“Não pagaria R$ 12 milhões no Alan Kardec. Estava no time B do Benfica… O Palmeiras já errou com o Valdívia e Wesley. Traz a peso de ouro jogadores que não deram certo na Europa… E me deixe comer o meu sanduíche de salsicha!” Mustafá Contursi…

1ae4 Não pagaria R$ 12 milhões no Alan Kardec. Estava no time B do Benfica... O Palmeiras já errou com o Valdívia e Wesley. Traz a peso de ouro jogadores que não deram certo na Europa... E me deixe comer o meu sanduíche de salsicha! Mustafá Contursi...
"Sou um cadáver insepulto no Palmeiras.

E isso incomoda muita gente."

Assim Mustafá Contursi se define.

Ele foi o presidente mais polêmico da história do clube.

Com ele o Palmeiras desfrutou do dinheiro da Parmalat.

Ganhou logo de cara o Paulista de 93.

E quebrou o jejum de 17 anos sem títulos.

Foi bicampeão brasileiro.

Ganhou a Copa do Brasil.

Mas foi rebaixado para a Segunda Divisão.

Voltou à Série A e sem a Parmalat mudou a filosofia do clube.

Adotou a política do 'bom e barato'.

Foi o primeiro a enfrentar as torcidas organizadas.

Negando ingressos e ônibus.

Sofreu ameaças de agressão que nunca se concretizaram.

Comandou o clube com mão de ferro entre 1993 e 2005.

Diz com orgulho que deixou mais de R$ 50 milhões em caixa.

Fez seu sucessor Affonso della Monica.

Mas depois se desentenderam.

Mustafá continuou muito forte no clube.

Viu seu rival histórico Belluzzo ganhar a presidência.

Brigou até não mais poder, mas foi fechado o acordo para a nova arena.

E discordou com a sua política de contratações caras.

"Ele prometeu R$ 100 milhões em caixa.

Foi embora deixando R$ 160 milhões em dívidas."

Apoiou e se arrependeu de ajudar na eleição de Arnaldo Tirone.

Virou oposição logo nos primeiros meses.

Foi responsável por ele não ter chance alguma de reeleição.

Na última eleição foi cabo eleitoral de Paulo Nobre.

O apoio continua.

Mas Mustafá não está feliz.

Não gosta de ver o clube endividado.

O Palmeiras já acumula mais de R$ 250 milhões.

Precisa apelar ao bolso do milionário Nobre.

Ele já colocou mais de R$ 85 milhões.

Mesmo assim, o clube não reage.

Começou mal demais o ano de seu centenário.

Sem patrocínio master.

Eliminado da final do Paulista pelo Ituano.

Mustafá sente que a pressão sobre Nobre aumenta.

As cobranças.

Depois de muita insistência, concordou em dar uma exclusiva.

E deixa clara sua defesa ao atual presidente.

Mas faz questão de puxar sua orelha em público pelos gastos.

Por exemplo comprando Alan Kardec.

Mas suas flechas envenenadas são apontadas para outras duas administrações.

Para a de Belluzzo e de Tirone.

"Houve muita irresponsabilidade com os gastos.

O dinheiro do Palmeiras foi tratado de forma amadora.

O peso recai sobre a atual administração.

Que trabalha bem, tem responsabilidade.

Mas o que o clube precisa é de austeridade."

Você concorda com um milionário colocar R$ 85 milhões para administrar um clube. Isso é maneira de administrar? O Palmeiras parece um clube que foi comprado pelo Paulo Nobre...

Olha, eu não concordo nem um pouco quando as pessoas falam isso. Primeiro realmente acho um absurdo o presidente ter de pedir dinheiro emprestado no seu nome. Mas se ele não colocasse, não haveria como administrar o Palmeiras. As administrações passadas foram irresponsáveis. O gasto foi muito maior do que o clube poderia fazer. Eu sou do Conselho de Orientação Fiscal. Cansei de avisar, pedir, implorar para que economizassem. Eu e a grande maioria do COF. Mas não fomos ouvidos. O futebol empolga. Todos querem ganhar, montar o melhor time. Mas tem um custo. O que aconteceu que é as contas foram empurradas. E elas chegaram até a administração do Paulo Nobre. Ele não deve ser criticado por colocar dinheiro. Se não fosse esse aporte financeiro, o clube estaria travado. Você vai me perguntar se eu gosto dessa maneira de se gerir um clube? Lógico que não. Mas entendo.

Você acredita que o Paulo Nobre tem saída?

Como deixar de montar um grande time e gastar?

Ainda mais agora com o Palmeiras fazendo 100 anos?

Não existe essa história de cem anos, centenário. Para o Palmeiras tem a mesma importância de 99, 95, 89...Se as contas não baterem no final do ano ficará complicado para o clube. É preciso ter uma visão realista das coisas. O torcedor está no direito dele de pedir grandes contratações. O dirigente precisa ir até onde as finanças permitem. Não há cabimento gastar mais do que pode. É preciso muito critério. Como por exemplo, comprar o Alan Kardec por R$ 12 milhões. Isso eu não vou concordar nunca. É um absurdo.

Mustafá, ele é do destaque do time...

1reproducao3 Não pagaria R$ 12 milhões no Alan Kardec. Estava no time B do Benfica... O Palmeiras já errou com o Valdívia e Wesley. Traz a peso de ouro jogadores que não deram certo na Europa... E me deixe comer o meu sanduíche de salsicha! Mustafá Contursi...

Pode até ser. Só que quem era o Alan Kardec no Benfica? Um jogador do time B. Comprado agora por R$ 12 milhões? Não é possível. O Palmeiras entrou nesse mesmo conto com o Valdivia, o Kléber, o Wesley. Atletas que não tinham espaço nos grandes clubes da Europa mas que nós compramos a peso de ouro. Muita irresponsabilidade dos ex-presidentes. Pura empolgação que custou caríssimo aos nossos cofres. Foi por isso que o Palmeiras está com o nome sujo na praça. As instituições financeiras não emprestam dinheiro ao clube. As dívidas se acumularam quando se agiu de forma amadora. O Alan Kardec pode até ter jogado bem nesses últimos tempos. Mas não vale R$ 12 milhões. Sou contra um gasto tão alto. Se o Paulo Nobre fizer essa compra ele vai cometer um grande erro. É preciso negociar. Mostrar aos portugueses que ele estava em baixa por lá. Em negociações desse tipo não se pode aceitar a primeira proposta. O dinheiro do clube fica comprometido. Com muito dinheiro gasto na compra e nos contratos longos, que infelizmente viraram moda no Palmeiras.

Mustafá você acha moral gastar R$ 12 milhões pelo Kardec...

E o Palmeiras ainda devendo R$ 15 milhões pelo Wesley...
 Não pagaria R$ 12 milhões no Alan Kardec. Estava no time B do Benfica... O Palmeiras já errou com o Valdívia e Wesley. Traz a peso de ouro jogadores que não deram certo na Europa... E me deixe comer o meu sanduíche de salsicha! Mustafá Contursi...

Não concordo com as duas negociações. Os valores são altos demais. Mas quero mesmo falar sobre a compra do Wesley. Eu e meus companheiros do COF protestamos, fizemos o que estava nas nossas mãos para a contratação não ser fechada. Ele estava há um ano sem jogar na Alemanha. E mesmo assim o ex-presidente quis comprometer R$ 15 milhões na sua contratação. Ele exerceu sua autoridade. Mas as coisas não deram certo. Quem pagaria tanto dinheiro pelo Wesley agora? Quanto ao empréstimo, muito cuidado. É preciso ver o que queria essa pessoa ( Antenor Angeloni, presidente do Criciúma). Ninguém sai emprestando dinheiro alegando um convênio que ainda nem existe. Ninguém é tão ingênuo assim. A negociação não me cheira bem. Só que isso não muda a minha tese. O Palmeiras precisa parar de gastar dinheiro com jogador que não dá certo na Europa. Esse erro vem prejudicando o clube. Repito a minha afirmação. Tente vender hoje o Wesley. Vai ver o quanto ninguém paga R$ 15 milhões por ele. Quem paga esse prejuízo? O Palmeiras.

O Palmeiras está devendo muito nos bancos.

Adiantou cota de televisão.

O time tem grandes limitações.

Mesmo assim a torcida cobra demais.

Qual a solução para reestruturar o clube.

E ainda ganhando títulos no futebol?

O primeiro passo é ser realista. Presidente não se pode dar ao direito de sonhar. Dirigente é dirigente, não torcedor. A solução para mim é simples. Basta agir como uma dona de casa que o marido perdeu o emprego. Não dá para ficar fazendo pose. É preciso ser prático. Pode chamar a consultoria que quiser. Encher o clube de gente arrumadinha, com gel, gravata, terno... Se o clube gasta mais do que arrecada vai ter problemas graves. Estamos pagando por isso há muito tempo. A atual administração trabalha bem. Tem responsabilidade. Mas o clube precisa de austeridade. Ser firme nas contas. Suportar as tentações. É difícil. Todo mundo gosta de comprar craques, montar seleções. Mas quem paga? O Palmeiras tem uma história de conquistas e respeito. Não é um clube de ficar devendo, ter seu nome vetado nas instituições financeiras. Administrar não é fazer apenas aquilo que se gosta. Antes dos títulos que os torcedores tanto querem vem a estrutura, a responsabilidade com o clube. Não se ganha a qualquer custo. Porque esse custo vem.

Você tinha razão em relação à arena?

Falou que o clube teria problemas com a WTorre...

Falei porque o contrato foi escondido de todos os conselheiros. Ninguém sabia como tudo iria funcionar. Nós estávamos fazendo a reforma do Palestra Itália. Você é testemunha, Cosme, que iniciamos até as obras. Mas de repente surgiu a ideia de fazer um novo estádio, do nada. E com o clube ficando anos e anos sem o menor controle desta nova arena. O Palmeiras já está pagando caro por isso. Perdendo dinheiro há anos. Pagando aluguel. Nosso time teve de circular por aí, sem casa, como andarilho. Os outros esportes também. O prédio que nos foi entregue pela construtora foi incompleto. Falta chão, teto, divisórias. Há muita coisa errada. Porém o mais importante é que ninguém teve acesso a todas as cláusulas do contrato. Como reclamei antes da arena começar a ser construída.

Mustafá, você é o presidente do Sindicato dos Clubes.

Concorda com o movimento Bom Senso para a mudança do futebol?

Acho válido os jogadores reivindicarem o melhor para sua classe. Mas existe o Sindicato dos Jogadores Profissionais para isso. O que é bom senso? Querer menos partidas? Os estaduais já foram diminuídos? Receber em dia? Jogadores cansam e processar e receber dos clubes. Há leis nesse país. É preciso prestar atenção se esse movimento de alguns jogadores não tem cunho político. Se não há pessoas beneficiadas com esse movimento. Isso é que passa a ser importante. Mas você me desculpe, Cosme. Estou com um sanduíche de salsicha na mão. Me deixe comer...

Espere um pouco, Mustafá.

Só deixe bem claro.

Você colocou o Paulo Nobre na presidência do Palmeiras.

Ele representa a sua ala política?

Isso é exagero da oposição, como sempre. Eu apenas votei e declarei meu voto no Paulo Nobre. Por acreditar que ele tem condições de comandar o Palmeiras. O que eu não via no outro candidato. Só isso. Agora ele faz o que ele quiser. Ele será cobrado no COF por seus atos. Apesar do meu voto não sou obrigado a concordar com suas todas suas atitudes. Como já disse a você. Acho que é injustiçado pela oposição e por vocês da imprensa. Ele arrumou uma maneira de fazer o clube continuar andando que foi tomar dinheiro emprestado no seu nome. Fez isso depois de vencer a eleição. Mesmo tendo o dinheiro que tem não prometeu que iria fazer isso antes. Tomou uma atitude digna, que merece elogios. Não críticas. Não é a ideal. Mas se esse dinheiro não chegasse ao clube, seria caótico.

E o centenário, vai passar em branco?

Sem títulos?

Pense no que foi o centenário de outros clubes grandes...Foi sempre um ano de muita cobrança e pouquíssimas conquistas. Não tem cabimento se preocupar demais com 100 anos. E esquecer o que está pela frente. Esse tipo de atitude irresponsável não leva a nada. O Palmeiras não pode pensar em um ano e esquecer os outros. Agora, chega. Eu quero comer o meu sanduíche de salsicha!

A última, Mustafá...

Você é apontado com a eminência parda no Palmeiras.

O homem que dá amparo à administração do Paulo Nobre.

É verdade?

Isso eu faço questão de responder. Não é verdade. O presidente faz o que quer, como sempre foi no Palmeiras. Eu pertenço com orgulho ao COF, Conselho de Orientação e Fiscalização. O que for para o bem do clube, vou concordar. O que não for, como essa arena ou gastar tanto com um jogador do time B do Benfinca, vou discordar. Mostrar a minha opinião. Mas só. Na verdade, sou um cadáver insepulto no Palmeiras. E isso incomoda muita gente. Sou página virada...

Pura ironia sua...

Mas bom sanduíche, Mustafá...

Já estava na hora. Até logo, Cosme...
4ae Não pagaria R$ 12 milhões no Alan Kardec. Estava no time B do Benfica... O Palmeiras já errou com o Valdívia e Wesley. Traz a peso de ouro jogadores que não deram certo na Europa... E me deixe comer o meu sanduíche de salsicha! Mustafá Contursi...

“Estou sendo humilhado no Corinthians. Nunca pensei passar pelo que estou passando. Não aqui.” O desabafo de Emerson Sheik, o grande responsável pela conquista da Libertadores…

1ae3 Estou sendo humilhado no Corinthians. Nunca pensei passar pelo que estou passando. Não aqui. O desabafo de Emerson Sheik, o grande responsável pela conquista da Libertadores...
"Estou sendo humilhado no Corinthians.

Nunca pensei passar pelo que estou passando.

Não aqui".

Este foi o desabafo que Sheik fez a um amigo em um show em São Paulo.

Não quis se alongar na conversa.

Até porque não está falando sobre sua situação com a imprensa.

Evita jornalistas.

Foi embora cedo para dormir e estar pronto para mais um dia na musculação.

Sabia que não iria treinar com o time.

Está afastado sem estar.

Vive uma situação hipócrita, comum no futebol.

Ou seja, vai ao CT todos os dias só que fica longe dos titulares.

Está fora dos planos.

Mas tem contrato.

Quando um clube não quer mais um jogador, o tortura.

Mano Menezes se convenceu que Sheik se acomodou de vez.

Perdeu a vontade de atuar no Parque São Jorge.

Mario Gobbi dá razão ao técnico.

E admite um dos maiores erros de sua administração.

Renovar o contrato de Sheik no ano passado.

O atacante tem 35 anos e acordo para ficar até junho de 2015.

Recebendo, entre luvas e salários, cerca de R$ 500 mil mensais.

Ou seja, ainda tem a receber cerca de R$ 7 milhões.

O arrependimento chega a dar azia no presidente.

A negociação tem um culpado: Tite.

Foi o ex-treinador quem lutou arduamente pelo jogador.

Tratou de retribuir o que ele fez pelo Corinthians na Libertadores.

Sheik desequilibrou a competição.

Principalmente os jogos decisivos.

Contra o Santos e o Boca Juniors.

O clube venceu a inédita competição sul-americana.

E abriu o caminho para ser bicampeão do mundo no Japão.

Só que o torneio que o atacante se destacou foi no primeiro semestre de 2012.

Desde então seu futebol caiu demais.

Seus arranques, dribles, gols, sumiram.

Passou a ser um jogador comum, facilmente anulado.

A vibração contagiante desapareceu.

Assim como seu envolvimento com o time.

Há vários fatores que pesaram.

O primeiro, pouco notado, foi a queda drástica de dois atletas.

Fábio Santos e Danilo, que o auxiliavam pela esquerda.

Ambos também jogaram mal demais 2013.

Eles o puxaram para baixo.

Danilo, inclusive, deixou de ser titular absoluto.

O episódio do beijo foi um grande tiro no pé.

De consequências profundas.

O jogador havia acabado de renovar o contrato com o Corinthians.

Ele sabia muito bem que foi graças a Tite.

1gazeta1 Estou sendo humilhado no Corinthians. Nunca pensei passar pelo que estou passando. Não aqui. O desabafo de Emerson Sheik, o grande responsável pela conquista da Libertadores...

Mas logo depois veio uma partida contra o Coritiba no Pacaembu.

O treinador decidiu substituí-lo.

E foi cumprimentá-lo na saída do gramado.

Emerson fingiu que não percebeu e não deu a mão a Tite.

O jogador sabia que isso repercutiria muito na imprensa.

Era muita ingratidão.

Foi quando resolveu naquele mesmo domingo desviar o foco.

Deu um beijo na boca de um amigo dono do restaurante Paris 6.

E ele mesmo colocou a foto nas redes sociais.

Era para ser uma atitude contra a homofobia.

Sheik não é gay, pelo contrário, coleciona namoradas como chaveiros.

Só que o comando das organizadas corintianas ficou furioso.

E foi ao Centro de Treinamento do Corinthians.

Desta vez, sem precisar invadir.

A diretoria, principalmente Mario Gobbi, também detestou o beijo.

Assim, depois de um treino, Sheik teve de ir para uma sala com os torcedores.

"Tomou uma prensa e descobriu que aqui é Corinthians.

E que a gente não aceita desrespeito.

Não tem essa de dar beijinho em homem", desabafou um diretor de uma organizada.

2gazeta Estou sendo humilhado no Corinthians. Nunca pensei passar pelo que estou passando. Não aqui. O desabafo de Emerson Sheik, o grande responsável pela conquista da Libertadores...

Todos os jogadores acompanharam a situação.

E não se manifestaram publicamente.

Não deram apoio ao jogador.

Sheik se sentiu desrespeitado e isolado.

Seu procurador Reinaldo Pitta mandou que se acalmasse.

E pensasse no futuro, no seu contrato.

Mas a relação do atacante com os demais jogadores azedou.

O clima de brincadeira, companheirismo, acabou.

Depois chegou Mano Menezes.

O treinador que tentou levá-lo para o Flamengo.

E chegou a contar com ele no meio do ano passado.

Os indícios que Pitta deu à diretoria rubro-negra não se confirmaram.

O técnico ficou muito decepcionado com a postura do jogador.

Pairou no ar a sensação que o clube foi usado.

Serviu apenas para o valorizar na discussão sobre o contrato.

O treinador acreditava que se ele tivesse ido para a Gávea, a história seria outra.

Não teria se demitido, inclusive pagando para ir embora.

E eis que o destino os coloca frente a frente.

Lógico que a boa vontade de Mano não era a mesma.

Muito pelo contrário.

No mundo do futebol ele é conhecido como uma pessoa vingativa.

Tanto que quem o decepcionava na seleção era esquecido.

Fred, Ramires, Hernanes, Douglas sentiram isso na pele.

Sheik percebia que não tinha espaço algum.

Já não era titular absoluto.

Passou a frequentar o banco de reservas.

 Estou sendo humilhado no Corinthians. Nunca pensei passar pelo que estou passando. Não aqui. O desabafo de Emerson Sheik, o grande responsável pela conquista da Libertadores...

Para piorar, veio a invasão ao CT.

Vândalos gritavam que iriam quebrar as pernas de dois jogadores.

De Alexandre Pato e as do próprio Emerson.

O jogador estava no vestiário.

Ajudou a segurar os bancos que foram colocados na porta como barricadas.

Ou seja, viu muito bem o que aconteceu.

As lideranças do time chegaram a pedir que não houvesse jogo contra a Ponte Preta.

Mas ouviram da diretoria que a partida aconteceria porque 'era da Globo'.

Os atletas entraram traumatizados, irritados em campo.

Estavam evitando entrevistas.

Articulavam uma greve em represália à invasão.

Sheik foi perguntado sobre essa possibilidade.

"Primeiro é importante entender o motivo da greve. Eu particularmente não sei. Existem, sim, motivos para que um dia essa greve possa acontecer. Eu quero entender a situação para me posicionar. Não estou dentro nem fora da greve, quero entender pra tirar minhas conclusões."

A postura do jogador desanimou o comando do Bom Senso.

Principalmente Rogério Ceni.

Emerson se queimou com o elenco corintiano.

A partir daí, a diretoria mandou empresários de confiança trabalharem.

O Grêmio foi uma possibilidade.

Mas o clube gaúcho tentou colocar Kléber na negociação.

Mano detesta atletas indisciplinados.

Vetou o negócio no nascedouro.

Depois foi oferecido foi ao Atlético Mineiro.

Kalil quis dar em troca André.

E exigiu que o Corinthians pagasse os salários dos dois jogadores.

Gobbi negou.

Foi quando surgiu o Botafogo.

Situação que não contentou Sheik no início.

Sabe muito bem o quanto está enfraquecido o time carioca.

Além disso, tem consciência dos atrasos rotineiros de salários.

Também não é estúpido.

Sabe que, se acertar e tiver garantido seu pagamento, correrá sério risco.

Ser boicotado pelo resto do time que não recebe em dia.

Em média, dois meses de atraso.

Se completasse três, os atletas poderiam conseguir sua liberação na Justiça.

Situação que Ricardinho viveu ao trocar o Corinthians pelo São Paulo.

Pouco importou ser campeão do mundo em 2002.

Foi praticamente expulso pelos jogadores.

Inconformados por ser o único por receber em dia.

Reinaldo Pitta e Emerson sabem.

Gobbi não o quer mais no Corinthians.

Assim como Mano.

A situação é insustentável.

A Libertadores de 2012 ficou para trás.

Virou uma fotografia na parede.

Que desbotou muito, mas muito rápido...
5gazeta Estou sendo humilhado no Corinthians. Nunca pensei passar pelo que estou passando. Não aqui. O desabafo de Emerson Sheik, o grande responsável pela conquista da Libertadores...

E surge o primeiro processo pelas oito mortes nas arenas da Copa. O pedido é de R$ 1 milhão. E o Ministério do Trabalho assume o absurdo. “Fazia de conta” que não via os problemas no Itaquerão para não atrasar a Copa. Pior para os operários…

 E surge o primeiro processo pelas oito mortes nas arenas da Copa. O pedido é de R$ 1 milhão. E o Ministério do Trabalho assume o absurdo. Fazia de conta que não via os problemas no Itaquerão para não atrasar a Copa. Pior para os operários...
Demorou, mas veio a reação.

Um escritório de advocacia de São Paulo percebeu.

A morte de Fábio Hamilton Cruz pode custar caro.

Muito caro para a Odebrecht, Fast Engenharia e WDS Construções.

Ao contrário dos familiares dos outro sete operários mortos.

A de Fábio se prepara para enfrentar os poderosos.

Até agora, tudo o que receberam foi um grande 'sinto muito'.

Além de flores, transporte do corpo e caixão para o enterro em Diadema.

O principal ponto que os advogados vão se pegar será no treinamento.

A família insiste que Fábio não tinha capacidade para estar a nove metros do solo.

Ele vendia doces nos faróis de São Paulo antes de trabalhar no Itaquerão.

Foi contratado como ajudante geral.

Não tinha qualificação alguma.

Ainda mais sem a supervisão de chefes, como garantem testemunhas.

Nos Estados Unidos e na Europa, mortes na construção civil é um assunto sério.

E responsável por processos milionários.

Como por exemplo o caso da Adams Thermal Systems Inc.

Um operário morreu esmagado por uma máquina na empresa em 2011.

A Adams teve de pagar US$ 1,3 milhões (cerca de R$ 2,9 milhões).

Parte do dinheiro, US$ 450 mil (cerca de R$ 1 milhão) à família.

O restante em multas ao governo.

No ano passado houve um grave acidente.

Na construção do estádio do San Francisco 49ers.

Donald White era um mecânico especializado em elevadores.

Um deles caiu e o matou esmagado.

A California Occupational Safety and Health Administration tomou uma decisão imediata.

Multou os construtores em US$ 54 mil (cerca de R$ 123 mil).

A partir daí, a família de Donald tem até mais força para buscar seu ressarcimento.

E processar o San Francisco 49ers e os empreiteiros.

No Brasil não há esse costume.

Até porque os operários da construção civil costumam vir de famílias simples.

Fábio, por exemplo, recebia R$ 1,066,00 por mês.

O processo de R$ 1 milhão chega em hora oportuna.

O Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo aponta 26 irregularidade no Itaquerão.

A arena não será liberada se essas falhas não forem corrigidas.

Entre elas, a área de escape do estádio em caso de incêndio.

O tempo máximo aceito é de oito minutos, o que já é perigoso demais.

No Itaquerão, uma pessoa levaria até 11 minutos para tentar sair.

Esse tempo poderia significar a diferença entre viver e morrer.

O Ministério Público promete interditar o estádio.

Até mesmo durante a Copa.

Basta não atender a todas as exigências do Corpo de Bombeiros.

Para dar um tom sombrio e inacreditável a tudo isso...

Surge Luiz Antônio Medeiros.

Ou melhor, ressurge.

2ae3 E surge o primeiro processo pelas oito mortes nas arenas da Copa. O pedido é de R$ 1 milhão. E o Ministério do Trabalho assume o absurdo. Fazia de conta que não via os problemas no Itaquerão para não atrasar a Copa. Pior para os operários...

Para quem não se lembra ele foi candidato ao governo de São Paulo.

Foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos paulista.

Fundador da Força Sindical.

Hoje ele é superintendente do Ministério do Trabalho em São Paulo.

Ele teve a coragem de declarar à Folha.

"Se esse estádio (o Itaquerão) não fosse da Copa, os auditores teriam feito um auto de infração por trabalho precário e paralisado a obra. Estamos fazendo de conta que não vemos algumas coisas irregulares. Não vamos nem entrar neste assunto porque vai atrasar ainda mais a obra. Falei com o ministro (do Trabalho) e ele deu respaldo."

Vale a pena repetir duas partes mais importantes.

"Estamos fazendo de conta que não vemos."

"Falei com o ministro e ele deu respaldo".

As declarações do superintendente do Ministério do Trabalho são suicidas.

Qualquer advogado de um dos três mortos no Itaquerão saberá o que fazer com elas.

Mas tem mais.

De acordo com Medeiros, fiscais do Ministério do Trabalho perceberam.

Operários trabalhando no estádio sem equipamentos de segurança individuais.

Ele disse ainda que a fase pior está chegando.

"O momento do desmonte é quando acontecem muitos acidentes.

Isso passou a ser a nossa preocupação."

Ou seja, se houver novas mortes não será surpresa.

Em que lugar civilizado o Ministério do Trabalho brinca com milhares de vida.

"Fazer de conta que não vê problemas para não atrasar ainda mais o estádio."

E com o respaldo do ministro Manuel Dias.

Constrangido com a revelação, Dias mandou sua assessoria se manifestar.

E ditou uma declaração para os veículos de comunicação.

“"O único respaldo que o ministério deu ao superintendente Medeiros foi fazer a fiscalização nas obras dentro do que determina a lei e, se possível, dentro de um entendimento com a empresa responsável pelas obras (a Odebrecht)."

As famílias dos oito operários mortos nas arenas brasileiras lamentam.

Perderam seus entes queridos.

Uma vida não tem preço.

Mas quando ela é perdida por acidentes evitáveis, não.

O mínimo que os familiares merecem é o conforto material.

E ele deverá a começar a vir em processos milionários.

Para surpresa de construtoras, empreiteiras, os humildes se rebelaram.

Grandes escritórios de advocacia podem fazer justiça.

Cobrar o descaso com a vida neste país.

A família de Fábio Hamilton Cruz já comprou a briga.

E deverá ser seguida.

Só no Itaquerão três trabalhadores morreram.

Na Arena Amazônia foram mais quatro.

E outra no estádio Mané Garrincha em Brasília.

Isso só em estádios que participarão da Copa.

Morreram mais dois operários.

Um na nova arena do Palmeiras.

E outro na do Grêmio.

Dez vidas perdidas.

Dez famílias despedaçadas.

E que ganharam até agora migalhas por suas tragédias.

Mas o quadro está para mudar.

É mais do que obrigatório.

Nesse país que o ministério do Trabalho assume.

'Faz de conta' que não vê problemas em estádios que podem matar brasileiros.

O ponto final está nas mãos dos advogados.

Processos milionários são milagrosos.

Principalmente para quem expõe a vida humana...
3ae3 E surge o primeiro processo pelas oito mortes nas arenas da Copa. O pedido é de R$ 1 milhão. E o Ministério do Trabalho assume o absurdo. Fazia de conta que não via os problemas no Itaquerão para não atrasar a Copa. Pior para os operários...

A Arena Pantanal envergonha o país. Segrega operários e seus familiares. Tiveram de sentar no cimento. Longe das cadeiras que instalaram ou dos camarotes que construíram. Este é o Brasil…

1reproducao2 1024x802 A Arena Pantanal envergonha o país. Segrega operários e seus familiares. Tiveram de sentar no cimento. Longe das cadeiras que instalaram ou dos camarotes que construíram. Este é o Brasil...
Vá ao cinema.

"12 anos de Escravidão" é um ótimo filme.

Não vou esmiuçar o enredo.

Mas peço, se atender a minha recomendação, um favor.

Reparar nas pessoas quando as luzes do cinema forem acesas.

A revolta pela maneira com que os escravos eram tratados.

Chibatadas à parte, vale se fixar na diferenciação.

As famílias abastadas do Sul dos Estados Unidos eram rígidas.

Os negros não podiam entrar sem ordem na 'casa grande'.

Que usassem sua senzala.

Mesmo nos cultos religiosos, havia a separação aos escravos.

Cada um do seu lado.

Sem proximidade.

Mesmo com o fim da escravidão, a diferenciação permaneceu.

A segregação continuou nos Estados Unidos até por volta de 1960...

Há pouco mais de 50 anos havia lugares nos ônibus, banheiros, escolas para negros.

Os brancos não deveriam casar com negros.

Simples namoros entre 'casais mistos' eram considerados estupros se o homem fosse negro.

Haviam bebedouros para crianças brancas nos parques de diversão.

As negras não podiam se aproximar.

Líderes como Martin Luther King, Malcom X enfrentaram o sistema.

A luta foi terrível, sangrenta.

Principalmente no Sul do país.

Onde, não por acaso, a verdadeira história de '12 anos de Escravidão' se passa.

Martin e Malcom mobilizaram os Estados Unidos para acabar com a segregação.

Morreram assassinados, mas conseguiram seu intento.

Hoje qualquer tipo de diferenciação é denunciado e punido exemplarmente.

Esqueça por um momento dos Estados Unidos.

Pense no Brasil, no Mato Grosso, na inauguração da Arena Pantanal ontem.

2 de abril de 2014.

Elefante branco assumido para 40 mil lugares.

Com o futebol fraquíssimo de Cuiabá, o estádio é um exagero criminoso.

Custou até agora R$ 570 milhões.

Exatos 100% do dinheiro público.

Terá serventia garantida por 11 dias.

Sediará quatro jogos da fase de classificação.

A sorte reservou partidas sem destaque algum.

Chile x Austrália, Rússia x Coreia do Sul...

Nigéria x Bósnia-Herzegovina e Japão x Colômbia.

O primeiro jogo, entre chilenos e australianos, será no dia 13 de junho.

O último, entre japoneses e colombianos, dia 24 de junho.

E acabou a Copa do Mundo para a Arena Pantanal.

Apesar de o país saber que sediaria a Copa em 2007, a obra começou em 2010.

A data que o governo do Mato Grosso se comprometeu a entregar a obra...

Dezembro de 2012.

Sim, 2012.

Ela foi inaugurada ontem.

Com cerca de 97% pronta.

Os alegados 3% que faltavam foram complicados.

Os relatos de quem esteve lá não deixam dúvidas.

Sem obras básicas de acesso, a lama dominou a entrada do estádio.

Marcos LamdimTCCA03 A Arena Pantanal envergonha o país. Segrega operários e seus familiares. Tiveram de sentar no cimento. Longe das cadeiras que instalaram ou dos camarotes que construíram. Este é o Brasil...

Banheiros sem água, outros entupidos.

As bilheterias eletrônicas não funcionavam.

Vários lugares com o cimento exposto, sem a colocação de piso.

Falta de iluminação ao redor da arena.

Não havia lugar para cadeirantes.

Eles foram colocados nos corredores, das arquibancadas.

O que é proibido em qualquer lugar civilizado do planeta.

Goteiras nos corredores do estádio.

E agora vem o problema ainda mais revoltante.

Das 40 mil cadeiras, apenas houve tempo para a instalação de 20 mil.

Elas foram vendidas.

Nos camarotes confortáveis havia comida e bebida liberadas.

Mas só para os convidados do governo.

Para eles foi uma comilança gratuita.

O Mixto recebeu o time reserva do Santos pela Copa do Brasil.

Foi um triste 0 a 0.

Mas vale a pena analisar foi a situação dos 1.200 operários convidados.

Vários levaram mulheres e filhos.

Estavam todos orgulhosos.

O que seria um gesto nobre do governo, na prática, acabou indecente.

Os homens que trabalharam para levantar o estádio foram segregados.

Tiveram de ficar em um lugar separado dos torcedores 'normais'.

Havia portão diferente que garantia a falta de contato.

Só poderiam usar os banheiros que estavam no seu setor.

Assim também como as lanchonetes.

Mal providas, a comida logo acabou.

Mesmo assim não podiam circular pelo estádio buscando alimento.

E a cereja do bolo.

Não havia cadeira alguma para os operários.

Tinham de sentar no cimento.

Cadeira só para quem pagou ou foi convidado.

Humilhação para os trabalhadores.

Segregação na sua forma mais pura.

Quem assistir 12 anos de Escravidão vai poder comparar.

Quando há um culto religioso, os brancos confortáveis de um lado.

Os negros, amontoados, do outro.

"Trabalhamos duro aqui e não pudemos nem sentar nas cadeiras. No bar que tivemos acesso, não tinha comida. Acho uma sacanagem conosco, já que fizemos parte dessa construção. Na hora da parte boa, nos deixam desse jeito."

O desabafo foi do montador Edinaldo Santana.

Ele teve coragem de se identificar.

Falou ao Globoesporte.com.

Vários outros operários reclamavam mas tinham medo de represálias.

E não diziam seus nomes aos repórteres que estavam lá.

O que pode até custar caro ao indignado Edinaldo.

Em coletiva, o secretário da Secopa do Mato Grosso, Marcelo Guimarães falou.

Estava feliz.

"Saio muito satisfeito. Com o resultado da partida, já que o Mixto levou o jogo para a Vila Belmiro, e com o comportamento da população. As pessoas vieram para ver um grande jogo, para conhecer uma arena de primeiro mundo. Se sentiram dentro de um estádio fora do que estavam acostumados. Foi muito positivo. Ainda falta muito trabalho para que estejamos aptos a realizar a Copa do Mundo. Porém, todas as forças funcionaram dentro da normalidade. Governo, segurança, saúde, trânsito, e a evacuação do estádio foi muito boa. Em menos de três minutos já não havia mais torcedores dentro do estádio."

Lógico, não falou uma palavra sobre a condição dos operários no jogo.

Nem lembro do pedaço do estádio, em cima.

Onde só havia cimento para sentar.

3reproducao1 A Arena Pantanal envergonha o país. Segrega operários e seus familiares. Tiveram de sentar no cimento. Longe das cadeiras que instalaram ou dos camarotes que construíram. Este é o Brasil...

Foi como se eles não existissem.

Os que vestiram suas melhores roupas, levaram mulheres e filhos.

E foram colocados para sentar no cimento.

Até para preencher o vazio da obra incompleta.

Tristes figurantes de mais um estádio atrasado...

Mas de lá podiam ver quem tinha dinheiro desfrutar das cadeiras.

Cadeiras que eles mesmos instalaram e não puderam sentar.

E os 'amigos' do governo se esbaldar nos camarotes.

Camarotes que construíram e não puderam chegar perto.

E depois ir embora pelos portões por onde entraram.

Sem o menor contato com quem pagou ou foi convidado para os camarotes.

Vergonhoso.

Esse foi apenas um exemplo perdido de como as coisas acontecem no Brasil.

País que onde a discriminação é escancarada.

Que chegue logo a Copa do Mundo em Cuiabá.

Com suas quatro partidas da fase de classificação.

11 dias de utilidade real.

Depois?

Ninguém sabe.

Ninguém quer saber.

Assim o país gastou mais R$ 570 milhões dos seus cofres públicos.

E ainda por cima aproveitou para lembrar ao mundo.

Lugar de gente pobre é no cimento, longe dos abastados.

Como se tivessem lepra.

Fossem os intocáveis na Índia.

Ou simplesmente negros no Mississipi dos anos 60.

Esses mesmos abastados vão ao cinema no shopping center de Cuiabá.

E choram ultrajados vendo 12 Anos de Escravidão.

Que Brasil é esse?
2reproducao1 A Arena Pantanal envergonha o país. Segrega operários e seus familiares. Tiveram de sentar no cimento. Longe das cadeiras que instalaram ou dos camarotes que construíram. Este é o Brasil...

O presidente da Portuguesa não está feliz com a primeira vitória na Justiça Comum. Ele sabe que a CBF e Globo não aceitarão o Flamengo na B. Lico sonhava com um acordo. Receber R$ 18 milhões e disputar a Segunda Divisão. Agora virá o confronto…

1ae2 1024x768  O presidente da Portuguesa não está feliz com a primeira vitória na Justiça Comum. Ele sabe que a CBF e Globo não aceitarão o Flamengo na B. Lico sonhava com um acordo. Receber R$ 18 milhões e disputar a Segunda Divisão. Agora virá o confronto...
A insegurança domina Ilídio Lico.

Ele não está nada feliz com a entrada do clube na Justiça Comum.

Nem com a primeira vitória conseguida na 43ª Vara Cível.

O juiz Miguel Ferrari Júnior mandou a confirmação do time na Série A.

Sendo assim, o Flamengo passaria a ser o clube rebaixado.

Lico está longe de ser ingênuo.

Ele tem certeza que mexeu com inimigos poderosos.

A CBF e a Globo.

A entidade presidida por José Maria Marin já havia avisado o clube.

O caminho, se quisesse o confronto, seria a Corte Arbitral do Esporte,na Suíça.

É lá a última instância esportiva.

Mas o clube paulista não foi até lá por um motivo simples.

Seu presidente estava disposto a aceitar o rebaixamento.

Foi por isso que enrolou por um mês.

Conseguiu segurar a decisão unânime dos seu Conselho Deliberativo.

O grande problema que tem nas mãos é a dívida deixada por Manuel da Lupa.

Pessoas ligadas ao Ministério Público garantem que elas são surpreendentes.

Foram vários empréstimos feitos ao Banif dando áreas do clube como garantia.

Eles chegariam à quantia absurda de R$ 600 milhões.

O que explicaria o desespero de Lico em relação ao dinheiro.

"Eu fico constrangido.

Pago os empregados das minhas empresas em dia.

Mas não consigo fazer isso na Portuguesa.

Não há caixa", diz Lico.

Se não há como pagar o time em dia, como formar uma equipe para a Série A?

O dinheiro em caixa mal dá para bancar um time limitado na B.

Por isso não é por acaso que seu vice jurídico avisou.

"A entrada na Justiça Comum não é radical.

Pode haver um acordo.

Não queremos tumultuar o futebol brasileiro."

As frases são de Orlando Cordeiro de Barros.

Ou seja, a solução seria uma questão de dinheiro.

O processo na Justiça Comum pode sumir como por encanto.

Basta a Globo e a CBF pagar o que a Portuguesa receberia se disputasse a A.

Cerca de R$ 18 milhões.

O que Lico não aceita são os R$ 3 milhões reservados para a B.

Marin já tinha entendido essa situação há muito.

Ele e Marco Polo del Nero.

Por isso pararam de liberar dinheiro para a Portuguesa.

O clube pediu emprestado várias vezes à CBF e FPF.

Sutilmente foi dada a mensagem.

Se o clube não procurar a Justiça Comum, o dinheiro chegaria.

Não os sonhados R$ 18 milhões.

Daí vem o entrave.

Embora alguns conselheiros e torcedores estejam eufóricos...

Não é esse estado de espírito que domina Lico.

2ae2  O presidente da Portuguesa não está feliz com a primeira vitória na Justiça Comum. Ele sabe que a CBF e Globo não aceitarão o Flamengo na B. Lico sonhava com um acordo. Receber R$ 18 milhões e disputar a Segunda Divisão. Agora virá o confronto...

Sabe que poderia ser destituído do cargo.

Só por isso aceitou a entrada na Justiça Comum.

O presidente da Portuguesa não quer a Série A.

Sabe que será caótico ter de montar uma equipe para a elite.

Sem dinheiro as chances de rebaixamento são enormes.

Por isso, seu sonho é apenas a CBF manter os R$ 18 milhões de 2013.

Aí disputaria a Segunda Divisão sem problemas.

Seu medo é ver a liminar cassada.

Receber R$ 3 milhões para jogar a Segunda Divisão.

Seu clube se transformar em inimigo de Marco Polo del Nero.

E ter a CBF e a FPF contra a Portuguesa.

Enquanto isso, Marin e Marco Polo se organizam.

Querem a liminar cassada o mais rápido possível.

O Brasileiro da Série A começará no dia 29 de abril.

Há a convicção que até lá tudo estará resolvido.

Lico sabe que Marin e Globo não aceitariam o Flamengo rebaixado.

Não por uma manobra política para favorecer a Portuguesa.

Já basta a raiva com a final do Paulista entre Santos e Ituano.

Raiva e perde de audiência.

Ficar sem o clube mais popular do país seria uma tragédia.

Saber de tudo isso foi o motivo de Lico não querer a Justiça Comum.

Mas agora é tarde, não conseguiu segurar os inflamados conselheiros.

O presidente a Portuguesa não quer a Série A.

Deseja uma compensação financeira para amenizar a situação do clube.

A herança maldita de Manuel da Lupa.

Marin e Marco Polo estão revoltados com a Portuguesa.

E só darão mais do que os obrigatórios R$ 3 milhões em caso de emergência.

A decisão é ver, daqui para a frente, a Portuguesa como oponente, inimiga.

Era tudo o que Ilidio Lico não queria...
1gazeta  O presidente da Portuguesa não está feliz com a primeira vitória na Justiça Comum. Ele sabe que a CBF e Globo não aceitarão o Flamengo na B. Lico sonhava com um acordo. Receber R$ 18 milhões e disputar a Segunda Divisão. Agora virá o confronto...

O lado desconhecido, crítico, contestador de Silvio Luiz. Ao mesmo tempo em que sonha narrar sua décima e última Copa na carreira, se revolta com os interesses que cercam o Mundial no Brasil. “Estou indignado…”

1ae1 O lado desconhecido, crítico, contestador de Silvio Luiz. Ao mesmo tempo em que sonha narrar sua décima e última Copa na carreira, se revolta com os interesses que cercam o Mundial no Brasil. Estou indignado...
O tempo passou rápido demais.

79 anos e 62 anos de jornalismo.

Mas ele se negou a envelhecer.

Continua com sua alma de menino.

Inquieto, irreverente, extremamente inteligente.

Raciocínio arguto, tem uma fina ironia atrás de cada frase.

Silvio Luiz.

Homem que mudou a maneira de narrar futebol no Brasil.

Narrador à frente do seu tempo.

Conseguiu unir a descontração à tensão de uma partida.

Algo que as tevês tentam, 40 anos depois, seguir artificialmente.

Silvio Luiz vive um dilema.

Situação raríssima.

E delatada pela Internet.

Ele é contratado da Rede TV!

Tem programa diário de futebol e narra a Série B do Paulista.

Trabalha como comentarista da rádio Transamérica FM.

Tudo estava seguindo seu ritmo.

Só que a Copa chegou ao Brasil.

Ele já trabalhou em nove Mundiais.

Acalentava há anos o sonho de trabalhar no décimo.

O último de sua trajetória.

Recebeu uma proposta inesperada, uma homenagem da Fox Sports.

Seria a voz paulista na emissora a cabo.

Algo merecido e mágico.

Ainda mais para quem completará 80 anos um dia após a final da Copa.

Mas ele precisaria ser liberado pela cúpula da Rede TV.

Ser emprestado.

Todos os envolvidos acreditaram que não haveria problemas.

Não há concorrência entre a emissora aberta e a cabo.

A Fox até valorizaria o narrador que não é seu.

Mas os donos da Rede TV disseram 'não'.

Não querem cedê-lo.

Mas houve reação espontânea.

Fãs do narrador iniciaram uma justa campanha na Internet.

Ela tem a hastag #NarraSilvio.

Ficou entre os assuntos mais comentados do twitter.

Em uma longa exclusiva para o blog, confirmou sua fidelidade.

Não quer comprar briga de jeito algum com a Rede TV.

Aceitará se o 'não' for mantido.

Mas lógico que seus olhos brilham quando pensa na décima Copa.

A alegria com a surpreendente proposta domina seu semblante.

Mas segue ético, firme.

"Sou uma pessoa muito leal.

Sou grato de coração à Fox Sports por querer fazer essa homenagem.

Só que a minha casa é a Rede TV!

E eu sou muito feliz lá.

Se não narrar a décima Copa, paciência.

Não vou trair a minha emissora."

Ponto de vista claro, cristalino, decente.

Mas Silvio Luiz não escapou.

Havia muitos outros questionamentos.

E em duas horas ele mostrou o lado que poucos conhecem.

O da indignação, o da revolta.

A desilusão com o esporte que tanto ama, o futebol.

Assim também com a vida como cidadão no seu país...

Silvio, como é que você está acompanhando os preparativos para a Copa no Brasil? Qual a sua sensação com o dinheiro investido nos estádios, as manifestações, o papel da Fifa, os cofres públicos financiando o Mundial. Os atrasos..

O primeiro sentimento é o que todo brasileiro deve ter: indignação. Ainda mais eu que estou para fazer 80 anos. Esperei muito que a Copa do Mundo voltasse ao Brasil. Mas não dessa maneira que veio. Acreditei no Lula, no Ricardo Teixeira. Fui mais um ingênuo que pensou que o dinheiro público não seria usado. Pura mentira. O brasileiro comum que precisa trabalhar para viver está indignado. E se sentindo traído como eu. Como é que o Brasil soube que iria fazer a Copa em 2007 e por três anos todos ficaram de braços cruzados. Só para depois começar a construir os 12 estádios. Essa demora foi de propósito. Foi quando houve os acordos com as construtoras, empreiteiras. O estádios ficaram superfaturados de maneira criminosa, proposital. Como é que vou ficar batendo palmas para tanta mentira? Cadê o trem bala entre Rio e São Paulo? Cadê as reformas nos aeroportos? As obras de mobilidade social? Sou muito atento. E vi o quanto o Brasil está sendo explorado para organizar essa Copa. Mas sou justo. A Fifa não impôs nada. Nós é que fomos atrás. Teve gente importante que implorou, comprou para trazer a Copa para cá. O interesse político é enorme, só não ver quem não quer. E eu enxergo muito bem.

2ae1 O lado desconhecido, crítico, contestador de Silvio Luiz. Ao mesmo tempo em que sonha narrar sua décima e última Copa na carreira, se revolta com os interesses que cercam o Mundial no Brasil. Estou indignado...

Qual foi o interesse político?

Foi tudo muito bem pensado pelo Lula. Ele é inteligente demais. Calculou em 2007 que trazer a Copa garantiria a reeleição de quem estivesse no seu lugar. Ele sabia que faria seu sucessor. E este foi o plano. Está aí o Mundial para ajudar a Dilma e o seu partido a ficarem mais quatro anos no poder. Parecia um ótimo investimento. Completar 16 anos no poder, continuar a controlar um país tão rico como o Brasil. Mas acabou sendo um tiro de canhão no pé.

Como assim, Silvio. Por favor explique...

Vou falar algo que ninguém ainda reparou. Nunca qualquer população de um país renegou a Copa. África, Alemanha, Estados Unidos...Em todos os países até agora sempre foi motivo de alegria, orgulho. Aqui, não. Muita gente não quer mesmo o Mundial. E eu entendo. O brasileiro está cansado de ser massacrado. Eu vi uma senhora de 90 anos sendo tratada em um chão de hospital público. Não há segurança, educação, saúde. E vamos organizar uma Copa e em seguida uma Olimpíada para garantir mais quatro anos de poder a um partido? Essa situação é absurda. E ainda vem um sujeito e diz que Copa não se faz com hospitais, mas com estádios... Há muita gente egoísta nesse mundo. Antes de uma Copa as autoridades precisariam cuidar da população do seu país. Falta saneamento básico, água potável para as pessoas beberem. Crianças vão para a escola só para comer merenda. O transporte público é de péssima qualidade. Tudo está ruim. E o governo vai gastar bilhões com uma competição que durará um mês. O brasileiro está mais esperto. Trazer a Copa do Mundo nessas condições não garante reeleição de ninguém. Mesmo ganhando ou perdendo o título. A população deixou de ser tão alienada. Sabe separar o futebol da vida como um todo.

Estamos completando 50 anos do início da Ditadura Militar. E meio século depois o governo tenta usar o futebol para que o povo esqueça o que acontece de verdade no Brasil. Não é uma incoerência, já que teoricamente é a esquerda que governa? Na Copa de 70, por exemplo, eram os militares...

Quem diria...Os generais acabaram ensinando os ex-guerrilheiros a ficar no poder. Só que os tempos são outros. Graças a Deus não há censura. Eu posso aqui estar dando a minha opinião. Há Internet. Ninguém controla mais os jornais, os rádios, a televisão. É possível ter opinião. Hoje as pessoas têm acesso à informação. Ao contrário do que acontecia na Ditadura Militar. Por isso que a Copa não será usada como muita gente pensou em 2007.

Você confia na Seleção do Brasil?

3ae2 1024x576 O lado desconhecido, crítico, contestador de Silvio Luiz. Ao mesmo tempo em que sonha narrar sua décima e última Copa na carreira, se revolta com os interesses que cercam o Mundial no Brasil. Estou indignado...

Olha, o Felipão foi muito inteligente. Mostrou o poder da experiência de quem já foi campeão. O Marin soube escolher. O Mano Menezes não tinha currículo, era muito inexperiente, inseguro. Não conseguiu montar um time. Fez várias e várias convocações que ninguém entendeu. Estava lá não por competência. Mas por ser homem do Andrés, que era homem do Teixeira. Quando o Marin assumiu fez muito bem em trocar essa gente. Só lamento que vai voltar a festa. A Globo vai deitar e rolar neste Mundial.

Como assim? A Seleção não é do povo?

Deixa de ser irônico. A Seleção Brasileira pertence à Rede Globo de Televisão. Qual é a única emissora que mostra todos seus amistosos de forma exclusiva? E não há a menor possibilidade da a CBF vender para uma concorrente. Porque vem assim desde a Ditadura Militar. Foi nesse período que a Globo se consolidou. Os militares ofereceram e ela se apropriou do futebol. O Dunga resolveu enfrentar essa situação. Ele é meu amigo. Depois da Copa da África conversei muito com ele. Ouvi que ele queria democratizar a informação. Ou seja, não dar mordomia para a Globo na Copa. Mas não é assim que se joga. Todos os treinadores precisam saber como as coisas funcionam. O Felipão e o Parreira são homens respeitáveis, não são? São. Mas a Globo vai fazer o que quiser com a Seleção nesta Copa. De manhã com a Ana Maria Braga, depois Jornal Nacional e na hora de dormir no Jornal da Globo. Não quero nem pensar no que a Fátima Bernardes vai fazer na concentração. Não adianta disfarçar, ficar bravo. Quem trabalha na Seleção para viver bem precisa ser um funcionário da Globo. Ou você não sabe que o Felipão só foi para programas na Globo e no Sportv, que é a Globo a cabo? A gente finge que não vê para não criar inimizade. Cosme, esse é o jogo.

E quanto ao time, Silvio?

É muito bom. Tem jogadores jovens. A torcida fará uma pressão danada para ajudar. Tem chance sim de ganhar a Copa. Terá adversários duros. Mas poderá sim ficar com o hexacampeonato. Só que preciso confessar que a maneira com que a Copa está sendo feita tira a ingenuidade no ato de torcer. As reivindicações nas manifestações estão certas. Isso faz com que a paixão pela Seleção, de quem pensa um pouco, diminua. A vaia que a Dilma e o Blatter tomaram em Brasília foi o retrato disso. E quer situação mais humilhante que a presidente não poder discursar na abertura da Copa? Só para não perder popularidade em ano de eleição? É a sensação de revolta com vários setores do país.

Você acredita que acabou a visão do mundo que o brasileiro é um povo pacífico? E que com mulheres fáceis e samba todos os dias?

As manifestações mudaram essa visão. Mas sinceramente não me orgulho com o que está sendo mostrado. Os documentários mostram a nossa violência, o domínio das drogas na sociedade. Estão colocando nosso país abaixo de zero. Nunca quem negociou a vinda da Copa e da Olimpíada para cá poderia imaginar esse quadro. O lado pior da nossa realidade está todos os dias nas telas das principais emissoras de tevê do mundo. Isso só nos desmoraliza.

1reproducao1 O lado desconhecido, crítico, contestador de Silvio Luiz. Ao mesmo tempo em que sonha narrar sua décima e última Copa na carreira, se revolta com os interesses que cercam o Mundial no Brasil. Estou indignado...

Por falar em violência, como você explica o que está acontecendo nos estádios, nos metrôs, nas ruas. Torcedores estão se matando..

O futebol é reflexo da nossa sociedade. Aqui no Brasil impera a impunidade. Há a sensação de que tudo é permitido. Nunca na minha vida iria imaginar 15, 20 torcedores rivais fazendo fila para esmagar com barra de ferro e pontapé a cabeça de um torcedor de outro time caído. Isso é selvageria pura. Pessoas que deveriam estar presas, trancadas para o resto da vida, andam normalmente. Algumas são até presas. Mas soltas no dia seguinte. É o que acontece longe do futebol. Eu morava em uma casa aqui (na capital) em São Paulo. Mas ela foi invadida por bandidos. Colocaram revólver no pescoço da minha mulher. Foi Deus quem impediu que algo de pior acontecesse. Mudei para Barueri. Fomos para um condomínio fechado, ficar presos. E os bandidos estão soltos na rua. Não há como andar tranquilo nas ruas. Quem deveria oferecer essa segurança é o governo. Pagamos tantos impostos e nada é feito. Não é de estranhar que essa violência das ruas chegue nas organizadas, no futebol. É o caminho natural.

Você está satisfeito com o jornalismo esportivo brasileiro?

Sinto falta de informação de verdade. Há uma crise. Jornais tradicionais como o JT estão fechando. Sei de muita gente boa desempregada. A relação entre os jornalistas e os jogadores está deteriorada. Eles viraram celebridades. Têm agentes, assessores de imprensa. São pessoas superficiais, sem personalidade. Repetindo tudo o que os assessores mandam. O jornalista não pode questionar para não criar problema e não ser atendido por esses jogadores. Tudo aparentemente virou profissional demais. Mas falta substância, verdade no que o jogador fala. Outra situação que me incomoda muito é o status dado ao ex-atleta. As televisões desprezam jornalistas com embasamento para colocar um ex-ídolo. Por que esses jogadores não fazem faculdade? Não é justo. Para mim, um grande cobrador de faltas no passado deveria estar ensinando garotos a cobrar faltas e não dar palpites na tevê. Assim como ex-goleiro. E por aí vai. Mas como sei que é a audiência que manda, o ideal seria que, para cada ex-jogador, pelo menos um jornalista de verdade fosse contratado.

O Galvão Bueno é o melhor narrador da televisão brasileira?

2reproducao O lado desconhecido, crítico, contestador de Silvio Luiz. Ao mesmo tempo em que sonha narrar sua décima e última Copa na carreira, se revolta com os interesses que cercam o Mundial no Brasil. Estou indignado...

O melhor sou eu... (ri, irônico). A TV Globo faz o seu narrador ser o melhor do Brasil. Ela tem todos os grandes eventos. Vira um costume ouvir o mesmo narrador. O Galvão Bueno segue a linha do Geraldo José de Almeida. Ele é ufanista demais. Torce muito. Fica irritante. E não admite que ninguém vá contra a sua opinião. Mesmo as câmeras muitas vezes desmentindo o que ele está narrando. Coloca o Arnaldo César Coelho em cada fria... Mas gosto do Galvão. E acho que ele deu uma lição de humildade que muita gente não esperava. Estava lendo um texto e acabou perdendo um gol do Brasil contra a África do Sul. Ele se desculpou publicamente. Foi digno da parte dele. Uma postura de grande profissional que é.

As emissoras de tevê estão buscando descontração nas narrações. O Milton Leite é excelente narrador e faz isso muito bem no Sportv. A Globo agora vai investir no Alex Escobar. Você não faz isso há mais de 40 anos?

Foi algo natural, não foi forçado. Primeiro vou deixar claro. Não narro jogos de futebol. Faço as legendas, o que é mais difícil. Não me conformo quando ouço o Galvão narrar: 'bola na área do Brasil, o zagueiro corta de cabeça'. Como assim? Eu estou enxergando. Não é preciso falar o que todos estão vendo. Busco uma expressão que prenda o telespectador e também a telespectadora. Sem termos técnicos. E procuro deixar tudo menos pesado, leve, alegre. Futebol é diversão, entretenimento. Não precisa ser uma guerra, um exercício ufanista ou algo cansativo, como me fazer ouvir o que estou vendo. Muita gente acha engraçado. Serei homenageado pelo Risadaria deste ano. Mas não penso no humor. Penso em tornar o futebol atraente para quem está assistindo. Só isso.

Qual sua maior alegria na profissão?

Vivi várias situações felizes. Mas, de verdade, o tenho orgulho é de ter trabalhado no que eu amo e sustentado a minha família. Tenho esposa e três filhos. Isso é muito difícil para mim que só sei trabalhar. Não sou vendedor. Sou jornalista. E cuidar da família neste país sendo jornalista é terrível.

Sua carreira é impressionante, Silvio. O que você ainda quer fazer?

Não precisa ser polido comigo. Sei que você quer perguntar quando vou parar. Eu te garanto uma coisa, Cosme. Quando não tiver mais condições de narrar, de comentar, serei o primeiro a pedir para sair. Sei que tenho 79 anos e isso deve assustar muita gente. Só que, graças a Deus, estou saudável. Sou muito prático. Quando não puder mais trabalhar com o futebol, na tevê ou rádio, mudo de área. Vou ser jardineiro, motorista de táxi. Mas não vou parar de trabalhar. Enquanto eu tiver saúde estarei trabalhando. Nada de pijama em casa. Eu, não. Me conheço bem. Se eu parar, morro. Tenho uma carreira maravilhosa. E agradeço de verdade a Deus por tudo que vivi e estou vivendo. Os muitos amigos que fiz. E por esta sensação maravilhosa de não ter prejudicado ninguém. Ninguém...
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A Fifa só não tira a abertura da Copa do Itaquerão, e leva para o Maracanã por um motivo: a venda antecipada de ingressos. Já Andrés explica a terceira morte no estádio do Corintians. “É o padrão na construção civil”, no país onde se dirige ‘mamado’…

1ae A Fifa só não tira a abertura da Copa do Itaquerão, e leva para o Maracanã por um motivo: a venda antecipada de ingressos. Já Andrés explica a terceira morte no estádio do Corintians. É o padrão na construção civil, no país onde se dirige mamado...

"Na vida, cometemos erros e excessos. Já dirigi carro a 150 km/h. Eu não bebo. Vocês já devem ter dirigido "mamados". Infelizmente, cometemos erros que acabam em fatalidade. Realmente, é padrão na construção civil."

"Ele foi contratado como ajudante, não como montador. Nem passou por um treinamento. Ele não tinha experiência para estar naquela altura. Nem o encarregado e nem o técnico de segurança estavam lá em cima para ver se tudo estava certinho."

"O Fábio trabalhava de segunda a sábado. Doze horas por dia. Mas tinha dia que eram 13 horas e meia. Ele ouviu dos seus superiores: se passasse a trabalhar todos os dias e fazendo horas extras, seu salário chegaria a R$ 3 mil. Não tinha como não aceitar."

Pode parecer incrível.

Mas as três declarações são sobre Fábio Hamilton da Cruz.

O operário de 23 anos que morreu, sábado no Itaquerão.

Quem disse que já dirigiu a 150 km por hora...

E acredita que as pessoas dirigem 'mamadas' foi Andrés Sanchez.

Falou para as câmeras do canal Bandsports.

O ex-presidente do Corinthians e responsável pelo Itaquerão.

Que considera os erros que acabam em fatalidade padrão na construção civil brasileira.

Ou seja, está clara a análise de Andrés.

O operário morreu por erro, por excesso seu.

Mas faz parte do 'padrão' da construção civil neste país.

Ou seja nem o Corinthians ou a Odebrechet têm qualquer responsabilidade.

Já para o também operário David Silva não é bem assim.

Fábio foi contratado como ajudante.

Não tinha o menor treinamento para colocar piso a 15 metros de altura.

Ainda mais sem o acompanhamento de chefes experientes para monitorá-lo.

Já Sara Batista Dias, meia-irmã de Fábio, coloca o dedo na ferida.

No atraso do estádio da abertura da Copa do Mundo.

Para tentar compensar o tempo perdido, turnos pesadíssimo de trabalho.

Com incentivo financeiro para que operários trabalhem todos os dias.

E com direito a horas extras impostas.

Foi necessária a intervenção da Superintendência Regional do Trabalho no estádio.

Ontem ela interditou a construção das arquibancadas provisórias.

De onde Fábio despencou para a morte.

Hoje foram construídas proteções para os operários que trabalham no alto.

A esperança é que, assim, as obras nas arquibancadas sejam liberadas.

Ou seja, se fosse apenas erro ou excesso de Fábio, nada aconteceria.

A situação é revoltante.

Mostra apenas como a vida dos mais humildes não é levada em consideração.

Qual o motivo de não haver essa proteção antes da morte de Fábio?

Isso ninguém reponderá.

Assim como se tentará esquecer a acusação da falta de treinamento.

Ou ofertas indecentes para que que um operário trabalhe todos os dias.

E fazendo horas extras.

Já são oito mortos nos estádios da Copa do Mundo.

2ae A Fifa só não tira a abertura da Copa do Itaquerão, e leva para o Maracanã por um motivo: a venda antecipada de ingressos. Já Andrés explica a terceira morte no estádio do Corintians. É o padrão na construção civil, no país onde se dirige mamado...

A preocupação da cúpula da Fifa com novas mortes é evidente.

Assim como com o atraso nas obras.

Principalmente no Itaquerão.

Estádio que deveria ter sido entregue no ano passado.

O prazo passou para janeiro, março, abril.

Agora é maio.

Blatter e Valcke não podem fazer o que gostariam.

Levar a abertura para o Maracanã.

Seria simples.

O estádio já está pronto.

Só que os ingressos para o Itaquerão já foram vendidos.

Assim como pessoas já acertaram suas viagens, hospedagem em São Paulo.

A Fifa receberia com certeza milhares de processos.

Só por isso a abertura continua marcada para o Itaquerão.

A paciência com o Corinthians, com Andrés já terminou faz tempo.

A morte de Fábio foi a gota d'água.

Na arena da abertura do Mundial três trabalhadores morreram.

As tragédias são terríveis para a imagem da própria Fifa.

3ae1 A Fifa só não tira a abertura da Copa do Itaquerão, e leva para o Maracanã por um motivo: a venda antecipada de ingressos. Já Andrés explica a terceira morte no estádio do Corintians. É o padrão na construção civil, no país onde se dirige mamado...

A entidade bilionária é muito cobrada na Europa.

Por não ter coordenado a construção das arenas brasileiras.

Sindicalistas criticam Blatter e Valcke insistentemente.

Acreditam que há um criminoso descaso com os operários neste país.

Mas o responsável pelo estádio nega.

Ninguém tem culpa.

Principalmente a Fifa, Odebrecht e Corinthians.

Acusa o padrão da 'construção civil no Brasil'.

Sanchez é candidato a deputado federal pelo PT.

Atendeu a um pedido do amigo de todas as horas, Lula.

O ex-presidente tem um sonho em relação a Andrés.

Quer um voo alto para o fundador da organizada Pavilhão Nove.

O cargo de deputado federal é só para ganhar experiência.

Ele o quer como prefeito de São Paulo.

5ae 1024x576 A Fifa só não tira a abertura da Copa do Itaquerão, e leva para o Maracanã por um motivo: a venda antecipada de ingressos. Já Andrés explica a terceira morte no estádio do Corintians. É o padrão na construção civil, no país onde se dirige mamado...

Os conselheiros mais próximos a Andrés sabem desse desejo de Lula.

Mas enquanto isso não acontece, sua missão é outra.

Defender os envolvidos na construção do Itaquerão das mortes dos operários.

Falar em erros que viram fatalidade é muito fácil.

Mas quem colocou Fábio Hamilton da Cruz a oito, 15 metros de altura?

Quem não lhe deu o treinamento mínimo?

Quem não construiu proteção aos operários que trabalham no alto do estádio?

As respostas são fáceis demais.

Só não serão respondidas e os culpados punidos se as autoridades não quiserem.

Infelizmente elas não parecem dispostas.

É melhor creditar à essa tal de fatalidade.

E esquecer.

Virar as costas ao terceiro brasileiro enterrado por causa do Itaquerão.

O inquérito de Fábio Luís Pereira e Ronaldo Oliveira dos Santos está parado.

Eles morreram em 27 de novembro.

O prazo para que as investigações terminassem era 27 de dezembro de 2013.

Com a conclusão do motivo da fatal quebra do guindaste...

E queda de uma peça de 420 toneladas.

Mas o delegado do 65º DP, Luiz Antônio da Cruz, pediu adiamento.

Disse que precisava investigar, interrogar mais pessoas.

Até agora, não se chegou à conclusão definitiva.

O que parece ser o caminho da morte de Fábio Hamilton da Cruz.

Homem simples de 23 anos que vendia doces nos faróis das ruas paulistanas.

E que teve a ideia de trabalhar como operário no Itaquerão.

Ajudar a construir o estádio do time que amava.

Sonhava também em ganhar um ingresso para ver a abertura da Copa.

Perdeu a vida.

Não contava com o 'padrão da construção civil' no Brasil.

Neste triste país onde todos dirigem 'mamados'.

É bom os operários que seguem trabalhando no Itaquerão rezarem muito...

(Recebo ligações da assessoria da Odebrecht.

A empresa garante que não tem nada a ver com este acidente.

Se exime de responsabilidade.

Dá sua versão.

O governo estadual recebeu apoio para a ampliação do estádio.

E, de acordo com a Odebrecht, foi a Ambev quem tratou das arquibancadas removíveis.

Para sua construção, contratou a Fast Engenharia.

A ela coube o vínculo empregatício de Fábio Hamilton da Cruz.

A Odebrecht só está envolvida nas duas primeiras mortes no Itaquerão.

Na terceira, não...)

1afp 1024x576 A Fifa só não tira a abertura da Copa do Itaquerão, e leva para o Maracanã por um motivo: a venda antecipada de ingressos. Já Andrés explica a terceira morte no estádio do Corintians. É o padrão na construção civil, no país onde se dirige mamado...

“Ricardo Teixeira e Lula prometeram que não haveria dinheiro público. Foi a grande mentira da Copa. O governo, a CBF e a Fifa nos trataram como torcedores. Somos cidadãos…” Jamil Chade, correspondente do Estadão na Suíça há 14 anos…

1efe Ricardo Teixeira e Lula prometeram que não haveria dinheiro público. Foi a grande mentira da Copa. O governo, a CBF e a Fifa nos trataram como torcedores. Somos cidadãos... Jamil Chade, correspondente do Estadão na Suíça há 14 anos...
Jamil Chade.

Correspondente do jornal O Estado de São Paulo na Suíça.

Há 14 anos cobre a Fifa, a entidade que controla o esporte mais popular do mundo.

Repórter inteligente, investigativo, corajoso.

Nestes 14 anos foram vários e vários furos.

Matérias que mudaram a maneira do brasileiro ver futebol.

Conseguiu abrir os olhos ingênuos de muita gente.

Como não poderia deixar de ser, a Copa de 2014 mereceu toda sua atenção.

Teve a oportunidade de acompanhar in loco o nascedouro.

O importante bastidor de como tudo aconteceu.

Como o Brasil decidiu e está fazendo a Copa mais cara de todos os tempos.

As promessas, as mentiras.

A falta de legado.

O repórter premiado decidiu revelar tudo o que viu.

Assim nasceu "A Copa Como Ela É", da Companhia das Letras.

Desde a semana passada o livro está disponível em e-book.

A edição imprensa e ampliada sairá em breve.

"A Copa Como Ela É" está no primeiro lugar no segmento Esportes da Amazon.

É o 11º mais vendido.

Jamil deu essa reveladora entrevista exclusiva ao blog.

E mostra sua indignação e faz revelações surpreendentes.

De como se materializou a Copa do Mundo no Brasil...

Como você foi parar na cobertura da Suíça para o Estadão? Há quantos anos está lá? Quais os principais furos que você conseguiu?

Fui para a Suiça cobrir assuntos de política e economia e cheguei la em 2000, quando o debate sobre a Copa no Brasil sequer existia. Mas, pouco tempo depois, ficou claro que existia um amplo espaço para a cobertura da administração do futebol, Fifa e Uefa. Descobri também que cobrir Fifa não era uma cobertura de esporte, mas sim de política. As decisões tomadas na entidade pouca relação tem com a bola. Trata-se de uma entidade que movimenta bilhões de dolares, que afeta a política de estados e que toma decisões com base em interesses economicos. Portanto, trata-se, acima de tudo, de uma organização política e é esse o angulo que tento dar para que o cidadão e o torcedor possam entender o que está por trás do futebol e de nossa paixão pelo esporte. Considero que, por conta desse esforço em desvendar o que existe nos corredores do futebol - a não nos gramados - consegui revelar alguns temas importantes. Um deles é o fato de que os amistosos da seleção brasileira eram usados para alimentar contas de cartolas em paraísos fiscais no exterior. Consegui documentos que provavam como alguns poucos fizeram fortunas com a seleção brasileira.

Qual a visão que um brasileiro tem dos bastidores da Fifa? O quanto ela é poderosa? Seu patrimônio atual?

A minha visão da Fifa é a mesma de qualquer um apaixonado pelo futebol e que se da conta que, por anos, sua emoção era manipulada por um pequeno grupo de pessoas que tirava proveito de nossas paixões. O futebol pode ser o esporte mais democrático do mundo. Mas sua gestão é das mais autoritárias. Por 40 anos, apenas dois homens comandaram o esporte - Havelange e Blatter. A Fifa hoje tem um fundo de reservas superior ao PIB de pelo menos 20 países pelo mundo. A Fifa movimenta bilhões e organiza o maior evento do planeta, a Copa do Mundo. Blatter, no ano passado, esteve com o papa Francisco. E disse ao argentino que o pontífice comandava uma entidade com 1,2 bilhão de fieis. Já o cartola comandaria uma entidade com mais seguidores que a Igreja Catolica. O que eu quero dizer com isso? A Fifa é ao mesmo tempo poderosa e egocentrica. Ela sabe que comanda o esporte mais popular do mundo. Mas, ao mesmo tempo, é a organização que de alguma forma sequestrou o futebol e o transformou em um grande negocio, principalmente para seus cartolas. Hoje, a Fifa distribui salários de mais de US$ 100 milhões a seus dirigentes a cada ano.

Qual a real participação de João Havelange no crescimento da Fifa? Como foi para os dirigentes mais velhos ver a imagem do ex-dirigente sendo devastada por acusações de corrupção?

1reproducao Ricardo Teixeira e Lula prometeram que não haveria dinheiro público. Foi a grande mentira da Copa. O governo, a CBF e a Fifa nos trataram como torcedores. Somos cidadãos... Jamil Chade, correspondente do Estadão na Suíça há 14 anos...

A historia recente da Fifa se confunde com a historia de Havelange. Ele transformou a modesta entidade em Zurique em uma multinacional. Ele se deu conta que o mundo passava por transformações, que países africanos e asiáticos eram descolonizados e foi buscar seu apoio justamente nessas regiões. Ele levou a bola para os quatro cantos do mundo. Mas, ao mesmo tempo, fez isso em troca de um volume descomunal de subornos e fraudou a propria Fifa. Não sou eu quem diz isso. Essa é a conclusão de uma investigação da Justiça suíça que chegou à conclusão de que Havelange se enriqueceu graças à transformação da Fifa em um obscuro caixa 2 particular do dirigente. Quando ele caiu, a reação nos bastidores foi de constrangimento e alívio. Constrangimento de muita gente que sabia que so estava ali graças a acordos com o grupo de Havelange e alívio de uma parte dos cartolas que achava que havia chegado a hora de acabar com o reinado do brasileiro.

Quem é Blatter? Qual a sua preocupação que tinha quando assumiu a Fifa?

Blatter é certamente um dos cartolas mais inteligentes de sua geração. Sobreviveu a golpes, a traições, sabe manipular a mídia e proteger seu patrimonio, que ninguém jamais conseguiu questionar. Chega ao escritorio antes que todos e desembarca em países como chefe de estado. Mas, cada vez mais, da sinais de que não entendeu que o mundo mudou. Que os torcedores exigem explicações e que ditaduras não sobrevivem. Ele assumiu com um discurso de manter o projeto de Havelange e consolidar o poder da Fifa. Mas, sem regras e transparência, a dupla Havelange-Blatter criou um monstro que saiu do controle e hoje é a maior ameaça à integridade do futebol.

Quem é Valcke? Ele será o candidato natural a sucessão do Blatter? O que ele quer para o futuro da entidade?

3reproducao Ricardo Teixeira e Lula prometeram que não haveria dinheiro público. Foi a grande mentira da Copa. O governo, a CBF e a Fifa nos trataram como torcedores. Somos cidadãos... Jamil Chade, correspondente do Estadão na Suíça há 14 anos...

Valcke pode ser candidato, mas vence apenas se Blatter determinar que isso deve ocorrer. Ele criou dezenas de inimigos mas, ao mesmo tempo, é sua gestão profissional que fez a Fifa bilionária.

Platini tem alguma chance na sucessão?

Ele é o unico hoje que pode de fato ameaçar Blatter. Mas se ele conta com um apoio importante na Europa, ainda é visto como uma pessoa longe dos interesses de sul-americanos e africanos. A realidade é que, para conseguir esses votos, Platini está passando por uma transformação. Ele é cada vez mais um cartola, e deixando de ser um ex-craque. Platini era considerado como a pessoa que poderia "purificar" a gestão do futebol. Mas está se dando conta que jamais vencerá uma eleição com essa estratégia.

Por que as eleições da Fifa são marcadas por suspeitas de corrupção? Quando isso começou?

Elas são marcadas por polêmicas porque o processo jamais foi transparente. Nao existe uma auditoria de fato independente na Fifa e nem controles. A compra de votos era disseminada por diversos candidatos ao longo dos anos e nem sempre o pagamento era feito em dinheiro, mas em beneficios, troca de favores e outros conchavos.

As suspeitas envolvendo o Ricardo Teixeira e João Havelange se justificam pelo que você apurou?

Elas não apenas se justificam como foram provadas pela Justiça suíca. Quando comecei a escrever sobre isso, fui acusado por assessores de Teixeira de estar escrevendo ficção, de estar "pegando no pé" do cartola. Quando os documentos oficiais vieram à tona, eles revelaram um esquema de corrupção muito maior que do que tínhamos denunciado.

Quando e por que o Brasil conseguiu a Copa do Mundo?

O Brasil conquistou a Copa antes de 2003, quando fechou um acordo na América do Sul de que não haveria concorrentes. O Brasil ganhou a Copa quando Blatter entendeu que, ao dar o Mundial ao país, engessava as pretensões de Ricardo Teixeira para ser presidente da Fifa pelo menos até 2015. Era um bom negocio para muita gente.

Qual a participação de Ricardo Teixeira e de Lula?

1cbf Ricardo Teixeira e Lula prometeram que não haveria dinheiro público. Foi a grande mentira da Copa. O governo, a CBF e a Fifa nos trataram como torcedores. Somos cidadãos... Jamil Chade, correspondente do Estadão na Suíça há 14 anos...

Ambos foram fundamentais nesse processo. Mas, ao contrário da Olimpiada quando precisavamos de dezenas de votos, na Fifa bastava convencer aos 22 membros do Comite Executivo. Nesse caso, Teixeira foi fundamental ao costurar todas as alianças.

A imprensa inglesa diz a todo instante que a Fifa tem critérios claros para escolher as sedes do Mundial. Imprensa fraca, sociedade civil desmobilizada, governos subservientes às vontades da entidade. Foi assim com a África do Sul, Brasil, Rússia e Catar. É verdade?

Quando a historia recontar como foram as Copas entre 2010 e 2022, certamente vai apontar para o fato de que o Mundial passou a ser dado para países que queriam usar a Copa como uma atalho para mostrar que são grandes potências. Já para a Fifa, essa dimensão de política externa que a Copa ganhou acabou abrindo um espaço para que a entidade não tivesse de se preocupar em negociar os termos do acordo. O que eu quero dizer com isso? A Fifa passou a entender que, para esses governos, mostrar ao mundo que podem fazer uma Copa passou a ser um ponto de honra e de imagem internacional. Nada melhor, portanto, que tirar proveito disso para impor suas condições, suspender as constituições locais. Mas a sociedade civil brasileira e a imprensa, de uma certa forma, rompeu com essa perspectiva que a Fifa tinha. A Copa do Mundo no Brasil corre o risco de entrar para a historia justamente como o Mundial que foi questionado, com o potencial de ser um divisor de águas. Até aqui, Mundiais foram usados por politicos para se promover. Agora, Dilma sequer vai discursar na abertura, com medo da reação popular.

Quanto a Fifa vai lucrar com a Copa no Brasil?

Mais de US$ 4 bilhoes. Trata-se da Copa mais rentavel da historia, com um resultado duas vezes superior ao da Alemanha. A Fifa lucra vendendo os direitos de imagens dos jogos, ingressos, produtos de marketing e dando o direito a algumas multinacionais a usar de forma exclusiva os estádios para suas promoções.

Quem exigiu 12 arenas em vez de apenas oito? O governo brasileiro como afirmou Blatter?

Sim, foi um conchavo entre governo e CBF. A Fifa pedia oito estádios. Mas o uso político do evento levou o Brasil a erguer doze estadios, pela primeira vez na historia de uma Copa.

O quanto a Fifa ficou abalada com as manifestações durante a Copa das Confederações? Elas serviram para acabar com a imagem de país pacífico e de mulheres de fio dental todos os dias nas praias? E ninguém trabalhando?

3ae Ricardo Teixeira e Lula prometeram que não haveria dinheiro público. Foi a grande mentira da Copa. O governo, a CBF e a Fifa nos trataram como torcedores. Somos cidadãos... Jamil Chade, correspondente do Estadão na Suíça há 14 anos...

Foi um choque. Conheço gente dentro da Fifa que evitava sair dos quartos. Primeiro foi uma reação de alguém que acreditava que aqueles protestos faziam parte da imagem de baderna do país. So depois entenderam que eram reivindicações sociais. A equação não fechava para a Fifa. "Estamos trazendo a Copa do Mundo para eles e eles estão protestando?". Blatter e Valcke chegaram a dar declarações desastrosas, apontando que bastava a seleção ganhar que tudo voltaria à ordem. O Homem Gentil, o País do Futebol. Mitos que desabaram.

O quanto foi desgastante para a imagem de Dilma as vaias na abertura da Copa das Confederações? Foi um vexame mundial histórico?

Foi um vexame nacional, mas com uma repercussão internacional relativamente limitada. O que sim poderia ser historia seria a abertura da Copa, transmitida e vista por todo o mundo. No Pan de 2007, Lula também foi vaiado. Mas a comunidade internacional praticamente não ficou sabendo.

A competição esteve ameaçada quando carros que levavam funcionários da Fifa passaram a ser atacados nas manifestações?

Sim, e quando a Fifa não conseguia mais dar garantias a patrocinadores de que seus convidados para chegar aos estádios estariam seguros. Foram momentos de tensão naquelas noites no Rio de Janeiro.

Havia plano B para a Copa do Mundo no Brasil? Ou os compromissos financeiros eram grandes demais para uma mudança?

O plano B era suspender tudo e concluir a Copa das Confederações em outro lugar, provavelmente em partidas das semifinais e final na Europa. Mas você tem razão em apontar que o impacto financeiro seria inédito. A possibilidade de suspensão existiu e foi uma realidade. Mas não interessava a ninguém.

Qual o peso dos atrasos nas arenas para o Mundial? Por que a Fifa não exigiu que as obras de infraestrutura prometidas fossem feitas?

A Fifa está muito mais preocupada com os atrasos em estádios do que imaginamos. Valcke chegou a me dizer que um dos perigos de não testar estádios é descobrir, no dia de um jogo de Copa, que uma pessoa que comprou um ingresso simplesmente não encontrou seu lugar porque aquele assento não existe. Ja quanto à infraestrtura, a Fifa não está preocupada em deixar legado ao Brasil.

Qual o peso para o mundo de oito mortes de operários na construção das arenas?

Sindicatos internacionais de operários estão preocupados e fazem pressão sobre a Fifa. Mas infelizmente a pressão que fazem não tem tido a mesma repercussão que os casos no Catar, ainda que saibamos que no caso do país arabe o número de fato seja mais elevado.

A Fifa anunciou a Copa no Brasil em 2007. O atraso nas obras encareceu o Mundial. Quem se beneficiou com isso? As empreiteiras?

Todos se beneficiaram. Menos a população, que é quem paga a conta. Um exemplo claro é o de Curitiba. Quando houve a suposta ameaça de que a cidade ficaria de fora da Copa, governo estadual e prefeitura injetaram mais R$ 100 milhões.

Lula e Ricardo Teixeira haviam prometido que não haveria um centavo de dinheiro público na Copa. O que aconteceu? Por que mais de 70% desta Copa sai dos cofres públicos? Eles mentiram?

Essa foi a grande mentira da Copa. Mas não tenho como dizer se foi premeditada, A realidade é que ela continua. Dilma continua dizendo que não ha dinheiro publico nos estádios. No livro, eu tento mostrar que ou o conceito de dinheiro publico mudou, ou o que ela diz não é verdade.

A Copa do Mundo serviria de plataforma eleitoral do PT, garantiria a reeleição da Dilma. Você acredita que a estratégia do partido deu certo?

3reproducao Ricardo Teixeira e Lula prometeram que não haveria dinheiro público. Foi a grande mentira da Copa. O governo, a CBF e a Fifa nos trataram como torcedores. Somos cidadãos... Jamil Chade, correspondente do Estadão na Suíça há 14 anos...

Se tivesse dado certo ela teria ido à final da Copa das Confederaçoes, entregue à taça ao campeão e nao teria medo de discursar na Copa. Alguns ja se deram conta que a Copa foi um grande erro político para campanhas eleitorais. Eduardo Paes é um deles e passou a criticar a Fifa.

Em caso de derrota da Seleção, quais os reflexos no país? O desalento ou a vitória podem pesar na eleição?

Podem. Mas o que eu estou mais preocupado é com a vitoria da seleção. Meu temor é que o papel picado da vitoria acabe criando uma cortina de fumaça e que muitos digam: "valeu à pena, somos campeões".

Você escreve no ótimo "A Copa como ela É" que o Mundial já acabou. E não há legado algum para o Brasil? Como assim?

Sim, a Copa ja acabou. So não sabemos quem venceu em campo. O Brasil nao se utilizou da Copa para mudar suas cidades. A Copa usou o Brasil. Foram dez anos desperdiçados. O unico legado foi a criação de uma consciência social. Mas, ironicamente, esse legado veio justamente do fato de que não houve um legado. De resto, o unico que podemos fazer agora é torcer pela seleção. Mas existe uma diferença entre torcer e distorcer o que foi uma Copa, O que não podemos é deixar que a Copa e uma eventual vitoria seja uma ameaça a nossa democraria. Explicações precisam ser dadas. O governo, a CBF e a Fifa optaram por tratar a população como torcedores. Eu insisto: somos cidadãos...

4reproducao 1024x641 Ricardo Teixeira e Lula prometeram que não haveria dinheiro público. Foi a grande mentira da Copa. O governo, a CBF e a Fifa nos trataram como torcedores. Somos cidadãos... Jamil Chade, correspondente do Estadão na Suíça há 14 anos...

Como a ditadura militar se aproveitou e corrompeu o futebol brasileiro. Os reflexos estão até hoje. Na CBF e nos vários presidentes das federações dos esportes mais importantes neste País…

1reproducao19 Como a ditadura militar se aproveitou e corrompeu o futebol brasileiro. Os reflexos estão até hoje. Na CBF e nos vários presidentes das federações dos esportes mais importantes neste País...
Os 50 anos do golpe não devem ser comemorados.

São apenas um marco do que não pode se repetir no Brasil.

Em todas as áreas.

Até no principal esporte deste País.

O futebol foi afetado diretamente pela ditadura militar.

Em vários aspectos que envergonham conquistas.

O exemplo mais claro foi o tricampeonato mundial.

O País era governado por um general linha-dura.

Que não admitia a liberdade de expressão.

E muito menos contestação.

Muitos brasileiros foram torturados e mortos.

O governo de Emilio Garrastazu Médici foi inesquecível.

Tornou-se o general mais radical contra os revolucionários.

Acabou com as guerrilhas urbanas e rurais.

A ordem era dizimar os inimigos comunistas.

A censura era violenta nos veículos de comunicação.

Mas a geração de Pelé, Gerson, Rivellino, Jairzinho contribuiu muito.

A sensacional seleção que foi ao México desviaria o foco.

A intervenção de Médici já começou em relação ao comando do time.

Tirou a equipe das mãos do comunista João Saldanha.

E a entregou para Zagallo.

Ele assumiu e vários militares tinham acesso à comissão técnica.

Os militares não queriam a baderna que foi a Copa de 1966.

Quando 44 atletas foram convocados.

A eliminação ainda na primeira fase custou caro ao regime.

Foi feita uma investigação dos erros.

Eles não se repetiriam em 1970

Médici teria até convocado Dario para fazer parte do grupo.

"Isso eu não aceito.

Se Médici gostava ou não do Dario era problema dele.

Eu o chamei porque era artilheiro no Atlético Mineiro.

E se eu me dobrasse como dizem, o Dario jogaria no México.

Ele apenas fez parte do grupo", tenta se defender Zagallo.

O governo militar divulgou uma história fantasiosa.

A de que os atletas teriam ficado sensibilizados com uma ação terrorista.

O sequestro do embaixador alemão Ehenfried Anton Theodor Ludwig Von Holleben.

E se desdobraram em campo por ele.

Com o título, a seleção foi muito usada pela ditadura.

Médici fez questão que o time fosse a Brasília.

E que Pelé estivesse a seu lado nas fotos.

Ele precisava da imagem vitoriosa.

Porque o sistema já começava a afundar economicamente.

A vitória no México foi explorada demais.

Na televisão, no rádio, nos jornais.

A conquista da Jules Rimet em definitivo era a prova da força dos brasileiros.

Sob o comandando da ditadura, lógico.

"Ninguém segura esse País" e "Ame-o ou deixe-o" eram os slogans.

Os opositores detestaram o tricampeonato.

E insistiam que o futebol era o 'ópio do povo'.

Mas a equipe econômica do governo resolveu tirar proveito financeiro.

Usar o amor dos brasileiros ao futebol.

E, hipócrita, o regime que se dizia contra as apostas, agiu.

Criou a Loteria Esportiva que deu muito lucro.

Enquanto isso, esquerdistas rejeitavam o maior jogador de todos os tempos.

2reproducao13 Como a ditadura militar se aproveitou e corrompeu o futebol brasileiro. Os reflexos estão até hoje. Na CBF e nos vários presidentes das federações dos esportes mais importantes neste País...

Pelé nega que tenha sido um colaborador dos militares.

Disse que não havia como não se encontrar com o presidente depois do tri.

"Mas veio a Copa de 1974.

Eu havia decidido que não jogaria.

Não estava mais no meu melhor momento como atleta.

Só que houve pressão dos militares para que eu fosse à Alemanha.

Não adiantou.

Disse que não iria e cumpri a minha promessa."

Essa pressão teria sido um dos motivos que o levou a jogar nos Estados Unidos.

Fora também a sua situação financeira que não estava das melhores.

O desrespeito à democracia influenciou demais o comando do futebol.

E de vários esportes.

A eternização de dirigentes nas federações e confederações nasceu na Ditadura.

E até hoje há dirigentes que se comportam como tiranos.

Que  não limitam seus mandatos.

Seguem até as décadas no poder.

As eleições que os reelegem são viciadas.

Com eleitorado que se beneficiam.

Trocam seus votos por favores.

É algo escancarado.

Que enche de vergonha quem acompanha de perto esses pleitos.

Tudo começou com os militares.

O ranço ficou até hoje.

O Campeonato Brasileiro de 1971 foi criado a mando do governo.

4reproducao5 Como a ditadura militar se aproveitou e corrompeu o futebol brasileiro. Os reflexos estão até hoje. Na CBF e nos vários presidentes das federações dos esportes mais importantes neste País...

Para celebrar a 'pujança' e a integração do País.

Só que era uma desculpa para políticos começarem a se aproveitar do futebol.

Muitos políticos sem escrúpulos se aliaram aos militares.

Davam a casca de que os civis estavam voltando a comandar o Brasil.

O torneio nacional foi inchando de acordo com o interesse político.

Foi criado o irônico slogan "Onde a Arena vai mal, um time no Nacional".

Em 1979 foi vergonhoso, nada menos do que 94 equipes disputando o torneio.

O Almirante Heleno Nunes se tornou presidente da CBD, atual CBF.

E deu o comando da seleção em 1978 ao capitão Coutinho.

O regime já estava deteriorado quando o futebol se rebelou.

Veio a Democracia Corintiana em 1981.

Se o Brasil vencesse a Copa de 1982, seria a vingança.

Sócrates faria da conquista um símbolo do final do militarismo.

Mas nem precisou.

O fracasso econômico fez com que os militares voltassem à caserna.

Deixaram como péssimas heranças vários dirigentes.

Que se comportam como se fossem coronéis, donos dos esportes que comandam.

A abertura democrática ainda mal começou em vários deles.

Teoricamente da ditadura acabou em 1985.

Mas ela perdura.

A eleição da CBF é o maior exemplo da troca de favores pela presidência.

Trazer a Copa do Mundo mais cara de todos os tempos não foi por acaso.

Era para ser a demonstração de poder de Ricardo Teixeira.

Ex-genro de João Havelange.

Homem que se manteve no poder graças aos militares.

Teixeira só não está usufruindo o que construiu por causa da Fifa.

Das denúncias de suborno na eleição.

E da Polícia Federal que o investigava por superfaturamento.

Ganhou demais em um jogo da seleção contra Portugal em Brasília.

Mas Teixeira foi embora e assumiu José Maria Marin.

Ex-governador biônico de São Paulo.

Político ligado até o último fio de cabelo pintado aos militares.

Ou seja, quem acredita que a ditadura militar acabou está errado.

Deveria olhar com mais atenção ao futebol e ao esporte deste País.

Mais precisamente para os presidentes das federações e confederações.

E estudar como e por que eles ocupam seus cargos...

1divulgacao6 1024x576 Como a ditadura militar se aproveitou e corrompeu o futebol brasileiro. Os reflexos estão até hoje. Na CBF e nos vários presidentes das federações dos esportes mais importantes neste País...

O Palmeiras perde a chance de disputar o título mais fácil do seu centenário. Perdeu para o Ituano em pleno Pacaembu. O time interiorano vai decidir o Campeonato Paulista contra o Santos…

1ae29 O Palmeiras perde a chance de disputar o título mais fácil do seu centenário. Perdeu para o Ituano em pleno Pacaembu. O time interiorano vai decidir o Campeonato Paulista contra o Santos...
Era o centésimo jogo de Gilson Kleina no Palmeiras.

Ele fazia 46 anos hoje.

Mas o presente não foi nada agradável.

O Palmeiras jogou muito mal e foi eliminado do Paulista.

Perdeu para o Ituano no Pacaembu por 1 a 0.

O time interiorano decidirá o título com o Santos.

Os palmeirenses perderam a torneio mais fácil no seu centenário.

Restam agora o Brasileiro e a Copa do Brasil.

E já há conselheiros irritadíssimos.

Pedindo a demissão de Gilson Kleina.

No Palmeiras é assim.

É um dos clubes onde o céu vira inferno mais rápido no Brasil.

Os exageros de Valdívia contra o Bragantino custaram caro.

O meia tomou tantos pontapés que não pôde jogar.

Gilson Kleina o deixou no banco.

E comprou a briga contra o Ituano.

Outro time pequeno que foi comendo pelas beiradas.

Doriva montou ótimo sistema defensivo.

É a melhor defesa do Paulista.

Conseguiu tomar apenas dez gols em 16 partidas.

Foi a equipe que tirou o Corinthians.

A compactação da equipe e duas linhas de quatro deram certo.

Além da firmeza do ótimo goleiro Vagner.

Sem o seu principal armador, Kleina foi obrigado a arriscar.

Colocar Mandieta ao lado de Bruno César.

O paraguaio tímido e com o meia muito acima do peso.

Evidente que a bola não chegava com qualidade do ataque.

O que obrigou Alan Kardec a sair da área.

Tentar ajudar na articulação.

O Palmeiras tinha outro erro grave.

Estava penso.

Com o improvisado zagueiro Tiago Alves na lateral direita.

Sem o menor cacoete, o Palmeiras jogava só pela esquerda.

O problema estava na eterna precipitação de Juninho.

Wesley continua sem ritmo.

E Leandro se movimentando vive péssima fase.

O Ituano se mantinha firme na marcação atrás da linha da bola.

Procurando tirar o espaço do adversário.

O problema era Alan Kardec.

Ele oferecia perigo nos cruzamentos e armando.

Jogador inteligente e muito hábil para sua altura.

Alemão acabou com a preocupação.

Deu uma entrada fortíssima no palmeirense.

Acertou uma paulistinha, seu joelho acertou a coxa do atacante.

4ae5 O Palmeiras perde a chance de disputar o título mais fácil do seu centenário. Perdeu para o Ituano em pleno Pacaembu. O time interiorano vai decidir o Campeonato Paulista contra o Santos...

E o tirou do jogo.

Antônio Rogério do Prado nada marcou.

Pior para o Palmeiras.

O time de Kleina resolveu desprezar o meio de campo.

E passou a buscar ligação direta.

Com muitos cruzamentos da intermediária para a área.

O que facilitava o trabalho defensivo do Ituano.

Pior que o Palmeiras começava a dar espaços aos contragolpes.

Cristian e Esquerdinha atuavam livres.

Mas desperdiçaram várias chances errando o último passe.

Mesmo assim Fernando Prass fez excelente defesa.

Espalmou excelente chute de Rafael Silva.

O goleiro se contundiu depois desse lance.

E teve de ser substituído no intervalo.

Bruno entrou no intervalo.

O segundo tempo foi tenso.

Por causa do Palmeiras.

O time ficou muito nervoso, pressionado.

Tinha a obrigação de vencer, sabia disso.

Os mais de 29 mil torcedores não deixavam a equipe esquecer.

Sem consciência, na base da raiva.

O que era ótimo para o time do Interior.

Tivesse um pouco mais de talento complicaria mais o jogo.

Quando Gilson Kleina viu Lúcio como meia, tomou providência.

Tirou Mendieta e colocou Valdívia.

2ae16 O Palmeiras perde a chance de disputar o título mais fácil do seu centenário. Perdeu para o Ituano em pleno Pacaembu. O time interiorano vai decidir o Campeonato Paulista contra o Santos...

Precisava arriscar.

O meia chileno entrou mesmo machucado.

Estava com o tornozelo inchado.

O Palmeiras não poderia correr o risco de ir para as penalidades.

Mas o Ituano foi ganhando coragem.

Doriva percebeu que os palmeirenses estavam cansados.

Correram demais, nervosos.

E aos 38 minutos do segundo tempo, o Pacaembu se calou.

Marcelinho bateu da entrada da área.

A bola foi no canto esquerdo de Bruno.

1 a 0, Ituano.

Foi aí que o desespero bateu de vez.

Sem consciência, jogando como um bando, o Palmeiras foi para o ataque.

Foi chuveirinho de todos os lados.

Não havia talento ou calma para tentar tabela, infiltração.

O medo do desastre só complicava ainda mais a atuação do time.

Mas não houve jeito.

Os palmeirenses não conseguiram reagir.

Estão fora da decisão do título paulista.

O primeiro vexame no ano de seu centenário.

Venceu quem atuou melhor hoje.

O Ituano mereceu chegar à decisão do Paulista.

Gilson Kleina que se cuide...

(Para tentar diminuir a pressão, Paulo Nobre agiu.

Pediu para dar entrevista coletiva.

E disse que Gilson Kleina continuará no clube.

Foi uma primeira resposta aos conselheiros.

Mas está longe de ser uma garantia.

Muito pelo contrário.

Kleina está na marca do pênalti.

Ele não tem a mesmo prestígio de Muricy e Mano Menezes.

Muito longe disso...)
3ae11 O Palmeiras perde a chance de disputar o título mais fácil do seu centenário. Perdeu para o Ituano em pleno Pacaembu. O time interiorano vai decidir o Campeonato Paulista contra o Santos...