Sport Recife deixa Palmeiras e Flamengo para trás. Contrata Diego Souza. Se o meia estiver motivado, os pernambucanos fizeram uma das melhores contratações do ano. O sonho da Libertadores em 2015 pode virar realidade…

1ae6 Sport Recife deixa Palmeiras e Flamengo para trás. Contrata Diego Souza. Se o meia estiver motivado, os pernambucanos fizeram uma das melhores contratações do ano. O sonho da Libertadores em 2015 pode virar realidade...
São 11 camisas diferentes em 13 anos. Não se permitiu tempo para virar um ídolo de verdade onde passasse. A impressão é que ele faz do futebol seu modo de sobreviver apenas, não uma paixão. Mistura visão de jogo, força, talento com muito descomprometimento. Ele não faz aliança de verdade com o clube que o contrata. Quer viver apenas o momento. E depois seguir viagem. Novo contrato, novas luvas, novos salários, novas expectativas de quem o contrata.

Aos 29 anos tem sido assim a rotina de Diego Souza. O jogador que fez o Sport estar em todas as manchetes nacionais. Orgulha todo o Nordeste uma contratação assim, de peso. De nada adiantaram as tentativas de Vanderlei Luxemburgo e de José Carlos Brunoro. O meia não quis voltar ao Flamengo ou ao Palmeiras. Pelo menos não até o final do ano.

Ele receberá um salário mais interessante por cinco meses em Pernambuco. Chega escudado por Ibson, nas mesmas condições. Graças ao empresário Eduardo Uram, que trabalha com a dupla. Ele recebeu ótima proposta da diretoria do Sport. O clube pagou mais do que os palmeirenses e flamenguistas. O plano é simples.

O time é tricampeão da Copa do Nordeste. Tem vaga na Copa Sul-Americana. Os dirigentes acreditam que a já ensandecida torcida do Sport ficará mais do que empolgada. E irá empurrar a equipe na competição, uma verdadeira sequência de mata-matas. A aposta é que será o caminho para levar o time na Libertadores de 2015.

O número que Diego Souza levará nas costas é mais do que representativo: 87. Remete à conquista do polêmico Campeonato Brasileiro que o Sport foi campeão. Apesar de toda reclamação flamenguista, o título acabou confirmado.

O Sport tem na sua história ídolos como Juninho Pernambucano, Dario, Roberto Coração de Leão, Marcelinho Paraíba, Almir Pernambuquinho, Vavá, Givanildo. No time atual, Magrão e Durval. Todos eles tiveram uma grande ligação com os torcedores. A vibração das arquibancadas sempre os empurrou em Recife.

Será este o grande desafio para Diego Souza. Instabilidade é a marca registrada de sua carreira. Em 2009 ele foi o melhor jogador disparado do Brasil. Sua temporada no Palmeiras impressionou. Fantástica. Meia vibrante, artilheiro. Mas sempre fez questão de valorizar seu trabalho.

Conselheiros ligados a Belluzzo garantem. O descontentamento de Diego Souza fez o Palmeiras perder o título mais fácil. O Brasileiro de 2009. A equipe havia disparado no torneio. Mas contratou Vagner Love. O atacante chegou ganhando um salário mais alto que todos. Diego não gostou. Queria ganhar pelo menos o mesmo. Mas a diretoria se negou a equiparar seus rendimentos aos de Love. Foi o que bastou para o time de Muricy implodir.

A história vazou e o relacionamento de Diego Souza com as organizadas palmeirenses azedou. Situação surreal aconteceu quando, vaiado contra o Atlético Goianiense, mostrou os dedos médios para a Mancha Verde. Nunca mais vestiu a camisa palmeirense.

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Na Seleção Brasileira teve pouquíssimas chances. Nelas se intimidou. Não se impôs. Foi queimado por Dunga ao jogar o primeiro tempo contra a Bolívia, em La Paz, pelas Eliminatórias. Vivia fase excelente. Mas sucumbiu diante da altitude. E acabou esquecido da Copa de 2010. Uma injustiça.

A facilidade que tem para não se envolver emocionalmente com os clubes onde joga é impressionante. Foi o que mais animou, por exemplo, a diretoria do Cruzeiro a vendê-lo. Sua saída ajudou financeiramente e no clima no time que se tornou campeão brasileiro de 2013.

Diego foi para a Ucrânia, jogar no Metalist. Só retornou ao Brasil emprestado por causa dos conflitos políticos. Chega ao Sport do jovem Eduardo Baptista. O filho de Nelsinho conseguiu montar uma equipe competitiva, vibrante. Principalmente em Pernambuco. A chegada de Diego pode dar um novo patamar a este time. Dá esperança na conquista de uma vaga na Libertadores na Copa Sul-Americana ou lutando para ficar entre as quatro primeiras do Brasileiro.

Tudo vai depender e muito da entrega do jogador. Potencial ele tem. O que sempre faltou foi querer se firmar. Comprar uma causa. Esquecer o lucro da vida de nômade. Fincar raízes. Descobrir o significado da palavra identificação. Se por acaso, Diego Souza comprar a causa pernambucana, o Sport terá conseguido um reforço importantíssimo. Capaz de fazer diferença. Tornar os jogos no Recife uma tortura para os visitantes.

Agora, se chegar já pensando o que fará no final do ano. Analisando qual será a melhor equipe para atuar em 2015, é melhor não esperar muita coisa. Sem foco, Diego Souza é um dos piores jogadores para qualquer time. Porque além de não jogar o que pode, contagia o elenco.

O Sport fez uma aposta alta. Mas que pode sacudir o Nordeste. Um grande jogador foi contratado com idade suficiente para poder atuar em alto nível. Mudar a geografia principalmente da Copa Sul-Americana. Não é por acaso que as diretorias palmeirenses e flamenguistas lamentam. Perderam um atleta diferenciado que preferiu ganhar mais no Recife.

Resta torcer para que Diego Souza esteja com vontade de jogar. Ele pode tornar o Sport o time mais surpreendente deste final de ano. Depois, em 2015, é outra história. Com o meia tão talentoso quanto nômade sempre foi assim...

O bilionário Paulo Nobre oferecerá premiação especial ao Palmeiras. Para não ser rebaixado de novo para a Segunda Divisão. Prova do fracasso da política das 35 contratações do ultrapassado Brunoro…

4reproducao1 O bilionário Paulo Nobre oferecerá premiação especial ao Palmeiras. Para não ser rebaixado de novo para a Segunda Divisão. Prova do fracasso da política das 35 contratações do ultrapassado Brunoro...
Dois ônibus e vinte carros rumaram ontem à noite ao condomínio de luxo, na Granja Vianna. Onde mora o presidente do Palmeiras, Paulo Nobre. Fecharam a rua. A Mancha Verde protestou pela caótica situação do clube. Membros da principal organizada do clube temem pelo pior: novo rebaixamento para a Série B. Só que desta vez no ano que deveria ser reservado à festa: o do centenário.

A campanha depois da Copa do Mundo é assustadora. Dos cinco jogos disputados, 15 pontos estiveram em disputa. O Palmeiras conseguiu apenas um. Há oito partidas o clube não consegue vencer no Brasileiro. Está a um ponto da zona do rebaixamento. "A hora de reagir é agora para escapar do pior", resume, tenso, Lúcio. O veterano zagueiro vislumbra a Segunda Divisão.

Não é por acaso que a Mancha Verde e muitos e muitos conselheiros importantes defendem a saída imediata de José Carlos Brunoro. O executivo responsável pelo futebol ganha um salário invejável. R$ 120 mil líquidos e ainda o direito de usar um carro avaliado em R$ 100 mil. Inexperiente, Paulo Nobre deu carta branca a um dirigente que se mostra perdido, ultrapassado.

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Bastou alguém ter a paciência de contar as 34 contratações feitas pela administração Paulo Nobre. Pronto. O castelo de areia de Brunoro desabou. A filosofia da baciada, da 25 de Março imperou. Muita quantidade, pouca qualidade.

O clube contratou um lateral direito (Weldinho do Corinthians. Sete zagueiros: Vílson (Grêmio), Tiago Alves (Mogi Mirim), Thiago Martins (Mogi Mirim), Lúcio (São Paulo), Tóbio (Velez), André Luís (Nancy) e Victorino (Cruzeiro); dois laterais esquerdos, William Matheus (Goiás) e Paulo Henrique (Santos); nada menos do que sete volantes: Marcelo Oliveira (Cruzeiro), Charles (Cruzeiro), Léo Gago (Grêmio), Eguren (Libertad), França (Hannover), Josimar (Internacional) e Bruninho (Portuguesa); oito meias: Ronny (Figueirense), Rondinelly (Grêmio), Mendieta (Libertad), Felipe Menezes (Benfica), Marquinhos Gabriel (Bahia), Bruno César (Al Ahli), Bernardo (Vasco) e Allione (Vélez); e nove atacantes Leandro (Grêmio), Kleber (Porto), Serginho (Oeste), Ananias (Cruzeiro), Alan Kardec (Benfica), Rodolfo (Rio Claro), Diogo (Portuguesa), Henrique (Portuguesa), Mouche (Kayserispor) e só falta chegar a documentação de Cristaldo do Metalist.

Brunoro quis posar de moderno. E convenceu Nobre a contratar o argentino Gareca. O intercâmbio é necessário ao futebol brasileiro. Excelente para um clube estruturado, em paz politicamente. Mas é exatamente tudo o que o Palmeiras não tem nesse momento. A importação desenfreada de jogadores portenhos foi feita para agradar Gareca. Argentinos são gregários, gostam de formar grupos em equipes do Exterior.

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Mas acontece que não há tempo hábil para uma revolução tão profunda. Não em ano tão importante. O Palmeiras está buscando o seu time em pleno Campeonato Brasileiro. Gareca não consegue encontrar uma formação definitiva para a equipe. E os péssimos resultados se sucedem. O treinador tenta ser fiel à diretoria. Sabe que tem material humano fraco para a exigência e pressão que imperam no Palmeiras. Irritado com mais um fracasso, desta vez contra o Atlético Mineiro, preferiu nem dar entrevistas após a partida. Não falou e ainda viajou para Buenos Aires, onde foi descansar um pouco, refletir o que está fazendo com sua carreira.

Paulo Nobre acreditou que conseguiria desviar o foco do vergonhoso momento vivido pelo time. Mandou espalhar que no dia 26 de agosto, a Fifa vai oficializar a Copa Rio como Mundial de Clubes. Não importa que ela foi disputada em 1951. Nobre quer festejar o título de gabinete já confirmado por Blatter.

E fazer um pouco os seus muitos críticos no Palestra Itália. Há muita gente inconformada com sua filosofia de colocar dinheiro do próprio bolso no clube. Emprestado. Já são mais de R$ 105 milhões. A família de Nobre é bilionária. O Palmeiras está preso financeiramente a um mecenas. Que irá cobrar seu dinheiro de volta quando sair. Com juro de 1% ao ano.

Seu braço direito, Brunoro ainda fala sério. "O Palmeiras é um dos poucos clubes que paga em dia." Paga, com o salário emprestado por seu protetor, Nobre.

Enquanto isso, Valdivia voltou das duas excursões que fez. A primeira foi aos Emirados Árabes para posar com o cachecol do Al Fujairah. Não acertou salários. Seu segundo passeio teve a Disney como lugar escolhido. Enquanto vaga por aí, o Palmeiras treinava e jogada. O meia chileno continuou recebendo seu salário de cerca de R$ 500 mil. Seu empresário Wagner Ribeiro foi infeliz. Tentou valorizá-lo dizendo que negociava com o Olimpique. O clube francês fez questão de declarar que não tem o menor interesse no jogador.

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Valdivia quer seguir em paz no clube que é tão 'bonzinho' com ele. Se possível até agosto de 2015. Um repórter perguntou ao meia se pensaria em mudar seu contrato para o de produtividade. Esperto, disse que só quando o atual terminar.

A dívida do Palmeiras já passou dos R$ 300 milhões. A nova arena, cuja inauguração chegou a ser prometida para 2009, conseguiu dar outro vexame. Não ficou pronta para o centenário do clube. Ainda em litígio com o Palmeiras, a W Torre avisa que deverá liberá-la em setembro ou outubro. Não houve a menor preocupação em fazer o óbvio. Aprontá-la para o centenário.

Os próximos seis jogos do Palmeiras até terminar o Primeiro Turno do Brasileiro serão importantíssimos. E podem mudar muita coisa no futebol do clube. São eles: São Paulo no Pacaembu; Sport, em Recife; Coritiba, no Pacaembu; Internacional, no Pacaembu; Atlético Paranaense, em Curitiba.

Paulo Nobre passou por muita vergonha ontem à noite. Membros da Mancha Verde o xingaram muito em frente à entrada do seu condomínio. Exigiram a saída de Brunoro, que realmente faz um trabalho lamentável. E avisaram presidente, diretoria, jogadores cantando.

"Olelê, olalá, se cair para a Série B, se prepara para apanhar."

A pressão é imensa. Tanto que conselheiros já souberam. Nobre oferecerá uma premiação especial ao time. Será muito dinheiro para que o Palmeiras não seja rebaixado. Quase quanto valeria a classificação para a Libertadores. Essa passou a ser o grande objetivo de 2014: não mergulhar outra vez à Segunda Divisão. Uma oferta da gestão do futebol do ultrapassado, mas muito bem remunerado, José Carlos Brunoro. O dirigente que teve a coragem de contratar 35 jogadores desde janeiro de 2013...
 O bilionário Paulo Nobre oferecerá premiação especial ao Palmeiras. Para não ser rebaixado de novo para a Segunda Divisão. Prova do fracasso da política das 35 contratações do ultrapassado Brunoro...

Petros precisa ter uma punição exemplar. Não há justificativa para a agressão ao árbitro Rafael Claus. Que o STJD faça justiça. Até para o bem da carreira do próprio volante corintiano…

1reproducao7 Petros precisa ter uma punição exemplar. Não há justificativa para a agressão ao árbitro Rafael Claus. Que o STJD faça justiça. Até para o bem da carreira do próprio volante corintiano...
Já escrevi que considero Petros uma das grandes revelações de 2014. Jogador versátil, inteligente taticamente, diferenciado. Capaz de atuar como volante, meia, lateral. Versátil. Atleta capaz de ler a partida, entende o tabuleiro de xadrez do esporte moderno.

Conheci um pouco de sua personalidade. E senti uma pessoa decidida, que tem em mente o que deseja da carreira. Ele tem sim o direito de sonhar até por chance na nova seleção que Dunga começará a formar pensando em 2018. Petros se tornou rapidamente peça fundamental ao Corinthians.

É habilidoso. Não é um atleta violento. Pelo contrário até. No Brasileiro é atleta que mais rouba bolas. Frustra contragolpes e ataques adversários com grande eficiência.

Isso é uma situação. Outra foi a agressão intempestiva, injustificável de ontem no árbitro Raphael Claus. A princípio, acompanhando a partida, acreditei que o encontrão tivesse sido por acaso. Mas me atendo ainda ontem à noite ao lance com muito mais cuidado, ficou claro que o esbarrão/empurrão nas costas do juiz foi proposital. A bola estava longe. E o corintiano desviou sua corrida só para acertar Claus com seu braço esquerdo, no meio das costas do distraído árbitro.

Raphael havia acabado de atrapalhar Jadson. Se posicionou muito mal e travou um bom lance ofensivo corintiano. Petros ficou irritado. E descontou sua ira momentânea no juiz. E agora deve ser punido pelo STJD. Ou melhor, precisa. A punição tem de ser rigorosa. Até para servir como exemplo a outros atletas. Não é possível que o futebol brasileiro já tão em baixa permita que uma atitude dessas passe em branco.

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Paulo Schmidt já avisou que o corintiano será denunciado ao STJD. No artigo 254-A, agressão ao árbitro. A pena máxima é de 180 dias, seis meses. Raphael não citou o que se passou na súmula. Provavelmente pensou que o encontrão foi por acaso.

Essa aliás deverá ser a linha de defesa do corintiano. Que o árbitro que se posiciona muito mal durante os jogos ficou na sua frente. E que não teve como evitar o choque. A desculpa não tem cabimento. É nítida a intenção do volante.

Aos 25 anos, Petros tomará a maior lição de sua vida. Se sonha em atingir um patamar maior na carreira, precisa e deve se controlar. Não se agride ninguém pelas costas. Por maior a raiva. Ele que defende tanto o profissionalismo de sua profissão precisa agir como um. Para o bem da própria carreira.

Que o tribunal seja firme. O sonho é que o julgamento e, a mais do que provável, apelação terminem logo. Com uma punição adequada. As coisas do futebol precisam ser sérias, como defende o próprio Petros. Que comece por seu julgamento...
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Mano Menezes se vingou do 5 a 1. Estragou mais uma volta de Robinho ao Santos. O Corinthians venceu com autoridade na Vila Belmiro. Fora dela, novo festim diabólico dos vândalos…

1ae4 Mano Menezes se vingou do 5 a 1. Estragou mais uma volta de Robinho ao Santos. O Corinthians venceu com autoridade na Vila Belmiro. Fora dela, novo festim diabólico dos vândalos...
"Podem cuspir. Agora podem cuspir à vontade. Cuspam..."

Foi assim, dessa maneira heterodoxa, que Mano Menezes comemorava a vitória do Corinthians contra o Santos. Ele encarava os torcedores santista que, se aproveitando da proximidade do alambrado, cuspiram nas suas costas durante o clássico.

Mano Menezes tinha motivo para provocar, comemorar, ironizar. Ele acabou com a festa da terceira estreia de Robinho pelo Santos. O treinador conseguiu montar um sistema defensivo muito eficiente. E, de uma vez só, o Corinthians se vingou dos 5 a 1 que tomou no Paulista, acabou com a invencibilidade do time de Osvaldo de Oliveira na Vila Belmiro em 2014. E ainda ensinou à estrela santista como é amargo o gosto de uma derrota para o grande rival.

Não foi tão difícil quanto Mano esperava. O treinador corintiano ficou muito preocupado quando viu que Oswaldo iria mesmo escalar Thiago Ribeiro, Leandro Damião e Robinho. Ele percebeu o técnico adversário estava sonhando com outra vitória consagradora. Seu time foi articulado para incendiar o caldeirão da Vila Belmiro.

Só que Mano tinha nas mãos uma equipe muito melhor e mais inteligente taticamente. Bem diferente da que foi massacrada por 5 a 1. Do seu sistema defensivo só havia um jogador atual. Walter, Diego Macedo, Gil, Paulo André e Uendel. Só Gil sobrou do massacre. Muito mais do que isso, ele não tinha Elias e Petros. Os dois volantes com muita qualidade e visão de jogo. Eles conseguiram travar as investidas santistas.

Robinho voltou muito mais pesado, lento, irregular. Motivos que fizeram com que o mercado europeu se fechasse para ele. Conseguiu alguns dribles graças ao talento com que nasceu. Mas sua velocidade, arranques inacreditáveis ficaram para trás. Envelheceu.

A experiência na Europa, no entanto, foi importante. Sua visão de jogo melhorou muito. Hoje é capaz de passes e lançamentos que não sabia fazer ao sair do país. Precisa trabalhar fisicamente. No primeiro tempo ainda correu, buscou a bola na intermediária. Mas na etapa final, cansou. Afinal teve ajudar o time. Todos buscavam compensar a juvenil expulsão de Alison.

Ele já tinha cartão amarelo, quando aos 46 minutos do primeiro tempo derrubou por trás Elias. A defesa estava postada. A jogada não era perigosa. Houve precipitação do jogador. Não houve violência, mas a falta pedia sim um segundo cartão amarelo. O árbitro Raphael Claus acertou em mostrar o vermelho. Mas errou em permitir muitas conversas discussões, provocações entre os atletas. Pior para o Santos que ficava com um jogador a menos.

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Pronto, o trabalho de Mano estava facilitado. Seus volantes conseguiram se desdobrar nos primeiros 45 minutos e a bola pouco chegou no trio de atacantes santistas. O Corinthians teria mais liberdade para criar, com um a mais. Ofensivamente precisava mesmo melhorar.

Oswaldo de Oliveira titubeou. Deveria ter tirado o improdutivo Leandro Damião. Mais uma partida em que nada fez de útil. O treinador preferiu recuar Thiago Ribeiro para atuar como meio campista. Deixou apenas Robinho e Leandro Damião na frente.

O Corinthians ganhava de vez o duelo no meio de campo. Estava se impondo. Quando Guilherme Andrade quis antecipar o Natal e deu uma bola incrível para Robinho marcar. O corintiano foi esnobar em uma saída de bola simples e serviu o atacante santista. A torcida que lotou a Vila Belmiro ficou de pé. Mas o chute foi decepcionante. Fraco, sem direção, para fora. Que Robinho é esse que voltou ao Brasil? O que não desperta mais o interesse dos grandes clubes europeus.

2ae1 Mano Menezes se vingou do 5 a 1. Estragou mais uma volta de Robinho ao Santos. O Corinthians venceu com autoridade na Vila Belmiro. Fora dela, novo festim diabólico dos vândalos...

Mano tratou de punir a irresponsabilidade. Tirou Guilherme Andrade de campo. Colocou Ferrugem. O Santos já não oferecia risco ao Corinthians. Robinho tinha dificuldade em encontrar oxigênio e respirar. Alan Santos entrava na vaga de Leandro Damião. Mano enxergou que a partida caminharia para mais uma 0 a 0.

E foi ousado. Trocou a efetividade de Petros pelo poder ofensivo de Renato Augusto. Teve a centelha de coragem e visão tão cobradas pelos torcedores e dirigentes corintianos. E seu time foi recompensado.

No lance mais inaceitável para um time grande. Sofrer gol em escanteio. Renato Augusto levantou e Gil cabeceou com uma facilidade infantil 1 a 0 para o Corinthians. David Braz e Cicinho ficaram travados, parados. O gol que fez justiça ao jogo foi marcado aos 38 minutos do segundo tempo.

O resultado é importante. Para que o time de Mano Menezes continue a perseguir o Cruzeiro. Sonhar com o título, Libertadores. E Robinho percebeu que Leandro Damião é muito diferente de Neymar. E Geuvânio não tem nada a ver com Paulo Henrique Ganso. A torcida santista teve a certeza que o próprio Robinho é outro, bem diferente do que esteve na Vila Belmiro por duas vezes. Sem camisa revelou que nada restou do garoto franzino, ágil, veloz. O clube repatriou um trintão, pesado, precocemente desgastado.

Pior do que o estado físico de Robinho ao final da partida, só a selvagem briga entre as organizadas santista e corintiana. Vândalos duelando pela rua com barras de ferro em uma rua perto da Vila Belmiro. Golpes tentavam acertar as cabeças de desconhecidos. Tudo isso ao som de rojões que buscavam atingir o rosto do 'inimigo'. As agressões deixavam transparente a vontade de machucar, matar o rival.

Ao final do jogo, Mano Menezes pedindo para que os torcedores santistas continuassem a cuspir nas suas costas. Que país é esse?

(Hoje surge a notícia que corintianos tentaram invadir hospital para agredir santista ferido na briga. Até quando as autoridades ficarão de braços cruzados diante de tanta barbaridade?)

CBF apressa a liberação de Robinho para agradar a Globo. A emissora está inconformada com a baixa audiência do futebol. Nem os privilegiados Corinthians e Flamengo dão mais resultado. O momento é de pura tensão…

3reproducao4 CBF apressa a liberação de Robinho para agradar a Globo. A emissora está inconformada com a baixa audiência do futebol. Nem os privilegiados Corinthians e Flamengo dão mais resultado. O momento é de pura tensão...
Não foi por acaso que Robinho teve a sua inscrição no BID da CBF em tempo recorde. A medida foi assegurada pela nova filosofia de registros da entidade. Ainda mais se tratando de uma estrela, a cúpula da CBF a queria em campo hoje, contra o Corinthians. Não para agradar a direção santista. Mas a TV Globo.

Executivos da emissora ficaram apavorados com o péssimo desempenho de seus campeões de audiência, domingo passado. Na derrota do Flamengo de Luxemburgo para a Chapecoense, apenas 17 pontos. Muito pior foi o Corinthians contra o Coritiba. Só 13 pontos.

Os dois clubes mais populares do Brasil são os que mais aparecem na tela da emissora dona do futebol no país. E ganham bem mais do que os outros por isso. Só que o baixo nível técnico tem afastado os telespectadores. A perda de interesse está provocando reações inesperadas. Nasce o questionamento se o Campeonato Nacional é mesmo produto para a televisão aberta.

Um filme de ação ou com um astro conhecido já dá mais audiência que o futebol. Pessoas influentes da emissora comentam sobre uma certa quarta-feira, dia 4 de junho. O Brasileiro estava suspenso por causa da Copa do Mundo. A Globo exibiu Pânico no Metrô. Conseguiu 22 pontos de média em São Paulo. E 23 no Rio. Isso significou sete pontos a mais de audiência da média do futebol entre os paulistas. E seis pontos a mais entre os cariocas.

No dia 30 de julho, São Paulo e Bragantino conseguiram. Fizeram com que o Programa do Ratinho voltasse a liderar o Ibope depois de dez anos. Foi desmoralizante.

A Globo tem exclusividade sobre o Brasileiro até 2018. Executivos da emissora acreditam que algo deve mudar o mais rápido possível. E vão exigir de Marin o que não conseguiram de Ricardo Teixeira: a volta dos mata-matas. Dois turnos de classificação até chegar aos oito primeiros. A partir daí, confrontos entre o primeiro e o oitavo. O segundo contra o sétimo e assim sucessivamente.

Ricardo Teixeira conseguiu em 2003 instituir os pontos corridos. Ele dizia ser uma questão não de justiça, mas de 'civilidade'. A Globo foi contra. Mas não quis guerra. Afinal, o país havia acabado de ser pentacampeão do mundo. A situação agora é totalmente oposta. Com o agravante que Marin é o presidente da CBF. Ele e Marco Polo del Nero, seu sucessor já eleito, não querem problemas com a emissora carioca. E se houve insistência por parte de Marcelo Campos Pinto, o presidente da Globo Esportes, ambos vão ceder.

A mudança pode acontecer em 2016. Se no próximo ano não houver uma reação inesperada da audiência, o Brasileiro de pontos corridos irá para a lata do lixo. Surpreendeu negativamente demais para a cúpula da Globo as derrocadas de Corinthians e Flamengo. A liberação de Robinho aconteceu na esperança que o clássico de amanhã na Vila Belmiro faça o futebol voltar a atingir mais de 20 pontos.

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A queda na audiência de flamenguistas faz a emissora se voltar ao Fluminense. Em São Paulo, o problema é pior. São Paulo, Santos e, principalmente, Palmeiras não despertam confiança como substitutos dos corintianos.

As queixas de executivos globais que o problema do futebol brasileiro está na base foi rebatida por Carlos Miguel Aidar. Ele não aceita a interferência da emissora na vida íntima dos clubes. Passou um e-mail a dirigentes amigos manifestando sua revolta. A mensagem chegou até à Globo. E a relação com Aidar que nunca foi íntima, piorou.

Aidar é um dos fundadores do Clube dos 13. A entidade foi implodida pelo ex-presidente Andrés Sanches, justo quando a Globo estava para perder o monopólio do futebol no país. O dirigente são paulino defende a tese que os grandes clubes precisam mudar a divisão de cotas, muito favorável ao Corinthians e Flamengo. Há dirigentes que o apoiam, mas sem coragem ainda de tornar público esse pensamento.

Na verdade, depois do fracasso do Brasil na Copa do Mundo, há uma crise em relação ao futebol. Os patrocinadores estão virando as costas ao esporte. Não é por acaso que Palmeiras, Santos e São Paulo não têm patrocínio master. Andrés Sanchez ficou dois anos oferecendo o Itaquerão para empresas comprarem o naming rights. Não conseguiu. O Botafogo deve três meses de salários e cinco de direito de imagem. O Vasco está na Série B. A situação está ficando muito complicada.

Robinho é um fio de esperança no aumento da audiência. A emissora desprezou a reestreia de Kaká pelo São Paulo. Não quis fazer o mesmo com o jogador do Santos porque o adversário será o Corinthians. O clássico foi foi divulgado a semana inteira na emissora. Desde sexta, com o foco era Robinho. E o BID da CBF confirmou a inscrição recorde do atacante.

2divulgacao CBF apressa a liberação de Robinho para agradar a Globo. A emissora está inconformada com a baixa audiência do futebol. Nem os privilegiados Corinthians e Flamengo dão mais resultado. O momento é de pura tensão...

A audiência do futebol transmitido pela Globo caiu 28% nos últimos dez anos. E não para de cair. Isso está atingindo a programação como um todo. Já foi divulgada a irritação da produção do programa do Faustão. O índice que está recebendo as 18 horas tem sido baixo demais.

Os patrocinadores pagam mais de R$ 1 bilhão pelo futebol na emissora. Querem retorno. Não fuga dos telespectadores. A Globo vai promover reuniões com os clubes e CBF. Exige uma reação a partir do próximo ano. Se ela não vier, há uma enorme possibilidade de mata-mata em 2016. Se mesmo assim, a audiência continuar a fugir, o futebol pode deixar de ser prioridade depois de 40 anos.
3reproducao3 CBF apressa a liberação de Robinho para agradar a Globo. A emissora está inconformada com a baixa audiência do futebol. Nem os privilegiados Corinthians e Flamengo dão mais resultado. O momento é de pura tensão...

A pior cena que nunca imaginei viver. Mais cinco noites em claro, desesperado, na UTI. Graças a um psiquiatra apressado que receitou o antidepressivo Rivotril para a minha mãe de 76 anos. Em gotas…

1reproducao5 A pior cena que nunca imaginei viver. Mais cinco noites em claro, desesperado, na UTI. Graças a um psiquiatra apressado que receitou o antidepressivo Rivotril para a minha mãe de 76 anos. Em gotas...
"Rivotril é um remédio da classe dos benzodiazepínicos, são drogas psicotrópicas, isto é, medicamentos que afetam a mente e o humor. Eles também são popularmente conhecidos como tarjas pretas, tranquilizantes, calmantes, ansiolíticos, medicamentos anti-ansiedade, sedativos, pílulas para dormir e hipnóticos. São prescritos principalmente nos quadros de ansiedade e problemas de sono.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 10% da população já utiliza os benzodiazepínicos. Principalmente contra a ansiedade e a insonia. Os efeitos colaterais que ocorreram com maior freqüência com Rivotril (Clonazepam) são referentes à depressão do Sisteme Nervoso Central.

Outras reações, relacionadas por sistema são: Neurológico: Sonolência, ataxia, movimentos anormais dos olhos, afonia, movimentos coreiformes, coma, diplopia, disartria, disdiadococinesia, aparência de olho-vítreo, enxaqueca, hemiparesia, hipotonia, nistagmo, depressão respiratória, fala mal articulada, tremor, vertigem, perda do equilíbrio, coordenação anormal, sensação de cabeça leve, letargia, parestesia;

Psiquiátrico: Confusão, depressão, amnésia, alucinações, histeria, libido aumentada, insônia, psicose, tentativa de suicídio (os efeitos sobre o comportamento podem ocorrer com maior probabilidade em pacientes com história de distúrbios psiquiátricos), irritabilidade, concentração prejudicada, ansiedade, ataque de ansiedade, despersonalização, disforia, labilidade emocional, distúrbio de memória, libido diminuída, nervosismo, desinibição orgânica, idéias suicidas, lamentações; Respiratório: Congestão pulmonar, rinorréia, respiração ofegante, hipersecreção nas vias respiratórias superiores, infecções das vias aéreas superiores, tosse, bronquite, dispnéia, rinite, congestão nasal, faringite;

Cardiovascular: Palpitações, dor torácica;

Dermatológico: Perda de cabelo, hirsutismo, erupção cutânea, edema facial e do tornozelo;

Gastrintestinal: Anorexia, língua saburrosa, constipação, diarréia, boca seca, encoprese, gastrite, hepatomegalia, apetite aumentado, náusea, gengivas doloridas, desconforto ou dor abdominal, inflamação gastrintestinal, dor de dente.

Genitourinária: Disúria, enurese, noctúria, retenção urinária, cistite, infecção do trato urinário, dismenorréia; Musculoesquelético: Fraqueza muscular, dores, lombalgia, fratura traumática, mialgia, nucalgia, deslocamentos e tensões; Hematopoiético: Anemia, leucopenia, trombocitopenia, eosinofilia;

Hepático: Elevações temporárias das transaminases séricas e da fosfatase alcalina; Distúrbios auditivos e vestibulares: Otite, vertigem; Diversos: Desidratação, deterioração geral, febre, linfadenopatia, ganho ou perda de peso, reação alérgica, fadiga, infecção viral."

Lógico que não sabia nada disso. Nãos sou médico, psiquiatra, psicólogo, químico, enfermeiro. Nunca trabalhei na área médica. E admiro a maioria das pessoas que se dedicam a salvar ou melhorar a vida dos semelhantes. Sou apenas um jornalista esportivo que foi apresentado da pior maneira possível ao famoso Rivotril.

Há até uma página no facebook dedicada ao antidepressivo da moda. Tem quase 65 mil curtidas. E inúmeras declarações de amor ao remédio. Nunca imaginaria o quanto ele é adorado. Tempos modernos...

2reproducao2 A pior cena que nunca imaginei viver. Mais cinco noites em claro, desesperado, na UTI. Graças a um psiquiatra apressado que receitou o antidepressivo Rivotril para a minha mãe de 76 anos. Em gotas...

Tive a sorte de cobrir as últimas seis Copas do Mundo. Porém a última, a do Brasil, foi de longe a mais cansativa. A programação desenvolvida por Parreira e Felipão conseguiu desgastar a maioria dos jornalistas que perseguiu a Seleção. Foram 18 vôos para cobrir dois amistosos, sete partidas do time de Scolari e mais a final entre Alemanha e Argentina.

Fora os deslocamentos do Rio até a montanhosa e gelada Teresópolis, onde fica a Granja Comary, concentração do Brasil. Enquanto a Seleção tinha vôos fretados e batedores policiais, os jornalistas tinham de se encaixar nos vôos regulares das companhias aéreas. Para dar tempo, várias e várias vezes tive de sair quatro horas da manhã de Teresópolis. E pegar a apertada estrada na serra, sempre coberta de névoa, molhada e acossado por caminhões dos dois lados. Era o cenário de um pesadelo.

Amigos do jornal Estado de São Paulo chegaram a alugar um ônibus com motorista só para se pouparem do trajeto. Me convidaram várias vezes, mas os horários de voo nunca coincidiram. Tive eu mesmo de dirigir, deixar o carro alugado no Galeão ou no Santos Dumont. E tomar o avião.

Isso somado à pressão diária da cobertura. A falta de sono e alimentação adequada e em hora decente foram outras duras adversárias. Não, não fui eu a apelar para o Rivotril.

Foram cinquenta e dois dias longe de casa. Sou casado, não tenho filhos. Minha mãe é viúva. Sou o único filho.

Ela tem 76 anos e, de gênio forte, nunca aceitou morar com ninguém. Diaristas para entrar na sua casa eram motivos de longas discussões. Senti, nos últimos tempos, uma dificuldade nela para dormir. Insônia, irritabilidade exagerada. Procurei um psiquiatra dois meses antes da Copa do Mundo.

Ele passou calmantes naturais. Fiquei tranquilo e me foquei no Mundial. Até demais. Ligava para a minha esposa e para minha mãe todos os dias. Não notei nada de diferente na voz das duas. Principalmente da minha mãe.

Ela cansou de repetir que tudo estava ótimo. Não tinha aprendido que todas as mães são iguais. Querem sempre poupar os filhos. Os remédios naturais não haviam feito efeito algum. Ela voltou ao psiquiatra. E insistiu que precisava de algo mais forte. Ninguém ganha uma discussão da minha mãe. Foi aí que chegou o Rivotril. Em gotas.

3reproducao2 A pior cena que nunca imaginei viver. Mais cinco noites em claro, desesperado, na UTI. Graças a um psiquiatra apressado que receitou o antidepressivo Rivotril para a minha mãe de 76 anos. Em gotas...

Minha mãe não tem paciência para contar quantas gotas de adoçante coloca no café. Ela espreme o frasco de estévia sem pensar. É a introdução de várias discussões. Como a de não usar óculos para tarefas caseiras. Como preparar uma refeição. "Sou assim e pronto." Invariavelmente ela termina a conversa com a convicção de um diplomata do Irã.

Soube do Rivotril na casa da minha mãe da pior maneira possível. Moro exatos 19 quilômetros da minha mãe. Ela vive na Água Branca, perto do estádio do Palmeiras. Eu, em Moema. Entre nós a 23 de maio, que já era caótica. Mas que o prefeito Haddad com sua faixa de ônibus transformou em uma tortura. Levava, em média, 45 minutos para chegar à casa dela em horário de pico. Já tive o desprazer de, recentemente, ficar uma hora e vinte minutos dentro carro. Tempo suficiente para ir e voltar de avião para o Rio e ainda tomar um café, resmungava sozinho.

Cansei de implorar, chantagear, ameaçar de despejo. Mas ela sempre se negou a trocar de bairro. Outra briga inglória. Assim como a com os celulares. Comprei cinco que foram abandonados. "Não me adapto. Vivi minha vida toda sem. Não quero." E ela foi abandonando os aparelhos. Um após o outro.

Na sexta-feira passada, dia primeiro de agosto, fui à Fenac. Acompanhei o lançamento da biografia de Ronnie Von. O livro foi muito bem escrito por Antônio Guerreiro e Luiz Pimentel. Era disputado a tapas na Fnac. Principalmente por contemporâneas de minha mãe. Comprei dois exemplares. Um para mim e minha mulher e outro para minha mãe. Ambos com dedicatórias carinhosas dos autores e do próprio Ronnie Von. Minha mãe iria adorar, pensei.

Ansioso, resolvi fazer uma surpresa. Liguei ela não atendeu. Pensei que poderia estar na casa do irmão, em Susano. Deixaria o livro autografado como presente, quando voltasse. Foi aí que vi a pior cena da minha vida.

Abri a porta, vi as luzes acesas. Entrei na cozinha e a encontrei caída. Ao lado dela, o tampo da mesa de vidro no chão. Milagrosamente, ele não havia quebrado. O café esparramado pelo piso me pareceu à primeira vista sangue. O desespero foi total. Corri até ela. Senti que respirava. Não tinha forças para falar. Só abria e fechava os olhos. Insisti para saber o que havia acontecido, ele balbuciava frases desconexas e pedia para dormir. A sua mão direita tremia como nunca. Não tinha força alguma nas pernas.

A noite de sexta passada foi uma das mais frias do ano. Ela estava com o cabelo molhado de quem havia acabado de sair do banho. Ela sempre se banha por volta das 18 horas. Eu cheguei perto das 23 horas. Ela deve ter ficado mais de quatro horas caída no chão frio. Estava envolta por uma toalha molhada. A cobri com as cobertas que vi pela frente. A vesti com a primeira roupa que encontrei. Lembrei que o normal seria eu ir até o apartamento dela só no domingo, dois dias depois. Ficaria caída, sem forças, até lá. Dificilmente sobreviveria.

Liguei para o 192, pedi uma ambulância. Chamei o zelador do prédio. Perguntei se havia algum médico no prédio. Ele me disse que uma enfermeira estava tratando de uma idosa que havia quebrado o fêmur. Voei para lá. Toquei a campainha. Esmurrei, chutei a porta. Mas ela não quis olhar minha mãe. Dizia que não podia largar a idosa que dormia. Estava a ponto de arrombar a porta, desesperado e revoltado, quando chegou a ambulância.

Uma enfermeira e um enfermeiro muito eficientes. Mas que precisaram da minha ajuda e a do zelador Sid para colocá-la na maca. Minha mãe estava com o corpo solto, pesado demais. Queriam levá-la, como é de praxe, para a Santa Casa. Aleguei que ela tinha convênio médico, insisti e fomos para um hospital particular na Pompéia. Antes de irmos, corri para a gaveta de remédios. E encontrei o vidrinho com a tarja preta. Dentro havia um pouco mais da metade. Os dois enfermeiros balançaram a cabeça. Estranhei o olhar de reprovação.

Minha mãe chegou ao hospital perto da meia-noite. Desacordada. Só depois de chacoalhada, abria os olhos. A voz pastosa. Fez exames gerais. Clinicamente não havia nada. Neurologicamente era o problema. Havia a suspeita de AVC, o famoso derrame. Foi quando insisti com o médico. Falei do Rivotril.

Ele se assustou ao ver o remédio. Perguntou quando foi comprado. Chegou à conclusão que nunca usando a dose indicada, o medicamento poderia estar pela metade. Evidentemente, minha mãe tomou muito a mais. Mudou a sua conduta.

Minha mãe ficou na triagem por quase três horas. Só foi internada na UTI às três da manhã. Depois de eu ter de ligar para o caríssimo plano médico que pago há mais de dez anos. Só quando cobrei de uma maneira firme a burocrata que insistia em perder tempo, a internação foi liberada.

Minha mãe foi submetida a inúmeros exames. Até um fora do protocolo. O de toxicológico de urina. Os médicos me perguntaram se eu permitiria. Lógico que sim. E o antidoping da minha mãe mostrou o excesso de benzodiazepínicos no seu organismo.

Tive de explicar várias vezes que ela não é uma suicida em potencial. Apenas uma idosa agitada, sem paciência para contar gotas que estejam em um pequeno frasco. Além de não usar óculos em casa. O desastre em potencial. Um psiquiatra deveria saber. Tanto que a dose que ela tomou foi cavalar. Não quis saber das duas gotas.

Eu e minha família passamos essa semana no hospital. Minha mãe ficou na UTI por cinco dias. Me informei e ela poderia ter vários efeitos colaterais. Danos permanentes cerebrais. Parada respiratória. E até morte.

Rivotril foi o sétimo remédio mais vendido no Brasil em 2013. Ficou na frente do analgésico Dorflex, do antidiabético Glifage e da pomada Hipoglós entre os dez mais consumidos no país. Vende como água.

Os benzodiazepínicos ajudam milhões de pessoas não só no Brasil como no mundo. Soube que vários amigos devem ao medicamento o equilíbrio psicológico. Não sou ignorante de culpar o medicamento. Mas até a água cristalina em excesso pode matar. O que aconteceu foi um alerta. Minha mãe não mais ficará sozinha. Se deu por vencida ao recuperar a consciência no hospital. Mais ainda por psicólogos e psiquiatras perguntarem várias vezes sobre suicídio.

Estava indeciso se escreveria ou não este post. Se revelaria esse drama familiar. Mas o que ouvi dos enfermeiros do SAMU e de atendentes do hospital ficou me perseguindo. Nas madrugadas passadas ao lado da minha mãe no hospital.

Cada vez mais idosos são internados pelo abuso de benzodiazepínicos. Não são todos que têm a mesma sorte e o atendimento eficiente de uma UTI moderna. De um hospital com todos os recursos proporcionados à um caríssimo plano de saúde.

Fica o alerta para psiquiatras apressados. Os que não têm o menor cuidado em saber como é a vida de quem está atendendo. Se quiser prescrever o antidepressivo da moda, o faça em pílulas. Rivotril em gotas, para idosos que moram sozinhos, é brincar com a vida alheia...
5reproducao1 A pior cena que nunca imaginei viver. Mais cinco noites em claro, desesperado, na UTI. Graças a um psiquiatra apressado que receitou o antidepressivo Rivotril para a minha mãe de 76 anos. Em gotas...

Porque Leonardo é completamente incompatível com a CBF de Marin e Marco Polo. Ele representa a modernidade diante do vergonhoso atraso do futebol brasileiro…

1efe1 Porque Leonardo é completamente incompatível com a CBF de Marin e Marco Polo. Ele representa a modernidade diante do vergonhoso atraso do futebol brasileiro...
"Os clubes têm que tomar a iniciativa! Porque sem eles não tem campeonato, não tem seleção, não tem nada. Campeonato sem CBF tem, sem Federação tem, sem clube, não. Os grandes atores são os clubes. E eles não podem estar tão enfraquecidos.

"E não adianta só sanear a dívida. Senão mudar o sistema e gerar riqueza, não resolve. Vai dever de novo. Para o campeonato ser forte, os clubes têm que ser fortes. Sem isso, é impossível. Precisamos abrir as portas dos clubes para as riquezas existentes no Brasil ou mesmo para as estrangeiras: o Chelsea é de um russo, o Paris Saint Germain, do Qatar, o (Manchester) United, dos americanos, a Roma também.

"As riquezas italianas estão no Milan, na Inter, Juventus a Fiat. O Bayern tem por trás a Mercedes. E nós estamos fora do mercado! Tem que profissionalizar a visão! Se um louco milionário resolve botar toda a riqueza dele no Flamengo, não pode. E o futebol está nas mãos dos empresários... Ora, já estamos penhorados."

Um homem que pensa assim não pode ser o coordenador geral das seleções. Por isso, Leonardo foi deixado para lá. E o cargo está nas mãos do empresário Gilmar Rinaldi. Aliás, ex-empresário. Ele largou o cargo na noite em que foi convidado. Todos os seus jogadores ficaram com seu sócio.

Mas era uma questão de visão que o seu companheiro da Copa de 1994 assumisse. Tem uma visão muito maior do que acontece no mundo moderno do futebol. Ao contrário de Gilmar, terceiro goleiro na Alemanha, Leonardo foi um jogador da elite do esporte mundial. Atuou no Valencia, Paris Saint-Germain, Milan. Além do Flamengo e São Paulo.

Foi técnico do Milan e da Inter. Peça principal na revolução que o PSG viveu com a chegada do dinheiro do Catar.

O conhecimento que acumulou seria precioso para uma retomada. Só que suas palavras soariam como uma declaração de guerra para Marin e Marco Polo del Nero.

"A CBF (antes, CBD) tem 100 anos. Como pode ser atual, se funciona da mesma maneira há um século? O que falta nessa engrenagem? Um grupo de executivos que conheça gerenciamento e futebol, e acorde e vá dormir pensando no desenvolvimento dele. A CBF é muito mais organizadora e controladora do que promotora do campeonato.

"A Premier League é o maior exemplo de sucesso profissional. Claro que, pelas nossas particularidades, não dá para pura e simplesmente implanta-la aqui. Mas muita coisa pode servir de exemplo. Temos que gerar ideias e riquezas. Nossa estrutura é muito engessada. A hora de mudar é essa."

1ap Porque Leonardo é completamente incompatível com a CBF de Marin e Marco Polo. Ele representa a modernidade diante do vergonhoso atraso do futebol brasileiro...

A entrevista que deu ao jornal O Globo toca em vários pontos delicadíssimos. E mostra o principal. O que não serve para Marin e Marco Polo: a inutilidade da CBF. Os clubes poderiam administrar tranquilamente seus torneios. Fazer seus regulamentos. Formar uma liga para negociar diretamente com as televisões. E deixar apenas as seleções para a CBF.

Mas Marin e Marco Polo não querem abrir mão de tantos poderes. Uma mudança na estrutura atrasada do futebol brasileiro. Amarrado em federações ultrapassadas que servem de pilares para a CBF. Se aqui no país, o Campeonato Nacional já é desinteressante, Leonardo escancara a realidade no Exterior, com os times fracos que somos obrigados a engolir a cada desinteressante rodada. Ele sabe que só atuam por aqui jogadores sem condições de

"O Campeonato Brasileiro não passa em lugar nenhum do mundo. Não dá pra ver nem pela internet. Porque é um produto que não é reconhecido no mercado. Os jogos são desinteressantes, jogam em 70 metros, a TV não consegue nem enquadrar. Parece que há um desânimo, um conformismo. É assim mesmo, é assim que eu vou fazer e viver! E ainda se chama Brasileirão. Esse nome não pode ser internacional, nenhum estrangeiro entende, nem consegue pronunciar direito. Não vende lá fora..."

Como com essa visão, Leonardo trabalharia com Marin e Marco Polo? De jeito algum. Ele tirar toda a organização do principal torneio do país da CBF. Passar para uma liga como acontece nos centros mais desenvolvidos.

Mas ainda havia outras lições que são como cruzados no queixo do nosso atraso.

"Se a gente não tem uma base boa, ferrou. É como uma equação, erra a primeira soma, errou tudo. Isso acaba influenciando em todo o processo de formação. O menino que entra no Flamengo (e na maioria dos outros clubes), hoje, logo está dizendo ‘me tira daqui’. Ele quer é jogar na Europa. Eu, no meu tempo, quando entrava na Gávea, me benzia. Aquilo pra mim era um templo.

"A base hoje em dia tenta revelar jogadores pra vender. Quais são as receitas de um clube de futebol? TV, marketing, estádio e jogador . Na Europa, venda de jogador só contribui com 10% da receita. Aqui é muito mais. E a preocupação passa a ser vender logo a garotada. E se você negocia o jogador muito cedo, ele ainda nem está de fato formado. E muito talento se perde nisso."

2afp Porque Leonardo é completamente incompatível com a CBF de Marin e Marco Polo. Ele representa a modernidade diante do vergonhoso atraso do futebol brasileiro...

A cabeça privilegiada de Leonardo mira na falta de interesse do atleta brasileiro em entender o básico. Saber de tática, de treinamento. Deixar o selfie de lado e mergulhar na sua profissão.

"Neymar falou que no Brasil se treina pouco. E ele só descobriu isso aos 22 anos! Será que ele não poderia ser melhor se tivesse descoberto isso aos 18? Se tivesse tido outras opiniões táticas, poderia ser um autêntico 10. Hoje ele é muito mais hábil, jogando com uma linha atrás. Ele tem tempo, ainda pode vir a se tornar um craque completo. Mas poderia já ser.

"Taticamente estamos muito atrasados. Thiago Silva aprendeu a ser zagueiro na Europa. Antes era um monstro só no físico. Virou o melhor do mundo lá fora. No Brasil a gente aprende a jogar bola, não a jogar o jogo."

"Aquele negócio de ‘vamos lá, vamos lá’, não funciona com o europeu. Isso ele rebate na hora: ‘motivação, não me pede, não, que eu já tenho’! Ele quer conteúdo. Quer saber a função e o que fazer, como se comportar, dentro de campo. Na verdade, os europeus veem o Brasil como o país que resolve no talento. Nunca uma conquista nossa foi atribuída, lá fora, ao treinador."

3afp Porque Leonardo é completamente incompatível com a CBF de Marin e Marco Polo. Ele representa a modernidade diante do vergonhoso atraso do futebol brasileiro...

"O jogador brasileiro não gosta de discutir tática. É até cultural. A velha história do ‘dá aqui que eu resolvo’. Se não for um gênio, como Pelé, Maradona, Zico, Romário, não resolve mais, não. Da minha época, o técnico que mais claro mostrava o que queria era o Telê. Ele não era tático. Mas aperfeiçoava a técnica ao máximo! E com a qualidade técnica conseguia superar até a tática. Era um perfeccionista. Naquela época, a técnica fazia a diferença. Mas hoje, com a escola europeia jogando o que está jogando, um time só técnico está morto."

Impossível Leonardo não se referir aos 7 a 1 que o Brasil sofreu da Alemanha. Para traçar um paralelo entre o nosso atraso. Ele teve a coragem de não se esconder atrás de um 'apagão'. A situação é muito mais profunda.

"Não quero criticar apenas um jogo. Mas todo mundo sabia que a Alemanha ia pressionar a nossa saída de bola desde o início. Estava escrito. Se fosse um treinador italiano, ia dizer pro David Luiz mandar a bola lá pra frente e todo mundo sair. Os caras são melhores que a gente. Não dava pra jogar normalmente. Não sou contra um técnico estrangeiro, mas não acho imprescindível. Mourinho e Guardiola, sim. Não porque são estrangeiros. Mas porque são os melhores."

Por tudo o que disse. E muito mais do que viveu e pelo que pensa, Leonardo não poderia ser o coordenador da Seleção Brasileira. Não com Marin, com Marco Polo. Com a CBF.

Sem poder, Leonardo cumpre sua missão, muito importante. Semeia as ideias. Abre os olhos para a necessidade de uma reformulação profunda. Dá um tapa na cara da covardia dos dirigentes, que ficam implorando migalhas para uma entidade cada vez mais rica. Viciada em federações mais atrasadas ainda.

A estrutura podre virou convite para eterno bacanal de empresários. Principalmente nas categorias de base de todos os clubes.

Temos muito o que aprender. Há quem possa ensinar. O problema é deixar pessoas com a vivência de Leonardo ter acesso ao poder de reformular. Aos 44 anos, poderia ser filho ou até neto de Marin ou Marco Polo. Lógico que a visão que os três têm do mundo, do futebol é muito diferente. E incompatível.

A Copa do Mundo de 2014 foi no Brasil. E serviu como espelho. Mostrou que, ao contrário do que esperávamos, a imagem que vimos está longe de ser linda, moderna, bem resolvida. A Alemanha, a Holanda e o Chile nos colocou no nosso lugar.

O país do futebol é a terra do atraso. O pior é saber disso. E não querer mudar...
1cbf Porque Leonardo é completamente incompatível com a CBF de Marin e Marco Polo. Ele representa a modernidade diante do vergonhoso atraso do futebol brasileiro...

Andrés Sanchez preferiu se afastar do Itaquerão. Perdia popularidade. Motivos: preços altos dos ingressos e dois anos sem conseguir vender o nome do estádio. Ficou com medo de não conseguir seu grande sonho: destronar Tiririca…

1reproducao4 Andrés Sanchez preferiu se afastar do Itaquerão. Perdia popularidade. Motivos: preços altos dos ingressos e dois anos sem conseguir vender o nome do estádio. Ficou com medo de não conseguir seu grande sonho: destronar Tiririca...
O Itaquerão estava no caminho de impedir o sonho de Andrés Sanchez: destronar Tiririca. O ex-presidente tinha uma certeza. O estádio que deu para seu clube o transformaria no deputado federal mais votado do Brasil. De todos os tempos. Ele deseja do fundo de sua alma ouvir do seu grande amigo Lula a seguinte frase em outubro: "Espanhol, nunca na história desse país um deputado federal teve tantos votos."

Só que, de repente, o Itaquerão se transformou em um entrave. Acabara o brilho de conseguir levantar para o Corinthians o seu primeiro estádio digno em mais de cem anos de existência. Como Maquiavel renascido na Vila Matilde, Andrés conseguiu amarrar um acordo entre Ricardo Teixeira, Kassab, Lula e Blatter. Com a conivência da Globo, o corintiano tirou o Morumbi da Copa. E fez com que o Itaquerão fosse criado. Golpe genial.

A torcida já o adorava. Empurrou para fora do Parque São Jorge o presidente que lhe deu o futebol na época da MSI, Alberto Dualib. Conseguiu modernizar o clube. Deu condições para que a equipe conseguisse vencer a Libertadores e o Mundial. Obteve o melhor contrato de transmissão ao lado do Flamengo. Tem uma receita maior graças aos patrocinadores. Mas o estádio que deveria ser seu maior trunfo se virou contra ele.

A começar pelo preço dos ingressos. O clube tem 12 anos para pagar os cerca R$ 400 milhões que deve para a Caixa Econômica Federal pelo estádio. O dinheiro foi emprestado pelo BNDES. A Caixa teve de ser a fiadora, já que pelo acordo da Copa, o BNDES não emprestaria diretamente a clube algum. Além disso há a quantia devida à Odebrecht. Os valores poderiam chegar até R$ 300 milhões.

A saída para o pagamento estaria na bilheteria do estádio. Andrés estava otimista. Acreditava que o clube chegaria a R$ 290 milhões por ano. Mas muitas pessoas na diretoria aposta que não chegará nem a R$ 100 milhões. Tudo começou a azedar.

O preço dos ingressos na arena é alto. Mantido por ordem de Sanchez. Só que ele não esperava a revolta das torcidas organizadas corintianas. Reclamando dos preços entre R$ 50,00 até R$ 400,00. Fundador da Pavilhão Nove, Andrés não se conformou em ser xingado e cobrado pelos torcedores. Não poderia ficar contra sua previsível principal fonte de votos para deputado federal.

1ae3 Andrés Sanchez preferiu se afastar do Itaquerão. Perdia popularidade. Motivos: preços altos dos ingressos e dois anos sem conseguir vender o nome do estádio. Ficou com medo de não conseguir seu grande sonho: destronar Tiririca...
O Itaquerão ficou ainda mais perigoso em relação aos naming rights. Andrés marcou sua despedida do controle do estádio daqui 12 dias. Seu desejo é convencer empresários árabes para que comprem por R$ 400 milhões o nome da arena por dez anos. Vai tentar fazer o impossível para fechar esse negócio neste curto prazo que resta.

Há dois anos ele vem prometendo fechar a transação. Já cruzou o mundo atrás do dinheiro e voltou com as mãos abanando. Foi até a China, os Emirados Árabes. Seus assessores ligavam para as redações de jornais. A senha: "agora vai". Vários veículos respeitados caíram no 'agora vai".

Lógico que não na sua frente, mas vários conselheiros corintianos costumam brincar. Ironizar as promessas de Andrés em relação ao naming rights. Já percebeu seu enorme desgaste nas mais altas esferas do clube. Assim como o desgosto dos corintianos mais simples. Se arrependeu de ter criado a expectativa.

O mercado está retraído. Das 12 arenas da Copa só a Pernambuco e a de Salvador conseguiram vender para a Itaipava. As outras empresas perceberam que de nada adiantou a indústria de cerveja pagar. Os veículos de comunicação e os torcedores desprezam o nome da cervejaria. Até mesmo o estádio do Palmeiras, vendido a Allianz, tem sido um fracasso. Todos só tratam a arena de Palestra Itália. Ou arena Palmeiras. É como se não existisse patrocinador.

O nome Itaquerão já ficou tão forte quanto Morumbi, Maracanã, Pacaembu. André reconhece que perdeu tempo demais. Sonhou alto e não poderia oferecer muito menos. Como o Palmeiras que aceitou apenas R$ 15 milhões anuais. O ex-presidente corintiano garantiu R$ 40 mil a cada doze meses.

As mortes de operários na construção do estádio e a vexatória campanha da Seleção Brasileira na Copa se tornaram inimigos enormes. Mais a crise mundial. Amigos íntimos de Andrés garantem que ele está lutando 24 horas por dia atrás de uma empresa que batize o Itaquerão. Mas está a ponto de desistir.

E instintivamente inteligente, percebe. Seu apoio maciço está se esvaindo. Deixou de ser tratado como a reencarnação de Tutankamon no Parque São Jorge. Pelo contrário até.

Seus cabos eleitorais haviam garantido que conseguiria um milhão de votos para o Partido dos Trabalhadores como deputado federal. Mas a ganância logo surgiu. Assim como a lógica rasteira. Quem consegue um milhão, obtém um milhão e quatrocentos mil. Passa Tiririca, o mais deputado mais votado da história, com um milhão e trezentos mil votos. E entra para a história. Podendo sonhar em ser prefeito de São Paulo, um dia.

Dos ambiciosos planos de Andrés, seus dois próximos passos seriam os seguintes. Ser o deputado federal mais votado da história. E depois, voltar à presidência do Corinthians em 2018. A prefeitura de São Paulo o atiça.

Mas o Itaquerão começava a ser um entrave nos seus devaneios. Resolveu sair e centralizar toda sua atenção na campanha política. Tentará pelos últimos 12 dias a reviravolta. Trazer, por exemplo, a Emirates para batizar o Itaquerão. Trabalha 24 horas, obsessivo. Se não conseguir, vai pensar apenas na eleição. E, principalmente, na estratégia para destronar Tiririca. Talvez usando um novo slogan: "pior do que está, sempre fica..."
(Tanto fica que o Ministério Público Federal está acusando Andrés de crimes fiscais quando presidiu o Corinthians. A dívida cobrada chega a R$ 94,1 milhões. O problema teria acontecido entre 2007 e 2010...)
2ae Andrés Sanchez preferiu se afastar do Itaquerão. Perdia popularidade. Motivos: preços altos dos ingressos e dois anos sem conseguir vender o nome do estádio. Ficou com medo de não conseguir seu grande sonho: destronar Tiririca...

Ele foi para a Europa para ser o melhor do mundo. Conseguiu o título do brasileiro mais decepcionante da história. De volta ao Santos, seu refúgio: Robinho…

1reproducao3 Ele foi para a Europa para ser o melhor do mundo. Conseguiu o título do brasileiro mais decepcionante da história. De volta ao Santos, seu refúgio: Robinho...
Leandro Damião ganha R$ 450 mil mensais. Mais singelos R$ 50 mil de 'auxílio moradia'. Robinho já deixou tudo apalavrado. Por uma questão de 'carinho', ele aceitará ganhar apenas R$ 600 mil fixos a cada 30 dias. Serão R$ 1,1 milhão por apenas dois jogadores.

No último balanço, no final de 2013, o clube presidido por Odílio Rodrigues devia R$ 296 milhões. A oposição garante que as dívidas já passaram dos R$ 400 milhões.

Mesmo assim Odílio oferece a Robinho mais do que o Cruzeiro e o Flamengo estavam dispostos a pagar. Com bônus, seu salário poderá atingir mais de R$ 900 mil. Será a terceira vez que o jogador retorna à Vila Belmiro.

Robinho é visto como um trunfo eleitoral da situação. A diretoria de Odílio Rodrigues passou por um vexame bizarro. A oposição conseguiu barrar os votos pela Internet. Será obrigatória a presença dos eleitores no dia 6 de dezembro. O que é um alento. Opositores ridicularizaram a inscrição de sócios. Divulgaram carteiras verdadeiras de inscrição no Santos do gângster Al Capone, Don Corleone, personagem do filme Poderoso Chefão, o ditador chileno Augusto Pinochet, o presidiário Alexandre Nardoni, acusado de matar o próprio filho. O caso foi registrado na Polícia Civil.

O clima está pesado para a situação. A mal explicada venda de Neymar para o Barcelona é um fardo para Odílio Rodrigues. A aproximação com Renato Duprat e sua Doyen Sports se tornou outro ponto fraco. A perda do Paulista para o Ituano e a decepcionante campanha no Brasileiro se juntam. Odílio precisava de um elemento novo. Por isso Robinho.

2reproducao11 Ele foi para a Europa para ser o melhor do mundo. Conseguiu o título do brasileiro mais decepcionante da história. De volta ao Santos, seu refúgio: Robinho...

O jogador atuará pela terceira vez no Santos. Da primeira vez saiu brigado. Bateu no peito avisando que iria para o Real Madrid virar o melhor do mundo. A declaração de 2002 conseguiu irritar o elenco do clube espanhol. Robinho fez de tudo, mas foi rejeitado. Seu pecado: pensar primeiro nele e só depois nos seus companheiros.

O trauma nunca foi superado. Robinho perdeu a velocidade, a agilidade em Madrid. O motivo: se submeteu à tratamentos de fortalecimento que desenvolveram seus músculos mas atrofiaram sua habilidade.

Ele virou uma mera promessa que ficou muito, mas muito longe do que se esperava. Nem mesmo seus familiares o elegeriam como melhor do mundo nos últimos 12 anos. Pelo contrário. Sua decadência foi impressionante. Se a Fifa criasse o troféu de atleta mais decepcionante, colecionaria alguns troféus.

Dirigentes de Real Madrid, Manchester City e Milan votariam em peso no brasileiro. Fizeram muito carnaval por nada. Houve muita alegria nestas equipes em relação a Robinho. Quando o contrataram e, muito mais, quando o negociaram.

3reproducao1 Ele foi para a Europa para ser o melhor do mundo. Conseguiu o título do brasileiro mais decepcionante da história. De volta ao Santos, seu refúgio: Robinho...

O Santos sempre surgiu como uma espécie de abrigo. E que sempre deu guarida nas horas difíceis. Em janeiro de 2010, a Copa da África estava escapando. Reserva dos reservas no Manchester City. Chegou e teve a sorte de atuar ao lado dos jovens Neymar e Paulo Henrique Ganso. Na época, eles os trataram como ídolo. Dentro e fora do campo. Esqueceu um pouco a frustração, sua constante companheira na Europa.

Mas teve de voltar depois do fracasso do time de Dunga. E sem o menor clima em Manchester foi despachado para o Milan. Nunca foi titular absoluto, grande destaque do time de Berlusconi. Muito pelo contrário. Sua inconstância valeram críticas constantes dos jornalistas italianos. Nem a camisa 7 conseguiu. Era de Alexandre Pato.

A cada abertura de janela era um dos atletas que mais o Milan tentou negociar. O clube havia pago R$ 40 milhões por ele, menos da metade dos R$ 96 milhões que o Manchester City pagaram ao Real Madrid. Quando falou que partia para o Velho Continente para ser o melhor do mundo rendeu R$ 60 milhões ao Santos. A sua desvalorização é impressionante.

1efe Ele foi para a Europa para ser o melhor do mundo. Conseguiu o título do brasileiro mais decepcionante da história. De volta ao Santos, seu refúgio: Robinho...

Seu contrato com o Milan vai até 2016. Mas os italianos se cansaram de vez dele. E resolveram vendê-lo. Kaká tentou ajudar e convencer a direção do Orlando City a contratá-lo para atuar ao seu lado. Mas não houve interesse. Os norte-americanos são muito ligados às estatísticas no esporte. Nas últimas partidas de Robinho pelo Milan ele marcou apenas 17 vezes. Pouco demais para um atacante que pedia mais de R$ 1 milhão para jogar por lá.

Robinho foi deixado de lado da pré-temporada do Milan nos Estados Unidos. Ficou na Itália exatamente para ser vendido. Só que pesou muito contra o atacante o fato de ter sido esquecido por Luiz Felipe Scolari e não disputado a Copa do Mundo no Brasil. O fato, acrescido de sua idade , em janeiro completará 31 anos, foi fatal.

Tudo ficou muito mais fácil para o Santos. Conselheiros garantem que ele terá privilégios extras, além do salário. Camarote, camisas, bolas, ingressos, pequenos agrados. Para que se sinta em casa. Desfrute o empréstimo.

O Santos terá seu filho pródigo por pelo menos até janeiro de 2015. Na nova abertura da janela, o Milan tentará novamente vender o jogador. A direção italiana espera que ele aproveite o baixo nível do futebol brasileiro para marcar muitos gols, fazer grandes jogadas. E aí repassá-lo para mercados da periferia do esporte como Estados Unidos, Oriente Médio, China. Se não conseguir, Robinho ficará na Vila Belmiro até julho de 2015. Ou para sempre.

Triste fim para aquele que deveria ter sido o melhor jogador do mundo. E acabou como o mais decepcionante dos que deixaram o Brasil. E só faz a festa no poluído litoral paulista...
1reuters Ele foi para a Europa para ser o melhor do mundo. Conseguiu o título do brasileiro mais decepcionante da história. De volta ao Santos, seu refúgio: Robinho...

Duas notícias importantes do Corinthians. A primeira: a vitória dos vândalos. Não haverá mais cadeiras no setor dos visitantes no Itaquerão. Só cimento frio. E o clube fechou a contratação de Oscar Romero. Chegará em janeiro. Atuará emprestado ao próprio Cerro Porteño até lá…

Uma boa notícia para os corintianos. E uma vergonhosa para o futebol brasileiro, para a decência. Constrangedora aos que acreditam em civilidade.

Primeiro, a constatação que o Brasil não é a Suíça. E que não há como manter padrão Fifa. Não no Itaquerão. O responsável pelo estádio, Andrés Sanchez, resolveu. Os vândalos venceram. Não há como manter cadeiras no setor dos adversários.

Para os selvagens, os duros e frios degraus de cimento. Foram vários fatores que levaram a diretoria corintiana tomar essa providência. As 258 cadeiras quebradas de propósito pela Mancha Verde. Os R$ 45 mil reais que o Palmeiras arcará. Houve também desgaste de o Corinthians ser citado no STJD por ser proprietário do estádio.

Havia a certeza que seria uma triste rotina. Nos clássicos contra São Paulo e Santos, no Itaquerão, a mesma violência. Ou mesmo diante de adversários com torcidas maiores. Como Flamengo, Atlético Mineiro, Bahia. O festival de vandalismo não teriam fim. A decisão está tomada. Lá já não havia espelhos e televisões para evitar depredações.

O setor reservado aos corintianos atrás do gol também perderão as cadeiras. O motivo não é vandalismo. É a mania de querer assistir aos jogos em cima das frágeis cadeiras. Em todas as partidas várias delas têm aparecido quebradas. Por pura falta de cuidado. Lá também deverão bastar os degraus de cimento. O preço será o mesmo: R$ 50,00!

Acabou a história de Padrão Fifa, que Andrés Sanchez tanto detestava. A própria PM disse que não era possível conter os vândalos. Não poderia mandar um destacamento tão grande capaz de vigiar cada um dos torcedores visitantes e sua respectiva cadeira. A solução que partiu de Andrés foi abolir de vez a cadeira. Quem não quiser sentar no chão frio poderá optar por assistir ao jogo em pé.

A notícia interessante é que o Corinthians já contratou Óscar Romero. As negociações foram fechadas nesta segunda-feira. O irmão gêmeo de Angel se apresentará ao clube em janeiro. Até lá atuará emprestado no próprio Cerro Porteño. Ele foi comprado por um grupo de investidores. Entre eles, o empresário Beto Rappa. Foi ele quem havia negociado Angel. A transação será confirmada no decorrer do dia.

Oscar é habilidoso, rápido, vibrante. Canhoto. E com ótima visão de jogo. Tem apenas 22 anos. É uma aposta da diretoria. Ele e seu irmão atuam juntos desde a base. Os dois insistiram demais com os dirigentes para que a negociação se efetuasse.

Com a confirmação da chegada de Óscar, Danilo vive seus últimos momentos de Corinthians. Ele não ficará em 2015, quando completará 36 anos...