Tite recebe a notícia que sonhava em Itu. Jadson e Gil ficarão até o final da Libertadores. Apesar da dívida bilionária com o Itaquerão e a ‘herança maldita’ financeira de Mario Gobbi…

1ae22 Tite recebe a notícia que sonhava em Itu. Jadson e Gil ficarão até o final da Libertadores. Apesar da dívida bilionária com o Itaquerão e a herança maldita financeira de Mario Gobbi...
Tite foi o único corintiano realmente feliz na volta de Itu. Não pelo medíocre futebol que o time misto mostrou no empate com o Ituano, pelo obrigatório e péssimo Campeonato Paulista. O treinador estava exultante porque teve uma conversa séria com os dirigentes. E teve a garantia, apesar de o clube estar vivendo uma profunda crise financeira, Jadson e Gil não serão vendidos até o final da Libertadores.

A situação econômica corintiana é complicadíssima. Os R$ 420 milhões na forma de CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) para o Itaquerão ainda estão travados. A Prefeitura de São Paulo os liberou, mas o Ministério Público questiona o privilégio dado ao clube. Há uma ação na justiça.

As empresas, com dívidas municipais, poderiam comprar esses títulos. Para se livrar de débitos de INSS e IPTU. Mas com a ação na Justiça, Corinthians e a construtora Odebrecht não conseguem vender os CIDs. A situação se arrasta desde antes da Copa do Mundo. O Itaquerão custou oficialmente R$ 1,05 bilhão.

O clube busca formas de pagar a enorme dívida em que se meteu por causa do estádio. O prefeito Fernando Haddad ouviu um pedido formal. O Corinthians quer que a Prefeitura garanta que os títulos têm validade. Ou então que ela mesma compre esses títulos e dê o dinheiro ao clube. Haddad ironizou o pedido. Mandou avisar que não fará nem uma coisa nem outra. O Ministério Público paulista continua firme, garantindo que a doação do antigo alcaide Gilberto Kassab foi ilegal. O entrave pode levar anos.

Para piorar a situação, o ex-presidente Andrés Sanchez está há três anos prometendo vender o naming rights do Itaquerão. Não consegue. Já fez inúmeras viagens para o Oriente Médio, China. Antes de cada viagem, seus assessores trataram de 'vazar' para jornais e tevês que o negócio estava fechado. Foram mais de dez vezes que manchetes estamparam que o nome do Itaquerão havia sido vendido. E mais de dez vezes foram desmentidas.

O pior que poderia acontecer, aconteceu. O estádio já é conhecido por Itaquerão. Publicitários garantem que, como o Morumbi, o Maracanã, a Fonte Nova, o Mineirão, não há mais volta. Seria desperdício uma empresa gastar os alegados R$ 400 milhões que Andrés havia se comprometido a levantar pelo batismo.

No novo estádio do Palmeiras, a ação deu certo porque antes mesmo dele estar construído, já havia sido rebatizado. O Corinthians perdeu longo três anos. E parece que irá desperdiçar mais tempo. A recessão ainda está espalhada pelo planeta.

O balanço de 2014 mostrava uma dívida preocupante, nada menos do que R$ 350 milhões. Neste ano, a Odebrecht precisa começar a ser realmente paga. Daí a pressão do clube em relação à Prefeitura de São Paulo. Inclusive com direito à nota pública. Haddad não mostra a menor preocupação. O problema é inteiro dos corintianos. Não dele.

 Tite recebe a notícia que sonhava em Itu. Jadson e Gil ficarão até o final da Libertadores. Apesar da dívida bilionária com o Itaquerão e a herança maldita financeira de Mario Gobbi...

Sem saída, o clube tem de se voltar ao seu patrimônio: os jogadores. Aí é que entra a felicidade de Tite. O assédio do Wolfsburg em relação ao zagueiro Gil é para valer. O clube alemão aceita pagar sete milhões de euros, cerca de R$ 22 milhões. O Corinthians tem direito a 90% do atleta, R$ 19,8 milhões. O empresário do jogador é Carlos Leite. O agente emprestou, do próprio bolso, R$ 2 milhões ao clube. Para o ex-presidente Mario Gobbi pagar o 13º de funcionários e atletas.

A negociação deve ser fechada ainda nesta semana. Mas Tite ouviu dos dirigentes corintianos que o zagueiro só será entregue aos alemães após a Libertadores. Até porque a janela de transferências para a Europa está fechada.

O que não acontece com a China. E enviados do Jiangsu Sainty assumiram. Querem Jadson. E para já. Tite estava sem dormir desde a semana passada com o assédio. Cansou de falar com o novo presidente, Roberto de Andrade. O clube não poderia, 'de jeito algum', liberar o meia. O treinador garantiu que ele é fundamental na Libertadores.

Roberto de Andrade não poderia prometer nada. Em mais uma péssima negociação feita pelo ex-presidente Mario Gobbi, o Corinthians combinou com Jadson. O clube dividiria os direitos do meia em 2014. Em 2015, o meia passaria a ter 70%. Inacreditável.

Ou seja, dependeria mais do atleta ir para o Jiangsu Sainty ou não. A sua multa rescisória é baixíssima, outra obra de arte de Mario Gobbi, 5 milhões de euros, cerca de R$ 16,2 milhões. Se ele fosse para a China, o Corinthians não ficaria nem com R$ 5 milhões. Essa quantia é irrisória.

Roberto de Andrade conversou com os agentes de Jadson. Tite passou aflito os últimos dias. Tinha medo que o presidente não convencesse os empresários a deixar o atleta disputar a Libertadores até o final. Só que o meia interveio. Garantiu que só sai depois da competição sul-americana.

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O presidente teve essa confirmação com os agentes. A negociação, como a de Gil, pode até ser fechada. Mas a 'mercadoria' só será entregue após a Libertadores.

Tite saiu de Itu mais do que empolgado. Vale a pena repetir. Não com o medíocre futebol do time misto, no empate com o Ituano, pelo fraquíssimo e desinteressante Campeonato Paulista. Mas com a certeza de que terá dois titulares fundamentais ao seu time até o final da Libertadores. O que, com a atual situação financeira corintiana, é um verdadeiro milagre.

Tanto pela dívida bilionária com o Itaquerão quanto a sequência de péssimos negócios feitos pelo ex-presidente Mario Gobbi. E que receberam o sutil apelido da diretoria de Roberto de Andrade: "herança maldita"...

(Um auxílio público. A Caixa Econômica acaba de avisar que renovou seu contrato de patrocínio com o Corinthians. Mais R$ 30 milhões em 2015. Bom relacionamento com o governo federal é ótimo...)

(Os chineses resolveram forçar a barra. E avisaram que vão pagar a multa rescisória. Nesta tarde de segunda-feira. Aí caberia a Jadson dizer não. Ou pelo menos pedir para se apresentar depois da Libertadores. O jogador parece encantado com o salário e mudando sua postura. Quer ir embora já. A situação se complicou...)
4ae8 Tite recebe a notícia que sonhava em Itu. Jadson e Gil ficarão até o final da Libertadores. Apesar da dívida bilionária com o Itaquerão e a herança maldita financeira de Mario Gobbi...

Toda a revolta de Muricy contra Aidar. O técnico avisa que continuará amigo de Juvenal Juvêncio. E, se o presidente não o quiser mais, terá de mandá-lo embora. A crise no São Paulo não acaba…

1spfcnet Toda a revolta de Muricy contra Aidar. O técnico avisa que continuará amigo de Juvenal Juvêncio. E, se o presidente não o quiser mais, terá de mandá lo embora. A crise no São Paulo não acaba...
"Tem pessoas que querem fazer o torcedor pensar diferente. Mas estou há muitos anos aqui e conheço tudo. É difícil fazer a cabeça da torcida do São Paulo. Eles gostam de mim. As pessoas tentam, mas estou atento a tudo isso aí. Estou ligado. A gente tem de ser mais São Paulo. Eu incomodo mesmo. O que me interessa é o São Paulo em primeiro lugar. Se me quiser fora, tem de mandar embora. É simples.

"Eu falo com quem eu quiser. Isso não existe. Não agrado ninguém. Vou sair daqui agora e vou para o meio do mato (Ibiúna, cidade do interior paulista, onde tem sítio). Não vou jantar com ninguém. E ninguém me proíbe de nada. O negócio é trabalhar duro, sendo sério e honesto.

"No Brasil está ruim para ser correto. Sofro com isso faz tempo e agora mais. Sei como é isso. Trabalhei muitos anos com o Juvenal e gosto dele. A vida é minha e falo com quem eu quiser. Se tiver insatisfeito, eu vou embora e tudo bem. Mas comigo, não. Sou sério para caramba e vou continuar sendo correto.

"(Depois da derrota para o Corinthians) Quer que faça o quê? Me mate? Dê um tiro na cabeça ?

"Tem muita gente fraca e que não sabe nada no futebol brasileiro, e isso atrapalha. Mas eu repito. Se me quiser fora, tem de me mandar embora."

Muricy fez um discurso duríssimo hoje no Morumbi. Suas palavras duras tinha um alvo. Carlos Miguel Aidar. O treinador já detectou que ele deseja a sua saída. Não só pelas incoerências, pelas nove escalações diferentes em nove partidas de 2015. Pela derrota contra o Corinthians na Libertadores. Nem se importava com os 4 a 0 sobre o Audax.

O treinador recebeu informações que Aidar o quer longe do São Paulo por causa de sua ligação afetiva a Juvenal Juvêncio. Os dois sempre foram muito amigos. E continuam sendo depois da batalha repleta de ódio entre o ex-presidente e o atual.

Aidar mandou embora da diretoria todas as pessoas ligadas a Juvenal. Ou as fez renunciar. Preservou Muricy. Até porque ele é adorado por grande parte da torcida, dos conselheiros, da diretoria. Carlos Miguel esperava uma aproximação do técnico e o afastamento natural do ex-presidente, a quem odeia. Mas isso não aconteceu.

1agenciaestado Toda a revolta de Muricy contra Aidar. O técnico avisa que continuará amigo de Juvenal Juvêncio. E, se o presidente não o quiser mais, terá de mandá lo embora. A crise no São Paulo não acaba...

Nos bastidores, o técnico avisou que não vai se envolver. Continua muito próximo de Juvenal. Há quem garanta que os dois ainda conversam, apesar da crise política que insiste em não sair do Morumbi. Aidar não gostou nada disso.

A relação entre Muricy e o atual presidente não é nada boa. O treinador ficou muito irritado ao ser cobrado pelo dirigente pelas rádios. Ele avisou que havia contratado os jogadores que ele tanto queria. E a resposta deveria vir em títulos.

"Está devendo essa para gente. Nós montamos o time que ele quis. Ainda quer um jogadorzinho, mas com o que tem agora ele precisa ganhar. Quem vai cobrar publicamente dele sou eu. Não é mais ele que cobra da diretoria." O vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, também avisou que cobrou Muricy, por suas reclamações de elenco pequeno.

"Sentamos para conversar, mostrei o calendário e os momentos em que duas competições vão coincidir. Primeiro, será o Paulista com a Libertadores. Depois, a Libertadores com o Brasileiro. No segundo semestre, será a vez do Brasileiro com a Copa do Brasil. Disse que estaria montando um elenco para isso e que não aceitaria mais que ele reclamasse."

O tratamento dado por Aidar e Ataíde foi completamente diferente do que o treinador recebia de Juvenal. Tudo ficou muito pior depois da partida de quarta-feira contra o Corinthians. Ele acompanhou a íntima relação entre Aidar e a cúpula da principal organizada do clube, a Independente. A conversa dele com Ricardo Alves de Maia, o Negão, foi a prova. Quando ele avisou que pagaria 50 ônibus para os torcedores irem ao Itaquerão acompanhar o clássico. Aidar convenceu ainda Andrés Sanchez a pagar metade dos R$ 40 mil gastos com o transporte.

Muricy ficou tenso ao saber da postura dos torcedores após a derrota por 2 a 0. Na sua página oficial no facebook, a Independente pedia que fosse embora, deixasse o São Paulo. Que o técnico tratasse de pescar no seu sítio. Ainda pedia Vanderlei Luxemburgo no seu lugar.

1reproducao20 Toda a revolta de Muricy contra Aidar. O técnico avisa que continuará amigo de Juvenal Juvêncio. E, se o presidente não o quiser mais, terá de mandá lo embora. A crise no São Paulo não acaba...

Tudo ficou muito estranho porque essa manifestação dos torcedores organizados ganhou enorme repercussão no São Paulo. Ainda mais depois de exposta a íntima relação que a Independente tem com Aidar. Pessoas ligadas a Muricy viram como um recado do presidente.

O que era ruim ficou ainda pior quando Paulo Henrique Ganso procurou o treinador. E disse que não teria 'cabeça' para jogar contra o Audax. Estava muito tenso por ter dito que o árbitro Ricardo Marques Ribeiro teria 'roubado' o São Paulo diante do Corinthians. Ganso soube que será processado pelo juiz. E preferia não atuar hoje. Muricy concordou. Conselheiros e membros da diretoria ficaram revoltados com a passividade do técnico. As reclamações chegaram aos seus ouvidos também.

Ou seja, Muricy está muito ressentido. Irritado com a falta de apoio de Aidar. Por isso fez questão de avisar. Não pedirá demissão do São Paulo. Se o presidente quiser o demita. E mais: continuará sendo amigo de Juvenal Juvêncio, queira Carlos Miguel ou não.

A situação no Morumbi não melhorou após a vitória diante do limitado Audax. Pelo contrário. Só expôs o quanto há de ressentimento entre o treinador e o presidente do São Paulo. O futuro dos dois juntos dependerá do que o São Paulo fizer na Libertadores. Há muito tempo a imunidade de Muricy acabou junto a Aidar.

E por coincidência, lógico, o nome de Vanderlei Luxemburgo, lembrado pela organizada passou a crescer no Morumbi. Justo o local onde Juvenal Juvêncio garantiu que o técnico nunca pisaria. O ex-presidente jurava que o São Paulo seria o time que ele jamais comandaria. Só que as coisas mudaram demais desde a volta de Carlos Miguel...

(Recebo mensagem do procurador de Ganso, Giuseppe Dioguardi. Ele afirma que o meia não jogou ontem por dores musculares. Embora não seja essa a versão que correu no Morumbi. Desde sexta-feira, se comenta sobre o meia não querer atuar por estar perturbado psicologicamente após a derrota para o Corinthians. Mas a versão de Dioguardi está publicada...)
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Festa no Parque São Jorge. Corinthians dá mais audiência que final de Copa do Mundo. É um ‘cala a boca’ para quem sonha em mudar a cruel divisão de cotas da Globo. Como Eurico Miranda…

1reproducao18 Festa no Parque São Jorge. Corinthians dá mais audiência que final de Copa do Mundo. É um cala a boca para quem sonha em mudar a cruel divisão de cotas da Globo. Como Eurico Miranda...
Joan Collet, presidente do Español, ficou revoltado quando foi divulgada a renovação do acordo entre as tevês Sky e BT Sport com os clubes ingleses. As cotas ficaram acertadas de 2016 até 2019. Serão 7,9 bilhões de dólares, cerca de R$ 22,8 bilhões. Não se conformava como elas foram repartidas.

O sistema de divisão é simples. 50% é dividido igualmente entre todos os clubes. 25% para a performance, de acordo com a classificação. E 25% pela audiência, pelo número de jogos mostrados, escolhidos pelas tevês.

Collet gritou, esperneou, tentou fazer um motim entre os demais clubes espanhóis. O alvo era Barcelona e Real Madrid. Os dois clubes chegam a receber sete vezes mais do que alguns clubes. Isso por décadas. A articulação entre a cúpula das tevês e os dirigentes dos privilegiados sempre foi escancarada. E usando como desculpas a popularidade e a necessidade de grandes times para representar a Espanha em campeonatos internacionais. Principalmente a Champions.

Vale detalhar a atual divisão. Real Madrid e Barcelona recebem 140 milhões de euros, R$ 453 milhões por ano; Valencia, 48 milhões de euros, R$ 155 milhões; Atlético de Madrid, 42 milhões de euros, R$ 136 milhões; Sevilha, Atlhetic Bibao e Villarreal, 32 milhões de euros, R$ 103 milhões; Betis, 30 milhões de euros, R$ 97 milhões; Español, de Collet, 28 milhões de euros, R$ 90, milhões; Real Sociedad, Málaga e Getafe, 25 milhões de euros, R$ 81 milhões; Osasuña, Celta e Levante, 22 milhões de euros, 71 milhões; Granada, Elche, Almeria, Valladolid e Rayo Vallecano, 18 milhões de euros, R$ 58 milhões.

A desproporção é enorme. Com esse dinheiro, Real e Barcelona mantém Cristiano Ronaldo, Messi e dois elencos sensacionais. E lembra demais está acontece desde 2012 no futebol brasileiro. A desproporção ainda está no início. Mas está garantida até pelo menos 2018. Daí o termo espanholização ser mais do que natural na boca dos nossos dirigentes.

Na Alemanha, a divisão leva em consideração a posição nos últimas cinco temporadas. O acordo com as tevês locais e as internacionais de 2017 até 2017 é de 697 milhões de euros, cerca de R$ 2,25 bilhões. Englobando 80% da Primeira Divisão e 20% para a Segunda Divisão. Lá o acordo é feito em conjunto. Não só em clubes como em divisões.

A diferença acabou ficando muito pequena. Na última temporada, assim foi a divisão: Bayern de Munique recebeu 38 milhões de euros, R$ 123 milhões, Borussia Dortmund, 36 milhões de euros, R$ 116 milhões; Bayer Leverkusen, 35 milhões de euros, R$ 113 milhões, Schalke 04, R4, R$ 110 milhões; Borussia Monchenglabach, 33 milhões de euros, R$ 106 milhões; Hannover 96, 32 milhões de euros, R$ 103 milhões; Wolfsburg, 31 milhões de euros, R$ 100 milhões; Mainz 05, 30 milhões de euros, R$ 97 milhões; Freiburg, 29 milhões de euros, R$ 93 milhões; Stuttgart, 27 milhões de euros, R$ 87 milhões; Werder Bremen, 26 milhões de euros, R$ 84 milhões; Hoffenheim, 25 milhões de euros, R$ 80 milhões; Hamburgo, 24 milhões de euros, R$ 77 milhões; Eintracht Frankfurt, 23 milhões de euros, R$ 74 milhões; Augsburg, 22 milhões de euros, R$ 71 milhões; Hertha Berlim, 21 milhões de euros, R$ 67 milhões; Colônia, 20 milhões de euros, R$ 64 milhões e Paderborn, 19 milhões de euros, R$ 61 milhões.

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A diferença entre as maneiras que as tevês distribuem suas cotas na Espanha, Alemanha e Inglaterra, principais ligas europeias é brutal. Os Estados Unidos, em relação ao dinheiro pago pelas emissoras aos clubes, fariam a alegria de qualquer socialista empedernido. Simplesmente a ESPN, Fox Sports, Fox, ABC, NBC e CBS pagam a mesma coisa a todos os clubes da Major League Soccer. Como o futebol masculino profissional está renascendo, o valor é muito baixo. Em 2013, as equipes receberam apenas 1,6 milhão de dólares, cerca de R$ 4,5 milhões. De acordo com o crescimento do futebol, os valores aumentarão, mas continuará existindo a divisão igualitária ao que for pago pelas redes nacionais.

O assunto volta a ter importância no Brasil depois que Eurico Miranda assumiu o Vasco. Uma de suas promessas seria fazer a Globo rever o sistema de distribuição de cotas. Não aceitaria mais o privilégio dado ao seu rival direto, o Flamengo e ao Corinthians. Os dois recebem mais dinheiro no Brasil. Vale sempre lembrar a divisão de 2012 até 2015. Para ficar mais claro, os clubes são divididos em grupos.

3reproducao3 Festa no Parque São Jorge. Corinthians dá mais audiência que final de Copa do Mundo. É um cala a boca para quem sonha em mudar a cruel divisão de cotas da Globo. Como Eurico Miranda...

Grupo 1 – Flamengo e Corinthians: R$ 110 milhões
Grupo 2 – São Paulo: R$ 80 milhões
Grupo 3 – Vasco e Palmeiras: R$ 70 milhões
Grupo 4 – Santos: R$ 60 milhões
Grupo 5 – Cruzeiro, Atlético Mineiro, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo: R$ 45 milhões
Grupo 6 – Coritiba, Goiás, Sport, Vitória, Bahia e Atlético Paranaense: R$ 27 milhões.

A discrepância ficará maior a partir de 2016 até 2018. Veja os valores.

Grupo 1 – Flamengo e Corinthians: R$ 170 milhões
Grupo 2 – São Paulo: R$ 110 milhões
Grupo 3 – Vasco e Palmeiras: R$ 100 milhões
Grupo 4 – Santos: R$ 80 milhões
Grupo 5 – Cruzeiro Atlético Mineiro, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo: R$ 60 milhões
Grupo 6 – Coritiba, Goiás, Sport, Vitória, Bahia e Atlético Paranaense: R$ 35 milhões.

Eurico gritou, ameaçou, prometeu, tentou a adesão de deputados federais, senadores e até ministros. Apelou para a Bancada da Bola em Brasília. Queria porque queria alterar este quadro. O deputado Raul Henry do PMDB procurou mudar a distribuição. Queria que um projeto obrigasse o Brasil a adotar o método inglês. À força. Seria uma intervenção estatal em um acordo comercial entre empresas que não são públicas. Sua ideia não foi para frente. O projeto acabou arquivado. Raul Henry não é nem mais deputado. Se tornou vice governador de Pernambuco.

Eurico teve de seguir o exemplo de Collet. E se calou. Percebeu que só poderá brigar para acabar com o privilégio de Flamengo e Corinthians a partir de 2019. Caso consiga se manter à frente da presidência do Vasco.

1ae21 Festa no Parque São Jorge. Corinthians dá mais audiência que final de Copa do Mundo. É um cala a boca para quem sonha em mudar a cruel divisão de cotas da Globo. Como Eurico Miranda...

Por outro lado, se a cúpula flamenguista continua feliz, e silenciosa, a corintiana comemora. A audiência da partida contra o São Paulo pela Libertadores da América, chegou a 32 pontos de audiência na capital paulista, principal mercado da Globo. Foi mais do que a final da Copa do Mundo de 2014, entre Alemanha e Argentina. Aquela decisão ficou em 29 pontos.

Quem está especialmente exultante é Andrés Sanchez. Foi ele quem implodiu o Clube dos 13, entidade que negociava pelos clubes com a televisão. Andrés e dirigentes do Flamengo amarraram acordo com a Globo. Os dois clubes mais populares do Brasil iriam ganhar sempre muito a mais do que os concorrentes. Em contrapartida, suas partidas seriam mais transmitidas do que as outras equipes brasileiras. O que atrairia mais patrocinadores. Uma bola de neve financeira a favor do dois.

"O Corinthians há dez anos ganhava R$ 1 milhão por ano da tevê. Hoje recebe R$ 110 milhões e no ano que vem, R$ 170 milhões. Quem tem mais audiência tem de ganhar mais mesmo. O Andrés foi revolucionário", comemora o segundo vice-presidente do Corinthians, Jorge Kalil.

Por isso o clima de festa no Parque São Jorge. Na análise direta da diretoria: logo no primeiro jogo de grupo da Libertadores de 2015, o Corinthians atrai mais telespectadores do que final de Copa do Mundo. O fato de o clássico ter sido contra o São Paulo não é levado em consideração pelos dirigentes corintianos. No entender deles, o clube do Morumbi não atrai audiência para a Globo.

A tese de repetir a divisão de cotas como na Inglaterra, do ex-deputado Raul Henry está enterrada. A socialista dos Estados Unidos nem é cogitada. Flamengo e Corinthians continuarão tranquilos, recebendo muito mais do que os seus rivais. Como Real Madrid e Barcelona se acostumaram a fazer na Espanha...
2ae10 Festa no Parque São Jorge. Corinthians dá mais audiência que final de Copa do Mundo. É um cala a boca para quem sonha em mudar a cruel divisão de cotas da Globo. Como Eurico Miranda...

A derrota para o Corinthians foi a gota d’água. Muricy é questionado pela apatia do São Paulo. Para sobreviver, precisa fazer o time reagir na Libertadores. Acabou sua imunidade…

1ae20 A derrota para o Corinthians foi a gota dágua. Muricy é questionado pela apatia do São Paulo. Para sobreviver, precisa fazer o time reagir na Libertadores. Acabou sua imunidade...

A cúpula do São Paulo está profundamente decepcionada com Muricy Ramalho. Vai reclamar, ironizar a péssima arbitragem de Ricardo Marques Ribeiro. Deve procurar a Conmebol para que, no próximo confronto contra o Corinthians, no dia 4 de março, o juiz seja estrangeiro. Mas nada disso poupa o treinador.

Os dirigentes estão em alerta muito além da derrota em si. Um resultado normal. Já que a partida aconteceu no Itaquerão. Mas pela maneira com que Muricy vem se comportando. As incoerências. O clube já disputou oito partidas em 2015. Duas pelo torneio em Manaus, cinco pelo Paulista e uma pela Libertadores. Foram formações diferentes, distintas, sem coerência. Oito escalações diferentes!

Jogadores são obrigados a mudar de função a cada adversário. É como se, estando à frente do time há um ano e meio, o técnico ainda não tivesse chegado à conclusão do que serve para o São Paulo. Ele fechou o treinamento para o jogo contra o Corinthians. Decidiu fazer o que nunca havia feito. Espelhar sua equipe como a de Tite. Optou, para surpresa geral, por 4-1-4-1. Comprar a briga tática e ganhar no talento de seus atletas. Foi um vexame.

Tite, com apenas dois meses de retorno ao Parque São Jorge, conseguiu montar um conjunto impressionante. Foi um massacre tático em cima do rival. Por mais apoio dos torcedores corintianos, a reação apática do São Paulo decepcionou profundamente conselheiros e dirigentes.

A mórbida diversão nesta manhã de ressaca para os conselheiros foi enumerar os erros de Muricy. Como deslocar Michel Bastos do meio para a lateral esquerda. Colocar o lento Maicon tendo como missão vigiar Elias, expor a falta de velocidade de Alan Kardec, que fez Fábio Santos parecer Usain Bolt. Para fazer essa função, havia Jonathan Cafu no banco. O inseguro Bruno não poderia ter jogado 90 minutos. Thiago Mendes seria a escolha lógica. Ganso ficou sozinho para armar os contragolpes. Foi facilmente anulado por Ralf. Dória estava sem ritmo, sem proteção. O veterano Luís Fabiano abandonado à própria sorte, sozinho no ataque...

Enfim, críticas e mais críticas no Morumbi às escolhas táticas do técnico.

 

A única unanimidade é a constatação de que Muricy está muito diferente no banco de reservas. A diverticulite e as arritmias cardíacas o assustaram. Os médicos exigiram que ele seja o menos estressado possível no banco de reservas. Sumiram a agitação, os gritos, os pulos, os palavrões em alto brado, das reclamações, os chutes nos copos d'água. 

2ae9 A derrota para o Corinthians foi a gota dágua. Muricy é questionado pela apatia do São Paulo. Para sobreviver, precisa fazer o time reagir na Libertadores. Acabou sua imunidade...

Mesmo em uma partida importantíssima como a de ontem, ele estava contido. Passou grande parte do jogo sentado, resmungando com os auxiliares Tata e Milton Cruz. Os palavrões eram sussurrados, mastigados. Não emanava energia ao time, como sempre fez.

Muricy revelou que não quer seguir o exemplo de Telê Santana. Ele acredita que foi o estresse que levou o técnico ao quadro de isquemia cerebral. Jurou à família que não repetirá o erro de seu mentor. De acordo com ele, Telê não aproveitou a vida, não aproveitou o dinheiro que conseguiu juntar trabalhando. Por isso, o pensamento de aposentadoria é cada vez mais constante. Em novembro, completará 60 anos. Sua vida financeira está mais do que definida.

A estranheza da diretoria do São Paulo seguiu depois dos 2 a 0 no gramado. Na coletiva, Muricy foi a imagem do conformismo. Não quis atacar o fraco juiz Ricardo Marques Ribeiro.

"A arbitragem não teve tanta responsabilidade. Não jogamos bem. Tivemos uma boa posse de bola, é o que nosso time tem. Muita técnica, mas tivemos pouca profundidade. O lance da reclamação eu vi de longe. Se não faz o segundo gol, fica 1 a 0... Produzimos muito pouco. Tem de reconhecer que temos de jogar muito mais. Só esse jogo de bom toque, boa técnica, é muito pouco."

Sua voz era calma, serena. Nem parecia que o São Paulo havia sido derrotado jogando tão mal. Quem prestou o máximo de atenção no que Muricy disse, havia uma espetada na diretoria. Quando ele fala que o time precisava de profundidade, ele se referia à impossibilidade de escalar Centurión.

1afp A derrota para o Corinthians foi a gota dágua. Muricy é questionado pela apatia do São Paulo. Para sobreviver, precisa fazer o time reagir na Libertadores. Acabou sua imunidade...

Quando o argentino foi contratado, o treinador tratou de preparar o esquema com sua presença ao lado de Luís Fabiano. Seria ele quem ocuparia o setor direito. Buscando o contragolpe e ainda marcando Fábio Santos. Seria velocista contra velocista. Ele tinha de cumprir duas partidas de suspensão na Libertadores por uma expulsão em 2013. Não poderia enfrentar o Corinthians como o Danubio. Só que Muricy demorou para ser avisado. Uma grande falha da parte burocrática, da diretoria do São Paulo. O treinador foi sutil. Meia palavra bastou.

Antes mesmo de começar a Libertadores, Carlos Miguel havia colocado toda a pressão possível nas costas do treinador.

"O Muricy está devendo essa pra gente. Nós montamos o time que ele quis. Ainda quer um jogadorzinho, mas, com o que tem agora, ele precisa ganhar. Quem vai cobrar publicamente dele sou eu. Não é mais ele que cobra da diretoria", avisou o presidente na rádio Jovem Pan. Esse 'jogadorzinho' era Centurión, o atacante velocista que o técnico tanto cobrava.

Depois da derrota para o Corinthians, o São Paulo enfrentará o Danubio do Uruguai, na próxima quarta, no Morumbi. No grupo da Morte, que ainda conta com o atual campeão da Libertadores, San Lorenzo, a vitória é obrigatória. Conselheiros, dirigentes e torcedores não aceitarão outro resultado, contra o time mais fraco entre os quatro que disputam duas vagas.

Embora tenha contrato até dezembro de 2015, uma eventual eliminação do São Paulo na primeira fase da Libertadores deixaria Muricy em sérios problemas. O presidente do Conselho Deliberativo do clube, Carlos Augusto Barros e Silva, é inimigo mortal do treinador. Foi o responsável por sua demissão em 2009. Repetia ao então presidente Juvenal Juvêncio que ele não tem o espírito de Libertadores.

Muricy caiu na competição sul-americana de 2009, quando o São Paulo foi eliminado pelo Cruzeiro. Deu a resposta a Leco ao conquistar a Libertadores pelo Santos em 2011. Seu título foi minimizado pelo desafeto. Por ter Neymar no elenco da Vila Belmiro.

A atual situação não é nada confortável para o treinador são-paulino. Muricy deixou de ser intocável há muito tempo. Já foi esquecido que ele tirou o clube do rumo do rebaixamento no Brasileiro de 2013. Agora a cobrança é outra. Aidar quer títulos, conquistas. Ou ao menos não ver humilhado o caro elenco que montou, sendo eliminado da primeira fase da Libertadores.

Inteligente, vivido, Muricy já percebeu está sozinho nesta derrota para o Corinthians. Não há solidariedade. Nada de abraços dos dirigentes após o jogo no Itaquerão. Só cobranças. Por enquanto murmuradas intramuros. Que faça o time reagir. Se reinvente. Seja no treinamento e nos jogos o técnico vibrante que o São Paulo precisa. Acabou sua imunidade. E ele sabe disso...

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O Corinthians deu uma aula de futebol e de personalidade no Itaquerão. 2 a 0 foi até pouco. O apático São Paulo de Muricy poderia ter sido goleado. Nem parecia clássico pela Libertadores…

 O Corinthians deu uma aula de futebol e de personalidade no Itaquerão. 2 a 0 foi até pouco. O apático São Paulo de Muricy poderia ter sido goleado. Nem parecia clássico pela Libertadores...
O Corinthians foi mais competitivo e se impôs diante do São Paulo, com excelente atuação de Elias, Danilo Sheik e Jadson, que se vingou por tudo que sofreu no Morumbi. Deu passe para o primeiro gol e ainda marcou o segundo. Conseguiu excelente arrancada no Grupo da Morte vencendo no Itaquerão por 2 a 0. Jogou com personalidade, dedicação, entrega física e muita estratégia. Poderia até golear.

Muricy Ramalho tentou surpreender, imitar o adversário, espalhando suas peças espelhadas no rival. O que se mostrou um grande erro. Não bastasse isso, foi assustadora a apatia de seus jogadores. Daí a perigosa derrota no disputadíssimo grupo.

"Eu estava muito motivado. Era o meu primeiro clássico contra o São Paulo. Conseguimos impor o nosso futebol. Ganhamos bem, mas vamos manter os pés no chão. É só o começo", dizia Jadson, sem querer humilhar o rival. "Não demos chance para o São Paulo. O time deles tem ótimos jogadores. Mas conseguimos neutralizá-los. Não criaram chance, não nos incomodaram", resumia, Fábio Santos.

Péssima foi a arbitragem do mineiro Ricardo Marques Ribeiro. Inseguro, poupou cartões durante toda a partida. E ainda não marcou falta clara de Sheik em Bruno no início do segundo gol corintiano. Inaceitável um árbitro tão sem pulso para trabalhar em um jogo tão importante. A favor dele estava a escolha de ter sido o melhor juiz do Brasileiro de 2014. Mas hoje, em Itaquera, ele tremeu diante de tanta responsabilidade.

"Não foi erro. Foi roubo. Se o Serginho Chulapa ainda jogasse, entraria no vestiário dele para bater nesse juiz. O que fez foi palhaçada. Ele deveria sair daqui de camburão", desabafava Ganso. "O juiz não aguentou a pressão de apitar um jogo tão importante. Foi um absurdo o início do segundo gol do Corinthians", desabafava Luís Fabiano.

Tite aproveitou muito bem o ano que ficou estudando o futebol europeu. Percebeu que o fundamental atualmente é a intensidade, preenchimento de espaços. Por isso, chegou à conclusão que o melhor sistema de jogo é o 4-1-4-1. Principalmente por não ter Guerrero, suspenso. O treinador não pensou dois minutos em confirmar a escalação do meia Danilo e não do atacante Vagner Love.

O plano tático corintiano tem muita semelhança com o que equipes grandes, como o Real Madrid e Bayern costumam fazer quando disputam clássicos, em casa. Muita pressão na saída de bola, jogadores do meio para a frente sem posição fixa. Com exceção de Ralf, fixo na frente de Gil e de Felipe, uma movimentação frenética. Confundindo o sistema de marcação são paulino.

1reproducao17 O Corinthians deu uma aula de futebol e de personalidade no Itaquerão. 2 a 0 foi até pouco. O apático São Paulo de Muricy poderia ter sido goleado. Nem parecia clássico pela Libertadores...

Danilo e Renato Augusto se revezavam mais à frente. Jadson e Sheik abertos pelas pontas. Ligados, habilidosos, inteligentes. E surgindo de surpresa, como Paulinho fez bem demais em 2012, Elias. Danilo e Renato Augusto várias vezes saíam da área. E o volante surgia sozinho. Tudo muito treinado, combinado. Fagner guardava mais posição enquanto Fábio Santos surgia como ponta esquerda, várias vezes.

Muricy tentou repetir o mesmo esquema corintiano. Também colocou seu time no 4-1-4-1. Só que fez péssimas escolhas. Houve três grandes erros. Com Denílson fixo na frente da zaga, ele precisa de jogadores habilidosos para sair com a bola da defesa. Era evidente que o Corinthians marcaria sob pressão. Portanto, Maicon foi um enorme erro. Thiago Mendes seria muito mais indicado.

O segundo erro foi deslocar Michel Bastos para a lateral. O jogador estava vivendo ótimo momento como meia. Foi um desperdício que custou caro. Paulo Henrique Ganso ficou sozinho para tentar alimentar o ataque. Era o único jogador com potencial no meio de campo. E acabou engolido por Ralf.

1gazetapress1 O Corinthians deu uma aula de futebol e de personalidade no Itaquerão. 2 a 0 foi até pouco. O apático São Paulo de Muricy poderia ter sido goleado. Nem parecia clássico pela Libertadores...

Muricy estava em uma péssima noite. Como ele foi capaz de colocar Alan Kardec aberto na ponta direita, para tentar acompanhar Fábio Santos? Era evidente que não teria velocidade para realizar a missão. Obediente, tentou fazer o que o treinador pediu. O resultado foi ridículo. O lateral fez o que quis e Kardec, quase desmaiando de cansaço, teve de ser substituído.

Luís Fabiano acabou mais isolado na frente do que a presidente Dilma Rousseff na crise da Petrobrás. Com o Corinthians encurralando o São Paulo na defesa, a bola não chegava a seus pés.

O Corinthians foi superior em todos os aspectos nesse clássico. Taticamente, o time está muito mais habituado às deslocações, a pressionar e recompor sem a bola. Tite deu um nó em Muricy. O primeiro gol aos 11 minutos foi uma pintura. Troca de bola rápida, eficaz na intermediária. Fagner serve Danilo, que toca para Jadson. Com toque sutil, ele descobre Elias livre, nas costas do desesperado Rafael Tolói. O volante bate de primeira, 'matando' Rogério Ceni: 1 a 0.

Tite vibrava muito no banco. A jogada foi treinada à exaustão. Nada foi por acaso.

Outro detalhe fundamental: o evidente preparo físico corintiano. Muito melhor do que o do São Paulo. A blitz durou por 30 minutos. O que é impressionante, devido ao desgaste depois de tanta intensidade. Foi o suficiente para o time criar e perder mais dois gols. O mais fácil com Fábio Santos.

Muricy Ramalho só xingava no banco de reservas. Inaceitável também sua apatia. Ele tinha de reagir. Seu plano tático se mostrava um grande fracasso. Deve agradecer aos céus ter ido para o intervalo perdendo só por 1 a 0. Seu São Paulo era uma imensa decepção.

Nem no intervalo, Muricy corrigiu seus erros. Ótimo para o Corinthians. Jadson, Danilo e Renato Augusto continuavam trocando de posição e sempre recebendo a bola livres. Sheik e Fábio Santos faziam o que queriam pela esquerda. O volume de jogo indicava que o segundo gol era questão de tempo. Muricy levou oito minutos para acordar. Foi quando tirou o extenuado e inútil Alan Kardec. No seu lugar entrou Reinaldo na lateral esquerda. E Michel Bastos passou a atuar onde não deveria ter saído, no meio.

O jogo ficou mais disputado, brigado. Os jogadores perceberam a insegurança do péssimo árbitro Ricardo Marques Ribeiro. Ele queria se consagrar, sem dar cartão para ninguém. Mas não houve jeito. Os pontapés e provocações, mãos nos rostos estavam indecentes.

O Corinthians continuava melhor. E aos 23 minutos veio o gol que matou a partida. Nasceu em um erro infantil de Ricardo Marques. Sheik empurrou o fraco lateral Bruno. Roubou a bola de maneira ilegal, tocou para Jadson. Ele invade a área e dá um lindo corte em Reinaldo e chuta. Rogério Ceni não tem reflexo para defender, a bola passa debaixo do goleiro. 2 a 0, São Paulo.

Os jogadores são paulinos perderam de vez a concentração. Irritados com o árbitro, com a péssima atuação do time. O Corinthians tocava a bola com muita consciência. Criou pelo menos mais três chances para ampliar. Danilo perdeu dois gols que não costuma perder. A goleada escapou. Mas para a torcida que lotou o Itaquerão não importava. A vitória já estava garantida.

Humilhação maior para o São Paulo. Nos últimos cinco minutos foram ensurdecedores os gritos de olé vindo dos torcedores. O Corinthians largou como queria no grupo da Morte. Venceu e agora terá pela frente no dia 4 de março o San Lorenzo, na Argentina. Por sorte, sem público. O time argentino cumprirá suspensão da Conmebol.

Já o time de Muricy já voltará a campo na próxima quarta-feira, no Morumbi. Enfrentará o uruguaio Danubio. O São Paulo, pressionado, precisa da vitória de qualquer maneira. Para isso precisa jogar muito melhor do que hoje. Sua atuação foi deprimente. O ótimo Corinthians de Tite deveria ter goleado...
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A paz está garantida no Itaquerão. Para derrubar a tese de torcida única, B.O. e Negão firmam pacto. Os presidentes da Gaviões e da Independente mostram quem realmente manda nos estádios de São Paulo…

1reproducao16 A paz está garantida no Itaquerão. Para derrubar a tese de torcida única, B.O. e Negão firmam pacto. Os presidentes da Gaviões e da Independente mostram quem realmente manda nos estádios de São Paulo...
Carlos Miguel Aidar teve uma atuação que precisa passar para a história. Nesta terça-feira Gorda de Carnaval, ele acordou cedo e foi até o Centro de Treinamento da Barra Funda. Tirou seu caro celular do bolso e atendeu Ricardo Alves de Maia. "Negão", como é conhecido, preside a maior uniformizada do São Paulo, a Independente.

Negão queria saber se Aidar bancaria 50 ônibus para os torcedores irem ao clássico contra o Corinthians, amanhã no Itaquerão. O presidente do São Paulo não fez questão nenhuma de esconder dos jornalistas com quem estava falando. E disse em voz alta que conseguiria o ônibus.

Confirmou de maneira explícita, documentada, a íntima relação das organizadas com as diretorias de clubes grandes brasileiros. Depois, Aidar conversou pelo mesmo celular com o secretário-adjunto da Secretaria Pública de São Paulo. Confirmou a ele e à imprensa que o São Paulo e Corinthians pagarão R$ 20 mil cada um.

Como Andrés Sanchez tem péssimo relacionamento com Aidar, foi o seu vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, quem ligou ao ao homem que comanda de fato, o Corinthians, há dez anos. Com excepcional relacionamento com as organizadas corintianas, Andrés, aceitou na hora pagar pela condução. Ele já chegou a dar toda a arrecadação de um jogo contra o Flamengo para a Gaviões da Fiel. Sem consultar ninguém no Parque São Jorge, como se o clube fosse seu.

Fundador da Pavilhão Nove, organizada em homenagem à antiga ala do implodido presídio do Carandiru, afirma que as torcidas são a 'alma dos clubes'. A ligação dos dirigentes do São Paulo com as organizadas não é recente. Membros da Independente frequentavam churrascos no clube, com direito a agir até como seguranças particulares de Juvenal Juvêncio.

 A paz está garantida no Itaquerão. Para derrubar a tese de torcida única, B.O. e Negão firmam pacto. Os presidentes da Gaviões e da Independente mostram quem realmente manda nos estádios de São Paulo...

Não é segredo que São Paulo e Corinthians quando recebem 5% dos ingressos como visitantes nos clássicos, os reservam para suas organizadas. Os torcedores comuns não sentem nem o cheiro das entradas. Elas não chegam nas bilheterias. Os dirigentes garantem que cobram por cada ingresso. Apenas os separam para as uniformizadas.

Graças a essa ligação, tanto Andrés quanto Carlos Miguel Aidar conversaram com os chefes das facções. E foram claros. O Ministério Público paulista só está esperando um confronto sério hoje. No Itaquerão ou nos arredores do estádio. Se houver briga, feridos e principalmente morte, não haverá como evitar a tese de torcida única nos clássicos em São Paulo.

É tudo o que as organizadas mais temem. Estar no estádio adversário é uma oportunidade de ouro como propaganda. Mostrar como seus membros são corajosos, desafiando os 95% de torcida rival. Capazes de coros recheados de palavrões contra a própria polícia que os escolta. Essa postura acaba divulgada em vídeos e fotos que os próprios membros das uniformizadas colocam nas redes sociais. Acabam atraindo mais pessoas, geralmente jovens, interessadas em fazer parte da torcida. E também desafiar os rivais, os policiais, o 'sistema'.

Os conselhos de Andrés e Aidar deram resultado. Ricardo Alves de Maia e Wagner da Costa conversaram. Negão e B.O., como são conhecidos entre os torcedores, perceberam que estão na mesma situação. Brigas hoje seria dar tudo o que o Ministério Público e a grande parte da imprensa querem. Todos os holofotes estarão voltados para o Itaquerão.

Os ânimos entre são paulinos e corintianos estão acirrados. Há 11 dias, 42 corintianos avistaram quatro são paulinos na estação Carrão do metrô. Esmurraram, com ódio, as portas do vagão, deram pontapés. Quando elas abriram, eles agrediram os rivais. Na proporção de mais de dez contra um, a surra foi enorme. Como sempre acontece, houve o juramento de vingança por parte dos são paulinos.

3reproducao2 A paz está garantida no Itaquerão. Para derrubar a tese de torcida única, B.O. e Negão firmam pacto. Os presidentes da Gaviões e da Independente mostram quem realmente manda nos estádios de São Paulo...

Só que Negão não é tolo. Muito pelo contrário. Sabe que se a vendetta acontecer hoje será um inesquecível tiro no pé das organizadas são paulinas. Não quer saber de brigas. E já divulgou sua ordem entre os cerca de dois mil membros das uniformizadas que vão para o Itaquerão.

Do seu lado, B.O. também quer a Gaviões tranquila. Sabe que a Polícia Militar fará a escolta aos são paulinos desde a rua 24 de Maio, de onde, os torcedores sairão, às 19 horas, para a estação Luz. De lá, irão para a estação Dom Bosco. Apesar de a partida terminar perto da meia-noite, a PM só permitirá que são paulinos deixem o Itaquerão a uma da madrugada. E os torcedores deverão usar os 50 ônibus pagos por Aidar e Andrés.

Além disso, os chefes das facções sabem que a PM reforçará o policiamento nas principais estações de metrô de São Paulo. Brigar hoje seria uma enorme bobagem. Daria razão a quem defende torcida única nos clássicos.

O pacto está feito. B.O. e Negão dão uma lição à Secretaria de Segurança Pública, à Secretaria dos Transportes, ao Ministério Público, à Polícia Militar, ao prefeito Fernando Haddad e ao governador Geraldo Alckmin. Mostram o poder que ambos têm em relação a milhares de pessoas. Bastou conversarem e os conflitos entre as torcidas não deverão acontecer.

1ae18 A paz está garantida no Itaquerão. Para derrubar a tese de torcida única, B.O. e Negão firmam pacto. Os presidentes da Gaviões e da Independente mostram quem realmente manda nos estádios de São Paulo...

Há algo de muito errado na organização do futebol brasileiro. Na sociedade deste país. Onde dois chefes de torcidas têm mais poder que as autoridades. Obrigam clubes a pagar sua condução. E garantem a lei e ordem em uma noite de clássico inédito na Libertadores.

É para comemorar? Ou para chorar de vez a falência da segurança pública no estado mais rico da América Latina?

Em todo caso, em qualquer conflito, quando um bando de vândalos o perseguir, tentando partir sua cabeça com barras de ferros ou pontapés, existe uma última saída. Tente gritar a plenos pulmões.

"Sou amigo do B.O."

Ou então, "o Negão é meu brother".

É muito mais efetivo do que discar 190...

reprodução ESPN-Brasil

Governos municipal e estadual negam metrô para torcedor comum são paulino. Só corintianos e membros de organizadas terão transporte e segurança garantidos no Itaquerão. Vergonha…

1ae17 1024x605 Governos municipal e estadual negam metrô para torcedor comum são paulino. Só corintianos e membros de organizadas terão transporte e segurança garantidos no Itaquerão. Vergonha...
A situação é patética. E mostra como é cada vez mais difícil organizar jogos importantes com o envolvimento de duas torcidas. Corinthians e São Paulo se enfrentarão amanhã, pela primeira vez, na Libertadores da América. A previsão é que 38 mil pessoas estejam no Itaquerão.

O estádio, na Zona Leste, fica a 23 quilômetros do centro da capital paulista. Por exigência da TV Globo, a partida começará depois de sua 'novela das nove', ou seja, às 22 horas. Deve terminar por volta da meia-noite. Seguindo acordo entre o Corinthians, a prefeitura e o governo estadual, a linha que serve Itaquera até a Barra Funda funcionará até meia-noite e meia.

O acordo não previu clássicos. Só houve a preocupação com torcedores corintianos. O que acontecerá amanhã será bizarro. A Polícia Militar segurará no estádio os são paulinos. Por meia hora, no mínimo. Até que todos os corintianos saiam do Itaquerão e embarquem no metrô. Só depois que a estação for fechada, os são paulinos poderão sair.

Só que não haverá transporte público na frente do estádio. A saída será andar cerca de 40 minutos até o Tatuapé, de madrugada, e tentar encontrar um ônibus. Será neste bairro, aliás, que as organizadas são paulinas deixarão seus ônibus.

Ou seja, o torcedor comum do São Paulo, que depender do transporte público, foi completamente esquecido na organização do importantíssimo clássico.

Carlos Miguel Aidar usou seus assessores para vazar para a imprensa: jura que procurou a Secretaria de Segurança Pública e a Secretaria dos Transportes do Estado de São Paulo. Ele buscava a extensão do horário do metrô de Itaquera. Que pelo menos funcionasse até a uma da manhã, já que os são paulinos ficarão presos no estádio até que os corintianos possam ir embora.

1gazetaesportiva Governos municipal e estadual negam metrô para torcedor comum são paulino. Só corintianos e membros de organizadas terão transporte e segurança garantidos no Itaquerão. Vergonha...

A resposta, de acordo com o dirigente, foi absurda. O horário do metrô seria o mesmo de todos os jogos no Itaquerão, até a meia-noite e meia. Ponto final. Se o São Paulo está preocupado com seus torcedores, que alugue, por conta própria, ônibus que os leve até o centro.

Ou seja, uma das principais acusações feitas pelo Ministério Público, em relação à violência das organizadas, é o envolvimento dos clubes com os torcedores. Aí vem a Secretaria da Segurança Pública e a Segurança dos Transportes de São Paulo sugerir que a diretoria do São Paulo pague o aluguel de ônibus à torcida. Inacreditável.

Aidar garante que não vai alugar. Ou seja, os cerca de dois mil torcedores do São Paulo que irão ao Itaquerão amanhã deverão ser todos de organizadas. Porque só elas têm como chegar e ir embora do estádio. Os membros das faccões deverão ir de ônibus até o Tatuapé e andar a pé até o estádio. E na volta, de madrugada, fazer o mesmo trajeto. Sempre escoltados pela Polícia Militar.

O são paulino comum ou vai de carro, se misturando aos 36 mil corintianos espalhados pela arena, ou não vai.

Aidar não percebeu o óbvio. A Secretaria de Segurança Pública e a Secretaria dos Transportes e a PM não querem que o são paulinos tenham acesso ao metrô. Porque se tiverem não há como controlar emboscadas das organizadas corintiana. Policiais sabem que a rivalidade entre as duas torcidas é enorme, violenta. E o metrô é sempre palco de conflitos. Não há como a PM colocar efetivo em todas as estações após o jogo para evitar brigas, depredações.

A mensagem é clara. Nos clássicos noturnos no Itaquerão, não há lugares para torcedores adversários comuns. A situação favorece os membros das organizadas. Eles podem se deslocar a pé para o Tatuapé após os jogos. Só duas mil pessoas juntas, e com a escolta de centenas de soldados da Polícia Militar, há segurança para andar 40 minutos de madrugada em São Paulo. Seja na Zona Leste ou em qualquer parte da cidade, dominada pela violência.

Infelizmente fica cada vez mais cristalina a situação. As organizadas são as únicas beneficiadas e que têm seu direito garantido nos clássicos em São Paulo. O torcedor comum que deseje acompanhar um jogo no estádio adversário fica exposto à própria sorte. Sem segurança alguma.

O Ministério Público paulista insiste. A melhor saída para São Paulo é seguir o caminho dos mineiros. E, enquanto a legislação for frouxa, permissiva, ultrapassada, e não garantir punições severas aos vândalos, os clássicos deveriam ter torcida única.

Só com torcedores do time da casa, até as famílias ficariam mais seguras em ir aos estádios. Porque não haveria chance de confrontos. Não só nas arenas, mas nos trajetos de ida e volta.

Enquanto isso não acontece, São Paulo festeja sua hipocrisia. No Itaquerão amanhã deverão estar cerca de 38 mil corintianos. Do lado adversário, dois mil torcedores de várias facções organizadas. O são paulino comum estará bem longe de um dos mais importantes clássicos entre os dois clubes. A cidade não oferece dois requisitos básicos: transporte e, principalmente, segurança...

(Depois de uma ligação do presidente da Independente, Carlos Miguel Aidar voltou atrás. E resolveu que o São Paulo vai bancar 50 ônibus para sua principal organizada. Nem se pergunte como um dirigente de facção de torcedores tem o número do celular o presidente do São Paulo. Também foi acertado que os ônibus sairão do Itaquerão e não mais do Tatuapé. Porque a Polícia Militar não teria como proteger os membros das organizadas.

O Corinthians dividirá as despesas com os ônibus. O mesmo acontecerá na partida de volta, no Morumbi. Assim, com o incentivo do poder público, os clubes são reféns de suas próprias torcidas. A vergonha só aumenta...)
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Homem algum é mais importante do que o Grêmio. Nem Felipão. Abandonar o time durante a derrota para o Veranópolis foi um ato de desrespeito. Por que não virou as costas para a Seleção nos 7 a 1?

1reproducao15 Homem algum é mais importante do que o Grêmio. Nem Felipão. Abandonar o time durante a derrota para o Veranópolis foi um ato de desrespeito. Por que não virou as costas para a Seleção nos 7 a 1?
Foi um ato de ingratidão. Do mais profundo desrespeito. E que merece ser destacado. Não ficar ofuscado pelo brilho do Carnaval no Brasil. Algo absurdo, amador, triste. Humilhante para jogadores, dirigentes, torcedores. Desrespeito ao clube no mais alto grau. Traição.

Luiz Felipe Scolari foi massacrado pelo vexame da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Cometeu erros primários. Como acreditar que a Seleção já era hexacampeã sem mesmo entrar em campo. Acreditou ingenuamente que a conquista da Copa das Confederações era a garantia do título. Ele e Parreira não avaliaram a decadência da Espanha, do Uruguai, a fragilidade da Itália, que fracassaram na competição. Nem pensaram em outros esquemas táticas, nem aventaram a possibilidade de um plano B, jogar sem Neymar. Abriram a Granja Comary para a farra de Mumuzinho, Luciano Huck, para as notícias exclusivas do Jornal Nacional.

Mesmo depois do 7 a 1 para a Alemanha, a pior derrota brasileira de todos os tempos, e da perda do quarto lugar, depois da vitória da Holanda por 3 a 0, Felipão acreditava que continuaria comandando o futebol deste país. Marin e Marco Polo, que tanto o abraçaram, o trataram como se estivesse com uma doença contagiosa. E trataram de despachá-lo sem piedade. Ele que arcasse pelo resto da vida por suas péssimas escolhas.

Massacrado, só um clube do país o acolheu de braços abertos. O Grêmio de Fabio Koff. Era o que precisava. Ser valorizado no pior momento não só de sua carreira, mas de sua vida. Chegava ao clube se recusando a falar de Seleção Brasileira, de Copa do Mundo. Só o preocupava a reestruturação do time que jura ser do seu coração.

Koff avisou que o Grêmio caiu em uma arapuca financeira em relação ao novo estádio. Iria passar por dificuldades financeiras terríveis nos próximos anos. A prioridade: arrumar dinheiro para se livrar das dívidas, dos juros da arena. Seria um período de sacrifício. De folha salarial baixa, de time sem estrelas, jogadores jovens, inexperientes, mesclados com atletas longe do auge da carreira, com salários baixos. Felipão serviria como escudo do time.

Tanto Felipão aceitou as condições que fez campanha para o candidato da situação, de Fabio Koff. O eleito, Romildo Bolzan, assumiu e avisou que precisaria baixar a folha salarial do elenco para R$ 5 milhões. Eram R$ 2 milhões a menos do que em 2014.

O Grêmio no Brasileiro passado se desdobrou e quase conseguiu a classificação para a Libertadores. Escorregou pelos dedos. O que deu mais força a Romildo a economizar. E sem dó, liberou ou negociou jogadores importantíssimos. Barcos, Marcelo Moreno, Pará, Bressan, Saimon, Werley, Zé Roberto, Breno, Riveros, Fernandinho, Dudu, Alan Ruiz e Maxi Rodríguez.

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E foram contratados atletas cinco atletas de potencial muito baixo ou em decadência. Marcelo Oliveira, Erazo, Galhardo e Douglas. Escolhas de Felipão. O técnico não aceita trabalhar com Kléber Gladiador, Edinho e Adriano. Jogadores que treinam em separado.

A mistura de jovens jogadores com atletas ruins não poderia dar grande coisa. Como diretoria e os próprios torcedores esperavam. Mas apostavam todas suas fichas no carisma, na experiência, na vivência de Scolari. Treinador com 33 anos de experiência.

Foi assim que começou o Campeonato Gaúcho. 16 equipes jogando em turno único. Classificação para a fase final, dos mata-matas das oito primeiras. Na primeira partida do Grêmio, vitória diante da União Frederiquense por 3 a 0. Mas logo no segundo confronto, a derrota para o Aimoré por 2 a 1. Felipão já reclamava do time.

Veio a terceira rodada. Vitória por 3 a 1 diante do Avenida. No quarto jogo, outro fracasso. 1 a O para o Brasil de Pelotas. Scolari esbravejando contra tudo e contra todos. Como se não soubesse o que o aguardava.

Mas o pior estava reservado para o sábado. Em plena arena do Grêmio. Jogo contra o limitado, em todos os aspectos, Veranópolis. Obrigação de vitória gremista. Mais de nove mil torcedores foram ao estádio para apoiar o time de Felipão.

Marcelo Grohe, Matías Rodrigues, Erazo, Rhodolfo e Júnior (Galhardo); Marcelo Oliveira, Felipe Bastos, Luan, Everton (Pedro Rocha) e Douglas; Lucas Coelho (Lincoln).

Esse foi o time que Scolari colocou em campo. Outra vez o Grêmio jogou mal demais. David Dener marcou para o time do interior gaúcho aos 21 do segundo tempo.

A torcida vaiava, xingava os jogadores, Felipão. Acabava a paciência. Foi quando, aos 41 minutos, faltando quatro para acabar a partida, Luiz Felipe Scolari levantou do banco de reservas. E simplesmente foi para o vestiário tomar banho. Virou as costas para o time, torcida, jogadores que escolheu, diretoria. Um ato inaceitável. Descabido para o comandante de qualquer equipe no mundo.

"Me expulsei. Mais vergonha do que isso, impossível passar. A equipe não apresenta nada daquilo que a gente faz no treinamento. Não adianta ficar enganando a torcida do Grêmio. Não tinha mais o que fazer, fui embora para o vestiário. Acabou o assunto. Não criamos nada, os adversários vêm aqui e tomam conta do jogo. Não aproximamos. Faltava 3 ou 4 minutos e fui embora. Para não tomar uma atitude errada e esfriar a cabeça."

2reproducao6 Homem algum é mais importante do que o Grêmio. Nem Felipão. Abandonar o time durante a derrota para o Veranópolis foi um ato de desrespeito. Por que não virou as costas para a Seleção nos 7 a 1?

Por maior descontrole emocional que tivesse sentido, Felipão é o único brasileiro da face da Terra que não poderia usar essa desculpa. Como assim, 'mais vergonha do que isso, impossível passar'? E os 7 a 1 da Alemanha? Por que ele não teve coragem de levantar do banco de reservas do Mineirão e ir embora?

A atitude de Felipão só expôs seus jogadores para o massacre dos torcedores, da imprensa. Agiu como se não tivesse qualquer responsabilidade sobre o que acontecia. Era culpa 'deles'. Não de Scolari.

"Não tive a oportunidade de conversar com o Felipão. Acho que nem era hora. Acho que ele ficou de cabeça quente. Todos nós queremos um resultado melhor. Compreendo sua reação. Acredito que poderia ser um pouco melhor elaborada, mas ele é um homem sanguíneo, com um comprometimento com o clube. Não farei uma situação desintegradora."

Essa foi a postura de Romildo Bolzan. Omissão cristalina. O presidente do Grêmio não pode admitir que ninguém se coloque como mais importante que o clube. Abandonar o banco de reservas com tempo ainda para tentar evitar mais uma derrota gremista foi um ato de traição ao clube. Aos princípios básicos de um técnico, de um comandante.

3reproducao1 Homem algum é mais importante do que o Grêmio. Nem Felipão. Abandonar o time durante a derrota para o Veranópolis foi um ato de desrespeito. Por que não virou as costas para a Seleção nos 7 a 1?

Felipão tem uma carreira fantástica. Fez o Brasil pentacampeão mundial. Levou Portugal ao vice campeonato europeu, à quarta colocação em uma Copa do Mundo. Comandou o Chelsea. É Cavalheiro Nacional da Ordem do Mérito pelo governo Brasileiro. É cavalheiro da Ordem do Infante Dom Henrique por Portugal.

Conseguiu vencer na profissão, na vida. É milionário. Aos 66 anos, não precisa estar mais trabalhando no futebol. Se está, precisa respeitar sua trajetória. O clube que diz amar. O Grêmio lhe proporcionou a chance de ter alcançado todo esse prestígio. Por mais fraco time que esteja em campo, não merece ser abandonado por seu líder.

Felipão que faça um balanço honesto das verdadeiras condições do Grêmio. Caso considere que o time é fraco demais para um técnico com seu currículo, que vá embora de vez. Não submeta um clube de tantas tradições, campeão mundial, da Libertadores, com uma torcida apaixonada, a humilhações como a de sábado.

Inaceitável sua atitude. Pior, só a postura da direção, do presidente Romildo que aceitou tamanho desrespeito. Ninguém é maior do que o Grêmio. Nem mesmo o cidadão Luiz Felipe Scolari, que só tem o currículo maravilhoso graças ao preto, azul e branco. Não cabe tanta ingratidão...
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Palmeiras brinca com a sorte. Gabriel Jesus e seus empresários não têm a paciência de Marcos. O clube, que não valoriza seus garotos da base, pode desperdiçar outro talento…

1ae16 Palmeiras brinca com a sorte. Gabriel Jesus e seus empresários não têm a paciência de Marcos. O clube, que não valoriza seus garotos da base, pode desperdiçar outro talento...
"O Palmeiras tem sérias dificuldades em cultivar seus talentos da base. Sempre foi assim. O clube tem na sua essência buscar grandes jogadores em outras equipes. Pode reparar, as grandes conquistas sempre foram com atletas vividos, experientes, vindos de fora. Os garotos sempre ficam em último plano para os treinadores. São desvalorizados. Isso é histórico. Foi assim e vai continuar."

As declarações foram me dadas por Pedrinho Vicençote no início dos anos 2000, quando surgiu Vagner Love. Pedrinho foi um lateral esquerdo muito bom, revelado na Copa São Paulo de 1977. Com ótimo potencial ofensivo, logo ganhou espaço, projeção no clube. Marcou 17 gols, quando os laterais eram quase proibidos de atacar. Mesmo assim, seu salário continuou muito baixo, não houve reconhecimento dos dirigentes. Suportou a situação três anos, quando foi para o Vasco da Gama.

A negociação foi péssima para o clube paulista. Em um ano ele estava no grupo que disputou a Copa do Mundo de 1982. Valorizado, acabou vendido ao Catânia da Itália. Os cariocas tiveram um enorme lucro.

As palavras de Pedrinho tiveram foram certeiras, proféticas. O Palmeiras continua com a mesma mentalidade de clube comprador, não formador. Foi assim também com Vagner Love. O atacante surgiu como um atacante oportunista, vibrante, de excelentes arrancadas, técnica suficiente para fazer tabelas inesperadas. Muito promissor.

Havia tentado a sorte no Bangu, Campo Grande e Vasco, quando menino. Mas não conseguiu vingar. Era indisciplinado. Acabou indicado aos juniores do Palmeiras. Teve grande destaque ao marcar 32 gols. Era a grande estrela do time na Copa São Paulo de 2002. O time caiu no grupo de São José dos Campos. Uma mulher mais velha se engraçou com o jovem atacante. E ele não teve dúvida, o levou para seu quarto na concentração. Foi flagrado e afastado da equipe, por Karmino Colombini.

Dirigentes palmeirenses quiseram dispensar o jogador. Só que ele era muito bom. Flávio Prado, comentarista da Rádio Jovem Pan, foi quem transformou Love no sobrenome do atacante. "Eu só levei uma vez e não recomendo para nenhum jogador que esteja começando", disse o jogador para a revista Playboy.

2ae7 Palmeiras brinca com a sorte. Gabriel Jesus e seus empresários não têm a paciência de Marcos. O clube, que não valoriza seus garotos da base, pode desperdiçar outro talento...

Ele foi mesmo muito mal tratado no Palmeiras. O ressentimento do então presidente Mustafá Contursi nunca passou. Queria e conseguiu se livrar do jogador que desrespeitou o clube. Vagner Love foi assediado por vários clubes europeus. Mas Mustafá o vendeu pela melhor oferta. Para a Rússia. Por US$ 9 milhões. US$ 7,5 milhões ao Palmeiras e US$ 1,5 milhão ao jogador.

Os companheiros de diretoria e grande parte da imprensa criticaram impiedosamente a venda. Love tinha potencial para ser vendido por muito mais dinheiro. Bastaria ter um pouco de paciência, clamavam. Mas o irritadiço Mustafá sabia que para segurá-lo teria de aumentar o seu salário. E ele não suportava o atacante. Nunca o perdoou pela farra que fez quando era garoto na concentração em São José.

Vagner foi para a Rússia prometendo ficar apenas um ano. Acabou passando sete, as suas melhores temporadas como jogador. Voltou para o Palmeiras em 2009 porque Mustafá não era mais presidente. Mas o ressentimento e a falta de paciência de parte das organizadas em relação ao jogador nunca passaram. Depois de violenta briga na agência Bradesco da avenida Sumaré e ameaças de morte ao atacante e seus familiares, ele foi para nunca mais voltar ao Palestra Itália.

Marcos surgiu em Lençóis Paulista. Treinou três meses no Corinthians. Mas o clube não se empolgou pelo goleiro de 17 anos. Acabou indo para o Palmeiras. E de 1992 até 2012, nos vinte anos que atuou no Palestra Itália, a mesma história. Ele nunca se sentiu valorizado financeiramente. Não como deveria. Como sua personalidade é pacata. Soube investir muito bem o que ganhou. E vive bem.

Mas companheiros de Seleção e de clubes rivais, cansaram de repetir que ele deveria ter exigido muito mais do Palmeiras. Não queria briga. Conseguiu montar um patrimônio que o satisfaz. Mesmo sabendo que merecia ser melhor remunerado.

Está no DNA do Palmeiras não acreditar, não pagar bem, não valorizar seus atletas de base. Por isso o clube não é destino natural dos grandes talentos brasileiros, enquanto meninos. Santos, São Paulo, Flamengo, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Corinthians, Internacional, Grêmio são opções primeiras. O trabalho de observação nestas equipes chegou a um ótimo grau de aprimoramento. Nas últimas temporadas apenas, o Corinthians passou a olhar com mais atenção aos seus meninos. O erro de avaliação de Marquinhos, zagueiro que o PSG pagou R$ 101 milhões, foi dolorido demais.

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Agora o Palmeiras está errando feio com outra rara revelação na sua base. Gabriel Jesus. Ele surgiu no Anhanguera, clube amador. Na Copa São Paulo sub-15, marcou 29 gols. Cobiçado por vários clubes, o Palmeiras se antecipou. E fechou contrato em julho de 2013, com 16 anos até dezembro de 2015. A promessa ganhava R$ 2,5 mil. Continuou se impondo. Marcou 37 gols em 22 partidas no Campeonato Paulista de Juniores. Sua multa rescisória se tornou baixa: R$ 3 milhões. Era um risco assinar com outro clube.

O São Paulo era o principal interessado. Conselheiros garantiram que foi ofertado ao garoto uma casa no valorizado condomínio de Alphaville, em Barueri. Bastaria ele não renovar seu vínculo com o Palmeiras. Paulo Nobre ouviu essa história e resolveu oferecer um contrato de quatro anos ao jovem atacante.

A renovação não foi fácil. Os empresários do menino sabiam que havia outros interessados. Primeiro mudaram seu nome. De Gabriel Fernando, passou a Gabriel Jesus, mais marcante. E trataram de avisar à diretoria palmeirense. Queriam uma parcela maior dos direitos de Gabriel para ele ficar. Sem saída, Nobre cedeu. Renovou o vínculo até 2019. Mas o Palmeiras ficou com apenas 30% dos direitos do jogador. O clube tinha 80%. Era isso ou o jogador não renovaria.

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Os salários saltaram para R$ 15 mil até o final do ano. Em 2016, pularão para R$ 25 mil. R$ 35 mil em 2017. R$ 45 mil em 2018. R$ 60 mil em 2019. Sua multa rescisória saltou de R$ 3 milhões para R$ 30 milhões.

Mesmo diante de tanto sacrifício para segurar o jogador, o Palmeiras mostra o mesmo desprezo pela prata da casa. Ainda mais depois das 19 contratações de Alexandre Mattos. Oswaldo de Oliveira não o queria nem inscrever o menino entre os 28 que disputam o Paulista. Só o colocou porque os documentos de Cleiton Xavier não chegaram a tempo.

Fábio Caran e Cristiano Simões não ficaram nada satisfeitos com a postura do treinador. Esta claro que Oswaldo não está com pressa alguma em utilizar o garoto de 17 anos. Acredita que ele poderá amadurecer ficando na reserva da reserva de jogadores com menos talento do que ele, como Maikon Leite, Rafael Marques, Leandro Pereira. Mas poderá ter uma desagradável surpresa.

Gabriel Jesus tem treinado muito bem. E impressionado até jogadores mais vivido. Como Zé Roberto e Cristaldo. Caran e Simões não ficarão de braços cruzados esperando a boa vontade de Oswaldo. Já buscam clubes europeus. Não será surpresa se no meio do ano, eles surgirem com proposta pelo atacante. Mesmo sem que ele tenha feito uma partida como titular no time principal do Palmeiras.

Parece absurdo. Mas Oswaldo de Oliveira precisa perceber o que está acontecendo. E ser justo. Se o garoto está jogando melhor do que seus titulares, deve escalá-lo. Nem que seja aos poucos. O treinador percebeu a pressão interna e de grande parte da imprensa para a escalação do atacante. A situação o irrita. É como se sua autoridade fosse questionada.

"Quem tem que medir a hora dele sou eu. Sei que existe a ansiedade, mas a responsabilidade é minha. Não adianta fazer nada de forma apressada."

Desta maneira, um grande talento da base pode ser novamente desperdiçada no Palestra Itália. Tudo dependerá da boa vontade ou não de Oswaldo de Oliveira. Um treinador como outro qualquer, que trabalha onde o salário é maior. E que não tem compromisso real com o patrimônio de um clube. Paulo Nobre que acorde.

Neste pobre cenário do futebol, o Palmeiras pode deixar escapar um talento promissor. E que poderia render muito no futuro. Mas talvez esse futuro nem chegue a acontecer. Pedrinho continua certo...

Depois de ficar de fora da Copa do Mundo, o São Paulo perde a Olimpíada para o Corinthians e o Palmeiras. “O Morumbi é ultrapassado e anacrônico”, como resumiu Carlos Miguel Aidar…

4ae5 Depois de ficar de fora da Copa do Mundo, o São Paulo perde a Olimpíada para o Corinthians e o Palmeiras. O Morumbi é ultrapassado e anacrônico, como resumiu Carlos Miguel Aidar...
Foi um choque de realidade. O assunto era tratado como sigiloso no São Paulo. Mas não há como ganhar mais tempo, esconder a verdade. O Morumbi é ultrapassado para ser uma sede do futebol na Olimpíada de 2016. Pela exigência dos organizadores, a competição precisa acontecer em arenas com múltiplo uso. Com estacionamento próprio. Coberto. Local apropriado, moderno para a imprensa internacional. E linha de metrô próxima ao estádio.

Ou seja, o Morumbi precisava ser completamente reformado. Era o que Carlos Miguel Aidar tentou fazer assim que assumiu a presidência, quando respeitava Juvenal Juvêncio, o responsável por chegar ao cargo. Nem os dois juntos conseguiram dobrar a oposição. "O projeto era incompleto, faltavam detalhes importantes. Não poderíamos fazer o clube se jogar em uma aventura financeira de R$ 500 milhões. Ficar endividado, sem ter como respirar. Como está acontecendo com várias equipes depois da Copa", repete constantemente, Marco Aurélio Cunha, opositor a Aidar.

Ou seja, nada foi feito no Morumbi desde a posse de Aidar, em abril do ano passado. Mas pelo menos deste pecado ele não tem culpa. Juvenal Juvêncio não teve habilidade política para garantir o estádio na Copa do Mundo de 2014. A ligação entre Andrés Sanchez, Lula e Ricardo Teixeira, com o discreto apoio da Globo, garantiram o nascimento do Itaquerão. Na prática, o tradicional Morumbi perdeu a possibilidade de sediar a importantíssima competição para um terreno.

5ae2 Depois de ficar de fora da Copa do Mundo, o São Paulo perde a Olimpíada para o Corinthians e o Palmeiras. O Morumbi é ultrapassado e anacrônico, como resumiu Carlos Miguel Aidar...

Como compensação, o então secretário municipal de Esportes de São Paulo, Walter Feldman, garantiu. O Morumbi seria sede de São Paulo no futebol da Olimpíada. Masculino e femino. Juvenal Juvêncio mandou o clube divulgar uma nota oficial, comemorando a notícia. Era outubro de 2009.

"O São Paulo Futebol Clube saúda com imensa alegria a escolha da Cidade do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Trata-se, sem dúvida, de uma vitória do Povo Brasileiro, que coroa de êxito os esforços feitos ao longo de anos pelo Governo Federal, pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e do Comitê Olímpico Brasileiro.

A escolha do Rio de Janeiro para sediar um evento da importância dos Jogos Olímpicos, sobrepujando metrópoles mundiais como Chicago, Tóquio e Madri, reafirma a vocação e o firme propósito do Brasil em se afirmar como potência mundial, elevando seus padrões de desenvolvimento e pujança ao nível das outras grandes nações do Planeta.

Essa conquista histórica também contou com a participação de uma série de outras cidades do Brasil, que se associaram aos esforços do Rio de Janeiro e colocaram suas sedes à disposição para receberem as partidas da modalidade futebol.

A Cidade de São Paulo, berço economico e receptivo do Brasil, fará parte desse grande acontecimento não só auxiliando na recepção de boa parte do fluxo turístico e operacional, mas, especialmente, sediando as competições do futebol feminino e masculino durante as Olimpíadas de 2016.

E, com enorme satisfação, o São Paulo Futebol Clube confirma que tais competições serão realizadas no Estádio do Morumbi, uma vez que, já em setembro de 2008, quando a Candidatura do Rio de Janeiro era apenas um pleito e um sonho de milhões de brasileiros, o São Paulo Futebol Clube assinou contrato com o Comitê da Candidatura da Cidade do Rio de Janeiro por meio do qual oficializou a cessão do Estádio do Morumbi como uma das sedes do futebol masculino e feminino durante os Jogos de 2016.

Exatamente no dia em que completa 49 anos da sua partida inaugural, o Estádio do Morumbi recebe o presente inesquecível da confirmação de que, já tendo realizado finais de campeonatos brasileiros, competições sul-americanas e eliminatórias de Copa do Mundo, é agora confirmado como uma das praças esportivas que receberá o evento histórico das Olimpíadas de 2016.

Parabéns ao Rio de Janeiro! Parabéns ao Brasil ! O Estádio do Morumbi receberá as Olimpíadas de 2016 de braços abertos e com enorme satisfação!"

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Tudo não passou de promessa vazia. O Comitê Olímpico Internacional elevou suas exigências. Com tantos estádios modernos espalhados pelo país, não poderia ficar com um estádio parado no tempo. Carlos Miguel Aidar percebeu que só a preferência não adiantaria. Sem a reforma, nada de Olimpíada.

Ele recebeu a notícia que São Paulo deverá utilizar dois estádios na competição em 2016. Um seria o Itaquerão, já utilizado na Copa do Mundo. O outro, do seu detestado rival, Paulo Nobre. O novo estádio palmeirense tem melhores condições inclusive do que o corintiano.

A única saída seria uma absurda reformulação feita em velocidade absurda. Ela deveria consumir muito mais do que R$ 500 milhões. A previsão é que, para deixar em igualdade de condições ao Itaquerão ou ao novo Palestra Itália, seriam necessários mais de R$ 700 milhões. E ainda a garantia que o Metrô faria a prometida obra que deixaria uma estação ao lado do estádio. Tudo isso até pelo menos março do próximo ano. Uma utopia.

Não há a mínima condição de o São Paulo reverter a situação. Aidar sabe disso desde que assumiu. Só estava esperando chegar a hora de anunciar mais essa derrota do clube. Que não é sua. É de Juvenal Juvêncio.

O Morumbi foi o estádio mais moderno de São Paulo por 54 anos. Mas seus dirigentes não se adaptaram à modernidade. Viram nascer o Itaquerão e o novo Palestra Itália. Se acomodaram. Continuaram de braços cruzados. Por falta de força política perderam a Copa do Mundo.

Juvenal tinha as Olimpíadas nas mãos. Mas não reagiu. Fingiu não enxergar a concorrência. Carlos Miguel não teve apoio dentro do clube para reverter a situação. Reconstruir o Morumbi com um projeto que todos acreditavam, consideravam viável. Agora terá de avisar que o clube 'abrirá mão ' da competição.

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Na verdade, a situação é completamente outra. Foram os organizadores da Olimpíada que ficarão com os modernos estádios do Corinthians e do Palmeiras. Não há como escolher o Morumbi.

"O Allianz Arena e a Arena Corinthians são estádios muito mais modernos que o Morumbi, muito melhores. O Morumbi foi inaugurado há 50 anos e hoje é totalmente ultrapassado e anacrônico. É bonito, mas apenas isso. Servirá apenas para mandarmos nossos jogos, nada mais. Em breve, ele será como o velho Canindé que deixamos para vir fazer o Morumbi."

Palavras de Carlos Miguel Aidar ao meu amigo de 20 anos e excelente jornalista, Carlos Augusto Simon, o Menon. Em maio de 2014.

Um estádio 'ultrapassado e anacrônico' não pode sediar a Olimpíada de 2016...
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