Transformar o jogo em uma guerra. Com divididas raivosas, faltas, pegadas, intimidação. Essa é a esperança do Brasil, time mais faltoso da Copa, contra a favorita Alemanha. O time de Felipão vai entrar cheirando a Vick Vaporub nos calções…

2afp8 Transformar o jogo em uma guerra. Com divididas raivosas, faltas, pegadas, intimidação. Essa é a esperança do Brasil, time mais faltoso da Copa, contra a favorita Alemanha. O time de Felipão vai entrar cheirando a Vick Vaporub nos calções...
Belo Horizonte...

"Se Brasil e Colômbia acontecesse na Europa, os 22 jogadores não terminariam a partida. Essa energia física no jogo com a Colômbia foi além dos limites.

"Foram faltas brutais, não apenas aquela contra o Neymar, mas faltas cometidas por trás, faltas perigosas, carrinhos por trás e pelo lado. Temos que proteger os jogadores.

"Que essas faltas muito violentas sejam paradas, senão, não veremos mais Neymar, Messi etc, veremos outros jogadores que vão entrar em campo para destruir."

As frases de Joachim Low repercutiram na delegação brasileira. Não como ele gostaria. Ficou claro para Felipão que a Alemanha não quer que o Brasil apele para o jogo 'bruto' hoje, no Mineirão. Pura ilusão. É justamente isso que a Seleção vai fazer.

Já está certo que, sem Neymar, o Brasil entrará com uma equipe que nunca atuou junta na Copa. A dependência do atacante era tanta que Felipão não preparou a Seleção sem ele. Portanto, em uma semifinal de Copa do Mundo, terá de improvisar. E vai fazer exatamente o que mais pode incomodar os germânicos: apelar para a pegada firme do time.

Mesmo com Neymar, a Seleção já era o time mais violento de toda a Copa. A Alemanha é atenta às estatísticas da Fifa. O Brasil cometeu 96 faltas. Muitas delas duras. Uma das frases prediletas de Felipão nos treinamentos os jogadores já decoraram.

"Feio não é fazer falta. Feio é tomar gol, porra!"

O Brasil praticamente dobrou com Felipão o número de faltas que o time faz por jogo em relação ao apático time de Mano Menezes. Nesta Copa, por exemplo, são 19,2 por partida. Com Mano, eram apenas 11. O treinador incentiva o contato físico. Principalmente em jogos decisivos, importantes como hoje.

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"O futebol se tornou muito mais competitivo. O Brasil não é uma equipe violenta. Mas briga mais pela bola como tem de ser. Não damos espaço mesmo para os nossos adversários. Os times campeões no mundo todo fazem isso. Repetiremos isso contra a Alemanha, lógico."

A promessa foi feita por Luiz Gustavo. O volante atua no país europeu e sabe muito bem o quanto o atual time alemão prefere a técnica ao contato.

A equipe de Low fez 56 faltas durante toda a Copa. A média é baixa em relação ao Brasil. Apenas 11,2. Seus atletas preferem a antecipação. Influenciado pelo toque de bola espanhol que foi campeão de 2010, Low exige o controle do jogo. Com passes até em excesso, os germânicos evitam o combate, os confrontos.

O plano de Felipão é exatamente acabar com esse toque de bola. Repetir o que fez com a Espanha na final da Copa das Confederações no ano passado. A escalação mais coerente para o jogo de confronto que pretende seria colocar três volantes: Luiz Gustavo, Paulinho e Fernandinho. Quando o Brasil fosse atacado, Oscar recuaria.

A ideia desenvolvida pelo próprio time alemão do Bayern campeão do mundo de 2013. Duas linhas de quatro para travar Thomas Müller, Özil, Kroos, Schweinsteiger. Matar o toque de bola alemão no seu nascedouro. Sem economizar faltas.

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O ex-jogador Edílson esteve na concentração brasileira em Fortaleza. Foi chamado por Felipão para animar o grupo que estava se afogando nas próprias lágrimas. Entre piadas, ele contou como detestava enfrentar os times de Felipão. Habilidoso, detestava os marcadores 'fungando' no seu pescoço.

Foi exatamente isso que Fernandinho e Paulinho fizeram durante toda a partida contra James Rodríguez. O colombiano foi anulado. Com boa dose de faltas. "O Brasil usou virilidade e não deslealdade, o que é muito diferente", sentenciou Paulinho.

Quem conhece Felipão há décadas, sabe que ele não é de mandar aviso. Na coletiva de ontem aqui no Mineirão, o treinador brasileiro estava gentil, risonho. Passava a imagem de quem estava para embarcar em um avião e ir para a Disney. Não é bom se enganar.

Quando Scolari está assim na véspera de uma decisão, é quando o seu time entra mais pegador em campo. É bom Low se preparar. O Brasil entrará para a semifinal declarando guerra aos germânicos. Com uma marcação pegajosa, faltosa, irritante, vibrante. Felipão tentará desestabilizar os rivais.

E contará com o apoio emotivo da torcida mineira. O pungente grito de "eu acredito" que consagrou a campanha do Atlético Mineiro na Libertadores de 2013 voltará a ser ouvido. Ainda mais agora que o time perdeu a sua maior arma técnica, Neymar.

A Seleção Brasileira não terá vergonha de apelar para a maior característica dos times vencedores de Felipão. O pouco de refinamento que tinham vinham do talento individual dos atletas. A filosofia do Grêmio e do Palmeiras campeões da Libertadores era a forte pegada, intimidação ao adversário. E alguns pontapés quando era necessário.

O Brasil campeão de 2002 não era um time nada bonzinho. Dividia com força, raça. Era leal, mas não deixava o adversário tocar a bola impune. A final de 2002, contra a própria Alemanha, deixou isso muito claro.

O caminho para o Brasil tentar uma surpreendente vitória está na marcação, na peleia, como dizem o gaúcho. Ainda mais com David Luiz como capitão do time, substituindo o suspenso Thiago Silva.

Por isso não é bom Low acreditar no discurso e nos sorrisos de Scolari de ontem na sua entrevista. De avô bonzinho ele só tem a aparência e o tom de voz. O Felipão que incendeia, enlouquece o seu time virá à tona.

Para quem não sabe, quando era jogador, o treinador do Brasil costumava passar Vick Vaporub, um unguento fortíssimo para desobstruir o nariz. Mas ele colocava nas suas partes íntimas, o que provoca um ardor irritante.

"Aquilo não me deixava relaxar durante todo o jogo. Coitado do centroavante que vinha disputar a bola comigo." Será exatamente esse o clima que os alemães vão enfrentar daqui a pouco no Mineirão.

Thomas Müller, Özil e Schweinsteiger que não estranhem se, por acaso, estiver um cheiro de Vick Vaporub no ar quando a bola começar a rolar.

Muitos alemães vão aprender a voar...
1afp11 1024x576 Transformar o jogo em uma guerra. Com divididas raivosas, faltas, pegadas, intimidação. Essa é a esperança do Brasil, time mais faltoso da Copa, contra a favorita Alemanha. O time de Felipão vai entrar cheirando a Vick Vaporub nos calções...

O duelo de blefes entre Felipão e Low. Começou a guerra entre Brasil e Alemanha, final antecipada da Copa. A ausência de Neymar tornou tudo imprevisível amanhã, aqui no Mineirão…

1vipcomm5 1024x614 O duelo de blefes entre Felipão e Low. Começou a guerra entre Brasil e Alemanha, final antecipada da Copa. A ausência de Neymar tornou tudo imprevisível amanhã, aqui no Mineirão...
Belo Horizonte...

Bem-vindo ao mundo surreal. Onde duas seleções com oito títulos mundiais vão disputar a semifinal de uma Copa. Uma time foi moldado, lapidado por seis anos. E o outro, que é anfitrião da competição treinou a equipe que entrará em campo por dez minutos. Sim, dez minutos...

Uma que fez todos os seus treinamentos fechados. Construiu um Centro de Treinamento indevassável na Bahia. A outra, não. Construiu até arquibancadas para cem pessoas ligadas aos patrocinadores ou artistas da Globo assistirem a tudo o que seus jogadores faziam. Ao lado de 700 jornalistas credenciados. E mais centenas de torcedores comuns atrás de autógrafos e selfies.

O país que perdeu seu principal jogador contundido está mais leve, tranquilo. Com a sensação de dever cumprido. Já o oponente ficou bem mais preocupado. Não sabe o que esperar. Havia se preparado para enfrentar esse principal atacante, um dos melhores do mundo.

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Luiz Felipe Scolari e Joachim Low fizeram um duelo de blefes aqui no Mineirão.

"Antes de falarmos sobre nós mesmos queria dizer algo sobre o Neymar. Sentimos muito por nós e pela seleção o fato de ele estar lesionado. É algo sério para ele, para o time e o país. Situação terrível, teríamos adorado vê-lo no campo durante a Copa e gostaria de desejar uma boa e rápida recuperação. Espero que volte em breve."

O treinador da Alemanha lamentava não enfrentar o único jogador cujo talento poderia decidir a partida para o Brasil.

"Nós já terminamos essa fase de envolvimento, desse aspecto que ficamos tristes, desde que sabíamos que não poderíamos ter mais o Neymar, e ele na primeira oportunidade depois de estar mais tranquilo, nas manifestações e jeito de conversar, fez com que os jogadores entendessem que a parte dele ele tinha feito e agora é a nossa parte que temos que fazer."

Felipão garantia que não havia mais o peso de perder seu principal jogador na concentração. Mas não é assim. Não se fala em outra coisa. O time não para de se comunicar por whatssap com o contundido atacante. Os atletas prometem vencer não só amanhã como conquistar o título mundial por eles.

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Joachim Low afirma que está tranquilo, confiante sobre a semifinal. Não está preocupado com seu futuro. Outra falácia. Ele assumiu o time em 2006. Fez da Alemanha terceira na Copa de 2010. Segunda na Euro de 2008. E terceira em 2012. Ou seja, nada de título. Seu contrato vai até o final de 2016. Mas nova decepção significará o final da linha.

Felipão, pelo contrário. Sabe que Marco Polo del Nero quer sua permanência. Assim como Marin. O relacionamento entre os três é da mais pura cumplicidade. Só que o treinador está sendo cotado para seguir na sua última aventura na carreira. Dirigir uma equipe estrangeira na Copa de 2018. O sonho é a Itália. A realidade: interesse de Portugal e Rússia.

Os blefes seguiram fortes. Felipão e suas quatro formações diferentes que treinaram cada uma apenas dez minutos. Diz que baseará a sua escalação nas observações de Gallo e de Roque Júnior. Eles podem no máximo dar algumas orientações. Mas Felipão sabe o óbvio. Precisa bloquear o meio de campo alemão. E está muito propenso a colocar três volantes. Luiz Gustavo, Fernandinho e Paulinho. Daniel Alves pode voltar, atuando quase como um ponta direita, já que terá cobertura até de sobra.

A opinião pública alemã deu um corte na mania de improvisar, criar, algo que Low adora. Lahm, por exemplo, voltou para a lateral por causa de tanta reclamação. O treinador não tem alguma alteração que possa surpreender o Brasil. Seguirá firme na dependência de Schweinsteiger, Thomas Müller, Kroos e seu protegido, Özil, que vive péssima fase. Lembra até a situação de Fred com Felipão.

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O treinador alemão não quis assumir o favoritismo. A responsabilidade de eliminar o Brasil dentre de sua casa. Apesar de saber que seu time é muito mais entrosado e forte tecnicamente.

"Acredito que o Brasil amanhã irá liberar toda sua paixão e emoções. Isso é algo muito fácil de ver nos jogos anteriores, que de fato ali está a paixão. Qualquer ataque que se aproxime de gol será acompanhado por gritos e grande potencial da torcida brasileira. Temos que fazer nosso jogo, não nos concentrarmos nos brasileiros. Temos que nos concentrar e ter coragem para fazer o que é preciso. Temos que fazer o que estamos acostumados a fazer."

Discursou como se fosse um treinador de jogadores que disputam a liga amadora de Mococa e não a Champions League. Pura bobagem. A poderosa Alemanha se deixar levar por gritos de torcida chega a ser ridículo.

Irônica foi a postura de Felipão ao falar do árbitro do jogo. O mexicano Marco Rodrigues. O juiz que não viu a polêmica mordida de Suárez na partida do Uruguai contra a Itália.

"Se ele não viu, não viu. Muitos lances acontecem em que o árbitro não viu uma falta, um lance qualquer, diferente. Este foi um lance inusitado, ele estava olhando a bola, para isso tem auxiliares e tudo mais. Pelo que sabemos, ele é um árbitro em sua terceira Copa, experiente, deve ser uma das escolhas corretas da Fifa para apitar nosso jogo."

Lógico Felipão sabe que terceira ou oitava Copa não isenta árbitro algum. O mexicano Marco Rodrigues é um juiz instável emocionalmente. Não há como não esperar uma partida marcada por discussões e entradas duras de lado a lado.

Low foi hábil e avisou que o jogo não pode terminar com a pancadaria que foi entre Brasil e Colômbia. "Espero e acredito que o árbitro mexicano Rodríguez Moreno fique atento a isso, pois vi nos últimos jogos, como no último da Colômbia, que essa energia física foi além dos limites que temos na Europa. Se isso acontecesse lá, os 22 jogadores não teriam acabado esse jogo.

"Foram faltas brutais. Esse tipo de combate físico, bloquear o adversário com toda a energia, acho que foi um pouco exagerado. Acredito que temos que parar com essas jogadas violentas. Pois, caso contrário, nós não vamos ter Neymar, Messi e etc. Vamos ter outros tipos de jogadores que vão entrar em campo para destruir..."

Mas há a certeza. Os jogadores alemães não irão fugir das divididas. Pelo contrário. Não esperarão pelos brasileiros. Vão tentar ganhar esse jogo na força física. Os contatos físico estão mais do que garantidos.

Não há dúvida alguma que a guerra já começou. Com os treinadores de Alemanha e Brasil falando exatamente o contrário do que pensam. Ainda mais sem Neymar.

Será uma final antecipada da Copa do Mundo. Onde haverá apenas um sobrevivente. Talvez o que tenha blefado mais hoje aqui no Mineirão...
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Chegou a hora de Oscar voltar a ser o meia que fez o Chelsea disputá-lo a tapas. Basta de dar carrinho. Sem a sombra de Neymar, os neurônios do Brasil são todos dele nesta semifinal contra a Alemanha…

1reuters Chegou a hora de Oscar voltar a ser o meia que fez o Chelsea disputá lo a tapas. Basta de dar carrinho. Sem a sombra de Neymar, os neurônios do Brasil são todos dele nesta semifinal contra a Alemanha...
Belo Horizonte...

Neymar lhe tomou a camisa 10 na Copa das Confederações. Tirou o status de maior revelação no futebol brasileiro nos último tempos. Ficou com uma faixa de campo que era sua, o meio da intermediária. Acabou deslocado para as laterais, atuando quase em cima da linha de cal.

Perdeu a função clássica de meia armador, articulador. Passou a usar a sua explosão muscular para uma missão menos nobre do que driblar, lançar, dar assistência, marcar gols. Oscar virou um especialista em carrinhos para desarmar o adversário. São em média 12,5 desarmes por partida. Ele havia parado de tentar ajudar o Brasil a fazer gols.

"Eu faço o que o treinador me pede. Estou aqui para colaborar com a Seleção. Não tem essa história de vaidade. Se é preciso ajudar a intermediária, sem problemas. O importante é o Brasil vencer. O resto não importa", diz Oscar.

Ele sabe que se tornou um jogador invisível para a torcida. Mas essencialmente tático. Quase um terceiro volante. Sem espaço algum para brilhar.

Nas formações que Felipão articulou por dez minutos para a partida de amanhã, Oscar ganhou um novo status. Terá toda a intermediária para armar, tabelar, infiltrar, lançar. Pode, finalmente, parar de correr atrás de laterais que decidem entrar na defesa brasileira pela diagonal.

1afp10 Chegou a hora de Oscar voltar a ser o meia que fez o Chelsea disputá lo a tapas. Basta de dar carrinho. Sem a sombra de Neymar, os neurônios do Brasil são todos dele nesta semifinal contra a Alemanha...

Há a oportunidade para que deixe de ser um mero coadjuvante amanhã. Situação que ele não esperava mais passar. Submisso ao esquema de Felipão. Estava complemente conformado em ficar nas sombras.

Havia perdido o ímpeto de que havia virado até modelo da Calvin Klein. E cuja imagem era cobiçada pelo empresário Ronaldo. Apesar de finalizar muito bem, ser sangue frio diante dos goleiros adversários, se conformou em ser mais um.

"Eu não vim na Copa para pensar em mim. Se todos quisessem aparecer, pensar apenas em si, não teríamos um time. Eu posso fazer qualquer função no meio de campo. Sei da minha importância. O Felipão tem o seu esquema tático definido. E ele vem dando resultado. Ganhamos a Copa das Confederações e estamos na semifinal da Copa. Está tudo indo muito bem", dizia Oscar.

Ele não tinha ideia da gravidade da situação de Neymar. Não tinha ideia que deverá a atuar como fazia na base do São Paulo, no Internacional. E algumas vezes apenas no Chelsea. Ser o pensador do meio de campo com a liberdade para definir o lance. E pelo caminho que achar melhor: pela direita, meio ou esquerda. Flutuar.

A força física do meio de campo alemão não o intimida. Ele está acostumado com o pesado Campeonato Inglês. Sabe se virar muito bem. Oscar é o jogador mais frio do elenco brasileiro. O que é uma vantagem na situação que vive.

Uma estrela que aceitou ser coadjuvante de Neymar. E que agora, na reta final da Copa do Mundo, ganha de novo a coroa. Sem mostrar a mínima afetação ou empolgação. Oscar aprendeu a ser frio.

"Ele é um garoto maravilhoso. Faz o que for pelo time. Estou muito satisfeito co o seu trabalho. Não reclama, não cobra, faz o que eu peço. Está perfeito", define assim, Felipão.

Contra a poderosa Alemanha, o Brasil precisa de seu camisa 11 jogando o futebol que o fez ser disputado a tapa pelo Chelsea. Quem se lembra de suas atuações no Campeonato Inglês não acredita que seja o mesmo jogador em Teresópolis. Mas é agora ou nunca. Chega de ficar à sombra de Neymar...

Sem Neymar, Felipão virou o principal personagem da semifinal contra a fria e flamenguista Alemanha de Low. O jogo será uma guerra. Scolari decidirá se o Brasil entrará com um exército poderoso ou não…

3afp5 1024x445 Sem Neymar, Felipão virou o principal personagem da semifinal contra a fria e flamenguista Alemanha de Low. O jogo será uma guerra. Scolari decidirá se o Brasil entrará com um exército poderoso ou não...
Teresópolis...

O cenário está como Felipão aprendeu a crescer como treinador. Foi assim no Criciúma quando foi campeão da Copa do Brasil. No Grêmio, campeão da Libertadores. No Palmeiras, ao reconquistar a América. E na própria Seleção, que fez campeã do mundo em 2002.

O covarde golpe de joelho de Zúñiga em Neymar revolucionou a semifinal da Copa amanhã. A razão aponta para o favoritismo da Alemanha de Joachim Low. Os frios germânicos prepararam essa geração com o objetivo de ser campeã do mundo aqui no Brasil.

Low levou seus atletas para a Copa da Alemanha para ganhar experiência. Schweinsteiger tinha 25 anos, Thomas Muller, 20 anos, Özil, 21 anos, Lahm, 26, Kroos, 20 anos. Mesmo com o time jovem, os alemães foram terceiros colocados.

O trabalho foi muito elogiado. E ficou a certeza de que, quatro anos mais tarde, essa equipe estaria pronta para a consagração. O time fez uma ótima Eurocopa em 2012, mas caiu na semifinal diante da Itália por 2 a 1.

A pressão na Alemanha é para que o resultado venha aqui, com o título. Para isso é necessário vencer o Brasil. Havia uma preocupação imensa com o improviso de Neymar. Ele seria capaz de romper com o futebol pragmático, muitas vezes até mecânico mostrado nesta Copa.

1ap8 1024x682 Sem Neymar, Felipão virou o principal personagem da semifinal contra a fria e flamenguista Alemanha de Low. O jogo será uma guerra. Scolari decidirá se o Brasil entrará com um exército poderoso ou não...

A filosofia é simples de Low. Seu time busca vencer sem correr riscos desnecessários. Sem se preocupar com o espetáculo. Marcou 4 a 0 contra Portugal graças ao desespero do rival que entrou em paranoia após tomar o segundo gol. A equipe de Cristiano Ronaldo, que já era fraca, se escancarou taticamente. Foi um convite para a goleada.

No restante da Copa, empatou com Gana em 2 a 2. Depois vitórias por apenas um gol de vantagem. 1 a 0 contra os Estados Unidos. 2 a 1 em uma batalha épica contra a Argélia. E outro 1 a 0 frio, calculista contra a França.

O máximo que Low se permite quando o adversário está em momentos mais fracos é colocar seu time no 4-3-3. Durante quase todo a Copa, ele segue o esquema consagrado neste mundial e que tem igualado as partidas; 4-2-3-1.

Com o obsessivo preenchimento de espaço. Buscando evitar o desgaste com o clima quente. Os jogadores estão sentindo o desgaste do final de temporadas massacrantes na Europa. Por tudo isso, a Alemanha é o time mais consistente e frio dessa Copa do Mundo.

Encara a Copa com a mesma missão de um operário especializado que veio construir um carro. Sabendo da sua eficiência e não se deixando envolver emocionalmente com os jogos.

Neuer, Lahm, Boateng, Hummels e Howedes; Schweinsteiger e Khedira; Kroos , Ozil e Muller; Kloze. Esse a provável equipe de Low amanhã.

Ele precisa ganhar a Copa ou deverá ser demitido. Acumula bons trabalhos. Foi vice da Euro de 2008. Terceiro na Copa da África. E terceiro também na Euro de 2012. Os alemães exigem a conquista do Mundial. Já está na fila desde 1990, há 24 anos...

Em uma grande estupidez dos seus dirigentes, eles também cometem imbecilidades, a Alemanha usará a camisa inspirada no Flamengo. Rubro negra. O time carioca é dos mais odiados em Belo Horizonte. A rivalidade de atleticanos é histórica. Isso só dará mais força para os torcedores vibrarem pela Seleção nas arquibancadas.

2ap3 Sem Neymar, Felipão virou o principal personagem da semifinal contra a fria e flamenguista Alemanha de Low. O jogo será uma guerra. Scolari decidirá se o Brasil entrará com um exército poderoso ou não...

Felipão é o técnico certo, perfeito nessas horas dramática. Ele sabe utilizar os recursos como um diretor de teatro. Sem o seu principal jogador, o treinador vai utilizar o fator emocional para provocar uma catarse. Fazer o time doar a alma para dar a Copa do Mundo pelo querido camisa 10, covardemente tirado dos jogos finais.

Como desestabilizar os nervos de aço alemães? Com uma estratégia que os incomode. Os tire da zona de conforto. Há como montar o time para o confronto. Comprar a guerra. Escalar o talentoso porém tímido William no lugar de Neymar. Colocar Dante na vaga do suspenso Thiago Silva. E não mexer na estrutura do time.

Júlio César, Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo e Fernandinho; Hulk, Oscar e Willian; Fred.

Essa seria o time mais ofensivo. Mas também o mais exposto. É pior taticamente e mais inexperiente em todos os setores. Seria a de menor pegada. Sofreu contra os mexicanos e chilenos mesmo com Neymar.

O time mais indicado e que teria mais o espírito guerreiro é outro. A 'cara de Felipão' seria colocar três volantes firmes, cimentar a intermediária brasileira. Luiz Gustavo, Fernandinho e o renascido Paulinho. Não deixar jogadores talentosos como Kroos, Özil e Müller respirarem. Além de cobrirem as descidas de Marcelo e do racional Maicon, menos anárquico que Daniel Alves.

Na frente, Felipão teria de encarar a realidade. Parar de ficar pensando em roteiros de filmes para adolescentes. Fred não está em uma Sessão da Tarde, onde o final feliz é garantido. O Brasil disputa uma Copa e o seu definidor está mal demais. Fez apenas um gol em cinco partidas. Não tem mobilidade, nada acrescenta ao time.

Se Fred é mesmo o líder que todos apregoam, deveria colaborar. E não só aceitar passivamente ir para a reserva. Mas até propor a situação, o que nunca ocorrerá.

Para atacar a firme defesa alemã, o ideal seria o improviso. Oscar articulando pelo meio para Hulk pela direita e Willian pela esquerda. Com essa formação, Paulinho poderia voltar a ser o homem surpresa na área germânica. E Fernandinho teria espaço para chutar de fora da área.

Se Felipão fizer a mescla, três volantes, Oscar no meio e Hulk e Fred na frente, o caminho do contragolpe mais lento. Mais previsível. Mas ao menos, o time teria consistência do meio para trás.

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Tudo isso poderia estar muito bem treinado. Mas o Brasil apostou na sorte. Não levou a sério a possibilidade de ficar sem Neymar. E agora o destino está batendo à porta. Ele está deitado com dores terríveis nas costas na sua mansão no Guarujá.

Em linha reta são exatamente 513 quilômetros que separam Neymar do Mineirão. O Guarujá de Belo Horizonte. Não adianta sonhar com infiltrações, pajelança, novenas. O principal talento do futebol brasileiro não vai jogar.

O principal personagem e que irá dar o tom nesta partida será o senhor Luiz Felipe Scolari. Que ele irá transformar o confronto em uma guerra não há a menor dúvida. Resta saber se ele escolherá seu exército mais forte, o mais competitivo. Ou o mais vulnerável por ligações sentimentais.

Contra a pragmática e poderosa Alemanha, o Brasil está nas mãos desse treinador de 65 anos. Seu segredo acabará daqui 24 horas. E terá consequências para a história do futebol mundial...

(Acaba o treinamento que seria decisivo para o jogo amanhã. Dante será o substituto de Thiago Silva. David Luiz passou a jogar pela direita. Essa troca era esperada. O insólito foi a volta de Daniel Alves entre os titulares. Maicon foi muito mais seguro contra a Colômbia...

Na granja Comary, sem privacidade alguma, ele usou várias formações táticas. Começou com três volantes, depois tirou Paulinho e colocou Willian no time. Depois Bernard na vaga de Oscar. E finalmente Jô na de Fred. Cada uma delas por dez minutos.

Por não ter um CT fechado, o Brasil vai entrar amanhã com uma escalação que treinou por dez minutos. Triste programação para uma partida que vale a chegada à final de uma Copa do Mundo...)
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CBF tranquiliza Barcelona. Seu patrimônio de R$ 300 milhões está protegido. Ninguém fará infiltração em Neymar. Não haverá milagres. Ele está fora mesmo da Copa do Mundo de 2014…

1ae4 CBF tranquiliza Barcelona. Seu patrimônio de R$ 300 milhões está protegido. Ninguém fará infiltração em Neymar. Não haverá milagres. Ele está fora mesmo da Copa do Mundo de 2014...
Teresópolis...

Quando iniciei a minha carreira no jornalismo esportivo, há 28 anos, fui cobrir uma prova hípica. Notei, desconfiado, que havia alguns cavalos que raspavam ou até batiam nos obstáculos e continuavam competindo. Pouco importava o sangue escorrendo em suas patas.

Me perguntava sobre as dores? Como é que eles não sentiam?

Descobri que nessa prova não havia antidoping. E que muitos cavalos eram submetidos a injeções de analgésicos, as conhecidas infiltrações. Elas tiravam a sensibilidade às dores. Mas os medicamentos era terríveis para as articulações, ligamentos, diminuíam a vida útil dos animais. Fora as pancadas de machucavam e eles não sentiam.

Essa metodologia cruel foi utilizada em jogadores de futebol nas décadas de 50, 60 e 70. Garrincha foi um dos casos mais conhecidos. Para não perder partidas importantes, inclusive pela Seleção, ele cansou de ter analgésicos infiltrados diretamente em suas contusões. Principalmente nos joelhos. Era algo criminoso que encurtou sua carreira.

Até mesmo Pelé admite que também se submeteu a algumas infiltrações. Vários desses analgésicos se tornaram doping com o passar dos anos. Alguns, não. Só que este recurso é cada vez menos utilizado entre atletas de elite por prejudicar o corpo, a carreira desses jogadores.

Todo o contrato de Neymar com o Barcelona tem valores que passam de R$ 284 milhões. Ele é o segundo jogador mais importante no clube. Vem logo depois de Messi. Entre salários e publicidade, seus rendimentos anuais já teriam saltado para R$ 90 milhões.

Haveria uma crise sem precedentes entre CBF e Barcelona caso se confirmassem os boatos que Neymar seria submetido a infiltrações nas costas para disputar a final. Os comentários surgiram depois que ele recebeu uma visita que recebeu no Guarujá.

O médico do Santos, Maurício Zenaide; o fisioterapeuta do clube, Rafael Martini e Nicola Carneiro, especialista em coluna. Eles estiveram na sua casa para uma avaliação da sua situação médica. Para Neymar ter uma segunda opinião sobre a sua fratura na vértebra, depois da covarde joelhada que recebeu do colombiano Zúniga.

Zenaide sempre cuidou de Neymar no Santos e são muito próximos. Houve a consulta para saber se haveria alguma possibilidade de ele jogar a final da Copa. Não haveria. Mas a consulta vazou...

1sfc CBF tranquiliza Barcelona. Seu patrimônio de R$ 300 milhões está protegido. Ninguém fará infiltração em Neymar. Não haverá milagres. Ele está fora mesmo da Copa do Mundo de 2014...

Foi o que bastou para os comentários se espalharem em Santos. Neymar poderia ter uma chance de jogar a final. Desde que uma dose maciça de analgésicos fosse introduzida nas suas costas. As dores não existiriam mais. Só que a fratura na vértebra continuaria, lógico. Com os movimentos, ela poderia ganhar uma proporção inimaginável. Seria o risco para estar em campo.

Lógico que os boatos se espalharam pelo Brasil todo. Bateram as portas da concentração brasileira. O médico José Luiz Runco ficou revoltadíssimo. Nem admitiria essa possibilidade. O tratamento de Neymar é repouso absoluto e o uso de uma cinta imobilizadora. A fratura se consolidará sozinha dentro de cinco a sete semanas.

Tudo foi crescente rapidamente em Teresópolis. Jornalistas já consultavam outros médicos e uma chuva de opiniões foram disparadas. Uma falsa expectativa foi criada de que o milagre poderia acontecer. E, se o Brasil vencesse a Alemanha amanha, Neymar se sujeitaria ao mesmo sacrifício dos cavalos da década de 80. E estaria no Maracanã com a camisa 10 do Brasil.

O departamento médico do Barcelona queria saber se havia um fundo de verdade. Se um patrimônio seu, avaliado em R$ 300 milhões, seria exposto a essa loucura. A CBF negou de forma absoluta. Mas era preciso conter a opinião pública. Na Internet virou uma febre. A situação estava fugindo de controle.

1barcelona 1024x576 CBF tranquiliza Barcelona. Seu patrimônio de R$ 300 milhões está protegido. Ninguém fará infiltração em Neymar. Não haverá milagres. Ele está fora mesmo da Copa do Mundo de 2014...

A CBF precisava se manifestar. E por isso, Runco deu entrevista no programa de Fausto Silva na TV Globo. Era o caminho oficial para o desmentido.

"Não vamos criar a ilusão de algo que não existe. Não existe a menor possibilidade de ele jogar na terça, contra a Alemanha, ou no domingo, se nos classificarmos para a final."

"O Neymar tem uma lesão estável que precisa se consolidar. Hoje, ele tem uma lesão estável que poderia se transformar instável e comprometer o seu futuro."

O que deveria ser o ponto final, cresceu durante a tarde e à noite. Aí a imprensa europeia se juntava à brasileira. Neymar jogaria domingo? A situação ficou perto do insustentável para a assessoria do jogador e da CBF. Até o Santos era atingido

Foi combinado que os dois lados divulgaram notas desmentindo essa possibilidade.

O site oficial de Neymar entrou em ação. Destacou que o jogador apenas recebeu a visita dos médicos no sábado. Mas seguirá o procedimento indicado por Runco.

"A notícia (infiltração) não procede em razão de Neymar Jr. estar sob cuidados do Chefe do Departamento Médico da Seleção, José Luiz Runco, até o final da Copa. Tendo sido ele o avalista da liberação do atleta para a continuação do tratamento (repouso absoluto) junto à família. O acompanhamento diário do tratamento está sendo feito pelo fisioterapeuta particular do atleta. Qualquer informação diferente desta é pura especulação."

A CBF também divulgou no final da noite uma nota oficial.

"A CBF esclarece que o atleta Neymar, com fratura estável de apófise transversa de L3, com excelente prognóstico à sua vida de atleta, desde que a consolidação da mesma se faça no tempo que a boa prática médica requer, e que condutas açodadas colocam em risco sua vida futura como atleta conforme as propagadas em alguns informes de mídia, por colegas médicos, o que, óbvio, não muda a conduta da comissão médica da Seleção Brasileira.

As medidas da ética médica, que requer o caso, serão encaminhadas à análise do Conselho Federal de Medicina para os procedimentos cabíveis ao caso, ao nosso ver de extrema gravidade aos artigos de nosso código de condutas."

 CBF tranquiliza Barcelona. Seu patrimônio de R$ 300 milhões está protegido. Ninguém fará infiltração em Neymar. Não haverá milagres. Ele está fora mesmo da Copa do Mundo de 2014...

Tradução: a CBF não autoriza nenhum outro médico a tentar fazer qualquer coisa com Neymar. A possibilidade de infiltração está completamente enterrada.

Mesmo assim, o Barcelona deverá enviar ao Brasil um médico para acompanhar como está o seu jogador. Acompanhar de perto a sua recuperação. Runco já informou e até enviou ao clube catalão exames do jogador. E há a concordância sobre o repouso absoluto.

O domingo foi agitado até o seu final por conta do sonho de ver Neymar em campo de novo na Copa de 2014. Isso não vai acontecer. Ninguém vai fazer qualquer infiltração no jogador de R$ 300 milhões.

A notícia confirmada envolvendo o atleta foi a demissão da enfermeira Cinthia, da clínica São Carlos, em Fortaleza. Ela protagonizou uma cena revoltante.

Filmou Neymar agonizando de dor com seu celular. Ele não conseguia mexer as pernas graças à vértebra fraturada. Depois do jogador passar gemendo, Cinthia fez com os dedos o V da vitória, comemorou, e focalizou seu próprio rosto rindo. Manda um beijo para a câmera.

Pagou com o emprego pela absurda falta de sensibilidade e solidariedade, requisitos básicos para uma enfermeira...

“O Brasil não é só Neymar. Vamos entrar com um time fortíssimo contra a Alemanha. Não duvidem da força do nosso elenco.” O desabafo de David Luiz, capitão da Seleção no Mineirão…

1getty1 O Brasil não é só Neymar. Vamos entrar com um time fortíssimo contra a Alemanha. Não duvidem da força do nosso elenco. O desabafo de David Luiz, capitão da Seleção no Mineirão...
Teresópolis...

"Eu vou ser ser bem sincero. Eu aprendi a amar o Neymar. Ele é um dos jogadores que mais se entregou ao grupo nesta Copa do Mundo. Colocou a Seleção muito acima do seu talento. Não teve essa história de ego. É um drama o que aconteceu com ele. Mas não vamos jogar por ele, não.

Vamos dar a vida para tentar ganhar da Alemanha. Mas por cada um de nós que formamos o grupo. E lógico que o Neymar tem o seu lugar. Mas aqui ninguém é mais importante do que ninguém. Somos 23 jogadores com a sorte imensa de representar 220 milhões, um país, uma nação. É por ela que iremos colocar a alma para tentar buscar essa Copa."

São declarações dessa natureza que fizeram David Luiz o grande líder da Seleção nesta Copa do Mundo. Personagem carismático, midiático, sincero. E cada vez mais importante. Como nesse momento, sem Neymar fora da Copa e Thiago Silva, suspenso.

"Escute bem o que vou falar. Quem jogar no lugar do Neymar e do Thiago vai entrar e resolver. O nosso grupo é forte demais. Confiamos no potencial de todos os jogadores que estão aqui.

O Dante ou o Henrique, quem entrar vai jogar até com mais fome do que eu e o Thiago Silva. Sonharam tanto como a gente estar nesta Copa. O Felipão sabe tirar o melhor de cada um. Não concordo que somos dependente de quem quer que seja. Somos uma equipe forte, muito forte. Não um time. Aliás, o Brasil não é só Neymar. Vamos entrar com um time fortíssimo contra a Alemanha. Não duvidem da força do nosso elenco."

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David Luiz é mineiro de Juiz de Fora. Saiu de casa para jogar futebol com 12 anos. Foi dispensado do São Paulo por ser considerado baixo nas categorias de base. Hoje, ele tem 1m89. Foi para o Vitória. De lá, empresários o levaram para Portugal. Fez muito sucesso no Benfica.

Acabou sendo comprado a peso de ouro pelo Chelsea. R$ 75 milhões mais o sérvio Matic, avaliado em R$ 20 milhões. Na Inglaterra estourou para o mundo. Ganhou a Copa da Inglaterra, a Liga Europa e a Champions. Se firmou como o zagueiro mais valioso e todos os tempos. O PSG acaba de pagar R$ 132 milhões por ele.

Se esperasse um pouco, o Chelsea faturaria ainda mais. O Mundial está sendo excepcional na carreira do brasileiro. Até as oitavas foi escolhido como nada menos do que o melhor jogador da Copa. Com média de 9,79 pontos. Na frente de Messi, Neymar, Robben, Thomas Müller, James Rodrígues, Benzema, Cristiano Ronaldo.

Há a enorme possibilidade de ele ter aumentado ainda mais sua nota depois da exuberante partida contra a Colômbia. Seus números nas cinco partidas da Copa. 31 bolas roubadas, 78% de passes certos e marcou dois gols.

A liderança é algo nato em David Luiz. Com a suspensão de Thiago Silva, ele será o capitão do Brasil contra a Alemanha. Mas a tarja não quer dizer nada. O zagueiro é o jogador mais vibrante entre os brasileiros que disputam essa Copa. Está sempre falando, orientando, cobrando e, principalmente, incentivando os companheiros. Até mesmo nos raros coletivos que Felipão deu até agora, ele elogia algum reserva que faz grande jogada. Não há como ser adorado pelos companheiros.

Dentro de campo, para os adversários, ele não é esta candura toda. Várias vezes depois de uma dividida, ele peita o rival até fora do lance. Encara, fala, provoca, xinga. Sabe usar sua experiência na Europa para se impor. De anjo talvez só o cabelo.

A torcida e os patrocinadores se apaixonaram pelo zagueiro. Em todas as partidas do Brasil são comuns perucas, camisas e até fotos do jogador. Ele já é garoto propaganda de oito marcas diferentes neste Mundial. DirecTV, Vivo, Seguros Unimed, Gatorade, Pepsi, TAM, Nike e Itaú.

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O mercado comentava em tom de descrença. Mas é verdade, mesmo. Ele teve proposta de duas cervejarias importantes antes da Copa do Mundo. Só que o jogador se recusou. Alegou que não bebe e que sua imagem está ligada demais às crianças e adolescentes. Dispensou as propostas milionárias. Os jogadores da Seleção comentam com orgulho esta postura.

David Luiz também tem outra qualidade discreta. Ele é leal demais. Percebeu o quanto Thiago Silva foi criticado por chorar demais contra o Chile. E os elogios foram todos para a sua postura, mais firme do que a do capitão. O que ele fez contra a Colômbia? Se conteve.

Mudou sua postura radicalmente. Foi discreto com os companheiros. Deixou Thiago Silva tomar à frente desde o aquecimento. Esperto, quando percebia as câmeras filmando e mostrando o que acontecia nos vestiários para os telões, o zagueiro ficava balançando a cabeça, concordando com as palavras de Thiago. Isso é ser além da amigo, é parceiro de verdade.

Ele foi um dos atletas que mais ficou ligado a Neymar. Chorou ao saber que não continuaria no Mundial. E também na despedida do camisa 10 da granja Comary. A amizade entre a dupla também é emocionante. Muitos jogadores que estavam perto dos dois choraram ontem ao ver o abraço que trocaram.

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Só explodiu na hora em que marcou o gol de falta, o seu segundo na Copa. "Marquei porque ando e bato na bola com os pés virados para fora, o famoso 'dez para as duas'", ironizou. Na verdade, o gol não foi por acaso. Ele treina muito a cobrança de faltas. Um pouco mais longe da área. Costuma bater com força e direção.

Alucinado de felicidade, Felipão comparou a sua batida na bola com a de Marcelinho Carioca. Puro delírio. Mas explicável. Felipão não poderia estar mais contente como o seu zagueiro. Além do excelente futebol, ele tem importância fundamental nas preleções, nas conversas com o time na preparação para o jogo.

Mas o que fascina Felipão, ex-beque tosco do interior do Rio Grande do Sul, são a simplicidade e a lealdade do jogador. Ele é o zagueiro mais caro de todos os tempos. E faz questão de ser tratado como qualquer um no grupo. E não para de incentivar, valorizar os companheiros.

Nos momentos de maior pressão, quando o time era mais cobrado, enfrentou a imprensa com personalidade. Não fugia das entrevistas como muitos consagrados fizeram.

"Ninguém pode desmerecer o trabalho desse grupo. Pode ser que até não joguemos bem. Mas todos estão dando a alma para fazer o melhor pelo Brasil. Sem exceção. Temos o privilégio e orgulho de representar a nossa nação de 220 milhões de habitante. Queremos e estamos fazendo de tudo para tentar ganhar a Copa. E o mínimo que esse grupo exige é respeito", fala encarando o jornalista.

Thiago Silva é um excelente jogador. Tem uma liderança importante, silenciosa.

Mas o verdadeiro capitão da Seleção na Copa de 2014 sempre foi David Luiz...
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Acabou a cobrança. Chega de pressão. Torcida e imprensa dão folga para Felipão e para a Seleção. O que vier agora na Copa será aceito, aplaudido. Sem a genialidade de Neymar, o Brasil é um time comum…

1ap7 Acabou a cobrança. Chega de pressão. Torcida e imprensa dão folga para Felipão e para a Seleção. O que vier agora na Copa será aceito, aplaudido. Sem a genialidade de Neymar, o Brasil é um time comum...
Teresópolis...

Neymar tem crises de choro no Guarujá ao lembrar que a Copa acabou para ele. Os jogadores estão tensos, inseguros. Sabem que perderam a maior arma técnica, o grande talento para a partida pela semifinal da Copa contra a Alemanha. A psicóloga Regina Brandão estará hoje na granja Comary para tentar dar confiança ao grupo.

Mas o paradoxo é Luiz Felipe Scolari está mais calmo. Lógico que lamenta a covardia de Zúñiga e também quer uma longa punição para o colombiano. Só que o treinador brasileiro sabe. Toda a pressão, a obrigação de vencer a Copa do Mundo não existe mais.

Pelo contrário. A torcida e a mídia brasileiras estão pela primeira vez caminhando juntas. Estão solidárias ao time. Mesmo se vierem duas derrotas nas últimas partidas da Copa. Se a equipe for a quarta entre os quatro países que decidem o Mundial.

Há um silencioso reconhecimento que não há como substituir Neymar. É um desfalque grande demais. A equipe era completamente dependente do atacante. A cobrança praticamente inexiste. É como se todos estivessem amortecidos pela joelhada de Zúñiga. Há a sensação do que vier é lucro. Ninguém se sente mais no direito de reclamar.

Mesmo com Felipão agindo a Copa toda como se ele fosse indestrutível. Houvesse feito um pacto celestial para que ele não se machucasse ou fosse suspenso. A realidade atropelou, tirou o ânimo até de protestar contra o otimismo absurdo do treinador.

Todos estão chocados. A classificação para a semifinal de uma Copa deveria empolgar o país. Mas até os jovens torcedores que atormentam os treinamentos aqui na Granja Comary perderam o entusiasmo, a alegria.

Já viram em seus computadores a despedida sofrida de que, aos 22 anos, teve o seu sonho de ser campeão do mundo em campo interrompido. Por uma pancada covarde que fraturou um osso, uma vértebra do seu corpo.

Felipão ganhou salvo conduto. Faça o que fizer é vivido o suficiente. Sabe que Belo Horizonte se prepara para tentar empurrar o time. Até os quase 700 jornalistas que não são seus amigos em Teresópolis estão compreensivos. A sério, seu trabalho foi julgado e cobrado até aqui foi vitorioso.

1mowa2 Acabou a cobrança. Chega de pressão. Torcida e imprensa dão folga para Felipão e para a Seleção. O que vier agora na Copa será aceito, aplaudido. Sem a genialidade de Neymar, o Brasil é um time comum...

Aos trancos e barrancos, levou a Seleção até a semifinal da Copa. Com Neymar havia como cobrar um futebol mais organizado, as variações táticas poderiam ser mais importantes, as surpresas estratégicas sempre teriam o camisa 10 como referência. Sem ele, o restante do elenco é comum. Não há ninguém que se aproxime do repertório do garoto de 22 anos. Todos sabem disso. Até o treinador e seus companheiros. Só não falam em voz alta.

Felipão nunca teve tanta tranquilidade para trabalhar na Copa. Poderá fazer o que quiser em relação ao substituto de Neymar. Colocar Willian ou Bernard e manter o mesmo esquema 4-2-3-1. Ou decidir por um terceiro volante: Fernandinho, Luiz Gustavo e Paulinho juntos. Oscar mais adiantado. Fred e Hulk na frente. Adotar o 4-4-2.

Ou ainda colocar Henrique ao lado de Dante e David Luiz. Com Maicon, Luiz Gustavo, Fernandinho, Oscar e Marcelo; Fred (Willian) e Hulk. Surpreender com o 3-5-2.

Tanto faz. Será sempre a tentativa de remediar o irremediável. O enfraquecimento involuntário e inevitável do Brasil. Não há mais o toque da genialidade.

1vipcomm4 Acabou a cobrança. Chega de pressão. Torcida e imprensa dão folga para Felipão e para a Seleção. O que vier agora na Copa será aceito, aplaudido. Sem a genialidade de Neymar, o Brasil é um time comum...

Felipão nunca treinou para valer o Brasil sem Neymar. Nunca houve um plano B. Se o camisa 10 tivesse sido afastado do time por cartão ou por um simples entorse de tornozelo, o treinador brasileiro seria execrado. Mereceria todos os tipos de questionamentos, críticas.

Mas a dramaticidade da joelhada violenta, traiçoeira, por trás, proibida até no MMA, isenta Felipão. Como por magia, todos ficam mais compreensivos. E precisam ser. Foi traumático tudo o que aconteceu. Até a sua saída da concentração daqui de helicóptero.

Vários jogadores também não param de chorar pela ausência do jogador mais querido do grupo. Eles não param de se comunicar com Neymar pelo grupo íntimo de whatsapp que criaram entre os jogadores da Seleção. Sua ausência virou mesmo um transtorno psicológico.

É incrível. Mas a cobrança externa e interna pelo título acabou. O presidente José Maria Marin da CBF veio na concentração para tentar animar os jogadores. Ouviu as promessas que de que o grupo ganhará o título por Neymar. Mas até ele que sonhava com este como sua última vitória como dirigente, perdeu grande parte do entusiasmo.

"Ele era uma das nossas referências. Fez com que nosso grupo ficasse numa situação de ‘perdemos algo que não queríamos perder’. Já começou o trabalho de conscientização de que em qualquer catástrofe surge a oportunidade de fazer alguma coisa diferente. É isso que vamos fazer."

Em mais uma exclusiva ao Jornal Nacional, Felipão resumiu o que significa para o Brasil perder Neymar: catástrofe. E ele está certo. Tão correto que é bom ele perceber. As cobranças efetivas da Seleção Brasileira acabaram aos 41 minutos do segundo tempo em Fortaleza. Quando a vértebra de Neymar foi rompida.

A situação triste, terrível, teve efeito colateral inesperado. Para Marin e Marco Polo, qualquer indecisão acabou. Mesmo se o Brasil for quarto colocado, Felipão terá convite para continuar na Seleção e preparar o time para 2018. Ambos consideram seu trabalho vitorioso.

Conseguiu levar esse grupo imaturo, com 17 atletas que nunca disputaram a Copa, até a semifinal. Agora sem Neymar, o que viver de verdade é lucro. O objetivo foi atingido. A campanha do Brasil na Copa foi um sucesso.

Se algo ruim acontecer nos dois próximos jogos já existe a desculpa perfeita: o Brasil não tem mais o seu camisa 10. A dependência é até maior que a Argentina tem Messi, da Holanda de Robben, da Alemanha de Thomas Müller.

O que o Brasil fizer sem Neymar estará ótimo. Será aplaudido de pé...

A CBF pressiona a Fifa para punir o frio carrasco colombiano. Felipão quer Neymar com a Seleção até o final da Copa. E jogadores prometem dar a alma no campo por ele contra a Alemanha…

1ae2 A CBF pressiona a Fifa para punir o frio carrasco colombiano. Felipão quer Neymar com a Seleção até o final da Copa. E jogadores prometem dar a alma no campo por ele contra a Alemanha...
Fortaleza...

"Foi uma jogada normal. O James (Rodrígues) também estava apanhando muito no jogo. Não queria tirar o Neymar da Copa. Mas futebol é assim. Isso acontece às vezes."

Foi assim, com o sangue frio de um veterano carrasco, que Juan Camilo Zúñiga Mosquera resumiu seu grande feito na Copa de 2014. Tirar o melhor jogador do Brasil do Mundial com uma covarde joelhada por trás. Forte a ponto de romper uma vértebra de Neymar.

O Brasil entrará hoje com uma representação contra o colombiano. A tendência é que ele seja duramente punido pelo Comitê Disciplinar da Fifa. O omisso árbitro espanhol Carlos Velasco Carballo também deverá ser punido. Apesar de sua filosofia de trabalho ontem ter sido uma recomendação da própria Fifa. A de não mostrar muitos cartões para preservar as semifinais e finais da Copa. Só que ele se perdeu e permitiu a violência.

Neymar e Zúñiga se provocaram durante a partida. A cada drible do brasileiro, que já atuava com dores, o colombiano já buscava acertá-lo. O brasileiro repetia o que aprendeu como menino, com o pai. Partia para novo drible, para tirar o seu marcador do sério. E se preparava: dobrava as pernas esperando o pontapé. Foi assim que conseguiu a expulsão de vários jogadores durante a carreira.

Mas o que fez o colombiano ontem do de uma baixeza sem precedentes. Se aproveitou que Neymar estava de costas, de frente para a bola. Tomou impulso e acertou uma joelhada voadora na sua coluna. Golpe que faz muitos estragos no MMA. O lateral do Napoli é muito mais forte que o franzino brasileiro.

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Se fosse pela frente ou pelo lado, o atacante escaparia. Quantos marcadores já não quiseram acertá-lo. Mas ele não viu de onde veio o golpe. Traição das mais baixas. Não houve como se defender.

Zúñiga não teve dignidade, respeito. Tinha a clara intenção de machucar Neymar. A violência da joelhada e o sangue frio ao saber que havia tirado o atacante da Copa são impressionantes. Merece a punição exemplar que a cúpula da delegação brasileira tem certeza que irá conseguir. Ela deverá ser alta, mas não tanto quanto a do uruguaio Suárez. Zúñiga não é reincidente como ele.

Afinal, seguindo a mesma linha de raciocínio, que exemplo é esse que o colombiano passou para milhões de crianças que acompanham a Copa? A que se tiver pela frente um jogador talentoso o melhor caminho é dar um golpe pelas costas? E nem receber cartão amarelo?

Além da indignação em relação a Zúñiga há outro efeito colateral no elenco brasileiro. O time vai tentar se superar. Terá mais um motivo para dar a alma contra os alemães, na semifinal da Copa em Belo Horizonte, na terça-feira. E até em uma eventual final.

1ap6 A CBF pressiona a Fifa para punir o frio carrasco colombiano. Felipão quer Neymar com a Seleção até o final da Copa. E jogadores prometem dar a alma no campo por ele contra a Alemanha...

"Nós vamos fazer de tudo para tentar sermos campeões do mundo por esse menino. O Neymar é um jogador muito especial. Uma pessoa que merece toda a nossa dedicação. É triste demais saber que ele não seguirá disputando a Copa por um lance por trás. Vamos dar a alma para tentar ganhar a Copa por ele", disse Fred.

"Meu amigo, meu irmão mais novo ... Essa copa vai ser pra você !! Tiraram seu sonho de jogar uma semifinal e uma final de copa do mundo no seu país !! Mais pode ter certeza que não vão tirar o seu título o nosso título irmão !! Te amo te amo mlk @neymarjr", postou Thiago Silva no twitter.

"O Senhor o susterá em seu leito de enfermidade, e da doença o restaurará." Salmos 41:3 ' Pra tudo existe um propósito, saiba que Deus está no controle de tudo. O querer de Deus é diferente do nosso, mas os planos dEle são melhores e maiores. Que Deus te abençoe, irmão, e que possa voltar o mais rápido possível a dar alegria a todos."

Essa a mensagem religiosa de Bernard. Evangélico como Neymar.

O reencontro dos jogadores com o atacante contundido foi tocante. Filmado pela CBF, que pretende fazer um documentário se a Seleção Brasileira foi campeã do mundo. Todos se emocionaram.

Neymar já estava com a cinta que recuperará sua fratura de vértebra de quatro a seis semanas. Sedado, para não sentir dores, estava em uma cadeira de rodas. Os jogadores iam chegando. Um a um. O abraçavam e mostravam todo o carinho com com palavras de conforto. Neymar tentava esconder o rosto. Chorava. Uma cena triste demais e que marcará a Copa do Mundo.

O jogador chegou em Teresópolis de ambulância. Luiz Felipe Scolari quer, de qualquer maneira, que ele siga com a delegação nos dois jogos restantes do Brasil na Copa. Terça na semifinal contra a Alemanha. E depois na decisão do título, se a Seleção vencer, domingo no Maracanã. Ou se perder, sábado, em Brasília na luta pelo terceiro lugar.

Neymar também já teria avisado aos médicos que não quer largar a delegação. O fato de já ter ido direto para Teresópolis é um sinal. Deverá mesmo ficar com o time. Os médicos pretendiam levá-lo para o Rio de Janeiro para novos exames. Não foi necessário.

"Estamos tristes demais. O Ney não merecia o que aconteceu. Mas ele mesmo nos dará força para seguirmos nossa caminhada na Copa. Vamos lutar como nunca contra a Alemanha. Jogar pelo Neymar e por cada um dos brasileiros que querem tanto essa conquista. Estamos abalados, mas temos de tirar força de tudo isso para seguir em frente. Vamos deixar a alma contra a Alemanha. Por ele", prometeu David Luiz, capitão do Brasil, com a suspensão de Thiago Silva.

Neymar precisa ser recompensado por tudo que fez pelo Brasil na Copa...

(Os médicos decidiram que seria melhor para Neymar ir para sua casa no Guarujá. Ele estava sentindo muita dor e só poderia ficar deitado. Seria ruim. O clima sempre ficaria tenso na concentração. Neymar ficará com sua família. Se houver chance tentará ver um ou os dois jogos que faltam nos estádios. Se não, ficará torcendo de longe. Melhor assim...)

O Brasil já viveu o mesmo desamparo que sente ao perder Neymar. Foi com Pelé em 1962. A diferença é que agora não há um Garrincha. Nem mesmo um Amarildo para colocar contra a Alemanha…

1ae1 O Brasil já viveu o mesmo desamparo que sente ao perder Neymar. Foi com Pelé em 1962.  A diferença é que agora não há um Garrincha. Nem mesmo um Amarildo para colocar contra a Alemanha...
Fortaleza...

O cronômetro apontava 41 minutos do segundo tempo. Neymar chegou antes da bola que seu marcador Juan Zúniga. Como quase em toda a partida. Driblou, tabelou, se aproveitou do setor esquerdo, direito da Colômbia. Irritou, desgastou demais o lateral que atua no Napoli. Não tanto quanto poderia.

Neymar já estava atuando com dor. As pancadas contra o Chile ainda atrapalhavam. Mas ele não reclamava. Nunca iria supor pela vingança maldosa do colombiano.

O lateral sabia que não poderia roubar a bola. Aproveitou que estava no embalo e resolveu dar uma pancada no camisa 10. Dobrou a perna e acertou com toda a força seu joelho nas costas de Neymar. E a Copa do Mundo mudava para o Brasil.

"A pancada foi fortíssima. Fraturou a terceira vértebra lombar do Neymar. Não se rompe um osso facilmente. O trauma foi pesado. A recuperação infelizmente levará de quatro a seis semanas. Acabou a Copa do Mundo para ele. Não há a menor possibilidade de um milagre. Nenhuma..."

A voz desolada do médico Rodrigo Lasmar dava o tom no vestiário brasileiro. Como por encanto o Brasil ter chegado à semifinal da Copa do Mundo ficou para o segundo plano. Os jogadores se revoltaram ao saber que teriam de seguir sozinhos. Perderam o melhor do grupo por um golpe covarde, violento do colombiano.

"Pois é...O jogador deu uma pancada enorme por trás nas costas do Neymar. O tirou da Copa do Mundo e não recebeu nem uma advertência, um cartão amarelo. Nada. E aí muita gente vem e fala que o Brasil está sendo favorecido pela arbitragem. Taí a resposta."

O desabafo é do capitão do time, Thiago Silva.

"Nos nossos jogadores se pode bater, machucar e nada acontece. Tudo por causa daquele pênalti no Fred. Aquele que a imprensa disse que inventaram para o Brasil. Agora tiram o Neymar da Copa. E aí?, perguntava, irritado Hulk.

Mal a notícia se espalhava pela zona mista, os jogadores iam fechando seus semblantes. Preocupados, tensos. Todos já estavam traumatizados com a saída do jogador do campo. Ele deixou o gramado carregado pela maca. E foi direto para a clínica São Carlos, a melhor em traumatologia daqui de Fortaleza.

1reproducaoverdesmares O Brasil já viveu o mesmo desamparo que sente ao perder Neymar. Foi com Pelé em 1962.  A diferença é que agora não há um Garrincha. Nem mesmo um Amarildo para colocar contra a Alemanha...

"Ele chorava muito. Estava desesperado. Suas dores era enormes. Esse tipo de fratura dói demais. Nós tratamos de acalmá-lo. Fizemos os exames e vimos que a terceira vértebra no processo transverso estava rompida. Mesmo depois do exame e já com a dor sob controle, ele continuou a chorar", disse o médico Rodrigo.

O motivo era óbvio. Neymar sabia que a sua Copa do Mundo havia acabado.

A princípio não haverá a necessidade de operação. O osso se regenera sozinho. Mas ele terá de ficar imobilizado por uma cinta. A princípio, o atacante quer seguirir com o grupo. Mas não há a confirmação de que poderá. Ele viajou com o time logo depois do jogo para o Rio de Janeiro. Lá ele submeterá a novos e mais detalhados exames.

Dez minutos antes da confirmação da fratura de Neymar, Zúñiga passava pelos jornalistas. Já desconfiava que tinha machucado o brasileiro. Mas não tinha noção de quanto. E tentava se inocentar.

A diferença entre os dois fisicamente é a mesma de um lutador de MMA com um jóquei.

2ae1 O Brasil já viveu o mesmo desamparo que sente ao perder Neymar. Foi com Pelé em 1962.  A diferença é que agora não há um Garrincha. Nem mesmo um Amarildo para colocar contra a Alemanha...

"Foi uma jogada normal, nunca tive a intenção de fazer mal ao jogador. Quando estou em campo, faço de tudo para defender meu país, é a camisa que eu visto, mas sem a intenção de lesionar qualquer jogador. Era uma partida em que ambos queriam ganhar, e estava tudo um pouco quente, todos entrando forte, mas eles (brasileiros) também estavam fazendo o mesmo. Isso é normal. Não fui para a jogada esperando que ele fraturasse a coluna, estava defendo minha camisa, meu país. É uma coisa muito triste para um jogador, mas espero que, com a ajuda de Deus, não seja nada mais grave e que ele melhore, pois todos sabem que é um grande talento para o Brasil."

Zúñinga já estava longe quando foi confirmado o fim da Copa do Mundo para Neymar.

O choque pode ser comparado ao que aconteceu com o Brasil em 1962 com Pelé. A Seleção perdeu o melhor jogador do mundo no Chile. Logo na segunda partida. O time caminhou até o título, ao bicampeonato. A equipe era fantástica. Tinha Garrincha, Zito, Didi. Amarildo entrou no seu lugar e surpreendeu com um desempenho excelente.

2reproducao1 O Brasil já viveu o mesmo desamparo que sente ao perder Neymar. Foi com Pelé em 1962.  A diferença é que agora não há um Garrincha. Nem mesmo um Amarildo para colocar contra a Alemanha...

O repertório da atual Seleção não é tão grande. Felipão pode colocar três volantes. Entrar contra a Alemanha com Luiz Gustavo, Fernandinho e Paulinho. Oscar seria adiantado, jogando com Fred e Hulk.

Ou então colocar simplesmente Willian na vaga de Neymar. E o esquema seria mantido em Belo Horizonte.

Luiz Felipe conseguiu que o time não chorasse de emoção. Mas não contava com as lágrimas de Neymar. Eles foram as mais primárias de um ser humano: de dor. Agora quem chora é o Brasil. Em uma partida que entrará para a história.

Marcará o jogo no qual o Brasil se classificou para a semifinal da Copa. E não houve festa. O clima na Seleção e no país era de luto. A Seleção perdia a sua maior esperança de fazer o time hexacampeão do Mundo.

O semifinalista Brasil chora por Neymar. Exatamente como chorou por Pelé em 1962. A sensação de desamparo é a mesma. Só que sem Garrincha. Ou mesmo um Amarildo para colocar contra a Alemanha...

1ap5 O Brasil já viveu o mesmo desamparo que sente ao perder Neymar. Foi com Pelé em 1962.  A diferença é que agora não há um Garrincha. Nem mesmo um Amarildo para colocar contra a Alemanha...

O Brasil poderia ter goleado a Colômbia. Desperdiçou vários gols. Perdeu Thiago Silva. E, suando sangue, está na semifinal da Copa. A melhor campanha desde 2002. Agora, a Alemanha…

1vipcomm3 1024x681 O Brasil poderia ter goleado a Colômbia. Desperdiçou vários gols. Perdeu Thiago Silva. E, suando sangue, está na semifinal da Copa. A melhor campanha desde 2002. Agora, a Alemanha...
Fortaleza...

O Brasil sofreu por não ter decidido o placar quando poderia. Uma partida que era fácil se tornou dramática no final. Vitória sofrida contra a Colômbia por 2 a 1 aqui em Fortaleza. Teve de suar sangue nos últimos minutos, mas conseguiu. Está na semifinal da Copa. Melhor campanha desde 2002. Vai enfrentar a Alemanha, terça-feira, em Belo Horizonte. Sem Thiago Silva suspenso. Neymar tomou uma pancada fortíssima nas costas. E será avaliado pelos médicos.

Antes do jogo começar, duas preocupações de Felipão. A primeira era psicológica. Ele não queria os seus jogadores chorando. A ordem era parar de derramar lágrimas no hino nacional. O capitão Thiago Silva se mostrava mais firme, tomando a frente do elenco. O grupo estava interessado em fazê-lo mostrar que ele merecia ser o capitão do time. David Luiz continha a natural empolgação.

Depois de limpar a imagem, chegava a hora de arrumar um grave defeito do time. O lado defensivo direito. Daniel Alves e sua insegurança deixava a vaga para Maicon. Substituição mais do que justa. A troca foi para travar Armero e o temido artilheiro da Copa, James Rodríguez. Paulinho ajudaria a fechar o corredor que era tão explorado pelos adversários.

Foi empolgante o início da partida. Com os dois times tentando marcar por pressão. Ambos tinham a mesma ambição. Marcar o primeiro gol logo no início da partida. Para obrigar o adversário a se abrir. A estratégia coincidia.

O Brasil tinha um ingrediente a mais: jogava com raiva. As críticas nitidamente haviam mexido com a equipe. Fred, Oscar, Hulk e Neymar travavam a defesa colombiana. Sem recursos, apelava para os chutões.

Os colombianos estavam muito nervosos, tensos com a responsabilidade da partida. A Colômbia nunca havia chegado tão longe em uma Copa. Jogador de futebol é instintivo, sente o cheiro de medo.

E foi assim que veio um simples escanteio. A movimentação na área era intensa. A bola veio alta, David Luiz ganhou na força e desviou pelo alto de cabeça. A bola procurou o jogador que mais precisava fazer um gol: Thiago Silva. O tão questionado capitão desviou de joelho a bola para as redes de Ospina.

1 a 0, Brasil, logo aos sete minutos.

Era hora de extravasar. Mas nada de lágrimas!

Apontando para o distintivo da CBF, ele gritava para a câmera de alta definição mais próxima. "Aqui é Brasil, nesta porra! Aqui é Brasil, nesta porra! É Brasil!"

Foi o seu pedido de respeito ao time. E principalmente a ele mesmo, tão massacrado pelo excesso de lágrimas, capazes de ajudar o reservatório da Cantareira. Depois ficou de joelhos e agradeceu aos céus. Sabia o quanto precisava do gol...

1mowa 1024x550 O Brasil poderia ter goleado a Colômbia. Desperdiçou vários gols. Perdeu Thiago Silva. E, suando sangue, está na semifinal da Copa. A melhor campanha desde 2002. Agora, a Alemanha...

O gol mexeu com o jogo. Pékerman foi obrigado a adiantar a Colômbia. Não queria e nem podia ficar muito tempo atrás no placar. O lado emocional e o placar já estavam do lado brasileiro. Ao contrário do que sonhava.

A necessidade de adiantar Ibardo e Cuadrado. Assim como Sanchez e Guarin. O Brasil passava a ter muito espaço na intermediária colombiana. Era só retomar a bola que virava um desespero. O Brasil forçava por seu lado mais talentoso: o esquerdo.

Marcelo e Neymar tinha mais espaço para articular contragolpes em velocidade. Zuñiga e Zapata eram vencidos com facilidade. O problema é que a bola caiu três vezes no pé esquerdo de Hulk. O atacante chutou duas vezes em cima do goleiro Ospina. A terceira para longe do gol. Puro desperdício.

A partida foi ficando tensa. Acabava a simpatia nas divididas. Mas o que importava do lado brasileiro eram as excelentes atuações de Fernandinho e Paulinho. A intermediária estava bem protegida, firme. Não deixava brechas. James Rodríguez mal pegava na bola. Sentia a pressão do jogo.

Pékerman sentia o golpe. Seu time não sabia atacar sem dar espaço. O que era uma dádiva ao Brasil. A proposta de jogo era extremamente favorável aos mais talentosos. Melhor para o Brasil. A superioridade no placar poderia e deveria ter sido muito maior.

No segundo tempo, os colombianos voltavam com Ramos no lugar de Ibardo. Um meia atacante no lugar de um volante. Sabia que precisava do ataque. O Brasil voltou na mesma filosofia. Explorar os espaços oferecidos pelos colombianos.

Thiago Silva fazia grande partida. Oscar taticamente se sacrificava pelo time. Era um terceiro volante compondo o meio de campo. O Brasil estava compactado. Como uma mola encolhida esperando pelos contragolpes.

O problema era Fred, não Freud. O atacante brasileiro fazia sua quinta partida da Copa estático. Sem movimentação alguma. Estava em campo apenas para empurrar zagueiros. Sua falta de participação no jogo compromete o time como um todo. Mas como é líder, não sai.

Estava tudo dando certo. A Colômbia não conseguia criar. O jogo estava brigado, mas sob controle. Até que, aos 17 minutos, Thiago Silva teve uma pane mental. Resolveu travar Ospina para uma reposição de bola normal. Tomou o segundo cartão amarelo. Está fora da semifinal contra a Alemanha em Belo Horizonte. Desfalque importantíssimo.

Felipão imediatamente coçou a cabeça preocupado. Sabia que não tem um substituto à altura. Estava desmanchada a mais cara e competente zaga do planeta.

O time ficou atordoado por alguns momentos. Sentiu o golpe de seu capitão. Foi quando em uma cobrança de falta, o veterano Yepes conseguiu fazer o gol, mas o impedimento acabou marcado corretamente. Em seguida, o castigo decisivo aos colombianos.

Jame Rodríguez mostrou que não estava descansando em Bogotá. Continuava em campo. Fez falta em Hulk na intermediária. David Luiz cobrou com força e direção: 2 a 0, Brasil. Aos 22 minutos do segundo tempo, a Seleção estava na semifinal da Copa do Mundo.

2vipcomm1 1024x681 O Brasil poderia ter goleado a Colômbia. Desperdiçou vários gols. Perdeu Thiago Silva. E, suando sangue, está na semifinal da Copa. A melhor campanha desde 2002. Agora, a Alemanha...

Os colombianos escancaram de vez seu esquema. Buscavam na base da raça mudar alguma coisa. O Brasil continuava criando chances de ampliar, o que facilitava as coisas. Havia espaço. E foi assim que o time de Pékerman conseguiu um pênalti.

Depois de ótima troca de bola na entrada da área, Bacca ficou livre diante de Júlio César. Foi derrubado pelo goleiro. James Rodríguez deslocou o goleiro: 2 a 1, aos 34 minutos.

Só aí Felipão resolveu fechar sua intermediária. Trocou Hulk por Ramires. Era preciso estabilizar o time. Paulinho cansado também saiu para a entrada de Hernanes. A pressão dos colombianos não tinha neurônios, só correria.

O que estava ruim, ficou muito pior quando Zuñiga foi maldoso. E deu uma joelhada nas costas de Neymar. Ele teve de ser substituído. Felipão colocou Henrique como terceiro zagueiro. A equipe ficou atrás dando chutões. Com muito sofrimento, eliminou os colombianos. Faz sua melhor campanha desde 2002. Está nas semifinais...
6vipcomm 1024x681 O Brasil poderia ter goleado a Colômbia. Desperdiçou vários gols. Perdeu Thiago Silva. E, suando sangue, está na semifinal da Copa. A melhor campanha desde 2002. Agora, a Alemanha...