Nenhum clube foi tão humilhado por Ronaldinho Gaúcho como o Palmeiras. A terceira tentativa frustrada de contratá-lo estragou o banquete do centenário. Verde e branco ele só quer o seu boné do camarote no Carnaval de Salvador…

1afp2 Nenhum clube foi tão humilhado por Ronaldinho Gaúcho como o Palmeiras. A terceira tentativa frustrada de contratá lo estragou o banquete do centenário. Verde e branco ele só quer o seu boné do camarote no Carnaval de Salvador...
Nem mesmo o Grêmio fez sua torcida passar tanta decepção com Ronaldinho Gaúcho. O Palmeiras fez seus torcedores acreditarem por três vezes que teria o meia que foi melhor do mundo por duas vezes. E três vezes ficaram frustrados.

No banquete do centenário do clube, que deveria ser festivo, alegre, libertário, outra vez a enorme decepção. Infelizmente a frustração roubou a festa. Conselheiros reclamavam, xingavam, lamentavam. Saíram de suas casas, pagaram R$ 1.200,00 para jantar no Citibank Hall. Tinham a certeza de que a sobremesa seria Ronaldinho Gaúcho vestindo a camisa verde e branca número 100. Foram embora furiosos com Paulo Nobre.

O bilionário presidente tentou ao máximo evitar esse clima ruim. Mandou sua assessoria de imprensa divulgar pela Internet, rádio, televisão que a negociação havia fracassado. Isso logo depois das 18 horas. Era para os conselheiros chegarem no banquete cientes que não haveria anúncio algum.

Mas não adiantou. A grande maioria daqueles que escolherão o novo presidente do Palmeiras passaram o dia sonhando. Acompanhando cada lance da transação. Vibraram quando souberam pela manhã que o vice Maurício Precivalle havia fechado com Assis. "Estava tudo acertado", garantiam conselheiros próximos a Paulo Nobre.

Parecia um filme de suspense. Com tudo acontecendo no último instante. Ontem era o derradeiro dia de inscrições na Copa do Brasil. Por isso, o Palmeiras tratou de pagar a taxa de R$ 600,00 para a Federação Mineira transferir a documentação de Ronaldinho Gaúcho para a Federação Paulista. Isso aconteceu às 16h54.

Foi então que conselheiros e funcionários do clube passaram a espalhar a notícia a jornalistas amigos. Tudo estava chegado. Não haveria como a transação andar para trás, acreditavam. Não sabiam o quanto estavam longe da realidade.

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Assis e Precivalle chegaram ao mínimo que o jogador receberia: R$ 300 mil. Chegando a um mínimo de partidas em campo, receberia mais R$ 175 mil. R$ 475 mil é o salário de Valdivia. A preocupação da diretoria era não criar um rompimento entre o jogador e o restante do grupo por causa do dinheiro. A partir daí seria 'bônus'. Assis pediu 20% da renda das partidas do Palmeiras que o irmão estivesse atuando. E mais 30% de participação no patrocínio da camisa que o meia atraísse. Tudo certo. A direção do clube e Nobre aceitaram.

O Palmeiras chegou até a redigir o contrato. Ele iria até dezembro com a possibilidade de renovação por mais um ano. Assis está negociando com um clube chinês e outro norte-americano. Acredita que Ronaldinho pode viver pelo menos mais uma temporada fora do país e ganhando muito bem. Quis fazer com o Palmeiras o que Kaká faz com o São Paulo. Ganhar bom dinheiro até o final do ano e manter o ritmo de competição até 2015.

Só que uma velha reclamação de quem já negociou com Assis voltou à tona. Depois de tudo apalavrado e contrato feito, o empresário decidiu pedir mais. Quis que os 20% da arrecadação bruta dos jogos do Palmeiras que o irmão atuasse. O clube que se virasse com os descontos. Seria um aumento significativo.

1ae24 1024x576 Nenhum clube foi tão humilhado por Ronaldinho Gaúcho como o Palmeiras. A terceira tentativa frustrada de contratá lo estragou o banquete do centenário. Verde e branco ele só quer o seu boné do camarote no Carnaval de Salvador...

Essa decisão irritou profundamente Paulo Nobre. Se com Alan Kardec, o dirigente quis economizar R$ 20 mil, não daria cerca de R$ 200 mil a mais para o meia do que havia combinado. O vice Precivalle mandou avisar que o clube manteria o combinado. Seria 20% sobre a arrecadação líquida e nunca a bruta.

Foi a deixa para Assis afirmar que o negócio estava desfeito. O meia não mais viajaria do Rio de Janeiro, onde curte suas férias, para São Paulo. Nada de presença no banquete e apresentação oficial para a torcida. A resposta pegou a todos como uma bomba. Não havia tempo para discutir mais nada. Não haveria como inscrever Ronaldinho Gaúcho para a Copa do Brasil. E o grande presente do banquete do centenário estava cancelado.

Nobre tentou salvar ao menos a reputação do clube. Mandou avisar que o Palmeiras tinha desistido de Ronaldinho Gaúcho. Era uma saída política. E com menos danos políticos. O presidente que emprestou R$ 125 milhões ao clube tentará a reeleição. Tentou se preservar o máximo que pôde.

Só que o desgaste já estava feito. Muitos conselheiros saíram frustados. Haviam ido para o banquete sonhando com fotos ao lado do novo contratado. Tiveram de se contentar com selfies com vários ídolos do passado. Paulo Nobre teve de dar inúmeras explicações. Consolar muita gente.

O que aconteceu foi melhor para Roberto Frizzo e Wlademir Pescarmona. Os dois candidatos de oposição que tentarão enfrentar o poderio econômico de Nobre na eleição. A conselheiros faziam questão de mostrar o quanto ele havia sido amador. Deixou vazar a informação que contrataria Ronaldinho Gaúcho e depois passava por um grande vexame. Expunha outra vez o Palmeiras de maneira desnecessária.

Em 2011, Assis havia garantido a dirigentes palmeirenses que seu irmão iria jogar no Palestra Itália. Disse a mesma coisa para a diretoria gremista. E ele foi para o Flamengo. Em 2012, outra vez o Palmeiras chegou primeiro. O empresário havia deixado tudo certo. Só que o meia acabou no Atlético Mineiro. E ontem mais uma enorme decepção. Estragou o banquete do centenário do clube.

O Palmeiras foi preterido três vezes por Ronaldinho Gaúcho. Virou motivo de chacota, humilhação nacional. Tomara que o meia encerre logo a carreira. Para evitar mais frustração pelos lados do Palestra Itália. Verde e branco ele só quer o boné do seu camarote no Carnaval de Salvador...
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Com Andrés Sanchez só cuidando de sua candidatura a deputado, Corinthians sepulta os planos de naming rights. E se conforma. O nome do seu estádio sempre foi e sempre será Itaquerão…

1reproducao18 Com Andrés Sanchez só cuidando de sua candidatura a deputado, Corinthians sepulta os planos de naming rights. E se conforma. O nome do seu estádio sempre foi e sempre será Itaquerão...
Foi em junho de 2010 que a Fifa oficializou. O Morumbi estava fora da Copa. Foi a consagração. A maior vitória da vida de Andrés Sanchez. Com o apoio de Lula, Ricardo Teixeira, Joseph Blatter, de Gilberto Kassab, Andrés Sanchez teve sua maior vitória na vida. A certeza que o Corinthians teria seu estádio. E construído com uma facilidade absurda, inimaginável. O clube da Zona Leste foi quem mais ganhou com o Mundial de 2014.

R$ 420 milhões de incentivo fiscal da prefeitura. R$ 80 milhões do governo estadual. Os demais R$ 700 milhões de empréstimo do BNDES, com taxa de juros superespecial por causa da Copa do Mundo. Delícia construir um estádio assim.

Ou seja, há mais de quatro anos, Andrés sabia que o estádio realmente existiria. Quando seu segundo mandato acabou no Parque São Jorge, passou a assumir publicamente o que sempre foi. O responsável pela nova arena. "Um mestre de obras", ironizou Carlos Miguel Aidar. O atual presidente são paulino só aumentou a rivalidade que começou com Juvenal Juvêncio. Ele chegou a classificar Andrés como 'analfabeto'.

Andrés estava obcecado. Tinha a certeza que economizaria R$ 400 milhões para o Corinthians. Colocou esse número na cabeça e saiu pelos quatro cantos da Terra. Ofereceu até não mais poder o naming rights do estádio que estava nascendo. Foram quatro anos e dois meses de planos mirabolantes.

Cansou de garantir a conselheiros que não faltariam interessados. Afinal, seria o estádio do Corinthians, o clube mais popular do estado mais rico do país. Foi alertado que o mundo havia mergulhado em uma profunda crise. Tanto na Europa, nos Estados Unidos como na Ásia.

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Não havia saída. Ainda mais para um projeto tão caro. Cerca de 200 milhões de dólares para batizar um estádio brasileiro por dez anos. Não havia apelo comercial.

Mesmo assim, Andrés foi várias vezes para o Oriente. Principalmente para os Emirados Árabes. Acreditava firmemente que seus contatos com a Emirates faria a empresa bancar a arena. Chegou a ir para a China. Sempre com o projeto embaixo dos braços.

Enquanto brigava muito as vezes para ser atendido, seus parceiros de diretoria faziam vazar para jornalistas amigos. A negociação iria ser fechada, faltavam 'detalhes'. Foram várias e várias vezes que repórteres caíram no conto e fizeram seus veículos de comunicação passar por vexames históricos.

Na volta de suas viagens, Andrés não admitia cobranças. Repetia que esteve mesmo muito perto de fechar o acordo. Mas sempre algo fazia o interessado fugir. Foi assim com as tristes mortes dos operários que trabalhavam na arena. A repercussão foi péssima para qualquer coisa relacionada ao estádio. Desesperado, chegou a baixar o preço de sua pedida para R$ 300 milhões. Foi aumentando paulatinamente o prazo que a empresa teria o direito de batizar o estádio. Até chegar a 20 anos. E mesmo assim, nada...

O fracasso do Brasil na Copa também teve um peso enorme para desanimar investidores internacionais.

O pior é que, enquanto isso, o tempo foi passando. E o apelido foi ganhando espaço entre os brasileiros. Já faz mais de três anos que o estádio é conhecido por Itaquerão. O que estava difícil ficou quase impossível. Não bastasse a crise internacional, há o fato de o apelido já ser de domínio público. Como é o Morumbi, Maracanã, Mineirão.

"Itaquerão é a puta que o pariu!" Assim, educadamente, Andrés corrigia jornalistas que citavam o estádio. Irritado ele teve de ouvir até locutores da sua parceira Globo chamar a desejada arena pelo apelido que odeia.

O estádio começou a atrapalhar sua caminhada política. Ele sonha ser o deputado federal mais votado da história do Brasil. Ultrapassar Enéas e Tiririca. Para isso não poderia ficar mais brigando com seu principal curral eleitoral: os corintianos. Basta olhar com atenção sua propaganda eleitoral. A bandeira estilizada de São Paulo lembra muito a que está na bandeira corintiana. As duas letras PT são minúsculas.

Membros das organizadas já protestavam contra Andrés por causa do altíssimo preço dos ingressos. O ex-presidente dizia a conselheiros que cobrava caro para mais rápido o clube pagar o empréstimo do BNDES.

Foi quando decidiu se afastar da arena de vez. Avisou que ficaria até o dia 18 de agosto. Nestes 18 dias deste mês ofereceu os naming rights do Corinthians a quem pôde e quem não pode. Só que nada conseguiu.

Para piorar vazou a ação penal do Ministério Público. Ele mais Roberto de Andrade, ex-diretor de futebol e candidato a sucessor de Mario Gobbi, Raul Correa da Silva, diretor financeiro do clube, e André Luiz de Oliveira, ex-diretor administrativo do clube e também aspirante a presidente. Todos teriam, de acordo com os promotores, retido, "consciente e voluntariamente, o valor referente ao imposto de renda retido na fonte, não tendo recolhido aos cofres públicos". O valor passaria dos R$ 93 milhões.

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Um escândalo que explicaria os excelentes números na balança financeira do clube. Principalmente quando Andrés era presidente. Para tentar resolver a situação, o Corinthians conseguiu R$ 13 milhões de empréstimo da TV Globo. E mais R$ 6,6 milhões da Federação Paulista de Futebol. E pagou pelo que o clube não teria recolhido à Receita Federal no período de julho a dezembro de 2010.

Com tudo isso, a venda do batismo do estádio foi abandonada. Andrés quer se livrar da acusação de sonegação e mergulhar fundo na sua campanha política. Conselheiros já perderam o respeito ao ex-presidente. E citam Itaquerão no Conselho Deliberativo, na vida comum do clube. Especialistas em marketing garantem que a batalha já está perdida. Vários veículos de comunicação utilizam Itaquerão há tempos.

Membros da diretoria de Mario Gobbi não levam nem em cogitação a possibilidade do naming rights. Ela foi enterrada e morta com a saída de Andrés da 'gerência' do estádio. Por uma questão de respeito ao ex-presidentes repetem 'arena Corinthians' quando ele está por perto. Mas basta ele se afastar que os próprios corintianos tratam o estádio por seu nome mais conhecido. Não há sentido mandar ninguém mais à 'puta que o pariu' por pronunciar Itaquerão...
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O centenário do Palmeiras é importante demais. Sua comemoração não pode ficar na dependência da boa vontade do veterano Ronaldinho Gaúcho. É pensar muito pequeno…

11 1024x744 O centenário do Palmeiras é importante demais. Sua comemoração não pode ficar na dependência da boa vontade do veterano Ronaldinho Gaúcho. É pensar muito pequeno…
O Palmeiras completa hoje cem anos de uma vida repleta de glórias. Fez por merecer a alcunha de 'campeão do século XX', tantos foram os títulos, as conquistas nos anos 1900. Ninguém ganhou mais no território nacional do que o clube que veste verde nos seus jogadores.

Até jogou com a camisa da Seleção Brasileira no Mineirão. Honraria mais do que justa. Teve duas academias inesquecíveis, genuínas. E uma terceira montada com o dinheiro da Parmalat. Um clube assumidamente com a origem italiana conseguiu ser o quarto no Brasil em número de torcedores. Se reinventou na Segunda Guerra Mundial, mudou seu nome querido, Palestra Itália, para sobreviver. Seus dirigentes foram espertos para evitar que o São Paulo tomasse seu estádio.

Sua galeria de ídolos é tão imensa quanto invejável. Ademir da Guia, Oberdan, Julinho Botelho, Edmundo, Marcos, Roberto Carlos, Luís Pereira, Rivaldo, Djalma Santos, Djalma Dias, Djalminha, César Maluco, Dudu, Jair Rosa Pinto, César Sampaio, Alex, Heitor, Mazzola, Jorge Mendonça, Evair, Servilio, Tupãzinho, Leão...

O melhor time do Palmeiras que me encantou os olhos foi Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, Cesar e Nei. Ganhou tudo o que teve pela frente. Uma pena que no começo da década de 70, amistosos eram mais valorizados do que a Libertadores. Não fosse isso, as academias teriam trazido algumas delas para a sua abarrotada sala de troféus.

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Os constrangimentos não chegam nem a 20% da sua maravilhosa história. O jejum de 1976 até 1993 e as duas visitas à Segunda Divisão em dez anos: 2002 e 2012. Foram momentos de sofrimento e lágrimas que humanizaram ainda mais um dos maiores clubes da América Latina.

A briga para manter o estádio durante a Segunda Guerra conseguiu ser menor do que a atual. O embate entre WTorre e o clube conseguiu o absurdo de a nova arena não estar pronta em quatro anos. Hoje seria um dia obrigatório para a festa no moderno e lindo palco. Um dia Walter Torre e Paulo Nobre ou quem quer que seja presidente palmeirense farão um acordo na divisão das cadeiras. E o clube desfrutará do Palestra Itália dos anos 2000.

A dívida de mais de R$ 300 milhões precisa ser resolvida. A categoria de base tem de ser levada a sério como nunca foi. As oitos famílias que disputam o poder, misturando amor e ódio, vão acabar se acertando. As organizadas vão entender que não são mais importantes que o clube. Técnicos precisam parar de mandar assessores de imprensa jogar sal grosso no gramado. Só assim para uma empresa séria voltar a pagar para estampar seu nome na nobre camisa verde e branca.

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O momento atual é reversível. A história do Palmeiras mostra saídas, revoluções, reinvenções.

O que não tem cabimento é em uma data tão importante, tão marcante...Com um estádio estalando de novo para ser inaugurado, um jogador roubar a cena. Ganhar mais espaço na mídia do que o centenário palmeirense.

Um atleta que o presidente fez questão de confidenciar a amigos e eles espalharam para os jornalistas amigos. Pela terceira vez, o Palmeiras fica de joelhos para Ronaldinho Gaúcho. Desta vez aos 34 anos. Negocia com o instável Assis. O mesmo que virou as costas para o clube em 2011 e 2012. Nem mulher de malandro é tão persistente.

O bilionário presidente que já emprestou R$ 125 milhões a 1% de juros ao ano para o Palmeiras quer. Entendeu que o anúncio da equivalência da Taça Rio de 1951 a um mundial de clubes não anima ninguém. Buscando, desesperado, a reeleição, Nobre quer Ronaldinho. Entre as exigências que vazaram, o veterano jogador quer R$ 600 mil, parte da arrecadação das partidas em que estiver. E o número 100 nas costas.

O próprio Nobre negocia com Assis. Afastou o seu mentor Brunoro. Conselheiros perceberam o que está ocorrendo. Quer que a 'vitória' seja sua. Seu grande desejo é anunciar a contratação hoje no banquete do centenário no Citibank Hall. A R$ 1.200,00 por cabeça. O sonho é com a presença do meia que foi melhor do mundo por duas vezes. O dirigente adora que figuras importantes coloquem a camisa do Palmeiras. Como fez com a própria presidente Dilma.

Por trás de tanto glamour, se a contratação for efetivada, o desejo é um só. Ronaldinho ajudaria o clube a não ser rebaixado. Sua missão estaria mais do que cumprida até o final do ano. Com a possibilidade de ir atuar na liga norte-americana ou na periferia do futebol pelo mundo. Nos grandes clubes da Europa ele não pisa mais.

Essa situação constrange. A comemoração, a festa, o orgulho do centenário passa a ser um 'sim ou não' dos Moreira Brothers. Se a contratação se efetivar, já será muito questionável. Ronaldinho Gaúcho não se leva a sério mais como jogador desde a conquista da Libertadores com o Atlético. O último ano foi uma sucessão de farras, festas e péssimo futebol. Kalil acertou sua saída sem um pingo de dor no coração.

2ae9 O centenário do Palmeiras é importante demais. Sua comemoração não pode ficar na dependência da boa vontade do veterano Ronaldinho Gaúcho. É pensar muito pequeno…

Agora, se pela terceira vez, ele disser não ao Palmeiras será terrível. O centenário ficará com o gosto de mais uma derrota, especialidade dos últimos dirigentes incompetentes que passaram pelo clube. Desde a saída da Parmalat, tem sido assim.

O que já era garantia de uma grande e histórica festa, virou a expectativa da vinda ou não de um jogador. É vexatória a maneira amadora como o Palmeiras vem sendo administrado nestes anos 2000. Quase faz esquecer tudo o que aconteceu desde 1914.

"O palmeirense é um tipo muito esquisito. Não importa tudo o que consiga ganhar. Só consegue se lembrar das derrotas. É uma raça que gosta de sofrer. Não sei por que somos assim", desabafa Marcos, o ídolo mais sincero desse glorioso clube que se veste de verde...
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Endividado, o São Paulo cobra CBF por jogadores que cedeu à Seleção desde 1998. Os outros clubes prometem seguir o mesmo caminho. Essa briga pode ser o embrião da sonhada Liga Independente…

2ae8 Endividado, o São Paulo cobra CBF por jogadores que cedeu à Seleção desde 1998. Os outros clubes prometem seguir o mesmo caminho. Essa briga pode ser o embrião da sonhada Liga Independente...
Notícias ruins não param de surgir de todos os lados. A primeira. Carlos Miguel Aidar quebrou a tradição que Juvenal Juvêncio tanto se orgulhava. E antecipou a cota que o clube receberia da TV Globo até 2018. Foram R$ 50 milhões.

A revista Veja publicou ontem que o clube deve três meses de salários para Muricy Ramalho. O treinador foi perguntado ontem por duas vezes sobre a realidade da informação. Ele não desmentiu e não confirmou. "Do meu salário eu não falo." Essa ambiguidade só despertou mais a certeza que algo está errado. Se estivesse tudo em dia, por quê o treinador não confirmaria?

Os R$ 80 milhões que o clube conseguiu com a venda de Lucas inflaram o balanço de 2013. Mesmo assim, o clube começou 2014 com R$ 65 milhões em déficit. A dívida do clube em agosto já estaria batendo nos R$ 100 milhões.

Sem patrocínio master na camisa, sem os clássicos em que não é mandante, o clube buscava uma fonte alternativa de arrecadação. E tratou de fazer na prática o que Juvenal Juvêncio ameaçou com Ricardo Teixeira, mas havia voltado atrás quando José Maria Marin assumiu a CBF. Cobrar pelo período que a Seleção utilizou seus atletas. Quer em amistosos e mesmo competições oficiais.

De acordo com o levantamento do clube, desde 1998, quando a legislação foi aprovada, o valor é significativo. São mais de R$ 20 milhões. O São Paulo já notificou a CBF há 15 dias.

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A postura marca um rompimento na política de boa vizinhança com a CBF. A entidade fará de tudo para que seu departamento jurídico consiga reverter o quadro. Não quer abrir essa exceção. Marin tem a certeza que haverá um efeito cascata. Ou seja, os demais atletas que tiveram atletas convocados deverão apelar para a Lei Pelé.

O primeiro parágrafo do capítulo 41 é muito detalhado. E claro.

"A entidade convocadora indenizará a cedente dos encargos previstos no contrato de trabalho, pelo período em que durar a convocação do atleta, sem prejuízo de eventuais ajustes celebrados entre este e a entidade convocadora."

Ou seja, a CBF deveria estar pagando os clubes desde 1998. Mas só que 16 anos depois, ninguém havia cobrado. O medo sempre foi que a entidade passasse a não convocar mais seus jogadores.

O São Paulo resolveu quebrar esse paradigma. Até porque a situação no Morumbi está longe de ser confortável. Carlos Miguel ainda quer liderar os outros clubes para a formação de uma liga. Mas não quer passar por incompetente. A dívida perto dos R$ 100 milhões o incomoda.

A ponto de o dirigente afirmar precisar vender dois ou três atletas importantes para equilibrar as finanças. Dentro desse quadro caótico, não quis virar as costas para os R$ 20 milhões. A CBF promete lutar para não pagar. Será um embate que pode ter consequências importantes ao futebol brasileiro.

A questão juridicamente poderá levar meses. O suficiente para acabar o mandato de José Maria Marin. Ele é conselheiro do São Paulo e amigo íntimo de Carlos Miguel Aidar. A partir de janeiro quem mandará na CBF será o conselheiro do Palmeiras, Marco Polo del Nero.

Aí sim a situação deverá esquentar. Com Aidar comprando de vez a briga. Ela pode até se tornar uma cisão definitiva. E criar uma razão comum a todos os clubes terem coragem e dar origem à esperada liga independente da CBF. Os primeiros passos já foram dados graças ao endividamento do São Paulo nas mãos de Carlos Miguel...
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Com medo das organizadas do São Paulo, Gabigol pede desculpas por ter mandado a torcida tricolor ‘calar a boca’. Se desculpou com a santista também. Só falta com o time de Muricy onde já coleciona inimigos…

1ae21 Com medo das organizadas do São Paulo, Gabigol pede desculpas por ter mandado a torcida tricolor calar a boca. Se desculpou com a santista também. Só falta com o time de Muricy onde já coleciona inimigos...
Gabigol errou feio ontem no Morumbi. Depois de marcar o gol de empate de pênalti, o atacante de 17 anos tirou a camisa do Santos e ainda mandou a torcida do São Paulo calar a boca.

O jogador estava com dois cartões amarelos. Tomou o terceiro por ter tirado a camisa. Não enfrentará o Botafogo no Rio de Janeiro. Oswaldo de Oliveira, diretoria e a própria torcida santista ficaram irritadas com o atacante. Logo à noite, ele começou a receber ofensas e ameaças de são paulinos ofendidos com seu 'cala a boca'. Gabigol sabe muito bem da violência de parte das organizadas tricolores. Recentemente, um santista foi morto a golpes de barras de ferro. Ninguém ainda foi preso pelo bárbaro crime.

Tomou uma reprimenda de Lucas, ex-São Paulo, jogador do PSG. Ele retratou, no twitter, o que outros atletas do Morumbi pensam. A começar por Rogério Ceni.

De manhã, não teve dúvidas. Usou o twitter para se desculpar não só com os santistas, mas com a torcida são paulina. Deixou claro que nunca mais tomará essas atitudes.

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Só está faltando também pedir desculpas aos jogadores do São Paulo. Vários deles não querem nem ouvir o nome da jovem promessa santista. Após o empate no clássico, ele passou a provocar o time de Muricy. Tocava a bola para um lado, olhava para outro. Dava risada, ironizava. Acreditava que seu gol aos 40 minutos do segundo tempo selava o resultado. Não poderia supor que Pato faria o 2 a 1 aos 42 minutos.

Os dois minutos que separaram um gol do outro foram suficiente para Gabigol colecionar inimigos no Morumbi. É bom ele se desculpar também com o time de Muricy. Ou no próximo clássico, a confusão estará garantida.

Gabriel precisa se emendar. Ele tem enorme potencial. É nome certo na Seleção Brasileira de base. E tem tudo para se firmar como titular absoluto do Santos. Leandro Damião demonstra a cada partida o quanto foi errado o clube investir R$ 42 milhões na sua contratação.

O jovem atacante teve o seu salário dobrado em junho. Pulou de R$ 60 mil para R$ 120 mil. E ainda firmará novo compromisso na Vila Belmiro em 2015. Mas Gabigol só irá se impor como grande jogador se controlar o gênio. E domar o seu ego que está indo muito além do aceitável...
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Paulo Henrique Ganso. O melhor meia do futebol brasileiro. Só falta ele descobrir o que significa vibração, competitividade, sangue nas veias…

1getty4 1024x576 Paulo Henrique Ganso. O melhor meia do futebol brasileiro. Só falta ele descobrir o que significa vibração, competitividade, sangue nas veias...
"O Ganso é genial. Se ele for competitivo durante os 90 minutos, ele é jogador do Real Madrid e Barcelona. O talento dele ninguém tira. Precisamos provocar a competitividade nele. Fazer ele se mover dentro de si."

As declarações são de quem conhece profundamente Paulo Henrique. O jogador que está no seu dia-a-dia. E não se conforma com tanto talento desperdiçado por falta de garra, da vontade básica de qualquer atleta: competir, lutar, suar pela vitória: Rogério Ceni.

Sem querer, o maior ídolo de todos os tempos do São Paulo expõe a maior dúvida que atormenta Dunga. Dar ou não dar uma chance real para o talentoso paraense? Justo agora que o treinador da Seleção já escancarou o novo perfil do time que formará para José Maria Marin.

Dunga quer o Brasil mais competitivo possível. Montar uma equipe aguerrida, veloz. Com jogadores brigando a todo o instante por um centímetro a mais de espaço. Com poder para atacar em bloco e recompor com consciência e vigor sem a bola. Tudo o que não combina com a maneira de Ganso jogar.

"O Ganso é muito talentoso, mas por vezes parece um meia clássico dos anos 70. Daqueles que jogam em uma velocidade abaixo da correria atual. Que tem prazer e capacidade para fazer o que quiser com a bola. Adora colocar os companheiros na cara do gol.

Mas não luta, não marca, não vibra. Deixa isso para os companheiros. Isso era ótimo quando os volantes eram volantes e os meias eram meias, como no meu tempo. Agora o futebol mudou. Todo mundo cobra maior participação, competitividade. E isso não está nele.

Não é que ele seja frio. Apenas tem o jeito dele. É isso que as pessoas não entendem."

A análise foi feita para o blog por quem viveu uma situação muito parecida. Ademir da Guia, o maior camisa 10 da história do Palmeiras. Mesmo na década de 70, 'quando os meias eram meias e os volantes eram volantes', Ademir foi injustiçado. Principalmente na Seleção Brasileira. O motivo era sua aparente passividade, falta de vibração. Ninguém ousava questionar o seu talento. Apenas a sua falta de envolvimento emocional no jogo.

A cobrança hoje para Ganso vai muito além. Marcar um gol maravilhoso como o que fez ontem contra o Santos, dar chapéus, dribles e enfiadas de bola desconsertantes aos atacantes é só metade do caminho. Se quando o São Paulo é atacado, fica parado na intermediária adversária, assistindo a partida é um importante atleta a menos atrás da linha da bola.

Ou ainda pior. Quando qualquer treinador medíocre faz o óbvio e coloca um volante para marcá-lo o campo todo, Ganso não pode aceitar a marcação. Precisa correr o dobro do que faz. Se deslocar às laterais, se embolar com os atacantes, driblar, tabelar. Enfim, comprar a briga. Ter sangue nas veias e saber o quando o futebol é competitivo atualmente. Se nasceu na época errada, o problema é dele.

2getty 1024x576 Paulo Henrique Ganso. O melhor meia do futebol brasileiro. Só falta ele descobrir o que significa vibração, competitividade, sangue nas veias...

Todo treinador que já teve a oportunidade de trabalhar com Paulo Henrique passou muita raiva. Há um inconformismo enorme pela maneira com que o jogador conduz a sua carreira.

"No dia em que o Ganso vibrar, competir vira titular absoluto da Seleção. E os grandes clubes da Europa vão fazer fila para tentar contratá-lo. Ele sabe disso. Eu mesmo já cansei de dizer isso para ele."

Essas declarações são de Dorival Júnior, treinador com quem o meia fez muito sucesso em 2010. A ponto de ser muito mais cobrada a sua convocação de Dunga do que a de Neymar, na época.

Ganso perdeu tempo em relação a onde poderia estar nestes quatro anos. O São Paulo é um dos grandes clubes do país. Mas seu potencial técnico poderia tê-lo levado ao Real Madrid ou Barcelona, como avalia Rogério Ceni. Perdeu oportunidades de ouro. Como na Olimpíada de 2012.

Ninguém me falou. Eu pude acompanhar a preparação e todos os jogos do time olímpico de Mano Menezes em Londres. O treinador ficava constrangido e com muita raiva. Cobrou, deu bronca, xingou, incentivou, fez de tudo para tentar fazer o meia vibrar com a camisa da Seleção. Ele vinha de uma artroscopia. Em menos de 15 dias atuou pelo Santos contra o Corinthians, na semifinal da Libertadores. O que foi enorme erro. Não jogou bem. E mais, ficou traumatizado, com medo de nova lesão no joelho.

Foi assim que chegou em Londres. O medo era tanto que não tinha confiança nem em chutar forte ao gol. Foi um fantasma na Olimpíada. Mano cogitou cortá-lo. Mas não queria aumentar o clima de tensão que já era forte com o corte do goleiro Rafael. O meia virou mero fantasma em Londres. Lamentável.

O episódio ainda está muito fresco na memória de muita gente na CBF. Paulo Henrique terá de mostrar uma frequência de boas partidas como nunca fez. Parar de tanta instabilidade para poder sonhar com Seleção, com grandes clubes europeus.

Vale lembrar que mesmo tendo se submetido a quatro cirurgias nos dois joelhos, o meia não tem qualquer dificuldade física. Sua recuperação física foi perfeita.

Muricy já quase perdeu a voz de tanto insistir para ele atuar mais perto da área adversária. Ter coragem de chutar para o gol. "Eu tenho mais prazer em dar um passe para o meu companheiro marcar do que eu mesmo fazer o gol", assume o jogador para a imprensa e para o próprio técnico.

1cbf1 Paulo Henrique Ganso. O melhor meia do futebol brasileiro. Só falta ele descobrir o que significa vibração, competitividade, sangue nas veias...

Mas o treinador do São Paulo foi duro com ele. Invocou o fato de estar casado, querer um futuro melhor para a sua família, fazer história como atleta. O meia de 24 anos recebe R$ 300 mil e tem contrato com o São Paulo até 2017. Começou no Santos ganhando o mesmo que Neymar. Hoje o atacante ganha cerca de R$ 4,5 milhões mensais no Barcelona. E é a principal estrela da Seleção. Paulo Henrique ficou muito para trás.

"Talento o Ganso tem de sobra. É um craque. Basta agora de uma vez por todas ele querer mais. Ainda dá tempo para fazer o que quiser com sua carreira. Orientação ele teve e tem até de sobra. Eu mesmo encho o saco dele falando tudo o que pode fazer. Nada do que ele aprontar em campo vai me surpreender. Lógico que ele tem espaço na Seleção ou em qualquer clube do mundo. Mas existem coisas que dependem só do jogador", desabafa Muricy.

E infelizmente com Ganso, ninguém pode garantir nada. Tudo de bom que ele fez ontem no clássico contra o Santos pode ter sido apenas mais uma miragem, uma demonstração do que pode fazer. E infelizmente não há sequência por pura falta de competitividade no coração, na alma. Isso ninguém pode colocar...
 Paulo Henrique Ganso. O melhor meia do futebol brasileiro. Só falta ele descobrir o que significa vibração, competitividade, sangue nas veias...

O Grêmio ganhou na raça do Corinthians. Mas no confronto entre Felipão e Mano, os dois últimos treinadores da Seleção, ficou claro e explicado. Porque o Brasil está tão atrasado e deu tamanho vexame na Copa do Mundo…

 O Grêmio ganhou na raça do Corinthians. Mas no confronto entre Felipão e Mano, os dois últimos treinadores da Seleção, ficou claro e explicado. Porque o Brasil está tão atrasado e deu tamanho vexame na Copa do Mundo...
O confronto mais interessante desta rodada do Brasileiro trouxe de um lado Felipão e Mano Menezes. Os dois ex-treinadores da Seleção. O homem de José Maria Marin e Aldo Rebelo contra o homem de Andrés Sanchez.

Em Porto Alegre, onde ambos saíram para ganhar prestígio. Do lado gremista, Scolari e no Corinthians, Mano. A partida foi excelente para mostrar o quanto a filosofia dos dois treinadores está atrasada. Taticamente nada de interessante mostraram. Só luta, briga, disposição, raça.

Duas equipes montadas para contragolpear. Esperavam apenas pelos erros adversários. Explicavam muito da perda de tempo que foram os últimos quatro anos do Brasil.

Ambos montaram suas equipes no 4-5-1. O medo da derrota esteve presente em cada lance, cada dividida. O primeiro tempo foi perto do insuportável. Eram nada menos do que dez jogadores brigando no meio de campo.

Tudo que corintianos e gremistas queriam era destruir e tentar contragolpes em velocidade. Mas com Ramiro, Felipe Bastos, Luan, Giuliano e Dudu do lado azul e Ralf, Elias, Lodeiro, Jadson e Luciano guerreavam entre as intermediárias. E quase chance alguma de gol.

Jogadas pelas laterais não existiam. Muito pelo contrário. Guardavam posição, com muito medo. Nada de triangulações, deslocamentos. Nada do que foi usado na Copa do Mundo, como ataque em bloco, recomposição, preenchimento de espaço, marcação por pressão. Nada.

Os dois times pareciam equipes de pebolim. Jogadores presos pelas ordens de Felipão e Mano, como se estivessem soldados em uma barra de ferro. Com a marcação básica e primitiva se impondo.

A melhor coube a Elias que conseguiu surgir de surpresa entre os zagueiros. Invadiu livre, mas bateu fraco demais, facilitando a defesa de Marcelo Grohe. Embora sozinhos, Barcos e Guerrero foram valentes, enfrentaram sem medo as zagas adversárias.

No segundo tempo, Felipão fez uma mudança básica. Que qualquer treinador de Segunda Divisão jogando em casa faria. E mesmo assim surpreendeu Mano. Ele adiantou o Grêmio para complicar a saída de bola corintiana. Bastou. Foi como se Guardiola tivesse assumido o clube gaúcho.

A alteração travou o Corinthians. E em quatro minutos, Barcos conseguiu marcar dois gols. Ficou evidenciada a falta de entrosamento entre Gil e Anderson Martins. Os corintianos ficaram com muita saudade de Cléber.

Duas bolas que saíram da esquerda, no setor de Fagner. Zé Roberto e Dudu cruzaram. Na primeira, Fábio Santos perdeu a dividida com Barcos e o atacante se antecipou à lentidão de Anderson Martins. 1 a 0, Grêmio, a um minuto.

O gol chocou os corintianos. Mas uma avançada do promissor Dudu complicou tudo de vez. Ele cruzou da esquerda e Fábio Santos furou. Barcos marcou. 2 a 0, Grêmio aos quatro minutos.

1ae20 O Grêmio ganhou na raça do Corinthians. Mas no confronto entre Felipão e Mano, os dois últimos treinadores da Seleção, ficou claro e explicado. Porque o Brasil está tão atrasado e deu tamanho vexame na Copa do Mundo...

A partir daí, tudo mudou. O jogo foi outro. Com Mano adiantando o Corinthians. E Felipão recuando o Grêmio. Mas de maneira óbvia, sem grande alteração na movimentação dos meias, dos laterais. Tudo era mais músculo, correria. Menos cérebro.

A partida ficou emocionante. Muita briga, gol, bola no travessão, pênalti não marcado, expulsão. Foi guerra e não moderno futebol. Os dois ex-treinadores da Seleção foram muito mais animadores de time do que técnicos.

Com Jadson e Luciano fazendo péssima partida, o Corinthians buscava diminuir a diferença em cruzamentos e jogadas individuais. Em uma delas, aos 16 minutos, Guerrero rasgou a defesa gremista pela esquerda e chutou forte, indefensável para Marcelo Grohe. O gol saiu aos 16 minutos. Haveria emoção garantida até o final.

Era correria de todo o lado. Mano adiantou seu time para marcar até o tiro de meta gremista. Se houvesse um pouco de neurônio no meio de campo gremista, o time poderia ter ampliado. Elias e Ralf atacavam demais. Deixavam a zaga exposta. Mas os jogadores de Felipão estavam interessados em dar carrinhos, chutões. Mostrar o quanto eram viris e perderam chances importantes de contragolpes.

2ae6 O Grêmio ganhou na raça do Corinthians. Mas no confronto entre Felipão e Mano, os dois últimos treinadores da Seleção, ficou claro e explicado. Porque o Brasil está tão atrasado e deu tamanho vexame na Copa do Mundo...

No vale-tudo que estava o jogo, aos 37 minutos, Ralf acertou um chute excelente de canhota. A bola estourou no travessão. O Corinthians trocava a imaginação pela vibração. E cruzava bolas e mais bolas na área gaúcha. Aos 45 minutos, um lance que estragou toda a arbitragem de Héber Roberto Lopes. Werley cortou com o braço bola que foi chutada para o gol gremista. Pênalti não marcado.

Em seguida, Guerrero foi expulso. Ele ficou testa a testa com Alan Ruiz. Foi empurrado por adversários. O gremista caiu fingindo ter recebido uma violenta cabeçada, o que não aconteceu. O peruano acabou recebendo cartão vermelho.

O jogo acabou com a vitória do Grêmio de Felipão por 2 a 1. O Corinthians de Mano Menezes perdeu pela primeira vez fora de casa.

Mas a partida para quem a acompanhou de forma fria pôde perceber. E algo que vai muito além do mero resultado de mais uma partida nesse Brasileiro. Os conceitos simplórios, atrasados, convencionais taticamente dos dois ex-treinadores da Seleção.

Mano e Felipão se completam. Explicam porque o Brasil está tão atrasado em relação ao futebol moderno jogado na Europa. E passou por um vexame inesquecível na Copa do Mundo de 2014...
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A triste e desesperada comemoração do Palmeiras na vitória diante do péssimo Coritiba. A euforia por não passar o seu centenário como último no Brasileiro. Patética comemoração que desrespeita sua história. Tudo se apequenou no Palestra Itália…

 A triste e desesperada comemoração do Palmeiras na vitória diante do péssimo Coritiba. A euforia por não passar o seu centenário como último no Brasileiro. Patética comemoração que desrespeita sua história. Tudo se apequenou no Palestra Itália...
A vibração parecia de um título. Torcedores pulavam, entusiasmados. Jogadores e Comissão Técnica se abraçando. Dirigentes com os olhos marejados. Tudo isso pela vitória magra por 1 a 0, em casa, diante de um dos piores times que o Coritiba já teve coragem de montar. E a garantia que o clube não passará seu centenário na lanterna do Brasileiro. O Palmeiras se apequenou.

Não é possível que um clube com uma história tão gloriosa se submete a situações humilhantes como a de ontem. A equipe ansiosa, tensa, insegura montada por Careca jogou outra vez mal. Mostrou aos desconfiados 18 mil torcedores porque estava dez partidas sem vitória no Brasileiro.

O técnico argentino manteve o time em um covarde 4-5-1 do primeiro ao último minuto. Mesmo com o Coritiba atuando com dez jogadores durante todo o segundo tempo, depois de um carrinho criminoso de Leandro Almeida no inofensivo Mouche. Incrível a falta de confiança de Gareca nos seus atletas.

Ele queria garantir de qualquer maneira a vitória. E o emprego. Sabia que estava ficando desmoralizado não só no Brasil como na Argentina. Sua campanha no Palmeiras era vergonhosa. Seis derrotas e um empate no Brasileiro. Time em último lugar. Sua família e amigos aconselhando a largar a penitência. E voltar a Buenos Aires, virar as costas ao elenco ruim que tem nas mãos.

 A triste e desesperada comemoração do Palmeiras na vitória diante do péssimo Coritiba. A euforia por não passar o seu centenário como último no Brasileiro. Patética comemoração que desrespeita sua história. Tudo se apequenou no Palestra Itália...

Só que Gareca tem o contrato que o aprisiona. E colocou o Palmeiras da maneira mais precavida possível diante de um adversário pavoroso no Pacaembu. Com o meio de campo sobrecarregado, o volante Marcelo Oliveira pôde arrancar como meia e deixar Juninho livre na grande área. O lateral chutou cruzado e fez o gol palmeirense aos 14 minutos do primeiro tempo.

Foi triste ver tanta emoção. Estava nítido o medo do terceiro rebaixamento em 12 anos. O resultado era suficiente para tirar a equipe da lanterna. E era essa a meta. Jogadores dando chutões, carrinhos, preocupados em parar a partida, gastar tempo. Assumindo no espelho formar um time fraco, inseguro.

Taticamente, o Palmeiras se assumiu pequeno. Do mesmo nível dos sempre amedrontados times de Celso Roth. A torcida se contentou com pouquíssima qualidade que viu. Todos queriam o lado prático do jogo. Os três pontos. Eles vieram de maneira suada, tensa, irritante. Enerva tanta falta de talento, iniciativa, confiança.

A maior prova vem dos bastidores. O bilionário Paulo Nobre já prometeu aos atletas e a Gareca uma premiação para evitar o rebaixamento. Só assim sua campanha pela reeleição seria possível. Mas o presidente foi além. Por ele, o Palmeiras pode abrir mão da Copa do Brasil.

Nobre não quer correr o mesmo risco de Arnaldo Tirone. O dirigente se empolgou com a lábia de Felipão. E fez o Palmeiras investir toda sua força no torneio e se esqueceu do Brasileiro. O título da Copa do Brasil foi ótimo para Felipão. Fez o clube perder pontos preciosos, decisivos no rebaixamento em 2012.

Agora, não. Nobre já liberou Gareca. O time pode cair diante do Atlético Mineiro, ser eliminado nas oitavas será até muito bom para o planejamento. A equipe poderá focar no Brasileiro e evitar a terceira visita à Segunda Divisão em 12 anos.

Toda a alegria no Pacaembu com a vitória depois de dez partidas no Brasileiro foi constrangedora. Inacreditável avaliar o que tantos dirigentes incompetentes, egoístas, sem visão fizeram a este clube.

Colocar R$ 125 milhões do bolso e dar o comando do futebol a uma figura ultrapassada como Brunoro é ser tão fraco presidente quanto Tirone, Belluzzo, Della Monica, Mustafá Contursi.

O Palmeiras está sem rumo desde que os milhões da Parmalat pararam de jorrar. Duas idas para a Segunda Divisão em dez anos, a falta de patrocínio na camisa há um ano e três meses, briga interminável com a W Torre pelas cadeiras de sua arena. Time fraquíssimo nas mãos de um treinador inseguro e arrependido de ter aceito trabalhar no Palestra Itália.

O único desejo no Brasileiro é escapar do rebaixamento. Como caiu na história, o campeão do século XX. O clube brasileiro com o maior número de títulos relevantes nos anos 1900. Chega agonizante dentro do campo, desrespeitando sua tradição.

A três dias de completar cem anos, comemora como uma dádiva dos céus sair da lanterna, voltar a vencer depois de dez jogos. Sobreviver na Primeira Divisão. Tudo ficou pequeno demais no Palestra Itália...
 A triste e desesperada comemoração do Palmeiras na vitória diante do péssimo Coritiba. A euforia por não passar o seu centenário como último no Brasileiro. Patética comemoração que desrespeita sua história. Tudo se apequenou no Palestra Itália...

O roubo no Rio dos troféus dos Mundiais de Vôlei. Nada surpreendente. O mundo já conhece o Brasil como o paraíso dos ladrões. Graças à Jules Rimet derretida e à vida boa que deu a Ronald Biggs…

2reproducao3 O roubo no Rio dos troféus dos Mundiais de Vôlei. Nada surpreendente. O mundo já conhece o Brasil como o paraíso dos ladrões. Graças à Jules Rimet derretida e à vida boa que deu a Ronald Biggs...
O Brasil amanhece hoje na manchete de todos os jornais esportivos do mundo. Não por mais uma conquista importante. Mas por um vexame histórico. As taças dos Campeonatos Mundiais de Vôlei estavam sendo circulando pelo planeta. Para que os fãs do esporte tivessem a oportunidade de admirá-las. Estavam no Rio de Janeiro, dentro de um carro forte. Sim, ladrões arrombaram o veículo e as roubaram ontem à tarde.

Por vergonha, governantes conseguiram segurar a notícia por algumas horas. Tinham a vã esperança de recuperá-las e fugir de mais esse vexame. Não é por acaso que atores e atletas costumam brincar quando precisam vir ao Brasil. Vários colocaram no facebook, no twitter referências ao nosso país como o paraíso dos ladrões.

O roubo dos troféus remete ao triste fim da Jules Rimet. O troféu que a Fifa entregou ao Brasil por ter sido o primeiro país a conseguir vencer a Copa do Mundo por três vezes. Foi entregue em 1970. Mas 13 anos depois foi roubada e derretida.

Toda a história é muito estranha. A taça original estava exposta na sede da CBF. Em uma redoma de vidro à prova de bala. Mas com a base de madeira. Situação bizarra. A base de madeira era um convite para bandidos. Enquanto isso, a cópia da taça estava descansando, protegida em um cofre.

3reproducao5 O roubo no Rio dos troféus dos Mundiais de Vôlei. Nada surpreendente. O mundo já conhece o Brasil como o paraíso dos ladrões. Graças à Jules Rimet derretida e à vida boa que deu a Ronald Biggs...

O representante do Atlético Mineiro na CBF, Sérgio Pereira Ayres, teve a ideia de roubar a taça. Justificou seu apelido de Sérgio Peralta. Foi até a entidade acompanhado do ex-policial Francisco Rocha Rivera, conhecido como Chico Barbudo e o decorador José Luiz Vieira da Silva, o Luiz Bigode. Não tiveram trabalho com o único vigia.

O renderam e levaram a taça, destruindo a base de madeira. Levaram ainda mais três troféus menos importantes. Mas era dourados. E os levaram para o comerciante de ouro, o argentino Juan Carlos Hernandes. Lá a Jules Rimet foi derretida. E o ouro serviu para fazer correntes, brincos. Vendidos a pequenas joalherias cariocas.

Os autores do crime foram presos graças a um marginal. Sergio Peralta tentou convencer Antônio Setta, o 'melhor arrombador de cofres do país na década de 80'. O Broa se recusou. Não queria derreter o troféu mais importante da história do futebol brasileiro em todos os tempos. Peralta riu da postura de Broa e seguiu em frente seu plano.

Peralta, Bigode e Chico Barbudo pegaram pena de nove anos de cadeia. Hernandes foi condenado a três anos. Barbudo morreu assassinado em 89. Peralta sofreu um enfarto fulminante em 2003.

A taça Jules Rimet pesava 3,8 quilos de ouro. Seu valor atual não passaria de R$ 200 mil. O importante era o que representava. De 1930 a 1970, seleções do mundo todo lutaram pelo privilégio de conquistar o troféu. Ninguém jamais imaginaria que ele acabaria derretida por um receptador na periferia do Rio. Com detalhes de sordidez. O aparelho de Hernandes só derretia até 250 gramas de ouro. A taça teve de ser despedaçada antes de derreter.

A Fifa nunca perdoou o criminoso desleixo. Além de a taça nunca mais ser entregue definitivamente a qualquer campeão, os procedimentos de segurança são algo perto da paranoia. Tudo por causa do 'efeito Brasil'.

Também não ajudou o fato de o país dar guarida a Ronald Biggs, um dos assaltantes mais famosos da história da Inglaterra. Ele participou do roubo de um trem pagador, em 1963. Trinta milhões de libras, cerca de R$ 120 milhões, sumiram. E nunca mais foram recuperados.

Biggs fugiu da Inglaterra dentro de um caminhão de móveis. Fez plástica no rosto na França. Foi para a Espanha e Austrália. Chegou ao Brasil. Foi descoberto no Rio. Mas como tinha um filho brasileiro, pôde ficar o quanto quis. Seu herdeiro, Mike, foi integrante do programa da TV Globo, Balão Mágico.

Extremamente debochado, o ladrão ganhou muito dinheiro e fama dando entrevistas. Aproveitou ao máximo a hospitalidade dos brasileiros. Ronald teve um derrame em 2001 e, com saudade de sua terra natal, voltou para a Inglaterra onde foi preso. Morreu depois de uma série de infartos em 2013.

Estas histórias fizeram do Brasil o berço ideal para ladrões. Na literatura, na música, no cinema. E infelizmente, na vida real. Os roubos dos troféus dos Mundiais de vôlei ontem no Rio de Janeiro só servem para justificar a péssima fama do nosso país. Triste terra da vergonha. Da impunidade...
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Os motivos que fazem com que o Cruzeiro de Marcelo Oliveira caminhe firme ao inédito. Fazer Minas Gerais ser campeã do Brasil por duas vezes seguidas. O trabalho no lado azul de Belo Horizonte é impressionante…

1cruzeiro1 Os motivos que fazem com que o Cruzeiro de Marcelo Oliveira caminhe firme ao inédito. Fazer Minas Gerais ser campeã do Brasil por duas vezes seguidas. O trabalho no lado azul de Belo Horizonte é impressionante...
Rafael, Ceará, Manoel, Bruno Rodrigo e Samudio; Willian Faria, Nilton, Marlone e Júlio Baptista; Alisson e Dagoberto. Com Tinga e Borges ainda podendo ser escalados. Essa equipe teria tudo para fazer uma campanha boa campanha no Brasileiro. Mas esse é apenas o time reserva do Cruzeiro.

O titular caminha forte atrás de algo inédito na história de Minas Gerais: o bicampeonato brasileiro. Fábio, Mayke, Dedé, Léo e Egídio; Henrique, Lucas Silva, Ricardo Goulart e Everton Ribeiro; Willian e Marcelo Moreno. Só São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul conseguiram títulos nacionais seguidos.

Nada é por acaso. De maneira discreta, o clube montou o melhor elenco do país. Com jogadores que podem manter o mesmo esquema moderno, de muita variação tática, recomposição montado por Marcelo Oliveira. O treinador tem conseguido algo que parecia utopia. Manter o time quase inteiro de um ano para o outro. Com a mesma vontade, gana. E até novidades táticas com o mesmo elenco. O Cruzeiro campeão brasileiro de 2013 foi aprimorado. Está melhor do que no ano passado.

Já abriu cinco pontos dos demais concorrentes. Sete pontos que perdeu no torneio são discutidos fervorosamente. Até por quem não torce para o Cruzeiro. A folga na liderança poderia ser incrível. 12 pontos na 16ª rodada. Mesmo assim, o aproveitamento já é de 75%. São 11 vitórias, três empates e duas derrotas.

O segredo não repousa apenas na visão tática privilegiada de Marcelo Oliveira. Mas na força para manter a disciplina na Toca da Raposa. Muitos técnicos insistem que não o jogador brasileiro atual é muito vaidoso. E não aceita ficar na reserva. Sabota o bom ambiente do grupo.

Tudo é às claras. "O Dagoberto é excelente jogador. Mas não tem o poder de recomposição do Willian. A verdade é essa. Eu tenho de pensar no melhor para o time." Foi assim ontem que o técnico matou pela raiz o nascimento do que poderia ser uma polêmica. O autor do gol da vitória sobre o Grêmio é um jogador consagrado, mas reserva no Cruzeiro. Deixo claro com todas as letras que é reserva e continuará sendo.

 Os motivos que fazem com que o Cruzeiro de Marcelo Oliveira caminhe firme ao inédito. Fazer Minas Gerais ser campeã do Brasil por duas vezes seguidas. O trabalho no lado azul de Belo Horizonte é impressionante...

No Cruzeiro todos conseguem se controlar diante do assédio feminino. Não há empolgação com as indefectíveis farras, as festinhas de segunda-feira que varam a madrugada. Ao contrário do que acontece no Atlético Mineiro, o que o Cruzeiro tem conseguido o que é praticamente um milagre. Controlar disciplinarmente o grupo. Casos como os de Ronaldinho Gaúcho, Jô, Marcos Rocha não acontecem por lá.

Marcelo Oliveira deixou bem claro aos jogadores. Não permite abuso. E quem se arriscar sabe que a primeira punição será a perda de posição. Pelo nível dos reservas, quem brincar sai do time e pode não voltar.

Os adversários sentem com amargor as variações táticas impostas pelos cruzeirenses. Marcelo Oliveira tem ido muito além de travar seu time na defesa quando o jogo é longe de Belo Horizonte. Pelo contrário. Esteja onde estiver, em vários momentos ele coloca o Cruzeiro marcando forte na intermediária adversária. Como se a partida fosse no Mineirão. Os jogadores seguem os 90 minutos focados na sua orientação.

1ae19 Os motivos que fazem com que o Cruzeiro de Marcelo Oliveira caminhe firme ao inédito. Fazer Minas Gerais ser campeã do Brasil por duas vezes seguidas. O trabalho no lado azul de Belo Horizonte é impressionante...

"Ele enxerga muito futebol. Sabe tirar o melhor de cada jogador. Fazemos de olhos fechados, sem questionar todas as suas ordens. O Marcelo não se irrita em explicar no que sua função tática melhorará o caminho do nosso time. Nos deixa confiante porque tudo o que ele antecipa no treinamento acontece durante o jogo. Ele é excelente treinador", elogia Everton Ribeiro.

A sintonia entre Marcelo e a diretoria é importante até em momentos delicados. Nos pequenos e irritantes atrasos de salários que já aconteceram na Toca da Raposa. Ele tem conseguido administrar, controlar evitando revoltas públicas. As vitórias são a garantia do estádio cheio. E pagamento garantido no fim do mês.

O treinador do melhor time do Brasil tem sido claro com seus atletas. O mais difícil não é chegar, ganhar um título. O terrível é se manter. Se reinventar. Como não aconteceu, por exemplo, com Felipão. O treinador que foi derrotado pelo Cruzeiro tratou de fixar o esquema da Seleção no 4-2-3-1. Tentou repetir na Copa o que fez na Copa das Confederações. O Brasil foi humilhado.

O time mineiro tem variado sua disposição tática com a bola, sem a bola. Seu excelente preparo físico permite a compactação atacando e a recomposição quando atacado. Os contragolpes em velocidade e com vários jogadores ao mesmo tempo é uma característica que chega a lembrar a Alemanha, guardadas as devidas proporções, lógico. Os adversários tem detestado enfrentar o time celeste. Por causa da ousadia de Marcelo.

"Ele está sempre pedindo algo a mais para cada jogador. Não é só repetir o que fizemos no jogo anterior. Isso é bom porque nos estimula e sempre surpreende o time adversário", avalia Ricardo Goulart. Ele e Everton Ribeiro dão parte do crédito de suas convocações à Seleção para Marcelo Oliveira.

A empolgação com a perspectiva do bicampeonato brasileiro tem ficado do lado de fora dos portões da Toca da Raposa. O vivido treinador sabe que a empolgação exagerada pode implodir seu trabalho. Colocar tudo a perder. E o que ele faz? Estimula a competição entre os dois times que conseguiu formar. Por ironia, com jogadores mais consagrados como Júlio Baptista, Dagoberto, Borges, Samudio, Marlone e Manoel na reserva.

O trabalho do Cruzeiro é moderno, profissional. Merece ser destacado. A seriedade na organização. A força da diretoria em segurar os principais jogadores também conta. Houve o assédio nas duas janelas, na do final do ano passado e no meio deste ano. Mas Gilvan só pôde dizer não porque o clube está equilibrado financeiramente.

Ou seja, o momento do Cruzeiro é excelente. Foge da rotina do futebol deste país. E por isso está credenciado a dar o passo que Minas Gerais nunca ousou. Vencer duas vezes seguida o Campeonato Brasileiro. Os rivais Internacional, Corinthians e São Paulo sabem. Cada rodada, cada partida fica mais claro. Será muito difícil evitar mais um triunfo nacional.

É o melhor time do país, com a melhor disposição tática, com uma grande organização fora dos gramados. E que tem o requinte de se afastar das suas agressivas torcidas organizadas. Elas um dia ameaçaram de morte a diretoria e o próprio treinador por ter 'passado atleticano'. Uma enorme bobagem. O tempo passou e está cada vez mais impressionante o acerto do trabalho na Toca da Raposa. É exemplar o que acontece do lado azul de Belo Horizonte...
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