Mano dançou cedo demais. O vexame no Mineirão fará o Corinthians deixar de ganhar R$ 10 milhões. Escancarou um sério racha. Campeões mundiais contra os fracos jogadores contratados. A Libertadores de 2015 está por um fio…

1ae9 Mano dançou cedo demais. O vexame no Mineirão fará o Corinthians deixar de ganhar R$ 10 milhões. Escancarou um sério racha. Campeões mundiais contra os fracos jogadores contratados. A Libertadores de 2015 está por um fio...
Enquanto os jogadores do Atlético Mineiro dançavam, ironizando Mano Menezes, conselheiros da oposição e da situação já trocavam telefonemas, preocupados. A eliminação do Corinthians da Copa do Brasil, depois da vexatória goleada por 4 a 1 implodia o plano mais fácil para a chegada a Libertadores. A incompetência do time sabotava também a possibilidade imediata de ganhar pelo menos R$ 10 milhões. Os preços seriam majorados no Itaquerão para a semifinal e decisão do torneio.

Logo de cara seriam dois clássicos contra o Flamengo. E fosse qual fosse o adversário da decisão, Cruzeiro, Santos ou Botafogo, a certeza de estádio abarrotado. Muito dinheiro foi para o ralo com a derrota de ontem.

2014 já será um ano sem títulos para o Corinthians. Fracassos no Paulista, Copa do Brasil e do próprio Brasileiro, Mano já abriu mão. Assumiu que seu time não tem competência para ser campeão. Mario Gobbi aceitou a resignação do treinador. Enfrentou furiosos conselheiros que exigiam a demissão do técnico desde setembro. Apenas fez questão de assumir publicamente a obrigação de classificação para a mais rentável competição na América Latina.

"A vaga na Libertadores é o compromisso mínimo. Temos de recolocar o Corinthians na Libertadores." Garantiu o inseguro presidente, quando os líderes do time foram convocados a depor para a imprensa. Dando de 'livre e espontânea vontade' sua solidariedade a Mano Menezes. Isso diante de Gobbi, o homem responsável por seus salários.

Roberto de Andrade é o candidato de Andrés Sanchez à presidência. A oposição quer que Roque Citadini saia como candidato da oposição. O milionário Paulo Garcia quer concorrer de novo. Em comum com os três, a dependência da Libertadores. Cálculos de conselheiros ligados à economia do clube garantem que o clube arrecadaria pelo menos R$ 30 milhões se chegasse à decisão da competição sul-americana em 2015. Esse dinheiro seria fundamental para amenizar a grande dificuldade financeira criada pelo Itaquerão.

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Por isso, o vexame de ontem no Mineirão não será esquecido. O 4 a 1 fechou a tampa do caixão de Mano Menezes. As mínimas chances que tinha de continuar no Corinthians no próximo ano não existem mais. Conselheiros revoltados queriam uma atitude firme de Gobbi, a demissão do técnico na madrugada de ontem. Acontece que o presidente delegado deu sua palavra de honra a Mano que ele ficará até dezembro, quando termina seu contrato.

Gobbi estava completamente perdido, desorientado ao dar sua entrevista ontem no Mineirão. Envergonhado com a goleada, xingado pelos torcedores, cobrado pelos conselheiros. Sua opção por manter Mano Menezes provocou a humilhante e história derrota por 4 a 1. E a garantia de prejuízo financeiro. Nervoso, suas palavras não tinham consistência alguma.

"Não é porque não teve resultado que vou mandar o treinador embora, não teve resultado de títulos, mas o time jogou, foi feito um novo plantel, tem um trabalho sendo feito. Só que não é do dia pra noite. Agora vem a segunda parte da reformulação, é difícil, tem que ter paciência. No final do ano, vamos por mais qualidade técnica, o time vai crescer muito."

Como 'vamos por mais qualidade técnica no final do ano'? As contratações estão encerrada. O discurso de Gobbi é vazio. Faltam dez rodadas para o final do Brasileiro. O Corinthians é o sexto colocado, com o time inseguro, inconstante. Internacional, Vitória, Palmeiras, Coritiba, Santos, Bahia, Goiás, Grêmio, Fluminense, Criciúma são os adversários. A pressão já será enorme no domingo, em Porto Alegre, contra o time de Abel Braga.

O choro de Guerrero deixando o Mineirão ontem resumia a decepção dos jogadores. Principalmente os mais experientes, os que foram campeões mundiais. Cássio revelou um racha no elenco. A reformulação imposta por Mano e Gobbi foi um fracasso. O Corinthians ficou mais fraco que 2013. Não foi por acaso que o goleiro deixou escapar raivoso sua revolta.

"Tem jogador aqui que não está preparado para jogar no Corinthians." Cássio foi direto. Não é só uma questão de idade, não. Estava nítido na partida de ontem seu desespero com a dupla de zagueiros que Mano escolheu. Felipe e Anderson Martins foram outra vez péssimos, inseguros. Guilherme Andrade não protegeu os fracos zagueiros. Malcom se intimidou com a importância da partida de ontem. Jovem demais. Os veteranos também não aprovam o comportamento de Luciano, considerado arrogante, individualista.

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Há muita revolta na própria diretoria corintiana em relação a Mano. Como é que Tardelli jogou as duas partidas com a Seleção na China e em Cingapura e foi para a decisão ontem no Mineirão? Enquanto Gil ficou o tempo todo no banco de reservas. Elias só entrou quando o desastre se desenhava. Outro motivo para desabafo. Houve uma discreta comemoração nos bastidores corintianos quando o Atlético tirou a partida do Independência. No Mineirão, a pressão ao time de Mano seria muito menor. Mesmo assim, seus jogadores não suportaram.

A declaração de Cássio já começou a ter consequências. Logo no vestiário, ele foi avisado que teria de amenizar o que falou. Por isso procurou os repórteres ontem, tentando se desmentir. "Aqui é um grupo, a gente não tem problema com nenhum jogador, quando se perde, perde todo mundo e, quando se ganha, também. Eu tenho minha parcela assim como todos os outros jogadores." Seu desmentido não adiantou.

Já há jogadores descontentes com o que ouviram. Como o vaidoso Luciano, que fez questão de mostrar sua irritação, se negando a dar entrevistas. Há uma divisão, um racha entre os campeões mundiais e os fracos reforços que a diretoria contratou. Isso fica cada vez mais nítido em cada partida. Basta reparar nas reclamações durante os jogos e até nas comemorações de gols. Mano se omite. Como ontem. "A hora é de silêncio", disse, lavando as mãos, diante das declarações de Cássio.

1reproducao28 Mano dançou cedo demais. O vexame no Mineirão fará o Corinthians deixar de ganhar R$ 10 milhões. Escancarou um sério racha. Campeões mundiais contra os fracos jogadores contratados. A Libertadores de 2015 está por um fio...

As organizadas prometem outra vez protestar contra Mano Menezes, contra os jogadores, contra Mario Gobbi. Os dirigentes ligados à parte econômica do clube se desesperam. Não esperavam o fracasso ontem. E vão rezar para o time conseguir pelo menos chegar em quarto lugar no Brasileiro. Também abriram mão da conquista do Brasileiro faz tempo.

O nome de Tite é repetido do porteiro até o provável novo presidente do clube, Roberto de Andrade. Resta só saber que herança Mario Gobbi e Mano deixarão. Se o time estiver classificado para a Libertadores, reforços importantes serão contratados. Se não, o Corinthians será obrigado a buscar atletas médios, jovens promessas. Terá um time muito mais barato. Com a possibilidade até de perder atletas ao Exterior. Como Guerrero.

A dança dos jogadores do Atlético Mineiro trouxe muita dor de cabeça aos parceiros Mario Gobbi, Mano Menezes e Carlos Leite. O empresário terá dificuldade em encontrar um clube forte disposto a pagar R$ 500 mil mensais em 2015 a um treinador que acumula fracassos na Seleção Brasileira, no Flamengo e no Corinthians. Um técnico com trabalhos tão fracos tem de pensar dez vezes antes de sair dançando por aí.

Ainda teve de ouvir Levir Culpi desancando sua atitude, de dançar, quando o Corinthians venceu o Atlético por 2 a 0 no primeiro jogo, no Itaquerão.

"Acho um baixo nível, sabe... Faz parte do futebol. Já usei, inclusive, e me condeno por ter usado. Mas acho que o futebol deve ser vencido com categoria, educação. Seria impossível para mim, sair correndo e fazendo aviãozinho em um momento como esse porque o cara perdeu por 4 a 1. Não faz parte do esporte. A gozação do torcedor que mantém o futebol animado. Mas do profissional não. Somos brasileiros e muito mal educados."

Romário resume a superação do brasileiro. De bebê subnutrido, favelado a ídolo mundial. Senador da República, presidente do América. E já favorito a prefeito do Rio de Janeiro…

1reproducao27 1024x679 Romário resume a superação do brasileiro. De bebê subnutrido, favelado a ídolo mundial. Senador da República, presidente do América. E já favorito a prefeito do Rio de Janeiro...
"Não temos líderes na política brasileira. Depois que o presidente Lula terminou o seu segundo mandato, ficamos sem. A presidente Dilma está ainda tentando, aprendendo a exercer a liderança. Eu sempre tive essa minha personalidade forte, firme. Estou usando a minha experiência de vida na política brasileira e está dando certo."

Essa afirmação é de Romário. Foi feita para mim, no México, no Pan de Guadalajara. Lá ele já começava a perceber que o caminho da política estava aberto. Havia muito espaço vago para uma pessoa com sua personalidade, seu carisma, seu poder de mobilização. E a coragem de dizer sempre o que quis, do alto dos seus alegados 1m67.

Fiz outra entrevista longa com ele para a revista Vip. Foi no final da década de 90. Ele me disse de maneira espantosa. "Nasci em um favela aqui do Rio, a Jacarezinho. Meus pais não tinham dinheiro para comprar um carrinho. Sai do hospital dentro de uma caixa de sapatos. Era pequeno, do tamanho de um rato. Desde menino entendia o sacrifício dos meus país. Fizeram de tudo para me preparar para a vida. Eu sabia que seria algo importante."

Romário aprendeu a sempre correr atrás do que desejava. Com paixão, paixão, volúpia para o buscar melhor. Inclusive quando o assunto é mulher. Ele me disse, desta vez falando para o Jornal da Tarde, de maneira direta o quando gosta do sexo oposto. Perguntei porque tantos casamentos.

"Só vou responder se você colocar do jeito que eu disser. Sem amenizar", disse provocativo. Tive de aceitar. "Os meus relacionamentos são simples. Enquanto tiver paixão, eu continuo. Por que eu gosto de f... Dentro do carro, na praia, onde for. Se for para dar beijo na bochecha, vou dar na minha mãe." Ele era o principal jogador do Vasco e não um senador da República.

Sem querer causei um enorme problema para ele na sua carreira. Quando ele foi convocado para um amistoso contra a Alemanha em Porto Alegre por Parreira, foi colocado como reserva. Era dezembro de 1992. Parreira escalou a equipe. No ataque, como centroavante na época, Careca. Perguntei, lógico, após o treinamento. "Como é que você se sente, vindo da Holanda até o Rio Grande do Sul. Só para ficar na reserva?" Pronto, acendi o pavio. "Se fosse para ficar na reserva, não deveriam nem ter me chamado."

1ae8 Romário resume a superação do brasileiro. De bebê subnutrido, favelado a ídolo mundial. Senador da República, presidente do América. E já favorito a prefeito do Rio de Janeiro...

Foi o caos, Parreira ficou irritadíssimo. E tratou de deixar Romário de fora de quase todas as eliminatórias. Elas foram sofridas. O Brasil precisava desesperadamente vencer o Uruguai. Ou poderia ficar de fora da Copa de 1994. A pressão foi enorme para a volta do atacante, um dos melhores do mundo no Barcelona. Foi convocado e teve uma atuação fantástica. Decidiu a partida para a Seleção.

Naquela época, repórteres de jornal podiam entrar no gramado após o jogo. Eu estava lá quando Romário correu para o vestiário. Fui no seu encalço. Guardas me seguraram, impediram que continuasse a perseguir o atacante. Foi a única vez na minha vida que tive de agradecer a Ricardo Teixeira. O presidente da CBF me viu e como tinha imposto a Parreira a convocação de Romário, queria que suas palavras fossem estampadas no jornal. Ele pediu aos guardas para me soltarem e e autorizou o atacante a desabafar. "Sabia que iria ajudar o Brasil. Vim aqui para isso. E vou fazer mais na Copa." Falou e suas declarações foram proféticas.

Em 1998, Romário chorou muito com o corte. O futevôlei sabotou sua panturrilha. E não pôde disputar a Copa da França. Suas lágrimas incendiaram a concentração. Cansamos de perguntar a Zico e a Zagallo se eles haviam prometido que esperariam pela recuperação do atacante durante o Mundial. E a negativa foi sempre veemente. Romário se vingou. Pediu a um desenhista fazer a caricatura da dupla em portas de uma boate que ele era sócio.

Romário era muito ligado ao seu pai Edevair. Ele era torcedor de verdade do América do Rio. O pedido que atuasse como jogador do clube foi atendido. Mas apenas em 2009. No ano anterior, o pai havia falecido. Ele nunca se contentou em apenas aquela homenagem. Foi quando surgiu a chance de virar nada menos do que presidente do tradicional, mas combalido clube carioca. Romário disse que aceitaria disputar o cargo. Desde que não houvesse concorrentes e tivesse de fazer campanha.

Foi aceito. A eleição aconteceu ontem. Teve 194 votos e cinco nulo. Oficialmente o cargo será dele em novembro, quando será aclamado pelo Conselho Deliberativo. O time está na Série B do Carioca. A presença do ex-jogador é vista como um atrativo para patrocinadores. O sonho de Romário é fazer a equipe disputar as principais séries do Campeonato Carioca e Brasileiro.

2reproducao8 Romário resume a superação do brasileiro. De bebê subnutrido, favelado a ídolo mundial. Senador da República, presidente do América. E já favorito a prefeito do Rio de Janeiro...

Ao ser eleito deputado federal, Romário tinha um sonho. Ser prefeito do Rio de Janeiro. Ele acreditava que precisava revolucionar sua cidade. Só que a eleição acontecerá apenas em 2016. Foi quando surgiu a possibilidade de sair candidato ao Senado. Tinha de enfrentar César Maia, três vezes prefeito carioca. Uma raposa política. O total de votos foi de 4 milhões e seiscentos mil votos. 63% contra 20% de Maia.

"Com 4 milhões e 683 mil e 572 votos. Sou o senador mais bem votado da história do Estado do Rio de Janeiro. Meus pais, nem no melhor dos cenários, imaginariam que aquele menino que saiu da maternidade numa caixa de sapatos, ocuparia um dos cargos mais altos da República. Driblei a pobreza jogando futebol e, apesar de muitos torcerem o nariz, eu me orgulho muito disso. O futebol ainda é um esporte criminalizado, muitos nem consideram jogador de futebol um atleta, mas eu estou aqui para vencer barreiras e quebrar paradigmas. Só tenho a agradecer as pessoas que me confiaram o voto. Este cenário eleitoral comprova que a população cansou de votar em bem nascidos e querem ver o seu espelho no Congresso. Hoje, entra para história um ex-favelado que virou senador da República. Obrigado."

Romário agradeceu na sua página da Internet. Virou um dos maiores fenômenos da última eleição. Com problemas com PSB é assediado por vários partidos. Todos o querem como representante na luta pela prefeitura carioca. Inclusive já é favorito nessa nova corrida eleitoral. Aos 48 anos ele tem tudo para ter um futuro enorme na política. Se Marina Silva fosse eleita presidente, o queria no Ministério dos Esportes.

4reproducao4 Romário resume a superação do brasileiro. De bebê subnutrido, favelado a ídolo mundial. Senador da República, presidente do América. E já favorito a prefeito do Rio de Janeiro...

Como deputado federal, ele já massacrava a CBF, Marin, Marco Polo del Nero, Gilmar Rinaldi. Agora senador, os ataques irão até se intensificar. Não se conforma por ter sido enganado pela CBF e Fifa. Os 32 mil ingressos reservados para a Copa a pessoas deficientes nunca viraram realidade. "Essa dupla, Marin e Del Nero, não entende nada de futebol brasileiro e não quer fazer o bem ao nosso esporte", disse ao SBT.

Senador da República e presidente do América, Romário quer e pode muito mais. Ocupa exatamente a lacuna que deixou claro existir no cenário político. Faltam líderes. O bebê que, subnutrido, saiu do hospital dentro de uma caixa de sapatos chegou onde jamais poderiam supor Lita e Edevanir. Ele é o retrato do poder de superação do brasileiro...
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Depois da Copa, Jô mergulha de cabeça na depressão. Nada de Alemanha, Europa. Está há seis meses sem marcar um gol. Saudoso do companheiro Ronaldinho, foi pego na balada. E está com dois pés fora do Atlético Mineiro…

1ae7 Depois da Copa, Jô mergulha de cabeça na depressão. Nada de Alemanha, Europa. Está há seis meses sem marcar um gol. Saudoso do companheiro Ronaldinho, foi pego na balada. E está com dois pés fora do Atlético Mineiro...
Em abril, há exatos seis meses, as rádios de Belo Horizonte garantiram. Jô já estava vendido para um clube da Alemanha. A transferência seria por 15 milhões de euros, cerca de R$ 45 milhões. Setoristas de jornais do Atlético Mineiro deixavam escapar. A negociação seria com o Borussia Dortmund.

No início do treinamento do Brasil para a Copa, Jô estava feliz. Se dizia no melhor momento da sua carreira. E que devia tudo ao Atlético Mineiro. Dizia que só sairia se fosse bem para o clube. Ele sabia que das dificuldades financeiras, com o dinheiro da venda de Bernard retido pela Fazenda.

Era um eufemismo óbvio que estava disposto a sair. Felipão garantia ao atacante que ele faria muito sucesso na Alemanha. Voltaria à Europa mais maduro, 'pronto'. A diretoria do Atlético Mineiro sentia a euforia pela chegada da Copa. O clima de vitória levou dirigentes experientes a tentar ganhar mais com Jô. Por que 15 milhões de euros e não 20 milhões?, sonhavam conselheiros mais animados.

O Borussia desistiu de tentar o brasileiro. Fechou com o italiano Mobille, artilheiro do Campeonato Italiano de 2013. Por 19,4 milhões de euros, cerca de R$ 58,8 milhões. A notícia não abalou a Cidade do Galo. Afinal, haveria outras propostas. Com toda certeza, Felipão utilizaria Jô. E se tudo desse certo, o preço de um campeão do mundo dispararia.

Só que acabou a ficção. Veio a realidade. A Seleção Brasileira foi um fiasco. E a participação de Jô, fraquíssima. Lógico que os empresários sumiram. Se esqueceram do atacante brasileiro reserva da Seleção Brasileira, que perdeu em casa por 7 a 1.

Os reflexos da Copa atingiram em cheio a Jô. O jogador perdeu a motivação. Voltar ao Atlético Mineiro era algo que não esperava. Os treinamentos, as atuações eram decepcionantes. Sem entusiasmo, comprometimento. E havia mais. O técnico não era o compreensivo Cuca. Mas Levir Culpi. Ele foi contratado por Alexandre Kalil para acabar com a indisciplina, com a acomodação atleticana. O dirigente percebia algo parecido com o que havia acontecido no Corinthians, depois da conquista da Libertadores e do Mundial. 2013 foi um ano péssimo no Parque São Jorge.

Kalil exige ao menos a classificação para a Libertadores de 2015. Levir percebeu que era hora de enfrentar o inevitável. O primeiro alvo foi Ronaldinho Gaúcho. O treinador se reuniu com o presidente do clube. E foi direto. O meia não estava rendendo. Seria melhor antecipar sua saída. E enquanto fosse algo amigável. O vivido jogador já percebia que não era mais peça fundamental na organização tática atleticana. E começava a criar problemas.

Como quando foi liberado para atuar na despedida de Deco. Afirmou que perdeu o voo para Portugal. Mas não se reapresentou no clube, não treinou. Era chegada a hora. E foi feita a rescisão de contrato. Jô se sentiu sem seu grande parceiro. Ficou ainda mais fechado, incomodado.

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Foi quando faltou a um treinamento em agosto. Kalil mandou avisar que estava multado em 40% dos seus salários. Recebe R$ 200 mil a cada 30 dias. Muito embora membros de sindicatos de atletas do país garantem que as multas dadas pelos clubes só podem chegar a 10%. Depois da punição, o jogador pediu desculpas. E prometeu que iria mudar. Realmente mudou. Seu futebol nunca esteve pior.

Levir passou a deixar de considerá-lo fundamental à equipe. Sem movimentação, força, disposição nas partidas. Os gols sumiram. Há 22 jogos que Jô não consegue fazer um único tento a favor do Atlético. Seis meses. O treinador começou a não levá-lo para vários jogos. Não bastasse isso. Na semana passada, o atacante procurou a diretoria alegando estar com problemas particulares. Não treinou na sexta, no sábado. Não jogou contra o São Paulo no domingo.

Mas veio a madrugada da segunda-feira. E onde ele estava? Na quadra da escola de samba Tradição, no Rio de Janeiro. Que tipo de problema particular é esse que o impede de jogar. Mas não de sambar pela madrugada? As fotos do jogador ao lado de fãs irritou demais os dirigentes. Afinal, amanhã o clube decide sua vida na Copa do Brasil no Mineirão.

1reproducao26 Depois da Copa, Jô mergulha de cabeça na depressão. Nada de Alemanha, Europa. Está há seis meses sem marcar um gol. Saudoso do companheiro Ronaldinho, foi pego na balada. E está com dois pés fora do Atlético Mineiro...

O Atlético perdeu a primeira partida das quartas contra o Corinthians por 2 a 0. Levir Culpi queria força total. As fotos de Jô desviaram o foco do treinador por pouco tempo. Logo ontem, segunda de folga, já havia decidido que não o colocaria no jogo. Não queria perder o comando do time. Na manhã de hoje, Jô procurou o diretor de futebol, Eduardo Maluf. A conversa foi rápida. Quem define é Alexandre Kalil. O encontro talvez acontecesse hoje à tarde. Mas foi adiado. Provavelmente para quinta-feira.

Jô soube hoje que Levir não o quer na partida de amanhã. Nem como reserva. Não o quis nem junto com os demais jogadores, concentrados. Não é segredo para ninguém que, se dependesse do técnico, Jô teria o seu contrato rescindido. Mas acontece que o Atlético gastou 1,5 milhão de euros, cerca de R$ 4,5 milhões por 50% dos direitos do jogador. O recuperou depois de ter sido dispensado por indisciplina do Internacional. E agora tem nas mãos um atacante sem ânimo, depressivo e indisciplinado.

Seu contrato deveria terminar em 2015. A tendência é que seja dispensado. Deixou de ser fundamental há muito tempo na Cidade do Galo. Sua concentração no futebol foi embora com a Copa. Se sente contaminado pelo fracasso do time de Felipão. Tanto que o interesse de clubes europeus no seu futebol desapareceu. Ele está exatamente como no Internacional em maio de 2012. A história se repete. Perdeu muito de sua credibilidade na Cidade do Galo.

Sambar na Tradição, em plena madrugada de segunda-feira, não foi exatamente uma bela atitude a tomar. Não com o clube tendo um jogo eliminatório dificílimo contra o Corinthians. Foi sumariamente cortado do grupo que irá se concentrar. Está muito perto de ter seu contrato rescindido. Se não for agora, não ficará no clube em 2015. Jô brincou com a sorte. Perdeu novamente. 2014 está sendo um ano inesquecível na sua carreira. Mas não como imaginava...
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Jogar contra o Japão sempre foi uma maneira de levantar a autoestima da Seleção. 4 a 0, quatro gols de Neymar. Um dos melhores jogadores do mundo se divertiu em Cingapura..

1afp Jogar contra o Japão sempre foi uma maneira de levantar a autoestima da Seleção. 4 a 0, quatro gols de Neymar. Um dos melhores jogadores do mundo se divertiu em Cingapura..
Jogar contra o Japão sempre reergueu a autoestima do futebol brasileiro. Por mais que existam a disciplina tática, a obediência, a organização, o futebol é decidido com o talento com a bola nos pés. Ainda mais quando o respeito se torna reverência. A ponto das faltas serem economizadas, nada de pontapés. Esse cenário foi um parque de diversão para um dos melhores jogadores do mundo. Neymar não jogou. Se divertiu. Marcou todos os gols na goleada por 4 a 0 em Cingapura. Pouco importou que o gramado fosse indecente. Repleto de areia. Expondo o quanto é amadora a organização dos amistosos do único país pentacampeão mundial.

"Nem nos meus melhores sonhos imaginava marcar quatro gols jogando pela Seleção. O Dunga falou no vestiário que a melhor maneira de demonstrar respeito pelo adversário é vencendo. Foi o que fizemos", disse Neymar. Aos 22 anos, ele chegou aos 40 gols. É o oitavo artilheiro da Seleção em todos os tempos. Se forem contabilizados apenas os amistosos oficiais, passa para quinto. Romário, contra a Venezuela, em 2000 foi o último jogador a marcar quatro gols com a camisa amarela.

Neymar hoje fez o que quis. O mexicano Javier Aguirre só pode ser amigo íntimo de Dunga. Foi absurda a postura tática dos japoneses. Suicida, até. Mesmo com um time muito fraco nas mãos, ele tentou a consagração. Colocou sua equipe aberta, tentando repetir o que o México fez nas últimas partidas contra os brasileiros. Tentou adiantar a sua marcação. Travar a saída de bola dos sul-americanos. Uma estupidez.

Willian, Oscar, Tardelli e Neymar talvez tivessem dificuldades se estivesse diante de adversários mais qualificados. Com potencial para tabelas curtas, descidas em bloco nos contragolpes. Até fisicamente mais fortes. E com vivência suficiente capaz de matar as jogadas com faltas. Não ter vergonha de truncar o jogo. Os japoneses estavam muito longe disso. Entraram no gramado/areia intimidados. Com medo.

3ap1 Jogar contra o Japão sempre foi uma maneira de levantar a autoestima da Seleção. 4 a 0, quatro gols de Neymar. Um dos melhores jogadores do mundo se divertiu em Cingapura..

O Brasil sentiu o cheiro de sangue. É inadmissível a ingenuidade da defesa nipônica, jogando adiantada, em linha. Situação ideal para o Brasil compacto de Dunga. Time com as peças muito próximas. Com excelente poder de recomposição. E velocidade no ataque. Mesmo descontando a fragilidade do adversário, a movimentação da Seleção é algo que merece ser destacada. Ainda reflexo do 7 a 1 da Alemanha.

A Seleção se empenhou. Dunga sabia que o jogo seria fácil. Tinha informações das dificuldades de Aguirre no seu início de trabalho no Japão. A mentalidade mexicana está sendo muito difícil de ser compreendidas pela equipe. Para piorar ainda mais, a geração é fraca. Não tem grandes valores individuais. É uma equipe medíocre, esforçada. E que está aprendendo a marcar a saída de bola adversária. A se compactar. E a jogar com a defesa adiantada, em linha. É preciso muito, mas muito treino e jogos para essa filosofia dê resultado.

Dunga tem nas mãos jogadores vividos. Com experiência nos melhores times do mundo. Com exceção de David Luiz contundido, a equipe era a mesma que havia vencido a Argentina. O esquema tático também era o mesmo. Um acerto. Independente do adversário, o Brasil precisa redescobrir a sua maneira de atuar. Mais de acordo com o potencial de sua geração. Só Neymar é fora de série. A Seleção tem bons jogadores no contexto mundial Depende como todas os grandes times do mundo de tática, estratégia, dedicação. Humildade para marcar forte quando estiver sem a bola.

Foi o que fez com toda facilidade. Tardelli mostrou toda a inutilidade de atuar com um atacante preso, enfiado com um poste na área adversária. Toda a Copa, Felipão fez o Brasil atuar com dez jogadores. Facilitou o trabalho dos adversários. Sobrecarregou o time, sem perceber. A leveza de Tardelli, Willian e Oscar mais à frente facilitou a vida de Neymar. Desde os primeiros minutos ficou claro que a partida seria dele.

O esquema do Brasil, a inspiração, a defesa em linha e o respeito submisso dos japoneses se juntavam. E se transformavam em um tapete vermelho para um dos mais talentosos jogadores do planeta. A diversão começou com uma bola no travessão em cobrança de falta. Depois, Tardelli o descobriu em um passe excelente, por trás dos zagueiros. Aos 17 minutos, Brasil 1 a 0.

Jogador tem instinto. Os brasileiros perceberam que seria muito fácil. Apenas erraram em tentar tocar a bola em velocidade no gramado/areia. Muitos passes foram perdidos. Os japoneses obedeciam as ordens de Aguirre. E adiantavam seu meio de campo para atuar perto do ataque. Criaram algumas oportunidades. Mais por erro de posicionamento brasileiro. Tiveram até um pênalti não marcada. Luiz Gustavo cortou com a mão cobrança de falta. O árbitro Ahmad A'Qashah, de Cingapura, não teve personalidade para marcar. Os organizadores dos amistosos da Seleção precisam contratar árbitros de melhor nível. Fazem uma economia estúpida, comprometem os jogos com juízes ruins.

No segundo tempo, Dunga colocou Philippe Coutinho e Everton Ribeiro. Tirou Willian e Oscar. O Brasil ganhou em objetividade. Diante dos japoneses desgastados fisicamente e ainda mais abertos, Neymar deitou e rolou. Aproveitou lançamento em curva de Coutinho atrás dos zagueiros. 2 a 0, logo aos dois minutos. O camisa 10 da Seleção não perdoou rebote de Kawashima: 3 a 0, aos 32 minutos.

2ap Jogar contra o Japão sempre foi uma maneira de levantar a autoestima da Seleção. 4 a 0, quatro gols de Neymar. Um dos melhores jogadores do mundo se divertiu em Cingapura..

E aos 36, completou excelente troca de passes do ataque brasileiro. Parecia treino. Kaká levantou a bola para o jogador do Barcelona cabecear. 4 a 0, aos 36 minutos. Se forçasse mais, a goleada seria maior. Mas os atletas estavam cansados e satisfeitos.

A passagem da Seleção pela Ásia foi a melhor possível dentro do gramado/areia. Ganhou da Argentina, recuperou parte do respeito mundial. E se divertiu diante dos limitados japoneses. O ano terminará com jogos diante da Turquia e Áustria. Dunga está fazendo um bom início de retomada. Taticamente, o Brasil percebeu sua limitação. Ficou mais competitivo.

Agora só falta o treinador parar de arrumar confusão. Se perder com discussões com treinadores e jornalistas. Pensar só no time. Se tiver essa capacidade, será melhor para a Seleção. Todos estamos cansados de vexames...
1reproducao25 Jogar contra o Japão sempre foi uma maneira de levantar a autoestima da Seleção. 4 a 0, quatro gols de Neymar. Um dos melhores jogadores do mundo se divertiu em Cingapura..

Cúpula da CBF se assusta com pergunta a Dunga. Teme perseguição, vingança da Globo ao técnico da Seleção. Pura paranoia. A relação continua ótima. Foi apenas um repórter cumprindo a sua obrigação…

1divulgacao3 Cúpula da CBF se assusta com pergunta a Dunga. Teme perseguição, vingança da Globo ao técnico da Seleção. Pura paranoia. A relação continua ótima. Foi apenas um repórter cumprindo a sua obrigação...
Cubro jogos da Seleção Brasileira desde 1989. Foram centenas de jogos, seis Copas do Mundo, eliminatórias, Copas América, Olimpíada, Panamericano e muitos amistosos. Conheci muita gente. Os melhores repórteres de televisão para mim são Mauro Naves, Roberto Thomé, Fernando Fernandes e Tino Marcos.

Cada um no seu estilo. Mauro é o rei dos bastidores, cativa o entrevistado e, quem o cerca, fora do ar com sua personalidade agradável. Thomé tem ótima visão tática, fontes importantes, busca notícia, não a espera cair no colo. Tem a coragem de fazer a pergunta que todos evitam. Foi assim que deu o furo da volta de Felipão à Seleção, ainda na Olimpíada de Londres.

Fernandinho optou pela malícia dos repórteres que passaram pelo rádio. Fala a mesma linguagem dos jogadores. Os faz sentir que estão se abrindo com que realmente entende suas alegrias, seus dramas. É o terror para os colegas após jogos. Quando começa a perguntar não para mais. Ágil, bem informado.

Tino é estudioso, com uma visão diferenciada, que foge da obviedade. Conduz a emoção do telespectador como um cruel diretor de cinema. Da euforia, empolgação à mais profunda tristeza. Sabe colar as imagens com textos que vão muito além do esporte.

Nas minhas veias corre o sangue do repórter 'de jornal'. Não de um jornal qualquer, mas o falecido Jornal da Tarde. Vespertino que revolucionou a imprensa esportiva brasileira. Com sua diagramação e eterna contestação. Foram prêmios e mais prêmio. Fechou porque seus donos não perceberam a importância da mídia eletrônica, a Internet. Tive a sorte trabalhar no JT por 22 anos. Trouxe essa experiência para os já cinco anos de blog no R7.

Entre nós, repórteres 'de jornal' sabíamos muito bem a diferença dos veículos. Principalmente a televisão. Tínhamos páginas e mais páginas para explicar o que víamos. Os repórteres de televisão, não. Dificilmente suas matérias passam de dois minutos. Sempre com direito a imagens para prender a atenção do telespectador. As 'passagens', resumo do que o jornalista considerou mais importante no dia é autoral. Ele coloca seu rosto diante das câmeras. E dá a sua visão. Geralmente, não mais de 30 segundos.

1reproducao22 Cúpula da CBF se assusta com pergunta a Dunga. Teme perseguição, vingança da Globo ao técnico da Seleção. Pura paranoia. A relação continua ótima. Foi apenas um repórter cumprindo a sua obrigação...

Nunca me adaptaria a ser 'repórter de tevê'. Gosto de contextualizar, explicar tudo o que cerca um fato. Minhas passagens levariam cinco minutos, no mínimo. O telespectador já teria mudado de canal após os 30 primeiros segundos. A adaptação seria impossível. Por isso recusei duas propostas da Globo, uma da Bandeirantes e outra da Cultura. Elas não sabem do que escaparam.

Os veículos de comunicação têm seus interesses, como qualquer empresa. Ainda mais envolvendo a Seleção Brasileira. Posso testemunhar que Mauro, Thomé, Fernandinho e Tino enxergam tão bem quanto qualquer 'repórter' de jornal. Ou até melhor. Mas qual o interesse de redes em denegrir um produto que é seu? Que pagou caro por ele? Principalmente da TV Globo, que monopoliza ao futebol há 40 anos neste país.

Mauro e Tino são dignos, mas não se precipitam. Mostram os indícios da crise, se um trabalho é mal feito. Mas não balizam suas matérias por massacrar esta situação. São orientados a não opinar, a informar. No máximo perguntam. Deixam para os comentaristas, se quiserem e, puderem, criticarem, cobrarem, lamentarem. Vividos até a medula, Naves e Marcos teriam todo conhecimento necessário para expor as entranhas da Seleção. Mas cumprem a missão de reportar. E ponto final.

Conheço Mauro desde a Copa de 1998, na França. Formado em Estatística, vê números em tudo. Ele é divertido, sagaz. Está sempre conversando com os treinadores da Seleção fora das câmeras. Esperto. Por trabalhar em São Paulo, a proximidade foi natural.

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Vejo Tino esporadicamente. Ele mora no Rio. A primeira vez que o encontrei foi em 1991, na Copa América do Chile. Quando o assessor de imprensa de Falcão, Vital Bataglia, exagerou na proteção do inexperiente treinador. Ele também jornalista vivido, não teve traquejo para lidar com a imprensa brasileira. A boa intenção e a vontade de acabar com privilégios tornou insuportável o ambiente da Seleção no Chile.

Falcão e Bataglia caíram para nunca mais voltar. Desde então, nas últimas seis Copas, sou obrigado a me encontrar com Tino. Não sou seu amigo. Reparo muito bem que ele vai até onde pode ir. Dança muito bem na corda bamba. Não pode ferir os interesses da Globo, mas tem sua dignidade de jornalista preservada.

Ele é reservado. Nada de bate papo fora do ar com treinadores, dirigentes, jogadores. Usa muito bem o produtor especializado em Seleção Brasileira, João Ramalho, para conseguir o que precisa de bastidor. Chega preparado para as entrevistas.

Fiz questão de mostrar um pouco da personalidade dos repórteres que cobrem há décadas a Seleção. Por causa da situação constrangedora que aconteceu hoje em Cingapura. Tino Marcos fez a pergunta que deveria ter sido feita. Eu como repórter, fiquei incomodado ela não surgiu no sábado.

"Dunga, a seleção foi muito elogiada no jogo contra a Argentina, não tomou gols, mas quando você faz uma avaliação do que aconteceu dentro campo, você faz uma avaliação sua também? Seu comportamento fora de campo, do seu ponto de vista, foi normal? Ou a insinuação de que o pessoal da Argentina usou drogas, você se arrepende?"

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Completamente cabível. O treinador brigou com o massagista da seleção Argentina e com o auxiliar de Gerardo Martino. No auge da briga, ele nem mais acompanhava a partida. E irritado, esfregava o nariz e repetia a Jorge Pautasso. "Tu é igualzinho a ele. Tu é igualzinho." Todos que tiveram a chance de ver a triste cena ficaram com a mesma impressão. Parecia que Dunga estava se referindo a Maradona e a cocaína. Tino cumpriu sua obrigação.

Dunga ficou desconcertado. E respondeu, irritado.

"Bom, isso quem está falando é você. Como tinha muita poluição, tinha o nariz sempre trancado [não explicou o que o termo significa]. Quem está falando que usou droga ou não é você. Nós estamos trabalhando na seleção brasileira, e eu acredito que o torcedor brasileiro quer um time competitivo e com sangue na veia. Se quiser um time mais tranquilo e ponderado, aí depende das escolhas."

Nariz trancado é 'fechado' por causa da poluição na China. Dunga quis dizer que passou a partida toda respirando normal antes e depois da discussão. Justo nos segundos que falou 'tu é igualzinho', suas narinas fecharam. Acredite quem quiser. Foi a sua resposta como técnico da Seleção. Tem de ser respeitada. Mas pode ser contestada.

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A repercussão nos bastidores já é enorme. Há muita gente assustada na CBF. Inclusive desejando que aconteça uma reunião 'de paz' entre a cúpula da entidade e a Globo. Seria o primeiro sinal de que a emissora está contra o trabalho de Dunga. Não o teria perdoado por ter xingado Alex Escobar. A narração de Galvão Bueno também se tornou mais crítica aos jogos do Brasil.

Só que desta vez está havendo precipitação, paranoia entre os poderosos da CBF. A emissora que tem os direitos das Copas de 2018 e 2022 não está se rebelando. Marin já recebeu recado para se tranquilizar.

O episódio com Alex Escobar está enterrado. O que acontece com Galvão é ressaca pessoal. Vergonha que a Seleção e ele mesmo passaram com a Copa. O narrador deu o seu aval ao trabalho de Felipão depois da vitória na Copa das Confederações. O vexame no Mundial o atingiu. Por isso está mais crítico, desconfiado com o Brasil em campo. Seu conhecido ufanismo diminuiu.

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Agora, em relação a Tino, ele apenas cumpriu sua missão. Sem ser mal educado, estúpido. Perguntou o que deveria ter perguntado. Os reflexos são óbvios. Para Marin, Marco Polo e Dunga o estranhamento veio de onde partiu a pergunta.

Porque Tino não é mais Marcos Batista Fernandes. Seu sobrenome é 'da Globo'. Tino da Globo. Por isso o susto, a tensão. Mas a relação com a dona do futebol no país continua ótima. Nenhum dos dois presidentes da CBF ou o técnico da Seleção enxergaram o óbvio. O que aconteceu foi apenas um jornalista sem medo de cumprir sua obrigação...
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O São Paulo só resistiu o primeiro tempo. O Atlético se impôs no Independência por 1 a 0. Os paulistas perderam o segundo lugar e os mineiros subiram para quarto. O Brasileiro está empolgante…

1reproducao21 O São Paulo só resistiu o primeiro tempo. O Atlético se impôs no Independência por 1 a 0. Os paulistas perderam o segundo lugar e os mineiros subiram para quarto. O Brasileiro está empolgante...
O São Paulo só resistiu o primeiro tempo. Acabou derrotado pelo Atlético Mineiro no Independência por 1 a 0. O jogo era importantíssimo na briga pela Libertadores, pelo título. A equipe de Muricy perdia a segunda colocação no Brasileiro. Já o time de Levir Culpi com a vitória chegava à quarta colocação.

A CBF continua sabotando o seu principal produto: o Brasileiro. E lá foram São Paulo e Atlético Mineiro sem seus jogadores mais importantes, servindo a Seleção. Kaká e Souza faziam tanta falta quanto Diego Tardelli sozinho. A partida era importantíssima pela posição dos dois times na tabela.

Até porque havia dois outros confrontos decisivos pelas primeiras colocações. O Cruzeiro enfrentava o Flamengo no Maracanã. E o Internacional recebia o Fluminense. Faltando apenas dez rodadas para acabar o campeonato, a hora não era de desperdiçar pontos.

Os paulistas com 49 pontos e os mineiros somavam 44. Batalha marcada para o Independência. O que se esperava era uma pressão por parte do time de Levir Culpi. Os números do time jogando em casa antecipavam um sufoco. 51 vitórias, 21 empates e apenas três derrotas. Mas não foi o que aconteceu. Muricy Ramalho foi muito inteligente.

O São Paulo mostrou excelente jogo coletivo, marcando a saída de bola dos mineiros. Sem permitir assim que os donos da casa impusessem o ritmo. O que se viu foi um primeiro tempo trucado. Sem grandes chances de gol. As melhores delas no primeiro tempo vieram em chutes da entrada da área de Datolo e de Michel Bastos. Rogério Ceni e Victor fizeram excelentes defesas.

1gazeta3 O São Paulo só resistiu o primeiro tempo. O Atlético se impôs no Independência por 1 a 0. Os paulistas perderam o segundo lugar e os mineiros subiram para quarto. O Brasileiro está empolgante...

As duas equipes se ressentiam demais de talento no penúltimo passe. Na hora da bola chegar ao atacante concluir a gol. Osvaldo quase faz Muricy Ramalho ter outra arritmia. Três vezes ele errou quando Pato e Kardec estavam sem marcação. Do outro lado, Levir perdia a paciência com André. O atacante estava disperso, sem vibração para chegar na bola. Luan também era a precipitação, a afobação em pessoa. Era dolorida a saudade de Tardelli.

O São Paulo controlava o ritmo de jogo. Tentava evitar a correria. Denílson, Maicon e Michel Bastos tratavam de marcar, roubar a bola. Era evidente também a ausência do talento de Ganso, suspenso. Faltava o toque inesperado. Tudo era muito previsível. Pato fazia outra vez péssimo jogo. Alan Kardec estava bem marcado.

Mesmo assim, a equipe de Muricy conseguia manter a calmaria. Mas veio o segundo tempo. E a vibração pelos gols no Maracanã dominava o Independência. O Flamengo ia goleando o líder e rival Cruzeiro por 3 a 0. O Internacional batia o Fluminense por 2 a 1.

A estratégia de Levir Culpi era adiantar o Atlético Mineiro. Principalmente pelas laterais. A preferência era pela esquerda, em cima do improvisado Hudson. E com o ofensivo Alex Silva, melhor que Marcos Rocha. Maicosuel foi até o seu limite físico, voltava de contusão. O veloz Cesinha foi uma ótima troca. O São Paulo já não tinha tanto fôlego para travar o adversário. Tudo já ficaria mais difícil para o time de Muricy. Só que os gols do Flamengo incendiaram a torcida atleticana. E os jogadores da casa.

Sem o talento e a malícia de Tardelli, valia a correria, a disposição. Foi assim que Alex Silva conseguiu fazer excelente jogada e servir Luan. Desta vez, ele não se deixou dominar pela afobação. Cara a cara com Rogério Ceni, conseguiu deslocar o goleiro são paulino. 1 a 0, Atlético Mineiro aos 26 minutos.

A partir daí, Levir recuou seu time. Tratou de segurar o resultado. Muricy já tinha Luís Fabiano, Boschila e Evandro. Substituições para tentar empatar o jogo. Mas faltou talento. De nada adiantou para os paulistas as derrotas do Cruzeiro e do Fluminense. Perderam a vice liderança, caíram para o terceiro lugar. Já para os mineiros foram excelentes. E comemoravam demais a quarta colocação. O time de Levir Culpi está sim vivíssimo na luta pela Libertadores. Finalmente, o Brasileiro está empolgante...
 O São Paulo só resistiu o primeiro tempo. O Atlético se impôs no Independência por 1 a 0. Os paulistas perderam o segundo lugar e os mineiros subiram para quarto. O Brasileiro está empolgante...

2010 não bastou para Dunga. Marin e Marco Polo precisam cobrar respeito ao cargo que ocupa. Ele tem de entender que a Seleção é o reflexo de seu treinador. Já chega o que Felipe Melo fez na África…

1reproducao20 2010 não bastou para Dunga. Marin e Marco Polo precisam cobrar respeito ao cargo que ocupa. Ele tem de entender que a Seleção é o reflexo de seu treinador. Já chega o que Felipe Melo fez na África...
A Seleção fez sua terceira partida pós Mundial. Sem tomar um gol sequer. Feito considerável para o time anfitrião mais vazado da história. Na Copa que acabou em julho, Júlio César foi vazado 14 vezes. Depois de deixar pelo caminho os colombianos e equatorianos, a renovada equipe venceu na China a vice campeã mundial Argentina. Diego Tardelli marcou dois gols. Jefferson defendeu pênalti cobrado por Messi. O capitão Neymar tomou todos os pontapés possíveis e mesmo assim encarava os irritados zagueiros rivais.

O esquema tático foi ajustado. O time passou a marcar muito mais forte. O hino nacional deixou de ser demonstração de desequilíbrio mental. Só havia ótimos motivos para ganhar as manchetes do planeta.

Mas o gênio de Dunga não permitiu. O responsável pelo único time cinco vezes campeão do mundo não se conteve. A partida já estava nos seus minutos finais. O Brasil vencia por 2 a 0, a vitória garantida. Depois de uma entrada dura em Willian, na sua frente, ele começou a xingar, criticar os zagueiros argentinos. O massagista argentino Marcelo D'Andrea tomou as dores e passou a falar palavrões ao técnico brasileiro.

Dunga foi ainda mais duro nas palavras. Foi quando o auxiliar técnico de Gerardo Martino, Jorge Pautasso entrou na confusão. "Puto, puto, puto", repetia para o brasileiro. O jogo já nem mais importava para Dunga. Ele passou a esfregar o nariz e gritar. "Tu é igualzinho. Tu é igualzinho. Tu é igualzinho. Tu é igualzinho. Tu é igualzinho." Sim, foram cinco vezes que as câmeras o flagraram gritando, descontrolado.

O jornal argentino Olé tentou ironizar. Resumiu a situação com uma foto de Dunga e o título 'nariz de palhaço'. Só que o treinador brasileiro não conhece Piñon Fijo, o palhaço mais famoso do país rival. Infelizmente, na hora da raiva, a ofensa foi a pior possível. Ficou claro para os jornalistas esportivos do mundo todo, que o brasileiro fazia referência a Maradona e seu triste problema com a cocaína.

Pautasso ficou revoltado no vestiário argentino. Foi contido por Martino, que exigiu calma. Evitasse prolongar a briga. Assim como Marcelo D'Andrea foi instruído a se calar. Não esticar o incidente. Mais calmo no vestiário, Dunga poupou o treinador argentino e mesmo o seu auxiliar. Descontou sua raiva no massagista. Estava claro que desejava que todos esquecessem o incidente.

1cbf 2010 não bastou para Dunga. Marin e Marco Polo precisam cobrar respeito ao cargo que ocupa. Ele tem de entender que a Seleção é o reflexo de seu treinador. Já chega o que Felipe Melo fez na África...

Mas não as coisas não podem ser assim. Não para quem tem a responsabilidade de ser o treinador da Seleção Brasileira. Dunga já teve o seu momento de descontrole em plena Copa do Mundo da África. Ele já havia barrado não só a TV Globo da concentração brasileira. Mas toda a imprensa nacional deixara de ter contato com os jogadores. Não havia espaço para entrevistas exclusivas.

O responsável pelo futebol da Globo, Marcelo Campos Pinto, se reuniu com o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Exigiu que o acesso fosse liberado para a emissora, parceira comercial da CBF. Teixeira bem que tentou. Mas Dunga se recusou. E até ameaçou deixar o cargo em pleno Mundial. O que seria um caos, já que o Brasil até então fazia ótima campanha. "Não tem o que fazer. Mas quando a Copa acabar, ele está fora. Ganhando ou não", prometeu Teixeira a Marcelo.

Só que o treinador sabia muito bem o que estava acontecendo. E anteviu sua saída. E tratou de demostrar que não tinha mesmo medo da Globo. Seu time havia vencido a Costa do Marfim por 3 a 1 em Johanesburgo. Ele estava em plena coletiva para jornalistas do mundo todo. Quando viu o apresentador global Alex Escobar no telefone. Explicava para o apresentador Tadeu Schmidt que o treinador não havia liberado Luís Fabiano para exclusiva na Globo. Durante uma resposta do técnico, ele balançou a cabeça. O jornalista jura que foi para o que leu no teclado de seu celular. Aqui, rara e descontraída versão de Alex em uma palestra na UERJ.

Eu estava na entrevista e, até hoje, não acredito no que presenciei. O treinador do Brasil perguntou provocativo a Alex. "Algum problema?" "Nem estou olhando para você, Dunga", argumentou o jornalista. Enquanto as respostas de Dunga eram traduzidas para o inglês, ele passou a xingar Alex. "Seu merda, burro, cagão." O incidente provocou editoral no Fantástico e várias trocas de telefonemas entre Marcelo Campos Pinto e Ricardo Teixeira. O presidente da CBF respondia. "Eu não posso fazer nada. Nada. Agora, não."

O clima na Seleção ficou insuportável. O técnico sabia que não continuaria nem se fosse hexacampeão. Os jogadores se mostravam constrangidos, tensos. O auxiliar de Dunga, Jorginho, passou a confrontar jornalistas. A Seleção começou a entrar em campo ainda mais pressionada. Todos sabiam que havia a obrigação de ser campeões do mundo. Ou seriam massacrados pelos jornalistas. Essa era a mensagem da Comissão Técnica. Não foi por acaso que os atletas se desesperaram quando tomaram o empate contra os holandeses nas quartas de final. Com a virada, então, acabou qualquer raciocínio lógico, estratégia.

1ap5 2010 não bastou para Dunga. Marin e Marco Polo precisam cobrar respeito ao cargo que ocupa. Ele tem de entender que a Seleção é o reflexo de seu treinador. Já chega o que Felipe Melo fez na África...

Essa pressão toda levou Felipe Melo a pisar com ódio em Robben. Os holandeses ousavam estar ganhando a partida. O Brasil não tinha o menor controle emocional, como seu treinador e seu auxiliar. Júlio César chorou como um bebê com fome após a eliminação porque imaginou que seria crucificado para sempre, um novo Barbosa. Mal sabia que ainda haveria o 7 a 1 da Alemanha.

O que aconteceu na África e ontem na China está relacionado. Dunga não tem o direito de sabotar o ambiente da Seleção Brasileira novamente. Ele já mostrou toda a sua surpresa ao ter essa nova chance. Acreditou que seria nome maldito na CBF até o final dos seus dias pelo que fez com a Globo. Mas Gilmar Rinaldi havia garantido a José Maria Marin e Marco Polo del Nero. Controlaria o gênio de Dunga. Toda a sua vibração ficaria para o campo. Incendiando os jogadores. Colocando toda a sua energia na busca do resgate do futebol brasileiro.

Bastaram três jogos e novo vexame ganha o noticiário internacional. Desvia o foco da maior vitória brasileira desde a conquista da Copa das Confederações, quando acabou com a invencibilidade da Espanha. O episódio trouxe desconforto desnecessário ao grupo. Vários jogadores ainda estão traumatizados pelo vexame do Mundial. Precisam de incentivo, confiança, paz de espírito. Não descontrole emocional.

1getty1 1024x682 2010 não bastou para Dunga. Marin e Marco Polo precisam cobrar respeito ao cargo que ocupa. Ele tem de entender que a Seleção é o reflexo de seu treinador. Já chega o que Felipe Melo fez na África...

Marin e Marco Polo del Nero precisam ter responsabilidade. Cobrar o técnico da Seleção. Não há cabimento um massagista tirar a sua concentração de um jogo do Brasil. Dunga foi capitão e teve a honra de levantar a Copa em 1994. Tem de se dar ao respeito. Saber da envergadura moral que o seu cargo exige. É inacreditável ficar esfregando o nariz e dar margem à interpretação de estar chamando um adversário de usuário de cocaína. Durante um Brasil e Argentina sem se importar com as câmeras.

A CBF tenta amenizar o episódio. Mas ele não pode ser esquecido. O medo é o que pode estar por vir. Dunga já mostrou que percebeu a melhor maneira da atual geração brasileira jogar: com muita marcação, vibração e contragolpes.

Agora precisa descobrir controlar seu gênio, sua raiva. Ela é incompatível com o cargo que ocupa. Ou se conscientiza ou Marin e Marco Polo que pensem em outra alternativa. O Brasil não pode outra vez ir para uma Copa do Mundo com um treinador prestes a explodir à menor provocação. Muito menos envenenar os jogadores com seu rancor incontrolável...
1mowa 2010 não bastou para Dunga. Marin e Marco Polo precisam cobrar respeito ao cargo que ocupa. Ele tem de entender que a Seleção é o reflexo de seu treinador. Já chega o que Felipe Melo fez na África...

Um vexame do Corinthians de Mano Menezes em Manaus. Perdeu para o lanterna do Brasileiro, o desesperado Botafogo por 1 a 0. Mesmo jogando com um a mais. Três pontos que podem fazer falta na luta pela Libertadores…

 Um vexame do Corinthians de Mano Menezes em Manaus. Perdeu para o lanterna do Brasileiro, o desesperado Botafogo por 1 a 0. Mesmo jogando com um a mais. Três pontos que podem fazer falta na luta pela Libertadores...
O Corinthians deu um grande vexame. Perdeu para o lanterna do Campeonato Brasileiro. O time de Mano Menezes não conseguiu superar o fraquíssimo Botafogo em Manaus. Foi derrotado por 1 a 0. Mesmo tendo atuado com um jogador a mais desde os 26 minutos do segundo tempo. Os paulistas não mostraram criatividade e muito menos objetividade para superar a retranca carioca. O resultado foi um banho de água fria em quem briga para estar na Libertadores em 2015.

O Corinthians vinha de três vitórias seguidas. O Botafogo de quatro derrotas em série. O clube carioca era o último colocado no Brasileiro. O paulista brigava para se firmar entre os primeiros que estarão na Libertadores de 2015. Acossado pelas dívidas que beiram os R$ 800 milhões, o presidente Mauricio Assumpção vendeu o mando da partida para a Arena da Amazônia, elefante branco herdado da Copa do Mundo.

O que se esperava era uma superioridade do time de Mano Menezes. Com jogadores de muito melhor potencial. E animados com a recuperação no Brasileiro e a arrancada nas quartas de final da Copa do Brasil, vencendo o Atlético Mineiro. Era uma partida que o Corinthians tinha a obrigação de conquistar três pontos. A transferência do jogo para Manaus tirou do Botafogo até o fator casa. O campo era neutro.

Um chute de Bruno Henrique até que enganou a todos. Aos dois minutos, o volante acertava o travessão em um chute fortíssimo de fora da área. Os paulistas tocavam à vontade a bola até a intermediária. Trocavam passes. Mas nada de penetração. A explicação estava na dedicação total do time de Vagner Mancini à marcação. A postura de 4-5-1, reconhecia a superioridade corintiana.

Na prática, o time de Mano sofria na pele o que aprontou para o Cruzeiro no meio de semana. Os cariocas se desdobravam com chutões, carrinhos e muita dedicação. Lutavam com a gana de quem sabia que o jogo poderia significar prato de comida na mesa. O Botafogo acumula sete meses de atraso de direito de imagem e três de salários. Fosse um país sério, estaria na Quarta Divisão.

O time de Mancini é fraquíssimo. Os quatro que o clube rescindiu fazem muita falta. Emerson Sheik, Bolivar, Júlio César e Edílson tiveram a coragem de se rebelar contra o desrespeito, a falta de pagamento. Os jogadores que ficaram não têm outra opção. A não ser jogar, tentar salvar o Botafogo do rebaixamento e depois seguir a carreira bem longe. Mesmo limitados, fizeram um pacto de dar até a última gota de suor em campo. Para a própria sobrevivência.

1ae6 Um vexame do Corinthians de Mano Menezes em Manaus. Perdeu para o lanterna do Brasileiro, o desesperado Botafogo por 1 a 0. Mesmo jogando com um a mais. Três pontos que podem fazer falta na luta pela Libertadores...

Mano Menezes sabia muito bem o que teria pela frente. Mas não preparou seu time psicologicamente para o jogo. Parecia que ele acreditava que o talento iria vencer a aplicação sem susto. Mas não era bem assim. Um exagero ter colocado três volantes para enfrentar um adversário retrancado. Perda de um meia. Bobagem inexplicável. Bruno Henrique, Guilherme Andrade e Petros estavam sem ter a quem marcar. E sem habilidade para servir Luciano e Romero na frente. Danilo se mostrava lento e perdido, sem saber por onde se movimentar.

O Corinthians teve a posse de bola, mas faltou a objetividade. Velho defeito dos times de Mano Menezes que precisam atacar. Enquanto isso, o Botafogo tentava a sorte. Tinha na frente um atleta que deveria estar no rugby e não no futebol. O truculento Yuri Mamute brigava com a bola, com o gramado, com os marcadores, com o juiz. Com físico mais para lutador de MMA do que atacante para buscar o contragolpe de qualquer equipe. Ele fazia o que podia contra a defesa corintiana, muito pouco.

O erro dos paulistas era básico. Centralizar as jogadas. Tentando pelo meio facilitava a marcação botafoguense. Não havia nem como chutar a gol. Para complicar, em raríssimo contragolpe, veio o gol do Botafogo. Gabriel cruza para a área e Fábio Santos tenta interceptar. Salta com o braço esquerdo aberto e ele toca na bola. Pênalti. Wallyson bate com convicção. 1 a 0, Botafogo.

A partir dos 28 minutos, tudo ficou ainda mais difícil aos corintianos. O Botafogo passou a atuar no 5-5-0. Ou seja, nenhum atacante. Até o peso pesado Yuri Mamute se transformava em volante. O Corinthians padecia de inspiração, talento e jogadas pelo lado.

No intervalo, Mano tirou o volante Guilherme Andrade. No seu lugar, o atacante Malcom. Mas seu time continuava a insistir nos chutões dos zagueiros para a frente e chuveirinhos da intermediária. Só facilitava o trabalho dos cariocas. O Botafogo que só atuava no seu campo perdeu Bolatti. O argentino fez duas faltas seguidas. Tomou amarelo e vermelho. Com 26 minutos, o Corinthians tinha um jogador a mais.

O irritante era a falta de chutes a gol do Corinthians. O time de Mano teve um auxílio inesperado. O vergonhoso gramado do estádio. As placas de grama se soltavam. E quase traíram Helton Leite. O goleiro do Botafogo tropeçou em um tufo de grama e soltou bola fácil. Ela caiu nos pés de Malcom que chutou forte. Helton fez uma excelente defesa, aos 30 minutos. A situação do gramado é ridícula. Já que há menos de quatro meses a arena sediava partidas de Copa do Mundo.

Mano Menezes tem sua enorme parcela de culpa. Demorou demais em colocar Jadson. Com um meia mais ofensivo, o Corinthians criou mais chances. Como a que o estreante Gustavo Tocantis desperdiçou cara a cara com Helton Leite. Inaceitável o erro do técnico. O Botafogo quase marcou o segundo, quando Cássio salvou chute de Murilo. Desesperado, o goleiro foi para a grande área carioca. Tentando ao menos o empate. Não conseguiu.

O Corinthians contava com três pontos em Manaus. Não conseguiu nem mesmo um. Perdeu para o lanterna e lutador Botafogo. Quem sabe a diretoria não se envergonha e paga pelo menos um salário atrasado aos desesperados jogadores cariocas...
2ae4 Um vexame do Corinthians de Mano Menezes em Manaus. Perdeu para o lanterna do Brasileiro, o desesperado Botafogo por 1 a 0. Mesmo jogando com um a mais. Três pontos que podem fazer falta na luta pela Libertadores...

O Brasil assumiu sua humildade. Dunga colocou a Seleção contra a Argentina de Messi como Felipão deveria ter feito diante da Alemanha. Vitória sensacional na China por 2 a 0. A humildade é o caminho desta geração…

1reuters O Brasil assumiu sua humildade. Dunga colocou a Seleção contra a Argentina de Messi como Felipão deveria ter feito diante da Alemanha. Vitória sensacional na China por 2 a 0. A humildade é o caminho desta geração...
O grande mérito de Dunga é ter encontrado o real local do Brasil no cenário mundial. Com uma geração razoável e só um jogador com talento fora do normal, Neymar, não há outro caminho. Quando enfrenta um grande adversário, a saída é se defender. Apostar no conjunto, na tática, na aplicação da marcação. Nos contragolpes. Foi exatamente isso que a Seleção fez na China diante da Argentina. O time de Messi é muito superior individualmente. Perdeu no conjunto.

Do sacrifício, veio a superação. E a vitória por 2 a 0 que avalizará o trabalho de Dunga. Dois gols de Diego Tardelli. E pênalti de Messi, defendido por Jefferson. Mais Neymar se sacrificando pelo time. Os três foram os destaques individuais em uma partida coletiva excelente por parte dos brasileiros.

O 7 a 1 contra a Alemanha foi o retrato do que tudo o que a Seleção não poderia fazer no Ninho do Pássaro. E não fez. O grande mérito de Dunga esteve em repetir como técnico, suas atuações em campo. Apesar de ser capitão da Seleção mais vitoriosa do planeta, não tinha o menor constrangimento em dar carrinho. Tirar a bola de canela. Fazia o que fosse para garantir uma conquista.

E foi assim que montou a Seleção da maneira mais humilde possível diante dos favoritos argentinos. Tratou de colocar o Brasil no 4-5-1. Como time pequeno, com apenas Neymar na frente. A estratégia era travar o toque de bola dos maiores rivais. Sem o menor drama de consciência. O problema não era dele se puristas ficassem revoltados com a Seleção tão fechada. O vexame diante dos germânicos era o grande escudo de Dunga. Se sentia livre para fazer o que quisesse.

Gerardo Martino chegou para o jogo orgulhoso com o 4 a 2 diante da campeã do mundo, a Alemanha. Sabia que enfrentaria o Brasil fechado, buscando contragolpes. Mas nem tão fechado. Seu time tentaria não só vencer, como se impor pelo talento. Seu DNA ofensivo. Com Messi, Di Maria, Lamela, Aguëro...Ele aprendeu alguns conceitos de Guardiola, na sua passagem pelo Barcelona. E tratou de colocar seu time para tocar a bola, sufocar os brasileiros. 4-1-4-1, com muita movimentação, flutuação. Sem atletas com posição fixa do meio para a frente.

No primeiro tempo, a sua equipe teve 64% de domínio de bola. O Brasil encolhido, como uma cobra. Esperando para dar o bote. Antes disso, houve a participação infeliz do péssimo juiz chinês Fan Qi. A Pitch, organizadora dos amistosos brasileiros, tem essa mania. Por economia e agradar o país onde é realizado o jogo, dá a arbitragem a alguém nascido no lugar. Por isso, o incompetente Fan Qi quase estragou a grande partida.

Faltou coragem ao árbitro chinês para marcar um pênalti claro. Miranda derrubou Agüero aos seis minutos de jogo. Fan Qi fingiu que não percebeu e fez o jogo correr. Os argentinos tocando a bola até a intermediária brasileira. Era onde o time de Dunga mostrava suas garras, se fechando, travando os avanços. Danilo e Filipe Luís eram laterais estáticos como pebolim atrás. Luiz Gustavo, Elias, Oscar, Willian e até Diego Tardelli formavam o quinteto que protegia os zagueiros.

Mesmo assim, o time de Tata Martino chutou sete vezes ao gol de Jefferson. Mas o primeiro que o Brasil deu foi mortal. Mostrou toda a estrela e técnica de Diego Tardelli. Em um mero levantamento na área, o ponto fraco dos rivais veio à tona. Fernández se atrapalhou com Zabaleta. O lateral impediu que o zagueiro cabeceasse forte, a bola saiu fraca de sua testa. Caiu nos pés do brasileiro, em uma das raras vezes que esteve na área. O chute saiu de primeira, indefensável para Romero. Brasil 1 a 0, aos 29 minutos do primeiro tempo.

1reuters1 O Brasil assumiu sua humildade. Dunga colocou a Seleção contra a Argentina de Messi como Felipão deveria ter feito diante da Alemanha. Vitória sensacional na China por 2 a 0. A humildade é o caminho desta geração...

Era tudo o que não poderia acontecer para os argentinos. A tensão passou a dominar o time de Messi. Mexeu com o favorito a vencer o amistoso. Naturalmente, a equipe de Martino se adiantou e passou a dar espaços para quem estava sumido no jogo: Neymar. E ele mostrou o seu talento. Um dos melhores do mundo ficou frente a frente com uma zaga fraca, insegura. Os contragolpes começavam a se encaixar.

Logo aos 31 minutos, Neymar pegou a bola no meio de campo. E encontrou todo o sistema defensivo adversário mal colocado. Foi driblando em velocidade. E só pecou na hora do chute, cara a cara com Romero. O Brasil era senhor da partida. Mas quem entrou em cena? O péssimo e inseguro Fan Qi. Ele compensou o pênalti verdadeiro que não marcou. E aos 40 minutos inventou pênalti de Danilo em Di Maria. Lance absurdo, na conta da organizadora Pitch. A economia que fez por não levar um árbitro de qualidade quase estraga o jogo.

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Messi foi para a cobrança. Diante dele, Jefferson. "Eu havia estudado como ele cobra. Se o goleiro não se arrisca, ele bate no seu canto favorito, o esquerdo." Foi exatamente o que o brasileiro fez. Esperou e na última hora saltou, convicto, para o lado canhoto do gol. E espalmou a bola. Alívio para o time brasileiro e para o quarto árbitro que ouvia todos os palavrões possível de Dunga pelo pênalti inexistente marcado.

O cenário do segundo tempo foi dos sonhos para Dunga. Os argentinos escancarados na frente. Sem paciência para tocar a bola. Queriam buscar o empate e a virada, na individualidade. Abriram seu sistema de jogo. E ficaram à mercê dos brasileiros e seus contragolpes em velocidade. Mas Dunga continuou com o meio de campo fechado, brigando por cada centímetro, cada bola. Neymar já era dono do jogo e dos hematomas, tomando pontapés seguidos.

A estrela de Diego Tardelli voltou a brilhar. O jogador que não havia marcado um gol sequer com a camisa da Seleção, marcaria o seu segundo. Justo contra os argentinos. Aos 18 minutos, Oscar cobrou escanteio, David Luiz desviou e, por trás dele, surgiu o jogador do Atlético Mineiro. Cabeceou para as redes. 2 a 0, Brasil.

 O Brasil assumiu sua humildade. Dunga colocou a Seleção contra a Argentina de Messi como Felipão deveria ter feito diante da Alemanha. Vitória sensacional na China por 2 a 0. A humildade é o caminho desta geração...

A partir daí, os argentinos perderam toda a confiança. E o time brasileiro tratou de se conter. Segurar a importantíssima vitória. Sabia que estava em jogo mais do que uma taça dourada pelo 'Superclássico'. O que estava em jogo era acalentar um pouco a envergonhada torcida brasileira. Resgatar um pedaço da paixão pela Seleção depois do vexame da Seleção na Copa do Mundo.

Dunga saiu orgulhoso hoje do Ninho do Pássaro na China. Mostrou a Felipão que não é permitido ao treinador da Seleção se iludir. A geração brasileira é limitada. Não pode jogar aberta contra as grandes seleções. Só assim pode conseguir vitórias importantíssimas. Acreditando no seu passado, o Brasil está sujeito a humilhações, goleadas.

A vitória contra a Argentina foi o resgate da consciência, do reconhecimento. O Brasil não é o melhor time do mundo. Se não tiver humildade nos confrontos mais importantes, vai perder. Até que enfim os 7 a 1 da Alemanha serviram para alguma coisa...
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A Coca Cola já deixou de patrocinar futebol na Globo. A emissora tenta parar queda na audiência exigindo adversários fortes para a Seleção. E emprestando dinheiro aos clubes. Executivos observam com carinho o Espanhol e o Inglês…

1reproducao19 1024x682 A Coca Cola já deixou de patrocinar futebol na Globo. A emissora tenta parar queda na audiência exigindo adversários fortes para a Seleção. E emprestando dinheiro aos clubes. Executivos observam com carinho o Espanhol e o Inglês...
Colômbia, Equador, Argentina com Messi e Di Maria, Japão, Turquia e Áustria. Os seis últimos amistosos da Seleção em 2014. Adversários bem diferentes de Panamá, Tanzânia, Tailândia, Honduras. E não por acaso. Se a CBF de Marin e Marco Polo cruzava os braços, a Globo resolveu intervir. E exigir jogos amistosos mais fortes, atrativos para o Brasil em 2015.

A emissora quer estancar a fuga de telespectadores depois do fracasso da Copa. A ISL, empresa árabe que comprou os direitos dos amistosos até 2022, repassou os direitos à britânica Pitch. Pelo acordo, a CBF apenas poderia sugerir alguns jogos, exigir, não. Só que a Globo não quer mais saber de omissão.

A audiência de jogos da Seleção não para de cair. Na Copa de 2002, a Globo chegou a 69 pontos na semifinal entre Brasil e Turquia. O confronto chegou a um pico de 75 pontos. A final contra a Alemanha ficou em 67 pontos. Desde então o interesse em ver as partidas na tevê aberta decaiu. Brasil e Alemanha, do fatídico placar de 7 a 1, teve 33, 9 pontos. O interessante é que cada gol germânico foi diminuindo cada vez mais a audiência.

Após a vexatória Copa, o Brasil enfrentou Colômbia e Equador. A audiência foi a mesma. Ficou em 23 pontos. A esperança é que amanhã, contra a Argentina, a emissora dona do futebol no país chegue a pelo menos 30 pontos. Será o jogo mais importante e interessante desses quatro últimos amistosos até o final de 2014.

Japão, Turquia e Áustria serão jogos diante de adversários menos atrativos. Mas aceitáveis. As eliminatórias sul-americanas para a Copa da Rússia, em 2018, começarão no segundo semestre do ano que vem. Em junho começará a Copa América, no Chile. O importante será preparar o telespectador para acompanhar a competição. Despertar outra vez o interesse depois da decepção com a Copa. Daí a pressão da Globo para que a Pitch encontre adversários difíceis, atraentes.

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Para Dunga, o melhor seria jogos fáceis. Para dar confiança à nova Seleção. Só que adversários fracos não interessam a executivos da emissora. Há várias reuniões acontecendo em relação ao futebol na emissora. A Coca Cola desistiu de patrocinar o futebol no próximo ano. Oito agências se desdobraram para manter seis patrocinadores. O Magazine Luiza entrou no lugar do refrigerante. AlmapBBDO (Ambev e Volkswagen), África (Ambev, Itaú e Vivo), DM9DDB (Itaú, Johnson & Johnson e Vivo), DPZ (Vivo), Etco Ogilvy (Magazine Luiza), F/Nazca S&S (Ambev), JWT (Johnson & Johnson) e Y&R (Vivo).

O patrocínio foi reajustado. A cota é de R$ 225 milhões por empresa. O que chega a um total de R$ 1,3 bilhão. Os patrocinadores exigem boa audiência para suas publicidades. A pressão não atinge apenas a Seleção. Os campeonatos internos também.

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Não foi por acaso marcada uma reunião entre os clubes e a Globo na próxima terça-feira. Os dirigentes serão avisados que a emissora cederá mais uma vez. Liberará empréstimos, antecipações até o Brasileiro de 2018. Mas cobrará a montagem de times interessantes. Para que os torneios tenham competitividade, interesse. A princípio não era o que desejava Marcelo Campos Pinto, o responsável pela Globo Esportes. Mas ele teve de se render diante das evidências. Os grandes clubes do país devem juntos mais de R$ 6 bilhões.

Além do pedido de dinheiro, Campos Pinto ouvirá um pedido unânime dos clubes. Eles querem o apoio da emissora ao projeto Proforte, que prevê o perdão de R$ 4 bilhões de dívidas junto ao governo federal. São cada vez mais clubes a dever salários para seus jogadores. Até aqui, a Globo tem se mantido neutra.

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2015 é considerado pelos economistas um ano com muita probabilidade de recessão. Um ano ruim da audiência do futebol pode refletir nos patrocinadores de 2016 em diante. Executivos disfarçam, mas foi péssimo perder a Coca Cola bancando o futebol. Para que novas debandadas não aconteçam, a Globo exige da CBF e da Pitch jogos interessantes da Seleção. E ela tratará de aumentar o nível técnico do Brasileiro e de regionais.

A participação da Globo na vida da Seleção e dos clubes não será nada discreta. Pelo contrário. Será cada vez mais efetiva. Queiram ou não queiram José Maria Marin e Marco Polo del Nero. Dunga que se prepare. A ideia de dois confrontos com a Alemanha, o primeiro em 2015 e o segundo em 2016 não nasceu espontaneamente do cérebro de Marin. Pelo contrário. Executivos da emissora carioca que logo pensaram nestas 'revanches', vinganças do 7 a 1.

E é bom que dê resultados. Se a audiência do futebol continuar a desabar e atrapalhar principalmente o domingo, novas fórmulas podem ser testadas. Como a rodada acontecer no domingo sem tevê aberta. Duas partidas ficariam reservadas para segunda-feira. Uma para a praça de São Paulo e a outra para o Rio de Janeiro. Os jogos transmitidos passariam a ser às segundas e quartas. Campeonatos espanhol e ingleses também passaram a interessar. Pesquisas mostram que novas gerações de torcedores acompanham de perto esses torneios europeus.

Nos últimos dez anos a audiência do futebol na Globo caiu 28%. Este é um dado pesado demais. Os executivos tradicionais estão tentando segurar a velha fórmula com quase 40 anos. Apostam na melhora do nível técnico dos jogos. Se não der certo, algo mais radical será feito em 2016...
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