Publicado em 16/05/2013 às 02h15
Bianchi, o Boca e Amarilla tiraram o Corinthians da Libertadores. Tite pagou caro por Alessandro, Fábio Santos e Pato no banco de reservas. Chega de laços de ternura pelos títulos de 2012…

A cena marcante, inesquecível.
O Corinthians eliminado da Libertadores.
Só conseguiu empatar com o Boca Juniors em 1 a 1.
O árbitro Carlos Amarilla não marcou dois pênaltis claros.
E gols legítimos de Romarinho e Paulinho foram anulados.
Os mais de 38 mil torcedores que lotaram o Pacaembu sabiam.
Mas nada de revolta, desânimo, tristeza.
Eles aplaudiram, cantaram, assumindo ser um bando de loucos.
Justo no Pacaembu, palco de cenas deprimentes da Libertadores.
Como em 1991, quando houve uma chuva de garrafas, na derrota diante do Flamengo.
Ou ainda em 2006, no terrível confronto da torcida com a polícia.
Após eliminação diante do River Plate.
Ontem, não.
Os corintianos aplaudiram e cantaram por um motivo simples.
O clube é outro.
Tem presente e futuro.
Despertou nos torcedores uma certeza.
A de que haverá novas Libertadores conquistadas.
A reação inesperada de orgulho, contaminou os jogadores.
Nada de choro pela desastrosa arbitragem de Amarilla.
Apenas a convicção de que o Corinthians é outro.
Mais amadurecido, pronto para seguir seu caminho.
E lutar já no domingo pelo Campeonato Paulista.
Reação marcante, histórica.
Mas no futebol há algo errado.
Tite precisa ser frio e consertar o desvio da rota.
Ele custou caro, a eliminação nas oitavas da Libertadores.
O planejamento do clube e dele era da busca do bi da competição.
E o tri Mundial.
Tanto que o time campeão do mundo não foi apenas mantido.
Foi o que mais se reforçou no continente.
Gastou R$ 60 milhões.
Trouxe Pato, Renato Augusto, Gil.
Mas começou o ano muito mal.
Contrariando todos que esperavam um Corinthians ainda mais forte.
O time voltou saciado com as conquistas.
Não havia tanto a necessidade de provar ao mundo ser capaz de ganhar a Libertadores.
Já havia vencido.
O time perdeu a gana, o brilho nos olhos, a fibra.
Sem fome de marcar 90 minutos o adversário no seu campo.
Não o deixar respirar.
Os setores não estão mais juntos, atuando em bloco.
E, principalmente, perdeu a confiança do toque de bola.
A paciência para envolver o adversário foi embora.
O time passou a dar espaço, marcar mal.
Tornou-se uma equipe inconstante, instável.
Veio também algo humano, mas inadmissível em um campeão do mundo.
Os laços de ternura entre Tite e alguns jogadores.
Exatamente três, peças fundamentais do time.
Alessandro, Fábio Santos e Emerson parecem ter sentido o peso da idade.
Não mostram o mesmo fôlego, a disposição de 2012.
Começaram mal demais 2013.
O pior deles, o capitão da Libertadores e do mundial: Alessandro.
Para tentar preservá-lo, Tite escalou Romarinho no auxílio da marcação.
Com isso, Pato ficou no banco injustamente.
Só ficou porque não sabe marcar.
Essa decisão acabou por prejudicar o atacante que custou R$ 40 milhões.
E ele perdeu a Copa das Confederações.
O time se classificou bem, mas não jogando de forma exuberante na fase de grupos.
Muito pelo contrário, lento e sem grandes partidas.
Principalmente pelo trio citado.
Por falta de sorte, veio a contusão de Renato Augusto.
O time se ressentiu demais da sua ausência, fundamental para fechar o meio de campo.
E também como homem-surpresa no ataque.
Vieram as oitavas de final e justo contra o Boca.
O mesmo time com que o Corinthians havia se defrontado na final de 2012.
Só que havia uma grande diferença.
Não era Julio-César Falcioni o treinador argentino da decisão do ano passado.
O comandante passou a ser o respeitadíssimo Carlos Bianchi.
Ele é tetracampeão da Libertadores.
Conhece tudo da competição.
É o melhor treinador argentino.
Não dirige a Seleção de Messi por briga com a Julio Grondona.
No Pacaembu se preocupou até com o corte da grama.
Sabendo as dificuldades econômicas do Boca, tratou de priorizar a Libertadores.
Virou as costas ao Argentino, onde o time é 18º.
E investiu tudo na Libertadores.
Observador, sabia que o Corinthians estava diferente, sem pegada.
Seus jogadores estavam muito mais acomodados do que no ano passado.
E assim fez o Boca transformar a primeira partida em Buenos Aires.
Foi uma guerra entre os atletas.
As provocações demonstravam que tudo havia sido articulado, armado.
O Corinthians se encolheu e perdeu por 1 a 0, gol de Blandi.
A equipe brasileira foi uma caricatura de campeão do mundo.
Merecia até perder por mais, tamanha a acomodação, falta de iniciativa.
E o rival não tinha o veterano Riquelme.
Veio a revanche no Pacaembu.
Seria só voltar a atuar como se consagrou.
Havia feito um treino rápido na primeira partida final do Paulista.
No primeiro tempo contra o Santos, mostrou que o time não havia se esquecido.
E se preparou para o confronto de ontem.
Era só se postar à frente, tocar a bola com paciência e marcar dois gols.
Mas o Boca Juniors não deixou.
Carlos Bianchi não venceu quatro competições à toa.
Ele tratou de fazer o inesperado.
Os argentinos marcavam na intermediária corintiana.
Com duas linhas, de quatro e cinco jogadores.
Apenas o Riquelme mais adiantado.
Foi desesperador, o Corinthians teve a sua espinha tática partida.
Não havia espaço para se articular.
Ao contrário do que todos esperavam, o Boca não tentou catimbar.
Não, apenas jogou futebol.
Os corintianos não esperavam marcação tão ferrenha.
E se enervaram, em vez de velocidade, afobação.
Não conseguiam tocar três passes, os argentinos não permitiam.
Alessandro, Fábio Santos voltavam a jogar mal.
Não eram os laterais que o time precisava.
E os brasileiros ficavam se jogadas de linha de fundo pelos lados.
O Corinthians centralizava seus ataques e facilitava a marcação.
Paulinho, em compensação, jogava por três.
E era quem preocupava Bianchi.
Porque Romarinho e Guerrero estavam bem marcados.
Sheik ainda encontrava espaço a fórceps.
Encarava a bem organizada marcação.
O Corinthians não estava bem, quando surgiu Carlos Amarilla.
E fez uma das piores arbitragens da sua vida.
Não marcou dois pênaltis e anulou dois gols legais.
Tudo isso contra o Corinthians.
Logo aos nove minutos, Emerson invadia a área argentina.
Quando o lateral Marin deu um tapa na bola para desarmar o corintiano.
Mal colocado, o juiz não marcou o pênalti claro.
Mas tudo iria piorar, quando Romarinho fez o gol aos 23 minutos.
Ele surgiu atrás da zaga, em posição legal.
O lateral esquerdo Clemente Rodríguez dava condição.
Mas foi marcado impedimento inexistente.
Um caos.
Tudo que é ruim, pode ficar pior.
Foi quando um minuto depois, o talentoso Riquelme ficou livre.
Ele iria bater uma falta da lateral direita.
Todos esperavam o cruzamento, principalmente Cássio.
O goleiro deu três passos para a frente.
Pagou caro por isso.
Foi encoberto em um chute magistral de Riquelme.
A bola encobriu o adiantado Cássio e entrou.
Boca Juniors 1 a 0.
A tensão do Pacaembu poderia ser cortada com uma faca.
Os torcedores entenderam: o time precisava fazer três gols.
O nervosismo dominou a todos até o final do primeiro tempo.
Enquanto isso, o Boca tocava a bola, soberano.
Veio a segunda etapa e Tite fez sua obrigação.
Colocou Pato no lugar de Romarinho e Edenílson do de Alessandro.
Bianchi mudou taticamente sua equipe.
Sabia que o desgaste físico tinha sido intenso.
E tratou de fazer o Boca esperar o Corinthians no seu campo.
Marcando como time pequeno, sem vergonha alguma.
Com mais espaço, os brasileiros passaram a tocar a bola.
E encurralar os argentinos.
Havia um grande erro de posicionamento.
Tite errou ao colocar Pato como ponta esquerda.
Deixou centralizado Guerrero e Emerson na direita.
O ideal seria deixar Pato no meio, muito mais produtivo.
Passar Guerrero para a direita, onde gosta de jogar.
E Sheik na esquerda, onde rende mais.
Mesmo assim, aos cinco minutos, veio a esperança.
Emerson cruzou e o onipresente Paulinho cabeceou: 1 a 1.
Os torcedores começaram a cantar a todos os pulmões.
Empurravam o time.
Aos 15 minutos, Paulinho marcou outra vez.
E Amarilla anulou de maneira equivocada.
Tanto não houve falta no goleiro Orion e muito menos impedimento.
Aos 30 minutos, não foi Amarilla.
Mas Pato quem evitou a virada.
Livre, sem goleiro, ele se desequilibrou e chutou para fora gol feito.
Aí novamente o árbitro paraguaio entrou em ação.
Aos 36 minutos, Sheik foi empurrado na área.
Outro pênalti claro não marcado.
Com o passar do tempo, o Corinthians se desesperou.
E não conseguiu marcar os dois salvadores gols.
O Boca ficou com a vaga e jogará com o Newell’s Old Boys nas quartas.
O time de Rosário eliminou o Vélez Sarsfield.
Ao Corinthians sobrou a eliminação.
As palmas, a cantoria da torcida.
Os corintianos estavam tristes, mas sabiam que haverá futuro.
Como a decisão do Paulista na Vila contra o Santos.
E elenco para se classificar para a próxima Libertadores de 2014.
Tite precisa reciclar suas ideias.
Acabar com o compromisso moral com Alessandro e Fábio Santos.
O Corinthians precisa urgente de dois novos laterais.
Assim, Pato poderá ser titular.
Sem desespero, mas com firmeza.
O Corinthians caiu, está eliminado da Libertadores.
Só que os torcedores sabem.
O clube está forte, estruturado, enriquecido.
E sabe o caminho de novas conquistas.
Por isso merece as palmas, a cantoria.
Tem crédito.
Foi campeão da Libertadores e do mundo no ano passado.
Merece a companhia de um bando de milhões de loucos.
A torcida não aprendeu a perder.
Sabe que o Corinthians venceu em 2012.
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