Publicado em 11/03/2012 às 19h53
Mais do que o 6 a 2 diante do Botafogo. Além da série invicta de 18 jogos. O que importa é que o Palmeiras descobriu um líder: o argentino Barcos…
Domingo histórico para o Palmeiras atual.
Não por Luiz Felipe Scolari.
Ser o segundo treinador da história a mais dirigir o clube é importante.
O Palmeiras chegar a vice liderança invicta do Paulista.
Ficar sem perder 18 jogos, uma façanha.
Mas o que conta é o que está por trás da goleada.
Na vitória por 6 a 2 e na postura do Palmeiras em 2012 há um líder.
Do jogo de hoje nem vale a pena se aprofundar.
Não expor a fragilidade do Botafogo, virtual rebaixado.
Muito menos a atuação ridícula do zagueiro Marquinhos.
Vale destacar sim o excepcional aproveitamento do ataque palmeirense.
O seu torcedor parecia estar diante de uma miragem.
Acostumado a tanto sofrimento e gozação nos últimos anos, a goleada foi um prêmio.
Falar do número seis remetia ao dia 5 de maio do ano passado.
Ou alguém se esqueceu da goleada que o time sofreu por 6 a 0 para o Coritiba.
Muita coisa mudou no Palmeiras.
Não no clube, que continua endividado, chegando rápido aos R$ 200 milhões...
E nem na maneira amadora de Arnaldo Tirone trabalhar.
Se submetendo a ideias constrangedoras.
Em vez de liberar eleições diretas, deixar os sócios votar no presidente, ele pede esmola.
E a quem?
Justo aos torcedores que não quer ver votando no clube.
Roberto Frizzo continua detestando Felipão.
Mas pelo menos parou de trabalhar contra o treinador.
Não dá.
A campanha do time de Scolari em 2012 é estimulante.
O time já ganhou até do Santos de Neymar e Ganso.
A chegada do artilheiro Barcos foi fundamental.
Primeiro pelos gols, pelo estilo que relembra Evair.
Menos técnico, porém mais oportunista.
Sete gols em oito partidas mal chegado a um país estranho não é para qualquer um.
E depois pelo respeito que trouxe ao time.
Não ficou de joelhos para as gracinhas da TV Globo.
Não quis saber de falar de Zé Ramalho ou cantar o hino do Linense.
Exigiu ser tratado com dignidade e falar de futebol.
Foi aplaudido por todo o elenco no vestiário.
Se tornou o líder que a equipe precisava.
Exerce uma lidarança com raiva, vontade de vencer.
Não tão simpática e sem freios como era a de Marcos.
Barcos é astuto, sabe até onde pode ir.
Vivido, nômade argentino.
Ele conseguiu trazer algo que o Palmeiras havia perdido: respeito dos adversários.
Está certo que tudo isso está acontecendo no fraco e monótono Campeonato Paulista.
O clube tem de se impor na Copa do Brasil.
E na fase final do Estadual.
Leandro Amaro deixou escapar uma conversa que o time teve com Felipão.
"Nós falamos que precisamos ganhar alguma coisa esse ano."
Ele tem razão.
Desde 2008, que o Palmeiras virou sinônimo de derrota, constrangimento.
Barcos é tão importante que está conseguindo reaproximar Valdivia dos outros jogadores.
A postura arrogante do chileno o afastava do time.
Ele sempre foi muito mal visto pelos atletas.
Sabia disso e não se importava.
Com a recente amizade com o argentino, ele mudou seu comportamento.
Até com Felipão.
O meia entendeu que estava isolado e que sua carreira estava estagnada.
Um líder verdadeiro pode mudar um time de futebol.
E é o que está acontecendo no Palmeiras.
Barcos foi a melhor contratação em anos.
Vale lembrar que ele foi contratado sem a anuência de Frizzo.
O vice presidente acabou convencido por empresários ligados a Kia Joorabchian.
Ele acreditava que o clube não deveria investir no argentino.
E sim no paraguaio Luis Caballero.
Felipão comparou o potencial de Barcos com Caballero.
E chegou a falar em demissão se o argentino não fosse contratado.
Acertou em cheio.
Frizzo não gosta nem de lembrar da história.
Principalmente depois de um 6 a 2 como hoje.
Com direito à comemoração do argentino como pirata.
Fez o desejo de Renata Fan.
Um sutil troco na provocação infantil da Globo e das fotos de Zé Ramalho.
Barcos deve encher de orgulho todo torcedor.
Esse argentino mudou a perspectiva de um clube.
A segunda-feira não será tão sofrida para o palmeirense.
Se sentir vontade, dance...
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