Na goleada contra o Danubio, Tite se deleitou. E aproveitou, curtiu o melhor time do Brasil em 2015. Aquele que, mesmo endividado, se diverte no Grupo da Morte. Passeia na Libertadores…

1ae1 Na goleada contra o Danubio, Tite se deleitou. E aproveitou, curtiu o melhor time do Brasil em 2015. Aquele que, mesmo endividado, se diverte no Grupo da Morte. Passeia na Libertadores...
"Não sei quem foi um técnico que ficou na beira do campo num determinado jogo, acho que foi o Jurgen Klopp, do Borussia Dortmund... Em algum momento ele ficou curtindo. Eu nunca consegui curtir. Nos últimos 15 minutos eu curti. Fiquei assistindo, fiquei deliciando a qualidade do grupo."

Foi assim que Tite confidenciou que vivenciou os últimos minutos da goleada de ontem sobre o Danubio. Vendo a volúpia, a ganância do time buscando mais e mais gols, o comprometimento tático de seus jogadores. Foi como um torcedor privilegiado no Itaquerão. Sabia melhor do que ninguém que 4 a 0 foi pouco.

O treinador tinha mesmo motivo para se orgulhar e sorrir. O seu Corinthians continua passeando, fazendo do terrível "grupo da Morte", sua diversão na Libertadores. Foi a quarta vitória seguida. 12 pontos conquistados contra São Paulo, San Lorenzo e Danubio. Faz a segunda melhor campanha entre todos os 32 times. Está empatado com Boca Juniors, que está em um grupo facílimo. Só perde no saldo de gols. Marcou nove gols e sofreu um. Tem saldo de oito. Os argentinos têm saldo de 12.

E ontem, o Corinthians poderia ter marcado muitos outros gols. Jogou para ganhar pelo menos de seis, sete a zero. Tite mostrou todo o potencial do esquema 4-1-4-1, que aprendeu e desenvolveu no ano sabático de 2014. Conseguiu incutir na cabeça de seus comandados a movimentação constante. Com exceção de Ralf, o cão de guarda da zaga e o Guerrero, o definidor, os volantes e os meias são a mesma coisa. Têm a mesma responsabilidade. Podem tanto defender como atacar. Bem treinados, já percebem que espaço preencher. Além disso, há os laterais liberados para rasgar defesas como pontas. Vão para a frente sabendo que estão cobertos.

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Não bastasse tudo isso há ainda a bola parada de Jadson. As faltas cobradas diretas ou escanteios onde todos sabem muito bem onde a bola chegará. Para sustentar tudo isso, o excelente preparo físico do time.

O Corinthians não é por acaso o time que mostra o melhor futebol do Brasil em 2015.

Tite conseguiu um pacto de comprometimento do elenco que é assustador. Pouco importa que a arrecadação de ontem tenha passado dos R$ 3,2 milhões no Itaquerão. O dinheiro vai todo para o fundo gerido pela Caixa Econômica e pela Odebrecht para pagar o estádio bilionário. A hora em que a renda de cada partida no Itaquerão é divulgada se transforma no momento de maior raiva dos atletas. Eles estão com direito de imagem atrasados desde 2014, graças à péssima administração de Mario Gobbi.

Mesmo assim, a aplicação de todos os jogadores é exemplar. Tite foi bem claro. Se entregar, deixar de lutar por falta de dinheiro seria burrice. Só indo além, colocando a alma nas partidas haveria como o Corinthians ir vencendo, buscando dinheiro de vias paralelas. Como patrocínios do calção e da omoplata dos uniformes, que o clube não conseguiu vender. Há a promessa da diretoria, que assim que alguma empresa resolver estampar seu logotipo nesses lugares vagos, o dinheiro será deles.

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E no Parque São Jorge, a desgraça é democrática. Atletas que deveriam ser protegidos de qualquer maneira, não são. "Eu já disse. Não vou conversar sobre renovação enquanto não receber o que o Corinthians me deve. É uma situação que não me agrada", desabafava Guerrero, autor de três gols ontem nos 4 a 0. Pela primeira vez com a camisa corintiana fez o desejado hat-trick. Não deveria pedir música, mas uma sinfonia. Ele é disparado o melhor atacante neste país. Mas tem mais de R$ 2 milhões em direito de imagem a receber.

Emerson Sheik, que correu, driblou, provocou, tomou pontapés em série dos uruguaios, que viraram cartões amarelos e expulsão, terminou a partida com a canela direita sangrando, as marcas das travas das chuteiras era visíveis na meia. Ele tem a receber R$ 1,5 milhão. Ralf, que foi o esteio da defesa, acumula R$ 2,2 milhões. Elias, que foi meia, volante, centroavante, zagueiro, ponta e que acabou sendo chamado de 'macaco' por Gonzáles, tem a receber R$ 1 milhão. Fora Renato Augusto, Gil, Jadson, Cássio que também estão com seus direitos atrasados. Mas se doam em campo como se fossem eles quem devessem ao Corinthians.

Mesmo com tudo de bom que está acontecendo dentro do gramado, Tite faz seu papel. Não se acomoda e avisa que tem muito a melhorar. Sabe que não pode se dar ao luxo de se acomodar.

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"O Corinthians é uma equipe em formação, que vai crescendo e se consolidando. Crescendo em bolas paradas, em saída de bola... O time ficou mais forte nas bolas paradas, teve um nível de concentração mais alto. Ontem eles estavam se cobrando dos gols que nós tomamos. Eu usei uma frase do Tostão, numa crônica dele: “O erro humaniza”. Digo a eles que errar é humano, mas que vamos trabalhar para melhorar."

Só que para manter o time focado, disposto a lutar até o final para vencer os seis jogos no Grupo da Morte, derrotar de novo o San Lorenzo, no Itaquerão e o São Paulo, no Morumbi, é preciso responsabilidade da diretoria. O treinador já deixou claro a Roberto de Andrade que é preciso reconhecimento. Os atletas precisam ser pagos. O Corinthians que já está tão endividado, que busque empréstimos para manter o salário do elenco em dia. O truque de pagar a menor parte que está registrada na carteira e ficar devendo os direitos de imagem é covarde e abominado pelos jogadores.

Mas enquanto isso não acontece, Tite vai seguir cobrando, treinando. Mostrando que o intercâmbio, a observação séria das entranhas dos melhores clubes da Europa o tornaram o melhor técnico do Brasil. Capaz de revolucionar um elenco que definhava nas mãos de Mano Menezes. Nem parece o mesmo time de 2014.

Além de toda qualidade tática e técnica do Corinthians, do trabalho competente, instigante de Tite, há o Itaquerão. A nova arena, com sua acústica cruel com os adversários, com a proximidade dos apaixonados torcedores, se tornou um caldeirão moderno, local desesperador para as equipes visitantes. Não é por acaso que de 29 partidas, o Corinthians só perdeu uma, a primeira para o Figueirense. Desde então são 28 jogos sem derrotas. Nem o adorado Pacaembu era tão efetivo.

Mas Tite se mostra maduro. Sabe que todo esse cenário pode ruir de uma hora para outra. Duas atuações ruins e o time pode dar adeus nos mata-matas na Libertadores. Por isso, o técnico se mostra incansável. Ambicioso como nunca. Para poder se dar ao direito de curtir, virar torcedor nos últimos 15 minutos de um jogo importante da Libertadores. Embevecido com o próprio trabalho. Ele tem razão.

Seu Corinthians dá muito prazer assistir jogar. Nem parece que este time pertence ao país dos 7 a 1...
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Infantilidade de Tolói complica a vida do São Paulo na Libertadores. Derrota para o San Lorenzo deixa o time de Muricy ameaçado de eliminação. Seu futuro ficará nas mãos do Corinthians…

2reproducao Infantilidade de Tolói complica a vida do São Paulo na Libertadores. Derrota para o San Lorenzo deixa o time de Muricy ameaçado de eliminação. Seu futuro ficará nas mãos do Corinthians...
Quem formou o elenco do São Paulo nos últimos anos foi Juvenal Juvêncio, Carlos Miguel Aidar e Ataíde Gil Guerreiro. Muitas e muitas vezes, os treinadores não tiveram direito a voto. Eles que montasse o time com as peças que os dirigentes oferecessem. O trio sempre agiu como torcedores. Gastando muito mais com meias e atacantes. Nunca dando muita atenção aos zagueiros.

E campeonatos e mais campeonatos acabaram sendo desperdiçados justamente por falhas de zagueiros limitados. E hoje novamente, o time pagou por isso. Em uma jogada infantil, tentativa digna de um juvenil, Tolói errou o tempo de bola. E tomou um chapéu desmoralizador de Cauteruccio.

O uruguaio desceu livre e estufou as redes de Rogério Ceni. Eram 26 minutos do segundo tempo. Todo surpreendente bom trabalho que o São Paulo fazia foi para o lixo. E veio a derrota que deixa o time muito ameaçado de desclassificação da Libertadores, logo na primeira fase, a de grupos. A dependência do Corinthians no seu futuro é evidente.

Até o lance absurdo de Tolói, o São Paulo estava cumprindo o plano traçado por Muricy. O treinador sabia que o
empate seria ótimo resultado. E tratou de montar sua equipe de uma maneira mais compacta, marcadora. Para tirar o espaço do competitivo, mas sem brilho técnico, do atual campeão da Libertadores.

Trocou os dois laterais, Bruno e Carlinhos. Improvisou o volante Hudson e Reinaldo ganhou uma chance. Os dois entraram para marcar, como se atuassem na década de 70. No meio de campo, Denílson e Souza fechando a intermediária. Ganso e Michel Bastos tinham de ajudar, como se fossem outros volantes. Na frente, aberto pela direita, Pato. Enfiado entre os zagueiros esperando uma jogada para atuar como pivô, Alan Kardec.

O San Lorenzo é uma equipe muito diferente daquela campeã de 2014. Sem destaques. Vendeu jogadores, não se reciclou à altura. Ainda depende da formação tática compacta, firme de Edgardo Bauza. Sua estratégia contra os brasileiros era sufocar desde o início da partida. Acreditava que o São Paulo atuaria acovardado, todo atrás.

Só que não foi o que aconteceu. Muricy colocou seu time fechando as intermediárias, mas pronto para dominar a bola, ditar o ritmo de jogo. Não cair na correria dos argentinos. E conseguiu cozinhar o primeiro tempo. O São Paulo impressionava pela frieza, pela personalidade jogando no Nuevo Gasometro. A torcida argentina cantava, xingava, fazia o que podia, mas o San Lorenzo quase não criou. Só teve uma chance, e ela foi aguda. Mostrava o que viria pela frente. Em um cruzamento despretensioso, Tolói apenas observou Blanco cabecear livre e perder o gol.

1ap Infantilidade de Tolói complica a vida do São Paulo na Libertadores. Derrota para o San Lorenzo deixa o time de Muricy ameaçado de eliminação. Seu futuro ficará nas mãos do Corinthians...

Ainda na primeira etapa, Muricy perdeu Alan Kardec, contundido. Entrou Centurion. O que até melhorou o time. O argentino atuando no seu país teve iniciativa, correu, tentou os dribles, enfrentou os zagueiros.

O 0 a 0 estava excelente para o São Paulo. Pelos planos de Muricy e da diretoria, bastaria vencer o lanterna do grupo Danubio no Uruguai. E entrar no Morumbi só por um empate contra o Corinthians.

No segundo tempo, o San Lorenzo se agoniava, adiantava seu time, buscando a vitória obrigatória. O São Paulo continuava bem postado, fechando os espaços. Os laterais defensivos funcionavam. Sem opção, os argentinos apostavam em levantamentos para a área, em prova de descontrole.

O que deveria ser uma boa notícia, se mostrou trágica. O veterano e cerebral Romagnoli não suportou mais o ritmo da partida. E foi substituído. Entrou o uruguaio Cauteruccio. Sua maior virtude é a correria, a explosão, não o talento.

 Infantilidade de Tolói complica a vida do São Paulo na Libertadores. Derrota para o San Lorenzo deixa o time de Muricy ameaçado de eliminação. Seu futuro ficará nas mãos do Corinthians...

O atacante entrou aos 18 minutos e oito minutos depois, estava envolvido no principal lance do jogo. Uma bola boba que sobrou na intermediária. Dividida entre Cauteruccio e Tolói. O zagueiro cometeu um erro inaceitável. Não percebeu que o uruguaio estava mais próximo da bola do que ele. Mesmo assim tentou a antecipação. O que conseguiu foi levar um chapéu vergonhoso. Como ele era o homem da sobra, o atacante só tinha pela frente Rogério Ceni. O chute saiu no alto, violentíssimo. 1 a 0, San Lorenzo.

O lance acabou com todo o planejamento são paulino. Perdendo, a insegurança, velha conhecida, voltou ao time brasileiro. Outra vez Ganso e Pato decepcionavam. Não fizeram nada de importante ofensivamente. Muricy ainda tentou adiantar o time, mas a marcação argentina estava firme, confiante. O San Lorenzo agora tinha espaço para armar contragolpes. Mas faltava talento.

O São Paulo perdeu o jogo que não poderia perder. Agora terá pela frente o Danubio no Uruguai e depois o Corinthians no Morumbi. O San Lorenzo terá o Corinthians no Itaquerão. E depois o Danubio já eliminado, em Buenos Aires.

Os dois times têm seis pontos. O time de Muricy é obrigado a vencer os uruguaios e o Corinthians para assegurar a classificação. Os argentinos deverão passar fácil pelo Danubio. A esperança do São Paulo é o rival corintiano se impor no Itaquerão.

Se tivesse acontecido o empate, tudo estaria tranquilo. Mas Tolói colocou tudo a perder. Quem sabe um dia a direção do São Paulo entenda que um time de grandes conquistas tem excelentes meias e atacantes. Mas sem bons zagueiros, não vai a lugar algum...
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Novo ministro da Fazenda quer que Caixa deixe de patrocinar clubes. São mais de R$ 100 milhões em dinheiro público por ano. Só o Corinthians foge à regra. Por que será?

1ae Novo ministro da Fazenda quer que Caixa deixe de patrocinar clubes. São mais de R$ 100 milhões em dinheiro público por ano. Só o Corinthians foge à regra. Por que será?
No dia 10 de fevereiro foi confirmada a troca da presidência na Caixa Econômica Federal. Saiu Jorge Hereda, considerado por economistas muito 'mão aberta'. Sob seu comando, o banco mais do que triplicou sua carteira de crédito, batendo em R$ 576,4 bilhões. Passou os concorrentes privados, Santander Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco.

A ordem da presidente Dilma e do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, era de reduzir taxas de juros e aumentar a oferta de crédito para evitar uma desaceleração da economia. Lembrando que Hereda assumiu em março de 2011, quando Dilma tinha aprovação de 46% e buscava firmar seu governo e buscava popularidade.

Nesta esteira, entrou o futebol. O Brasil iria sediar a Copa do Mundo de 2014. O ex-ministro do Esporte, Aldo Rebelo, convenceu Dilma que seria ótimo para o governo ajudar os grandes clubes brasileiros. Como o país ainda não havia mergulhado na recessão, ele tratou de começar a esboçar o parcelamento de 20 anos para R$ 4 bilhões de dívidas dos maiores clubes do país. Pouco se importante se hospitais, indústrias e faculdades fechavam por dívidas com o governo. As equipes que seriam beneficiadas contam com milhões de torcedores/eleitores.

Rebelo recebeu apoio de políticos de todos os partidos. Principalmente da bancada da Bola. A medida populista ajudaria a todos em qualquer eleição.

Só que Hereda começou a ser assediado por políticos ligados a clubes. Eles não buscavam dinheiro emprestado. Eram mais ousados, queriam o patrocínio do banco. Já que o banco público dava dinheiro a atletas olímpicos, por que não ao esporte mais popular do país? A pressão foi enorme. E de todos os lados.

Deputados, senadores, prefeitos, governadores, ministros. Era muita gente poderosa desejando que os patrocínios fossem autorizados. Os primeiros saíram em julho de 2012: Atlético Paranaense e Avaí. O time de Curitiba ficou com R$ 3,6 milhões. O de Santa Catarina, R$ 1,7 milhão. Abriu-se a porteira. A notícia se espalhou. Filas de lobistas se formaram em frente à sede da Caixa, atrás de Hereda.

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O dinheiro dos primeiros patrocínios eram irrelevantes, diante do patrocínio da instituição financeira. O saldo em 2011 da Caixa ultrapassou 37% o balanço de 2010. Chegou nos R$ 5,2 bilhões. O clima era de euforia pura. Não havia motivo para virar as costas aos clubes, ainda mais com o país caminhando para a Copa. Seria excelente para a popularidade do banco e de Dilma.

Mas os critérios sempre foram políticos. Quem não tinha padrinho, morria pagão. A única exigência prática era a Certidão Negativa de Débitos. Um documento que provava que o clube não tinha dívidas previdenciárias ou trabalhistas.

A sensação era que havia um novo baile da Ilha Fiscal. Para quem não se lembra das aulas de história, o baile da Ilha Fiscal foi a última festança da Monarquia. Enquanto os reis festejavam no Rio de Janeiro, a República se articulava e chegaria seis dias após o baile.

À farra do dinheiro público dado a Avaí, Figueirense e Atlético Paranaense, chegaria o gigante. Corinthians. Clube que conseguiu seu estádio graças à intervenção do ex-presidente Lula. Mentor de Dilma e principal figura do partido que domina o país há 12 anos. Hereda não teve como dizer não ao pedido do clube mais popular do estado mais rico da União. E, por coincidência, o time de coração de Lula.

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Foi fechado assim o maior patrocínio master no país: R$ 30 milhões por ano. O contrato caiu do céu. Para quem não se lembra, o Corinthians estava há sete meses sem patrocínio. O acordo aconteceu em dezembro de 2012. E não ficou nisso. O clube precisava de um banco que desse o seu aval para o empréstimo do BNDES para a construção do Itaquerão. Por meses, os dirigentes tentaram e não conseguiam arrumar quem assumisse a negociação de R$ 400 milhões. E não é que a Caixa aceitou? Ela e a Odebrecht formaram um fundo que administra a dívida do estádio.

Foi só o Corinthians que teve tamanho apoio. Hereda, no entanto, foi firme. Não aceitou pressão alguma para que a Caixa Econômica bancasse os R$ 400 milhões pedidos pelo Corinthians para os naming rights de 20 anos do Itaquerão. O que o clube paulista teve a coragem de propor, na prática: não pagaria os R$ 400 milhões emprestados pelo BNDES e avalizados pelo Caixa. Daria o batismo da sua arena por 20 anos. Seria um escândalo. A pressão foi imensa. A muito custo, Hereda disse não.

Mesmo assim, o Corinthians ficou com o maior patrocínio do banco no país. E mais o aval para que seu estádio saísse do papel. Políticos do Rio intercederam em favor do Flamengo e do Vasco. O clube com maior torcida do país ficou com R$ 25 milhões. Enquanto o vascaíno embolsou R$ 15 milhões.

Assim: Avaí, Figueirense, Atlético Paranaense, Corinthians, Flamengo, Vasco, Coritiba, Vitória, Atlético Goianiense, Chapecoense, Paraná, Sport e até o ASA de Arapiraca. Esses foram os eleitos. Clubes que provavam na prática que, quem tem padrinho, não morre pagão. E conseguia patrocínio da Caixa.

Só que a crise internacional chegou ao Brasil. Por coincidência, ou não, ela explodiu após a última eleição presidencial. Dilma Rousseff foi reeleita. A política financeira do governo mudou. Guido Mantega caiu. Joaquim Levy assumiu e está encarando a recessão. Sem se preocupar em fazer política, está tomando medidas impopulares. Taxando o trabalhador, privilégios de empresas terminaram. Impostos foram aumentados.

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E a equipe econômica foi mudada. Jorge Hereda perdeu o seu cargo na Caixa Econômica. A ex-ministra do Planejamento Miriam Belchior assumiu no seu lugar. E já sob protestos, ameaça de privatização, que ela negou veementemente. Sob o comando de Levy, a ordem é enxugar, evitar desperdício.

Lógico que os dirigentes de futebol ficaram e estão temerosos. Com o mundo ocidental vivendo uma profunda crise, são raríssimas as empresas dispostas a investir em patrocinar camisas de clubes. Principalmente depois do fiasco brasileiro na Copa. A queda de audiência e público nos estádios são dados concretos. Perder os milhões da Caixa seria terrível.

Só que algo muito estranho aconteceu. No dia em que Miriam assumiu, o contrato do Corinthians foi renovado. Sem um real de aumento. Foram mantidos os R$ 30 milhões. E só. Atlético Mineiro e Cruzeiro não renovaram com o BMG e estão sonhando com a Caixa. Assim como o Coritiba, o Goiás. E os demais clubes que querem prorrogar seus contratos. Mas a direção do banco não tem sequer atendido os dirigentes.

Apesar de uma reunião animadora em fevereiro, há a informação que Levy mandou esquecer os clubes de futebol. Muito dinheiro público já foi parar nestas equipes. Em 2014, foram R$ 105,9 milhões entre 13 equipes.

Mais do que o dinheiro, conter esses gastos é algo considerado simbólico pelo governo. Não há cabimento em plena recessão continuar a patrocinar clubes apadrinhados politicamente. O embate está forte em Brasília. A ordem é cumprir os contratos em vigor. Não renovar e nem fazer novos acordos. Nem mesmo o Flamengo está garantido.

Há um embate político feroz em Brasília. Os políticos da bancada da Bola, deputados, senadores, prefeitos, governadores estão lutando para que a Caixa continue patrocinando equipe que lhe interessam. Levy não quer ceder. Como o Corinthians conseguiu renovar? A resposta não é difícil. É o clube mais forte politicamente deste país. Ainda mais neste governo...
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Clubes querem aproveitar desespero da Globo por volta do mata-mata. E dar uma virada de mesa. Aumentar a Série A para 24 clubes em 2016. Subir oito equipes da Segunda Divisão. É muita vergonha para um país só…

 Clubes querem aproveitar desespero da Globo por volta do mata mata. E dar uma virada de mesa. Aumentar a Série A para 24 clubes em 2016. Subir oito equipes da Segunda Divisão. É muita vergonha para um país só...
Não existe limites para a agilidade mental dos dirigentes brasileiros. Executivos da TV Globo se mostram assustados com a decadência da audiência do futebol no país. Os estaduais sabotam a sua programação. Já é levada a sério a proposta de exibir filmes de sucesso às quartas-feiras, quando não houver clássicos, no início das próximas temporadas.

Seduzidos pelos números da Copa do Brasil, que ainda são aceitáveis, a cúpula da emissora carioca já decidiu. Quer a volta dos mata-matas no Brasileiro. Não se importa com a justiça, com o clube de planejamento mais sério, vencendo o Nacional. A tevê quer emoção, audiência.

Os presidentes da CBF, José Maria Marin, e Marco Polo Del Nero, já sabem da intenção da emissora. E da pressão que ela faz para que o campeonato de 2016 seja alterado. A Globo é parceira íntima da CBF há mais de 40 anos, quando a entidade se chamava CBD. Exerce o monopólio do futebol no Brasil desde a Ditadura Militar. E ela já bancou, tem o direito do Brasileiro até 2018.

Marco Polo del Nero sabem que a esmagadora totalidade dos clube está atrelada à Globo. Graças a estratégicos adiantamentos, antecipações de cotas. Ou seja, o que a emissora deseja se transforma em ordem. E a volta dos mata-matas é apenas uma questão de tempo. Deve ser confirmado nos próximos arbitrais. A tendência que o Brasileiro de 2016 deixe de ser de pontos corridos é muito forte, quase uma garantia.

1reproducao31 Clubes querem aproveitar desespero da Globo por volta do mata mata. E dar uma virada de mesa. Aumentar a Série A para 24 clubes em 2016. Subir oito equipes da Segunda Divisão. É muita vergonha para um país só...

"Eu deixo nas mãos dos clubes decidir", afirma, aparentemente salomônico, Marco Polo del Nero. Ele sabe muito bem que os clubes fazem o que a Globo deseja. O dirigente evita mostrar subserviência diante da emissora. Mas, inteligente que é, tem a certeza de que se, por acaso, os clubes não quisessem, prevaleceria a vontade de quem paga.

Diante desse quadro é que surge a tal 'agilidade mental'. Já que os próximos Brasileiros serão mudados, por que não dar uma sutil virada de mesa? Ou seja, aumentar o número de disputantes? Inchar de 20 para 24? Pouco importa que o nível técnico já esteja baixo? Dar uma pioradinha não seria nada demais.

O presidente da Federação Baiana, Ednaldo Rodrigues, está por trás da proposta que Marco Polo e executivos da Globo têm nas mãos. O Brasileiro de 2016 com quatro clubes a mais. Ele esboçou uma tabela que conseguiria diminuir o número de jogos. Em vez dos 38 atuais, passaria a 35. 23 em pontos corridos, com a disputa de turno único. E a possibilidade de mais 12 em mata-matas, para decidir os campeões e os quatro rebaixados.

Por que Ednaldo sugeriu 24 equipes? Como chegou a esta maravilhosa forma de disputa? Para dar emoção, competitividade, sabor ao Brasileiro, lógico... Não passa de uma enorme coincidência o fato de Bahia e Vitória estarem na Segunda Divisão. E para que o Campeonato Nacional de 2016 tenha quatro equipes a mais, o que deveria acontecer?

A solução seria garantir o acesso não de quatro equipes da Série B em 2015. Mas oito. Assim as chances dos baianos de volta imediata à Série A seriam dobradas. Pura coincidência, lógico.

Lógico que todos os presidentes dos clubes da Série B estão empolgados com a fórmula. Animados com a certeza de que, com oito subindo, tudo ficaria mais fácil. Não haveria necessidade de tanto investimento. Afinal, 40% dos times conseguiriam a volta à elite do futebol Brasileiro.

O efeito seria cascata, valendo para a Série C, com oito clubes premiados para a Segunda Divisão.

A proposta já está nas mãos da Globo, da CBF, dos clubes e chegou às mãos de jornalistas. A divulgação dá ênfase a emoção. Por trás da cortina de fumaça dos mata-matas há o acesso de oito equipes. Ou...

Os clubes que estão na Série A deste ano também podem se juntar e firmar um adendo. E não serem rebaixados. Nenhum. Todos ficariam garantidos para o inchado campeonato de 2016. Aí subiriam quatro da Série B para 2016. Esta mudança na fórmula proposta talvez não agrade muito Ednaldo Rodrigues. As chances de Bahia e Vitória ficariam diminuídas.

O que fica claro é que, com esse retrocesso, o fim do campeonato que premia a justiça, o de pontos corridos, cada clube pensa em si. A Globo segue assustada com a decadência de sua audiência. E infelizmente a entidade que deveria controlar, organizar suas competições, se omite. Lava as mãos. Sua preocupação maior é sobreviver. Evitar o nascimento de uma liga independente de clubes.

Talvez a única atitude marcante de Ricardo Teixeira tenha sido a implantação do campeonato de pontos corridos em 2003. Por finalmente se render à justiça e imitar os maiores centros de futebol do mundo, como Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália.

Mas depois de 12 anos, o desespero cego da Globo muda tudo. Facilita clubes que não querem se modernizar, se estruturar, trabalhar de forma séria e ainda assim serem campeões. A pá de cal vem com essa tentativa de inchar, aumentar em 20% o número de clubes na Série A. Dar uma virada de mesa para privilegiar incompetentes. É muita vergonha para um país só...
2reproducao10 Clubes querem aproveitar desespero da Globo por volta do mata mata. E dar uma virada de mesa. Aumentar a Série A para 24 clubes em 2016. Subir oito equipes da Segunda Divisão. É muita vergonha para um país só...

“Se o problema do São Paulo for ele, a gente resolve. Não pode e nem será pego para Cristo. Clubes interessados no seu futebol não faltam.” Giuseppe Dioguardi, empresário de Paulo Henrique Ganso…

1ae23 Se o problema do São Paulo for ele, a gente resolve.  Não pode e nem será pego para Cristo. Clubes interessados no seu futebol não faltam. Giuseppe Dioguardi, empresário de Paulo Henrique Ganso...
"Se o problema do São Paulo for ele, a gente resolve. Acabo de voltar da Itália e fui muito perguntado sobre ele. Ele é um jogador com grande mercado na Europa. Sei que o São Paulo já contatou agentes para vendê-lo no meio do ano. Mas não é possível cobrar 20, 15 milhões de euros. Basta lembrar que o Everton Ribeiro, titular da Seleção e bicampeão brasileiro pelo Cruzeiro, foi por 9 milhões.

"Eu não queria falar, me posicionar. Ma tenho de defender o Ganso. Ele não ser pego para Cristo, como o homem que atrapalha o São Paulo. Isso é muito injusto. Ele confia cegamente e faz tudo o que o Muricy pede. Infelizmente, o time como um todo não está correspondendo. Colocar tudo nas costas do Ganso é absurdo e não vou aceitar.

"Ele quer continuar, vencer no São Paulo. Mas tem mercado fora e para jogar em clubes de altíssimo nível. Basta o São Paulo aceitar emprestá-lo, com preço fixado. Fora internamente. As maiores equipes do país já me procuraram querendo saber se ele vai sair no meio do ano. Se o jogador não prestasse, como dizem alguns, ele não seria assim tão assediado.

"Estava quieto deixando que tudo seguisse seu rumo. Mas não posso me calar diante de tudo o que está acontecendo. Todos sabem seu potencial. É muita injustiça. Se o Ganso estiver atrapalhando o São Paulo, ele vai seguir a sua vida. Até porque quer se sentir útil, dar o melhor no Morumbi. Mas ninguém vai fazê-lo de Cristo, não."

O desabafo, exclusivo, é de Giuseppe Dioguardi, empresário do jogador. Ele tem acompanhado pela imprensa tudo o que acontece no São Paulo. E principalmente o que cerca os irregulares três primeiros meses do São Paulo. Sabe que dirigentes e conselheiros desejam ardentemente que Ganso se torne reserva. Não atue contra o San Lorenzo, quarta-feira, na Argentina. Carlos Miguel Aidar e Ataíde Gil Guerreiro devem concordar. Porque já até acionaram empresários de sua confiança para tentar vender o meia.

"Infelizmente, o São Paulo como um todo está mal. Ou não estão cobrando também o Muricy e o Rogério Ceni? Mas com o Ganso é algo recorrente. Quero dizer que fisicamente ele nunca esteve melhor. Quero lembrar que só o Ceni jogou mais do que ele em 2014. Acabaram as histórias que ficava fora das partidas. O Valdivia não jogou nem 20% do que ele no ano passado..."

Ganso vem crescendo o número de atuações. Foram 69 partidas. Em 2013, jogou 63 vezes, contra 39 de 2012, 31 em 2011, 43 de 2010, 37 de 2009 e três de 2008, ao iniciar sua carreira profissional.

1reproducao30 Se o problema do São Paulo for ele, a gente resolve.  Não pode e nem será pego para Cristo. Clubes interessados no seu futebol não faltam. Giuseppe Dioguardi, empresário de Paulo Henrique Ganso...

O jogador vem sendo vaiado constantemente em 2015. Foi citado no twitter oficial da torcida Independente como laranja podre no elenco. Os torcedores voltaram a xingá-lo ontem, mesmo sem ter jogado na vitória contra o Linense. O desejo é que o clube 'se livre' do meia.

Em Curitiba, não é segredo para ninguém que o São Paulo quer o meia Nathan, de 19 anos. Revelado pelo Atlético Paranaense, a péssima relação entre os clubes tem atrapalhado a negociação. Se desenha uma batalha jurídica pelo atleta. Ele viria para a vaga de Ganso.

O Grupo DIS de Delcir Sonda tem 68% dos direitos do atleta. E o São Paulo, 32%. O clube do Morumbi pagou R$ 16,5 milhões por sua parte do jogador junto ao Santos.

Há clubes acompanhando de perto a situação de Paulo Henrique Ganso. O maior interessado é o Flamengo, de Vanderlei Luxemburgo. Cruzeiro, Atlético Mineiro, Internacional também se mobilizam. Desde que o São Paulo aceitasse emprestá-lo com preço fixado.

"Clube para o Ganso jogar não falta. Tanto fora do Brasil como aqui dentro. Não é isso que me preocupa. O que me deixa decepcionado é tanta injustiça em relação a ele. O São Paulo perde e é sempre a mesma coisa. Ficou mais fácil culpá-lo pelas derrotas. Não está certo. Não aceito", desabafa Giuseppe.

2ae20 Se o problema do São Paulo for ele, a gente resolve.  Não pode e nem será pego para Cristo. Clubes interessados no seu futebol não faltam. Giuseppe Dioguardi, empresário de Paulo Henrique Ganso...

A situação está caminhando rapidamente para um rompimento. Para a saída de Ganso na janela do meio do ano. A diretoria e conselheiros importantes do clube se mostram completamente insatisfeitos com o meia. E não escondem essa postura para ninguém. A única sondagem efetiva sobre o jogador foi do Napoli, no início de 2014. Empresários garantiram que os italianos estariam decididos a pagar 12 milhões de euros por ele.

“Não acredito que o Napoli tenha essa bala toda (para comprar o Ganso do São Paulo). Sem menosprezar o Napoli, mas a Camorra ( máfia italiana) já não tem mais esse poder todo. Não vou deixar o Ganso sair e não estou preocupado com um possível caminhão de dinheiro", disse Carlo Miguel Aidar. A direção napolitana protestou, ameaçou processá-lo, romper relação com o São Paulo por ligar o clube à Máfia. A direção do clube divulgou uma nota oficial.

"Sobre as declarações do presidente do São Paulo, que ofendeu a imagem e a história de uma companhia gloriosa e prestigiosa como o SSC Napoli, a única coisa que nós podemos dizer é que cada um é qualificado pelo que faz e diz."

Roberto Moreno, executivo do grupo DIS, vai direto no ponto. Falou hoje de maneira exclusiva ao blog.

"O Ganso está sendo bode expiatório no São Paulo. É um grande jogador, figura de destaque do time. A cobrança está sendo direcionada a ele de maneira injusta. Tem o melhor último passe de todo o futebol brasileiro. O problema é que ele precisa de parceiros ao lado dele. Não joga sozinho."

Roberto confirma que Carlos Miguel Aidar não cumpriu o acordo feito com Juvenal Juvêncio. O clube se comprometeu a comprar mais 10% de Ganso em 2014. "O Aidar alegou que o São Paulo não tinha dinheiro. Para evitar confusão para o atleta, eu aceitei. Deixei as coisas como estão, com o nosso grupo com 68%. Eu me preocupo com o jogador. O quero satisfeito. Eu tinha uma proposta que era muito maior do Grêmio, mas ele preferiu defender o São Paulo. Perdemos dinheiro, mas aceitamos. Agora, também faremos o que ele quiser. Se o Ganso desejar ir embora, aceitaremos. Hoje, eu te garanto que não temos nenhuma proposta. Até porque acreditava que seguiria onde está. Mas não concordo e nem aceito ele servir de bode expiatório nas derrotas do São Paulo."

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A situação está realmente complicada. Paulo Henrique Ganso não aceita falar claramente sobre o tema. Mas sabe muito bem o que está acontecendo. A sua ausência como titular diante do San Lorenzo tem tudo para ser o primeiro passo de sua saída do São Paulo. A janela do meio do ano deverá ser decisiva para o seu futuro.

"Basta a direção do São Paulo nos procurar e assumir que o problema do clube é o Ganso. A gente resolve. Não há cabimento tudo cair sobre sua cabeça. E não vai cair. Eu sou contratado para protegê-lo e é o que estou fazendo", avisa Giuseppe...
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Rogério Ceni, um senhor de 42 anos, marca seu 126º gol. Abre o caminho da vitória contra o Linense. E dá a Muricy tudo o que ele precisava antes do San Lorenzo pela Libertadores: paz de espírito…

1reproducao29 Rogério Ceni, um senhor de 42 anos, marca seu 126º gol. Abre o caminho da vitória contra o Linense. E dá a Muricy tudo o que ele precisava antes do San Lorenzo pela Libertadores: paz de espírito...
Os 5.555 torcedores que foram ao Morumbi usavam a acústica do estádio vazio, onde já ficaram amontoados 150 mil na década de 70. Seus gritos de protesto e palavrões contra o time eram ouvidos pelos jogadores. "Se quarta-feira não ganhar, o pau vai quebrar, seus filhos da..." Esse era o refrão contra o São Paulo. A referência era em relação ao duelo decisivo na Libertadores, contra o San Lorenzo, na Argentina.

O time reserva jogava muito mal e empatava em 0 a 0 com o Linense. Jogo pelo insignificante Campeonato Paulista na sua arrastada fase de classificação. O primeiro tempo já havia ido embora. 0 a 0 sem a equipe de Muricy ter criado uma chance clara de gol. O time interiorano era melhor, apesar da exagerada expulsão de Narciso, seu treinador. Mesmo com atletas mais fracos, bastou colocar todos atrás da linha de bola e desesperava o São Paulo.

Não havia coragem, atitude, firmeza para encarar com personalidade o Linense. Os atletas preferiam e ficavam trocando passes que não levavam a nada. A torcida recebia a mensagem acovardada que vinha do gramado. E retribuíac com mais palavrões e ameaças.

Acabou a proteção a Muricy. Pelo contrário, o treinador tinha de ouvir as piores ofensas. Os pedidos para que se aposentasse. Era uma tortura dos dois lados. Ver o São Paulo jogar e escutar os palavrões vindos das arquibancadas.

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Tudo se arrastava, o tempo parecia que parava, interminável. Jogo lastimável, como são a esmagadora maioria dos estaduais de todo o país. No intervalo, Muricy trocou o outra vez improdutivo Alexandre Pato por Alan Kardec. E adiantou a marcação para a saída de bola do time de Lins.

A partida seguia irritante. Até que o veterano Álvaro de 37 anos, que jogava há 15 anos São Paulo, furou de forma bizarra uma bola na entrada da área. Ela caiu nos pés de Alan Kardec. Precipitado como um garoto, Álvaro fez falta desnecessária. Eram sete minutos do segundo tempo.

Rogério Ceni abandonou sua meta. Ele devia muito a Muricy. Foi o treinador que confiou no 35º adiamento do fim de sua carreira. Silvio Caldas ficaria com inveja. Não poderia ver o técnico sendo massacrado pelos próprios torcedores do São Paulo. Tinha de ajudar o homem que o incentivou a cobrar faltas e pênaltis, desprezando os 'jogadores da linha'. Ainda mais agora, que cresce no Morumbi, a vontade de contratar um treinador com passagem no Exterior. O nome de Leonardo é repetido com frequência.

Não bastasse a instável campanha na Libertadores, Rogério Ceni havia sabotado o time contra o Palmeiras. Ao tentar recolocar uma bola em jogo, acertou o peito de Robinho. E tomou o primeiro gol no clássico de quarta-feira que implodiu o time. A derrota obrigou Muricy a entregar o cargo aos dirigentes. Carlos Miguel Aidar e Ataíde Gil Guerreiro não aceitaram sua demissão. Assim como Rogério Ceni, que participou do encontro, representando os jogadores. Ele tenta minimizar sua participação, mas ela teve um peso decisivo.

Ceni sabia que seria caótico se o time não vencesse hoje, derrotasse a fraca equipe de Lins. As manchetes e as notícias seriam negativas até o jogo de quarta-feira, no Nuevo Gasometro. Ele tinha de aproveitar o presente oferecido pelo ex-companheiro Álvaro.

Para provar como tudo está mudado no São Paulo, o garoto Boschilla se preparou também para cobrar. Não apenas tentar atrapalhar os reflexos de Anderson, por ser canhoto. Mas bastou uma olhada do homem de 42 anos no garoto de 19 anos, que bem poderia ser seu filho. O meia congelou. E o pé direito do goleiro atingiu a bola.

Ela saiu alta perfeita. Por cima da barreira, Anderson ainda raspou seus dedos nela, enquanto se esticava. Mas ela foi morrer no fundo das redes. Era o 126º gol de Rogério Ceni. Nenhum goleiro na história do futebol marcou tantas vezes.

Na comemoração nem olhou para os torcedores que agora aplaudiam, comemoravam. Ele apenas virou o indicador em direção a Muricy Ramalho. O técnico agradecia aliviado o gol. Sabia que tudo ficaria mais fácil. Foi o que aconteceu.

O Linense teve de se abrir, tentando o empate. E virou presa fácil. A retranca havia sido estourada. Alan Kardec ainda marcou duas vezes. Não comemorou nenhuma vez com os torcedores. Como retribuição aos gols, os membros das organizadas xingavam de todos os palavrões possíveis, Luís Fabiano.

Mesmo jogando mal, a vitória classificou o São Paulo para os mata-matas do Paulista. Mas sua importância foi muito além. Deu o que Muricy e os jogadores mais desejavam. Paz para trabalhar na Libertadore. Até quarta-feira, a pressão será muito menor.

Graças a um senhor quarentão chamado Rogério Ceni...
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Com Dunga não há beleza, só duelos. Mesmo com seis alterações, o Brasil venceu o Chile. Oito jogos e oito vitórias. A reconstrução continua…

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O retorno de Dunga à Seleção continua arrasador. O time venceu hoje o Chile, em Londres, por 1 a 0. Completou oito vitórias em oito partidas. Só João Saldanha, em 1969 conseguiu essa façanha. Hoje com direito ao Brasil atuar por exatos 60 minutos com seis alterações no time que vinha ganhando. O treinador brasileiro teve muita coragem. Testou jogadores importantes para a Copa América que será disputada no próprio território chileno. Não houve beleza, só um ríspido e competitivo duelo. Diante desse cenário, o resultado foi ótimo.

"Espero que depois dessa boa impressão que deixei na Seleção, possa voltar mais vezes. Está dando tudo certo", comemorava Roberto Firmino, autor do gol decisivo e sombra grande para Diego Tardelli que, contundido, não foi convocado para os amistosos contra França e Chile.

Dunga arriscou. Diante do caótico calendário mundial, o treinador foi obrigado a desmanchar a base do time que conseguiu sete vitórias em sete partidas. Havia a necessidade de testar outros atleta que comporão o grupo que disputará a Copa América, em junho. Foi o último jogo antes da convocação oficial.

Justo contra o Chile, adversário muito bem montado taticamente, completamente entrosado e nas mãos do argentino Jorge Sampaoli. O treinador brasileiro cumpriu sua obrigação. E virou as costas para o entrosamento. Fez seis mudanças no time. Saíram seis jogadores: Filipe Luís, Luiz Gustavo, Elias, Oscar, Willian, Firmino. Entraram Marcelo, Souza, Fernandinho, Douglas Costa, Philippe Coutinho e Luiz Adriano.

Como Dunga ainda não é milagroso, o efeito foi claro. Total desentrosamento. O Brasil se ressentiu demais. Perdeu a velocidade nos contragolpes por um motivo óbvio: os jogadores não sabiam a movimentação dos companheiros. Além da óbvia perda de qualidade técnica. E de uma enorme timidez de Philippe Coutinho, Souza, Douglas Costa e Luiz Adriano. Todos entraram muito tensos, presos exageradamente às instruções defensiva do treinador. Todos se preocuparam demais em preencher os espaços, marcar o toque de bola chileno.

O resultado é que Neymar atuou sozinho na frente. O esquema brasileiro lembrava demais o Santos de Muricy. Com todos os atletas procurando o leve atacante todas as vezes que tinham a posse de bola. Os chilenos sabiam muito bem do potencial do jogador do Barcelona. Ele levou pontapés em seguida, zagueiros e volantes faziam rodízio. Medel, era o mais violento. Chegou ao cúmulo de, com Neymar caído, covarde, pisou na perna do atacante brasileiro. Deveria ter sido expulso pelo árbitro inglês Martín Atkinson.

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O Brasil atuava no 4-3-2-1. O Chile no 3-4-1-2. A variação tática era a mesma durante todo o primeiro tempo. Ao perder a bola, os times montavam duas linhas de quatro. O que tornou o jogo disputadíssimo no meio de campo. E insuportável para os torcedores, diante da falta de emoção. Nem o Brasil e nem o Chile conseguiram sequer uma chance clara de gol nos primeiros 45 minutos da partida.

O grande sacrificado do esquema de Dunga foi Philippe Coutinho. Ele é o principal jogador do Liverpool e um dos melhores do Campeonato Inglês. Mas jogando adiantado, ao lado do atacante mais agudo. Hoje teve de atuar fechando a intermediária direita brasileira, quase como um volante, muito longe do gol adversário. Desperdício.

Dunga continua encarando os amistosos como finais de Copa do Mundo. Ainda mais sabendo toda sua responsabilidade, o questionamento que recebeu ao voltar à Seleção. E tratou de exigir que seus jogadores matassem, sem constrangimento, possibilidade de contragolpes chilenos. O técnico lembra muito bem todo o sufoco que o Chile deu no time de Felipão na Copa do Mundo. Com direito a bola no travessão no último minuto da prorrogação. Se o chute de Pinilla tivesse entrado, tudo teria mudado. Não haveria 7 a 1 contra a Alemanha. E talvez até Felipão tivesse até continuado.

Mas a bola não entrou, o Brasil foi humilhado e Dunga voltou. Ele continua fiel ao seu esquema de pegada fortíssima no meio de campo, intensidade e marcação pressão na saída de bola adversária. Mas isso quando tem os titulares. Sem mais da metade do seu time, buscou o corpo a corpo, o confronto com os chilenos. Para isso, não houve vergonha para apelar aos pontapés, às faltas. O time brasileiro cometeu 33 faltas contra 14 do time andino.

O primeiro tempo foi horroroso. Mas Dunga saiu satisfeito. Testou seis jogadores. Viu que o quarteto Philippe Coutinho, Souza, Douglas Costa e Luiz Adriano fracassou. Ficou a dúvida se eles merecem ser chamados para ficar na reserva da Copa América. Fernandinho e, principalmente, Marcelo se saíram bem. Serão chamados, sem dúvida.

O treinador brasileiro ainda esperou por mais 15 minutos do segundo tempo. O jogo seguia truncado. Ficou nítida a dificuldade chilena de atacar diante de um time bem postado na defesa. Não houve aquele espaço absurdo que a Seleção ofereceu na Copa do Mundo.

Talvez Dunga tenha ficado com dó de Neymar e tratou de fazer três alterações aos 15 minutos. Saíram Souza, Philippe Coutinho e Luiz Adriano. Entraram Elias, Roberto Firmino e Robinho. O Brasil melhorou sensivelmente. O esquema passou para 4-1-4-1. Havia movimentação mais coordenada e letal nos contragolpes. O trio de zagueiros chileno era convidativo, já que atuava em linha. Um lançamento perfeito e pronto.

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Foi o que aconteceu. Danilo enxergou a deslocação do veloz atacante brasileiro Firmino. Ele apostou corrida com o desleal Medel. Ganhou e, sozinho com Bravo, teve o sangue frio para driblá-lo e marcar o gol. Brasil 1 a O aos 27 minutos. Reações imediatas. Sampaoli colocou o Chile todo no ataque. E Dunga trocou a ofensividade de Marcelo pelo poder de marcação de Filipi Luís.

Com os chilenos desesperados para empatar, o Brasil continuou melhor. Havia mais espaço para os ataques do time de Dunga. Principalmente para Neymar. Por pouco, ele não ampliou o placar cobrando falta. Só que não precisava. O 1 a 0 refletiu bem o que foi o jogo truncado, disputado, tenso.

Dunga conseguiu oito vitórias seguidas contra adversários dos mais diferentes níveis. Não há como questionar hoje o potencial da França, sede da Eurocopa de 2016, e o Chile, organizador da Copa América que começa em junho, por exemplo. Ou a Argentina, vice da Copa de 2014, com Messi e tudo.

O Brasil jogará contra México e Honduras antes de começar a competição sul-americana. A rejeição à Seleção, depois do fiasco do Mundial, já diminuiu. Graças ao ótimo trabalho do técnico brasileiro. Está tudo ainda no início. Restam mais de três anos até a Copa da Rússia, mas os primeiros passos estão sendo dados com muita firmeza. Por isso o sorriso que não deixa o rosto de Dunga...
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Leonardo, Seedorf, Sabella, nomes comentados no Morumbi para substituir Muricy. Se o São Paulo for eliminado da Libertadores haverá um ‘choque de gestão’. O técnico deverá vir de fora do Brasil…

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Abel Braga, Mano Menezes e Vanderlei Luxemburgo podem esquecer o Morumbi, em caso de demissão de Muricy Ramalho. Pelo menos se prevalecer a opinião de Carlos Miguel Aidar e o vice Ataíde Gil Guerreiro. Os dois disfarçam, desmentem, tentam não se aprofundar nas respostas. Mas conselheiros ligados aos dois espalhavam neste sábado. Basta o São Paulo ser eliminado da fase de grupos da Libertadores e haverá uma revolução no futebol do Morumbi.

Essas pessoas ligadas a Aidar confirmam que a ideia do presidente, em caso de saída de Muricy, é buscar um treinador estrangeiro. De preferência, europeu. Deseja repetir Cícero Pompeu de Toledo, que contratou, em 1957, o húngaro Béla Guttmann. E com quem foi campeão paulista daquele ano, revolucionando a forma do futebol brasileiro atuar. Essa ideia o dirigente acalantaria desde que voltou a ser presidente do São Paulo, em abril do ano passado.

Mas àquela altura, Muricy estava firme no cargo. Havia acabado de salvar o clube do rebaixamento em 2013. Mesmo não jogando de maneira animadora, o time se classificou para a Libertadores da América. E o treinador foi mantido para esse ano, quando em dezembro termina o seu contrato.

Só que a situação se reverteu. E de maneira rápida. Conselheiros que aplaudiam Muricy hoje imploram a Aidar pela demissão. Não é segredo que o presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Augusto Barros e Silva, é um dos que mais defendem a troca. Não suporta Muricy porque um dia ele pediu que deixasse os vestiários para conversar com os jogadores. Foi Leco quem trabalhou pela troca do atual treinador por Ricardo Gomes. O ressentimento continua.

As torcidas organizadas, principalmente a Independente, quer a saída imediata de Muricy. Vai protestar contra ele amanhã, no Morumbi, durante a partida contra o Linense. Aidar é ligado ao presidente da Independente, Negão. Ou seja, sabe muito bem o quanto o técnico é visto sem energia pelos são paulinos.

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Diante desse quadro, Carlos Miguel pensa seriamente na possibilidade de dar um choque de gestão no futebol. Lógico que o sonho de Guardiola, Ancelotti, Mourinho, Simeone é irreal. Mas há treinadores possíveis e de impacto, como tanto gosta o presidente.

Seedorf não teria problema de idioma, conhece a realidade do futebol brasileiro, o ex-jogador do Botafogo treinou o Milan. Tem muita personalidade, gana de vencer na profissão. E nenhuma ligação com Juvenal Juvêncio.

Há um brasileiro europeizado que está no coração de muita gente. A começar pelo presidente do Conselho Deliberativo, Leco. Leonardo. O ex-jogador do próprio São Paulo e ex-treinador da Inter e do Milan, além de também ter trabalhado como executivo do PSG. Sócio de Raí no belíssimo projeto social Gol de Letra. Não há nada que o desabone. A dificuldade é a sua resistência em trabalhar no futebol brasileiro. Ele cansou de dar entrevistas dizendo que o treinador não é respeitado no país.

O próprio vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, já deixou escapar que, quando Muricy deixasse o clube, seria sim possível a investida em treinador de fora.

"O contrato do Muricy vai até dezembro. Se ele não renovar, acho que chegou a hora de o São Paulo fazer uma experiência com um técnico de ponta europeu .Lógico que não vou ter condições de contratar um Ancelotti, um Guardiola, um Mourinho, mas existem outros, na Holanda, em outros lugares", disse Ataíde, na TV Gazeta.

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Há certa resistência a técnicos sul-americanos. As experiências de Gareca no Palmeiras e de Aguirre no Internacional não estimulam. Três nomes, no entanto, são citados por conselheiros. Alejandro Sabella, treinador que não quis renovar contrato com a Argentina, depois do vice-campeonato mundial. Jorge Sampaoli, argentino, técnico da Seleção Chilena. E também outro argentino, Marcelo Bielsa, técnico do Olympique de Marselle.

Tudo ainda é muito prematuro. Mas o descontentamento em relação a Muricy Ramalho é enorme. Como ele mesmo sabe. Marco Aurélio Cunha, ex-genro de Juvenal, e ex-gerente de futebol, revelou que o abatimento do treinador tem explicação. Na sua rejeição dentro do próprio São Paulo, clube que sua família frequenta.

Há enorme expectativa para o que irá acontecer na Argentina. Na partida contra o San Lorenzo. Uma derrota deixaria a situação dramática na Libertadores. Dependendo do último jogo no grupo 2, contra o Corinthians no Morumbi. O clube foi derrotado duas vezes este ano pela equipe de Tite. Novo dissabor poderia custar a eliminação do torneio mais desejado.

Em compensação, ninguém contestaria a demissão de Muricy. Carlos Miguel Aidar ficaria à vontade para trazer o treinador que bem desejasse. Até porque há a certeza que a decisão da saída partiria do próprio técnico.

Há uma cena que foi muito lembrada hoje no Morumbi. E que demonstraria que o técnico perdeu o comando do time. Quando ele tentou segurar a bola para instruir seus jogadores contra o Palmeiras. E não pôde. Porque Michel Bastos a tomou do treinador e ainda esbravejou. Hierarquicamente foi enorme desrespeito.

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As conversas hoje no Morumbi, entre conselheiros, eram sobre um técnico estrangeiro. Ou de fora, no caso de Leonardo. Era a única hora que a esperança dominavam os são paulinos. Muricy é quase unanimidade. São pouquíssimas pessoas que acreditam em uma reviravolta do clube sob o comando do treinador.

O clima para o 'choque de gestão' está preparado. Carlos Miguel Aidar não será pego de surpresa se precisar contratar um novo técnico. Os 'de sempre' Mano Menezes, Abel Braga e Vanderlei Luxemburgo, estão no fim da fila. A vontade é alguém de fora, com outra mentalidade. Conselheiros garantem que ele saberá escolher...
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Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu…

1reproducao27 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...
"A torcida do Palmeiras é muito vibrante, apaixonada. Vai até as últimas consequências apoiando o time. Já sofreu muito. Foi motivo de chacota nos 17 anos de jejum. Por isso não aceita que ninguém mais a tripudie. A minha identificação foi imediata. Eles sabiam que tinha em campo um jogador sem medo e que enfrentaria a todos em busca de uma vitória. Esse foi o segredo do meu sucesso com a camisa verde. Era um amor enlouquecido dos dois lados."

As palavras são de Edmundo. Os três primeiros anos no Palmeiras foram inesquecíveis. Fez tudo o que tinha e o que não tinha direito. Brigou, chutou câmera, fez greve de silêncio, xingou dirigentes, protagonizou uma batalhar campal contra o time do São Paulo em pleno Morumbi. Com direito a chamar o baixinho Juninho Paulista de 'meio homem'.

Aprontou, mas jogou muito futebol. "O Edmundo tinha uma personalidade explosiva que contaminava o time. Mas seu talento com a bola nos pés era enorme. Sua capacidade de dribles, a velocidade, a visão de jogo. Eram impressionantes. Foi um dos melhores atacantes que eu vi jogar."

As declarações de Evair ganham até mais credibilidade. Afinal, os dois nunca se deram bem. Ficaram tempos sem se falar fora do campo. No gramado, juntos, foram responsáveis por muitos gols e jogadas que acabaram não só com o jejum de 1976 até 1993, como os levaram à Seleção.

Para o bem e para o mal, o atacante carioca justificou o apelido que, no início detestava, depois passou a se orgulhar. Osmar Santos foi o autor da substantivo que virou adjetivo e que o acompanhará pelo resto da vida: "Animal".

Edmundo marcou o coração dos palmeirenses. Ele costuma estar nas seleções de todos os tempos dos torcedores, jornalistas, apaixonados pelo clube. Seu carisma conseguiu convencer a maioria a cometer enorme heresia. Esquecer do genial Julinho Botelho.

Entre aqueles que guardam camisas verdes número 7, com dedicatória de Edmundo, há uma pessoa que se destaca. Paulo de Almeida Nobre. O presidente palmeirense é absolutamente obcecado pelo polêmico atacante. Frequentador assíduo das arquibancadas do antigo Parque Antártica, com a camisa das organizadas TUP, Inferno Verde e Mancha Verde, ele cansou de gritar, aplaudir e até chorar com as jogadas do explosivo jogador. E também via admirado as brigas, provocações.

2reproducao9 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

Por isso aprendeu a valorizar muito mais esta camisa do que a número 10. Depois do primeiro mandato, com o clube afundado em dívidas, nômade, sem estádio, Paulo Nobre jurou. Montaria um time digno em 2015. Ele teria a obrigação de chegar à Libertadores de 2016. E começar um novo ciclo vitorioso palmeirense.

Enquanto Alexandre Mattos foi comprando jogador e mais jogador, Nobre avisava. "Ninguém chegue perto da número 7." Ele buscava um jogador talentoso, especial. Vários nomes foram colocados na mesa. Mas inviáveis. Lucas do PSG, Bernard, Luis Adriano.

Mas de repente, surgiu uma oportunidade. Dudu, um dos melhores atacantes do Brasileiro de 2014, não ficaria no Grêmio. O clube gaúcho não tinha os R$ 19 milhões para comprá-lo do Dinamo de Kiev. O Corinthians conseguiu convencer o atacante e seus empresários. Acertaram salários inclusive. Só que o clube o desejava por empréstimo. Não tinha o dinheiro exigido. Além disso, os dirigentes da Ucrânia ficaram revoltados por serem os últimos a saber da transação. Diante disso, Carlos Miguel Aidar decidiu atravessar a negociação. E deixou tudo muito bem encaminhado com a diretoria. Mas Dudu não queria trair os dirigentes corintianos. Disse que desejava atuar no Parque São Jorge.

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Conseguiu complicar a negociação. Diante do entrave, Paulo Nobre deu o aval a Alexandre Mattos. E ele atropelou tanto o Corinthians como o São Paulo, que havia 'roubado' Alan Kardec. E Dudu chegou ao Palestra Itália. Foi a maior contratação entre os clubes brasileiros, neste santo ano de 2015, com o país mergulhado em uma profunda recessão. Ninguém gastou tanto com um só jogador.

O mineiro Mattos conhecia muito bem a fama de Dudu. Desde a base do Cruzeiro, o atacante é tão talentoso quanto explosivo. Dono de personalidade forte, não aceitava a reserva, discutia com quem se colocava no seu caminho. Junior, provocava, não tinha medo dos zagueiros titulares, mais velhos. Desrespeitava a todos. Dentro e fora de campo. Com esse gênio, não se adaptou à Toca da Raposa. E muito menos à hierarquia do futebol russo.

3reproducao10 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

Ao chegar no Palmeiras, Dudu foi percebendo o que a torcida e a direção do clube, principalmente Paulo Nobre, esperavam dele. Oswaldo de Oliveira não é admirador de jogadores explosivos, provocativos. Prefere os mais politicamente corretos, como Zé Roberto. Com apenas 23 anos, o atacante tentava se adaptar, se segurar.

Mas veio o jogo contra o São Paulo. O clube que tentou comprá-lo sem se importar com sua vontade. Razão de várias discussões entre Bruno Paiva e os outros donos da OTB Sports, seus empresários, com a cúpula do Dinamo. Além do mais, sabia o quanto Paulo Nobre tem Aidar atravessado na garganta. Jogo na nova arena palmeirense.

Aí, Dudu foi Dudu. Provocou Rafael Toloi, tomou uma entrada dura do zagueiro, retribuiu com uma leve, mas desleal cotovelada, que não foi percebida pelo árbitro Vinicius Furlan. O são paulino ficou alucinado e tratou de dar um pontapé por trás no franzino, mas folgado adversário. Cartão vermelho, o time de Muricy ficou com um jogador a menos com sete minutos de partida.

Mas a camisa 7 do Palmeiras testemunharia a reencarnação de Edmundo. Dudu driblava, tocava a bola e não tirava o sorriso do rosto. E quando Furlan estava longe, xingava, irritava. Conseguiu tirar do sério até o gelado Paulo Henrique Ganso. Ele desfilava palavrões ao palmeirense até ser substituído.

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Sua maior ousadia aconteceu com Edson Silva. Zagueiro forte, 1m87, pernambucano, de gênio forte. Em uma jogada de linha de fundo, ele chegou antes de Dudu. O palmeirense que vinha correndo, não se fez de rogado ao ver a bola saindo. Deu um pulo nas costas do zagueiro e o fez de 'cavalinho'. A torcida palmeirense delirou. Conselheiros garantem que Paulo Nobre ficou entusiasmado com tanta coragem. Edson Silva nem acreditou no que acontecia. Ao perceber o papel ridículo que fazia, jogou o abusado de 1m65 no chão.

A esta altura, os palmeirenses aplaudiam, riam, provocavam. Gritavam de prazer. Tanto pela vitória humilhante diante do São Paulo como pela cena inacreditável. Ganhavam, depois de uma década, outro ídolo atrevido, provocador, talentoso, rápido e politicamente incorreto.

6ae2 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

Como acontecia com Edmundo, Dudu já está 'jurado'pelos jogadores do São Paulo. Esperam com ansiedade a chance de tê-lo ao alcance em um próximo clássico. O goiano sabe que isso acontecerá. Tem sido assim desde o início da carreira. Como o agora comentarista de tevê, ele tem certeza que será mais fácil. Seus marcadores entrarão abalados psicologicamente.

Nos bastidores deste novo Palmeiras, todos sabem. Dudu está rindo da situação. É assim, abusado, que deseja ser conhecido. Ganhar espaço no futebol nacional. Brigar pela Seleção. Não vai mais se sujeitar ao politicamente correto de Oswaldo. Vai fazer as loucuras que passar pela sua cabeça. Como montar de cavalinho em um zagueiro adversário.

Dudu já começa a ganhar a admiração da torcida. Que se aprendeu a esperar tudo e mais um pouco de Edmundo. Finalmente a camisa 7 verde voltou a ser admirada. Ter torcida particular. Valeu Paulo Nobre tê-la reservado.

Os palmeirenses estavam precisando de um ídolo corajoso, brigador, provocador, que não leve desaforo para casa. De sangue quente, italiano. E principalmente abusado, folgado, destemido. Ele chegou. Se chama Dudu. Seu marcadores que preparem o cangote...
2ae19 Paulo Nobre sonhava com a reencarnação de seu ídolo, Edmundo. Separou a camisa 7 que tanto admirava. E a entregou para o herdeiro mais abusado, por quem pagou R$ 19 milhões: Dudu...

O europeu Brasil de Dunga fez a mais nobre vítima, na reconstrução de sua imagem. Vitória por 3 a 1 diante da França, em Paris. Foi o sétimo jogo e sétima vitória da nova Seleção…

1mowa O europeu Brasil de Dunga fez a mais nobre vítima, na reconstrução de sua imagem. Vitória por 3 a 1 diante da França, em Paris. Foi o sétimo jogo e sétima vitória da nova Seleção...
Foi uma vitória marcante. Importante demais para a retomada de Dunga à frente da Seleção. Vencer de virada a França, time campeão mundial, jogando em Paris, diante de mais de 80 mil torcedores contrários. Mas atuando exatamente como uma equipe europeia, nada brilhante, mas eficiente, o Brasil chegou à sua sétima vitória em sete partidas. O placar de 3 a 1 foi justo. Mostrou a superioridade não só individual, mas tática.

Em apenas nove meses depois do desastre dos 7 a 1, Dunga conseguiu mexer onde deveria. Acabou com a postura tática imóvel, ultrapassada de Felipão e Parreira. O 4-2-3-1 fixo, como se fosse pebolim, virou coisa do passado. O treinador brasileiro aposta na compactação, na intensidade, na ocupação dos espaços. Atua no 4-4-1-1 quando é atacada. Não tem vergonha de se defender. Quando ataca, sempre em velocidade, com duas opções de passe nas pontas e outra entre os zagueiros. Além da chegada 'de surpresa', do volante. O esquema vira um belíssimo 4-2-4.

O segredo está na jovialidade, versatilidade e velocidade do time. Lógico que Neymar ainda é importantíssimo, fundamental. Mas não há absurda dependência nos tempos de Felipão e Parreira. O Brasil de Dunga opta pelo conjunto. Foi providencial. Por que a adversária não esbanjava talentos. Perdeu Ribery que, aos 31 anos, decidiu apenas apostar sua carreira no Bayern.

O técnico Didier Deschamps tem um jovem e obediente grupo nas mãos. Equipe competitiva, cuja grande estrela é o artilheiro do Real Madrid, Benzema. Ele tem a missão de preparar o time para a Eurocopa de 2016, que seu país sediará. Ele tem pouco mais de um ano e três meses para encontrar uma formação forte, competitiva, corajosa. Que tenha potencial para brigar pelo título.

E partiu para decidir o jogo, marcando sob pressão a Seleção Brasileira. Sem David Luiz contundido, Thiago Silva formou a dupla de zaga com Miranda. Luiz Gustavo era o volante marcador, destruidor na frente dos dois. Os nada brilhantes, mas fortes marcadores Danilo e Filipe Luís cuidavam das laterais.

Mas o segredo brasileiro estava nas aulas que Dunga teve com Ancelotti: a recomposição. Nada de ficar acompanhando o adversário, atacar à vontade como fizeram os alemães, naqueles 7 a 1. Elias, Oscar, Willian têm fôlego e visão tanto para buscar o gol adversário como para travar as diagonais e fechar as intermediárias. O treinador foi muito feliz na escolha de Elias e não de Fernandinho. Os contragolpes ficavam mais fluidos.

Nada de Neymar na ponta esquerda. Isso já era ultrapassado em 2002, com o reserva Denílson. O jogador mais talentoso desta geração tem total liberdade para correr onde bem quiser. Sua preferência, ao longo dos anos, tem sido sempre a esquerda, para poder tanto cortar para o meio ou para abrir pela lateral. Só que se deslocando, atrai marcadores e abre as defesas adversárias.

Roberto Firmino aprendeu no futebol alemão a valorizar cada centímetro, onde possa fazer uma tabela ou chutar forte a gol, como gosta de fazer.

O Brasil que ganhou da França foi uma equipe moderna, eficiente. Mas longe de dar show de futebol, como tantos os europeus, principalmente os franceses adoravam.

Atuando em casa, Deschamps colocou seu time para marcar forte a saída do time sul-americano. E apelava para uma jogada simples, só que bem treinada é letal. O treinador tem na memória a final da Copa de 1998, quando dois gols de escanteio abriram o caminho para a conquista do primeiro mundial francês. A conquista foi no mesmo State de France.

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Benzema aos sete minutos obrigou Jefferson a uma defesa estupenda, em uma cabeçada na pequena área. O Brasil demorou para perceber que os franceses deixavam seus quatro jogadores mais altos na entrada da área. E quando a bola chegava, eles corriam, pegavam impulso e enfrentavam os marcadores parados. Uma reedição de 17 anos atrás, quando Zidane deitou e rolou, marcando dois gols.

Desta vez, quem fez foi Varane, que não teve o menor trabalho em marcar 1 a 0, aos 20 minutos. O gol animou os franceses. O técnico francês precisa do apoio popular até a Eurocopa. Os franceses marcavam forte em duas linhas de quatro. A escolha era evitar o toque de bola brasileiro.

Foram os vinte minutos de maior dificuldade do time brasileiro. Neymar, Oscar e Willian tentavam trocar de posição, tabelar. Fazia falta maior ofensividade dos laterais de Dunga. Mas aos poucos, a fórceps, o Brasil foi obrigando a França a retrair.

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Foi quando, aos 40 minutos, Oscar e Firmino mostraram o que aprenderam no futebol inglês e alemão. Uma troca de passes consciente, veloz e vertical. Surpreendeu a bem postada defesa francesa. Oscar se esticou todo para dar um bico na bola, completando ótimo toque de Firmino. Mandanda saiu desesperado, mas não conseguiu evitar o gol. 1 a 1. O gol foi um banho de água fria nos franceses.

No segundo tempo, a França voltou mais aberta, queria vencer. Dunga se antecipou. Sabia que o meio de campo adversário estaria mais aberto. E o Brasil marcou mais forte na sua intermediária apostando nos contragolpes velozes, no maior talento com a bola nos pés. Quem observasse de longe a distribuição dos times, parecia duas seleções europeias.

E foi assim que Neymar marcou seu 43° gol com a camisa brasileira, se igualando a Rivellino e Jairzinho, com apenas 23 anos. Gol de manual de futebol moderno. O Brasil encontrou o meio de campo francês aberto. Elias, volante com potencial de meia, serviu Willian. Preciso, ele serviu Neymar com açúcar e afeto. O camisa 10 chutou com raiva, de esquerda. Bola violentíssima para as redes: 2 a 1, aos 11 minutos.

2mowa O europeu Brasil de Dunga fez a mais nobre vítima, na reconstrução de sua imagem. Vitória por 3 a 1 diante da França, em Paris. Foi o sétimo jogo e sétima vitória da nova Seleção...

Se empatando, os franceses estavam atuando abertos, perdendo foram desesperados para o ataque. Tentaram adiantar a marcação, travar a saída de bola brasileira. Mas tudo o que conseguiram foram dar mais espaço. E tomaram mais um grande sufoco e mais um gol.

Foi a retribuição de Dunga. Em um escanteio, Luiz Gustavo subiu livre e cabeceou longe de Mandanda. 3 a 1, aos 23 minutos. Com a vantagem de dois gols, o Brasil começou a trocar seus jogadores e não o esquema. A França não teve como reagir. Foi uma vitória marcante da Seleção. Prêmio para Dunga, o capitão que saiu tão frustrado do mesmo estádio 17 anos atrás. Não teve o peso da conquista de uma Copa do Mundo. Mas que a vitória foi promissora, não há a menor dúvida.

Aos poucos, o Brasil tenta reconstruir sua imagem, esfacelada depois dos 7 a 1 da Alemanha. O que ainda levará anos. Mas neste recomeço, a Argentina, Áustria, Japão, Turquia, Colômbia e Equador já ficaram pelo caminho. Hoje foram os franceses que sentiram que algo está mudando...
1reuters1 O europeu Brasil de Dunga fez a mais nobre vítima, na reconstrução de sua imagem. Vitória por 3 a 1 diante da França, em Paris. Foi o sétimo jogo e sétima vitória da nova Seleção...