O fracasso na audiência da volta do futebol brasileiro na Globo. O Planeta dos Macacos foi mais assistido os jogos do São Paulo e Fluminense. A ressaca depois do vexame na Copa do Mundo vai custar caro…

1reproducao11 O fracasso na audiência da volta do futebol brasileiro na Globo. O Planeta dos Macacos foi mais assistido os jogos do São Paulo e Fluminense. A ressaca depois do vexame na Copa do Mundo vai custar caro...
Já está acontecendo o que a cúpula da Globo temia. Com o fracasso da Seleção na Copa do Mundo, os reflexos cairiam sobre o Campeonato Brasileiro. Os dois principais mercados deram a resposta imediata que a emissora já sabia que viria.

Bahia e São Paulo deu 18 pontos de audiência. Criciúma e Fluminense, 17, foi a pior audiência às quartas-feiras de futebol em 2014. A crítica de tevê da Folha, Keila Jimenez, não perdeu tempo. E comparou. O filme Planeta dos Macacos deu 24 pontos na semana passada.

Nos últimos dez anos, a audiência do futebol na Globo já caiu 28%. Por outro lado, os patrocinadores continuam pagando cada vez mais. Ambev, Coca-Cola, Banco Itaú, Johnson & Johnson, Vivo e Volkswagen. Cada uma pagou R$ 185 milhões. Ou seja, R$ 1,1 bilhão.

O ano foi mais rentável por causa da Copa do Mundo para a emissora. Ambev, Coca-Cola, Banco Itaú, Johnson & Johnson, Hyundai, Magazine Luiza, Nestlé e Oi! pagaram R$ 179,8 milhões. Mais de R$ 1,4 bilhão.

Ou seja, R$ 2,5 bilhões de faturamento. Mas a perspectiva é assustadora. Com o fracasso da Seleção há um desânimo generalizado. As arenas construídas para a Copa estão desprezando a sua totalidade. A Arena Pantanal já 'matou' 25 mil lugares na partida do Vasco, na terça-feira. Diminuiu o estádio para apenas 15 mil lugares.

O Corinthians, segundo clube mais popular do Brasil, está retirando suas arquibancadas móveis do Itaquerão. A diretoria sabe que são desnecessárias. Os vinte mil lugares a mais não farão falta.

A ressaca é maior por causa da própria Globo. A emissora chegou ao cúmulo de exibir futebol em 87% de sua programação jornalística. Criou uma expectativa vazia, mentirosa de título. E quando ele não veio, os brasileiros se sentiram traídos.

As 64 partidas transmitidas ao vivo tiveram um efeito colateral dolorido. Houve muitos jogos do melhor nível técnico mundial. Partidas com Thomas Müller, Cristiano Ronaldo, Messi, Suárez, Neymar. Fora o clima maravilhoso de uma Copa do Mundo. Os confrontos entre países.

Tudo isso viciou o telespectador. O ritmo dos jogos empolgante. Com muita intensidade, dramaticidade. Partidas eliminatórias onde apenas uma equipe sobreviveria. As partidas eram garantia de emoção, tensão. Bom espetáculo.

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No cenário dos clubes brasileiros é exatamente o contrário. Pelo pouco poderio econômico dos clubes, ficaram por aqui os jogadores sem capacidade de atuar no Exterior. Ou por já terem ido e voltado no final de carreira ou fracassado. Ou aqueles sem condições técnicas para sequer sonhar em atravessar a fronteira.

Treinadores ultrapassados dão o complemento ideal. O que sobraram são partidas com um ritmo muito lento, jogadores sem técnica refinada. Cada partida do Brasileiro dá saudade da Copa que mal acabou.

A Globo mantém o monopólio do futebol para ter lucros, evidente. Não está fazendo donativo. Quer ganhar dinheiro. Com a audiência despencado, os executivos vão acabar acordando. E percebendo que estão associados com o lado errado. A sociedade não deveria ser com a CBF. E sim com os clubes.

Quanto mais fortes os clubes, maior interesse do telespectador. A criação de uma liga independente é fundamental para a sonhada revolução no futebol. Não adianta copiar o esquema tático da Alemanha.

O caminho é entender que o país só rompeu sua crise técnica no começo dos anos 2000 quando a Federação fortaleceu os clubes. Ajudou que cada clube tivesse seu centro de excelência para revelar jovens jogadores. E fortalecê-los em academias modernas.

Tudo está à mão. Ou a emissora carioca participa para valer do processo ou seus executivos vão se desesperar a cada rodada do Campeonato Brasileiro. Morrendo de medo que os patrocinadores abandonem o futebol. E com a direção da Globo com uma saudade imensa. Não da Copa do Mundo. Seria pedir demais. Mas do bom e velho Planeta dos Macacos...
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A escolha do empresário Gilmar Rinaldi é puro medo de Marin. Não quer um técnico estrangeiro, personalista, na Seleção. Deseja um imitador nacional, um funcionário. Tite e Muricy são os nomes de preferência…

1ae12 A escolha do empresário Gilmar Rinaldi é puro medo de Marin. Não quer um técnico estrangeiro, personalista, na Seleção. Deseja um imitador nacional, um funcionário. Tite e Muricy são os nomes de preferência...
O Brasil vai continuar imitando, copiando o que os melhores treinadores do mundo fazem. Faltou coragem a José Maria Marin. Nem a assumir que foi quem demitiu Felipão, apesar de haver jurado que o técnico continuaria, fosse qual fosse o resultado da Copa.

Marin não permitiu que a Seleção tivesse um técnico da qualidade de Guardiola, de Mourinho, Jürgen Klopp. Vai atrás de um que se sujeite a viajar até a Europa. Peça o favor do técnico imitado explique a eficiência do que está fazendo.

É exatamente o que Tite aprendeu a fazer. Se 'reciclar' na Europa. Ou seja, aprender. Ele passa a ser o grande favorito a ocupar o lugar de Felipão. Mas se Muricy aceitar ganhar milhas pode brigar pela preferência. A influência do São Paulo Futebol Clube na CBF aumenta a cada dia. O nome do novo técnico será anunciado provavelmente na próxima terça-feira.

O atraso, o nacionalismo tortuoso venceu. Vale prestar atenção nas três frases mais importantes de Marin na coletiva.

"Nós não queremos um técnico absoluto. Ele será apenas uma das peças importantes da Seleção, só isso."

Ou seja, Marin não abrirá mão de dar a última palavra. Inclusive nas convocações. Como exigiu de Mano e de Felipão os nomes antes da divulgação das listas dos convocados. Contra quem o Brasil jogará. Onde a Seleção atuará. E mais: a partir da agora até 2016, ou próxima 'revolução', entre 30% a 50% dos jogadores terão idade para disputar a Olimpíada do Rio. Pep Guardiola, José Mourinho ou Klopp não aceitariam se submeter a tanta interferência.

O revolução para não revolucionar nada já começou com a escolha do coordenador das Seleções. Marin optou por chamar Gilmar Rinaldi. Pessoa que vendia, comprava, emprestava jogadores até ontem, quando mandou mensagem se despedindo dos seus jogadores.

Ele não tem experiência para coordenar todas as seleções do Brasil. Nem vivência internacional, contatos como, por exemplo, Leonardo teria. Gilmar Rinaldi foi jogador de futebol. Passou dois anos na superintendência do Flamengo. E os últimos 14 anos negociando jogadores. Seu grande atleta que gerenciou, infelizmente para a própria Seleção, foi um fracasso: Adriano.

1 A escolha do empresário Gilmar Rinaldi é puro medo de Marin. Não quer um técnico estrangeiro, personalista, na Seleção. Deseja um imitador nacional, um funcionário. Tite e Muricy são os nomes de preferência...

"Me desliguei. Não sou mais empresário", garantiu hoje. Mas ontem era. E as ligações que manteve nos últimos 14 anos continuam fortes. Por mais idôneo que seja, e é, Gilmar ficar sempre sob suspeita. Qualquer transação envolvendo jogadores da base enquanto estiverem na Seleção pode ser questionada. Situação desnecessária a que Marin expõe a Seleção e o próprio Rinaldi.

Gilmar tem ótimo trânsito com Marco Polo del Nero e com Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo. Na coletiva deixou muito claro que será um funcionário de extrema confiança de Marin. Acatou logo de cara todos o projeto da base desenvolvido por Gallo. É dele esta ideia da obrigatoriedade dos jogadores olímpicos na Seleção principal. Ele tem um evidente interesse. Será Alexandre Gallo quem estará comandando o Brasil na Olimpíada do Rio. E ele quer seus atletas rodados, não dependentes dos três jogadores com mais de 23 anos, como virou costume no Brasil.

Mesmo como funcionário de Marin, Gilmar terá direito à dar seus pitacos. O maior é o fim do culto à vaidade na Seleção.

"O que mais me irritou na partida contra a Alemanha não foi a derrota por 7 a 1. Mas o boné com que os jogadores entraram. Nele deveria estar escrito "Força, Bernard. E não estava. Esse tipo de atitude não acontecerá mais daqui para a frente."

Tradução. Os atletas em plena semifinal da Copa, o time que iria enfrentar a Alemanha se preocupava com quem não estava no jogo. Na cabeça dos jogadores estavam os bonés com a inscrição "Força, Neymar". Gilmar queria que os atletas destacassem Bernard. Ele era o titular inesperado que Felipão colocava para enfrentar o excelente time alemão.

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Se tiver poder para isso, Gilmar vai acabar com tanta exposição de Neymar. E dos atletas da Seleção. O excesso de selfies, o culto à vaidade. Isso também é influência de Gallo. O treinador não permite brincos, longas madeixas, roupas extravagantes na seleção de base. Pelo contrário. Ele quer os jogadores de cabelos curtos e postura de total subserviência ao técnico.

"No Brasil daqui por diante vai prevalecer o coletivo sobre o individual." Decretou Gilmar.

Marin acredita que Felipão e Parreira não tiveram força para conter o ego dos jogadores durante a Copa do Mundo. Isso teria se manifestado não só nas roupas, nos selfies, nos brincos. Mas a atitude de David Luiz. O zagueiro contra a Alemanha e Holanda abandonou a zaga e foi jogar como meia. Encarnou que seria o herói do time. E acabou facilitando a tarefa dos atacantes adversários. Esse tipo de comportamento será vetado pelo novo treinador.

O presidente da CBF foi além de anunciar que copiará o que será feito na Europa. Ele não quis assumir que foi ele quem dispensou Felipão.
"A partir do momento que o Scolari apresentou (a vontade de sair), nem precisou apresentar seu pedido de demissão. Tínhamos combinado que, após a Copa, iríamos nos encontrar. Só tenho agradecimentos, não só ao Scolari, mas a toda a comissão técnica. O Felipe Scolari era meu conhecido. Hoje o considero um grande amigo. Espero que a reciprocidade seja verdadeira."

Não é. Felipão se sente traído por Marin. Acreditou na promessa que continuaria no cargo. Parreira também acreditou. A desilusão do ex-coordenador técnico foi tão grande que ele abandonou o futebol. Já Felipão busca uma nova seleção no Exterior para seguir trabalhando.

O período da família Scolari está enterrado na Seleção. Mais do que nunca, Marin e Marco Polo comandarão de verdade o futebol brasileiro. Gallo, Gilmar Rinaldi e o novo treinador serão funcionários subalternos. Que terão de se sujeitar à visão de futebol do dirigente de 82 anos e do seu sucessor, com 73 anos. A ordem é copiar a modernidade. E manter com mão de ferro os clubes.

Marin e Marco Polo querem imitar o método de trabalho das grandes seleções, como a Alemanha. Mas não a revolução que fortaleceu os clubes, a força que a Liga Alemã independente ganhou. Não, isso não. O futebol brasileiro continuará de joelhos à CBF. Ao atual presidente e ao futuro da entidade. Eles não quiseram revolucionar o futebol, coisa alguma.

Trataram apenas de ratificar a força para o time olímpico, virou obrigação agora a medalha de ouro em 2016. Improvisar um empresário de futebol como coordenador de todas as Seleções. Escolher até terça-feira o treinador que melhor saiba copiar os métodos europeus. Além de, lógico, se submeter à vontade de tudo o que pedirem Marin e Marco Polo. Tristes opções para quem sonhava com uma revolução de verdade...
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Flamengo lanterna do Brasileiro. Dois meses de salários atrasados, torcida implorando por saída de Felipe, Elano e André Santos. Ney Franco sem rumo. Bem-vindo ao país depois da Copa do Mundo…

1gazeta 1024x577 Flamengo lanterna do Brasileiro. Dois meses de salários atrasados, torcida implorando por saída de Felipe, Elano e André Santos. Ney Franco sem rumo. Bem vindo ao país depois da Copa do Mundo...
O Flamengo teve 40 dias para se reinventar. Ney Franco é um treinador experiente, vivido. Não fosse o envolvimento de Ricardo Teixeira com a ISL e a obrigação de se demitir da CBF, Ney seria hoje o treinador da Seleção Brasileira. Mano Menezes trabalharia até a Copa e depois deixaria o cargo para o homem que comandava a base.

Só que planejamento copiado, por coincidência, da Alemanha implodiu. Ney foi para o São Paulo, depois Vitória e finalmente Flamengo. Sua missão : resgatar o time que, para a diretoria, caminhava para o rebaixamento. O problema seria o técnico Jayme. Pouco rodado para suportar a pressão na Gávea. Pouco importavam os títulos da Copa do Brasil e o Carioca. "Dois abortos da Natureza", debochou um conselheiro importante.

Jayme viveu a 'síndrome Andrade'. A maioria dos conselheiros e dirigentes do clube não acreditavam no treinador humilde, ex-jogador. Preferiam um treinador de renome. Daí a traiçoeira troca. O time foi mal demais na Libertadores. Torneio que não estava no planejamento disputar. Foi um presente de Jayme com a Copa do Brasil. Mas sem reforços, vieram os vexames. O Carioca não compensou. Veio a troca, muito cruel.

A imprensa soube antes de Jayme que ele estava fora. E que Ney Franco estava contratado. Quem vazou a informação queria tranquilizar a torcida. A reação viria forte. O treinador badalado teria 45 dias para preparar o time durante a Copa do Mundo. As nove primeiras rodadas do Brasileiro deveriam ser desprezadas. Importaria o que viria pela frente. Havia até novo comandante do futebol, Felipe Ximenez.

A torcida só implorava por três situações. As saídas dos veteranos Felipe, Elano e André Santos. Mas o clube carioca não conseguiu se livrar de nenhum deles. Ney teve de continuar convivendo com atletas sem clima no clube. Dirigentes importantes também querem a saída do trio. Mas eles têm contratos muito bem amarrados. Não vão jogar dinheiro fora.

Ney passou a Copa do Mundo toda implorando a Ximenez reforços. Ele entendeu que seriam pouquíssimos. Tentasse se superar. O grande Flamengo passava a ter um objetivo menos nobre até o final de 2014. Nada de vencer o Brasileiro ou sequer sonhar com uma vaga para a Libertadores. O desejo é não ser rebaixado para a Segunda Divisão. Se não fosse a estranha confusão envolvendo a Portuguesa, ele já estaria na Série B este ano.

O treinador que deveria estar treinando a Seleção foi obrigado a pensar pequeno. Lembrar de 2005, ano glorioso na sua carreira. Quando foi campeão mineiro. Não montando um grande Cruzeiro ou um excepcional Atlético Mineiro. Ney ganhou Minas Gerais com o pequeno Ipatinga.

Rodrigo Posso, Luizinho, Willian, Irineu e Beto, Fahel, Paulinho, Leandro e Léo Medeiros; Walter e Kanu. Esse era o esquadrão. Mais ofensivo até do que o Flamengo que preparou na Copa do Mundo. Precisava mudar. Na derrota por 3 a 0 contra o Cruzeiro, em Belo Horizonte, ele já deixou escapar o que sentia.

"Não era para ter tomado de três ou quatro. Era para ter tomado de oito. De oito. Eu sei que tem jogador que não está nem ai para essa porra. E se não está nem ai para essa porra, eu não estou nem ai para esses caras aí, também." O educado dirigente perdia o controle.

Já Ney Franco, depois de uma passagem pela Disney, passou a trabalhar muito. Tratou de montar seu time com três zagueiros. Seria a solução para proteger a equipe. Sabe que seu elenco é fraquíssimo.

A arrancada seria ontem em Macaé, diante do Atlético Paranaense de Doriva. E os sonhos já ruíram. Assim como a convicção de Ney Franco. O Flamengo jogou outra vez mal e perdeu a partida por 2 a 1. A torcida perseguiu Felipe, Elano e André Santos desde que seus nomes foram anunciados pelos alto-falantes. Foram xingados de perto e com ódio no acanhado estádio. Foram péssimos na partida.

Bastou esse jogo e Ney Franco já anuncia que abandonou a ideia de três zagueiros. Samir se machucou. Não deveria importar. E a convicção na filosofia? Nenhuma. O vivido e caro treinador está se deixando engolir pelo tsunami que se forma na Gávea. O clube já é o lanterna, o último colocado no Brasileiro. Na décima da 38 rodadas. Há 28 para buscar a salvação.

1ae10 Flamengo lanterna do Brasileiro. Dois meses de salários atrasados, torcida implorando por saída de Felipe, Elano e André Santos. Ney Franco sem rumo. Bem vindo ao país depois da Copa do Mundo...

O clube tenta amenizar a situação. E apresentará Eduardo da Silva, atacante brasileiro naturalizado croata. Ele nunca jogou futebol profissional no Brasil. Saiu garoto para a Leste Europeu. Se destacou em um torneio no Rio para comunidades carentes: a Taça das Favelas. Foi muito bem no Dinamo Zagreb e acabou vendido ao Arsenal. Estava se firmando quando sofreu uma entrada criminosa de Martin Taylor do Birmingham City, em 2008. Teve fratura exposta da fíbula. Perdeu a chance de disputar a Eurocopa pela Croácia.

Se recuperou fisicamente. Mas não conseguiu voltar a jogar um grande futebol. O Arsenal o vendeu à Ucrânia, para o Shakhtar Donetsk. Aos 31 anos, depois de 15 anos fora do Brasil, recebeu a proposta de atuar pelo Flamengo durante a Copa do Mundo. E aceitou retornar ao país. Vem sem custo, dono dos seus direitos. Seu salário será por metas. Na Ucrânia, recebia R$ 900 mil. A tendência é que o Flamengo parta de R$ 400 mil.

Júlio César, goleiro mais vazado de todas as Copas, estava negociando seu retorno à Gávea. Mas foi aconselhado que a 'hora não era certa'. Ou seja, o elenco é fraco. E as chances de rebaixamento são reais, concretas.

O Flamengo diminuiu suas dívidas. Mas o balanço oficial de 2013 mostra que é o clube com maiores problemas financeiros do País. Eram R$ 757,4 milhões ao final do ano passado. A torneira foi fechada de vez em 2014. Se comenta que as contas negativas estariam em R$ 650 milhões. Mesmo assim, torna uma tortura tentar administrar o clube.

O presidente Bandeira de Mello sente a pressão vinda do futebol. Não tem paz para seguir tentando reestruturar financeiramente o clube. Na verdade, o rebaixamento para a Segunda Divisão não seria um desastre. Pelo menos na parte administrativa. Seria possível formar uma equipe mais barata e ter um ano de sossego aos cofres do clube. Algo que sempre acalmava a diretoria da Portuguesa na sua 'briga' para ficar na Série A.

Lógico que ninguém será louco na Gávea de falar em como seria bom o Flamengo na Série B em 2015. E Bandeira de Mello não deseja essa mancha na sua carreira como dirigente. Por isso o único pedido feito a Ney Franco nestes cinco meses que restam ao final do ano é um só: que salve o time da Segunda Divisão.

O que não está nada fácil. Não bastasse a pressão da torcida, da imprensa e da própria situação, os jogadores entraram em campo ontem com dois meses de salários atrasados. Tudo se complica ainda mais. Melhor para os adversários. Bem-vindo à realidade do futebol brasileiro após a Copa do Mundo...
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Leonardo, Gallo… Marco Polo del Nero e José Maria Marin reestruturam a Seleção Brasileira. Enquanto isso, abandonado, Felipão vê as mesmas pessoas que o apoiavam lhe virar as costas. O fracasso é órfão…

1mowa6 Leonardo, Gallo... Marco Polo del Nero e José Maria Marin reestruturam a Seleção Brasileira. Enquanto isso, abandonado, Felipão vê as mesmas pessoas que o apoiavam lhe virar as costas. O fracasso é órfão...
Chegou a hora da reestruturação na Seleção Brasileira. Sem antes, como é de praxe, a lavagem de roupa suja. As famosas traições. Com cada um tentando se salvar do massacre. Até para seguir trabalhando.
O primeiro e mais gritante caso é o de Alexandre Gallo. Vazou nos corredores da CBF que o observador recomendou a Felipão que teria uma maneira de enfrentar a Alemanha. Ele deveria tirar do time Fred e entrar com três volantes: Luiz Gustavo, Paulinho e Fernandinho. Alertou que o meio de campo era o ponto forte do adversário.
Parreira teria até concordado com a avaliação. Mas Felipão preferiu ser fiel ao esquema que conquistou a Copa das Confederações. Deixou o time 'aberto'. A observação chegou nos ouvidos de José Maria Marin e de Marco Polo del Nero. E revoltou a dupla. Toda a conta da goleada vexatória por 7 a 1 ficou nas costas do ex-treinador da Seleção.
"Vocês (jornalistas) querem me jogar contra o Gallo", disse Felipão, assustado, com a revelação. Mas depois da sua demissão, as observações do seu 'espião' sobre a Alemanha foi parar na imprensa. Algo que expõe a escolha errada do técnico e preserva aquele que deveria ser seu auxiliar de confiança.
Gallo conseguiu sobreviver. Ele não está no enorme grupo de demitidos pela CBF. E mais. O treinador comandava a base da Seleção. Venceu no mês passado o importante torneio de Toulon, com garotos sub-21. Foram cinco vitórias em cinco partidas. Com direito à goleada por 5 a 2 contra a França, dona da casa. Ele era protegido por Felipão, que o defendia como técnico da Seleção Olímpica.
Marin é apaixonado por Gallo desde que ele revelou como os garotos iriam se comportar com ele. Estavam proibidos brincos, andar com fones de ouvidos na concentração, a partir de quando os jogadores fossem convocados, nada de tatuagens.
"Não aceito jogador com marra. Não quero estrelismo. Preciso de personalidade, comprometimento. Aliás, isso importa mais para mim do que a capacidade. Não adianta nada para o grupo alguém talentoso mas individualistas. Comigo vai predominar o grupo."
Gallo propôs a Marin a unificação do trabalho nas categorias de base, como as grandes seleções fazem há muito tempo. Espanha e Alemanha são bons exemplos. O que é esta 'unificação'? Na verdade uma padronização tática. Os times atuarão com esquemas idênticos, com poucas variações. Seguindo como referência, a Seleção adulta. Para que, desde menino, o jogador se encaixe.
O plano foi desenvolvido por Felipão, Parreira e Gallo. Mas todos os méritos acabaram com o treinador da base. E agora a revelação que aconselhou Felipão a fechar o time contra os alemães veio a calhar. Tanto que ele ganhou uma moral incrível com Marin.
Há a possibilidade real de que amanhã ele seja anunciado como treinador interino do Brasil até o final do ano. Comande a Seleção principal para amistosos já marcados. Isso daria um fôlego para a CBF buscar um técnico para preparar a Seleção para a Copa de 2018.
O calendário até lá é pesadíssimo. Tem Eliminatórias, Copa América do Chile em 2015;outra Copa América comemorativa de 100 anos, nos Estados Unidos, em 2016; além da Olimpíada no Rio. De novo com a obrigação de o time conseguir a medalha de ouro pela primeira vez.
Será nomeado um novo coordenador técnico. Com o perfil bem diferente de Parreira, principalmente na idade. O que acaba de ser dispensado tem 71 anos. O ex-jogador da Seleção e dirigente do Paris Saint Germain e que tem passagens rápidas como técnico do Milan e da Inter recebeu o convite. Ele está propenso a aceitar.
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Seus contatos importantes seriam fundamentais na escolha do novo técnico para o Brasil. E também a vivência. Leonardo teria a capacidade de organizar o futebol da Seleção nos moldes seguidos pelos grandes clubes do Exterior. Criar condições até para um técnico de fora e de grande vivência, assuma o Brasil a partir de 2015.
Essa questão ainda não está fechada. Tite e Muricy seguem comentados se a opção for pela reserva de mercado. "O Brasil para os brasileiros", já disse um dirigente de federação, mais radical.
As reuniões na CBF se sucedem, buscando o novo. Mas a mágoa dos que foram dispensados é imensa. Carlos Alberto Parreira garante que não quer mais saber de futebol. Só cuidará de seus negócios particulares. O ex-diretor de Comunicação, Rodrigo Paiva, foi dispensado por telefone depois de 12 anos no cargo. Não quer mais tocar no assunto de sua demissão.
Triste mesmo está Felipão. Ele não chegou nem a fazer o relatório da caminhada do Brasil na Copa do Mundo. Soube que Marin não tinha o menor interesse em recebê-lo. Percebeu isso ao ir para a casa do ex-presidente da CBF na segunda-feira. Tinha esperanças de continuar na Seleção. Acreditava no que havia ouvido de Marin, após o desastre contra a Alemanha.
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Mas ao chegar no local já viu um carro de reportagem da TV Globo. Percebeu que a emissora não estava lá só para registrar uma simples reunião. Mas o último ato, a sua demissão. Felipão entendeu que o apoio que recebeu na derrota diante dos germânicos foi irreal. Marin ganhava tempo, esperava apenas a derradeira partida na Copa. E aí tirar o seu cargo.
Felipão está recluso e magoado. Com Marin, com Gallo, com Galvão Bueno. O discurso do narrador no sábado depois da derrota contra a Holanda foi considerado uma punhalada pelo ex-técnico.
De uma hora para outra, Galvão se virou contra o método de trabalho que tanto havia elogiado. Descobriu que o time não treinava, a granja Comary era aberta demais e questionou a repetição da estratégia usada na Copa das Confederações na Copa do Mundo. Tudo o que os principais veículos de comunicação apontavam desde o início do Mundial. Galvão esperou o fracasso para se queixar dos métodos da Comissão Técnica.
Felipão percebeu que de nada adiantou abrir a concentração para Luciano Huck, Mumuzinho. Nem trocar confidências sobre o time com Patricia Poeta. Fazer o Jornal Nacional o veículo oficial da Seleção. Obedecia a Marin. Com o fracasso, a Globo, representada por Galvão, se voltou contra ele.
Se o sucesso tem vários pais, o fracasso é órfão de pai e mãe. É assim que Felipão se sente hoje, abandonado. Por pessoas que há dez dias lhe abraçavam e o enchiam de elogios. E até se sentaram no seu colo...

(O golpe para finalizar Felipão. Informantes da CBF vazaram o salário que recebia o treinador. R$ 900 mil na carteira de trabalho. Com os encargos trabalhistas, o custo bateria nos R$ 1,5 milhão. Mostrando o quanto ele era caro, a cúpula da entidade espera arrebanhar a opinião pública. A informação vazou, por coincidência, em São Paulo e no Rio. Bastidores do futebol brasileiro...)

(O repórter da TV Globo, Marco Aurélio Souza, avisa que Felipão não poderia ter visto o carro da Globo em frente à casa de Marin. Ele realmente estava lá, mas não tinha logotipo, sendo impossível a identificação. O jornalista garante que foi pura coincidência, já que sua pauta com Marin era outra. E que seria 'mentira' do treinador ter recuado ao ver o carro da Globo em frente à casa do presidente da CBF...)
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Marin decide: sobrou também para a psicóloga de Felipão. Regina Brandão não conseguiu controlar o rio de lágrimas, o desequilíbrio do time que garantia que seria campeão do Mundo. Ela não será chamada de volta para trabalhar na Seleção…

1ae9 Marin decide: sobrou também para a psicóloga de Felipão. Regina Brandão não conseguiu controlar o rio de lágrimas, o desequilíbrio do time que garantia que seria campeão do Mundo.  Ela não será chamada de volta para trabalhar na Seleção...
São Paulo...

O massacre de informações sobre a Copa do Mundo foi imenso. Todos os jogos transmitidos ao vivo. E a Seleção mostrando suas entranhas na tosca Granja Comary.

O clima de fracasso impera. Foi vexatório demais a promessa do título e ter de suportar a pior derrota da história. 7 a 1 para a Alemanha, com os jogadores diminuindo o ritmo. Evitando vencer por placar ainda maior. Depois a Holanda, passeando em campo e, desinteressada, vencer por 3 a 0.

Chilenos e mexicanos também foram melhores do que o time de Felipão. Na hora do balanço, veio a demissão do treinador e sua Comissão Técnica. Só agora é assumido outro detalhe que todos que acompanharam os jogadores sabiam: o quanto desequilibrado psicologicamente era o grupo.

Regina Brandão veio à tona agora para revelar o quanto o futebol brasileiro esteve mal representado.

"Os jogadores tinham qualidades muito importantes, mas tinham pouca experiência de enfrentar essas situações de muita cobrança.

A equipe não conseguiu acertar o jogo em si e isso foi gerando uma redução na autoconfiança apesar de ter toda experiência"

A psicóloga Regina Brandão foi à TV Cultura e expôs os graves problemas de uma equipe pressionada. Formada por 17 atleta que nunca havia disputado uma Copa. Mas seu treinador havia jurado por eles: venceriam o Mundial no Brasil, vingariam 1950. A confiança era absurda.

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"Foi acontecendo alguma coisa que foi minando a confiança que os jogadores tinham na capacidade de ir lá e atingir o objetivo." Ou seja, o grupo percebeu que os rivais eram muito mais fortes e preparados que os adversários na Copa das Confederações.

Felipão e Parreira tomaram a atitude que a psicologia do esporte mais condena. Não se promete conquistar um título. E sim dar a vida, a alma pela vitória. Não garanti-la. Jogaram algo pesado demais ao grupo. Faltou habilidade. Por isso Regina Brandão foi chamada às pressas. Ela deveria traçar o perfil dos jogadores antes da Copa começar. E mais nada. Só que Scolari percebeu que o grupo estava implodindo.

As lágrimas dos atletas eram exageradas. Na hora do hino, na alegria, nas tristeza, na tensão, na hora de ir ao banheiro... Jamais se viu uma Seleção tão chorona. Com os nervos à flor da pele.

Os atletas se iludiram. Acreditaram que ganhariam a Copa com tranquilidade. Bastaria o apoio da torcida. Sem visão das realidade ou da verdadeira força dos adversários. Era nítido que não sabiam o que fazer diante das dificuldade nos jogos. Entravam em campo acreditando seguir o roteiro de um filme da Sessão da Tarde. Mas com ninguém avisando seus adversários.

Como contra o Chile, com a bola na travessão no último minuto do jogo. Até a decisão por pênaltis. "Felipão tinha preocupação há mais de um ano com o Chile, talvez isso tenha sido um pouco demais, no sentido que ele colocou muita pressão nos jogadores. E ele reconhece isso, reconheceu para mim."

3reproducao1 Marin decide: sobrou também para a psicóloga de Felipão. Regina Brandão não conseguiu controlar o rio de lágrimas, o desequilíbrio do time que garantia que seria campeão do Mundo.  Ela não será chamada de volta para trabalhar na Seleção...

Ou seja, o ex-treinador do Brasil foi o grande responsável pela instabilidade emocional do time que montou. Sua intenção era exatamente contr. Passar confiança ao time. Mas conseguiu abalar a todos. Principalmente David Luiz.

Ao ver o Brasil perdendo os jogos para a Alemanha e Holanda, ele abandonou sua posição. Foi atuar como meia, como atacante. Algo nunca treinado e que só escancarou a Seleção. E a expôs. Os dez gols que sofreu em duas partidas não foram por acaso.

"Foi coisa do momento e vou ter que falar todo mundo entrou em pânico, e quando entra em pânico, você não pensa. A sensação do David nesse jogo, como no próximo, foi tentar resolver por conta própria, e perdeu o coletivo. Cada um tenta resolver por conta própria."

Regina explicou que teve pouquíssimo para trabalhar. O ideal seria ter passado muito mais tempo com os atletas. Desde que saiu a convocação definitiva, por exemplo. Mas isso nunca foi cogitado. Felipão queria repetir o mesmo trabalho de 2002. O perfil de cada um. E depois usar essas informações durante o Mundial.

Mas não estava programada essa relação tão intensa. O resultado foi o grupo mais imaturo e desequilibrado que já disputou uma Copa pelo Brasil.

Só que: justo, ou não, José Maria Marin já decidiu.

Regina Brandão caiu de vez com Felipão. Não trabalhará mais na Seleção Brasileira. Neste rio de lágrimas que foi a perda da Copa, sobrou para a psicóloga também...

(Foram anunciadas oficialmente as saídas de dois personagens importantes. O primeiro é Rodrigo Paiva. Chefe de Comunicação da CBF desde Ricardo Teixeira. Ele é um arquivo vivo de tudo que aconteceu no futebol brasileiro nas últimas três Copas. Sua saída mostra que Marco Polo já está assumindo aos poucos o cargo que será seu em 2015. Quem ganha força para entrar no lugar de Rodrigo é Isabel Tanese, assessoria de imprensa do novo presidente da CBF.

O médico José Luiz Runco também foi dispensado. O médico sempre foi um prestador de serviços. Não tinha vínculos com a entidade. Rodrigo e Runco são cariocas. A influência paulista irá aumentar na Comissão Técnica da Seleção...)
1afp18 Marin decide: sobrou também para a psicóloga de Felipão. Regina Brandão não conseguiu controlar o rio de lágrimas, o desequilíbrio do time que garantia que seria campeão do Mundo.  Ela não será chamada de volta para trabalhar na Seleção...

Uma conversa fictícia entre Marin e Pep Guardiola. O presidente da CBF explica tudo o que um treinador precisa fazer para assumir a Seleção Brasileira. Ele vai enriquecer. Mas em compensação…

1af Uma conversa fictícia entre Marin e Pep Guardiola. O presidente da CBF explica tudo o que um treinador precisa fazer para assumir a Seleção Brasileira.  Ele vai enriquecer. Mas em compensação...
Rio de Janeiro...

Primeira conversa fictícia de José Maria Marin e Marco Polo del Nero com Pep Guardiola, o treinador dos sonhos de 11 entre dez torcedores brasileiros. Os dois dirigentes o levam para uma suíte exclusiva do Copacabana Palace, de frente para o mar. Paulista é como mineiro, adora o mar do Rio de Janeiro.

Com a palavra, Marin.

"Pep, me permita tratá-lo assim. Seremos íntimos como um dia eu fui do Mano Menezes e do Luiz Felipe Scolari. Mas eu tive de virar as costas para eles para sobreviver no meu cargo. Não iria permitir que governo algum estatizasse a CBF. Já chega o que aconteceu com a pobre Petrobrás. Melhor mudar de assunto.

"Mas caro amigo basco, ou melhor, catalão. Vamos ao que interessa. Quero mostrar que aos 82 anos sou mais moderno do que pensam. Ouço MC Guime. Adoro as correntes e medalhas de ouro que ele carrega no peito. Isso é moda de verdade para mim. Se eu pudesse, só usava medalhas. Mas não ficaria bem.

"Caro amigo. Vou revelar o meu sonho. Quero fazer história. Colocar o maior patrimônio nacional nas mãos de um estrangeiro. O escolhido é você.

"Mas você tem de se adaptar à maneira brasileira de trabalhar. Esqueça tudo que você viveu na vida fora de campo. Espanha e Alemanha não são exemplo para ninguem. Ganhar as duas últimas Copas não é nada. Diz para ele, Maro Polo, somos penta.

"Só não vá deixar de se lembrar dos seus sistemas táticos. Parece que você é meio louco e gosta que o time atue de duas ou três maneiras diferentes durante o mesmo jogo. Dói até a cabeça em pensar algo assim. Com o Felipão e o Parreira era mais fácil. Só tinha um, até eu e o Marco Polo decoramos.

"Vou explicar como é delicioso treinar a Seleção Brasileira. Primeiro, você terá um salário milionário. Pode pegar os R$ 46 milhões por ano e dobre. Podemos pagar tranquilamente R$ 92 milhões a cada doze meses até a Copa de 2018. Bom, né? Dá para você comprar vários ternos Armani que ficam tão bem no seu corpo de toureiro.

"E estão liberadas as propagandas. Tudo entrará no seu bolso. Bonitão como é vai chover na sua horta. É assim que se diz, não é Marco Polo? Até o Murtosa com aquele bigode escovão fez publicidade. Tu vai se dar bem, meu irmão, como dizem os cariocas. Técnico da Seleção aparece mais nos reclames do que a moça do tempo do Mappin, né Marco Polo? Ah, é mesmo, o Mappin fechou. Mas vai ganhar dinheiro assim mesmo, Pepito...

1divulgacao2 Uma conversa fictícia entre Marin e Pep Guardiola. O presidente da CBF explica tudo o que um treinador precisa fazer para assumir a Seleção Brasileira.  Ele vai enriquecer. Mas em compensação...

"Para enriquecer tanto, você precisa entender que o Brasil tem de fazer mais amistosos do que todos os países. Não para entrosar o time. Mas é que vendemos a uma empresa árabe chamada Pitch até 2022. São eles que arrumam os jogos. Não temos o menor controle sobre eles. Você conhece aquele chocolate de caixinha que tem uma surpresa dentro? Então, não acelera o coração você vê o que é? É a mesma coisa quando chega o fax. Sim, eu gosto de fax, não e-mail.

Quando a secretária me diz que chegou fax, fico ansioso É aquele suspense tentando adivinhar o país com quem vamos jogar.. Mas o que interessa é que cada uma dessas partidas fazem a CBF lucrar R$ 2 milhões livres, sem impostos. Bom, né?

"Os adversários são sempre diferentes. E sempre tem jogo bom para te dar moral. Fizemos o Mano e o Felipão parecerem modernos, poderosos. Aí usamos a nossa autonomia. E pedidos mesmo, porque ninguém brinca com a gente. Austrália, Zâmbia, Honduras, Coréia do Sul. Podemos repetir a dose para você. Já pensou: Japão, China, Sudão? Hein, hein?

Só te peço parar não reclamar do campo. Se pintar uma lamazinha, tudo bem. Deixa as pernas dos jogadores mais fortes. Aqui é Brasil, meu caro. América do Sul, Amazônia, pulmão do mundo. Lá é úmido, sabia?

1reproducao9 Uma conversa fictícia entre Marin e Pep Guardiola. O presidente da CBF explica tudo o que um treinador precisa fazer para assumir a Seleção Brasileira.  Ele vai enriquecer. Mas em compensação...

"Penso em você impondo o taca taca. Como é, Marco Polo? Tiki-taka? É isso. Nossos jogadores tocando a bola e enchendo os adversários de gols. Mostrando o encanto do país que nasceu para jogar futebol.

"Duas linhas de que? Marco. De quatro? Isso não é tricô, ponto cruz, essas coisas? Ah, oito jogadores marcando? Será bom. Passei muita vergonha com os sete gols no Mineirão. Ainda bem que os holandeses são boa praça. Fizeram três e descansaram..."

"De vez em quando, esses pentelhos da imprensa vão encher os patuás. E aí a gente arruma uns jogos mais difíceis. Traz a Inglaterra, a Itália, a Islândia para jogarem em Manaus. Aliás é outra coisa que vou te pedir. Vamos usar as arenas que construímos nos dois primeiros anos do seu contrato. Muito jogo por lá. A gente fala que é para aproximar de novo a Seleção do povo. Essa coisa do verde e amarelo do Zagallo. E ele, Marco Polo? Está bem? Ótimo...

"Os governadores e prefeitos já encheram os meus celulares de mensagens. E querem que a Seleção joguem nas novas arenas uma vez por mês. Vamos fazer um belo de um rodízio. Por falar nisso, depois te levo no Porcão...

"Imagine, Pepito, estão preocupados com os R$ 7 milhões que vão gastar por ano para manter essas 12 obras primas que custaram uma bobagem de R$ 9 bilhões. Não sei porque tanto escândalo dessa imprensa arrivista.

"Então estamos combinados...Esqueça essa tal de data-Fifa. Quando os chatos dos dirigentes europeus quiserem respeitar a legislação, não ligue não. Chame os jogadores que atuam aqui. Adversário não vai falar.

"A gente inventa um novo "Superclássico. Não com os argentinos que eles estão bem. Que tal os venezuelanos? Eles melhoraram muito na última década? Jogão...

1ae8 Uma conversa fictícia entre Marin e Pep Guardiola. O presidente da CBF explica tudo o que um treinador precisa fazer para assumir a Seleção Brasileira.  Ele vai enriquecer. Mas em compensação...

"Não importa se nós temos atletas que já não servem para a Europa com outros que nunca servirão. Vamos prestigiar o produto nacional. Os presidentes dos clubes e das federações que me sustentam no poder vão adorar. Aproveita e da uma mordida na cocada. Você vai adorar.

"Agora vamos fala de concentração. Nós temos a mais moderna do mundo, Pepito. Granja Comary, até o nome impressiona. Não, tem nada a ver com galinhas. Pensa só no Comary, com y e tudo.

"Lá temos os melhores lugares para colocar os painéis dos nossos patrocinadores. Eles bancam mais R$ 420 milhões por ano para colocar suas marcas com a Seleção. Não vamos esquecê-los de jeito algum.

"Olha que delícia. Fica em Teresópolis. 871 metros de altitude. Temperaturazinha gostosa no inverno entre sete e doze graus. O Felipão nem ligou de treinar lá e jogar em Fortaleza, com 29, em Brasilia, com 26... É como na sauna, sabe? Você sai da piscina fria e entre no calor a sauna seca. Faz bem para a pele, te deixa guapo...

"Então, estava falando sobre os patrocinadores. Lá na granjita tem uma arquibancada só para que eles possam ver os treinos. Eles, suas famílias, amantes, filhos, empregadas. Quem quiser. É só não se preocupar. Quando o treino acabar, se os jogadores quiserem, podem dar autógrafos e posar para fotos. E sinto no ar que eles vão querer. Sou meio vidente, sabia?

"Tem mais. Do outro lado dos campos há condomínios. Onde fica a torcida. Histérica gritando pelos jogadores. É bom. Eles já são mesmo celebridades, se sentem em casa. Você só terá de falar um pouco mais alto. Com essa voz grossa de basco que tem, será ótimo. Basco, não, já sei: catalão. Eu tenho um CD do Julio Iglesias que acho o máximo...

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"Lá é impossível fazer treinamentos secretos. A área é descampada, cercada de montanhas. Não vamos querer a imprensa se sujando de barro. Vamos dar o que eles tanto gostam: café, wi fi, chá e eu quero incrementar, umas bolachas. Com o bucho cheio, as críticas são menos pesadas.

"Hermano, gastamos R$ 15 milhões com uma reforma que muitos chamam de inútil. Colocamos fizemos quartos confortáveis, televisões modernas para os jogadores brincarem de videogame, coisa mais barulhenta, né? Não podemos fazer nada com os campos, infelizmente. Mas você é batuta, vai dar um jeito.

"Faça como o Felipão. Treine quatro times diferentes em um coletivo só. E coloque para jogar contra a Alemanha uma equipe que jogou junta por dez minutos. Pode não ter essa besteira de entrosamento, mas é uma delícia enganar a imprensa.

1ap18 1024x576 Uma conversa fictícia entre Marin e Pep Guardiola. O presidente da CBF explica tudo o que um treinador precisa fazer para assumir a Seleção Brasileira.  Ele vai enriquecer. Mas em compensação...

"Outra coisa, Papito, desculpe Papito é o filho do senador Suplicy... Pepito, tem a emissora que banca o futebol no país. Ela paga tudo. Campeonatos nacionais, jogos do Brasil. A relação íntima há mais de 40 anos.

Não podemos contrariá-la. Ela tem uma grade de programação imensa. E apresentadores e humoristas que são chapas dos jogadores. E querem mostrar essa intimidade ao vivo.

"Tem um menino, o Luciano. Gente boa, ajuda muita gente. Lógico que essa ajuda vira Ibope, mas ajuda. Quando ele quiser levar alguma pessoa com problemas físicos e interromper um treino, faça como Felipão. Colabore. Se um humorista decidir ficar ao lado do campo gritando o nome dos jogadores, tirando toda a concentração do time em um coletivo de Copa do Mundo, não se importe. Se faça de surdo. Sou muito grato ao Scolari.

"Sabe aquele lema 'tu casa, mi casa'? Vale para a concentração e o elenco de 450 atores, humoristas, apresentadores e até papagaio de plástico da emissora. Todos têm livre acesso. Inclusive para fazer um pagode. Falar nisso, Marco Polo, precisamos descobriu uma música para a nossa nova fase. O Zeca e a Ivete deram certo. O grupo Infiltração, quero dizer, Revelação, não deu certo. Onde anda a Mara Maravilha?

"Sei que não gosta dessa coisa de exclusiva. Mas é preciso abrasileirar. Ou melhor. Basta atender o telefone. Tem uma jornalista do jornal das nove horas que gosta de dar notícias exclusivas. Faz a alegria da moça. Não custa nada. Mostre de preferência como você vai montar o time em uma Copa do Mundo. Segredo para quê? E é bom para nós da CBF. Os adversários não assistem os telejornais brasileiros. Fique tranquilo.

"Eu não sou trouxa, Pepinho. Não sou como o Ricardo Teixeira que passou vergonha quando o Felipão não levou o Romário e ganhou a Copa de 2002. Sabe, eu gosto de ver a lista de convocados antes. Para ver se eu concordo com a sua linha de pensamento. Sabe, entendo de futebol. Joguei na ponta direita do São Paulo, meu time de coração. Caso eu não goste de alguém, a gente conversa. Se eu vou interferir? Imagine...

"Você vai repetir o Felipão e o Parreira. Vai bater no peito catalão e dizer em bom português, vai treinando aí e não reclama. O Aldo Rebelo queria em tupi guarani. Mas para nós serve português mesmo. 'Vou ganhar a Copa de 2018. Eu prometo." Se você puder também cantar: "Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor", seria ótimo.

"Pepito? Onde você vai? Volte aqui, sente. Marco Polo, vá atrás dele. Precisamos acertar ainda os bonés e os agasalhos com patrocínios que ele vai ter de usar. Tenho de avisar que o Ronaldo será o seu auxiliar técnico. Foi indicado pelas empresas que bancam a CBF.

"Ele já foi embora, Marco Polo? Esses bascos são mesmo estourados. Ligue para o Mourinho. Compre um vinho do Porto, do bom. Bacalhau a Gomes de Sá é demais. Melhor que presunto Pata Negra. Como é que chama mesmo aquela cantora de fado? Amália o quê? Marco Polo? Marco Polo, volte aqui, você também...

"Onde é que está o telefone do Tite? Se eu não achar, serve o do Muricy mesmo. O número do Juvenal Juvêncio, eu sei de cor. Aliás, preciso ligar para ele. Também quero um diretor de Seleção moderno. Esse mar de Copacabana é lindo. O Papito não sabe o que perdeu. Marco Poooooooooooolo????"
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Para sobreviver no comando do futebol, Marin cedeu. Felipão não é mais o técnico da Seleção Brasileira. Como queriam Globo e governo federal. O vexame na Copa foi grande demais…

1reuters5 Para sobreviver no comando do futebol, Marin cedeu. Felipão não é mais o técnico da Seleção Brasileira. Como queriam Globo e governo federal. O vexame na Copa foi grande demais...
Rio de Janeiro...

As derrotas por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal da Copa e por 3 a 0 para a Holanda, na decisão do terceiro lugar. Dez gols sofridos para apenas um marcado. Vaias dos torcedores no estádio e na rua.

Irritação da cúpula da Globo com a campanha ridícula da Seleção na reta final do Mundial. Prometer o título, oferecer o quarto lugar e não aceitar críticas óbvias ao trabalho confuso. Até os palavrões que Dilma recebeu ontem.

Tudo isso fez José Maria Marin dispensar Felipão. Para ser delicado, a CBF resolveu não renovar o contrato que se encerrou ontem com o fim da Copa. O coordenador Parreira também foi dispensado. Como também o seu auxiliar Flávio Murtosa, o preparador de goleiros Carlos Pracidelli e o preparador físico Anselmo Sbragia.

A decisão sobre a saída de Felipão será assumida por Marin. Mas foi uma questão discutida também por Marco Polo del Nero. O presidente da FPF sempre posou como cabo eleitoral do técnico. Só que as duas últimas derrotas foram pesadas demais.

Felipão havia sido perdoado pelos 7 a 1 no Mineirão. Os dirigentes fizeram de conta que acreditaram na história da pena dos seis minutos. Apenas exigiram que o Brasil vencesse a Holanda, conseguisse o terceiro lugar. Só que a Seleção foi derrotada e jogou novamente muito mal. No final, 3 a 0, com os holandeses se poupando.

O treinador brasileiro não queria ir embora. Pelo contrário. Tinha certeza que Marin daria chance para se redimir. Parecia não perceber os vexames a que o Brasil havia se submetido. O presidente da CBF titubeou. Afinal, Felipão e Parreira foram os últimos técnicos campeões do mundo com a Seleção. Mas a situação era insustentável.

A fraca campanha do Brasil na Copa do Mundo disputada na sua casa foi detalhada. O fato de o time ter sido dominado por mexicanos e chilenos. Fora os massacres contra alemães e holandeses. A assumida dependência de Neymar.

O sal grosso jogado pelo preparador físico Paulo Paixão no Mineirão. A teimosia inacreditável com Fred. A estranha escalação de Bernard, número 20, contra os alemães. Uma tentativa supersticiosa de relembrar Amarildo em 1962, o substituto de Pelé reencarnaria na vaga deixada por Neymar?

Fora a estranha avaliação de Felipão e Parreira do estado físico dos atletas. Os brasileiros foram os que menos treinaram na Copa do Mundo. Os que mais tiveram folga. A preocupação foi exagerada em evitar contusões musculares. Com isso, a Seleção se mostrou frágil nos confrontos que teve no Mundial. Principalmente diante de alemães e holandeses.

O descontrole emocional do time. A pressão que Felipão e Parreira impuseram à equipe garantindo que o Brasil conquistaria o hexacampeonato. E não fracassaria em casa como a Seleção de 1950. O discurso foi feito para agradar a Marin. Só que não levou em conta a inexperiência do time em Copas do Mundo. Foi um tiro de bazuca no pé.

2efe1 Para sobreviver no comando do futebol, Marin cedeu. Felipão não é mais o técnico da Seleção Brasileira. Como queriam Globo e governo federal. O vexame na Copa foi grande demais...

Treinador algum promete que seu time será campeão nem em torneio entre condomínios. Quanto mais em uma Copa do Mundo. Os jogadores brasileiros ficaram claramente estressados, desesperados para cumprir as absurdas promessas dos seus técnicos.

Marin, matreiro, havia percebido o quadro que os treinadores pintaram para a delegação.

"Estamos no purgatório. Se ganharmos a Copa entraremos no Céu. Mas se perdermos, será o Inferno."

Ele tinha razão. A opinião pública acabou sendo levada pelo carisma vitorioso de Felipão. Passou a acreditar cegamente no título. Afinal, se ele estava prometendo era porque deveria ser verdade. Não foi. E no final, as derrotas tiveram um peso muito pior. Felipão conseguiu fazer um favor para os descendentes da Seleção que foi massacrada em 1950 por perder a decisão para o Uruguai.

Diante do Maracanazo, a campanha desta Copa do Mundo foi vergonhosa. Felipão tentou se defender. Falou que não poderia ser considerado um treinador ultrapassado. Havia vencido a Copa das Confederações e levado, depois de 12 anos, o Brasil de novo às semifinais de um Mundial.

As alegações não convenceram Marin e nem seus aliados Globo e governo federal. A pressão por uma revolução no futebol foi imensa. O presidente da CBF é um sobrevivente. Não iria perder o controle da situação. Deu de bandeja o que era exigido: a cabeça de Felipão e de seus principais assistentes.

A CBF deverá anunciar oficialmente a decisão hoje. Mas Felipão já sabe que não manda mais no futebol do país. Marin e Marco Polo deverão escolher o novo treinador da Seleção. Já há amistosos contra a Colômbia e o Equador em Miami, já em setembro. Fora outros jogos neste ano, como diante da Argentina, na China.

A atrapalhar Tite está sua ligação com Andrés Sanchez, inimigo mortal de Marin. Mas o momento é de desespero. Marco Polo del Nero já defende uma conversa com ele para avaliar se ele continua 'homem de Andrés'. Muricy ganhou espaço nas últimas horas, por sugestão do presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar.

Há uma chance menor de Gallo, treinador da Seleção Olímpica, assumir até o final da ano e da gestão de Marin. Treinador estrangeiro continua sendo tabu. Nacionalistas, Marin e o ministro Aldo Rebelo não gostariam de ver a Seleção do país entregue a alguém que não nasceu por aqui.

Mas o primeiro passo já foi dado. Felipão, como se esperava, não teve seu contrato renovado. Na linguagem rasteira do futebol, é como se fosse demitido. Acabou escravo de sua promessa de conquista do hexacampeonato. Acabou perdendo o título. E muito prestígio internacional.

É difícil acreditar que um selecionado de ponta o contrate para dirigir um time em 2018, como gostaria. Não depois do fraquíssimo papel na Copa do Mundo no Brasil. O treinador tentou agradar a Marin prometendo o que sabia ser difícil demais cumprir. Perdeu, com toda a justiça, o comando do futebol brasileiro. Ele e Parreira, infelizmente, mostraram que pararam no tempo. E travaram a Seleção nesta postura sem rumo, ultrapassada...
1efe2 1024x576 Para sobreviver no comando do futebol, Marin cedeu. Felipão não é mais o técnico da Seleção Brasileira. Como queriam Globo e governo federal. O vexame na Copa foi grande demais...

O segredo da Alemanha campeã do mundo de Joachim Loew. Trabalhar sério por dez anos por esse título. Algo impossível de fazer na Granja Comary de Marin, Luciano Huck e Mumuzinho…

1reproducao8 O segredo da Alemanha campeã do mundo de Joachim Loew. Trabalhar sério por dez anos por esse título. Algo impossível de fazer na Granja Comary de Marin, Luciano Huck e Mumuzinho...
Maracanã...

"Trabalhamos por dez anos por esse título. Foram dez anos de persistência."

Esse é o resumo da entrevista, da comemoração fria de Joachim Loew, treinador campeão mundial com a Alemanha. Muito mais do que um mero motivador. Seu trabalho foi meticuloso, operário, sério.

"Nós vivíamos o pior momento do futebol alemão. O time havia sido desclassificado da fase de grupos da Eurocopa de 2004. Tínhamos de mudar o futebol alemão. Eu e o Klinsmann começamos esse trabalho. Sabíamos que iria demorar. Mas hoje veio o resultado."

Loew ficou como auxiliar de Klinsmann durante a Copa de 2006, dentro da Alemanha. Não conseguiram vencer o título. Tiveram de se separar. Klinsmann foi para os Estados Unidos. Loew assumiu no seu lugar. E sofreu.

Sabia que tinha um grupo forte nas mãos. Mas precisava amadurecer. Lahm, Schweinsteiger, Podolski... Sabia que os jogadores tinham futuro. E desenvolveu uma estratégia de trabalho rígida, forte. Buscando vários esquemas táticos a serem usados durante uma mesma partida. Com jogadores sabendo executar várias funções.

Foi uma aposta na tática, no trabalho. A Alemanha conseguia jogar cada vez melhor. Só que os títulos não vinham. Acabou vice campeão na Eurocopa de 2008. O time ganhando confiança, experiência. Chegou como uma das favoritas na África do Sul.

Perdeu para a Espanha na semifinal por 1 a 0. Logo veio a Eurocopa de de 2012. Mesma situação. Time fortíssimo. A derrota na semifinal foi uma das grandes zebras da competição.

Mesmo assim, perdendo três competições em seguida, Loew seguiu no cargo. Aprimorando seus jogadores. Não perdendo a sua convicção que o trabalho a seguir estava no conjunto. Fazer seus atletas se entregarem ao treinamento. Juntar o potencial técnico, físico e tático.

A Alemanha não possui os melhores atletas, mais fortes, resistentes por acaso. Foram trabalhados para isso. Por isso foi capaz de correr muito mais do que a Argentina, por exemplo, na final de hoje, no Maracanã.

"Nós conseguimos fazer história. Somos a primeira seleção europeia a ganhar uma Copa na América Latina, no Rio de Janeiro. No Brasil, o país do futebol. Isso foi conseguido às custas de muita dedicação e entendimento sobre a importância do trabalho", afirma o técnico.

Ao contrário de Felipão, que escancarou a Granja Comary, Loew e a Federação Alemã de Futebol levantaram todas as informações possíveis sobre o melhor lugar para a concentração no Brasil. Não gostaram de nenhum.

A solução foi simples. Construir um CT inteiramente novo para a Alemanha. Em Santa Cruz Cabrália, cidade próxima a Porto Seguro, na Bahia. Tudo foi pensado. A começar pelo clima. Os europeus quiseram sofrer com o calor nordestino. Era a arma para se adaptarem ao que sofreriam jogando a Copa por aqui.

O gramado dos campos que usaram em Cabrália era exatamente o mesmo do Maracanã. Não era qualquer relva que Loew queria. Exigiu e conseguiu a do palco da decisão da Copa.

Fez do local de treino uma mistura de santuário e bunker. Os jornalistas que cobriram a Alemanha na Copa do Mundo tinham tudo para invejar os que trabalharam no Brasil. Os treinamentos eram fechados. O técnico germânico não abria mão da privacidade e de testar quantos esquemas táticos quisesse. Sem ter a perturbação de ninguém.

O ponto alto da caminhada alemã foram duas goleadas. A primeira por 4 a 0 contra Portugal. A segunda, contra o Brasil. O time inseguro de Luiz Felipe Scolari não o impressionou. Loew ficou fascinado com a população brasileira.

1ap17 O segredo da Alemanha campeã do mundo de Joachim Loew. Trabalhar sério por dez anos por esse título. Algo impossível de fazer na Granja Comary de Marin, Luciano Huck e Mumuzinho...

"Foi um dos pontos altos em toda a minha carreira. Ganhamos 7 a 1 do Brasil. A tristeza foi muito grande nesse país. Chegamos no aeroporto. Milhares de brasileiro, batendo palmas para nós. Foi impressionante.

"Na rua centro de treinamento na Bahia, as pessoas nos aplaudindo. Indescritível. Impressionante. É algo que consegue entrar na pele.

"Estávamos em outro continente. Representando 80 milhões de alemães. A nossa intenção era também nos divertir, curtir a estadia. Sintam que estamos curtindo, trabalhando mas curtindo o momento. Alegria. Muito obrigado, Brasil."

Mas Loew deixou claro que soube muito bem separar as coisas. Na hora da diversão, diversão. A relação dos seus jogadores com a população de Cabrália foi intensa. Mas na hora do treino, ninguém podia chegar perto.

Assim como a Espanha deixou o tiki taka, o domínio obsessivo da bola. Os centenas de passes até descobrir o ponto fraco do adversário. A Alemanha campeã no Maracanã deixa sua cicatriz no futebol moderno.

A de trabalho tático incansável. Capaz de fazer duas linhas de quatro, asfixiar o adversário. Mas também atacar em bloco, com o homem com a bola na entrada da área com quatro, cinco opções em um ataque. Ou ter a frieza de saber se defender quando atacada. A frieza não vem do sangue alemão. Mas dos treinos e mais treinos.

"Nós trabalhamos demais nesta Copa. Sabíamos todas as jogadas organizadas adversárias e fazíamos as nossas. Não deixamos, por exemplo, a Argentina puxar os contragolpes em velocidade com o Messi. Tudo foi trabalhado para ganharmos o título. Esse é o segredo desse grupo tão talentoso. Saber a importância de tudo que cerca o futebol. Principalmente a organização."

É...Realmente, Joachim Loew não combinaria com a granja Comary. Das arquibancadas para patrocinadores da CBF, das invasões de Luciano Huck, de Mumuzinho abraçando Neymar na hora do escanteio em pleno coletivo da Seleção, da temperatura de 13 graus para ir jogar em Fortaleza com 29 graus.

Melhor deixá-lo na Alemanha, festejando a conquista da Copa de 2014 em pleno Maracanã. Ir pensar no aprimoramento tático do time para a Eurocopa de 2016. Nada no futebol é por acaso em Berlim. O título que Loew leva da América do Sul para o seu continente é a maior prova do respeito a algo batizado de trabalho...
2reproducao6 O segredo da Alemanha campeã do mundo de Joachim Loew. Trabalhar sério por dez anos por esse título. Algo impossível de fazer na Granja Comary de Marin, Luciano Huck e Mumuzinho...

Lição para o Brasil. O tetra alemão começou a ser construído em 2006. Foi concretizado hoje, aqui no Maracanã, com um gol espetacular de Götze. Messi e sua Argentina choram o vice na Copa das Copas…

1ap16 Lição para o Brasil. O tetra alemão começou a ser construído em 2006. Foi concretizado hoje, aqui no Maracanã, com um gol espetacular de Götze. Messi e sua Argentina choram o vice na Copa das Copas...
Maracanã...

A Alemanha se impôs. Não só fisicamente. Mas no talento. Um gol de Göetze para ficar na história. Marcado aos sete minutos da prorrogação. Ajeitou cruzamento com o peito e chutou com talento raro, sem deixar a bola cair.

Gol para dar o merecido tetracampeonato alemão. Ele conseguiu roubar a cena de Messi, mero coadjuvante na final de hoje, aqui no Rio de Janeiro. Não foi desta vez que ele se igualou a Maradona e ganhou uma Copa.

Vitória merecida do planejamento alemão, que começou em 2006. Plantou, colheu...

A Copa das Copas dentro do campo teve uma final digna de encher os olhos. Pela tradição e pela modernidade ao mesmo tempo. Foi uma batalha tática impressionante. De envergonhar quem acompanhou de perto as sete partidas do Brasil.

Na festa que deveria ter o Brasil como anfitrião, chegaram as duas melhores seleções da Copa. As que provaram que futebol é muito mais do que o improviso. A Alemanha de Low foi preparada com todo o esmero por oito anos, com o objetivo de decidir e ganhar o Mundiaal de 2014.

Já a Argentina, não. Sabella assumiu há três anos e meio. Depois do fiasco do país na Copa América. Sucedeu Sérgio Baptista. E tratou de valorizar quem merecia e precisava: Messi. O melhor jogador do mundo nunca esteve tão à vontade com a camisa do seu selecionado. Querido por imprensa, time e torcida. A ponto de vetar Tevez no selecionado e continuar vivo.

O confronto entre o tricampeão mundial europeu com o bicampeão sul-americano tinha duas propostas bem diferentes. Os confiantes, metódicos e ofensivos alemães assumiam o controle do jogo. Com Thomas Müller, Kroos e Öezil flutuando, trocando de posições. E na frente, Klose, fazendo o que Fred deveria ao menos tentar.

2afp10 Lição para o Brasil. O tetra alemão começou a ser construído em 2006. Foi concretizado hoje, aqui no Maracanã, com um gol espetacular de Götze. Messi e sua Argentina choram o vice na Copa das Copas...

O artilheiro de todas as Copas é muito inteligente. Enquanto uma jogada acontece de um lado, ele atrai a atenção da zaga no outro. Abre espaço para os seus meias que tabelam ou fica pronto para o arremate.

Na marcação, os germânicos se recompunham com as duas linhas de quatro que sufocaram o Brasil. Grandes responsáveis pelos desesperados chutões dos zagueiros de Felipão.

O confronto era com um time preparado para a luta pela ocupação de espaço. Ninguém se engane com Sabella. Desde os tempos em que carregava Passarella nas costas, inclusive no Corinthians, sempre foi apaixonado por estratégia.

Espertamente, ele deixava Messi flutuando pelos lados do campo. Por onde quisesse. Para triangulações com Perez e Lavezzi. Eles costuravam, se criavam entre as duas linhas nas intermediárias.

E correndo pelos espaços vazios, em vez de ficar parado como um cone, Higuain. Mesmo vivendo uma péssima fase, ele preocupava demais os zagueiros de Loew.

Aos 20 minutos ficou mais uma provado que futebol não é xadrez. Em um erro absurdo de Kroos, que cabeceou para trás sem olhar, Higuain ficou cara a cara com Neuer. Mas, assustado com tanta facilidade, o chute foi ridículo, para fora.

Os alemães seguiram tentando encurralar os argentinos. Sabella recuava as suas duas linhas de marcação. Uma aposta ousada. Para que Messi, Higuain ou Lavessi encontrassem de frente a zaga germânica que tanto gosta de jogar em linha.

O time de Loew é o de maior força física de todo o Mundial. E levavam vantagem nas divididas e bolas pelo alto. Aos 46 minutos, Kroos cobrou escanteio e o edifício chamado Höwedes cabeceou na trave de Romero. Igualdade em tudo no primeiro tempo...

O segundo começou com uma alteração ousada de Sabella. Lavezzi ficou nos vestiários. Entrou o definidor Aguero para jogar com Messi e Higuain. Os argentinos começaram diferentes, pressionando a saída de bola. Trataram por cinco minutos os alemães como jogadores de seleção pequena.

Esse 'bote' quase deu resultado. Messi teve uma excelente chance, invadiu a área e chutou cruzado para fora. A pressão deu resultado. Loew teve de recuar seu meio de campo para ajudar a assustada zaga. Lances de xadrez entre os treinadores.

A Alemanha conseguia recuperar o domínio do jogo. Mas era evidente o medo dos times em sofrer o primeiro gol. As divididas passaram a ser mais fortes. Schweinsteiger sentia o ritmo da partida. Assim como Messi, parado na direita. Ambos não se movimentavam como de costume. E as duas seleções, lógico, sentiam.

Quando os times chegavam perto da grande área era um sufoco. Cada um com sua característica. A Alemanha com o futebol em bloco, com troca de passes conscientes. Já os sul-americanos tentavam as jogadas individuais. Impressionante era a recomposição dos dois times na marcação.

3ap1 Lição para o Brasil. O tetra alemão começou a ser construído em 2006. Foi concretizado hoje, aqui no Maracanã, com um gol espetacular de Götze. Messi e sua Argentina choram o vice na Copa das Copas...

O tempo foi passando rápido e o passe final, certo, não vinha. As defesas levavam tranquila vantagem diante dos atacantes. Viria a prorrogação...

Desta vez foi Loew quem adiantou seu time. Retomava o controle da partida. Göetze deixou Schürrle livre diante de Romero. O chute saiu forte, mas em cima do goleiro argentino, que salvou.

A Argentina, matreira, buscava os contragolpes. A resposta veio de forma incrível. Palacios recebeu lançamento espetacular de Rojo, na cara de Neuer. Mas tremeu diante do goleiro alemão, batendo de canela para fora.

Schweinsteiger começou a correr na prorrogação e foi quem mais apanhou dos argentinos. Chetou a levar uma cotovelada maldosa de Agüero. Se o italiano Nicola Rizzoli não quisesse manter todos em campo, o havia expulsado.

Todos começavam a ter certeza dos pênaltis. Foi quando Götze que entrou no lugar de Klose roubou a cena. Aos sete minutos do segundo tempo da prorrogação, ele fez história. Schürrle cruza da esquerda. Ele mata a bola no peito e não a deixa cair. Marca um golaço. Digno de final de Copa do Mundo: 1 a 0, Alemanha.

Iluminado, o garoto de 22 anos fez justiça ao trabalho, ao planejamento sério. O título é uma lição a José Maria Marin, Luiz Felipe Scolari e Parreira. O 7 a 1 já mostra a diferença entre as duas filosofias de encarar o esporte de elite.

O futebol moderno não tolera mais improviso. A Copa do Mundo no Brasil é de quem mais trabalhou com competência. Ninguém tem coragem de questionar a Alemanha...

(E pela primeira vez em uma Copa do Mundo, a autoridade que entregou a taça ao time campeão foi xingada. Dilma passou outra vez vergonha com as vaias. O coro no Maracanã foi cruel, desrespeitoso, constrangedor...)
1efe1 Lição para o Brasil. O tetra alemão começou a ser construído em 2006. Foi concretizado hoje, aqui no Maracanã, com um gol espetacular de Götze. Messi e sua Argentina choram o vice na Copa das Copas...

Novatos finalmente admitem. A imaturidade pesou. Não suportaram o peso de disputar a primeira Copa de suas vidas. Não com a obrigação de serem campeões do mundo em casa…

1afp17 Novatos finalmente admitem. A imaturidade pesou. Não suportaram o peso de disputar a primeira Copa de suas vidas. Não com a obrigação de serem campeões do mundo em casa...
Maracanã...

"O Brasil não pode e não vai queimar a nossa geração. Fomos mal, mas talvez tenha pesado a imaturidade. Nós tentamos. Fizemos tudo o que pudemos. Mas a Copa do Mundo é uma competição diferente de tudo. É muito intensa.

Ainda mais jogando em casa, com a obrigação de vencer. Acho que pecamos porque muita gente aqui nunca tinha disputado uma Copa. É injusto massacrar o Felipão."

A confissão foi de Oscar, na saída do vestiário. Ele estava muito irritado. Havia sido cobrado pelo grupo por ter chorado na goleada por 7 a 1 contra a Alemanha.

Ele saia do vestiário arrastando bonés, camisetas da Calvin Klein, empresa que o patrocina. Ele pretendia, mas não houve clima para distribuir peças aos seus companheiros. Não depois de mais uma derrota para a Holanda.

"Nós, mais jovens, conversamos muito sobre essa história de primeira Copa. A imaturidade é algo que não podemos negar. Chegamos verdes para uma disputa tão importante. Não adianta as pessoas conversarem, tentar explicar.

Quando tudo começa acaba te levando. A maior lição que fica para 2018? Estar preparado para o peso de uma derrota. Era algo que afetou demais o nosso grupo", revela Willian.

Luiz Felipe Scolari havia dito para Marin esse lado da imaturo brasileiro. A Copa de 2014 não era para ser a de Neymar, Oscar, David Luiz. Não. Era para ser de Kaká, Robinho, Ronaldinho Gaúcho. Jogadores veteranos em Mundiais e que serviriam de escudo para os garotos. Só que eles não conseguiram se manter em alta competitividade.

Foram convocados 17 atletas que só haviam visto a Copa do Mundo pela televisão. "Isso tem muito peso. A Copa do Mundo é algo que mexe demais com o emocional do atleta. Passei por sensações que nunca tinha tido.

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Os jogos não são só importantes. Entram para a história. Sabe o que é isso? Não vou negar que aquele 7 a 1 abalou o nosso grupo. Foi duro demais", confessou Hulk, mostrando que todos os seus músculos não adiantaram nada diante da angústia de não levar o Brasil à disputa da final.

"Tudo tinha perdido um pouco do sentido. Nós estávamos condicionados para sairmos campeões do mundo. Dar alegria ao nosso país tão sofrido. O baque realmente talvez tenha sido forte demais. Os 7 a 1 pesaram. Mexeram com o grupo. A derrota para a Holanda foi apenas um triste reflexo. Não conseguimos nos recuperar", admitia David Luiz.

Apesar de novato em Copa, ele se tornou líder da equipe. O gesto de pedir desculpas após os 7 a 1 não foi bom para o grupo. Mostrou depois das lágrimas, atletas inseguros, sem a convicção do que faziam em campo.

Neymar era a referência técnica. Quando Zuñiga acertou a joelhada na sua vértebra, feriu de morte a confiança do time de Felipão. "Foi algo totalmente inesperado. Nosso grupo sempre foi muito forte. Mas perder Neymar, da maneira que foi, acabou mudando a nossa maneira de competir", admite Fernandinho.

"Nunca ninguém vai poder falar que faltou luta, disposição, entrega. Não tivemos experiência. E isso sempre terá um peso. Não há como negar", reconhece o também novato Paulinho.

Neymar conversou com os jogadores no vestiário. A despedida do grupo que disputou a Copa do Mundo foi mais raivosa do que emotiva. A geração não quer ficar marcada apenas por ter sofrido a pior goleada da história do Brasil em todos os mundiais. E fizeram um pacto para que não trocarem acusações e preservar de todas as maneiras Felipão.

Se depender do jogador mais talentoso, Neymar, ele deseja a permanência do técnico. A postura professoral e quase paternal de Luiz Felipe ainda reflete nos novatos no elenco.

"Nós tivemos a sorte de ter o Felipão para nos mostrar como se disputa uma Copa. Ele foi campeão em 2002. Nos deu toda a sua força. Se não conseguirmos ir além foi coisa do futebol. O trabalho foi muito bem feito", avalia Neymar.

 Novatos finalmente admitem. A imaturidade pesou. Não suportaram o peso de disputar a primeira Copa de suas vidas. Não com a obrigação de serem campeões do mundo em casa...

"Quem tiver a coragem de jogar a culpa no Felipão está muito enganado. Há duas Copas o Brasil não chegava nas semifinais. Ele nos conduziu para ganharmos fácil a Copa das Confederações. Não tem culpa se o nosso time era um pouco imaturo. Técnico nenhum iria resolver isso", aposta Luiz Gustavo.

O incrível é que antes da eliminação todos os novatos negavam o óbvio. Diziam que não sentiriam problema algum. Eram atletas da elite do futebol europeu. Haviam ganho a Copa das Confederações. Mas bastou a bola rolar e muitos sentiram na pele toda a tensão. E se encolheram. Não souberam reagir à pressão da obrigação de ser campeões do mundo como anfitriões.

"Não se pode cobrar os garotos do Brasil. Copa é assim mesmo. Pegaram um time terrível que é a Alemanha. Chegaram abatidos contra nós. Com certeza uma derrota por 7 a 1 pesa mais do que sair da disputa nos pênaltis. Mas em 2018 eles vão chegar melhor", aposta o holandês Robben.

Resta saber quais desses novatos terão nova chance em 2018. Copa do Mundo é uma competição especial demais. Ainda mais quando o grupo sofre a pior das derrotas. Resta sabem quais estarão entre os convocados de 2018. E, mais importante, quem os comandará...
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