A vitória contra a Colômbia mostrou que Dunga mudou a alma da Seleção. O time é muito mais competitivo. Mas também dá mais pontapés, pressiona o árbitro. É movido ao rancor pelos 7 a 1 da Alemanha…

1ae10 1024x673 A vitória contra a Colômbia mostrou que Dunga mudou a alma da Seleção. O time é muito mais competitivo. Mas também dá mais pontapés, pressiona o árbitro. É movido ao rancor pelos 7 a 1 da Alemanha...
Um time mais competitivo, responsável, protegido, sério. Assim é o Brasil de Dunga, que venceu a Colômbia por 1 a 0 ontem em Miami. O treinador trabalhou justamente o ponto mais fraco, responsável pelos vexames do time de Felipão na Copa: o poder de marcação, compactação, laterais irresponsáveis.

Acabou a história de time com a defesa, meio de campo e ataque distantes. O desejo será acabar com o espaço para o adversário. A imagem da Alemanha goleando como se treinasse, em plena Copa, não sai da retina de ninguém. Principalmente quem fez parte daquele grupo humilhado. O placar de 7 a 1 está tatuado na pele desses jogadores.

" Nosso treinador é um cara que gosta de ganhar sempre, e isso é o que ele vem demonstrando para a gente", resumiu Neymar. "O time teve determinação, raça, vontade", completou.

Na preleção, antes de o time entrar para campo, o técnico foi direto. Falou da própria experiência. Deixou claro que ninguém mais foi humilhado no futebol brasileiro do que ele. Lembrou que a imprensa brasileira o escolheu como símbolo da derrota na Copa de 1990. Ele estava estampado nas capas das principais revistas e jornais.

A derrota da Seleção de Sebastião Lazaroni no Mundial da Itália foi até batizada. Virou "Geração Dunga". O treinador revelou o quanto ele, seus familiares e amigos íntimos sofreram com a humilhação. Ele compara com o que os jogadores sentem em relação aos 7 a 1 da Alemanha.

Dunga disse que ele conseguiu reverter a situação. Usou e, utiliza até hoje, o sofrimento que passou e fez as pessoas que ama passar. Virou combustível para sua reviravolta pessoa. A forra veio quando o Brasil foi campeão do Mundo em 1994. Foi o único capitão da história a levantar o troféu falando todos os palavrões possíveis. Ele mostrava a taça e desabafava. "Aí para vocês, seus filhos da ...", se referindo aos jornalistas. Enquanto as autoridades estrangeiras aplaudiam, o então presidente da Fifa, João Havelange disfarçava a tensão. Ele era o único que compreendia os palavrões do capitão brasileiro.

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É essa raiva das críticas pelo fracasso que o técnico quer ver nos jogadores que sobreviveram ao vexame do Mineirão. jPor isso nada de choro ontem na hora do hino nacional. A proibição de selfies. E Neymar capitão. O técnico que o mais talentoso jogador dando o exemplo. Lutando e se preocupando só em jogar futebol. Com gana e rancor.

Chega de apanhar calado. Não há mais lugar para bonzinhos no time. A mensagem foi muito bem entendida. Os colombianos bateram, mas também conheceram as travas das chuteiras brasileiras. Não houve omissão em momento algum. Ninguém deixou de correr por um instante sequer. Com e sem a bola.

Os árbitros também não terão sossego. O pobre canadense David Gantar pagou por sua insegurança, sua incompetência. Dunga já o conhecia do amistoso entre Brasil e Honduras, quando Neymar foi caçado em campo. Mandou seus jogadores o pressionarem, reclamarem. Ele também atormentou quanto pôde Gantar. O juiz ficou perdido em campo. As partidas da Seleção serão daqui para a frente um 'inferno' para os árbitros.

Foi apenas a primeira partida do retorno de Dunga. Ele só teve tempo para três treinamentos. Mas já passou aos atletas o que eles precisam fazer. A proposta mudou radicalmente. Como na primeira vez que passou pela Seleção, o técnico gosta de montar o time para contragolpear em velocidade. O técnico não tem como referência grandes times que vestiram a camisa amarela, como, por exemplo, o de 1982. Dunga não quer toque de bola.

O treinador brasileiro quer é grande poder de marcação contra-ataques com muita velocidade. Dunga não está nem um pouco preocupado em fazer a Seleção trocar passes até cansar o adversário. E quer é rapidez, objetividade e muita movimentação. Tanto que abomina a chance de o Brasil ter um centroavante parado na área. Como aconteceu com Fred no Mundial. Isso para Dunga é fazer seu time atuar com um a menos.

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O 4-3-2-1 pode até acontecer. Mas não será como com Felipão, fixo, parecendo pebolim. A Seleção mostrou contra a Colômbia dois volantes fechando a intermediária brasileira: Luiz Gustavo e Ramires. E um meia que foi mais volante do que meia: William. Daniel Alves nem foi chamado e Marcelo viu o jogo todo no banco. Maicon e Felipi Luiz são os novos titulares das laterais porque marcam, fecham as beiradas do campo. Não são alas ou pontas com Felipão. A irresponsabilidade na marcação nos flancos custou caro demais na Copa.

Oscar e Tardelli também correram o que puderam para compactar o time. Blocado dessa maneira os contragolpes adversários ficam muito difíceis. Além da licença poética de Dunga para as faltas, entradas duras nos adversários. Carrinhos, empurrões, trancos. Sem deslealdade, mas marcação firme, dura, rígida. Como era Dunga quando jogava futebol.

Embora também tenha responsabilidade em cercar os volantes adversários que saem para o jogo, Neymar fica do meio de campo para a frente. É a referência ofensiva do time. Não como Fred ficava no Mundia, como um cone de trânsito. O jogador do Barcelona fica muito mais próximo. Não enfiado na área. Mas do meio de campo para a frente. Leve, habilidoso e muito veloz, Neymar sempre está com fôlego para puxar contragolpes.

O Brasil de Dunga é muito menos plástico, bonito de assistir. É competitivo, brigador. Foge à característica técnica que fez o Brasil conhecido. O treinador sempre afirma que 'jogar bonito' nunca levou o país a nada. E nos cinco títulos que conquistou, o que prevaleceu foi a competitividade.

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Em 1958 e 1962, o time mostrou ao mundo que o meio de campo era lugar para mais um jogador marcando: Zagallo. O Brasil começou com o 4-3-3 nas Copas. A maioria esmagadora dos times usava o 4-2-4. Em 1970, justamente esse jogador a mais no meio virou o treinador. E fez o Brasil atuar no 4-4-2, ganhando o Mundial nos contragolpes fulminantes.

Em 1994, Parreira montou o time mais competitivo e de futebol mais feio. Muitas vezes a Seleção se espalhava em campo no 4-5-1, com Romário desequilibrando na frente. Mas o Brasil muito protegido atrás. No título de 2002, Felipão tinha Edmílson, Gilberto Silva e Kléberson. Três volantes à frente da zaga, liberando Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo para servir Ronaldo. Um 3-5-2 variando já para o 4-3-2-1.

Ou seja, na visão de Dunga, o espetáculo nunca levou a Seleção a nada. Ele tem ódio de quem celebra a Seleção de 1982. Time talentoso, mas que para ele irresponsável defensivamente. Não perdoa a equipe de Tele Santana ser lembrada com muito mais reverência do que a de 1994, campeã mundial.

O rancor empurrou a vida de Dunga. Ele quer que seja o combustível para o time que herdou de Felipão. A tática foi também usada em 2010. Se não fosse por Júlio César e Felipe Melo, poderia ter dado certo. Agora com uma geração mais nova e ainda à procura de identidade, o treinador fará de tudo para impor esse traço característico de sua personalidade. O rancor. A raiva que os jogadores sentiram depois dos 7 a 1 estará em cada amistoso.

Esperto, o treinador implodiu a ordem de Marin. Nada de cota entre 30% a 20% nas convocações para a Seleção Olímpica. Ele sabe o quanto precisa de vitórias. Até para sobreviver no cargo. Dunga só viu um caminho. Velho conhecido seu.

O Brasil jogando com muita vibração, intensidade, velocidade e fundamentais pitadas de raiva, rancor. Assim ele sonha conquistar a Copa em 2018. Com Neymar levantando a taça e gritando todos os palavrões que aprendeu na vida. Os russos, que não entenderiam uma palavra, aplaudiriam de pé. Assim como os americanos fizeram em 1994...
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Patricia pediu desculpas, muitas desculpas. Não queria prejudicar o Grêmio, ‘paixão’ de sua vida. Ah, para Aranha também. Chorou, chorou e não derramou uma lágrima. E seu advogado garantiu : chamar um negro de macaco não é racismo…

1ae9 Patricia pediu desculpas, muitas desculpas. Não queria prejudicar o Grêmio, paixão de sua vida. Ah, para Aranha também. Chorou, chorou e não derramou uma lágrima. E seu advogado garantiu : chamar um negro de macaco não é racismo...
"Boa tarde, eu quero pedir desculpas para o goleiro Aranha, desculpa mesmo, perdão de coração. Não sou racista. Aquela palavra macaco não foi racismo da minha parte. Não teve intenção racista. Foi no calor do jogo, o Grêmio tava perdendo.

O Grêmio é minha paixão. Minha paixão mesmo. Eu vivi sempre indo ao jogo do Grêmio. Sempre. Largava tudo pra ir no jogo do Grêmio. Peço desculpas pro Grêmio, pra nação tricolor, não queria nunca prejudicar o Grêmio. Eu amo o Grêmio. Desculpas para o Aranha. Perdão, perdão, perdão mesmo."

Durou exatamente 61 segundos o pedido de perdão de Patricia Moreira da Silva. Orientada por seus advogados, foi convocada uma coletiva em um hotel em Porto Alegre. Muito bem treinada, ela falou por um minuto e um segundo. Soluçou, mas não derrubou uma lágrima sequer. Seus advogados não permitiram que ela respondesse qualquer pergunta.

Patricia não pode ser crucificada, pagar sozinha pelo racismo hipócrita que existe no Brasil. Pagar pelo resto da vida por uma enorme estupidez. Muito menos que justiceiros covardes ameacem sua integridade física. As coisas precisam e devem estar bem clara neste delicado e exemplar caso.

Ela errou, tem direito a defesa. E ela começou. Do jeito que seu advogado queria e ensaiou. Patricia confirmou que seu grito repugnante e repleto de ódio foi sim dirigido ao negro goleiro do Santos, Aranha. Jurou não ser racista. Se deixou levar pelo 'calor do jogo'. Desculpa que pode ser trocada pela expressão 'movida a forte emoção', tão usada nos julgamentos para justificar qualquer crime.

Ficou muito claro no depoimento da mulher de 23 anos que sua maior preocupação não era com Aranha. Mas sim por ter prejudicado a 'paixão de sua vida', o Grêmio. Seu time foi excluído da Copa do Brasil. Ela sabe o quanto a sua imagem registrada pelas câmeras da ESPN-Brasil pesaram, foram decisivas para a sentença.

Tudo foi muito bem ensaiado, cronometrado. Ao terminar os 61 segundos, Patricia, que não derramou uma lágrima sequer, olhou para o seu advogado Alexandre Rossato. E avisou que havia terminado. Quando começou a se levantar, um repórter foi rápido e pergunto se ela estava arrependida.

Pergunta vinda do céu para quem comete qualquer delito. Ela fez de conta que não ouviu. E uma funcionária de Rossato foi taxativa. "Ela não vai responder perguntas." Por quê? Por ter se comprometido já com algum canal de televisão? Em falar de maneira exclusiva neste domingo? Foi a certeza que ficou para os repórteres gaúchos que estavam acompanhando as desculpas de 61 segundos e o choro sem lágrimas de Patricia.

Tudo iria ficar ainda mais interessante. Já com Patricia fugindo dos repórteres, seu advogado resolveu falar. E justificou que chamar um jogador negro de macaco é 'normal'. Pertence ao futebol.

"A manifestação tem o objetivo de mostrar o arrependimento e o erro cometido. Vai ser claramente demonstrado que não há racismo da parte dela. Macaco, no contexto dentro do jogo de futebol, não se torna racista, ainda mais com a intenção que existiu. Isso se torna um xingamento no mundo do futebol."

Tinha mais. Chegou a vez de o advogado vitimizar Patricia. "Ela perdeu a vida dela. Esse caso vai ser um marco para efetivamente terminar com o racismo. Estaremos sendo hipócritas se punirmos tão somente a Patrícia por esse ato. Ela foi julgada socialmente, independente do inquérito policial. Infelizmente, ela já está julgada."

Nada foi natural no que acaba de acontecer. Uma manobra da defesa para tentar comover a opinião pública. Mostrar que Patricia é apenas mais uma frequentadora das arquibancadas gremistas a gritar 'macaco' para negros. Só mais uma e não pode pagar por todo o racismo no Brasil. Mas e o dela?

Para completar toda a articulação, Rossato antecipou que ela deseja se encontrar com Aranha. Se possível com uma televisão registrando o encontro, o perdão. Não ficaria lindo? Mas como o blog antecipou, o goleiro não iria se submeter. Havia previsto o pedido e avisado a seus companheiro santistas. Não perdoaria Patricia. Muito menos iria facilitar a sua defesa. O jogador já sofreu muito com o racismo. Ele e sua família. Não vai abraçar quem o chamou de macaco em rede nacional.

Sua postura deixa claro que não concorda com 'forte emoção' de Patricia. Ou quando seu time estiver perdendo, o torcedor no estádio pode fazer o que quiser? Principalmente se na equipe adversária estiver um negro.

A resposta foi direta. Veio por meio da assessoria de imprensa do Santos Futebol Clube.

"O goleiro Aranha entende que não seja necessário tal encontro. Neste momento, a preocupação do camisa 1 do Santos FC é de que os responsáveis pelo ato racista sejam investigados e que respondam pelo ocorrido no último dia 28. Ele espera também que tal repercussão do caso sirva de lição para as praças esportivas e para a sociedade em um todo."

A defesa de Patricia mal começou. Tudo indica mesmo que ela deverá se explicar em rede nacional em um programa de televisão. Respondendo as perguntas que seu advogado permitir. Sem ser interrompida. Se justificar como for melhor para o seu processo. Alguém pensou no Fantástico da TV Globo?

Advogados antecipam que ela deverá ser acusada de injúria racial. E não racismo. A pena vai de um a três anos. Como não tem antecedentes criminais, Patricia deverá passar sequer um dia na cadeia. A tendência é que a sentença, se ela for culpada, deverá ser transformada em prestação de serviço à comunidade. Se ela for condenada. É a lei no Brasil. Ponto final.

Ninguém tem o direito de exigir mais nada de Patricia. Talvez só sua consciência. Será que ela se lembra da foto que posou ao lado de um macaco de pelúcia com a camisa do Internacional? Estaria Patricia 'sob forte emoção' quando mostrou seu nojo?

1instagram1 Patricia pediu desculpas, muitas desculpas. Não queria prejudicar o Grêmio, paixão de sua vida. Ah, para Aranha também. Chorou, chorou e não derramou uma lágrima. E seu advogado garantiu : chamar um negro de macaco não é racismo...

O quadro começa a se reverter para sua 'grande paixão'. A diretoria gremista também está otimista. Acredita firmemente que poderá reverter o seu banimento da Copa do Brasil. Haverá novo julgamento no Pleno até em 15 dias, antes do prosseguimento do torneio. Membros do STJD já deixam escapar que a exclusão foi uma sentença pesada demais. Os auditores do Pleno serão diferentes daqueles que condenaram o clube gaúcho.

Enquanto isso, Patricia deverá dar novos depoimentos para a polícia gaúcha. E muito mais aliviada. Hoje começou a sua defesa. Com o pedidos de desculpas desesperado à sua paixão, o Grêmio. Ah, e também ao goleiro Aranha. Tudo regado a muitos soluços. E nenhuma lágrima sequer...

Mesmo antes de começar a trabalhar, Dorival Júnior já é criticado no Palmeiras. Por ter ouvido Brunoro e se poupado, não dirigido o time contra o Atlético Mineiro. O técnico já sabe. Está no clube mais complicado do país…

1ae8 Mesmo antes de começar a trabalhar, Dorival Júnior já é criticado no Palmeiras. Por ter ouvido Brunoro e se poupado, não dirigido o time contra o Atlético Mineiro. O técnico já sabe. Está no clube mais complicado do país...
A eliminação do Palmeira da Copa do Brasil teve ao menos um bom efeito colateral. Não enfrentará o Corinthians nas quartas de final. "Hoje o nosso rival Corinthians é muito superior", foi uma das últimas confissões do demitido Ricardo Gareca. O argentino foi repreendido por ser tão sincero.

Sentado nas tribunas do Independência, na derrota para o Atlético, Dorival Júnior viu o fraco time que terá nas mãos. A equipe de Levir Culpi poderia ter goleado, mas diminuiu o ritmo, se poupou no segundo tempo. O placar de 2 a 0 estava ótimo. No Pacaembu, os mineiros também tinham vencido. A classificação estava assegurada. O time paulista não incomodava.

Assim como não incomodou na Taça São Paulo, competição que prova o quanto é mal feito o trabalho na base palmeirense. Foram 45 torneios disputados e o clube é o único grande de São Paulo a não conseguir nenhuma mísera conquista. O Corinthians venceu oito vezes. São Paulo e Santo, três cada uma.

O time profissional foi eliminado do Campeonato Paulista no Pacaembu lotado. Caiu na semifinal diante do Ituano. A Copa do Brasil acabou ontem, nas oitavas. Sem patrocínio, com mais de R$ 300 milhões em dívidas, com péssima audiência na tevê aberta, diretoria promovendo o 'compre um ingresso que vale para dois jogos', equipe seriamente ameaçado de rebaixamento no Brasileiro. O centenário palmeirense está sendo caótico, vergonhoso, patético.

Nem começou a trabalhar, Dorival Júnior já começou a ser criticado por vários conselheiros. Foi grande a decepção porque ele não quis comandar o time já contra do Atlético Mineiro. Dar a cara para bater. Dorival foi convencido por José Carlos Brunoro, homem que comanda o futebol, que melhor seria se preservar.

Deixar o interino Alberto Valentim comandar o time. A postura foi simbólica. Ficou claro que nem a diretoria acreditava em reviravolta, classificação para as quartas de final da Copa do Brasil. Mesmo o Atlético Mineiro estando com oito desfalques. Melhor que Valentim ficasse com mais essa eliminação nas costas.

Os jogadores do Palmeiras são inseguros, fracos tecnicamente. Mas estão longe de não ter neurônios. Eles perceberam que seu novo comandante fraquejava antes mesmo de começar a trabalhar. A postura omissa de Dorival já repercute entre eles. Afinal, o técnico não é como Gareca. Não é argentino e está em um país estranho e não conhecia nem o time palmeirense ou o Atlético Mineiro. Muito pelo contrário. Desempregado há oito meses, Dorival tinha obrigação de saber cada detalhe dos atletas em campo. Foi lamentável sua opção de ficar protegido, ao lado presidente Paulo Nobre e o responsável pelo futebol, Brunoro. E seguranças, óbvio.

1futurapress Mesmo antes de começar a trabalhar, Dorival Júnior já é criticado no Palmeiras. Por ter ouvido Brunoro e se poupado, não dirigido o time contra o Atlético Mineiro. O técnico já sabe. Está no clube mais complicado do país...

Tentou fugir dos repórteres em Belo Horizonte. Mas Dorival percebeu que, se não comandou o time, precisava falar. Escolher palavras que animassem os torcedores, desesperados com a possibilidade do rebaixamento.

"Temos que ter tranquilidade em um momento como esse. Vimos tudo o que se passou na partida, mas vimos também algumas coisas boas. O momento é muito complicado e, tudo que se falar neste instante vai afetar e prejudicar ainda mais. Temos que ter o equilíbrio necessário para recuperar, primeiro, ter um pouco mais de confiança e, depois, desenvolver com naturalidade. O Palmeiras pode jogar muito mais do que jogou na noite de hoje (ontem)."

Se Dorival seguir esse caminho manso para tentar reerguer o time, a situação pode se complicar de vez. O Palmeiras tem mais vinte jogos, na sua última competição de 2014. São nada menos do que 60 pontos a serem disputados. O objetivo é conquistar a metade, 30 pontos. Com eventuais 47 pontos, o clube foge do rebaixamento.

A situação toda é um vexame. O campeão do século XX, time brasileiro com maiores conquistas, sonha apenas em não voltar para a Segunda Divisão. Seria a terceira vez em 12 anos. No campeonato nacional está a 25 pontos do líder Cruzeiro. 15 pontos da zona da Libertadores. Sua péssima diretoria comemorará com volta olímpica e lágrimas nos olhos a permanência na série A.

 Mesmo antes de começar a trabalhar, Dorival Júnior já é criticado no Palmeiras. Por ter ouvido Brunoro e se poupado, não dirigido o time contra o Atlético Mineiro. O técnico já sabe. Está no clube mais complicado do país...

Dorival Júnior já foi avisado que nem pense em Valdivia contra o Atlético Paranaense. O chileno continua se recuperado de sua distensão muscular na coxa. Desde que voltou das férias na Disney, ele apenas atuou 15 minutos, quando se machucou. Fernando Prass não tem condições de jogo. O jovem Fábio está falhando muito. Mas é disparado o melhor goleiro apto a atuar. Tirá-lo ou não do time é primeira dúvida de Dorival.

A declaração de Lúcio que 'metade do time corre e a outra não' ainda repercute no clube. Há uma desconfiança de racha entre os oito estrangeiros e os demais jogadores do elenco. O uruguaio Eguren ficou revoltado por não ter sido nem relacionado, viajado para Belo Horizonte. Teve de treinar com os garotos do Palmeiras. Talvez ele seja o primeiro a ser dispensado.

Ao contrário de Gareca, que se recusava a montar um time defensivo, este deverá ser o caminho do novo treinador. Ele tem o apoio do presidente Paulo Nobre para montar a retranca que bem desejar. Colocar o Palmeiras no 4-5-1, com o time lutando para tentar evitar uma novo vexame em Curitiba. Desde que o clube completou cem anos, no dia 26 de agosto, só perde. Foram três derrotas. Duas vezes para o Atlético Mineiro e Internacional.

Dorival fara de tudo para não perder na sua estreia. Se trouxer qualquer ponto da Arena da Baixada será festejado. A primeira meta é não terminar o primeiro turno do Brasileiro na zona do rebaixamento.

A situação do clube não poderia ser mais constrangedora neste centenário. Com direito a situações surreais. Como o novo técnico ser criticado antes mesmo de começar a trabalhar. Entre tantos clubes, inclusive na penúria como o Botafogo, o Palmeiras é o mais problemático em 2014. Ano que deveria ser de alegria e festa. Mas só acumula constrangimento. Ainda bem que nos seus últimos trabalhos, antes dos oito meses de desemprego, Dorival se preparou para o que viveria no Palestra Itália...
2ae3 Mesmo antes de começar a trabalhar, Dorival Júnior já é criticado no Palmeiras. Por ter ouvido Brunoro e se poupado, não dirigido o time contra o Atlético Mineiro. O técnico já sabe. Está no clube mais complicado do país...

O auditor do STJD que colecionava fotos menosprezando os negros pediu licença. Seu retorno é praticamente impossível. Vitória do futebol e, principalmente, da sociedade brasileira…

1reproducao7 O auditor do STJD que colecionava fotos menosprezando os negros pediu licença. Seu retorno é praticamente impossível. Vitória do futebol e, principalmente, da sociedade brasileira...
Não havia saída. Diante da repercussão das fotos deprimentes que mantinha no seu facebook, Ricardo Graiche não iria continuar no STJD. A corregedoria já estava analisando a postura absurda. Principalmente para quem condenou o Grêmio à exclusão da Copa do Brasil. Justamente por 'injúrias raciais' contra o goleiro Aranha. Não havia cabimento que seu perfil mostrasse fotos menosprezando negros.

Para não passar pelo constrangimento de ser afastado, Graiche apenas se antecipou. Pediu licença do cargo. Está afastado do STJD. Foi além. Tomou outra medida desnecessária. Pediu ao presidente da Comissão Disciplinar do STJD, Fabrício Dazzi, a antecipação da sindicância que investigará o que aconteceu. Como alguém com um cargo tão importante mantém fotos desmerecendo os negros no seu perfil pessoal?

O presidente do STJD, Caio Rocha, já havia deixado claro a necessidade urgente de um processo interno de sindicância. A imagem do tribunal ficou profundamente abalada. Virou piada cinco auditores banir um clube de um torneio por atitudes racistas de parte de sua torcida. E um dos auditores colecionar fotos constrangedoras de negros. Com direito a legendas infelizes. Principalmente a que mostra um bebê negro com o logotipo da Pepsi na sua barriga e uma tampa na cabeça. "Hahahahahahah. Quer um gole?", perguntava o auditor.
1 O auditor do STJD que colecionava fotos menosprezando os negros pediu licença. Seu retorno é praticamente impossível. Vitória do futebol e, principalmente, da sociedade brasileira...

A maior confissão da veracidade do seu perfil foi a postura de Ricardo. Foi apagado. E ontem o auditor pediu licença do STJD. Conversando com advogados que frequentam o tribunal e sabem como funciona a justiça esportiva, eles garantem. Não há mais condições para Graiche volte. A imagem do STJD ficaria ainda mais abalada diante da opinião pública. Não tem cabimento.

Qualquer pessoa no mundo tem direito à defesa. Na carta que Ricardo mandou pedindo licença, ele faz uma promessa. Diz que pediu licença e antecipação da sindicância para "que eu possa explicar e esclarecer todos os fatos, que em nenhum momento se revestem do manto do racismo ou da injúria racial".

O processo é demorado. Há o prazo de 60 dias para que a sindicância seja feita. E só depois o auditor, se o corregedor for convencido que houve irregularidade, Ricardo Graiche será denunciado.

O que vale agora é o lado prático. O auditor está afastado. Não tem mais o direito a decidir nada no futebol. Principalmente casos envolvendo racismo ou 'injúria racial'. Seu retorno ao STJD será quase impossível. Vitória da dignidade do próprio tribunal. Da sociedade brasileira...
2reproducao3 O auditor do STJD que colecionava fotos menosprezando os negros pediu licença. Seu retorno é praticamente impossível. Vitória do futebol e, principalmente, da sociedade brasileira...

Incrível. As repugnantes fotos racistas que o auditor que condenou o Grêmio mantinha no seu facebook. A corregedoria do STJD deve expulsá-lo. A OAB e as autoridades criminais também precisam agir…

1reproducao6 Incrível. As repugnantes fotos racistas que o auditor que condenou o Grêmio mantinha no seu facebook. A corregedoria do STJD deve expulsá lo. A OAB e as autoridades criminais também precisam agir...
Não acreditei que fossem verdadeiras as imagens que recebi desde ontem à tarde. Só pude comprovar que eram verdadeiras hoje. As fotos e o perfil eram verdadeiros.

Repugnante o conteúdo que o auditor Ricardo Graiche mantinha no seu facebook. Ele foi uma das pessoas que condenou o Grêmio pelas injúrias raciais de seus torcedores. Os gritos de macaco direcionados a Aranha.

Desde 2012, Graiche tinha imagens que ridicularizavam os negros. Em uma delas um bebê embalado como se fosse um refrigerante. Com o rótulo de Pepsi Cola na barriga e até uma tampa na cabeça. A legenda nojenta escrita pelo auditor. "Hahahahaha, quer um gole?"

Em outra, uma mão negra com três dedos. Os outros dois eram dois chocolates. E na terceira, ironizava um negro pendurado entre fios de eletricidade. Nas duas, uma longa risada como comentário: "Hahahahahahaha".

Depois de reveladas, as fotos racistas e os comentários foram apagados. Assim como seu perfil não existe mais. Só que era tarde. Tudo já foi espalhado pelo Brasil.

Que pessoa é essa? Ainda mais julgando caso de racismo? A Corregedoria do STJD promete 'investigar' e tomar providências em relação a Graiche. O mínimo que deve acontecer é ele ser eliminado. Não há como ele julgar ninguém. Muito pelo contrário.

As autoridades criminais, a OAB também precisam agir. Não é possível alguém com tanta importância divulgar fotos racistas. E o mais irônico censurar, criticar, julgar, punir clube algum por injúrias raciais. Ricardo Graiche, não.

Cada aspecto novo do caso Aranha e parte racista da torcida gremista só envergonha ainda mais o país...
2reproducao2 Incrível. As repugnantes fotos racistas que o auditor que condenou o Grêmio mantinha no seu facebook. A corregedoria do STJD deve expulsá lo. A OAB e as autoridades criminais também precisam agir...

O Grêmio paga pelos gritos de macaco contra Aranha. Tem a imagem manchada em todo o mundo. Que empresa bancaria R$ 400 milhões para batizar seu estádio agora? Enquanto isso, o Fantástico espera pelo choro de Patricia Moreira da Silva…

2reproducao1 O Grêmio paga pelos gritos de macaco contra Aranha. Tem a imagem manchada em todo o mundo. Que empresa bancaria R$ 400 milhões para batizar seu estádio agora? Enquanto isso, o Fantástico espera pelo choro de Patricia Moreira da Silva...
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, aplaudiu. Ele não só vibrou pela exclusão do Grêmio por atos de racismo de parte de sua torcida. Fez questão de colocar no seu Twitter. O presidente da Fifa tem mais de dois milhões, setecentos e sessenta e um mil seguidores espalhados pelo mundo.

"Eu já disse que o futebol deve ser mais forte no combate ao racismo. O Brasil enviou a mensagem certa, banindo uma equipe da Copa devido a abuso de 'torcedores'." O apoio da Fifa conta muito para a CBF.

Blatter confirma publicamente a tendência de que os 'abusos' dos torcedores recaem sobre os clubes. Tese que os presidentes das equipes brasileiras repelem. Não querem pagar pelo que os membros, principalmente das organizadas, aprontam. Presidentes de clubes importantes paulistas, cariocas e mineiros ficaram revoltados com a pena ao Grêmio. Não por concordar com a atitude racista de alguns. Mas por temer o futuro. Suspensões e eliminações por quem não conseguem controlar.

O presidente Carlos Miguel Aidar do São Paulo quer unir os presidentes da Série A. E pressionar a CBF para que, quando os torcedores sejam identificados, só eles paguem. Mas não é essa a tese da Fifa. Se há nome, RG e CPF do vândalo ou racista, ele que pague para a sociedade, seja preso. Só que o clube não ficará isento de punição. É a maneira com que a Fifa acredita que os demais torcedores participem da repressão. E pensando em não prejudicar sua equipe, denunciem ou mesmo travem quem for contra a lei nas arquibancadas.

Foi o que a torcida gremista fez no domingo passado. Mesmo com a acusação de racismo na quinta-feira passada, alguns membros da organizada começaram com cantos racistas na arena do Grêmio no domingo. Era intervalo do jogo contra o Bahia. E lá estavam de volta os gritos de "macacos imundos" para os rivais do Internacional. Eles foram calados pelos demais torcedores que os vaiavam, percebendo o mal que faziam ao clube que dizem amar. Foi uma atitude digna e decente. Mostrou que os racistas são minoria na minoria.

Os membros das organizadas precisam perceber o enorme prejuízo que estão causando ao Grêmio. Por causa de alguns poucos, o clube corre o risco de ficar estigmatizado. Marcado como a equipe dos racistas no Brasil. O que não é verdade. A publicidade negativa internacional ao banimento do time da Copa do Brasil foi imensa.

E não se restringiu ao Blatter. Jornais do mundo todo repercutiram o banimento. Contribuiu ainda mais o fato de a equipe ser treinada por Luiz Felipe Scolari, técnico do Brasil nas Copas de 2002 e 2014. As matérias sobre a exclusão do clube ou eram ilustradas por Felipão ou por Patricia Moreira da Silva, a torcedora flagrada gritando raivosa 'macaco' para o goleiro Aranha do Santos. Uma brasileira branca, loura, enrolada com um cachecol do Grêmio ofendendo um jogador brasileiro negro.

O peso das imagens podem afastar novos patrocinadores. Que empresa se animaria a pagar R$ 300, R$ 400 milhões para batizar o estádio onde aconteceu a atitude racista? O prejuízo ao clube gaúcho é muito maior do que a exclusão da Copa do Brasil. Sua imagem foi afetada nacionalmente e fora do Brasil.

1twitter O Grêmio paga pelos gritos de macaco contra Aranha. Tem a imagem manchada em todo o mundo. Que empresa bancaria R$ 400 milhões para batizar seu estádio agora? Enquanto isso, o Fantástico espera pelo choro de Patricia Moreira da Silva...

O importante é que um ato de intolerância racial criminosa de poucos não possa contaminar todos os milhões de torcedores. Não pode haver ignorância para enfrentar ignorância. Os gremistas não podem ser perseguidos, xingados em estádios pelo Brasil. A atual geração cantava hinos racistas que aprendeu há décadas. Finalmente as pessoas passaram a escutar, a pensar na maldade estúpida das letras.

Se o Grêmio oficialmente só teve seu primeiro jogador negro, Tesourinha, em 1952, foi um erro do passado. Desde então atletas como Ronaldinho Gaúcho, Everaldo, Zé Roberto, Dida e tantos outros negros se tornaram ídolos no estádio Olímpico.

Tudo precisa estar muito bem separado. Patricia Moreira da Silva dará seu depoimento hoje. Terá de explicar por que resolveu chamar Aranha de macaco. Ela deverá ser punida criminalmente. Só Patricia e os poucos outros torcedores que estavam na Geral e imitavam gestos de símio para o jogador santista. Apenas eles, não toda a torcida gremista. É estupidez generalizar.

Agora, na área esportiva, o Grêmio não terá apoio. A Fifa já deu respaldo à CBF. Blatter também deveria ter sido enérgico em relação a outros casos. A mais importante omissão aconteceu em Oruro, Bolívia, quando um sinalizador matou o garoto de 14 anos, Kevin Spada, no ano passado.

O objeto que esfacelou seu cérebro partiu das organizadas do Corinthians. A punição foi branda demais em relação ao clube. Uma partida sem público e o 'faz de conta'. Torcedores 'impedidos' de acompanhar partidas no campo adversário. Mentira deslavada, já que corintianos continuaram seguindo o time e até com camisas do clube e das principais organizadas.

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Na área criminal, o desastre foi até maior. Doze membros das organizadas corintianas foram detidos. A esmo. Ficaram cerca de cinco meses em uma cadeia boliviana. Depois da pressão de políticos e até do ex-presidente Lula, todos foram soltos. Um menor, membro da Gaviões, se apresentou com o autor do disparo. Por não ter 18 anos, não foi preso. Havia a promessa de a organizada dar uma bolsa de estudos na faculdade que esse menor quisesse. Só por se apresentar à justiça.

Os pais de Kevin Spada lamentam até hoje não só a perda do filho, mas ninguém ter sido castigado, preso pelo assassinato. Assassinato, sim. Quando alguém leva um sinalizador a um estádio precisa saber que pode matar alguém. Os milhões de corintianos espalhados pelo país não podem ser chamados de assassinos. Assim como todo gremista não é racista.

Daqui por diante, com o apoio da Fifa, os clubes brasileiros deverão pagar pelos erros dos seus torcedores. Tese que a direção do Grêmio não aceita com o apoio dos demais presidentes de grandes clubes do país. Mas é uma guerra inglória. A tendência é essa no mundo todo.

Muitos podem alegar que a pena ao Grêmio foi branda demais. Porém foi histórica. Nunca desde que a CBF existe um clube foi banido de uma competição por racismo. E dos seus torcedores. O prejuízo à imagem do clube gaúcho já é imenso.

1reproducao5 O Grêmio paga pelos gritos de macaco contra Aranha. Tem a imagem manchada em todo o mundo. Que empresa bancaria R$ 400 milhões para batizar seu estádio agora? Enquanto isso, o Fantástico espera pelo choro de Patricia Moreira da Silva...

Patricia Moreira da Silva acaba de chegar para depor. Chorando, com óculos escuros, assustada com a repercussão do que fez. Ele ouvia populares gritando 'racista, racista, racista'. Entidade em defesa do negro protestava. Seu advogado, Alexandre Rossato, deixou escapar que ela está abalada psicologicamente. Mas falará para a imprensa. O lugar parece já estar escolhido: o Fantástico da TV Globo, no próximo domingo...

Agora ninguém perdoa os gritos de 'macaco' de Patricia. Só que anos e anos parte das organizadas gremistas cantou à vontade hinos racistas nos estádios de Porto Alegre. Acontece que o Brasil finalmente ouviu e entendeu as letras. Pior para o Grêmio que o mundo também parou para escutar...

(No seu depoimento, Patricia, instruída pelos advogados tentou negar o óbvio. Disse que gritava 'macaco' para a torcida do Internacional. Jurou que não se referia a Aranha. Ela fitava o goleiro negro do Santos 'por acaso'. Desculpa ridícula, sem o menor fundamento. Seus advogados terão de inventar desculpa muito melhor...)

Noite histórica. Grêmio eliminado da Copa do Brasil graças ao racismo de seus torcedores. O omisso árbitro Wilton Pereira suspenso 90 dias. Torcedores proibidos por dois anos de frequentarem estádios. Vitória da civilidade…

1reproducao3 Noite histórica. Grêmio eliminado da Copa do Brasil graças ao racismo de seus torcedores. O omisso árbitro Wilton Pereira suspenso 90 dias. Torcedores proibidos por dois anos de frequentarem estádios. Vitória da civilidade...
"Somos campeões do Mundo
E da Libertadores também
Chora macaco imundo
Que nunca ganhou de ninguém
Somos a banda mais louca
A banda louca da Geral
A banda que corre
Os macacos do Internacional"

A justiça esportiva deu uma lição inesquecível no racismo no futebol brasileiro. De forma inédita, o STJD excluiu um clube da Série A da Copa do Brasil. Como foi antecipado neste blog, o Grêmio foi excluído da Copa do Brasil por causa das ofensas racistas de sua torcida ao goleiro Aranha do Santos. Ainda foi multado em R$ 54 mil.

O árbitro Wilton Pereira Sampaio (Fifa-GO) também foi punido. Está suspenso por 45 dias. Absurdamente, ele não relatou as injúrias raciasis, o racismo contra o jogador na súmula da partida da semana passada. Wilton pagará multa de R$ 800,00. Os auxiliares não escaparam: 30 dias afastados e multa de R$ 500,00. Os torcedores identificados pela polícia não poderão frequentar estádios no Brasil por dois anos.

Atirei o pau no Inter
E mandei tomar no ...
Macacada filha da puta
Chupa ... e dá o ...
Hey, Inter, vai tomar no ...!

Olê Grêmio, olê Grêmio
Até morrer!
Olê Grêmio, olê Grêmio
Até morrer!

O julgamento no Rio de Janeiro durou cinco horas. A defesa do Grêmio bem que tentou desvincular o clube das ações de sua torcida. Mas no mundo todo é assim que acontece. Os clubes pagam pelos atos errados dos seus torcedores. Fora dos seus domínios e principalmente, como foi o caso, no seu próprio estádio.

Os auditores foram firmes. Fizeram questão de destacar que não era a primeira vez que o Grêmio era julgado no STJD por racismo de seus torcedores. Na verdade a questão em Porto Alegre vem de décadas e mais décadas. Parte das organizadas gremistas apela para injúrias raciais contra jogadores e torcedores do Internacional. Dentro do âmbito estadual, tudo era relevado. Quando houve o racismo explícito na Copa do Brasil contra Aranha, goleiro do Santos, time paulista, tudo se complicou.

1instagram Noite histórica. Grêmio eliminado da Copa do Brasil graças ao racismo de seus torcedores. O omisso árbitro Wilton Pereira suspenso 90 dias. Torcedores proibidos por dois anos de frequentarem estádios. Vitória da civilidade...

Macaco vai pra puta que pariu
Correram da Geral no Beira-Rio
Macaco pra sempre tu vai lembrar
Que Grêmio já ganhou o Mundial

Vamos campeão
Vamos a ganhar
Que o chiqueiro eu vou queimar
Onde eu estiver, sempre estará
A Banda louca da Geral!

O presidente do Grêmio, Fabio Koff, ex-juiz e desembargador, estava no Rio. Quis demonstrar que o clube era contra os racistas das organizadas. Lembrou das várias campanhas feitas para tentar acabar com o ataque aos negros no seu estádio. Disse alto que mantem uma escola de futebol para cerca de mil e cem garotos. "Um terço deles são de cor", avisava, escorregando ao definir negros como 'de cor'.

O advogado gremista Gabriel Vieira não mediu esforços para tentar proteger o clube. "Não vamos usar o Grêmio como bode expiatório, como uma caça às bruxas. O racismo é um problema social. Quantos auditores negros temos aqui? Nenhum."

O famoso advogado esportivo Michel Assef foi contratado pelo Grêmio para ajudar no julgamento. Teatral, como sempre, tentou convencer os auditores com frases de efeito. "Quatro torcedores em meio a 30 mil. O Grêmio não pode ser responsabilizado. Eles, sim, precisam ser punidos." A tática repetida à exaustão foi a de não negar o racismo, mas não vinculá-lo ao Grêmio. Como se o clube não fosse responsável por nada que acontece no seu estádio. Como na final do Gaúcho, quando um torcedor imitou um macaco para o zagueiro Paulão do Inter. A situação aconteceu na arena gremista. Em março, há apenas cinco meses.

1reproducao4 Noite histórica. Grêmio eliminado da Copa do Brasil graças ao racismo de seus torcedores. O omisso árbitro Wilton Pereira suspenso 90 dias. Torcedores proibidos por dois anos de frequentarem estádios. Vitória da civilidade...

Não se compara
A Geral do Grêmio é a primeira barra

Somos diferentes
Corre a macacada e segue em frente...

Oooooh
E vamos tricolor,
E vamos tricolor!

O depoimento do árbitro Wilton Pereira Sampaio foi o mais absurdo, ridículo no julgamento. Ele tentou convencer a todos que não viu e nem ouviu o que aconteceu no estádio. Mesmo com o goleiro Aranha apontando várias vezes para os torcedores que o xingavam e imitavam macaco. Tantas ofensas pelo jogador ser negro. O mais incrível é que Wilton também é negro.

"Não presenciamos nada, foi por meio de um relato do jogador. Após o término do jogo, nenhum atleta veio me questionar. Pensei que não havia sido nada. A gente sempre assiste ao jogo depois e fiquei assustado com o ocorrido. Por isso, incluí o adendo na súmula. Nós achamos que, aos 42 minutos do segundo tempo, com o Santos ganhando o jogo, achei que era uma tentativa de passar o tempo."

1gazeta2 Noite histórica. Grêmio eliminado da Copa do Brasil graças ao racismo de seus torcedores. O omisso árbitro Wilton Pereira suspenso 90 dias. Torcedores proibidos por dois anos de frequentarem estádios. Vitória da civilidade...

Wilton tentava se salvar da suspensão. Suas palavras não convenceram ninguém. As imagens do jogo o desmentiam. Foi constrangedor. Mostrou que um árbitro inseguro e omisso pode fazer em um campo de futebol. Nessas novas arenas, os torcedores ficam perto demais do gramado.

A recomendação da Fifa em caso de racismo permite até ao juiz paralisar a partida. Mas cadê a coragem? Parar um jogo importante das oitavas de final de uma Copa do Brasil reunindo Grêmio e Santos? Wilton não quis se expor. Não parou a partida. Nem relatou nada de anormal na súmula. Só ficou 'chocado' com o que viu no hotel. Aí sim fez um mero adendo. Sua punição também foi justa e exemplar. Servirá para outros árbitros não terem novos ataques de cegueira e surdez em casos de racismo.

Aos que torcem pro inter
A vocês eu quero perguntar
Porque não cumpre a palavra
do meu estadio derrubar?
Sera porque vocês tem medo
Da banda do monumental?!
A banda que corre os macacos do internacional

Impossível negar que a imagem de Patricia Moreira da Silva gritando 'macaco', captada pelas lentes da ESPN Brasil pesaram. Foi um golpe duríssimo. Resumiu o que acontece com parte da torcida organizada gremista há anos e anos. Mas nunca teve resumo tão perfeito para o Brasil.

A direção gremista promete recorrer ao pleno do STJD. Um novo julgamento deverá acontecer em um prazo de no mínimo 15 dias. Até lá a Copa do Brasil já terá avançado. Koff sabe que será impossível reverter a eliminação sumária do seu clube. Mas até por obrigação ele recorrerá.

1ae7 Noite histórica. Grêmio eliminado da Copa do Brasil graças ao racismo de seus torcedores. O omisso árbitro Wilton Pereira suspenso 90 dias. Torcedores proibidos por dois anos de frequentarem estádios. Vitória da civilidade...

Só se espera que tudo o que aconteceu desde a quinta-feira passada mude alguma coisa no Rio Grande do Sul. O que ainda é difícil de acreditar. O líder da torcida organizada "Geral do Grêmio", Rodrigo Rysdyk depôs na manhã de hoje. E repetiu que as canções que ele e seus companheiros usam, chamando os torcedores do Internacional de 'macacos' não são racistas. Tentou se defender, alegando que as músicas têm mais de vinte anos e não ofendem ninguém. Algumas das letras do que é cantado no estádio do Grêmio estão publicadas neste post.

A noite desta quarta-feira, 3 de setembro de 2014, é histórica. O racismo no futebol brasileiro tomou um grande golpe. O poderoso Grêmio foi banido de uma competição nacional por causa da intolerância de alguns dos seus torcedores. Finalmente o país reage diante de racistas que insistem a comparar negros com macacos. Não foi o Grêmio quem perdeu. Foi a civilidade quem venceu...

Imagens da ESPN Brasil

Dorival Júnior e Palmeiras. Um treinador triste, traumatizado encontra um time fraco, rachado e amedrontado. Um precisa do outro para sobreviver. Ou descobrirão juntos que o poço é mais fundo do que parece…

1fotoarena1 Dorival Júnior e Palmeiras. Um treinador triste, traumatizado encontra um time fraco, rachado e amedrontado. Um precisa do outro para sobreviver. Ou descobrirão juntos que o poço é mais fundo do que parece...
Não fosse sobrinho de Dudu e não tivesse jogado no Palmeiras, Dorival Júnior não teria sido contratado. Paulo Nobre mostrou sua indecisão na noite de ontem. O bilionário e inexperiente não sabia o que fazer. Gilson Kleina ficou três meses sem trabalhar, recebendo R$ 200 mil de multa por ter sido mandado embora. Gareca receberá R$ 1 milhão até junho de 2015, também por ter sido despedido.

Nobre não queria ceder, amarrar o contrato de Dorival Júnior até junho de 2015. Conselheiros já o ridicularizam por jogar dinheiro fora. Pagar multas a treinadores que não mostram competência. O presidente não aceitou a imposição de Dorival Júnior ontem. Queria o acordo só até dezembro. Deixou a negociação aberta.

Mas nesta manhã teve de ceder. Percebeu que não havia no mercado um técnico que aceitasse R$ 200 mil mensais. E com o currículo de ter sido campeão da Copa do Brasil, da Recopa, Paulista, Paranaense, Pernambucano, Catarinense. Além disso, com uma profunda identificação com o Palmeiras. Nobre disse que aceitava fechar contrato até o meio do ano que vem, mesmo sem ter a certeza que continuará presidente. Haverá eleições. Mas exigiu que a multa fosse apenas de um salário. Mas haverá um prêmio gordo caso o time não volte à Segunda Divisão. Conseguiu o acordo.

Por que Dorival Júnior cedeu? Não bateu o pé para receber pelo menos como Gareca, metade dos meses que teria direito a receber? Porque vive um momento muito ruim na carreira. Seus últimos trabalhos em 2013 foram péssimo. Encaminhou o Vasco da Gama para o rebaixamento. O Flamengo também estava indo para a Segunda Divisão. E, dentro de campo, não evitou a queda do Fluminense.

Foi demitido do Vasco e Flamengo. Apesar de o STJD ter salvo o Fluminense, sua renovação não foi nem cogitada nas Laranjeiras. Ele estava há oito meses desempregado. Ele é um técnico muito sério, trabalhador. Mas que havia perdido o brilho, o entusiasmo.

Ele começou muito bem sua carreira como treinador. Fez estágio com Muricy Ramalho. "Fui eu quem o convenceu a ser técnico. Estava na dúvida, querendo ser homem de escritório. O incentivei porque percebi seu potencial. É um homem sério, competente e entende muito de futebol", elogia o técnico do São Paulo.

Desde o início da carreira Dorival sempre apostou na competitividade dos seus times. Muita marcação no meio de campo e velocidade nos contragolpes. A melhor fase, sem dúvida, foi no Santos com Neymar e Ganso. Conseguiu tirar o máximo dos dois talentosos jogadores. Era considerado um dos melhores técnicos do país.

1ae5 Dorival Júnior e Palmeiras. Um treinador triste, traumatizado encontra um time fraco, rachado e amedrontado. Um precisa do outro para sobreviver. Ou descobrirão juntos que o poço é mais fundo do que parece...

Sua decadência e abatimento começaram quando foi demitido do Santos. Brigou com Neymar e o então presidente Laor não deixou que punisse o atleta, o tirando do clássico contra o Corinthians. Dorival insistiu e foi mandado embora. Amigos revelam que a depressão que sentiu com a demissão foi mais profunda do que se possa avaliar.

Ainda salvou o Atlético Mineiro do rebaixamento. Mas não conseguiu manter o bom futebol. Assim também no Internacional. Flamengo, Vasco e Fluminense. Na Gávea chegou a ganhar R$ 700 mil. Desde então, seu salário vem caindo drasticamente. Nos bastidores, dirigentes reclamam de sua insegurança, irritabilidade, impaciência. Características que não tinha antes da briga com Neymar. O trauma é fácil de perceber.

Depois do fraquíssimo 2013, teve de se exilar em Florianópolis. Aproveitou para pensar muito na carreira. Alguns de suas reflexões se tornaram públicas. E mostrou um técnico amargurado.

"Os dirigentes são imediatistas. Não fazem um planejamento anual. O treinador assume um time no início do ano e dez dias depois já está em um campeonato regional. Se perde a primeira, olham feio, se perde a segunda, está na corda bamba e se perde a terceira é demitido. Como analisar um trabalho assim?

"O grande erro é que não tem lealdade entre os treinadores. Quem está desempregado fica na frente da televisão torcendo por uma derrota para que comece a dança das cadeiras.

"Comentarista bravo faz sucesso, então abusam disso. Fazem comentários ácidos sem levar em conta a situação do treinador, se teve ou não tempo para trabalhar. Jogam todo o ônus da derrota nas costas do treinador e não falam dos jogadores."

2ae2 Dorival Júnior e Palmeiras. Um treinador triste, traumatizado encontra um time fraco, rachado e amedrontado. Um precisa do outro para sobreviver. Ou descobrirão juntos que o poço é mais fundo do que parece...

"Esse é o pior momento técnico do futebol brasileiro de todos os tempos. Se não fizermos algo, tudo vai piorar."

Cada declaração que falou na entrevista para o UOL revelava a decepção de Dorival com o futebol. Depois de oito meses afastado do futebol, tomara que tenha se recuperado. Encontrará um grupo fraco, inseguro, tenso e dividido entre estrangeiros e brasileiros. Ameaçado seriamente de rebaixamento no ano de seu centenário.

Tudo o que o Palmeiras está precisando agora é de um líder, um comandante firme. Com uma visão moderna de futebol. E sem a vergonha que Gareca tinha. Montar o Palmeiras fechado, marcador, fechado na defesa. Se preocupando em somar pontos para evitar a terceira visita para a Segunda Divisão em 12 anos.

Não há meio termo. Elenco fraco e implorando por alguém que consiga passar confiança. Embora tenha o sangue verde por parte do seu tio Dudu, tudo o que Dorival não pode fazer é pensar no talento encantador dos tempos das Academias. O momento do Palmeiras é terrível. Tão ruim que a provável eliminação da Copa do Brasil, diante do Atlético Mineiro, amanhã será um alívio. Haverá mais tempo para prepara o time para os 20 jogos restantes do Brasileiro.

Dorival Júnior e Palmeiras. Um treinador ferido e um clube com R$ 300 milhões em dívidas, atormentado pelo próprio passado vitorioso. Cercados de desconfiança. Inclusive da própria diretoria, dos conselheiros. Ambos não têm saída, a não ser dar a alma para recuperar a auto estima, a admiração. Ou descobrirão que o poço é ainda mais fundo do que parece...
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Por racismo de seus torcedores, o Grêmio deverá ser excluído da Copa do Brasil hoje. Deputados querem racistas cinco anos longe dos estádios. Enquanto isso, ex-presidente gremista acha tudo ‘folclore’ e manda recado ao amigo na rádio. O ‘Negão’…

1reproducao2 Por racismo de seus torcedores, o Grêmio deverá ser excluído da Copa do Brasil hoje. Deputados querem racistas cinco anos longe dos estádios. Enquanto isso, ex presidente gremista acha tudo folclore e manda recado ao amigo na rádio. O Negão...
Os atos racistas contra Aranha deverão excluir hoje o Grêmio da Copa do Brasil. Esta é a tendência do julgamento no STJD. A própria diretoria do clube gaúcho acredita que não terá como escapar. Deverá arcar pelos atos de seus torcedores. O grito de 'macaco' de Patricia Moreira que partiu da geral da arena gremista, dirigido ao goleiro negro santista, derruba qualquer tese de defesa. A punição deverá ser exemplar.

A ótima notícia para o Brasil é que o julgamento deverá ser apenas a primeira resposta da sociedade. A Câmara dos Deputados em Brasília estuda aumentar a pena dos racistas no futebol. Um projeto do deputado gaúcho do PMDB, Alceu Moreira, prevê que, além da pena de reclusão de um a três anos prevista em lei, o acusado seja banido dos estádios. Fique cinco anos sem poder acompanhar jogos de seu clube.

A pena poderá ser aumentada em um terço se o autor do crime pertencer a torcida organizada, se for servidor público, dirigente ou funcionário de entidade desportiva, de entidade que organiza a partida ou de empresa contratada para o processo de emissão, distribuição e venda de ingressos.

No caso de estrangeiros que cometam crime de racismo, a proposta prevê que sejam extraditados e impedidos de retornar ao Brasil pelo mesmo prazo de cinco anos.

Caberá ao próprio não permitir o acesso do torcedor racista ao estádio. O que obrigará a criação de um método de identificação de todo o público que for acompanhar as partidas. O projeto de lei foi apresentado em maio. Mas ganhou muita força nos últimos dias por causa do episódio envolvendo Aranha. Há uma pressão popular em Brasília para que seja aprovado o mais rápido possível.

A direção do Grêmio tentou de todas as maneiras se defender. Desqualificar, ironizar os gritos de macaco dirigidos por Patricia a Aranha. Como se todo estádio de futebol fosse uma terra sem lei, o paraíso dos racistas.

As declarações do ex-presidente do Grêmio, Luis Carlos Silveira Martins, são um bom exemplo. Ele falou com a maior convicção na rádio Gaúcha.

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"Se você passar pela rua, encontrar um negrão, um afrodescendente e dizer ‘olha, negro macaco', você está praticando um racismo grosso, sim. Mas nesse contexto do futebol, nessa forma, é o fim do futebol."

Ou seja, para Martins, na rua chamar alguém de macaco é racismo grosso. No estádio, não. Inacreditável... Mas ele teve coragem de ir além.

"Acho o suprassumo do absurdo o que esta acontecendo. Não tenho palavras para definir o que está acontecendo com o Grêmio. E não estou falando como gremista. Absolutamente não. Porque sou absolutamente contrário ao racismo. Tenho grandes amigos negros. ‘Negão', está me ouvindo, sabe disso..." 'Negão' é a maneira como Martins trata seu amigo.

Na tentativa de tentar defender o Grêmio, o ex-presidente Martins só deixou tudo pior. Mostrou de forma explícita a maneira com que muita gente no futebol brasileiro pensa. É como se o racismo estivesse liberado assim que a pessoa entra no estádio. Nas arquibancadas e mesmo dentro do campo.

O ex-treinador da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, também difundiu essa visão. Foi quando era treinador do Palmeiras. Danilo, então jogador palmeirense, se desentendeu com Manoel, que atuava no Atlético Paranaense. Os dois se desentenderam antes da cobrança de um escanteio. Manoel deu uma cabeçada em Danilo. O atleta do Palmeiras revidou. Deu uma cusparada no rosto do adversário. Não satisfeito ainda o xingou. "Macaco do ca..."

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Danilo foi suspenso pelo STJD por 11 partidas. Na ocasião, Luiz Felipe Scolari fez questão de diminuir a importância do fato. Definiu como 'bobagem'. "O que acontece no campo fica no campo. O Danilo não é racista. É coisa do futebol." O STJD acabou acatando a tese e a pena foi diminuída para seis partidas. As outras cinco viraram cestas básicas. Manoel havia prometido prestar queixa contra Danilo. Mas mudou de ideia. E tudo foi esquecido.

Ainda bem que Felipão alterou sua maneira de pensar. Está muito mais intolerante em relação ao racismo. "Acho isso uma aberração, acho isso uma tristeza, pra todos nós. Basta, não só nós do futebol, mas basta a população em geral. O governo e todos temos que dar um chega pra acabar com essa bobagem. O governo, através da escola, campanhas e nós, pelos nossos pronunciamentos. Afinal, cor não quer dizer nada. O que quer dizer muito é caráter. Acho absurdo que algumas pessoas ainda se expressem dessa forma."

É essa mentalidade que tem de prevalecer. Nunca houve no Brasil um caso tão explícito. As ofensas racistas de Patricia Moreira da Silva são mais do que claras. O grito de 'macaco' é nítido, cruel. Ela já está com advogado e deverá dar suas explicações à polícia amanhã. A defesa já começou a trabalhar. Seu advogado tem espalhado que ela está arrependida e que nunca foi racista. Se deixou levar pelo que ouve nos estádios gaúchos desde pequena. E quer o perdão de Aranha.

O jogador santista tem recebido apoio dos companheiros de clube. Indiscriminadamente, brancos e negros concordam com ele. Não querem que Aranha se submeta a um show na televisão. E desculpe Patricia. Seria ir contra todas as suas convicções. Esquecer o quanto o racismo o fez sofrer dentro e fora do campo.

Não houve limites para o ex-presidente gremista tentar isentar não só seu clube do racismo. Mas a própria Patricia Moreira da Silva. Compara a mulher de 23 anos a uma 'menina'. Desvia o foco para as organizadas do Corinthians. E apela até para Deus tentando convencer que não aconteceu nada na quinta-feira passada.

"A menina está sendo procurada no Brasil inteiro como se assassina fosse e os assassinados da Bolívia estão soltos. Os outros que deram tiro perto do Beira-Rio, também os do Rio de Janeiro estão soltos. Essa menina está virando assassina por ter feito um grito do folclore de futebol. Pelo amor de Deus."

Ainda bem que os auditores do STJD e a sociedade como um todo não estão se deixando levar por Martins. Nem mesmo o Grêmio. O presidente Fabio Koff rompeu com a torcida Geral. A que fica mais próxima do campo. Torcedores poderão entrar no estádio. Mas sem símbolo algum que represente a organizada ou o clube.

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Foi uma represália pelos cantos racistas que citavam torcedores do Internacional como 'macacos imundos'. A cantoria aconteceu durante a partida contra o Bahia. As organizadas gremistas desafiavam as autoridades. Era uma resposta que desejavam que tudo continuasse como sempre foi em Porto Alegre.

Mas a resposta da sociedade brasileira é outra. A legislação ficará mais pesada para os racistas. O STJD deverá dar uma punição pesada ao Grêmio pelo que seus torcedores fizeram com Aranha. Patricia Moreira da Silva também não escapará ilesa do grito raivoso de 'macaco' ao jogador do Santos.

Talvez assim, quando Luis Carlos Silveira Martins for a um programa de rádio, tome outra postura. E ao mandar um recado ao seu querido amigo, o trate pelo nome. Não o chame de "Negão"...

Leandro Damião na reserva. Instabilidade do time. Gênio forte demais. Os ingredientes que causaram a demissão de Oswaldo de Oliveira do Santos. O caminho está aberto para Enderson Moreira…

1fotoarena Leandro Damião na reserva. Instabilidade do time. Gênio forte demais. Os ingredientes que causaram a demissão de Oswaldo de Oliveira do Santos. O caminho está aberto para Enderson Moreira...
Oswaldinho de Oliveira voltou diferente à Vila Belmiro. Depois de ter uma arritmia e ser internado no Rio de Janeiro, em outubro de 2013, o técnico tomou uma decisão. Não iria conter suas emoções. Passar menos nervosismo possível na carreira como treinador. E desde então passou a discutir com árbitros, jogadores, jornalistas, dirigente. Decidiu não se calar diante das provocações.

Mesmo amado no Botafogo foi para o Santos sem dor na consciência. Não suportava mais os atrasos de salário e ver seus atletas sofrendo com a falta do dinheiro que teriam de receber. Preferiu ir para a Vila Belmiro. Primeira decisão. Nada de Oswaldinho. Só atenderia por Oswaldo de Oliveira.

Os setoristas que vão todos os dias à Vila Belmiro o definiam como intolerante. Ele não admitia ser contrariado. Levou não só a coletivas, nos treinos, mas principalmente no trato com os dirigentes. O treinador não aceitava crítica de ninguém.

Mas não havia como fugir. Primeiro elas vieram pesadas depois da perda do título paulista para o Ituano. O técnico ficou irritadíssimo porque o Santos abriu mão de decidir o campeonato no seu estádio, a Vila Belmiro. Falou que achava um erro decidir no Pacaembu. Sabia que o clube queria ganhar mais dinheiro. Só que não se importava. "Será pior para nós", garantiu, antecipando a derrota.

Muitos conselheiros pediam a demissão do técnico. Carlos Henrique da Fonseca Filho, vice presidente do Conselho Deliberativo não teve dúvidas. Foi direto em uma reunião formal no clube. Pediu a palavra e disparou: "Não dá para aguentar Oswaldo de Oliveira."

O treinador ficou babando de ódio quando soube o que Carlos Henrique falou. E respondeu."Essa pessoa que falou isso é uma que dava tapinha nas costas aqui e dizia que o trabalho era maravilhoso. Falou como torcedor. Sabe como é..."

O mal estar passou a dominar a Vila Belmiro. O trabalho de Oswaldo de Oliveira ficou cada dia mais questionado. Principalmente a irregularidade do time. O Santos acumulava vitórias contra adversários fáceis e perdia para os mais difíceis. Principalmente fora de casa. A equipe se comportava como pequena, acovardada na defesa.

Nas nove partidas que o time fez longe da Vila Belmiro, resultados pífios. Só venceu Figueirense e Bahia. Empatou com Coritiba e Goiás. E perdeu de Fluminense, Internacional, Cruzeiro, São Paulo e Botafogo. A 11ª colocação incomodava os dirigentes. Eles viam Oswaldo tranquilo demais. Nem um pouco incomodado. Nem mesmo a contratação de Robinho empolgou o técnico.

 Leandro Damião na reserva. Instabilidade do time. Gênio forte demais. Os ingredientes que causaram a demissão de Oswaldo de Oliveira do Santos. O caminho está aberto para Enderson Moreira...

Outro fator que irritava demais Odílio era a postura recente do técnico de deixar Leandro Damião na reserva. E formar a dupla ofensiva com o jovem Gabriel e Robinho. Membros do Comitê Gestor santista consideravam uma 'loucura'. O atacante de R$ 42 milhões ficava desvalorizado a cada partida.

Oswaldo deixava claro que não permitiria que ninguém interferisse no seu trabalho. Mas acontece que o rendimento do time era muito abaixo do que a diretoria desejava no Brasileiro. 11ª colocação com 42% de aproveitamento. O Santos não estava nem entre os quatro primeiros com direito à vaga na Libertadores.

A derrota diante do Botafogo e seu problemático time, com salários e direito de imagem atrasados foi a gota d'água. Odílio já estava desgostoso com o trabalho de Oswaldo. Mas foi muito pressionado por conselheiros. O clube vive clima de eleição. O pleito deverá ser muito disputado.

Conselheiros da situação insistiram com Odílio que a hora de mandar embora Oswaldo era agora. Ainda restam 60 pontos para o clube disputar. A chegada de um novo técnico poderia dar o ânimo que o time precisa. E de preferência um profissional menos radical que Oswaldo. E que entenda, por exemplo, a necessidade de Leandro Damião jogar.

A decisão de mandar embora Oswaldo estava amadurecendo há muito tempo. Até que foi tomada hoje. A direção do clube tem ótimas informações sobre Enderson Moreira. Um treinador moderno, com boa visão tática. Muito trabalhador. E menos genioso.

Oswaldinho de Oliveira foi fiel aos seus princípios. Não 'engoliria sapo' de ninguém na Vila Belmiro. Não ficaria deprimido. Muito menos faria o que não quisesse. Como, por exemplo, fixar Leandro Damião como titular quando Gabriel está jogando muito mais do que ele. O treinador foi fiel aos seus princípios. Preservou seu coração de arritmias. Está sem emprego...

("Fui pego de surpresa, não esperava. Estou acostumado a trabalhar com planejamento a médio e longo prazos, como aconteceu na maioria dos clubes pelos quais passei", declarou Oswaldo em nota oficial. Fez questão de dar sua última alfinetada na diretoria santista...)

(Enderson Moreira foi confirmado como novo treinador santista. Muito mais afável do que Oswaldo Oliveira...)
1ae3 Leandro Damião na reserva. Instabilidade do time. Gênio forte demais. Os ingredientes que causaram a demissão de Oswaldo de Oliveira do Santos. O caminho está aberto para Enderson Moreira...