Palmeiras brinca com a sorte. Gabriel Jesus e seus empresários não têm a paciência de Marcos. O clube, que não valoriza seus garotos da base, pode desperdiçar outro talento…

1ae16 Palmeiras brinca com a sorte. Gabriel Jesus e seus empresários não têm a paciência de Marcos. O clube, que não valoriza seus garotos da base, pode desperdiçar outro talento...
"O Palmeiras tem sérias dificuldades em cultivar seus talentos da base. Sempre foi assim. O clube tem na sua essência buscar grandes jogadores em outras equipes. Pode reparar, as grandes conquistas sempre foram com atletas vividos, experientes, vindos de fora. Os garotos sempre ficam em último plano para os treinadores. São desvalorizados. Isso é histórico. Foi assim e vai continuar."

As declarações foram me dadas por Pedrinho Vicençote no início dos anos 2000, quando surgiu Vagner Love. Pedrinho foi um lateral esquerdo muito bom, revelado na Copa São Paulo de 1977. Com ótimo potencial ofensivo, logo ganhou espaço, projeção no clube. Marcou 17 gols, quando os laterais eram quase proibidos de atacar. Mesmo assim, seu salário continuou muito baixo, não houve reconhecimento dos dirigentes. Suportou a situação três anos, quando foi para o Vasco da Gama.

A negociação foi péssima para o clube paulista. Em um ano ele estava no grupo que disputou a Copa do Mundo de 1982. Valorizado, acabou vendido ao Catânia da Itália. Os cariocas tiveram um enorme lucro.

As palavras de Pedrinho tiveram foram certeiras, proféticas. O Palmeiras continua com a mesma mentalidade de clube comprador, não formador. Foi assim também com Vagner Love. O atacante surgiu como um atacante oportunista, vibrante, de excelentes arrancadas, técnica suficiente para fazer tabelas inesperadas. Muito promissor.

Havia tentado a sorte no Bangu, Campo Grande e Vasco, quando menino. Mas não conseguiu vingar. Era indisciplinado. Acabou indicado aos juniores do Palmeiras. Teve grande destaque ao marcar 32 gols. Era a grande estrela do time na Copa São Paulo de 2002. O time caiu no grupo de São José dos Campos. Uma mulher mais velha se engraçou com o jovem atacante. E ele não teve dúvida, o levou para seu quarto na concentração. Foi flagrado e afastado da equipe, por Karmino Colombini.

Dirigentes palmeirenses quiseram dispensar o jogador. Só que ele era muito bom. Flávio Prado, comentarista da Rádio Jovem Pan, foi quem transformou Love no sobrenome do atacante. "Eu só levei uma vez e não recomendo para nenhum jogador que esteja começando", disse o jogador para a revista Playboy.

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Ele foi mesmo muito mal tratado no Palmeiras. O ressentimento do então presidente Mustafá Contursi nunca passou. Queria e conseguiu se livrar do jogador que desrespeitou o clube. Vagner Love foi assediado por vários clubes europeus. Mas Mustafá o vendeu pela melhor oferta. Para a Rússia. Por US$ 9 milhões. US$ 7,5 milhões ao Palmeiras e US$ 1,5 milhão ao jogador.

Os companheiros de diretoria e grande parte da imprensa criticaram impiedosamente a venda. Love tinha potencial para ser vendido por muito mais dinheiro. Bastaria ter um pouco de paciência, clamavam. Mas o irritadiço Mustafá sabia que para segurá-lo teria de aumentar o seu salário. E ele não suportava o atacante. Nunca o perdoou pela farra que fez quando era garoto na concentração em São José.

Vagner foi para a Rússia prometendo ficar apenas um ano. Acabou passando sete, as suas melhores temporadas como jogador. Voltou para o Palmeiras em 2009 porque Mustafá não era mais presidente. Mas o ressentimento e a falta de paciência de parte das organizadas em relação ao jogador nunca passaram. Depois de violenta briga na agência Bradesco da avenida Sumaré e ameaças de morte ao atacante e seus familiares, ele foi para nunca mais voltar ao Palestra Itália.

Marcos surgiu em Lençóis Paulista. Treinou três meses no Corinthians. Mas o clube não se empolgou pelo goleiro de 17 anos. Acabou indo para o Palmeiras. E de 1992 até 2012, nos vinte anos que atuou no Palestra Itália, a mesma história. Ele nunca se sentiu valorizado financeiramente. Não como deveria. Como sua personalidade é pacata. Soube investir muito bem o que ganhou. E vive bem.

Mas companheiros de Seleção e de clubes rivais, cansaram de repetir que ele deveria ter exigido muito mais do Palmeiras. Não queria briga. Conseguiu montar um patrimônio que o satisfaz. Mesmo sabendo que merecia ser melhor remunerado.

Está no DNA do Palmeiras não acreditar, não pagar bem, não valorizar seus atletas de base. Por isso o clube não é destino natural dos grandes talentos brasileiros, enquanto meninos. Santos, São Paulo, Flamengo, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Corinthians, Internacional, Grêmio são opções primeiras. O trabalho de observação nestas equipes chegou a um ótimo grau de aprimoramento. Nas últimas temporadas apenas, o Corinthians passou a olhar com mais atenção aos seus meninos. O erro de avaliação de Marquinhos, zagueiro que o PSG pagou R$ 101 milhões, foi dolorido demais.

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Agora o Palmeiras está errando feio com outra rara revelação na sua base. Gabriel Jesus. Ele surgiu no Anhanguera, clube amador. Na Copa São Paulo sub-15, marcou 29 gols. Cobiçado por vários clubes, o Palmeiras se antecipou. E fechou contrato em julho de 2013, com 16 anos até dezembro de 2015. A promessa ganhava R$ 2,5 mil. Continuou se impondo. Marcou 37 gols em 22 partidas no Campeonato Paulista de Juniores. Sua multa rescisória se tornou baixa: R$ 3 milhões. Era um risco assinar com outro clube.

O São Paulo era o principal interessado. Conselheiros garantiram que foi ofertado ao garoto uma casa no valorizado condomínio de Alphaville, em Barueri. Bastaria ele não renovar seu vínculo com o Palmeiras. Paulo Nobre ouviu essa história e resolveu oferecer um contrato de quatro anos ao jovem atacante.

A renovação não foi fácil. Os empresários do menino sabiam que havia outros interessados. Primeiro mudaram seu nome. De Gabriel Fernando, passou a Gabriel Jesus, mais marcante. E trataram de avisar à diretoria palmeirense. Queriam uma parcela maior dos direitos de Gabriel para ele ficar. Sem saída, Nobre cedeu. Renovou o vínculo até 2019. Mas o Palmeiras ficou com apenas 30% dos direitos do jogador. O clube tinha 80%. Era isso ou o jogador não renovaria.

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Os salários saltaram para R$ 15 mil até o final do ano. Em 2016, pularão para R$ 25 mil. R$ 35 mil em 2017. R$ 45 mil em 2018. R$ 60 mil em 2019. Sua multa rescisória saltou de R$ 3 milhões para R$ 30 milhões.

Mesmo diante de tanto sacrifício para segurar o jogador, o Palmeiras mostra o mesmo desprezo pela prata da casa. Ainda mais depois das 19 contratações de Alexandre Mattos. Oswaldo de Oliveira não o queria nem inscrever o menino entre os 28 que disputam o Paulista. Só o colocou porque os documentos de Cleiton Xavier não chegaram a tempo.

Fábio Caran e Cristiano Simões não ficaram nada satisfeitos com a postura do treinador. Esta claro que Oswaldo não está com pressa alguma em utilizar o garoto de 17 anos. Acredita que ele poderá amadurecer ficando na reserva da reserva de jogadores com menos talento do que ele, como Maikon Leite, Rafael Marques, Leandro Pereira. Mas poderá ter uma desagradável surpresa.

Gabriel Jesus tem treinado muito bem. E impressionado até jogadores mais vivido. Como Zé Roberto e Cristaldo. Caran e Simões não ficarão de braços cruzados esperando a boa vontade de Oswaldo. Já buscam clubes europeus. Não será surpresa se no meio do ano, eles surgirem com proposta pelo atacante. Mesmo sem que ele tenha feito uma partida como titular no time principal do Palmeiras.

Parece absurdo. Mas Oswaldo de Oliveira precisa perceber o que está acontecendo. E ser justo. Se o garoto está jogando melhor do que seus titulares, deve escalá-lo. Nem que seja aos poucos. O treinador percebeu a pressão interna e de grande parte da imprensa para a escalação do atacante. A situação o irrita. É como se sua autoridade fosse questionada.

"Quem tem que medir a hora dele sou eu. Sei que existe a ansiedade, mas a responsabilidade é minha. Não adianta fazer nada de forma apressada."

Desta maneira, um grande talento da base pode ser novamente desperdiçada no Palestra Itália. Tudo dependerá da boa vontade ou não de Oswaldo de Oliveira. Um treinador como outro qualquer, que trabalha onde o salário é maior. E que não tem compromisso real com o patrimônio de um clube. Paulo Nobre que acorde.

Neste pobre cenário do futebol, o Palmeiras pode deixar escapar um talento promissor. E que poderia render muito no futuro. Mas talvez esse futuro nem chegue a acontecer. Pedrinho continua certo...

Depois de ficar de fora da Copa do Mundo, o São Paulo perde a Olimpíada para o Corinthians e o Palmeiras. “O Morumbi é ultrapassado e anacrônico”, como resumiu Carlos Miguel Aidar…

4ae5 Depois de ficar de fora da Copa do Mundo, o São Paulo perde a Olimpíada para o Corinthians e o Palmeiras. O Morumbi é ultrapassado e anacrônico, como resumiu Carlos Miguel Aidar...
Foi um choque de realidade. O assunto era tratado como sigiloso no São Paulo. Mas não há como ganhar mais tempo, esconder a verdade. O Morumbi é ultrapassado para ser uma sede do futebol na Olimpíada de 2016. Pela exigência dos organizadores, a competição precisa acontecer em arenas com múltiplo uso. Com estacionamento próprio. Coberto. Local apropriado, moderno para a imprensa internacional. E linha de metrô próxima ao estádio.

Ou seja, o Morumbi precisava ser completamente reformado. Era o que Carlos Miguel Aidar tentou fazer assim que assumiu a presidência, quando respeitava Juvenal Juvêncio, o responsável por chegar ao cargo. Nem os dois juntos conseguiram dobrar a oposição. "O projeto era incompleto, faltavam detalhes importantes. Não poderíamos fazer o clube se jogar em uma aventura financeira de R$ 500 milhões. Ficar endividado, sem ter como respirar. Como está acontecendo com várias equipes depois da Copa", repete constantemente, Marco Aurélio Cunha, opositor a Aidar.

Ou seja, nada foi feito no Morumbi desde a posse de Aidar, em abril do ano passado. Mas pelo menos deste pecado ele não tem culpa. Juvenal Juvêncio não teve habilidade política para garantir o estádio na Copa do Mundo de 2014. A ligação entre Andrés Sanchez, Lula e Ricardo Teixeira, com o discreto apoio da Globo, garantiram o nascimento do Itaquerão. Na prática, o tradicional Morumbi perdeu a possibilidade de sediar a importantíssima competição para um terreno.

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Como compensação, o então secretário municipal de Esportes de São Paulo, Walter Feldman, garantiu. O Morumbi seria sede de São Paulo no futebol da Olimpíada. Masculino e femino. Juvenal Juvêncio mandou o clube divulgar uma nota oficial, comemorando a notícia. Era outubro de 2009.

"O São Paulo Futebol Clube saúda com imensa alegria a escolha da Cidade do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Trata-se, sem dúvida, de uma vitória do Povo Brasileiro, que coroa de êxito os esforços feitos ao longo de anos pelo Governo Federal, pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e do Comitê Olímpico Brasileiro.

A escolha do Rio de Janeiro para sediar um evento da importância dos Jogos Olímpicos, sobrepujando metrópoles mundiais como Chicago, Tóquio e Madri, reafirma a vocação e o firme propósito do Brasil em se afirmar como potência mundial, elevando seus padrões de desenvolvimento e pujança ao nível das outras grandes nações do Planeta.

Essa conquista histórica também contou com a participação de uma série de outras cidades do Brasil, que se associaram aos esforços do Rio de Janeiro e colocaram suas sedes à disposição para receberem as partidas da modalidade futebol.

A Cidade de São Paulo, berço economico e receptivo do Brasil, fará parte desse grande acontecimento não só auxiliando na recepção de boa parte do fluxo turístico e operacional, mas, especialmente, sediando as competições do futebol feminino e masculino durante as Olimpíadas de 2016.

E, com enorme satisfação, o São Paulo Futebol Clube confirma que tais competições serão realizadas no Estádio do Morumbi, uma vez que, já em setembro de 2008, quando a Candidatura do Rio de Janeiro era apenas um pleito e um sonho de milhões de brasileiros, o São Paulo Futebol Clube assinou contrato com o Comitê da Candidatura da Cidade do Rio de Janeiro por meio do qual oficializou a cessão do Estádio do Morumbi como uma das sedes do futebol masculino e feminino durante os Jogos de 2016.

Exatamente no dia em que completa 49 anos da sua partida inaugural, o Estádio do Morumbi recebe o presente inesquecível da confirmação de que, já tendo realizado finais de campeonatos brasileiros, competições sul-americanas e eliminatórias de Copa do Mundo, é agora confirmado como uma das praças esportivas que receberá o evento histórico das Olimpíadas de 2016.

Parabéns ao Rio de Janeiro! Parabéns ao Brasil ! O Estádio do Morumbi receberá as Olimpíadas de 2016 de braços abertos e com enorme satisfação!"

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Tudo não passou de promessa vazia. O Comitê Olímpico Internacional elevou suas exigências. Com tantos estádios modernos espalhados pelo país, não poderia ficar com um estádio parado no tempo. Carlos Miguel Aidar percebeu que só a preferência não adiantaria. Sem a reforma, nada de Olimpíada.

Ele recebeu a notícia que São Paulo deverá utilizar dois estádios na competição em 2016. Um seria o Itaquerão, já utilizado na Copa do Mundo. O outro, do seu detestado rival, Paulo Nobre. O novo estádio palmeirense tem melhores condições inclusive do que o corintiano.

A única saída seria uma absurda reformulação feita em velocidade absurda. Ela deveria consumir muito mais do que R$ 500 milhões. A previsão é que, para deixar em igualdade de condições ao Itaquerão ou ao novo Palestra Itália, seriam necessários mais de R$ 700 milhões. E ainda a garantia que o Metrô faria a prometida obra que deixaria uma estação ao lado do estádio. Tudo isso até pelo menos março do próximo ano. Uma utopia.

Não há a mínima condição de o São Paulo reverter a situação. Aidar sabe disso desde que assumiu. Só estava esperando chegar a hora de anunciar mais essa derrota do clube. Que não é sua. É de Juvenal Juvêncio.

O Morumbi foi o estádio mais moderno de São Paulo por 54 anos. Mas seus dirigentes não se adaptaram à modernidade. Viram nascer o Itaquerão e o novo Palestra Itália. Se acomodaram. Continuaram de braços cruzados. Por falta de força política perderam a Copa do Mundo.

Juvenal tinha as Olimpíadas nas mãos. Mas não reagiu. Fingiu não enxergar a concorrência. Carlos Miguel não teve apoio dentro do clube para reverter a situação. Reconstruir o Morumbi com um projeto que todos acreditavam, consideravam viável. Agora terá de avisar que o clube 'abrirá mão ' da competição.

2ae6 1024x576 Depois de ficar de fora da Copa do Mundo, o São Paulo perde a Olimpíada para o Corinthians e o Palmeiras. O Morumbi é ultrapassado e anacrônico, como resumiu Carlos Miguel Aidar...

Na verdade, a situação é completamente outra. Foram os organizadores da Olimpíada que ficarão com os modernos estádios do Corinthians e do Palmeiras. Não há como escolher o Morumbi.

"O Allianz Arena e a Arena Corinthians são estádios muito mais modernos que o Morumbi, muito melhores. O Morumbi foi inaugurado há 50 anos e hoje é totalmente ultrapassado e anacrônico. É bonito, mas apenas isso. Servirá apenas para mandarmos nossos jogos, nada mais. Em breve, ele será como o velho Canindé que deixamos para vir fazer o Morumbi."

Palavras de Carlos Miguel Aidar ao meu amigo de 20 anos e excelente jornalista, Carlos Augusto Simon, o Menon. Em maio de 2014.

Um estádio 'ultrapassado e anacrônico' não pode sediar a Olimpíada de 2016...
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CBF quer brincar com as Eliminatórias para a Copa da Rússia. Oferece cargo da Seleção Olímpica a Dunga. Despacha Gallo, despreza planejamento. Outra lição de incompetência…

 CBF quer brincar com as Eliminatórias para a Copa da Rússia. Oferece cargo da Seleção Olímpica a Dunga. Despacha Gallo, despreza planejamento. Outra lição de incompetência...
Janeiro de 2013, o Brasil havia sido eliminado do Sul-Americano sub-20. Ainda na primeira fase da competição. O time de Emerson Ávila repetiu 1971, quando a Seleção não conseguiu sequer chegar à etapa decisiva do torneio. O presidente da CBF, José Maria Marin, demitiu Ávila e avisou. Começaria uma nova fase na categoria de base. Iria fazer um projeto moderno, profundo para a conquista da medalha de ouro na Olimpíada de 2016.

Tinha seu homem escolhido. Treinador jovem, de convicções firmes, patriota e visão moderna de futebol. E que estava fazendo ótima campanha em uma equipe do Nordeste, o Náutico. Chamar Alexandre Gallo para um projeto de três anos, no mínimo, era revolucionário. Algo que o Brasil tanto precisava.

Gallo não perdeu tempo. E tratou de avisar que tudo seria mais profissional. Com os garotos de várias categorias treinando mais juntos. Reunidos mais vezes pela Seleção. Mapearia também o mundo para que o Brasil não corresse o risco de perder atletas nascidos por aqui. Como foi o caso de Diego Costa, naturalizado espanhol.

E mais, o que quase fez Marin chorar de alegria. Iria impor uma cartilha. Digna dos anos de Chumbo, da Ditadura Militar. Fazia a concentração da Seleção se assemelhar a um quartel.

"Não tem mais brinco, mais fone de ouvido, não tem cabelo, marra, nada. Os que têm estão fora. Só jogadores comprometidos serão convocados. O grande lance é o que aconteceu na Copa das Confederações. Por que todo mundo gostou do Brasil? Por que houve comprometimento e cumplicidade no trabalho. Os jogadores eram quase os mesmo de antes, só que o comprometimento mudou.

"A partir do momento que o jogador veste a camisa da Seleção Brasileira, a imagem que ele está passando é para um outro garoto que não está convocado. Se ele passa a imagem de brinco, fone, chinelo, vai passar a imagem de desleixo. Tem de passar a imagem de profissional.

"Tem um jogador no sub-15 do Grêmio que é um craque. Mas num torneio vi que ele se recusou a dar a mão para o técnico. E usava um cabelo cortado com a inicial do seu nome. E o número 10. Está fora da Seleção. O pessoal dos clubes tem me agradecido muito por essa postura", disse ao Estadão.

2cbf CBF quer brincar com as Eliminatórias para a Copa da Rússia. Oferece cargo da Seleção Olímpica a Dunga. Despacha Gallo, despreza planejamento. Outra lição de incompetência...

Gallo se reportava a Felipão e a Parreira com muita humildade. Marin tinha orgulho do trio. E vislumbrava que o treinador dos garotos poderia ter futuro com Marco Polo. O sonho do presidente da CBF era Felipão vencer a Copa, seguir no comando na Rússia. E depois de 2018, Gallo estar preparado para assumir o cargo.
Antes, lógico, conquistaria a obrigatória medalha de ouro na Olimpíada brasileira.

Parreira e Scolari aprovavam o plano. O treinador principal da Seleção já tratou de designar Gallo como espião, um dos observadores dos adversários brasileiros na Copa do Mundo. A situação começou a degringolar com a goleada por 7 a 1 para a Alemanha. Não bastasse o maior vexame do futebol deste país na história, vazou entre os jornalistas algumas observações atribuídas a Gallo. Entre elas que o Brasil precisava marcar muito forte os germânicos, principalmente no meio de campo. Seria suicídio jogar com um time aberto, ofensivo. Tudo o que Felipão não fez.

Este vazamento foi importante para Gallo. A Comissão Técnica inteira foi demitida. Menos ele. Pessoas ligadas a Scolari garantem que o técnico se sentiu traído. E que acreditava que Alexandre revelou suas observações para escapar da guilhotina.

José Maria Marin convocou Dunga para o lugar de Felipão. Gilmar Rinaldi coordenaria a Seleção Brasileira principal e ainda acompanharia o trabalho de Gallo na base. O observador de Scolari estava muito forte. Tanto que conseguira convencer o presidente da CBF que o novo técnico da Seleção deveria convocar entre 20% e 30% de jogadores na idade olímpica para os ir preparando para 2016.

Só que tudo mudou quando Dunga chegou. O espaço de Gallo diminuiu drasticamente. A primeira coisa que o substituto de Felipão fez foi avisar que não iria chamar porcentagem alguma de jovens atletas. Não era o momento. Ele precisava se firmar, ganhar amistosos para ter força para continuar. Não iria fazer testes com um terço de seu grupo.

3cbf 1024x575 CBF quer brincar com as Eliminatórias para a Copa da Rússia. Oferece cargo da Seleção Olímpica a Dunga. Despacha Gallo, despreza planejamento. Outra lição de incompetência...
Gallo passou a cuidar apenas dos garotos, sem a menor interferência no time principal. O plano que comandasse a Seleção na Olimpíada estava mantido. Marin jurava que acontecesse o que acontecesse não mudaria de ideia. Só que sua promessa durou até o sul-americano sub-20 do mês passado.

A campanha foi péssima. Logo na primeira fase, perdeu para o Uruguai por 2 a 0. Passou em segundo para o hexagonal final. De seis seleções, ficou em quarto. Caiu diante da Argentina por 2 a 0. A Colômbia goleou o time de Gallo: 3 a 0. Os argentinos foram os campeões com 13 pontos, os colombianos chegaram a nove pontos, os uruguaios a oito. Os brasileiros chegaram a sete, com duas vitórias, um empate e duas derrotas.

O resultado vexatório não passou despercebido por Marin. Muito pelo contrário. "Técnico de futebol é resultado. Não posso garantir que o Gallo continuará na comandando as seleções de base do Brasil", diz o presidente da CBF. A demissão é uma questão de horas, dias.

Ele mudou sua postura e agora quer Dunga comandando o Brasil na Olimpíada. O que é um enorme erro. Porque o treinador está profundamente envolvido na reformulação e preparação da Seleção para a Copa de 2018. As Eliminatórias para o Mundial começarão este ano. E se intensificarão em 2016. Argentinos, uruguaios, colombianos, chilenos.paraguaios serão adversários fortes para a geração atual. Equatorianos, bolivianos, peruanos e até venezuelanos também têm condição de incomodar. Bem mais do que faziam no passado.

Dunga não pode brincar. Muito menos se deixar levar pela ganância, como aconteceu com Mano Menezes. Ele rompeu o planejamento combinado com Ney Franco. Tomou o cargo que não era para ser seu. Acreditou que conseguiria a medalha de ouro em Londres. Afinal, Ney havia vencido o Mundial sub-20, sem Neymar. O técnico apostava que seria uma facilidade, um 'passeio' na Inglaterra. Fez uma campanha péssima e perdeu a final para os mexicanos. Foi demitido da principal. Não chegou à sua sonhada Copa.

1ap3 CBF quer brincar com as Eliminatórias para a Copa da Rússia. Oferece cargo da Seleção Olímpica a Dunga. Despacha Gallo, despreza planejamento. Outra lição de incompetência...

A pressão pela classificação da Seleção ao Mundial da Rússia será enorme. Depois do vexame na Copa de 2014. A obrigação da inédia medalha de ouro também. Principalmente pelo fato de a Olimpíada ser no Brasil.

A campanha pífia de Gallo no Sul-Americano do Uruguai só teria uma defesa. O fato de que serviria para preparação à Olimpíada. E que seu projeto era para 2016. Mas para a CBF de Marin e de Marco Polo não se respeita planejamento. Por isso as escolhas de hoje não podem ser levadas a sério. Derrotas no caminho podem mudar qualquer convicção.

Joachim Low nunca dirigiria o Brasil na Copa de 2014, se brasileiro fosse. Teria caído muito antes. Nos sete anos que ficou no comando da Alemanha, perdeu a Eurocopa de 2008, a Mundial da África em 2010, a Eurocopa de 2012. Mesmo assim foi mantido e levou a primeira Copa do Mundo de uma Seleção europeia na América do Sul. Com direito a 7 a 1 na Seleção.

De nada adiantou o exemplo. Este país não se leva a sério no futebol. O planejamento termina na primeira derrota. Gallo não é um treinador excepcional. Longe disso. Outro técnico mais bem preparado, como Tite ou Muricy, deveria estar no seu lugar. O problema crucial está na falta de convicção dos dirigentes. Na covardia em lidar com a pressão da imprensa, da opinião pública. Não acreditam nas próprias palavras.

Agora, a Olimpíada está a ponto de comprometer o trabalho da Seleção para a Copa de 2018. Não há como um técnico se dividir e garantir bom trabalho nas duas competições. O potencial dos jogadores atuais não permite. A falta de visão de Marin e Marco Polo é inacreditável. Cada vez mais a incompetência domina a CBF. O futuro do futebol brasileiro depende do ego de Dunga. Deprimente...

(Diante da péssima repercussão envolvendo Dunga no comando da Seleção Olímpica, a CBF recuou. Pelo menos por enquanto. Marco Polo del Nero se mostra disposto a dar uma segunda chance ao obediente Gallo. Mas em caso de qualquer tropeço na caminhada até 2016, perderá imediatamente o emprego...)
 CBF quer brincar com as Eliminatórias para a Copa da Rússia. Oferece cargo da Seleção Olímpica a Dunga. Despacha Gallo, despreza planejamento. Outra lição de incompetência...

Há como o São Paulo se impor, ganhar do Corinthians. Vai depender de Muricy. Ele precisa ser ousado, mudar o esquema tático. Esquecer a diverticulite, a prudência. Voltar a ser Muricy…

1fotoarena Há como o São Paulo se impor, ganhar do Corinthians. Vai depender de Muricy. Ele precisa ser ousado, mudar o esquema tático. Esquecer a diverticulite, a prudência. Voltar a ser Muricy...
Há um clima de muita preocupação no São Paulo. Dirigentes, conselheiros não falam sobre outra coisa. Até o confronto de egos entre Carlos Miguel Aidar e Juvenal Juvêncio fica em segundo plano. A grande preocupação é a apatia do São Paulo diante do Santos. Se não fosse a atuação excepcional de Rogério Ceni, o time poderia até sair goleado da Vila Belmiro. O medo é o que Muricy Ramalho vai fazer para o clássico contra o Corinthians, na Libertadores, quarta-feira no Itaquerão.

Há o que fazer para surpreender e ganhar do favorito e empolgado time de Tite, atuando em casa? Vai depender de Muricy. O treinador, que tem se mostrado apático, preocupado depois do segundo ataque de diverticulite, precisa reagir. Ele continua contido, diferente do que sempre foi. Tenso tanto pela saúde quanto a Libertadores.

O treinador sabe, já foi cobrado publicamente por Carlos Miguel. O São Paulo precisa do título da competição. Ao menos fazer uma excelente campanha. O dirigente está fazendo o máximo para fechar o contrato de patrocinador master. Está difícil encontrar uma empresa disposta a colocar mais de R$ 25 milhões no peito do uniforme tricolor. Além da crise internacional, recessão, as últimas campanhas não animam. Por mais que o treinador venha repetindo que conseguiu o vice campeonato brasileiro, isso não convence publicitários.

Cair na primeira fase, no grupo da Morte, com Corinthians e San Lorenzo encerraria o objetivo do São Paulo em 2015. Seria um vexame de enormes pretensões no Morumbi. Com a primeira consequência no questionamento constante em relação a Muricy Ramalho.

O presidente deu ao técnico as duas peças que faltava. Um zagueiro canhoto, Dória. E um atacante velocista e bem mais inteligente que Osvaldo, Centurión. Agora não há mais desculpas para que monte a equipe forte, moderna, corajosa capaz de lutar pelo título da Libertadores.

Mas não é por acaso que os conselheiros estão apavorados. O que o time jogou, principalmente no segundo tempo contra o Santos, foi assustador. Ainda mais quando o técnico deixou claro que seria um teste para o clássico diante dos corintianos.

Rogério Ceni, Bruno, Rafael Toloi, Lucão e Reinaldo; Denilson, Souza, Ganso e Michel Bastos; Ewandro (Pato) e Luis Fabiano. Esqueça as peças individuais. Mas a maneira que o São Paulo atuou. Mesmo diante do sufoco do leve time santista, Muricy deixou seu time estático taticamente. Distribuído no 4-4-2 ortodoxo. O que só facilitou o trabalho de Enderson Moreira.

Denilson e Souza eram os únicos a se desdobrarem na marcação. Michel Bastos correu enquanto teve pernas. Ganso fez sombra. O garoto Ewandro mostrou o quanto está verde. E Luís Fabiano sabe que se correr atrás de volantes, não tem explosão muscular na hora de definir. Os 34 anos pesam. Mas ele é o único atacante de personalidade no Morumbi. Não há como atuar sem ele. Com o adendo que Pato é emprestado pelo Corinthians, não poderá enfrentar a equipe dona dos seus direitos.

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Muricy sabe que o seu 4-4-2 está decorado. Virou primário diante da vertente moderna, empolgante que Tite conseguiu levar ao 4-1-4-1. Com movimentação intensa do seu meio de campo. Tanto para atacar como para defender: agrupado, com os atletas atacando e defendendo em bloco. Com a intensidade europeia que tanto se apaixonou. Sua fonte inspiradora é o Real Madrid de Carlo Ancelotti.

Há saída tática para o São Paulo surpreender e sair com uma inesperada vitória do Itaquerão? Há. Ela passa por uma revolução não treinada por Muricy. Primeiro o treinador tem de rezar para que Dória esteja bem. O ex-zagueiro do Botafogo desde setembro do ano passado não atua. Contratado pelo Olympique de Marselle sem a autorização do treinador Marcelo Bielsa, ele não jogou. Não ficava nem na reserva do time principal. Atuava no Olympique B. Sem grande destaque.

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A saída para o São Paulo pode estar na adotação do esquema que consagrou Muricy no Morumbi. O 3-5-2. Entrar com com três zagueiros: Rafael Toloi, Lucão ou Edson Silva e Doria; Bruno, Denílson, Souza, Ganso e Michel Bastos; na frente, Centurión e Luís Fabiano. Com a possibilidade de Thiago Mendes entrar no lugar de Denílson. Melhorando a saída de bola, deixando o time mais leve, mais ágil.

Seria uma surpresa e tanto para Tite. O São Paulo estaria muito mais firme, compacto, menos espaçado no meio de campo. Mais seguro sem ser covarde taticamente. Poderá quebrar a espinha dorsal corintiana, com cinco jogadores espalhados pela intermediária. Protegendo a zaga e ajudando nos contragolpes.

Muricy fechará os treinos para o clássico. Tem como aprontar essa revolução. O tempo será curto. Mas seu elenco oferece a oportunidade da surpresa, de alteração profunda no fraco desempenho contra o Santos. A modernidade estaria no passado. E sem violentar a maneira com que os jogadores costumam atuar.

O que o São Paulo precisaria para apelar a esta postura é o que vem decepcionado. Preparo físico. Os jogadores parecem cansados, pesados demais nos segundos tempo das partidas de 2015. José Mário Campeiz repete que o problema está na pré-temporada puxada que o time realizou. E que só aos poucos os atletas estarão pronto. Só que não há esse tempo. A resposta precisa ser imediata. A previsão do preparador é que, quando a Libertadores começasse, o time estaria muito bem. Resta esperar por quarta-feira.

Ou seja, Muricy tem jogadores nas mãos para enfrentar o Corinthians. Há soluções que estão ao seu alcance. O que ele precisa é trabalhar forte, passar confiança, ânimo. Não deixar para Rogério Ceni ir além do que já costuma fazer. Cada vez mais aumenta a participação do goleiro nos vestiários. Só que escalar, mudar esquema tático ainda não estão ao seu alcance.

2ae5 Há como o São Paulo se impor, ganhar do Corinthians. Vai depender de Muricy. Ele precisa ser ousado, mudar o esquema tático. Esquecer a diverticulite, a prudência. Voltar a ser Muricy...

A missão cabe a Muricy. O treinador que salvou o São Paulo do caminho para o rebaixamento em 2013. Conquistou três Campeonatos Brasileiros. Mas estas conquistas ficaram para trás. O desejo da diretoria é a conquista do torneio cuja eliminação o derrubou em 2009.

Ele entra já em xeque na primeira partida. O clássico contra o favorito e moderno Corinthians de Tite. Muricy pediu e tem o elenco que desejava nas mãos. Agora é hora de mostrar se ainda merece a confiança não só de Carlos Miguel, mas de todos os são paulinos.

Se soube capitalizar a frase 'aqui é trabalho, meu filho', chegou a hora de Muricy esquecer a amaldiçoada diverticulite, abandonar as recomendações médicas para não se estressar. Ele precisa arregaçar as mangas e trabalhar como nos bons tempo. Orientar, cobrar, xingar, praguejar, mas montar o São Paulo competitivo, vibrante, inteligente.

Vivido ou,'puta velha' como gosta de falar entre amigos, Muricy sabe o peso que terá o jogo contra o Corinthians. Começar a estar em jogo não só a sobrevivência do São Paulo na Libertadores. Mas a sua própria no Morumbi. Um fracasso no torneio mais desejado pode mudar o seu destino. Até porque Abel Braga e Cuca são nomes que agradam a diretoria há muito tempo...
3ae7 Há como o São Paulo se impor, ganhar do Corinthians. Vai depender de Muricy. Ele precisa ser ousado, mudar o esquema tático. Esquecer a diverticulite, a prudência. Voltar a ser Muricy...

Na histórica Libertadores de 2015, Tite faz o Corinthians favorito contra o São Paulo, no primeiro clássico do Grupo da Morte. A Quarta-Feira de Cinzas promete ser inesquecível…

 Na histórica Libertadores de 2015, Tite faz o Corinthians favorito contra o São Paulo, no primeiro clássico do Grupo da Morte. A Quarta Feira de Cinzas promete ser inesquecível...
Pela primeira vez na história, Corinthians e São Paulo se enfrentam em uma Libertadores da América. Com o empate frio, calculista, de ontem diante do Once Caldas, na Colômbia, o time de Tite selou sua classificação. Se livrou do trauma Tolima. Está no Grupo da Morte.

Há duas vagas para serem disputadas, teoricamente, entre três equipes poderosas. Os dois rivais paulistas e mais o atual campeão da competição, o argentino San Lorenzo. Para complicar mais as coisas, o competitivo Danubio uruguaio.

Para deixar tudo ainda mais emocionante, o primeiro jogo deste grupo 2 é exatamente o clássico. Na próxima quarta-feira, no Itaquerão. Uma partida de altíssimo risco de confronto entre os torcedores, de acordo com a definição do Ministério Público e Polícia Militar. Com 95% dos ingressos aos corintianos e 5% restantes que a diretoria são paulina deverá destinar à suas organizadas. A divisão deverá ser exatamente inversa no jogo de volta, no dia 22 de abril, no Morumbi.

A violência já foi e será muito comentada até o confronto. Agora vale a pena detalhar como os dois rivais chegam para o jogo. Embora esteja no início de temporada, o Corinthians de Tite se mostra muito mais pronto. Com mais potencial para conseguir a obrigatória vitória em casa. Mesmo sem poder escalar Guerrero, suspenso por três partidas pela Conmebol. Sua expulsão contra o Once Caldas foi considerada agressão.

Tite está na frente de Muricy. Já conseguiu dar um padrão tático competitivo, firme, seguro ao time. Com a participação efetiva de todos os jogadores importantes que estão no Parque São Jorge. Seu ano sabático serviu para consolidar seu esquema 4-1-4-1. Com variações táticas durante o jogo. Está conseguindo impor o que tanto sonhava: adaptar a intensidade europeia aos brasileiros.

O Corinthians busca atacar e defender em bloco, com todos os jogadores próximos, trocando passes em velocidade. Ele percebeu que o grande erro em 2013, ano decepcionante, após as conquistas da Libertadores e Mundial em 2012, foi a lentidão do time. Isso acontecia pelo distanciamento da defesa, meio de campo e ataque. A equipe se tornou previsível, fácil de marcar. E sucumbiu, a ponto de Tite ser dispensado.

O técnico queria muito a sua revanche pessoal. Sem a sonhada Seleção, o retorno 'para casa' foi sua opção. No desequilibrado Corinthians de Mano Menezes, o principal erro de 2014, estava em adiantar Ralf. Ele não tem e nunca terá habilidade para atuar com eficiência longe de sua grande área. Nasceu para ser protetor dos zagueiros. É o que voltou a fazer, para equilíbrio do time.

A movimentação incessante de Elias, Renato Augusto, Jadson e Sheik. Aí está o segredo corintiano. O poder do quarteto tanto para defender como atacar é algo raro no território nacional. Sabendo ter cobertura, Elias pode sair jogando de cabeça erguida, tabelar e ser o elemento surpresa na área adversária. Como no gol que marcou ontem contra os colombianos. O esquema de Tite é responsável pela volta do que precisa para ser decisivo, a confiança.

1reproducao14 Na histórica Libertadores de 2015, Tite faz o Corinthians favorito contra o São Paulo, no primeiro clássico do Grupo da Morte. A Quarta Feira de Cinzas promete ser inesquecível...

Renato Augusto está livre do martírio de suas contusões musculares. Jogador hábil, inteligente, com potencial ofensivo interessante, ele é o toque de inteligência do meio para a frente. Mais a dedicação na marcação da intermediária. Jadson está tentando agarrar com unhas e dentes a oportunidade que não pensou que teria no Corinthians. Já tinha até acertado salários com o Flamengo. Tite o tem cobrado vibração para não só armar, mas para assumir a responsabilidade de toda a intermediária direita. Ofensiva e defensiva. Agora não se limita apenas a bater faltas, escanteios e tentar tabelas e lançamentos. Participa muito mais do jogo, marcando quando é preciso.

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Sheik tem o lado esquerdo, que tanto gosta, para mostrar o que é capaz. Aos 36 anos, ele surpreendeu muita gente no próprio Parque São Jorge. Tite não aceitou dispensá-lo, como o ex-presidente Mario Gobbi queria. Pelo contrário. O fez o coração do time. Teve uma conversa franca e exigiu dele sua vibração, seu envolvimento de 2012. O jogador, no Botafogo, comeu o pão que o diabo amassou. Percebeu o que tinha nas mãos no Corinthians. E está dando o sangue e o que tem de fôlego para partir para cima dos zagueiros, tabelar, chutar a gol. Além ajudar a fechar a defesa, com carrinhos e muita luta.

Esses quatro têm liberado Fagner e Fábio Santos. Os laterais podem apoiar, até ao mesmo tempo, sabendo que existe cobertura. O que não acontecia com Mano Menezes.

Na frente deste quarteto, deveria estar o efetivo Guerrero. Mas muito irritadiço por não ter renovado contrato, se descontrolou e foi expulso contra o Once Caldas. Pagará três jogos de suspensão. Tite vai levar como dúvida esse homem que deverá atuar mais à frente contra o São Paulo. A versatilidade de Danilo sai na frente. Mas terá concorrência de Vagner Love, o velocista Mendoza ou até o jovem Malcom.

Uma situação já está definida, o Corinthians assume a postura ofensiva. Com a pressão de seus torcedores lotando o Itaquerão, partirá convicto, assumindo como obrigatória a vitória no primeiro jogo do grupo da Morte.

Nem sem sob tortura, Muricy assumirá que o empate seria ótimo ao São Paulo. O treinador ainda testará, para valer, Centurión e Dória contra o Bragantino, sábado. O time tem problemas graves táticos. Contra o Santos ontem foi massacrado. Foi envolvido com facilidade. Seu poder de marcação é fraco demais. Sofreu 19 finalizações do time em formação que Enderson Moreira tem nas mãos. Rogério Ceni teve uma atuação sensacional e evitou a derrota.

O São Paulo tem mostrado muita lentidão na recomposição de seus jogadores quando é atacado. Não há muita versatilidade no esquema tático. O 4-4-2 perdura durante a maior parte das partidas. Tudo é mais estático. Denílson e Souza marcam forte nas intermediárias. Michel Bastos é a opção tanto nos contragolpes e na compactação nos contragolpes. Ganso é o elo entre o meio e o ataque. Continua instável, imprevisível. Com vários momentos de apatia durante os jogos. E raros lances de genialidade.

Na frente, Muricy quer a correria de Centurión. Dependendo do que render no sábado, enfrenta o Corinthians. E o veterano Luis Fabiano na frente. Atuando cada vez mais no carisma do que no potencial. O São Paulo tem problemas graves. Seus laterais Bruno e Reinaldo ou Carlinhos são fracos, inseguros. Assim como seu miolo de zaga. Por isso o desespero do treinador em encaixar Dória, provavelmente ao lado de Rafael Toloi.

Não será surpresa, se Muricy colocar Maicon para ajudar na marcação no meio de campo, caso o jovem argentino Centurión não consiga render.

O Corinthians é favorito no clássico da próxima quarta-feira. Tem o time mais arrumado, pronto, confiante. Mas a tradição, o poder de superação do São Paulo não pode ser desprezado. Logo após conseguir a classificação na Pré-Libertadores, Tite foi feliz demais ao definir o confronto.

"Vou tentar resumir: dois campeões mundiais. Isso é muito, é orgulho para duas equipes, duas torcidas. Que seja um espetáculo dentro de campo, sem violência, por favor. Tem tantas famílias para torcer. Eu não gostaria que no noticiário estivesse a violência em um clássico com dois campeões mundiais."

Os jornalistas também gostariam de não tocar no assunto, Tite. E só falar da beleza do clássico. Dependerá da competência e da coragem das autoridades para enfrentar os vândalos infiltrados nas organizadas corintianas e são paulinas...
2ae4 Na histórica Libertadores de 2015, Tite faz o Corinthians favorito contra o São Paulo, no primeiro clássico do Grupo da Morte. A Quarta Feira de Cinzas promete ser inesquecível...

A classificação do Corinthians na Colômbia será garantia de medo no Ministério Público. Como deter os vândalos na Quarta-Feira de Cinzas? Organizadas corintianas e são paulinas terão encontro marcado no Itaquerão. Pela Libertadores…

1ae13 A classificação do Corinthians na Colômbia será garantia de medo no Ministério Público. Como deter os vândalos na Quarta Feira de Cinzas? Organizadas corintianas e são paulinas terão encontro marcado no Itaquerão. Pela Libertadores...
Se pudessem, membros importantes do Ministério Público e da Federação Paulista de Futebol, amanheceriam hoje com a camisa do Once Caldas. Torceriam por uma reviravolta quase impossível. Vitória dos colombianos por 5 a 0 contra o Corinthians. Por ódio ao time de Tite? Por que adoram Shakira? Não, medo da quarta-feira de Cinzas.

"Com certeza, o Corinthians vai voltar classificado da Colômbia. E aí, na próxima quarta-feira, vai acontecer um jogo de altíssimo risco para os torcedores. Começará a fase de grupos na Libertadores. E logo de cara, no primeiro clássico, o Corinthians receberá o São Paulo em Itaquera. Se Palmeiras e Corinthians pelo Campeonato Paulista já foi aquela confusão, brigas e dificuldade para proteger os torcedores, imagine esta partida valendo pela Libertadores", desabafa o coronel Marcos Marinho.

Por 17 anos ele comandou o trabalho de policiamento nos estádios de São Paulo. Era comandante do 2º Batalhão de Choque. Se envolvia pessoalmente nos confrontos. Várias vezes saiu ferido, sangrando das brigas. Acompanhou o crescimento da selvageria, de 1988 até 2005, quando assumiu outro trabalho. Foi chamado por Marco Polo del Nero para comandar a arbitragem em São Paulo, depois da desmoralização da corrupção envolvendo Edilson Pereira de Carvalho. Foi convocado claramente para levar credibilidade à FPF.

Com Marinho, a vida dos árbitros passou a ser devassada. Principalmente a financeira. Eles precisam demonstrar regularmente se não estão endividados. E provar que estão trabalhando regularmente, a ponto de não depender apenas do dinheiro que vem do futebol. Edilson estava afundado em dívidas quando aceitou vender resultados de jogos para apostadores.

Mas enquanto tenta deixar corruptos e corruptores longe da arbitragem paulista, usa a experiência militar para orientar o trabalho com as organizadas. E ele percebeu a mudança de postura de quem faz parte dessas facções.

"A agressividade sempre existiu. As brigas. Mas era uma questão muito menor. Antes havia mais humanidade. Uns provocavam e se contentavam em dar socos, pontapés. Se impor em um local, espantar os rivais. A maioria ia na mão limpa. Alguns levavam no máximo uns cassetetes. Hoje, não. Os torcedores querem ferir, eliminar os torcedores de outros times. Nos confrontos na rua levam paus, facas e alguns até revólveres. A violência é descabida. Por isso tenho muita preocupação em relação a este próximo Corinthians e São Paulo", diz Marinho às rádios.

2ae3 A classificação do Corinthians na Colômbia será garantia de medo no Ministério Público. Como deter os vândalos na Quarta Feira de Cinzas? Organizadas corintianas e são paulinas terão encontro marcado no Itaquerão. Pela Libertadores...

Se dependesse da FPF e do Ministério Público, tanto o jogo da próxima semana, como o da volta, no Morumbi, no dia 22 de abril, teriam torcida única. "É sim um jogo de alto risco. De muita rivalidade", avisa o promotor Roberto Senise Lisboa. Mas não há o que fazer. A direção do Corinthians já mostrou no clássico contra o Palmeiras. Não aceita de jeito nenhum. A influência das organizadas no clube é enorme. Andrés Sanchez, o verdadeiro comandante do clube há dez anos, é fundador da Pavilhão Nove, organizada batizada em homenagem a uma ala do antigo presídio do Carandiru, que era repleta de corintianos fanáticos.

Embora menos explícita, a influência das organizadas no São Paulo também existe. E o clube de Carlos Miguel Aidar também não vai aceitar a tese de torcida única. Daí a tensão do coronel.

"Será um enorme problema para a Polícia Militar esses clássicos. A começar pelo da próxima quarta-feira. Uma coisa é fazer o policiamento de torcida de time grande visitante no final de semana. Quase não há trânsito. As pessoas estão mais em casa. Tudo está mais vazio. Agora, uma partida à noite, com a torcida do São Paulo indo para Itaquera, quando muitos trabalhadores estão voltando para casa, com o trânsito caótico da volta do Carnaval. Será muito difícil proteger os são paulinos. Eu acredito que o melhor é que eles usem ônibus. Mas mesmo assim não vou negar que há riscos."

Para complicar ainda mais as coisas. O inimizade entre Carlos Miguel e Andrés só acirra os ânimos. O sentimento de raiva entre os dirigentes se espalha aos torcedores. No sábado passado houve o absurdo confronto na estação de metrô Carrão. 42 membros das organizadas corintianas arrombaram um vagão quando viram quatro são paulinos. Bateram muito nestes torcedores. Os agressores foram detidos por algumas horas pela polícia. E logo liberados. Pelas redes sociais, há a promessa de vingança por parte dos são paulinos. Corintianos avisam que, enquanto a vingança não vem, os são paulinos vão apanhar de novo.

3ae6 A classificação do Corinthians na Colômbia será garantia de medo no Ministério Público. Como deter os vândalos na Quarta Feira de Cinzas? Organizadas corintianas e são paulinas terão encontro marcado no Itaquerão. Pela Libertadores...

O Ministério Público tentou em vão uma estratégia que minimizaria a chance de confrontos, brigas nos estádios. Apelar para uma medida que desestimularia os membros de organizadas de irem para os estádios. Principalmente quando seus clubes atuassem como visitantes.

O MP queria que os ingressos fossem vendidos em bilheterias, para qualquer torcedores. E o clube mandante não cederia lugares próximos. Os 5% que é obrigado a ceder ao rival seriam espalhados pelo estádio. Mas os presidentes dos grandes clubes de São Paulo não aceitam.

Os mandantes reservam locais para as organizadas rivais. Longe de sua torcida. Até para que não se espalhem e danifiquem várias áreas dos seus estádios. A polícia militar acredita que juntos em um lugar fica mais seguro e fácil de vigiá-los.

Os presidentes dos clubes que atuam fora preferem vender todo o lote de 5% com as organizadas. Os torcedores comuns não chegam nem perto dessas entradas. O MP e a FPF sabem. Os dirigentes fazem isso por medo de suas organizadas. Para evitar represálias. Desde que essa distribuição começou em 2009 sempre foi assim. Um rompimento, com os ingressos indo parar nas bilheterias, seria o mesmo peso de uma declaração de guerra.

Diante de tudo isso, a preocupação que já é grande nos clássicos do inútil Campeonato Paulista, será multiplicada na Libertadores. Basta o Corinthians confirmar sua vaga hoje diante do Once Caldas. E a tensão dominar o Ministério Público, Federação Paulista e o comando da Polícia Militar. A Quarta-Feira de Cinzas de 2015 será, com toda certeza, de alto risco para os torcedores que forem ao Itaquerão.

4ae4 A classificação do Corinthians na Colômbia será garantia de medo no Ministério Público. Como deter os vândalos na Quarta Feira de Cinzas? Organizadas corintianas e são paulinas terão encontro marcado no Itaquerão. Pela Libertadores...

Em fevereiro de 2014, entrevistei o coronel Marinho. E reproduzo o trecho em que ele explica quem são estes vândalos que dominam o futebol brasileiro. Fica a lição para todos entenderem o tipo de gente está infiltrada em todas as organizadas. Oficialmente já são 285 mortos em confrontos de torcidas, desde 1988.

"Eu posso falar porque acompanhei bem de perto. No comando do Batalhão de Choque frequentei estádios, Febem (Fundação Casa) e penitenciárias. Ainda acompanho tudo de perto. Esses vândalos na maioria surgem na periferia. Onde infelizmente não há lei. Não há estrutura familiar, educação na sua casa. Ele se acostumou com a impunidade. Banalizou as agressões, mortes. Jogou futebol ao lado de cadáveres. Vai para a padaria pulando mortos que morreram na noite passada. A vida não vale nada, não tem o menor significado.

Já matar, não. Significa respeito entre os seus, na sua comunidade. Ele busca iguais e é fácil de encontrar. Gente sem formação, sem estudo, sem trabalho. Com muita raiva de serem excluídos da sociedade. A torcida organizada os aproxima. Os aceita, os acolhe. E por essa organizada ele faz o que aprendeu nas ruas. Principalmente com quem julga inimigo. Não há o menor drama de consciência em espancar, matar. Até porque se, na pior das hipóteses, for preso, sabe o quanto as cadeias no Brasil estão corrompidas. São escolas de crime.

Esses vândalos não têm sentimentos, são psicopatas que deveriam estar afastados da sociedade. Têm valores completamente distorcidos. Por isso batem com barras de ferros na cabeça de alguém que nunca viram até matar. E depois vão dormir como se nada tivesse acontecido. Levam barras de ferro, revólveres, faca, o que puder para matar o rival. Infelizmente isso não vai parar. O problema está na sociedade brasileira como um todo. Reflete no futebol, sim reflete.

Mas os crimes bárbaros acontecem todos os dias. No futebol ganham uma divulgação maior. Mas quantos assassinatos acontecem pelo Brasil diariamente? E nada acontece..."
 A classificação do Corinthians na Colômbia será garantia de medo no Ministério Público. Como deter os vândalos na Quarta Feira de Cinzas? Organizadas corintianas e são paulinas terão encontro marcado no Itaquerão. Pela Libertadores...

Oswaldo de Oliveira se adapta à irracionalidade. Muda meio time do Palmeiras depois da derrota para o Corinthians. Coloca o despreparado Dudu como titular. Pela própria sobrevivência…

1reproducao13 Oswaldo de Oliveira se adapta à irracionalidade. Muda meio time do Palmeiras depois da derrota para o Corinthians. Coloca o despreparado Dudu como titular. Pela própria sobrevivência...
Há uma diferença muita grande na cultura japonesa e a brasileira. Em todas as áreas. Até na esportiva. Se os torcedores são civilizados a ponto de recolher a sujeira das arquibancadas, são polidos nas derrotas de seus time. Acreditam que as decisões sobre os fracassos devem caber aos dirigentes. Não precisam ficar cobrando, xingando ninguém nos estádios. Muito menos os treinadores, que são tratados por 'mister', com toda a reverência. No máximo, diante das derrotas, os fãs sentam desolados após os jogos e choram. Como se fosse um castigo divino perder.

"Seu filho da ... Corintiano. Volta para a cachorrada. Burro! Incompetente. Tinha de ter colocado o Dudu antes, retardado."

Esses foi a maneira brasileira, paulista, palmeirense que muitos torcedores reservaram a Oswaldo de Oliveira. Não tiveram o mínimo respeito após a derrota para o Corinthians por 1 a 0. Se aproveitaram da cúmplice proximidade da nova arena e destilaram seu ódio. O técnico passou impassível, fingiu não ouvir.

Oswaldo já havia sido xingado na derrota contra a Ponte Preta. Justo ele que passou quatro anos de sua vida como técnico do Kashima Antlers. E era tratado quase como uma sumidade. Respeitado, reverenciado. Fez ótimo trabalho. Ganhou três vezes o Campeonato Japonês. Duas a Copa do Imperador, duas a Supercopa japonesa e uma vez a Copa da Liga.

Mas teve de voltar ao Brasil. A crise mundial atingiu em cheio o Japão. Sua liga. Os maiores salários foram limados dos clubes. Só a Seleção investe em treinadores estrangeiros. Aliás, Oswaldo é sempre comentado para o cargo. Fez tanto sucesso por lá que acabou sendo um requisitado garoto-propaganda.

Ele teve seu choque de realidade no Botafogo. Sentiu toda a dureza de trabalhar em um clube que não paga seus jogadores. Ganhou dois Cariocas e classificou a equipe para a Libertadores. Desembarcou no Santos empobrecido e com diretoria querendo valorizar jogadores sem talento, como Leandro Damião. Por se negar a ser mero pau mandado, acabou demitido.

No Palestra Itália, foi contratado para trazer de volta a esperança para um clube envergonhado. Sua tradição espetacular no século 20 estava foi abalada por dois rebaixamentos em dez anos. E centenário patético. Oswaldo, campeão mundial pelo Corinthians, tem a missão de fazer o Palmeiras renascer.

 Oswaldo de Oliveira se adapta à irracionalidade. Muda meio time do Palmeiras depois da derrota para o Corinthians. Coloca o despreparado Dudu como titular. Pela própria sobrevivência...

Ainda mais depois de Alexandre Mattos contratar 19 jogadores. Com a bênção e dinheiro de Paulo Nobre, um novo elenco foi montado. Muito melhor do que o do ano passado. Que só não caiu por sorte e falta de sorte e desinteresse do Atlético Paranaense no último jogo do Brasileiro de 2014. Assim como o esquisito empenho do empobrecido Santos contra o desesperado Vitória.

Em plena crise, o Palmeiras trouxe atletas importantes como Arouca, Dudu, Zé Roberto, Cleiton Xavier. A ansiedade da torcida venceu de longe a racionalidade. Embora um grande time não se monte de uma hora para outra, Oswaldo percebeu que terá de acelerar seu trabalho.

Por essa razão vai trabalhar em duas frentes. A primeira é aproveitar qualquer entrevista para tentar domar o ímpeto dos torcedores, da imprensa, dos conselheiros e mesmo dirigentes do clube. Já nasce uma insatisfação precoce no Palestra Itália. Muito bom na argumentação, o técnico detalhou o que pensa.

"Há uma possibilidade muito boa de fazer um time muito bom, mas para o Campeonato Brasileiro. Agora é difícil. Por exemplo, no ano passado, eu tinha uma garotada e jogadores experientes no Santos, e nós fizemos um Campeonato Paulista que empolgou. Mas quase todos estavam ali já. Quando você tem essa mudança mais radical, mais volumosa, fica mais difícil, principalmente, porque há um peso muito grande pelo que se passou (má campanha no Brasileirão de 2014). A expectativa fica muito maior. Se não conseguirmos controlar essa expectativa, ela vira contra nós", disse no Sportv.

3reproducao Oswaldo de Oliveira se adapta à irracionalidade. Muda meio time do Palmeiras depois da derrota para o Corinthians. Coloca o despreparado Dudu como titular. Pela própria sobrevivência...

Falou também que espera por Valdivia no dia 28, contra o Capivariano. E Arouca talvez faça sua estreia contra o São Bento, na quarta-feira. Tentou passar tranquilidade, paz interior.

Isso foi ontem. Hoje, diante da pressão ele mudou. Embora saiba que tudo é exagerado, descabido. Não quer perder o seu emprego. E tratou de fazer o que o bom senso não indicava. Equipes em formação são montadas aos poucos. De preferência por setores. A confiança vem na repetição de pelo menos a base.

Mas Oswaldo de Oliveira sabe que está em um clube sui generis, diferente. A torcida palmeirense já é das mais angustiadas do futebol brasileiro. Fiel às origens exageradas italianas. Ou tudo é uma maravilha ou uma desgraça.

O Palmeiras mudará meio time daquele que foi derrotado pelo Corinthians no domingo. Tóbio, Amaral, Allione, Maikon Leite e Leandro Pereira perderam lugar na equipe. Entraram Jackson, Gabriel, Alan Patrick, Cristaldo e Dudu. Eles deverão estar em campo amanhã, contra o Rio Claro.

O treinador precisa não só da vitória. Mas escalar os jogadores que a torcida, diretoria e a imprensa querem ver. Virou questão de sobrevivência e não lógica. Principalmente em relação a Dudu, estrela maior da companhia. Atacante conquistado com orgulho por Paulo Nobre. Ganhou a disputa do Corinthians e do São Paulo, de Carlos Miguel Aidar, dirigente que Nobre odeia com todas as forças.

Oswaldo queria dar mais tempo ao atacante se preparar. Colocá-lo aos poucos no time. Mas percebeu que lógica, racionalidade, frieza não combinam com o Palmeiras atual.

1agenciapalmeiras1 1024x666 Oswaldo de Oliveira se adapta à irracionalidade. Muda meio time do Palmeiras depois da derrota para o Corinthians. Coloca o despreparado Dudu como titular. Pela própria sobrevivência...

"Tive muito sucesso no Japão porque trabalhei com jogadores disciplinados e obedientes, era muito mais fácil fazê-los aprender. A formação do jogador aqui no Brasil é muito superior. Era comum, no Japão, os jogadores chegarem aos clubes com 22 ou 23 anos, mas a preparação como pessoa era muito melhor, isso é da formação do japonês. É muito mais fácil trabalhar com um cara que recebe com muito mais interesse o que você tem para passar. A nossa formação é muito diferente e tem o interesse mais individual, como aconteceu no caso do Dudu. Você vê que o cara não está preparado e é obrigado a escalar porque se o time perde, você perde o emprego."

As declarações de Oswaldo após a derrota diante do Corinthians deveriam chocar. Como um técnico vai colocar certo jogador despreparado para não perder o emprego? É exatamente isso que terá de fazer contra o Rio Claro.

O presidente, a torcida, a imprensa, a diretoria querem ver Dudu como titular? É o que ele fará. Os testes estão suspensos. Logo na quarta partida do Palmeiras no Campeonato Paulista, o técnico entendeu como a banda toca. Não está mais no Japão. Ninguém abaixa a cabeça, o reverencia quando passa, o chama de mister. Nada disso.

Em um dos clubes mais pulsantes do país, Oswaldo que dê o que os palmeirenses exigem. A hora não é de birra, de ser professoral. Não há como paciência para esperar pelo Brasileiro. Todos querem resultados e um time, já! Com Dudu como titular. O que era tensão virou angústia depois da derrota para o Corinthians. No primeiro clássico da nova arena!

Esperto, Oswaldo não age como um técnico calculista. Mas como um sobrevivente. Ainda mais com a sombra de Marcelo Oliveira começando a surgir no horizonte. Esta é a irracionalidade brasileira, mister Oliveira. A calma, o respeito pelo trabalho consciente ficaram a 18.553 quilômetros, no Japão. Com o futebol mergulhado em profunda crise econômica. Não há para onde voltar...
1reuters Oswaldo de Oliveira se adapta à irracionalidade. Muda meio time do Palmeiras depois da derrota para o Corinthians. Coloca o despreparado Dudu como titular. Pela própria sobrevivência...

As queixas de Marcelo Oliveira e as estocadas de Gilvan são mais sérias do que parecem. Acabou a alegria, a confiança no Cruzeiro. Se o time for mal na Libertadores, muita coisa pode mudar na Toca…

3cruzeiro As queixas de Marcelo Oliveira e as estocadas de Gilvan são mais sérias do que parecem. Acabou a alegria, a confiança no Cruzeiro. Se o time for mal na Libertadores, muita coisa pode mudar na Toca...
"Na realidade, o Marcelo só ganhou dois títulos brasileiros porque tinha um plantel montado pelo Cruzeiro. Alguns jogadores vieram por sugestão dele, mas a maioria não.

(...)"Ele hoje é um treinador de ponta do futebol brasileiro e o Cruzeiro o tornou de ponta. Isto que aconteceu no Cruzeiro em janeiro, de vários jogadores deixarem o clube na janela internacional, é consequência de um grande trabalho feito pela diretoria e pelo técnico Marcelo Oliveira. Ele tem que aceitar estas coisas."

Assim, de maneira direta, sem enrolar, Gilvan Tavares deixou bem claro o que pensa. Marcelo Oliveira é apenas um funcionário, o técnico do Cruzeiro. Ele trabalha com os jogadores que a diretoria lhe oferecer. Ele pode até sugerir, mas não tem poder algum de decisão. Muito pelo contrário.

Gilvan não aceitou as queixas do treinador ao ser confirmada a contratação de Henrique, ex-atacante do Palmeiras. O treinador aproveitou a expectativa sobre suas palavras. E quis mandar um recado à diretoria. Se deu muito mal.

"O Henrique é ótimo jogador, até estava na lista de jogadores que faz parte do trabalho do técnico. Só que ele vem numa posição que já temos outros três contratados (Leandro Damião, Joel e Riascos). Assim como estamos com quatro laterais-esquerdos e precisamos de um meia."

As declarações viraram manchetes de portais, jornais, destaques no rádio, na televisão de Belo Horizonte. Estava claro. O treinador não havia ficado satisfeito com o desmanche do Cruzeiro às vésperas de começar a Libertadores. E muito menos dos vários jogadores que chegaram. Vários sem ele pedir. E em posições que não precisava.

1reproducao10 As queixas de Marcelo Oliveira e as estocadas de Gilvan são mais sérias do que parecem. Acabou a alegria, a confiança no Cruzeiro. Se o time for mal na Libertadores, muita coisa pode mudar na Toca...

Gilvan é muito inteligente. Percebeu o que estava ficando implícito. Que Marcelo Oliveira e Alexandre Mattos, o ex-homem forte do futebol na Toca da Raposa, tinham montado a atual equipe bicampeã brasileira. E agora, o presidente do Cruzeiro teria vendido atletas fundamentais como Everton Ribeiro, Ricardo Goulart, Lucas Silva. Aberto mão de Marcelo Moreno. O lateral Egídio titular também acabou negociado. Como o volante Nilton.

Marcela já vinha destacando sutilmente o que havia ocorrido.

"Na verdade eu perdi a base. Mas não tem como lamentar muito. Viver essa nova realidade. Vieram novos jogadores. Mas com características diferentes, distintas. O que a gente precisa, o grande desafio é formar um time. E time não é só tirar um e botar outro. Precisamos em um tempo curto, já que a Libertadores para nós começa no final do mês, encaixar um time. Talvez não tão técnico, mas competitivo."

As palavras de Marcelo incomodaram a cúpula cruzeirense. Ela já vem sendo comparada às diretorias de Zezé Perrella, especialistas em formar grandes times para desmanchá-los em seguida, para obter lucro, vendendo jogadores. Rivais atleticanos, ironizavam a postura do agora senador, dizendo que o Cruzeiro não era um clube, mas um balcão de negócios.

Gilvan deixou deixou mais do que transparente que o treinador nunca teve poder para escolher o poderoso time de 2013 e 2014. Não teve piedade. Acabou com o mito de excepcional indicador de atletas. Marcelo apenas teve o mérito de exercer sua função. Pegar os atletas que a diretoria ofereceu e montar a equipe.

2reproducao5 As queixas de Marcelo Oliveira e as estocadas de Gilvan são mais sérias do que parecem. Acabou a alegria, a confiança no Cruzeiro. Se o time for mal na Libertadores, muita coisa pode mudar na Toca...

O desgaste é forte. Eles já foram muito mais próximos. Em 2012, quando Gilvan anunciou que trabalharia com Marcelo Oliveira, a reação de vândalos infiltrados nas organizadas cruzeirenses foi absurda. Passaram a ameaçar tanto o presidente como o treinador de morte. O motivo: o passado atleticano de Marcelo, como ex-jogador, dirigente e técnico tampão. Os dois não cederam. Enfrentaram os telefonemas anônimos. O resultado foi excepcional. Os mesmos torcedores que os ameaçaram acabaram por aplaudir a dupla.

Marcelo ficou muito decepcionado com a eliminação da Libertadores de 2014. Tinha certeza que sua equipe tinha toda a chance de conquistar o sonhado torneio. Mais experiente, vivida, entrosada. Não sonhava com o desmanche promovido por Gilvan. O treinador não pôde fazer absolutamente nada. A não ser aceitar que seus planos logo após a conquista do bicampeonato brasileiro haviam acabado.

A debandada do trio Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Lucas Silva foram golpes duros demais. Toda frenética movimentação ofensiva dependia do trio, que além de ter excelente preparo físico, era muito técnico. Capaz de desequilibrar a marcação adversária com um drible, um toque inesperado, a finalização de surpresa. Marcelo sabe que está trabalhando contra o tempo. Tentando encaixar os jogadores que a diretoria lhe ofereceu e montar um novo Cruzeiro. Como ele mesmo destacou, menos técnico, mais competitivo.

Marcelo Oliveira sabe que o prazo é curto demais. Mas as cobranças serão fortes. As últimas conquistas acabaram acostumando bem a torcida e a imprensa. Todos sempre esperam um grande futebol do Cruzeiro. Para desespero do técnico, poucos param para pensar que muita coisa mudou.

Ele já estava preocupado com a reformulação. Mas quando se viu com quatro laterais esquerdos e quatro atacantes de definição e sem o meia organizador que tanto está implorando, resolveu desabafar com os jornalistas. Tomou uma invertida enérgica, firme, inesperada de Gilvan. Teve de ouvir que foi o Cruzeiro que o transformou em treinador de ponta no futebol brasileiro. Algo que ele não era antes de pisar na Toca da Raposa.

1cruzeiro As queixas de Marcelo Oliveira e as estocadas de Gilvan são mais sérias do que parecem. Acabou a alegria, a confiança no Cruzeiro. Se o time for mal na Libertadores, muita coisa pode mudar na Toca...

Marcelo Oliveira era um jogador de personalidade forte. As pessoas próximas dele garantem que ele continua com o mesmo gênio. Embora esteja tentando minimizar, digerir as estocadas de Gilvan, só o tempo e os resultados na Libertadores mostrarão se as farpas serão realmente esquecidas.

Talvez o presidente do Cruzeiro tenha razão. Seu clube mudou a carreira de Marcelo Oliveira. Hoje ele é um treinador respeitado, cobiçado. O Palmeiras, o Internacional, o Fluminense, o Santos já avaliaram seu nome. Dirigentes acompanharam se renovaria ou não o contrato com o time mineiro. Ou seja, Marcelo tem mercado.

A simples presença de Alexandre Mattos no Palmeiras deve ser levada em consideração. Os dois são muito amigos. Em caso de Oswaldo de Oliveira não conseguir montar uma equipe competitiva com os 19 reforços que ganhou e Marcel Oliveira não conseguir consertar o desmanche no Cruzeiro, o caminho pode ser natural.

Ou seja, a cobrança de Marcelo Oliveira e o troco de Gilvan Tavares podem ter consequências muito mais sérias. Tudo vai depender da trajetória do atual bicampeão brasileiro na Libertadores. A história parece se repetir. Os desmanches de Zezé Perrella costumavam estourar nos treinadores que, de uma hora para outra, ficavam sem as peças fundamentais de seus times, montados com todo cuidado. As vaias no empate com a Caldense no Mineirão não foram por acaso. Não há paciência do torcedor. Ninguém quer saber da reformulação. O atual bicampeão brasileiro que arrume uma maneira de se impor, ganhar. Os cruzeirenses se viciaram rapidamente com as vitórias.

Não há outra sensação que prevaleça na Toca da Raposa: a de grande desperdício. É uma lástima ter sido desmanchado o time campeão duas vezes seguidas do Brasil. Chegaria pronto, maduro, estruturado para a Libertadores de 2015. Não esse Cruzeiro em formação, com quatro homens de área, quatro laterais esquerdos. Com o presidente magoado com o técnico. Com o treinador, preocupado, sem a equipe mais poderosa, que consumiu dois anos de sua vida para preparar. E, com a responsabilidade de conquistar o título, pesando sobre os ombros de todos...
5cruzeiro As queixas de Marcelo Oliveira e as estocadas de Gilvan são mais sérias do que parecem. Acabou a alegria, a confiança no Cruzeiro. Se o time for mal na Libertadores, muita coisa pode mudar na Toca...

42 vândalos das organizadas corintianas arrombam, aos pontapés, portas do metrô. Agridem quatro torcedores são-paulinos. Comemoram. São detidos e liberados em seguida. O Brasil é o país sem lei…

Este é um trecho do programa Bate-Bola da ESPN-Brasil do sábado. Recebi o vídeo de vários leitores indignados. Confesso que também fiquei.

Stanley Kubrick se estivesse vivo ficaria chocado, fascinado. As cenas reais, duras, verdadeiras vão muito além do vandalismo de Laranja Mecânica. Os 'drugues' imaginados no livro de Anthony Burgess são crianças no jardim da infância, perto de muitos membros das torcidas organizadas.

Toda a confusão envolvendo Palmeiras e Corinthians ontem roubou os holofotes. No sábado, aconteceu algo absurdo que muita gente não prestou atenção. A cena aconteceu na estação Carrão do metrô de São Paulo. Eram 17 horas. 42 membros de organizadas corintianas voltavam da eleição de Roberto de Andrade no Corinthians. Sim, as organizadas têm uma grande participação na vida no Parque São Jorge, como em todos os clubes brasileiros. Principalmente os que negam.

Essas quatro dezenas avistaram quatro são-paulinos que iam para o jogo contra o XV de Piracicaba no Pacaembu. Eles cometeram o pecado mortal, o desatino de estarem vestidos com a camisa do clube. Aliás, bom conselho para quem busca o suicídio e não tem coragem neste país.

O vagão estava fechado. Quase para partir. Pensaram até que iriam escapar. Acreditaram estar protegidos. Quem não pensaria a mesma coisa. Repito, as portas do vagão estavam trancadas.

O que fizeram os membros da organizadas corintianas? Desistiram da caça? Nada disso. Aos pontapés, arrebentaram as portas do vagão do metrô. E espancaram com gosto os quatro são-paulinos. Pessoas muito corajosas. Afinal, a luta foi de igual para igual. Na proporção de mais de dez corintianos para um são-paulino.

As câmeras filmaram apenas o lado dos corintianos. Eles arrombando as portas e entrando enquanto praguejavam, xingavam, ameaçavam. Pessoas que não tinham nada a ver com o confronto, como muitas mulheres, saíam desesperadas do vagão.

Depois da agressão, vários comemoravam a surra. Exibiam até os músculos felizes. Afinal, 42 pessoas conseguiram espancar quatro. Uma vitória para encher de orgulho qualquer pai e mãe desses torcedores.

O que parecia que iria ficar sem punição não aconteceu. A Delegacia de Polícia do Metropolitano pôde facilmente deter esses 42 torcedores. Vitória da justiça no Brasil!

Só que não. Eles foram detidos. Enquanto esperavam, foram filmados comendo, rindo, conversando como se nada tivesse acontecido. Apenas três fichados. Todos foram soltos no sábado. E, com certeza, vários deles estavam na arena do Palmeiras. Onde por coincidência, lógico, cadeiras onde ficaram as organizadas corintianas foram quebradas e banheiros pichados. Como os palmeirenses haviam feito no Itaquerão no ano passado.

Essa é mais uma demonstração de quanto a sociedade brasileira é passiva, covarde, incompetente para lidar com vândalos e criminosos infiltrados em todas as torcidas organizadas. Todas, sem exceção. As autoridades não acabam com elas porque não querem. Porque cada organizada de grande clube possui milhares de torcedores. Milhares de eleitores. Milhares de votos. Várias delas organizam Carnaval. Contam com a simpatia de milhões de pessoas. Melhor deixar que se matem. No máximo, vão matar, machucar pessoas de classe baixa.

Ou alguém já viu vereador, deputado estadual, deputado federal, prefeito, governador, senador, presidente andando de metrô, de ônibus, de trem quando não estão fazendo campanha política?

Que lástima que Stanley Kubrick tenha morrido em 1999. Ele faria um filme muito mais violento, assustador, repulsivo do que Laranja Mecânica. As cenas seriam reais. Bastaria acompanhar as maiores torcidas organizadas deste país. Seria um documentário fascinante. Com toda certeza, patrocinado pela Ancine, estatal que substituiu a extinta Embrafilme, cercada de denúncias de corrupção.

Com certeza, Kubrick, um dos maiores cineastas da história, não teria dificuldade em convencer políticos a o apoiarem. Com todo prazer, afinal seria filmado no território nacional, com todo o orgulho. A Ancine daria seu patrocínio. O dinheiro público chegaria às suas mãos.

Ele poderia filmar. Não a continuação de Laranja Mecânica, muito suave. Sua nova película mereceria outro nome. Algo que combinasse melhor com o Brasil de 2015. "O Festim Diabólico dos Vândalos, em um País Sem Lei"...

Palmeiras é vítima de suas 19 contratações, de Alexandre Mattos, da nova arena, do milionário patrocinador. Um time não se forma de uma hora para outra. Por isso tanta frustração…

1agenciapalmeiras Palmeiras é vítima de suas 19 contratações, de Alexandre Mattos, da nova arena, do milionário patrocinador. Um time não se forma de uma hora para outra. Por isso tanta frustração...
Ninguém contratou tanto e tão bem como o Palmeiras em 2015. Foram 19 reforços. O goleiro Aranha, os zagueiros Vitor Hugo, Victor Ramos e Jackson, os laterais Lucas, João Paulo e Zé Roberto, os volantes Amaral, Gabriel, Arouca e Andrei Girotto, os meias Robinho, Ryder, Cleyton Xavier e Alan Patrick e os atacantes Dudu, Rafael Marques, Leandro Pereira e Kelvin.

O clima antes dos estaduais começarem era de pura euforia. O Palmeiras vivia uma expectativa absurda. Mais até do que os clubes classificados para a Libertadores. Até porque seu centenário, em 2014, foi vergonhoso.

Porém. bastaram três jogos oficiais. Duas derrotas em pleno novo estádio. Contra Ponte Preta e o time misto do Corinthians. E Oswaldo de Oliveira já foi hostilizado, teve de ouvir palavrões. Foi chamado de burro, incompetente pela revoltada torcida palmeirense. Uns afobados já pediram até sua demissão. Afinal, 19 reforços, estádio e dinheiro à vontade não bastaram? A vergonha vai continuar?

O que acontece no Palmeiras é simples. Tudo é muito exagerado, precipitado. Há uma ansiedade que só é explicada pela história vitoriosa do clube no século passado. E pelos dois rebaixamentos, que estão recentes demais na memória do torcedor. Em 2002 e 2012. A ansiedade em virar a página, esquecer a frustração, voltar à época das conquistas faz com que a emoção perca para a razão.

Uma equipe não se monta de um dia para a noite. O elenco acabou de terminar a pré-temporada. Dos 19 contratados, Oswaldo não pôde colocar em campo peças fundamentais. Como Arouca e Cleiton Xavier. Fora o principal jogador do elenco. Aquele, cuja ausência, virou desculpa fácil para qualquer técnico: Valdivia.

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Oswaldo de Oliveira não é um treinador brilhante. Longe disso. Mas trouxe dos anos que passou no Japão uma característica muito interessante. Seus times são ofensivos, compactos, modernos, velozes. Botafogo e Santos foram bons exemplos. No clube carioca onde a expectativa era baixa, conquistou dois torneios estaduais e classificou o time para a Libertadores. Mesmo com salários e direitos de imagem atrasados. A ponto de emprestar dinheiro seu para atletas pagar aluguel, fazer supermercado.

No início do ano passado no Santos, as dificuldades financeiras eram um pouco menores. Mas também conviveu com atrasos salariais. Ter levado o time à final do Paulista acabou sendo sua maldição. Perdeu para o Ituano, muito bem montado por Doriva, e caiu em desgraça com a diretoria, com a torcida. Mesmo tendo ido mais longe do que Corinthians, São Paulo e Palmeiras. Quando Leandro Damião e os atrasos se tornaram fardos pesados demais para carregar, ele reclamou publicamente. Foi demitido. Com três meses se salários a receber.

Qualquer treinador que assumisse o Palmeiras em 2015, com o bilionário Paulo Nobre mudando sua filosofia, abrindo os cofres para a contratação, seria pressionado. Ainda mais com o hábil novo homem do futebol, Alexandre Mattos. Ao contrário do ultrapassado Brunoro, ele sabe negociar. Conversar com jogador, procurador, dirigente adversário. É ótimo negociante. Por isso as 19 contratações de uma vez.

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Enquanto isso, o Palmeiras se livrou de 21 jogadores do time que quase rebaixou o clube em 2014. A diretoria também mandou embora Dorival Júnior, pouco importando que ele tivesse profunda identificação com o Palmeias. Tivesse sido jogador e fosse sobrinho de Dudu, o grande volante da 'segunda academia', time muito vitorioso na década de 70.

Fora isso, o Palmeiras passaria a usar a sua nova, moderna e belíssima arena. Elenco, treinador e estádio novo. Não há no Brasil clube que comece 2015 cercado de tanta expectativa.

A imprensa, de modo geral, fez matérias e matérias sobre o novo Palmeiras. Vendeu a garantia que tudo seria diferente. E deverá ser. O elenco é muito mais forte do que o do ano passado. O ansioso torcedor comprou, com prazer, a ideia de que o time começaria acumulando vitórias e mais vitórias.

Caberia a quem é o comandante desse 'novo' Palmeiras, alertar que uma equipe leva tempo para ser formada. Até lá, resultados ruins poderiam vir. Mas não havia clima, ambiente, para pés no chão.

Todos comentavam os chapéus que a diretoria deu no São Paulo e no Corinthians contratando Dudu. E mais manchetes para, em plena recessão nacional e crise mundial, Paulo Nobre dobrar o olé em Carlos Miguel Aidar. Assegurar R$ 23 milhões por temporada pelo patrocínio master da camisa.

Jogadores, estádio, apoio integral da diretoria, dinheiro e certeza de milhares de torcedores apoiando o time. Oswaldo não teve força para domar a euforia precoce. Não basta juntar 19 bons jogadores com um jogador tão talentoso quanto problemático como Valdivia. É preciso tempo, paciência. Tudo o que o palmeirense não quer oferecer.

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A pressão só aumentará. Ainda mais porque estaduais oferecem adversários fraquíssimos, que se prestam a recuperar clubes grandes. A próxima sequência do Palmeiras não assusta. Rio Claro em casa, já na quarta-feira. Depois, São Bento, Penapolense, fora. Capivariano e Bragantino em casa. Só depois destes cinco jogos, o clássico contra o Santos na Vila Belmiro.

Serão cinco jogos, 15 pontos que Oswaldo de Oliveira sabe: tem a obrigação de conquistar. Não há comparação entre os elencos. Os times não são tão arrumados quanto Ponte Preta e time misto do Corinthians. O técnico deverá conhecer muito melhor seus jogadores. Poder dar um mínimo de entrosamento necessário para começar a virar uma equipe de futebol.

Talvez até compreender que Zé Roberto é um desperdício de talento, preso no corredor da lateral esquerda. No meio de campo, ao lado de Arouca, Valdivia e Cleiton Xavier ou Robinho, pode formar um excelente meio de campo. E ainda dar chance a uma das poucas coisas boas de 2014, o ala Victor Luiz.

Só com a calma que as vitórias trazem, Oswaldo poderá fazer o gosto de Paulo Nobre. E dar chance para Gabriel Jesus, de apenas 17 anos. Ele é a maior esperança da base, desde Vagner Love.

Diante de tanta expectativa que o clube mesmo criou, tudo que o Palmeiras precisa agora é de tranquilidade. E firmeza no trabalho. Porque a euforia pode virar decepção de maneira precoce.

Tudo que precisaria ser feito, foi. Brunoro saiu. Alexandre Mattos, formador do Cruzeiro atual bicampeão do Brasil, chegou. O elenco e treinador foram trocados. Melhores desembarcaram no clube. A nova arena é excelente. O dinheiro dos patrocinadores, da TV e do bolso de Paulo Nobre garante salários e direitos de imagem em dia.

Só resta a paz para que tudo planejado seja colocado em prática. As duas derrotas foram inesperadas e doloridas. Mas é preciso compromisso com a realidade. Futebol não é videogame.

Não adianta juntar 19 bons jogadores em um clube. Uma equipe não se forma de um dia para a noite. É isso que o carente torcedor palmeirense terá que entender. Fazer o mais difícil. Domar a expectativa e a frustração que duelam no seu peito desde que o século 21 insistiu em começar...
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