Publicado em 10/05/2012 às 01h43
O talento e o improviso do Vasco contra a organização e planejamento do Corinthians. Quem merece sobreviver na Libertadores?
A final que não houve no Campeonato Brasileiro de 2011.
Agora vai valer a vaga para a semifinal da Libertadores.
Será o confronto entre a experiência contra a empolgação.
O time paulista foi montado para ganhar a inédita Libertadores.
O carioca é fruto do improviso, onde o talento resolve a falta de planejamento.
"O Corinthians é o favorito.
É o melhor time do Brasil", já foi avisando o rodado e experiente Juninho Pernambucano.
Ele é o grande comandante vascaíno.
O time tirou do coração a classificação diante do Lanús no caldeirão argentino batizado de Forlaleza.
Perdeu a partida pelo placar que poderia: 2 a 1.
Mas arrancou a vaga a fórceps nos pênaltis.
Conseguiu sem o melhor zagueiro do País, o contundido Dedé.
Em São Januário até o espírito de Pai Santana deve estar trabalhando para a sua recuperação.
O sonho é que na quarta-feira no Rio de Janeiro, ele esteja livre do edema ósseo.
Se não estiver, não faz mal.
Cristóvão apostará de novo em Renato Silva e Rodolfo.
O Vasco tem sido assim, no improviso.
Desde o ano passado, quando Ricardo Gomes teve o AVC.
Cristóvão foi improvisado como técnico.
Juninho Pernambucano virou o seu auxiliar dentro de campo.
E os demais jogadores se juntaram em um pacto emocionante.
Há muito talento junto no elenco carioca.
E principalmente vontade de dar a volta por cima.
Diego Souza, Felipe, Éder Luís, Carlos Alberto, Fágner, Alecsandro, Fernando Prass.
E mesmo Nilton, o volante que acertou ontem um belíssimo chute que calou os argentinos.
A superação tem marcado esse grupo que levou o Vasco depois de 11 anos de volta para a Libertadores.
O clube com mais de R$ 400 milhões em dívidas recompensou da pior maneira a campanha fabulosa do ano passado.
O campeão da Copa do Brasil, semifinalista da Copa Sul-Americana e vice do Brasileiro ficou com seus salários atrasados.
A diretoria de Roberto Dinamite assistiu calada os jogadores não se concentrando como protesto.
Depois arrumou dinheiro e o Vasco foi crescendo na Libertadores.
Como o Corinthians, fracassou no estadual.
O que acabou sendo a melhor coisa que poderia acontecer nestas quartas de final.
O rodado time terá uma semana para se preparar.
Descansar da batalha vencida na Argentina.
Lamber as feridas.
Se orgulhar de ter sobrevivido.
E preparar o caldeirão de São Januário para o confronto da próxima quarta-feira.
O primeiro jogo poderá ser fundamental para a batalha.
Os cariocas sabem da obsessão corintiana pela Libertadores.
E quanto ao longo das nove competições que os rivais perderam, o quanto os nervos atrapalharam.
Ganhar no Rio e jogar toda a pressão nos paulistas no Pacaembu.
Este é o plano de Cristóvão e de seus guerreiros de muitas batalhas.
O Vasco chega muito forte para essa decisão...
Assim como o Corinthians.
O único time invicto da Libertadores.
O clube mais cobrado entre todos.
Nenhuma equipe é tão pressionada para vencer a competição sul-americana como o time de Tite.
As vitórias de São Paulo, Santos e Palmeiras tornaram uma desonra ao clube não ter a Libertadores.
A pressão nasce internamente.
Os dirigentes a repassam para o treinador, que repassa aos jogadores.
E os torcedores pressionando a todos.
Graças à influência política de Lula, o Corintians já tem garantido seu estádio.
Agora precisa a Libertadores.
E fez uma campanha impecável até essas quartas.
Se livrou do único ídolo que mantinha no seu elenco: Adriano.
Ao perceber que ele só atrapalharia, Tite o mandou dispensar.
Tratou de apostar tudo na força do conjunto.
Tem uma equipe moderna, muito bem disposta taticamente.
Contra o Emelec ontem no Pacaembu abriu mão do atacante fixo na área, Liédson.
Não havia necessidade de vândalos soltarem rojões na madrugada para deixar os equatorianos acordados.
O Corinthians dominou seus nervos.
Pressionou com toda a autoridade.
E conseguiu quebrar um tabu de 12 anos.
Desde 2000 o time não conseguia passar pelas oitavas de final.
O exorcismo começou aos sete minutos quando Fábio Santos ganhou no peito e na raça da zaga equatoriana e marcou.
Era o plano traçado por Tite dando resultado.
Pressionar o Emelec como um time pequeno desde os primeiro minutos.
Marcar logo no início e domar os nervos dos jogadores e, principalmente, dos ansiosos torcedores.
Depois do gol marcado, o time fez da partida uma festa.
Encurralou os equatorianos na sua grande área.
Foi um massacre.
Os gols de Paulinho e Alex fizeram até um placar tímido.
Pelo que o time paulista jogou poderia ter ganho de cinco, seis a zero.
Emerson foi outra vez o seu melhor e mais inteligente atleta.
Abriu espaço na defesa do Emelec, com dribles, passes e tabelas.
Deu certo Danilo, Alex e Emerson se revezando.
E apenas Willian na frente.
Paulinho e Ralf surgiram bem como elementos surpresa.
O time outra vez usou bem as laterais do campo para desestabilizar o sistema defensivo equatoriano.
Chicão e, principalmente, Leandro Castán, foram muito firmes, seguros.
Cássio desperta confiança na torcida.
Apesar de não ter sido ainda efetivamente testado.
Resumo: tanto Corinthians como Vasco chegam muito bem para as duas batalhas.
Cada um no seu estilo.
Com suas armas e ponto fracos.
O Vasco apostando no talento e no improviso.
E temendo o lado físico de peças fundamentais que se cansam no segundo tempo.
O Corinthians se garante na organização tática, absolutamente estudada e envolvente.
E cruza os dedos para que de uma hora para outra os nervos traiam o time e a torcida.
Não há motivos para cair no velho truque de Juninho Pernambucano.
Não existe favorito neste duelo.
A batalha já começou para vascaínos e corintianos...
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