A CBF ganha o apoio da organização da Copa América. A pressão é imensa sobre o frágil Comitê Disciplinar. A prioridade é liberar a estrela Neymar. Mesmo com o constrangedor vídeo em que chama Zúñiga de filho da p…

1reproducao25 A CBF ganha o apoio da organização da Copa América. A pressão é imensa sobre o frágil Comitê Disciplinar. A prioridade é liberar a estrela Neymar. Mesmo com o constrangedor vídeo em que chama Zúñiga de filho da p...
Em horas, o que era alegria passou a ser novamente constrangimento. A delegação brasileira estava animada na tarde de ontem, no Chile. Ela recebeu de maneira oficial a notificação que Neymar estava suspenso. Mas não como Dunga e toda a delegação esperava. Em vez de dois jogos, apenas um.

O brasileiro foi favorecido pelos organizadores da Copa América. Coube a eles definirem se teria um ou dois jogos de suspensão. No ultrapassado regulamento da competição não havia uma regra clara em relação a algo muito importante. Atleta que é suspenso por cartão amarelo e vermelho no mesmo jogo. Em vez das esperadas duas partidas de suspensão, uma só para Neymar, uma das maiores estrelas do torneio. Pagará só pelos dois amarelos seguidos.

Dunga ganhou motivos para acreditar que poderá contar com o jogador nas quartas-de-final. Basta o Brasil vencer a Venezuela no domingo. E logo no mata-mata, o capitão do time, o camisa 10 estará presente. Isso apesar do julgamento por parte da Comissão Disciplinar da Conmebol, pelo cartão vermelho.

3reproducao11 A CBF ganha o apoio da organização da Copa América. A pressão é imensa sobre o frágil Comitê Disciplinar. A prioridade é liberar a estrela Neymar. Mesmo com o constrangedor vídeo em que chama Zúñiga de filho da p...

A CBF alegará que ele foi provocado pelos jogadores colombianos. E até pelos bandeiras que o chamaram de 'piscineiro', por se atirar ao chão, simulando faltas. Pela tese do diretor jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, há muitos atenuantes. E ele tem certeza que o atacante pegará pena mínima, um só jogo. E a cumprirá contra a Venezuela. Ou tinha essa convicção.

O Canal + da Colômbia escalou um câmera só para acompanhar Neymar no jogo de quarta-feira. E registrou empurrões, provocações por parte do capitão brasileiro. Uma cena é absolutamente vexatória. Depois de trocar tapas com Camilo Zúñiga, o nariz do jogador do Barcelona começa a sangrar. Ele coloca o dedo no nariz e quando sente o sangue, chama o adversário. E apela para o idioma que usa na Espanha.

"Muchas gracias, luego me llamas para pedir perdón, hijo de puta. Hijo de puta!"

Não é preciso ser um especialista na língua do saudoso Gabriel Garcia Marquez. "Muito obrigado, Camilo. logo me telefona para pedir desculpas, filho da puta. Filho da puta!"

Neymar fez questão de não colocar a mão na frente da boca. Queria que seus palavrões fossem divulgados. É como se sentisse inatingível, imputável...

Portais do mundo todo já divulgam o vídeo. Esta é a imagem do capitão da Seleção. É assim que ele enfrenta os conflitos dentro do gramado. Agarrando, estapeando e xingando seus marcadores.

A referência que Neymar fez, quando pediu para telefonar, foi irônica. Quando Zúñiga tirou o atacante dos dois jogos finais Copa do Mundo de 2014, dando uma joelhada que fraturou uma vértebra do brasileiro, ele se ligou ao brasileiro. E pediu desculpas. Era a essa situação que Neymar se referia.

A postura do brasileiro foi muito criticada nos portais da Colômbia. E a cena servirá para embasar a defesa do colombiano Bacca, que também será julgado pelo Comitê Disciplinar da Conmebol. Ele deu um violento empurrão em Neymar. A alegação do atacante é que Neymar não é tão vítima. Pelo contrário. Além de xingar Zúñiga, deu uma bolada em Armero e ainda cabeçada em Murillo.

Vários marcadores já acusaram o brasileiro. Ele teria o costume de xingar, provocar, humilhar seus adversários. Até torcedores rivais Neymar não admite que o provoquem. Como aconteceu com um fã do Manchester City, que o chamou pelo velho apelido 'piscineiro'. Jogadores do Granada e de vários clubes europeus também.

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A Copa América mostra o quanto a justiça fica em segundo plano na América do Sul. Bacca foi covarde. Empurrou Neymar, muito mais franzino do que ele, por trás, sem defesa. Teria de pegar punição exemplar.

Mas o capitão da Seleção e o camisa 10, também. Seu comportamento infringiu qualquer código de conduta ética, disciplinar. Ele provocou a confusão deprimente depois do jogo de quarta-feira. Sua suspensão também deveria passar ao mundo que há lei entre os trópicos.

Só que a CBF e a Federação Colombiana de Futebol agem como irmãs siamesas. Pressionam o Comitê Disciplinar da Conmebol. Criado apenas em 2011, ainda está fragilizado, sem força. A possibilidade que tanto Neymar quanto Bacca peguem apenas uma partida é grande.

Os organizadores da Copa América também não querem ficar sem a segunda maior estrela do torneio. A primeira é Messi. Mas Neymar vem em segundo. Estando em todas as propagandas da competição.

A CBF brinca com a inteligência alheia. Diz que houve abuso de autoridade do juiz Enrique Osses, o bandeirinha Carlos Astroza e até mesmo o quarto árbitro Néstor Pitana. Todos teriam entrado em campo para desestabilizar, tirar a paz de espírito de Neymar. É vergonhosa essa postura.

Jornalistas que estão no Chile garantem que o lado político pesará no julgamento. Será enorme surpresa se Neymar ficar fora nas partidas eliminatórias, a partir das quartas de final. Lógico que, se o Brasil conseguir se classificar.

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Robinho, que rasgou a camisa de Bacca defendendo Neymar, está animado. Poderá ganhar entrar no lugar do parceiro contra a Venezuela. Deixaria assim sua maior função na Seleção durante a Copa América: tocar pandeiro.

O clima entre os jogadores e os repórteres que cobrem a Seleção no Chile está péssimo. Os atletas reclamam da falta de apoio da imprensa nacional. E que todos deveriam estar principalmente do lado de Neymar. É a velha questão já levantada na Copa do Mundo.

Vários atletas, liderados por Daniel Alves, acreditam que a função dos jornalistas brasileiros é defender a Seleção, não importando o que aconteça. O problema é que estão acostumados demais com assessoria de imprensa. Não percebem que a responsabilidade da imprensa é relatar o que acontece.

A primeira experiência de Neymar como capitão da Seleção em uma competição oficial está desastrosa. Falado à ESPN, Sônia Román, ex-psicóloga do jogador no Santos dá a receita. Para ela, o jogador deveria cobrar Dunga. E ter Robinho como parceiro no ataque. Que se esqueça de Tardelli e Firmino. É com o santista que ele se sente bem.

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"Ele está irritado, sente que precisa resolver, precisa fazer mais. Sozinho não vai conseguir. Precisa, literalmente, chamar na chincha. Não pode ser bobo do treinador. Já está na hora de parar com essa submissão ao técnico, ele não é cobrado como um jogador normal. O que o Robinho está fazendo no banco? Os dois juntos podem fazer mais, ele não pode ser o herói sozinho de uma seleção."

Sim, Sonia defende que além do comportamento arrogante, dos palavrões do egocêntrico de Neymar aos adversários, ele 'chame na chincha' Dunga. E exija Robinho ao seu lado entre os titulares. Ou seja, escale a Seleção. É só isso que faltava.

Mas ela falou mais. "Ninguém comete excessos à toa. Milhões de brasileiros em cima do menino não vai legar a lugar nenhum. Falta motivação aos outros dez, falta psicologia. Toda vez que ele é muito marcado, se irrita, não consegue resolver como sempre e se estressa. Talvez as questões da CBF extracampo estejam incomodando no ambiente." Para ela, a prisão do Marin e a investigação na CBF o têm atrapalhado.

Protegido, não é de estranhar as atitudes do capitão e camisa 10 do Brasil.

Neymar tem uma certeza na vida: está acima do bem e do mal...

Fracasso na Justiça sabotou o ambiente de Pato no São Paulo e deteriorou de vez a relação com o Corinthians. Apesar da ingratidão e revolta dos torcedores, realista, Aidar quer mantê-lo. Pelo menos até dezembro…

1reproducao24 Fracasso na Justiça sabotou o ambiente de Pato no São Paulo e deteriorou de vez a relação com o Corinthians. Apesar da ingratidão e revolta dos torcedores, realista, Aidar quer mantê lo. Pelo menos até dezembro...
Arcar com as consequências. É o que resta a Alexandre Pato. Deu errado seu plano de se livrar do Corinthians. E também do São Paulo. O jogador buscou a justiça para ficar livre nesta janela de transferências. Sem o ônus de ter de pagar 10 milhões de euros, R$ 34,6 milhões, a qualquer clube brasileiro, os interessados pagariam apenas luvas e salários ao atacante. Dessa maneira se tornaria atraente. Principalmente para a Inter de Milão, onde já havia contatos.

Mas deu tudo errado para o atacante. A justiça considerou que ele não foi prejudicado com os dez meses de direito de imagem que o Corinthians atrasou. E pagou dois dias depois do processo instaurado. A alegação é que o jogador havia vendido há muito tempo seus direitos de imagem a uma empresa que não tem ligação alguma.

Quanto às ameaças dos vândalos das organizadas corintianas, de quebrar suas pernas, foram desprezadas. O Corinthians não teria nada a ver com a situação. O São Paulo também foi processado por dever três meses de direito de imagem. O clube pagou, a questão está resolvida. A sentença final será dada em setembro, portanto depois da janela de transferência para a Europa fechada.

Pato terá de cumprir seu contrato de empréstimo ao São Paulo até dezembro. E ainda ficar até o final de 2016 no Corinthians. Assim decretou a lei.

A situação do jogador no Morumbi ficou péssima. E no Corinthians, muito pior.

Carlos Miguel Aidar sabe muito bem que o atacante desejava ir para a Europa. E, de maneira ingrata, virava as costas ao clube que o apoiou quando queria de qualquer maneira deixar o Corinthians. Ele traiu a confiança dos dirigentes são paulinos com o processo.

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Ele sabe o quanto a diretoria deseja negociar o veterano e caro Luís Fabiano. Juan Osório se mostrava disposto a apostar todas as fichas na sua fixação como titular. E apostando no potencial de artilheiro que via no atacante. Dando tudo certo, o São Paulo se preparava para tentar comprar seus direitos do Corinthians. Tudo isso ficou abalado com a postura do jogador.

No Corinthians o clima é de euforia. Se o clube perdesse na justiça Pato, por falta de pagamento, havia a certeza que outros atletas poderiam ir pelo mesmo caminho. Já que virou rotina o clube atrasar meses e meses de direito de imagem. E os salários passaram a ser pagos no limite. Como a legislação alega que, com 90 dias sem pagamento o atleta está livre do clube, o Corinthians passou a atrasar dois meses.

Esta situação constrangedora financeira vem do péssimo contrato com o Itaquerão. Todo o dinheiro gerado pela arrecadação está sendo drenado para o pagamento do estádio.

Os dirigentes corintianos sabem muito bem o que Pato comentou aos jogadores do São Paulo. Ele jurou que nunca mais atuaria pelo clube. Arrumaria uma maneira de ficar no Morumbi ou ir para a Europa. Mesmo tendo compromisso assinado até o final do ano. Ele se sentiu boicotado pelo elenco campeão mundial e da Libertadores. Tite deixou bem claro que não pediu sua contratação. E foi ameaçado pelos vândalos que invadiram o CT no ano passado.

A postura de Andrés Sanchez e Roberto de Andrade é ser a mais fria, calculista. O clube investiu R$ 43 milhões para tirá-lo do Milan. E precisa recuperar o máximo que puder da transação que consideram a pior de todos os tempos no Corinthians. Ambos adorariam vendê-lo já para a Europa, Arábia, China, Japão, Marte. Mas faltam interessados.

A tentativa de Pato em se livrar tanto do Corinthians como do São Paulo, acabou por unir as duas diretorias. Houve telefonemas entre os dirigentes. Eles seguiram pela mesma linha de raciocínio nas alegações para travar a saída do atleta.

1spfc Fracasso na Justiça sabotou o ambiente de Pato no São Paulo e deteriorou de vez a relação com o Corinthians. Apesar da ingratidão e revolta dos torcedores, realista, Aidar quer mantê lo. Pelo menos até dezembro...

Se o clube do Morumbi quiser ficar com o jogador até dezembro terá de pagar 10 milhões de euros, cerca R$ 34,6 milhões. Aidar já afirmou a companheiros de diretoria que não disponibilizará tanto dinheiro. Estava disposto a bancar entre seis e cinco milhões de euros. Parcelados. Ou talvez até colocar algum jogador como contrapeso. A atitude de Pato deixou tudo indefinido.

Carlos Miguel não quer desperdiçar ao menos o empréstimo do jogador. Osório acredita que ele será útil na missão de tentar ganhar o Brasileiro. Ou ficar com uma das quatro vagas para a Libertadores de 2016. Se ele for escalado contra o Avaí, completará sua sétima partida pelo clube no Campeonato Nacional. E não poderá sair para qualquer outra equipe brasileira. Como também estará sem a Europa, a sua postura será mergulhar de cabeça no São Paulo.

Pelas redes sociais, os torcedores são paulinos ficaram revoltados com o processo. Insistem pelo lado da ingratidão. Palavrões e ameaças são constantes. O jogador terá de se esforçar, dar o máximo para alterar essa situação. Afagos na camisa não serão suficientes.

É bastante provável que depois de uma conversa com Aidar e Osório, Pato dê uma entrevista. E se explique. Provavelmente dizendo que ele queria se livrar do Corinthians. Para ficar no São Paulo. E que o clube do Morumbi foi citado por força das circunstâncias, já que também devia dinheiro a ele.

3ae10 Fracasso na Justiça sabotou o ambiente de Pato no São Paulo e deteriorou de vez a relação com o Corinthians. Apesar da ingratidão e revolta dos torcedores, realista, Aidar quer mantê lo. Pelo menos até dezembro...

Alexandre Pato conseguiu várias façanhas. Não obteve a carta de alforria para voltar à Europa. Sua esperança de retorno a Milão, cidade que ama, não se concretizou. Os contatos com a Inter de Milão cessaram com a perda do processo.

Aumentou e muito o ódio que os dirigentes corintianos nutrem do jogador. E que está ligado umbilicalmente até dezembro de 2016. Ainda decepcionou a direção do São Paulo, revoltou os torcedores tricolores.

Rogério Ceni e Michel Bastos estão liderando um movimento de apoio ao atacante. São realistas. Já que não sairá, que tenha todo o apoio enquanto pertencer ao São Paulo. O relacionamento de Pato com seus companheiros no Morumbi é excelente. Com exceção de Luís Fabiano, ainda magoado. Entendeu que, quando Alexandre garantiu que não ficaria mais na reserva, teria sido um recado direto a ele.

A tendência é o São Paulo tentar amenizar a situação até dezembro. Depois decidir o que fazer.Dependendo do que fizer dentro do campo. Dentro desse cenário, algo continua certo. Pato não quer jogar de jeito algum no Corinthians. Os dirigentes o querem longe. Só rendendo pelo menos uma parte dos R$ 43 milhões que gastaram com o jogador midiático. Aquele que o departamento da Nike garantiu que seria o 'maior ídolo brasileiro'...
1ae18 Fracasso na Justiça sabotou o ambiente de Pato no São Paulo e deteriorou de vez a relação com o Corinthians. Apesar da ingratidão e revolta dos torcedores, realista, Aidar quer mantê lo. Pelo menos até dezembro...

Nem expulsão após o jogo fará Dunga cobrar Neymar. O técnico da Seleção se submete. Virou apenas mais um refém do egocêntrico camisa 10 e capitão do Brasil…

 Nem expulsão após o jogo fará Dunga cobrar Neymar. O técnico da Seleção se submete. Virou apenas mais um refém do egocêntrico camisa 10 e capitão do Brasil...
Dunga estava desempregado há dez meses. Em outubro de 2013 havia sido mandado embora do clube que é ídolo, o Internacional. Seu trabalho havia sido pífio. Sem propostas, trabalhou como comentarista na Copa de 2014 para a televisão do Catar, a Al Jazeera. Estava com contatos com clubes árabes, quando Marin e Marco Polo demitiram Felipão. E ofereceram ao treinador outra vez a Seleção Brasileira.

Ele não esperava pelo retorno. Mais do que a eliminação nas quartas de final contra a Holanda, o que havia pesado na Copa da África foi sua briga assumida com a TV Globo. Marin e Marco Polo perguntaram se ele voltaria a criar problemas, quatro anos depois. Dunga garantiu que não, havia amadurecido. Entendia melhor a relação com a imprensa. Percebeu que sua vingança contra o massacre que sofreu em 1990 se voltou contra ele. E estava pronto para trabalhar em paz.

Sabia que tinha a obrigação de reformular o time que havia humilhado o país, com seu ridículo rendimento na Copa do Mundo. Teria jovens bons jogadores e um excepcional. Apenas um. Neymar.

E sabia o quanto precisava do atacante do Barcelona. A camisa 10 ele já havia tomado de Oscar. E querendo seguir o caminho do seu companheiro Messi, Neymar desejava também a tarja de capitão. Assim poderia conversar mais com os árbitros. Reclamar dos pontapés. Mas também demonstrar ao mundo que é o líder do único país pentacampeão. Aos 23 anos!

Dunga seguiu o que Felipão e Parreira fizeram. Não negou nada a Neymar. Por trás de tanta bondade há algo que poucos perceberam. A transferência de responsabilidade. Assumiu a dependência do atacante. E lavou as mãos. Não sabia o que estava fazendo. Não sabia o que estava fazendo.

2afp Nem expulsão após o jogo fará Dunga cobrar Neymar. O técnico da Seleção se submete. Virou apenas mais um refém do egocêntrico camisa 10 e capitão do Brasil...

Quando era jogador, Dunga conseguiu controlar, domar Romário e Ronaldo. Os dois o ouviam, respeitavam. Mas somados os dois não tinham a metade do ego de Neymar. Nem o dinheiro. Não estavam fascinados pela adoração de milhões nas redes sociais.

Ele percebeu o quanto a Seleção é dependente dos seus dribles, seus gols. E não aceita limites. Neymar provocou uma confusão deprimente na derrota de ontem para a Colômbia. Conseguiu ser expulso após a partida. Já tinha tomado o cartão amarelo. Não jogaria contra a Venezuela. Tomando também o cartão vermelho não atuará nas quartas de final, caso o Brasil se classifique para as quartas.

Será julgado pela expulsão de ontem e pode até não mais jogar na Copa América.

A permissividade de Dunga se voltou contra o treinador. Neymar já havia dado sinais de descontrole emocional. Em Porto Alegre ele não aceitou as vaias da torcida depois do 0 a 0 contra Honduras. O capitão não quis fazer o que estava combinado com o treinador gaúcho. Ir para o meio do campo e se despedir dos torcedores antes do embarque para a Copa América. Seria um gesto simbólico. "Mete o pé, vamos embora, vamos embora", dizia aos companheiros.

1reproducao23 Nem expulsão após o jogo fará Dunga cobrar Neymar. O técnico da Seleção se submete. Virou apenas mais um refém do egocêntrico camisa 10 e capitão do Brasil...

Os sorrisos de Neymar sumiram nos treinamentos. Passou a evitar os jornalistas no Chile, nervoso, irritado. Não se submeteu aos pedidos da assessoria de imprensa da CBF para dar coletivas. Contra o Peru provocou como pôde o árbitro Roberto García. Até tomar o cartão amarelo por tirar a bola de onde o juiz havia marcado com spray. Jogadores ficaram revoltados com a punição e foram discutir com García. Neymar os empurrou raivosamente.

No jogo contra os peruanos abusou dos dribles desnecessários. Egocêntrico, estava mais interessado em dar um show particular do que jogar para o time. As inúmeras vezes em que perdeu a bola não fora registadas pela tevê. Mas como fez um gol, deu assistência e ainda mandou uma bola na trave, foi incensado. Editados, seus lances pareciam do novo Pelé. Ninguém levou em conta a fragilidade do adversário e seu egoísmo.

Dunga acompanhou tudo de braços cruzados. Sabia que nada poderia fazer. Os companheiros de Neymar são omissos, quase tietes da estrela do Barcelona. Como capitão do time, não aceita ouvir ninguém. Entre os mais velhos do que ele, ninguém tem moral para cobrá-lo. Thiago Silva perdeu a tarja de capitão, não gostou. Mas só voltou à Seleção porque pediu desculpas ao grupo e a Neymar particularmente. Robinho que um dia foi seu ídolo, hoje não tem futebol para ser titular. Está no Chile mais para mostrar sua habilidade no pandeiro e cantar pagode.

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Após a derrota de ontem, Dunga deixou implícito que o comportamento de Neymar está ligado ao processo que o fez réu na Espanha. As acusações envolvendo sua transferência do Santos para o Barcelona são gravíssimas.

Ele é acusado de corrupção privada e estelionato de contrato privado. Se condenado, além de pagar indenização milionária, o jogador poderá ser preso. Cada acusação tem pena prevista entre seis meses e quatro anos. Caso seja considerado culpado a punição poderia chegar a oito anos de cadeia.

A situação já era crítica e muito comentada na Espanha há tempos. Mas oficialmente Neymar se tornou réu ontem. Soube antes do jogo que terá de depor para a justiça espanhola. Sandro Rosell, amigo íntimo de Ricardo Teixeira, renunciou à presidência do Barcelona graças às negociações envolvendo o brasileiro.

1reuters Nem expulsão após o jogo fará Dunga cobrar Neymar. O técnico da Seleção se submete. Virou apenas mais um refém do egocêntrico camisa 10 e capitão do Brasil...

Se Dunga percebeu que Neymar estava perturbado, por quê não o preservou? Não o deixou de fora da partida? Ainda mais que marcava o reencontro com Zúñiga. O lateral colombiano que o tirou da semifinal e da decisão da Copa. A desleal joelhada por trás fraturou uma vértebra da coluna do brasileiro. Era mais um motivo para estar com os nervos à flor da pele.

Mas ninguém diz não na Seleção a Neymar. Principalmente Dunga. Mesmo com Neymar dando inúmeras demonstrações de quanto estava perturbado. Cadê a coragem do técnico em substituí-lo? Sua omissão proporcionou toda a confusão.

Sem Neymar, o treinador deverá apelar para o mesmo time que venceu o México B em São Paulo. Com exceção de Danilo, contundido, que deu a vaga para Daniel Alves. Jéfferson, Daniel Alves, Miranda, David Luiz e Filipe Luís; Fernandinho, Elias, Fred, Philippe Coutinho e Willian; Diego Tardelli ou Roberto Firmino. Essa será a provável escalação contra a Venezuela.

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Dunga não pode cobrar publicamente seu camisa 10. E mesmo nas conversas particulares que deverão ter, o treinador precisa mostrar muito cuidado. Já está claro o quanto serão difíceis as eliminatórias para a Copa da Rússia. São quatro vagas diretas e uma na repescagem.

Argentinos, uruguaios, chilenos, colombianos, paraguaios, equatorianos, peruanos, bolivianos e venezuelanos não ficaram tão mais forte. A atual geração brasileira é que é fraca. Sem Neymar tudo ficaria muito pior. Por isso Dunga aceita o narcisismo do camisa 10, do seu capitão. Não há saída. Precisa.

Para continuar como treinador da Seleção, Carlos Caetano Bledorn Verri, precisa fingir não perceber o que está acontecendo. Dar desculpas esfarrapadas. Falar meias verdades. E o que mais detesta: se submete.

Se fosse outro jogador expulso após o final da partida, o treinador estaria espumando. Mas como foi seu camisa 10, se cala.

O técnico virou uma vítima, refém, como toda a Seleção, da dependência de Neymar.

Dunga nunca imaginaria.

O menino que o tietou, há 12 anos, se tornaria seu martírio...

(A Conmebol lógico que usou um recurso suspeito para não afastar de cara a estrela brasileira da Copa América. O seu regulamento não previa um jogador tomar ser suspenso por cartão amarelo e em seguida ser expulso. No Brasil e e em vários países o critério é simples. Uma suspensão pelo amarelo e outra pelo vermelho.

Coube à organização da Copa América decidir se o ídolo brasileiro pegaria um ou dois jogos. Adivinha? Raposa em galinheiro. Um só jogo de suspensão para Neymar e não se fala mais nisso. É constrangimento atrás de constrangimento...)
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Descontrole de Neymar sabota a Seleção. Custou sua expulsão depois do jogo. Foi o fim da invencibilidade de Dunga. O Brasil perdeu para a Colômbia. E pode até ser eliminado da Copa América…

1afp4 Descontrole de Neymar sabota a Seleção. Custou sua expulsão depois do jogo. Foi o fim da invencibilidade de Dunga. O Brasil perdeu para a Colômbia. E pode até ser eliminado da Copa América...
Vexame durante e após o jogo. O descontrole emocional de Neymar sabotou não só seu futebol. Mas como a Seleção Brasileira como um todo. O time de Dunga é assumidamente dependente do atacante do Barcelona. Perdeu para a Colômbia por 1 a 0. O mais talentoso jogador brasileiro tomou o segundo amarelo. E já não enfrentaria a Venezuela.

Mas após o final da partida, Neymar continuou descontrolado. Deu uma bolada em Armero. Tentou acertar uma cabeçada em Murillo. Bacca tomou as dores do companheiro e empurrou violentamente o brasileiro. Houve confusão generalizada. Neymar e Bacca foram expulsos depois de a partida ter terminado.

Como o capitão da Seleção já não enfrentaria a Venezuela, também não poderá atuar se o Brasil se classificar para as quartas de final. E até pior. Será julgado. Sua pena por ter começado a troca de agressões, poderá até ficar de fora do resto da competição.

"Tem que usar as regras contra mim. O cara limpou a espuma e não tomou amarelo, eu tomo. A bola pegou na minha mão, tomei amarelo. Coloca juiz fraco pra apitar, acontece isso. Não me tirou do sério, não. Só fico puto com os árbitros que não apitam direito."

Neymar teve a coragem de justificar dessa maneira a sua expulsão: 'juiz fraco'. O camisa 10, capitão da Seleção e protegido de Dunga, está completamente transtornado, fora de si.

Muita gente no Chile credencia o transtorno emocional de Neymar à justiça espanhola. Ficou definido hoje que ele e seu pai terão de explicar a sua complicada ida para o Barcelona. Jornalistas que estão acompanhando a Copa América garantem que ele teria ficado nervoso o dia todo.

Caberia a Dunga ter atitude. E perceber se o jogador tinha condição psicológica para atuar. Mas como tirar o único atleta com potencial acima dos demais? Contra o Peru já havia sido um sufoco incrível. O treinador não quis arriscar. Deu no que deu.

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Tudo já começou muito mal. Foram os piores 45 minutos desde a volta de Dunga. O Brasil foi engolido pela Colômbia no primeiro tempo. O treinador brasileiro foi muito infeliz na nova armação tática. Ele resolveu tirar Diego Tardelli e colocar Roberto Firmino. Acabou deixando apenas a Neymar a responsabilidade de armar, finalizar e ser o grande líder da equipe.

Na verdade, Dunga queria o Brasil no contragolpe. Tinha a certeza que os colombianos atacariam. Não tinham outra coisa a fazer. Afinal, perderam para a Venezuela na maior surpresa até agora da Copa América. Os comandados do argentino Peckerman sabiam. Precisavam desesperadamente dos três pontos. E compraram a briga.

Se aproveitaram que mais de 80% dos torcedores no estádio do Colo Colo eram colombianos. O ultrapassado estádio virou um caldeirão contra o time de Dunga. Tanto apoio foi fundamental para o esquema corajoso. A determinação de Peckerman era marcar a saída de bola na intermediária brasileira. Como se enfrentasse um time pequeno.

E o Brasil estava mesmo apequenado. Não esperava tanta ousadia. Fernandinho, Elias e Fred estavam muito presos. Só tratavam de marcar. Daniel Alves e Filipe Luís recuados em demasia. Willian completamente perdido. Firmino abandonado na frente. E Neymar sozinho, acossado sempre por dois ou três rivais.

Só que outra vez, como contra o Peru, Neymar se mostrava descontrolado psicologicamente. Irritado. Reclamava a todo instante do juiz Enrique Osses. Descontava a sobrecarga de funções discutindo com o árbitro. Dunga, no banco, outra vez omisso. Está claro que Neymar pode fazer o que quiser. O treinador sabe o quanto depende do seu talento.

Na defesa, Dunga fez a troca obrigatória. David Luiz, em péssima fase, perdeu a posição para Thiago Silva. Ele seria o companheiro de Miranda. Jefferson respiraria mais aliviado.

Só que a Colômbia atacava em bloco. Tinha presença de área, muita disposição, vontade. Cuadrado roubava a cena, o protagonismo de James Rodrigues. Murillo era muito versátil. A única sorte de Dunga era que Falcão Garcia continua em péssima fase. Fosse nos bons tempos, teria feito pelo menos dois gols no primeiro tempo.

Os colombianos pressionavam, roubavam com facilidade a bola dos inseguros brasileiros. Os erros de passe nas intermediárias eram irritantes. Dunga continuava de uma omissão incrível. Parecia que esperava o Brasil tomar o gol. Seu desejo foi atendido.

Aos 35 minutos, mais uma das inúmeras faltas nas laterais do campo para a Colômbia cobrar. Cuadrado bateu, Daniel Alves falhou, Murillo foi mais esperto e bateu. A bola passou debaixo das pernas de Thiago Silva. E entrou, indefensável para Jefferson. 1 a 0, com toda a justiça, para o time que buscava o gol.

Por ironia, o Brasil teve uma chance incrível para empatar. Em jogada ensaiada no Barcelona, e que já havia dado certo contra o Peru. Daniel Alves desceu e cruzou na segunda trave para Neymar, livre. A cabeçada foi fraca e o Ospina conseguiu rebater. Na volta, a bola voltou e Neymar acertou com a mão na bola. Osses considerou o toque intencional e deu cartão amarelo ao capitão brasileiro. Como já havia tomado na estréia, Neymar está suspenso, não enfrenta a Venezuela no domingo, na partida que decidirá a vida da Seleção na Copa América.

Mas quem viu o jogo sabe. O Brasil teve muita sorte. Deveria ter perdido o primeiro tempo por pelo menos dois gols de desvantagem. Dunga no intervalo tratou de colocar mais um meia armador. Philippe Coutinho entrou na vaga de Fred. E adiantou o posicionamento brasileiro.

Só que havia um problema grave. Neymar estava muito mal. Errava lances fáceis. Só que ninguém tinha moral para cobrar nada do camisa 10. Thiago Silva e Daniel Alves tentaram. Ele virou as costas aos dois. Dunga seguia impassível no banco. O jogador caía em todas as provocações colombianas, como se fosse um juvenil.

1ae17 Descontrole de Neymar sabota a Seleção. Custou sua expulsão depois do jogo. Foi o fim da invencibilidade de Dunga. O Brasil perdeu para a Colômbia. E pode até ser eliminado da Copa América...

O plano de Peckeman para o segundo tempo era óbvio. Recuar sua equipe, com duas linhas de quatro, a partir da intermediária. Apostar no nervosismo dos brasileiros para tentar marcar o segundo gol. Ou, na pior das hipóteses, segurar o 1 a 0.

Neymar foi o grande cúmplice dos colombianos. Como não conseguia acertar uma jogada, a sua tensão foi passando para o dependente time brasileiro. Atletas sem personalidade que esperavam pelo momento genial do camisa 10. Fingiam não perceber que ele estava fora de si. Provavelmente pelo processo na justiça espanhola.

Willian demorou para sair. Improdutivo, só deixou o campo aos 22 minutos. Douglas Costa entrou no seu lugar. Assim como Tardelli substituiria Elias. Não adiantou. Os três que Dunga colocou em campo foram muito mal. Sem Neymar, o Brasil seguiu até o final da partida vivendo de bolas alçadas na área. Pobreza. Tanto tática como técnica.

As 12 vitória seguidas de Dunga se mostraram enganosas. Foram 11 amistosos. E logo na primeira partida valendo pontos, contra o Peru, foi um sufoco absurdo. Tudo de ruim voltou à tona hoje. E veio a justa segunda derrota. Os colombianos não venciam os brasileiros desde 1991.

A derrota já era um vexame. Mas Neymar conseguiu transformar o pós-jogo em vexame maior. A partida já havia acabado quando acertou uma bolada em Armero. Murillo foi tirar satisfação. Neymar tentou acertar uma cabeçada no colombiano. Bacca viu e empurrou o brasileiro. Os jogadores das duas seleções começaram a se xingar, ameaçar, empurrar. Robinho rasgou a camisa de Bacca. Quase acontece uma briga generalizada.

Tudo que já era ruim ficou muito pior. O árbitro chileno Enrique Osses expulsou Neymar e Bacca. O Brasil não terá seu principal jogador contra a Venezuela. E também nas quartas-de-final, caso se classifique. Mas o capitão brasileiro será julgado. E pode até ficar fora do restante da Copa América.

Esse é o problema quando uma seleção é dependente de um jovem jogador. Não há ninguém com coragem para conter seus abusos. Não os companheiros limitados e omissos que têm. E muito menos o dependente Dunga.

A situação do Brasil está muito complicada na Copa América de 2015...

1afp3 1024x614 Descontrole de Neymar sabota a Seleção. Custou sua expulsão depois do jogo. Foi o fim da invencibilidade de Dunga. O Brasil perdeu para a Colômbia. E pode até ser eliminado da Copa América...

Paulo Victor, com a perna quebrada, transportado em um carrinho de pedreiro, no CT do Flamengo. E se ele tivesse um infarto? CBF, Sindicato e Bom Senso unidos. Na omissão. Este é o país do atraso…

1ae16 Paulo Victor, com a perna quebrada, transportado em um carrinho de pedreiro, no CT do Flamengo. E se ele tivesse um infarto? CBF, Sindicato e Bom Senso unidos. Na omissão. Este é o país do atraso...
A foto é chocante. E ganhou o mundo pela Internet. O goleiro titular do clube mais popular do Brasil com a perna quebrada. Sendo transportado no CT em um carrinho de mão, usado por pedreiros para transportar tijolos, entulho, lixo...

Foi assim que Paulo Victor, com a perna quebrada, deixou o Ninho do Urubu. Exposto no carrinho de mão, que chacoalhava na lama e buracos no apertado acesso do campo até o estacionamento. Só haverá asfalto neste trecho, na melhor das hipóteses, no final do ano.

A contusão do goleiro foi causada pelo péssimo estado do gramado do Ninho do Urubu. Cheio de falhas, desnível, tipos de gramas diferentes e buracos. Muitos buracos.

Paulo Victor saiu de carrinho para evitar um gol de Thallyson. Seu pé direito se enroscou em um buraco no gramado. E recebeu o impacto do chute fortíssimo do atacante. O tornozelo preso foi um alvo perfeito para a bola em alta velocidade. O buraco serviu como alavanca. A fíbula, antigamente conhecida como perôneo, sofreu uma fratura com a pancada. Já caiu gemendo, gritando.

Saiu do campo carregado já de forma constrangedora. Carregado nos ombros dos roupeiros. Com a perna quebrada, que deveria estar imobilizada, balançando. Inacreditável.

Diante da pancada, o departamento médico ainda comemora. Tudo poderia ser muito pior para Paulo Victor.

Fossem os sindicatos dos jogadores atuantes, dirigentes da CBF se preocupassem de verdade com o futebol e a Federação Carioca não fizesse apenas política, o Ninho do Urubu seria interditado. Não é possível que jogadores fiquem expostos, treinando, em um CT desse vergonhoso nível. Ainda mais no clube com mais torcedores deste país.

2ae9 Paulo Victor, com a perna quebrada, transportado em um carrinho de pedreiro, no CT do Flamengo. E se ele tivesse um infarto? CBF, Sindicato e Bom Senso unidos. Na omissão. Este é o país do atraso...

A diretoria do Flamengo faz um trabalho brilhante. Luta contra décadas de irresponsabilidade, incompetência e corrupção de diretorias passadas. Quando Eduardo Bandeira de Mello assumiu, o clube era o maior devedor do país, R$ 750 milhões. Com uma política de contensão de gastos e transparência, conseguiu diminuí-la em R$ 200 milhões. Ou seja, o débito é de R$ 570 milhões.

Atitude elogiável. Mas há ajustes urgentes a fazer. Graças à sua popularidade, o Flamengo foi o clube brasileiro em 2014 que mais teve receitas. Patrocinadores, arrecadação, televisão, sócio-torcedores e várias outras fontes de rendas menores conseguiram movimentar R$ 347 milhões.

A prioridade de Bandeira de Mello é diminuir ao máximo as dívidas. Sonha com um segundo mandato onde elas possam talvez chegar a R$ 200 milhões. O que seria um feito fantástico. O clube se tornaria muito mais administrável. Se por acaso CBF e governo chegarem a um acordo em relação ao refinanciamento com a Receita Federal e impostos, não é delírio pensar em zerar os débitos.

A atual administração deu um exemplo fabuloso neste país mergulhado em corrupção. O conselho fez uma profunda reforma nos seus estatutos. O principal ponto aprovado: um presidente ou vice-presidente eleito que, sistematicamente e de forma deliberada, sonegar impostos ou praticar apropriação indébita poderá ficar inelegível por cinco a 15 anos. E mais: responder com bens particulares, mesmo após o término dos mandatos, se comprovado que houve prejuízo ao patrimônio e à imagem do Flamengo.

1reproducao22 Paulo Victor, com a perna quebrada, transportado em um carrinho de pedreiro, no CT do Flamengo. E se ele tivesse um infarto? CBF, Sindicato e Bom Senso unidos. Na omissão. Este é o país do atraso...

Os orçamentos anuais passaram a ter limitações de despesas. Principalmente com o futebol. Os balanços serão os mais transparentes. E trimestrais. Além de colocar rédeas nos dirigentes irresponsáveis, o caminho da corrupção se tornou dificílimo.

Toda essa modernidade, responsabilidade e honestidade sofrem um golpe desmoralizante com o Ninho do Urubu.

A história do CT é vergonhosa. O terreno foi comprado há 31 anos, em 1984, quando Zico foi vendido para a Udinese. O então presidente do Flamengo, George Helal pagou 300 milhões de cruzeiros ao Aviário Soaves. A áreas, enorme. Terreno de 144 mil metros quadrados em Vargem Grande, Jacarepaguá.

O sonho de Helal era construir seis campos, com alojamento, refeitório, centro de fisioterapia e até escola para 200 garotos. Além do time profissional.

Mas desde 1984, as administrações empurraram com a barriga o sonho do mais moderno CT do Brasil. Maquetes e mais maquetes foram mostradas para jornalistas e conselheiros. O time principal treinava na Gávea mesmo e os garotos onde fosse possível. O Ninho do Urubu não foi só esquecido. Quase acabou trocado pelas instalações do CFZ, clube que pertencia a Zico e ficava no Recreio dos Bandeirantes.

Até a ISL, falida empresa de marketing, envolvida em diversos casos de corrupção na Fifa, já esteve à frente do Ninho do Urubu. A área foi aterrada. Era cortada por dois rios. Na época de grandes chuvas, elas inundavam os campos que os dirigentes começaram a construir na década de 80.

O ex-presidente Kleber Leite, dono da investigada Klefer, levou o time profissional para um centro de treinamentos na Barra da Tijuca, em 1997. Por falta de pagamento, o clube é despejado em 2000. O time passa a treinar no CFZ de Zico. Nem se lembra do abandonado Ninho do Urubu. Depois vai para a Gávea.

2reproducao14 Paulo Victor, com a perna quebrada, transportado em um carrinho de pedreiro, no CT do Flamengo. E se ele tivesse um infarto? CBF, Sindicato e Bom Senso unidos. Na omissão. Este é o país do atraso...

Quem fez o maior estardalhaço e realmente começou a forçar os dirigentes a construir o CT foi Vanderlei Luxemburgo em 2010. Ele tem o sonho de ser o presidente do Flamengo. E viu o estúpido desperdício da área parada.

Mas as obras no CT rubro negro sempre foram lentas, desinteressadas. Além disso havia problemas que inimagináveis em 1984. Como os ambientais. O Flamengo teve de conseguir 39 licenças para começar a trabalhar de verdade no seu centro de treinamento.

Além disso, os dirigentes usaram o terreno como garantia de uma ação do Banco Central. Ele assegura que a verba dos patrocinadores não fique retida para pagar dívidas.

Tudo sempre foi provisório. As obras foram retomadas há dois anos, graças ao dinheiro de patrocinadores. Mesmo assim, tudo é lento, amador. Chuvas e ventanias já derrubaram árvores. Elas caíram sobre os campos e derrubaram instalações elétricas. Absurdo.

5ae7 Paulo Victor, com a perna quebrada, transportado em um carrinho de pedreiro, no CT do Flamengo. E se ele tivesse um infarto? CBF, Sindicato e Bom Senso unidos. Na omissão. Este é o país do atraso...

Já passou da hora de Eduardo Bandeira de Mello investir de verdade no Ninho do Urubu. É vergonhoso para o Flamengo ter um CT tão tosco. Expor seus jogadores a contusões em campos irregulares, transportados em carrinhos de pedreiro.

O irônico é que a Gatorade chegou a doar carrinhos elétricos para transportar machucados. Eles estão no Ninho do Urubu. Mas guardados. As trilhas enlameadas, cheias de buracos e declives, o melhor é mesmo o carrinho de mão.

Detalhe, Paulo Victor teve de ser transportado a uma clínica para saber o que havia acontecido. Para fazer um simples raio-X. Mesmo com 1.600 metros quadrados, ainda não há instalações médicas para os atletas. O jogador levado ao carro particular do médico Márcio Tannure. E não em uma ambulância. Assim são tratados os profissionais do Flamengo.

3reproducao10 Paulo Victor, com a perna quebrada, transportado em um carrinho de pedreiro, no CT do Flamengo. E se ele tivesse um infarto? CBF, Sindicato e Bom Senso unidos. Na omissão. Este é o país do atraso...
Eduardo Bandeira de Mello precisa seguir com sua respeitável política. Enfrentar as dívidas e travar o caminho dos desonestos na Gávea é fantástico. Mas tem a obrigação de investir em um Centro de Treinamento decente para os jogadores profissionais.

E se Paulo Victor tivesse sofrido um infarto? Um AVC? Como seria atendido? Sairia carregado em um carrinho de mão do gramado? Iria para onde?

O que fariam os três médicos e um fisioterapeuta que estavam de prontidão?

14 Paulo Victor, com a perna quebrada, transportado em um carrinho de pedreiro, no CT do Flamengo. E se ele tivesse um infarto? CBF, Sindicato e Bom Senso unidos. Na omissão. Este é o país do atraso...

Será aí que Guerrero, o jogador que a diretoria sonha em transformar no maior ídolo do país, irá treinar depois da Copa América. O clube endividado comprometeu mais de R$ 41 milhões na contratação do peruano. Colocá-no neste Centro de Treinamento beira a insanidade.

O Ninho do Urubu é um pequeno retrato da irresponsabilidade do futebol brasileiro. É assustador imaginar que há vários clubes importantes onde a situação é até pior. E ninguém se importa, fiscaliza, denuncia.

Se entre os profissionais essa é a situação, melhor nem pensar na base, ao que estão expostos os garotos...

Bom Senso, sindicatos de atletas e CBF estão unidos em relação aos Centro de Treinamentos.

São cruelmente omissos.

Deveriam ter o mesmo pôster nas suas sedes.

Paulo Victor, com a perna quebrada, em um carrinho de pedreiro...
5ae8 Paulo Victor, com a perna quebrada, transportado em um carrinho de pedreiro, no CT do Flamengo. E se ele tivesse um infarto? CBF, Sindicato e Bom Senso unidos. Na omissão. Este é o país do atraso...

Será que só se o FBI investigar o ‘caso Heverton’, o Brasil saberá se houve suborno, propina no rebaixamento da Portuguesa? Um ano e meio depois, a vergonha só aumenta…

1ap15 Será que só se o FBI investigar o caso Heverton, o Brasil saberá se houve suborno, propina no rebaixamento da Portuguesa? Um ano e meio depois, a vergonha só aumenta...
O FBI levou três anos. Fez investigações pelo mundo todo e conseguiu a prisão de oito membros da alta cúpula da Fifa. Entre eles José Maria Marin. O trabalho conseguiu também a renúncia do próprio presidente, Joseph Blatter.

Desde 2013, o Ministério Público de São Paulo garante que vai tirar todas as dúvidas. Se houve corrupção, se alguém recebeu propina para que, mesmo suspenso, Héverton enfrentasse o Grêmio. Sua escalação salvou primeiro o Fluminense, depois o Flamengo do rebaixamento. E colocou a Portuguesa na Segunda Divisão.

Um ano e meio se passou e nada aconteceu. A não ser boatos, declarações 'mal entendidas'. De prática, só a constatação que o rebaixamento para a Segunda Divisão detonou o processo falimentar da Portuguesa.

Os danos não foram suficientes para deixá-la na Série B. Foram além. Está na Terceira Divisão do Brasil. E o fracasso chegou também no âmbito estadual. Caiu para a Segunda Divisão do Campeonato Paulista.

Suas dívidas passam a R$ 400 milhões. O Tribunal Regional de Trabalho de São Paulo contabiliza 139 processos trabalhistas. O deteriorado estádio do Canindé está penhorado. O clube corre o sério risco de realmente fechar suas portas.

A atual diretoria pensa em pedir auxílio financeiro para os donos de padaria...

Enquanto isso, o Ministério Público de São Paulo não cumpre a sua promessa. Muito pelo contrário. Nada está resolvido. A falta de conclusão sobre a estranha queda da Portuguesa tem vários efeitos colaterais. O primeiro é desmoralizar o futebol neste país. A credibilidade é atingida em cheio. Promotores falam muito e não chegam à conclusão alguma.

O que aconteceu agora foi algo inacreditável. O jornalista Jorge Nicola é muito ligado à Portuguesa. Apaixonado pelo clube. Lançou um livro sobre os 10 melhores jogadores que vestiram a camisa rubro-verde. Ele conhece bem os dirigentes antigos e atuais do Canindé.

Decidiu entrevistar ontem o ex-presidente Ilídio Lico sobre o rebaixamento da Portuguesa. O presidente que renunciou foi direto na resposta publicada no Diário de São Paulo.

O jornalista perguntou se o 'Caso Héverton' havias sido premeditado. A resposta é direta, chocante.

"Com toda a certeza, isso foi premeditado. Um senador me falou que a Unimed pagou um dinheiro muito grosso. Mas sabe como é a Justiça no Brasil. E ninguém dá recibo. De qualquer forma, tenho esperança de que um dia isso vai dar em alguma coisa."

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Mas há o complemento. Questionado se foi a Portuguesa ou a Unimed, Ilídio não tem dúvidas.

"Segundo o...a Unimed que pagou."

Nicola não só publicou a entrevista. Garante que a gravou.

Só diante da repercussão, o promotor Roberto Senise Lisboa decidiu convocar Ilídio Lico para depor. Ele está de férias, em Orlando, com a família. Mas mandou avisar que já pediu a gravação da entrevista. Quando voltar ao Brasil ouvirá o ex-presidente da Portuguesa. Quando voltar...

A letargia do Ministério Público é algo inaceitável. Só existe Roberto Senise para ouvir Ilídio Lico? São Paulo é o estado mais rico da América Latina. Por que essa demonstração de descaso? Desinteresse em realmente desvendar o caso? Há alguém importante travando a investigação?

4ae5 1024x767 Será que só se o FBI investigar o caso Heverton, o Brasil saberá se houve suborno, propina no rebaixamento da Portuguesa? Um ano e meio depois, a vergonha só aumenta...

O Gaeco, Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, anunciou com holofotes que iria investigar todos os dirigentes da Portuguesa, do Fluminense, da Unimed. Iria cruzar os dados telefônicos, bancários. E até agora, nada. Ninguém sabe se nada foi encontrado. Nem mesmo se as investigações realmente aconteceram.

Na Portuguesa, há inúmeros conselheiros que questionam a participação do ex-presidente Manuel da Lupa e do ex-vice jurídico, Orlando Cordeiro de Barros. E o próprio Ilídio. Mas sem investigação séria, a fundo, tudo fica leviano.

Depois que as suas declarações repercutiram, Ilídio falou à Fox Sports. E disse que tudo não passou de um 'mal entendido'. O jornalista se confundiu. Errou ao transcrever a conversa.

"Eu estava no trânsito. Eu não falei que o senador falou. Ele não afirmou que foi a Unimed. Ele falou que tem o potencial para pagar. Mas não falou que era a Unimed. O senador não falou quem pagou. Disse que os interessados no rebaixamento da Portuguesa eram Fluminense e Unimed. Só isso. Se o Nicola não entendeu e fez confusão... Não vou falar quem é o senador."

2reproducao13 Será que só se o FBI investigar o caso Heverton, o Brasil saberá se houve suborno, propina no rebaixamento da Portuguesa? Um ano e meio depois, a vergonha só aumenta...

Nicola garante que tem toda a conversa gravada. E vai entregá-la ao Ministério Público de São Paulo. Basta que alguém tenha a disposição de pedir.

O Fluminense e a Unimed ameaçam processar Ilídio Lico. Precavido, o ex-presidente garante que foi 'mal entendido'.

O resumo da situação. Não cabe a Ilídio, Manuel da Lupa, Héverton, direção do Fluminense, do Flamengo, da Unimed resolver. E sim às autoridades brasileiras acabarem com esta pouca vergonha.

Houve ou não houve suborno de alguém para que Héverton suspenso entrasse em campo?

Alguém se vendeu para que o técnico Guto Ferreira o escalasse?

O Gaeco tem na sua história a solução de casos importantes na história deste país, de São Paulo. Máfia dos Fiscais, denúncias contra o ex-prefeito Celso Pitta, Primeiro Comando da Capital, Máfia da Cracolândia, Máfia da CNH são alguns exemplos.

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Por que não consegue chegar a fundo essa investigação?

O que impede o Gaeco de garantir que houve ou não suborno no rebaixamento da Portuguesa?

Por que Ilidio Lico esconde, não revela o nome do senador da República que teria implicado o Fluminense e a Unimed no caso? Por que as autoridades não o obrigam a falar?

As sujeiras no futebol brasileiro parecem que são jogadas embaixo do tapete. A Polícia Federal instaurou 13 processos contra o ex-presidente Ricardo Teixeira. Nenhum foi suficiente para provar nada contra o dirigente.

A Policia Federal nem imaginava que José Maria Marin recebia propina para garantir a Copa do Brasil à Traffic. Foi necessário o FBI cruzar os dados do ex-presidente da CBF e prendê-lo?

Será que o suspeito rebaixamento da Portuguesa, que pode custar a sua sobrevivência, parece que nunca terá uma conclusão? A dúvida permanecerá para sempre? Ou será necessária a presença do FBI, do Departamento de Justiça Norte-Americano no Brasil?

A situação é vergonhosa, vexatória.

Mas pelo menos fica a torcida.

Tomara que o promotor Roberto Senise esteja se divertindo em Orlando.

Talvez Mickey saiba de alguma coisa...

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Marcelo Oliveira. Multa alta obrigará o Palmeiras a acreditar no projeto do bicampeão brasileiro. O indeciso Paulo Nobre terá de colocar fim ao vexatório rodízio de técnicos…

1reproducao21 Marcelo Oliveira. Multa alta obrigará o Palmeiras a acreditar no projeto do bicampeão brasileiro. O indeciso Paulo Nobre terá de colocar fim ao vexatório rodízio de técnicos...
Quem vê a singela foto de Paulo Nobre abraçando Marcelo Oliveira pode se enganar. A contratação do novo treinador do Palmeiras não foi tão fácil quanto parece. Mesmo com técnico, atual bicampeão brasileiro, desempregado. Nem a íntima amizade com o executivo Alexandre Mattos fez com que a transação fosse facilitada. O motivo: dez jogos comandando o Vasco da Gama em 2012.

Marcelo Oliveira passou muita vergonha, constrangimento e raiva no Rio de Janeiro. Ele havia feito excelente trabalho no Coritiba. Levado a equipe à duas decisões de Copa do Brasil. Conquistado dois Campeonatos Paranaenses. O então presidente do Vasco, Roberto Dinamite, o convenceu a ir para São Januário.

Empolgado com a chance de comandar uma grande equipe do eixo Rio-São Paulo, Marcelo não se preveniu. Acertou seu salário de R$ 150 mil e tinha certeza que faria o Vasco campeão brasileiro. Trabalhou dez partidas. Venceu duas, empatou duas, perdeu seis. Enquanto estava no clube não recebeu um centavo. Nem salários ou a rescisão. Não queria briga, esperou dois anos. Quando a dívida estava para caducar, entrou na justiça no final do ano passado.

2reproducao12 Marcelo Oliveira. Multa alta obrigará o Palmeiras a acreditar no projeto do bicampeão brasileiro. O indeciso Paulo Nobre terá de colocar fim ao vexatório rodízio de técnicos...

Marcelo ficou traumatizado. Tem a certeza que se tivesse amarrado judicialmente o clube, obrigado o Vasco a pagar todos os seus salários até o final de contrato de um ano. Não o fez. Acreditou no então presidente Roberto Dinamite. E jurou que nunca mais cairia em armadilha parecida.

Por isso, mesmo negociando com seu amigo Alexandre Mattos, só aceitou assinar depois que ficou claro. O Palmeiras pagará integralmente seu contrato até o final de 2016 se for demitido. Não aceitou a quarentena que o clube impôs, por exemplo a Gilson Kleina.

O clube demitiu Kleina com o contrato em vigor. Pararia de pagar o técnico se ele começasse a trabalhar em outra equipe. Não foi o aconteceu. Mattos e Nobre queriam a mesma coisa de Marcelo. A discussão levou dias. Mas Marcelo não cedeu. Ou seja, obrigou o Palmeiras a ser firme na escolha. Ele envolve R$ 7,2 milhões só em salários. Ou seja, 18 meses pagando R$ 400 mil. Fora os bônus pela classificação para a Libertadores de 2016, principal objetivo no ano. Fora conquistas da Copa do Brasil, Brasileiro, Paulista...

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Com esse compromisso firmado, Marcelo dará coletiva daqui a pouco como novo comandante palmeirense. E já definiu que mergulhará de cabeça 'na maior aposta' de sua carreira como treinador. Ele sabe que terá de agir ao contrário de Oswaldo de Oliveira. Viver de verdade o Palmeiras. Nada de viagens constantes para Belo Horizonte, como o ex-treinador que ia para o Rio. E principalmente, definir uma equipe titular.

Oswaldo comandou o time durante 31 partidas. Mas não conseguiu sequer montar a espinha dorsal principal do Palmeiras. O ex-técnico só gerou insegurança e descontentamento. Marcelo já chega vacinado. Mesmo com tantos jogadores, procurará definir o mais rápido possível aqueles que encaixem no seu esquema tático moderno.

A chave do Cruzeiro bicampeão brasileiro de 2013 e 2014 estava na entrega dos jogadores. Eles se desdobraram para seguir os dois times que inspiraram o treinador. O Barcelona de Guardiola e a Seleção Alemã de Joaquim Löw, mesmo antes de ser campeão do mundo. O toque de bola paciente, mas objetivo, em direção ao gol. E o poder de compactação, tanto para ficar com dez jogadores atrás da linha da bola quando atacado, como contragolpear com seis jogadores ao mesmo tempo.

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Marcelo Oliveira quis saber logo de cara de Valdivia. Se poderá contar com o meia que havia indicado para o Cruzeiro. E logo mexeu em um vespeiro. Alexandre Mattos não quer nem saber do caro e inconstante meia. Os números mostram que o chileno não atuou nem em metade dos jogos desde que foi contratado em 2010. O quer longe do Palestra Itália.

Mas não é a postura de Paulo Nobre. A devoção do dirigente a Valdivia já o fez enfrentar até seu mentor Mustafá e conselheiros importantíssimos do Conselho de Orientação Fiscal. Ele ainda acredita que há como apostar pelo menos até o final de 2016 no jogador. Tanto que nestas 23 contratações em 2015, não há um meia articulador importante. Com capacidade para substituir o ídolo do presidente.

Se depender só de Marcelo Oliveira, Valdivia fica. E terá papel de destaque no time. Repartirá a liderança com Zé Roberto e Fernando Prass. Tudo dependerá das discussões sobre renovação. O chileno mandou avisar que não quer nem saber de contrato de produtividade. Quer até aumento. Não se contentou com os R$ 475 mil que ganha por cinco anos.

6reproducao1 Marcelo Oliveira. Multa alta obrigará o Palmeiras a acreditar no projeto do bicampeão brasileiro. O indeciso Paulo Nobre terá de colocar fim ao vexatório rodízio de técnicos...

Marcelo Oliveira quis informações até sobre o vergonhoso gramado do estádio palmeirense. Ele sabe que para montar a equipe moderna, técnica e agressiva que planeja, precisará de um piso decente. Não o misto de areia, corante e grama solta que domina a nova arena. Paulo Nobre prometeu que, se for preciso, todo o gramado será trocado. E talvez volte a usar o Pacaembu por um ou dois meses. Ele quer o melhor piso.

O novo treinador também quer uma parada nas contratações. O zagueiro Leandro Almeira está confirmado. O atacante argentino naturalizado paraguaio Lucas Barrios quase. Eles deverão ser os últimos jogadores para o resto da temporada. Dependendo evidente de Valdivia.

Marcelo Oliveira sabe que o segredo, tanto no Coritiba como no Cruzeiro, foi o mesmo: entrosamento do time. Sabe que foi sabotado nesta Libertadores com o desmanche feito por Gilvan Tavares. Político, não comprará briga, fechará as portas do clube no qual foi tão feliz. Mas internamente quis esse compromisso com Alexandre Mattos. Quer formar um time que dure pelo menos um ano e meio.

As conversas do novo treinador palmeirense deixaram empolgado Paulo Nobre. Como ele não ficou com Gilson Kleina, Gareca, Dorival Júnior e Oswaldo de Oliveira. Ele deixou escapar aos conselheiros da ala de Mustafá, no final de semana. "Agora, acertei." E é bom mesmo, para as finanças palmeirenses, que o presidente pare de trocar técnicos como quem troca de camisas.

As escolhas erradas de Nobre sabotam qualquer planejamento. Depois da saída de Kleina, o dirigente trocou de treinador, em média, a cada três meses. Mas desta vez, a multa é alta demais para a falta de convicção, de rumo. São R$ 7,2 milhões só em salários. Chegou a hora do Palmeiras se ajeitar com um treinador. Talvez assim conquiste um título.

A contratação do atual bicampeão do Brasil é sua melhor oportunidade...
2ae8 Marcelo Oliveira. Multa alta obrigará o Palmeiras a acreditar no projeto do bicampeão brasileiro. O indeciso Paulo Nobre terá de colocar fim ao vexatório rodízio de técnicos...

David Luiz. Como o ídolo se transformou em um triste personagem atormentado. Intimidar jovens jornalistas, na Copa América, não fará com que a vergonha pelos 7 a 1 seja esquecida…

1ap14 David Luiz. Como o ídolo se transformou em um triste personagem atormentado. Intimidar jovens jornalistas, na Copa América, não fará com que a vergonha pelos 7 a 1 seja esquecida...
Os selfies com a língua de fora, caretas sumiram. Assim como também a simpatia. Jornalistas que cobrem a Seleção Brasileira na Copa América estão chocados com o comportamento de David Luiz. Percebem a enorme diferença de atitude do jogador em relação à Copa do Mundo.

O personagem central da pior derrota da história da Seleção, 7 a 1 para a Alemanha, perdeu o brilho. Na semifinal da Copa, com o Brasil perdendo, ele abandonou a zaga e tentou atacar, deixando tudo mais fácil para os germânicos. Na Europa seu futebol também foi muito questionado na eliminação do PSG, diante do Barcelona. Duas vez Suárez tocou a bola no meio de suas pernas e marcou dois gols. Em Paris, diante da torcida do time francês.

As falhas viraram mesmo suas companheiras. Logo na estreia do Brasil, na Copa América, outro erro imperdoável. Com a marcação peruana marcando a saída de bola, ele deveria chutar a bola para fora. Não. Inseguro, preferiu colocar Jefferson no fogo, acossado. O goleiro tentou evitar o pior, tocando para Daniel Alves, mas deu no pé de Cueva marcar 1 a 0.

A reação diante dos jornalistas mudou. Ele responde a todos com frases curtas e intimidadores. Ao ser perguntado porque a zaga tinha ido mal ontem, David Luiz encarou o repórter e respondeu. "Essa é uma opinião sua. A minha e a do restante do time é diferente." E virou as costas para falar com jornalistas chilenos. Mas depois decidiu voltar, encarou novamente o jovem repórter. Perguntou seu nome, colocando a mão no seu ombro.

Mas deu tempo para ouvir outra pergunta. Sobre as orientações de Dunga em lances como o primeiro gol, quando a equipe adversária acossa a saída de bola brasileira. "Nossa orientação é jogar bola."

David Luiz acredita que intimidando jornalistas, falando apenas uma frase, vai se livrar do questionamento. Está completamente enganado. Seu insegurança é contrastante diante da eficiência de Miranda. Não será surpresa se durante a competição perder a posição para Thiago Silva, o ex-capitão da Seleção e companheiro do PSG.

5ap2 David Luiz. Como o ídolo se transformou em um triste personagem atormentado. Intimidar jovens jornalistas, na Copa América, não fará com que a vergonha pelos 7 a 1 seja esquecida...

Dunga teve uma longa conversa com ele quando o confirmou titular da Seleção. Afirmou que acreditava no seu futebol. Mas que deveria se preservar mais como jogador. Parar de tanta exposição, brincadeiras e principalmente o queria mais controlado emocionalmente. Lágrimas durante o hino nacional deveriam ser mais evitadas do que selfies. O treinador queria dele seriedade, firmeza em todos os momentos. Concentração na partida. Esquecer arquibancadas e seguidores no Instagram.

Dunga gosta muito do potencial de David Luiz como defensor e também sua capacidade de sair com a bola dominada. De cabeça erguida, capaz de jogar também como volante. Mas o proibiu de maneira veemente de repetir o comportamento transloucado da semifinal da Copa, quando abandonou a zaga e decidiu jogar de atacante. Queria salvar o time da iminente derrota e tudo o que conseguiu foi abrir brecha para a goleada por 7 a 1.

O treinador orientou seus atletas para serem os mais reservados possíveis nas entrevistas. Frases curtas, rasas, vazias. Nada de análises profundas, indicações táticas do time e do adversário.

A indicação foi um presente para David Luiz. Ele resolveu então radicalizar. E se vingar da imprensa brasileira. Como se ela tivesse sido responsável pelo vexame contra a Alemanha ou pela derrota contra a Holanda, quando a Seleção não teve capacidade nem para conseguir o terceiro lugar na Copa organizada neste país.

Está claro que David Luiz queria a proteção dos jornalistas nacionais. Mas como fingir não enxergar uma defesa que tomou 14 gols em uma Copa do Mundo? Que ficou ao lado de Zaire (atual Congo) e Haiti em 1974? O zagueiro também ficou magoado quando leu o que foi publicado por aqui após os dribles desmoralizantes de Suárez na Champions. Percebeu que deixou de ser unanimidade.

3ap1 1024x576 David Luiz. Como o ídolo se transformou em um triste personagem atormentado. Intimidar jovens jornalistas, na Copa América, não fará com que a vergonha pelos 7 a 1 seja esquecida...

Sua imagem também acabou desgastada também fora do campo. Pesquisas relacionam a imagem do jogador chorando com o maior vexame do futebol brasileiro, a goleada para os alemães. Empresas não gostam de ser ligadas a atletas que lembram derrota.

DirecTV, Vivo, Seguros Unimed, Gatorade, Pepsi, TAM, Nike e Itaú o tinham como garoto-propaganda. Somente a Vivo decidiu renovar seu contrato com o zagueiro brasileiro. Mas suas aparições na tela se tornaram cada vez mais raras. Assim como convites para palestras. Sem querer, virou o jogador-símbolo do 7 a 1.

Há pouco mais de um ano foi anunciada a sua contratação pelo PSG. No dia 23 de maio de 2014. O Chelsea exigiu e conseguiu R$ 185,6 milhões pelo brasileiro. Se tornou o zagueiro mais caro de toda a história do futebol mundial. Empresários garantem que, se os franceses desejassem negociá-lo, conseguiriam no máximo a metade. Sua desvalorização foi absurda.

Correspondentes no Chile dizem também que ele não tem mais o espírito de liderança da Copa. Muito pelo contrário. É mais contido, sério nos treinamentos. E mesmo durante o jogo. Continua vibrante, mas discreto. Não chama tanto a atenção. Durante o Mundial do Brasil até alguns companheiros de Seleção acreditavam que ele estava querendo aparecer.

2ap3 David Luiz. Como o ídolo se transformou em um triste personagem atormentado. Intimidar jovens jornalistas, na Copa América, não fará com que a vergonha pelos 7 a 1 seja esquecida...

Durante a Copa América, tudo está muito diferente. O zagueiro é visto com desconfiança, questionado. Suas falhas são mais constantes. Suas lágrimas secaram. Assim também como sua simpatia. Os sorrisos sumiram. E uma estranha personalidade aflorou. A do jogador que questiona, tenta intimidar jornalistas que ousam criticá-lo.

David Luiz tem 8,3 milhões de seguidores no Instagram. Tem 26.356.041 de likes no Facebook. E 6.969.095 o seguem no Twitter. Boa parte desses fãs surgiram depois da Copa das Confederações e antes da Copa do Mundo. Seu prestígio não é mais o mesmo. Ele sabe disso. Mas está tomando o caminho errado.

Ele que trate de jogar futebol da melhor maneira possível. E saiba que está defendendo a Seleção Brasileira. Continua como zagueiro titular depois do maior vexame da história do time pentacampeão do mundo. Sua postura irresponsável, abandonando a defesa, teve muito peso nos 7 a 1.

Barbosa, Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Mais o técnico Flávio Costa. Essas 12 pessoas foram massacradas por perderem a final da Copa de 1950 no Maracanã. Não tiveram paz até o final de suas vidas.

4reproducao3 David Luiz. Como o ídolo se transformou em um triste personagem atormentado. Intimidar jovens jornalistas, na Copa América, não fará com que a vergonha pelos 7 a 1 seja esquecida...

O zagueiro representa o time que não conseguiu passar da semifinal, na segunda Copa do Mundo no Brasil. A equipe que desperdiçou a chance de vingar 1950. Responsável por um vexame muito maior.

Tomou dez gols nos dois últimos jogos. Sete da Alemanha e três da Holanda, na decisão pelo terceiro lugar. E mesmo assim, o jogador segue sua vida com a camisa amarela.

Em vez de agradecer aos céus pela chance de uma reviravolta, prefere a truculência, a rispidez, a intimidação de jovens jornalistas.

De ídolo incontestável, David Luiz virou um triste personagem atormentado...
4ap1 1024x768 David Luiz. Como o ídolo se transformou em um triste personagem atormentado. Intimidar jovens jornalistas, na Copa América, não fará com que a vergonha pelos 7 a 1 seja esquecida...

Capitão, camisa 10, quinto artilheiro da história da Seleção. R$ 875 milhões sua multa rescisória do Barcelona. R$ 6 milhões por mês. 23 anos. Neymar sabe o quanto a Seleção depende dele. E abusa…

1ap13 1024x576 Capitão, camisa 10, quinto artilheiro da história da Seleção. R$ 875 milhões sua multa rescisória do Barcelona. R$ 6 milhões por mês. 23 anos. Neymar sabe o quanto a Seleção depende dele. E abusa...
Os números são frios, indiscutíveis. E igualaram Felipão e Dunga. Os dois se tornaram dependentes assumidos de Neymar. Com ele em campo, a Seleção está sem perder há 24 partidas. Cerca de dois anos. Desde que Mano Menezes o convocou pela primeira vez, em 2010, foram 45 vitórias, 12 empates e sete derrotas. Aproveitamento de 89%. Neste período, ele esteve fora nove vezes. Foram seis vitórias e três derrotas, inclusive as contra Alemanha e Holanda na Copa. Aproveitamento de 66%.

E muito esperto, Neymar sabe bem dessa dependência. E abusa. Faz da Seleção o que fazia no final do seu período no Santos. E que nem pode imaginar no Barcelona.

Exigiu a camisa 10 da Seleção que era de Oscar. A faixa de capitão chegou ao seu braço, como a que carrega Messi. Todas as faltas perto da grande área e prioridade é dele. Os pênaltis também.

Felipão e Dunga também começaram a montar seus esquemas táticos na Seleção a partir do jogador de 23 anos. Ambos fizeram a mesma pergunta. "Como você quer jogar, Neymar?" A partir de sua resposta, os dois montaram o Brasil. Com Scolari, Neymar tinha a faixa esquerda que tanto gosta para se deliciar. O ofensivo Marcelo teve de se conter para não 'roubar' espaço.

Com Dunga, Neymar está absolutamente livre para flutuar por toda a intermediária ofensiva. E tem a preferência dos companheiros nos ataques e contragolpes. A ordem é procurá-lo. Além da orientação do treinador, ele exige a bola aos gritos.

Estourou hoje a notícia que o Barcelona acertou a renovação de seu contrato até 2020. Seu salário vai saltar para 12 milhões de euros por ano, cerca de R$ 42 milhões. Ou R$ 3,5 milhões mensais. Fora premiações, bônus. E publicidade. A perspectiva é que ele receba cerca de R$ 6 milhões a cada 30 dias. R$ 72 milhões anuais.

Se algum clube se aventurar a comprá-lo, sua multa rescisória passará 240 milhões de euros, cerca de R$ 875 milhões.

1reproducao Capitão, camisa 10, quinto artilheiro da história da Seleção. R$ 875 milhões sua multa rescisória do Barcelona. R$ 6 milhões por mês. 23 anos. Neymar sabe o quanto a Seleção depende dele. E abusa...

Fora tudo isso, está claro que ele deseja estar na eleição do melhor do mundo na Fifa. Sabe que Messi e Cristiano Ronaldo brigam pelo privilégio. Mas já se considera em condições de se sentar ao lado dos dois, como o terceiro. Quer 'dar uma beliscadinha', como resumiu ontem.

Durante o jogo contra o Peru ficou claro como será a Copa América para o camisa 10 brasileiro. Se Messi joga a bola no meio das pernas de um paraguaio, Neymar irá dar chapéu em um peruano. Um, não. Dois. Um em direção ao gol. E outro para humilhar, voltando a bola para o campo do Brasil, desperdiçando a chance do contragolpe. Não importa. Ele quer seus minutos para simplesmente aparecer. Mostrar o quanto é talentoso.

E quem vai reclamar? O capitão é Neymar. Dunga é muito mais esperto do que parece. Ele finge não perceber o egoísmo do seu camisa 10. Mas para que comprar briga? Não há ninguém na atual safra brasileira que tenha metade do potencial do jogador do Barcelona.

Aproveitando a fase declaratória do jornalismo esportivo, Dunga nega o óbvio e pronto. Se ele quis que o Brasil não é dependente de Neymar, está acabado. Tem a força de um mandamento enviado pelos céus. Ninguém contesta o treinador da Seleção. Se ele falou, está falado. Vence a hipocrisia.

Assim que Ronaldo convidou Neymar a trabalhar com ele na 9ine, agência de marketing esportivo, o ex-jogador foi direto ao então jogador do Santos.

"Você tem de marcar gols. Pênalti tem de ser seu. Melhore as cobranças de falta. Jogar bem é importante. Mas serão os gols que deixarão sua marca na história. Seja mais fominha."

1reproducao19 Capitão, camisa 10, quinto artilheiro da história da Seleção. R$ 875 milhões sua multa rescisória do Barcelona. R$ 6 milhões por mês. 23 anos. Neymar sabe o quanto a Seleção depende dele. E abusa...

O conselho dado em abril de 2011 foi levado ao pé da letra. Neymar já é o quinto maior artilheiro da história da Seleção Brasileira. Chegou ontem aos 44 gols. Só está atrás de Pelé, 95 gols; Ronaldo, 62 gols; Romário, 55 gols; e Zico, 48 gols.

"Eu quero atingir marcas. Seja gols, assistências, o que for", admitia ontem o capitão da Seleção.

No ambiente da Seleção, no Chile, Neymar atingiu status de ídolo dos próprios companheiros. Atletas como Roberto Firmino, Fabinho, Neto, Philippe Coutinho o tratam com uma reverência que só aumenta o seu espaço. A sua liberdade para fazer o que deseja. Não há mais veteranos como Júlio César, Fred, Maicon para controlá-lo.

Mesmo Robinho, percebeu que tudo mudou. Ele já não é mais tratado por Neymar como ídolo, como era em 2011, quando jogaram juntos no Santos. O respeito acabou. É de igual para igual. Olho no olho. Hoje a referência, o centro das atenções é o garoto de 23 anos. Conseguiu o respeito mundial que Robinho tanto sonhou e não conseguiu.

A hora é de Dunga se impor. Encaixar a genialidade de Neymar ao time. Não o contrário. A Seleção Brasileira não foi explorada nem por Pelé, não há cabimento se repetir o que se passou contra os peruanos. Os jogadores omissos procurarem o camisa 10 a cada roubada de bola. Precisam ter coragem de buscar o ataque, tentar o drible, o chute a gol. Sem dar satisfação ou pedir desculpa a cada instante ao melhor do time.

Mesmo no baixo nível técnico da Copa América, o Brasil pode se complicar de verdade. O adversário de quarta-feira é a Colômbia. Na derrota de ontem contra a Venezuela, quem era o lateral direito? Zúñiga. O homem que tirou Neymar da Copa.

 Capitão, camisa 10, quinto artilheiro da história da Seleção. R$ 875 milhões sua multa rescisória do Barcelona. R$ 6 milhões por mês. 23 anos. Neymar sabe o quanto a Seleção depende dele. E abusa...

Os dois passaram o jogo das quartas-de-final se provocando, se xingando. Quando o Brasil confirmou a vitória, o que fez o colombiano? Acertou uma joelhada de propósito no brasileiro. E rompeu uma vértebra do camisa 10. E ele não pôde seguir na Copa. Não enfrentou a Alemanha e a Holanda, a Seleção de Felipão implodiu.

Dá até medo imaginar o que Neymar vai tentar fazer quando tiver a bola dominada diante do violento Zúñiga. Um chapéu, uma carretilha, caneta, meia-lua? E qual a reação do colombiano? O ego inflamado do camisa 10 brasileiro pode custar novamente caro.

A hora de Dunga mostrar toda a sua personalidade que adquiriu como capitão da Seleção é agora. Ele conseguiu dobrar Romário e Ronaldo. Foi companheiro de quarto dos dois no auge, quando jogava. Os cobrou e fez com que jogassem pela Seleção.

É preciso fazer Neymar atuar pelo time. Dorival Júnior teve sérios problemas quando tentou enquadrar Neymar. Acabou sendo demitido do Santos e sua carreira como técnico minguou. As caretas e o balançar de cabeça públicos quando Luis Henrique o tirou de alguns jogos, não deixam dúvida que, até no Barcelona, ele quer ser tratado de maneira diferenciada. Não respeita a decisão do técnico e nem seu companheiro que o substitui.

5reproducao Capitão, camisa 10, quinto artilheiro da história da Seleção. R$ 875 milhões sua multa rescisória do Barcelona. R$ 6 milhões por mês. 23 anos. Neymar sabe o quanto a Seleção depende dele. E abusa...

Está cada vez mais difícil o acesso da imprensa a Neymar. A CBF o blinda como um semideus. Tem tratamento diferenciado dos outros jogadores da Seleção. Há seguranças especiais. Sabe que, com ele em campo, o Brasil ganha 50% a mais nos amistosos. Há mais audiência nas tevês de todo o planeta.

Já está claro que ele quer usar a Copa América apenas para ganhar mais destaque, se aproveitar do fraco futebol dos seus marcadores. Bem piores do que os europeus que encontra na Catalunha. E, com seus lances plásticos, gols, ficar mais perto de uma indicação para melhor do mundo.

Thiago Silva, a quem ouvia na Copa de 2014, é um mero reserva. David Luiz, em péssima fase, também não tem como cobrá-lo. Daniel Alves, convocado só por conta da contusão de Danilo, nem se atreve. Sabe como ele se tornou importante no Barcelona. E se cala.

Cabe a Dunga colocar um freio e trazê-lo para a realidade. Fazer com que pense antes no time e depois no seu show particular. E isso está cada vez mais difícil. Romário e Ronaldo perto de Neymar eram exemplos de humildade...
6reproducao Capitão, camisa 10, quinto artilheiro da história da Seleção. R$ 875 milhões sua multa rescisória do Barcelona. R$ 6 milhões por mês. 23 anos. Neymar sabe o quanto a Seleção depende dele. E abusa...

Mesmo individualista, Neymar decidiu. O Brasil mostrou inaceitável dependência do seu camisa 10. Jogou mal. Mas venceu o Peru por 2 a 1. Foi mais angustiante do que animadora a estreia na Copa América…

1reproducao18 Mesmo individualista, Neymar decidiu. O Brasil mostrou inaceitável dependência do seu camisa 10. Jogou mal. Mas venceu o Peru por 2 a 1. Foi mais angustiante do que animadora a estreia na Copa América...
A dependência de Neymar foi assustadora na estreia do Brasil na Copa América. Era como se as jogadas ofensivas tivessem obrigatoriamente de passar pelo camisa 10. Esse absurdo acabou complicando a estreia da Seleção contra o limitado Peru. O jogador do Barcelona foi fundamental. Marcou um gol, acertou o travessão e ainda deu excepcional passe para Douglas Costa concretizar a vitória, de virada por 2 a 1, aos 46 minutos do segundo tempo.

Mas tirando esses lances agudos que deram certo, Neymar individualista ao extremo, querendo mostrar seu talento, atrapalhou, travou inúmeras jogadas ofensivas brasileiras. Dunga precisa urgentemente fazer com que ele passe a jogar pelo time. E a equipe não fique tão dependente da estrela do Barcelona. Não há cabimento. Dunga precisa mostrar que é treinador. Dar, urgente, opções para o time.

Caso um adversário consiga anular Neymar ou mesmo ele se machuque, como aconteceu na Copa do Mundo, o Brasil dá toda a impressão que não saberá o que fazer. A vitória na estreia na Copa América foi mais angustiante do que animadora.

Os planos de Dunga tiveram de ser mudados em cima da hora. Philippe Coutinho não se recuperou de dores na coxa esquerda. O técnico resolveu escalar o polivalente Fred. E não o ofensivo Douglas Costa. O técnico sabia da pressão da estreia e acreditou precisar de uma equipe compactada para evitar surpresas. Sua aposta era que o lado técnico, decidiria. Afinal, o Brasil era muito superior aos peruanos.

Desde os primeiros minutos da partida ficou evidenciada a dependência de Neymar. O principal jogador do Brasil e um dos melhores do mundo tinha total liberdade. E abusava dela. Misturava demonstração de talento com puro egoísmo e desprezo ao adversário. Uma das estrelas do Barcelona queria humilhar os peruanos.

O Brasil entrou em campo no 4-1-4-1. Com sua linha de zaga tradicional, Fernandinho protegendo o miolo da zaga. Willian pela direita, Elias pelo meio, Fred pela esquerda. Neymar flutuando por toda a intermediária ofensiva. E Tardelli na frente.

O argentino Gareca, ex-Palmeiras, tratou de montar seu time no 4-5-1. Nada mais óbvio. Ele queria travar o toque de bola brasileiro. Sabia que o grande problema era Neymar. Único jogador com talento suficiente para desequilibrar, fazer algo inesperado.

 Mesmo individualista, Neymar decidiu. O Brasil mostrou inaceitável dependência do seu camisa 10. Jogou mal. Mas venceu o Peru por 2 a 1. Foi mais angustiante do que animadora a estreia na Copa América...

Sanchéz, Cueva e Farfán deixavam sua técnica de lado. E se desdobravam com a alma para fechar o espaço. Evitar tabelas, infiltrações. Gareca precisava travar a esquerda porque Daniel Alves foi chamado de última hora. E substituiu Danilo. O Brasil seria mais agudo por lá. Filipe Luís não, é muito defensivo. Guerrero, único atacante, enfrentar toda a defesa de Dunga. Estava claro que os peruanos jogariam por uma bola parada, alguma contragolpe perfeito, depois de jogada individual.

Na teoria estava tudo certo. A Seleção deveria pressionar os peruanos e se precaver com os contragolpes. Mas aos dois minutos, David Luiz e Jefferson colocaram tudo a perder. O zagueiro, acossado, recuou bola perigosa para o o goleiro. Em vez de dar um chutão, Jefferson tentou sair jogando. Deu passe para Cueva chutar para as redes. 1 a O, Peru.

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O lance teria potencial para mexer profundamente com a partida. Deixar o Brasil tenso, o Peru mais confiante. Mas um mero detalhe não permitiu esse cenário. O empate veio exatamente dois minutos depois. E com comportamento infantil da fraca defesa peruana. Um contragolpe brasileiro, como se fosse do Barcelona. Daniel Alves cruzou livre da ponta direita. Neymar chegou mais solto ainda, da intermediária até a área, para cabecear. 1 a 1. Lance previsível. E se havia um jogador que não poderia estar desmarcado era o camisa 10 brasileiro.

A previsão era que a equipe de Dunga estaria recuperada emocionalmente e controlaria o jogo. Só que nada disso aconteceu. Os jogadores simplesmente passaram a responsabilidade para Neymar. Foi cansativo. O capitão da Seleção queria mostrar seu talento com a bola dominada. Dar chapéus. Driblar um, dois. Até perder a bola. Os lances que a tevê cansará de passar amanhã serão aqueles que deu certo. Mas o camisa 10 desperdiçou inúmeros ataque com seu egoísmo.

Seus omissos companheiros não reclamavam. Sabiam que ele tem liberdade dada por Dunga para fazer o que bem desejar. De nada adiantava o Brasil adiantar a marcação, roubar a bola e ela cair com Neymar. Dribles e mais dribles desnecessários.

O que colaborava era frágil defesa peruana. Muito ruim tecnicamente e ingênua. Dava todo espaço para Neymar. Aos 12 minutos, ele só não marcou o segundo gol porque Zambrado salvou em cima da risca. A partir daí, ele partiu para sua exibição para a tevê. Chapéus em vez de tabelas, dribles, no lugar de passes para Tardelli livre. O time não só aceitava, como quando qualquer um roubava a bola, procurava Neymar. E a sequência se repetia.

Não bastasse querer jogar sozinho, Neymar passou a ter um duelo pessoal com o árbitro mexicano Roberto García. O capitão brasileiro simulou faltas, discutiu, reclamou, esbravejou. Só sossegou quando García mostrou o cartão amarelo.

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O primeiro tempo terminou em 1 a 1. Ufanistas elogiavam Neymar. Mas não percebiam o quanto jogou pensando apenas nele. Estranho também foi o comportamento de Dunga. Ele parece se encaminhar para a dependência de Felipão em relação ao camisa 10, como na Copa do Mundo. O Brasil voltou para o segundo tempo marcando ainda mais à frente.

Gareca deve ter gostado muito dos brasileiros na sua curta passagem pelo Palmeiras. Bonzinho, continuava deixando Neymar livre. O jogador acertou o travessão peruano aos sete minutos. Continuaria a ter espaço para dribles e chutes a gol.

Mas sua atuação desestimulou o jogo coletivo brasileiro. A troca de bola lenta, irritante. Os peruanos percebiam que não precisavam se preocupar com Fred, Willian, Diego Tardelli, Daniel Alves, Filipe Luís, Elias. O marasmo dominava o Brasil. Dunga finalmente acordou e trocou Tardelli por Douglas Costa. Mandou Willian para a esquerda e centralizou de vez Neymar. Ou seja, ele receberia ainda mais bolas.

Logo Roberto Firmino entrou no lugar de Fred. Aos 29 minutos, outra jogada aguda de Neymar deu certo. E ele deixou Douglas Costa livre para marcar. Mas ele chutou para fora. Aos 44 minutos, o camisa 10 estava cara a cara com o goleiro Gallese. Mas teve a coragem para bater pela linha de fundo.

Quando os peruanos já comemoravam o empate. Outra vez livre, Neymar dominou a bola. Invadiu a defesa e encontrou Douglas Costa sozinho diante do gol peruano. Desta vez, o toque saiu preciso. 2 a 1, Brasil.

Neymar será endeusado. Cantado em verso e prosa. Mas não há cabimento o que aconteceu no Chile. A Seleção Brasileira não pode ser tão dependente de um só jogador. Nem com Pelé, ela agia assim. Mas talvez por ter jogadores menos omissos. E treinadores mais efetivos do que Dunga.

A estreia do Brasil na Copa América de 2015 foi assustadora...
2reproducao11 Mesmo individualista, Neymar decidiu. O Brasil mostrou inaceitável dependência do seu camisa 10. Jogou mal. Mas venceu o Peru por 2 a 1. Foi mais angustiante do que animadora a estreia na Copa América...

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