O Palmeiras contrata Oswaldo de Oliveira. Alexandre Mattos acredita que ele poderá repetir o que Marcelo Oliveira fez no Cruzeiro. Nada de socos na mesa, chega ao clube um diplomata…

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Por que o Palmeiras fechou com Oswaldo de Oliveira? Por causa de Alexandre Mattos. O executivo que vive a surreal situação de comandar tanto o futebol cruzeirense como o palmeirense até o dia 31, escolheu o ex-treinador do Botafogo. Paulo Nobre queria Mano Menezes ou Abel. Sonhava com um comandante, treinador de socar mesa, impor respeito na torcida, na imprensa. Mas se deixou convencer em relação a Oswaldo.

Mano se tornou inviável por causa de Carlos Leite. Ele é agente tanto do ex-técnico do Corinthians como de Dorival Júnior, demitido pelo Palmeiras, logo após salvar o clube da Segunda Divisão. Os dois treinadores graças a Leite se aproximaram. Menezes sabia de todo o sofrimento que Dorival passou no Palmeiras. E o quanto ele queria continuar. Diante desse quadro, Mano mandou avisar que não trabalharia no Palestra Itália.

Abel Braga foi sondado. Não disse nem sim, nem não. Parecia mais interessado em continuar seu trabalho no Internacional. De qualquer maneira, seu salário bate nos R$ 600 mil.

Alexandre Mattos insistiu com Paulo Nobre que o Palmeiras precisa de um treinador de diálogo, que respeite o ambiente. Valorize, compreenda o trabalho da diretoria. Tenha excelente clima com os jogadores. Aceite um salário até R$ 350 mil. E dê a alma para ganhar ou recuperar ou ganhar prestígio. Como o dirigente já havia feito com Marcelo Oliveira no Cruzeiro.

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Oswaldo de Oliveira tem todas essas qualidades. Estava desempregado desde que foi mandado embora do Santos. Ele é um diplomata. Acredita que tudo pode ser resolvido com uma boa conversa. Costuma seduzir as estrelas do time que trabalha. Foi assim com Rincón, Ricardinho e Marcelinho Carioca no Corinthians campeão mundial de 2000, time que herdou, prontinho, de Vanderlei Luxemburgo na sua melhor fase da carreira. 14 anos depois, ele continua com a mesma estratégia. É óbvio que Oswaldo se aproximará de Valdivia.

A passagem de quatro anos do treinador no Japão foram importantes. Oswaldo entendeu o trabalho do conjunto se impondo diante do individual. Tudo ganhou ainda mais sentido depois da convivência intensa com Seedorf. Daí querer ter o chileno ao seu lado, indo além de ser mero capitão do time, como era com Dorival Júnior. Será quase um auxiliar técnico.

Oswaldo é calmo, conversador. Mas era muito mais contido nas partidas decisivas. Mesmo quando seu time era visivelmente prejudicado pela arbitragem. Mudou radicalmente sua postura depois de uma partida contra o Grêmio. Passou a sentir fortes dores no peito, arritmia cardíaca, em outubro de 2013. Desde então a pedidos de sua esposa, Jennifer Setti, Oswaldo não se cala diante dos árbitros. Pelo contrário, reclama, xinga. Por isso as expulsões tanto no Botafogo como no Santos ficaram frequentes. Já deu até 'banana' a santistas que vaiavam o time.

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A falta de dinheiro no Botafogo o fez lidar com garotos da base. E ele foi muito bem. Ganhou duas vezes o título carioca. No Palmeiras, Alexandre Mattos quer que as jovens revelações palmeirenses tenham espaço no time. Assim com jogadores rodados. O clube tenta Fred e Conca. Mas é provável que Rafael Sóbis seja o primeiro das Laranjeiras a desembarcar no Palestra Itália.

De concreto, o Palmeiras já fechou com o volante Amaral, ex-Goiás. Apostará no lateral direito Lucas, ex-Botafogo. O bom zagueiro Vitor Hugo, do América Mineiro, é outro que está quase certo.

Mattos está preparado até para uma eventual resistência da torcida palmeirense, já que o treinador foi campeão mundial pelo Corinthians. A experiência veio com a efetivação de Marcelo Oliveira no Cruzeiro, depois de ter jogado e trabalhado no Atlético Mineiro. Mattos e o presidente Gilvan Tavares foram até ameaçados de morte pelas organizadas cruzeirenses. Mas não cederam. E Oliveira foi um sucesso acima de qualquer radicalismo. Há a certeza no novo executivo palmeirense que tudo se repetirá com o novo treinador.

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Oswaldo foi ganhando coragem taticamente com o passar dos anos. Deixou de privilegiar a defesa. No Santos, por exemplo, seu time era muito aberto, mas ofensivo. Algo que seduz os torcedores e dirigentes palmeirenses, cansados de equipes covardes taticamente.

O contrato de Oswaldo será até o final de 2015. Com a preferência do Palmeiras em eventual renovação. Será o mais caro treinador desde que Paulo Nobre assumiu. Gilson Kleina recebia R$ 220 mil. Gareca, R$ 250 mil. Dorival Júnior, R$ 300 mil. O anúncio oficial do técnico que ganhará R$ 350 mil está marcado para terça-feira.

Embora não pareça, Oswaldo é um dos treinadores mais velhos do futebol brasileiro. Acabou de completar 64 anos. De acordo com conselheiros palmeirenses, ele está muito animado em começar seu trabalho no novo clube. O anúncio oficial deverá acontecer na terça-feira. O plano de Alexandre Mattos é transparente. Quer fazer do técnico, o cover de Marcelo Oliveira. Nada de socos na mesa, brigas, afastamento de atletas. Chega ao Palestra Itália um diplomata...
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Gobbi não quer pagar os R$ 700 mil prometidos por Roberto de Andrade a Tite. Oferece R$ 400 mil. O técnico que se prepare. O Corinthians está muito diferente de quando ganhou a Libertadores e o Mundial…

1ae19 Gobbi não quer pagar os R$ 700 mil prometidos por Roberto de Andrade a Tite. Oferece R$ 400 mil. O técnico que se prepare. O Corinthians está muito diferente de quando ganhou a Libertadores e o Mundial...
Depois de um ano sabático, motivado pela frustrada espera para ser o técnico da Seleção ,depois da Copa do Mundo, Tite está pronto para trabalhar. Quer voltar ao Corinthians. Está prestes a assinar novo contrato entre hoje e segunda-feira. Há conversar agendas em Porto Alegre e São Paulo.

Mas ele já percebeu. O Corinthians que está perto de retornar é muito diferente do que deixou em 2013. O clube está completamente rachado. Com membros da situação brigando por poder, visibilidade, prestígio. O exemplo já começa no seu contrato. Roberto de Andrade, candidato mais que favorito a suceder Mario Gobbi, já havia procurado Tite assim que Dunga foi confirmado no lugar de Felipão.

Os dois deixaram mais do que encaminhada a volta. Todos no Parque São Jorge sabiam disso. A começar por Mano Menezes. Gobbi, muito próximo a Mano, disse que não poderia fazer nada. O novo presidente que decidisse com qual treinador iria trabalhar. E virou as costas às negociações.

Só que vazou na imprensa que a primeira pedida de Tite chegaria a R$ 800 mil. Mano até ironizou e aumentou essa pedida na sua última coletiva, há uma semana. "Eu prefiro ganhar R$ 450 mil e mais R$ 450 mil de bônus por conquistas. Mas tem gente que só aceita R$ 900 mil direto." O recado era claro. O objetivo, também. Expor o seu sucessor, que reconquistava o cargo.

Tite e seu empresário Gilmar Veloz estavam tranquilos. Acreditavam que tudo que haviam combinado com Roberto de Andrade seria o que valeria com Mario Gobbi. Não era. Até porque o ex-presidente, e quem realmente manda no clube, Andrés Sanchez, resolveu abrir a boca. Disse que o máximo que o Corinthians deveria pagar a qualquer treinador seria R$ 400 mil mensais.

Só que Roberto de Andrade havia acertado R$ 700 mil mensais. O número vazou não só para a imprensa. Mas para os demais candidatos a presidente. Foi uma chiadeira absurda. Paulo Garcia, Citadini e Ilmar Schiavenatto protestaram. Principalmente pela enorme dívida do clube em relação ao Itaquerão. A ordem é economizar ao máximo. E o clube decide pagar R$ 700 mil a um técnico.

1agenciacorinthians1 Gobbi não quer pagar os R$ 700 mil prometidos por Roberto de Andrade a Tite. Oferece R$ 400 mil. O técnico que se prepare. O Corinthians está muito diferente de quando ganhou a Libertadores e o Mundial...

Mario Gobbi começou a ser pressionado. Roberto de Andrade estaria agindo como presidente. As queixas foram tantas que Gobbi resolveu assumir as negociações. Afinal, será presidente até fevereiro. O primeiro recado enviado para Gilmar Veloz foi ontem à noite. O Corinthians poderia pagar R$ 400 mil fixos a Tite. E, como Mano, ele ganharia bônus especiais por títulos e classificação à Libertadores de 2016. Que coincidência, R$ 400 mil. O mesmo número sugerido por Andrés...

O salário é mais baixo do que Tite recebia quando saiu do Corinthians em 2013. É um imprevisto impasse.

A autoridade de Gobbi foi questionada pelos candidatos de oposição. Eles se irritaram com o comportamento de Roberto de Andrade, agindo como presidente. 18 quilos mais pesado desde que assumiu a presidência, estafado, cabelos brancos, gaguejando de nervoso, o presidente quer fazer da contratação do treinador um dos seus últimos atos como presidente.

Com o Corinthians rachado, Tite e Gobbi sabem que o valor que acertarem vazará quase que imediatamente do Parque São Jorge. Se for um salário 'baixo' para mostrar austeridade e será ótimo para a situação. Caso seja alto, perto de R$ 700 mil, seria ótimo para a oposição. Serviria como exemplo de 'desperdício'.

Só que o presidente não está levando em consideração o fato de que, quando Tite saiu do clube, ganhava R$ 600 mil mensais. Teria de receber R$ 200 mil a menos para retornar...

2ae9 Gobbi não quer pagar os R$ 700 mil prometidos por Roberto de Andrade a Tite. Oferece R$ 400 mil. O técnico que se prepare. O Corinthians está muito diferente de quando ganhou a Libertadores e o Mundial...

Tudo é muito estranho. Porque o atual presidente corintiano foi responsável pela dispensa de Tite no ano passado. E não desejava sua volta agora. Mas teve de ceder porque Roberto de Andrade o quer de volta. Até porque o cargo da presidência já está prometido a ele há anos.

Se acabar havendo acordo, Tite perceberá que mesmo após as eleições suas decisões serão questionadas. A oposição conseguiu criar força com o racha da situação. Andrés deixou de se relacionar com Gobbi. O presidente se cansou de apenas se submeter às 'sugestões' do homem que o colocou no cargo de presidente. A revolta custou o rompimento, o isolamento de Gobbi.

O fato de o Corinthians ser obrigado a disputar a Pré-Libertadores também é mais um obstáculo para o treinador. Ele precisará ter os reforços contratados e treinando assim que terminarem as férias. Ele terá de levar a equipe para uma pré-temporada nos Estados Unidos. E logo disputará um torneio com Bayer Leverkusen, Colonia e Fluminense. Já com a cobrança de ter um bom resultado, para abrir o mercado internacional. No retorno ao Brasil, a Pré-Libertadores contra um time colombiano: Onze Caldas, Santa Fé ou Independente Medellin. A obrigação de classificar, chegar à fase de grupos será toda do novo técnico.

Mas já está claro que a oposição cresceu. E promete ser muito mais presente do que jamais foi. Tite não terá a tranquilidade de 2012. Como estão vazando os valores de sua pedida e de quanto o clube está disposto a pagar. Caberá ao novo técnico também o ônus de Guerrero. Se ele exigir o peruano, a conta ficará sob suas costas. Caso abra mão do artilheiro, precisará que seu time compense a ausência.

Tudo está muito pesado no Corinthians. As pessoas estão mais ressentidas. Os jogadores, mais desconfiados. Muitos deles queriam a permanência de Mano Menezes. Falaram de forma aberta para a imprensa. Politicamente, o clube rachou a tal ponto que a pior divisão está dentro da própria situação. Não foi neste ambiente que Tite conseguiu a Libertadores e o Mundial.

As conversas entre Gobbi, Tite e Gilmar Veloz podem não ser tão tranquilas como se esperava. Há irritação e pé atrás dos dois lados. Mesmo assim, todos trabalham com a possibilidade de o Corinthians anunciar o retorno do campeão mundial e da Libertadores na próxima segunda-feira, dia 15. O que deveria ser momentos de alegria e esperança, viraram pura tensão no Parque São Jorge. Tite que se prepare. Se aceitar voltar, sua vida não será fácil...
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Fred e Conca no Palmeiras? Só com o bilionário Paulo Nobre colocando a mão no bolso. Em compensação, a chegada de Oswaldo de Oliveira está muito bem encaminhada…

1ae18 Fred e Conca no Palmeiras? Só com o bilionário Paulo Nobre colocando a mão no bolso. Em compensação, a chegada de Oswaldo de Oliveira está muito bem encaminhada...
Paulo Nobre resolveu fazer o que não queria. Colocar dinheiro seu na contratação de jogadores importantes. Na alça de mira está Fred, Conca, um lateral esquerdo e um zagueiro. Além de Oswaldo de Oliveira como técnico. O dirigente percebeu o óbvio. Já emprestou R$ 153 milhões para sanar os problemas do Palmeiras como clube. E não como time. Mesmo assim as dívidas palmeirenses atingiram mais de R$ 300 milhões.

Só com uma equipe poderosa, o fluxo de caixa se manterá firme. Com patrocinadores, maior interesse da tevê, garantia de estádio cheio, convites para amistosos, torneios. O dirigente sentiu na pele toda a pressão de ter um estádio novo. E quase ter de utilizá-lo no primeiro ano na Segunda Divisão.

A revelação de mudanças de rumo foi feita pelo demitido executivo de futebol, José Carlos Brunoro. Ex-dirigentes são ótimas fontes. Ainda mais depois que são mandados embora. A amigos ele confidenciou que o presidente mudará sua postura em relação ao futebol. Que o primeiro mandato foi para colocar o caixa em ordem. Por isso tanta economia e chegada de jogadores medíocres.

Nobre sempre cobiçou um jogador específico do Fluminense. Não. Não era Fred. Mas o argentino Conca. Ele acreditava que ao lado de Valdivia, o Palmeiras poderia ter o meio de campo mais criativo do futebol brasileiro. Só que tinha a certeza que, com a Unimed, tudo ficaria difícil. Agora, com o fim da parceria de 15 anos com o clube carioca, tudo mudou.

A aposta de Nobre é que o Fluminense não terá como bancar os salários de R$ 900 mil de Conca. A Unimed não tem a obrigação de continuar bancando os atletas, depois do fim do patrocínio. A diretoria da Guaraviton já avisou: não pagará por jogadores. Fará apenas publicidade na camisa. Ambicioso, o novo executivo, Alexandre Mattos, quer também Fred, que recebe o mesmo que o argentino nas Laranjeiras. Seriam os dois ídolos que mudariam o perfil da equipe. Garantiriam a atenção da mídia. Facilitariam novas transações. A transação traria o sonhado efeito colateral: acabar a dependência de cinco anos de Valdivia.

A questão de treinador, pelo que garantem conselheiros, poderá ser definida talvez ainda hoje. O Palmeiras não terá o preferido do presidente: Mano Menezes. Empresariado por Carlos Leite, ele não se sente à vontade assumindo o lugar de Dorival Júnior. O demitido treinador é também agenciado por Leite. Há uma proximidade natural entre os dois treinadores, daí a negativa do ex-corintiano.

Houve sim ligações para Abel Braga. Acontece que haverá eleições no Internacional neste sábado. E tanto situação como oposição defendem a permanência do técnico. Como Abel é muito ligado ao grupo que conseguiu o terceiro lugar no Brasileiro, sua tendência é renovar. E com salário superior a R$ 500 mil.

1reuters Fred e Conca no Palmeiras? Só com o bilionário Paulo Nobre colocando a mão no bolso. Em compensação, a chegada de Oswaldo de Oliveira está muito bem encaminhada...

Oswaldo de Oliveira está na mão. Ele está desempregado depois de ter sido demitido pelo Santos, em setembro. O treinador tem o salário mais baixo. Aceitaria R$ 400 mil mensais. Conciliador por natureza, teria o perfil para montar uma equipe que mesclaria jogadores importantes com jovens revelações da base. Como fez no Botafogo e Santos, seus dois últimos trabalhos. Há uma ideia de que todos os terceiros reservas para o time principal sejam atletas da base. Maneira de estimular e valorizar os garotos.

Com a contratação de Tite praticamente assegurada pelo Corinthians, o Palmeiras seria a única opção para Oswaldo. O seu currículo de campeão mundial no Parque São Jorge, sua vasta experiência, agrada Paulo Nobre. Já seria um salto em relação a Gilson Kleina, Gareca e Dorival Júnior. O dirigente quer busca nomes de impacto no mercado. Chegou à conclusão que precisa de sucesso no futebol.

Para quem já colocou R$ 153 milhões, não custaria nada investir mais R$ 30 milhões na formação do novo time. Paulo Nobre tem essa convicção. Não quer que o Palmeiras repita no ano que vem tudo o que viveu neste centenário. E ele sabe que o aporte financeiro será diferente. A partir de 2015, todas as receitas de televisão chegarão integralmente ao clube. Os adiantamentos feitos por diretorias passadas acabarão no final deste ano. Com o dinheiro da tevê, da bilheteria, de um patrocinador master e mais o bolso sem fundo do milionário Nobre, tudo ficará mais fácil.

O dirigente promete ser bem menos exigente em relação ao patrocínio master. Não exigirá mais R$ 35 milhões por ano. Percebeu que foi pura perda de tempo. Está muito mais maleável. Não recusará se alguma empresa oferecer R$ 20 milhões.

2ae8 Fred e Conca no Palmeiras? Só com o bilionário Paulo Nobre colocando a mão no bolso. Em compensação, a chegada de Oswaldo de Oliveira está muito bem encaminhada...

A briga entre as cúpulas de São Paulo e Palmeiras ainda incomoda. Nobre não se mostra disposto a antecipar a liberação de Wesley para atuar no Morumbi. Pessoas influentes dos dois clubes garantem que o volante não renovará seu contrato e já acertou a ida para o rival. Atuará no time de Carlos Miguel Aidar de 2015 até 2018. O atleta se irrita com a insistência da imprensa sobre o caso. Mas não nega que atuará no São Paulo. Insiste que pertence ao Palmeiras. Mero jogo de palavras. Ele pertence só até fevereiro de 2015. O clube do Palestra Itália perderá um investimento de R$ 20 milhões.

Paulo Nobre também já foi informado. Se não quiser que o São Paulo o faça passar raiva, como fez com Carlinhos, terá de se apressar em relação a Conca. Muricy indicou o atleta para Aidar. E o clube busca viabilizar a contratação.

Haverá também concorrência por Fred. A cúpula corintiana já sondou como está a negociação do Palmeiras com o atacante. Em caso de perda de Guerrero, o clube precisa de um atacante, de um ídolo para disputar a Libertadores. E o jogador do Fluminense começou a ser estudado.

Se quiser começar a montar o time 'digno' do Palmeiras em 2015, como prometeu, Paulo Nobre precisa colocar a mão no bolso. Ir muito além do volante Amaral do Goiás, cujo acerto foi fechado. Seu contrato com o time do Planalto Central termina este mês. Caso deseje mesmo Fred, Conca e Oswaldo de Oliveira, está na hora do bilionário Paulo Nobre começar a assinar os cheques...
1reproducao10 Fred e Conca no Palmeiras? Só com o bilionário Paulo Nobre colocando a mão no bolso. Em compensação, a chegada de Oswaldo de Oliveira está muito bem encaminhada...

A incompetência dos dirigentes do Fluminense. Foram 15 anos de fartura com a Unimed. Mais de R$ 300 milhões circularam pelo clube. Não foi construído um CT. A Comlurb que fique a postos…

2reproducao4 A incompetência dos dirigentes do Fluminense. Foram 15 anos de fartura com a Unimed. Mais de R$ 300 milhões circularam pelo clube. Não foi construído um CT. A Comlurb que fique a postos...
Dizem que nos últimos segundos de vida, as cenas mais marcantes de sua vida passam em um flash diante dos olhos. Se eu parasse de trabalhar com futebol, depois de 29 anos, vários momentos fariam fila na minha memória. Um deles aconteceu no dia 5 de dezembro de 2010, no Engenhão. Inesquecível.

O Fluminense havia acabado de ganhar o título brasileiro. Eu estava cobrindo o jogo contra o pobre Guarani. O acesso aos jornalistas ao gramado era permitido. E vi o corriqueiro. Volta olímpica, muito choro de alegria. Jogadores erguendo o treinador, Muricy Ramalho. Mas algo para mim foi chocante. Vários conselheiros e torcedores levantaram um senhor de cabelos brancos. Orgulhoso, como sorria fosse o herói da conquista tricolor. E era. Tinha uma faixa cruzando seu peito sobre a camisa tricolor. Nela estava estampado: 'campeão brasileiro de 2010'.

Não se furtava a acenar para as arquibancadas, onde fãs o aplaudiam. Muricy Ramalho, sempre ranzinza, não fugiu do beijo estalado na bochecha deste senhor. Os jogadores faziam fila para abraçá-lo. Fred e Conca dançavam com ele. E logo surgiu o coro de "Celsão, Celsão, Celsão". Um repórter carioca me apontou as arquibancadas e vi uma bandeira estampando seu rosto na torcida do Fluminense.

Jamais vi nada parecido. Um patrocinador ser tão comemorado, tão respeitado, tão idolatrado. Nem Kia Joorabchian nos seus banquetes romanos no Corinthians.

Também não era para menos. Por 15 anos, Celso de Barros conseguiu fazer com que a empresa bancasse o futebol do Fluminense. Foi o mecenas perfeito. A desculpa dada em 1988 era que o plano médico tinha apenas 200 mil clientes e buscava o esporte como veículo de divulgação. Foi assim que Barros convenceu o plano de saúde a bancar o clube de seu coração.

Muito mal financeiramente, o Fluminense lhe estendeu um tapete vermelho. E Celso não se fez de rogado. Tratou de injetar dinheiro no futebol. O modelo de gestão foi absolutamente primitivo. Muito dinheiro na equipe principal. Agindo como torcedor, o presidente da Unimed buscou no mercado os atletas que desejava ver atuando no seu time. Ele contrataria os atletas que quisesse e se responsabilizaria pelo pagamento de salários. Eventuais vendas destinariam pequenas porcentagem ao clube.

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Ele sempre teve uma atração por jogadores do meio para a frente, como qualquer frequentador de arquibancadas. Dodô, Roger, Carlos Alberto, Sheik, Thiago Neves, Edmundo, Ramon, Conca, Deco, Romário e o seu favorito, Fred foram contratados.

Times fortes foram montados. Eles resgataram a autoestima do torcedor que passou por enorme humilhação. Em 1999, o clube da elite do futebol carioca disputou a Terceira Divisão do Brasil. Logo no primeiro ano da patrocinadora, o título da Série C, que ninguém gosta de lembrar. A partir daí, a ascensão. Vieram três Campeonatos Cariocas, 2002, 2005 e 2012. A Copa do Brasil em 2007. E dois Campeonatos Brasileiros da Série A, 2010 e 2012. Em 2008, a tragédia maior. Perdeu a Libertadores nas cobranças de pênaltis para a LDU do Equador.

O grande erro de gestão foi das diretorias que passaram pelo Fluminense nos últimos 15 anos. Os presidentes se comportavam como se a Unimed fosse ficar até o final dos tempos bancando grandes times. Em 2010, foi criada Unimed-Rio Participações e Investimentos. Apenas para cuidar dos jogadores que era dona na prática.

Os investimentos em contratações e salários oscilaram nestes 15 anos. Foram de R$ 10 milhões até R$ 60 milhões. Mas o clube se aproveitar de tanto dinheiro circulando. Não se modernizou. É inacreditável, mas o Fluminense não conseguiu construir até hoje um Centro de Treinamento para seus profissionais. Erro inadmissível. O time treina no velho estádio das Laranjeiras.

Em 2011, Muricy Ramalho não escondeu porque saiu do clube. Falta de estrutura. "O campo é ruim. Não tem equipamentos, não há como cuidar do jogador que se machuca no clube. No vestiário tem até ratos. Já ouvi vários correndo pelo telhado. Isso é absurdo." Os dirigentes ficaram revoltados com a 'falta de respeito' com o que o treinador disse em março. Ele chegou a ser considerada persona non grata nas Laranjeiras.

Mas veio abril. Não se passaram 30 dias da desagradável revelação e não é que um rato despenca diante dos jornalistas, nas Laranjeiras? Sem graça, funcionários do Fluminense mataram o roedor. Tudo foi fotografado, um escândalo nacional. O Departamento de Controle de Ratos da Comlurb foram chamados para tentar extinguir definitivamente os ratos.

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Os roedores viraram símbolo do atraso do clube. Rico em estrelas e paupérrimo em infraestrutura. Um caso total de incompetência, falta de visão. O ótimo trabalho na base é fruto de esforço humano do que condições em Xerém. O desperdício da parceria com a Unimed lembra o que se passou com o Palmeiras e a Parmalat. Com a diferença que pelo menos houve a construção de um CT digno na Barra Funda. Com direito a campos e fisioterapia. No entanto, a promessa de um hotel para servir de concentração virou vento.

O Fluminense ganhou uma área da Prefeitura do Rio para construir o seu Centro de Treinamento em abril de 2013. A previsão é que fique pronto apenas em 2016. Os custos passaram de R$ 13 milhões para inacreditáveis R$ 45 milhões. A Unimed nunca se preocupou com infraestrutura. E nem o clube nestes 15 anos. Expunha suas estrelas ao péssimo gramado das Laranjeiras. E seus vestiários com ratos. Um descaso inaceitável. Não havia reclamação dos atletas porque seus salários e direitos de imagem eram pagos religiosamente.

Mas a recessão chegou. O PIB do Brasil em 2014 cresceu 0,1%. A Unimed Rio foi afetada, como todas as empresas do país. Seus 17 milhões de usuários da cooperativa se tornaram mais exigentes. A troca de plano de saúde se tornou mais fácil. Dentro desse cenário não havia mais cabimento para Celso Barros continuar a aplicar dinheiro comprando jogadores para seu clube de coração.

Há pelo menos três anos, o cenário se desenhava. Mas os dirigentes do Fluminense continuavam fingindo que nada se alteraria. Negando a realidade, exatamente como os dirigentes palmeirenses nos últimos dias da Parmalat. Celso Barros já teve forte oposição na sua reeleição como presidente da Unimed. Assumiu o cargo com a promessa de colocar fim da parceria com seu amado Fluminense. Aos poucos.

Ele tentou de todas as maneiras diminuir o investimento. Mas teve de submeter. E fechar de vez os cofres. Dinheiro da Unimed não entrará mais no Fluminense. O logotipo sairá da camisa tricolor em 2015. Para pagar os direitos de imagem de vários jogadores, principalmente Fred, 20 meses, não há outra saída. A empresa venderá seus atletas.

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Só para ter uma ideia concreta de quanto são importantes os direitos de imagem na vida financeira de cada atleta. Fred recebe 23% dos seus R$ 900 mil na carteira de trabalho. 77% são de direito de imagem. A proporção é muito parecida para Conca, Walter, Rafael Sóbis, Bruno, Wagner, Jean e Cícero.

Avisada por Celso que a Unimed sairia há meses, a direção do Fluminense conseguiu acertar parceria com o grupo Viton 44, que bancava o Botafogo. O dinheiro será muito menos do que estava acostumado. Apenas R$ 16 milhões até o final de 2015, a metade que o convênio médico pagou em 2014.

Embora o presidente Peter Siemsen tente disfarçar, o saldo do fim da parceria está na sala de troféus. Títulos importantíssimos, autoestima resgatada. Mas os mais de R$ 300 milhões que circularam nas Laranjeiras não foram aproveitados para modernizar o clube. Buscar a construção de um novo estádio ou, no mínimo, remodelar as Laranjeiras. Não houve visão ou competência para erguer um Centro de Treinamento para seus jogadores.

A Unimed,com suas ambulâncias de dinheiro, passou. O que restou foi só atraso. Um time recheado de estrelas que o clube não tem condições de bancar. E que serão fatalmente vendidos. Sobrou também o acanhado estádio construído em 1919 que sofreu várias reformas improvisadas. A sensação de medo, de seguir o caminho do triste Botafogo domina o clube, que no passado foi o digno representante da elite carioca. Mas o tempo passou e só seus dirigentes não viram.

Dizem que Celso Barros chorou muito com o fim forçado da parceria. Mas todos no Rio sabem. A diretoria do Fluminense, sim, ela tem motivos de sobra para derramar lágrimas. A farra acabou.

Os funcionários da Comlurb que fiquem atentos. Ainda podem ter muito trabalho nas Laranjeiras, daqui para a frente...
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A reunião que tirou PVC da ESPN. Felipão e Parreira queriam se salvar, ter o apoio para a péssima Seleção na Copa de 2014. Tudo que conseguiram foi levar Paulo Vinicius Coelho para a Fox Sports…

1reproducao8 A reunião que tirou PVC da ESPN. Felipão e Parreira queriam se salvar, ter o apoio para a péssima Seleção na Copa de 2014. Tudo que conseguiram foi levar Paulo Vinicius Coelho para a Fox Sports...
A saída de Paulo Vinicius Coelho da ESPN se transformou no assunto da semana. Roubou a atenção dos jornalistas esportivos do país. Trocas de treinadores, vendas de atletas, alta de Pelé do hospital. Tudo ficou secundário. O comentarista virou manchete, objeto de discussões. Foi impossível ontem conversar com um jornalista e não tocar no nome de PVC.

Não sou seu amigo. Só o encontro em coberturas importantes. Geralmente em partidas da Seleção Brasileira. Nos cumprimentamos, brincamos sobre o futebol paulista e só. Nesta Copa, porém, por coincidência, acabamos tomando café juntos. E ele me fez uma revelação. Quando tinha seus 18 anos, telefonava para o Jornal da Tarde. Pedia para falar comigo. Queria trabalhar no jornal que era referência na cobertura de futebol no Brasil.

Eu recebi algumas ligações durante os 23 anos que trabalhei no JT de estudantes de jornalismo. O pedido foi sempre o mesmo. Queriam colaborar, ter uma chance. Eu nunca tive o perfil de chefe. Já recusei algumas propostas. Sou repórter, gosto de correr atrás da notícia. Ou contextualizá-la, encaixá-la no universo dos bastidores do futebol. Tornar o fato mais compreensível para o leitor. Explicar motivos, interesses e reflexos.

Fiquei chocado com a revelação de PVC. Não tinha a menor ideia que ele tinha sido uma das pessoas que telefonaram me procurando. Ele me falou que fui gentil e disse que contratar não era minha função. Dei o nome do meu chefe e desejei boa sorte. Realmente era o que eu fazia com todos que me pediam emprego. Não tinha autonomia. Nem por isso destratava ninguém. Até porque eu também precisei de uma chance no passado.

Os anos correram muito rápido. Mas a ascensão de PVC no jornalismo esportivo foi ainda mais veloz. Estudioso, dono de uma memória inacreditável, com excelente visão tática e firme nas suas convicções, com ótimas fontes. Os 14 anos de entradas diárias ao vivo na ESPN espantaram sua timidez. Estava moldado um dos mais importantes comentaristas do país.

Amigos em comuns garantem que PVC tem também um grande caráter. Amigo fiel até a morte. Por isso fiquei surpreso quando soube que deixaria a sua amada ESPN. Ele já havia sido sondado para trabalhar em emissoras abertas. As que detém o direito de transmitir futebol no Brasil: Globo e Bandeirantes. As conversas não foram em frente. Ele estava muito feliz onde trabalhava. Pelo menos era o que ouvia e percebia. Principalmente durante a Copa. Até um dia. 30 de junho.

Foi quando Carlos Parreira teve uma 'brilhante' ideia. Repetiria o que fez no Mundial em 2006. Ele e o então assessor de imprensa da Seleção, Rodrigo Paiva, convenceriam Felipão. Era chegada a hora de uma reunião entre a Comissão Técnica da Seleção e os principais veículos esportivos do País.

A Seleção estava sendo massacrada por jornalistas brasileiros. O time havia conseguido eliminar o Chile nas oitavas-de-final. Na chorosa decisão por pênaltis, no Mineirão. O argentino Jorge Sampaoli havia dado uma lição tática em Felipão. Seu time acertou um chute no travessão aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação. O Brasil esteve a um triz de ser eliminado nas quartas-de-final.

2reproducao3 A reunião que tirou PVC da ESPN. Felipão e Parreira queriam se salvar, ter o apoio para a péssima Seleção na Copa de 2014. Tudo que conseguiram foi levar Paulo Vinicius Coelho para a Fox Sports...

A partida foi em um sábado. Foi um massacre de justas cobranças. A falta de variação tática, a ridícula preparação psicológica, a dependência de Neymar, a fragilidade da marcação. Felipão e seus jogadores perceberam que as críticas estavam influenciando até o comportamento dos torcedores. A paciência estava acabando. A decepção era perceptível. A promessa de título ficava cada vez mais difícil de acreditar. A imprensa percebia o abismo entre o time de Scolari e Alemanha, Holanda e Argentina.

Parreira e Rodrigo convenceram Felipão. Iriam fazer uma reunião entre os veículos mais influentes do país. Na visão dos três, mostrando as dificuldades da Seleção, ganhariam o apoio de um seleto grupo. E eles influenciariam os demais. Decidiram por seis nomes. Apostavam que os demais 694 jornalistas que estavam diariamente na Granja Comary iriam a reboque. Como se não tivessem opinião, neurônios e não percebessem o que estava acontecendo. Apenas copiavam o que os 'papas da comunicação' diziam.

De maneira tosca, os seis homens de confiança de Felipão e penetração nacional foram convocados. Seu assessor de imprensa pessoal, que trabalhava com o crachá da Sportv, empresa da Globo, os levou ao local de reunião. Jornalistas foram arrastados pelo braço aos gritos de "vem, vem, vem" do assessor de Scolari. Postura amadora que só chamou a atenção dos centenas que estavam na concentração brasileira.

Logo a grande maioria da imprensa na Comary ficou sabendo. Fernandinho Fernandes da TV Bandeirantes, Oswaldo Paschoal da Fox e Rádio Globo, Juca Kfouri do UOL, Folha, ESPN e CBN, Luis Antonio Prósperi, do jornal Estado de São Paulo, Carlos Eduardo Mansur do Globo e PVC da ESPN e Folha. O grupo ficou conversando em pé, atrás de onde aconteciam as entrevistas coletivas. Protegidos por seguranças e cortinas. Do outro lado, nós. Os jornalistas excluídos só esperando. Uma ópera bufa arquitetada por Parreira e pela assessoria da CBF.

1cbf A reunião que tirou PVC da ESPN. Felipão e Parreira queriam se salvar, ter o apoio para a péssima Seleção na Copa de 2014. Tudo que conseguiram foi levar Paulo Vinicius Coelho para a Fox Sports...

O que deveria ser segredo, durou dez minutos. As queixas e os pedidos de Felipão, Parreira e Murtosa para que fossem melhor compreendidos estavam dez minutos depois em sites. Inclusive a sutil acusação que a Fifa não queria o Brasil hexa. Revelaram que Neymar e Thiago Silva estavam abalados emocionalmente. E que, se pudessem, não teriam levado um jogador que estava no grupo. Os jornalistas deram palpites sobre o que a Seleção deveria melhorar taticamente. E da postura dos atletas diante do país.

A reunião foi um tiro de espingarda na cabeça de Felipão e Parreira. Os dois descobriram que os 694 jornalistas excluídos ficaram ainda mais ácidos, mais exigentes em relação ao time. E que nada do que os sexteto falou em favor da Seleção teve importância. Pelo contrário. Ficaram marcados injustamente como 'amigos de Felipão'. Injustamente porque foram convocados. E todo jornalista que recebesse o mesmo convite aceitaria. Como recusar conversar abertamente com o treinador do Brasil durante uma Copa?

O mais incomodado desse encontro foi PVC. Muito gentil, ele foi cercado por jornalistas que não participaram do encontro. Tentou de todas as maneiras explicar o porquê de ter aceito conversar com Felipão, já que ele era um dos críticos mais ferrenhos da Seleção. A ESPN como um todo alertava como o Brasil estava mal. Era o veículo que mais questionava o trabalho de Felipão.

De repente, PVC virou, sem perceber, o escudo de Felipão na emissora. Continuou crítico, mas procurava explicar o outro lado que conheceu de forma privilegiada. Os embates entre ele e seus companheiros, ao vivo, ficaram vários tons acima do normal. Juca, mais vivido, não comprou essa briga. Até que vieram os fracassos diante da Alemanha, os 7 a 1 e derrota por 3 a 0 contra a Holanda.

Encontrei PVC depois dos 7 a 1 que o Brasil tomou no Mineirão. O cumprimentei e lamentei o resultado. Parecia que o havia provocado. Ele passou dez minutos justificando o que havia acontecido. Criticava a postura brasileira, mas estava abalado. Agia como se o mundo o considerasse também membro da Comissão Técnica. O tranquilizei, brinquei. E recebi de volta um abraço de agradecimento. E, agitado, falou com outros jornalistas sobre a goleada. Hoje percebo o quanto ele estava desgastado emocionalmente. O quanto fez mal para PVC ter participado daquela reunião.

 A reunião que tirou PVC da ESPN. Felipão e Parreira queriam se salvar, ter o apoio para a péssima Seleção na Copa de 2014. Tudo que conseguiram foi levar Paulo Vinicius Coelho para a Fox Sports...

Tudo ficou pior quando, no dia 10 de julho, após os massacres da Alemanha e da Holanda, ele assume a informação que a tendência da CBF era manter Felipão e Parreira. Deu a notícia direto da Granja Comary, com o microfone da ESPN. O que provocou mais debates acalorados na emissora. Apesar de ser mero mensageiro, para muitos, era como se PVC defendesse a manutenção. Apesar de a 'tendência não se confirmar', houve mais desgaste do comentarista.

Sei que a proposta financeira da Fox Sports é ótima. Como também foram da Globo e Bandeirantes. Dinheiro não é o caso. Acredito que também não foi a questão da ESPN perder a Champions League para o Esporte Interativo. Nem a mudança de filosofia do canal, com mais debates e menos programas elaborados, gravados. Como o Loucos Por Futebol, que ele adorava fazer.

Percebi que PVC mudou profundamente após a Copa. Depois daquela bendita reunião. Embora sei que adore seus companheiros de 14 anos de emissora, nunca mais o senti à vontade nos debates. Acompanho muito de perto a ESPN há anos. Sei que não houve um boicote ou algo parecido. Sua independência jornalística nunca foi questionada. O respeito dos colegas não se alterou.

A reação partia dele. Depois do Mundial nunca mais foi o mesmo. O desconforto, a acidez com que defendia seus pontos de vista aumentaram. A ponto de espantar quem é fã dos muitos debates que emissora faz. Os sorrisos de PVC se tornaram raros.

Parreira, Rodrigo Paiva, Scolari, Murtosa tinham uma meta. Se salvar, buscar apoio na reunião com seus jornalistas de confiança. Não poderiam imaginar que tudo o que conseguiriam de prático seria um divórcio inimaginável. Fazer PVC trocar a ESPN pela Fox Sports. É como se Ademir da Guia, no auge, fosse para o Corinthians.

O mais irônico nessa situação: só houve uma pessoa na ESPN que não perdoou a participação de PVC na reunião com Felipão. O próprio Paulo Vinicius Coelho. Era ele mesmo que se questionava. Se não se deixou iludir, dar crédito, mesmo que por poucas horas, à falida Seleção de Parreira e Scolari. Mais ninguém. Ele continua cultuado na emissora que frequentou por 14 anos.

Fica a lição. Não existe almoço de graça para jornalista. Muito menos convite de técnico de Seleção para conversar durante uma Copa do Mundo. PVC aprendeu da pior maneira.

A ESPN perdeu seu melhor representante. Não ontem. Ele deixou a emissora na tarde do dia 30 de junho. Quando foi arrastado para a conversa que mudaria sua brilhante carreira. Volte a ser feliz, PVC...
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O pior negócio do Corinthians em 2014. Vender 40% de Malcom, atacante de 17 anos, por apenas R$ 2,1 milhões. Justo ao irmão do candidato da oposição à presidência, Fernando Garcia…

1agenciacorinthians O pior negócio do Corinthians em 2014. Vender 40% de Malcom, atacante de 17 anos, por apenas R$ 2,1 milhões. Justo ao irmão do candidato da oposição à presidência, Fernando Garcia...
Uma negociação chocante, que mistura falta de visão e facilidade de lucro fácil de quem tem livre acesso ao Parque São Jorge. Não há nada de ilegal. Mas mesmo assim, a transação é assustadora.

O Corinthians vive uma grave crise financeira por conta do Itaquerão. Jornalistas, torcedores, sócios, todos têm uma noção de como a situação está complicada. Mas apenas os dirigentes sabem o tamanho do buraco para pagar o estádio, mesmo com as regalias por ter sido construído para a Copa.

A dívida passa de R$ 1,3 bilhão. No meio de 2015, já é público que o clube terá de pagar a primeira parcela de R$ 100 milhões à Odebrecht. Por isso, a diretoria tem feito todo tipo de economia possível, desde o início deste ano. Aplicado uma velha solução: vender parte de atletas para empresários.

Fernando Garcia é irmão da Paulo Garcia, candidato à presidência do Corinthians pela oposição. Eles são filhos de Damião Garcia. A família é milionária, dona da Kalunga. Fernando circula sem problema algum nos bastidores corintianos. Se dá muito bem com Mário Gobbi. Com Andrés Sanchez, a relação é excepcional. Melhor apenas a do seu irmão. Paulo Garcia foi o principal contribuinte na campanha para deputado federal pelo PT.

O candidato da oposição deu R$ 635 mil para Andrés, maior representante da situação. E que faz campanha para Roberto de Andrade se tornar presidente do Corinthians em fevereiro, derrotando Paulo Garcia. As relações íntimas são muito estranhas no Corinthians. "Política partidária e política do Corinthians são completamente diferentes", se defende Andrés.

Mas o foco é em Fernando, o irmão de Paulo. Ele levou Ralf para o Noroeste, time que seu pai tem em Bauru, em 2008. Com o talento do volante, foi para o Barueri. Graças à sua influência no Corinthians, o clube foi o caminho óbvio para o jogador em 2010. Fernando tinha 15% dos direitos do atleta. E o combinado era que, quando surgisse uma proposta do Exterior superior a R$ 12 milhões, o jogador seria vendido. Ou o clube teria de comprar a parte do empresário.

Em 2012, com a conquista da Libertadores, a Fiorentina ofereceu R$ 15 milhões. Mas o Corinthians decidiu não vender. Acreditava que o jogador se valorizaria ainda mais depois da final do Mundial. Apostava que ele estaria na Copa do Mundo. Fernando ficou revoltado. Queria o seu dinheiro, que o clube comprasse sua parte como estava combinado. Foram meses de cobrança. Até que prometeu entrar na justiça, já que tinha a promessa por escrito. Foi quando a direção do clube admitiu legalmente a dívida no final de 2013. O montante era de R$ 2,1 milhões.

1ae16 O pior negócio do Corinthians em 2014. Vender 40% de Malcom, atacante de 17 anos, por apenas R$ 2,1 milhões. Justo ao irmão do candidato da oposição à presidência, Fernando Garcia...

A pressão de Fernando continuou. Queria o dinheiro. Para resolver a questão, em abril deste ano, Gobbi cedeu 35% do jovem atacante Malcom ao empresário. E mais 5% à GT, empresa que tem Garcia como um dos donos. O Corinthians passou a ter apenas 30% do atacante. Fernando, 40%. A All Sports 15% e outros empresários mais 15%.

Malcom tem apenas 17 anos. Ninguém esperava que surgiria uma proposta tão cedo por ele. Só que apareceu. O Dinamo de Kiev está disposto a pagar 12 milhões de euros pelo atleta, R$ 38,5 milhões. O Corinthians deixou de ter 70% do jogador e apenas 30% por falta de visão. Prejuízo calculado em mais de R$ 13 milhões: R$ 15,4 milhões menos os R$ 2,1 milhões da dívida que o clube tinha com o empresário.

Na prática. Em vez de o Corinthians pagar R$ 2,1 milhões a Fernando, gastará R$ 13,2 milhões. E ficará apenas com R$ 11,5 milhões da venda de Malcom. Negócio inacreditável. Nem Eike Batista sonharia com um investimento tão bom.

"O Fernando não colocou revólver na cabeça de ninguém para fazer esse negócio", resume o candidato Paulo Garcia. Ele deixa claro que foi a gestão Mario Gobbi que resolveu essa situação de Ralf dessa maneira.

A transação com o Dinamo ainda não foi concretizada. Mas está toda apalavrada como revela o Lance!. O que provoca revolta de vários conselheiros nesta modorrenta manhã de terça-feira. Eles ainda não aceitam a maneira com que Cléber deixou o Corinthians no meio do ano. O zagueiro foi levado ao Parque São Jorge, da Ponte Preta, por Fernando Garcia. Ele era dono de 80% dos direitos do atleta. Os outros 20% eram divididos entre o jogador e o empresário de nome significativo, Beto Rappa.

3ae5 O pior negócio do Corinthians em 2014. Vender 40% de Malcom, atacante de 17 anos, por apenas R$ 2,1 milhões. Justo ao irmão do candidato da oposição à presidência, Fernando Garcia...

Mario Gobbi aceitou apenas ter o direito de usar o jogador. E pagar seu salário. Não foi combinado que o Corinthians ficaria com um centavo em caso de venda do atleta. Foi o que aconteceu. Com o clube servindo de vitrine, ele foi comprado pelo Hamburgo por R$ 10 milhões. Mano Menezes ficou desesperado ao saber que perderia seu titular da noite para o dia. Ele formava excelente dupla de zaga com Gil. Não coube sequer uma moeda ao clube.

A relação de Fernando Garcia, irmão do principal candidato da oposição, com Mario Gobbi, representante maior da situação, é algo absolutamente aberto. E provoca espanto dos dois lados políticos no Corinthians. Mas as coisas são como são.

Para amenizar a questão envolvendo Malcom, Gobbi tenta a inclusão de Dudu, rápido atacante, na negociação. Ele foi muito bem no Grêmio. O Flamengo é o concorrente maior pelo atleta. Pelos contatos, a previsão é que representantes do Dinamo deverão chegar na próxima semana para efetuar a transação. Se ela, por acaso, não der certo, nada muda.

Fernando e a sua empresa GT já são donos de 40% da maior revelação do Parque São Jorge em 2014. Isso porque o Corinthians não tinha R$ 2,1 milhões para pagar a parte que o agente possuía de Ralf.

40% de um atacante tão promissor por um valor tão baixo foi, com certeza, um dos melhores negócios do ano no futebol brasileiro. Para o empresário, irmão do candidato da oposição à presidência do clube. Não para o Corinthians...
1reproducao7 O pior negócio do Corinthians em 2014. Vender 40% de Malcom, atacante de 17 anos, por apenas R$ 2,1 milhões. Justo ao irmão do candidato da oposição à presidência, Fernando Garcia...

Paulo Nobre implodiu o Palmeiras. Mandou embora Dorival, Brunoro e Omar. Quer comando novo no futebol: Alexandre Mattos. Tentará Mano Menezes. Oswaldo de Oliveira é opção…

1ae14 Paulo Nobre implodiu o Palmeiras. Mandou embora Dorival, Brunoro e Omar. Quer comando novo no futebol: Alexandre Mattos. Tentará Mano Menezes. Oswaldo de Oliveira é opção...
"Dorival Júnior será o técnico do Palmeiras no Campeonato Paulista de 2015." Essa era a resposta padrão de Paulo Nobre ao ser confrontado sobre a permanência ou não do treinador no próximo ano. Ele falava não como um bilionário palpiteiro, mas como o presidente da Sociedade Esportiva. Garantiu nas rádios, na tevê, nos portais. Sua falta de convicção veio à tona 12 dias depois.

Dorival Júnior foi demitido no final da noite de ontem. Motivos já não faltavam quando Nobre dava sua palavra que o manteria no cargo. O Palmeiras fazia péssima campanha nas mãos do técnico. A campanha é digna de demissão mesmo. Foram 20 partidas. Apenas seis vitórias, cinco empates. E nove derrotas. Aproveitamento fraquíssimo, 38%. Nos últimos seis jogos, Dorival abusou. De 18 pontos, só conquistou um. Foram cinco derrotas e um empate.

Havia também a séria desconfiança que o treinador não gostava de trabalhar com os argentinos trazidos por Gareca. Tobio não escondeu seu descontentamento em perder a posição no domingo para Lúcio. Mouche também mudava a feição fechada nos treinos, insatisfeito com a reserva. Tudo chegava aos ouvidos do presidente, que se mantinha omisso.

Mais da metade dos 37 jogadores contratados por Brunoro deverá sair. O nível técnico é baixo demais. Nobre se convenceu que é melhor mais qualidade do que quantidade. As dispensas começarão independente de técnico.

Mas o que aconteceu que fez Paulo Nobre mudar sua já frágil convicção em relação ao treinador? Ele foi convencido pela ala que garantiu sua reeleição. Era obrigatório esquecer a palavra empenhada e mandar embora Dorival. Pagar a outro treinador multa rescisória. Já havia sido assim com Gilson Kleina e com Gareca. Dinheiro nunca preocupou o bilionário dirigente.

2ae6 Paulo Nobre implodiu o Palmeiras. Mandou embora Dorival, Brunoro e Omar. Quer comando novo no futebol: Alexandre Mattos. Tentará Mano Menezes. Oswaldo de Oliveira é opção...

Ele tratou de, no embalo, despachar José Carlos Brunoro e Omar Feitosa. Os homens responsáveis pelo futebol no clube. Principalmente Brunoro, a quem Paulo Nobre tratava com respeito exagerado. O presidente palmeirense parecia um torcedor deslumbrado que foi das arquibancadas falando com o grande executivo da Parmalat. Não percebeu que 17 anos fizeram mal demais ao dirigente. Ele ficou ultrapassado.

Brunoro acumulou erros seguidos de erros. Desprezou ídolos. Não fez questão de segurar Barcos, Henrique, Alan Kardec. Estimulou a política de produtividade. Perguntei para um importante jogador do Corinthians o que ele achava do que Brunoro tentava fazer no Palmeiras. A resposta foi clara, direta.

"Sou atleta profissional, quero o meu salário correto para programar a minha vida, como qualquer trabalhador. Não sou prostituta que ganha por programa, por cliente que consigo na noite. Não aceito e sei de muita gente que não aceita também."

Os jogadores importantes viravam as costas para o Palmeiras diante da possibilidade de seu vencimento mensal estar atrelado ao sucesso do time. Brunoro impôs a política do ruim e barato. Contratou 37 jogadores desde que chegou ao clube, há dois anos. Desta baciada, apenas quatro se tornaram titulares absolutos. No final da sua passagem, assumiu o marketing. E também não conseguiu um patrocinador master para a camisa. Sua passagem foi um fracasso retumbante. Seu salário foi exposto por conselheiros revoltados a jornalistas: R$ 120 mil mensais, com direito a usar um carro zero no valor de até R$ 100 mil. Com o Palmeiras pagando até gasolina.

Nobre foi massacrado desde o dia em que deu o futebol nas mãos de Brunoro. São dois anos de reclamações, queixas, protestos, revoltas com os jogadores medíocres que ele contratava. Fora quando anunciou Marcelo Moreno como contratado sem ter sequer falado com o atacante gremista. Foram dois anos de fracassos dos times que montou.

A gota d'água para o presidente palmeirense foi quando ele acertou contrato com Alan Kardec sem consultá-lo. Ao saber das bases, Nobre mandou baixar R$ 10 mil. O jogador e seu pai se sentiram ofendidos, já que Brunoro havia avisado que todos os termos estavam aceitos. Quando Kardec foi para o São Paulo, Nobre decidiu que seu executivo seria mandado embora ao final da temporada.

1 Paulo Nobre implodiu o Palmeiras. Mandou embora Dorival, Brunoro e Omar. Quer comando novo no futebol: Alexandre Mattos. Tentará Mano Menezes. Oswaldo de Oliveira é opção...

Brunoro convenceu Nobre a contratar Omar Feitosa como gerente. Ele serviria com elo entre o time e a diretoria. Só que a escolha foi péssima. Omar foi duro com os fracos jogadores que o seu superior levou ao clube. O que resultou em um desastre. Eles se fecharam, não levavam problema alguma ao gerente. Preferiam se calar, desconfiados. Principalmente para os privilégios de Valvidia. O meia sempre teve tratamento diferenciado. E diante de todos os outros companheiros de time. O que sempre sabotou o ambiente.

Paulo Nobre se aconselha muito com Mustafá Contursi. Aliás, deve a sua reeleição ao apoio do ex-presidente. Foi a ala conservadora do clube que garantiu os 800 votos de vantagem contra Pescarmona, bancado por Belluzzo. A necessidade de mudança de rumo era clara. Mustafá não tolerava Brunoro.

Paulo Nobre quer colocar o futebol do Palmeiras nas mãos de Alexandre Mattos. Ele foi o responsável pela reformulação vitoriosa do Cruzeiro. Mattos tem como filosofia não tolerar acomodação. Alexandre convenceu o presidente cruzeirense Gilvan Tavares a vender Montillo. E também a não perder tempo com Diego Souza. Bancou aposta na categoria de base e em jogadores que buscavam nova chance em uma equipe grande. Como Everton Ribeiro, Ricardo Goulart, Marcelo Moreno. Bancou também a aposta em Marcelo Oliveira como treinador.

Alexandre Mattos recebe um salário de R$ 70 mil no Cruzeiro. Nobre teria oferecido três vezes o seu salário: R$ 210 mil. Mais o direito de usar um carro zero com gasolina paga pelo clube. Gilvan Tavares e os jogadores cruzeirenses tentavam convencê-lo a não sair da Toca da Raposa. Mas para Nobre agir ontem no final da noite, conselheiros importantes palmeirenses garantiam que Mattos já deveria ter aceito a proposta. A confirmação ficará para hoje, quando o presidente dará uma coletiva.

A preferência de Nobre era que Mano Menezes assumisse imediatamente o clube. Mas acontece que o técnico jurou no sábado que não assumiria o lugar de Dorival Júnior. Ambos têm o mesmo empresário: Carlos Leite. Resta saber se o ex-treinador corintiano vai manter a palavra. Se mantiver, Oswaldo de Oliveira aparece com chance. Há o sonho distante: Cuca.

A noite de segunda-feira, 8 de dezembro, marcou uma revolução no futebol do Palmeiras. Resta só esperar pelos novos contratados. Caso Alexandre Mattos tenha realmente aceitado, os ganhos serão imediatos em relação ao ultrapassado Brunoro. Assim como um novo treinador parecia mesmo o melhor caminho.

A única restrição fica em relação a Paulo Nobre. Ele deveria ter muito mais cuidado nas suas declarações. Dorival não era o técnico do Campeonato Paulista? É péssimo o presidente garantir uma situação e dez dias depois mudar radicalmente o seu ponto de vista. Isso não é ser comandante. É assumir a falta total de rumo que quase levou o Palmeiras, de novo, à Segunda Divisão...
1ae13 Paulo Nobre implodiu o Palmeiras. Mandou embora Dorival, Brunoro e Omar. Quer comando novo no futebol: Alexandre Mattos. Tentará Mano Menezes. Oswaldo de Oliveira é opção...

Vingativo, Mano Menezes conseguiu complicar a contratação de Tite. Conselheiros ficaram revoltados com a possível pedida de R$ 900 mil. É muito dinheiro para treinar o Corinthians…

 Vingativo, Mano Menezes conseguiu complicar a contratação de Tite. Conselheiros ficaram revoltados com a possível pedida de R$ 900 mil. É muito dinheiro para treinar o Corinthians...
Mano Menezes conseguiu o que queria. Causou estragos sua vingança pelos candidatos à sucessão de Mario Gobbi não querer sua continuidade. O treinador soube que Roberto de Andrade, provável novo presidente, quer Tite. E até detalhes da negociação chegaram ao seu ouvido. Mesmo sem citar o nome do seu sucessor, ele conseguiu deixar o clima pesado e já provocar discussões entre conselheiros corintianos.

"Em todos os lugares do mundo se faz uma parte do contrato por produtividade, é bom para o clube. Tem gente que prefere ganhar 900 por mês direto, prefiro 450 e o resto só receber se conseguir os objetivos."

Mais direto, impossível. A tradução do 'tem gente que prefere ganhar 900', não por acaso é fácil. Essa teria sido a primeira pedida de Tite para seu retorno ao Corinthians: R$ 900 mil, 'direto', sem bônus. Mano recebia R$ 450 mil mensais e mais prêmios por objetivos alcançados, como a classificação para a Libertadores.

A revelação da pedida salarial de Tite já provoca reclamação entre conselheiros e dirigentes. Se Roberto de Andrade aceitar será o maior salário de treinador em toda a América Latina. O maior disparado no Brasil. Abel Braga e Muricy Ramalho são os técnicos mais bem remunerados atualmente: R$ 500 mil.

A pedida alta de Tite seria também sua vingança pessoal por ter sido dispensado do Corinthians no ano passado. Esse vencimento corresponderia ao salário de um campeão mundial e da Libertadores.

Roberto de Andrade sabe que a situação financeira corintiana em 2015 será terrível. Por causa do Itaquerão. Sua primeira parcela de R$ 100 milhões deverá ser paga no meio do ano à Odebrecht. E por isso toda economia possível será exigida. Já há o grande desgaste em relação à renovação de Paolo Guerrero. Andrade e Gobbi acreditam que não podem abrir mão do maior ídolo do clube. Só que ele continua insistindo em R$ 18 milhões em luvas e mais R$ 520 mil mensais.

A folha atual salarial corintiana bate nos R$ 12 milhões. Pagar tanto dinheiro ao atacante e mais R$ 900 mil a Tite seria um transtorno. Roberto Andrade quer convencer seu treinador de preferência a receber R$ 500 mil. Seria o salário ideal para o clube.

Mano Menezes também fez questão de expor uma situação que o Corinthians fazia tudo para esconder. "Os contratos dos parceiros do Corinthians também são assim (de produtividade). Um dos contratos previa que se o Corinthians não classificasse pelo segundo ano consecutivo para a Libertadores perderia 30% da brincadeira. Faz uma conta aí. Deu um lucro danado."

O ex-treinador corintiano foi no caminho certo. Mas se valorizou um pouquinho a mais. A Nike prevê diminuição de 20% no contrato caso o clube fique dois anos sem participar da Libertadores. Seriam R$ 6 milhões, já que a fabricante paga R$ 30 milhões anuais.

O resultado da revelação é logo de cara colocar pressão em Tite. Ele terá de garantir a Libertadores ao Corinthians em 2016 ou 2017, no máximo. Se não o clube receberá menos da multinacional.

Com tanto dinheiro envolvido, os defensores de Oswaldo de Oliveira já começam a se manifestar. E garantir. Se Tite não baixar sua pedida, o melhor seria contratar o demitido técnico do Santos. Ele conhece muito bem o clube e seus salários ficam em torno de R$ 300 mil.
1ae12 Vingativo, Mano Menezes conseguiu complicar a contratação de Tite. Conselheiros ficaram revoltados com a possível pedida de R$ 900 mil. É muito dinheiro para treinar o Corinthians...

Mano se referiu claramente a Andrés Sanchez que trabalhou para derrubá-lo. Chegou a citar trairagem na sexta-feira. Noutra entrevista disse que notou falta de 'humildade' no Corinthians depois da conquista do Mundial e da Libertadores. Para justificar a sua não renovação, repassou a culpa aos dirigentes. E às queixas dos torcedores, sem paciência para a reformulação que promoveu no clube.

"O Corinthians está mais confuso do que estava em 2010. Ele tinha mais clareza do que queria ser, de onde queria chegar, e de como deveria se comportar para chegar lá, mas o poder, de maneira geral, deturpa as coisas. A permanência nele faz alguns estragos. As conquistas tornaram o torcedor mais exigente e às vezes os momentos seguintes são mais duros."

Os recados chegaram a Andrés. Enquanto ele tiver influência no Parque São Jorge, e ele tem muita, Mano Menezes não voltará a trabalhar no Corinthians.

A entrevista de Mano também fez estragos no Palestra Itália. O treinador jurou que não iria aceitar tomar o lugar de Dorival Júnior. Paulo Nobre já contava com o técnico corintiano em 2015.

"Outras questões, como já ouvi, desrespeitando o Dorival Júnior essa semana, não passam de boatos sem fundamento algum. Ele já me conhece há muito tempo, já vivemos essa situação em outros clubes, quando peguei o telefone e disse o que aconteceria. Agora é desnecessário, ele me conhece."

1reproducao6 Vingativo, Mano Menezes conseguiu complicar a contratação de Tite. Conselheiros ficaram revoltados com a possível pedida de R$ 900 mil. É muito dinheiro para treinar o Corinthians...

Aconteceu a mesma coisa quando Dorival treinava o Flamengo. E ele recusou. Mano só aceitou trabalhar na Gávea substituindo Jorginho. E é lógico que Dorival e Mano se conhecem muito bem. Ambos têm o mesmo empresário Carlos Leite.

Aliás, Leite é representante de Jorge Mendes, poderoso empresário europeu. Considerados por muitos o maior do mundo. E será ele quem tentará encaixar Mano na Europa. Mais precisamente em Portugal. Em agosto, o técnico chegou a ser cogitado no Porto.

Trabalhar fora do Brasil é o maior desejo de Mano. Até para recuperar sua imagem, muito desgastada depois dos fracassos na Seleção, no Flamengo. E de um ano sem conquistas no Corinthians, que abriu mão de sua renovação. Mas antes de partir, o treinador foi vingativo. Deixou o ambiente muito ruim no Parque São Jorge para Tite e Roberto de Andrade. E ainda fez Paulo Nobre repensar o futuro do Palmeiras em 2015...
2ae5 Vingativo, Mano Menezes conseguiu complicar a contratação de Tite. Conselheiros ficaram revoltados com a possível pedida de R$ 900 mil. É muito dinheiro para treinar o Corinthians...

Até pela companhia do Atlético Mineiro, o Cruzeiro estará ainda mais forte na Libertadores. Fred ou Leandro Damião. Um dos dois pode ficar com o lugar de Marcelo Moreno. O time terá um artilheiro importante em 2015…

1ae11 Até pela companhia do Atlético Mineiro, o Cruzeiro estará ainda mais forte na Libertadores. Fred ou Leandro Damião. Um dos dois pode ficar com o lugar de Marcelo Moreno. O time terá um artilheiro importante em 2015...
O melhor time deste país vive um impasse. E que terá um peso significativo para 2015, ano do sonho da reconquista da Libertadores. O clube espera terminar 18 anos de espera para ter de novo a mais valiosa taça sul-americana. Tudo será muito mais emocionante depois de vencer por dois anos seguidos o título brasileiro. Ter a companhia do eterno rival Atlético Mineiro dará o tempero que faltava na vontade de ser o melhor também das Américas. Para isso, o Cruzeiro terá de decidir o que fazer com a camisa número 9.

Há três possibilidades reais. Cada uma delas com os custos e, principalmente, com os efeitos colaterais. Continuar com Marcelo Moreno. Tentar recuperar Leandro Damião. Ou se aventurar com Fred.

A infraestrutura, a saúde financeira, as conquistas recentes, o bom ambiente e o potencial do time tornam o Cruzeiro o time mais atraente do país. Por isso há a chance de escolher.

"Eu me sinto em casa aqui. Se depender de mim, não saio do Cruzeiro. Quero muito ajudar na conquista da Libertadores. Todos sabem a minha decisão", assume Marcelo Moreno. O boliviano parece mesmo ter nascido para atuar com a camisa azul celeste. Ele consegue se desdobrar. Ter um desempenho até melhor do que o seu potencial técnico. O maravilhoso gol de ontem contra o Fluminense só confirma a sintonia com a Toca da Raposa.

O grande obstáculo está nos custos. A direção gremista já avisou que não aceita emprestá-lo novamente. Para continuar em Minas Gerais, os gaúchos querem, no mínimo, o que pagaram por ele. E não foi pouco. Envolvendo parte dos direitos econômicos de Diego Costa e Adilson, o Shakthar ficou com 6 milhões de euros, cerca de R$ 19 milhões. A diretoria cruzeirense não gastará tanto dinheiro assim com o jogador que completará 28 anos em 2015. E que já passou pela Europa sem sucesso.

Felipão sabe que o Grêmio quer fazer dinheiro com o atacante. Esperto, trata de valorizá-lo. Diz que deseja o atleta, mesmo com a plena consciência que já tem Barcos. A postura do técnico é apenas para ajudar seu clube a vender o jogador.

Marcelo Oliveira sabe tudo de bom e de ruim que pode conseguir com o atacante. Se o Grêmio não aceitar reduzir drasticamente a pedida, o Cruzeiro já pensa em outro artilheiro.

A sugestão foi de Alexandre Mattos: Leandro Damião. Pedir o atacante ao Santos por empréstimo. Repetir com ele o que acabou sendo feito com o próprio Marcelo Moreno. Recuperar, valorizar o atacante em baixa. Cercado de ótimos jogadores e um ambiente vitorioso, confiante, ele poderia voltar a marcar os gols que o consagraram no Internacional. E até o levaram para a Seleção Brasileira.

Dependendo do resultado da eleição santista, se houver competência para o clube do Litoral conseguir realizá-la, Leandro Damião pode sair por um ano. Seu custo é absurdo aos cofres santistas. Recebe R$ 450 mil em salários e mais R$ 50 mil de auxílio moradia. Ou seja, R$ 500 mil. Fora os R$ 42 milhões que o Santos precisa pagar à Doyen Sports, fundo maltês de investimento, representado no Brasil por Renato Duprat, o homem que levou a MSI para o Corinthians.

Leandro Damião ficou empolgado quando soube do interesse do Cruzeiro. Muito mais até do que do Corinthians. Acredita que precisa de um pouco de paz. E de menos cobrança para voltar a jogar o que pode. Santos é uma cidade muito pequena, provinciana. Ele não tem sossego quando não está na Vila Belmiro. Passa grande parte do seu tempo trancado com sua família. O fraco rendimento o faz alvo fácil de provocações.

2ae4 Até pela companhia do Atlético Mineiro, o Cruzeiro estará ainda mais forte na Libertadores. Fred ou Leandro Damião. Um dos dois pode ficar com o lugar de Marcelo Moreno. O time terá um artilheiro importante em 2015...

Recuperar atletas é especialidade de Marcelo Oliveira. O elenco cruzeirense o adora. Ele é muito paciente. Principalmente com atacantes. Como foi um jogador muito habilidoso, gosta de orientar tecnicamente artilheiros. Passou muito tempo conversando, pedindo calma e orientando Marcelo Moreno. Conseguiu diminuir a afobação, a tensão pelas péssimas passagens no Grêmio e no Flamengo.

Para ter Leandro Damião por empréstimo, o Cruzeiro tentaria ceder um jogador que o Santos cobiça há muito tempo: Julio Baptista. Ele não conseguiu se tornar titular do time mineiro. E também custa caro. Recebe cerca de R$ 900 mil mensais. R$ 500 mil de salários e R$ 400 mil das luvas que foram parceladas. A direção mineira sabe que os dirigentes santistas não aceitariam pagar todo esse dinheiro. Mas pelo menos uma parte importante dos salários, algo como R$ 300 mil, já seria excelente.

Outra possibilidade é Fred. O clube sonha com seu retorno há pelo menos três anos. Foram tentativas e mais tentativas de resgatá-lo do Fluminense. Só que o clube carioca e sua patrocinadora/gestora Unimed sonhavam em vendê-lo para o mercado europeu. Tinha a certeza que faria um excelente negócio após a Copa do Mundo.

Só que o atacante fracassou, mergulhado na péssima campanha do time de Luiz Felipe Scolari. Os empresários europeus que rondavam as Laranjeiras sumiram. Fred foi massacrado pela mídia. A expectativa que despertara depois da Copa das Confederações se tornou enorme decepção. Voltou para o Fluminense e seguiu com sua briga com as organizadas do clube.

1ap2 Até pela companhia do Atlético Mineiro, o Cruzeiro estará ainda mais forte na Libertadores. Fred ou Leandro Damião. Um dos dois pode ficar com o lugar de Marcelo Moreno. O time terá um artilheiro importante em 2015...

Mesmo com o time fazendo uma campanha irregular, ele se recuperou. Conseguiu se tornar artilheiro do Brasileiro de 2014, com 18 gols. Antes da partida de ontem contra o Cruzeiro, ele declarou no Rio que estava feliz por jogar em Belo Horizonte, no Mineirão, que chamou de 'sua casa'. A passagem que teve no Cruzeiro, entre 2004 e 2005, foi sensacional. Marcou 56 gols em 71 partidas. Se tornou um grande ídolo nacional. Foi vendido para o Lyon por 15 milhões de euros, cerca de R$ 47 milhões.

O sonho de ter o atacante de volta nunca esteve 'tão fácil'. A direção geral da Unimed se cansou dos gastos de Celso Barros com o seu clube de coração. E já avisou que a parceria será muito reduzida. Fred tem contrato até o final de 2015. Mas está insatisfeito. Confirmou publicamente que está há 20 meses sem receber seu direito de imagem. Ele ganha R$ 900 mil. R$ 450 mil em salários e a outra metade em direito de imagem.

A direção do time carioca ficou irritada com a cobrança pública do jogador. A briga dele com as organizadas também facilita a possibilidade de negociação. Só que o Fluminense só aceita a venda. Nada de empréstimo do jogador de 31 anos.

Fred pode ser o líder que o Cruzeiro procura na luta para a conquista da Libertadores. Ele tem as portas abertas na Toca da Raposa. O problema é financeiro. O Fluminense sonha em conseguir R$ 15 milhões com o jogador. O time mineiro pode tentar incluir vários atletas para diminuir o preço. Como Julio Baptista, Dagoberto, Nilton.

O Palmeiras promete brigar pelo artilheiro. Mas a família de Fred mora em Belo Horizonte. Quase todas as folgas ele sai do Rio e vai até Minas Gerais, em uma rotina desgastante. Isso também pode pesar na hora da decisão.

As possibilidades estão abertas. Só há uma certeza. O Cruzeiro terá um importante artilheiro em 2015. Além de novas contratações para reforçar ainda mais o time bicampeão seguido do Brasil. A ordem de Gilvan Tavares é conquistar a Libertadores de qualquer maneira. Ainda mais com a companhia indesejada do rival Atlético Mineiro...(As contratações do Cruzeiro já começaram. O bom ala direito Fabiano, da Chapecoense, acaba de ser anunciado oficialmente. O clube pagou R$ 4,3 milhões por ele. E Marlone foi liberado para buscar um outro clube para jogar...)
1reproducao5 Até pela companhia do Atlético Mineiro, o Cruzeiro estará ainda mais forte na Libertadores. Fred ou Leandro Damião. Um dos dois pode ficar com o lugar de Marcelo Moreno. O time terá um artilheiro importante em 2015...

“Essa é uma equipe fodida para a história do Palmeiras! A nossa campanha foi uma vergonha! Eu peço desculpas pelo que fizemos no ano do centenário. O Santos nos salvou.” Valdivia…

1reproducao4 Essa é uma equipe fodida para a história do Palmeiras! A nossa campanha foi uma vergonha! Eu peço desculpas pelo que fizemos no ano do centenário. O Santos nos salvou. Valdivia...
Foi desesperador. Mas o Palmeiras conseguiu a sua grande conquista em 2014, ano do seu centenário. Não foi rebaixado para a Segunda Divisão. Mesmo contra o Atlético Paranaense com oito reservas, o time de Dorival Júnior não conseguiu ganhar. Apenas empatou em 1 a 1. Com direito a pênalti discutível. Mas o Santos venceu o Vitória por 1 a 0, em Salvador. Só por isso não foi rebaixado pela terceira vez em 12 anos.

A torcida que apoiou a equipe durante os 90 minutos, vaiou muito ao final, com a confirmação da permanência da Série A. Soube diferenciar a alegria de ter escapado do rebaixamento do péssimo time que a diretoria colocou para jogar com a camisa palmeirense Repetiu o coro na nova arena: "Vergonha, time sem vergonha".

"A nossa campanha foi uma vergonha. Uma equipe fodida para a história do Palmeiras. O sentimento de todos nós é de vergonha. Eu peço desculpas pelo que fizemos no ano do centenário. A vergonha que foi esse ano. Acho que apesar de tudo o que aconteceu...Sofri muito essa semana. Era o jogo para ganhar de 5 a 0. Foi mesmo uma vergonha", concordava Valdivia com a cobrança da torcida.

O Palmeiras entrou em campo confiante. Não poderia ser de outra maneira. O Atlético jogaria apenas com oito reservas. A média do time, apenas 21 anos. A direção paranaense confirmava sua divergência com o Vitória por causa das negociações de Léo e Dinei. Até na arbitragem não havia motivos para reclamar. Leandro Vuaden apitaria sua quinta partida do clube de Paulo Nobre. E com ele no apito, os palmeirenses nunca perderam em 2014.

A primeira notícia ruim era o gramado. Os shows de Paul MacCartney o deixaram queimado, quase uma semana sem sol, protegido pela cobertura plástica. Era perceptível que em alguns lugares do campo foram colocados areia. O que deixava o piso irregular.

Assim como nos últimos quatro anos e meio, a dependência do time de Valdivia. O meia se contundiu jogando pela Seleção Chilena contra a Venezuela, amistoso sem importância. A diretoria, incompetente, nem sequer tentou evitar que fosse chamado. A liberação seria obrigatória, mas não houve qualquer trabalho de bastidores antes da chamada, já que Jorge Sampaoli havia avisado o meia que o convocaria. Foi e sofreu uma forte pancada na coxa esquerda. Voltou machucado.

A torcida foi em peso à nova arena. Apesar do limitadíssimo time, havia a certeza da vitória que salvaria o time da Segunda Divisão. Dorival Júnior montou seu time de forma ofensiva. O treinado tinha a convicção que poderia marcar por pressão os garotos paranaenses.

Mas só que os reservas de Claudinei Oliveira mostravam qualidade e velocidade inesperadas. Atuando de maneira descompromissada e muito bem distribuída, a equipe marcava e atacava em bloco. Eram duas linhas de cinco. O treinador atleticano sabia muito bem da péssima qualidade técnica do seu adversário. E sabia da dificuldade do toque de bola rival. Tinha certeza do nervosismo que viria para os palmeirenses diante da forte marcação.

Dorival caiu na armadilha. Soltou seus dois laterais para atuarem como pontas João Pedro e Victor Luis. Era pelas costas dos dois que o Atlético Paranaense iria atuar. Com Douglas Coutinho e Dellatorre. Abertos, eles escancaravam a defesa palmeirense. Principalmente graças à péssima cobertura de Lúcio.

Fernando Prass já havia feito uma defesa sensacional e Gabriel Dias salvado uma bola em cima da risca. Até que Ricardo Silva completou escanteio com ótima cabeçada, indefensável. De quem ele ganhou pelo alto? De Lúcio, claro. 1 a 0, Atlético Paranaense. A torcida teve um comportamento exemplar. Passou a apoiar mais ainda.

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Dorival, desesperado, adiantou de vez sua marcação. Os paranaenses contragolpeavam com facilidade. Tudo ia ficando muito ruim, quando o acaso ajudou. Gabriel Dias chutou para o gol, o zagueiro Drausio virou as costas. Mas os braços estavam abertos. Vuaden não havia marcado a penalidade, mas seu auxiliar atrás do gol o avisou. Pênalti.

Henrique bateu com muita calma, não dando chances para Weverton. 1 a 1 aos 19 minutos. A partir daí, Dorival percebeu que não adiantaria deixando seu time aberto. Os garotos atleticanos diminuíam o ritmo da partida. Se o Palmeiras, afoito, queria a virada, eles tocavam lentamente a bola. Tratavam de marcar, sem nenhum grande interesse.

A ruindade do time palmeirense era impressionante. Não conseguia penetrar. Não havia triangulações pelas laterais. Valdivia foi cansando. Discretamente, ele mancava quando a bola estava longe. O que restavam eram levantamentos inúteis para a área paranaense.

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A torcida foi se enervando e aos poucos já começava a vaiar, a xingar os palmeirenses. Tudo foi ficando pior e ainda mais improdutivo no segundo tempo. Os atleticanos recuaram. Não se importavam com a possibilidade de ganhar. O empate estava de bom tamanho. A honra estava salva. Apesar da briga com a diretoria do Vitória, o time do Paraná não queria perder o jogo.

Foi quando Valdivia cansou de vez. Seu sacrifício o havia desgastado. A necessidade de mancar com a perna esquerda era clara, transparente. A torcida entendeu de vez o patético time formado por Brunoro e Paulo Nobre. Jogadores fraquíssimos, inseguros, ruins. Dorival Júnior já deixava seus volantes mais atrás. Também sabia que o empate bastava. Não iria se arriscar a perder o jogo, ser rebaixado.

A torcida percebeu o medo de perder do Palmeiras. E ansiosa esperava pelo final da partida. O segundo tempo foi um suplício. O Palmeiras aceitava o 1 a 1. E torcer pelo Santos, que mostrava uma vontade inexplicável (será?) contra o Vitória. Após a confirmação do empate, os jogadores e torcedores palmeirenses ficaram esperando notícias de Salvador. E elas vieram. Boas demais. Thiago Ribeiro marcou 1 a 0 para o Santos. O Palmeiras estava salvo.

Com a confirmação do time na Série A, a promessa da diretoria. O time classificado como f... por Valdivia será completamente desmanchado. José Carlos Brunoro será demitido. Trocado por Alexandre Mattos, que foi fundamental na montagem do Cruzeiro que ganhou os dois últimos Brasileiros. Isso se ele resistir à pressão da torcida e da diretoria mineira para que permaneça em Belo Horizonte. "Eu não esperava tantas manifestações pedindo que eu fique no Cruzeiro. Vou pensar", acaba de avisar, Alexandre.

Independente dele, muitos atletas serão dispensados. Há nomes que Paulo Nobre está interessado, antes mesmo da chegada do novo executivo. O sonho é Fred. Do Fluminense, também são cobiçados Wagner e Diego Cavalieri.

Tomara que seja verdade para o torcedor palmeirense. Ele não merece uma equipe tão ridícula quanto a que disputou o Brasileiro de 2014. Incapaz de vencer os garotos reservas do Atlético Paranaense jogando em casa. E que deveria ser rebaixada para a Segunda Divisão. Mas no último instante, o Santos não deixou.

Vale a pena ficar registrada a campanha da equipe montada por Brunoro e Paulo Nobre. Foram 11 vitórias, sete empates e 20 derrotas. 34 gols a favor e 59 contra. Números que dão respaldo para o coro da torcida palmeirense: "Vergonha! Time sem vergonha!"
 Essa é uma equipe fodida para a história do Palmeiras! A nossa campanha foi uma vergonha! Eu peço desculpas pelo que fizemos no ano do centenário. O Santos nos salvou. Valdivia...

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