Palmeiras e Santos decidem o Paulista de 2015. Dois jogos entre os ‘derrubadores de Ibope’. E que a Globo escondeu o máximo que pôde de suas transmissões. Agora, será obrigada a mostrar…

1reproducao36 1024x682 Palmeiras e Santos decidem o Paulista de 2015. Dois jogos entre os derrubadores de Ibope. E que a Globo escondeu o máximo que pôde de suas transmissões. Agora, será obrigada a mostrar...
"Não sei se vai ser nesse domingo o filme dos Três Porquinhos e no outro o do Netuno, o rei dos mares."

Foi assim que Modesto Roma Júnior resumiu a atenção que a Globo reserva para as finais do Campeonato Paulista entre o seu Santos e o Palmeiras. O presidente ironizava sobre o que aconteceu há dois domingos. Quando seu time disputava uma vaga para as semifinais contra o XV de Piracicaba. Ele sabeia que havia sido assim durante todo o torneio. E será assim no restante do ano. Como também, os palmeirenses terão o mesmo tratamento. Serão a terceira opção a ser mostrada aos paulistas.

Os dados dos executivos globais em relação ao Palmeiras levam em conta os últimos anos, quando chegou a ser rebaixado duas vezes. Não os de 2015, que são bons. Mas o rótulo de 'derrubador de Ibope' já estava tatuado na camisa verde.

Há duas semanas, a emissora que monopoliza o futebol no país preferiu mostrar o Espetacular Homem-Aranha do que santistas e piracicabanos. O Santos desde que vendeu Neymar é um reconhecido 'derrubador de Ibope' pelos executivos globais. Assim como os palmeirenses. O barulho da justa revolta dos torcedores nas mídias sociais foi alto demais. Obrigou a emissora a alegar que, por contrato com a FPF só poderia mostrar um jogo por fim de semana. E mostrou, no sábado, Corinthians e Ponte Preta.

Modesto Roma sabe que isso é balela. A Globo é parceira da FPF tanto quanto é da CBF. Se quisesse, mostraria o jogo sem problema algum. Marco Polo del Nero, que comanda as duas instituições, desejava maior publicidade possível no estadual.

O futebol, a bola rolando contrario a emissora carioca. A final do Campeonato Paulista de 2015 reúne as duas piores equipes no Ibope. Santos e Palmeiras. Este ano a Globo só mostrou uma partida do time da Vila Belmiro. Uma só. Justo o clássico contra os palmeirenses. Já o time de Paulo Nobre apenas teve direito a quatro jogos de exposição.

O Corinthians, campeão de audiência, já mostrou seus patrocinadores em 16 partidas na Globo. O São Paulo foi mostrado em 12 jogos, três vezes mais do que o Palmeiras. E 12 do que os santistas. O Danúbio do Uruguai acabou sendo mostrado três vezes este ano.

2reproducao10 Palmeiras e Santos decidem o Paulista de 2015. Dois jogos entre os derrubadores de Ibope. E que a Globo escondeu o máximo que pôde de suas transmissões. Agora, será obrigada a mostrar...

Com o Corinthians e São Paulo classificados para os mata-matas da Libertadores e as sensacionais semifinais da Champions League, entre Barcelona e Bayern e Juventus e Real Madrid, as finais do Paulista ganham na emissora carioca a mesma atenção que o desenho dos Três Porquinhos mereceria.

Está claro que não se espera grandes números do Ibope nos dois próximos domingos. A Globo está muito mais interessada em acompanhar o crescente interesse no futebol europeu, de altíssima qualidade. Barcelona e PSG, pelas quartas da Champions, na terça-feira deu excelentes 16 pontos em plena tarde. A perspectiva é agora esses números aumentem de forma significativa nas semifinais.

Enquanto isso, o favorito Corinthians só chegou a 15 pontos contra a Ponte Preta. Na semifinal de domingo, contra o Palmeiras, a audiência chegou nos 24 pontos consolidados, com pico de 32 pontos.

A alegria nos corredores globais acabou com a certeza de que Santos e Palmeiras ficaram para a decisão.

Palmeirenses e santistas dão o troco à emissora. Cada torcida de sua maneira. Na semifinal contra o São Paulo, na Vila Belmiro, a direção de tevê da Sportv,que transmitia o jogo para quem paga, tomou uma decisão. Iria mostrar a feliz torcida do vencedor comemorando. Fixou imagem e abriu o som. Foi um enorme erro. O coro era altíssimo e nítido: "Chupa Globo, o Santos está na final de novo". Além disso, centenas de torcedores levavam e exibiam a singela faixa "Chupa Globo, emissora de Gambá". A alusão é ao Corinthians. Prometem fazer a mesma coisa nos dois clássicos contra o Palmeiras.

Já os palmeirenses usam a Internet para até tentar boicotar, fazer com que a sua torcida não assista a partida na emissora que chamam pelas iniciais, RGT, Rede Globo de Televisão.

Nesse clima de 'fraternidade e amor entre os cidadãos' que o Campeonato Paulista de 2015 está chegando ao final nas telas da tevê aberta. Com a emissora que detém o direito de transmissão mostrando as finais entre os times que não a interessava. Que escondeu durante todo este ano.

Enquanto os diretores de programação globais anseiam pelo mata-mata na Libertadores. Assim como pelas semifinais da Champions League. Ou pelo Campeonato Brasileiro. Até lá são obrigados a mostrar não somente uma, mas duas vezes santistas e palmeirenses duelando. Em dois domingos. A saudade de Corinthians e São Paulo será imensa.

Esta é a relação entre a dona do monopólio do futebol no Brasil e os clubes que não são seus prediletos. E que recebem muito menos do que Corinthians e Flamengo. Quanto menos jogos transmitidos, menos interesse as empresas têm em colocar dinheiro para aparecer em suas camisas. Menos estímulo para novos torcedores. Menos divulgação no Exterior.

Por isso não estranhe se, no hora da decisão do Campeonato Paulista, a Globo estiver mostrando o Lobo Mau tentando derrubar a casa dos Três Porquinhos. Atração mais atraente para seus executivos do que o clássico entre os derrubadores de Ibope: Santos e Palmeiras...
 Palmeiras e Santos decidem o Paulista de 2015. Dois jogos entre os derrubadores de Ibope. E que a Globo escondeu o máximo que pôde de suas transmissões. Agora, será obrigada a mostrar...

A Fox Sports se impôs de vez na Libertadores. Exigiu jogos exclusivos do Corinthians e São Paulo no mata-mata. A Globo teve de aceitar. Acabou a farra…

1reproducao34 A Fox Sports se impôs de vez na Libertadores. Exigiu jogos exclusivos do Corinthians e São Paulo no mata mata. A Globo teve de aceitar. Acabou a farra...
A Fox Sports fez valer seu direito como maior investidora na Copa Libertadores. E ficou o filé da transmissão dos jogos das oitavas de final. Fez com a Globo o que a emissora carioca faz com a Bandeirantes. Escolheu os jogos mais importantes, para o mercado que a interessa: o paulista.

E acabou de vez com o casamento entre Globo e Corinthians. Ficou com a partida entre o time de Tite e o Guaraní, no Paraguai. A emissora do bilionário Rupert Murdoch vai mostrar a partida de ida do clube mais popular de São Paulo, na quarta-feira, seis de maio. No horário das 19h45.

No mesmo dia, a Globo vai mostrar São Paulo e Cruzeiro, após a novela, no horária que adora, às 22 horas. Mas nada de mostrar sozinha: terá a companhia da Fox Sports.

Na outra semana, dia 13 de maio, a emissora a cabo ficou com Cruzeiro e São Paulo, definição da vaga, em Belo Horizonte. E as 22 horas, Corinthians e Guaraní, no Itaquerão, mostrado pelos dois canais.

Além disso, a Fox Sports também transmitirá os jogos entre Internacional e Atlético Mineiro para todo o país, inclusive São Paulo.

2reproducao9 A Fox Sports se impôs de vez na Libertadores. Exigiu jogos exclusivos do Corinthians e São Paulo no mata mata. A Globo teve de aceitar. Acabou a farra...

A Globo queria que a Fox Sports ficasse com os dois confrontos entre São Paulo e Cruzeiro e nenhum jogo do Corinthians com exclusividade. Mas não conseguiu impor sua vontade. A concorrente brigou e conseguiu o jogo no Paraguai. E abriu mão da exclusividade da primeira partida entre São Paulo e Cruzeiro, no Morumbi. Não houve como a emissora carioca reverter a situação.

A situação é inusitada para a Globo. Perder jogos do Corinthians na fase de grupos já foi de difícil assimilação. Mas não mostrar a primeira partida do mata-mata foi algo mais do que inesperado. Os executivos tentaram de toda a maneira fazer com que o jogo no Paraguai fosse às 22 horas. Não houve como. A Fox Sports fez valer os seus direitos.

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A emissora a cabo está pegando gosto pela coisa. Danúbio e Corinthians que mostrou com exclusividade foi a segunda maior audiência do canal a cabo este ano. Só ficou atrás do Capitão América, que o Telecine abriu o sinal para quem quisesse ver, sem pagar. Ganhou até das tevês abertas.

Na estreia do narrador Nivaldo Prieto, a Fox Sports mostrou San Lorenzo e São Paulo, na Argentina. Foi a mais assistida entre os canais a cabo. E só perdeu para a tevê aberta para a própria Globo.

O ambiente na nova emissora é de euforia. O monopólio da Globo sempre assustou as concorrentes. Mas para a Conmebol não pesa qualquer influência que seja diferente do dinheiro. Pagou mais, levou.

Por isso são tão comemorados esses jogos exclusivos do Corinthians. E mais. Abre perspectivas para sonhar mais alto. Será difícil nesta edição da Libertadores. Mas o cenário mostra que não é impossível a Fox Sports mostrar, por exemplo, uma partida semifinal do time mais popular de São Paulo nas semifinais.

Não há mais espaço para ingenuidade e amadorismo. Demorou, mas a Globo encontrou pela frente uma inimiga no campo esportivo. Acabou a festa exclusiva com o Corinthians. E não só ao clube paulista. A atitude da concorrente será a mesma em relação também ao Flamengo, clube mais popular do Brasil. Caso se classifique para a Libertadores, em 2016, a emissora de Murdoch também vai exigir jogos exclusivos.

A parceria entre a Fox Sports e a Globo vai continuar na competição mais importante da América do Sul. Só que cada vez lembrará o que a Globo faz com a Band no Brasileiro, no Paulista e na Copa do Brasil. Deixa a emissora paulista mostrar ou o mesmo jogo ou a partida que não a interessar.

A Globo mostrou ontem São Paulo e Corinthians para os paulistas. A Band? Salgueiro de Pernambuco contra o Flamengo pela Copa do Brasil. Fácil imaginar o interesse em São Paulo dessa partida. O clássico deu 32 pontos. O jogo do time de Luxemburgo ficou com 0,8 ponto.

A farra global foi ótima enquanto durou...
3reproducao5 A Fox Sports se impôs de vez na Libertadores. Exigiu jogos exclusivos do Corinthians e São Paulo no mata mata. A Globo teve de aceitar. Acabou a farra...

Diretoria do Corinthians frustrada com Tite. A proteção a Sheik e a Vagner Love terá de acabar. Assim como a postura acovardada contra o São Paulo. Dirigentes não querem que o técnico repita os erros de 2013.

 Diretoria do Corinthians frustrada com Tite. A proteção a Sheik e a Vagner Love terá de acabar. Assim como a postura acovardada contra o São Paulo. Dirigentes não querem que o técnico repita os erros de 2013.
Há um grande medo na direção do Corinthians. O trauma com algo já vivido, sofrido. E que custou um ano de frustração no Parque São Jorge. A proteção de Tite a jogadores que comprometem o time. A cegueira que domina o técnico quando alguém que confia o decepciona. Em 2013, ele se grudou à equipe campeã da Libertadores e Mundial. Não percebeu ou não quis perceber que ela estava cansada, envelhecida. Resultado, foi dispensado do Corinthians.

Agora no seu retorno, sinais da 'síndrome das ovelhinhas' o ronda novamente. A expressão se explica. Em 2001, o Grêmio, comandado por Tite, venceu a Copa do Brasil derrotando o Corinthians de Vanderlei Luxemburgo por 3 a 1. O título chamou a atenção do país ao então jovem treinador.

Em 2003, o técnico seguia mantendo a base campeã. Mas o time não rendia. Um repórter do Zero Hora ligou para falar com o então presidente Flávio Obino. Ele não quis atender e pensou que houvesse desligado o celular. Não desligou. O jornalista ouviu então duras críticas do dirigente ao 'pastor Tite e suas ovelhinhas', jogadores que mantinha apenas por lealdade, agradecimento à Copa do Brasil.

12 anos depois, o medo dos dirigentes corintianos em relação a Tite se prende a dois nomes: Emerson Sheik e Vagner Love. Por motivos diferentes, os dois seguem protegidos, blindados pelo treinador, mesmo depois do que estão mostrando em campo.

O caso de Emerson é exemplar. O homem que manda no clube, Andrés Sanchez, o queria longe do Parque São Jorge. O atacante ganha R$ 520 mil mensais. E é detestado pela torcida desde que beijou na boca um dono de restaurante e colocou a foto na Internet. O jogador buscava desviar o foco por ter humilhado Tite. Ele se recusou a cumprimentar o treinador que o substituíra no confronto pelo Brasileiro, contra o Coritiba. Justo o técnico que havia implorado por sua renovação de contrato. Percebendo o erro, Sheik resolveu dar o beijinho e se dizer contra a homofobia.

O efeito foi contrário. O ex-presidente e delegado Mario Gobbi permitiu que os chefes das organizadas fossem até ao treino do Corinthians e 'enquadrassem' o atacante. Ele ouviu gritos, foi humilhado e se retratou. Disse que não era homossexual 'porque não era são paulino'. Mano Menezes o detestava. E o mandou para o Botafogo. Andrés o queria fora do Corinthians em 2015. Mas Tite insistiu, tinha certeza que ele seria importante na Libertadores.

O jogador que fará 37 anos em setembro começou muito bem a temporada. Mas ontem voltou a aprontar, a se deixar dominar pelo ego como um juvenil. Rafael Tolói foi maldoso e pisou, de propósito, na sua canela. Sandro Meira Ricci deveria ter dado cartão vermelho ao são paulino. Nada fez. Emerson resolveu descontar. E deu um chute leve, sem bola, para derrubá-lo. Agressão estúpida e que mesmo sendo branda, merecia o vermelho. Deixou o Corinthians com dez jogadores com apenas 18 minutos de partida. Ele já é o jogador mais indisciplinado do elenco: são quatro amarelos e um vermelho em 2015.

 Diretoria do Corinthians frustrada com Tite. A proteção a Sheik e a Vagner Love terá de acabar. Assim como a postura acovardada contra o São Paulo. Dirigentes não querem que o técnico repita os erros de 2013.

Os dirigentes esperavam uma atitude firme de Tite após a derrota. Ele já se antecipou e disse que não punirá o atacante. "Claro que nós não queremos ter jogadores expulsos, tal qual coloquei quando nós vencemos em outras ocasiões. Eu tenho suficiente bagagem para não externar meus problemas, mas disciplina eu prezo muito. A equipe comete erros, está aqui para retomar, corrigir, mas não vou expor de forma pública. Não vou colocar 'Ah, perdemos por isso, por aquilo'... Não vou!"

Todos os setoristas, jornalistas que vão diariamente ao Corinthians, sabem da profunda amizade entre Tite e Sheik. A impressão de tratamento especial ao veterano jogador, fundamental na conquista da Libertadores de 2012, só ficou mais forte. Ele prejudicou de forma infantil o Corinthians ontem. De nada adianta postar foto mostrando a canela marcada pelo pisão de Tolói. Não se justifica derrubá-lo sem bola, de costas. Mereceu o cartão vermelho.

Outra situação é a de Vagner Love. O jogador foi contratado por imposição do ex-presidente Mario Gobbi. Um dos seus últimos atos. Ofereceu contrato de ano e meio ao atacante. R$ 500 mil mensais. Fez de sua cabeça. Era sonho pessoal vê-lo vestindo a camisa corintiana. Desde 2005, quando quase foi contratado, Gobbi desejava materializar a transação.

Mas o dirigente só justificou o que falou quando assumiu o cargo de diretor de futebol, cargo que ganhou como compensação por ter perdido a eleição para a presidência do Conselho Deliberativo. "Não entendo nada de futebol", garantiu em 2007. Oito anos depois, comprovou que não aprendeu. Vagner Love já era um jogador em decadência quando foi liberado pelo Shandong Luneng. Suas arrancadas, a velocidade, haviam ficado no passado distante. Mesmo assim, Gobbi o contratou sem consultar ninguém. Ordenou que o gerente de futebol, Edu Gaspar, fechasse a transação.

 Diretoria do Corinthians frustrada com Tite. A proteção a Sheik e a Vagner Love terá de acabar. Assim como a postura acovardada contra o São Paulo. Dirigentes não querem que o técnico repita os erros de 2013.

Com a dengue de Guerrero, Tite tinha duas opções. Fixar Danilo que estava dando muito certo improvisado no lugar do peruano. Ou colocar Love. O treinador percebia toda a vontade do jogador recém-chegado da China. Dos primeiros a chegar aos treinamentos e dos últimos a ir embora. Ele quer se reinventar. Só que há um detalhe que não fugiu do olhar dos jornalistas no Parque São Jorge: está treinando e jogando muito mal. Mesmo assim e, inexplicavelmente, o treinador foi dando chances que o atacante desperdiçou. Tem sido uma nulidade em jogos fundamentais como contra o Palmeiras e ontem diante do São Paulo.

Os dirigentes também estão surpresos em relação ao emocional de Tite. O treinador que fez de 2014 um ano sabático, só de estudos. Destrinchou esquemas dos grandes clubes europeus. Impôs a intensidade nos primeiros jogos do Corinthians neste ano. Responsável pela invencibilidade de 26 partidas. Mas que demonstra não saber lidar com as decepções.

O técnico impôs luto no Parque São Jorge depois da eliminação da final do Paulista para o Palmeiras. Proibiu seus jogadores de falarem antes da partida contra o São Paulo. Deixou o ambiente exageradamente tenso. O que só atrapalhou os nervos dos jogadores ontem no Morumbi.

A postura tática, acovardada, no segundo tempo contra o Palmeiras e durante todo o jogo diante do São Paulo também reflete. Mesmo antes da expulsão de Sheik, o time já estava todo atrás, encolhido como uma equipe pequena. Conselheiros estão se queixando, irritados. Viram o mesmo Corinthians de 2013. Foi refreado o otimismo exagerado em relação a Tite. A eliminação e a derrota diante de dois rivais foram pesadas demais.

Tudo fica pior porque o treinador toma a frente do grupo. Sutilmente quer que a diretoria resolva o problema dos atrasos. Nos direitos de imagem, nos salários e até premiação pela classificação à Libertadores. Os dirigentes tentam um empréstimo com a Caixa Econômica Federal. A dívida já ultrapassaria R$ 20 milhões.

Em meio a tudo isso, as duas únicas notícias boas são a volta de Guerrero ao treinamento, já livre da dengue. E a certeza que o Guarany do Paraguai é um adversário mais fácil nas oitavas do que qualquer brasileiro. Se conseguir eliminá-lo, o próximo confronto nas quartas, também não assusta: o vencedor de Racing e os uruguaios do Wanderers. Ou seja, adversário de primeiro nível só na semifinal da Libertadores. Até lá, muita coisa deve mudar no Corinthians.

Roberto de Andrade e Andrés não querem novo 2013. O time precisa voltar a vencer. Até porque precisam desesperadamente do dinheiro que a Libertadores pode trazer aos combalidos cofres corintianos...
2ae17 Diretoria do Corinthians frustrada com Tite. A proteção a Sheik e a Vagner Love terá de acabar. Assim como a postura acovardada contra o São Paulo. Dirigentes não querem que o técnico repita os erros de 2013.

O São Paulo redescobriu sua alma. Fez o que quis do Corinthians de Tite. 2 a 0 foi pouco. E também se classificou para os mata-matas da Libertadores. A noite foi de delírio no Morumbi…

1reproducao33 O São Paulo redescobriu sua alma. Fez o que quis do Corinthians de Tite. 2 a 0 foi pouco. E também se classificou para os mata matas da Libertadores. A noite foi de delírio no Morumbi...
O São Paulo redescobriu sua alma. Fez sua melhor partida desde dezembro de 2012, quando foi campeão da Sul-Americana contra o Tigre. Hoje no Morumbi, o time de Milton Cruz fez o que quis do Corinthians de Tite. Quebrou sua invencibilidade de 26 jogos. Fez um primeiro tempo primoroso. Misturou intensidade, personalidade, raça, talento. Teve posse de bola de Bayern de Guardiola, 64% contra apenas 36% do rival. E marcou 2 a 0.

O São Paulo não só venceu a partida e se classificou para os mata-matas. Redescobriu o orgulho. Desde 2007 não ganhava do Corinthians no Morumbi. A sua desconfiada torcida acabou o jogo gritando olé, tamanho o domínio são paulino. Mesmo pressionado, Sandro Meira Ricci errou em não dar vermelho a Tolói que pisou em Emerson. Mas expulsou de maneira correta Sheik, Luís Fabiano e Mendoza. Se tivesse tirado o zagueiro são paulino do jogo, a partida poderia ter outro rumo.

"O time esteve muito concentrado, focado. O São Paulo teve domínio de 90% do jogo hoje, como o Corinthians teve em sua casa. Vamos enfrentar o Cruzeiro, um time forte e muito justo. Mas motivado e aguerrido como hoje, nós enfrentamos todos os times da Libertadores. Vamos brigar por uma coisa muito maior do que esse sofrimento que vínhamos passando até hoje.

"O São Paulo é um time muito especial, e nossa preleção hoje, antes de sair do CT, nos fez ganhar o jogo. Viemos para cá com convicção de vitória. A marcação pressão, todo mundo correndo, tentamos fazer isso para encurtar o espaço deles. Era tomar a bola no campo de defesa deles. O time soube fazer isso, mesmo antes da expulsão do Emerson", comemorava Rogério Ceni, que adiou sorrindo a aposentadoria para agosto.

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Doeu perder para o rival. Mas o Corinthians não tem do que reclamar do seu adversário nas oitavas-de-final, o Guaraní do Paraguai. Já o São Paulo precisa manter essa pegada. O confronto será contra o Cruzeiro.

Milton Cruz surpreendeu a todos. Até dirigentes do São Paulo. Mesmo precisando desesperadamente da vitória, o treinador colocou seu time com um atacante só, Luís Fabiano. Nada da velocidade de Centurión ao seu lado. Pelo contrário, o eterno interino no Morumbi escolheu preencher o meio de campo. Decidiu pagar na mesma moeda o que Tite fez no Itaquerão no primeiro confronto entre os times nesta Libertadores.

Milton colocou não só três volantes, como foi muito explorado na divulgação da escalação no Morumbi. Ele distribui o São Paulo no 4-1-4-1. Mas sua espetacular contribuição foi a mudança da atitude dos são paulinos. Nem parecia os mesmos jogadores que, submissos, perderam para o Santos na semifinal do Paulista. E que há muito tempo não passava confiança a seus torcedores.

O time enorme determinação. Vontade de ganhar. Se desdobrou em campo. Em toda disputa, principalmente no primeiro tempo, havia dois, três jogadores do São Paulo para um corintiano. Foi um massacre. Foi fazendo o Corinthians se encolher. O plano tático de Tite era marcar forte no meio de campo, para sair no contragolpe, explorando o provável nervosismo são paulino. Mas só que o tricolor entrou confiante, sabendo o que iria fazer. Mostrar que estava na sua casa, o Morumbi.

Foi impressionante como conseguiu imprensar o Corinthians em seu campo. Era como se fosse a partida de um time grande contra um pequeno. Os jogadores são paulinos jogavam com sangue nos olhos. Queriam calar todos que duvidavam não só do seu potencial. Se desdobraram para provar que tinham vergonha na cara. Mostravam até para Carlos Miguel Aidar e os companheiros de diretoria que não havia a necessidade de uma reformulação no elenco. Esta ameaça foi muito usada. Foi o ingrediente a mais na estratégia estudada e colocada em prática por Milton Cruz.

5reproducao O São Paulo redescobriu sua alma. Fez o que quis do Corinthians de Tite. 2 a 0 foi pouco. E também se classificou para os mata matas da Libertadores. A noite foi de delírio no Morumbi...

O plano foi preciso. O São Paulo dominou o meio de campo e entrou em campo com dois laterais ofensivos. Que tinham a missão de explorar o ponto fraco corintiano: os cruzamentos. Qualquer bola que chegue dos lados na área é um desespero para a zaga corintiana. Felipe melhorou muito com Tite, mas continua instável. O que piora o futebol de Gil. Está claro que ele não confia no seu companheiro de miolo de defesa.

O jogo já começou de maneira impressionante. A um minuto cobrou falta da esquerda, Doria cabeceou sozinho e a bola passou muito perto da trave de Cássio. O lance incendiou a descrente torcida e deu confiança instantânea ao São Paulo. Michel Bastos outra vez era o grande jogador. Ele ditavam o ritmo, a correria, a pressão desenfreada contra o Corinthians.

Milton Cruz deixou seu time marcando a saída de bola corintiana. Admirador do futebol europeu, o treinador interino do São Paulo parecia ter copiado o Bayern de Guardiola. Sem comparar o talento dos jogadores do time alemão, evidente. Mas a distribuição do time. Uma postura incomum em equipes brasileiras. A compactação era na intermediária corintiana, não no meio de campo, como atua a grande maioria dos times nacionais. Sem medo de bolas nas costas. Porque o Corinthians não tinha um velocista.

Tite deve ter dado a última oportunidade a Vagner Love. Outra vez ele foi de uma nulidade absoluta. Ele deveria ser o jogador de definição. Mas outra vez abaixou a cabeça e repetiu sua improdutividade. O jogo estava terrível desde o início aos corintianos. Não bastasse o esquema acovardado de Tite, o ânimo dos atletas era surpreendente. Parecia que todos estavam de luto. Ainda pela eliminação da final do Paulista pelo Palmeiras.

O time estava cabisbaixo, sem confiança, irritado. E aos 18 minutos, Sheik, por ego colocou tudo a perder. Em uma dividida, ele foi pisado por Tolói. As câmeras pegaram o pisão, Sandro Meira Ricci, não. Foi um erro grave. A jogada seguiu e Sheik, quis descontar. Deu um toque por baixo no pé do zagueiro são paulino. O espírito de Paulo Autran baixou em Tolói, ele rolou no gramado, tremeu, parecia ferido de morte. Conseguiu o justo cartão vermelho a Emerson. Embora a pancada tenha sido leve, foi agressão sem bola.

 O São Paulo redescobriu sua alma. Fez o que quis do Corinthians de Tite. 2 a 0 foi pouco. E também se classificou para os mata matas da Libertadores. A noite foi de delírio no Morumbi...

O Corinthians já era massacrado pelo São Paulo quando eram onze contra onze. Com um jogador a menos, virou presa fácil. Só faltavam os gols. E eles vieram. O primeiro, com Luís Fabiano. Hudson recebeu o que? Cruzamento da esquerda. Bateu, a bola tocou no braço de Uendel e sobrou para o atacante marcar seu primeiro gol na Libertadores. São Paulo 1 a 0, aos 31 minutos.

O time de Milton Cruz queria mais. Não fez o que clubes brasileiros costumam fazer. Nada de recuar, buscando contragolpes. Queria decidir o jogo, conseguir o placar. E foi o que fez aos 39 minutos, em um chute de Michel Bastos de fora da área. Cássio falhou. Foi enganado pelo pique da bola. São Paulo 2 a 0.

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Tite teve uma participação medíocre na partida. Ele já estava sem Sheik. Deveria ter tirado Vagner Love quando estava perdendo por 1 a 0. Faltava velocidade. Acabou colocando Mendoza e tirando o inútil atacante que veio da Rússia só no intervalo.

No segundo tempo, o São Paulo estava melhor. Mas sem se desgastar tanto com a frenética marcação dos primeiros 45 minutos. Quando o Corinthians mostrava um pouquinho mais de coragem vieram duas expulsões. Luís Fabiano se desentendeu com Mendoza. O colombiano deu um tranco no brasileiro. Acertou o braço. O atacante são paulino fingiu que havia acertado seu rosto. Ambos foram de maneira justa expulsos.

A partir daí, dez contra nove, o ritmo diminuiu de vez. O São Paulo sabia que havia vencido o jogo. Não correria risco. E os corintianos não conseguiam articular jogadas de perigo. Os dois times sabiam que a partida estava decidida. Mas os donos da casa seguiram tentando marcar mais gols, transformar a vitória em uma goleada.

Surpreendente a postura submissa corintiana. O time aceitou a derrota desde o início do jogo. Portanto não há como se deixar levar pela desculpa que o time pretendia o Guaraní paraguaio. A equipe de Tite jogou muito mal. Mereceu perder a invencibilidade de 26 jogos, algo que não alcançava havia 58 anos. O treinador precisa não só de Guerrero, mas descobrir uma nova maneira de o Corinthians atuar. Novas variações táticas se quiser ir longe na Libertadores.

 O São Paulo redescobriu sua alma. Fez o que quis do Corinthians de Tite. 2 a 0 foi pouco. E também se classificou para os mata matas da Libertadores. A noite foi de delírio no Morumbi...

Já o São Paulo que vive ainda sua expectativa de mudanças, já está quase desistindo de Sabella e investindo novamente em Luxemburgo, tem mais é que comemorar. Nem seus dirigentes acreditavam na vitória contra o Corinthians. O resultado consolida a relação entre Aidar e Milton Cruz. O presidente está mudando de ideia, pensando em manter o interino na nova Comissão Técnica de um treinador que ainda vai chegar.

O importante é que o time redescobriu seu potencial. A vontade, honrou a camisa vitoriosa do São Paulo. O caminho passava muito mais pela psicologia do que pelos corriqueiros treinamentos no CCT da Barra Funda.

"A gente dependia só de nós para chegar a essa classificação, então colocamos na mesa o que estava errado e o que podia melhorar. Uma das coisas faladas é que tinha que ter muita garra e força de vontade para vencer uma grande equipe como o Corinthians, que não perdia há um tempão. Fizemos um grande primeiro tempo e com o resultado, vamos dizer assim, na mão, pudemos cadenciar e segurar no fim. Isso que a torcida estava esperando, essa garra, esse sentimento. É manter esse ritmo que nós vamos longe."

O São Paulo renasceu na Libertadores. E o Corinthians precisa se reinventar...
 O São Paulo redescobriu sua alma. Fez o que quis do Corinthians de Tite. 2 a 0 foi pouco. E também se classificou para os mata matas da Libertadores. A noite foi de delírio no Morumbi...

Anderson Silva disputando vaga na Olimpíada é a vitória da Lei de Gerson, do jeitinho. Ele é um ídolo. Mas que foi pego dopado. Precisa cumprir sua punição. Por mais patrocinadores que vá perder…

1ae26 Anderson Silva disputando vaga na Olimpíada é a vitória da Lei de Gerson, do jeitinho. Ele é um ídolo. Mas que foi pego dopado. Precisa cumprir sua punição. Por mais patrocinadores que vá perder...
Um dos mais profundos princípios das artes marciais é a ética. Anderson Silva é motivo de orgulho, o maior ídolo de MMA deste país. Um dos maiores na história do UFC. Acumula recordes e mais recordes. Exemplo de superação, de vida, ícone de milhões de adolescentes no mundo todo. Apesar de todos esses predicados, ele não tinha o direito de se candidatar à uma vaga no time brasileiro de taekwondo.

Por um simples motivo. Ele está suspenso, proibido de lutar por ter sido flagrado dopado. Drostanolona e androsterona, esteroides anabolizantes e mais ansiolítico, drogas para o sono. Tudo foi encontrado no seu sangue. Substâncias artificias que melhoraram seu desempenho dentro do octógono, na luta contra Nick Diaz. Algo inconcebível. Está suspenso preventivamente. Mas pode ser punido e ter de ficar dois anos longe dos combates pela Comissão Atlética de Nevada, a (NSAC).

Não há defesa. Os exames e as contraprovas vão na mesma direção. Anderson Silva estava dopado quando pisou no octógono. Pouco importa se foram os médicos tentando acelerar sua recuperação pela perna esquerda quebrada. Ou se foi ele mesmo quem decidiu se dopar. A responsabilidade é dele.

A situação deveria correr seu rumo normal. Enfrentar o julgamento, aceitar a punição. Pensar com calma se vale a pena esperar o tempo passar e continuar a carreira. Afinal de contas, já completou 40 anos. E o seus últimos desempenhos ficaram muito a desejar.

Mas acontece que Anderson Silva não é apenas um lutador. Ele está cercado por uma engrenagem montada para ganhar dinheiro, muito dinheiro. A Spider Company é uma empresa que cuida da imagem do jogador. Ele já foi agenciado pela 9Ine de Ronaldo Fenômeno. Mas percebeu que poderia ganhar muito mais sozinho.

Midiático, patrocínio é o que não falta. Ou faltava. Burger King, Wizard, Duracell (Procter & Gamble), Vivo, Budweiser (InBev), General Optical, Philips, Renault, HDI e Hublot. Passou um tempo lutando com as cores do Corinthians. Fora ter se tornado embaixador remunerado de Furnas por R$ 240 mil.

1reproducao32 Anderson Silva disputando vaga na Olimpíada é a vitória da Lei de Gerson, do jeitinho. Ele é um ídolo. Mas que foi pego dopado. Precisa cumprir sua punição. Por mais patrocinadores que vá perder...

Quando ganhou mais dinheiro de patrocínio foi em 2012, quando ganhou a revanche de Chael Sonnen. No total, R$ 5,2 milhões. Vários debandaram depois do anúncio de doping. Ele não fez mais qualquer publicidade desde então. A expectativa é que deva embolsar cerca de R$ 800 mil de patrocínios antigos. Mas hoje ninguém quer vincular sua marca à imagem de um lutador dopado. Simples e dolorido assim.

Anderson é milionário. Suas lutas rendiam entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões cada. Ele era um dos lutadores que mais recebiam no pay-per-view. Agora a fonte secou. O presidente do UFC, Dana White, ficou muito decepcionado com o brasileiro. Ele era uma dos grandes responsáveis pela entidade ter se tornado bilionária. Havia virado uma lenda no octógono. Até explodir o doping. Ele teve até de deixar de ser um dos técnicos do TUF Brasil. Até chorou ao saber que estava proibido de seguir no reality show.

As coisas não poderiam continuar como estavam. Foi quando alguém do seu estafe se lembrou das Olimpiadas de 2016. A Wada, que regula os atletas dopados do mundo todo, não tem nada contra Anderson. Por um simples motivo. Ela acompanha os atletas olímpicos. O MMA nunca foi olímpico. Ou seja, a NSAC não tem qualquer ligação com a Wada. Mesmo culpado, Anderson Silva está confortável. Está livre para disputar os Jogos do Brasil em 2016.

Ele sempre adorou boxe. Mas aos 40 anos seria difícil ganhar a seletiva. Preferiu escolher o taekwendo. Mesmo tendo abandonado o esporte há 23 anos. E lá foram os marqueteiros de Anderson Silva espalhar a notícia. Ele quer disputar a seletiva olímpica da modalidade.

"O Anderson Silva querer participar, acho que para o taekwondo é uma grande conquista, uma grande importância. É um esporte em desenvolvimento e com um trabalho muito bem feito. Será benéfico. Em relação ao doping, nós defendemos que o doping é uma questão zero, mas no mundo diversos atletas campeões olímpicos tiveram em algum momento do passado problema de doping. Ele cumprindo o que for estabelecido pela Comissão de Nevada, estará pronto para competir sem problemas."

2ae16 Anderson Silva disputando vaga na Olimpíada é a vitória da Lei de Gerson, do jeitinho. Ele é um ídolo. Mas que foi pego dopado. Precisa cumprir sua punição. Por mais patrocinadores que vá perder...

A declaração festiva de boas-vindas é de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e do Comitê Rio 16. É a maior autoridade brasileira relacionada à Olimpíada. O dirigente ficou tão empolgado porque seria sensacional ter um astro mundial na competição que organiza. Com atraso e caros gravíssimos e insolúveis como a poluição na Baía da Guanabara. Anderson desvia o foco. Por isso o doping foi minimizado.

O atleta terá tempo para se preparar. A seletiva de taekwondo acontecerá apenas em janeiro de 2016. Nove meses são suficientes para um atleta excelente para Anderson se readaptar à luta. Concorrentes às vagas pelo Brasil tentaram ridicularizá-lo. Mas no fundo sabem que um lutador excepcional como Anderson pode sim se tornar um grande adversário. Mesmo quarentão.

Ele soube da ironia dos competidores brasileiros. E devolveu com fina ironia hoje, na entrevista de confirmação nas seletivas.

"Claro que meus companheiros têm alguma razão no que eles falaram, com certeza, parei de treinar taekwondo quando eu tinha 17 anos, então a dificuldade que vou encontrar do taekwondo da minha época para o de hoje é muito maior. Mas é um desafio ao qual estou disposto a enfrentar, não estou preocupado em passar vergonha, até pelo que fiz pelo esporte.

"Tudo que o taekwondo me deu serviu para que eu levasse o país aonde precisava levar, que era transformar nosso país durante muito tempo na maior força dentro do MMA mundial. No taekwondo vou tentar fazer a mesma coisa, não por ter que provar algo para alguém, mas estou aqui para ajudar o esporte e fortalecer quem me fortaleceu durante anos."

O cenário está pronto. Há fotos de Anderson com quimono treinando. Seus representantes estão ávidos. Com certeza haverá algum patrocinador disposto a voltar. Ou um novo, quem sabe, acreditando no seu renascimento. Quem sabe do próprio governo?

1furnas Anderson Silva disputando vaga na Olimpíada é a vitória da Lei de Gerson, do jeitinho. Ele é um ídolo. Mas que foi pego dopado. Precisa cumprir sua punição. Por mais patrocinadores que vá perder...

Mas e a essência das artes marciais, como fica? Anderson Silva sabe que, infelizmente, foi pego dopado. Mas de uma maneira esperta não cumprirá qualquer punição. Pelo contrário. Se usar seu talento, seu dom, poderá até ganhar uma medalha olímpica. Justo o símbolo mais puro de princípio, de vitória no esporte.

Não tem cabimento Anderson Silva disputar seletiva alguma para a Olimpíada do Brasil. Sua presença será a vitória da impunidade, do jeitinho, da lei de Gerson. Um mestre como ele não deveria se prestar a esse papel. Em nome de seu legado não só no esporte. Na vida...
1afp3 Anderson Silva disputando vaga na Olimpíada é a vitória da Lei de Gerson, do jeitinho. Ele é um ídolo. Mas que foi pego dopado. Precisa cumprir sua punição. Por mais patrocinadores que vá perder...

Truque velho. Só mostra o quanto o São Paulo é fraco nos bastidores da Conmebol. Aidar tenta desviar o foco da incompetência, o medo de ser eliminado da Libertadores pelo Corinthians. E pressiona Sandro Meira Ricci…

1ae25 1024x681 Truque velho. Só mostra o quanto o São Paulo é fraco nos bastidores da Conmebol. Aidar tenta desviar o foco da incompetência, o medo de ser eliminado da Libertadores pelo Corinthians. E pressiona Sandro Meira Ricci...
Em 1987, o grupo 3 da Libertadores da América reunia São Paulo, Guarani, Cobreloa e Colo Colo. O clube do Morumbi havia conquistado o Campeonato Brasileiro de 1986. Na época, a diretoria do Morumbi estava empolgada, garantia que faria história venceria a competição sul-americana. Mostrava que poderia ganhar o Mundial Interclubes.

Mas o São Paulo foi um fracasso na Libertadores. O vexame foi imenso. O time acabou desclassificado na fase de grupos. Foi o último colocado, com uma campanha pífia. Ganhou um jogo. Empatou dois. E perdeu três. Quem era o presidente há 28 anos? Carlos Miguel Aidar. Ou seja, vexame na competição não é novidade para ele.

Essa história precisa ser relembrada pela atitude que o dirigente teve ontem. Carlos Miguel usou o mais velho dos truques. Que talvez pudesse dar resultado há 28 anos, mas agora não. Ele decidiu desviar o foco de toda a falta de competência com que tem administrado o São Paulo. Juvenal Juvêncio nunca foi um exemplo de modernidade. Pelo contrário, o tempo passou e mostrou que sua tirania só prejudicou o clube que diz amar.

Mas com Carlos Miguel a situação não melhorou. Piorou. O São Paulo chega hoje a seu jogo fundamental para a sobrevivência na Libertadores. Com Milton Cruz, um interino, comandando a equipe. O presidente segurou Muricy Ramalho, um treinador adoentado, atormentado pelas dores abdominais quase um ano. Não viu que ele não tinha forças para continuar. Mesmo assim, lavou as mãos. Até que o time sucumbiu.

O elenco é formado por jogadores sem confiança, traumatizados e sem a menor unidade ou união. Atletas importantes como Paulo Henrique Ganso e Luís Fabiano sabem que os dirigentes o querem ver longe. Toda o sistema defensivo é fraco e deverá ser trocado. Dos volantes, só Souza está garantido para o Brasileiro. Rogério Ceni está cansado, desanimado. Novo treinador chegará para implodir esse grupo. Aidar o quer na semana que vem. Após o fim desta fase de grupos da Libertadores.

O cenário que esse novo treinador irá encontrar depende do que acontecerá esta noite. Uma derrota para o Corinthians em pleno Morumbi e uma vitória do San Lorenzo contra o fraquíssimo Danúbio e tudo acabou.

O time de Tite está ferido. Perdeu a chance de decidir o título paulista em casa. Foi eliminado diante de sua torcida para o Palmeiras nos pênaltis. Tite sabe e age como se o resultado fosse inaceitável. Afinal, o adversário tradicional ainda está em formação, com seus 21 novos contratados. E se sente pressionado pelos dirigentes e pela torcida. Todos esperam uma vitória hoje, o prazer de eliminar o rival da Libertadores.

Aidar pode ter não saber lidar com sérios problemas administrativos. Como por exemplo não conseguir um patrocínio master para a camisa, ter força política para reformar o Morumbi ou manter salários e direito de imagem em dia. Só que ele sabe o óbvio. O Corinthians chega muito melhor para o clássico. E que arma ele poderia usar na véspera do jogo? Forte o suficiente para que todos se esquecessem das mazelas são paulinas? Falar do árbitro.

2ae15 Truque velho. Só mostra o quanto o São Paulo é fraco nos bastidores da Conmebol. Aidar tenta desviar o foco da incompetência, o medo de ser eliminado da Libertadores pelo Corinthians. E pressiona Sandro Meira Ricci...

"Confesso que fiquei preocupado com a escolha do Ricci, porque o retrospecto dele em jogos do São Paulo é ruim. Não é ruim para o Corinthians. Ele tem retrospecto de expulsão de dez jogadores do São Paulo em 17 jogos e de apenas uma expulsão de jogadores do Corinthians em 17 jogos."

Falou ontem, cercado de microfones e câmeras. Não falou em critérios, condições, situações, nada. Levantou apenas os números. Como excelente advogado que é, tanto que chegou a presidir a Ordem dos Advogados do Brasil, Aidar deixou a conclusão para os torcedores. Jogou a sombra da desconfiança e se afastou. Porque não fez nenhuma acusação direta. Disse apenas 'estar preocupado'.

Ricci é mesmo um árbitro instável, sujeito a erros. Como todos desta fraca geração de árbitros brasileiros. Já ajudou o Corinthians. Marcou um pênalti inexistente de Gil em Ronaldo no Brasileiro de 2010, no Pacaembu. O que levou ao ex-presidente do Cruzeiro e atualmente senador da República, Zezé Perrella à loucura.

"Todo mundo que gosta de futebol deveria hoje estar envergonhado. Eu nunca vi um negócio desse. Seis impedimentos que ele deu, pênalti a nossa favor que ele não marcou, expulsou jogador nosso. Um filho da puta desse...não poderia nunca estar no futebol. O negócio desse não pode continuar. Temos famílias, trabalhamos, são oito milhões de torcedores sofrendo por causa de um picareta desse (...) que veio aqui nos opera."

As declarações em dezembro de 2010 custaram R$ 60 mil a Perrella. O árbitro o processou e ganhou a indenização. Mas Perrella tentará recurso.

Só que Ricci também prejudicou o Corinthians. Em setembro do ano passado, contra o Flamengo, confirmou um gol marcado em claro impedimento, de Wallace. E quando marcou pênalti em toque involuntário de Fágner.

Sandro Meira Ricci é um árbitro ruim. Não desonesto. O que Aidar fez foi jogar responsabilidade descabida, antecipada em eventual eliminação do São Paulo da Libertadores. Repassar a culpa ao juiz. Talvez funcionasse na década de 80, hoje não. Os erros inadmissíveis administrativos no Morumbi não serão esquecidos. Nem se o time for campeão da Libertadores, o que é muito improvável.

1reproducao31 Truque velho. Só mostra o quanto o São Paulo é fraco nos bastidores da Conmebol. Aidar tenta desviar o foco da incompetência, o medo de ser eliminado da Libertadores pelo Corinthians. E pressiona Sandro Meira Ricci...

A situação já ficaria patética. Mas Aidar conseguiu ir além não resistiu aos microfones. E mostrou como ele é fraco nos bastidores da Conmebol. Admitiu o fracasso na tentativa de ter um árbitro estrangeiro para o clássico de hoje e não um brasileiro.

"Até mandei correspondência à Conmebol, estranhando sobremaneira a escolha do Ricci para esse jogo, por conta desse retrospecto. Perguntei por qual razão eles não escalam árbitros estrangeiros. Carrega-se toda uma história de campeonatos locais. Estamos preocupados com a arbitragem dele. Espero que não repita as atuações passadas. Não confio nessa estatística desastrosa em jogos do São Paulo."

Vale a pena destacar suas palavras. "Mandei correspondência à Conmebol estranhando sobremaneira a escolha de Ricci. (...) Perguntei por qual razão eles não escalam árbitros estrangeiros." Não é possível que um presidente de um clube tão importante como o São Paulo aja desta maneira amadora.

É preciso ter personalidade, viajar para Assunção. E pessoalmente tentar impor sua vontade antes da escala da arbitragem para qualquer jogo. Ficar mandando e-mail, carta, bilhete, correio elegante para a Conmebol depois que o juiz é escolhido é inútil. E ainda torno público o quanto a cúpula do São Paulo é fraca nos bastidores e está sem rumo.

Nada é por acaso no futebol. Se não fosse assim, o São Paulo não apelaria para a triste promoção "VC + 1". Ou seja, mesmo para um jogo valendo a vida do clube na Libertadores, os dirigentes resolveram agir: a cada ingresso comprado, o são paulino ganha outro. Ou seja, compre um e leve dois. Nem assim há a garantia de estádio cheio hoje à noite. Não há nada de modernidade. Mas apenas a constatação. O time não desperta confiança na sua torcida. É apenas mais um vexame da administração Aidar.

Por isso tudo, jogar nas costas do fraco árbitro Sandro Meira Ricci a responsabilidade de uma eventual eliminação, não adianta. Não enganará ninguém. O que o São Paulo fez na Libertadores até a partida de hoje?

E mais: será que Carlos Miguel Aidar não se lembra do jogo que deu o título brasileiro ao São Paulo em 1986? Ele já era presidente do clube. Foi esse campeonato que levou seu time a passar vergonha na Libertadores de 1987. Não se recorda do nome José Assis de Aragão? Do pênalti absurdo que o juiz não marcou de Vágner em João Paulo? O lance absurdo aconteceu nos minutos finais da partida. É inesquecível. Ou será que para o dirigente, não? Sua memória é seletiva?

O presidente são paulino não tem o direito de reclamar de arbitragem nesta vida e nem nas próximas encarnações...

Até a diretoria do Flamengo já sabe. Aidar se cansou de esperar por Sabella. E prepara nova proposta para Vanderlei Luxemburgo: dois anos para reformular o São Paulo. Felipe Mello é o primeiro sonho…

1divulgacao Até a diretoria do Flamengo já sabe. Aidar se cansou de esperar por Sabella. E prepara nova proposta para Vanderlei Luxemburgo: dois anos para reformular o São Paulo. Felipe Mello é o primeiro sonho...
No São Paulo, conselheiros já falam abertamente. Basta o time ser eliminado da Libertadores amanhã pelo Corinthians e começará uma revolução no futebol do São Paulo. O primeiro ato de Carlos Miguel Aidar será oferecer o que for preciso para tirar Vanderlei Luxemburgo do Flamengo. O dirigente está cansado da postura dúbia de Alejandro Sabella.

A cada telefonema do vice Ataíde Gil Guerreiro, o argentino pede mais prazo para dar sua resposta. Aidar está irritado. Sabe que, na verdade, sonha com a confirmação do interesse do Manchester City. Na Inglaterra, no entanto, seu nome nem é cogitado. A vaga para substituto do substituto Manoel Pelegrini estaria sendo disputada entre dois outros europeus. Patrick Vieira, ex-jogador da Seleção Francesa e atual treinador do time sub-20 do Manchester City. E o badalado Jurgen Klopp que já anunciou o fim de sua permanência no Borussia Dortmund. Fora especulações sobre Carlo Ancelotti e até Guardiola.

Ou seja, o treinador vice da Copa do Mundo de 2014 não é levado em consideração. Mesmo assim, ele segue sem responder ao São Paulo. Nem sim nem não. Aidar já teria perdido a paciência, garantem conselheiros ligados ao presidente. Exige mudanças no futebol agora. A maneira apática que o time se comportou diante do Santos, na derrota pela semifinal do Paulista, teria sido a gota d'água.

1afp2 Até a diretoria do Flamengo já sabe. Aidar se cansou de esperar por Sabella. E prepara nova proposta para Vanderlei Luxemburgo: dois anos para reformular o São Paulo. Felipe Mello é o primeiro sonho...

Não há alegria e nem esperança em uma reviravolta do time comandado por Milton Cruz. Aidar quer uma novidade de impacto para desviar o foco da eliminação precoce do São Paulo na Libertadores, ainda na fase de grupo, com uma derrota diante do Corinthians em pleno Morumbi.

E sabe: atualmente só há uma notícia que faria a mídia parar de desvalorizar seus jogadores, questionar sua administração confusa. A contratação de um técnico com capacidade de chamar a atenção, ganhar as manchetes. E o nome é mesmo Vanderlei Luxemburgo.

No telefonema que Aidar confirmou ter dado ao funcionário do Flamengo, ele ouviu que não haveria como sequer negociar. Vanderlei estava na disputa da fase decisiva do Campeonato Carioca. Essa foi apenas uma parte da conversa. A outra foi a lamentação imensa do treinador. Ele confirmou que sempre teve o desejo de trabalhar no Morumbi. Elogiou a infraestrutura, a importância do clube no cenário internacional. E o quanto estava orgulhoso pelo convite. Abriu a brecha que, depois do Carioca, seria possível sim uma nova investida.

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Aidar já havia combinado com Ataíde. Seria ofertado a Sabella um contrato de dois anos. Salários de R$ 500 mil. O Daily Mail divulgou que o argentino era apenas o 22º salário entre os 32 técnicos no Mundial do Brasil. Recebia R$ 1,8 milhão por ano. Ou seja, R$ 150 mil. Salário baixo demais para o futebol brasileiro. Esse foi um dos motivos pelos quais ele deixou o comando da Argentina. De nada adiantou a AFA oferecer o dobro, R$ 300 mil. Geraldo Martino, seu substituto, ganha R$ 250 mil.

Luxemburgo renovou com o Flamengo por R$ 450 mil mensais. Mais cinco camisas e 15 ingressos por jogo. Ele gosta de deixar essa cláusula no contrato para não ter de pedir camisas ou ingressos aos dirigentes. Sempre foi assim. Esperto, o treinador sabe que pode exigir do São Paulo até mais do que foi oferecido a Sabella. Mas lhe agrada a proposta de dois anos.

Com a derrota para o Vasco e a eliminação do Flamengo no Campeonato Carioca, Luxemburgo poderia agora conversar com o São Paulo. O presidente Eduardo Bandeira de Mello é muito grato ao técnico. Na sua avaliação, ele conseguiu salvar o clube do quase inevitável rebaixamento no Brasileiro de 2014. E ainda reformulou o departamento de futebol. Sabe que Vanderlei está muito tentado a treinar o São Paulo.

Nas últimas horas surgiu o boato que o Grêmio estaria interessado no seu retorno. Luiz Felipe Scolari teria recebido proposta milionária da China. Aidar soube da novidade e não gostou. Por isso pressiona ainda mais Ataíde pelo treinador carioca.

1ae24 Até a diretoria do Flamengo já sabe. Aidar se cansou de esperar por Sabella. E prepara nova proposta para Vanderlei Luxemburgo: dois anos para reformular o São Paulo. Felipe Mello é o primeiro sonho...

Muito próximos, Bandeira de Mello não criará grandes obstáculos se trabalhar no Morumbi for vontade de seu treinador. Basta concretizar novo convite de Aidar. O que a própria diretoria flamenguista tem a certeza que vai acontecer. Se for confirmada a eliminação do São Paulo na Libertadores amanhã. A multa que conselheiros adiantavam ser de R$ 1,2 milhão, na verdade é de apenas um salário, R$ 450 mil.

Aidar se identificou com Vanderlei. Os dois são vaidosos, enérgicos, egocêntricos. O presidente quer uma reformulação completa não só no elenco, mas no perfil são paulina. Deseja uma equipe mais competitiva, aguerrida, intensa. Não a omissa, derrotista, sem gana que tem visto desde que assumiu. Ainda com Muricy, ele já mandava recados. Queria um São Paulo brigador, corajoso. O técnico que estava adoentado ficou revoltado com as indiretas que chegavam aos seus ouvidos.

O presidente não queria mexer no ex-treinador. Sabia de sua história, seu prestígio com os torcedores e com os jornalistas. Mas a diverticulite e as pedras na vesícula resolveram a questão. Aidar está apenas suportando Milton Cruz. O fracasso no Paulista já veio. Agora basta nova queda amanhã na Libertadores e começara a sua sonhada reformulação.

Jogadores como Paulo Henrique Ganso, Luís Fabiano, Rafael Toloi, Paulo Miranda, Edson Silva, Bruno e Denílson podem deixar o clube. Alan Kardec não está garantido. Alexandre Pato só não está na lista porque tem contrato até dezembro e o Corinthians não aceita a antecipação da devolução. Há até dúvidas se Rogério Ceni pode antecipar sua aposentadoria em caso de fim de participação na Libertadores.

3ae13 1024x682 Até a diretoria do Flamengo já sabe. Aidar se cansou de esperar por Sabella. E prepara nova proposta para Vanderlei Luxemburgo: dois anos para reformular o São Paulo. Felipe Mello é o primeiro sonho...

Aidar e Ataíde garantem que não farão como Juvenal Juvêncio. Não serão eles que escolherão os reforços na montagem do novo São Paulo que desejam. Deixarão os nomes a cargo do novo treinador. Mas um nome está no coração do presidente há muito tempo. Felipe Mello, do Galatasay. Sua vibração, o inconformismo com a derrota fascinam o dirigente. Ele está se recuperando de operação em uma hérnia lombar.

Não será uma contratação fácil. Ele é ídolo na Turquia. Mesmo Juvenal tentou comprá-lo por duas vezes. Mas não conseguiu. Mas tudo indica que Aidar fará nova tentativa pelo volante da Seleção de 2010. Ele seria o novo tipo de líder que deseja no time. Uma reedição de Chicão, nos anos 70.

Com muita amizade com os conselheiros, Milton Cruz sabe desses planos dos dirigentes. Tentará apenas adiá-los, exigiu luta dos jogadores para derrotar o Corinthians e classificar o São Paulo para os mata-matas da Libertadores. Mas o clima no Morumbi é de descrença. E nos dirigentes, ansiedade por uma profunda reformulação. Há apenas uma certeza: as coisas não continuarão como estão...
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As oito mortes na chacina na Pavilhão Nove. As torcidas organizadas são reflexo do que acontece em todo o país. Anos de descaso e impunidade das autoridades estimularam mais essa barbárie…

 As oito mortes na chacina na Pavilhão Nove. As torcidas organizadas são reflexo do que acontece em todo o país. Anos de descaso e impunidade das autoridades estimularam mais essa barbárie...
A situação é muito mais séria do que as próprias autoridades supunham. O Departamento Estadual de Investigações Criminais e o Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico garantem: a chacina de oito torcedores no sábado à noite, na sede da torcida organizada Pavilhão Nove tem um motivo. Disputa por pontos de tráfico de drogas. Alguns dos mortos estariam envolvidos neste confronto.

A execução sumária teria sido ordenada pela maior facção criminosa do País. O PCC. De acordo com testemunhas, três homens esperaram o final de um torneio de futebol de salão. Com paciência, viram centenas de torcedores irem embora. Os oito que ficaram estavam pintando uma bandeira nova que seria levada ao Itaquerão no domingo.

Com requinte de crueldade, esses três homens renderam sete corintianos. Os deixaram fizeram ficar de joelhos e dispararam vários tiros, principalmente na nuca dos torcedores, o que evidencia execução. As armas foram pistolas 9 milímetros,de uso restrito da Polícia Federal e Forças Armadas. A cena remete aos assassinatos em massa cometidos pelo Estado Islâmico. Um oitavo ainda tentou correr, mas foi alvejado e morreu em um posto de gasolina.

Os mortos: Ricardo Junior Leonel do Prado, de 34 anos, André Luiz Santos de Oliveira, de 29 anos, Mateus Fonseca de Oliveira, de 19 anos, Fabio Neves Domingos, de 34 anos, Jhonatan Fernando Garzillo, de 21 anos, Marco Antônio Corassa Junior, de 19 anos, Mydras Schmidt, de 38 anos, e Jonathan Rodrigues do Nascimento, de 21 anos. Fábio Neves foi um dos 12 torcedores que ficaram presos em Oruro, na Bolívia, após a morte do garoto Kevin Spada, em 2013.

O delegado responsável pelo caso, José Mário Lara, fez questão de avisar ainda na madrugada do domingo. Não havia o envolvimento de outra torcida nas mortes. Ele sabia que já havia a disposição de revanche. A desconfiança dos corintianos que palmeirenses poderiam estar envolvidos na chacina. Os dois times se enfrentariam no dia seguinte.

 As oito mortes na chacina na Pavilhão Nove. As torcidas organizadas são reflexo do que acontece em todo o país. Anos de descaso e impunidade das autoridades estimularam mais essa barbárie...

Mas a Polícia Militar teve a certeza que tudo se resumia ao tráfico de drogas. A certeza veio em apenas horas de investigação. A mais recente notícia nesta manhã de segunda-feira é que já até há suspeitos dos crimes. As imagens de câmeras que cercam a Pavilhão Nove estão sendo analisadas.

Aí acaba a notícia em si. E começa a reflexão. Por que as autoridades sempre fecharam os olhos com o que acontece nas torcidas organizadas? Por que não há trabalho de investigação, policiais não se infiltram e separam os criminosos da grande maioria dos torcedores, que é gente 'do bem'?

Aqui um importante depoimento. O do coronel da reserva Gerson dos Santos Resende. Ele participou do policiamento dos estádios de São Paulo de 1982 a 1993. Foram onze anos. Chegando até a chefiar o Batalhão de Choque. Foi envolvido no Massacre do Carandiru em 1992. Acabou processado e inocentado. Hoje está na reserva.

Resende acompanhou todo a mudança do perfil das organizadas paulistas. Quando elas deixaram ser ingênuas e passaram a ter os primeiros traficantes, criminosos de toda espécie infiltrados nas facções. Prendeu muitos deles. Mas foram recolocados nas ruas nos dias, nas semanas seguintes. A impunidade só serviu de estímulos. Atraiu os mais perigosos.

Coronel, como a situação chegou a este ponto? Será que as autoridades não sabem que há criminosos infiltrados em todas as maiores organizadas deste país?

O que acontece é algo muito grave. Mas que é reflexo de toda a sociedade. O tráfico, a guerra por pontos, as chacinas acontecem todos os dias neste país. Não é privilégio das torcidas organizadas. Não se pode pegar as torcidas e esquecer o resto. Temos leis duríssimas que não são levadas a sério. Pelas autoridades, por todos. Somos todos cúmplices do que acontece. Essa omissão é coletiva. Aceitamos tudo neste país. Estamos chocados com essas oito mortes. Só que quantas não acontecem todos os dias e ninguém faz nada?

Antes como era o comportamento dos torcedores organizados?

Era agressivo, mas até ingênuo comparado com o que acontece hoje. O objetivo dessas torcidas era definir seu território no estádio. Mostrar sua força. Quando havia brigas, era 'na mão'. Ninguém queria matar ninguém. O erro foi das autoridades. Os membros violentos das organizadas sempre foram tratados como coitadinhos. Se uma pessoa normal agride outra em qualquer lugar deste país pode ir presa. Mas no estádio, não. Ainda mais com a camisa de uma organizada. Nada acontecia na prática. Cansei de prender arruaceiros, brigões, que batiam em soldados, machucavam pessoas, cuspiam na polícia. E na semana seguinte estavam soltos, participando de outras brigas nos estádios. Quando nos encontravam, riam da nossa cara. Essa impunidade que já é uma coisa disseminada no nosso país chegou mais forte nas organizadas. Os torcedores perceberam que nada acontecia com eles. O escudo das organizadas sempre os protegeu.

 As oito mortes na chacina na Pavilhão Nove. As torcidas organizadas são reflexo do que acontece em todo o país. Anos de descaso e impunidade das autoridades estimularam mais essa barbárie...

O senhor tem razão, político que age contra uma organizada perde popularidade. Os voto de torcedores de um time. Mas quanto as drogas nas organizadas, coronel?

O grande erro é que a sociedade continuou acreditando é que só havia coitadinhos. A esmagador maioria dos torcedores organizados são gente do bem. Há famílias, mulheres. Mas gente ruim foi se infiltrando. No começo a gente apreendia pequena quantidade de maconha dentro dos bambus das bandeiras, quando elas eram permitidas nos estádios. Nós fazíamos nossa obrigação. Prendíamos as pessoas, levávamos às delegacias. Essa droga era vista apenas como consumo ocasional, diversão dos torcedores e nada acontecia. Só que ninguém se deu ao trabalho de correr atrás de onde essa droga vinha. E, infelizmente, se abriu a possibilidade da chegada dos traficantes. Veja bem, eu sai em 1992. Desde então, só acompanho tudo de longe. Por isso posso afirmar que tudo começou com a impunidade. Sem hipocrisia, os culpados somos todos nós pelo que estado das coisas. Se as torcidas organizadas não tivessem sido tratadas como se fossem uma parte diferenciada da sociedade, não estávamos assim tão preocupados.

Você vê alguma solução? Adianta acabar com as organizadas?

Continuo repetindo que a grande maioria dos membros das organizadas é gente do bem. O que é preciso é separar quem não é. E não adianta gente querer aparecer, ganhar destaque em jornal, na televisão avisando que a solução é acabar com as organizadas. Porque não há como. Se você acaba com o CNPJ e impede que as pessoas usem camisas de torcidas nos estádios, não adianta. Se milhares de brasileiros decidem ir para o futebol vestidos com camiseta amarela, ninguém pode impedir. É o que acontecerá se as organizadas acabarem. Os torcedores seguirão juntos. E sentando no mesmo lugar. Tentar separá-los pelos ingressos numerados. Eles vão desrespeitar porque os seus lugares nos estádios ninguém tira. Como já tentaram e voltaram atrás. Chegaram muito cedo e colocaram bandeiras e só quem fosse da organizada poderia sentar lá. E ponto final. As organizadas não vão acabar no Brasil.

Por que não há um trabalho de investigação a fundo para separar os criminosos, os traficantes das organizadas?

Não sei dizer. Estamos todos chocados com o que aconteceu na Pavilhão Nove. A imprensa vai divulgar, algumas autoridades vão falar, querer aparecer. Mas o que se passa com a nossa sociedade? As drogas, o tráfico não estão em todos os lugares? O que acontece no futebol não está desvinculado com o resto do Brasil. O problema é social. A impunidade é muito mais profunda. Sou militar e sei que a legislação deste país é duríssima. Porque não é aplicada para todas as camadas da sociedade? Não sei dizer. Em todo o Brasil há jovens sem rumo, sem estudo, sem trabalho, que vivem à margem da sociedade. Nas organizadas, muitas dessas pessoas que a sociedade rejeita se encontram. E se unem. Como hoje são milhares, nem os líderes da organizadas têm controle sobre eles. Fica impossível até saber quem são. A verdade é essa.

Quem deveria dar um jeito nisso, coronel?

Quem precisaria dar um jeito no Brasil, na nossa sociedade como um todo: os nossos governantes. A torcida é reflexo do que acontece no país. Se há droga, crime no Brasil, há droga e crime nas escolas, nas empresas, nas ruas, nas organizadas. Ou não é assim no país? Eu só repito uma coisa. Na teoria até as autoridades podem fazer festa e garantir que organizadas vão acabar. Baixar decreto, lei. Dizer que o problema está resolvido. Mas, na prática, elas não acabarão nunca mais. Nunca mais...

(As primeiras investigações mostram que os assassinos estariam atrás apenas de Fabio Neves Domingos. Ele seria traficante e teria sido detido mas subornado policiais para não ser preso há 20 dias. Mas acabou perdendo um carregamento de drogas. Teria sido morto por vingança. Os outros sete corintianos acabaram sendo mortos por causa dele. Esta pelo menos é a versão da Polícia Militar...)
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Um gol genial de Geuvânio, que lembrou Messi. Oportunismo de Ricardo Oliveira. E protesto contra a Globo. O Santos derrotou o apático São Paulo por 2 a 1. Está na final do Paulista. Tudo muito justo…

1reproducao30 Um gol genial de Geuvânio, que lembrou Messi. Oportunismo de Ricardo Oliveira. E protesto contra a Globo. O Santos derrotou o apático São Paulo por 2 a 1. Está na final do Paulista. Tudo muito justo...
Uma arrancada espetacular, que lembrou Messi, e um chute sensacional. Golaço de Geuvânio. Depois o oportunismo de Ricardo Oliveira. E estava abatido o apático São Paulo na Vila Belmiro. A vitória por 2 a 1 foi até muito diante da superioridade do Santos. O gol de Luís Fabiano foi marcado em impedimento.

O time decidirá o Campeonato Paulista. Será o adversário do Palmeiras, com a vantagem do último dos dois jogos em casa. A diretoria quer o Pacaembu. Os jogadores insistem em atuar na Vila Belmiro. Será a sétima decisão seguida de Campeonato Paulista. A última final entre palmeirenses e santistas valendo a taça estadual foi em 1959...

"A nossa equipe era desacreditada por vocês da imprensa e chegamos mais uma vez na final. Nós trabalhamos duro. Sempre acreditamos no nosso grupo, no potencial. Merecidamente estamos na final de novo. Esta aí a resposta", disse Robinho. O clima de festa era dividido com revolta. Torcedores santistas exibiam a faixa "Chupa Globo" porque a emissora evitou ao máximo mostrar o time na tevê aberta, já que ele é considerado como 'derrubador de Ibope' pelos executivos globais.

O domínio do Santos foi total. Do início ao final da partida. Milton Cruz colocou todos os seus titulares. Sabia o quanto precisava do resultado. Não só para decidir o Paulista. Mas para ganhar confiança na decisão do ano, na partida contra o Corinthians, na quarta-feira, onde valerá a sobrevivência na Libertadores.

Só que a escolha do treinador interino só mostrou o quanto as coisas estão erradas no São Paulo. Não parecia um time, mas um amontoado de jogadores com currículos respeitáveis. Rogério Ceni descreveu para o site Pasion Libertadores. Disse claramente que a equipe vive dos talentos individuais. Não de tática. Desmoralizou Muricy Ramalho e Milton Cruz.

Mas disse a verdade. Marcelo Fernandes não fez nada demais. Tratou de montar seu time com personalidade, com o time marcando a saída de bola do desarrumado adversário. Sabia do espaço que o meio de campo são paulino cede aos adversários. E também da fragilidade dos zagueiros que ficam à frente de Rogério Ceni.

O treinador santista fez seu time jogar para Robinho. Embora não tenha mais vigor para impor sua técnica no futebol europeu, por aqui, o atacante consegue se impor. Geuvânio, Lucas Lima e Chiquinho corriam, suavam, davam o sangue para entregar a bola nos seus pés. Era óbvio que isso iria acontecer. Mas inacreditavelmente, Milton Cruz deixou deu toda a liberdade para o veterano atacante.

Assim como também para Geovânio. Os volantes Denílson, Hudson e Wesley estavam sonolentos. Deixavam os santistas dominar a bola com toda tranquilidade, olhar, pensar no que fazer. Pior, indecisos, tinham péssima saída de bola. Facilitavam a marcação santista. A apatia do trio era contagiante.

Paulo Henrique Ganso foi xingado como todo ídolo que enfrenta sua ex-equipe. Nada fora do roteiro. Mas ele outra vez se escondeu do jogo. Se anulou. Mais uma vez não foi o meia que o São Paulo precisava. Teve mais atuação omissa. Uma das inúmeras que coleciona na carreira. Pato também parecia que estava visitando a Vila Belmiro, observando o jogo. E não participando de uma decisão.

Chegou a ser constrangedor observar Michel Bastos lutando sozinho contra a zaga e os volantes santistas. Lógico que acabou contido. Paulo Miranda na lateral direita era a desculpa que Muricy sempre usou para ter três zagueiros. E Carlinhos deixava mais claro que o Sol, foi uma das piores contratações de 2015. O ala não marca, não ataca, erra passes infantis.

5ae7 1024x703 Um gol genial de Geuvânio, que lembrou Messi. Oportunismo de Ricardo Oliveira. E protesto contra a Globo. O Santos derrotou o apático São Paulo por 2 a 1. Está na final do Paulista. Tudo muito justo...

Quando um time bem organizado enfrenta um que se comporta como 'catado', não poderia dar outra coisa. Geovânio usou toda sua velocidade e técnica. E marcou um gol que será mostrado pelos empresários aos clubes europeus a quem é oferecido desde o início do ano.

Aos 35 minutos, ele percebeu que a intermediária são paulina estava escancarada. Com o trio de volantes atuando muito distante e longe da zaga. Foi aí que resolveu partir do seu campo de defesa com a bola grudada no talentoso pé esquerdo. Correu com ela como um garoto no parque do Ibirapuera. Os são paulinos não fizeram a falta mais do que necessária. Com toda a liberdade, brincou com a esfera por 56 metros. Quando se cansou, deu um chute violentíssimo. Indefensável para Rogério Ceni. A imprensa espanhola compararia a jogada a vários dos 400 gols que Messi já marcou pelo Barcelona.

O São Paulo já é uma equipe tensa, insegura, sem rumo quando está ganhando suas partidas. Perdendo, tudo ficou pior. Ricardo Oliveira teve no mínimo mais quatro chances para ampliar. Mas as desperdiçou. Chutou para fora, acertou a trave. Seguindo privilegiado pela péssima marcação de Tolói e Lucão, o atacante que fará 35 anos, se cansou. Se o time de Milton Cruz queria tanto tomar um gol dele, a vontade seria feita. Aos 30 minutos do segundo tempo, 2 a 0.

A esta altura do jogo, Marcelo Fernandes já tinha tirado Robinho e Geovânio da partida. Tinha a certeza que o adversário não incomodaria. Seria ótimo poupar seus fundamentais jogadores para a final do Paulista. Com 2 a 0, a torcida santista gritava olé. Humilhava o São Paulo.

1lancepress Um gol genial de Geuvânio, que lembrou Messi. Oportunismo de Ricardo Oliveira. E protesto contra a Globo. O Santos derrotou o apático São Paulo por 2 a 1. Está na final do Paulista. Tudo muito justo...

Tudo estava sob controle até que Pato lançou Luís Fabiano impedido. O atacante veterano que, foi humilhado pelo próprio presidente Carlos Miguel Aidar, marcou o gol. Não comemorou. Sabe que está de malas prontas para o Orlando City. Sairá sem deixar saudade do Morumbi.

Um time que está decidindo a semifinal do Paulitas, que estava perdendo o jogo por 2 a 0 e consegue fazer 2 a 1 aos 41 minutos do segundo tempo deveria incendiar a partida. Não se esse time for o São Paulo em abril de 2015. Time apático, sem personalidade, sem confiança, sem esquema tático definido.

O Santos tranquilamente assegurou sua vitória e a rotina de chegar a mais uma final paulista. Além das palmas, da festa de sua torcida, o protesto.

Palavrões para a Globo, emissora que tem evitado mostrar o time na tevê aberta. Como fez nas quartas de final contra o XV de Piracicaba, na semana passada. Só que agora será impossível evitar. O time será o adversário do Palmeiras. A emissora carioca transmitirá a final do Paulista. Não há como esconder a camisa do Santos Futebol Clube. Por isso as centenas de faixas na Vila Belmiro: "Chupa, Globo"...
3ae12 1024x701 Um gol genial de Geuvânio, que lembrou Messi. Oportunismo de Ricardo Oliveira. E protesto contra a Globo. O Santos derrotou o apático São Paulo por 2 a 1. Está na final do Paulista. Tudo muito justo...

O Itaquerão é verde. O Palmeiras está na final do Campeonato Paulista. Despachou o invicto Corinthians nos pênaltis. Graças a Fernando Prass…

1reproducao29 O Itaquerão é verde. O Palmeiras está na final do Campeonato Paulista. Despachou o invicto Corinthians nos pênaltis. Graças a Fernando Prass...
O Itaquerão é do Palmeiras. O time acabou com o favoritismo e tirou o Corinthians da decisão do Paulista. Jogando no limite, a equipe de Oswaldo de Oliveira conseguiu empatar a partida em 2 a 2. E nos pênaltis despachou a equipe de Tite: 6 a 5 nas penalidades. Fernando Prass defendeu as cobranças de Elias e Petros. Os corintianos deixaram o campeonato invictos. Os palmeirenses volta à uma decisão de estadual depois de sete anos.

"Estamos trabalhando, não começamos muito bem o campeonato, mas éramos um time em formação. Estamos mostrando nosso valor. Falamos que não existia time imbatível", comemorava muito Dudu.

Tite foi muito esperto. Sabia que seu elenco já começava a demonstrar cansaço. Ter a obrigação de disputar decisões seguidas, na Libertadores e no Paulista era demais. Até consultou seus preparadores físicos e fisiologistas. Mas a decisão foi toda dele. Tirou quem precisava e poderia. Deixou Elias e Renato Augusto na reserva. Não tinha Emerson Sheik suspenso, descanso necessário.

O treinador tratou de colocar Bruno Henrique, Danilo e Mendoza. Trocou Fábio Santos por Uendel, para melhorar seu poder de marcação. Manteve Vagner Love na vaga de Guerrero, com dengue.

Com essas alterações, Tite montou uma equipe capaz de ganhar do Palmeiras no Itaquerão. E ainda preservar seus titulares contra o São Paulo, pela Libertadores, na quarta-feira. A proposta do técnico era montar o Corinthians compacto, agrupado, vibrante. O esquema predileto em prática, 4-1-4-1. Além de intensidade, ele queria que Fagner explorasse ao máximo o que considerava o ponto fraco do adversário: a improvisação do zagueiro Wellington na lateral esquerda.

O Palmeiras de Oswaldo de Oliveira ficou uma semana inteira só se preparando para o jogo. Fisicamente estaria mais fisicamente, já que não disputa a Libertadores. Mas teria um desfalque importantíssimo. E sem querer: Zé Roberto não se recuperou a tempo de contusão para disputar a semifinal. Como João Paulo também está machucado e Egídio não tem condições legais, o time foi obrigado a improvisar. E colocou um jogador lento para defender seu lado esquerdo.

1ae23 1024x790 O Itaquerão é verde. O Palmeiras está na final do Campeonato Paulista. Despachou o invicto Corinthians nos pênaltis. Graças a Fernando Prass...

Oswaldo queria que seu time dominasse o meio de campo. Com jogadores de bom toque de bola, com a maior esperança nos pés de Valdivia, ao lado de Robinho e Arouca. Na frente, o velocista Dudu e o limitado Rafael Marques mais à frente.

A rivalidade aflorou. Os dois times disputaram uma partida vibrante. Nada tinha de truncada, como costumam ser as decisões. Muito pelo contrário. As equipes queriam vencer. Sabia que valia a vaga para a final. Logo aos seis minutos, Fagner mostrou que levaria vantagem sobre o improvisado Wellington. O lateral corintiano cruzou e Mendoza ficou livre. Chutou e a bola bateu em Victor Ramos.

A sorte acompanharia o Palmeiras. Sete minutos depois, um simples escanteio. Robinho bateu, Victor Ramos cabeceou nas costas de Felipe, a bola no peito do palmeirense. Ele a dominou e estufou a rede de Cássio. 1 a 0.

O gol não calou o Itaquerão. Pelo contrário. Os torcedores corintianos passaram a gritar até mais. O Palmeiras de Oswaldo cometeu um erro grave. Recuou demais e de forma precoce. O plano era explorar os contragolpes. Mas tudo o que aconteceu foi dar mais confiança ao rival.

O Corinthians passou a dominar as intermediárias. E como Tite aprendeu na Europa. Seu time de posse de bola, passou a inverter as jogadas, cansando, iludindo os palmeirenses. Faltavam apenas mais chutes a gol. Até que uma mera falta na intermediária. Jadson bateu com muito talento. Encobriu o desesperado Wellington. Encontrou a certeira cabeçada de Danilo: 1 a 1, aos 33 minutos do primeiro tempo.

O gol mexeu com os nervos palmeirenses. A insegurança era evidente, transparente. Parecia uma questão de tempo para o segundo gol. E foi isso mesmo. Com incrível liberdade, o colombiano Mendoza recebeu de Bruno Henrique. Levou a bola como quis e bate forte, cruzado da entrada da área. O chute foi no canto esquerdo de Fernando Prass: 2 a 1, Corinthians, aos 44 minutos.

No intervalo, o Palmeiras precisava reagir. Oswaldo enxergou. Tirou Lucas, já que o Corinthians atacava pouco demais pela esquerda. Colocou Cleiton Xavier. A entrada era obrigatória porque Valdivia não conseguia jogar. Ralf marcava bem e além disso, o chileno não estava bem fisicamente, não suportava o ritmo intenso da partida.

Tite decidiu montar duas linhas de quatro, para marcar o Palmeiras. Só que faltava entrosamento nos vários reservas que tinha em campo. Principalmente pelo lado de Mendonza. Oswaldo forçava pelo lado direito, explorava as costas de Fabio Santos. O colombiano não conseguia cobrir, defender como era sua obrigação.

Aos quinze minutos, um lance lindo. Cleiton Xavier deixou Dudu livre na entrada da área. O toque sutil, no canto esquerdo. Cássio fez estupenda defesa, resvalou na bola que, caprichosa, foi beijar a trave. O Palmeiras seguiu pressionando. E os corintianos não conseguiam encaixar os contragolpes sonhados por Tite.

Oswaldo tirou Valdivia e o sacrificado Wellington. Gabriel Jesus e Kelvin para correr, incendiar ainda mais a partida. Lamentável foi a atitude do chileno. O técnico palmeirense esticou a mão para cumprimentá-lo. O meia fingiu que não viu. E saiu de cabeça baixa. Deveria ser multado, punido. Mas o Palmeiras o trata de maneira diferenciada. Daí os abusos.

Sem Valdivia, o Palmeiras melhorou muito. E a justiça se fez. Pelo lugar mais previsível. Dudu cruzou por trás da zaga. Fabio Santos disputava espaço com Gabriel. A bola chegou livre, limpa para Rafael Marques, livre. Mendoza, que o deveria estar marcando, ficou apenas assistindo. A cabeçada foi indefensável para Cássio: 2 a 2, aos 29 minutos.

3ae11 1024x682 O Itaquerão é verde. O Palmeiras está na final do Campeonato Paulista. Despachou o invicto Corinthians nos pênaltis. Graças a Fernando Prass...

O Corinthians já tinha Elias e Renato Augusto em campo. Mas o quarto final da partida foi absolutamente emocionante, equilibrado e sem grande chances de gol. Chegariam as penalidades.

Robinho começou batendo para o Palmeiras. Nervoso, cobrou por cima, longe do gol de Cássio. Fábio Santos bateu no canto, a bola tocou na trave esquerda e entrou. Rafael Marques empatou, cobrando no canto direito alto. Renato Augusto marcou, chutando forte no meio do gol. Victor Ramos desloca Cássio. Fagner cobra no canto direito e marca. Cleiton Xavier, frio como um pedaço de iceberg, engana o goleiro corintiano. Ralf marca iludindo Fernando Prass. Dudu bate no canto direito, Cássio quase defende.

O placar está 4 a 4. Bastaria Elias marcar e o Corinthians se garantiria na final. Mas Fernando Prass defendeu a cobrança a meia altura no canto direito. Nas alternadas, Kelvin e Gil marcaram. Jackson colocou o Palmeiras na frente, 6 a 5. Petros foi para a sua cobrança. E cobrou no cantinho esquerdo. O goleiro se esticou e espalmou a bola. Palmeiras, depois de sete anos, classificado para a decisão do Paulista. Aos corintianos, eliminados de forma invicta, sobrou a Libertadores.

Hoje, 19 de abril de 2015, o Itaquerão ficou verde...
1reproducao28 O Itaquerão é verde. O Palmeiras está na final do Campeonato Paulista. Despachou o invicto Corinthians nos pênaltis. Graças a Fernando Prass...