de Neymar, R$ 193 milhões. Negócio sem pé e cabeça que custou a demissão de Sandro Rossel. E ainda pode dar dor de cabeça na Justiça espanhola para o pai do jogador.

Mesmo assim, a idolatria a Neymar na Vila Belmiro continua intacta. Há singelos pedidos dos dirigentes que encerre a carreira no Santos, daqui dez, 12 anos. O atacante ri, mas não se compromete. Mesmo assim, a adoração só aumenta.

No Barcelona, sua carreira deslancha. E com o apoio do elenco. Principalmente de Messi. Ao dizer que aceitava o papel de coadjuvante do argentino, Neymar se mostrou muito mais esperto que Robinho. Nada de bater no peito e avisar que seria o melhor do mundo. Comendo pelas beiradas desfruta de respeito e orgulho do clube catalão. A tal ponto que já recebeu a proposta de esticar seu contrato até 2022. Com direito a ganhar o dobro que recebe atualmente. O brasileiro ficou de pensar, junto ao pai.

Sem pressa, alarde ou anúncio público, Neymar se aproxima da escolha do melhor jogador do mundo. Está plantando com a certeza de que a colheita acontecerá nos próximos anos. Além da orientação dos cerca de 30 profissionais que cuidam de sua carreira, o atacante é muito esperto. Não se expõe à toa.

A comparação hoje é injusta. A carreira de Robinho não decolou na Europa. E agora vive o início de sua decadência. Sabe que não alcançará a Copa de 2018. Por mais que Dunga o adule. Não tem mais potencial físico para a intensidade que o futebol de altíssimo nível exige.

Neymar está crescendo de forma impressionante. A passagem na Europa o fez entender taticamente o jogo de futebol. Não se aprofunda nos 7 a 1, mas sabe o quanto a Seleção de Felipão jogou errado, aberta, pedindo para ser goleada. Tem pela frente, pelo menos mais duas Copas do Mundo.

O pupilo superou o mestre há muito tempo. Só que agora a diferença passa a ser mais cruel. Não será de estranhar se um dia Robinho chegar na sala de sua casa, pegar uma bola e começar a driblar as cadeiras. E deixar escapar: "Lá vem Neymar"...
1santos Neymar, aos 22 anos, é tudo o que Robinho, à beira dos 31 anos, sonhava ser. E não conseguiu. A diferença de uma carreira estruturada diante do improviso. O pupilo deixou o mestre para trás...

O amigo de Tite, Sylvinho, é o responsável por travar a negociação do Corinthians por Paulinho. Convenceu Mancini a pedir para a Inter comprar o jogador. Pior também para o Cruzeiro e o São Paulo…

1ap8 O amigo de Tite, Sylvinho, é o responsável por travar a negociação do Corinthians por Paulinho. Convenceu Mancini a pedir para a Inter comprar o jogador. Pior também para o Cruzeiro e o São Paulo...
No final de outubro, Sylvinho recebeu o convite. Roberto Mancini, seu ex-comandante no Manchester City, o queria como auxiliar técnico. Os dois nunca perderam contato desde 2010. Amigos, trocavam e-mails e telefonemas. A amizade se consolidou. Até que Mancini percebeu. Suas instável Inter de Milão era mais problemática do que imaginava. E resolveu convidá-lo para ser seu auxiliar.

Oportunidade de ouro para o ex-jogador de 40 anos. Desde 2011 ele é auxiliar técnico. Passou por Cruzeiro, Sport, Náutico até voltar ao Corinthians, clube que o lançou para o futebol, em 2013. Chegou em julho, pelas mãos de Tite. O treinador buscava apoio para tentar salvar a temporada que naufragava.

O trabalho de Sylvinho foi muito elogiado pelos jogadores. Participativo, confidente, visão tática diferenciada. E excelente elo entre o time e o treinador. Quando Tite foi embora, Mario Gobbi perguntou se Mano Menezes concordaria com a permanência do auxiliar. Não só aceitou como viraram grandes amigos. O laço fraterno não impediria sua permanência com o retorno de Tite.

Mas o convite para trabalhar em um dos principais clubes europeus não poderia ser desprezado. E Sylvinho foi fazer companhia a Hernanes, Dodô, Jonathan e Juan Jesus. A Itália não possui mais o mesmo poderio econômico de anos passados. A Inter conseguiu apenas elenco médio, sujeito à campanha bipolar. Está na 11ª posição do torneio nacional, com direito a cinco vitórias, seis empates e cinco derrotas.

Mancini tem uma bela história como treinador da Inter. Foi tricampeão italiano, ganhou duas Supercopas e duas Copas Itália. Entre 2004 e 2008. A situação econômica era totalmente diferente. Seu sucesso o levou para o Manchester City. De lá para o Galatasaray. Até o retorno a Milão.

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Um dos graves problemas da Inter está no meio de campo. Mancini precisa de um segundo volante ágil, polivalente. Com capacidade de marcar, mas também que saiba sair jogando de cabeça erguida. E saiba ser um elemento surpresa nas áreas adversárias. Empresários ofereceram um brasileiro. Lucas Leiva. O jogador está em baixa no Liverpool. O treinador Brendan Rodgers o considera mero reserva, negociável nesta janela de inverno europeu.

Mancini já havia dado o aval. Foi quando Sylvinho entrou em cena. Disse que havia outro jogador que se encaixaria muito melhor no que a Inter precisava. E que talvez seria mais fácil a contratação: Paulinho, do Tottenham. O auxiliar conhece muito bem o potencial do ex-corintiano. Por conversas com Tite, sabe o quanto ele está desiludido com o futebol inglês.

O treinador que implorou a contratação de Paulinho foi o português André Villas-Boas. Mas ele perdeu seu emprego. Tim Sherwood o sucedeu e a situação já ficou ruim, diferente para o brasileiro. Pioraria de vez com a contratação do argentino Mauricio Pochettino. Ele não vê poder de marcação no volante e também não se anima diante de seu potencial ofensivo. Prefere colocar especialistas nas duas funções.

Muitas vezes Paulinho nem no banco fica. No atual Campeonato Inglês, o Tottenham disputou 17 jogos e está na sétima colocação. Ele entrou apenas em cinco partidas. A imprensa britânica não se conforma com os R$ 53 milhões investidos no jogador. Sua decadência na Seleção Brasileira não passou despercebida.

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De grande estrela do time de Luiz Felipe Scolari, perdeu sua posição durante a Copa. Foi uma das grandes vítimas na vexatória campanha. Nunca mais foi lembrado por Dunga. O valor de mercado despencou. A direção do Tottenham passou a receber empresários representando clubes brasileiros. Todos sem os R$ 53 milhões investidos pelos ingleses. Buscavam o volante por empréstimo.

São Paulo, Cruzeiro e Corinthians. Os três tentaram o atleta por empréstimo de um ano, 2015. Tite tem uma profunda ligação com o volante. Foi com ele que jogou melhor na sua vida. Conquistando a Libertadores e o Mundial pelo Corinthians.

Em baixa na Inglaterra, o volante foi tratado como uma estrela em outubro. Quando o Corinthians fez uma pré-estreia do filme da conquista da inédita Libertadores, o Tottenham não colocou qualquer obstáculo. E o volante veio a São Paulo para prestigiar o lançamento. Era uma maneira do clube inglês mostrar que o atleta estava disponível ao mercado brasileiro.

Só que o argentino Mauricio Pochettino é esperto. Sabe muito bem da crise financeira que o futebol sul-americano vive. E ele fez questão de declarar publicamente. Paulinho não sairia emprestado. No futebol é preciso entender o que é dito pela metade. O treinador não falou que o brasileiro era inegociável. Pelo contrário. O que ele não quer é empréstimo. Sabe que comanda um clube médio, necessitado de dinheiro para buscar outros atletas. Pochettino deseja a venda de Paulinho.

Corinthians, Cruzeiro e São Paulo não querem gastar cerca de 15 milhões de euros, pretendidos pelo Tottenham. O empresário Giuliano Bertolucci também não deseja o retorno do jogador ao país. O quer no mercado europeu. Sylvinho convenceu Mancini que a contratação do brasileiro seria excelente para a Inter. O treinador procurou a direção do clube. E oferta de 12 milhões de euros, cerca de R$ 39,5 milhões já está feita.

Tite não desistiu quer que Paulinho interceda, assuma a sua vontade de atuar no Parque São Jorge. Disputar nova Libertadores com a camisa que ama. Mas a situação não está fácil. Complicada por um personagem inesperado. E muito querido pelo treinador. Seu auxiliar e grande amigo, Sylvinho. Por causa dele, o Corinthians está para perder uma peça considerada fundamental em 2015...
1divulgacao1 O amigo de Tite, Sylvinho, é o responsável por travar a negociação do Corinthians por Paulinho. Convenceu Mancini a pedir para a Inter comprar o jogador. Pior também para o Cruzeiro e o São Paulo...

A coragem, o talento e a generosidade de um dos melhores jornalistas esportivos e cronistas do Brasil. Feliz Natal, David Coimbra…

1reproducao21 A coragem, o talento e a generosidade de um dos melhores jornalistas esportivos e cronistas do Brasil.  Feliz Natal, David Coimbra...
24 de dezembro de 2014. Véspera de Natal. Estava propenso a escrever sobre a chegada do uruguaio Diego Aguirre ao Internacional. Ou então detalhar a escolha do novo ministro dos Esportes, o deputado George Hilton. A surreal ida de Aldo Rebelo para o ministério de Ciência e Tecnologia. Ou o Cruzeiro querendo Leandro Damião e Lucas Lima, mas sem a Doyen Sports.

Tudo isso ficou pequeno quando lembrei de David Coimbra. Decidi partilhar sua história. Ele é um dos mais brilhantes jornalistas esportivos. Cronista e escritor de mão cheia. Seus textos fogem do comum. Mistura ironia, informação, coragem. Manipulador sem pudor de emoções quando retrata o dia-a-dia da sua amada Porto Alegre. Tem, e merece, a imensa legião de fãs que o segue no Rio Grande do Sul.

Tenho muito orgulho de ser seu amigo. O conheci quando eu trabalhava no Jornal da Tarde, nas coberturas da Seleção Brasileira. Acompanhei o crescimento profissional desde o começo dos anos 2000. Ficamos mais próximos na Copa de 2006, na Alemanha. Cobri mais os treinos e jogos do Brasil ao lado de David do que dos meus companheiros do JT. Ele como editor de Esportes do Zero Hora.

Na hora de escrever e levantar informações, a competição era ferrenha. Só vinha a calma na hora do jantar, quando falávamos do prazer e das dificuldades em cobrir mais uma Copa, das namoradas deixadas no Brasil, da diferença da vida em Porto Alegre e de São Paulo. Sobre a queda do Muro de Berlim. Falávamos sobre tudo. Menos das nossas matérias. Era um acordo silencioso de dois amigos concorrentes.

Toda manhã comparávamos o que tínhamos apurado. E quando um conseguia uma notícia melhor do que o outro era xingado. Tinha de pagar o jantar. Ao final daquele malfadado Mundial, fomos almoçar em Frankfurt. E a sorte nos ajudou. Encontramos ninguém menos do que Ricardo Teixeira no restaurante. Comendo sozinho depois do fracasso que tanto contribuiu, com a farra da Seleção em Weggis.

13 A coragem, o talento e a generosidade de um dos melhores jornalistas esportivos e cronistas do Brasil.  Feliz Natal, David Coimbra...

Fomos até Teixeira, que bebia um chope gigantesco e comia mariscos. Pedimos uma entrevista. "O senhor falará para São Paulo e para o Rio Grande do Sul de uma vez só", disse David. "A hora de se posicionar é agora", instiguei. Fomos despachados sem piedade por Teixeira. Com cara de nojo, ele apenas balançou a cabeça e murmurou. "Só falo no Brasil." Apesar de termos vontade de esmurrá-lo, apenas rimos. Viramos as costas. Brindamos ao fim da Copa. E ao nosso digno presidente da CBF.

Nos encontramos várias e várias vezes depois disso. Sempre que ia a Porto Alegre trabalhar fazia questão de jantar, conversar com David. E percebi que ele estava subindo na hierarquia do grupo RBS. Sua vida estava excelente. Se casou, teve o filho Bernardo. Até hoje não consegue esconder o orgulho por qualquer atitude do filho. Um pai presente, amigo, companheiro.

Muitas vezes fui surpreendido com presentes de David. Ele me mandava seus livros. Ficava surpreso com o talento para escrever diferentes temas. E de maneira atraente, obrigando o leitor a seguir em frente. Só a última página trazia alento. Suas crônicas têm muito sucesso em Porto Alegre. Seus comentários sobre futebol também. Nunca caiu no truque usados por alguns. Pouco importa que Felipão e Dunga sejam gaúchos. Mesmo comandando a Seleção, os dois não foram poupados por David. Sua obstinação pelo jornalismo é exemplar. Mata a fonte sem piedade.

Mas por quê estou escrevendo sobre David Coimbra neste Natal? Porque ele está muito longe de Porto Alegre, do Rio Grande do Sul. Ele, a esposa e Bernardo estão nos Estados Unidos. Não. Não compram roupas em Miami, não circulam deslumbrados por Las Vegas, não dançam com Mickey na Disneylândia. A missão do trio em Boston é outra.

Desde o ano passado, David foi diagnosticado com câncer. Um choque, para quem não tinha tido nem 'uma gripe forte', como ele costuma dizer. Primeiro foi seu rim, que teve de ser extirpado. Depois surgiram outros focos. Ele tentou um tratamento experimental no Rio Grande do Sul. A situação estava se complicando. Foi quando se ofereceu para ser cobaia no Estados Unidos de novas drogas para combater a doença.

2 A coragem, o talento e a generosidade de um dos melhores jornalistas esportivos e cronistas do Brasil.  Feliz Natal, David Coimbra...

Se inscreveu com pessoas de todo o mundo para participar do programa. Somente algumas foram escolhidas. David estava entre elas. "Por puro acaso", ele diz. E foi mesmo. O destino fez com que viajasse pouco antes de começar a Copa do Mundo. Ele estava inscrito e cobriria a Seleção Brasileira. Outra vez ao meu lado. Como havia acontecido na Alemanha e na África do Sul.

Mais do que a sua imensa falta, lamentei muito quando soube o motivo de sua ida para os Estados Unidos. Este será o primeiro Natal de David fora do Brasil. Não por passeio. Mas para salvar sua vida. As notícias são promissoras. O câncer está regredindo. A boa notícia torna esta data ainda mais especial.

Só que David merece ser lembrado neste Natal porque tomou uma atitude inusitada, generosa. O corpo mirrado esconde uma coragem inacreditável. Assim que foi diagnosticado com o câncer, divide todas suas experiências com os leitores do Zero Hora. Ele consegue ter bom humor para detalhar as mazelas do tratamento.

Fez questão de não se esconder. Muito pelo contrário. Criou a coluna Vida Nova no Caderno Vida no ZH. Fora o blog. A rádio. Sua luta para sobreviver tem inspirado, dado força para doentes também atingidos pelo câncer. É uma bênção a muita gente desenganada, deprimida. Além de alertar sobre a necessidade dos exames de prevenção. Joga luz sobre o assunto tão assustador. Como recompensa, e-mails de pessoas doentes ou parentes. Neles, a gratidão ao jornalista.

David é uma pessoa especial. Está sempre cercada de amigos. Se alimenta disso. Por isso, nada mais justo desejar não apenas que tenha um ótimo Natal. Mas que consiga vencer a sua luta. E volte logo para o Brasil, para o Rio Grande do Sul, para a sua Porto Alegre.

Vale a pena agora uma pitada do talento de David em uma de suas crônicas. Um trecho que se refere justamente à amizade. Será fácil perceber a importância que dedica aos amigos. Eu tenho a sorte de ser um dos muitos que conseguiu nesta vida.

"Como viver sem os amigos? Aí está… Sou feito dos meus amigos. Um dos grandes orgulhos da minha vida é de ter feito e cultivado amigos leais, amigos verdadeiros, amigos que amo e que, sei, me amam também. Meus amigos são parte de mim, eles e seu apoio, seu carinho, suas gargalhadas, suas sacanagens. Como vou viver sem meus amigos? Foi o que pensei e repensei, ao vir para os Estados Unidos. Mas então lembrei de algo sobre os amigos: eles são eternos.

"Tudo na vida passa. A fama, a glória e a dor se vão. O poder se esfumaça. O dinheiro é roubado. Amores imortais acabam em uma temporada. Amigos, não. Amigos de verdade são para a vida toda. Amigos de verdade você pode negligenciar, você pode brigar com eles, pode xingar as mães deles, pode ficar seis meses sem falar com eles, pode não lhes retornar o telefonema, que eles estarão lá, à sua espera, prontos para beber de novo com você, rir de novo com você, brigar de novo com você, sem nenhum constrangimento, sem precisar de nenhuma adaptação, como se vocês estivessem juntos no dia anterior.

"Então, ao pensar nisso enquanto sobrevoava o oceano Atlântico, sorri. Porque sabia, e sei, que não importa em que parte da Terra eu esteja, nunca estarei sozinho. Comigo estarão, para sempre, dentro do meu peito, os meus amigos."

Feliz Natal, David Coimbra, meu amigo...
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O Palmeiras deu seu grito de independência de Valdivia. Contratou Zé Roberto. Foi a melhor notícia no sofrido ano do centenário. Oswaldo ganhou seu novo Seedorf…

1reproducaopalmeiras O Palmeiras deu seu grito de independência de Valdivia. Contratou Zé Roberto. Foi a melhor notícia no sofrido ano do centenário. Oswaldo ganhou seu novo Seedorf...
Foi Vanderlei Luxemburgo quem convenceu os dirigentes gremistas. Ele tinha o meia esquerda que resolveria os problemas de criação do time. Versátil, habilidoso, inteligente, canhoto, vivido. Cobiçado por Santos, São Paulo, Flamengo.

Seu currículo era carregado. Bicampeão da Copa América, bicampeão da Copa das Confederações e vice da Copa do Mundo de 1998. Disputou ainda a Copa de 2006. Campeão espanhol com o Real Madrid, tetracampeão alemão com o Bayern de Munique. De lambuja venceu a Copa do Emir, com o Al Gharafa, no Catar. Mas Luxemburgo havia conseguido a prioridade. O jogador estava livre, não haveria gastos com outros clubes. Ele seria o líder que o grupo precisava para vencer a Libertadores de 2013.

O então presidente Paulo Odone aceitou na hora. Bancou os R$ 600 mil, entre salários e luvas. Não se importou com a certidão de nascimento apontando 38 anos. Zé Roberto era do Grêmio. Contrato até o final de 2013. Para acabar com a desconfiança da ferrenha imprensa gaúcha, uma cena teatral. Zé Roberto não colocou a camisa gremista por cima de sua camiseta. Fez questão de tirá-la e mostrar os músculos atléticos. Pronto, a desconfiança passou.

Os sonhos de Luxemburgo deram em nada. O problemático treinador acumulou vexames na competição que nunca venceu. E acabou demitido por Fabio Koff.

Mas Zé Roberto tinha contrato a cumprir. A primeira providência de Renato Gaúcho ao assumir o lugar de Luxemburgo foi afastar o camisa 10 do time titular. Com ele, atleta de 39 anos não jogaria. Ele detesta veteranos. Só que seu time capengava e teve de recorrer ao experiente meia. No final do ano, o balanço foi claro. Renato mandado embora e Zé Roberto renovou contrato até o final de 2014.

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"Fui ameaçado nas ruas de Porto Alegre. Um sujeito disse que iria me matar se eu não ficasse no Grêmio", comemorava, alegre, o jogador. Enderson Moreira lamentou demais o rompimento do tendão do tornozelo esquerdo do jogador. A contusão o tirou da decisão do Gaúcho de 2014. O Internacional foi campeão vencendo as duas partidas diante do Grêmio. 2 a 1 e inesquecíveis 4 a 1.

Enderson, a diretoria e mesmo os jogadores lamentaram demais a ausência de Zé Roberto. Sua liderança, dedicação e talento fizeram muita falta. Depois do vexame na Copa do Mundo, o Grêmio serviu como escudo para Luiz Felipe Scolari. O treinador chegou ao clube e percebeu a grave crise financeira. Tentou até o fim a sonhada classificação para a Libertadores. Não conseguiu.

Mas o grande destaque de seu time foi o lateral esquerdo. Com a camisa 10 nas costas, Zé Roberto, com 40 anos, foi o melhor entre todos os alas do Campeonato Brasileiro de 2014. Sua identificação com o Grêmio o levou a garantir que havia decidido encerrar a carreira no clube. Talvez daqui um ou dois anos. Felipão falou abertamente que desejava sua permanência para 2015.

Só que o treinador não tinha mais o respaldo de Fábio Koff. Sem os cerca de R$ 15 milhões que a Libertadores deveria render, o novo Romildo Bolzan Junior avisou ao final do Brasileiro. "A folha salaria do Grêmio é de R$ 6,5 milhões. Preciso diminuí-la para R$ 5 milhões. Vou avaliar o elenco." E ele não teve dúvidas. Avisou a Zé Roberto que o clube não bancaria mais os seus salários de R$ 400 mil. O jogador já havia diminuído em R$ 100 mil seus vencimentos para ficar em 2014. Com o troféu Bola de Prata da revista Placar nas mãos, era hora de ir embora. Felipão lamentou profundamente.

1ap7 O Palmeiras deu seu grito de independência de Valdivia. Contratou Zé Roberto. Foi a melhor notícia no sofrido ano do centenário. Oswaldo ganhou seu novo Seedorf...

Foi quando Oswaldo de Oliveira entrou em cena. Ele pediu para o gerente Cícero Souza avisar Alexandre Mattos. O jogador de 40 anos seria ideal na montagem do novo Palmeiras para 2015. Tinha todas as características para repetir a dobradinha que o treinador havia feito no Botafogo, com Seedorf.

Oswaldo nunca trabalhou no Palmeiras. Mas sabe que não pode ficar refém de Valdivia. O instável meia chileno que se acomodou com um contrato de cinco anos, ganhando R$ 475 mil mensais. Desde 2010, o clube não tem saída a não ser aceitar a sua problemática postura. Nos últimos anos, nitidamente mais preocupado com sua carreira na Seleção Chilena do que com o time que lhe paga.

Mattos e Souza são dirigentes vividos. Essa dependência do chileno não se repetirá em 2014. O sonho de Paulo Nobre é a contratação de Conca. Mas entre salários e luvas, ele recebe R$ 900 mil da Unimed. R$ 700 mil só em salários. Fora os R$ 12 milhões que a empresa pagou por 50% dos direitos do argentino. A contratação se mostra inviável se o bilionário dirigente não colocar dinheiro do bolso. Depois dos R$ 153 milhões que emprestou ao Palmeiras, o presidente jura que, em 2015, sua postura será outra.

Cícero Souza e Alexandre Mattos chegaram à conclusão que era uma 'oferta de ocasião'. Um atleta tão comprometido e vencedor como Zé Roberto. Valeria a pena desprezar o preconceito em relação aos seus 40 anos. Paulo Nobre soube o quanto Oswaldo queria o meia. O presidente fez algo que não costuma fazer: ouvir. Entendeu que ele poderia ser o líder e trazer o equilíbrio psicológico que tanto o Palmeiras precisou em 2014. Fora seu talento como jogador.

A princípio Zé Roberto queria um contrato de dois anos. Mas Mattos e Cícero fizeram uma troca. Em vez de 24 meses de compromisso, apenas 12. Em vez do salário de R$ 300 mil que ofereciam, dariam R$ 400 mil até dezembro de 2015. Fora premiação à parte se o clube for campeão paulista, da Copa do Brasil ou Brasileiro. O objetivo claro palmeirense no próximo ano é a classificação para a Libertadores de 2016. E ela também vale premiação a mais para o atleta. Acordo fechado.

1gazeta5 O Palmeiras deu seu grito de independência de Valdivia. Contratou Zé Roberto. Foi a melhor notícia no sofrido ano do centenário. Oswaldo ganhou seu novo Seedorf...

A contratação de Zé Roberto foi a melhor notícia do Palmeiras em todo ano do centenário. Jogador de grande talento, líder, exemplo de dedicação. Não fuma, não bebe, não se envolve em baladas. Tem uma visão tática desenvolvida na Europa que servirá muito a Oswaldo. Sua personalidade firme deverá contagiar o novo grupo que está sendo formado.

Dirigentes, conselheiros e torcedores palmeirenses deverão começar a respirar mais tranquilos. Com Zé Roberto, Valdivia não será mais intocável. Paulo Nobre não precisará ficar de joelhos, aceitando pagar fisioterapeuta particular do meia, os médicos não precisarão buscar motivos para suas contusões demorarem muito a mais para se curar. Diretores fingirem não enxergar suas expulsões e cartões infantis.

Nunca, nestes longos quatro anos e meio, Valdivia perdeu tanto em importância. Finalmente os dirigentes perderam a postura passiva, anestesiada. Zé Roberto pode se transformar em excelente companheiro para o chileno. É tão ou mais talentoso com a bola nos pés. Mas também não haverá problema se o meia tiver mais uma de suas dezenas de contusões ou expulsões. A camisa 10 estará muito bem representada. Talvez até melhor.

A contratação de Zé Roberto é o grito de libertação. Acabou a dependência. Basta comparar os currículos.

Um clube que teve Ademir da Guia, Rivaldo, Edmundo, Jorge Mendonça, Julinho Botelho, Jair da Rosa Pinto, Luis Pereira, Muller havia se apequenado, perdido a autoestima.

A partir de agora, Jorge Luiz Valdivia Toro terá a importância que merece. É um ótimo jogador, blindado por um contrato de cinco anos. Mas o Palmeiras já teve muito melhores. Só havia se esquecido...
2reproducaopalmeiras O Palmeiras deu seu grito de independência de Valdivia. Contratou Zé Roberto. Foi a melhor notícia no sofrido ano do centenário. Oswaldo ganhou seu novo Seedorf...