Para sobreviver no comando do futebol, Marin cedeu. Felipão não é mais o técnico da Seleção Brasileira. Como queriam Globo e governo federal. O vexame na Copa foi grande demais…

1reuters5 Para sobreviver no comando do futebol, Marin cedeu. Felipão não é mais o técnico da Seleção Brasileira. Como queriam Globo e governo federal. O vexame na Copa foi grande demais...
Rio de Janeiro...

As derrotas por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal da Copa e por 3 a 0 para a Holanda, na decisão do terceiro lugar. Dez gols sofridos para apenas um marcado. Vaias dos torcedores no estádio e na rua.

Irritação da cúpula da Globo com a campanha ridícula da Seleção na reta final do Mundial. Prometer o título, oferecer o quarto lugar e não aceitar críticas óbvias ao trabalho confuso. Até os palavrões que Dilma recebeu ontem.

Tudo isso fez José Maria Marin dispensar Felipão. Para ser delicado, a CBF resolveu não renovar o contrato que se encerrou ontem com o fim da Copa. O coordenador Parreira também foi dispensado. Como também o seu auxiliar Flávio Murtosa, o preparador de goleiros Carlos Pracidelli e o preparador físico Anselmo Sbragia.

A decisão sobre a saída de Felipão será assumida por Marin. Mas foi uma questão discutida também por Marco Polo del Nero. O presidente da FPF sempre posou como cabo eleitoral do técnico. Só que as duas últimas derrotas foram pesadas demais.

Felipão havia sido perdoado pelos 7 a 1 no Mineirão. Os dirigentes fizeram de conta que acreditaram na história da pena dos seis minutos. Apenas exigiram que o Brasil vencesse a Holanda, conseguisse o terceiro lugar. Só que a Seleção foi derrotada e jogou novamente muito mal. No final, 3 a 0, com os holandeses se poupando.

O treinador brasileiro não queria ir embora. Pelo contrário. Tinha certeza que Marin daria chance para se redimir. Parecia não perceber os vexames a que o Brasil havia se submetido. O presidente da CBF titubeou. Afinal, Felipão e Parreira foram os últimos técnicos campeões do mundo com a Seleção. Mas a situação era insustentável.

A fraca campanha do Brasil na Copa do Mundo disputada na sua casa foi detalhada. O fato de o time ter sido dominado por mexicanos e chilenos. Fora os massacres contra alemães e holandeses. A assumida dependência de Neymar.

O sal grosso jogado pelo preparador físico Paulo Paixão no Mineirão. A teimosia inacreditável com Fred. A estranha escalação de Bernard, número 20, contra os alemães. Uma tentativa supersticiosa de relembrar Amarildo em 1962, o substituto de Pelé reencarnaria na vaga deixada por Neymar?

Fora a estranha avaliação de Felipão e Parreira do estado físico dos atletas. Os brasileiros foram os que menos treinaram na Copa do Mundo. Os que mais tiveram folga. A preocupação foi exagerada em evitar contusões musculares. Com isso, a Seleção se mostrou frágil nos confrontos que teve no Mundial. Principalmente diante de alemães e holandeses.

O descontrole emocional do time. A pressão que Felipão e Parreira impuseram à equipe garantindo que o Brasil conquistaria o hexacampeonato. E não fracassaria em casa como a Seleção de 1950. O discurso foi feito para agradar a Marin. Só que não levou em conta a inexperiência do time em Copas do Mundo. Foi um tiro de bazuca no pé.

2efe1 Para sobreviver no comando do futebol, Marin cedeu. Felipão não é mais o técnico da Seleção Brasileira. Como queriam Globo e governo federal. O vexame na Copa foi grande demais...

Treinador algum promete que seu time será campeão nem em torneio entre condomínios. Quanto mais em uma Copa do Mundo. Os jogadores brasileiros ficaram claramente estressados, desesperados para cumprir as absurdas promessas dos seus técnicos.

Marin, matreiro, havia percebido o quadro que os treinadores pintaram para a delegação.

"Estamos no purgatório. Se ganharmos a Copa entraremos no Céu. Mas se perdermos, será o Inferno."

Ele tinha razão. A opinião pública acabou sendo levada pelo carisma vitorioso de Felipão. Passou a acreditar cegamente no título. Afinal, se ele estava prometendo era porque deveria ser verdade. Não foi. E no final, as derrotas tiveram um peso muito pior. Felipão conseguiu fazer um favor para os descendentes da Seleção que foi massacrada em 1950 por perder a decisão para o Uruguai.

Diante do Maracanazo, a campanha desta Copa do Mundo foi vergonhosa. Felipão tentou se defender. Falou que não poderia ser considerado um treinador ultrapassado. Havia vencido a Copa das Confederações e levado, depois de 12 anos, o Brasil de novo às semifinais de um Mundial.

As alegações não convenceram Marin e nem seus aliados Globo e governo federal. A pressão por uma revolução no futebol foi imensa. O presidente da CBF é um sobrevivente. Não iria perder o controle da situação. Deu de bandeja o que era exigido: a cabeça de Felipão e de seus principais assistentes.

A CBF deverá anunciar oficialmente a decisão hoje. Mas Felipão já sabe que não manda mais no futebol do país. Marin e Marco Polo deverão escolher o novo treinador da Seleção. Já há amistosos contra a Colômbia e o Equador em Miami, já em setembro. Fora outros jogos neste ano, como diante da Argentina, na China.

A atrapalhar Tite está sua ligação com Andrés Sanchez, inimigo mortal de Marin. Mas o momento é de desespero. Marco Polo del Nero já defende uma conversa com ele para avaliar se ele continua 'homem de Andrés'. Muricy ganhou espaço nas últimas horas, por sugestão do presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar.

Há uma chance menor de Gallo, treinador da Seleção Olímpica, assumir até o final da ano e da gestão de Marin. Treinador estrangeiro continua sendo tabu. Nacionalistas, Marin e o ministro Aldo Rebelo não gostariam de ver a Seleção do país entregue a alguém que não nasceu por aqui.

Mas o primeiro passo já foi dado. Felipão, como se esperava, não teve seu contrato renovado. Na linguagem rasteira do futebol, é como se fosse demitido. Acabou escravo de sua promessa de conquista do hexacampeonato. Acabou perdendo o título. E muito prestígio internacional.

É difícil acreditar que um selecionado de ponta o contrate para dirigir um time em 2018, como gostaria. Não depois do fraquíssimo papel na Copa do Mundo no Brasil. O treinador tentou agradar a Marin prometendo o que sabia ser difícil demais cumprir. Perdeu, com toda a justiça, o comando do futebol brasileiro. Ele e Parreira, infelizmente, mostraram que pararam no tempo. E travaram a Seleção nesta postura sem rumo, ultrapassada...
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O segredo da Alemanha campeã do mundo de Joachim Loew. Trabalhar sério por dez anos por esse título. Algo impossível de fazer na Granja Comary de Marin, Luciano Huck e Mumuzinho…

1reproducao8 O segredo da Alemanha campeã do mundo de Joachim Loew. Trabalhar sério por dez anos por esse título. Algo impossível de fazer na Granja Comary de Marin, Luciano Huck e Mumuzinho...
Maracanã...

"Trabalhamos por dez anos por esse título. Foram dez anos de persistência."

Esse é o resumo da entrevista, da comemoração fria de Joachim Loew, treinador campeão mundial com a Alemanha. Muito mais do que um mero motivador. Seu trabalho foi meticuloso, operário, sério.

"Nós vivíamos o pior momento do futebol alemão. O time havia sido desclassificado da fase de grupos da Eurocopa de 2004. Tínhamos de mudar o futebol alemão. Eu e o Klinsmann começamos esse trabalho. Sabíamos que iria demorar. Mas hoje veio o resultado."

Loew ficou como auxiliar de Klinsmann durante a Copa de 2006, dentro da Alemanha. Não conseguiram vencer o título. Tiveram de se separar. Klinsmann foi para os Estados Unidos. Loew assumiu no seu lugar. E sofreu.

Sabia que tinha um grupo forte nas mãos. Mas precisava amadurecer. Lahm, Schweinsteiger, Podolski... Sabia que os jogadores tinham futuro. E desenvolveu uma estratégia de trabalho rígida, forte. Buscando vários esquemas táticos a serem usados durante uma mesma partida. Com jogadores sabendo executar várias funções.

Foi uma aposta na tática, no trabalho. A Alemanha conseguia jogar cada vez melhor. Só que os títulos não vinham. Acabou vice campeão na Eurocopa de 2008. O time ganhando confiança, experiência. Chegou como uma das favoritas na África do Sul.

Perdeu para a Espanha na semifinal por 1 a 0. Logo veio a Eurocopa de de 2012. Mesma situação. Time fortíssimo. A derrota na semifinal foi uma das grandes zebras da competição.

Mesmo assim, perdendo três competições em seguida, Loew seguiu no cargo. Aprimorando seus jogadores. Não perdendo a sua convicção que o trabalho a seguir estava no conjunto. Fazer seus atletas se entregarem ao treinamento. Juntar o potencial técnico, físico e tático.

A Alemanha não possui os melhores atletas, mais fortes, resistentes por acaso. Foram trabalhados para isso. Por isso foi capaz de correr muito mais do que a Argentina, por exemplo, na final de hoje, no Maracanã.

"Nós conseguimos fazer história. Somos a primeira seleção europeia a ganhar uma Copa na América Latina, no Rio de Janeiro. No Brasil, o país do futebol. Isso foi conseguido às custas de muita dedicação e entendimento sobre a importância do trabalho", afirma o técnico.

Ao contrário de Felipão, que escancarou a Granja Comary, Loew e a Federação Alemã de Futebol levantaram todas as informações possíveis sobre o melhor lugar para a concentração no Brasil. Não gostaram de nenhum.

A solução foi simples. Construir um CT inteiramente novo para a Alemanha. Em Santa Cruz Cabrália, cidade próxima a Porto Seguro, na Bahia. Tudo foi pensado. A começar pelo clima. Os europeus quiseram sofrer com o calor nordestino. Era a arma para se adaptarem ao que sofreriam jogando a Copa por aqui.

O gramado dos campos que usaram em Cabrália era exatamente o mesmo do Maracanã. Não era qualquer relva que Loew queria. Exigiu e conseguiu a do palco da decisão da Copa.

Fez do local de treino uma mistura de santuário e bunker. Os jornalistas que cobriram a Alemanha na Copa do Mundo tinham tudo para invejar os que trabalharam no Brasil. Os treinamentos eram fechados. O técnico germânico não abria mão da privacidade e de testar quantos esquemas táticos quisesse. Sem ter a perturbação de ninguém.

O ponto alto da caminhada alemã foram duas goleadas. A primeira por 4 a 0 contra Portugal. A segunda, contra o Brasil. O time inseguro de Luiz Felipe Scolari não o impressionou. Loew ficou fascinado com a população brasileira.

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"Foi um dos pontos altos em toda a minha carreira. Ganhamos 7 a 1 do Brasil. A tristeza foi muito grande nesse país. Chegamos no aeroporto. Milhares de brasileiro, batendo palmas para nós. Foi impressionante.

"Na rua centro de treinamento na Bahia, as pessoas nos aplaudindo. Indescritível. Impressionante. É algo que consegue entrar na pele.

"Estávamos em outro continente. Representando 80 milhões de alemães. A nossa intenção era também nos divertir, curtir a estadia. Sintam que estamos curtindo, trabalhando mas curtindo o momento. Alegria. Muito obrigado, Brasil."

Mas Loew deixou claro que soube muito bem separar as coisas. Na hora da diversão, diversão. A relação dos seus jogadores com a população de Cabrália foi intensa. Mas na hora do treino, ninguém podia chegar perto.

Assim como a Espanha deixou o tiki taka, o domínio obsessivo da bola. Os centenas de passes até descobrir o ponto fraco do adversário. A Alemanha campeã no Maracanã deixa sua cicatriz no futebol moderno.

A de trabalho tático incansável. Capaz de fazer duas linhas de quatro, asfixiar o adversário. Mas também atacar em bloco, com o homem com a bola na entrada da área com quatro, cinco opções em um ataque. Ou ter a frieza de saber se defender quando atacada. A frieza não vem do sangue alemão. Mas dos treinos e mais treinos.

"Nós trabalhamos demais nesta Copa. Sabíamos todas as jogadas organizadas adversárias e fazíamos as nossas. Não deixamos, por exemplo, a Argentina puxar os contragolpes em velocidade com o Messi. Tudo foi trabalhado para ganharmos o título. Esse é o segredo desse grupo tão talentoso. Saber a importância de tudo que cerca o futebol. Principalmente a organização."

É...Realmente, Joachim Loew não combinaria com a granja Comary. Das arquibancadas para patrocinadores da CBF, das invasões de Luciano Huck, de Mumuzinho abraçando Neymar na hora do escanteio em pleno coletivo da Seleção, da temperatura de 13 graus para ir jogar em Fortaleza com 29 graus.

Melhor deixá-lo na Alemanha, festejando a conquista da Copa de 2014 em pleno Maracanã. Ir pensar no aprimoramento tático do time para a Eurocopa de 2016. Nada no futebol é por acaso em Berlim. O título que Loew leva da América do Sul para o seu continente é a maior prova do respeito a algo batizado de trabalho...
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Lição para o Brasil. O tetra alemão começou a ser construído em 2006. Foi concretizado hoje, aqui no Maracanã, com um gol espetacular de Götze. Messi e sua Argentina choram o vice na Copa das Copas…

1ap16 Lição para o Brasil. O tetra alemão começou a ser construído em 2006. Foi concretizado hoje, aqui no Maracanã, com um gol espetacular de Götze. Messi e sua Argentina choram o vice na Copa das Copas...
Maracanã...

A Alemanha se impôs. Não só fisicamente. Mas no talento. Um gol de Göetze para ficar na história. Marcado aos sete minutos da prorrogação. Ajeitou cruzamento com o peito e chutou com talento raro, sem deixar a bola cair.

Gol para dar o merecido tetracampeonato alemão. Ele conseguiu roubar a cena de Messi, mero coadjuvante na final de hoje, aqui no Rio de Janeiro. Não foi desta vez que ele se igualou a Maradona e ganhou uma Copa.

Vitória merecida do planejamento alemão, que começou em 2006. Plantou, colheu...

A Copa das Copas dentro do campo teve uma final digna de encher os olhos. Pela tradição e pela modernidade ao mesmo tempo. Foi uma batalha tática impressionante. De envergonhar quem acompanhou de perto as sete partidas do Brasil.

Na festa que deveria ter o Brasil como anfitrião, chegaram as duas melhores seleções da Copa. As que provaram que futebol é muito mais do que o improviso. A Alemanha de Low foi preparada com todo o esmero por oito anos, com o objetivo de decidir e ganhar o Mundiaal de 2014.

Já a Argentina, não. Sabella assumiu há três anos e meio. Depois do fiasco do país na Copa América. Sucedeu Sérgio Baptista. E tratou de valorizar quem merecia e precisava: Messi. O melhor jogador do mundo nunca esteve tão à vontade com a camisa do seu selecionado. Querido por imprensa, time e torcida. A ponto de vetar Tevez no selecionado e continuar vivo.

O confronto entre o tricampeão mundial europeu com o bicampeão sul-americano tinha duas propostas bem diferentes. Os confiantes, metódicos e ofensivos alemães assumiam o controle do jogo. Com Thomas Müller, Kroos e Öezil flutuando, trocando de posições. E na frente, Klose, fazendo o que Fred deveria ao menos tentar.

2afp10 Lição para o Brasil. O tetra alemão começou a ser construído em 2006. Foi concretizado hoje, aqui no Maracanã, com um gol espetacular de Götze. Messi e sua Argentina choram o vice na Copa das Copas...

O artilheiro de todas as Copas é muito inteligente. Enquanto uma jogada acontece de um lado, ele atrai a atenção da zaga no outro. Abre espaço para os seus meias que tabelam ou fica pronto para o arremate.

Na marcação, os germânicos se recompunham com as duas linhas de quatro que sufocaram o Brasil. Grandes responsáveis pelos desesperados chutões dos zagueiros de Felipão.

O confronto era com um time preparado para a luta pela ocupação de espaço. Ninguém se engane com Sabella. Desde os tempos em que carregava Passarella nas costas, inclusive no Corinthians, sempre foi apaixonado por estratégia.

Espertamente, ele deixava Messi flutuando pelos lados do campo. Por onde quisesse. Para triangulações com Perez e Lavezzi. Eles costuravam, se criavam entre as duas linhas nas intermediárias.

E correndo pelos espaços vazios, em vez de ficar parado como um cone, Higuain. Mesmo vivendo uma péssima fase, ele preocupava demais os zagueiros de Loew.

Aos 20 minutos ficou mais uma provado que futebol não é xadrez. Em um erro absurdo de Kroos, que cabeceou para trás sem olhar, Higuain ficou cara a cara com Neuer. Mas, assustado com tanta facilidade, o chute foi ridículo, para fora.

Os alemães seguiram tentando encurralar os argentinos. Sabella recuava as suas duas linhas de marcação. Uma aposta ousada. Para que Messi, Higuain ou Lavessi encontrassem de frente a zaga germânica que tanto gosta de jogar em linha.

O time de Loew é o de maior força física de todo o Mundial. E levavam vantagem nas divididas e bolas pelo alto. Aos 46 minutos, Kroos cobrou escanteio e o edifício chamado Höwedes cabeceou na trave de Romero. Igualdade em tudo no primeiro tempo...

O segundo começou com uma alteração ousada de Sabella. Lavezzi ficou nos vestiários. Entrou o definidor Aguero para jogar com Messi e Higuain. Os argentinos começaram diferentes, pressionando a saída de bola. Trataram por cinco minutos os alemães como jogadores de seleção pequena.

Esse 'bote' quase deu resultado. Messi teve uma excelente chance, invadiu a área e chutou cruzado para fora. A pressão deu resultado. Loew teve de recuar seu meio de campo para ajudar a assustada zaga. Lances de xadrez entre os treinadores.

A Alemanha conseguia recuperar o domínio do jogo. Mas era evidente o medo dos times em sofrer o primeiro gol. As divididas passaram a ser mais fortes. Schweinsteiger sentia o ritmo da partida. Assim como Messi, parado na direita. Ambos não se movimentavam como de costume. E as duas seleções, lógico, sentiam.

Quando os times chegavam perto da grande área era um sufoco. Cada um com sua característica. A Alemanha com o futebol em bloco, com troca de passes conscientes. Já os sul-americanos tentavam as jogadas individuais. Impressionante era a recomposição dos dois times na marcação.

3ap1 Lição para o Brasil. O tetra alemão começou a ser construído em 2006. Foi concretizado hoje, aqui no Maracanã, com um gol espetacular de Götze. Messi e sua Argentina choram o vice na Copa das Copas...

O tempo foi passando rápido e o passe final, certo, não vinha. As defesas levavam tranquila vantagem diante dos atacantes. Viria a prorrogação...

Desta vez foi Loew quem adiantou seu time. Retomava o controle da partida. Göetze deixou Schürrle livre diante de Romero. O chute saiu forte, mas em cima do goleiro argentino, que salvou.

A Argentina, matreira, buscava os contragolpes. A resposta veio de forma incrível. Palacios recebeu lançamento espetacular de Rojo, na cara de Neuer. Mas tremeu diante do goleiro alemão, batendo de canela para fora.

Schweinsteiger começou a correr na prorrogação e foi quem mais apanhou dos argentinos. Chetou a levar uma cotovelada maldosa de Agüero. Se o italiano Nicola Rizzoli não quisesse manter todos em campo, o havia expulsado.

Todos começavam a ter certeza dos pênaltis. Foi quando Götze que entrou no lugar de Klose roubou a cena. Aos sete minutos do segundo tempo da prorrogação, ele fez história. Schürrle cruza da esquerda. Ele mata a bola no peito e não a deixa cair. Marca um golaço. Digno de final de Copa do Mundo: 1 a 0, Alemanha.

Iluminado, o garoto de 22 anos fez justiça ao trabalho, ao planejamento sério. O título é uma lição a José Maria Marin, Luiz Felipe Scolari e Parreira. O 7 a 1 já mostra a diferença entre as duas filosofias de encarar o esporte de elite.

O futebol moderno não tolera mais improviso. A Copa do Mundo no Brasil é de quem mais trabalhou com competência. Ninguém tem coragem de questionar a Alemanha...

(E pela primeira vez em uma Copa do Mundo, a autoridade que entregou a taça ao time campeão foi xingada. Dilma passou outra vez vergonha com as vaias. O coro no Maracanã foi cruel, desrespeitoso, constrangedor...)
1efe1 Lição para o Brasil. O tetra alemão começou a ser construído em 2006. Foi concretizado hoje, aqui no Maracanã, com um gol espetacular de Götze. Messi e sua Argentina choram o vice na Copa das Copas...

Novatos finalmente admitem. A imaturidade pesou. Não suportaram o peso de disputar a primeira Copa de suas vidas. Não com a obrigação de serem campeões do mundo em casa…

1afp17 Novatos finalmente admitem. A imaturidade pesou. Não suportaram o peso de disputar a primeira Copa de suas vidas. Não com a obrigação de serem campeões do mundo em casa...
Maracanã...

"O Brasil não pode e não vai queimar a nossa geração. Fomos mal, mas talvez tenha pesado a imaturidade. Nós tentamos. Fizemos tudo o que pudemos. Mas a Copa do Mundo é uma competição diferente de tudo. É muito intensa.

Ainda mais jogando em casa, com a obrigação de vencer. Acho que pecamos porque muita gente aqui nunca tinha disputado uma Copa. É injusto massacrar o Felipão."

A confissão foi de Oscar, na saída do vestiário. Ele estava muito irritado. Havia sido cobrado pelo grupo por ter chorado na goleada por 7 a 1 contra a Alemanha.

Ele saia do vestiário arrastando bonés, camisetas da Calvin Klein, empresa que o patrocina. Ele pretendia, mas não houve clima para distribuir peças aos seus companheiros. Não depois de mais uma derrota para a Holanda.

"Nós, mais jovens, conversamos muito sobre essa história de primeira Copa. A imaturidade é algo que não podemos negar. Chegamos verdes para uma disputa tão importante. Não adianta as pessoas conversarem, tentar explicar.

Quando tudo começa acaba te levando. A maior lição que fica para 2018? Estar preparado para o peso de uma derrota. Era algo que afetou demais o nosso grupo", revela Willian.

Luiz Felipe Scolari havia dito para Marin esse lado da imaturo brasileiro. A Copa de 2014 não era para ser a de Neymar, Oscar, David Luiz. Não. Era para ser de Kaká, Robinho, Ronaldinho Gaúcho. Jogadores veteranos em Mundiais e que serviriam de escudo para os garotos. Só que eles não conseguiram se manter em alta competitividade.

Foram convocados 17 atletas que só haviam visto a Copa do Mundo pela televisão. "Isso tem muito peso. A Copa do Mundo é algo que mexe demais com o emocional do atleta. Passei por sensações que nunca tinha tido.

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Os jogos não são só importantes. Entram para a história. Sabe o que é isso? Não vou negar que aquele 7 a 1 abalou o nosso grupo. Foi duro demais", confessou Hulk, mostrando que todos os seus músculos não adiantaram nada diante da angústia de não levar o Brasil à disputa da final.

"Tudo tinha perdido um pouco do sentido. Nós estávamos condicionados para sairmos campeões do mundo. Dar alegria ao nosso país tão sofrido. O baque realmente talvez tenha sido forte demais. Os 7 a 1 pesaram. Mexeram com o grupo. A derrota para a Holanda foi apenas um triste reflexo. Não conseguimos nos recuperar", admitia David Luiz.

Apesar de novato em Copa, ele se tornou líder da equipe. O gesto de pedir desculpas após os 7 a 1 não foi bom para o grupo. Mostrou depois das lágrimas, atletas inseguros, sem a convicção do que faziam em campo.

Neymar era a referência técnica. Quando Zuñiga acertou a joelhada na sua vértebra, feriu de morte a confiança do time de Felipão. "Foi algo totalmente inesperado. Nosso grupo sempre foi muito forte. Mas perder Neymar, da maneira que foi, acabou mudando a nossa maneira de competir", admite Fernandinho.

"Nunca ninguém vai poder falar que faltou luta, disposição, entrega. Não tivemos experiência. E isso sempre terá um peso. Não há como negar", reconhece o também novato Paulinho.

Neymar conversou com os jogadores no vestiário. A despedida do grupo que disputou a Copa do Mundo foi mais raivosa do que emotiva. A geração não quer ficar marcada apenas por ter sofrido a pior goleada da história do Brasil em todos os mundiais. E fizeram um pacto para que não trocarem acusações e preservar de todas as maneiras Felipão.

Se depender do jogador mais talentoso, Neymar, ele deseja a permanência do técnico. A postura professoral e quase paternal de Luiz Felipe ainda reflete nos novatos no elenco.

"Nós tivemos a sorte de ter o Felipão para nos mostrar como se disputa uma Copa. Ele foi campeão em 2002. Nos deu toda a sua força. Se não conseguirmos ir além foi coisa do futebol. O trabalho foi muito bem feito", avalia Neymar.

 Novatos finalmente admitem. A imaturidade pesou. Não suportaram o peso de disputar a primeira Copa de suas vidas. Não com a obrigação de serem campeões do mundo em casa...

"Quem tiver a coragem de jogar a culpa no Felipão está muito enganado. Há duas Copas o Brasil não chegava nas semifinais. Ele nos conduziu para ganharmos fácil a Copa das Confederações. Não tem culpa se o nosso time era um pouco imaturo. Técnico nenhum iria resolver isso", aposta Luiz Gustavo.

O incrível é que antes da eliminação todos os novatos negavam o óbvio. Diziam que não sentiriam problema algum. Eram atletas da elite do futebol europeu. Haviam ganho a Copa das Confederações. Mas bastou a bola rolar e muitos sentiram na pele toda a tensão. E se encolheram. Não souberam reagir à pressão da obrigação de ser campeões do mundo como anfitriões.

"Não se pode cobrar os garotos do Brasil. Copa é assim mesmo. Pegaram um time terrível que é a Alemanha. Chegaram abatidos contra nós. Com certeza uma derrota por 7 a 1 pesa mais do que sair da disputa nos pênaltis. Mas em 2018 eles vão chegar melhor", aposta o holandês Robben.

Resta saber quais desses novatos terão nova chance em 2018. Copa do Mundo é uma competição especial demais. Ainda mais quando o grupo sofre a pior das derrotas. Resta sabem quais estarão entre os convocados de 2018. E, mais importante, quem os comandará...
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Pressionado pelos aliados, governo federal e Globo, Marin decidiu. Vai tomar a Seleção Brasileira de Felipão. A demissão acontecerá nos próximos dias. Só falta escolher quem será o novo técnico…

1ap13 Pressionado pelos aliados, governo federal e Globo, Marin decidiu. Vai tomar a Seleção Brasileira de Felipão. A demissão acontecerá nos próximos dias. Só falta escolher quem será o novo técnico...
Rio de Janeiro...

José Maria Marin nasceu e morrerá político. Ele procura fazer o que a opinião pública deseja. Sabe que assim continuará poderoso. Esse foi o seu mote de vida. Por isso, Felipão será demitido e sua Comissão Técnica dissolvida. A decisão será anunciada o mais rápido possível para evitar desgaste maior para o presidente da CBF.

Marin foi muito volúvel. Ele havia perdoado Felipão depois do maior vexame da história da Seleção Brasileira: a derrota por 7 a 1 para a Alemanha. Mas desejava preservar Felipão. Fez o possível para acreditar na versão do apagão de seis minutos, quando o Brasil tomou quatro seguidos gols dos germânicos.

O dirigente deu mais uma chance para Felipão: o jogo contra a Holanda. A vitória era obrigatória. Ou ao menos que não acontecesse novo vexame. O treinador sabia disso. Tanto que mudou profundamente o time. E outra vez colocou atletas que nunca jogaram juntos. Derrota por 3 a 0. O time tomou dez gols e marcou um nas suas duas partidas decisivas da Copa do Mundo.

"A situação ficou insustentável", virou senha no final da noite. Vários presidente de federações ligaram para Marin. E ouviram a mesma resposta. O fracasso foi insuportável. Maior do que o presidente da CBF possa contornar.

Dois jogos serviram para desestabilizar a frágil ligação entre CBF e governo federal. Dilma e Aldo Rebelo falam em 'intervenção branca' na entidade que controla o futebol no Brasil.

 Pressionado pelos aliados, governo federal e Globo, Marin decidiu. Vai tomar a Seleção Brasileira de Felipão. A demissão acontecerá nos próximos dias. Só falta escolher quem será o novo técnico...

Marin também sente abalada toda a aproximação da Globo. A parceira da CBF na Copa do Mundo ficou revoltada com o fraquíssimo resultado da Seleção. Futebol é business. Há a certeza de que o público ficará de ressaca e não terá o mínimo interesse no Campeonato Brasileiro. A conquista da Copa ou ao menos um final de Mundial digno da Seleção seria um excelente incentivo. O fracasso do time de Felipão foi um enorme desestímulo.

A queda de audiência é constante. Nos últimos dez anos fugiram nada menos do que 28% de público na TV. É aguardado um grande baque com a frustrante participação do Brasil.

Marin sabe que o clima é de recomeço. Mas o primeiro passo será a demissão de Felipão. Para não ficar desmoralizante, o presidente da CBF dirá que o treinador colocou o cargo à disposição, como seria combinado depois da Copa. O presidente revelará que aceitou.

Scolari gostaria mesmo de continuar. Ele usa a defesa mais fácil. A Copa das Confederações e o fato de o Brasil em 2006 e 2010 não chegar nem para a semifinal. Essa argumentação seria excelente na Bélgica, por exemplo. Não na seleção pentacampeã.

Felipão apela para velhas desculpas que o árbitro não marcou pênaltis para o Brasil. Diz que o time jogou bem. Está triste, mas consciente que o 'trabalho foi bem feito'. Para Marco Polo, seu maior defensor, já disse o quanto é jovem essa geração. E que teria de tentar amadurecê-la durante a Copa. Alegou que a contusão de Neymar foi algo inesperado. E que travou o seu trabalho.

O técnico gostaria de levar à frente na reformulação da Seleção. Mas as vaias que ele tomou no Mané Garrincha desestimularam Marin. Somadas às críticas unânimes da imprensa. O dirigente está disposto a dar a cabeça de Felipão ao sacrifício.

Agora quem deve comandar a Seleção? Marin não tem mais certeza de nada. Antes não queria um treinador estrangeiro. Mas suas convicções mudam como o vento. O português José Mourinho ganha força. Pelo choque cultural ser menor. Mas ele tem contrato com multa altíssima com o Chelsea.

Representantes do argentino Jorge Sampaoli se agitam. Não seria tão difícil fazer com que largasse o Chile. Alejandro Sabella deixará a Argentina após a final de hoje contra a Alemanha.

No mercado nacional, Tite continua esperando sua chance. O próprio Muricy aponta que a vez deveria ser do ex-treinador corintiano. A atrapalhar Adenor, sua ligação com Andrés Sanches, inimigo mortal de Marin e Marco Polo.

Ante do segundo passo, o primeiro: tirar a Seleção de Felipão e Parreira. Isso deverá acontecer nas próximas horas. A pressão está enorme. Ou como mandou espalhar Marin: "a situação ficou insustentável..."

(A TV Globo não está bombardeando mostrando Marcelo, Neymar e Hulk orientando os jogadores durante a partida contra a Holanda por acaso. Quer detonar qualquer possibilidade de Felipão continuar.

Esse é a recompensa que ele ganha por ter aberto a concentração para Luciano Hulk, Mumuzinho do Esquenta! e ter dado notícias exclusivas para Patricia Poeta. Que fique a lição...
1cbf5 Pressionado pelos aliados, governo federal e Globo, Marin decidiu. Vai tomar a Seleção Brasileira de Felipão. A demissão acontecerá nos próximos dias. Só falta escolher quem será o novo técnico...

Chega! Derrotas contra Alemanha e Holanda mostram que o Brasil precisa de uma revolução. Quarto lugar mostra o quanto a Seleção precisa de um treinador moderno, estrangeiro. Mourinho, Guardiola, Marin que acorde para a vida…

1reuters4 Chega! Derrotas contra Alemanha e Holanda mostram que o Brasil precisa de uma revolução. Quarto lugar mostra o quanto a Seleção precisa de um treinador moderno, estrangeiro. Mourinho, Guardiola, Marin que acorde para a vida...
Brasília...

Nada do título prometido por Felipão e Parreira. Nem mesmo o terceiro lugar. A Holanda não teve dificuldades para vencer a Seleção por 3 a 0. Foi a vitória da organização contra o improviso.

Mais do que o resultado em si, fica clara a necessidade de uma revolução. Neymar disfarçou muita coisa. A contratação de um treinador moderno que saiba explorar o poder da estratégia. Felipão precisa se demitir para o bem do futebol brasileiro.

Infelizmente, ele não vive no Brasil. O futebol mais moderno do mundo está na Europa. Não é possível ficar esperando um lance individual para vencer duas linhas de quatro jogadores. São oito jogadores fechando as intermediárias. Contra um time sem noção do que acontece. Com atletas que dariam a alma. Mas muito mal orientados.

Ou o Brasil entra para a modernidade ou continuará com excelentes jogadores, mas dando vexames nas Copas do Mundo. Marin precisa ter coragem de buscar o novo. E ele não está tem nacionalidade brasileira, infelizmente. É hora de acabar com o preconceito.

Para a seleção pentacampeã do mundo, um treinador dos mais talentosos, modernos do planeta. Guardiola, Mourinho, Jürgen Klopp. Não é possível pensar que tudo mudará com Tite, Muricy, Abel Braga, Felipão.

Felipão finalmente acordou. Depois da derrota por 7 a 1 para a Alemanha, precisava fazer alguma coisa. Fez.

Desmontou, finalmente, o esquema tático de mais de um ano -- que os adversários decoraram. E colocou o Brasil no 4-5-1. Esquema absolutamente defensivo. Como deveria ter feito contra a Alemanha. Mas faltava o elementar: treinar de verdade. Só conversando não funciona. É trágico.

A intenção era travar o leve meio de campo holandês. Tirou do time Fred e Hulk. Não confirmou Bernard, titular no Mineirão. Assim como Fernandinho voltou à reserva. Seu novo time: Júlio, Maicon, Thiago Silva, David Luiz e Maxwell; Luiz Gustavo, Paulinho, Ramires, Oscar e Willian; Jô.

A principal troca era a entrada de Maxwell. A sua função era marcar o canhoto Robben que atua na ponta direita holandesa. Marcelo começaria no banco de reservas.

Neymar decidiu ficar com elenco até o final. Mesmo com a fratura na vértebra ficaria no banco de reservas, ao lado do time.

Fred finalmente deixou o time. Logo se espalhou que teria sido um pedido de José Maria Marin. Mas na verdade Felipão já queria tirar o jogador. Se cansou depois da sexta fraquíssima atuação do atacante contra a Alemanha. Fred nunca poderá reclamar de falta de oportunidade.

Com a volta de Thiago Silva, David Luiz voltaria a atuar onde sabe jogar, no setor esquerdo. Por causa de Dante atuou na esquerda e foi um desastre.

As alterações estavam corretas. Mas o absurdo era que a equipe nunca havia feito sequer um treinamento junta. Teoricamente estaria mais compacta, só que treinamento é fundamental no futebol.

Logo foi possível perceber isso. A um minuto de jogo, Van Persie lançou Robben, ele invadia a área quando foi seguro por Thiago Silva. O árbitro Djamel Haimoud marcou pênalti. As câmeras mostraram que ele estava fora da área. O juiz errou outra vez ao dar apenas amarelo ao brasileiro, último homem da defesa. Deveria expulsá-lo.

Van Persie não deu chance a Júlio César. Cobrou bem demais. 1 a 0 Holanda, aos dois minutos de jogo. Frio na espinha generalizado. Viria outra goleada? Afinal, era o 12ª sofrido pela pior defesa da Copa.

A Holanda de Van Gaal entrou estruturada, organizada. 4-4-2 quando atacada. Com as duas linhas de quatro. Matando o prevísivel toque de bola brasileiro.

Ao retomar a bola, era um inferno. Com o time descendo com até quatro atacantes. Com muita velocidade. E sem seu grande armador Sneidjer. Ele sentiu uma contratura na coxa durante o aquecimento.

O Brasil não time entrosamento, potencia para conseguir se impor. A tática dos holandeses era cruel. Van Gaal recuou sua equipe para a intermediária. Seus jogadores de meio de campo recuperavam a bola de frente. Viam os buracos do improvisado time brasileiro.

E logo viria o segundo gol. De Guzmán, impedido, cruzou e David Luiz falhou feio. Em vez de cabecear a bola para escanteio, decidiu jogá-la para o meio da área. Presente de Natal antecipado para Blind, livre. Ele dominou a bola e chutou fortíssimo, sem chance para Júlio César. Em 15 minutos, 2 a 0 Holanda! 13º gol sofrido. Inaceitável.

O Brasil não tinha como escapar da marcação holandesa. Era a diferença de uma equipe montada às pressas contra outra com quatro anos. O Brasil se mostrava desesperado. Corria muito. Mas não tinha o mínimo de consciência tática.

Só levava perigo na bola parada. Aí era um empurra empurra danado. Vlaar segurou David Luiz pela camisa duas vezes. Pênaltis não marcados. Mas puro fruto de uma briga por espaço entre jogadores. E não por treinos.

Depois do segundo gol, o Brasil se sentiu obrigado a atacar. Tentar ao menos descontar o placar. Mas batia de frente com dois muros. Era de novo a importância da tática contra a disposição. Oscar tentava assumir a responsabilidade, articular o time. Mas não conseguia. Acabava engolido pelo sistema.

Era outra demonstração ao mundo o quanto o Brasil está atrasado taticamente. Há a necessidade de um choque de gestão. A chegada de um treinador estrangeiro. As grandes seleções jogam um futebol diferente. Preenchem os espaços, sabem o que fazem.

No segundo tempo, a Holanda se contentou em marcar. Deixou os brasileiros desesperados, sem neurônios, se debatendo diante da marcação. O time lutava muito, corria, lutava, mas não sabia o que fazer. Felipão trocou Luiz Gustavo por Fernadinho. E logo entrou Hernanes na vaga de Paulinho.

Mas o panorama não. O time lutava empurrado pela desesperada torcida no Mané Garrincha. Só que não conseguia produzir. O máximo que fazia era tentar simular pênaltis. Faltava triangulações pelas laterais. Troca de posições no ataque. Jogadores atacando em bloco. Parecia uma equipe dos anos 90 contra uma de 2014.

Foi assim durante os últimos 45 minutos. O Brasil correndo sem noção. Contra um time muito bem postado. Buscando apenas contragolpes. Sentindo que havia vencido o jogo. Robben sozinho segurava a defesa brasileira inteira. Sofreu pênalti de Fernandinho que o árbitro fingiu não ver.

Mas o gol final final viria no final. Janmaat cruzou e Wijnaldum marcou 3 a 0. Sacramentou a justíssima vitória holandesa, que ficou com a terceira colocação. Sem esforço. Foi o 14º gol sofrido pelo Brasil em sete partidas. Inadmissível.

O Brasil conseguiu ser muito pior do que na Copa de 1950. Termina em quarto lugar sua Copa do Mundo disputada em casa em 2014. Mais do que isso. Os jogos serviram como um grande espelho. Refletiu o atraso dos nossos treinadores. A hora é de buscar os mais modernos. E eles vivem em outro continente, na Europa...
1afp16 Chega! Derrotas contra Alemanha e Holanda mostram que o Brasil precisa de uma revolução. Quarto lugar mostra o quanto a Seleção precisa de um treinador moderno, estrangeiro. Mourinho, Guardiola, Marin que acorde para a vida...

A prisão de Sininho, hoje, é simbólica. O governo não tolerará manifestações no final da Copa. Dilma entregará a taça no Maracanã e não quer a imagem do país arranhada. Custe o que custar…

1reproducao7 1024x576 A prisão de Sininho, hoje, é simbólica. O governo não tolerará manifestações no final da Copa. Dilma entregará a taça no Maracanã e não quer a imagem do país arranhada. Custe o que custar...
Brasília...

A prisão de Elisa Quadros Pinto Sanzi hoje pela manhã, em Porto Alegre, foi simbólica. Sininho ficou conhecida no Brasil todo em 2013. Era uma das líderes dos manifestantes contra a Copa do Mundo.

Ela comprou por telefone fogos de artifício para um grande protesto que pretendia organizar em frente ao Maracanã amanhã. Ela e mais 15 ativistas black blocs tiveram suas prisões decretadas pela 27ª Vara Criminal do Rio.

Sininho estava sendo monitorada pela Polícia Federal desde o ano passado. Aos 28 anos, ela havia participado de atos de vandalismo no Rio. Acabou presa na casa do namorado em Porto Alegre.

Além dela, a Polícia Federal deteve líderes ativistas em vários estados do Brasil nesta última semana. Em Belo Horizonte, em São Paulo. A ordem é do Planalto Central. Evitar ao máximo que atoa de vandalismo aconteçam amanhã na final da Copa.

A ordem governamental é preservar a imagem do Brasil no Exterior de qualquer maneira. Não é por acaso que foram investidos R$ 2 bilhões na segurança deste Mundial. Exército, Marinho, Aeronáutica, PMs e soldados da Força Especial estarão nas cercanias do Maracanã. E várias barreiras serão feitas pelos policiais até o estádio.

A grande mudança em relação á apatia nas manifestações no ano passado é simples. A ordem é enquadrar quem danificar o patrimônio público como vândalo. E ponto final. A ação será ativa.

Principalmente com a confirmação da participação da presidente Dilma entregando a taça ao campeão do mundo. A presidente declarou que não tem medo de vaias e nem xingamentos no Maracanã, como teve de suportar no Itaquerão.

1divulgacao1 A prisão de Sininho, hoje, é simbólica. O governo não tolerará manifestações no final da Copa. Dilma entregará a taça no Maracanã e não quer a imagem do país arranhada. Custe o que custar...

“Quem compareceu aos estádios, isso não podemos deixar de considerar, foi quem tinha poder aquisitivo pra pagar o preço dos ingressos da Fifa. E aí dominantemente uma elite branca, em alguns casos, 80%, 90%, eram dominantemente elite branca."

Dilma falou à GloboNews. Declarou com uma firmeza espantosa. Ela já foi avisada que a empolgação da torcida campeã deverá ser maior do que a determinação dos brasileiros no estádio em vaiá-la, xingá-la.

A revista aos torcedores que forem ao Maracanã será a mais rigorosa de toda a Copa. Policiais vão tentar de todas as maneiras evitar faixas, bandeiras de protesto contra o governo. A Fifa também promete virar de cabeça para baixo todos que participação da festa de encerramento. Nos contratos dos bailarinos e pessoas que farão as coreografias no fim da Copa há um item pesado. Quem protestar será processado criminalmente por sabotar a festa.

A divulgação da prisão de Sininho está sendo intensa pela Polícia Federal. É um aviso aos que tentarem protestar amanhã. A postura dos policiais será firme como nunca foi.

Circula na Internet esse perfil de Elisa feito pelos repórteres Sérgio Ramalho e Rubem Berta do site globo.com.

(...)Sininho acumula fichas na polícia desde o início das manifestações, em junho do ano passado. A última delas aconteceu em 19 de janeiro, quando foi levada à 5ª DP (Mem de Sá) sob acusação de ter chamado de “macaco” um policial militar durante discussão na Lapa. Antes desse episódio, onde acabou indiciada por desacato e foi liberada, Sininho já havia sido presa outras duas vezes por formação de quadrilha.

A ativista é natural de Porto Alegre e afirmou, ao ser presa em 2013, que não trabalhava. Mesmo assim tem dois endereços no Rio: um em Copacabana e outro no Rio Comprido. A Polícia Civil também descobriu que possui duas carteiras de identidade, com números diferentes. (...)"

Todos os demais líderes dos manifestantes, em todo o país, estão sendo monitorados pela Polícia Federal. Não terão como participar dos protestos. A ordem é para os policiais não titubearem. E se precisar, prendê-los preventivamente. E soltar, no mínimo, segunda-feira, quando a Copa do Mundo fizer parte do passado...
2ae4 1024x695 A prisão de Sininho, hoje, é simbólica. O governo não tolerará manifestações no final da Copa. Dilma entregará a taça no Maracanã e não quer a imagem do país arranhada. Custe o que custar...

Andrés Sanchez sabota qualquer chance de Tite assumir a Seleção. Marin e Marco Polo não querem o ‘treinador de Andrés’. E cruzam os dedos para que o Brasil vença a Holanda. Para continuarem com Felipão…

1ae7 Andrés Sanchez sabota qualquer chance de Tite assumir a Seleção. Marin e Marco Polo não querem o treinador de Andrés. E cruzam os dedos para que o Brasil vença a Holanda. Para continuarem com Felipão...
Brasília...

Em Porto Alegre, Gilmar Veloz tenta uma última cartada para colocar Tite na Seleção Brasileira. Diz a repórteres que ele tem três propostas para comandar países diferentes. E assim que acabar a Copa do Mundo, o treinador irá aceitar uma delas.

Japão e outros dois países europeus gostariam de ter o ex-treinador do Corinthians, de acordo com Veloz. O recado já chegou aos ouvidos dos assessores de José Maria Marin e Marco Polo del Nero. Mas não teve o efeito esperado.

Muito pelo contrário, até. Tudo que a dupla deseja é continuar com Felipão. Esperar que o Brasil não dê vexame hoje no Mané Garrincha. Encontre forças para ganhar da Holanda, conseguir o terceiro lugar e siga pelo menos até o final do mandato de Marin. O dirigente pode sair em abril de 2015 ou antecipar sua despedida para dezembro.

A rejeição a Tite é profundamente ligada a Andrés Sanchez. Marin e Marco Polo sabem muito bem sua intenção. Ela foi revelada com todas as palavras ao jornal suíço suíço Neue Zürcher Zeitung.

"Se os clubes ficam fortes, quebra o sistema. As federações sabem que vou romper com isso. Eu quebrei o Clube dos 13 e por isso saiu de R$ 20 milhões para R$ 100 milhões de tevê. Eu posso ser o presidente do Corinthians em 2018. Vou ser e vou quebrar todo esse sistema da CBF. Vou! Em 2018! Daqui quatro anos.

"Gobbi sai no fim do ano, entra outro e depois venho eu. Se eu entrasse hoje na CBF, faria composição para federações e clubes trabalharem juntos, mas não quiseram. Então vai ser na marra! Os clubes vão se revoltar, serão independentes e criarão uma liga."

Andrés esqueceu de como o mundo está globalizado. Sua entrevista não era para vazar. Marin, Marco Polo e presidentes de federações estão articulados. Não querem ser destroçados como foi o Clube dos 13 pelo presidente corintiano. E se articulam junto à bancada da Bola. Também para evitar qualquer tipo de intervenção governamental após o fracasso da Seleção na Copa do Mundo.

 Andrés Sanchez sabota qualquer chance de Tite assumir a Seleção. Marin e Marco Polo não querem o treinador de Andrés. E cruzam os dedos para que o Brasil vença a Holanda. Para continuarem com Felipão...

Dentro desse quadro fica inviabilizada a candidatura de Tite ao cargo de técnico do Brasil. Por mais que Veloz tente afirmar que não há mais ligação alguma entre ele e Andrés. A cúpula da CBF sabe que não é assim. A relação dos dois sempre foi muito próxima, de total confiança, cumplicidade.

Sem intenção ou não, o ex-presidente corintiano sabota qualquer chance do técnico.

"Não indicaria nenhum amigo meu para essa gelada. Assumir a seleção é gelada. Eu espero que o Tite não assuma. O Marco Polo pode mudar de ideia a qualquer momento e vai tirá-lo de la. Ele cisma e manda embora, como fez com Mano Menezes", disse Andrés à ESPN.

Marin e Marco Polo usam a imprensa para mostrar o que pensam. O atual presidente da CBF é mais matreiro. Não quer se comprometer publicamente com Felipão antes do esvaziado jogo de hoje aqui em Brasília.

"Agora não é hora de falar do futuro. Depois da Copa a gente fala", repete, fugindo dos jornalistas. Raposa escaldada. A derrota por 7 a 1 foi pesada demais para a Alemanha. Por isso não quer se comprometer com Felipão, o Brasil for outra vez humilhado. Quer a continuidade do treinador, mas vai esperar o resultado da partida.

Já Marco Polo está mais preocupado com a filosofia, com a confiança que Felipão lhe passa. Por isso briga por sua permanência, até em caso de nova derrota. Para ele, o problema da seleção é o grupo, muito imaturo. Não o treinador.

3ae1 Andrés Sanchez sabota qualquer chance de Tite assumir a Seleção. Marin e Marco Polo não querem o treinador de Andrés. E cruzam os dedos para que o Brasil vença a Holanda. Para continuarem com Felipão...

O Brasil terá de jogar bem para tentar ter a torcida do seu lado. Brasília está completamente desmobilizada para esse jogo. É como se a Copa já tivesse acabado. Lojas tiraram envergonhadas as camisas da Seleção das vitrines. O verde e amarelo já não predominam nos shoppings.

Nada de buzinaço à noite. O bilonário estádio Mané Garrincha não tinha torcedores ao seu redor ontem, véspera do jogo. Bem ao contrário do que aconteceu na fase de classificação contra Camarões. Não havia cambistas, ambulantes, nada.

Hotéis tiveram inúmeras desistências. Não há invasão de torcedores brasileiros. E muito menos holandeses. Pela primeira vez nesta Copa há a perspectiva de lugares vazios nas arquibancadas em um confronto entre duas seleções tradicionais, importantes.

O clima era constrangedor também na sala de imprensa. Cerca de 70% dos jornalistas que trabalhar na partida diante de Camarões não vieram para a decisão do terceiro lugar. A organização da Fifa abriu mão até de distribuir as concorridas entradas para as coletivas do Brasil e Holanda.

É tão pouca gente que, quem quiser, pode entrar. E mesmo assim, sobrará lugares vazios. O clima de partida desnecessária, dita por Van Gaal, prevalece. Para a imprensa internacional por causa do tamanho do Brasil foi melhor economizar e ir direto ao Rio para a final de amanhã.

A desilusão dos torcedores brasilienses é assustadora. Pelas ruas a ausência da camisa amarela da Seleção dá o tom. Os torcedores realmente compraram a ideia de Felipão e de Parreria que o título seria do Brasil. E não aceitam a compensação da disputa pelo terceiro lugar.

Como os patrocinadores, que tiraram imediatamente do ar na televisão, suas caras propagandas com modelos e crianças vestindo verde e amarelo. Há um sentimento de rejeição à Seleção, maior por ser anfitriã e favorita à vencer a Copa.

A reconquista da empolgação com o time do Brasil será difícil, lento. Seja qual for o treinador. Felipão, Gallo, Muricy, Cuca, Abelão...Qualquer um, na avaliação de Marin e Marco Polo. Desde que não seja estrangeiro ou Tite, o 'técnico de Andrés Sanchez'...
2ae3 Andrés Sanchez sabota qualquer chance de Tite assumir a Seleção. Marin e Marco Polo não querem o treinador de Andrés. E cruzam os dedos para que o Brasil vença a Holanda. Para continuarem com Felipão...

Marco Polo pode se alegrar. Felipão quer continuar na Seleção. Acredita que não se pode ‘jogar tudo fora’ por uma fatalidade, a goleada para a Alemanha. Mas sabe : precisa ganhar da Holanda…

1vipcomm11 Marco Polo pode se alegrar. Felipão quer continuar na Seleção. Acredita que não se pode jogar tudo fora por uma fatalidade, a goleada para a Alemanha. Mas sabe : precisa ganhar da Holanda...
Brasília...

"Se o trabalho é bom não é uma fatalidade, um desastre que vai acabar com ele. "

Esse é o resumo do espírito de Felipão. Ele deixou claro na sua entrevista coletiva que ele quer seguir na Seleção Brasileira.

O técnico sabe que tem o apoio irrestrito do grupo de jogadores. E também do futuro presidente da CBF, Marco Polo del Nero. Marin, é mais político. Quer esperar o resultado da partia de amanhã contra a Holanda. Se a Seleção vencer, a chance de continuar é muito grande.

Felipão defende o seu trabalho com unhas e dentes.

"Não temos que nos envergonhar de nada. Temos que ver as coisas boas. Fizemos um bom trabalho com os jogadores. A derrota aconteceu por uma equipe que foi melhor qualificada.

A derrota ficou marcada, como ficou marcado o título da Copa das Confederações, como ficaram marcados os cinco títulos mundiais. Essa é a vida de quem vive do futebol. Encerra amanhã a primeira etapa do meu trabalho"

Esse foi o seu maior escorregão. "Primeira etapa." Ou seja, não falou que o seu trabalho será encerrado amanhã, como seria o esperado. Se existe uma 'primeira', há uma 'segunda'. Que pode ser preparar o time para a Copa América, as Eliminatórias. Coordenar a formação do time olímpico com Gallo comandando a equipe.

Futuro foi algo muito importante nesta conversa com os jornalistas. Ele sempre soube ter nas mãos um grupo imaturo, com 17 jogadores que nunca disputaram uma Copa do Mundo. Foram apenas seis que viveram essa experiência.

Pela Copa ser no Brasil, ele foi obrigado a dizer que seria ser campeão. Forçar a postura de um grupo imaturo. Agir como se estive pronto para algo que foi grande demais Prometer a conquista do hexacampeonato.

"O que eu poderia fazer? Não tinha como repetir que iríamos disputar para ficar entre os quatro como fiz em 2002. Se eu falo isso iria ficar fora do ar. Não tinha como. Mas esse é mais um dos motivos que me faz acreditar que o trabalho não foi ruim.

Estamos entre os quatro primeiros do mundo. E em 2018 deveremos ter pelo menos 60% dos jogadores que já atuaram em uma Copa. Isso fará enorme diferença."

Felipão só foi encurralado uma vez. Quando foi indagado se havia clima para continuar depois da pior derrota da história da Seleção Brasileira: 7 a 1 para a Alemanha.

2vipcomm5 Marco Polo pode se alegrar. Felipão quer continuar na Seleção. Acredita que não se pode jogar tudo fora por uma fatalidade, a goleada para a Alemanha. Mas sabe : precisa ganhar da Holanda...

"Eu não tenho de responder se tem clima ou não. Não vou discutir clima, principalmente com jornalista. Mas, como eu disse, nós recebemos um apoio nas ruas que foi muito maior do que imaginávamos. Podem acreditar que estamos dizendo a verdade."

Inacreditável ou não é verdade. Populares aplaudiram, saudaram a Seleção na saída de Teresópolis, aqui em Brasília. Os jogadores estão surpreendidos pelo apoio que receberam nas redes sociais.

Mas Felipão teve de revelar. A dor pelo 7 a 1 é maior do que a felicidade por ter sido campeão do Mundo. "Quanto anos eu vou viver? Mais uns 20, uns 50. Não, 50, não. Mas nesses próximos 20 vou pensar nessa derrota. Até o fim dos meus dias."

Felipão em conversa descontraída com o assessor de imprensa, Rodrigo Paiva, no gramado do Mané Garrincha, mostrou o que realmente pensa do jogo contra a Alemanha. Acredita piamente que tudo não passou de um desastre.

"Uma fatalidade não pode destruir um trabalho... Nunca mais, nem daqui a mil anos, cara. Eles foram sete vezes no primeiro tempo e fizeram cinco gols. Nos dez primeiros minutos do segundo tempo, se eu mostrar o teipe, nós criamos quatro chances de gol. Se nós tivéssemos acertado as quatro ia estar 5 a 4 em dez minutos? Isso é coisa de louco para pensar."

A conversa foi retransmitida para a sala de imprensa. O microfone do estádio que estava em teste, a registrou.

Se tem algo inato em Felipão é o seu instinto de sobrevivência. Sabe que precisa sim vencer o time Van Gaal. E tratou de valorizar ao máximo a partida que o rival classificou de inútil, desnecessária.

"A Holanda eliminou o Brasil na última Copa do Mundo. Além disso, quero lembrar do quanto foi bom para a Alemanha vencer a terceira colocação em casa. Deu a base para esse time que está nesta Copa do Mundo decidindo o título.

Não conseguimos o grande sonho. Mas podemos conseguir um pequeno sonho vencendo amanhã. Será um jogo difícil demais. Jogaremos contra o time que tem o melhor jogador desta Copa, o Robben. Não será nada fácil, mas precisamos e queremos vencer."

Felipão quer continuar com sua carreira. Embora com 65 anos e com situação financeira definida até do seu bisneto, ele não quer deixar a imagem de derrotado. Do homem inerte no banco de reserva enquanto a Seleção é goleada.

O programado é simples. Se o Brasil conseguir vencer os holandeses, ele deverá se reunir com Marin e Marco Polo na CBF na próxima semana. E definir sua permanência na Seleção.

Agora, se a Holanda vencer, tudo muda de figura. Felipão não teria amparo político para suportar a pressão. Seriam duas desilusões seguidas. Uma depois da maior goleada sofrida pelo Brasil em todos tempos. Aí, não teria como Marin e Marco Polo o salvarem.

Ou seja, quem já considerava Felipão morto, está muito enganado...
1reuters3 Marco Polo pode se alegrar. Felipão quer continuar na Seleção. Acredita que não se pode jogar tudo fora por uma fatalidade, a goleada para a Alemanha. Mas sabe : precisa ganhar da Holanda...

Brasil e Holanda será um teste para Felipão. Se a Seleção vencer e fugir do vexame, poderá continuar, se quiser. A cúpula da CBF já o perdoou pelos 7 a 1. Por não confiar nos demais treinadores brasileiros…

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Brasília...

O jogo de amanhã aqui no Mané Garrincha vale mais para Felipão do que para o Brasil. Ser terceiro ou quarto colocado pouco importa. O que 198 milhões de fanáticos sonhavam era com o título. E ele foi embora da maneira mais inacreditável e inédita. Nenhuma seleção na história foi goleada em uma semifinal de Copa por 7 a 1, como o time nacional diante da Alemanha.

Mas o que deveria ser irreversível, a queda de Felipão, pode mudar radicalmente. A tese da 'pane dos seis minutos' prevalecer. E ele continuar comandando a Seleção Brasileira depois da Copa. Pelo menos é esta a vontade de José Maria Marin, atual presidente da CBF, e do seu mentor e sucessor, Marco Polo del Nero.

Marin ontem se reuniu com Felipão na Granja Comary. Deu apoio e voto e confiança diante da goleada. O dirigente acredita que a inexperiência do grupo sabotou o trabalho de Felipão. Além do fator principal, a ausência de Neymar, contundido.

Depois de conversar com Felipão, Marin percebeu que os jogadores, principalmente Neymar, querem a permanência do treinador. Situação que conforta o presidente da CBF. Ele sonhava com a conquista do hexa e a permanência de Scolari. Pelo menos até o final de seu mandato, em dezembro.

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O Brasil fará entre cinco e seis amistosos até o final do ano. Já estão confirmados os jogos contra a Colômbia e Equador em Miami, em setembro. O presidente da CBF é um nacionalista convicto. Não quer nem pensar em um estrangeiro comandando o Brasil.

Não se anima com o atual cenário dos treinadores. Tite está livre e desesperado para suceder Felipão. Mas tem ligações profundas com Andrés Sanchez, inimigo número um da cúpula da CBF. Os demais nomes como Muricy, Abel Braga e Cuca também não fazem ninguém soltar fogos de artifício.

A favor de Felipão também está Marco Polo del Nero. O próximo presidente da CBF indicou o treinador para Marin. Conselheiro vitalício do Palmeiras, ele acredita que o técnico fez milagre ao conquistar a Copa do Brasil com o clube em 2012. O rebaixamento ele credita a erros infantis do ex-presidente Arnaldo Tirone que sabotaram o trabalho do treinador.

Em entrevista exclusiva ao Estado de S. Paulo, Marco Polo, confirmou o que já havia sido antecipado aqui no blog.

"Por mim, ele fica. O que aconteceu foi um erro tático. Esse foi o problema. Mas todos nós erramos. Isso acontece com qualquer um. O importante é que o trabalho foi bem feito. A campanha e a preparação foram boas. A base existe."

Preste atenção na primeira frase. "Por mim ele fica." O presidente da FPF administra a CBF em conjunto com Marin. Ou seja, fala pelos dois.

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A situação é clara. A partida de amanhã contra a Holanda é um teste para Felipão. Se ele conseguir evitar novo vexame, a vaga para seguir na Seleção será sua. Se quiser.

Por isso, hoje na Granja Comary, o treinador fez o que deveria ter feito contra a Alemanha. Esboçou uma equipe muito consistente no meio de campo.

Se o treinador não perdeu tempo à toa, tentando enganar a imprensa, o time que lutará pelo terceiro lugar e por seu emprego será Júlio César, Maicon, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho, Ramires, Willian e Oscar; Jô.

Até que enfim mudanças evidentes. Ele quebrou os laços emocionais com Fred. E com o sistema 4-2-3-1, que vem sendo usado há mais de um ano. Alterações mais do que necessárias.

Fred em péssima fase foi titular por seis partidas. Nada produziu. Preso entre os zagueiros, sem movimentação, incapaz de abrir espaços para os meias ou tentar uma tabela. Era como se o Brasil atuasse com um a menos.

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Felipão sabe que o forte da Holanda é sua movimentação constante no meio de campo. Como também atua a Alemanha. Ele optou por três volantes: Luiz Gustavo, Paulinho e Ramires. Tirou Fernandinho que se mostrou nervoso, perdido e improdutivo no Mineirão. O técnico acertadamente embolará as intermediárias.

Para que Oscar e Willian ocupem as laterais do campo, rifou da equipe Hulk. Só força física e baixar a cabeça não estavam ajudando em nada a Seleção. O jogador do Zenit era outro abalado emocionalmente com tanto questionamento sobre sua improdutividade.

Jô atuará isolado na frente. Felipão continua com o grave e ultrapassado defeito tático. Ele só sabe montar suas equipes com um atacante enfiado na zaga como referência. Acredita que vá segurar dois zagueiros. Isso é antigo demais. Basta que a zaga se antecipe a esse poste e ele perde a função.

O ideal seria ter ou dois jogadores de velocidade pelos lados. Ou nenhum atacante fixo, meias habilidosos e inteligentes que pudessem se revezar pelo setor durante o jogo. Para isso é necessário treinamento e mente aberta. Não há mais como ser refém de um esquema.

Mas o Brasil entrará muito mais forte com as alterações feitas por Felipão. E além disso, muito empolgado. Os jogadores querem salvar o cargo do treinador. Confiam plenamente nele. Vão se desdobrar, se matar em campo para que Scolari não seja demitido.

Felipão é um homem muito ligado à família. Sabe que ela foi muito atingida pela goleada por 7 a 1 para a Alemanha. Mesmo com todo o apoio do time, de Marin e de Marco Polo, não fica descartada uma outra possibilidade. Ele conseguir fazer o Brasil vencer a Holanda, conquistar o terceiro lugar. E anunciar que decidiu ir embora da Seleção.

Mas pelo menos iria de cabeça erguida, vitorioso. Com todos comprando a tese da 'pane dos seis minutos'. Seria ótimo para seguir trabalhando. Aos 65 anos, ele pretende disputar sua última Copa do Mundo em 2018.

Por isso há a certeza. O jogo de amanhã contra o time de Van Gaal pode não valer para muita gente. Mas será decisivo para o futuro da carreira de Felipão. E, lógico, para a abalada Seleção Brasileira...
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