Nova arena ressuscitou o Palmeiras. R$ 11,9 milhões em seis jogos no insignificante Paulista. R$ 50 milhões pela camisa. Cem mil sócios-torcedores são só o início. Meta é ficar entre os primeiros do mundo…

2ae5 1024x576 Nova arena ressuscitou o Palmeiras. R$ 11,9 milhões em seis jogos no insignificante Paulista. R$ 50 milhões pela camisa. Cem mil sócios torcedores são só o início. Meta é ficar entre os primeiros do mundo...
1º)Internacional 130.205 sócios-torcedores.

2º)Palmeiras,100.098.

3º)Corinthians, 83.356.

4º)Grêmio, 81.012.

5º) Cruzeiro, 68.932.

6º)Santos, 57.470.

7º)Flamengo, 54.447.

8º)São Paulo, 52.364.

9º)Atlético Mineiro, 40.287.

10º)Bahia, 24.012.

Esses são números desta festiva manhã de terça para o departamento de marketing do Palmeiras. O clube chegou exatamente aos 39 minutos de hoje à marca de cem mil sócios-torcedores. Cem mil pessoas que pagam mensalidade para ajudar a equipe e conseguir vantagens na compra de ingressos. A materialização da fidelidade.

São cerca de R$ 20 milhões anuais nos cofres. Fora os R$ 50 milhões em patrocínio, que tornaram a camisa do clube a mais valiosa da América Latina. Isso em plena crise mundial. São nada menos do que R$ 11,9 milhões em apenas seis jogos do insignificante Campeonato Paulista, na sua nova arena. Com direito a R$ 2,2 milhões na partida de sábado, contra o Bragantino.

Não paga nem mais concentração. O Hotel Holiday Inn no Parque Anhembi troca 15 quartos e refeições por placas de publicidade na CT da Barra Funda.

O clube faz campanha agora para que sócios-torcedores ingressem de verdade no clube. Passem a levar seus familiares. Há a confiança que famílias estejam dispostas a pagar R$ 25 mil. E virem sócias remidas, ou seja, sem necessidade de pagar mensalidade para o resto da vida. Se essa proposta fosse feita há dois anos, seria motivo de piada. Tanto eram a bagunça e a depressão que o clube vivia.

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O Palmeiras vive um momento de euforia administrativa como nunca na sua história. Embora tenha até o apelido de 'campeão do século XX', o clube nunca se preocupou em se modernizar. Formou esquadrões, com craques e muito talento. Duas equipes não ganharam os apelidos de academias por acaso.

Mas o potencial do principal clube da colônia italiana no país nunca foi exercido. Muito pelo contrário. Acabou esquecido. Nem mesmo as dezenas de milhões de dólares que a Parmalat foram capitalizados. Acabaram gastos nas contratações de grandes atletas. A reestruturação sonhada no Centro de Treinamento da Barra Funda, com construção de hotel, piscina, modernas salas de musculação e fisioterapia ficou na promessa.

O novo estádio teve um peso enorme. A arena multiuso foi além de todas as expectativas. O conforto das instalações, a localização, o cuidado com os telões, a alimentação, a organização. Tudo isso conspirou para que os torcedores mudassem sua atitude perante o time. O estádio ficou bom demais para um time medíocre, jogadores sem talento, dignos da Segunda Divisão.

O bilionário Paulo Nobre, que colocou R$ 130 milhões no desacreditado Palmeiras, começou a ver o efeito do estádio. Embora ainda persista a guerra com a WTorre pelas cadeiras, o dirigente não tem do que reclamar. O efeito cascata foi impulsionado pela nova arena. A empatia e o orgulho dos palmeirenses os animaram a colocar a mão no bolso. Começar a gastar com o clube.

A subida no número de sócios torcedores é algo impressionante. O plano Avanti foi lançado em junho de 2012. No mês seguinte, o clube ganhou a Copa do Brasil e o número de interessados disparou. O fenômeno continuou com o rebaixamento da equipe. Uma demonstração de paixão dos torcedores. A situação melhorou com o retorno à Série A. O sofrido ano do centenário não garantiu sequer um título. Foi o imponente estádio que mudou toda a perspectiva.

 Nova arena ressuscitou o Palmeiras. R$ 11,9 milhões em seis jogos no insignificante Paulista. R$ 50 milhões pela camisa. Cem mil sócios torcedores são só o início. Meta é ficar entre os primeiros do mundo...

Os investimentos de Paulo Nobre, seguindo a obsessão de reforços por parte da Alexandre Mattos, transformaram de vez o cenário. Não foram necessários mirabolantes planos de marketing para o enorme crescimento. Bastaram o plano de sócio-torcedor, uma arena de primeiro mundo e agora um time que merece a esperança do torcedor.

O Palmeiras hibernou por décadas. Inclusive nos últimos anos, quando o marketing e o futebol estiveram sob o domínio de José Carlos Brunoro. Nada acontecia. Mesmo com a nova arena.

Desde a saída do ultrapassado executivo, a morosidade foi embora. Tudo acontece muito mais rápido. Sem drama, burocracia. Como a merecida festa de despedida de Alex. A passagem do meia foi marcante pelo Palestra Itália. Tudo foi muito rápido, ágil. Ela acontecerá no dia 28 deste mês, sábado. Sem enrolação, discussões intermináveis com conselheiros. A diretoria descobriu a usar seu poder. E a agradar seu consumidor, o palmeirense.

Depois do show de Paul McCartney, Roberto Carlos fará show em 18 de abril. As negociações com o Rolling Stones seguem e há expectativa de uma ou duas apresentações do grupo no estádio. A Anschutz Entertainment Group é responsável pelos eventos no estádio. E tenta amarrar além de dez shows por ano, quer UFC e NBA na arena.

Como já foi noticiado no blog, o estádio conseguiu desbancar o Morumbi. E sediará, ao lado do Itaquerão, jogos de futebol da Olimpíada de 2016. As partidas não trazem grande lucro, mas reconhecimento, prestígio internacional. Algo impensável no antigo Palestra Itália.

O momento do Palmeiras é auspicioso. E precisa ser bem aproveitado. O clube deve mais de R$ 300 milhões. Ainda tem restrições para conseguir empréstimos em bancos. Suas violentas organizadas ainda atrapalham. Despertam medo em vários investidores. O passado recente do clube ainda está presente, com dois rebaixamentos no período de dez anos. Quase houve um terceiro em 2014.

Mas o novo e moderno estádio foi muito além das expectativas. Foram quatro anos com o clube atuando de forma mambembe, sem casa. E agora quando a reconstrução foi terminada, por apenas R$ 650 milhões e sem envolvimento de dinheiro público, o torcedor deu sua incrível resposta.

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Os planos do departamento de marketing é entrar nos top five do mundo, entre os sócios torcedores. O clube igualou o número de cem mil, que o décimo colocado, o Manchester United tem. A ambição e modernidade chegaram a um lugar onde imperavam o atraso, o conservadorismo.

Belluzzo teve a visão da necessidade de se livrar do velho e ultrapassado Palestra Itália. Assinou um contrato polêmico, que merece vários questionamentos, mas garantiu a nova arena multiuso. Paulo Nobre a herdou no período de finalização. E agora fez sua obrigação. No seu terceiro ano de mandato, finalmente montou um time decente, com jogadores com capacidade para vestir a camisa verde.

Nobre não para de ter demonstrações de retribuição, agradecimento, fervoroso amor dos torcedores ao Palmeiras. "Acordamos e não vamos dormir nunca mais", jurou o presidente a um velho conselheiro no sábado passado.

O próximo plano é classificar o clube para a Libertadores de 2016. Lucrar até não mais poder na nova arena. E juntar mais milhares de sócios torcedores...

Ranking de sócios torcedores no mundo

1º) Benfica, 270 mil

2º) Bayern de Munique, 238 mil

3º) Arsenal, 225 mil

4º) Real Madrid, 206 mil

5º) Barcelona, 154 mil

6º) Internacional, 129 mil

7º) Porto, 125 mil

8º) Borrusia Dortmund, 111 mil

9º) Inter Milão, 105 mil

10º) Manchester United, 100 mil

10º) Palmeiras, 100 mil...
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Golpe no fígado da Globo. A Fox Sports exigiu e transmitirá dois jogos exclusivos do Corinthians na Libertadores. Contra o Danubio e San Lorenzo. A brincadeira acabou!

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A César o que é de César. Os executivos da Globo são espertos demais para terem desprezado a audiência de Corinthians e Danubio do Uruguai, marcado para a próxima terça-feira, dia 17, no Uruguai. E às 19h30. Enfrentando duas novelas e o Jornal Nacional.

O time do Parque São Jorge é o mais popular de São Paulo, o estado que mais interessa financeiramente à emissora e seus patrocinadores. Ambev, Itaú, Johnson&Johnson, Vivo, Volkswagen e Magazine Luiza bancam R$ 1,3 bilhão neste ano de 2015. E quanto mais audiência, melhor, evidente.

O Corinthians tem 12 participações: 1977, 1991, 1996, 1999, 2000, 2003, 2006, 2010, 2011, 2012, 2013 e 2015. São raríssimos os jogos que a Globo não mostrou ao vivo da equipe. Com excelente contato com a Conmebol, a emissora carioca usava a força da CBF para renovar quase que automaticamente os contratos.

Até que a festa terminou em 2011. Quando a poderosa Fox do bilionário Rupert Murdoch resolveu invadir o mercado sul-americano. E, claro, o mais poderoso, o brasileiro. E foi logo comprando com exclusividade os direitos da principal competição, a Libertadores da América. E também da Copa Sul-Americana.

Como nos planos da Fox não incluía tevê aberta, a Globo pôde continuar mostrando suas partidas às quartas-feiras. O SporTV seria prejudicado. Perderia os jogos. Seria um baque enorme. Executivos globais tiveram de ceder. E ofereceram a Copa do Brasil e o Brasileiro para os canais de Murdoch. Tiveram de volta o direito de mostrar a Libertadores e a Sul-Americana.

Tudo estava muito bom. Até que o Corinthians se classificou outra vez para a Libertadores. Desta vez para a competição de 2015. Foi quando os executivos da Fox resolveram se impor. Parar de ceder o crème de la crème ou seja, o melhor que tinha nas mãos. E bancaram uma briga homérica.

Na confecção da tabela da Libertadores, a Fox fez valer seu direito de proprietária da competição. E exigiu não um só jogo do Corinthians com exclusividade. Mas dois! Na fase de classificação, no Grupo da Morte.

Os globais ficaram irritadíssimos. Tentaram de todas as maneiras evitar que isso acontecesse. Mas não houve como. Os direitos são da empresa norte-americana e ponto-final. Tiveram de engolir em seco. Corinthians e Danubio será daqui oito dias no Uruguai, o que já é um golpe poderoso. Só a Fox Sports mostrar essa partida ao vivo. As câmeras da SporTV também ficarão distantes.

Se este jogo já é importantíssimo para a classificação, como classificar Corinthians e San Lorenzo, dia 16 de abril, o penúltimo confronto do Grupo 2 no Itaquerão? A partida pode confirmar a classificação antecipada da equipe de Tite para os mata-matas. Ou os argentinos travarem a caminhada do São Paulo na competição. Encontro fundamental.

E que foi marcado para quinta-feira de propósito. Porque será novamente só da Fox Sports. Dentro da emissora há enorme expectativa de quebra de recorde de audiência.

Na quarta-feira, dia 14 de abril, o Danubio recebe o São Paulo. Este jogo, a Globo mostra. E serve como aperitivo para o do dia seguinte, quinta-feira, 16 de abril. Mas sem exclusividade. A Fox Sports também transmitirá a partida.

 Golpe no fígado da Globo. A Fox Sports exigiu e transmitirá dois jogos exclusivos do Corinthians na Libertadores. Contra o Danubio e San Lorenzo.  A brincadeira acabou!

A situação é absurda. Desde 1977, a emissora carioca estava acostumada a festejar recorde de audiência com o Corinthians. Agora é obrigada a abrir mão do seu melhor produto, depois da Copa do Mundo.

Tudo ainda pode piorar para a dona do monopólio do futebol no Brasil. Nos Estados Unidos, no ano passado, a Fox Sports e a ESPN, concorrentes históricas, resolveram se juntar. E compraram com exclusividade o Campeonato Inglês. Desbancaram a poderosa NBC Sports. Os reflexos dessa aliança podem chegar por aqui, ameaçando Globo e SporTV.

Para por um fim no amadorismo brasileiro nas transmissões, a Turner Broadcasting System, empresa da bilionária Time Warner, se associou ao Esporte Interativo. E já assegurou a Champions League. A partir de 2015 até 2018. Há uma batalha campal para que o EI passe a ser mostrado nas principais operadoras de canal a cabo: a Net e a Sky. Como aconteceu com a Fox Sports, há uma grande resistência silenciosa, que favoreceria a SporTV e a ESPN.

Nesta briga de gigantes, a Turner poderia ameaçar tirar destas operadoras canais importantíssimos como a CNN e o Cartoon Network. Seria uma manobra para que a Sky e a Net coloquem o Esporte Interativo na sua grade para que os brasileiros possam acompanhar a Champions League.

A Globo percebeu. Seu monopólio não atinge mais a América do Sul. Diminuiu. Apenas para o Brasil, com o Brasileiro, Copa do Brasil e os falidos estaduais.

Quem na emissora carioca quiser acompanhar lances de Corinthians e Danubio e Corinthians e San Lorenzo no Itaquerão, pela Libertadores, não terá outra saída. A não ser sintonizar o Fox Sports. Assim como qualquer pessoa que more neste país. Acabou a brincadeira. A emissora de Rupert Murdoch decidiu fazer valer seus direitos. Usar de verdade o que comprou...
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Tite ganha a batalha psicológica de Muricy. O Corinthians vence o São Paulo outra vez. Com Rogério Ceni perdendo pênalti. Mantido tabu. Confirmada a freguesia. Reflexo na Libertadores…

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O São Paulo teve posse de bola do Barcelona dos tempos de Guardiola. 64%. Chutou 11 vezes a gol contra cinco do adversário. Jogou boa parte com um jogador a mais. Mas não houve jeito. Outra vez foi derrotado pelo Corinthians. 1 a 0, no Morumbi, gol de Danilo.

O jogo pela fase de classificação do Paulista não importa. Mas sim os seus reflexos para a Libertadores da América. Pesam 13 jogos de invencibilidade corintiana em território são paulino.

"A responsabilidade da derrota é minha. Foi incapacidade minha. Eu perdi o pênalti. Se tivesse convertido o pênalti, o time ganharia mais tranquilidade e poderia vencer o jogo. A culpa é minha", resumia Rogério Ceni. "Se o pênalti entrasse, o jogo seria outro. É ruim perder o clássico de novo. Ainda mais em casa. Não adianta o torcedor pedir raça. Não faltou raça. Não adianta nos criticar. Cobra, cobra, cobra e não aparece.", dizia Souza. Ele dizia e olhava a própria torcida xingando o São Paulo. Pouco mais de 18 mil torcedores foram ao jogo.
O princípio de crise era indiscutível.

"Conseguimos travar as principais jogadas deles. Conseguimos nos impor no início da partida. E seguramos a vitória", dizia Elias. "Nós estudamos a maneira que o Rogério Ceni batia pênalti. Estava preparado para a cobrança forte no meio do gol. Por isso a defesa. A ajuda do trabalho de observação do departamento de futebol do Corinthians foi fundamental. Sabia como a bola viria", dizia Cássio.

Os dois grandes rivais pela Libertadores foram obrigados a se encontrar no irrelevante Paulista. E ainda na fase de classificação! Torcedor não é idiota e economizou seu dinheiro. Não havia motivos práticos para ir até o Morumbi. Mas para Tite, Muricy e seus comandados, a história era outra.

Os dois queriam o usar o clássico pelo lado psicológico. Aproveitar os reflexos para a Libertadores. O São Paulo, dono da casa, precisava reverter a série de derrotas para o rival. Para a imprensa vender o clássico, o tabu que desde 2007, os são paulinos não venciam os corintianos, se mostrou excelente. Desde então cinco vitórias do time do Parque São Jorge. E sete empates.

Lógico que o São Paulo ganhou em outro estádios. Mas o número era significativo. Garantia manchetes, matérias, perguntas, respostas atravessadas. Só que Muricy e Tite não precisavam vender jornais, buscar audiência. Ambos sabiam que o mais importante era a Libertadores.

No Grupo da Morte na Libertadores, os dois lutam com o campeão de 2014, o San Lorenzo. Com a ida de Neymar para o Barcelona e o Palmeiras se sabotando, ambos passaram a brigar pela supremacia não só no estado de São Paulo, como no Brasil, na América do Sul.

Há 18 dias, o Corinthians se impunha de maneira implacável no início do Grupo da Morte. Venceu o São Paulo por 2 a 0, se impondo no Itaquerão, parecendo que tinha um time pequeno pela frente. A intensidade da equipe de Tite paralisou o inseguro time de Muricy.

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Os ambientes mudaram depois desse jogo. Mais confiança no lado do Parque São Jorge. A saída de Jadson para a China foi travada. Ele quis ficar sonhando em conquistar a Libertadores. Muricy e Carlos Miguel Aidar passaram a se estranhar. Os jogadores fizeram questão de vazar algo imperdoável. Eles estão sem receber direito de imagem (maior parte do salário) há três meses. E Aidar não pagou ainda a premiação pela classificação na Libertadores, conseguida em novembro de 2014. Tudo veio à tona no Morumbi.

Pior no sábado, quando o presidente mandou que as organizadas tivessem acesso ao último treino. Em vez de apoio, mais pressão para o inseguro time. "Se o São Paulo não ganhar, o pau vai quebrar", juravam truculentos torcedores. Ameaçando o próprio clube.

Tite sabia que outra vitória seria um golpe importantíssimo na confiança do adversário, já pensando na partida de volta da Libertadores da América, no dia 22 de abril. Nem ele ou Muricy, ou seus jogadores, estavam preocupados com o Paulista. Nesta longa e estúpida fórmula, com um turno de 20 clubes, até as várias namoradas de Marco Polo del Nero sabem que ambos estarão na fase decisiva, onde os oito primeiros se classificam.

Muricy estava pressionado. Sabia que tinha de montar um time para derrotar o Corinthians. Ainda mais jogando em casa, no Morumbi. Marcou treinamento sexta-feira e sábado no estádio. Já buscando viver o clima do clássico. Tratou de fugir do esquema defensivo fracassado no Itaquerão. Buscou velocidade, pressão. Maicon, acusado injustamente de sabotar o time pelos torcedores, já está no Grêmio até.

O técnico apostou em uma equipe compactada, com potencial para marcar a saída de bola do rival. Era um legítimo 4-5-1. Muricy superpovoou o meio de campo. Acreditava piamente que Tite optaria pela retranca. Teve uma desagradável surpresa. Principalmente no princípio de jogo, tudo o que Adenor desejava era mudar a lógica. Adiantou a marcação do seu time, com muita coragem. Transformou o Morumbi na requintada Zona Sul no Itaquerão, da operária Zona Leste.

O plano cruel era conseguir, a qualquer custo, o primeiro gol. Já com Guerrero e Sheik no time, Danilo jogou um pouco mais atrás, deixaria o papel de pivô. Viveria o cerebral de Renato Augusto, fora por contusão. Ralf teria de se desdobrar como cão de guarda da zaga. Porque Elias estava liberado para atacar como meia. Jadson e Emerson que estivessem muito atentos. Com a bola dominada, no ataque. Sem ela, iriam se desdobrar como volantes. Preenchimento e espaço e intensidade. Esses eram os motes corintianos.

Muricy quer a bola nos pés. O toque, a movimentação do ataque. Preparou sua equipe para ter a iniciativa. Por isso Michel Bastos e Ganso no meio de campo. A velocidade ficaria por parte do argentino Centurión. Abrindo espaço para o oportunismo do veterano Luís Fabiano. Bruno e Reinaldo tinham liberdade para atacar. O São Paulo precisava apostar. Buscar a vitória. Estava incomodado com o Corinthians.

Só que tudo ruiu aos 11 minutos. Em um lance infantil. Fagner cobrou lateral e descobriu Guerrero livre, sem marcação. Ele dominou a bola como quis e serviu Danilo, também sem marcação. À vontade para chutar. O canhoto bateu como quis de perna direita. Rogério Ceni não conseguiu defender o chute de primeira. 1 a 0 Corinthians. Por incrível coincidência, foi com 11 minutos que o time marcou o primeiro gol no Itaquerão, pela Libertadores.

Pronto era tudo o que Tite sonhava. Gol no início da partida. Desestruturou os jogadores rivais e travou o ímpeto da pouca torcida são paulina no Morumbi. O clima parecia de velório. Muricy sabia que seu time teria de abrir, se expor aos contragolpes corintianos. Perder outra vez para o adversário seria terrível.

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A melhor resposta do São Paulo foi aos 24 minutos, quando Michel Bastos cruzou e Centurión, livre bateu forte. E Cássio fez ótima defesa, já antecipando o que viria pela frente. O Corinthians já estava mais recuado. Em uma postura que lembrou demais o clássico contra o Palmeiras, quando venceu no campo adversário. Marcou o gol e tratou de se defender.

"Está faltando movimentação", reclamava Luís Fabiano. A crítica era direta a Ganso, outra vez figura nula. Só reclamava da arbitragem e nada produzia. Anulado facilmente por Ralf.

No segundo tempo, o São Paulo adiantou ainda mais seu time. O Corinthians já começava a articular seus contragolpes, quando um lance, aos sete minutos, mudou o jogo. Michel Bastos chutou e a bola bateu no braço de Gil. Pênalti e expulsão do zagueiro corintiano. O vermelho veio logo, dado por Leandro Bizzio Marinho. A penalidade só foi confirmada depois de um minuto. Ficou no ar a participação do quarto árbitro ou mesmo influência externa. Alguém que viu pela televisão. Nunca saberemos.

Foi correta a marcação do pênalti e a expulsão. Cássio já havia defendido pênalti de Ceni no Brasileiro de 2014. Mas o goleiro são paulino fez questão de cobrar. Bateu forte, o goleiro corintiano tocou a perna na bola que subiu e tocou no travessão. Desde 2004 é o vigésimo pênalti que Rogério Ceni perde.

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O lance deixou os nervos dos são paulinos à flor da pele. Pouco importava que tinham um jogador a mais que o rival. Faltou tranquilidade, confiança para romper o excelente sistema defensivo corintiano. Desesperado, Muricy colocou Alan Kardec no lugar de Reinaldo, Jonathan Cafu no de Souza. Mas de nada adiantou. O Corinthians conseguiu, mesmo com um homem a menos, segurar o 1 a 0. Sem tanto esforço assim.

O descontrole de Luís Fabiano, veterano de 36 anos, que ficou oito vezes impedido, é significativo. O retrato da afobação, da impotência do ataque são paulino. A esmagadora maioria dos 11 chutes a gol corintiano foi sem perigo. Assim como improdutiva a posse de bola de 64%. De nada adiantaram.

O clima nos bastidores do Morumbi é péssimo. No Parque São Jorge, a confiança só aumenta. O São Paulo já é tratado como freguês. Não só por torcedores. Mas pelos jogadores corintianos...

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“Se Wesley saiu por R$ 36 milhões, o Valdivia já custou mais de R$ 80 milhões.” “Os jogadores não acreditavam no que o Felipão falava, por isso caímos.” “Fui para a praia, depois do rebaixamento, por causa da pressão alta.” Arnaldo Tirone…

11 Se Wesley saiu por R$ 36 milhões, o Valdivia já custou mais de R$ 80 milhões. Os jogadores não acreditavam no que o Felipão falava, por isso caímos. Fui para a praia, depois do rebaixamento, por causa da pressão alta. Arnaldo Tirone...
21h50 de ontem, sexta-feira. Toca o meu celular. Não posso atender, estou no ar, na Record News, explicando ao Heródoto Barbeiro as manobras de Eurico Miranda na busca pela volta do mata-mata no Brasileiro. E principalmente a pressão para a redistribuição das cotas pagas pela Globo aos clubes.

No trajeto de volta para casa, dou o retorno. "Oi, Cosme. Tudo bem? Aqui é o Tirone. Estou te ligando porque muitas pessoas no Palmeiras estão me cobrando pelo Wesley. Quero reparar uma grande injustiça que estão fazendo comigo. Muitos conselheiros acompanham o seu blog e você publicou detalhes da negociação. Outros órgãos de imprensa insistem nos mesmos números. Mas quero dar detalhes que as pessoas não sabem. Podemos conversar?"

Foram 38 minutos de conversa reveladora. O ex-presidente do Palmeiras, Arnaldo Tirone, não se limitou ao caso Wesley, fez revelações sobre o rebaixamento do Palmeiras, a prioridade na conquista da Copa do Brasil, a apatia de Felipão que encaminhou a volta à Segunda Divisão, as famosas fotos na praia do Leblon depois do queda do Palmeiras. E, principalmente, sobre a péssima situação financeira do clube.

O filho de um dos maiores diretores de futebol da história palmeirense falou sobre a gigantesca dívida de R$ 175 milhões deixada por Belluzzo. De como entregou devendo R$ 215 milhões.E como Paulo Nobre já conseguiu fazer o clube romper a barreira dos R$ 300 milhões negativos.

Tirone, a negociação do Wesley não foi a pior da história do Palmeiras? Comprometeu R$ 36 milhões, o jogador foi para o São Paulo sem render um tostão. Fora o vexame da história do clube implorar ao torcedores pagarem pelo jogador e a torcida se recusar. Sem falar no dinheiro que foi emprestado e não pago ao presidente do Criciúma, Antenor Angeloni?

1ae4 Se Wesley saiu por R$ 36 milhões, o Valdivia já custou mais de R$ 80 milhões. Os jogadores não acreditavam no que o Felipão falava, por isso caímos. Fui para a praia, depois do rebaixamento, por causa da pressão alta. Arnaldo Tirone...

Cosme, agora é a minha vez de explicar todos os detalhes dessa transação. E acabar com muita injustiça que gente do próprio Palmeiras tenta fazer contra mim, usando a imprensa. Nós sabíamos que havia a possibilidade de trazer o Wesley por empréstimo. Perguntei para o Felipão e ele me falou "contrata que é um ótimo jogador". O Werder só queria vender. Não tinha dinheiro, a condição que o Belluzzo deixou as finanças foi terrível. Foi então que me procuraram dois garotos, representantes do MOP (My Own Player) com a ideia do rateio com os torcedores. Aceitei. Quero dizer que não há vítima nessa negociação. O Antenor Angeloni, presidente do Criciúma, foi quem nos procurou oferecendo a garantia financeira. Queria uma parte do jogador em futura venda, algo como 11%. Queria lucrar com uma possível valorização do Wesley. Não havia essa história de intercâmbio, nada. Queria dinheiro. E outra coisa. Ninguém foi atrás dele, não.

Se o Belluzzo deixou dívidas altíssimas, havia dinheiro para comprar o Wesley?

Não. Com o fracasso do rateio dos torcedores, precisávamos da garantia bancária que o pagamento de 6 milhões de euros (R$ 19,9 milhões). Com os encargos chegaria a R$ 21 milhões. Os alemães aceitaram dividir em três vezes. Dois milhões de euros em 2012, dois milhões de euros em 2013 e dois milhões de euros em 2014. Eu não tinha esse dinheiro. O Angeloni resolveu assumir a garantia acreditando que lucraria com o Wesley. Foi uma aposta dele. Assim como o pessoal do MOP, que queria lucrar com o jogador. No futebol é assim, o jogador se contundiu, não rendeu o que se esperava. Não deu dinheiro.

2ae4 Se Wesley saiu por R$ 36 milhões, o Valdivia já custou mais de R$ 80 milhões. Os jogadores não acreditavam no que o Felipão falava, por isso caímos. Fui para a praia, depois do rebaixamento, por causa da pressão alta. Arnaldo Tirone...

Mas não era obrigação do Palmeiras pagar o Angeloni?

Eu saí do Palmeiras devendo a primeira parcela, dois milhões de euros. Os outros quatro milhões eram de responsabilidade do Paulo Nobre. Ele usou o jogador por dois anos seguidos. É tão culpado pela negociação quanto eu. O Angeloni chegou a me ligar. Eu disse que não teria condições de pagá-lo naquela ocasião. A dívida passou para a próxima administração. O Nobre deixou que de dois milhões de euros, passasse a seis milhões. E a culpa é toda minha? De jeito nenhum. Além disso, o Angeloni agiu como investidor. Investidor ganha ou perde dinheiro em jogador. Simples assim.

Mas na prática, você como presidente do Palmeiras, comprometeu R$ 36 milhões no Wesley.

Aí é que está o erro. A transação saiu por R$ 21 milhões. As pessoas somam mais R$ 15 milhões com salários, luvas, taxas. Isso é um enorme absurdo. O que conta é quanto o Palmeiras pagou ao Werder Bremen. Por que se for assim, a transação do Valdivia já passa dos R$ 80 milhões. Essa sim foi a pior negociação da história do clube. Do futebol brasileiro. Basta ver o quanto o Belluzzo pagou para o clube dos Emirados (Al Ain), mais as luvas, comissões. Aliás teve muitas comissões. Não só para empresários, mas também ao pai do Valdivia. Fora esse contrato de cinco anos. No começo, o chileno ganhava R$ 435 mil limpos, fora luvas, premiações. Não dá nem para comparar com o Wesley. Ele chegou ganhando R$ 220 mil. Mas as pessoas fazem questão de se esquecer do Belluzzo e massacrar o Tirone. Aliás, eu nem queria falar de outros presidentes. Quis ligar para você para falar da minha administração, do Wesley.

Por que o Wesley acabou se encostando no Palmeiras?

Olha, eu acabei me aproximando dele e sei o quanto foi injustiçado. É um grande jogador. Ele passou a ser cobrado, perseguido pela torcida do Palmeiras. E quando os torcedores escolhem um para massacrar, não tem jeito. Foi escolhido como o grande responsável pelo fracasso do time. Mesmo assim, foi importante na Segunda Divisão. Sei que queria renovar, dar a volta por cima. Mas soube que depois que o Paulo Nobre assumiu, o relacionamento esfriou. Foi deixado de lado. E acabou indo para o São Paulo de graça. Foi um grande desperdício.

Por falar em desperdício, como você explica rebaixamento do Palmeiras em 2012? Como é que um time que vence a Copa do Brasil consegue cair no mesmo ano?

Vamos por partes. Vou revelar o que pouquíssima gente sabe. A Kia que patrocinava a nossa camisa decidiu patrocinar a Copa do Brasil naquele ano. A diretoria da empresa me disse que adoraria que o Palmeiras fosse campeão. Seria importante para a marca. Eu pretendia continuar com o patrocínio. E falei com o Felipão da necessidade de ganhar esse título. E foi o que fizemos. A campanha foi sensacional. Conquistamos a Copa do Brasil e abrimos a possibilidade de seguir com o patrocínio forte. Só que houve muita comemoração e certa acomodação por parte dos jogadores. Perdemos nove ou dez machucados. Fomos mal no primeiro turno do Brasileiro. E não conseguimos nos recuperar. Infelizmente. Veio o rebaixamento. No Brasil caem quatro times. Basta uma série de jogos ruins. O Fluminense não foi campeão em um ano e caiu no outro? Só não foi rebaixado por causa da história da Portuguesa.

1gazeta3 Se Wesley saiu por R$ 36 milhões, o Valdivia já custou mais de R$ 80 milhões. Os jogadores não acreditavam no que o Felipão falava, por isso caímos. Fui para a praia, depois do rebaixamento, por causa da pressão alta. Arnaldo Tirone...

Qual foi a real participação do Felipão na queda. E por que não houve a chance de reverter a queda do Palmeiras? Como foi a demissão?

Vou falar a verdade. O Felipão foi desanimando. A cada derrota, ele perdia força. Ficou profundamente abatido. Ninguém mais reagia às suas broncas, suas cobranças. Ele foi se entregando. Ele mesmo não acreditava na salvação do time. Os jogadores não acreditavam mais no que o Felipão falava. Demorei para mandá-lo embora porque acreditava no seu currículo, no que tinha feito no futebol. Fora a multa. Fui com ele até onde deu. Porra, era o Felipão, campeão do mundo! Ele sabe disso. Quando troquei, trouxe o Kleina, infelizmente percebi que era tarde.

 Se Wesley saiu por R$ 36 milhões, o Valdivia já custou mais de R$ 80 milhões. Os jogadores não acreditavam no que o Felipão falava, por isso caímos. Fui para a praia, depois do rebaixamento, por causa da pressão alta. Arnaldo Tirone...

Mas Tirone, como é que no dia seguinte ao rebaixamento você vai tomar sol no Leblon? Pareceu um descaso indisculpável...

Rímoli...Vou explicar. Eu tinha um compromisso no Rio de Janeiro logo após o rebaixamento. Tenho pressão alta. A minha disparou chegou a vinte por não sei quanto. Fiquei uma pilha de nervos. Ninguém sofreu mais do que eu. Minha mulher ficou assustada. E insistiu que eu fosse tomar um banho de mar para me tranquilizar. Fiquei dez, 15 minutos na praia. E mesmo assim não parei de atender a imprensa. Na minha famosa foto com o celular na praia, eu estava falando com o Fred Júnior da rádio Jovem Pan. Nem acreditei quando a fotografia foi divulgada. Eu estava arrasado, quase explodindo com pressão alta e as pessoas até hoje pensam que eu não estava nem aí. Fiquei dez minutos na praia e fiquei marcado para sempre. É uma enorme injustiça.

Tirone, você é acusado pelo Paulo Nobre de ter deixado o clube em sérias dificuldades financeiras. Haver feito empréstimos, adiantamentos. Esse foi o motivo, segundo ele, para ter colocado dinheiro do bolso no clube. É verdade?

Vamos por partes. Eu, o Roberto Frizzo (vice presidente) e um amigo, homem de finanças do Bradesco, tomamos um susto quando assumi o Palmeiras. O Belluzzo havia deixado R$ 175 milhões em dívidas. Feitos adiantamentos de 75% do que eu teria a receber da tevê, por exemplo. Me desdobrei, fiz o impossível e salário nunca atrasou no clube. Nem para funcionários ou jogadores. Adiantei cotas da tevê, sim. Mas dinheiro que era do Palmeiras. É como se você, Rímoli, viajasse para o Exterior e gastasse R$ 15 mil em cartão de crédito. O dinheiro é seu. Você pagará no futuro, contando com seu salário. Foi o que fiz. Usei dinheiro do Palmeiras. O Nobre, não. Ele pegou dinheiro emprestado no nome dele. Buscou dinheiro que não era do clube. Isso é muito pior.

Como você deixou financeiramente o Palmeiras? Qual é a atual situação com o Paulo Nobre?

Deixei com R$ 215 milhões em dívidas. Sofri horrores com o Comitê de Orientação Fiscal. Minhas contas eram rejeitadas. Muita gente trabalhou contra mim. Daí assume o Paulo Nobre, passa a ter um déficit de R$ 5 milhões por mês, faz as dívidas do Palmeiras passar dos R$ 300 milhões, e suas contas são aprovadas. O Palmeiras deve hoje mais de R$ 300 milhões e todo mundo acha normal.

 Se Wesley saiu por R$ 36 milhões, o Valdivia já custou mais de R$ 80 milhões. Os jogadores não acreditavam no que o Felipão falava, por isso caímos. Fui para a praia, depois do rebaixamento, por causa da pressão alta. Arnaldo Tirone...

Você chegou a oferecer a Kia como patrocinadora master da camisa do clube no centenário e o Paulo Nobre não quis. Sei que os valores eram perto de R$ 10 milhões no ano. Ele preferiu não receber um centavo.

Foi verdade. A opção foi dele. Era um dinheiro que poderia ajudar. Quantos clubes até hoje não têm patrocínio. Mas foi opção dele. Achou melhor seguir pedindo emprestado em nome do Palmeiras. Algo que não vou concordar nunca.

Você não ficou muito isolado na presidência do Palmeiras?

Não. Tinha gente interessada e apaixonada pelo clube ao meu lado. O meu erro foi não ter assessoria de imprensa. Demiti a que o Belluzzo mantinha e pagava R$ 8 mil. Decidi que eu mesmo mostraria aos jornalistas, aos palmeirenses a realidade do clube. Não é assim que funciona. Virei alvo fácil. O Paulo Nobre é que está certo. Pegou uma assessoria profissional, que trabalhou na MSI, no Clube dos 13, na Copa do Mundo. Por mais que erre, está protegido. Sua imagem está preservada. Bem ao contrário da minha...
6reproducao1 Se Wesley saiu por R$ 36 milhões, o Valdivia já custou mais de R$ 80 milhões. Os jogadores não acreditavam no que o Felipão falava, por isso caímos. Fui para a praia, depois do rebaixamento, por causa da pressão alta. Arnaldo Tirone...

O interesse do Flamengo em Valdivia é sério. Se ele não acertar a renovação com o Palmeiras, tem destino certo. O Cristo Redentor e Vanderlei Luxemburgo estão com os braços bem abertos…

1gazeta O interesse do Flamengo em Valdivia é sério. Se ele não acertar a renovação com o Palmeiras, tem destino certo. O Cristo Redentor e Vanderlei Luxemburgo estão com os braços bem abertos...
Desde que retornou ao Palmeiras, em 2010, é o mesmo roteiro. Seja qual o motivo que seu nome esteja envolvido em confusão, a luz da porta de saída sempre foi a Gávea. O interesse do Flamengo pelo chileno se materializou duas vezes. Arnaldo Tirone recusou as propostas vindas do Rio de Janeiro. Por medo da reação da torcida, dos conselheiros.

O efeito colateral das propostas foi a valorização por parte da imprensa, dos treinadores, dos dirigentes. O chileno é muito esperto. E soube lidar muito bem a situação. Em 2012 chegou a vestir a camisa do Flamengo depois de uma partida no Pacaembu. Em pleno gramado deu entrevistas com a camiseta usada por Léo Moura. Dedicou o resultado aos 'corneteiros.

"Isso é para os corneteiros que falam que eu não quero continuar aqui, que não estou nem aí. Já falei, quando eu jogo, eu vou me dedicar. (...) O Flamengo foi atrás do Palmeiras e o Palmeiras não aceitou minha venda. O Felipão nunca me disse que queria que eu fosse vendido, então fiquei feliz de ficar aqui." Disse aos repórteres.

Nas arquibancadas, a reação foi imediata. Enquanto os pouquíssimos torcedores rubro negros o aplaudiam, os palmeirenses o xingavam. Enxergavam enorme desrespeito. Valdivia desceu as escadas para o vestiário sorrindo. Havia dado o troco nos dirigentes, nos conselheiros. E ainda nas organizadas, com quem sempre teve péssimo relacionamento.

O ápice dessa briga entre organizadas e Valdivia aconteceu em 2013. O Palmeiras disputava a Libertadores da América. Mas estava rebaixado, jogaria a Segunda Divisão do Brasileiro. Torcedores não suportavam esse comportamento bipolar. E perseguiam o chileno por sua marca registrada. A ausência. Contusões com recuperações intermináveis, convocações para a Seleção Chilena, suspensões.

Em um treinamento na Argentina, membros da Mancha Verde começaram a xingar o meia. Valdivia não se fez de rogado. Encarando os torcedores, esfregou a própria genitália. Provocou enorme revolta, sendo jurado pelos palmeirenses. No Aeroparque de Buenos Airas, a organizada encontrou o time. E caçou o jogador. Logo os palavrões se transformaram em xícaras e copos voando. A equipe protegeu o atleta, que correu para o banheiro, cercado por companheiros e seguranças. Enquanto isso, uma xícara estourou na parede e estilhaços cortaram a cabeça do goleiro Fernando Prass, um vexame internacional.

O incidente fez Paulo Nobre exigir a expulsão da Mancha Verde dos torcedores participaram da confusão. Como não foi atendido, ele rompeu com a organizada. Mas o dirigente nem cogitou negociar o chileno.

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No Palestra Itália, pessoas influentes como os ex-presidentes Mustafá Contursi, Afonso Della Monica e Carlos Facchina insistem. O erro em relação a Valdivia foi o economista Luiz Gonzaga Belluzzo. De acordo com o trio, ele agiu como torcedor. Desesperado para o retorno do meia, ofereceu um contrato de cinco anos. Pagando R$ 475 mil a cada 30 dias, em um período de 60 meses. O clube pagou seis milhões de euros ao Al Ain dos Emirados Árabes. Mais comissões a agentes e até ao pai do jogador.

Desde que retornou, ganhou com a camisa do Palmeiras uma Copa do Brasil, em 2012. No mesmo ano, não impediu o rebaixamento para a Segunda Divisão.

Seus números estão quase decorados pelos torcedores. Mas sempre vale a pena repetir. 315 jogos que o Palmeiras fez desde a volta do meia, ele só atuou em 138 deles. E só em 59, atuou por 90 minutos. Ele ficou de fora 177 partidas. Estava machucado 122 vezes, suspenso 15, poupado 13, dispensado 9, Seleção Chilena, 17.

Ele ainda não jogou no Palmeiras este ano. Desmoralizou o departamento médico do clube dizendo a Paulo Nobre que precisava ir para a Seleção Chilena encontrar o fisioterapeuta cubano, José Amador. Alegou que não conseguia se recuperar da sua lesão na coxa esquerda. Foi para Santiago em janeiro. Se tratou. E até agora não se recuperou. Mas esteve no Carnaval em Salvador.

Paulo Nobre é apaixonado pelo jogador. Pela idolatria que desperta na torcida. Quer a renovação de seu contrato. O responsável pelo futebol, Alexandre Mattos, consegue ter um distanciamento. E recomenda um contrato por produtividade. Não se conforma por ele ter ficado fora de mais da metade dos jogos que deveria ter participado. Só em salários, ele recebeu R$ 28,5 milhões nestes cinco anos.

2reproducao3 O interesse do Flamengo em Valdivia é sério. Se ele não acertar a renovação com o Palmeiras, tem destino certo. O Cristo Redentor e Vanderlei Luxemburgo estão com os braços bem abertos...

Luiz Valdivia é pai e empresário do jogador. Ele soube dessa intenção de Mattos. E não aceita quer o filho recebendo seu salário normalmente. Entrando ou não em campo. Como acontece com o atual contrato. Já tem agendado encontro com Nobre e Mattos na próxima semana. O compromisso do chileno termina em agosto. Desde fevereiro ele pode assinar pré-contrato com qualquer equipe do mundo e ir sem render um centavo ao Palestra Itália.

Aí é que entra, de novo, o Flamengo. O clube carioca está fazendo trabalho brilhante para sanear suas dívidas. Mas Vanderlei Luxemburgo insiste com o presidente Eduardo Bandeira de Mello. Precisa de um ídolo, o camisa 10. Atleta talentoso, midiático, capaz de determinar o ritmo do time. Mexer com a torcida. E que tenha grande afinidade, cumplicidade com o treinador.

Luxemburgo foi o técnico do Palmeiras campeão paulista de 2008. Valdivia teve atuações excelente naquele ano. Por causa delas, acabou sendo comprado pelo Al Ain. A dupla sempre quis trabalhar junta novamente. Manager ou não manager, Vanderlei não se furta em telefonar aos atletas que deseja ver no time que treina.

5ae1 O interesse do Flamengo em Valdivia é sério. Se ele não acertar a renovação com o Palmeiras, tem destino certo. O Cristo Redentor e Vanderlei Luxemburgo estão com os braços bem abertos...

Nunca esteve tão fácil para o Flamengo contratar Valdivia. Basta que não renove com o Palmeiras. E espere até agosto. Há dois entraves. Se ele atuar uma vez que seja na Copa do Brasil não poderá jogar pelo Flamengo. O mesmo se aplica se chegar a seis partidas no Brasileiro com a camisa verde. Esses são os pontos negativos. Mesmo assim, Luiz Valdivia irá ouvir uma proposta do clube carioca.

Antes se reunirá com os dirigentes palmeirense. Reafirmará que não aceita contrato por produtividade. Sabe que tem um trunfo grande demais chamado Flamengo nas costas. O desejo de Valdivia, que fará 32 anos em outubro, é um contrato de três anos. Com direito a luvas, evidente.

Ele não faz nada por acaso. A postagem de ontem no seu Instagram, de foto de uma caneca onde estava escrito Rio de Janeiro foi uma mensagem direta. Assim como a legenda: "Pois é". Torcedores palmeirenses ficaram revoltados. Leram como se tivesse se oferecendo a atuar na Cidade Maravilhosa, onde, por acaso, está o Clube de Regatas do Flamengo. Só depois que a imagem estavam em todos os sites, Valdivia tirou a foto.

Ou o Palmeiras mais uma vez se dobra ao seu maior ídolo ou ele irá para a Gávea. Simples assim. Está tudo nas mãos de Paulo Nobre e Alexandre Mattos. Vale ou não manter o problemático, mas talentoso, Valdívia por mais três anos?
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Festa na Vila Belmiro. Garotos comemoram a demissão de Enderson Moreira. Diretoria não suportou mais os gritos do técnico com os meninos do Santos. Deu um fim às humilhações…

1getty1 Festa na Vila Belmiro. Garotos comemoram a demissão de Enderson Moreira. Diretoria não suportou mais os gritos do técnico com os meninos do Santos. Deu um fim às humilhações...
Enderson Moreira foi vítima dos seus excessos, dos desrespeitos aos jovens jogadores santista. Acaba de ser demitido por causa do clima de rebelião na Vila Belmiro. O presidente Modesto Roma assim que demitiu o treinador avisou Robinho. O veterano atacante fez questão de avisar por WhatsApp seus companheiros de time. Houve uma festa. Principalmente entre os garotos. O mais alegre é justamente o mais perseguido, o atacante Gabriel.

Pouco importa a excelente campanha do time no Paulista. Líder do grupo 4 com 17 pontos, enquanto o segundo colocado, o XV de Piracicaba, soma apenas seis. O motivo da saída está longe de ser o desempenho da equipe.

O treinador foi contratado em substituição a Oswaldo de Oliveira. O agora técnico do Palmeiras era questionado por deixar o caríssimo Leandro Damião no banco. Enderson havia trabalhado com o atacante nas categorias de base do Internacional. Mal chegou na Vila Belmiro e, mesmo em péssima fase, o jogador que fez o Santos comprometer R$ 42 milhões se tornou titular. Continuou atuando muito mal.

Diante das críticas, Enderson fazia cara de paisagem e manteve Leandro Damião no time. Mesmo com Gabriel treinando e jogando muito melhor. Os candidatos à sucessão de Odílio Rodrigues não gostavam do técnico. Inclusive Modesto Roma, o vencedor. Ele só resolveu mantê-lo diante da profunda crise financeira santista.

O técnico exigia reforços e conseguiu alguns. Baratos e fracos. Chiquinho, Werley, Valencia e Ricardo Oliveira. Enderson não estava satisfeito. Cobrava os dirigentes quase todos os dias a contratação de Walter do Fluminense. Como não recebia resposta satisfatória, passou a demonstrar sua raiva de uma maneira peculiar.

A gritar, humilhar os jovens jogadores da base que a diretoria queria treinando entre os profissionais. Aos poucos, o técnico foi se excedendo. Os berros foram chegando aos ouvidos dos dirigentes. Modesto Roma passou a ser cobrado. Seus companheiros de diretoria exigiam uma reação.

Enquanto isso, os atletas passaram a tratar com desprezo o técnico. O relacionamento era o mais frio possível. Muitos compraram a briga pelos meninos. Principalmente Gabriel, o alvo predileto do técnico. Em entrevistas, Enderson não escondias mais sua impaciência. E sua aversão aos meninos.

2ae2 Festa na Vila Belmiro. Garotos comemoram a demissão de Enderson Moreira. Diretoria não suportou mais os gritos do técnico com os meninos do Santos. Deu um fim às humilhações...

"Alguns atletas se acham mais do que realmente são. Não conquistaram nada no futebol profissional, não são referências e ainda têm muita coisa para caminhar e buscar", disse abertamente em entrevista à rádio Bandeirantes, na semana passada.

O clima ficou insuportável. Os dirigentes se irritaram porque Enderson passou a desvalorizar os meninos que o Santos pretendia vender. A cabeça do treinador passou a ser exigida de Modesto Roma.

Os jovens humilhados recorriam a Robinho. O jogador não se voltava contra o técnico. Apenas pedia paciência a seus companheiros. Mas ele também não gostava do desrespeito.

A gota d'água foi no treinamento desta manhã. Quando Enderson desabafou sua raiva no zagueiro Gustavo Henrique. Ele gritou, humilhou o jogador de apenas 21 anos. Geovânio também ouviu seus berros. O presidente Modesto Roma foi avisado da postura do técnico. O chamou para conversar. Em vez de se explicar, Enderson resolveu cobrar a falta de reforços importantes. Como Walter. O presidente, irritado, se cansou. E o demitiu.

A saída trouxe enorme alívio à diretoria. A desvalorização de Gabriel era algo que os dirigentes não aceitavam. Além da postura militar de Enderson em relação aos garotos. Os veteranos, como Elano, Robinho e Renato, o treinador respeitava. O que só tornava o clima ainda pior.

Os jogadores comemoraram. Principalmente os mais jovens. Mas vão fazer questão de manter a postura profissional. Até por pedido de Modesto Roma a Robinho.

A direção santista quer um novo treinador o mais rápido possível. Há dois sonhos: Abel Braga e Mano Menezes. Mas o dinheiro é muito curto. Opções mais baratas serão estudadas.

Para os garotos, pouco importa quem é que chegue. A notícia desejada veio: Enderson Moreira foi mandado embora. Isso é que vale. Poucas vezes em um clube grande brasileiro, as vísceras da demissão de um treinador foram tão expostas. Hoje é dia de festa na Vila Belmiro...
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Everton Ribeiro e Ricardo Goulart fora da Seleção. O preço por optar pelo dinheiro árabe e chinês. Além da concorrência fortíssima de Philippe Coutinho e Roberto Firmino. Focado nas Eliminatórias, Dunga não quer a Olimpíada…

1ap Everton Ribeiro e Ricardo Goulart fora da Seleção. O preço por optar pelo dinheiro árabe e chinês. Além da concorrência fortíssima de Philippe Coutinho e Roberto Firmino. Focado nas Eliminatórias, Dunga não quer a Olimpíada...
Goleiros:Jefferson (Botafogo), Marcelo Grohe (Grêmio) e Diego Alves (Valencia); laterais, Fabinho (Monaco), Danilo (Porto), Filipe Luís (Chelsea) e Marcelo (Real Madrid);

zagueiros, David Luiz (Paris Saint-Germain), Thiago Silva (Paris Saint-Germain), Marquinhos (Paris Saint Germain) e Miranda (Atlético de Madrid); volantes, Elias (Corinthians), Luiz Gustavo (Wolfsburg), Fernandinho (Manchester City) e Souza (São Paulo);

meias, Oscar (Chelsea), Willian (Chelsea), Philippe Coutinho (Liverpool) e Roberto Firmino (Hoffenheim); atacantes, Neymar (Barcelona), Diego Tardelli (Shandong Luneng), Douglas Costa (Shakhtar Donestsk) e Robinho (Santos).

Estes os convocados de Dunga. Não só para enfrentar a França e o Chile. Mas a esmagadora base da Seleção que disputará a Copa América do Chile. A fase de testes está no fim. O treinador não teve restrição alguma. Pôde chamar que considera os melhores. Um dado muito significativo foi a perda de espaço de Everton Ribeiro e Ricardo Goulart. Os jogadores que o Cruzeiro vendeu para os Emirados Árabes e para a China. O treinador os deixou de lado.

A desculpa do treinador foi que eles não estão bem fisicamente, já que estão em pré-temporada. Só que Diego Tardelli também. E entrou para a história como o primeiro atleta atuando no futebol chinês convocado pelo Brasil. A verdade é que Dunga está encantado com a fase sensacional de Philippe Coutinho. O meia está jogando muito bem. Sendo figura de destaque no difícil Campeonato Inglês.

Ao lado dos obrigatórios Oscar e Willian do Chelsea, Philippe Coutinho se jogar metade do que faz no Liverpool irá para a Copa América. Roberto Firmino se impôs no futebol alemão, tão admirado por Dunga. Jogando muito bem, o atleta de 23 anos está sendo perseguido pelo Arsenal. A direção do clube inglês colocou seu nome como prioridade. Douglas Costa está sendo assediado pelo Chelsea de Mourinho. Os ucranianos tentam segurá-lo de qualquer maneira.

Robinho é um jogador que Dunga tem carinho acima do normal. Mesmo que, aos 34 anos, não chegará à Copa da Rússia. O atacante se diverte no Campeonato Paulista, contra fraquíssimos times. Mas o treinador o chama tanto pela falta de concorrência quanto por gratidão. O treinador nunca esqueceu as brigas com dirigentes europeus do jogador, no seu auge, para atender os chamados para a Seleção que disputaria a Copa de 2010.

2ap Everton Ribeiro e Ricardo Goulart fora da Seleção. O preço por optar pelo dinheiro árabe e chinês. Além da concorrência fortíssima de Philippe Coutinho e Roberto Firmino. Focado nas Eliminatórias, Dunga não quer a Olimpíada...

Agora, caminhando para o final da carreira, sem mercado nos grandes clubes europeus, o treinador o recompensa. Até pela falta de atacantes confiáveis nascidos no Brasil. Dunga não pode nem ouvir falar em artilheiros que atuem parados, fixos na área, como Fred, Jô, Leandro Damião. O que muitos consideram um atleta como referência, ele vê o time com dez atletas.

Sem a pressão interna das conquistas do Cruzeiro, Everton Ribeiro e Ricardo Goulart ficam órfãos. Eles nunca foram titulares absolutos, intocáveis de Dunga. Ao contrário de Tardelli. Agora atuando em campeonatos de baixo nível técnico, será bem difícil ambos serem lembrados para a Copa América. Os dois foram avisados por seus empresários. Mas aceitaram correr o risco. Preferiram o dinheiro a seguir no Cruzeiro até pelo menos o final da Libertadores. O efeito colateral pode ser o esquecimento da Seleção.

2reproducao2 Everton Ribeiro e Ricardo Goulart fora da Seleção. O preço por optar pelo dinheiro árabe e chinês. Além da concorrência fortíssima de Philippe Coutinho e Roberto Firmino. Focado nas Eliminatórias, Dunga não quer a Olimpíada...

Contra a França e Chile, o técnico irá insistir no que estava fazendo em 2014. E que fez o Brasil vencer os seis amistosos que disputou, depois do vexame na Copa do 2014. Foram 14 gols a favor e um contra. O esquema da Copa das Confederações, o 4-2-3-1 e que fez do Brasil uma presa fácil no Mundial, foi esquecido.

Dunga está fazendo do Brasil uma equipe mais sólida, vibrante, intensa. Apela para o que a Europa já usa faz tempo. Para a distribuição tática competitiva: 4-1-4-1. Variando para o 4-3-3 quando o Brasil tem a posse de bola. O treinador está obcecado em acabar com a dependência de Neymar. O jogador do Barcelona é o maior talento do país, isso é indiscutível. Mas o técnico não quer cair na mesma armadilha de Felipão. Ele era tão submisso a Neymar que nunca preparou o Brasil a atuar sem o atacante. Todos se recordam o que isso custou contra a Alemanha e Holanda.

Dunga aproveitou esse início de ano para ter uma séria conversa com Marco Polo del Nero e José Maria Marin. Está muito feliz com o nível dos amistosos. Quer os mais fortes porque acredita que, não só o nível da Copa América, mas principalmente o das Eliminatórias da Copa, será bem mais alto que jamais foi.

1reproducao4 Everton Ribeiro e Ricardo Goulart fora da Seleção. O preço por optar pelo dinheiro árabe e chinês. Além da concorrência fortíssima de Philippe Coutinho e Roberto Firmino. Focado nas Eliminatórias, Dunga não quer a Olimpíada...

Argentinos, uruguaios são adversários tradicionais. Mas o crescimento dos chilenos, colombianos e equatorianos incomoda. Além da reestruturação dos paraguaios. Fora isso, há a pressão, o descrédito, o rancor da imprensa e da população brasileira com o vexame na Copa do Mundo do ano passado.

Por tudo isso, Dunga pediu formalmente a Marco Polo e Marin. Não quer comandar a Seleção Olímpica do país. Não deseja repetir o que fez em Pequim, quando conseguiu apenas o bronze. Na inesquecível entrega de medalhas, quando Ronaldinho Gaúcho fez questão de atender o celular em plena premiação. Aquilo incomodou mais o técnico do que a derrota para a Argentina de Messi, nas semifinais.

Muito menos o treinador mostra a ganância de Mano Menezes, que tirou o time montado e campeão mundial das mãos de Ney Franco e mesmo assim, perdeu a medalha de ouro para o México. E o emprego. Gallo que continue no cargo. Os presidentes da CBF aceitaram suas ponderações.

Dunga quer manter o foco na reconstrução da Seleção Brasileira para a Copa de 2018. Aproveitando o que há de melhor nesta nova geração. Quer os atletas disputando torneios competitivos. Emirados Árabes e China não são referência. Diego Tardelli é exceção. Everton Ribeiro e Ricardo Goulart que assumam suas opções por salários milionários. E saibam que jogar na Seleção Brasileira ficou muito mais difícil do que era no Cruzeiro...
 Everton Ribeiro e Ricardo Goulart fora da Seleção. O preço por optar pelo dinheiro árabe e chinês. Além da concorrência fortíssima de Philippe Coutinho e Roberto Firmino. Focado nas Eliminatórias, Dunga não quer a Olimpíada...

Tite reconhece. O Corinthians teve sorte. O empate seria o resultado mais justo contra o San Lorenzo. Dispara na liderança do Grupo da Morte. Pior para São Paulo e o atual campeão da Libertadores….

1getty Tite reconhece. O Corinthians teve sorte. O empate seria o resultado mais justo contra o San Lorenzo. Dispara na liderança do Grupo da Morte. Pior para São Paulo e o atual campeão da Libertadores....
A sinceridade é velha companheira de Tite. O treinador deseja desesperadamente voltar a ser cotado para a Seleção Brasileira. Sofreu demais com o ano afastado do futebol. Depois de excelentes jogos do Corinthians na Libertadores contra o Once Caldas e São Paulo, o time conseguiu a vitória mais importante do ano. Venceu o San Lorenzo ontem em plena Buenos Aires por 1 a 0.

Derrotar o atual campeão da Libertadores, time do Papa, no seu estádio foi uma façanha. Deixou o clube isolado na classificação, com duas vitórias em dois jogos. Liderança isolada no grupo da Morte. Seis pontos e agora duas partidas seguidas contra o lanterna Danubio. A oportunidade de alcançar 12 pontos e quando reencontrar o San Lorenzo e o São Paulo, já pode estar classificado para os mata-matas. Ou seja, foi o jogo-chave do grupo.

Muitos treinadores iriam aproveitar os microfones para exaltar seu feito. Dizer, sem contestação, que a campanha corintiana é excepcional. Que o jogo foi difícil, mas o Corinthians se impôs. Que o gol de Elias saiu de suas observações, de seu treinamento. Fazer propaganda de sua inteligência, de sua capacidade. Mas ele mostrou como é diferente de treinadores como Vanderlei Luxemburgo e Mano Menezes, por exemplo.

"Pelo desempenho das duas equipes, o resultado mais justo seria o empate. Pegando desempenho, o empate seria o resultado mais justo. Só que o futebol premia eficiência, transformar oportunidades em gols. Mas, em desempenho, não. Para mim, o empate seria mais condizente com o que foi o jogo."

Ou seja, Tite seguiu o caminho contrário da autopromoção. Foi verdadeiro. O Corinthians tomou um sufoco do San Lorenzo. E parecia que o 'time do Papa' era o brasileiro, tamanha as chances desperdiçadas pelos argentinos. Edu Dracena e Gil padeceram com a falta de entrosamento. E proporcionaram oportunidades claríssimas aos argentinos. Além de torcer para a bola bater na trave ou ir para fora por centímetros, Cássio foi obrigado a uma defesa fantástica.

Cauteruccio, Blanco, Romagnoli e Mauro Matos desperdiçaram chances incríveis. Tiveram nos seus pés e cabeças oportunidades cara a cara com Cássio. O secreto medo de Tite se tornou realidade. Fagner e Uendel defenderam muito mal. Proporcionaram ao San Lorenzo inúmeros cruzamentos da linha de fundo.

Edgardo Bauza montou muito bem sua equipe. Marcou forte o Corinthians na intermediária brasileira. Não deu chance para o toque de bola, o San Lorenzo foi mais intenso. E desmantelou as pretensões ofensivas corintianas com suas triangulações pelas laterais. Foi um sufoco durante boa parte do jogo.

O Corinthians se ressentiu de seus desfalques. A começar pelo problemático Sheik. Sem ele, Tite tratou de apostar no colombiano Mendoza. Ele correu muito, mas descobriu aquilo que os brasileiros já sabem há muito tempo. O quanto são enganadores os estaduais. Uma coisa é fazer o que quiser com a bola diante do Linense. Outra é enfrentar os defensores do campeão da Libertadores. Não conseguiu nada de efetivo. A entrada de Petros fechou o meio de campo.

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Desta vez a ausência de Guerrero foi muito sentida. Danilo compôs o meio de campo, se deslocou, procurou abrir espaço para quem vinha de trás. Mas não conseguiu ser importante como pivô. O poder de marcação do operado Fábio Santos fez falta com Uendel na sua posição Renato Augusto tomou uma forte pancada e teve de ser substituído por Cristian. Felipe, com dor no ouvido, ficou de fora. Edu Dracena entrou e esteve muito mal.

Jadson teve uma recaída. Foi omisso. Cuidou apenas de marcar, tirar o espaço dos volantes argentinos. Muito pouco para o Corinthians, que precisa tanto dos seus lançamentos, chutes a gol, enfiadas de bola.

Tite melhorou o sistema defensivo no segundo tempo. O Corinthians ficou mais compacto. O esquema passou do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1. Elias foi liberado para atacar. Com a entrada de Cristian passou a ter mais espaço, mais confiança. O treinador corintiano faz exatamente o contrário de Mano Menezes. Com ele, o volante tem liberdade. Pode buscar o gol. Não é um homem postado diante dos zagueiros, como fazia no ano passado.

E foi graças a essa postura que veio o gol do Corinthians. Aquele que, segundo o próprio Tite, deixou o placar injusto. Em um contragolpe em velocidade, Elias desceu com a bola dominada, correndo, driblando. Ao invadir a área, ele tentou o passe para Petros, que o acompanhava pela direita. Só que o volante errou o toque, a bola tocou no zagueiro Cetto e ficou à disposição do corintiano fuzilar o goleiro Torrico. O gol aos 20 minutos do segundo tempo mudou todo o lado psicológico da partida.

Os argentinos ficaram afobados, nervosos, tensos. O Corinthians recuou de vez e tratou de segurar a bola. Deixar o tempo passar. A pressão do time da casa continuou. Mas a equipe paulista se defendeu valentemente. E conseguiu sair do vazio estádio Nuevo Gasómetro com uma vitória espetacular, em termos de classificação. Não de atuação.

São seis pontos em duas partidas. Liderança absoluta no grupo 2. E mais: repassou para São Paulo e San Lorenzo a terrível tarefa de se matarem, duelando em dois jogos seguidos.

"O resultado justo seria o empate. Mas não vou reclamar", ironizava Tite, feliz demais com a importantíssima vitória na Argentina...
2getty Tite reconhece. O Corinthians teve sorte. O empate seria o resultado mais justo contra o San Lorenzo. Dispara na liderança do Grupo da Morte. Pior para São Paulo e o atual campeão da Libertadores....

A Globo não mostrará o Corinthians pela Libertadores. Jogo contra o Danúbio será terça, dia 17. Exibirá o São Paulo contra o San Lorenzo, no dia seguinte. Arrependimento no ar…

3reproducao1 1024x576 A Globo não mostrará o Corinthians pela Libertadores. Jogo contra o Danúbio será terça, dia 17. Exibirá o São Paulo contra o San Lorenzo, no dia seguinte. Arrependimento no ar...
Executivos da TV Globo falharam. Perceberam tarde algo importantíssimo. A Conmebol marcou Corinthians e Danúbio para terça-feira, dia 17, daqui 13 dias no Uruguai. O horário: 19h30. O acordo entre a entidade sul-americana e a emissora carioca prevê: transmissão apenas jogos da Libertadores às quartas-feiras.

A partida daqui duas semanas mostrada ao vivo será São Paulo e San Lorenzo, no Morumbi. Dia 18, às 22 horas, uma quarta-feira.

Acontecerá um rompimento marcante entre a Globo e Corinthians. Seu clube paulista mais mostrado não será mostrado na tevê aberta.

Fox Sports e Sportv podem alcançar números impensáveis, transmitindo ao vivo o confronto entre os uruguaios e o Corinthians. Executivos da Globo se viram encurralados quando perceberam. Foi impossível a antecipação da transmissão. Por motivos comerciais. Os patrocinadores do Jornal Nacional e da novela Babilônia são diferentes dos que bancam mais de um bilhão de reais pelo futebol.

Há um grande clima de arrependimento na cúpula da Globo. A relação entre a emissora e a Conmebol é excelente. Se houvesse um cuidado maior quando a tabela foi divulgada, a troca dos jogos seria feita, sem problemas. O São Paulo passaria para terça-feira às 19h30. E o Corinthians atuaria na quarta-feira. Mas quando todos perceberam, já era tarde.

1reproducao3 A Globo não mostrará o Corinthians pela Libertadores. Jogo contra o Danúbio será terça, dia 17. Exibirá o São Paulo contra o San Lorenzo, no dia seguinte. Arrependimento no ar...

Para quem duvida da preferência da Globo em relação ao Corinthians, há um depoimento claro, franco do apresentador Thiago Leifert. Em uma palestra a alunos da Faculdade Uninove, ele assumiu publicamente. A emissora carioca tem no time mais popular de São Paulo a certeza de mais audiência. Thiago também colocou o Flamengo na mesma situação, para o público carioca.

A revelação aconteceu há dois anos. Mas continua valendo. Desde que seu depoimento vazou, Thiago não toca mais no tema, esteja onde estiver. A reação dos dirigentes dos outros clubes grandes foi de revolta com a confissão. Mas nada puderam fazer porque têm contrato com a Globo até o final de 2017.

Por isso a Globo vai continuar mostrando cada vez mais jogos de Corinthians e Flamengo. Sem constrangimento. Ainda mais na Libertadores. O que acontecerá na terça-feira, dia 17, será uma grande, enorme exceção...

Belo Horizonte era a capital do futebol em 2014. A ganância e falta de visão dos dirigentes de Cruzeiro e Atlético entraram em ação. Transformaram BH na capital da decepção deste país…

1reproducao2 Belo Horizonte era a capital do futebol em 2014. A ganância e falta de visão dos dirigentes de Cruzeiro e Atlético entraram em ação. Transformaram BH na capital da decepção deste país...
"O entrosamento é fundamental quando se pega equipes fechadas. O espaço é pequeno, são segundos para tomar uma decisão e às vezes não se sabe onde está o companheiro. Quando o time está entrosado, todos já sabem a passada do lateral. O Cruzeiro não tem um time absolutamente entrosado e faz falta quando é Libertadores e o adversário joga fechado, porque tem que decidir rapidamente a jogada. Um time entrosado faz isso de forma muito natural."

"Faltou coordenação tática e técnica. Empenho teve, eles se esforçaram e correram o que puderam. Sem falar que foi um confronto com um time que se posicionou bem atrás e saiu com qualidade. Com isso, a pressão pela vitória deixou nosso time com uma produtividade menor ainda. Ainda estamos buscando o entrosamento."

As declarações são de Marcelo Oliveira e Levir Culpi. Ambos sintetizavam toda a frustração de dois treinadores que tinham equipes montadas, azeitadas, vencedoras. E que entrariam para disputar a Libertadores da América como favoritas aos título.

Mas a ganância de dirigentes do Cruzeiro e do Atlético Mineiro acabaram com a certeza que os técnicos nutriam em 2014. Gilvan Tavares e Daniel Nepomuceno, diante de propostas milionárias, usaram a desculpa fácil. "Quando o jogador quer ir embora, não tem jeito de segurar." E só faltou levarem lenços brancos no aeroporto para se despedirem de atletas com nível técnico de Everton Ribeiro, Diego Tardelli, Ricardo Goulart, Lucas Silva. Todos com potencial e idade para disputar a próxima Copa do Mundo, em 2018, na Rússia.

Pessoas próximas aos dois treinadores, em Belo Horizonte, sabe que ambos tinham a convicção que as negociações deveriam ser feitas. E cultivavam, calados, com os dedos cruzados, a esperança. Acreditavam que Gilvan e Daniel seriam ótimos negociadores. Conseguiriam convencer chineses, árabes e espanhóis a só liberarem os jogadores depois da Libertadores da América. Mas, infelizmente, os dirigentes nem tentaram. Foram pelo caminho mais simples: 'vendeu, entrega'.

 Belo Horizonte era a capital do futebol em 2014. A ganância e falta de visão dos dirigentes de Cruzeiro e Atlético entraram em ação. Transformaram BH na capital da decepção deste país...

Tavares e Nepomuceno não têm obrigação de entender de futebol profundamente. Para isso acreditam bastar os treinadores que pagam regiamente. Fizeram contratações para tentar compensar as perdas. Os atletas que partiram a troco de milhões de reais. E desprezaram o princípio óbvio: entrosamento.

Não é por acaso que Cruzeiro e Atlético Mineiro já estão correndo o sério risco de serem eliminados na primeira fase da Libertadores. De quatro partidas que fizeram, com 12 pontos possíveis, obtiveram apenas dois. Ou melhor, obteve. Só o time de Marcelo conseguiu a façanha de dois empates: contra o Universitário Sucre na Bolívia e, ontem, contra o Huracán da Argentina, no Mineirão. Dois 0 a 0 frustrantes.

Desempenho muito pior teve a equipe de Levir Culpi. Derrotas para o Colo Colo no Chile , por 2 a 0; e contra o Atlas mexicano. 1 a 0 no Independência, quando no passado, quem caísse no Horto estava morto. A equipe é a lanterna do grupo. Com a Comissão Técnica já fazendo cálculos e mais cálculos para tentar fugir do vexame da eliminação precoce.

O atual bicampeão brasileiro e o campeão da Copa do Brasil penam. Seus técnicos perderam peças fundamentais dos seus times. Agora são obrigados a reformular suas equipes em plena competição mais desejada por seus torcedores. A mais difícil do ano. Sob a pressão da própria imagem que ficou guardada nas retinas dos seus fãs. Cruzeiro e Atlético orgulhavam Minas Gerais pelo que faziam em campo há três meses.

1fotoarena1 Belo Horizonte era a capital do futebol em 2014. A ganância e falta de visão dos dirigentes de Cruzeiro e Atlético entraram em ação. Transformaram BH na capital da decepção deste país...

O clima de desilusão não é restrito a Belo Horizonte. O país e mesmo os adversários estrangeiros esperam equipes muito mais fortes nesta Libertadores. Gilvan Tavares adorou a história de contratar vários jogadores e os entregar com um laço na cabeça para Marcelo Oliveira. E exigir uma equipe competitiva, vencedora. Isso não se faz da noite para o dia. E nem sempre o resultado é garantido. O encaixe dos jogadores não é uma ciência simples. Quantos atletas talentosos nada renderam atuando ao lado de outros com excelente potencial?

O atual bicampeão brasileiro perdeu peças que tornavam o time fortíssimo. Equipe competitiva, moderna, intensa. Lucas Silva se multiplicava em campo. Everton Ribeiro e Ricardo Goulart tinham entrosamento a ponto de, se preciso for, atuariam de olhos fechados. Ditavam o ritmo frenético que o Cruzeiro impunha do meio para a frente. Foram trocados de maneira precoce por dinheiro.

Marcelo Oliveira é fiel e não desabafará publicamente. Mas sabe que levou meses para conseguir dar liga ao campeão brasileiro de 2013. Não foi esta loucura organizar a equipe durante a Libertadores. Os reforços são muitos e de característica diferentes dos que saíram: De Arrascaeta, Joel, Riascos, Leandro Damião, Henrique, Felipe Seymor, Mena, Fabiano, Judivan, Gilson... Estão abaixo tecnicamente.

Aparentemente, Levir não teria perdido tanto assim. Mas só quem o conhece profundamente sabe a dor de estômago que sentiu quando Diego Tardelli foi para a China. A saída foi um desastre. Porque o meia atacante vivia o seu melhor momento em toda a carreira. Aprendeu como organizar o time do meio para a frente. Com toda a liberdade, estava atuando como excelente meia, com o faro de um artilheiro técnico, oportunista. Não virou titular absoluto da Seleção Brasileira de Dunga por acaso. Sozinho compensava muitos defeitos atleticanos.

Levir tentou avisar, mas não houve como a diretoria atleticana entender. Perder Tardelli desestruturou toda a parte ofensiva atleticana. O time teve de mudar radicalmente sua postura. Cárdenas e Pratto juntos não compensam. Nem a fixação de Carlos. Muito menos o instável e irritante Maicosuel. O treinador ainda teve desfalques que deixaram a equipe ainda mais insegura. As derrotas custaram a lanterna no difícil grupo que ainda conta com o Colo Colo chileno.

Belo Horizonte foi a capital do futebol brasileiro em 2014. Todos os demais estados não tiveram outra saída a não ser admitir a superioridade mineira. Terra da atual bicampeão do país e do dono da Copa do Brasil. Mas a ganância fez com que trocassem seus principais jogadores por dinheiro. Seus dirigentes não tiveram competência para segurá-los até o final da Libertadores, torneio mais desejado.

Como não há milagre no futebol, agora frustram suas torcidas. Nada é por acaso. Tanto na vida como no futebol. Marcelo Oliveira e Levir deram o alerta. Avisaram os dirigentes. Tudo seria muito diferente em 2015. Tinham razão...
4reproducao1 Belo Horizonte era a capital do futebol em 2014. A ganância e falta de visão dos dirigentes de Cruzeiro e Atlético entraram em ação. Transformaram BH na capital da decepção deste país...