O surreal Corinthians. Afogado em dívidas com jogadores, governo, Odebrecht. Implora por empréstimos que bancos negam. Mesmo com milhões de reais passando pela bilheteria do Itaquerão…

5ae3 O surreal Corinthians. Afogado em dívidas com jogadores, governo, Odebrecht. Implora por empréstimos que bancos negam. Mesmo com milhões de reais passando pela bilheteria do Itaquerão...
O Corinthians comemorou ontem ultrapassar a meta de 100 mil sócios-torcedores. Já alcançou 104 mil hoje. Só que não há disputa, corrida com o Palmeiras com seus 119 mil. Ou o prazer de tentar passar o Internacional, o primeiro do Brasil, com 136 mil.

A diretoria anseia que esse número aumente cada vez mais. Pelo simples fato de esse dinheiro chega limpo aos combalidos cofres corintianos. Com planos de vários preços, o cálculo básico é que cem mil sócios-torcedores pagantes rendam cerca de R$ 25 milhões por ano. R$ 5 milhões a menos que a Caixa Econômica Federal paga pelo patrocínio da camisa.

E o clube do Parque São Jorge está afogando em dívidas. Fosse a diretoria de uma empresa multinacional séria, haveria demissão em massa. O absurdo acordo para a construção do seu estádio e a péssima administração de Mario Gobbi tornaram o Corinthians inviável. Com sério risco de falência se não fosse um clube de futebol cercado de privilégios.

Executivos da área financeira acham inadmissível o acordo que Andrés Sanchez levou à frente com a Odebrecht. Houve um otimismo juvenil, injustificado, descabido. O Corinthians tenta disfarçar. Só que em agosto de 2010 comprometeu R$ 1,3 bilhão. Fez de conta que o mundo não vivia uma crise profunda.

Analisando com calma, todos os dados do acordo foram favoráveis à construtora. Ela está protegida pelo fundo que administra a dívida. No início, o BNDES financiaria R$ 400 milhões. A Prefeitura de São Paulo bancaria R$ 420 milhões em CDIs, uma generosa oferta do ex-prefeito Gilberto Kassab. Andrés ofereceu toda a arrecadação dos jogos para o pagamento da dívida. E sonhava que, em sete anos, o Corinthians pagaria tranquilamente, inclusive os juros.

Andrés foi o mais crédulo dos corintianos. Primeiro acreditou que seria fácil demais fechar a venda dos naming rights. Conseguiria, utilizando o seu poder de convencimento, fazer uma empresa colocar R$ 400 milhões para ter o direito de batizar o estádio por 20 anos. Conselheiros foram convencidos que a Emirates, empresa aérea dos Emirados Árabes, iria ser anunciada com grande festa. Isso, em 2010!

Cinco anos depois, a dura realidade. O dirigente percebeu o quanto é profunda a crise, a recessão. Viajou para os Emirados Árabes, Estados Unidos, Japão, China. Conversou com representantes coreanos. Aproveitou sua ligação com o governo federal e ofertou à Petrobrás, aos Correios, à Caixa Econômica. A resposta foi não.

O tempo passou e o nome Itaquerão se firmou. Como Maracanã, Morumbi, Pacaembu. O acordo do Palmeiras com a WTorre foi muito melhor. A construtora explora o estádio. E também os dirigentes foram muito ágeis e assim que a nova arena foi liberada para o público, já tinha a Allianz como dona dos naming rights. Especialistas em publicidade já avisaram Andrés, que a alcunha Itaquerão já virou um obstáculo intransponível, maior do que a recessão.

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Os R$ 420 milhões em CDIs ofertados por Kassab foram embargados. O Ministério Público conseguiu provar que a doação foi ilegal. O ex-prefeito não poderia dar tanto dinheiro público a um clube privado. Essa situação nunca foi sequer aventada por Andrés, o que foi um erro gravíssimo, confidenciam advogados especializados em finanças. A briga jurídica existe e pode levar anos. O prefeito Fernando Haddad lava as mãos, diz que o problema não é dele.

O deputado federal pelo PT e que domina o Corinthians também errou feio sua previsão em relação ao futuro. Ele tinha a certeza que o Brasil iria viver anos de empolgação com a conquista da Copa do Mundo. O fracasso do time de Felipão, a vergonha que o país passou, só trouxe ainda mais descrédito internacional. A queda de audiência e a péssima média de público nos estádios espantam ainda mais potenciais investidores, patrocinadores.

Um executivo que errasse tanto com o dinheiro de uma empresa já estaria demitido. Há muito tempo. Só que no Corinthians, Andrés continua ainda mais poderoso. Ainda é admirado, reverenciado. Afinal, o Corinthians ter uma arena moderna, um Centro de Treinamento de primeiro mundo para os profissionais e está construindo outro CT, agora só para a base. São poucas pessoas que analisam qual o custo de tudo isso.

Os balanços mostram que a dívida corintiana não para de crescer. Em 2012, era de R$ 177 milhões. Em 2013, atingiu R$ 194 milhões. Em 2014, pulou para R$ 314 milhões. O R$ 1,3 bilhão do estádio é uma conta à parte.

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Alguns detalhes sugestivos do balanço de 2014. Em relação à temporada de 2013, a receita do Corinthians caiu 18,29%. O endividamento e déficit operacional chegam a R$ 21 milhões, no futebol. Os empréstimos saltaram de R$ 34,82 milhões em 2013 para R$ 42,09 milhões em 2014. As dívidas com fornecedores passaram de R$ 36,22 milhões para R$ 56,93 milhões. A situação nestes cinco primeiros meses do ano só piorou.

Fisk e Car System desistiram de patrocinar a camisa corintiana. A Caixa renovou o patrocínio master e ainda paga R$ 30 milhões. Além de não dar um tostão de aumento, executivos do banco avisaram: se a economia do país não melhorar, não haverá condições políticas de seguir bancando a camisa.

A esperança é que, em 2016, a Globo passará a pagar R$ 160 milhões para transmitir seus jogos. Atualmente, banca R$ 110 milhões. Corinthians e Flamengo são os que mais recebem da televisão neste país. São os privilegiados.

Mesmo assim, o clube deve cerca de R$ 32 milhões a seus jogadores e ex-funcionários. Está tentando desesperadamente empréstimos de R$ 15 milhões junto aos bancos. A pedida era de R$ 25 milhões, passou a R$ 20 milhões. Foi baixando. BMG e Caixa Econômica recusaram. Por falta de garantias. A dívida com o estádio é brutal.

Há uma parte da diretoria que tenta convencer Andrés a tentar o impossível. Ou seja pedir ao fundo que administra a arrecadação do Itaquerão uma parte da arrecadação. Esse dinheiro seria pago no futuro. Porque o que acontece no Corinthians é surreal.

Só no Brasileiro de 2014, o Corinthians arrecadou R$ 32 milhões com o estádio. No Paulista de 2015, mais R$ 15,6 milhões. Na Libertadores até agora, contra o São Paulo, a renda: R$ 3,5 milhões. Diante do Danúbio, R$ 3,2 milhões. E diante do San Lorenzo, R$ 3,3 milhões. Ou seja, cerca de R$ 10 milhões. Já passaram pelas bilheterias do Itaquerão, R$ 57,6 milhões. Ainda há, no mínimo, a partida de volta contra o Guarani do Paraguai, pelas oitavas de final. A previsão é de, no mínimo, R$ 4 milhões. E todo os jogos Brasileiro, da Copa do Brasil...

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Os jogadores sabem que todo esse dinheiro circula pelo clube. E não se conformam com os atrasos em direito de imagem, salários. Guerrero, por exemplo, tem R$ 2 milhões para receber e discute sua reforma de contrato há oito meses. Ele e seus agentes sabem que jogadores reservas como Cristian e Vagner Love fecharam excelentes contratos. Mesmo com toda essa crise.

O volante receberá por três anos, R$ 21,5 milhões. Só de salários: R$ 300 mil em 2015, R$ 350 mil em 2016, R$ 400 mil em 2017. Mais R$ 7,5 milhões de direito de imagem. O que, com 13º e outros direitos, somam fabulosos R$ 538 mil mensais, em média, até 2017. No mês que vem, ele completará 32 anos. Vagner Love acertou contrato por um ano e meio. Recebe R$ 500 mil mensais. Em junho, o atacante reserva completará 31 anos.

A folha salarial corintiana bate nos R$ 9 milhões a cada 30 dias. É uma das maiores neste país.

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Os erros administrativos foram imensos no Corinthians. Nenhuma diretoria de uma empresa seria mantida com essa gestão caótica. Com tanta falta de visão global. Mas no futebol brasileiro, com o país mergulhado na recessão, tudo pode. Os dirigentes são intocáveis.

As esperanças para o sufoco corintiano passar. O clube vencer a Libertadores. Com o título atrair mais patrocínios, até agora ninguém se interessou pelos calções e omoplatas no uniforme. A conquista valorizar seus atletas. Gil e Ralf devem ser vendidos na próxima janela. Vendas de camarotes e cativas do estádio, o dinheiro fica no clube. E torcer para o número de sócios-torcedores dispare. Tudo isso está amarrado à conquista do torneio sul-americano.

No fundo, ninguém na diretoria acredita no sonho maior. Que o fundo que administra a bilionária dívida com o Itaquerão aceite repassar parte da milionária arrecadação do estádio. Pelo contrário, a Odebrecht quer seu dinheiro o mais rápido possível.

Fora tudo isso, não custa lembrar. Andrés Sanchez optou por não pagar Imposto de Renda do clube quando era presidente. A dívida era de R$ 35,8 milhões. Ele e mais quatro dirigentes foram acusados pela Receita Federal de calote. A saída foi um acordo que custará R$ 188,1 milhões aos cofres corintianos até o final de 2018. Ou seja, uma diferença de R$ 152,3 milhões a mais.

A justificativa do homem que manda no Corinthians foi uma aula como se administra um clube no Brasil.

"Ou se paga salário, acordo trabalhista, ou... E infelizmente não conseguimos pagar todos os impostos. Quando fui presidente eu tive de fazer opções. Fiz opções que, para mim, foram corretas. Eu acertei todos os salários do clube. Acertei tudo. O clube fez um acordo sobre o imposto e está pagando."

As previsões para este ano estão se tornando realidade. A recessão o fracasso da Copa só tornam o que já ruim, muito pior. 2014 já foi o ano mais deficitário da história dos clubes neste país. 2015 está se mostrando assustador.

Caso fosse uma empresa, com as contas se acumulando, o Corinthians poderia estar fechado, falido. Se estivesse no cargo de executivo maior, o CEO de uma multinacional, o que aconteceria com Andrés? No endividado Parque São Jorge, o deputado federal está cada dia mais poderoso...
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David Luiz é o jogador mais questionado na convocação de Dunga para a Copa América. As redes sociais, que o idolatraram há um ano, hoje rejeitam o zagueiro mais caro de todos os tempos…

1ap1 David Luiz é o jogador mais questionado na convocação de Dunga para a Copa América. As redes sociais, que o idolatraram há um ano, hoje rejeitam o zagueiro mais caro de todos os tempos...
A grande surpresa da convocação de Dunga para a Copa América deveria ser a ausência de Oscar. Robinho, que não chegará à Copa de 2018, também poderia chamar a atenção. O esquecimento de Ricardo Goulart. Ou até a lembrança de Casemiro. Só que não é nenhuma delas que despertou uma reação imediata nas redes sociais. A revolta de inúmeros brasileiros atinge quem estava perto de ser unanimidade na Copa de 2014: David Luiz.

A rejeição à chamada do zagueiro do Paris Saint-Germain impressiona. O tom de internautas, principalmente no twitter, é de descrédito. Em menos de um ano, seu mundo caiu.

No dia 23 de maio de 2014 foi anunciada a sua compra pelo time francês. O Chelsea exigiu e conseguiu R$ 185,6 milhões pelo brasileiro. Se tornou o zagueiro mais caro de toda a história do futebol mundial.

Inteligente, bem falante, carismático, atraiu empresas dispostas a apostar em um garoto propaganda para a Copa do Mundo no Brasil. E que não fosse o óbvio e pouco desenvolto Neymar.

DirecTV, Vivo, Seguros Unimed, Gatorade, Pepsi, TAM, Nike e Itaú fizeram fila para acertar suas publicidades com o jogador. O Brasil se viu invadido pela figura sorridente com cabeleira desgrenhada.

Luiz Felipe Scolari teve várias conversas com ele. E deu ao zagueiro autonomia para se comportar como capitão do time. Ir além do discreto Thiago Silva, seu companheiro de PSG. Pessoas ligadas ao ex-treinador da Seleção garantem que ele se arrependeu. Se pudesse teria feito a troca do dono tarja de capitão.

2ap David Luiz é o jogador mais questionado na convocação de Dunga para a Copa América. As redes sociais, que o idolatraram há um ano, hoje rejeitam o zagueiro mais caro de todos os tempos...

David Luiz também percebeu a força das redes sociais. E suas selfies com a língua de fora dominavam os celulares, computadores do país. Veio a Copa do Mundo. Ele fazendo questão de mostrar raça, determinação e agindo com autonomia para pressionar adversários, árbitros e incentivar time, torcida. Foi o capitão de fato durante a competição.

Veio a decisão por pênaltis contra o Chile. E Thiago Silva mostrou todo o seu trauma, sua insegurança, se recusando não só a cobrar qualquer penalidade como conversar com o time na hora da disputa. Depois, veio jogo diante da Colômbia e o cartão amarelo infantil, desnecessário. E a suspensão contra a Alemanha.

Na fatídica semifinal no Mineirão, a tarja de capitão foi parar no braço de David Luiz. Foi ideia dele levar a camisa de Neymar e colocá-la diante dos torcedores na hora do hino nacional. O atacante estava contundido, não jogaria o resto da Copa.

Veio a partida e começaria não só a desgraça daquela seleção, mas dele próprio. O Brasil foi goleado pelos alemães. David Luiz teve um comportamento que mereceu todas as críticas. Como os germânicos logo abriram vantagem, ele abandonou sua posição. E, sem ordem de Felipão, ou treinamento, tentou atuar como segundo volante. Ajudando o meio de campo brasileiro. Ofensivamente.

Vale a pena para quem tiver disposição e sangue frio, observar a atuação de David Luiz. Ele deixou um enorme buraco. Sobrecarregou a defesa, no seu desespero patriótico, e nada acrescentou no ataque. Tem sérios pecados táticos naquela partida histórica.

Depois do 7 a 1 confirmado, chorando muito, David Luiz pediu desculpas aos torcedores brasileiros. Seus olhos marejados davam a ideia de quanto se sentia culpado. Não tinha a tranquilidade sequer para entender que a vontade exagerada, a disparada para o ataque só tinha comprometido o mal treinado time de Felipão.

1reproducao8 David Luiz é o jogador mais questionado na convocação de Dunga para a Copa América. As redes sociais, que o idolatraram há um ano, hoje rejeitam o zagueiro mais caro de todos os tempos...

Em Brasília, na disputa do terceiro lugar, formou outra vez dupla com Thiago Silva, o capitão. Novo vexame. Derrota por 3 a 0, com os holandeses desperdiçando chance de golear. Novamente os zagueiros foram mal. Principalmente David Luiz. Outra vez ele abandonou várias vezes sua área.

Quando Dunga substituiu Felipão, logo de cara, na primeira convocação, convocou David Luiz. Deixou de lado Thiago Silva, que com ele é reserva. O treinador fez questão de conversar com o zagueiro que era adorado nas redes sociais durante a Copa. Pediu um comportamento mais frio, mais interno. Nada de extrapolar. Nem nas selfies muito menos dentro do campo. Sua ordem é de manter a posição, aconteça o que aconteça.

Neymar é o capitão simbólico de Dunga. Como a Argentina faz com Messi. Para que os árbitros tenham mais respeito e rigidez com as faltas que sofrerem. David Luiz tem o direito de falar, mas não de ir além dos outros companheiros. Não tem o direito dos exageros de Felipão.

Foi incrível a sua perda de prestígio. Tanto entre os brasileiros como internacionalmente. Não formou com Thiago Silva a dupla dos sonhos que muitos apostavam. Principalmente os franceses. Essa descrença piorou demais na primeira partida das quartas-de-final entre PSG e Barcelona.

Em plena Paris, o uruguaio Suárez passou duas vezes com a bola embaixo das pernas do brasileiro. E marcou dois gols que implodiram o rival. 3 a 1 para os catalães no jogo de ida. David Luiz foi massacrado pelo mundo todo. Sua mãe comprou briga nas redes sociais tentando defender o filho.

1agenciacorinthians David Luiz é o jogador mais questionado na convocação de Dunga para a Copa América. As redes sociais, que o idolatraram há um ano, hoje rejeitam o zagueiro mais caro de todos os tempos...

A partida foi há 20 dias. Está ainda na retina dos torcedores. Assim como as trágicas atuações contra a Alemanha e Holanda. Por isso a revolta contra sua convocação hoje para disputar a Copa América. Suprema ironia. As redes sociais que o endeusaram há um ano, hoje o crucificam.

Dunga sabe que terá nas mão um atleta duplamente traumatizado. E questionado. Tanto pela Copa do Mundo como por sua atual fase no PSG. Muitos internautas lembram que com sua chamada, Gil do Corinthians acabou injustiçado.

A sorte do zagueiro mais caro da história é que Dunga sempre foi teimoso. Vai defendê-lo a todo custo. Sabe que a pressão será enorme. Ainda mais com o Brasil disputando a Copa América com a obrigação de vencer. Tanto que o técnico não quis esperar pela recuperação de Oscar. Apostou no veterano Robinho, mesmo sabendo que não alcançará a Copa de 2018.

Dunga sabe que o Brasil será até mais cobrado do que o Chile, promotor do torneio. Por causa da vergonha da Copa do Mundo em 2014. Ele precisará de jogadores firmes, preparados. Não só fisicamente. Mas psicologicamente. A competição será um teste de fogo para David Luiz.

Acabou o massacrante apoio. As agências de publicidade o evitam. Os torcedores desconfiam. Assim como a imprensa. Muitos questionam a sua presença. Mas Dunga comprou a briga.

David Luiz tem 7.368.770 seguidores no Istagram. São 26.211.540 'likes' no Facebook. No twitter, 6.716.027 seguem suas mensagens, fotos. Essa legião espalhada pelo mundo sabe. O jogador que admiram passa pelo pior momento na carreira. Nunca foi tão questionado. A resposta, se merece ainda tanta confiança, será dada na Copa América...

As lágrimas e o funk de Thiago Leifert não mudam a postura da Globo. O Santos, campeão paulista, continuará sendo a última opção, o derrubador de Ibope. A prioridade é, e sempre será, o Corinthians…

1reproducao7 As lágrimas e o funk de Thiago Leifert não mudam a postura da Globo. O Santos, campeão paulista, continuará sendo a última opção, o derrubador de Ibope. A prioridade é, e sempre será, o Corinthians...
"Alô torcida do meu Peixe
Já cansada de vencer
Se liga aqui na Globo
Que tem filme pra você

O roteiro é repetido
No final o Santos ganha
O herói é o Robinho, não é o Homem-Aranha

Salve professor Marcelo
Esse cara é daora
Deve tá na coletiva, agradecendo até agora
Parabéns para o Valdivia
Jogador sensacional
Mas não o do Palmeiras , o do Internacional

Sou MC Leifinho, sou moleque rimador
Deu a louca no Dudu, ele bateu no professor
É o novo Edmundo, craque da camisa 7
Vai tomar um gancho até 2017

O que falar do Lucas Lima
Meia habilidoso
Mas bonito que o Beckham e muito mais estiloso
Tem Ricardo Oliveira, o craque do campeonato
Meteu 11 caixas e ganhou novo contrato

E o goleiro Vladimir
Que entrou numa fogueira
Ele pegou o fogo e acendeu a churrasqueira
Agora é só comemorar, mas antes tenho um recado

Só um pensamento para a gente ficar focado
Alô alô diretoria, não esquece do dinheiro
Nós já 'ganhô' o Paulista e quer ganhar o Brasileiro"

Ao lado de Vladimir, David Brás, Gabigol e Werley, o apresentador Tiago Leifert cantou o funk que 'compôs' em homenagem à conquista do Campeonato Paulista pelo Santos de 2015. O estranho era que ele precisava ler a letra da canção que havia escrito.

2reproducao2 As lágrimas e o funk de Thiago Leifert não mudam a postura da Globo. O Santos, campeão paulista, continuará sendo a última opção, o derrubador de Ibope. A prioridade é, e sempre será, o Corinthians...

Depois de mostrar seus dons musicais ainda chorou ao ver a edição de imagens do time de Robinho. Tudo isso na edição de ontem do Globo Esporte voltado para São Paulo.

Cantar e derramar lágrimas na tevê não são novidades para Tiago. já havia cantado Beyoncé e chorado ao anunciar a vitória da dupla Danilo e Rafael no programa The Voice. Bom apresentador, dança, gargalha, rebola, canta ou chora. Faz o que a emissora necessitar.

Por trás da singela homenagem à torcida santista, não havia um pingo de espontaneidade. Tudo foi artificialmente criado. A situação exigira. A TV Globo nunca escondeu a preferência por mostrar os jogos do Corinthians. Assumida até em palestra pelo próprio Tiago Leifert.

O Corinthians recebe muito mais da emissora carioca nos torneios que ela transmite. Por despertar a atenção de mais telespectadores. São Paulo vem logo atrás. Por último entre os grandes paulistas figuram os 'derrubadores de Ibope', o Palmeiras. E, principalmente, o Santos.

A Globo sempre fez o possível para fugir do clube da Vila Belmiro. Principalmente depois que vendeu Neymar. Neste ano ficou mais evidenciado. A dona do monopólio do futebol neste país só havia mostrado uma partida do Santos antes da decisão. Preferiu mostrar um filme repetido do Homem-Aranha em pleno horário nobre das 16 horas do domingo, nas quartas de final, contra o XV de Piracicaba. O jogo valia a classificação para a semifinal do Paulista.

E a semifinal, contra o São Paulo, também não interessou. A emissora preferiu Corinthians e Palmeiras.

A reação da torcida santista foi violenta. Além de uma campanha nunca vista na Internet, resolveu protestar de verdade. As organizadas imploraram para a diretoria repetir o que fez o Vasco em 2000, na final da Copa João Havelange. E colocar como patrocinador o logotipo de emissoras concorrentes. Record ou SBT. Modesto Roma Júnior não quis comprar a briga. Não teve a coragem de Eurico Miranda.

Mas os torcedores seguiram na sua vingança. Além de cartazes e gritos contra a emissora carioca, passaram a extrapolar. Xingar e ameaçar os profissionais da Globo. Havia a recomendação da próprias diretoria santista que os veículos com equipamentos não tivessem os logotipos globais de identificação.

2reproducao3 As lágrimas e o funk de Thiago Leifert não mudam a postura da Globo. O Santos, campeão paulista, continuará sendo a última opção, o derrubador de Ibope. A prioridade é, e sempre será, o Corinthians...

Durante a transmissão da decisão de domingo, a Globo abaixou ao máximo o som ambiente. E aumentou a voz de Cleber Machado. Para não vazar o coro dos santistas "Chupa Rede Globo, é o meu Santos campeão de novo". Os gritos aconteceram antes, durante e, principalmente, depois da conquista do título.

A raiva dos santistas só aumentou com a vitória nos pênaltis. Mal a taça foi levantada, a transmissão foi cortada. Não houve mais entrevistas. O torcedor que desfrutava a vitória pela emissora logo teve de ver o rosto gordo de Fausto Silva. O motivo: a transmissão outra vez era frustrante.

A transmissão da final do Paulista no domingo foi mais uma vez frustrante. Apenas 24 pontos. O primeiro jogo entre Palmeiras e Santos havia estacionado em 21 pontos. A semifinal entre Corinthians e Palmeiras deu 25 pontos. O que só prova a tese de executivos globais. Não vale a pena nem pensar em priorizar jogos do Santos.

Nada do que aconteceu ontem no Globo Esporte foi espontâneo. Por contrato, a Federação Paulista obriga o clube campeão paulista a colocar jogadores à disposição da emissora carioca no dia seguinte à decisão do título estadual.

Tiago Leifert colocou seu carisma como apresentador à disposição para o que seus patrões precisavam. Havia a necessidade de tentar reaproximar a torcida santista. Até por uma questão de segurança dos profissionais que cobrem o clube. E estavam sendo ameaçados.

Não é por acaso que Leifert é cotado para substituir no futuro, Fausto Silva. Filho do advogado e diretor de Relações da Globo com o Mercado, presidente do Conar, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. Formando em jornalismo e Psicologia em Miami, Tiago teve respaldo para assumir o projeto de mudança de linguagem nos programas esportivos da emissora. A liberdade foi dada porque estavam perdendo para a exibição do desenho Pica Pau. A determinação foi infantilizar, brincar, ironizar, não levar o futebol 'tão a sério'. Deixar de lado a informação. Priorizar o lado pitoresco do jogo. Para as imagens conseguirem segurar o público adolescente, alvo da emissora na hora do almoço.

4reproducaoglobo As lágrimas e o funk de Thiago Leifert não mudam a postura da Globo. O Santos, campeão paulista, continuará sendo a última opção, o derrubador de Ibope. A prioridade é, e sempre será, o Corinthians...

Pode ter tido o respaldo do pai para se lançar. Mas Tiago é muito talentoso como apresentador. Inteligente sabe misturar o que aprendeu no jornalismo e na psicologia para envolver o telespectador. Como deu uma lição ontem. Cantando e chorando ao vivo. Quem não conhecesse sua paixão pelo clube do coração, juraria que ele é santista.

O que aconteceu ontem foi uma situação isolada. O herói da TV Globo não é Robinho. Se o Santos jogar com um adversário fraco, continuará sendo o Homem-Aranha. Isso poderá ser facilmente conferido no Brasileiro que começará no domingo. Lembrando que a tabela do Campeonato Nacional é feita pela CBF em conjunto com a Globo.

O Santos, campeão paulista, time que deu orgulho e arrancou lágrimas de Tiago Leifert, jogará contra o Avaí, em Santa Catarina. E com todos os titulares. Mas acontece que o Corinthians enfrentará o Cruzeiro na Arena Pantanal, em Cuiabá. Pouco importa se os dois clubes estão envolvidos com a Libertadores. E deverão entrar com equipes mistas. Esse será o jogo que a Globo mostrará para São Paulo, às 16 horas.

O time santista, amado por Leifert, entrará em campo às 18h30. Só quem tem dinheiro para pagar tevê a cabo poderá assistir.

Há três anos, Tiago foi dar uma palestra na faculdade Uninove. E falou claramente sobre a preferência da emissora pelo Corinthians. Por causa da audiência. Foi tão sincero quanto ingênuo. Foi 'aconselhado' a nunca mais tocar no tema publicamente.

Essa é a situação. Nem a atuação teatral magistral de Tiago Leifert conseguirá disfarçar. O Santos continuará sendo tratado como o 'derrubador maior de Ibope da Globo'. A prioridade seguirá sendo Corinthians, Corinthians e mais Corinthians. Quando não houver como, o São Paulo será mostrado. Depois, o Palmeiras. E por, último, o time de Robinho.

Funks ou lágrimas de 'Thiago Leifert' não mudarão essa situação...

A agressão de Dudu ao árbitro poderia ser evitada. O jogador de R$ 19 milhões estava desequilibrado psicologicamente. O principal atacante do Palmeiras pode ficar seis meses suspenso. O título foi perdido. A conta chegou…

1ae4 A agressão de Dudu ao árbitro poderia ser evitada. O jogador de R$ 19 milhões estava desequilibrado psicologicamente. O principal atacante do Palmeiras pode ficar seis meses suspenso.  O título foi perdido. A conta chegou...
"APÓS TER SOFRIDO UM TRANCO DO SEU ADVERSÁRIO, SR. GEUVANIO SANTOS SILVA, N. 11, ATINGIU COM O ANTE BRAÇO AS COSTAS DO MESMO, QUANDO A PARTIDA SE ENCONTRAVA PARALISADA, SENDO EXPULSO DE IMEDIATO.

ATO CONTÍNUO PARTIU EM MINHA DIREÇÃO, E DESFERIU UM GOLPE DE FORMA INTENCIONAL COM SEU ANTE BRAÇO ATINGINDO AS MINHAS COSTAS, PROFERINDO AS SEGUINTES PALAVRAS: – '' VOCÊ É UM SAFADO, SEM VERGONHA, VEIO AQUI ROUBAR A GENTE, SEU FILHO DA PUTA, MAU CARÁTER, LADRÃO'', TENDO QUE SER CONTIDO PELOS SEUS COMPANHEIROS.(VERMELHO DIRETO)."

Com letras maiúsculas, Guilherme Ceretta de Lima, colocou na súmula todos os palavrões que ouviu. E foi além. Não fez como Raphael Claus que fez um adendo à sua súmula, por causa de Petros. Ou Leandro Bizzio Marinho que, apesar de ter caído no chão, não relatou o empurrão de Guerrero.

Ceretta colocou de maneira cristalina. Na sua análise, que é fundamental para um futuro julgamento, Dudu o agrediu. De forma intencional. Pelas costas. O jogador deve ser julgado pelo artigo 254-A do CBJD, agressão a árbitro, com pena mínima de seis meses. O departamento jurídico do Palmeiras se articula para repetir o caminho que o Corinthians fez com Petros. Tentar encaixar a situação no artigo 258, assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada. E assim, fazer com que possa pegar, no máximo, seis jogos.

1 A agressão de Dudu ao árbitro poderia ser evitada. O jogador de R$ 19 milhões estava desequilibrado psicologicamente. O principal atacante do Palmeiras pode ficar seis meses suspenso.  O título foi perdido. A conta chegou...

Conselheiros palmeirense com influência no departamento de futebol criticam. O que aconteceu ontem poderia ser evitado. Bastaria Oswaldo de Oliveira ter tido o mínimo de cuidado, atenção à personalidade de Dudu. O jogador de 23 anos dava demonstrações de que estava para explodir.

A pressão foi grande demais para a contratação mais cara do futebol brasileiro em 2015. O Dínamo de Kiev havia pago ao Cruzeiro R$ 17 milhões pelo atacante. Não se adaptou ao frio e ao truculento futebol ucraniano. Acabou sendo emprestado para o Grêmio. Lá mostrou seu futebol veloz, irreverente, ágil. Nunca foi artilheiro. Mas especialista em assistências.

Luiz Felipe Scolari implorou para a direção gremista contratá-lo em definitivo. Mas não havia dinheiro. As direções de Corinthians e São Paulo se assanharam ao saber que seria devolvido ao Dínamo. Trabalharam em duas frentes. Os corintianos fecharam com o jogador e seus empresários. Os são paulinos com o clube ucraniano.

Diante do impasse, o executivo de futebol do Palmeiras, Alexandre Mattos, sabia que os rivais ofereciam no máximo a compra de 50% de seus direitos. Falou com Paulo Nobre e o clube surpreendeu a todos, comprando 100% e oferecendo contrato de quatro anos. Os salários, R$ 350 mil. Sem produtividade. Apenas bônus especiais em títulos, classificação para a Libertadores.

Jornalistas divulgaram a expressão que os torcedores palmeirenses usaram nas redes sociais: 'chapéu'. O Palmeiras teria dado o mais humilhante dos dribles nos bastidores. Tanto no Corinthians, como no São Paulo. A loja oficial que vende material do clube humilhou os concorrentes. Colocou um chapéu de palha no manequim com a camisa de Dudu.

2reproducao1 A agressão de Dudu ao árbitro poderia ser evitada. O jogador de R$ 19 milhões estava desequilibrado psicologicamente. O principal atacante do Palmeiras pode ficar seis meses suspenso.  O título foi perdido. A conta chegou...

O atacante caiu na tentação de prometer na sua entrevista de apresentação. Se marcasse um gol contra o São Paulo ou o Corinthians iria comemorar. Fazendo de conta que tirava um chapéu da cabeça, seguindo a ironia que os torcedores tanto adoraram no início do ano.

Paulo Nobre reservou ao jogador a camisa que considera mais especial. A de número 7. E disse a conselheiros que ele seria a reencarnação de Edmundo. Tinha potencial comparável a um dos maiores ídolos da história moderna palmeirense.

Todos só se preocuparam com o aspecto técnico. É estranho. Bastaria Alexandre Mattos conversar com seus muitos amigos no Cruzeiro. Dudu sempre foi um jogador temperamental, explosivo. Apareceu com uma grande esperança. Teve oportunidades no time principal com apenas 17 anos. Mas se desentendeu com o técnico Adilson Batista, que recomendou sua saída. Para aprender a valorizar o clube mineiro. O jovem atacante não aceitava mais a reserva.

1reproducao6 A agressão de Dudu ao árbitro poderia ser evitada. O jogador de R$ 19 milhões estava desequilibrado psicologicamente. O principal atacante do Palmeiras pode ficar seis meses suspenso.  O título foi perdido. A conta chegou...

Foi para o Coritiba em 2010. Ney Franco o conhecia bem e o chamou para disputar o Mundial sub 20 na Colômbia. Dudu se destacou e foi vendido ao Dínamo. Era uma grande aposta. Mas frustrou os ucranianos. Não só pelo futebol. Mas por sua personalidade irritadiça.

Em janeiro de 2013, ele foi detido, na Delegacia da Mulher, em Goiânia. Acusado de agredir a esposa e a sogra. A esposa declarou que Dudu a teria agarrado pelos cabelos e dados socos na sua cabeça. Sua mãe, ao tentar defendê-la, também sofreu agressões e acabou com escoriações pelo corpo. O jogador pagou a fiança de R$ 12 mil, foi solto. As acusações foram retiradas. Em nota oficial, o atacante garantiu ter sido um 'mal entendido'. Ele não comenta sobre o caso.

Nos jogos e treinos pelo Palmeiras, Dudu é muito irreverente. Gosta de provocar os adversários. Mas se irrita muito fácil quando é provocado, ao ser desafiado, ao tomar um entrada mais dura. Emocionalmente sempre foi inconstante. No Cruzeiro, Coritiba, Dínamo, Grêmio. Resolver essa questão nunca foi prioridade. O que importava era o que fazia com a bola nos pés.

Na primeira partida contra o Santos, fez questão de bater o pênalti sofrido por Leandro Pereira. O Palmeiras vencia por 1 a 0. Se o time abrisse dois gols de vantagem, seria muito complicado para o Santos reverter na Vila Belmiro. Ele já havia desperdiçado uma cobrança contra o Penapolense.

Leandro Pereira cobra muito bem. Mas nem tentou ir para a bola. Deixou que Dudu fizesse o que desejava. Correu, fez pose e bateu forte, alto. A bola bateu no travessão e foi para fora. Foi exatamente o que fez no estádio palmeirense.

Ricardo Oliveira aproveitou sua experiência e gritou no ouvido do atacante. O xingou, o humilhou. Queria e conseguiu abalá-lo emocionalmente. O jogador não rendeu nada no restante da partida. Passou a semana fugindo das entrevistas por ter desperdiçado o pênalti, nervoso. Irritadiço. Foi assim que entrou para o jogo ontem na Vila Belmiro. A torcida santista o xingou, provocou. Os adversários também. Todos sabem de sua fama de temperamental.

4ae A agressão de Dudu ao árbitro poderia ser evitada. O jogador de R$ 19 milhões estava desequilibrado psicologicamente. O principal atacante do Palmeiras pode ficar seis meses suspenso.  O título foi perdido. A conta chegou...

Já havia tomado cartão amarelo aos quatro minutos por fazer uma 'cama de gato' em Valência. O que apenas o deixou mais tenso. Ele era o atacante mais agudo palmeirense. O desafogo de Oswaldo, que colocou o time muito atrás. Sem companhia para tentar furar a defesa santista, Dudu estava muito nervoso. O treinador palmeirense não enxergava.

Até que veio a falta pela lateral esquerda para o Palmeiras. Geuvânio o estava marcando. Os dois bem à frente de Guilherme Ceretta de Lima. O árbitro poderia advertir os dois verbalmente. Se mostrasse o amarelo, teria de expulsar apenas o palmeirense. Optou pelo vermelho aos dois.

Dudu viu seu mundo desabar. O homem do chapéu não poderia se recuperar do pênalti desperdiçado. Sabia que, se o Palmeiras perdesse o título, seria um dos maiores culpados. E tratou de mostrar sua ira em cima do juiz. O xingou e claramente o empurrou pelas costas. E depois, desabou, chorou como uma criança perdida, sem os pais, em um supermercado.

O lado psicológico de Dudu o traiu. Se houver o mínimo de justiça no seu julgamento será seriamente punido. Se prevalecer a hipocrisia, como no julgamento de Petros, escapará quase ileso.

A conclusão do episódio é clara. O futebol precisa de vez se livrar do preconceito em relação ao trabalho psicológico. Na NBA, no futebol americano, no basebol, nas artes marciais, a figura do psicólogo é corriqueira. Mas no futebol, principalmente o brasileiro, não.

Dudu estava precisando de ajuda. Carregou um peso desnecessário durante toda a semana passada. Foi uma infelicidade perder o pênalti. Por isso entrou para a decisão desesperado para 'dar a volta por cima'. Resultado, só se complicou. Atrapalhou ainda mais o Palmeiras.

O experiente, vivido, Oswaldo de Oliveira precisa ser cobrado. Sem esse trabalho de psicologia, caberia ao treinador orientar Dudu. Ele sabe que tem nas mãos um jogador de gênio explosivo, tenso. Bastaria um mínimo de pesquisa, consciência, interesse.

 A agressão de Dudu ao árbitro poderia ser evitada. O jogador de R$ 19 milhões estava desequilibrado psicologicamente. O principal atacante do Palmeiras pode ficar seis meses suspenso.  O título foi perdido. A conta chegou...

O Palmeiras perdeu o título paulista. Por sorte, os julgamentos esportivos neste país costumam analisar o peso da camisa do acusado. Sendo assim, o fundamental é tratar de recuperar, não crucificar Dudu. Foram R$ 19 milhões. Agir profissionalmente. O obrigar a frequentar um psicólogo. Romper a barreira do preconceito.

Na Seleção Brasileira que iria disputar a Copa de 2014, Regina Brandão fez um trabalho apenas superficial. Só traçou o perfil dos jogadores para Felipão. Ela queria ter acompanhado os jogadores, feito sessões de análises individuais. Antes e principalmente durante a competição. Mas não pôde.

Neymar deu o tom do que os jogadores deste país pensam do trabalho psicológico.

"Não preciso de psicólogo. Não sou louco..."

Veio a Copa. As lágrimas no hino nacional, o desespero na disputa dos pênaltis, Thiago Silva o capitão do time se negando a cobrar, o medo do time sem Neymar, contundido. O 7 a 1 para a Alemanha, com os reservas tentando orientar os jogadores em campo. Felipão sentado sem reação. Será que ninguém precisava de psicólogo?

O desprezo do Palmeiras com a preparação de Dudu, o jogador mais caro de 2015 neste país, só mostra que nada mudou. A vergonha que o Brasil passou na Copa do Mundo de 2014 foi à toa...
2ae1 A agressão de Dudu ao árbitro poderia ser evitada. O jogador de R$ 19 milhões estava desequilibrado psicologicamente. O principal atacante do Palmeiras pode ficar seis meses suspenso.  O título foi perdido. A conta chegou...

O desacreditado Santos perdeu dinheiro. Mas, fez da sua velha e ultrapassada Vila Belmiro, o caldeirão que precisava. Derrotou o rico Palmeiras. E, com toda a justiça, é o campeão paulista de 2015.

1reproducao5 O desacreditado Santos perdeu dinheiro. Mas, fez da sua velha e ultrapassada Vila Belmiro, o caldeirão que precisava. Derrotou o rico Palmeiras. E, com toda a justiça, é o campeão paulista de 2015.
O endividado Santos perdeu mais dinheiro. Mas não importou. Os jogadores estavam mais do que certos ao pedir para a diretoria. Valeu a pena decidir o Paulista na Vila Belmiro e não no Pacaembu. A comunhão entre o time e seus apaixonados torcedores foi fundamental. O acanhado e ultrapassado estádio se transformou em um caldeirão.

Com o ápice da emoção no intervalo, com os atletas santistas não indo para o vestiário. Ficando no gramado, para não perder a vibração que vinha das arquibancadas. Foi assim que o conseguiu reverter a vantagem do Palmeiras. Em uma partida com o nervos à flor da pele, com direito a três expulsos, Dudu, Geuvânio e Victor Ramos, vitória por 2 a 1. E nas penalidades, o título veio: 4 a 2. O desacreditado Santos conquistou, com todos os méritos, o Campeonato Paulista de 2015.

"Voltar após cinco anos, esquecido nos Emirados Árabes, honrar essa camisa, sentir essa emoção, ser artilheiro, campeão, não poderia ser melhor", desabafava Ricardo Oliveira. O jogador santista tinha um prazer especial e secreto na comemoração do título. Antes de voltar ao Santos, ele foi oferecido ao Palmeiras, mas Oswaldo de Oliveira preferiu Rafael Marques.

O veterano atacante de 34 anos acabou acertando um contrato de risco com o Santos. R$ 50 mil mensais enquanto o Campeonato Paulista durasse. Ele veio na contramão de atletas importantes que o clube perdeu. Como Leandro Damião, Arouca e Aranha que entraram na justiça para se livrar dos atrasos de pagamentos e de direito de imagem. Edu Dracena acertou amigavelmente sua saída.

1ae3 O desacreditado Santos perdeu dinheiro. Mas, fez da sua velha e ultrapassada Vila Belmiro, o caldeirão que precisava. Derrotou o rico Palmeiras. E, com toda a justiça, é o campeão paulista de 2015.

O novo presidente Modesto Roma Júnior ficou com um elenco desacreditado. Mas veteranas estrelas como Robinho, Elano, Renato e Ricardo Oliveira se juntaram a jovens jogadores como Geuvânio, Vladimir e Gustavo Henrique com promissores como Lucas Lima. E superaram todas as expectativas.

A superação não poderia ser contra um adversário melhor. O rico Palmeiras, presidido pelo bilionário Paulo Nobre. Ele autorizou seu executivo Alexandre Mattos a investir até mais não poder. Foram 21 novas contratações para montar uma nova equipe, da altura da excelente arena. Só do Santos ficou com Arouca e Aranha.

Muita gente questionou quando os jogadores do Santos comemoraram a derrota por 1 a 0 no domingo passado diante do Palmeiras. Não teria cabimento. Mas na verdade, todos saíram do estádio palmeirense certos de que reverteriam a vantagem na Vila Belmiro. Modesto Roma sugeriu que a partida decisiva seria no Pacaembu. Mas o capitão Robinho tinha conversado com seu time. Sabia que seus companheiros exigiam o clássico no acanhado e ultrapassado estádio, no Litoral. O pedido foi feito ao presidente e mudou a história da decisão.

A covardia tática de Oswaldo de Oliveira. O treinador palmeirense fez por onde receber o título de gosto duvidoso de bi vice campeão paulista. No ano passado, comandando o Santos, perdeu a decisão para o Ituano. Neste ano, fez tudo errado no jogo de hoje. Embora sofresse com a falta de entrosamento, seu time tinha condições de encarar, atuar no mínimo de igual para igual com o adversário.

Oswaldo parece ter sofrido um ataque crônico de amnésia. Colocou o Palmeiras todo atrás, na intermediária. Deixou na frente o pouco habilidoso Leandro Pereira e o nervoso Dudu. O atacante estava uma pilha de nervos. Durante toda a semana ele foi muito criticado. Desperdiçou o pênalti no domingo que poderia ter dado tranquilidade, paz de espírito e aberto uma grande vantagem de 2 a 0 no primeiro confronto. Fez pose diante de Vladimir e bateu forte demais a bola bateu na trave e foi para fora. Por isso o placar ficou mínimo, apenas 1 a 0. Daí a comemoração dos santistas.

Marcelo Fernandes foi seu auxiliar no próprio Santos em 2014. Viu de perto os erros de Oswaldo contra o Ituano. E tratou de montar a equipe com coragem, buscando o resultado. Assumindo a Vila Belmiro como sua casa. E montou um 4-3-3 verdadeiro. Tendo em Robinho seu grande maestro, o jogador de desequilíbrio na frente. Bem ao contrário do omisso Valdivia, do lado verde.

O Santos sempre foi mais inteiro na frente. Pressionava, mas padecia do nervosismo e da afobação de Geuvânio. Ele sentiu muito a decisão. A partida estava muito tensa e o árbitro Guilherme Cereta de Lima piorou o clima. Deixou os jogadores dos dois lados ainda mais irritados. Para mostrar autoridade, abusou dos cartões.

Aos 16 minutos do primeiro tempo já havia dado cartões amarelos a Dudu, Valdivia e Valencia.

A vontade do Santos em busca do gol foi premiada com um lance tosco. Bobeada da zaga palmeirense. Valencia deu balão para a área adversária. Valdivia, que estava marcando Robinho, quis deixar o habilidoso jogador impedido. Mas demorou para sair. Quando a bola bola chegou no santista, ele estava livre e em condições legais. Inteligente, bastou um toque genial para David Braz marcar. Santos 1 a 0 aos 29 minutos do primeiro tempo.

5ae2 O desacreditado Santos perdeu dinheiro. Mas, fez da sua velha e ultrapassada Vila Belmiro, o caldeirão que precisava. Derrotou o rico Palmeiras. E, com toda a justiça, é o campeão paulista de 2015.

O gol deu ainda mais confiança para o Santos. Seus jogadores se aproveitavam do espaço dado como cortesia por Oswaldo de Oliveira. Articulavam como queriam. O time crescia quando, em uma jogada típica de centroavante, Ricardo Oliveira dividiu com Vitor Hugo, o zagueiro chutou a bola que bateu no atacante e sobrou livre, na frente de Fernando Prass. O toque foi consciente para as redes: 2 a 0, Santos.

DUDU, UMA BOMBA RELÓGIO QUE OSWALDO NÃO PERCEBEU

O gol marcado aos 43 minutos daria o título direto para a equipe de Marcelo Fernandes. O barulho estava ensurdecedor na Vila Belmiro. Foi quando, aos 45 minutos, houve uma falta lateral para o Palmeiras. Dudu e Geuvânio empurrões. Ceretta poderia advertir os dois. Mas preferiu expulsá-los. Dudu que já estava com dor na consciência a semana toda, se descontrolou de vez. Empurrou o juiz pelas costas, o xingou usando todos os palavrões possíveis. E depois chorou. O atacante palmeirense era uma bomba relógio e Oswaldo de Oliveira não percebeu. O atacante corre o risco de pegar uma suspensão pesada.

No intervalo, o treinador palmeirense fez o que deveria ter feito desde o início da partida. Colocou seu time para atacar. Mas sem convicção. Desperdiçou mais oito minutos até perceber que, contundido, Robinho não conseguia render. Colocou no seu lugar, Cleiton Xavier. E, aleluia, colocou Zé Roberto onde mais rende, no meio.

Aí o time verde cresceu e foi criando chances para descontar. Valdivia era um zero à esquerda. Nada produzia. Até que aos 19 minutos descobriu Lucas livre, nas costas de Ricardo Oliveira. O lateral chutou fraco, mas conseguiu enganar Vladimir que tentava abafar o chute: 2 a 1, Santos. Com esse placar, o jogo iria para as penalidades.

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Aos 32 minutos, Victor Ramos errou a bola e acertou Ricardo Oliveira. Justa expulsão. O Palmeiras passaria a ter nove jogadores e o Santos, dez. Só que Robinho estava esgotado, cansado. Por isso, o time não soube aproveitar a vantagem de um atleta a mais. Do lado verde, Valdivia estava andando, também sem fôlego. Saiu. Os dois treinadores se conformavam com a decisão nos pênaltis.

Cleiton Xavier cobrou com convicção e marcou. David Braz também, cobrando com força, no alto. O protegido de Oswaldo, Rafael Marques, resolveu dar uma paradinha, se confundiu e facilitou a defesa de Vladimir. Gustavo Henrique não pegou bem na bola, mas o suficiente para marcar 2 a 1. O zagueiro reserva Jackson bateu forte, no travessão. Victor Ferraz marcou 3 a 1, Santos. Leandro Pereira fez 3 a 2. Mas bastaria que um jogador santista marcasse e acabaria o Campeonato Paulista de 2015.

Foi o que fez Lucas Lima, o melhor jogador de todo o torneio. Deu o sofrido e merecido título ao clube endividado, que dependeu do coração, da dedicação de quem resolveu ficar na Vila Belmiro, apesar de todos os atrasos de salários e direito de imagem.

E esses jogadores conseguiram se impor justo ao clube mais rico do Brasil. Que conta com o aporte financeiro do bilionário Paulo Nobre e com os R$ 23 milhões que faturou com sua nova arena. Mas precisa melhorar para seguir em frente. Oswaldo de Oliveira já é questionado por conselheiros. Há o sonho de Marcelo Oliveira. Se o Cruzeiro for eliminado da Libertadores, esse nome interessa à direção do clube.

Mas o Palmeiras se tornou uma equipe forte, respeitável. Bem diferente da que fazia sua torcida passar vergonha em 2014 e quase foi rebaixada. Paulo Nobre garante que ela será reforçada. Mas a primeira dúvida é saber se Valdivia continuará ou deixará o Palmeiras.

Enquanto isso, do lado do campeão, não é só festa. Sabe que não pode se iludir. O difícil Brasileiro já começa na semana que vem. Modesto Roma tentará, agoniado, buscar dinheiro para tentar manter Robinho, Lucas Lima, o time que surpreendeu a todos. E hoje merece ser chamado de digno campeão paulista de 2015...
 O desacreditado Santos perdeu dinheiro. Mas, fez da sua velha e ultrapassada Vila Belmiro, o caldeirão que precisava. Derrotou o rico Palmeiras. E, com toda a justiça, é o campeão paulista de 2015.

No boxe, a ressaca da frustrante ‘Luta do Século’. No MMA, a queda das estrelas Anderson Silva, GSP e Jon Jones. A profunda crise no mundo das lutas…

1ap No boxe, a ressaca da frustrante Luta do Século. No MMA, a queda das estrelas Anderson Silva, GSP e Jon Jones. A profunda crise no mundo das lutas...
"Luta do século? Quer dizer, sério? É essa a luta do século? Essa é a luta que as pessoas queriam ver há muito tempo e o boxe não faz muito disso. Eles costumavam fazer... Imagine se o Mike Tyson estivesse enfrentando o Lennox Lewis agora, se essa luta fosse Tyson x Lennox Lewis. Ela seria enorme. Lá nos anos 90, essas lutas aconteciam o tempo todo, mas agora você não mais vê esse tipo de luta. Eu acho que, se essa luta tivesse acontecido quando eles estavam no auge, há seis anos, ela seria muito maior. Seria enorme."

Foi assim que Dana White desconversou em relação à luta que pagou 300 milhões de dólares, cerca de R$ 904 milhões em bolsa. O vencedor, o norte-americano Floyd Mayweather ficou com US$ 180 milhões enquanto o filipino Manny Pacquiao, embolsou US$ 120 milhões. O combate dos meio-médios foi decidido por pontos. Depois de 12 e decepcionantes assaltos. A vitória de Mayweather garantiu a unificação do título na Organização Mundial de Boxe (WBO), Associação Mundial de Boxe (WBA) e do Conselho Mundial de Boxe (WBC).

A luta foi aguardada por anos e anos. Especialistas garantem. Ele será um divisor de água para o boxe mundial. Ou será o seu ressurgimento. Ou a despedida em alto estilo.

A prova pode ser tirada da forma mais simples possível. Cite hoje, de improviso, quatro lutadores em atividade no boxe. Três já servem. É quase impossível para a esmagadora maioria da população. Essas mesmas pessoas poderiam citar, sem problemas, cinco ou até dez do UFC.

Dana White vem do boxe sabe como o esporte foi caindo em descrédito. Perdeu a sua credibilidade. Acusações de manipulações de resultados, de doping, envolvimento de máfia de bolsa de apostas, proliferação de associações fantasmas e seus campeões de mentira.

Atualmente há cinco entidades com seus respectivos campeões. Associação Mundial de Boxe (AMB), fundada em 1921; Conselho Mundial de Boxe (CMB), fundado em 1963; Federação Internacional de Boxe (FIB), criado em 1983; Organização Mundial de Boxe (OMB), criado em 1988; e Federação Mundial de Boxe Profissional (FMBP), criado em 1998. Cada uma delas com 17 campeões, um em cada categoria de peso. Deveriam ser 85 campeões diferentes. Alguns como Mayweather unifica alguns cinturões. São campeões demais. O que só vulgarizou esporte. Banalizou títulos.

1reproducao4 No boxe, a ressaca da frustrante Luta do Século. No MMA, a queda das estrelas Anderson Silva, GSP e Jon Jones. A profunda crise no mundo das lutas...

A ligação entre poderosos representantes de cadeias de televisão, mafiosos e políticos faz com que Nova York ainda seja o templo sagrado do boxe. E por isso, o MMA não é liberado na capital financeira do mundo.

O boxe remonta às Olimpíadas antes de Cristo, na Grécia. Ganhou regras para sair da ilegalidade na Inglaterra, em 1867. As lutas passaram a ser divididas em assaltos. Foi obrigatório o uso de luvas, etc. Foram 12 imposições para o combate ser considerado legal internacionalmente. Foram batizados de as Regras do Marquês de Queensberry.

O MMA nasceu como Vale Tudo no começo do século passado. Suas regras foram sendo moldadas a partir da década de 90. O esporte sofreu uma alteração e modernização profunda em 2001, quando os milionários Irmãos Fertitta, donos de cassinos, assumiram o UFC. E trataram de acabar a expressão 'vale tudo'. Atualmente são 32 regras. Só em 2013, foi criado um ranking de lutadores. Que, infelizmente, é manipulado, de acordo com a vontade de Dana White, os Fertitta ou da pressão popular.

O UFC reúne a nata do MMA. O MMA é a mistura da elite do mundo dos combates: boxe, savate, muay thai, Tae kwon do, Jiu-jitsu brasileiro, Capoeira, Caratê, Judô, Aikido, wrestling, kickboxing, kung fu, luta olímpica, Luta greco-romana, luta livre olímpica. A técnica dos lutadores atuais é impressionante.

 No boxe, a ressaca da frustrante Luta do Século. No MMA, a queda das estrelas Anderson Silva, GSP e Jon Jones. A profunda crise no mundo das lutas...

As lutas envolvem técnicas de combate em pé, como no chão. São confrontos intensos, muitas vezes violentos. A maioria das lutas tem três rounds de cinco minutos. A agilidade das lutas conseguiu balançar de vez o mundo do boxe.

Dana White percebeu o principal da organização do boxe. Centralizar o esporte nos Estados Unidos. Tem feito o máximo para levar seus eventos pelo mundo. Brasil, Japão, Austrália, Canadá, China, Suécia, Inglaterra...Onde for possível. Acordos com poderosas redes de televisão garantem a transmissão para mais de 200 países. São mais de 40 eventos por ano, entre os tradicionais do UFC e as Fox Nights.

Só que para o marketing funcionar, precisa o óbvio: lutadores. E o UFC sofreu três baixas fundamentais nestes dois últimos anos. Suas maiores estrelas. Atletas com os quais esperava fazer superlutas. Transformaria estádios em réplicas de coliseus para que se enfrentassem. Anderson Silva, Jon Jones e George Saint-Pierre.

Só que o doping, as drogas e a depressão levaram as estrelas das mãos dos Fertitta. Os fãs não verão os confrontos que sonhavam por anos. E que poderiam começar a ser o início da caminhada para confrontos como o de ontem em Las Vegas, entre Pacquiao e Mayweather.

Anderson teve a dramática quebra de perna esquerda transmitida para milhões de pessoas. Tentava retomar o título que perdera para o pouco carismático Chris Weidman. Depois de 13 meses de sacrifício, o brasileiro retorna ao octógono. Toda sua retomada foi capitalizada pelo UFC. Parecia um herói. Só que depois do combate contra Nick Diaz, a frustração. Confirmação de esteroides anabolizantes no seu sangue. Substâncias ilegais para dar mais força nos seus golpes. Foi afastado. Poderá ser suspenso até por dois anos.

Jon Jones já havia dado mostras que não estava conseguindo suportar a pressão de ser o melhor lutador entre todas as categorias. Seus abusos com álcool e carro não eram novidades para ninguém. Cocaína foi descoberta no seu sangue antes de luta pelo cinturão contra Daniel Cormier, no dia 3 de janeiro. Mas o resultado só foi divulgado após o combate, vencido por Jones. Um golpe para abalar a credibilidade do UFC, já que o confronto estava negociado. O prejuízo seria de dezenas de milhões de dólares se não acontecesse.

4reproducao2 No boxe, a ressaca da frustrante Luta do Século. No MMA, a queda das estrelas Anderson Silva, GSP e Jon Jones. A profunda crise no mundo das lutas...

Jones recebeu apenas uma advertência. E, de maneira hipócrita, passou 24 em um clínica de reabilitação. Ele confessou que aprendeu a consumir cocaína na faculdade. Quando tudo parecia bem e a luta com Anthony Johnson, já estava marcada para o dia 23 de maio. Mas na semana passada, Jones foi além do imaginável. Passou o farol vermelho, atingiu outro carro. Uma mulher grávida ficou com o braço quebrado. Ele não quis nem saber e fugiu a pé, correndo. O motivo a polícia descobria com facilidade. Maconha no banco do veículo e até um purificador da droga.

Dana White cumpriu sua obrigação. Cassou seu cinturão e colocará Anthony Johnson e Cormier para decidir o título de meio-pesado. Jones pode ser preso pelo crime que cometeu. Não há a menor perspectiva de quando poderá voltar a lutar. A tristeza é até maior porque no final do ano, Jones deveria anuncia que passaria a competir entre os peso pesados, categoria problemática, com os vários problemas físicos de Cain Velazques. E a falta de bons lutadores.

George Saint-Pierre vinha dando sinais de depressão em 2013. Não conseguia mais se focar nos treinamentos. Só que estava preso pelo contrato com o UFC. Após luta polêmica contra Johny Hendricks, o canadense resolveu abandonar o MMA. O resultado foi absurdo, o norte-americano nitidamente venceu o combate. O UFC novamente foi ferido na sua honra.

Dana White circulou desesperado com José Aldo e o irlandês Conor McGregor a tiracolo. Ele tenta desviar o foco da perda de suas três maiores estrelas.

"Vocês viram a recepção da turnê mundial que nós fizemos. Estamos falando de pesos-penas que vão arrecadar US$ 7 milhões (R$ 21 milhões), que será o maior valor que já arrecadamos nos EUA. Na América do Norte, o recorde é de US$ 11 milhões (R$ 33 milhões). Pense nisso: nós arrecadamos US$ 11 milhões em Toronto, com o Georges St-Pierre e um total de 56 mil pessoas. Essa luta (entre Aldo e McGregor) vai ter 16 mil pessoas e uma arrecadação de US$ 7 milhões. Então essa é uma luta muito grande."

Essa é a situação atual do mundo dos combates. O boxe vive a ressaca de sua última grande luta aguardada pelos fãs. O confronto de ontem foi milionário, mas frustrante. Pacquiao, de 36 anos, e Mayweather, de 38 anos, mostraram que o auge ficou perdido anos atrás. O combate milionário se foi. Os organizadores já estavam com uma revanche engatilhada, fosse qual fosse o resultado. Mas a perspectiva de novo confronto não empolga. Os 15 assaltos de ontem foram cansativos, monótonos, sem emoção.

O que pode enterrar de vez essa perspectiva foi o anúncio de Mayweather ontem após o combate. Ele promete abdicar dos seus títulos amanhã. Para fazer apenas um novo combate, sem valer cinturão. E igualar o recorde de Rocky Marciano, 49 lutas invictas. E depois apenas desfrutar sua incrível fortuna de mais de US$ 1,9 bilhão ou R$ 5,7 bilhões.

O UFC tenta se reerguer depois da perda de sua maiores três estrelas. Não há no cenário lutadores de grande técnica, talento e carisma como Anderson Silva, Jon Jones ou George Saint-Pierre. Grandes vendedores de pay-per-view.

Todo o dinheiro de mais um 'combate do século' e a fanfarronice de José Aldo e Conor McGregor não disfarçam. O boxe e o MMA precisam se reinventar. Buscar ídolos e, o mais difícil, recuperar credibilidade...
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Robinho foi muito além de desafiar o Palmeiras com seu funk. O jogador de 31 anos tenta resgatar a alegria do “Neguinho do Cemi”. E, com o título paulista, talvez dar sua última alegria ao Santos. O clube que ama não consegue pagar seus salários…

2reproducao Robinho foi muito além de desafiar o Palmeiras com seu funk. O jogador de 31 anos tenta resgatar a alegria do Neguinho do Cemi. E, com o título paulista, talvez dar sua última alegria ao Santos. O clube que ama não consegue pagar seus salários...
Robinho teve o mundo a seus pés. Sua vida parecia um conto de fadas. Quando garoto carregava o preconceituoso apelido de 'Neguinho do Cemi'. Aos cinco anos, para ajudar a família ficava cuidando dos carros, em troca de alguns trocados, na frente do Cemitério do Bitaru, em São Vicente.

Enquanto os enterros aconteciam, aproveitava para jogar futebol na rua esburacada. Franzino, mal nutrido, chamava a atenção por sua habilidade e velocidade. A ginga, os dribles eram fundamentais para escapar dos pontapés dos irritados colegas mais velhos. Quando o funeral acabava, corria ainda mais para cobrar por ter 'protegido' os carros.

Sem dinheiro para comprar bolas de futebol, seus pais o mandava brincar com bolinhas de tênis usadas. A família aproveitava as que vinham parar no seu quintal, que ficava perto de uma quadra. O jogador garante que sua habilidade nasceu com as bolinhas amarelas.

Foi levado para o futebol de salão, nos fraldinhas do Beira Mar de São Vicente. De lá, mais 'experiente', aos nove anos foi para os Portuários. Seus dribles e 73 gols em uma temporada despertaram atenção do Santos.

Ou melhor, de Roberto Antonio. Betinho era olheiro. E sempre foi fiel à sua filosofia. "A mina de ouro da Baixada está em São Vicente e nas cidades perto de Santos. Porque os pobres não têm dinheiro para morar lá, que é mais desenvolvida. E cara." Foi assim se apresentou à família de "Neguinho do Cemi". E o levou para o Santos. Um dia, levaria Neymar.

Ao desembarcar na Vila Belmiro, Robson virou Robinho. Era melhor exorcizar qualquer ligação com cemitérios. Muito competitivo, individualista, o garoto misturava talento com total falta de preparo psicológico. Quando perdia o Santos perdia, ele voltava chorando, desesperado. Betinho o tentava acalmar. Mas o ego de Robinho não tinha limites. Se considerava único responsável pela vitória ou derrota do time.

Betinho o convenceu que seu caminho era outro. Seu foco deveria ser em se tornar o melhor jogador do mundo. Potencial para isso isso tinha. Destro, jogaria na esquerda. Confundiria os marcadores, já que tanto poderia buscar a linha de fundo ou cortar pelo meio, escapando do lateral e do zagueiro central.

1reproducao3 Robinho foi muito além de desafiar o Palmeiras com seu funk. O jogador de 31 anos tenta resgatar a alegria do Neguinho do Cemi. E, com o título paulista, talvez dar sua última alegria ao Santos. O clube que ama não consegue pagar seus salários...

Quando tinha pela frente truculentos marcadores, se lembrava da esburacada rua em frente ao cemitério e os garotos mais velhos, loucos, tentando acertar pontapés em suas finas canelas. Suas arrancadas eram impressionantes. Os dribles desconcertantes. Logo estava nas mãos do mais ambicioso empresário do futebol brasileiro, Wagner Ribeiro.

Ao mesmo tempo, caiu no canto da Sereia. Ouvia todos os dias do então presidente santista, Marcelo Teixeira: seria o sucessor de Pelé. Havia nascido para ser o 'melhor do mundo'. A imprensa também seguiu neste caminho. Até o também egocêntrico Leão se rendeu depois do que ele fez na final do Brasileiro em 2002.

Pelé também se encantou com o jogador. E chegou a declarar. "O raio caiu duas vezes nesta Vila abençoada", disse às rádios. Ou seja, de novo o Santos tinha o melhor do mundo. Mesmo sem a autorização de Marcelo Teixeira, Wagner Ribeiro negociava o jogador. Benfica, Bayern, Chelsea, Milan estiveram bem perto.

As ofertas se sucediam, quando a mãe de Robinho foi sequestrada em 2004. Ele decidiu ir embora de qualquer maneira para a Europa. Precisaria de muito dinheiro. Até para proteger sua família. Virou as costas a Marcelo Teixeira, saiu brigado com o Santos. Optou pelo Real Madrid. Foi quando deu a declaração que iria travar sua carreira.

"Estou indo para o Real Madrid para ser o melhor do mundo."

1afp Robinho foi muito além de desafiar o Palmeiras com seu funk. O jogador de 31 anos tenta resgatar a alegria do Neguinho do Cemi. E, com o título paulista, talvez dar sua última alegria ao Santos. O clube que ama não consegue pagar seus salários...

A frase virou manchetes de jornais, repercutiu na televisão, nos rádios. E na concentração do Real. Repórteres espanhóis me confirmaram que o brasileiro foi boicotado. O 'dono do vestiário' era o atacante Raúl. E invejoso com o assédio ao novo contratado, tratou de envenená-lo. Deixou claro que ele se colocava como mais importante que o clube, que seus companheiros. E que usaria a camisa merengue apenas para se promover, tentar ser o melhor do planeta.

Raúl sempre foi muito amigo da direção do Real Madrid. Seus companheiros se fecharam com ele. Robinho não esperava essa resistência. Mas comprou a briga. Acabou engolido. Sabotado. Para piorar, também caiu na tentação de ganhar músculos para enfrentar os pesados gramados com a chuva e neve no auge do inverno europeu. Além dos seus eternos marcadores truculentos. O resultado não foi bom.

Muito bem nutrido, perdeu velocidade. Seus arranques já não eram tão ágeis, imprevisíveis. Dono de uma técnica apurada, ele sobreviveu no futebol europeu. Mas não como protagonista. Sua personalidade difícil criou vários problemas. Como quando foi seduzido por Luiz Felipe Scolari. Já em segundo plano no Real Madrid, quis forçar sua ida para o Chelsea, do treinador brasileiro. A cúpula do Real soube que Wagner Ribeiro já havia acertada a transação. E deu o troco.

Ou ele iria para o Manchester City ou não sairia do clube. Sem opção, Robinho foi para o time que não desejava. Dispensou Wagner Ribeiro pela precipitação. E tratou de mostrar seu descontentamento em não ir para o Chelsea. Sua passagem pelo City foi um inferno. Acabou várias vezes nem ficando na reserva. Teve brigas homéricas com treinadores, dirigentes. Voltou para o Santos para recuperar a autoestima. E se valorizar disputando a Copa da África.

Foi o que aconteceu. O clube inglês o despachou com prazer ao Milan. Lá encontrou o clube decadente, sem o dinheiro e os craques que o consagraram no passado. As alegrias com o Campeonato Italiano no primeiro ano foram sumindo, assim como o potencial do time nos quatro anos seguidos. Sem mercado na Europa, mais reserva do que titular, acabou voltando ao Santos. Estava deprimido, esquecido na Itália. Precisava da idolatria que só encontra na Vila Belmiro.

Emprestado. Com o clube do Litoral pagando os salários que somam os dois milhões de euros por temporada, cerca de R$ 6,7 milhões. O que faz com que receba cerca de R$ 558 mil. Ou melhor, não receba. O Santos lhe deve cerca de R$ 6 milhões em direito de imagem. Vanderlei Luxemburgo já lhe ofereceu o tapete vermelho, e salários em dia, para jogar no Flamengo depois da decisão do Paulista.

4reproducao1 Robinho foi muito além de desafiar o Palmeiras com seu funk. O jogador de 31 anos tenta resgatar a alegria do Neguinho do Cemi. E, com o título paulista, talvez dar sua última alegria ao Santos. O clube que ama não consegue pagar seus salários...

O presidente do Santos, Modesto Roma Júnior, está desesperado. Procura viabilizar alguma empresa ou um milionário que esteja disposto a pagar o salário do atacante. Mas com o país mergulhado na recessão está muito difícil. Não será surpresa se tiver de abrir mão do jogador. Modesto só repete que não agirá como o ex-presidente Luís Álvaro, mantendo atletas que o clube não pode pagar.

Aos 31 anos, Robinho desfruta ainda da confiança de Dunga. Há chances reais de disputar a Copa América. Ser um reserva de luxo. Até como retribuição por ter enfrentado a direção do Manchester City várias vezes para aceitar convites da Seleção que disputaria a Copa de 2010. Os dois choraram muito na eliminação para a Holanda, nas quartas-de-final na África.

5ae Robinho foi muito além de desafiar o Palmeiras com seu funk. O jogador de 31 anos tenta resgatar a alegria do Neguinho do Cemi. E, com o título paulista, talvez dar sua última alegria ao Santos. O clube que ama não consegue pagar seus salários...

O Milan tem mais um ano de contrato com o atacante. Ele sabe que se for para a China, Japão ou Estados Unidos, poderá ganhar um bom dinheiro. Mas enterraria as chances de atuar pela Seleção. E hoje é um dos seus maiores orgulhos. Sabe que sua técnica ainda o garante como um dos melhores no país. Ele gosta disso.

Viu o empenho com que o Santos o preservou para a final de amanhã contra o Palmeiras. Quando cantou o funk provocando o adversário, na verdade, impôs talvez sua última missão com a camisa santista. Dar o título paulista e ir embora do clube que está mergulhado em dívidas. Sem condições de pagá-lo.

Ele já está milionário. Aproveitou bem sua transferência do Real para o Manchester, do City para o Milan. E os salários de oito anos de Europa. O garoto que ganhava a vida em frente ao cemitério foi muito além do que poderia imaginar. Mas ficou aquém do que desejava. Mal orientado, egocêntrico, não passou nem perto de ser melhor do mundo.

Na Vila Belmiro, amanhã, tem a chance de mais uma vez retribuir ao clube que mudou sua vida. E que nunca lhe virou as costas. Pelo contrário. O acolheu com o carinho de quem o viu nascer. Cantando, o homem de 31 anos deixou vir à tona o jovem irreverente, egocêntrico, confiante.

A resposta do que ainda pode fazer com a bola nos pés será dada amanhã. Os palmeirenses prometem que se arrependerá da ousadia, da arrogância de seu funk. Mal sabem eles que Robson de Souza não os estavam desafiando. E sim provocando o 'rei das pedaladas'. O 'sucessor de Pelé'. O "Neguinho do Cemi"...

Mesmo com patrocínio da Caixa Econômica, com ajuda do governo para construir estádio, o Corinthians humilha o Dia do Trabalho. E deve mais de R$ 32 milhões ao time e a ex-funcionários…

1ae1 Mesmo com patrocínio da Caixa Econômica, com ajuda do governo para construir estádio, o Corinthians humilha o Dia do Trabalho. E deve mais de R$ 32 milhões ao time e a ex funcionários...

1º de maio. Estados Unidos. 1886. Milhares de operários em Chicago foram às ruas exigir condições dignas. Exigiam a redução de jornada de 13 para oito horas. Salários a cada 30 dias. Fizeram greve generalizada. Uma passeada gigantesca foi dispersa à força pela polícia. Morreram três operários.

A Segunda Internacional Socialista, organizada por Friedrich Engels, foi uma reunião histórica de partidos operários de vinte países em Paris, em 1889. As atividades remuneradas passaram a ter regras específicas. Como jornada de trabalho, remuneração, férias. A intenção era acabar com os abusos que remetiam à escravidão. Em homenagem aos operários mortos em Chicago e para marcar a conquista do movimento seria instituído o Dia do Trabalho no mundo todo, no primeiro dia de maio.

1º de maio. Brasil. 1940. O ditador Getúlio Vargas resolve normatizar os direitos e deveres do trabalhador e empregador neste país. Institui o salário mínimo. Essa quantia deveria suprir as necessidades básicas de uma família com moradia, alimentação, saúde, vestuário, educação e lazer.

1º de maio. Brasil. 1941. Getúlio Vargas autoriza que seja criada a Justiça do Trabalho. Destinada a resolver questões judiciais relacionadas, especificamente, as relações entre os empregadores e seus contratados.

1º de maio. Brasil. 1941. A Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, passou a estabelecer os direitos e deveres dos trabalhadores. Salário mínimo, a carteira de trabalho, a jornada de oito horas, as férias remuneradas, a previdência social, descanso semanal. A CLT regulamentou ainda o trabalho da mulher e do menor de idade e ainda estabeleceu a obrigatoriedade do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

1º de maio. Brasil. 2015. Parque São Jorge. O Corinthians, clube mais popular da cidade mais rica da América Latina. Dívidas com ex-funcionário, R$ 17,1 milhões. Dívidas com os atuais, passam de R$ 15 milhões. São cerca de R$ 32,1 milhões em dívidas trabalhistas .

1reproducao2 Mesmo com patrocínio da Caixa Econômica, com ajuda do governo para construir estádio, o Corinthians humilha o Dia do Trabalho. E deve mais de R$ 32 milhões ao time e a ex funcionários...

Primeiro, quem não está mais no Parque São Jorge. Alexandre Pato, no São Paulo, tem a receber, R$ 6 milhões. Anderson Martins, no Al-Jaish do Catar, R$ 2,9 milhões. Mano Menezes, desempregado, R$ 2,5 milhões, Souza, no Paysandu, R$ 2,5 milhões, Elton, Vitória, R$ 1,5 milhão. Rodriguinho, Al Sharjah, Emirados Árabes, R$ 680 mil, Lodeiro, Boca Júniors, R$ 630 mil. Estes são os casos principais.

Agora, os maiores endividados do atual elenco. Renato Augusto, R$ 4,9 milhões. Guerrero, R$ 2,5 milhões. Gil, R$ 2 milhões. Sheik, R$ 1,6 milhão. Danilo, R$ 1,3 milhão. Ralf, R$ 1,3 milhão. Elias, R$ 1,3 milhão, Fábio Santos, R$ 443 mil. Os débitos de outros jogadores chegam a R$ 5 milhões.

O prazo para quitar a dívida com Paolo Guerrero acabou ontem. E seu dinheiro não foi depositado. O jogador está cada vez mais irritado, descrente de sua renovação.

Com exceção de Pato, que foi contratado com o apoio da Nike para ser garoto-propaganda, os demais atletas tem 30% de direito de imagem. É um recurso que os clubes usam para pagar menos tributo e que 'pode' ser atrasado sem grandes problemas judiciais. O atacante emprestado ao São Paulo tem 50% do que recebe do Corinthians em direito de imagem.

O que não pode ser atrasado é o salário na carteira de trabalho. Se chegar a três meses, o clube perde o vínculo com o jogador. Em várias equipes do país, o mês chega a 60, 80 dias. O Corinthians passou também a atrasar salários, como confirmou Danilo.

3ae Mesmo com patrocínio da Caixa Econômica, com ajuda do governo para construir estádio, o Corinthians humilha o Dia do Trabalho. E deve mais de R$ 32 milhões ao time e a ex funcionários...

A diretoria do Corinthians procurou a Caixa Econômica e o BMG. Há 15 dias, pediu para as duas instituições empréstimo de R$ 15 milhões para amenizar a situação. Mas os dois bancos tiveram de negar até agora. O motivo: não há garantias para o pagamento. O problema é a enorme dívida em relação ao Itaquerão. Ela chega a R$ 1,3 bilhão. O departamento financeiro está buscando outro banco.

O clube já tem separado mais de R$ 60 milhões para o primeiro depósito do Itaquerão. Tem faturado em média, R$ 1,9 milhão em jogos no seu novo estádio. Mas o acordo é que todo esse dinheiro fique em um fundo para o pagamento para a Odebrecht e para o BNDES do estádio. A Caixa Econômica Federal é quem garante esse pagamento bilionário.

A direção está vendendo camarotes, cadeiras cativas. Procurado empresas dispostas a patrocinar calções e omoplatas. Implora há mais de três anos pela venda do naming rights do estádio. Além da recessão, da crise, o apelido Itaquerão se popularizou. Donos de importantes agências de publicidades já falaram a Andrés Sanchez que este é um obstáculo praticamente intransponível. Como exigir que as pessoas deixem de chamar os estádios de Morumbi, Maracanã, Fonte Nova.

O Palmeiras agiu de maneira correta em relação à 'remodelação' do seu estádio. Quando ele foi erguido já tinha um acerto em relação ao naming rights, por isso Allianz Parque prevalece. Andrés sonhava com um contrato com a Emirates de 20 anos, com o faturamento de R$ 400 milhões. Mas a empresa recuou. As mortes dos três operários e o desabamento de parte do estádio, mais a vexatória campanha do Brasil na Copa e a recessão mundial. Esses os fatores que sabotaram o acordo.

Andrés tenta agora empresas nacionais dispostas a bancar o nome do estádio por um prazo menor: dez ou até cinco anos. Já percebeu que não pode nem cogitar em pedidas proporcionais ao seu sonho de R$ 400 milhões. Mas está muito difícil.

O Corinthians serve, neste dia do Trabalho, como exemplo da situação do jogador profissional neste país. O prestigiado New York Times publicou o que acontece nos maiores clubes brasileiros.

1reproducao1 Mesmo com patrocínio da Caixa Econômica, com ajuda do governo para construir estádio, o Corinthians humilha o Dia do Trabalho. E deve mais de R$ 32 milhões ao time e a ex funcionários...

"Menos de um ano após a sua derrota humilhante na Copa do Mundo, o futebol brasileiro tem uma nova crise em suas mãos. Os times profissionais do Brasil estão afogados em dívidas, vendendo seus jogadores e jogando em estádios quase vazios.

"Oito dos 12 maiores clubes estão com salários atrasados; se fossem empresas, quase todas as equipes na primeira divisão estariam falidas. Agora, com a economia brasileira em recessão, e com os patrocinadores e os torcedores cortando as despesas, as finanças dos clubes vão piorar ainda mais."

O movimento Bom Senso conseguiu convencer Dilma Roussef. A presidente incluiu o fim dos atrasos de salários dos jogadores no financiamento de 20 anos, na dívida de R$ 4 bilhões em impostos e Receita Federal dos clubes. Só que os dirigentes procuraram a CBF e com o apoio do novo presidente, Marco Polo del Nero, recusaram.

O Corinthians ganha R$ 30 milhões anuais no patrocínio de sua camisa, da Caixa. "O que é um crime. O governo deveria patrocinar todos os clubes ou nenhum. Não tem cabimento esse patrocínio", desabafou o ex-presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil. Ele também disse que Andrés Sanchez implodiu o Clube dos 13 para ganhar um estádio, o Itaquerão. Além do dinheiro da Caixa, o Corinthians, ao lado do Flamengo, é quem mais recebe da Globo para mostrar seus jogos. Atualmente são R$ 110 milhões anuais só pelo Brasileiro.

Mesmo assim não paga seus jogadores em dia.

Se a presidente quiser fazer o financiamento, sem contrapartidas. Como a possibilidade de sanções esportivas como perda de pontos e até rebaixamento por atraso no pagamento. Nada de exigir gastos de apenas 70% no futebol. E muito menos restringir mandatos dos dirigentes. Inclusive, lógico, na CBF.

4reproducao Mesmo com patrocínio da Caixa Econômica, com ajuda do governo para construir estádio, o Corinthians humilha o Dia do Trabalho. E deve mais de R$ 32 milhões ao time e a ex funcionários...

Ou seja, neste 1º de maio de 2015, os jogadores de futebol da elite deste país não têm o que comemorar. A começar no popular Corinthians. Estão com premiações, direitos de imagem e salários atrasados. E se calam, aceitam.

A Justiça do Trabalho, o governo e a barulhenta oposição do PSDB, de Aécio Neves, acompanham omissos essa desmoralização às leis trabalhistas básicas. Como o direto de receber a cada 30 dias. Se isso acontece com atletas da elite desse país, fica fácil imaginar os passam os atletas de equipes pequenas. Fora os trabalhadores 'normais, mais humildes e sem mídia. Como operários, professores, lixeiros, policiais e tantos outros.

Se vivo fosse, Getúlio Vargas não teria motivos de comemorar. 75 anos depois que decidiu normatizar a legislação trabalhista, passaria vergonha com o atual cenário.

Saberia o quanto a população deste país está sacrificada pela recessão. E provavelmente seguiria o exemplo de sua atual sucessora, Dilma Rousseff. Presidente eleita justo por qual partido? Ironia máxima: o dos Trabalhadores.

Getúlio também não teria coragem de falar em público, para multidões de brasileiros, como adorava. Nem mesmo na televisão ou rádio. Apelaria para a presença fria e virtual da Internet. Evitando o constrangimento de panelaços e vaias. Seria um presidente sem coragem de encarar seu país...
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Derrota da Globo para Gugu. Culpa cai no Palmeiras, o ‘derrubador de Ibope’. Três jogos seguidos teriam sido ‘suicídio’. A emissora carioca promete apelar para seu clube favorito: o Corinthians…

1vipcomm Derrota da Globo para Gugu. Culpa cai no Palmeiras, o derrubador de Ibope. Três jogos seguidos teriam sido suicídio. A emissora carioca promete apelar para seu clube favorito: o Corinthians...
Os números consolidados do Ibope, entre 22h33 até 0h19 de hoje mostram que os executivos globais estavam certos. Seria desastroso mostrar Sampaio Corrêa e Palmeiras em todo o Brasil. O resultado foi pífio em São Paulo, cidade que mais interessa aos patrocinadores. Foram meros 12 pontos. O futebol ficou em segundo lugar. A liderança ficou com Gugu. O apresentador da Record chegou a 13 pontos. Sua maior 'arma', pegadinha usando um anão.

O resultado para a Globo foi constrangedor. Confirmou a fama de 'derrubador de Ibope' que o Palmeiras carrega desde 2002, no seu primeiro rebaixamento. A emissora carioca tentará ainda mais se manter fiel à sua determinação de mostrar cada vez mais partidas do Corinthians para São Paulo.

O presidente palmeirense, Paulo Nobre, também tem motivos de sobra para ficar ressentido. O dirigente sonha em aumentar a cota do seu time, reforçado e agora com a nova arena. Sempre vale lembrar a diferença nas cotas.

Entre 2012 e 2015, a distribuição foi dessa maneira:

Grupo 1 – Flamengo e Corinthians: R$ 110 milhões
Grupo 2 – São Paulo: R$ 80 milhões
Grupo 3 – Vasco e Palmeiras: R$ 70 milhões
Grupo 4 – Santos: R$ 60 milhões
Grupo 5 – Cruzeiro, Atlético Mineiro, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo: R$ 45 milhões
Grupo 6 – Coritiba, Goiás, Sport, Vitória, Bahia e Atlético Paranaense: R$ 27 milhões

4ae12 Derrota da Globo para Gugu. Culpa cai no Palmeiras, o derrubador de Ibope. Três jogos seguidos teriam sido suicídio. A emissora carioca promete apelar para seu clube favorito: o Corinthians...

Do próximo ano até 2018, a diferença para os primeiros ficará maior:

Grupo 1 – Flamengo e Corinthians: R$ 170 milhões
Grupo 2 – São Paulo: R$ 110 milhões
Grupo 3 – Vasco e Palmeiras: R$ 100 milhões
Grupo 4 – Santos: R$ 80 milhões
Grupo 5 – Cruzeiro Atlético Mineiro, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo: R$ 60 milhões
Grupo 6 – Coritiba, Goiás, Sport, Vitória, Bahia e Atlético Paranaense: R$ 35 milhões

Ou seja, a diferença entre Palmeiras e Corinthians só aumentará. Pulará de R$ 40 milhões para R$ 70 milhões. A amigos, Nobre diz que, quando assumiu, tudo já estava estabelecido. E que reverteria essa pecha de 'derrubador de Ibope', que foi atrelado ao clube. Só que Oswaldo de Oliveira preferiu levar um time reserva ao Maranhão. Preservar seus atletas para a final do Campeonato Paulista. O que espantou de vez os torcedores paulistas.

Os executivos da Globo se irritaram porque foi a primeira vez que Gugu ficou em primeiro lugar, desde o seu retorno à Record. O pior é que não há desculpa de entrevista especial com alguém polêmico como Susane Ristofhen ou o ex-goleiro Bruno preso em Minas Gerais.

Cada resultado ruim como o de ontem é contabilizado pelas agências que representam os patrocinadores do futebol na emissora carioca. Itaú, Johnson & Johnson, Magazine Luiza, Vivo, Volkswagen e Ambev. Empresas que dividiram R$ 1,3 bilhão em 2015. A audiência do futebol na emissora caiu 28% nos últimos dez anos.

Os torcedores do Palmeiras fazem questão de dizer que, além de Gugu, também são responsáveis pelo vexame. E que não assistem futebol na Globo. Seria em represália pela emissora não dizer o nome da empresa de seguros que comprou o naming rights do novo estádio. E por isso a tratam pelas iniciais RGT, Rede Globo de Televisão.

A Fox Sports já vai atrapalhar a revanche na próxima quarta-feira. Conseguiu ter exclusividade em relação ao Corinthians contra o Guarani no Paraguai. Conseguiu junto à Conmebol, a antecipação da partida para as 19h45. As 22 horas, horário exigido pela Globo, São Paulo e Cruzeiro pela Libertadores. A Fox Sports também já entendeu o poder midiático corintiano e promete comprar novas brigas para mostrar o clube mais popular de São Paulo sozinha.

A emissora carioca tem nos corintianos sua preferência. Mas os são paulinos são sua segunda opção. Palmeiras é o terceiro e o Santos, o quarto time grande paulista.

Os canais de televisão do Brasil já perceberam. Deixou de ser uma façanha impossível, inalcançável vencer a disputa com a Globo aos domingos às 16 horas e nas quartas-feiras às 22 horas. O calendário esdrúxulo que a emissora carioca organiza com a CBF e Federação Paulista de Futebol tem aberto várias brechas. Mostrado partidas sem o menor apelo.

A final do Paulista entre Palmeiras e Santos não anima nem um pouco os executivos da emissora. A primeira partida entre os dois ficou com apenas 21 pontos. Número baixo para a decisão do torneio em São Paulo, envolvendo equipes grandes.

Como aconteceu com metade do Brasil ontem, a emissora carioca terá sempre um filme pronto para mostrar às quartas ou nos domingos que os jogos foram desinteressantes. Uma parte significativa do país acompanhou o repetido filme O Espetacular Homem-Aranha.

Futebol, principalmente, que não envolva Corinthians ficou arriscado para a Globo. A partida com o Sampaio Corrêa foi a terceira seguida do Palmeiras, o que não acontecia desde 2012. Foram Corinthians, Santos e Sampaio Corrêa.

E um jogo com tão fraca audiência em uma quarta-feira só aconteceu no dia 16 de abril de 2014. Os times: Santos e Mixto do Mato Grosso. Os santistas, desde que perderam Neymar, se mostram desinteressantes. A lição de ontem não será esquecida. Nada de três jogos seguidos dos palmeirenses.

Em 2014, a Rede Globo transmitiu 33 jogos do Corinthians.O São Paulo apareceu 29 vezes. O Santos teve 14 transmissões e o Palmeiras apenas 13. Muitos dos jogos mostrados de santistas e palmeirenses foram clássicos. Neste ano, os corintianos já tiveram 16 partidas transmitidas. O São Paulo, 14. Com o confronto de ontem, os dois 'derrubadores de Ibope', somaram apenas oito jogos mostrados em 2015, seis dos palmeirenses e dois dos santistas.

A ordem é na emissora é 'nunca mais' ficar amarrada a três jogos seguidos do Palmeiras. Simples assim...
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A arrebatadora final entre Ceará e Bahia mostrou. A ‘Lampions League’ é uma lição que a CBF não quer enxergar. Copas regionais colocariam um fim nos monótonos e deficitários estaduais…

1reproducao45 A arrebatadora final entre Ceará e Bahia mostrou. A Lampions League é uma lição que a CBF não quer enxergar. Copas regionais colocariam um fim nos monótonos e deficitários estaduais...
16 clubes. Cruzeiro, Atlético, América e Caldense representando Minas Gerais. Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Ponte Preta os paulistas. Flamengo,Fluminense, Vasco, Botafogo e Madureira, o Rio de Janeiro. Rio Branco e Desportiva Ferroviária do Espírito Santo. Quatro grupos de quatro equipes. As duas primeiras se classificam e começam os mata-matas: as quartas, semifinais e finais.

Essa seria hipotética a Copa Sudeste. Competição que abriria o ano na região. Teria muito mais competitividade,interesse. Os jogos seriam mais espaçados. Os jogadores vindo da pré-temporada teriam chance de atuar e se recuperar. Até os classificados para a Libertadores teriam muito mais tranquilidade para se planejar. Os jogos teriam arrecadação alta e audiência garantida. A repercussão seria enorme. O título significado, seria representativo. Atletas valorizados.

Mas nada disso sairá do imaginário. Por causa das Federações de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Elas não abrem mão de jeito algum dos seus campeonatos estaduais. Não foi por acaso que assassinaram o torneio Rio-São Paulo e a Copa Sul-Minas.

A média do Campeonato Paulista é de 7.560 pessoas em 2015. O Carioca é de 4.954. O Mineiro, 5.523 pessoas. O Capixaba, 557 pessoas. A média de púbico nos estaduais da Região Sudeste, a mais rica do país, é de apenas 4.648 pessoas. Esse número foi anabolizado pelas fases finais dos torneios.

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As finais da Copa do Nordeste foram uma aula de modernidade aos covardes dirigentes dos clubes de todo o Brasil. A Lampions League foi arrebatadora. Ceará e Bahia levaram 104.381 pagantes em Salvador e Fortaleza. Na partida de ontem, no Castelão, foram 63.399. O maior público no país em 2015. O Ceará foi o legítimo campeão invicto. Venceu os baianos na Fonte Nova por 1 a 0 e ontem, em casa, se impuseram por 2 a 1. Ganhou como prêmio dinheiro, prestígio, reconhecimento e também uma vaga para a Sul-Americana.

Brasília, Cene, Cuiabá, Estrela do Norte, Independente, Luverdense, Luziânia, Nacional, Paysandu, Princesa do Solimões, Remo, Rio Branco , Santos (Amapá), São Raimundo, Tocantinópolis e Vilhena. Clubes do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Acre, Amapá, Amazonas, Espírito Santo, Rondônia, Roraima e Tocantis. Esses clubes de estados marginalizados da grande mídia disputam a Copa Verde. Remo e Cuiabá começam hoje a decisão do título. Ao campeão, uma vaga na Sul-Americana. Os clubes conseguem arrecadar muito mais neste torneio do que nos seus estaduais.

Está claro que uma Copa Sul, reunindo os principais clubes do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná também seria muito mais interessante do que seus estaduais monótonos.

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A cúpula da CBF sabe bem disso. Marco Polo del Nero é muito mais articulado do que José Maria Marin e Ricardo Teixeira juntos. Só que ele nunca irá permitir, por exemplo, a criação da Copa Sudeste e a Copa Sul. Porque está comprometido até a medula com os presidentes das federações dos estados que compõem estas regiões.

A questão é simples e cruel. Não há como encavalar quatro competições entre fevereiro e maio. São menos de quatro meses completos. Sem as pessoas perceberem já há os ultrapassados, deficitários mas obrigatórios estaduais. Mais o início da Copa do Brasil. E para os melhores do país, a Libertadores da América. Já são três competições. Seria absurdo encaixar Copas Sudeste e do Sul para paulistas, mineiros, cariocas e gaúchos, quarteto que forma a elite do futebol nacional.

Não é preciso ser presidente da CBF para responder as perguntas: qual competição valeria mais a pena? A Copa Sudeste ou os Campeonatos Paulista, Carioca, Mineiro? A resposta é evidente aos clubes grandes, os que possuem mais de 90% da torcida, os que fornecem os poucos jogadores atuando no país para a Seleção, aqueles, que junto a Grêmio e Inter, conquistam os títulos internacionais.

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Mas essa pergunta nunca será feita por causa da covardia e comprometimento dos dirigentes dos clubes. Pessoas vitoriosas nas suas carreiras, inteligentes, espertas. Mas que são obrigadas a disputar torneios deficitários, insignificantes como os estaduais. Prejudicam os próprios clubes, times, treinadores, jogadores. Jogam fora dinheiro.

A Copa do Nordeste de 2015 foi a competição nacional com maior média de público até agora, 7.830 pessoas. Pelo terceiro ano seguido! Só perde para a Libertadores 28.143 pagantes. Sem as finais, a Copa Verde, que começam hoje, já chegou a 3.220 torcedores em média.

A significância dos números da Copa do Nordeste e da Verde fica chocante quando confrontada com a média dos estaduais. O Baiano, com apenas de 2.301 pessoas. O Cearense de 2.350 pagantes. O Paraense, 2.089. O Brasiliense, 942 torcedores. Maranhense 839. Mato-grossense, 785. Piauiense 710. Capixaba 511. Tocantinense, 492. Sul-Mato-grossense 491. Amazonense, 346. Acreano, 333. E o Rondoniense, 196 testemunhas.

Só na fase de mata-mata, a Copa do Nordeste teve a média de 21.990 torcedores. O que pode ser mais explícito?

"O Brasil é um país continental", tem sido a desculpa de todos os presidentes que passam pela CBF. Por isso impõe os estaduais aos grandes clubes. Mas o caminho das Copas Regionais está aberto. Competições de muito melhor nível, mais lucrativas, competitivas. Os estaduais ficariam para os clubes pequenos ou emergentes como gostam de definir seus dirigentes.

Ceará e Bahia, dois clubes da Série B, mostraram o caminho. Mais de cem mil pessoas em dois jogos. Recorde de maior público no Brasil em 2015. A Copa do Nordeste é uma lição que a CBF não quer enxergar. Faz questão de manter a monotonia e o atraso dos estaduais. E o prejuízo dos grandes clubes neste país...
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