Para o Corinthians, Paulo André quer virar o novo Bosman. Mudar a legislação do país. Cobrar hora extra dobrada por ter jogado aos domingos. Mario Gobbi e sua diretoria acreditam que o processo de R$ 2,5 milhões é uma grande ingratidão do campeão mundial…

1ap2 Para o Corinthians, Paulo André quer virar o novo Bosman. Mudar a legislação do país.  Cobrar hora extra dobrada por ter jogado aos domingos. Mario Gobbi e sua diretoria acreditam que o processo de R$ 2,5 milhões é uma grande ingratidão do campeão mundial...
Confrontar a legislação trabalhista com a Lei Pelé. Virar o 'Bosman' brasileiro. Tentar agitar o futebol brasileiro em nome do movimento Bom Senso. Uma grande demonstração de ingratidão. Essas são as certezas de vários conselheiros influentes no Corinthians. Só assim eles explicam o zagueiro processar o Corinthians em R$ 2,5 milhões. Reivindicando, além do direito de Arena, horas extras dobradas por atuar nos domingos e feriados. Algo inédito no futebol do país.

O jogador de futebol é regido pela Lei Pelé. Nela está prevista a rotina do atleta. O desportista tem horários e vida completamente diferente do trabalhador normal. Até porque não fica oito horas treinando no clube. Não passa a receber pelo INSS quando está contundido. Tem direito a férias mesmo se foi contratado há apenas seis meses e não um ano como seria pela legislação trabalhista normal.

A revolta na diretoria corintiana é enorme. O clube o dispensou do seu contrato para que pudesse jogar no Shanghaï Shenhua. Saiu de graça. É verdade que há componentes importantes. Como a vontade de que levasse suas ideias revolucionárias bem longe do Parque São Jorge. Paulo André também havia ficado revoltado com a facilidade com que os membros das organizadas invadiram o Centro de Treinamento. E ameaçaram quebrar as pernas de Alexandre Pato.

O zagueiro tentou organizar uma greve. Impedir que o Corinthians entrasse em campo. Mas não teve apoio dos companheiros. Ficou sozinho. Percebeu que havia apenas perdido tempo. E se desgastado. Foi quando surgiu o interesse chinês. A diretoria não pensou duas vezes em despachá-lo sem pedir um tostão.

De longe, o jogador continua trocando mensagens com Alex, Dida, Fernando Prass e outros jogadores brasileiros. A maior briga atualmente é forçar a CBF a punir os clubes que dão calote. Não pagam os atletas em dia. Mesmo com o futebol brasileiro enfrentando várias outras mazelas. Racismo, violência, péssimas arbitragens, horário insano dos jogos, calendário irracional. O foco ficou mesmo com a falta de salário.

O combinado foi não criar várias áreas de atritos. Até para não perder força, dispersar o movimento. Houve uma grande baixa. Juninho Pernambucano se transformou em comentarista da TV Globo. Ficou impossível ele continuar participando ativamente do Bom Senso. Como ele poderia criticar seus patrões, responsáveis pelo calendário absurdo do futebol brasileiro.

1reproducao15 1024x445 Para o Corinthians, Paulo André quer virar o novo Bosman. Mudar a legislação do país.  Cobrar hora extra dobrada por ter jogado aos domingos. Mario Gobbi e sua diretoria acreditam que o processo de R$ 2,5 milhões é uma grande ingratidão do campeão mundial...

Chegou até a acontecer W.0. do Grêmio Barueri, da Quarta Divisão. Os jogadores se recusaram a entrar em campo. Motivo, falta de pagamento. A expectativa de uma greve organizada pelo Bom Senso não se concretizou. As lideranças não fizeram questão de se envolver profundamente com o que aconteceu.

Tudo estava tranquilo até que Paulo André resolvesse processar o Corinthians. Conselheiros acreditam que, por ele estar no estágio final da carreira, aos 31 anos, ele não tem nada a perder. E tudo que deseja é abrir um precedente, exigindo dinheiro a mais para jogar aos domingos e as horas extras por passar dias na concentração.

"Seria a pá de cal no futebol brasileiro. Se o Paulo André ganhar a mais por ter jogado aos domingos, todos os clubes poderiam ser processados pelos atletas. Os clubes juntos já devem R$ 6 bilhões em impostos e processos trabalhistas. Chega a até a ser assustador. Não há cabimento. A Lei Pelé é específica. Não adianta nem pensar em levar em consideração a CLT. Jogador tem sua rotina que é diferenciada de todo profissão. Não pode dar nada. O futebol pararia", me diz um advogado de um grande clube brasileiro.

A comparação de Paulo André com Bosman acontece porque o jogador belga tentou e conseguiu algo inédito. Ele conseguiu que o jogador europeu fosse considerado comunitário. Ou seja, não seria considerado estrangeiro, mesmo se tivesse nascido em outro país do Velho Continente e não o de seu clube. A batalha vencida pelo jogador revolucionou o futebol europeu.

1reproducao16 Para o Corinthians, Paulo André quer virar o novo Bosman. Mudar a legislação do país.  Cobrar hora extra dobrada por ter jogado aos domingos. Mario Gobbi e sua diretoria acreditam que o processo de R$ 2,5 milhões é uma grande ingratidão do campeão mundial...

A direção jurídica corintiana será o mais forte possível com Paulo André. Não quer abrir brecha para pagar horas extras em dobro por causa das partidas aos domingos. A ordem é nem tentar acordo. Significaria concordar com as reivindicações. Muitos dirigentes se consideram traídos pelo zagueiro.

Everton, ex-jogador do Flamengo, tentou pedir horas extras pelo período que ficou concentrado. O processo já tem dois anos e até agora não conseguiu nada de positivo. Advogados esportivos garantem que é pura perda de tempo. O esportista tem sua vida controlada pela Lei Pelé.

O blog tentou contato com o zagueiro na China. Mas Paulo André não respondeu as perguntas enviadas ao seu e-mail. O outro lado, queria falar. Mas em off. Logo ficou claro o rancor do Corinthians com seu ex-jogador. Conselheiros notaram a vontade de usar o clube para criar polêmica. Misturar CLT com o jogador de futebol. A batalha jurídica já começou. Com o interesse de outras equipes grandes brasileiras, da CBF e da Globo. Ninguém quer pagar horas extras em dobro pelo jogos aos domingos à tarde.

Se, por acaso, Paulo André ganhar, acabaria a viabilidade de partidas aos domingos. Melhor seria acontecer às segundas-feiras. Mas o jogador sabe que a briga será árdua. A questão é muito mais complicada do que a de Bosman. Será quase impossível, o zagueiro, líder do Bom Senso, receber os R$ 2,5 milhões que exige do Corinthians.

No clube, conselheiros estão muito decepcionados. Entendem que Paulo André está sendo muito ingrato. Teve a sua ida para a China facilitada. Ganhou um bom dinheiro. Sem render nada ao Corinthians. Agora usa o lugar onde foi campeão do mundo para servir de exemplo, chamar a atenção ao movimento Bom Senso. Mesmo sabendo que as chances de vitórias são praticamente nulas. A ordem de Mário Gobbi é para o departamento jurídico enfrentar com toda a força o zagueiro. Ele não será mais bem-vindo no Parque São Jorge.

Mesmo só com 31 anos, será difícil que algum clube brasileiro invista no seu futebol. Com medo de eventuais processos por não pagar horas extras por jogar aos domingos. Ou adicional noturno, quando as partidas começarem às 22 horas...

Um esclarecimento aos seguidores do blog. Soube da notícia do processo de Paulo André ao Corinthians no final noite de quarta-feira. Não estava em São Paulo. Faltavam detalhes. Logo na manhã da quinta-feira, ontem, me informei melhor sobre a situação. Em seguida mandei e-mail ao jogador na China. Esperei a resposta como ela não veio, publiquei a notícia com a versão do Corinthians na madrugada de hoje.

Pela manhã, finalmente chegou a resposta do Paulo André, no meu e-mail.

Aí está...

Cosme,

Tudo bem?

Por aqui tudo tranquilo.

Obrigado por me procurar para saber a minha versão.

Estou soltando uma nota oficial daqui a pouco, explicando que não tem nada de hora extra na reclamação, etc...

Minha vidraça é de vidro, tem muita gente querendo me pegar. rs

Se ficar alguma dúvida, falamos depois.

E assim que esfriar, se ainda quiser aquelas respostas, será um prazer.
Não respondi antes porque estava com meus pais aqui na China.

Abs
PA...

Ou seja, fiz o que tinha de fazer. Reproduzo aqui agora a nota que o jogador colocou no Facebook.

"NOTA DE ESCLARECIMENTO
Falta com a verdade quem diz que processei o S.C. Corinthians Paulista reivindicando horas extras por trabalhos aos finais de semana. Isto é um absurdo, puro desconhecimento da lei e da ação. É lamentável ver como esse tipo de "notícia" é replicada sem o menor critério. Acredito que esta informação infundada e manipulada veio das mesmas pessoas que queriam me ver bem longe no início do ano e por isso não me rebaixarei ao nível destes senhores que vivem nas sombras, explorando a tudo e a todos no submundo do futebol brasileiro.
Desde o dia da minha rescisão de contrato, que ocorreu em fevereiro, até o final do mês de julho deste ano, busquei incessantemente um acordo com o clube para que me pagasse a premiação do título do Campeonato Paulista, do título da Recopa e dos jogos do Campeonato Brasileiro de 2013, além da diferença do saldo da renovação contratual de trabalho que aconteceu em janeiro de 2012. Depois de muitas tentativas, um acordo verbal foi estabelecido mas, infelizmente, o prazo estipulado não foi respeitado por parte do clube.
Busquei mais uma vez a diretoria e as pessoas em quem confiava para informá-las do que estava acontecendo, da falta do pagamento e da minha decepção com a maneira como eu estava sendo tratado mesmo depois de quase cinco anos de serviços prestados e inúmeros títulos conquistados. Naquela ocasião comuniquei-os que era inevitável não entrar com uma ação caso o fato não fosse solucionado. Assim sendo, optei por acionar o clube na justiça no mês de setembro, buscando os meus direitos legais enquanto trabalhador e cumpridor dos meus deveres durante o tempo em que fui atleta do clube. A ação decorre de acordos/promessas descumpridos pelo clube - ou seja, o assunto da premiação - direito de arena que é algo já reconhecido pelos tribunais e ausência de descanso devido aos atletas.
Espero ter esclarecido a questão e aproveito para reiterar o meu respeito e gratidão ao S.C.C.P e à torcida corinthiana, em especial a aqueles que tiveram discernimento para aguardar o meu posicionamento acerca deste assunto, antes de fazerem julgamentos precipitados e equivocados.
Não falarei mais sobre esse assunto por orientação jurídica.
Sem mais,
Paulo André"

Cumpri a minha missão jornalistica. Foram 24 horas esperando a versão do Paulo André, que não veio. Quando chegou, foi publicada. Mas esse assunto será melhor esclarecido...
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Luís Álvaro não se conforma por ter sido esquecido pelo Santos. Comparar Leandro Damião a um pangaré e detonar o pai de Neymar foi apenas o início de sua vingança…

1gazeta2 Luís Álvaro não se conforma por ter sido esquecido pelo Santos. Comparar Leandro Damião a um pangaré e detonar o pai de Neymar foi apenas o início de sua vingança...
"Um centroavante que não faz gol, pula a 10 centimetros do solo, nao ganha essa coisa toda. Começou bem no Inter, no ano seguinte ficou mais tempo na enfermaria do que em campo e ano passado era banco. Você comprar um jogador desse por R$ 42 milhões não faz sentido.

"O Geuvânio teve contrato renovado, foi eleito a revelação do Campeonato Paulista, e de repente é sacado do time, porque tinha que colocar um jogador contratado a peso de ouro, que tinha que se justificar perante a torcida. Hoje nós temos um medalhão, comprometendo o fluxo do caixa, e ainda temos que pagar esse vínculo. E a dívida só será totalmente paga no final de 2017.

"A ideia do fundo maltês era colocá-lo em uma vitrine como o Santos, um dos poucos com prestígio internacional. Mas é você apostar em um pangaré, não vai ganhar um prêmio nunca. Se ganhar, ganha uma fortuna. Que é esquisito, é.

"Essa política deslocada de trazer jogador meia boca ganhando salário atrasado foi o que aconteceu nos primeros anos de mandato do ex-presidente que eu sucedi (Marcelo Teixeira). Marcelinho, Luizão, Rincón, Carlos Germano, a salários estratosféricos. O Santos estava quebrado. Foi obrigado a vender a sua matéria-prima mais valiosa, Neymar."

O que faz Luiz Álvaro desmoralizar a administração Odílio Rodrigues, presidente santista, desde que ele renunciou ao cargo por graves problemas de saúde? Comparar Leandro Damião a um pangaré é a certeza de desvalorização do atacante. Se já está difícil recuperar o investimento de R$ 42 milhões, ficará impossível com um dirigente tão importante desqualificando o jogador.

A mágoa de Laor é enorme a Odílio só cresce. Começou com várias demissões que o presidente santista tomou sem consultá-lo. Profissionais contratados por Laor. A entrada do fundo maltês Doyen na Vila Belmiro é algo que irrita profundamente o ex-presidente. Ele não queria de maneira alguma o clube negociando com Renato Duprat. E apoiou o movimento de que o clube devolva cada centavo que a Doyen gastou com Leandro Damião.

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Brigando por essa devolução, Luís Álvaro expôs Odílio como péssimo negociante. A péssima fase de Leandro Damião já tornava incompreensível uma contratação tão cara. Hoje em dia, tudo fica pior. Seu fraco futebol não recomenda a contratação nem por um sexto dos R$ 42 milhões investidos no atacante. O ex-presidente apoia o candidato da oposição, Fernando Silva. E, se eleito, sua primeira promessa é fazer uma devassa na negociação que levou Leandro Damião para a Vila Belmiro.

Laor se vinga porque Odílio não o defendeu como deveria na venda de Neymar para o Barcelona. Toda a culpa recaiu ao ex-presidente. Ele ficou sem opção. Ou se mostrava alienado ou incompetente. O pai do importantíssimo jogador já havia recebido 10 milhões de euros. Seis dias antes da decisão do Mundial Interclubes no Japão. O UOL revela que o clube catalão foi além. Se comprometeu em pagar mais 30 milhões de euros a Neymar Sênior. A Receita Federal mostra que o pai do atleta embolsou R$ 113 milhões com a venda.

"Eu, de fato, era presidente do Santos quando se deu esse triste deplorável e lamentável ato de deslealdade e falta de compostura e violação dos princípios básicos que regem a ética de um contrato assinado como ele tinha com o Santos.

"A negação era absoluta, não podia ser outra estratégia de quem havia recebido dinheiro antes da final mais importante do Santos nos últimos 50 anos."

Luis Álvaro ainda ontem tentava explicar a transação. Garantia ter sido enganado por Neymar Sênior. O ex-dirigente não se cansa de difamá-lo. Já o chamou de sacana, mau caráter, duas-caras. O relacionou a uma orgia na França que o Santos teria sido obrigado a pagar. Ou seja, o ex-presidente fez questão de acabar com a imagem do pai do jogador. Repete que foi enganado com antecipação paga pelo Barcelona em 2011.

Neymar Sênior o está processando criminalmente pelas acusações.

O ex-presidente mostrou que, agora muito melhor de saúde, aproveitará cada entrevista. E se vingará de Odílio e Neymar Sênior. Pouco importa que o Santos seja prejudicado. Leandro Damião está muito constrangido por ter sido comparado a um pangaré. Não está contente na Vila Belmiro. Só que não há propostas pelo jogador. E depois de ataques como o de Laor, será um milagre se aparecer. O Santos que arque com os R$ 42 milhões. A Receita Federal Espanhola segue questionando a transação de Neymar. Se algo efetivamente for descoberto, a Receita Federal brasileira será avisada.

Em 2014, os salários santistas já atrasaram em maio e em agosto. Robinho tem um acordo que obriga o clube a pagá-lo em dia, com direito a multa se o dinheiro for depositado em atraso. Evidente que seus companheiros de time sabem. E não gostam do privilégio. Candidatos à presidência como Modesto Roma Júnior, falam em até R$ 500 milhões em dívidas. Tudo anda muito complicado na Vila Belmiro. Luís Álvaro está apenas deixando um pouco pior...
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O melhor momento do Corinthians está amarrado à necessidade de Mano se mostrar vencedor. Despertar o interesse de outros clubes. Precisa arrumar outro clube para trabalhar em 2015…

1ae3 O melhor momento do Corinthians está amarrado à necessidade de Mano se mostrar vencedor. Despertar o interesse de outros clubes. Precisa arrumar outro clube para trabalhar em 2015...
Se valorizar no mercado. Ficar pronto para a vida sem o Corinthians em 2015. Esta é a principal motivação de Mano Menezes. O plano foi traçado por seu empresário, Carlos Leite. Por isso a felicidade controlada depois da maior vitória do treinador na temporada. Derrotar o líder Cruzeiro em pleno Mineirão, sem Guerrero, Gil e Elias foi uma façanha. E recolocou o time de Mario Gobbi na luta pela Libertadores tanto no Brasileiro como na Copa do Brasil.

Mano é um homem frio, calculista. Sabia que estava desprestigiado. Com os fantasmas de Tite e do provável novo presidente corintiano Roberto de Andrade às suas costas. Os presidentes de outros clubes grandes e a imprensa não querem saber da reformulação que fez no elenco. A temporada só está marcada pela falta de conquistas, títulos, e pela crônica dificuldade que seu time mostrava para marcar gols. Vencer de forma convincente. A impressionante covardia tática quando a partida era fora do Itaquerão.

Precisava de uma guinada. E decidiu que compraria a briga. A última impressão é que fica. E tratou de apostar nestes últimos meses de 2014. Montou o Corinthians como torcedores e mídia desejavam. Uma equipe ao contrário da sua característica como técnico. Chega de frieza. Vibração, marcação, raça. E jogadores rápidos, ágeis no ataque. Tendo como prioridade marcar gols e não correr atrás de volantes e laterais adversários. Por isso se aproximou dos atletas, está mais afável, companheiro. A arrogância sumiu como por milagre.

Mano comprou a aposta por um motivo simples. Gobbi já afirmou a Carlos Leite que não tem como renovar o contrato do treinador. O presidente adoraria, só que não pode. Ele não quer, como a maioria dos conselheiros corintianos, a volta de Tite. Os dois ficaram muito desgastados na temporada passada. Adenor queria um voto de confiança, conduzir ele mesmo a reformulação do time que montou. Mas Mario Gobbi disse não.

Só que o destino é irônico. Roberto de Andrade é o candidato da situação à presidência corintiana. Tem a palavra de apoio incondicional de Andrés Sanchez. Gobbi não pode ser reeleito pelo estatuto e nem quer implodir a situação, abrindo brecha para a oposição, de Paulo Garcia e Antônio Roque Citadini. Como Mário pretende ter vida longa no Conselho Deliberativo do clube, optou por não criar confusão. Aceita, a contragosto, o nome de Andrade.

E Roberto já conversou com Tite. Deseja que ele seja o treinador corintiano em 2015. Não é segredo para ninguém. Só que há um hiato de dois meses. O Brasileiro termina em dezembro. E a eleição é em fevereiro. Gobbi já disse que não pode esticar o contrato de Mano por apenas um mês. Muito menos é o que Carlos Leite e seu contratado desejam. O ideal é logo após o Brasileiro se jogar no mercado. Mostrar estar livre para procurar nova casa. Mais: conseguir o título da Copa do Brasil constrangeria Andrade e pressionaria Tite. Além, lógico, de sair por cima do Parque São Jorge...

2ae2 O melhor momento do Corinthians está amarrado à necessidade de Mano se mostrar vencedor. Despertar o interesse de outros clubes. Precisa arrumar outro clube para trabalhar em 2015...

Mas expor essa situação publicamente é muito desgastante. Por isso Mano Menezes já avisou que não falará mais sobre seu contrato. Ele quer é dar o seu máximo. Colocar o Corinthians na Libertadores, se possível, com o título da Copa do Brasil. As vitórias contra o Atlético Mineiro, no primeiro jogo no Itaquerão, e, principalmente, a de ontem, contra o Cruzeiro estão sendo saboreadas. São tratadas cuidadosamente como arrancadas para o final de ano dos sonhos.

O Corinthians é o quinto no Brasileiro, com os mesmos 46 pontos do Grêmio. Tem uma caminhada interessante até o final do torneio. Os adversários: Botafogo em Manaus, Internacional em Porto Alegre, Vitória no Itaquerão, Palmeiras no Pacaembu, Coritiba no Itaquerão, Santos no Itaquerão, Bahia em Salvador, Goiás no Serra Dourada, Grêmio no Itaquerão, Fluminense no Rio e Criciúma no Itaquerão.

Na Copa do Brasil já venceu o Atlético Mineiro no Itaquerão por 2 a 0. Tem ótima vantagem para levar a Belo Horizonte, na próxima quarta. Se seu time conseguir a vaga estará na semifinal do torneio. Provavelmente contra o Flamengo. A equipe carioca venceu o primeiro jogo contra o América, em Natal. Decidirá sua vida no Maracanã, também na próxima quarta. Mano sabe que possuiu um time muito melhor do que o de Luxemburgo. Este é o caminho até a final da competição.

Nesta gangorra instável que está sendo a campanha do Corinthians em 2014, Mano vive um momento de firmeza. O de sprint final na temporada. Mostrar para o Brasil que é um treinador de ponta. Os fracassos que viveu na Seleção Brasileira e no Flamengo estão colados nas retinas dos dirigentes e torcedores. Ele precisa dar uma resposta. Não em forma de seu discurso decorado, frio, muitas vezes vazio, treinado com fonoaudiólogas. Mas no campo. Com o time conseguindo resultados.

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Mario Gobbi já afirmou que a Libertadores se tornou 'obrigação' ao Corinthians. A pressão é enorme. O clube precisa do dinheiro das partidas da competição no Itaquerão. Os juros da construção do estádio não param de se acumular. A prefeitura não quer pagar R$ 420 milhões em incentivos fiscais como estava acertado. Mas R$ 415 milhões porque a arena não foi completamente construída. Do empréstimo prometido pelo BNDES, R$ 400 milhões, foram liberados apenas R$ 380 milhões. São R$ 25 milhões travados de forma inesperada.

O Corinthians precisa como nunca da certeza da disputa da Libertadores. O cálculo da diretoria é que cada partida no Itaquerão poderia ter arrecadação até de R$ 5 milhões. Mano e Carlos Leite sabem muito bem desta situação. Gobbi virou amigo de Leite desde que o empresário emprestou dinheiro ao clube em 2008. Foram R$ 600 mil, para que fossem contratados Wellington Saci e Eduardo Ramos. Jogadores que, por acaso, pertenciam a Leite.

A relação entre Gobbi, Mano e seu empresário é excelente. Mas o futuro do clube deverá estar nas mãos de Roberto de Andrade. Isso é algo real. E virou um estimulante para o técnico neste final de ano. Ele precisa se valorizar no mercado. Se mostrar vencedor. Há boas perspectivas fora do Parque São Jorge. Fluminense, Atlético Mineiro são possibilidades. Uma eventual conquista da Copa do Brasil ampliaria o mercado. Por vias tortas, foi o melhor que poderia acontecer ao Corinthians neste final de temporada...
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O rádio esportivo brasileiro está agonizando. As novas tecnologias seduziram o torcedor. Os patrocinadores estão sumindo. Não há renovação dos locutores. Vive a maior crise de sua história…

1reproducao14 O rádio esportivo brasileiro está agonizando. As novas tecnologias seduziram o torcedor. Os patrocinadores estão sumindo. Não há renovação dos locutores. Vive a maior crise de sua história...
A atração dos ditadores em relação aos veículos de comunicação sempre foi imensa. A ideia de propagar seus ideais e mostrá-los como infalíveis cresceu na Primeira e, principalmente, na Segunda Guerra Mundial. Mussolini, Stalin, Tito, Franco souberam bem como difundir seus ideais. Adolf Hitler e Winston Churchill travaram duelos em forma de discursos. O nazista para impor a uma nação a ilusão de superioridade, da necessidade de dominação. E o britânico inflamou a resistência de um país bombardeado, arrasado, sitiado.

Ditadores pelo mundo foram seduzidos pelo poder do rádio. Mais forte, direto do que os jornais. A voz do tirano conseguia mexer com o imaginário de que o ouvia. Getúlio Vargas não iria fugir à regra. Pelo contrário. Decidiu que, como Mussolini, iria usar o rádio como propaganda do seu 'Estado Novo'.

Foi assim estatizada a Rádio Nacional. Com sede na então capital do Brasil. E cuja programação era retransmitida para todo o país. Para disfarçar a propaganda política explícita, nela havia radio novelas, jornalismo e futebol. Foi graças à ela, que transmitia os jogos do Rio de Janeiro para o Nordeste, que Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense se tornaram populares na Bahia, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Paraíba etc. Era quase obrigatório ter um rádio grande nas salas das famílias brasileiras.

O advento de rádios compactos, a pilha, enlouqueceu o país. E os estádios. Eram os companheiros dos torcedores. Nos tempos nos quais ninguém imaginaria em usá-los como armas, atingindo a cabeça do torcedor rival. Por isso são proibidos hoje.

O rádio esportivo foi crescendo com o sucesso da Seleção Brasileira nas Copas. Estava consolidado nas décadas de 70 e 80. Mas começou sua decadência com a modernização das transmissões de jogos pela televisão. Desde a década de 90, a queda só se acentuou. A chegada das tevês a cabo foi um golpe certeiro. Partidas mostradas pela Internet e pelo celular ajudaram na sangria.

"O rádio esportivo brasileiro vive a pior crise de sua história. Não vai morrer. Mas precisa se reinventar se quiser ter espaço na mídia." Quem garante isso é o especialista Anderson Cheni.

2reproducao7 1024x768 O rádio esportivo brasileiro está agonizando. As novas tecnologias seduziram o torcedor. Os patrocinadores estão sumindo. Não há renovação dos locutores. Vive a maior crise de sua história...

Jornalista com passagens por vários veículos de comunicação , entre eles a Globo e Capital, de São Paulo. Dono de blog e coluna mais importantes sobre rádio esportivo do país. Cheni faz o alerta sobre o perigo da morte silenciosa desse que já foi companheiro de milhões de brasileiros. E que hoje está quase que abandonado.

Cheni, quem escuta a transmissão de uma partida de futebol pelo rádio em casa?

Infelizmente, quase ninguém. Ninguém quer mais ficar imaginando o lance, quer ver. A televisão ocupou o espaço que era do rádio. De uma maneira decisiva. Fora que a partida também é transmitida pela computador. Pelo celular. O jogo só é ouvido pelo torcedor que está no carro, indo ou voltando para algum lugar. E olhe lá. E as agências de publicidade acompanham esse movimento. Cada vez menos querem saber de investir em rádio. O grosso do dinheiro vai para a televisão aberta. Depois para a tevê a cabo. Está indo para a Internet, para o celular. Hoje, quem investe em transmissão de futebol reserva no máximo 10% para os rádio. Se não for menos. Ou até nada.

Cheni, fiquei assustado com o índice de audiência das principais rádios. Vou pegar como exemplo as rádios paulistas aferidas pelo Ibope. A média do primeiro trimestre de 2014 foi assustadora em São Paulo. E aos domingos no horário nobre das 16 horas às 20 horas. A primeira foi a 105 FM, com 126 mil ouvintes por minuto. Depois a Transamérica FM com 38 mil. Aí vem a Globo AM, 34 mil. Bandeirantes FM, 27 mil, CBN FM, 27 mil, Capital AM/ESPN 24 mil, Bandeirantes AM, 21 mil, Jovem Pam AM, 6 mil. CBN AM, 6 mil. E Tupi AM, dois mil por minuto. Não é possível. Só a capital paulista tem quase 11 milhões de pessoas...

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Infelizmente não só é possível, como é verdade. Quem fez essa pesquisa foi o Ibope. As pessoas não percebem o quanto o rádio esportivo diminuiu. A audiência despencou muito mais do que futebol na televisão aberta. E não para de cair. É algo assustador. Vou explicar essa bola de neve que só fica menor. A última fase áurea aconteceu na década de 70 e 80, quando surgiram os grandes locutores como José Silvério, Osmar Santos, Fiori Gigliotti. Ao contrário dos grandes da rádio Nacional nas décadas de 40, 50, 60, eles tinham outra característica. Eles levavam patrocinadores fortíssimos para onde trabalhavam. Viraram ídolos. Com muito dinheiro e sem a imagem dos jogos, as equipes eram enormes, brilhantes. Com comentaristas e repórteres de grande qualidade. E com o enorme diferencial, eles iam a todos os jogos. Iam porque havia dinheiro. Os patrocinadores sabiam que os torcedores eram obrigados a ficar grudados no rádio...

Só que aí chegou a tevê, os canais a cabo, a Internet e o celular...

Foi exatamente isso. Os torcedores perderam a dependência do rádio. Para que imaginando um jogo quando a imagem está na tela. Isso foi um choque terrível que pegou a todos desprevenidos. Aí foi a bola de neve se desfazendo. Os patrocinadores diminuíram muito o dinheiro nas rádios. Os donos de emissoras deixaram de mandar suas equipes para os jogos. Foi criado o maldito 'tubo'. São jogos que o narrador, o comentarista e até o repórter ficam em um estúdio em São Paulo assistindo a partida disputada, por exemplo, no Recife. A narração fica fria, distante. O torcedor percebe, não quer ser enganado. Vai assistir no seu computador ou no celular. E nem pensa em ligar o rádio. Há exceções, rádios que ainda mandam suas equipes. Mas não são em todos os jogos. Muito pelo contrário. Com menos dinheiro, menos ouvintes, os donos das rádios deixaram de pagar bem aos profissionais. As exceções continuam sendo os narradores principais. Não são todos. Como o José Silvério, o Nilson César, o Oscar Ulisses. E vamos ficando por aí. Os salários dos repórteres são baixíssimos. As emissoras promovem estagiários inexperientes. Está tudo achatado, errado. Por isso a audiência não para de cair.

4reproducao2 O rádio esportivo brasileiro está agonizando. As novas tecnologias seduziram o torcedor. Os patrocinadores estão sumindo. Não há renovação dos locutores. Vive a maior crise de sua história...

Mas o Milton Neves é o homem que mais ganha no rádio do Brasil. Seu salário é invejável...

Cosme, ele ganha porque é publicitário. Ele se aproveita de uma fórmula que as rádios utilizam de maneira pouco inteligente atualmente. Como na década de 70 havia fila de anunciantes, as emissoras começavam a falar do jogo de domingo às dez da manhã e só paravam às dez da noite. Tudo para encaixar os anúncios. Hoje não há mais publicidade, mas essa estúpida fórmula continua. Quem acompanha 12 horas no rádio? Falando sobre concentração dos times, comentários e mais comentários? O Milton se dá bem porque conta aquelas histórias antigas, faz entrevistas. É um excelente comunicador. E ele está sozinho. Não há concorrentes. E há outro ponto que me preocupa.

Qual é, Cheni?

A falta de renovação. Depois do Silvério, do Nilson, do Oscar, quem assumirá o lugar deles? Do Milton Neves? Os grandes narradores, comunicadores vão para a televisão. Querem repercussão, dinheiro. Estão deixando de lado as rádios. O Galvão Bueno, o Paulo Soares, o Luis Roberto e tantos outros saíram das rádios para a tevê. Tinham uma enorme qualidade. Hoje pessoas com esse nível nem pensam em rádio. Já vão direto para as emissoras de televisão aberta ou a cabo. O que acontece é muito ruim. Não há perspectiva de qualidade.

Você vê alguma solução? Ou o rádio esportivo vai morrer?

O rádio esportivo brasileiro vive a pior crise de sua história. Não vai morrer. Mas terá de se reinventar para sobreviver. O primeiro passo será a ida das emissoras para o FM. O AM no Brasil é muito ruim. O sinal é instável. Sei que até 2017, todas deverão estar no FM. Comparo as rádios AM como os jornais. Ficaram antigas, ultrapassadas, obsoletas. Quem vai esperar um dia para ler a notícia se, em poucos segundos, ela está na Internet? Mas não será tão fácil. As rádios vão ganhar em qualidade, mas vão perder em alcance. FM é assim. Mesmo com pouca audiência e raros patrocinadores, as rádios já têm planos de investir nessa nova tecnologia. Precisam estar nos celulares, nos tablets, na internet. E cada vez usando imagem. O torcedor não quer mais apenas ouvir, quer ver. E isso há muito tempo. É uma questão de se reinventar às novas plataformas. Você vai me perguntar se é difícil. Lógico que é. Mas é virou uma questão de sobrevivência.

O fracasso do Brasil na Copa de 2014 deu sua contribuição para piorar tudo?

Não tenha dúvida. Havia várias campanhas engatilhadas. Havia a expectativa de entrada de mais dinheiro. Só que o vexame foi imenso. Os patrocinadores saíram correndo. Sabem que há muito desânimo com o futebol atual. Os clubes estão sofrendo para conseguir se manter. Não têm publicidade na camisa. O nível técnico é baixo. Todo mundo está enxergando. Os grandes anunciantes das rádios ainda são os laboratórios, fabricantes de remédios. E o governo. Mas cada vez entra menos dinheiro. Até as classes C e D estão migrando para as tevês a cabo, Internet. E tem mais. As rádios não pagam para transmitir os jogos no Brasil. Só que há gente da CBF que deseja cobrar. Aí a situação ficará pior ainda...

Cheni, se está este quadro trágico nas grandes rádios, como estão as do interior? As pequenas?

Aí é que tudo fica terrível de vez. Os donos querem lucro. Não vale a pena manter equipes locais, com programas do time da cidade. É muito mais lucrativo retransmitir a rádio de São Paulo. Paga uma taxa e pronto. Com isso, gerações de locutores, comentaristas e repórteres vão morrendo no berço. Não há onde trabalhar. Quem vai querer ouvir o Capivariano quando o Corinthians, o São Paulo estão jogando? A situação é triste. O rádio esportivo do país está morrendo. Precisa reagir, se modernizar, se adequar à nova tecnologia. E o mais rápido possível. Eu tenho muita esperança. Mas a minha preocupação é enorme. Os patrocinadores e a audiência não param de virar as costas. Sem dinheiro e público fica difícil. Quase impossível...
6reproducao O rádio esportivo brasileiro está agonizando. As novas tecnologias seduziram o torcedor. Os patrocinadores estão sumindo. Não há renovação dos locutores. Vive a maior crise de sua história...

Jardel só aumenta o preconceito contra jogadores na política. Sua entrevista revelava sua alienação, despreparo. Mesmo assim, foi eleito deputado estadual pelo Rio Grande do Sul.

1reprodução 1024x768 Jardel só aumenta o preconceito contra jogadores na política. Sua entrevista revelava sua alienação, despreparo.  Mesmo assim, foi eleito deputado estadual pelo Rio Grande do Sul.
Os políticos são o retrato de qualquer país. E os nossos são os do Brasil. Há categorias que são mais marcadas do que outras. Infelizmente a dos esportistas é uma delas. Os jogadores de futebol são muito questionados. Por usar sua popularidade junto a clubes populares. Muitos recebem votos pelo que fizeram nos gramados. Não por suas propostas.

São exceção aqueles que conseguem estudar enquanto jogam futebol. A porcentagem é ínfima. Mas a tentação de ingressar na política é algo muito presente. São ainda mais raros os que têm realmente projeto de governo. Os que defendem um ideal.

Romário eleito senador com mais de quatro milhões e meio de votos é um dos mais comprometidos. Não foi eleito à toa. Usa seu carisma e o fato de ter sido um dos melhores do mundo em prol da causa dos deficientes. Também exige um legado decente para o Rio depois das Olimpíadas. Promete brigar por uma política de drogas. Jura que brigará pelos royalties do petróleo. Além de propostas para o aposentado, pesquisas. Não deixou nada no campo das palavras. Está tudo publicado. Para ser cobrado. Foi além do que muitos políticos tarimbados.

Danrley, Bebeto, Bobô, Deley foram eleitos, André Sanchez . Nesta eleição, Dinei, Raul Plassmann, Paulo Rink, Zé Augusto, Washington, Reinaldo, Dinho, Tarciso, Marcelinho Carioca e Mazaropi não foram eleitos. Mas quem vem chamando a atenção no território nacional é Jardel.

O ex-atacante do Grêmio foi eleito deputado estadual pelo Rio Grande do Sul. Teve 41.227 votos. Mal foi divulgada a sua eleição começaram os ataques. O primeiro foi o seu ex-companheiro gremista. Ele tentou também ser deputado, não conseguiu. Mas se tornou vereador porque era suplente de Any Ortiz, eleita. O ex-volante não queria saber de comemorar. Só detonar a eleição do ex-atacante.

"Moro aqui (em Porto Alegre) há 20 anos e, de repente, vem um cara do Ceará e se elege sem saber nem o que fala, nem onde ele tá na vida dele. E as pessoas votam numa pessoa dessas! Por isso que o Brasil não vai para frente!" A raiva era tanta que Dinho se esquecia que é sergipano.

Quem acompanha um pouco o futebol sabe o que Dinho insinuou. Ele se referia ao problema da séria dependência da cocaína que Jardel enfrentou. Além disso, ele nunca se interessou por estudo. O cearense mostrou sua falta de profundidade política em uma entrevista que já se espalhou nas redes sociais. Ele gravou uma entrevista chocante para o programa Na Chincha para o jornal Zero Hora.

Infelizmente, Jardel não tem o preparo que o cargo de deputado estadual exige. Ele não é o único. Basta lembrar de Tiririca foi reeleito deputado federal com mais de um milhão de votos.

Aqui a entrevista que só reafirma o estereótipo contra jogadores de futebol que optam por ingressar na política. Lembra muito o caso histórico de Biro Biro do Corinthians. Ele foi eleito vereador por São Paulo, entre 1989 e 1992. Sua atuação foi fraquíssima. Mesmo assim tentou ser deputado federal. Não conseguiu. Rapidamente os partidos se afastaram do ex-jogador. E de sua falta de propostas. Hoje ele não tolera falar em política...

imagens no youtube

A situação foi colocada de maneira direta. Para Paulo Nobre ter chance de ser reeleito, a ala de Mustafá Contursi quer a dispensa de Brunoro. Não aceita o executivo no Palmeiras a partir de 2015…

1reproducao12 A situação foi colocada de maneira direta. Para Paulo Nobre ter chance de ser reeleito, a ala de Mustafá Contursi quer a dispensa de Brunoro. Não aceita o executivo no Palmeiras a partir de 2015...
"O curso Master Brunoro em Futebol reúne as mais recentes tendências e metodologias em treinamento de futebol, conceitos e modelos emergentes em temas relacionados a Gestão, Planejamento, Estratégia, Marketing, Neurociência e Pedagogia. Dura seis meses, está na segunda edição. Custa R$ 450,00 mensais. Aulas às segundas-feiras, no Sesc Santo Amaro, em São Paulo."

É assim que está anunciado no site brunoro.com.br. O gestor profissional do futebol do Palmeiras gosta da sonoridade do seu nome. Mas a ala conservadora que apoia Paulo Nobre, não. Capitaneada pelo ex-presidente Mustafá Contursi, ela fez uma exigência clara, direta para manter continuar sustentando a situação, na eleição que promete ser mais difícil do que parecia. A troca do gestor.

Os motivos alegados por Mustafá e vários conselheiros de peso foi o fracasso do futebol palmeirense. A profissionalização prometida por Brunoro e Nobre foi um acúmulo de erros. E que culminou com o desesperador ano de centenário que o clube vive. Cuja maior ambição é não ser rebaixado pela terceira vez em doze anos. Seria a segunda queda em três anos. Fora o futebol, o marketing do clube também ficou na mão do gestor de confiança de Nobre.

"O clube está há mais de um ano sem patrocínio. Como é que posso concordar com isso? O time de futebol está cada vez pior. Não posso concordar com isso", disse Mustafá a esse blog.

O ex-presidente palmeirense apostou no bilionário Paulo Nobre como a solução da modernização do clube. Até porque não queria de maneira alguma que Décio Perin vencesse o pleito. Ele era apoiado por seu inimigo número um no clube, Luiz Gonzaga Belluzzo. Mustafá trabalhou como um mouro para que o inexperiente Nobre fosse eleito.

O ex-dirigente sabia que o novo presidente daria o futebol do clube para Brunoro. Foi contra. Acreditava que o trabalho dele só havia dado certo na era da Parmalat por causa do dinheiro dos italianos. Mas Nobre foi veemente. Apostava que o veterano gestor saberia lidar com pouco dinheiro. Seu trabalho no Pão de Açúcar coordenando dois clubes, o Audax no Rio e o Audax em São Paulo, provavam a sua tese. Mustafá, contrariado, nada pôde fazer. Percebeu que era o ex-torcedor da organizada Inferno Verde contratando um velho ídolo.

Nobre deu tudo a Brunoro. As condições foram amplamente divulgadas na mídia. Salários de R$ 120 mil líquidos, sem impostos. E mais o uso de um carro de R$ 100 mil. Com gasolina paga. E autonomia para fazer o que desejasse. Foi logo acabando com o time B do Palmeiras. Extinguiu as equipes profissionais de vôlei, futebol de salão, atletismo, ginástica, caratê, boxe. Só manteve o basquete por muita pressão dos conselheiros.

3agenciapalmeiras A situação foi colocada de maneira direta. Para Paulo Nobre ter chance de ser reeleito, a ala de Mustafá Contursi quer a dispensa de Brunoro. Não aceita o executivo no Palmeiras a partir de 2015...

No futebol, garantiu que iria buscar patrocínios fortes para a camisa. Amarraria o patrocínio de 2013 com 2014, este ano do centenário. O diretor de marketing do clube era seu apadrinhado Marcelo Giannubilo. Todos no clube sabem quer era Brunoro quem mandava no departamento. Giannubilo era seu comandado. E fracassou. Não conseguiu o sonhado patrocínio exigido pelo executivo. Primeiro o desejo era de R$ 35 milhões por ano. Depois foi diminuindo para R$ 30 milhões, R$ 25 milhões, R$ 20 milhões... O Palmeiras não conseguiu fechar com nenhuma empresa. A culpa recaiu em Giannubilo que foi demitido.

É atribuída a Brunoro a ideia de Paulo Nobre insistir com o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo. O desejo era que ele intercedesse junto à Caixa Econômica Federal, patrocinadora do Corinthians, Flamengo e outros 12 clubes. Mas o Palmeiras foi considerado um clube problemático demais. Histórias de violência de suas organizadas desestimularam os gestores do banco. A desculpa perfeita para a Caixa era o Palmeiras não conseguir obter a Certidão Negativa de Débitos. O clube não havia repassado à Receita Federal R$ 37 milhões em impostos. A dívida finalmente foi paga.

No dia 11 do mês passado, Paulo Nobre fez questão de anunciar publicamente que o clube não devia mais nada. E tinha a desejada Certidão Negativa de Débitos. Procurou a diretoria da Caixa. E ouviu que a empresa vai rever seus patrocínios com os clubes de futebol no final do ano. Dependendo de quem vencer a eleição, Dilma ou Aécio, o banco pode não pagar por ter seu logotipo estampado em camisa alguma.

"Eu tinha a proposta de uma empresa que bancaria R$ 500 mil mensais. Eram R$ 12 milhões nos dois anos de mandato do Paulo Nobre. Mas não houve interesse. Era pouco, mas ajudaria a administrar. Entre R$ 12 milhões e nada, eu fico com R$ 12 milhões", ironizou o ex-presidente Arnaldo Tirone. Resultado: há um ano e cinco meses não entra um centavo no clube em patrocínio master da camisa.

 A situação foi colocada de maneira direta. Para Paulo Nobre ter chance de ser reeleito, a ala de Mustafá Contursi quer a dispensa de Brunoro. Não aceita o executivo no Palmeiras a partir de 2015...

Brunoro não conseguiu unir Nobre a Walter Torre e resolver a questão envolvendo as cadeiras da nova arena. Com isso, não houve pressão na finalização do estádio. E o Palmeiras não pôde jogar no dia 26 de agosto na sua casa. Comemorar cem anos no seu estádio. Algo ridículo que ficará para a história.

Para piorar, os conselheiros ligados a Mustafá não perdoam o abandono da base do clube nestes dois anos. Brunoro assegurou que os garotos do Palmeiras teriam a atenção que nunca tiveram. Mas foram contratados 36 jogadores em um ano e nove meses.

O lateral direito Weldinho (Corinthians); os zagueiros Vílson (Grêmio), Tiago Alves (Mogi Mirim),Thiago Martins (Mogi Mirim), Lúcio (São Paulo), Tobio (Vélez), André Luís (Nancy), Victorino (Cruzeiro); os laterais esquerdos William Matheus (Goiás) e Paulo Henrique (Santos); os volantes Marcelo Oliveira (Cruzeiro), Charles (Cruzeiro), Léo Gago (Grêmio), Eguren (Libertad), França (Hannover), Josimar (Internacional) e Bruninho (Portuguesa); os meias Ronny (Figueirense), Rondinelly (Grêmio), Mendieta (Libertad), Felipe Menezes (Benfica), Marquinhos Gabriel (Bahia), Bruno César (Al Ahli), Bernardo (Vasco), Allione (Vélez); atacantes, Leandro (Grêmio), Kléber (Porto), Serginho (Oeste), Ananias (Cruzeiro), Alan Kardec (Benfica), Rodolfo (Rio Claro), Diogo (Portuguesa),Henrique (Portuguesa) e Mouche (Kayserispor).

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Além desses 34 jogadores, foram apresentados ontem mais dois. O volante Washington do Joinville e o goleiro Jaílson do Ceará. Ambos eram reservas na Segunda Divisão. O fracasso desta política de contratações de atletas fracos é claro. O time é medíocre, limitado. Só no fim do mandato de Nobre os meninos palmeirenses têm tido chance. João Pedro, Nathan, Victor Luis, Gabriel Dias, entre outros. Com Brunoro, o Palmeiras tem o elenco mais inchado de todo o Campeonato Brasileiro. São 42 jogadores!

Foi dele a ideia de dispensar Gilson Kleina e trazer o argentino Ricardo Gareca. Desprezou o período de adaptação do técnico ao futebol brasileiro. Assumiu que deveria mandá-lo embora depois de 13 partidas. E contratou Dorival Júnior. O discurso de um treinador com um trabalho longo se mostrou vazio. Brunoro também é o maior defensor de Valdivia no clube. Permite todos seus abusos porque é o jogador mais talentoso do elenco.

As perdas de Barcos, Henrique, Alan Kardec se mostraram desastrosas. A ida do argentino para o Grêmio rendeu R$ 5,2 milhões. A saída do zagueiro e capitão para o Napoli, R$ 10,3 milhões. E nada com a saída do atacante para o São Paulo. Ou seja, R$ 15,5 milhões. Só com o meia Leandro, Brunoro gastou R$ 16 milhões. Conselheiros do COF ficam revoltados com essa simples conta. A folha salarial do Palmeiras é de R$ 6,5 milhões.

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O clube deve mais de R$ 300 milhões. R$ 135 milhões só para o próprio Paulo Nobre. Beluzzo conseguiu arrebanhar executivos milionários para compor a diretoria de Pescarmona. Marcelo Castelli, dono da Fibria, José Carlos Grubisich, da Eldorado Celulose, Venilton Tadini, da Banco Fator, Leandro Scabin, da Diletto, Marcos Arnaldo, ex-presidente da Repsol e Ítalo Barione, da ARS Energia. Ele quer mostrar aos conselheiros que haverá suporte financeiro para administrar o clube. E gente importante para conseguir novos patrocínios.

Para evitar a vitória da oposição, Paulo Nobre precisa estar alinhado como nunca com a ala comandada por Mustafá Contursi. E o presidente sabe muito bem o que ela quer. A saída de Brunoro em dezembro. Não aceita que ele comande o futebol a partir de 2015. Nobre está encurralado. Não há o que fazer. Terá de dispensar os serviços do seu executivo favorito. Isso se quiser ter chance de se reeleger. O homem que deu tanto certo com os milhões da Parmalat, fracassou, 17 anos depois. Não soube gerir as dívidas palmeirenses. Aos 64 anos, tudo indica que em 2015 sua rotina vai mudar. Poderá se dedicar às aulas no prestigiado curso 'Master Brunoro em Futebol'...
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“A política é muito mais limpa do que a imprensa esportiva. Principalmente na televisão. É muita mentira. Não se pode falar mal da CBF e da Globo. Cansei dessa sujeira.” Jorge Kajuru

1reproducao11 A política é muito mais limpa do que a imprensa esportiva. Principalmente na televisão. É muita mentira. Não se pode falar mal da CBF e da Globo. Cansei dessa sujeira. Jorge Kajuru
"Não volto mais ao futebol. A política é um ambiente mais limpo que a imprensa esportiva do Brasil. Nenhuma televisão que me contratou me deixava falar mal da CBF e da Globo, as duas donas do futebol neste país. Há muita censura financeira nas televisões. Isso cala quem tem opinião de verdade. Trabalhei por 37 anos nessa lama. Mas saio tão limpo quanto sai. Sem nem o cheiro de tanta sujeira. A política agora é o meu lugar.

"Com três assessores, ganhando R$ 1.200,00 cada um, em cima de um caminhão, com pancreatite, disputando por um partido pequeno, consegui mais de cem mil votos. Não tive saúde para ir ao interior de Goiás. Fiquei com a campanha só em Goiânia, onde tive mais de 90 mil votos. Cheguei a mais de 106 mil votos. Fui o décimo mais votado. Entraram 17. Só não consegui a vaga por causa da minha legenda.

"Começo agora a minha luta para ser prefeito de Goiânia em 2016. Já recebi convite de gente ligada ao PMDB e ao DEM. Quero fazer algo importante para a vida das pessoas mais necessitadas. No futebol fui até onde o meu estômago aguentou. Tenho nojo como se faz futebol na televisão deste país. Se os torcedores soubessem, também teriam."

Revelações do apresentador Jorge Kajuru. Ele concorreu a deputado federal em Goiás. Fez questão de disputar em Goiânia, terra do seu maior desafeto na vida. Marconi Perillo, o governador e que disputará o segundo turno com Iris Resende por mais um mandato.

"Poderia concorrer no Rio, formar dupla com o Romário, ele me chamou. Ou disputar em Minas Gerais, a minha terra. Mas preferi aqui em Goiânia. O Marconi destruiu a minha vida. Cassou a minha rádio. Perseguiu a minha família. E só não fui eleito pela legenda. Mas peguei gosto pela política. Eu vou ser prefeito em 2016. E enfrentá-lo no campo dele. Essa é a grande motivação a minha vida. Futebol no Brasil é algo nojento, podre, de eu quero distância."

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Kajuru, por que a política? E o abandono da imprensa esportiva, do futebol?

Muita gente fala mal da política. Mas é um ambiente muito, mas muito mais limpo do que a imprensa esportiva deste país. Aqui jornalista é censurado. Não pode falar mal da CBF, da Globo. Elas têm o poder de organizar os torneios no Brasil. É muito dinheiro em jogo. Criticar a organização, por exemplo, é colocar em risco a chance de transmitir as partidas. Não pode falar mal da partida, fingir que é a melhor do mundo. Dos times, dos jogadores. De nada. As pessoas acreditam que os jornalistas não enxergam o baixo nível do nosso futebol? Pois os jornalistas enxergam. Só calam a boca por conveniência. Para continuar transmitindo os jogos. A sua emissora continuar ganhando dinheiro dos patrocinadores. Repassando aos jornalistas salários altíssimos. Para mentir no ar. Eu não consigo me calar diante de tanta e tanta mentira, sacanagem. É muita sujeira. Lutei contra isso por 37 anos. E sempre as empresas onde eu trabalhava me mandavam calar a boca, me censuravam. Então decidi parar de me desgastar. Não tenho mais saúde para enfrentar essa gente safada.

Não acompanhou nem a Copa do Mundo?

Cosme, não vi. Não quis acompanhar nenhum jogo, nada. Juro que tenho enjoo, nojo de jogo de futebol aqui no Brasil. São tantos interesses por trás que me dão vontade de vomitar. Ainda mais em uma Copa que foi trazida pelo Ricardo Teixeira. Vamos deixar de ser ingênuos. Não quero nem entrar em detalhes. Vou resumir para você. Futebol e imprensa esportiva neste país são nojentos. Muita gente enriquece todos os dias aceitando situações absurdas. Mentindo para o seu público. Eu não faço isso. Cansei de denunciar e pagar advogados por causas dos meus processos.

Quantos processos você tem?

São 82 pelo futebol e 46 pela política. Na política são 43 do Marconi. Eu tenho orgulho de cada processo porque eu tenho credibilidade. Tudo o que acusei tem base. Por isso sempre repercutiu. O grande problema é que meus adversários são gente riquíssima. Me custa pelo menos R$ 20 mil cada processo. Não tenho o salário de R$ 1 milhão como muitos que trabalham na minha área conseguiram. Eu também teria se engolisse as sacanagens que fazem com o futebol brasileiro. Mas tenho caráter, não sou uma pessoa falsa. Minha dignidade não está à venda. Por isso não quero mais falar de futebol.

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Esse desgosto é irreversível?

Sim. Registrei em cartório a minha promessa de não trabalhar mais com futebol. Meu sonho é comandar um programa como auditório, moderno. Mas de variedades. Tenho capacidade para isso. Mas não quero saber de bola, jogadores, dirigentes. Quem quiser acreditando no futebol brasileiro que acredite. Principalmente no que é dito, mostrado pela televisão. Tenho 53 anos. Para mim essa nojeira já deu.

Por que tentar ser político?

Porque quero realmente fazer algo pelo meu país. Meu salário, se fosse eleito, usaria de uma maneira inédita. Financiaria operações para reverter diabetes. Meus assessores falaram que seria demagogia. Respondi que quem fala isso é porque não tem diabetes. Ganho dinheiro com as redes sociais. Tenho quatro patrocinadores que me bancam. Quero fazer algo pelo Brasil. Tinha 44 ideias de projetos. Como colocar uma luz nos táxis, ao lado da perna do motorista. Toda vez que entrasse alguém suspeito no seu carro, ele a acionaria. Brigaria pela introdução do Espanhol obrigatório nas escolas. E muitos outros. Viajei para Washington e Oslo na Noruega. Para buscar ideias que melhorassem a vida da população. Mas essas ideias não serão esquecidas.

Como foi sua campanha? Quanto gastou?

Eu comecei a minha campanha no dia 25 de junho. Tinha três assessores que recebiam R$ 1.200,00 cada. Tinha um caminhão onde passava pelas ruas falando as minhas ideias. Muitas vezes não tinha dinheiro para a gasolina para circular. Não fui para o interior de Goiás atrás de votos. Não tive condições físicas. Estou tratando de uma pancreatite, algo terrível. E também não tinha dinheiro para levar o caminhão, fazer campanha no interior. Não conheço nem de passear. Fiz o que pude. Com o meu dinheiro e a minha saúde.

Vai sair a candidatura a prefeito mesmo?

Você não tenha a menor dúvida. O PMDB e o DEM já mandaram gente me procurar. Ninguém vai me segurar. Eu só não estou eleito porque houve uma mudança inesperada. Eu iria formar um trio com o Ronaldo Caiado (eleito senador) e com o Iris Resende (candidato a governador). Na última hora houve uma mudança de legendas. Se eu estivesse em uma mais forte, estaria eleito. O que irá acontecer em 2016.

Você votará em quem no segundo turno para presidente? Dilma ou Aécio?

Você tem coragem de me perguntar isso, Cosme? Voto na Dilma, lógico. O Aécio me tirou da TV Bandeirantes. É um coronel que só pensa nele. Quem o conhece o rejeita. Não foi por acaso que perdeu na terra onde foi duas vezes governador, em Minas Gerais. O Aécio foi uma das pessoas que destruiu a minha carreira, a minha vida. Me mandou embora da Bandeirantes. É esse tipo de situação que eu não vou passar mais na vida. Cansei da censura econômica que as televisões sofrem para mostrar futebol nesse país. Meu lugar agora é na política. Para dor de cabeça de muitos. Cansei de me mandarem calar a boca. Se tem ainda muita gente que aceita, o problema é desse pessoal. Povo sujo que aceita ter a sua consciência comprada. Eu, não...
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A vitória com gosto de decepção de Andrés Sanchez. O Itaquerão e o Corinthians não renderam um milhão de votos. Apenas 169 mil. Ficou atrás de Tiririca, Baleia Rossi, Marcos Feliciano. Está inviabilizado o sonho de brigar para ser prefeito de São Paulo…

2reproducao5 A vitória com gosto de decepção de Andrés Sanchez. O Itaquerão e o Corinthians não renderam um milhão de votos. Apenas 169 mil. Ficou atrás de Tiririca, Baleia Rossi, Marcos Feliciano. Está inviabilizado o sonho de brigar para ser prefeito de São Paulo...

Os conselheiros mais próximos prometiam a jornalistas. "Ele vai chocar o cenário político nacional. O Lula não é burro. Primeiro ele ganha como deputado federal pelo PT. Depois, vai brigar pela prefeitura. Para mostrar que ele tem a força da nação corintiana na mão. Afinal, ele conseguiu o nosso estádio depois de cem anos. Ele vai conseguir um milhão de votos, no mínimo. Depois? Sai da frente."

Ouvi essa promessa de um dos grandes parceiros de Andrés Sanchez há cerca de dois meses, logo depois de ele se afastar da administração do Itaquerão. O fracasso na conquista de uma empresa que arcasse que com os R$ 300 milhões por dez anos de naming rights do estádio. Gastou cerca de R$ 150 mil em viagens que não deram em nada. Foram três anos de frustração.

E sofria ainda o desgaste com as organizadas, revoltadas com o alto preço dos ingressos. Continuar seria perder o apoio dos corintianos. Tinha de cuidar da campanha. Buscar o tal um milhão de votos. Ou quem sabe ser o deputado federal mais votado da história...

4ae A vitória com gosto de decepção de Andrés Sanchez. O Itaquerão e o Corinthians não renderam um milhão de votos. Apenas 169 mil. Ficou atrás de Tiririca, Baleia Rossi, Marcos Feliciano. Está inviabilizado o sonho de brigar para ser prefeito de São Paulo...

O ex-presidente corintiano realmente conseguiu se eleger deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores. Mas o resultado foi um desastre se um dia ele sonhou com um milhão de votos. De nada adiantou ser 'o melhor presidente da história do Corinthians', segundo seus aliados. Nem ser apadrinhado por Lula. Não conseguiu sequer 18% do milhão de votos que seus parceiros mais próximos sonhavam.

Ficou atrás de Celso Russomano, Tiririca, Marcos Feliciano, Baleia Rossi e outros. Andrés ficou apenas em vigésimo lugar com 169 mil votos. O resultado mostrou que ele não é tão bom de votos como sonhava a cúpula do PT. Muito pelo contrário. Para quem tem tanto espaço nos veículos de comunicação, foi frustrante. Uma lição que o torcedor sabe separar o político.

Com tão poucos votos, a eleição de Andrés deverá refletir até na briga pela sucessão de Mario Gobbi no Corinthians. O estranho apoio do maior líder da oposição à sua candidatura, Paulo Garcia, chocou muita gente no Parque São Jorge. O milionário deu mais de R$ 55 mil para a campanha do rival histórico. O candidato natural da situação do Corinthians, Roberto de Andrade não se pronunciou. Mas estranhou a ligação no pleito de hoje. Há a preocupação se Andrés deixará de apoiá-lo.

Na verdade, Andrés Sanchez pode ter conseguido se eleger. Mas é uma vitória vazia, de Pirro. Frustrou os seus maiores vencedores no Parque São Jorge. Fortalece o hoje seu inimigo, Mario Gobbi. Desaba parte da admiração e fica claro que não passava de lenda a força de mobilizar a 'nação corintiana' que aliados apostavam que Andrés possuía.

1gazetapress A vitória com gosto de decepção de Andrés Sanchez. O Itaquerão e o Corinthians não renderam um milhão de votos. Apenas 169 mil. Ficou atrás de Tiririca, Baleia Rossi, Marcos Feliciano. Está inviabilizado o sonho de brigar para ser prefeito de São Paulo...

As pessoas de confiança de Andrés apostavam em um ambicioso plano. Vencer a eleição como deputado federal, arrastando um milhão de votos para o PT. Depois crescer, aprender a trabalhar em Brasília. E articular uma possível candidatura a prefeito de São Paulo. Caso fosse o escolhido, repetiria 2012, quando elegeu Mario Gobbi. Se indicasse o deputado Tiririca também o faria presidente corintiano, tal a sua força no clube.

Se o pior acontecesse e não conseguisse brigar pela prefeitura ou ainda não ser eleito, haveria ainda sempre o Parque São Jorge. E o caminho ficaria aberto para voltar à presidência do clube em 2018.

Pouco mais 169 mil votos em um universo de mais 32 milhões de paulistas com direito a voto. É um resultado muito aquém. Celso Russomano teve um milhão e meio de votos. Tiririca foi escolhido por mais de um milhão de paulistas. A política partidária é bem diferente da de um clube. Andrés aprendeu da pior maneira.

A eleição foi um balde de humildade a Andrés Sanchez. Irá para Brasília para tentar reverter a decepção. Usará, lógico como desculpa, os que fracassaram. Nem conseguiram se eleger. Como os presidente de clubes, Roberto Dinamite, do Vasco; e Gilvan Tavares, do Cruzeiro, por exemplo. Tentaram ser deputados federais. Ademir da Guia, um dos maiores ídolos do Palmeiras, também não. Seu rival Marco Aurélio Cunha, ex-gerente e médico do São Paulo, fracassou. Assim como Marcelinho Carioca e Dinei. Reinaldo, Raul Plassmann e Marques também não conseguiram ser eleitos.

2reproducao4 1024x576 A vitória com gosto de decepção de Andrés Sanchez. O Itaquerão e o Corinthians não renderam um milhão de votos. Apenas 169 mil. Ficou atrás de Tiririca, Baleia Rossi, Marcos Feliciano. Está inviabilizado o sonho de brigar para ser prefeito de São Paulo...

Mas em compensação, Andrés viu o sucesso de Romário, eleito senador da República, pelo Rio de Janeiro. Foi o maior vitorioso entre os candidatos ligados ao futebol. Teve 63% dos votos, mais de quatro milhões. Evandro Leitão, presidente do Ceará, conseguiu ser deputado estadual. Assim como Osmar Baquit, presidente do Fortaleza, também foi eleito deputado estadual. Jardel, ex-atacante do Grêmio, cunhou a frase clássico é clássico e vice e versa. Se tornou hoje um nobre deputado estadual em Porto Alegre. Se deu bem também o membro do Comitê Organizador Local da Copa, o tetracampeão Bebeto.

O futebol continua misturado com a política. Há muitos aproveitadores, alguns poucos idealistas. Outros narcisistas. Vários iludidos. Infelizmente alguns alienados. Mas mesmo os mais populares, com poder de articulação para conseguir um estádio de R$ 1 bilhão, não podem sonhar com um milhão de votos. Se não sonhassem tão alto, suas vitórias não teriam gosto de decepção. Como a de Andrés Sanchez, o mais novo nobre deputado federal do Partido dos Trabalhadores em Brasília. Dono de exatos 169.828 votos...

O Brasil está ficando cada vez mais azul. De novo. O Cruzeiro venceu o Internacional, vice líder, no Mineirão por 2 a 1. A diferença na liderança passou a ser de confortáveis nove pontos. Com toda justiça…

1reproducao8 O Brasil está ficando cada vez mais azul. De novo. O Cruzeiro venceu o Internacional, vice líder, no Mineirão por 2 a 1. A  diferença na liderança passou a ser de confortáveis nove pontos. Com toda justiça...
O Brasil está ficando azul novamente. Caminha a passos largos para o bicampeonato brasileiro seguido. O Cruzeiro venceu raça e autoridade o Internacional por 2 a 1. A diferença que estava em seis pontos para os gaúchos, segundos colocados, saltou para nove. O Mineirão é uma arma fatal contra seus adversários. É o melhor mandante disparado do Campeonato Nacional, venceu dez jogos, empatou um e perdeu outro.

"Era importante a vitória. Tudo fluiu da melhor maneira possível. Era um confronto direto. Tínhamos de ganhar e vencemos", comemorava, Fábio.

Desde os primeiros minutos, o Cruzeiro deixou claro porque está disparado na liderança. Nem parecia que estava sem uma de suas mais importantes peças, Ricardo Goulart, contundido. Júlio Baptista, também. Marquinhos foi escalado e foi muito bem. Mostrou a força do seu elenco. E tomou a iniciativa do jogo desde os primeiros minutos. Não queria correr riscos na luta pelo bicampeonato brasileiro. Precisava vencer em casa.

A postura do Internacional foi uma decepção. Abel Braga não comprou a briga. Pelo contrário. Deixou seu time fechado atrás, covardia tática irritante. Falta de ambição imperdoável. E que só trouxe a melhor equipe do país para sua intermediária. E o pior, não tinha, nas raras vezes que sua equipe roubou a bola, não havia quem corresse, um velocista. Ou seja, a estratégia do Internacional, 4-5-1, era suicida. Incrível também a opção de Abel por Valdivia e não Alex.

O Cruzeiro entrou de forma aberta, escancarada. O time estava dividido claramente no 4-3-3. Em muitos momentos do jogo, atuava como uma equipe da década de 70, no 4-2-4. Com Everton Ribeiro, Willian, Marcelo Moreno e Marquinhos na frente. Com o Mineirão lotado, foi um sufoco.

O primeiro gol não demorou. A marcação por pressão dos mineiros deu resultado. Aránguiz se complicou na saída de bola. Marcelo Moreno roubou a bola, Willian se preparava para chutar, mas o boliviano foi mais ágil. 1 a 0, Cruzeiro aos 19 minutos. A vantagem deu ainda mais confiança aos mineiros. Everton Ribeiro, apesar da marcação do Internacional, tinha espaço para jogar. E foi assim que ele começou a jogada do segundo gol.

O meia cruzeirense e da Seleção Brasileira fez excelente inversão e descobriu Marquinhos, nas costas de Fabrício. Ele bateu de primeira. 2 a 0, Cruzeiro aos 33 minutos. Tudo o que os gaúchos conseguiram fazer no primeiro tempo foi dar dois arremates a gol. Por precipitação dos cruzeirenses na hora do arremate, escaparam de uma goleada. A postura do Internacional foi decepcionante.

Mas o panorama mudou no segundo tempo. Abel Braga e Willian tiveram uma grande participação nisso. O treinador tirou o volante Wellington, colocando o meia Alex. Adiantou a marcação do time. Permitiu que D'Alessandro finalmente jogasse e não apenas marcasse. Marcelo Oliveira não esperava tanta ousadia. A partida ganhou muito mais em emoção.

Aos quatro minutos, em jogada ensaiada em cobrança de falta, a sorte esteve com o time mineiro. D'Alessandro cobrou na trave, a bola bateu em Fábio, tocou na trave de novo. E Egidio salvou em cima da risca.

Parecia que tudo voltaria ao normal quando Juan agarrou Marcelo Moreno na área. Pênalti indiscutível para o Cruzeiro. Aos sete minutos, Willian cobrou. E de maneira desastrosa. A três metros do travessão. O lance encheu de brios os gaúchos. Alex deu mais consciência, técnica ao time. O Cruzeiro foi obrigado a recuar. Mesmo aprimorando a sua marcação, não houve jeito. Tomou o gol. Alex recebeu de D'Alessandro, invadiu a intermediária e acertou um chute lindíssimo, pelo alto. Indefensável para Fábio: 2 a 1.

O Internacional ainda pressionou até os 20 minutos. Seus jogadores passaram a ser melhor marcados e também cansaram. Logo quase Marcelo Moreno faz mais gol, Gilberto salvou em cima da risca. O Cruzeiro já tinha mais espaço para tocar a bola, acalmar o ritmo do jogo. Time que deseja ser campeão precisa saber ganhar. Foi assim que Marcelo Oliveira tirou do jogo Everton Ribeiro e Willian. Colocou Dagoberto e o volante Nilton. Conseguiu segurar o importantíssimo resultado.

Mais de 51 mil cruzeirenses comemoravam com muita razão. O Cruzeiro conseguiu uma vitória fundamental. Está cada vez mais perto de vencer o Brasileiro pela primeira vez por duas vezes seguidas. Resultado mais do que justo. O Internacional pagou pela covardia do primeiro tempo...
1reproducao9 O Brasil está ficando cada vez mais azul. De novo. O Cruzeiro venceu o Internacional, vice líder, no Mineirão por 2 a 1. A  diferença na liderança passou a ser de confortáveis nove pontos. Com toda justiça...

Impressionante a garra do São Paulo. Venceu o Grêmio de Felipão em Porto Alegre por 1 a 0. Está mais perto da Libertadores. Manteve o sonho do título do Brasileiro…

1reproducao7 Impressionante a garra do São Paulo. Venceu o Grêmio de Felipão em Porto Alegre por 1 a 0. Está mais perto da Libertadores. Manteve o sonho do título do Brasileiro...

O São Paulo conseguiu uma vitória heroica, vibrante, importantíssima. O time teve raça suficiente para travar o ímpeto do Grêmio dentro da sua arena, em Porto Alegre. A equipe de Milton Cruz não trocou a técnica pelo coração e marcação. Kaká, Alan Kardec, Ganso e Pato tiveram de mudar suas características e priorizar a marcação. Deu resultado. Vitória por 1 a 0, gol de Rogério Ceni, cobrando pênalti. Os gaúchos voltavam a perder depois de nove partidas. Foi um resultado que fez bem para a alma são paulina.

"O grande mérito do nosso time foi a dedicação e a superação. Corremos os 90 minutos, brigamos e oportunidade nós criamos sempre. Aproveitamos o pênalti e ganhamos três pontos contra um adversário direto", destacava, feliz, Kaká.

Os três pontos renovam até a esperança do time de Milton Cruz até de título. Mas consolida a postura entre os que lutam pela Libertadores. A vitória teve um peso psicológico importante. O time teve nervos para superar a pressão de uma equipe muito competitiva apoiada por 50 mil torcedores.

Desde os primeiros minutos ficou claro o cenário da partida. Mesmo sem ser brilhante, o Grêmio partiu para a pressão. Felipão soube organizar muito bem a marcação na saída de bola paulista. A estratégia era não deixar o São Paulo com seus técnicos jogadores tocarem a bola. Além disso, o interesse era tentar impor um ritmo veloz na partida.

Milton Cruz foi muito feliz. Ele colocou Hudson na lateral e Maicon no meio de campo. Os dois foram muito aplicados na marcação. Principalmente no primeiro tempo, quando a pressão foi maior. Mas quem teve uma atuação impressionante foi Souza. Firme demais nas duas intermediárias. A convocação para a Seleção o deixou empolgado. Foi muito firme atrás e corajoso na frente. Kaká e Ganso atuaram mais atrás do que estão acostumados. Tinham de preencher o meio de campo. Não permitir que os gaúchos se impusessem. Alan Kardec e Pato fechavam as laterais.

3reproducao5 Impressionante a garra do São Paulo. Venceu o Grêmio de Felipão em Porto Alegre por 1 a 0. Está mais perto da Libertadores. Manteve o sonho do título do Brasileiro...

Felipão colocou seu time todo à frente assim que a partida começou. Foi uma blitz. Wallace, Ramiro e Felipe Bastos atuavam mais à frente. Eles empurravam Luan, Dudu e Barcos. Pará e Zé Roberto também estavam abertos como pontas. A obsessão gremista era marcar logo o primeiro gol. Na vibração, na raça, na força.

E quase conseguiu. Aos dois minutos, Hudson deu sua única bobeada na partida. Ele perdeu a bola para Wallace na entrada da área. O gremista invadiu a área e chutou, Rogério Ceni fez sensacional defesa. No rebote, novo chute e Paulo Miranda tirou em cima da risca. O jogo seguiu eletrizante. Com os gaúchos compensando a falta de técnica com uma vontade impressionante.

Encurralado, o São Paulo tinha pouquíssimo espaço para contragolpear. Mas mesmo assim, deu a resposta em dois lances em um minuto, aos 21. Pato foi ágil, partiu pela esquerda, tabelou com Kardec, e deu um chute fortíssimo. Marcelo Grohe fez uma defesa sensacional. Em seguida, Kaká cobrou escanteio no travessão.

Mas os lances foram exceção. O Grêmio sufocou durante todo a primeira etapa. Teve outra chance claríssima de gol. Felipe Bastos teve uma rara chance de bater para o gol, desmarcado. Foi uma pancada que obrigou Rogério Ceni a se desdobrar para espalmar. Mas outro lance agudo quase faz a arena do Grêmio vir abaixo. Zé Roberto surgiu de surpresa na grande área e bateu muito forte na bola. Ela desviou em Paulo Miranda, encobriu Rogério Ceni e Edson Silva tirou em cima da linha.

O São Paulo teve muita sorte em não ir para o intervalo perdendo a partida. O clima era de confiança total em uma vitória por parte do Grêmio e de sua torcida. Mas essa expectativa duraria sete minutos apenas. O time de Milton Cruz partiu um contragolpe veloz, pegando a defesa gremista mal colocada. Kaká tocou para Maicon que descobriu Alan Kardec na grande área. Rhodolfo, precipitado, cometeu pênalti desnecessário no atacante. Pará estava na cobertura.

Muita firmeza do árbitro Felipe Gomes da Silva. Ele não titubeou. O toque do gremista foi no pé de apoio de Kardec. Marcelo Grohe estava há oito partidas sem sofrer gols. Mas Rogério Ceni cobrou com convicção, fazendo o gol importantíssimo. Felipão ficou descontrolado. Passou a reclamar cada lance. Incendiava os seus jogadores e a torcida contra o juiz. Acabou expulso aos 13 minutos.

O clima da partida mudou completamente. Tudo virou uma guerra. Os gremistas estavam nitidamente afetados psicologicamente com o gol que sofreram. Passaram a se preocupar em reclamar com o juiz e simular faltas. Melhor para o São Paulo, ainda mais recuado. A pressão gaúcha era estéril, improdutiva.

Milton Cruz trocou Maicon por Reinaldo. Michel Bastos virou volante. Osvaldo entrou no lugar de Kaká para correr na frente, sozinho. Porque Kaká, Ganso e Kardec estavam na intermediária marcando, dando carrinho, dividindo. O São Paulo mostrou raça, coração, alma do primeiro ao último minuto. Mereceu esta vitória importantíssima, que fez bem para a alma. E o recoloca no sonho pelo título. E o fortalece na briga pela Libertadores.

O Grêmio de Felipão valorizou demais o triunfo do São Paulo. Mostrou todo o seu poderio físico, sua determinação. Mas faltou técnica no meio de campo. E tranquilidade depois que tomou o gol. Essa consciência deveria ter partido de Scolari. A sua expulsão foi extremamente desnecessária e prejudicial. Mas a campanha dos gaúchos com elenco que possuem é animadora. E faz de todos os jogos em sua arena uma tortura para os rivais. Por isso o São Paulo tem razão sim em comemorar muito a vitória de hoje...
2reproducao3 Impressionante a garra do São Paulo. Venceu o Grêmio de Felipão em Porto Alegre por 1 a 0. Está mais perto da Libertadores. Manteve o sonho do título do Brasileiro...