Sem conseguir empréstimo, Corinthians age como clube pequeno. Promete repassar premiação de classificação na Libertadores aos jogadores. Fracasso diante do Guarany pode significar desmanche…

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Prática comum em times pequenos que disputam competições eliminatórias. Quando há dificuldades em pagar os salários e direitos de imagem, a diretoria sinaliza com a única saída. Na prática mais uma maneira de pressionar a equipe por vitória. Repassar a premiação da classificação destinada ao clube aos jogadores.

Esse será o grande estímulo dos corintianos hoje à noite contra o Guarany do Paraguai. R$ 2 milhões que a Conmebol oferta à equipe que chegar às quartas de final da Libertadores. Em caso de o Corinthians ficar com a vaga, Roberto de Andrade repassará esse dinheiro aos atletas.

O presidente fez questão de ir ao treinamento ontem e repassar esse aviso aos atletas. As dívidas do Corinthians em relação ao time se arrastam desde 2014. Elas já bateram nos R$ 20 milhões. Ral, Guerrero, Elias, Fábio Santos e Danilo são os maiores credores. Mas o time todo está com seus direitos de imagem atrasados.

Graças à sua dívida com o Itaquerão, o Corinthians não consegue empréstimos. Não há garantias de pagamento. Não para quem precisa quitar o R$ 1,3 bilhão que está em aberto. Os R$ 420 milhões em CDIs prometidos pelo ex-prefeito Gilberto Kassab estão retidos pelo Ministério Público, com a acusação de favorecimento. O restante faz parte da dívida com a construtura da arena, a Odebrecht.

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"Pedir empréstimo com os bancos não é tão simples como ir comprar uma bala", tenta fazer piada Roberto de Andrade. O presidente sabe das tentativas fracassadas junto à Caixa Econômica Federal e ao BMG. Primeiro de R$ 30 milhões. Depois, de R$ 20 milhões. Agora, o clube tenta R$ 15 milhões. Mesmo com esses dois bancos com os quais o clube tem melhor relacionamento, as respostas foram negativas.

Tite tentou ao máximo preservar o time dos problemas financeiros do Corinthians. Não se cansou de repetir que tudo seria sanado. Que seus atletas tivessem em mente a potência do clube que venceu a Libertadores e o Mundial de Clubes. O discurso acabou perdendo força. Pelo simples motivo que desde o início do ano, em fevereiro, o treinador tem falado a mesma coisa e o clube não tem conseguido manter os pagamentos em dia.

O que acaba sendo péssimo para esta partida decisiva, que pode ter profundas consequências em caso de fracasso. "O Corinthians precisa e vai seguir na Libertadores", afirma o veterano Fábio Santos, repetindo o mantra como um torcedor.

Os próprios jogadores sabem que pode acontecer um desmanche no time se houve a desclassificação precoce da Libertadores. A diretoria já encaminhou negociações com Ralf e Gil na janela do meio do ano. A renovação de contrato com Guerrero também pode ficar descartada. Ele não abre mão dos US$ 7 milhões, cerca de R$ 21 milhões como luvas e mais R$ 520 mil mensais por três anos. Malcom, Luciano, Petros também não ficariam.

Haveria até a possibilidade de rescisão dos contratos dos reservas Cristian e Vagner Love. Juntos recebem R$ 1 milhão. Outro dado interessante: Edílson, Edu Dracena e Mendonza, os outros atletas contratados para esta temporada não atuam na decisão de hoje. O que denuncia um erro na política de reforços.

Tite está mais tenso do que o normal. Ele sabe que toda essa conversa de dívida já infectou o elenco. Ainda na preparação do Corinthians contra o Palmeiras, na semifinal do Paulista, o treinador havia dito a seus atletas que a diretoria estava resolvendo de vez a questão financeira, maneira de minimizar a palavra atraso. Só que nada foi resolvido. A falta de solução era para ser mantida em sigilo. Só que vazou.

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O treinador fez questão de pedir, em tom de favor, que seus atletas não prologassem com a imprensa o assunto dinheiro. Não quer passar aos torcedores a impressão de que, caso o Corinthians seja eliminado, o problema seria financeiro.

Há um enorme desconforto em relação a Vagner Love no Corinthians. Dirigentes atuais reclamam muito da contratação feita pelo ex-presidente Mario Gobbi. Ele fez questão de contratar o atleta por devoção pessoal ao futebol do jogador. Nunca foi pedido de Tite. O ex-presidente amarrou o clube com um contrato de 18 meses. Gobbi acreditava que o jogador seria um grande ídolo dos corintianos. Seria uma maneira do dirigente ser lembrado. Está sendo, mas não da maneira que desejaria.

Love não ficará nem no banco hoje. Com Sheik suspenso, o ataque titular terá Guerrero ao lado de Malcom. E o paraguaio Romero será o reserva imediato. Tite se cansou do improdutivo futebol de Vagner Love. O descontentamento do jogador é evidente com a situação. O que pode acabar em rescisão. São até agora 18 jogos e apenas dois gols marcados.

A imprensa paraguaia tem explorado a declaração do diretor de futebol Sérgio Janikian. Pouco antes da partida em que o Corinthians foi derrotado por 2 a 0 em Assunção, ele mostrava seu entusiasmo.

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"A gente teve a felicidade, não vamos negar (de enfrentar o Guaraní), a gente foi presenteado por Deus, vamos dizer assim, nessas oitavas com um jogo que não é tão complicado, não é nenhum time brasileiro, nenhum grande expoente da Argentina."

Suas frases foram repetidas à exaustão para a Comissão Técnica e aos jogadores do Guaraní. O trabalho de Janikian vem sendo questionado. Em caso de fracasso do time na Libertadores, corre o risco de demissão.

O Corinthians precisa vencer a partida hoje por três gols de diferença para se classificar. Nunca Tite entrou para reverter uma desvantagem tão grande. Não bastasse as dificuldades do adversário, há os atrasos salariais. Ele espera que a premiação de R$ 2 milhões aja como doping financeiro.

Além disso, o técnico apela ao apoio dos corintianos que lotarão o Itaquerão. "As críticas são justas, e a gente respeita Estamos num momento difícil, temos consciência disso. Que os torcedores também possam nos colocar um pouco debaixo da asa."

Mais do que ninguém, Tite sabe muito bem o que pode significar um fracasso hoje à noite. A eliminação precoce da competição mais desejada em 2015. Seria a senha para o início do desmanche do time que foi montado para ganhar a Libertadores...
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O Palmeiras deixará de ser ‘propriedade’ de Paulo Nobre. O bilionário terá de volta R$ 105 milhões. O Allianz Parque e os apaixonados palmeirenses fizeram o clube voltar a andar com suas pernas…

1ae12 O Palmeiras deixará de ser propriedade de Paulo Nobre. O bilionário terá de volta R$ 105 milhões. O Allianz Parque e os apaixonados palmeirenses fizeram o clube voltar a andar com suas pernas...
A nova arena do Palmeiras é capaz de milagres. Graças a ele, o faturamento do Palmeiras só aumenta. Assim como os ingressos, os planos de sócios-torcedores. Mas há um reflexo benéfico diante desta exploração do amor do fã pelo clube. Finalmente há uma previsão realista do pagamento da dívida do clube para Paulo Nobre.

O bilionário dirigente não teve dúvidas ao assumir a presidência em fevereiro de 2013. Recebeu o clube em péssima situação financeira. Dívidas que ultrapassavam R$ 236 milhões. Cotas de transmissão de tevê já haviam sido antecipadas até 2014. O Palmeiras estava sem crédito na praça. Ou seja, os gerentes de bancos viravam as costas quando dirigentes tentavam pronunciar a palavra empréstimo.

O que Nobre decidiu fazer? Usou a prerrogativa de presidente e decidiu tomar empréstimos em seu nome e repassar o dinheiro ao clube. Como se o Palmeiras fosse mais uma de suas propriedades. Desde então foi colocando quantos milhões de reais considerava necessários. Foram R$ 148 milhões, fundamentais nestes dois anos.

Os conselheiros se renderam diante da postura do bilionário. O Palmeiras vivia uma de suas piores crises financeiras. Preferiam não criar problemas.

Paulo Nobre se viu obrigado a explicar porque tomou essa atitude, quando buscava a reeleição, que conseguiu sem muito esforço.

"Os bancos não gostam de emprestar dinheiro a clubes de futebol, igrejas e hospitais. Porque, na hora de cobrar, isso arranha a imagem do banco. Executar o Paulo Nobre, na pessoa física, não tem problema nenhum para a imagem do banco.

Os clubes também têm que dar garantias, e os bancos pedem direitos de transmissão e patrocínios. As outras fontes, eles não valorizam. No meu caso, eu dei ações como garantia ao banco. Em três dias, vira dinheiro."

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Sobre a atitude ser ética ou não, Nobre nunca se importou com os julgamentos alheios. Agiu como dirigentes de clubes pequenos da década de 70. Conselheiros do próprio Palmeiras vêem semelhança na sua forma de administrar com a de Romeu Ítalo Rípoli, presidente do XV de Piracicaba. Como ele colocava dinheiro do bolso, fazia o que queria com o XV. Sem dar satisfação a ninguém. Exatamente como Nobre, que gastava os seus milhões onde desejava. Se a aplicação era correta ou não, não havia quem pudesse questioná-lo.

"Eu não considero uma falta de ética. É uma responsabilidade muito grande sentar na cadeira e não deixar a roda parar de rodar. Eu tinha que tentar encontrar uma maneira que fosse menos custosa para o clube, para sobreviver a esses dois anos dificílimos, sem receita. A melhor maneira que eu encontrei foi aportando dinheiro para o clube. Se eu fosse ao mercado, ao banco, a dívida do Palmeiras ficaria impagável."

Nobre tinha a certeza de que a situação mudaria muito quando a arena ficasse pronta. Foi o que aconteceu. Pelo acordo com a WTorre, o clube fica com a arrecadação dos jogos. E o faturamento tem sido excelente. É o clube brasileiro que mais fatura como mandante.

Foram R$ 15.216.760,77 no desestimulante Campeonato Paulista. Começou o Brasileiro faturando R$ 2.004.965,00 na partida contra os reservas do Atlético Mineiro. A briga por ingressos no novo estádio faz o número de sócios-torcedores se multiplicar de forma inacreditável. Cresceu 72% no ano passado, com o Allianz Parque terminado. Já é o segundo no país com 121.253 até terminar essa matéria. A projeção é que seja o primeiro do Brasil ainda este ano. Na sua frente, só o Internacional, com 136.980.

O preço para se tornar sócio torcedor não para de aumentar. Está entre R$ 12,99 e R$ 599,99! Há uma semana encareceu entre 30% e 57%. E a procura não diminuiu. Pelo contrário. Só cresce. A empolgação do torcedor é assustadora. O clube é o oitavo do mundo. Está no encalço do Porto com 125 mil sócios-torcedores. No ranking mundial, o Benfica lidera com 270 mil, seguido por Bayern de Munique (238 mil), Arsenal (225 mil), Real Madrid (206,5 mil), Barcelona (154 mil), Internacional, Porto e Palmeiras.

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A primeira previsão é que os sócios-torcedores poderiam render até R$ 25 milhões no final do ano. Mas já há otimistas falando em R$ 30 milhões.

A camisa do Palmeiras se tornou muito valiosa. São R$ 50 milhões por ano. Crefisa, FAM, Tim e Prevent Senior dividem essa quantia.

Depois de dois anos sem receber, finalmente acabaram os adiantamentos da tevê. E o clube receberá sua cota de transmissão.

Paulo Nobre colocou havia colocado até agora R$ 148 milhões no clube. Como um gesto de boa vontade, ficou com os direitos dos seis jogadores que o clube comprou no seu primeiro mandato. Leandro, Mendieta, Tobio, Mouche, Allione e Cristaldo. Juntos valeram R$ 43 milhões.

Ou seja, Nobre tem a receber ainda R$ 105 milhões. Há muito tempo ele dizia que receberia 10% das receitas quando o clube estivesse bem financeiramente. Agora está. Por isso foi criado o Fundo de Investimento Em Direitos Creditórios Academia Esportiva. O banco Votorantim irá administrar o pagamento da dívida. Ou seja, já começou o recolhimento do dízimo sobre todas as receitas do clube.

A previsão é que até em 2020, Nobre receberá o que o clube lhe deve. Considerando até 1% de juros anuais, que ele havia combinado. O que é excelente. Havia a previsão que o Palmeiras só conseguiria pagar o seu mecenas em 2027.

O balanço do Palmeiras de 2014 mostra que o clube tem R$ 245 milhões em dívidas. Mas a nova arena está mudando essa situação. O primeiro passo real está no fim da dependência do bolso de Paulo Nobre. Foi de uma maneira desesperada, mas muito amadora, que o clube descobriu para se reerguer.

Até que enfim esse caso único no país está deixando de existir. O bilionário Paulo Nobre ajudou até demais. Mas clube algum, sem ser sociedade anônima, tem dono no Brasil. Ainda mais um tão importante quanto a Sociedade Esportiva Palmeiras...
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O julgamento, que pode parar o futebol espanhol, terá reflexos no Brasil. O Vasco lidera revolta. Clubes não aceitam mais os privilégios que a Globo dá para Corinthians e Flamengo. Mesmo com acordo fechado até 2018…

1cbf1 O julgamento, que pode parar o futebol espanhol, terá reflexos no Brasil. O Vasco lidera revolta. Clubes não aceitam mais os privilégios que a Globo dá para Corinthians e Flamengo. Mesmo com acordo fechado até 2018...
Parecia que seria fácil. No dia 30 de abril, com toda a pompa e circunstância, o Conselho de Ministros da Espanha anunciou a aprovação do Decreto da Lei Real. Estaria mudada a forma de comercialização dos direitos de transmissão do seu campeonato nacional, Copa do Rei e Supercopa. Os clubes seriam proibidos de negociar individualmente. O acerto deveria ser coletivo, seguindo o que é feito na Inglaterra, na Alemanha e na Itália.

A mudança afetaria principalmente Real Madrid e Barcelona que há décadas negociam individualmente as cotas. E abocanham muito mais do que seus rivais.

Não custa lembrar o quanto eram disparadas as diferenças de cotas. Os dois gigantes do futebol mundial recebem 140 milhões de euros cada um. Cerca de R$ 480 milhões. Ou seja, 37% do total que a tevê paga. É um dos grandes motivos para montarem times poderosos a cada temporada.

O Valência recebe 48 milhões de euros, cerca de R$ 164 milhões; Atlético de Madrid, 42 milhões de euros, R$ 144 milhões; Sevilla, Atletico de Bilbao e Villareal, 32 milhões de euros, R$ 109 milhões; Bétis, 30 milhões de euros, R$ 102 milhões; Español, 28 milhões de euros, R$ 96 milhões; Real Sociedad, Malaga e Getafe, 25 milhões de euros, R$ 85 milhões; Osasuña, Celta e Levante, 22 milhões de euros, R$ 75 milhões; Granada, Elche, Valladolid, Rayo Vallecano e Almeria, 18 milhões de euros, R$ 61 milhões.

Resultado: desde 1984, Real Madrid e Barcelona ganharam juntos 24 vezes o Campeonato Espanhol. 13 vezes os catalães e 11 o poderoso time da capital. Os outros clubes só venceram seis vezes: Atlético de Madri duas vezes, Valencia outras duas e Atlethic Bilbao e Deportivo La Coruña uma.

Houve precipitação e muitos veículos de comunicação divulgaram que a própria Espanha seria contra a "Espanholização", ou seja o privilégio para os dois clubes mais populares e poderosos do país ibérico. Nada disso. Seus dirigentes pressionaram a Federação Espanhola. Alegaram a intervenção governamental na administração do futebol. E isso é algo proibido pela Fifa.

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Resultado, a Federação Espanhola anunciou greve geral. Paralisação das duas últimas rodadas do Campeonato Espanhol e na decisão da Copa do Rei. Seria o caos. O Sindicato dos Jogadores se juntou à Federação. Isso apesar de concordar com a intervenção governamental para equilibrar a distribuição de dinheiro da tevê. Os sindicalistas não aceitam 90% do dinheiro da tevê ficar com a Primeira Divisão. Querem mais do que 10% às divisões inferiores.

A Fifa apoia a Federação Espanhola. E não aceita a intervenção governamental mudando as regras. Nada de negociações coletivas.

O radicalismo dos lados forçou um julgamento amanhã no Tribunal Nacional da Espanha. Caberá ao tribunal confirmar se a greve é legal ou não. Há a certeza que o lado que perder irá recorrer.

Clubes brasileiros acompanham com todo o interesse o que acontece na Espanha. Principalmente o Vasco de Eurico Miranda. O dirigente está revoltado com a distribuição das cotas de transmissão no País. Corinthians e Flamengo são os grandes beneficiados. São como Real Madrid e Barcelona dos trópicos.

"Esse processo de espanholização do futebol brasileiro tem de acabar. Eu não posso chegar e concordar que dois clubes tenham uma diferença astronômica dos outros. Sei a força do Vasco e tenho argumentos para discutir. O que não pode é querer empurrar goela abaixo para mim que o Vasco é a quinta, sexta torcida. Isso não vão empurrar nunca, não há hipótese."

A promessa é de Eurico Miranda. Ele já falou pessoalmente ao novo presidente da CBF, Marco Polo del Nero, que não aceitará a manutenção da atual distribuição de cotas. Não quer nem saber se todos os clubes já aceitaram a renovação automática até 2018. Inclusive o Vasco.

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A bancada da bola se movimenta em Brasília. Há um projeto do ex-deputado federal Raul Henry do PMDB de Pernambuco tramitando em Brasília. O político propôs um revolucionário método de distribuição da cota televisiva no Brasil. Na verdade, uma cópia do que acontece na Inglaterra.

A maneira é simples e muito mais democrática. 50% da receita seriam divididos igualmente entre os times, 25% distribuídos de acordo com a classificação da equipe na última temporada do campeonato em questão e 25% repassados proporcionalmente à média do número de jogos transmitidos no ano anterior.

Só que a demora para tudo o que acontece em Brasília e uma vergonha. Henry já deixou a capital do País. Se tornou vice governador de Pernambuco. Mas Eurico quer a implementação da divisão inglesa. E que seja por uma ação política, governamental. Ele não suporta a situação atual. Corinthians e Flamengo ganham R$ 110 milhões. São Paulo, R$ 80 milhões. Vasco e Palmeiras, R$ 70 milhões. Santos, R$ 60 milhões. Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo, R$ 45 milhões.

Fica histérico ao saber que a partir do ano que vem tudo ficará mais desigual ainda. Flamengo e Corinthians passarão a ganhar R$ 170 milhões por ano. O São Paulo, R$ 110 milhões. Vasco e Palmeiras, R$ 100 milhões. Santos, R$ 80 milhões. Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo, R$ 60 milhões. Já está tudo assinado. Até 2018.

Só que a reação será pesada. A cúpula do Corinthians não aceita nem pensar em mudar o que já está assinado até 2018. Eduardo Bandeira de Mello, que está revolucionando a administração do Flamengo, nesta questão tem uma visão individualista da questão. Por ele, o Flamengo não abrirá mão do privilégio.

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"No momento, vamos pensar que temos um longo caminho a percorrer. E se algum dia essa questão do desequilíbrio vier a se confirmar, podemos pensar em alguma coisa, é claro que dentro de um outro ambiente, em que os clubes tenham uma entidade que possa vir a nos representar, mas acredito que temos tanta coisa nesse momento, nós, do Rio, então, temos tanta coisa para nos preocupar."

Discretamente, como é sua característica, Bandeira de Mello desconversou ontem sobre o polêmico assunto. Encara como algo normal e justo receber, ao lado do Corinthians, muito mais do que os outros clubes brasileiros da Globo.

"Essa é uma vantagem comparativa que nós temos. Agora, têm várias outras vantagens comparativas que não temos. Nós não temos estádio, não temos centro de treinamento à altura de nossas tradições e de nossa torcida. Enfim, não temos estádio, vários clubes têm estádio e ninguém está pedindo para dividir o seu estádio com ninguém." Ou seja, enquanto o Flamengo não tiver estádio, CT ou sanar totalmente sua dívida, não vê problema em receber muito mais do que os clubes rivais.

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A realidade é que o Brasil será muito afetado pelo que acontecerá na Espanha. Se a greve for considerada ilegal e for aceita a intervenção governamental na distribuição na cotas da tevê, muita coisa deverá mudar por aqui. Isso apesar de os contratos já estarem assinado até 2018.

Eurico Miranda já avisou que 'vai até as últimas consequências' para impedir que Corinthians e Flamengo continuem privilegiados pela Globo. Apesar de todas as divergências, dirigentes de outros clubes como Grêmio, Internacional, Cruzeiro, Fluminense, Atlético Mineiro, Santos e Palmeiras já começam a se articular. Prontos para formar um bloco exigindo menos disparidade nas cotas.

A CBF de Marco Polo só vê um caminho para evitar o caos. Não a Globo diminuir o que já prometeu para Corinthians e Flamengo. Mas aumentar o que já acertou com os outros. Essa solução não agrada a emissora carioca. Para executivos vale o que já está assinado.

Ou seja, os clubes brasileiros acompanharão muito de perto o que a Espanha fizer amanhã. Os reflexos por aqui deverão ser imediatos...
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Festa no São Paulo pela suspensão de Sheik na Libertadores. Aidar recebe elogios por ter tumultuado a arbitragem de Sandro Meira Ricci. Corinthians revoltado. Com o jogador e com a Conmebol…

1reproducaolance1 Festa no São Paulo pela suspensão de Sheik na Libertadores. Aidar recebe elogios por ter tumultuado a arbitragem de Sandro Meira Ricci. Corinthians revoltado. Com o jogador e com a Conmebol...
Conselheiros do São Paulo estão exultantes. E não pararam de ligar para o presidente Carlos Miguel Aidar. O cumprimentaram como se ele tivesse conquistado um título para o clube. Na verdade, as ligações e as congratulações foram em homenagem à suspensão de três jogos de Sheik do Corinthians.

A explicação. Antes do clássico fundamental entre São Paulo e Corinthians, no Morumbi, Aidar foi no Centro de Treinamento da Barra Funda. E reuniu os repórteres porque tinha um comunicado para fazer.

"Confesso que fiquei preocupado com a escolha do Ricci, porque o retrospecto dele em jogos do São Paulo é ruim. Não é ruim para o Corinthians. Ele tem retrospecto de expulsão de dez jogadores do São Paulo em 17 jogos e de apenas uma expulsão de jogadores do Corinthians em 17 jogos."

O que parecia ser um golpe antigo, pressionar o árbitro Sandro Meira Ricci, na verdade funcionou brilhantemente. O juiz da Copa do Mundo de 2014 entrou diferente no jogo. E acabou prejudicando o Corinthians.

1reproducao13 Festa no São Paulo pela suspensão de Sheik na Libertadores. Aidar recebe elogios por ter tumultuado a arbitragem de Sandro Meira Ricci. Corinthians revoltado. Com o jogador e com a Conmebol...

Principalmente no lance envolvendo Sheik. Rafael Tolói havia pisado de propósito no corintiano em uma dividida. Só que Ricci e seus bandeiras não enxergaram a agressão digna de expulsão. Irritado, Emerson quis dar o troco. E esperou o zagueiro correr e deu um leve toque na sua perna o derrubando. Foi uma molecagem, bobagem. Não houve violência, ele só queria se impor. Terminou recebendo o cartão vermelho, já que Tolói fingiu ter mais dores do que uma mulher dando a luz em um ônibus.

Aos 17 minutos do primeiro tempo, o Corinthians ficou com apenas dez jogadores. Quem estava nos camarotes do Morumbi viu a comemoração de muitos dirigentes são paulinos. Foi como se fosse um gol. Mas de Aidar.

Ricci seguiu o jogo inteiro perturbado. Sua arbitragem foi insegura, péssima. Acabou expulsando Luís Fabiano e Mendoza. O atacante segurou o colombiano. O corintiano virou tentou se livrar dando um tapa no são paulino. Não acertou. Luís Fabiano rolou como se fosse um professor em Curitiba. E tivesse tomado um tiro no olho dos soldados de Beto Richa.

Os dois foram expulsos. Luís Fabiano por ser tão canastrão. Sandro Meira Ricci 'caprichou' no relatório contra os corintianos. Escreveu que os dois tiveram conduta violenta.

Coube a um juiz analisar a denúncia. E as imagens. Não houve julgamento. Prevaleceu o que escreveu o árbitro. Principalmente em relação a Sheik. Por estar próximo, só ele poderia analisar o quanto teria sido forte o pontapé em Tolói.

A direção do Corinthians está revoltada. Acredita que Aidar conseguiu tumultuar o poder de raciocínio de Sandro Meira Ricci. E que ele prejudicou o Corinthians só para mostrar que não o protege. A direção não quer ver o mineiro comandando mais seus jogos na Libertadores. E também no Brasileiro. Quer vetá-lo daqui para a frente.

Em compensação, no Morumbi, os elogios não param a Carlos Miguel. Estão muito animados. Ele também saiu vitorioso junto à Conmebol em relação aos juízes no confronto contra o Cruzeiro. Aidar queria árbitros estrangeiros. Foi o que aconteceu. O paraguaio Carlos Amarilla apitou o confronto da semana passada no Morumbi. No Mineirão na quarta-feiras será o uruguaio Andrés Cunha.

 Festa no São Paulo pela suspensão de Sheik na Libertadores. Aidar recebe elogios por ter tumultuado a arbitragem de Sandro Meira Ricci. Corinthians revoltado. Com o jogador e com a Conmebol...

Em relação a Tite, o treinador ficou profundamente chocado com a notícia que não terá Sheik no confronto decisivo no Itaquerão. Quarta-feira, o técnico deverá escalar Mendoza desde o início, para ganhar mais velocidade. O técnico se cansou da ineficiência de Vagner Love. Não confia em Malcom. E muito menos em Romero.

Tite não se conforma em perder o seu jogador com mais personalidade de Libertadores. Sheik tomou três partidas de suspensão. Não enfrentou o Guaraní em Assunção. Não jogará na quarta. E, se o Corinthians se classificar, não atuará no primeiro jogo das quartas-de-final. Um enorme prejuízo.

"A culpa é toda do relatório do Sandro Meira Ricci. O Sheik não teve atitude violenta. Foi um absurdo. Três jogos fora da Libertadores é para quem agride violentamento o adversário. Não me conformo com o que o Sandro escreveu. A defesa ficou impossível", desabafa o veterano advogado corintiano João Zanforlin.

Para o futuro de Sheik no Parque São Jorge ele terá de torcer muito para o Corinthians vencer. E se classificar. Há muitos dirigentes cansados das atitudes irresponsáveis do atacante. Seu contrato termina no meio do ano. Ele fará 37 anos em setembro. Recebe R$ 520 mil a cada 30 dias. As organizadas não o suportam ainda por conta do beijo que deu na boca de um dono de restaurante, em um protesto contra a homofobia.

4ae6 Festa no São Paulo pela suspensão de Sheik na Libertadores. Aidar recebe elogios por ter tumultuado a arbitragem de Sandro Meira Ricci. Corinthians revoltado. Com o jogador e com a Conmebol...

Para alegria de Aidar, o clima no Parque São Jorge ficou ainda mais pesado com a confirmação da suspensão de Sheik. O presidente são paulo tem motivos para ficar orgulhoso. Um dos golpes mais velhos do futebol mundial deu resultado. Sua pressão sobre Sandro Meira Ricci deu mais do que certo.

O São Paulo foi favorecido no jogo. Deveria ter ficado com dez atletas a partir dos 16 minutos. Mas ficou com um a mais desde os 17 minutos. Além de errar, o árbitro ainda carregou nas tintas contra o corintiano.

Independente do alegre Carlos Miguel, Emerson agiu como um juvenil irritado. E não só pagará pelo erro. Mas como faz o Corinthians pagar. Estraga os planos de Tite em uma partida de vida ou morte na Libertadores. E que o clube já começa perdendo por 2 a 0.

De qualquer maneira, os comprimentos à esperteza de Aidar não param de chegar. Implodiu não só a arbitragem de Sandro Meira Ricci como o ambiente no maior rival nesta Libertadores. O presidente do São Paulo tem razão. O futebol brasileiro parou no tempo. Qualquer velho truque da década de 70 ainda dá muito certo...
4afp Festa no São Paulo pela suspensão de Sheik na Libertadores. Aidar recebe elogios por ter tumultuado a arbitragem de Sandro Meira Ricci. Corinthians revoltado. Com o jogador e com a Conmebol...

Depois de décadas, o Palmeiras está forte nos bastidores. Com o apoio de Marco Polo, seu conselheiro vitalício e presidente da CBF, peitou censura da Globo ao Allianz Parque. E ainda conseguiu adiar o julgamento de Dudu…

1ae11 1024x647 Depois de décadas, o Palmeiras está forte nos bastidores. Com o apoio de Marco Polo, seu conselheiro vitalício e presidente da CBF, peitou censura da Globo ao Allianz Parque. E ainda conseguiu adiar o julgamento de Dudu...
Durante os anos absolutistas de Ricardo Teixeira no comando da CBF, os dirigentes de Flamengo e Corinthians não tiveram motivos para reclamações. Quando José Maria Marin, o 'Breve', esteve à frente da entidade, os dirigentes do São Paulo voltaram a sorrir. Agora, com Marco Polo del Nero, os problemas do Palmeiras são resolvidos em um instante.

É sempre assim, os presidentes da CBF costumam ter ligações com clubes específicos. Desta vez, o privilegiado é o Palmeiras. Marco Polo del Nero é conselheiro vitalício do clube. E tem excelente relacionamento com o presidente Paulo Nobre.

A ligação não significa manipulação de resultados, proteção na escolha dos árbitros. Mas qualquer reivindicação fica muito mais rápida. Desde que o pedido se justifique, não há demora. É uma vantagem significativa em relação aos demais clubes. Depois de décadas, o Palmeiras volta a ser forte nos bastidores.

Essa ligação entre Marco Polo e o clube no qual é torcedor apaixonado, e conselheiro vitalício, teve de ser colocada à prova no sábado. Foi cometida uma violenta censura em relação ao novo estádio. A partida estava sendo transmitida pelo Sportv, canal a cabo da TV Globo.

A seguradora Allianz e a empresa de shows AEG fecharam contrato de R$ 300 milhões por vinte anos com a WTorre. E o estádio foi batizado de Allianz Parque. Em plena recessão que o país está mergulhado, a CBF tem 13 patrocinadores: Nike, Itaú, Vivo, Guaraná Antárctica, Sadia, Chevrolet, Samsung, Gillette, Gol, English Town, Seguros Unimed, Michelin. Ainda três parceiros: Parmigiani, Tenys-Pé Baruel e Technogym. A Globo tem seis patrocinadores no futebol em 2015 : Itaú, Johnson & Johnson, Magazine Luiza, Vivo, Volkswagen e Ambev.

As ligações do estádio palmeirense vão além da Allianz. Há o 'premium partner', o Banco do Brasil. E os parceiros da arena: Siemens, UBL, Cisco, Deca, Diletto, Ourocard e ENM.

Tudo gera dinheiro. Para a CBF, Globo e WTorre. Não há sequer um patrocinador em comum.

1reproducao12 Depois de décadas, o Palmeiras está forte nos bastidores. Com o apoio de Marco Polo, seu conselheiro vitalício e presidente da CBF, peitou censura da Globo ao Allianz Parque. E ainda conseguiu adiar o julgamento de Dudu...

A CBF e a Globo nunca criaram normas para acompanhar as novas arenas que foram batizadas por empresas. A cúpula da emissora carioca chegou a conversar com o parceiro Andrés Sanches, ex-presidente do Corinthians, em 2011. Ele estava certo que conseguiria a Emirate Airlines para bancar por R$ 400 milhões em 20 anos, o nome do Itaquerão. Para o acordo ser firmado, ele queria a garantia da Globo que a emissora divulgaria o nome Emirates ao citar a arena em Itaquera. Houve o pedido comercial de 10% do acordo. O dirigente havia aceito. Só que o acordo com a Emirates fracassou. Nestes quatro anos, Andrés tentou diversas novas parcerias. Não conseguiu.

O que o dirigente não queria aconteceu. Itaquerão se transformou no apelido popular do estádio. São quatro anos de repetição na mídia do aumentativo que Andrés tanto odeia. Publicitários garantem que não há mais volta. E dão como exemplo a Fonte Nova. A Itaipava comprou os naming righs. Mas todos os veículos de comunicação e os torcedores citam a arena como Fonte Nova. Há sério questionamento se valeu a pena a cervejaria gastar R$ 100 milhões por dez anos para batizar o tradicional estadio.

O acordo entre a Allianz e a WTorre foi fechado antes do estádio palmeirense estar concluído. Mesmo assim ainda há muita gente que se refere ao estádio como Parque Antárctica ou Palestra Itália. Houve uma campanha massificante em relação ao batismo da nova arena.

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O acordo não envolveu financeiramente a Globo, dona do monopólio do futebol no Brasil, ou a interesseira CBF. A emissora carioca usa o mesmo critério em relação ao vôlei. Embora os nomes dos clubes sejam de empresas, ela se recusa a pronunciá-los. Evita o que chama de propaganda gratuita. E eles viram nomes de cidades. O que espanta patrocinadores. E impede o crescimento do esporte no país.

Em relação à escuderia e ao time de futebol Red Bull, a emissora não teve constrangimento. Escolheu se referir a eles pelas iniciais: RBS. E chegou ao cúmulo de mudar o distintivo, onde o nome Red Bull estava estampado.

Mas havia uma grande reclamação em relação aos estádios que conseguiram o naming rights. Os letreiros estampando os nomes das arenas. E que foram colocados de maneira estratégica para aparecerem nas câmeras de transmissão. Seria propaganda estática. E quem tem direito a ela são os patrocinadores da emissora. Os diretores de imagem garantiram aos executivos que não havia maneira de não mostrar esses letreiros durante os jogos. Principalmente no estádio do Palmeiras.

A reclamação da Globo chegou a Marco Polo. Ele marcou uma reunião na próxima semana para resolver a situação. A emissora carioca quer dinheiro. Ou que os letreiros sejam tapados. Simples assim.

Tudo ainda estava sendo conversado, quando houve a estréia do Brasileiro de 2015. Palmeiras e Atlético Mineiro jogaram no sábado. Os funcionários da Globo envolvidos na transmissão avisaram dos letreiros. A emissora entrou em contato com empregados palmeirenses. Disseram que o nome Allianz deveria ser tapado. Havia até a possibilidade de o jogo não ser mostrado pelo Sportv.

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Representantes da CBF ficaram sabendo. E decidiram pressionar o Palmeiras. Avisaram que se o logotipo não fosse tapado, o Palmeiras perderia mandos de futuros jogos. O que desesperou os desorientados empregados da WTorre.

Apavorados, colocaram esdrúxulos panos brancos sobre o logotipo da seguradora. A revolta da torcida palmeirense nas redes sociais chegou até o presidente Paulo Nobre. Ele entrou em contato com Marco Polo del Nero. Não aceitaria tamanha violência. Conselheiros do clube garantem que o próprio presidente da CBF entrou em ação. E mandou que os panos fossem retirados. Marco Polo deve antecipar a reunião para decidir como ficará a situação.

Foi uma vitória do Palmeiras diante de um ato violento e desnecessário. A diretoria palmeirense já é revoltada com a emissora. Sabe que a prioridade da Globo é mostrar os jogos do Corinthians e São Paulo. O clube, ao lado do Santos, são considerados 'derrubadores de Ibope'. A fama se fez durante as duas últimas décadas. Não nos últimos anos, quando a audiência foi achatada e a diferença é mínima. Mas na divisão das cotas de transmissão está clara a preferência por corintianos e são paulinos.

Se prevalecer o veto das câmeras da Globo mostrar os logotipos das novas arenas, será a pá de cal nos naming rights no país. A mostra dos logotipos é comuns nos estádios do mundo todo. Até a Globo se submete aos estádios europeus. Só que aqui ela não aceita. A postura: ou recebe dinheiro ou exigirá que sejam tapados. A CBF tentará conciliar, normatizar, decidir o que fazer, como ajudar os clubes.

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O Palmeiras também ganhou outra importante batalha nos bastidores. Adiou o julgamento de Dudu. Ele agrediu e xingou Guilherme Ceretta de Lima na partida final do Paulista, contra o Santos. O julgamento deveria acontecer hoje no Tribunal de Justiça Desportiva da FPF. O atacante corre o risco de ficar seis meses sem poder atuar. Com o adiamento aceito, o novo julgamento não foi nem marcado.

A estratégia do departamento jurídico palmeirense é ganhar tempo e amenizar a pressão popular por uma punição pesada. Quer repetir o que o Corinthians fez com Petros. No primeiro julgamento, com a pressão da mídia por justiça, o corintiano pegou seis meses de suspensão por agressão ao árbitro Raphael Klaus. Até o ex-técnico Mano Menezes considerou justa a punição. Só que o clube recorreu e, quando o caso não estava mais nas manchetes, Petros teve diminuída sua suspensão para três partidas.

O Palmeiras tem tudo para ir além. Poderá ir utilizando o jogador no Brasileiro até que ocorra o novo julgamento. Quando, finalmente, acontecer, a pressão da mídia será mínima. E talvez ele pegue os três jogos logo de uma vez. O adiamento que o clube conseguiu foi uma vitória expressiva, que não conseguiam há anos.

Não há a menor dúvida. O Palmeiras passou a ter muito mais força nos bastidores do futebol com a ascensão de Marco Polo del Nero à presidência da CBF. Até a poderosa Globo sentiu isso na pele, com os patéticos panos brancos tapando o logotipo da Allianz...
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“Esse ano não vou aceitar ficar no banco”, a revolta de Alexandre Pato. O atacante de R$ 43 milhões finalmente decidiu salvar a decepcionante carreira. ‘Culpa’ do empresário e da namorada…

1ae10 Esse ano não vou aceitar ficar no banco, a revolta de Alexandre Pato. O atacante de R$ 43 milhões finalmente decidiu salvar a decepcionante carreira. Culpa do empresário e da namorada...
"Quero jogar, esse ano não vou aceitar ficar no banco. Estou numa fase muito boa, fazendo gols e ajudando o São Paulo."

Até que enfim, Alexandre Pato se rebelou. Após a vitória contra o Flamengo, há pouco no Morumbi, ele falou o que Mano Menezes tanto queria que ele dissesse no início de 2014. Ao reassumir o Corinthians, no passado, o treinador ouviu do então presidente Mario Gobbi, que o atacante era um 'caso perdido'. Ou seja, um jogador que o Corinthians estava amarrado até o final de 2016. Pagando R$ 800 mil mensais mais R$ 40 mil como auxílio-moradia.

Foi um 'projeto' que nasceu do departamento de marketing da Nike. Seria a estrela que faltava no time campeão da Libertadores, do Mundial. Alguém para vender camisas. Um jogador conhecido no mundo todo.

Mas sua temporada de 2013 foi um fracasso. Rejeitado por Tite, pelo grupo, pelas organizadas. A reação do jogador foi se fechar. E não mostrar o menor envolvimento no clube. Para ele tanto fazia estar na reserva ou titular. A esperança de Gobbi era que Mano o recuperasse. Em uma conversa particular com Alexandre, o ex-treinador foi claro. Disse que via potencial no jogador até para disputar a Copa de 2014. Mas faltava vontade, garra, raça.

E avisou que ele começaria o ano na reserva. E só dependeria de sua atitude ganhar a posição definitivamente, ser titular de forma incontestável. Só que Pato se irritou. Sabia que precisava de forma desesperada de seus gols no fraco Campeonato Paulista, contra adversários péssimos. Só assim despertaria a atenção de Felipão de novo.

Com a reserva, reagiu da pior maneira. Outra vez se isolou. Falava com Mano apenas o necessário. Assim também com os companheiros. O técnico queria Jadson e procurou Gobbi. Foi bem claro. Disse que o melhor a fazer seria trocá-lo por Pato. O treinador também havia chegado à conclusão que ele não tinha solução. Era um misto de acomodação com alienação. Agia como se a posição devesse ser dele por ter custado R$ 43 milhões. Foi a contratação mais cara jamais feita por um clube brasileiro. Mas nunca confrontou o Mano ou Gobbi.

O ex-presidente corintiano considerou um presente dos céus, o São Paulo aceitar pagar R$ 400 mil, metade dos salários. E ainda ceder Jadson. Mano estava muito satisfeito com a troca.

"Foi inocência contrata Pato (por um valor tão alto). O Corinthians imaginava que trazendo o Pato ele poderia ser um goleador, o cara do marketing do Corinthians, poderia vender camisa... Nós tínhamos acabado de ser campeão mundial, aquela febre toda e resolvemos trazer. Acho que foi um erro. Gastou errado", confessa agora o ex-diretor Ronaldo Ximenez. Ele havia sido secretário e braço direito de Gobbi. Sabe muito bem o que fala. Assumiu pela primeira vez o arrependimento dos corintianos nos bastidores.

 Esse ano não vou aceitar ficar no banco, a revolta de Alexandre Pato. O atacante de R$ 43 milhões finalmente decidiu salvar a decepcionante carreira. Culpa do empresário e da namorada...

Com Muricy, Pato teve muito mais apoio do que com Tite e Mano. Começou a jogar mais, se enturmou com os companheiros de time. Como os torcedores. "Aqui eu me sinto em casa, não quero voltar ao Corinthians." Os dirigentes dos dois clubes sabem de sua vontade.

O agora presidente Roberto de Andrade e Andrés Sanchez consideram Pato um 'problemão'. Já acionaram seus empresários de confiança. Mas não há clubes dispostos a pagar os 13 milhões de euros sonhados, cerca de R$ 43 milhões. Nem mesmo dez milhões de euros, R$ 33,3 milhões. Não mesmo os entusiasmados emergentes chineses ou os bilionários árabes.

"Alexandre Pato é um dos nomes decadentes do futebol brasileiro. E ele nem é tão jovem assim. Fará 26 anos em setembro. Ele teria de melhorar muito. Conquistar um título importante como a Libertadores, sendo o artilheiro. Precisa fazer algo marcante", me diz um empresário veterano, consagrado em levar atletas para a Europa.

Para que isso aconteça, o atacante deveria dar o primeiro passo. Foi aconselhado por duas pessoas muito próximas que era chegada a hora. Tinha de 'dar um basta', 'socar a mesa'. O que aconteceu hoje no Morumbi, não foi por acaso. Gilmar Veloz e Fiorella Mattheis insistiram. O empresário e a namorada do jogador o pressionaram. Ele deveria parar de ser 'bonzinho'. Chega de reserva.

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O primeiro passo foi dado hoje diante dos microfones, deixando o gramado. E por cima. Autor do segundo gol do São Paulo contra o Flamengo. Mesmo com o retorno de Luís Fabiano, ele revolver comprar a briga. E avisar. Chega de acomodação, milionário ele está há muito tempo. Desde que foi para o Milan, em 2007, ele não recebe menos do que R$ 500 mil mensais. Mais prêmios, bônus. Pato está com sua vida financeira resolvida nestes últimos oito anos.

Gilmar e Fiorella insistem que ele precisa ter ambição, querer mais. E por isso, o banco de reservas não pode ser uma possibilidade. Quando Muricy era treinador, não fugia à regra. Também reclamava da falta de gana de Pato. E era Milton Cruz quem, com todo cuidado, animar o jogador. Insistir no seu ouvido do talento e de quanto não só o São Paulo, mas também a Seleção, estão carentes de um artilheiro. Milton foi atacante e gostava de incentivar o Alexandre no seu ponto fraco, as conclusões.

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A saída de Muricy foi benéfica para Pato. Milton Cruz tem mesmo muita confiança no jogador. Na sua velocidade, poder de conclusão. Acredita que o ataque ideal do São Paulo tem três jogadores. Michel Bastos pela direita, Centurión pela esquerda. E Pato como referência se movimentando, trocando posição com os dois. O campineiro Luís Fabiano completará 35 anos em novembro. Não tem o mesmo arranque, a mesma mobilidade que o consagrou. Não é porque marcou hoje contra o Flamengo que mudará a decisão de Cruz, de deixá-lo no banco contra o Cruzeiro.

Alexandre Pato chegou hoje a 12 gols. O que é uma marca que não passou desapercebida por ele. Foi a mesma quantidade de gols que fez em todo 2014. Ou seja, a probabilidade é que melhore esta marca. E para isso precisa jogar, ser titular absoluto. O que não teve com Tite, Mano e Muricy.

"Tem comandante que sabe ler futebol muito bem. Eu quero jogar sempre, este ano não vou aceitar ficar no banco. Estou em uma fase muito boa, fazendo gols e ajudando o São Paulo", disse de forma surpreendente Pato.

Além da óbvia cobrança, havia o elogio ao 'comandante que sabe ler futebol'. Ele se chama Milton Cruz. O jogador tem a confiança, a certeza do técnico que a posição no ataque do São Paulo será dele. Enquanto for o técnico interino no Morumbi.

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Enquanto isso, Carlos Miguel Aidar não tem pressa. Para comprá-lo do Corinthians em 2014, deveria pagar 15 milhões de euros, cerca de R$ 49 milhões. Em 2015, o valor caiu para 10 milhões de euro, cerca de R$ 33 milhões. O valor não ficará mais baixo até o final do empréstimo, dia 31 de dezembro. Mas também não aumentará.

Aidar quer se livrar de Luís Fabiano. Não acredita mais no potencial do veterano jogador. E se Pato se firmar, faz parte dos planos contratá-lo em definitivo. Só irá depender dele, dos seus gols.

Nesta janela do meio do ano, não há chance de ir para a Europa. Não há interessados. Caso volte mesmo a se destacar, voltar a ser artilheiro, convencer Dunga a convocá-lo tudo pode mudar na janela do final do ano. Mas o primeiro passo é se tornar dono da posição. Virar titular absoluto do São Paulo.

E é o que teve a coragem de proclamar hoje. Midiático, sabe como usar o microfone. E fez seu anúncio. E que poderia ser recebido como um desrespeito por Milton Cruz. Mas não foi. Assim como Mano, o interino comandante do São Paulo esperava pela postura, o fim da acomodação do homem de R$ 800 mil mensais. Foi o que aconteceu.

Alexandre Pato já decepcionou muitos treinadores, dirigentes, torcedores, empresários, jornalistas nestes últimos anos. Mas é quase unanimidade entre todos. Um dia ele iria 'acordar para a vida'. Empurrado por Gilmar Veloz e Fiorella, ele deu grito de libertação. Milton Cruz e a diretoria do São Paulo ficaram muito satisfeitas com a 'rebeldia'.

Se é para valer, só o tempo dirá. Alexandre Pato já decepcionou muita gente. O primeiro teste será quarta-feira, no duelo de vida ou morte pela Libertadores. Contra o Cruzeiro em Belo Horizonte...
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CBF desperdiça 27 meses com Gallo. O demite e dá Seleção Olímpica para Dunga. O técnico terá de conquistar inédita medalha de ouro e ainda disputar as Eliminatórias para a Copa de 2018. Planejamento?

1cbf 1024x575 CBF desperdiça 27 meses com Gallo. O demite e dá Seleção Olímpica para Dunga. O técnico terá de conquistar inédita medalha de ouro e ainda disputar as Eliminatórias para a Copa de 2018. Planejamento?
O sábado está amanhecendo feliz para Luiz Felipe Scolari. Ele confirmará a notícia que Alexandre Gallo foi demitido ontem à noite. Não comandará a Seleção Olímpica. Marco Polo del Nero quer a medalha de ouro de qualquer maneira em 2016. E decidiu impor sua vontade. Se cansou da insegurança e falta de firmeza de Gallo. E escolheu Dunga. O treinador terá de conciliar as Eliminatórias para a Copa de 2018 com os Jogos do Rio. O Brasil jogou fora 27 meses de preparação...

O ex-presidente José Maria Marin adorava Gallo. Principalmente por sua mentalidade. A postura com os garotos, que ia além de um mero coordenador, um treinador. Parecia a de um sargento na época da Ditadura Militar. Ele era muito mais rígido do que Ney Franco.

"Eu vou implantar uma nova mentalidade na base. Não tem mais brinco, não tem fone de ouvido, não tem cabelo, marra, nada. Os que têm, estão fora. Só jogadores comprometidos serão convocados. O grande lance é o que aconteceu na Copa das Confederações. Por que todo mundo gostou do Brasil? Porque houve comprometimento e cumplicidade no trabalho. Os jogadores eram quase os mesmos de antes, mas o comprometimento mudou.

"Tem um menino sub-15 do Grêmio que é um craque, mas num torneio que vi ele se recusou a dar a mão para o técnico e usava um cabelo cortado com a inicial do seu nome e o número 10. E está fora da Seleção."

Mas de nada adiantou ser radical. Exigir cabelo cortado e nada de tatuagens. O que interessava, principalmente para Marco Polo, eram os resultados. O pior deles aconteceu justo em fevereiro, no Sul-Americano, valendo vaga para o Mundial sub-20 no Uruguai. A Seleção fez uma péssima campanha. E só chegou ao quarto lugar. Só em 1979, o país teve um resultado tão ruim.

Mas nos 27 meses de trabalho, não foram só derrotas. O treinador demitido conquistou duas vezes o Torneio de Toulon e um Torneio Internacional da China.

A decepção foi fatal para Gallo. Marco Polo foi cruel. Foi tirando a sua importância na CBF. Primeiro o tirou da coordenação da base do técnico. Erasmo Damiani saiu do Palmeiras para assumir o cargo. E já foi logo demitindo o treinador da Seleção Brasileira sub-15, Cláudio Caçapa e seu auxiliar, Axel. Eles foram indicados e eram muito amigos do então técnico da Seleção Olímpica.

1ae9 CBF desperdiça 27 meses com Gallo. O demite e dá Seleção Olímpica para Dunga. O técnico terá de conquistar inédita medalha de ouro e ainda disputar as Eliminatórias para a Copa de 2018. Planejamento?

Para deixar claro a reviravolta, a falta de prestígio, Gallo teve de engolir a demissão do seu auxiliar técnico Maurício Copertino e o preparador físico Elliot Paes. Eles formavam a Comissão Técnica de Gallo. A manobra de Marco Polo buscava o pedido de demissão espontâneo do treinador. Mas ele não veio.

Marco Polo falava claramente ao coordenador-geral das Seleções, Gilmar Rinaldi, que não desejava mais Gallo comandando a Seleção Olímpica. Na visão do presidente da CBF, o Brasil precisa do ouro para resgatar a imagem abalada com a Copa do Mundo. E não tinha mais confiança no atual técnico. Queria alguém mais vivido. Só que de plena confiança. E só havia um nome: Dunga.

O treinador já trabalhou na Olimpíada. Foi na de Pequim em 2008. Com Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Thiago Silva, a Seleção conseguiu apenas a terceira colocação, a medalha de bronze. O desempenho incomodou Dunga, que sonhava com a medalha inédita. Ele seguiu normalmente seu trabalho até a Copa de 2010 na África.

Mano Menezes tentou fazer a mesma coisa em Londres. Mas o então também técnico da Seleção principal viu Ricardo Teixeira abandonando a presidência da CBF. E seu protetor, Andrés Sanchez, perder todo o poder. Mano sabia: ou conquistava o ouro em 2012 ou seria demitido. Ganhou a prata e foi mandado embora, sem dó, por Marin.

Dunga sabia que o ambiente para Gallo estava péssimo. Na convocação para a Copa América, nesta semana, ele já evitou o assunto. Só que sabia que Marco Polo estava decidido. Havia se cansado da insegurança e incoerências de Alexandre Gallo. Sua convocação para o Mundial Sub-20, na Nova Zelândia, foi a gota d'água. Ele deixou de fora jogadores importantes como Nathan, ex-Atlético Paranaense; Gerson, do Fluminense; Malcon, do Corinthians; Thalles, do Vasco; e Gabigol, do Santos.

4ae3 CBF desperdiça 27 meses com Gallo. O demite e dá Seleção Olímpica para Dunga. O técnico terá de conquistar inédita medalha de ouro e ainda disputar as Eliminatórias para a Copa de 2018. Planejamento?

Houve muitas reclamações dos clubes que não tiveram seus garotos chamados. E Marco Polo decidiu ontem à noite demitir o treinador. Mario Rogério Reis Micalle, treinador dos juniores do Atlético Mineiro, irá comandar a equipe no Mundial que começará no final do mês e terminará em junho. Os jogadores chamados por Gallo se apresentarão segunda-feira, na Granja Comary. Mario Micalle os receberá e começar a montar o seu time ao Mundial.

Dunga estará cuidando do Brasil principal na Copa América. Depois cuidará das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Para a América do Sul, ela deverá começar em outubro. Terá de conciliar alguns amistosos da Olímpica. Só se concentrará para valer perto dos Jogos do Rio. O futebol acontecerá em agosto.

Foram 27 meses de trabalho de Gallo. 810 dias que Marco Polo desperdiçou. As escolhas do ex-treinador não serão mais levadas em consideração. De agora em diante, Micalle cuidará do Mundial. E os outros técnicos da base enviarão relatórios a Dunga. Ele terá a missão de montar a seleção com obrigação de conquistar a medalha de ouro. Encavalado com a disputa das Eliminatórias.

No Brasil é assim. Improviso em cima de improviso. Principalmente com a Seleção Olímpica. Não é mesmo de estranhar porque o ouro continua inédito por aqui. Sempre faltaram planejamento, convicção, seriedade, comprometimento. Os 27 meses desperdiçados com Gallo são imperdoáveis. Foi Marco Polo que o escolheu dando a coordenação de toda base e ainda a Seleção Olímpica. E agora o despacha.

A certeza da felicidade de Felipão com a demissão de Gallo se explica. O ex-comandante da Seleção disse a amigos que foi traído pelo técnico que trabalhou como observador dos adversários durante a Copa. Na Granja Comary após a derrota para a Alemanha por 7 a 1, vazou a notícia que Scolari havia desprezado a recomendação do seu olheiro.

Gallo recomendou que o Brasil, sem Neymar contundido, fechasse o meio de campo. E tirasse Fred da equipe. Do meio para a frente, a Seleção teria Luiz Gustavo, Fernandinho, Paulinho, Oscar e Willian no meio-campo e somente Hulk na frente. Ou seja, Paulinho entraria na vaga de Neymar e Willian na de Fred. Só que Felipão não se animou com a sugestão e veio o 7 a 1.

1afp3 CBF desperdiça 27 meses com Gallo. O demite e dá Seleção Olímpica para Dunga. O técnico terá de conquistar inédita medalha de ouro e ainda disputar as Eliminatórias para a Copa de 2018. Planejamento?

Marco Polo e José Maria Marin tiveram acesso à recomendação de Gallo. Consideraram como grave o desprezo de Felipão. Implodiram a Comissão Técnica do Brasil que fracassou na Copa. Só mantiveram o observador. Ele seguiria coordenando toda as seleções de base. Felipão considerou traições o vazamento da escolha dos jogadores que colocaria diante da Alemanha e ainda aceitar continuar na CBF sem ele. Hoje os dois não têm qualquer relacionamento.

Só uma pessoa estará eufórica com toda essa confusão. Seu nome, Luiz Felipe Scolari. Está vingado. O homem que o 'traiu' na Seleção não realizará seu sonho. Foi iludido com 27 meses de poder. Perdeu o comando do time que disputará a medalha de ouro na Olimpíada. Acabou demitido. A obrigação no Rio de Janeiro estará nas mãos de Dunga. Assim como a Seleção Principal nas complicadas Eliminatórias Sul-Americanas.

Para deixar tudo ainda mais assustador. Em junho de 2016 será disputada a Copa América dos Estados Unidos. Será a mais importante delas, a que comemorará o centenário da competição. Em junho, Dunga treina a principal. E em agosto estará com a Olímpica. Absurdo... Que planejamento é esse?
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Tite quis mostrar que deveria ser o técnico da Seleção. Revelou na Globo o que aprendeu no seu ano sabático. Tudo o que conseguiu foi sabotar o Corinthians. Mostrando aos adversários seus segredos, o técnico coleciona desilusões…

1reproducaolance Tite quis mostrar que deveria ser o técnico da Seleção. Revelou na Globo o que aprendeu no seu ano sabático. Tudo o que conseguiu foi sabotar o Corinthians. Mostrando aos adversários seus segredos, o técnico coleciona desilusões...
Luiz Enrique pega o seu caderno de anotações táticas. As que definem toda a movimentação do Barcelona de Messi, Neymar e Suárez. O entrega a um repórter. Fascinado, o jornalista folheia e expõe cada detalhe estratégico do time catalão para a televisão. Em uma matéria longa, de dez minutos, qualquer leigo entende os segredos das vitórias da equipe.

Pep Guardiola dá o seu tablet a uma linda apresentadora alemã. Dentro da sua casa, ela tem acesso ao mais precioso estudo do treinador. Como ele conseguiu juntar o tiki taka do Barcelona com a objetividade alemã. E como montou o bilionário Bayern. Mais importante, o que seu time faz com a bola, atacando. E sem ela, defendendo.

José Mourinho cede aos pedidos de um repórter português. O conterrâneo deseja que ele mostre à BBC seu computador, onde esconde todos os segredos do Chelsea. O futebol que os rivais chamam de 'boring' chato, feio. Mas, na verdade, é muito eficiente. Não ganhou outra valiosíssima Premier League à toa. Deixa explícito como faz para jogadores técnicos, talentosos se movimentarem em favor de um esquema. Juntar talento e tática.

Carlo Ancelotti resolve fazer uma macarronada diante das câmeras. Para não ficar falando apenas de tomate, espaguete, frutos do mar espanhóis, ele surpreende o chef de cozinha. Decide mostrar vídeos secretos, íntimos. Eles explicam em detalhes como formou o Real Madrid. Como, a equipe aprendeu a escapar do ego Cristiano Ronaldo. Explorar a velocidade absurda de Bale. Encaixar o oportunismo de Benzema. Como fazer habilidosos Kroos, Isco, James Rodrígues darem a alma como volantes comuns sem a bola.

Nenhuma dessas quatro cenas é verdadeira. Ou será. Esses grandes treinadores sabem que o maior tesouro que possuem é o detalhe tático, as características dos times que comandam. Os segredos para buscar os gols e a melhor maneira para não tomá-los. É algo valioso demais, importante. Ainda mais para ser banalizado diante da televisão. O problema não está nos milhões de torcedores que passam a entender com a equipe funciona.

O absurdo é ensinar aos treinadores rivais como o time atua com ou sem a bola. Fica fácil demais estudar a melhor maneira de neutralizar os pontos fortes e explorar os fracos.

Foi o que Tite fez no programa Esporte Espetacular da TV Globo, levado ao ar no dia 5 de abril. A gravação da entrevista aconteceu logo na manhã da quinta-feira, dia 2 de abril. Algumas horas antes, o Corinthians havia goleado o Danúbio pela Libertadores por 4 a 0 no Itaquerão. O time mostrava o melhor futebol do país, comentaristas lamentavam demais o treinador não comandar a Seleção. O técnico era tratado como um visionário por ter passado um ano estudando futebol e por ter feito um estágio com Carlo Ancelotti no Real Madrid.

1reproducaoglobo Tite quis mostrar que deveria ser o técnico da Seleção. Revelou na Globo o que aprendeu no seu ano sabático. Tudo o que conseguiu foi sabotar o Corinthians. Mostrando aos adversários seus segredos, o técnico coleciona desilusões...

Só que Tite ouvia os elogios com profunda mágoa. Ele desejava demais ter assumido o Brasil. Tinha os títulos da Libertadores e o Mundial no currículo. Tinha a certeza que, com o fracasso de Felipão na Copa, o emprego era seu. Só que Marin e Marco Polo escolheram Dunga. O sofrimento foi imenso com a rejeição.

E ele havia dado a volta por cima. Sendo o único treinador importante a se reciclar de verdade. Voltou ao Corinthians muito melhor do que havia saído. A matéria no EE era a chance de mostrar o quanto merecia comandar a Seleção. Caiu na tentação de mostrar não só o que havia aprendido, mas como estava aplicando os estudos de um ano no Corinthians. Revelou os segredos do melhor time do início de 2015 no Brasil.

Primeiro mostrou seu lado disciplinar. Com ele, a partir de agora, nada de rachão. O treino recreativo que os jogadores se misturam. Sem posição fixa, disputam alegre partidas para descontrair. Europeus sempre abominavam essa prática. Porque não leva a nada e termina apenas por expor os atletas a contusões. Em vez de rachões, trabalhos táticos. Uma bela cutucada em Dunga.

Na hora de revelar a estratégia corintiana, Tite não deixou nada de fora. Da Alemanha copiou a distribuição do time quando atacado. Dez jogadores atrás da linha da bola, preenchendo todos os espaços. O que garantia compactação. Do Real Madrid de Ancelotti, a melhor saída para furar retrancas. Triangulações pelas laterais. Três jogadores pelas extremidades do gramado, atraindo volantes, tirando zagueiros de posição e sobrecarregando alas adversários.

Mostrou até onde os cruzamentos corintianos deveriam ser direcionados. Sempre haveria dois atacantes em cada lado da pequena área e dois chegando pelo meio, de frente para o gol. Os contragolpes fulminantes aconteciam porque o Corinthians não recuava demais seu time. Quatro jogadores precisavam sempre estar prontos para correr para a frente quando havia a retomada de bola.

3ae4 Tite quis mostrar que deveria ser o técnico da Seleção. Revelou na Globo o que aprendeu no seu ano sabático. Tudo o que conseguiu foi sabotar o Corinthians. Mostrando aos adversários seus segredos, o técnico coleciona desilusões...

Foi assustador. Para muitos, arrogância. Mas na verdade, Tite foi ingênuo demais. Querendo mostrar o quanto estava evoluído acabou por mostrar o caminho como marcar, anular o Corinthians. E desde então o time passou a desandar. Empatou em 1 a 1 com o Santos no mesmo dia, no Itaquerão. No Paulista, com os reserva, empatou em 2 a 2 com o XV, em Piracicaba.

Venceu a Ponte Preta nas quartas, no Itaquerão, com os titulares por 1 a 0, com o time interiorano jogando melhor e tendo um gol anulado de forma absurda. Depois, empatou com o Palmeiras, também em Itaquera, por 2 a 2 e foi eliminado da final do Paulista nos pênaltis.

Na Libertadores, um desaste. Empatou no Itaquerão em 0 a 0 com o San Lorenzo. Perdeu para o São Paulo por 2 a 0 no Morumbi. E começou as oitavas sendo derrotado pelo Guaraní do Paraguai por 2 a 0.

Quatro empates, duas derrotas e apenas uma solitária vitória. O time sensação do Brasil naufragava.

Em comum com essas partidas, a dificuldade que o Corinthians passou a ter para atacar. Foram apenas quatro gols em sete jogos. Os dois meias adversários passaram a fechar as triangulações pelos lados. Nos lugares onde deveriam chegar os cruzamentos havia sempre defensores adversários. O Corinthians quando tentou adiantar sua marcação tudo o que conseguiu foi tomar contragolpes. Sua defesa sofreu sete gols. Tudo ficou mais difícil.

Tite cometeu um suicídio tático sem precedentes. O youtube de sua entrevista está à disposição. Qualquer pessoa fica sabendo em 12 minutos e 17 segundos como travar o time que se impunha no país e na América do Sul em 2015. Todo o estudo do ano sabático entregue de bandeja para os rivais.

1afp2 Tite quis mostrar que deveria ser o técnico da Seleção. Revelou na Globo o que aprendeu no seu ano sabático. Tudo o que conseguiu foi sabotar o Corinthians. Mostrando aos adversários seus segredos, o técnico coleciona desilusões...

Junte a esse absurdo, atrasos de salários. E direitos de imagem desde o ano passado para sabotar o ambiente. Ralf, Renato Augusto, Elias, Danilo, Emerson e Guerrero são os casos mais graves. Todo o time revoltado com reservas como Cristian e Vagner Love chegando para receber salários absurdos. R$ 538 mil e R$ 500 mil, respectivamente.

Mais o diretor de futebol, Sérgio Janikian, dando a sua colaboração. Falando para o mundo ouvir assim que saiu o adversário das oitavas de final da Libertadores. "Graças a Deus, o Corinthians não vai pegar um time argentino ou brasileiro, e sim, o Guaraní do Paraguai." A frase chegou no ouvido do espanhol Fernando Jubero, técnico espanhol do time paraguaio. Com o maior prazer ele a repassou o alívio do dirigente corintiano a seus atletas.

Pronto, o Corinthians conseguiu se sabotar. Fez tudo o que não poderia. E por isso padece. Mergulhou de forma infantil em uma crise imensa. Tite precisa se reinventar. Descobrir nova maneira de o time jogar. Tudo o que havia treinado por cinco meses, qualquer técnico de várzea tem acesso na Internet. Quanto mais seus adversários no Brasileiro, na Libertadores.

A entrevista de Tite teve um efeito completamente inverso do que queria. Mostrou um profissional inteligente, arguto, preparado. Mas tomado pelo revanchismo. Pelo ego. Tentou mostrar conhecimento que o deveria fazer comandante da Seleção. Só que para isso, expôs todos os segredos do time que tenta vencer a Libertadores, o Brasileiro, a Copa do Brasil, o Mundial.

Deixou claro, se fizesse isso com a Seleção, poderia jogar toda a preparação de uma Copa do Mundo no lixo. Tudo o que Tite conseguiu foi provar que ainda está imaturo para comandar o Brasil. E, sem perceber, sabotou o Corinthians. Conselheiros importantes dizem que está arrependido. Mas agora é tarde...
5reproducao Tite quis mostrar que deveria ser o técnico da Seleção. Revelou na Globo o que aprendeu no seu ano sabático. Tudo o que conseguiu foi sabotar o Corinthians. Mostrando aos adversários seus segredos, o técnico coleciona desilusões...

O responsável pelo recorde de público no Morumbi: Vinicius Pinotti, o mecenas de Centurión. Convenceu o aristocrático Aidar a fazer o óbvio: baixar os preços dos ingressos. “O São Paulo, clube de elite, acabou”…

1spfc O responsável pelo recorde de público no Morumbi: Vinicius Pinotti, o mecenas de Centurión. Convenceu o aristocrático Aidar a fazer o óbvio: baixar os preços dos ingressos. O São Paulo, clube de elite, acabou...
Arquibancada azul: R$ 120,00.
Arquibancada laranja: R$ 120,00.
Arquibancada vermelha: R$ 120,00.
Arquibancada visitante: R$ 120,00.
Cadeira amarela: R$ 180,00.
Cadeira especial azul: R$ 240,00
Cadeira especial vermelha: R$ 240,00
Cadeira laranja: R$ 180,00
Cadeira laranja premium: R$ 180,00.
Camarote soberano: R$ 300,00.
Cadeira cativa (somente proprietário): R$ 120 (portões 05 e 16)
Cadeira térrea P02: 180,00(portão 02)
Cadeira térrea P04: 180,00 (portão 04)
Setor PNE (acompanhante): R$ 120,00 (portão 17B)

Esses foram os preços para o torcedor comum do São Paulo na partida pela Libertadores, contra o Danúbio, no Morumbi. Público pagante: 16.689 pagantes.

Cadeira Amarela R$ 90,00 (portão 16)
Cadeira Especial Azul R$ 120,00
Cadeira Especial Vermelha R$ 120,00
Cadeira Laranja R$ 90,00
Cadeira Laranja Premium R$ 90,00
Camarote Soberano R$ 150,00
Cadeira Cativa (somente proprietário) R$ 60,00
Cadeira Térrea P02 R$ 90,00
Cadeira Térrea P04 R$ 90,00
Cadeira Térrea P17 R$ 90,00
SETOR PNE (acompanhante) R$ 60,00

Preços de ingressos para torcedores comuns do São Paulo, na partida contra o Cruzeiro, pela Libertadores, no Morumbi. Público pagante: 66.369 torcedores. Recorde no Brasil em 2015. Mais do que qualquer final de estadual: Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul.

A esmagadora maioria dos dirigentes do Brasil merece ser crucificada. Egoísta, irresponsável, gananciosa. Raramente alguém acerta.

Mas foi o que aconteceu no São Paulo. O Morumbi voltou a tremer, a torcida voltou a ter o 'espírito' da Libertadores contra o Cruzeiro por um motivo óbvio. Os preços dos ingressos baixaram para os torcedores comuns. Foram eles que fizeram enormes filas para garantir o estádio cheio diante dos mineiros.

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O acerto na verdade foi uma correção. E partiu do mecenas do São Paulo, Vinicius Pinotti. O homem que tirou do bolso R$ 12,7 milhões e emprestou o dinheiro para o clube comprar Centurión. O empresário que tem participação na Natura entre outros negócios surgiu quando Carlos Miguel mais precisava.

O presidente ficou tão feliz com o mecenas que o nomeou seu diretor adjunto e assessor do presidente. Muitos conselheiros ligados a Juvenal Juvêncio ironizaram. Afirmaram que Pinotti havia comprado o cargo. Mas o campo de sua atuação aumentou. O que revoltou ainda mais a oposição. Desde março ele passou a ser diretor de marketing.

E enfrentou a ganância de Aidar. O presidente queria de qualquer maneira manter os preços altos no Morumbi. Acreditava que a Libertadores seria uma maneira de tornar o ultrapassado Morumbi atraente para os torcedores. Como o Corinthians faz no Itaquerão. E os palmeirenses estão fazendo no seu novo estádio, mesmo sem a competição sul-americana.

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Pinotti soube usar o vexame diante do Danubio como exemplo. E jurou a Aidar que lotaria o Morumbi contra o Cruzeiro. Radicalizou, baixou os preços pela metade. Contra o San Lorenzo, por sua influência, já havia feito a promoção um mais um. Ou seja, quem comprasse um ingresso inteiro teria o direito de levar um amigo. Ou seja, era uma meia entrada disfarçada. 26.236 pessoas estiveram no jogo, o que já foi um alento. A vibração dos torcedores influenciou no comportamento do time que venceu o campeão da Libertadores de 2014.

Aidar finalmente entendeu que é melhor mais gente e ingressos menos elitizados. Ou em bom português, mais baratos.

Pinotti sabe das desconfianças que despertou ao oferecer o dinheiro para contratar Centurion. E acabou se explicando a um site de torcedores do São Paulo, o Arquibancada Tricolor. A entrevista foi oportuna.

Finalmente explicou como foi a estranha transação. Afinal, ninguém sai por aí emprestando R$ 12,7 milhões para o seu time de coração ser reforçado.

"Para esclarecer esse negócio, vale salientar que para qualquer instituição, a dívida boa deve ser sempre bem vinda. Naquele momento, por exemplo, o São Paulo não tinha dinheiro para viabilizar a contratação do Centurión. Eu disponibilizei a quantia ao clube e o pagamento será em CDI (Nota: A sigla significa Certificado de Depósito Interbancário, ou seja, a modalidade econômica é utilizada quase que exclusivamente em empréstimos entre bancos algo que não existe no mercado tamanho o seu baixo rendimento).

"Além disso, ofereci duas janelas de transferência para que o clube comece a me pagar, o que significa que a primeira parcela será paga em janeiro de 2016. Minha única exigência foi que o pagamento termine até o fim do mandato do presidente Carlos Miguel Aidar, em abril de 2017.

"Não tenho participação em futuras transferências tampouco nos direitos econômicos do jogador. Sobre futuras contratações, podem sim ocorrer, desde que sejam nomes indicados exclusivamente pelo departamento de futebol, como foi o caso com o Centurión. Não entrei no São Paulo para ganhar dinheiro, graças a Deus não preciso."

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Está claro que Pinotti é milionário. Mas o que interessa é uma visão menos elitizada do São Paulo, do futebol. O que deixa claro em relação aos preços dos ingressos.

"Inicialmente, já que haviam ingressos vendidos para os três jogos da primeira fase da Copa Libertadores pelo valor de R$ 120,00 ao torcedor comum, conseguimos melhorar a situação com promoção VC + 01, que foi um sucesso principalmente na partida contra o Corinthians. Essa é uma prioridade para mim, aproximar o torcedor do clube independentemente de sua classe social.

"Essa ideia de “São Paulo clube de elite” acabou, pelo menos enquanto eu for o diretor de marketing. Nossa massa é o torcedor que mora longe, ganha pouco e tem dificuldades para pagar qualquer quantia. A estratégia anterior estava, a meu ver, completamente equivocada. Nós devemos priorizar o sócio-torcedor, incentivá-lo a ir ao campo, mas jamais abrir mão do torcedor comum. Já nas oitavas de final contra o Cruzeiro o valor para a torcida em geral na arquibancada será de R$ 60,00."

Ou seja, Pinotti pode ter comprado o seu ingresso na diretoria. E seus investimentos em jogadores precisam ser acompanhados bem de perto. Mas o empresário de 38 anos, mexe em um ponto que estava estagnando o São Paulo. A insistência de seus dirigentes, principalmente, Carlos Miguel Aidar, em ingressos caríssimos. Postura que afastava o time do que ele mais precisava, o apoio dos torcedores.

É muito melhor ter ingressos com preços razoáveis e o estádio lotado do que bilhetes caríssimos e o Morumbi às moscas. Um pouco de bom senso e menos ganância bastaram. Recorde de público no Brasil, 2015. Ponto para o mecenas...
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Carlos Miguel Aidar quer forçar a efetivação “de verdade” de Milton Cruz. Mas o interino vê o ‘convite’ como armadilha. Deseja permanecer nas sombras. Mesmo com o renascimento do São Paulo…

1fotoarena Carlos Miguel Aidar quer forçar a efetivação de verdade de Milton Cruz. Mas o interino vê o convite como armadilha. Deseja permanecer nas sombras. Mesmo com o renascimento do São Paulo...
"Só no São Paulo levei quatro ou cinco técnicos para o hospital. O que eu quero é fazer o que eu faço, que é olhar jogador, promover jogador e fazer intercâmbio com a base. Hoje estou como treinador, mas não sou treinador. Não adianta. Não quero ser efetivado."

Milton Cruz repetiu a mesma resposta por inúmeras vezes ontem no Morumbi. Na coletiva de imprensa e também a conselheiros empolgados que faziam questão de apertar sua mão. Fora os mais eufóricos que chegavam a bater palmas em direção a ele, como se fosse um maestro.

O auxiliar técnico mais antigo entre os clubes grandes do Brasil ganhou um status inédito. Passou a ser tratado como celebridade no Morumbi. Se equivalendo a Rogério Ceni, Pato, Ganso, Centurión.

A vitória de ontem diante do Cruzeiro despertou ainda mais a gana de Carlos Miguel Aidar de efetivar Milton. O presidente do São Paulo tem insistido nesse assunto com Ataíde Gil Guerreiro. Para ele, o São Paulo mudou sua atitude, disposição, personalidade com Milton Cruz no comando da equipe. E quer que o funcionário aceite a promoção de qualquer maneira.

Por enquanto a 'efetivação' é só da boca para fora. O presidente não assinou nenhum contrato com Milton. Continua funcionário com registro de carteira de trabalho.

Só que, desde 1999 como auxiliar no São Paulo, Milton não se deixa enganar. Sabe muito bem da inconstância de Carlos Miguel Aidar. Muda de ideia, como quem muda de roupa. Luís Fabiano que o diga...

O presidente mantinha o auxiliar na alça de mira. Pronto para a demissão. Se Vanderlei Luxemburgo ou Alejandro Sabella tivessem sido contratados, teriam sua permissão para despachar Cruz do clube.

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Por quê esse tratamento? Porque Aidar fez questão de se livrar das pessoas ligadas a Juvenal Juvêncio no São Paulo. Os dois brigaram desde setembro de 2014 e continuam rompidos. É o ex-presidente que impede o sonho de Aidar de remodelar o Morumbi.

Por anos e anos, Milton foi os olhos e os ouvidos do ex-presidente. Tudo o que acontecia com os jogadores ele levava a Juvenal. Não era segredo para ninguém. Era escancarado. Uma de suas funções. "O Milton não é e nem será auxiliar de técnico algum. Ele é auxiliar do São Paulo. É profissional do clube. Meu homem de confiança. Técnicos vão passar e ele ficará. É efetivo. É do São Paulo", repetia o ex-presidente. Por isso, o interino é auxiliar há 16 anos.

Fora isso, Milton também é íntimo do empresário Abílio Diniz. O ex-dono do Pão de Açúcar frequenta o Morumbi. E simplesmente é inimigo mortal de Aidar. Abílio já cansou de dizer que a atuação do atual presidente é desastrosa. As relações do treinador interino incomodam o vaidoso Carlos Miguel. Além disso, sabe o quanto o dirigente quer um técnico de renome para 'implantar sua filosofia'.

Mas Aidar teve de admitir a dirigentes e conselheiros. Tudo mudou na equipe desde que Muricy Ramalho foi embora. Não havia boicote ou algo parecido dos jogadores em relação ao técnico. O que faltava a ele, há mais de um ano, era a energia de cobrar o que desejava. O treinador sentia fortes dores abdominais por causa da diverticulite. O que só aumentava a sua tensão, irritação. O stress favorecia o aparecimento de pedras na vesícula. Milton acompanhava esse tortura e tentava ajudar como podia Muricy.

Mas não havia como. Era o ex-treinador quem tinha de dar a preleção, passar as determinações táticas. Cobrar o time durante os jogos, no intervalo. Muricy não tinha mais saúde para o cargo.

Com sua saída, Milton Cruz percebeu. Ficaria no seu lugar por pura falta de opção. Enquanto Luxemburgo ou Sabella não eram contratados. Rogério Ceni teve um papel fundamental nesta reação do São Paulo. O goleiro e líder do grupo sabe da inexistência de ambição por parte de Milton. E se empenhou como nunca em tentar motivar seus companheiros. Além de discutir com o interino cada detalhe tático do jogo, do adversário.

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Rogério Ceni quer encerrar sua carreira da maneira mais vitoriosa possível. O seu adeus está marcado, por enquanto, para agosto, fim da Libertadores. O desejo do goleiro de 42 anos é ir o mais longe possível na competição. O sonho seria o título.

E muitos jogadores têm ficado surpresos com Milton Cruz. Ele é discreto. Mas muito bom treinador. Sabe detalhar cada aspecto do adversário. Como ontem. Quando tinha certeza que o São Paulo teria condições de imprensar o Cruzeiro no seu campo de defesa. Exatamente como fez com o Corinthians no jogo que poderia ter custado a eliminação precoce na Libertadores.

Milton desenvolveu uma técnica reservada aos grandes auxiliares. São eles quem conversam com calma individualmente com os atletas. Principalmente de uma cobrança, queixa ou reclamação do treinador. Um dos segredos de Cruz é falar 'de igual para igual' com os jogadores. Ele é o que todos no Morumbi chamam de 'boleiro'.

Foi com muita diplomacia, brincadeira e apoio que ele conversou individualmente com quase todo o time. Os casos mais graves: Paulo Henrique Ganso, Alexandre Pato, Luís Fabiano, Tolói, Wesley e Reinaldo. Cada um deles ouviu do interino elogios às suas qualidades, apoio por não renderem tudo o que podem. Mas também tiveram o prazer de escutar o quanto são fundamentais no momento do São Paulo.

Foi o que fez também com Centurión. Lembrou o quanto foi difícil a adaptação de jogar nos Estados Unidos, no Japão. Disse que entendia a tristeza do argentino. Deu todo o seu apoio. O atacante abandonou a ideia de voltar para seu país. De maneira matreira, Milton recuperou jogadores importantes, desprezados inclusive pela diretoria.

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A visão tática de Milton Cruz é ótima. Nestes 16 anos como auxiliar ele desenvolveu o papel de assistir jogos dos adversários do São Paulo. E fazer relatórios ao treinadores que passaram pelo Morumbi. Mostrando destaques dos rivais. Pontos fortes e pontos fracos.

Jogadores falam entre eles, que Cruz tem uma visão do jogo muito mais moderna do que Muricy. É mais ousado. Principalmente em relação à intensidade do jogo, na coragem de marcar equipes fortíssimas como a do Corinthians e Cruzeiro no seu campo. Tirar o oxigênio do rival.

Dirigentes, conselheiros, torcedores e até adversários admitem que o São Paulo está muito mais forte. "Fomos inferiores. Se não fosse o Fábio, nosso goleiro, as coisas estariam bem mais complicadas", reconheceu Marcelo Oliveira, treinador do atual bicampeão brasileiro, feliz com a derrota só por 1 a 0.

Carlos Miguel Aidar quer usar a sua tradicional arrogância e impor a efetivação de Milton Cruz a fórceps. Pelo menos até o final do ano. O auxiliar está longe de ser burro. Sabe que pode se tratar de uma armadilha. Caso dê tudo certo, o mérito fica para o dirigente. Se der errado e o time fracassar haverá motivo para demitir o amigo íntimo de Juvenal e Abílio Diniz.

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Outro detalhe a ser levado em consideração. Aidar não quer nem ouvir falar em recontratar Muricy. Mesmo saudável. Em uma demonstração de quanto a opinião do presidente é inconstante. O treinador que seria 'seu' até o último dia de mandato, não serve mais para voltar.

Por isso, Milton ainda resiste pretende seguir como auxiliar. Vivido, consegue enxergar. Os abraços, as palmas, os beijinhos são passageiras. Somem na primeira derrota. Deseja seguir como elo entre os jogadores e os dirigentes. Não correr o risco diário de demissão. E enfrentar o stress que levou Telê Santana, Ricardo Gomes e Muricy Ramalho a problemas de saúde gravíssimos.

Além disso, o interino sabe que Vanderlei Luxemburgo continua sendo o sonho de consumo de Aidar. Não chegar nem à decisão do Carioca já enfraqueceu o prestígio do técnico na Gávea. Um começo ruim no Brasileiro pode mudar muitas coisas. Assim como uma eliminação diante do Cruzeiro, na próxima semana, em Belo Horizonte.

Só que ninguém duvide. O responsável pelo renascimento, pela redescoberta da confiança e da autoestima do São Paulo tem nome e sobrenome: Milton Cruz. O homem que não quer sair das sombras...
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