Valdivia renasceu na Copa América. Antes desinteressado, agora o Palmeiras terá de brigar e aumentar muito o seu salário, se quiser mantê-lo. Ou ele irá embora. Mexicanos estão entusiasmados…

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Vinte e quatro contratações. E o Palmeiras se mantém refém de Valdivia. Como em um passe de mágica, a Copa América mudou toda a perspectiva do chileno no clube. De dispensável, voltou a ser imprescindível. Depois de análise mais criteriosa do elenco, Marcelo Oliveira disfarça. Não fala publicamente para evitar choque com os dirigentes. Mas suas observações já chegaram. Tanto a Alexandre Mattos como a Paulo Nobre. O recado é para não deixar escapar o camisa 10.

Mas acontece que Alexandre Mattos já havia deixado claro a Paulo Nobre. Só valeria manter o chileno se fosse feito um contrato de produtividade. Nada dos R$ 450 mil mensais que recebe atualmente. Como não conseguiu jogar nem 50% das partidas desde que voltou ao Palestra Itália, em 2010, a saída seria pagar R$ 120 mil mensais. Só que receberia R$ 60 mil por cada partida que entrasse em campo como titular.

O Palmeiras costuma fazer de quatro a seis jogos no espaço de 30 dias. Seriam mais R$ 420 mil se o meia fosse titular pelo menos em quatro partidas. Se, por acaso, se machucasse, ganharia apenas o seu salário. Ou ainda tivesse de servir a Seleção Chilena nas Eliminatórias. Ou caso fosse suspenso.

Valdivia e seu procurador, Luiz Valdivia, têm seus contatos no Palmeiras. Um deles é o empresário Osório Furlan, dono de 36% dos direitos do atleta. Seu interesse é total na permanência do meia. Se o contrato apenas vencer, no dia 17 de agosto, e o meia fizer as malas, não terá um centavo dos R$ 5,5 milhões que gastou.

E os três tinham a mesma certeza que os conselheiros ligados a Mustafá Contursi: Alexandre Mattos queria Valdivia longe. A certeza de Luiz Valdivia é tanta que o executivo está por trás da proposta por produtividade, que não deseja se reunir com ele. Após a Copa América, deseja resolver a situação do chileno com o vice presidente palmeirense, Mauricio Galiotte.

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Paulo Nobre está orgulhoso do desempenho do meia na Copa América. Ele tem sido peça importante para Jorge Sampaoli. Parece outro jogador. Não reclama, não cria confusão, não finge contusões, não perturba os árbitros. O camisa 10 chileno tem conseguido abrir defesas rivais com dribles e mantido o ritmo veloz do ataque. A imprensa sul-americana o considera como um dos grandes jogadores do torneio.

O México está se tornando um país atrativo financeiramente. Os investidores são fortes. A Televisa é dona do América. O Atlas foi comprado pela TV Azteca. Carlos Slim, bilionário, que no Brasil, controla parte das empresas Net, Claro e Embratel, está por trás do León e Pachuca, FEMSA no Monterrey. A Cemex, empresa especializada em cimento, é dona do Tigres, semifinalista da Copa América.

O Cruz Azul, time de uma cooperativa de cimento, já contratou Fábio Santos. E quer também Valdivia. A notícia que, a partir de 17 de agosto, ele estará livre do Palmeiras é algo estimulou os mexicanos. No Palestra Itália circulam boatos que o meia tem proposta de R$ 750 mil livres de impostos para ir jogar em Guadalajara. Ou seja, seu salário se aproximaria de um milhão de reais. Cerca do dobro que recebe no Palestra Itália.

A favor do Palmeiras há a acomodação do jogador. Ele está muito bem estabelecido em São Paulo. Sua mulher e dois filhos estão adaptados à cidade. O meia é inteligente, vivido. Sabe que este deverá ser seu último bom contrato. O sonho de voltar à Europa não existe. Os 31 anos são grandes obstáculos.

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A saída é conduzir da melhor maneira possível uma disputa entre os interessados. Por enquanto, assumidos, são Palmeiras e Cruz Azul. A imprensa chilena acredita que até o final da Copa América, novos clubes irão surgir. Colo Colo e até Flamengo são citados constantemente.

Se Valdivia não ficar no Palmeiras, Alexandre Mattos não quer ser considerado o responsável. E já tratou de aproveitar sua ida na ESPN e declarou ser vítima de inimigos no Palestra Itália. Agora garante que sempre foi favorável à renovação do meia. E tudo o que foi dito desde o início do ano, que ele desejava o chileno longe do Palestra Itália não passou de calúnias.

O irônico é que até o pai do jogador também acreditou nas tais 'calúnias.'

Paulo Nobre não está mais sozinho na vontade de renovar. Mas não esperava essa concorrência pesada dos mexicanos. Ele mal poderia imaginar que teria de dar aumento ao jogador. Seus R$ 475 mil estavam 'na medida' para o presidente. Como arcar com R$ 750 mil, livres de impostos?

Há a convicção que, para ficar no Palmeiras, o chileno deva acertar menos. Só que menos já é mais do que ele ganha. Um aumento e sem a história de produtividade.

Valdivia e seu pai bem que tentaram resolver a situação no Palestra antes da Copa América. Mas conselheiros ligados a Mustafá Contursi juram que Alexandre Mattos não quis resolver a situação. Foi empurrando com a barriga para o jogador sair. Só que não esperava a qualidade das atuações do chileno com sua seleção.

Dos 24 jogadores contratados e mais os dezenas de atletas que já pertenciam ao Palmeiras, não há um só meia que se aproxime do talento de Valdivia. Marcelo Oliveira está observando isso de perto em Atibaia. Já avisou a Alexandre Mattos. E Paulo Nobre já sabe.

O Chile pode até perder para o Uruguai amanhã. E encerrar sua participação na Copa América nas quartas de final. Mas um jogador já pode se considerar vencedor dessa competição sul-americana. Jorge Luiz Valdivia Toro.

O Mago renasceu...
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Corinthians quer processar a Conmebol por erros de Amarilla. Mas dirigentes sabem. Chance de indenização é nula. Não há provas reais que o paraguaio se vendeu para ajudar o Boca Júniors…

 Corinthians quer processar a Conmebol por erros de Amarilla. Mas dirigentes sabem. Chance de indenização é nula. Não há provas reais que o paraguaio se vendeu para ajudar o Boca Júniors...
A diretoria do Corinthians já sabe. Tudo o que fará será dar uma satisfação a seus torcedores, à sociedade. Não há a menor condição de arrancar um centavo da Conmebol como indenização pela eliminação da Libertadores da América de 2013.

Mesmo com as suspeitas declarações do falecido presidente da Federação Argentina de Futebol, Julio Grondona. Ele teria conseguido a escalação do paraguaio Carlos Amarilla na partida decisiva entre Corinthians e Boca, no Pacaembu.

Grondona classificou Amarilla como o 'principal reforço do Boca em 2013."

O Corinthians foi eliminado em uma atuação desastrosa de Amarilla. Anulou dois gols e não marcou dois pênaltis claros. A partida terminou empatada em 1 a 1. O clube paulista caiu nas oitavas de final. Se seguisse até um eventual final, a projeção era que o clube poderia até arrecadar R$ 30 milhões. Com arrecadação e premiações da Conmebol.

O diretor jurídico Rogério Mollica recebeu a sugestão de usar o que aconteceu com a Irlanda, nas Eliminatórias para a Copa de 2010.

No dia de novembro de 2009, na partida entre Irlanda contra a França, o atacante francês Thierry Henry ajeitou a bola com a mão antes de tocá-la para William Gallas, que marcou o gol. Lance absurdamente claro.

O árbitro sueco Martin Hansson ignorou a irregularidade e os protestos dos jogadores, e validou o gol irregular. E a França acabou classificada para o Mundial na África do Sul.

A Federação Irlandesa, ainda em 2009, ameaçou entrar com um recurso para tentar eliminar a partida. Invalidar a classificação francesa. Mesmo se não conseguisse, a imagem do Mundial ficaria manchada.

"Nós sentíamos que tínhamos um caso contra a Fifa pela forma como aconteceram as eliminatórias, aquele gol de mão do Henry. E também a maneira como Blatter se comportou, rindo de nós. Eu falei para ele como me sentia a respeito disso. E chegamos a um acordo. Foi um acordo muito bom para a federação."

As palavras foram do presidente da Federação Irlandesa, John Delaney.

Desmoralizada pela revelação, a Fifa buscou o caminho da mentira. Emitiu nota avisando que havia feito um empréstimo aos irlandeses. E iriam cobrar quando eles se classificassem para a Copa de 2014. Não se classificaram e os 5 milhões de dólares, cerca de R$ 15,5 milhões, nunca voltaram aos cofres da entidade.

Mas o caminho está truncado para o Corinthians repetir o mesmo feito. Primeiro porque a Libertadores de 2013 já acabou há muito tempo. O Atlético Mineiro foi campeão. Se houve esquema para ajudar o Boca Júniors, morreu já nas quartas de final, quando o Newell's Old Boy eliminou a equipe mais popular da Argentina.

 Corinthians quer processar a Conmebol por erros de Amarilla. Mas dirigentes sabem. Chance de indenização é nula. Não há provas reais que o paraguaio se vendeu para ajudar o Boca Júniors...

Pedir uma indenização para a desmoralizada Conmebol será mais para agradar os torcedores. Serão necessárias provas. Muito mais do que Grondona exibindo sua força escalando Amarilla. Ou o vídeo com os erros absurdos, revoltantes do paraguaio. É necessário não deixar dúvidas que o árbitro teve algum benefício para ajudar os argentinos. Dinheiro ou seja lá o que for. E isso o Corinthians não tem.

Não adianta também processar a Associação de Futebol Argentina, a AFA. Advogados renomados do esporte, me dizem em off, que a entidade não pode ser responsabilizada por atitudes do seu presidente. O fato de Grondona ter morrido de problemas cardíacos no dia 30 de julho de 2014 também o torna inimputável. Nas gravações tornadas públicas pela TV América da Argentina é apenas Grondona que insinua sua força, sua manipulação.

O fato de a Federação Paraguaia de Futebol afastar Amarilla até que 'tudo fique esclarecido' é um alívio para os corintianos. Deixa claro para Roberto de Andrade que o juiz não conta com a confiança da federação de seu país. Mas isso, na prática, pode significar apenas precaução.

Tite e os jogadores que disputaram a Libertadores de 2013 estão revoltados. Para eles ficou claro que a eliminação do Corinthians foi manipulada. Os pênaltis não marcados e os gols anulados por Amarilla continuam atormentando a memória de quem esteve envolvido naquele jogo.

Conselheiros corintianos querem que o departamento jurídico descubra uma brecha para processar a Conmebol, Amarilla, a AFA. Mas o processo internacional embasado apenas nas declarções de Grondona não terá força suficiente. O próprio Amarilla sabe disso. E se mostrou tranquilo ao se defender das acusações que foi escalado para ajudar o Boca Júniors.

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"As palavras destes dirigentes corruptos destroem o futebol. A gente não se mete nas coisas sujas do futebol. Para mim, ninguém ofereceu nada. Todos sabem como sou. Tenho 27 anos de carreira. Ninguém pode me acusar de nada. Os árbitros são seres humanos e podem cometer erros", disse à rádio AM 970 do Paraguai.

A Associação dos Árbitros Paraguaios se manifestou. Emitiu uma nota defendendo publicamente Amarilla e os bandeiras Rodney Aquino e Carlos Cáceres que também trabalharam naquela partida.

Tudo caminha no campo das suposições, da desconfiança da podridão que domina o futebol sul-americano há décadas. Grondona também disse ter escolhido o árbitro inglês Arthur Holland na semifinal da Libertadores de 1963. Deixou implícito que foi para ajudar o Independiente contra o Santos de Pelé.

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Diante do atual quadro, advogados que trabalham com o futebol garantem: o máximo que o Corinthians conseguirá é o que já tem. O veto de Carlos Amarilla para suas partidas enquanto a carreira do juiz durar. Nunca mais ele trabalhará em um jogo do clube. Isso, de maneira extraoficial, a Conmebol já vem fazendo desde 2013.

Infelizmente tudo parece indicar que será mais um escândalo jogado para baixo do tapete da Conmebol. O futebol sul-americano perderá mais credibilidade. Os erros futuros dos árbitros na Libertadores, na Sul-Americana despertarão ainda mais suspeitas.

Enquanto não houver profissionalização dos árbitros, investigações constantes e sérias sobre sua vida, e uso de recursos tecnológicos, o futebol estará sujeito a isso. Duas pessoas podem fazer um acordo espúrio e manipular uma partida.

Se Tite tivesse a possibilidade de pedir a Amarilla a verificação dos impedimentos inexistentes nos dois gols anulados e os pênaltis não marcados, ninguém estaria discutindo aquela partida perdida em 2013.

Mas a corrupção, a podridão de dirigentes da Fifa e da Conmebol explicam. Não há o menor interesse nos recursos tecnológicos. Como é que os corruptos iriam enriquecer?

Quanto à suspeita escalação de Amarilla, terminará no esquecimento.

A verdade está enterrada no cemitério de Avellaneda...
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Amarilla foi escolhido pelo Boca em 2013. Escutas revelam não só a podridão da Conmebol. Mas a incompetência e a ingenuidade dos dirigentes corintianos. Confiaram no presidiário Marin…

1afp7 Amarilla foi escolhido pelo Boca em 2013. Escutas revelam não só a podridão da Conmebol. Mas a incompetência e a ingenuidade dos dirigentes corintianos. Confiaram no presidiário Marin...
"Ninguém queria este louco de merda."

E o maior reforço que o Boca teve no último ano foi Amarilla."

As frases do falecido Júlio Grondona não deixam dúvida. O ex-presidente da AFA, acusado de várias denúncias de corrupção, estava por trás pela escalação do paraguaio Carlos Amarilla no duelo decisivo entre Corinthians e Boca Júniors em 2013.

O bom árbitro Amarilla estava completamente transtornado naquela partida no Pacaembu. Não marcou dois pênaltis claros para o Corinthians. E anulou dois gols legais. No final, o Boca Júniors se classificou com o empate em 1 a 1, já que havia vencido o time paulista em Buenos Aires.

A estranha arbitragem do paraguaio sempre foi questionada pelos dirigentes e jogadores. Não só do Corinthians, em todo continente sul-americano. Mas a divulgação de 11 escutas feitas pelo Cana América de Buenos Aires acabaram com as dúvidas. Grondona impôs a escalação do juiz. Pelo tom de suas declarações, para ajudar o Boca Júniors.

A revelação mostra como a Conmebol é uma entidade sujeita à corrupção, à pressão dos dirigentes 'mais poderosos, mais espertos'. Grondona conversava com Abel Gnecco, representante da AFA no Comissão de Arbitragem da Conmebol. Ele usou a força do então presidente da AFA sobre o paraguaio Carlos Alarcón, diretor da Comissão de Arbitragem da Conmebol. Gnecco e Grondona escolheram Amarilla para apitar em São Paulo. Era o juiz que o Boca desejava.

"Gostam aí na Argentina do Amarilla?" Olha, se não gostam dele, não sei. Eu gosto, bota ele e deixa de me encher o saco. Para Alarcón, me bota o Amarilla e para de encher. Bom, assim foi, o pôs e bom... e saiu bem porque, bom, tem que ser assim", relatou, orgulhoso, o próprio Gnecco para Grondona.

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A diretoria atual do Corinthians e o próprio técnico Tite ficaram revoltados com a revelação. Sabiam que Amarilla não teve uma arbitragem normal. É possível que o clube proteste, reclame formalmente para a Conmebol. Mas nada voltará atrás. Os erros absurdos em favor do Boca Júniors não voltarão atrás.

Os dirigentes e técnico corintianos ficam mais revoltados porque tinham a certeza de que o time poderia seguir até a disputa do título. Consideram possível enfrentar de igual para igual o Atlético Mineiro, campeão em 2013. Os prejuízos são enormes até hoje. Se realmente o time fosse bicampeão da Libertadores e tivesse disputado outra vez o Mundial, o elenco seria muito valorizado. E pelo menos mais R$ 30 milhões estariam nos cofres.

Só que tudo isso ficará no campo da imaginação. Amarilla não permitiu.

A revolta no Parque São Jorge cresce quando se analisa com calma a denúncia. Em um meio tão corrupto como esse, o Corinthians não teve respaldo nos bastidores. O então presidente Mario Gobbi foi ingênuo. Não cobrou o presidente da CBF, José Maria Marin, a pressionar a Comissão de Arbitragem da Conmebol. A antiga diretoria corintiana não tinha nem ideia de quanto o árbitro paraguaio era desejado pelos argentinos. Muito menos Marin. Houve o encontro fatídica da ingenuidade com a incompetência.

"O que aconteceu aqui, ele (Amarilla) veio, roubou a gente na cara dura, foi embora e tirou a gente da Libertadores. E não vai acontecer nada com ele. Isso é uma vergonha", protestou Emerson Sheik após a desastrosa atuação do Amarilla.

O então diretor de futebol, e hoje presidente do Corinthians, Roberto de Andrade parecia ter adivinhado o que havia acontecido.

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"O Amarilla veio apitar com uma encomenda, e devolveu certinho: tirou o Corinthians da Libertadores. Não existe dúvida. Não há como negar o que estou dizendo. O Amarilla deveria estar preso, mas conseguiu escapar ontem. E não foi só o juiz. Os bandeiras pareciam estar mal colocados de propósito."

Mesmo indignado, ele não quis acionar a Conmebol, protestar formalmente contra Amarilla.

"É perda de tempo. Se eu preencher um documento, vou gastar o papel e a tinta da máquina à toa. O que posso é falar sobre o sistema falido do futebol sul-americano, do brasileiro e do paulista. O mundo inteiro viu as imagens, e nem um dirigente sequer se manifestou a favor do Corinthians pelas barbaridades que o juiz fez. Da nossa parte, são palavras ao vento, um desgaste que não traz solução, infelizmente. Só nos sobra indignação."

Esse foi o grande problema. Não houve a prevenção. Em uma disputa tão importante entre o clube mais importante da Argentina e o clube mais popular do estado mais rico do Brasil, não há como ser ingênuo, incompetente. Se Roberto de Andrade acreditava piamente que o juiz foi encomendado, como o Corinthians e a CBF permitiram?

O que fica claro é o lamaçal no qual está afundado o futebol sul-americano. Como acreditar nas próximas escalações da Libertadores? Como a diretoria do Internacional pode estar tranquila para os duelos contra o Tigres pelas semifinais? Por trás de cada erro de um árbitro nesta competição tão importante será que não há a pressão de algum dirigente?

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Carlo Alárcon continua escolhendo os juízes das principais competições desta pobre América do Sul. Ele é membro do Comitê de Arbitragem da Fifa, inclusive. Além de seguir como diretor da Conmebol. Mesmo com mais esse escândalo, ele segue tranquilo. E deverá escolher quem apitará os jogos decisivos da Copa América.

Vale lembrar a sequência do desabafo de Roberto de Andrade após a eliminação do Corinthians da Libertadores de 2013. Com grande participação do Amarilla.

"Futebol se ganha dentro de campo, com transparência e honestidade. Quando não é assim, podem dormir na porta da Conmebol, que não vão atender. Aqui, no Corinthians, ninguém é bobo, todos sabem que é necessário ter um relacionamento. Mas, quando você não é o escolhido, esquece, não vai mudar. Quem sabe é a vez de o Kalil (então presidente do Atlético Mineiro) ser campeão? Não foi a do Corinthians." Qual foi a equipe campeã daquele ano? O Atlético Mineiro. Coincidência, óbvio...

Nada menos do que 11 escutas que foram reveladas ontem. E mostram a influência de Grondona na escolha dos árbitros nos principais torneios da Conmebol. O FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelaram formalmente que Grondona recebeu 15 milhões de dólares, cerca de R$ 46 milhões em 2013. Esse dinheiro seria propina para que a Datisa ficasse com os direitos da Copa América de 2015, 2016, 2019 y 2023.

 Amarilla foi escolhido pelo Boca em 2013. Escutas revelam não só a podridão da Conmebol. Mas a incompetência e a ingenuidade dos dirigentes corintianos. Confiaram no presidiário Marin...

O então presidente da Conmebol era o paraguaio Nicolás Leoz. Ele ficou 27 anos presidindo a entidade. O FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos exigem a sua extradição. Há provas que ele recebeu propina para votar no Catar como sede da Copa de 2022. Além de suborno da Datisa para ter o controle da Copa América.

Era esse tipo de gente que comandava a Libertadores da América. Quem determinava os árbitros dos jogos decisivos. Por anos e anos foi assim. Em 2013 tudo talvez tenha ficado mais claro.

"Vamos acompanhar de perto o que aconteceu. Fomos vítimas no caso. Vamos aguardar e ficar atentos. É um motivo para ir atrás e tirar a limpo. O Corinthians não vai deixar de lado uma coisa tão séria como foi", brada aos ventos, o gerente de futebol, Edu Gaspar. Nada voltará atrás. E ele sabe disso. Mas tem de desempenhar o seu papel neste episódio vergonhoso...

O episódio só mostra o quanto a diretoria corintiana foi ingênua. Principalmente Mario Gobbi. Ele deixou o agora presidiário José Maria Marin defender o interesse do seu clube na Conmebol.

O presente por tanta confiança foi Carlos Amarilla.

Restou a lamentação eterna pelos dois pênaltis não marcados.

Mais os dois gols anulados.

De propósito?

Grondona morreu?

Abel Gnecco e Carlo Alárcon estão vivos.

Por que ninguém quer ouvi-los?

Trite e corrupto futebol nestes trópicos.

O Corinthians pagou pela ingenuidade e incompetência dos seus dirigentes...

(Em uma atitude 'rápida', a Federação Paraguaia de Futebol afastou Amarilla de todos os campeonatos no país. Até que tudo seja apurado. A postura dos dirigentes só levou dois anos. E pelo jeito só deverão agir se o Canal América tiver novas escutas. A Federação Paraguaia é o retrato do descaso com que o futebol é tratado neste continente...

E o 'maior reforço do Boca se manifestou. "Estou tão surpreso quanto vocês, mas estou tranquilo, porque quem não deve, não teme. Eu não favoreci o Boca. As palavras destes dirigentes corruptos destroem o futebol. A gente não se mete nas coisas sujas do futebol. Para mim, ninguém ofereceu nada. Todos sabem como sou. É alguém querendo sujar minha carreira." Essas as palavras de Carlos Amarilla...)
1ae20 Amarilla foi escolhido pelo Boca em 2013. Escutas revelam não só a podridão da Conmebol. Mas a incompetência e a ingenuidade dos dirigentes corintianos. Confiaram no presidiário Marin...

Neymar opta por abandonar a Seleção na Copa América. Vai descansar. Sem poder jogar, escolheu as férias em vez de apoiar os companheiros. Que tipo de capitão é esse?

6afp Neymar opta por abandonar a Seleção na Copa América. Vai descansar. Sem poder jogar, escolheu as férias em vez de apoiar os companheiros. Que tipo de capitão é esse?

Foi puro teatro. A CBF divulgou nota 'desistindo' de recorrer na tentativa de diminuir a pena de Neymar. Não recorrerá à Câmara de Apelações da Conmebol. Na verdade, seria o equatoriano Guilherme Saltos, quem analisaria o pedido. Mas já havia vazado a informação que ele manteria as quatro partidas e o brasileiro não mais jogaria a Copa América. Para evitar mais esse desgaste, a CBF não entrou com recurso.

A partir daí, a dúvida. Manter ou não manter Neymar com o grupo sem jogar? Caso o Brasil conseguisse passar pelo Paraguai no sábado e vencesse a semifinal da terça-feira, dia 30. Decidiria a competição no dia 4 de julho. Seriam 12 dias.

"Independentemente de onde estarei a partir de agora, acompanharei sempre a seleção, torcendo pelo sucesso dos meus companheiros, mas ficar aqui apenas treinando é me matar por dentro... Sem alegria nenhuma....É muito ruim treinar sem me preparar para algo e essa situação pode me levar a uma lesão acidental o que tornaria tudo ainda mais difícil."

Estas são palavras de Neymar no comunicado explicando sua decisão de ir embora. Postura decepcionante. E que não combina com quem tem a honra de ter a tarja de capitão da Seleção Brasileira.

Dunga adotou a postura 'firme' de Pôncio Pilatos. O treinador não exerceu sua autoridade. Ele lavou as mãos. Deixou a decisão para a consciência do capitão da Seleção Brasileira. E ele escolheu as férias. O descanso. A fuga dos jornalistas.

A decisão foi anunciada hoje no mesmo comunicado no qual a CBF 'desistia' do recurso. A intenção era dar um ar que a entidade estava dispensando o jogador. Pura balela.

A postura de Neymar é decepcionante. Egoísta. Não combina com quem se apresenta como o grande líder desta geração. Dunga havia deixado a decisão para ele. Só que havia deixado escapar que esperava uma postura firme. Que ele abrisse mão de 12 dias de férias para passar força, mostrar que está interessado em ajudar de verdade o Brasil a ser campeão. Vale a pena analisar com calma cada palavra do treinador. Ele foi capitão da Seleção em duas Copas do Mundo...

"Essa decisão (de ficar com o grupo ou ir embora) tem que ser tomada pelo jogador. Quando chegamos aqui, dissemos que tratamos os jogadores como homens que devem ter responsabilidade, não como meninos. É preciso analisar se será benéfico para a Seleção ele ficar, se será produtivo. Ele tem que sentir de que forma pode colaborar, mesmo estando acostumado a jogar, aos holofotes, ou se é melhor sair para não transmitir a tristeza, a amargura, o que está dentro dele. Não queremos meninos, queremos homens."

2afp1 1024x576 Neymar opta por abandonar a Seleção na Copa América. Vai descansar. Sem poder jogar, escolheu as férias em vez de apoiar os companheiros. Que tipo de capitão é esse?

Mais direto, impossível. Diante da situação que ele mesmo provocou, com sua arrogância e descontrole diante dos colombianos, Neymar agiu como um menino. E para não transmitir 'tristeza e amargura' para os companheiros, opta pelas férias. Deverá optar por ilhas paradisíacas como Ibiza enquanto a Seleção seguirá na Copa América.

O que mais irrita Dunga é que todo o planejamento do Brasil tinha em Neymar sua principal peça. A começar pela tática. Ele deveria ser o diferencial técnico no 4-1-4-1 que pretendia adotar. Jogaria exatamente como adora. Não precisaria nem pensar em marcar.

Flutuando pela intermediária adversária para a frente. Sem posição fixa. Direita, esquerda, meio. Teria todo o espaço para brilhar. Driblar, tabelar, marcar gols. O time todo se sacrificaria para essa movimentação. Nem se o próprio pai do jogador fosse técnico escolheria um esquema tão bom para o talentoso filho.

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Além do potencial com a bola nos pés, Neymar seria a imagem da renovação. Do renascimento brasileiro depois do vexame dos 7 a 1 para a Alemanha. O rompimento de uma vértebra, na entrada desleal de Zúñiga, o havia poupado da vergonha maior no Mineirão.

O camisa 10 da Seleção representaria a esperança da nova Seleção. Moderna, competitiva. Não a que parou no tempo, comandada por Scolari e Parreira. E Neymar seria fundamental neste processo.

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Mas aos 23 anos, campeão da Champions League, peça fundamental do poderoso Barcelona, cotado para ser um dos melhores três jogadores do mundo, Neymar desembarcou no Chile diferente. Irritadiço. O assédio foi absurdo. No mínimo igual a Messi.

Só que também foi tornado público o processo na Espanha. A alegação do grupo DIS de fraude na sua transação para a Catalunha. Santos, Barcelona, Bartomeu, Rosell, NN Consultoria, Neymar pai, Laor, Odílio e Neymar são os réus. A própria mãe do jogador, Nadine, sócia da NN Consultoria, deverá ser ouvida pela justiça. Ou seja, uma situação completamente complicada. O próprio Rosell deixou a presidência do Barcelona por causa da compra do brasileiro.

Não bastasse isso, Neymar teve sua melhor temporada na Espanha. A conquista da Tríplice Coroa, o Campeonato Espanhol, a Copa do Rei e a Champions foi uma façanha. Mas absolutamente desgastante. Fisicamente e psicologicamente.

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Por tudo isso, o jogador chegou tenso, irritado e egocêntrico. Com a responsabilidade de comandar o Brasil ao título sul-americano. Desde o jogo contra o Peru, ele optou pelo individualismo. As jogadas que deram certo foram divulgadas pelo mundo. Chapéus, dribles, assistência, gol. Mas os vários ataques e contragolpes que matou tentando vários dribles a mais, foram esquecidos. Ou o cartão amarelo que 'pediu' ao tirar o excesso de espuma na cobrança de uma falta, provocando o juiz mexicano Roberto García. Quem acompanhou os 90 minutos dessa partida e prestou toda a atenção em Neuymar descobriu o segredo dos dvds de jogadores de futebol. Aqueles que só mostram o que deu certo.

Na segunda partida contra a Colômbia, a irritação veio ao seu ponto máximo. Aceitou todas as provocações. E foi além. Dando bolada em Armero após o final do jogo. Tentando dar cabeçada em Murillo. Provocou toda a confusão entre brasileiros e colombianos.

Mas o pior foi esperar o árbitro Enrique Osses nos vestiários. O agarrar pela camisa e o chamar de 'filho da puta que o estava usando para aparecer'. Há relatos que Neymar não permitiu que os seguranças da Seleção evitasse o contato com o juiz. Os empurrou. Dunga, Gilmar Rinaldi e Mauro Silva foram incapazes de agir, afastar Neymar do juiz.

Os companheiros tentaram ser solidários a Neymar. O jogador ontem acompanhou a partida das tribunas. Foi flagrado conversando por celular durante o jogo. Mesmo assim, quando Thiago Silva marcou o primeiro gol do jogo, o procurou no estádio e dedicou o 1 a 0 ao suspenso capitão brasileiro.

Com a confirmação que a suspensão não seria aliviada, a cúpula da CBF decidiu não recorrer. E Dunga fez o que prometeu. Deixou a Neymar a decisão de continuar ou não com os companheiros até o final da campanha brasileira no Chile.

O capitão e camisa 10 optou por ele. Pelas férias, pelas festas, pelo descanso. Não quis sacrificar 12 dias na concentração do Brasil. Foi um direito todo seu.

Robinho, Thiago Silva e David Luiz defendem que a Seleção repita o que fez na Copa. E 'jogue por por Neymar'. As vitórias e, se o Brasil conseguir o título, serão dedicado a ele. Resta torcer que Gilmar Rinaldi não permita que os jogadores entrem em campo para o hino nacional com a camisa do jogador.

7afp 1024x576 Neymar opta por abandonar a Seleção na Copa América. Vai descansar. Sem poder jogar, escolheu as férias em vez de apoiar os companheiros. Que tipo de capitão é esse?

Passou da hora de Dunga reavaliar. É este o capitão que o Brasil precisa?

Alguém 'que estaria se matando por dentro só treinando na Seleção'?

E que poderia ainda ter uma lesão?

Ele despreza a inteligência alheia.

O grupo precisava de sua companhia, do seu apoio.

Que líder é esse que larga os companheiros em uma seleção em reconstrução?

E logo na fase decisiva do primeiro campeonato oficial depois do vexame na Copa?

Para que enfrentar frio, chuva no Chile?

Que Neymar aproveite Ibiza...
1afp6 Neymar opta por abandonar a Seleção na Copa América. Vai descansar. Sem poder jogar, escolheu as férias em vez de apoiar os companheiros. Que tipo de capitão é esse?

Sem Neymar, medo de Dunga faz o Brasil ser sufocado pela Venezuela. No final, vitória suando sangue por 2 a 1. E quartas de final contra o Paraguai…

1afp5 Sem Neymar, medo de Dunga faz o Brasil ser sufocado pela Venezuela. No final, vitória suando sangue por 2 a 1. E quartas de final contra o Paraguai...
O Brasil trocou o estrelismo de Neymar pelo coletivo. Fazia sua melhor partida na Copa América. Vencia a Venezuela por 2 a 0. Quando Dunga resolveu retrancar o time. Tirou os atacantes Roberto Firmino e Robinho. Colocou os zagueiros David Luiz e Marquinhos. Tomou um gol. Foi pressionado nos últimos 15 minutos. Parecia uma equipe pequena e não a Seleção Brasileira. E suou sangue para segurar a vitória por 2 a 1. Pressão inacreditável.

O Paraguai será o adversário brasileiro nas quartas de final da Copa América, no sábado.

Dunga havia prometido um time de homens contra a Venezuela. Uma referência clara às molecagens de Neymar. E que o tiraram da Copa América. O treinador brasileiro não tinha outra saída. Precisava cobrar publicamente o time. Havia a responsabilidade de garantir uma vaga às quartas de final. Contra a descredenciada Venezuela.

O treinador resolveu apostar em Robinho. Deixou o pandeiro e tratou de compor com Willian e Philippe Coutinho o trio sem posição fixa na intermediária ofensiva. Eles precisavam abrir espaço e trabalhar para Roberto Firmino.

Dunga deixava bem claro que não haveria ninguém tentando preencher a lacuna de Neymar. O Brasil mudava sua maneira de jogar. Ninguém teria privilégio para tentar ficar forçando dribles desnecessários. E muito menos estaria livre de marcar.

O Brasil jogou sério. Assumia o seu favoritismo. Assumindo não ter em campo nenhum jogador genial. Mas pelo menos havia um conjunto responsável. O esquema, simples. 4-2-3-1. Muita aplicação na marcação. Fernandinho e Elias eram obrigados a ficar fechando a intermediária. E só.

Dos laterais, apenas Daniel Alves tinha a liberdade para atacar. Desde que muito bem coberto. Em compensação, Robinho, Willian e Philippe Coutinho não tinham posição fixa. Pelo contrário. Se mexiam muito. Confundindo os venezuelanos, que entraram em campo muito respeitosos.

Se a houvesse o 0 a 0, a Venezuela avançaria de fase. Por isso, o esquema acovardado de Noel Sanvicente: 4-5-1. Ele queria preencher os espaços. Travar o habilidoso meio de campo ofensivo brasileiro. E depender de uma bola parada aérea para o atacante fixo Rondon.

Mas foi justamente uma bola parada, um escanteio, que trouxe paz de espírito para a Seleção Brasileira. Robinho cobrou escanteio e Thiago Silva entra como um centroavante, batendo fortíssimo da marca de pênalti. Brasil 1 a 0, aos oito minutos. A comemoração vale ser destacada.

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Primeiro, Thiago Silva desabafou. Para as câmeras. Xingou sem as mãos cobrindo a boca. Ele queria que seus palavrões mostrassem a revolta da Seleção. Não aceitava o questionamento, as críticas depois da derrota contra a Colômbia.

Depois, ainda sabendo que as câmeras o acompanhavam, O zagueiro fez questão de dedicar o gol a Neymar nas tribunas. O jogador retribui o gesto do companheiro.

Enquanto os jogadores que fracassaram na Copa de 2014 trocavam afagos, Dunga respirava tranquilo. Tudo o que ele queria era sair na frente. O Brasil já tinha tomado o primeiro gol contra o Peru e a Colômbia. Com o compacto e ágil time que vestia a camisa amarela, haveria espaço para contragolpe. Os venezuelanos precisavam atacar. A derrota os eliminaria da Copa América.

Mas Sanvicente tinha consciência da fragilidade técnica do seu time. E esperou. Continuou com seu time mais defensivo. Não iria dar o que Dunga tanto queria: espaço. Dunga percebeu. E tratou de fazer o Brasil tocar a bola. Com calma, sem desespero. Não haveria porque se abrir. Estava vencendo o jogo. E ditando o ritmo da partida. Se houvesse um pouco mais de ousadia, poderia ter sido mais efetivo. Criado mais chances de gol.

Estava claro que terminar o primeiro tempo vencendo por 1 a 0 estava ótimo. Os jogadores sabiam disso. Controlaram os primeiros 45 minutos. No intervalo, Sanvicente chegou à conclusão que não haveria o que fazer. Era obrigado a abrir seu time, buscar uma virada contra os brasileiros.

Era tudo o que o Brasil precisava. E com espaço para os contragolpes, o jogo ficou franco, aberto. Melhor para quem tem mais talento. Willian desceu pela esquerda em velocidade, contra a defesa da Venezuela aberta. E cruzou de três dedos. A bola chegou com efeito para Roberto Firmino empurrar para as redes. 2 a 0, ao seis minutos do segundo tempo.

2reuters1 1024x672 Sem Neymar, medo de Dunga faz o Brasil ser sufocado pela Venezuela. No final, vitória suando sangue por 2 a 1. E quartas de final contra o Paraguai...

O parecia estar decidido. Mas Dunga colocou tudo a perder. O treinador brasileiro resolveu recuar demasiadamente o Brasil. Tirou o atacante Roberto Firmino e colocou o zagueiro David Luiz para atuar como terceiro volante. Não contente, em um acesso puro de covardia tática, fez entrar outro zagueiro, Marquinhos. No lugar de Robinho. Uma aberração.

O Brasil ficou com quatro zagueiros contra a Venezuela. E encolhido como se fosse o Madureira enfrentando o Flamengo de Zico no Maracanã. Lógico que viria a punição.

Aos 38 minutos, Arango cobrou falta. Jefferson fez ótima defesa, mas a bola tocou na trave e Miku descontou de cabeça. A partir daí foi um sufoco inacreditável. Os venezuelanos perderam qualquer respeito que um dia tiveram pelo Brasil. E atacaram com seis, sete jogadores, buscando o empate que os classificaria.

O Brasil terminou a partida com todo o time marcando na intermediária. Um vexame. Quando o jogo acabou, os jogadores, aliviados, ainda tiveram coragem de comemorar. Os venezuelanos saíram do estádio chileno aplaudidos. Com a cumplicidade de Dunga, fizeram os brasileiros suar sangue, acovardados na defesa.

Neymar estava nas tribunas, acompanhou a partida falando ao celular. O recurso do Brasil para diminuir de quatro para três partidas será julgado na terça-feira. Se for liberado, ele poderá jogar se a Seleção chegar à final. O que não é muito animador. Se o time precisa se acovardar contra a Venezuela, o futuro não pode trazer confiança...
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Frustrante derrota na estreia para o Grêmio, em Porto Alegre, alerta Marcelo Oliveira. Ele precisa formar um time para o Palmeiras. A herança de Oswaldo de Oliveira foi pífia…

1ae19 Frustrante derrota na estreia para o Grêmio, em Porto Alegre, alerta Marcelo Oliveira. Ele precisa formar um time para o Palmeiras. A herança de Oswaldo de Oliveira foi pífia...
Marcelo Oliveira sentiu na pele o quanto terá de trabalhar no Palmeiras. Não adianta Alexandre Mattos comprar como um alucinado. O time precisa de jogadores que se encaixem. E não é o que está acontecendo. Principalmente no ataque. Ficou claro esse estranhamento em campo, na frustrante derrota para Grêmio por 1 a 0. A herança de Oswaldo de Oliveira foi pífia.

O time queria se mostrar para o novo treinador. O atual bicampeão brasileiro montou a equipe no seu amado esquema 4-2-3-1. Na teoria iria ter uma equipe compactada, vibrante para enfrentar o robusto time gremista de Roger.

O desempenho foi pífio. Há muito mais para trabalhar no Palmeiras do que parece. Gabriel e Arouca não conseguem sair com a bola em velocidade. Perdem tempo com passes laterais, inócuos. Facilitam a recomposição do time adversário.

Robinho também não consegue ser efetivo. Não marca, não constrói. Dudu continua instável, parece que carrega o mundo nas costas. Rafael Marques tem a maior boa vontade, dá a alma para o time. Só que é muito limitado tecnicamente. Alecsandro é apenas um definidor. Mas fora de forma de nada adianta.

Lucas e Egídio precisam evoluir. Ter mais presença ofensiva. Dar opções para que o Palmeiras não siga afunilando o jogo, tentando atacar pelo meio. O que só facilita para qualquer defesa.

Não é por acaso que o Palmeiras tem apenas oito gols em oito jogos. O time tem sérios problemas de entrosamento do meio para a frente. Não há arremates de longe.

Oswaldo de Oliveira viciou a equipe em trocar passes. Alternar os lados que a equipe ataca. E ter pouca penetração efetiva. Não há objetividade, verticalidade. Time monótono de assistir. Previsível.

O Grêmio hoje não teve grandes dificuldades. Marcou forte a intermediária e atacou com velocidade e compactação. Foi muito mais efetivo do que o rival cheio de jogadores renomados.

Os gaúchos se impuseram. E ganharam a partida em um lance muito bonito. Um golaço de Maicon, volante desprezado pelo São Paulo, perseguido pela torcida. Giuliano descobriu Luan. O toque de calcanhar foi lindo. Mas o chute de Maicon foi muito mais. Indefensável para Fernando Prass, Grêmio 1 a 0, aos dez minutos do segundo tempo.

Marcelo Oliveira apelou para Zé Roberto e Cleiton Xavier. Os dois não mudaram o cenário. O time seguiu previsível, não incomodando os gremistas

"Precisamos melhorar em alguns aspectos, uma marcação mais rigorosa. É um processo, temos que passar por isso. Achei a produção abaixo do que poderíamos", disse sincero Marcelo Oliveira.

No fraco desempenho em Porto Alegre ficou muito claro. O treinador precisa trabalhar muito. Ficou nítido que o novo treinador palmeirense ficou assustado com o que viu. Assim como os torcedores esperançosos. O time não teve nada a ver com o Cruzeiro de 2013 e 2014.

Lucas Barrios vem depois da Copa América. Deseja encontrar uma equipe competitiva e com potencial para ganhar títulos, prometida por Alexandre Mattos.

" Não há o que falar muito, é trabalhar muito na semana. Temos um bom elenco e temos de formar um time, o que vai acontecer na medida em que formos ajustando a equipe." O Palmeiras não é o 15º do Brasileiro por acaso.

Não há milagre. Comprar é só o primeiro passo. O difícil é entrosar esses atletas e fazer com que se transformem em um time. A derrota serviu como alerta para Marcelo Oliveira. Ele terá muito mais trabalho do que imaginava...
1gazeta Frustrante derrota na estreia para o Grêmio, em Porto Alegre, alerta Marcelo Oliveira. Ele precisa formar um time para o Palmeiras. A herança de Oswaldo de Oliveira foi pífia...

Neymar fora da Copa América. A suspensão da Conmebol é justa. Ninguém agarra um árbitro e o chama de ‘filho da p…’ Não é esse capitão que o Brasil precisa na Copa de 2018…

1ap17 Neymar fora da Copa América. A suspensão da Conmebol é justa. Ninguém agarra um árbitro e o chama de filho da p... Não é esse capitão que o Brasil precisa na Copa de 2018...
Faltava uma peça importantíssima para entender que o julgamento do Comitê Disciplinar da Conmebol poderia ser independente. Apesar de toda a pressão da CBF e do comitê organizador da Copa América. A súmula do árbitro Enrique Osses.

Até então todos acreditavam que os abusos de Neymar se limitavam a trocar tapas com Zúñiga e chamá-lo de 'hijo de puta'. Ao final da partida contra os colombianos chutar a bola violentamente nas costas de Armero. Trocar cabeçadas com Murillo. Tomar um empurrão violento de Bacca. E iniciar uma vergonhosa confusão ao final de Brasil e Colômbia.

Só que havia muito mais. E só veio à tona hoje à tarde. Como Neymar faz o que quer nesta Seleção, ele ficou esperando o juiz passar por ele, dentro do vestiário, longe das câmeras. O atacante o segurou pela camisa e disse, raivoso. Em bom espanhol.

"Quieres hacerte famoso a costa mía, hijo de puta!" A tradução é simples. "Quer ficar famoso às minhas custas, filho da puta!"

Desrespeito, inconsequência que precisava ser punida exemplarmente. Não há cabimento uma atitude dessas.

O delegado da partida, o uruguaio Washington Rivero, colocou no seu relatório que Osses foi 'quase agredido' por Neymar.

Se Dunga e a cúpula da CBF não têm capacidade para impor limites ao jogador, a Comissão Disciplinar mostrou ter. O brasileiro Caio Cesar Rocha e colombiano Orlando Morales não participaram. A questão envia seus países. O chileno Carlos Tapia, compatriota Enrique Osses, também não. Os dois comissários, o boliviano Alberto Lozada e o uruguaio Adrian Lazer decidiram.

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Por tudo que aprontou, Neymar poderia pegar entre três e cinco partidas. Lozada e Lazer chegaram à conclusão que quatro partidas seriam ideais. A Copa América acabara para o melhor jogador brasileiro.

"Foi uma decisão muito discutida, analisada. Foi difícil chegarmos a um consenso porque éramos apenas dois membros. Não fosse a agressão feita a um árbitro, um oficial da partida, a pena teria sido menor. Isso foi o mais grave. A proposta inicial era aplicarmos a pena máxima, cinco jogos. Mas decidimos por quatro", dizia o boliviano Lozada.

Mas ainda há a chance de recurso. O vice jurídico Carlos Eugênio Lopes, que disse ontem não estar preocupado com o julgamento, quase teve um infarto quando soube das quatro partidas. E prometia aos jornalistas brasileiros no Chile o que não poderia cumprir: reduzir a pena para apenas um jogo.

A CBF tem até amanhã ao meio para apresentar recurso. E a Conmebol já confirmou oficialmente que o máximo que pode acontecer é a pena ser reduzida a três jogos. Assim, Neymar participaria da final, se o Brasil conseguir chegar até lá. O recurso deverá ser apresentado ao Comitê de Apelação da Conmebol, presidido pelo equatoriano Guillermo Saltos.

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Ficou claro que se não fosse pelas ofensas de Neymar ao árbitro dentro do vestiário, com direito a segurá-lo pela camisa, deveria pegar a mesma punição do colombiano Bacca, que o empurrou: dois jogos.

Como é que ninguém da Comissão Técnica, os companheiros, os seguranças, não anteviram o que iria acontecer? E deixaram Neymar ficar esperando pelo árbitro? Resposta simples. Ele faz o que quer. Ninguém tem coragem de contrariar a estrela brasileira.

Como a decisão foi anunciada depois que a Seleção havia treinado, todos se recolheram na concentração. Ninguém quis se posicionar oficialmente sobre o caso.

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Neymar deverá seguir com o grupo. Mesmo se for confirmada sua suspensão de quatro partidas. Ficará enquanto o Brasil for passando de fases na Copa América.

O que fica de tudo isso? Quem está achando pesada a punição, exagerada, perseguição a Neymar, ao Brasil. Não é nada disso. O capitão brasileiro acreditou na impunidade que domina os países da América do Sul.

Ninguém sequer imagina ele, com a camisa do Barcelona, ter provocado uma confusão parecida. E, depois nos vestiários, ficar esperando um árbitro, digamos, o inglês Martin Atkinson. Esperar por ele passar ao alcance de suas mãos. Agarrá-lo pela camisa e gritar que ele é um 'filho da puta'.

Não, porque na Europa, com a camisa do Barcelona, Neymar é outro. Pode ser irreverente, discutir. Mas sabe o seu limite. Até onde ir. Não iria dar um vexame tão grande. Correr o risco de uma punição severa, justa para um ato tão baixo.

A Conmebol não tem moral alguma. É uma entidade marcada pelo casuísmo, corrupção, conchavos, vexames. Em toda sua história foi assim. Os dirigentes da América do Sul quando resolveram criá-la, combinaram: nenhum argentino ou brasileiro poderia presidi-la. Porque ele poderia ser desonesto e proteger o seu pais e os clubes de seu país. Acabaria por desequilibrar as forças no Continente. Ou seja, os próprios dirigentes sabem a índole que têm.

Mas o julgamento de hoje foi justo. Dói por ser Neymar. Por ser o melhor jogador brasileiro. O dono de um talento fantástico, excepcional. Mas é um garoto mimado de 23 anos. Ele precisava de uma lição. Descer à terra. Saber respeitar o futebol.

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Saber suportar as provocações, que não verdade são reverências. Os adversários sabem que, concentrado, seu futebol é fabuloso. E tentam irritá-lo, tirá-lo do sério. E ele está se deixando levar. Assim como inúteis discussões com árbitros.

Ser capitão é muito mais do que isso. Ainda mais da Seleção Brasileira. É o homem capaz de liderar o time com a camisa pentacampeã do mundo. Ser o jogador que dá o exemplo, mostra o caminho quando as coisas estão difíceis. Cobra adversários e juiz que a partida seja limpa. Toma atitudes admiráveis.

Tudo o que Neymar não fez. Sua suspensão é dura. Fere o coração da Seleção na Copa América. Sem o único jogador com talento diferenciado, ficará tudo mais difícil para o Brasil.

Mas ficará a lição. Que talvez faça o garoto de 23 anos começar a pensar com mais responsabilidade. Entender que a Seleção merece, no mínimo, tanto cuidado quanto o Barcelona.

E também a Dunga. O treinador tem de colocar limites. Já deu a camisa 10, a faixa de capitão, o deixa bater pênaltis, cobrar todas as faltas perto da grande área. É privilegiado no sistema tático, atuando, correndo por onde quer.

O mínimo de retorno que se exige de Neymar é que ele respeite a Seleção. O que fez na quarta-feira não foi contra Zúñiga, Armero, Murillo, Enrique Osses. Foi contra o futebol brasileiro.

E foi preciso a suspeita Conmebol tomar uma atitude. Fazer o que Dunga se omitiu.

Quatro ou três jogos, tanto faz. Esta Copa América será inesquecível para Neymar.

Pode transformá-lo no capitão que o Brasil tanto precisa na Copa de 2018.

Não esse menino mimado, que desfilou sua arrogância no Chile...
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A CBF ganha o apoio da organização da Copa América. A pressão é imensa sobre o frágil Comitê Disciplinar. A prioridade é liberar a estrela Neymar. Mesmo com o constrangedor vídeo em que chama Zúñiga de filho da p…

1reproducao25 A CBF ganha o apoio da organização da Copa América. A pressão é imensa sobre o frágil Comitê Disciplinar. A prioridade é liberar a estrela Neymar. Mesmo com o constrangedor vídeo em que chama Zúñiga de filho da p...
Em horas, o que era alegria passou a ser novamente constrangimento. A delegação brasileira estava animada na tarde de ontem, no Chile. Ela recebeu de maneira oficial a notificação que Neymar estava suspenso. Mas não como Dunga e toda a delegação esperava. Em vez de dois jogos, apenas um.

O brasileiro foi favorecido pelos organizadores da Copa América. Coube a eles definirem se teria um ou dois jogos de suspensão. No ultrapassado regulamento da competição não havia uma regra clara em relação a algo muito importante. Atleta que é suspenso por cartão amarelo e vermelho no mesmo jogo. Em vez das esperadas duas partidas de suspensão, uma só para Neymar, uma das maiores estrelas do torneio. Pagará só pelos dois amarelos seguidos.

Dunga ganhou motivos para acreditar que poderá contar com o jogador nas quartas-de-final. Basta o Brasil vencer a Venezuela no domingo. E logo no mata-mata, o capitão do time, o camisa 10 estará presente. Isso apesar do julgamento por parte da Comissão Disciplinar da Conmebol, pelo cartão vermelho.

3reproducao11 A CBF ganha o apoio da organização da Copa América. A pressão é imensa sobre o frágil Comitê Disciplinar. A prioridade é liberar a estrela Neymar. Mesmo com o constrangedor vídeo em que chama Zúñiga de filho da p...

A CBF alegará que ele foi provocado pelos jogadores colombianos. E até pelos bandeiras que o chamaram de 'piscineiro', por se atirar ao chão, simulando faltas. Pela tese do diretor jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, há muitos atenuantes. E ele tem certeza que o atacante pegará pena mínima, um só jogo. E a cumprirá contra a Venezuela. Ou tinha essa convicção.

O Canal + da Colômbia escalou um câmera só para acompanhar Neymar no jogo de quarta-feira. E registrou empurrões, provocações por parte do capitão brasileiro. Uma cena é absolutamente vexatória. Depois de trocar tapas com Camilo Zúñiga, o nariz do jogador do Barcelona começa a sangrar. Ele coloca o dedo no nariz e quando sente o sangue, chama o adversário. E apela para o idioma que usa na Espanha.

"Muchas gracias, luego me llamas para pedir perdón, hijo de puta. Hijo de puta!"

Não é preciso ser um especialista na língua do saudoso Gabriel Garcia Marquez. "Muito obrigado, Camilo. logo me telefona para pedir desculpas, filho da puta. Filho da puta!"

Neymar fez questão de não colocar a mão na frente da boca. Queria que seus palavrões fossem divulgados. É como se sentisse inatingível, imputável...

Portais do mundo todo já divulgam o vídeo. Esta é a imagem do capitão da Seleção. É assim que ele enfrenta os conflitos dentro do gramado. Agarrando, estapeando e xingando seus marcadores.

A referência que Neymar fez, quando pediu para telefonar, foi irônica. Quando Zúñiga tirou o atacante dos dois jogos finais Copa do Mundo de 2014, dando uma joelhada que fraturou uma vértebra do brasileiro, ele se ligou ao brasileiro. E pediu desculpas. Era a essa situação que Neymar se referia.

A postura do brasileiro foi muito criticada nos portais da Colômbia. E a cena servirá para embasar a defesa do colombiano Bacca, que também será julgado pelo Comitê Disciplinar da Conmebol. Ele deu um violento empurrão em Neymar. A alegação do atacante é que Neymar não é tão vítima. Pelo contrário. Além de xingar Zúñiga, deu uma bolada em Armero e ainda cabeçada em Murillo.

Vários marcadores já acusaram o brasileiro. Ele teria o costume de xingar, provocar, humilhar seus adversários. Até torcedores rivais Neymar não admite que o provoquem. Como aconteceu com um fã do Manchester City, que o chamou pelo velho apelido 'piscineiro'. Jogadores do Granada e de vários clubes europeus também.

1ap16 A CBF ganha o apoio da organização da Copa América. A pressão é imensa sobre o frágil Comitê Disciplinar. A prioridade é liberar a estrela Neymar. Mesmo com o constrangedor vídeo em que chama Zúñiga de filho da p...

A Copa América mostra o quanto a justiça fica em segundo plano na América do Sul. Bacca foi covarde. Empurrou Neymar, muito mais franzino do que ele, por trás, sem defesa. Teria de pegar punição exemplar.

Mas o capitão da Seleção e o camisa 10, também. Seu comportamento infringiu qualquer código de conduta ética, disciplinar. Ele provocou a confusão deprimente depois do jogo de quarta-feira. Sua suspensão também deveria passar ao mundo que há lei entre os trópicos.

Só que a CBF e a Federação Colombiana de Futebol agem como irmãs siamesas. Pressionam o Comitê Disciplinar da Conmebol. Criado apenas em 2011, ainda está fragilizado, sem força. A possibilidade que tanto Neymar quanto Bacca peguem apenas uma partida é grande.

Os organizadores da Copa América também não querem ficar sem a segunda maior estrela do torneio. A primeira é Messi. Mas Neymar vem em segundo. Estando em todas as propagandas da competição.

A CBF brinca com a inteligência alheia. Diz que houve abuso de autoridade do juiz Enrique Osses, o bandeirinha Carlos Astroza e até mesmo o quarto árbitro Néstor Pitana. Todos teriam entrado em campo para desestabilizar, tirar a paz de espírito de Neymar. É vergonhosa essa postura.

Jornalistas que estão no Chile garantem que o lado político pesará no julgamento. Será enorme surpresa se Neymar ficar fora nas partidas eliminatórias, a partir das quartas de final. Lógico que, se o Brasil conseguir se classificar.

2ap4 A CBF ganha o apoio da organização da Copa América. A pressão é imensa sobre o frágil Comitê Disciplinar. A prioridade é liberar a estrela Neymar. Mesmo com o constrangedor vídeo em que chama Zúñiga de filho da p...

Robinho, que rasgou a camisa de Bacca defendendo Neymar, está animado. Poderá ganhar entrar no lugar do parceiro contra a Venezuela. Deixaria assim sua maior função na Seleção durante a Copa América: tocar pandeiro.

O clima entre os jogadores e os repórteres que cobrem a Seleção no Chile está péssimo. Os atletas reclamam da falta de apoio da imprensa nacional. E que todos deveriam estar principalmente do lado de Neymar. É a velha questão já levantada na Copa do Mundo.

Vários atletas, liderados por Daniel Alves, acreditam que a função dos jornalistas brasileiros é defender a Seleção, não importando o que aconteça. O problema é que estão acostumados demais com assessoria de imprensa. Não percebem que a responsabilidade da imprensa é relatar o que acontece.

A primeira experiência de Neymar como capitão da Seleção em uma competição oficial está desastrosa. Falado à ESPN, Sônia Román, ex-psicóloga do jogador no Santos dá a receita. Para ela, o jogador deveria cobrar Dunga. E ter Robinho como parceiro no ataque. Que se esqueça de Tardelli e Firmino. É com o santista que ele se sente bem.

2reproducao16 A CBF ganha o apoio da organização da Copa América. A pressão é imensa sobre o frágil Comitê Disciplinar. A prioridade é liberar a estrela Neymar. Mesmo com o constrangedor vídeo em que chama Zúñiga de filho da p...

"Ele está irritado, sente que precisa resolver, precisa fazer mais. Sozinho não vai conseguir. Precisa, literalmente, chamar na chincha. Não pode ser bobo do treinador. Já está na hora de parar com essa submissão ao técnico, ele não é cobrado como um jogador normal. O que o Robinho está fazendo no banco? Os dois juntos podem fazer mais, ele não pode ser o herói sozinho de uma seleção."

Sim, Sonia defende que além do comportamento arrogante, dos palavrões do egocêntrico de Neymar aos adversários, ele 'chame na chincha' Dunga. E exija Robinho ao seu lado entre os titulares. Ou seja, escale a Seleção. É só isso que faltava.

Mas ela falou mais. "Ninguém comete excessos à toa. Milhões de brasileiros em cima do menino não vai legar a lugar nenhum. Falta motivação aos outros dez, falta psicologia. Toda vez que ele é muito marcado, se irrita, não consegue resolver como sempre e se estressa. Talvez as questões da CBF extracampo estejam incomodando no ambiente." Para ela, a prisão do Marin e a investigação na CBF o têm atrapalhado.

Protegido, não é de estranhar as atitudes do capitão e camisa 10 do Brasil.

Neymar tem uma certeza na vida: está acima do bem e do mal...

Fracasso na Justiça sabotou o ambiente de Pato no São Paulo e deteriorou de vez a relação com o Corinthians. Apesar da ingratidão e revolta dos torcedores, realista, Aidar quer mantê-lo. Pelo menos até dezembro…

1reproducao24 Fracasso na Justiça sabotou o ambiente de Pato no São Paulo e deteriorou de vez a relação com o Corinthians. Apesar da ingratidão e revolta dos torcedores, realista, Aidar quer mantê lo. Pelo menos até dezembro...
Arcar com as consequências. É o que resta a Alexandre Pato. Deu errado seu plano de se livrar do Corinthians. E também do São Paulo. O jogador buscou a justiça para ficar livre nesta janela de transferências. Sem o ônus de ter de pagar 10 milhões de euros, R$ 34,6 milhões, a qualquer clube brasileiro, os interessados pagariam apenas luvas e salários ao atacante. Dessa maneira se tornaria atraente. Principalmente para a Inter de Milão, onde já havia contatos.

Mas deu tudo errado para o atacante. A justiça considerou que ele não foi prejudicado com os dez meses de direito de imagem que o Corinthians atrasou. E pagou dois dias depois do processo instaurado. A alegação é que o jogador havia vendido há muito tempo seus direitos de imagem a uma empresa que não tem ligação alguma.

Quanto às ameaças dos vândalos das organizadas corintianas, de quebrar suas pernas, foram desprezadas. O Corinthians não teria nada a ver com a situação. O São Paulo também foi processado por dever três meses de direito de imagem. O clube pagou, a questão está resolvida. A sentença final será dada em setembro, portanto depois da janela de transferência para a Europa fechada.

Pato terá de cumprir seu contrato de empréstimo ao São Paulo até dezembro. E ainda ficar até o final de 2016 no Corinthians. Assim decretou a lei.

A situação do jogador no Morumbi ficou péssima. E no Corinthians, muito pior.

Carlos Miguel Aidar sabe muito bem que o atacante desejava ir para a Europa. E, de maneira ingrata, virava as costas ao clube que o apoiou quando queria de qualquer maneira deixar o Corinthians. Ele traiu a confiança dos dirigentes são paulinos com o processo.

2reproducao15 Fracasso na Justiça sabotou o ambiente de Pato no São Paulo e deteriorou de vez a relação com o Corinthians. Apesar da ingratidão e revolta dos torcedores, realista, Aidar quer mantê lo. Pelo menos até dezembro...

Ele sabe o quanto a diretoria deseja negociar o veterano e caro Luís Fabiano. Juan Osório se mostrava disposto a apostar todas as fichas na sua fixação como titular. E apostando no potencial de artilheiro que via no atacante. Dando tudo certo, o São Paulo se preparava para tentar comprar seus direitos do Corinthians. Tudo isso ficou abalado com a postura do jogador.

No Corinthians o clima é de euforia. Se o clube perdesse na justiça Pato, por falta de pagamento, havia a certeza que outros atletas poderiam ir pelo mesmo caminho. Já que virou rotina o clube atrasar meses e meses de direito de imagem. E os salários passaram a ser pagos no limite. Como a legislação alega que, com 90 dias sem pagamento o atleta está livre do clube, o Corinthians passou a atrasar dois meses.

Esta situação constrangedora financeira vem do péssimo contrato com o Itaquerão. Todo o dinheiro gerado pela arrecadação está sendo drenado para o pagamento do estádio.

Os dirigentes corintianos sabem muito bem o que Pato comentou aos jogadores do São Paulo. Ele jurou que nunca mais atuaria pelo clube. Arrumaria uma maneira de ficar no Morumbi ou ir para a Europa. Mesmo tendo compromisso assinado até o final do ano. Ele se sentiu boicotado pelo elenco campeão mundial e da Libertadores. Tite deixou bem claro que não pediu sua contratação. E foi ameaçado pelos vândalos que invadiram o CT no ano passado.

A postura de Andrés Sanchez e Roberto de Andrade é ser a mais fria, calculista. O clube investiu R$ 43 milhões para tirá-lo do Milan. E precisa recuperar o máximo que puder da transação que consideram a pior de todos os tempos no Corinthians. Ambos adorariam vendê-lo já para a Europa, Arábia, China, Japão, Marte. Mas faltam interessados.

A tentativa de Pato em se livrar tanto do Corinthians como do São Paulo, acabou por unir as duas diretorias. Houve telefonemas entre os dirigentes. Eles seguiram pela mesma linha de raciocínio nas alegações para travar a saída do atleta.

1spfc Fracasso na Justiça sabotou o ambiente de Pato no São Paulo e deteriorou de vez a relação com o Corinthians. Apesar da ingratidão e revolta dos torcedores, realista, Aidar quer mantê lo. Pelo menos até dezembro...

Se o clube do Morumbi quiser ficar com o jogador até dezembro terá de pagar 10 milhões de euros, cerca R$ 34,6 milhões. Aidar já afirmou a companheiros de diretoria que não disponibilizará tanto dinheiro. Estava disposto a bancar entre seis e cinco milhões de euros. Parcelados. Ou talvez até colocar algum jogador como contrapeso. A atitude de Pato deixou tudo indefinido.

Carlos Miguel não quer desperdiçar ao menos o empréstimo do jogador. Osório acredita que ele será útil na missão de tentar ganhar o Brasileiro. Ou ficar com uma das quatro vagas para a Libertadores de 2016. Se ele for escalado contra o Avaí, completará sua sétima partida pelo clube no Campeonato Nacional. E não poderá sair para qualquer outra equipe brasileira. Como também estará sem a Europa, a sua postura será mergulhar de cabeça no São Paulo.

Pelas redes sociais, os torcedores são paulinos ficaram revoltados com o processo. Insistem pelo lado da ingratidão. Palavrões e ameaças são constantes. O jogador terá de se esforçar, dar o máximo para alterar essa situação. Afagos na camisa não serão suficientes.

É bastante provável que depois de uma conversa com Aidar e Osório, Pato dê uma entrevista. E se explique. Provavelmente dizendo que ele queria se livrar do Corinthians. Para ficar no São Paulo. E que o clube do Morumbi foi citado por força das circunstâncias, já que também devia dinheiro a ele.

3ae10 Fracasso na Justiça sabotou o ambiente de Pato no São Paulo e deteriorou de vez a relação com o Corinthians. Apesar da ingratidão e revolta dos torcedores, realista, Aidar quer mantê lo. Pelo menos até dezembro...

Alexandre Pato conseguiu várias façanhas. Não obteve a carta de alforria para voltar à Europa. Sua esperança de retorno a Milão, cidade que ama, não se concretizou. Os contatos com a Inter de Milão cessaram com a perda do processo.

Aumentou e muito o ódio que os dirigentes corintianos nutrem do jogador. E que está ligado umbilicalmente até dezembro de 2016. Ainda decepcionou a direção do São Paulo, revoltou os torcedores tricolores.

Rogério Ceni e Michel Bastos estão liderando um movimento de apoio ao atacante. São realistas. Já que não sairá, que tenha todo o apoio enquanto pertencer ao São Paulo. O relacionamento de Pato com seus companheiros no Morumbi é excelente. Com exceção de Luís Fabiano, ainda magoado. Entendeu que, quando Alexandre garantiu que não ficaria mais na reserva, teria sido um recado direto a ele.

A tendência é o São Paulo tentar amenizar a situação até dezembro. Depois decidir o que fazer.Dependendo do que fizer dentro do campo. Dentro desse cenário, algo continua certo. Pato não quer jogar de jeito algum no Corinthians. Os dirigentes o querem longe. Só rendendo pelo menos uma parte dos R$ 43 milhões que gastaram com o jogador midiático. Aquele que o departamento da Nike garantiu que seria o 'maior ídolo brasileiro'...
1ae18 Fracasso na Justiça sabotou o ambiente de Pato no São Paulo e deteriorou de vez a relação com o Corinthians. Apesar da ingratidão e revolta dos torcedores, realista, Aidar quer mantê lo. Pelo menos até dezembro...

Nem expulsão após o jogo fará Dunga cobrar Neymar. O técnico da Seleção se submete. Virou apenas mais um refém do egocêntrico camisa 10 e capitão do Brasil…

 Nem expulsão após o jogo fará Dunga cobrar Neymar. O técnico da Seleção se submete. Virou apenas mais um refém do egocêntrico camisa 10 e capitão do Brasil...
Dunga estava desempregado há dez meses. Em outubro de 2013 havia sido mandado embora do clube que é ídolo, o Internacional. Seu trabalho havia sido pífio. Sem propostas, trabalhou como comentarista na Copa de 2014 para a televisão do Catar, a Al Jazeera. Estava com contatos com clubes árabes, quando Marin e Marco Polo demitiram Felipão. E ofereceram ao treinador outra vez a Seleção Brasileira.

Ele não esperava pelo retorno. Mais do que a eliminação nas quartas de final contra a Holanda, o que havia pesado na Copa da África foi sua briga assumida com a TV Globo. Marin e Marco Polo perguntaram se ele voltaria a criar problemas, quatro anos depois. Dunga garantiu que não, havia amadurecido. Entendia melhor a relação com a imprensa. Percebeu que sua vingança contra o massacre que sofreu em 1990 se voltou contra ele. E estava pronto para trabalhar em paz.

Sabia que tinha a obrigação de reformular o time que havia humilhado o país, com seu ridículo rendimento na Copa do Mundo. Teria jovens bons jogadores e um excepcional. Apenas um. Neymar.

E sabia o quanto precisava do atacante do Barcelona. A camisa 10 ele já havia tomado de Oscar. E querendo seguir o caminho do seu companheiro Messi, Neymar desejava também a tarja de capitão. Assim poderia conversar mais com os árbitros. Reclamar dos pontapés. Mas também demonstrar ao mundo que é o líder do único país pentacampeão. Aos 23 anos!

Dunga seguiu o que Felipão e Parreira fizeram. Não negou nada a Neymar. Por trás de tanta bondade há algo que poucos perceberam. A transferência de responsabilidade. Assumiu a dependência do atacante. E lavou as mãos. Não sabia o que estava fazendo. Não sabia o que estava fazendo.

2afp Nem expulsão após o jogo fará Dunga cobrar Neymar. O técnico da Seleção se submete. Virou apenas mais um refém do egocêntrico camisa 10 e capitão do Brasil...

Quando era jogador, Dunga conseguiu controlar, domar Romário e Ronaldo. Os dois o ouviam, respeitavam. Mas somados os dois não tinham a metade do ego de Neymar. Nem o dinheiro. Não estavam fascinados pela adoração de milhões nas redes sociais.

Ele percebeu o quanto a Seleção é dependente dos seus dribles, seus gols. E não aceita limites. Neymar provocou uma confusão deprimente na derrota de ontem para a Colômbia. Conseguiu ser expulso após a partida. Já tinha tomado o cartão amarelo. Não jogaria contra a Venezuela. Tomando também o cartão vermelho não atuará nas quartas de final, caso o Brasil se classifique para as quartas.

Será julgado pela expulsão de ontem e pode até não mais jogar na Copa América.

A permissividade de Dunga se voltou contra o treinador. Neymar já havia dado sinais de descontrole emocional. Em Porto Alegre ele não aceitou as vaias da torcida depois do 0 a 0 contra Honduras. O capitão não quis fazer o que estava combinado com o treinador gaúcho. Ir para o meio do campo e se despedir dos torcedores antes do embarque para a Copa América. Seria um gesto simbólico. "Mete o pé, vamos embora, vamos embora", dizia aos companheiros.

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Os sorrisos de Neymar sumiram nos treinamentos. Passou a evitar os jornalistas no Chile, nervoso, irritado. Não se submeteu aos pedidos da assessoria de imprensa da CBF para dar coletivas. Contra o Peru provocou como pôde o árbitro Roberto García. Até tomar o cartão amarelo por tirar a bola de onde o juiz havia marcado com spray. Jogadores ficaram revoltados com a punição e foram discutir com García. Neymar os empurrou raivosamente.

No jogo contra os peruanos abusou dos dribles desnecessários. Egocêntrico, estava mais interessado em dar um show particular do que jogar para o time. As inúmeras vezes em que perdeu a bola não fora registadas pela tevê. Mas como fez um gol, deu assistência e ainda mandou uma bola na trave, foi incensado. Editados, seus lances pareciam do novo Pelé. Ninguém levou em conta a fragilidade do adversário e seu egoísmo.

Dunga acompanhou tudo de braços cruzados. Sabia que nada poderia fazer. Os companheiros de Neymar são omissos, quase tietes da estrela do Barcelona. Como capitão do time, não aceita ouvir ninguém. Entre os mais velhos do que ele, ninguém tem moral para cobrá-lo. Thiago Silva perdeu a tarja de capitão, não gostou. Mas só voltou à Seleção porque pediu desculpas ao grupo e a Neymar particularmente. Robinho que um dia foi seu ídolo, hoje não tem futebol para ser titular. Está no Chile mais para mostrar sua habilidade no pandeiro e cantar pagode.

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Após a derrota de ontem, Dunga deixou implícito que o comportamento de Neymar está ligado ao processo que o fez réu na Espanha. As acusações envolvendo sua transferência do Santos para o Barcelona são gravíssimas.

Ele é acusado de corrupção privada e estelionato de contrato privado. Se condenado, além de pagar indenização milionária, o jogador poderá ser preso. Cada acusação tem pena prevista entre seis meses e quatro anos. Caso seja considerado culpado a punição poderia chegar a oito anos de cadeia.

A situação já era crítica e muito comentada na Espanha há tempos. Mas oficialmente Neymar se tornou réu ontem. Soube antes do jogo que terá de depor para a justiça espanhola. Sandro Rosell, amigo íntimo de Ricardo Teixeira, renunciou à presidência do Barcelona graças às negociações envolvendo o brasileiro.

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Se Dunga percebeu que Neymar estava perturbado, por quê não o preservou? Não o deixou de fora da partida? Ainda mais que marcava o reencontro com Zúñiga. O lateral colombiano que o tirou da semifinal e da decisão da Copa. A desleal joelhada por trás fraturou uma vértebra da coluna do brasileiro. Era mais um motivo para estar com os nervos à flor da pele.

Mas ninguém diz não na Seleção a Neymar. Principalmente Dunga. Mesmo com Neymar dando inúmeras demonstrações de quanto estava perturbado. Cadê a coragem do técnico em substituí-lo? Sua omissão proporcionou toda a confusão.

Sem Neymar, o treinador deverá apelar para o mesmo time que venceu o México B em São Paulo. Com exceção de Danilo, contundido, que deu a vaga para Daniel Alves. Jéfferson, Daniel Alves, Miranda, David Luiz e Filipe Luís; Fernandinho, Elias, Fred, Philippe Coutinho e Willian; Diego Tardelli ou Roberto Firmino. Essa será a provável escalação contra a Venezuela.

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Dunga não pode cobrar publicamente seu camisa 10. E mesmo nas conversas particulares que deverão ter, o treinador precisa mostrar muito cuidado. Já está claro o quanto serão difíceis as eliminatórias para a Copa da Rússia. São quatro vagas diretas e uma na repescagem.

Argentinos, uruguaios, chilenos, colombianos, paraguaios, equatorianos, peruanos, bolivianos e venezuelanos não ficaram tão mais forte. A atual geração brasileira é que é fraca. Sem Neymar tudo ficaria muito pior. Por isso Dunga aceita o narcisismo do camisa 10, do seu capitão. Não há saída. Precisa.

Para continuar como treinador da Seleção, Carlos Caetano Bledorn Verri, precisa fingir não perceber o que está acontecendo. Dar desculpas esfarrapadas. Falar meias verdades. E o que mais detesta: se submete.

Se fosse outro jogador expulso após o final da partida, o treinador estaria espumando. Mas como foi seu camisa 10, se cala.

O técnico virou uma vítima, refém, como toda a Seleção, da dependência de Neymar.

Dunga nunca imaginaria.

O menino que o tietou, há 12 anos, se tornaria seu martírio...

(A Conmebol lógico que usou um recurso suspeito para não afastar de cara a estrela brasileira da Copa América. O seu regulamento não previa um jogador tomar ser suspenso por cartão amarelo e em seguida ser expulso. No Brasil e e em vários países o critério é simples. Uma suspensão pelo amarelo e outra pelo vermelho.

Coube à organização da Copa América decidir se o ídolo brasileiro pegaria um ou dois jogos. Adivinha? Raposa em galinheiro. Um só jogo de suspensão para Neymar e não se fala mais nisso. É constrangimento atrás de constrangimento...)
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