Paulo Henrique Ganso. O melhor meia do futebol brasileiro. Só falta ele descobrir o que significa vibração, competitividade, sangue nas veias…

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"O Ganso é genial. Se ele for competitivo durante os 90 minutos, ele é jogador do Real Madrid e Barcelona. O talento dele ninguém tira. Precisamos provocar a competitividade nele. Fazer ele se mover dentro de si."

As declarações são de quem conhece profundamente Paulo Henrique. O jogador que está no seu dia-a-dia. E não se conforma com tanto talento desperdiçado por falta de garra, da vontade básica de qualquer atleta: competir, lutar, suar pela vitória: Rogério Ceni.

Sem querer, o maior ídolo de todos os tempos do São Paulo expõe a maior dúvida que atormenta Dunga. Dar ou não dar uma chance real para o talentoso paraense? Justo agora que o treinador da Seleção já escancarou o novo perfil do time que formará para José Maria Marin.

Dunga quer o Brasil mais competitivo possível. Montar uma equipe aguerrida, veloz. Com jogadores brigando a todo o instante por um centímetro a mais de espaço. Com poder para atacar em bloco e recompor com consciência e vigor sem a bola. Tudo o que não combina com a maneira de Ganso jogar.

"O Ganso é muito talentoso, mas por vezes parece um meia clássico dos anos 70. Daqueles que jogam em uma velocidade abaixo da correria atual. Que tem prazer e capacidade para fazer o que quiser com a bola. Adora colocar os companheiros na cara do gol.

Mas não luta, não marca, não vibra. Deixa isso para os companheiros. Isso era ótimo quando os volantes eram volantes e os meias eram meias, como no meu tempo. Agora o futebol mudou. Todo mundo cobra maior participação, competitividade. E isso não está nele.

Não é que ele seja frio. Apenas tem o jeito dele. É isso que as pessoas não entendem."

A análise foi feita para o blog por quem viveu uma situação muito parecida. Ademir da Guia, o maior camisa 10 da história do Palmeiras. Mesmo na década de 70, 'quando os meias eram meias e os volantes eram volantes', Ademir foi injustiçado. Principalmente na Seleção Brasileira. O motivo era sua aparente passividade, falta de vibração. Ninguém ousava questionar o seu talento. Apenas a sua falta de envolvimento emocional no jogo.

A cobrança hoje para Ganso vai muito além. Marcar um gol maravilhoso como o que fez ontem contra o Santos, dar chapéus, dribles e enfiadas de bola desconsertantes aos atacantes é só metade do caminho. Se quando o São Paulo é atacado, fica parado na intermediária adversária, assistindo a partida é um importante atleta a menos atrás da linha da bola.

Ou ainda pior. Quando qualquer treinador medíocre faz o óbvio e coloca um volante para marcá-lo o campo todo, Ganso não pode aceitar a marcação. Precisa correr o dobro do que faz. Se deslocar às laterais, se embolar com os atacantes, driblar, tabelar. Enfim, comprar a briga. Ter sangue nas veias e saber o quando o futebol é competitivo atualmente. Se nasceu na época errada, o problema é dele.

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Todo treinador que já teve a oportunidade de trabalhar com Paulo Henrique passou muita raiva. Há um inconformismo enorme pela maneira com que o jogador conduz a sua carreira.

"No dia em que o Ganso vibrar, competir vira titular absoluto da Seleção. E os grandes clubes da Europa vão fazer fila para tentar contratá-lo. Ele sabe disso. Eu mesmo já cansei de dizer isso para ele."

Essas declarações são de Dorival Júnior, treinador com quem o meia fez muito sucesso em 2010. A ponto de ser muito mais cobrada a sua convocação de Dunga do que a de Neymar, na época.

Ganso perdeu tempo em relação a onde poderia estar nestes quatro anos. O São Paulo é um dos grandes clubes do país. Mas seu potencial técnico poderia tê-lo levado ao Real Madrid ou Barcelona, como avalia Rogério Ceni. Perdeu oportunidades de ouro. Como na Olimpíada de 2012.

Ninguém me falou. Eu pude acompanhar a preparação e todos os jogos do time olímpico de Mano Menezes em Londres. O treinador ficava constrangido e com muita raiva. Cobrou, deu bronca, xingou, incentivou, fez de tudo para tentar fazer o meia vibrar com a camisa da Seleção. Ele vinha de uma artroscopia. Em menos de 15 dias atuou pelo Santos contra o Corinthians, na semifinal da Libertadores. O que foi enorme erro. Não jogou bem. E mais, ficou traumatizado, com medo de nova lesão no joelho.

Foi assim que chegou em Londres. O medo era tanto que não tinha confiança nem em chutar forte ao gol. Foi um fantasma na Olimpíada. Mano cogitou cortá-lo. Mas não queria aumentar o clima de tensão que já era forte com o corte do goleiro Rafael. O meia virou mero fantasma em Londres. Lamentável.

O episódio ainda está muito fresco na memória de muita gente na CBF. Paulo Henrique terá de mostrar uma frequência de boas partidas como nunca fez. Parar de tanta instabilidade para poder sonhar com Seleção, com grandes clubes europeus.

Vale lembrar que mesmo tendo se submetido a quatro cirurgias nos dois joelhos, o meia não tem qualquer dificuldade física. Sua recuperação física foi perfeita.

Muricy já quase perdeu a voz de tanto insistir para ele atuar mais perto da área adversária. Ter coragem de chutar para o gol. "Eu tenho mais prazer em dar um passe para o meu companheiro marcar do que eu mesmo fazer o gol", assume o jogador para a imprensa e para o próprio técnico.

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Mas o treinador do São Paulo foi duro com ele. Invocou o fato de estar casado, querer um futuro melhor para a sua família, fazer história como atleta. O meia de 24 anos recebe R$ 300 mil e tem contrato com o São Paulo até 2017. Começou no Santos ganhando o mesmo que Neymar. Hoje o atacante ganha cerca de R$ 4,5 milhões mensais no Barcelona. E é a principal estrela da Seleção. Paulo Henrique ficou muito para trás.

"Talento o Ganso tem de sobra. É um craque. Basta agora de uma vez por todas ele querer mais. Ainda dá tempo para fazer o que quiser com sua carreira. Orientação ele teve e tem até de sobra. Eu mesmo encho o saco dele falando tudo o que pode fazer. Nada do que ele aprontar em campo vai me surpreender. Lógico que ele tem espaço na Seleção ou em qualquer clube do mundo. Mas existem coisas que dependem só do jogador", desabafa Muricy.

E infelizmente com Ganso, ninguém pode garantir nada. Tudo de bom que ele fez ontem no clássico contra o Santos pode ter sido apenas mais uma miragem, uma demonstração do que pode fazer. E infelizmente não há sequência por pura falta de competitividade no coração, na alma. Isso ninguém pode colocar...
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O Grêmio ganhou na raça do Corinthians. Mas no confronto entre Felipão e Mano, os dois últimos treinadores da Seleção, ficou claro e explicado. Porque o Brasil está tão atrasado e deu tamanho vexame na Copa do Mundo…

 O Grêmio ganhou na raça do Corinthians. Mas no confronto entre Felipão e Mano, os dois últimos treinadores da Seleção, ficou claro e explicado. Porque o Brasil está tão atrasado e deu tamanho vexame na Copa do Mundo...
O confronto mais interessante desta rodada do Brasileiro trouxe de um lado Felipão e Mano Menezes. Os dois ex-treinadores da Seleção. O homem de José Maria Marin e Aldo Rebelo contra o homem de Andrés Sanchez.

Em Porto Alegre, onde ambos saíram para ganhar prestígio. Do lado gremista, Scolari e no Corinthians, Mano. A partida foi excelente para mostrar o quanto a filosofia dos dois treinadores está atrasada. Taticamente nada de interessante mostraram. Só luta, briga, disposição, raça.

Duas equipes montadas para contragolpear. Esperavam apenas pelos erros adversários. Explicavam muito da perda de tempo que foram os últimos quatro anos do Brasil.

Ambos montaram suas equipes no 4-5-1. O medo da derrota esteve presente em cada lance, cada dividida. O primeiro tempo foi perto do insuportável. Eram nada menos do que dez jogadores brigando no meio de campo.

Tudo que corintianos e gremistas queriam era destruir e tentar contragolpes em velocidade. Mas com Ramiro, Felipe Bastos, Luan, Giuliano e Dudu do lado azul e Ralf, Elias, Lodeiro, Jadson e Luciano guerreavam entre as intermediárias. E quase chance alguma de gol.

Jogadas pelas laterais não existiam. Muito pelo contrário. Guardavam posição, com muito medo. Nada de triangulações, deslocamentos. Nada do que foi usado na Copa do Mundo, como ataque em bloco, recomposição, preenchimento de espaço, marcação por pressão. Nada.

Os dois times pareciam equipes de pebolim. Jogadores presos pelas ordens de Felipão e Mano, como se estivessem soldados em uma barra de ferro. Com a marcação básica e primitiva se impondo.

A melhor coube a Elias que conseguiu surgir de surpresa entre os zagueiros. Invadiu livre, mas bateu fraco demais, facilitando a defesa de Marcelo Grohe. Embora sozinhos, Barcos e Guerrero foram valentes, enfrentaram sem medo as zagas adversárias.

No segundo tempo, Felipão fez uma mudança básica. Que qualquer treinador de Segunda Divisão jogando em casa faria. E mesmo assim surpreendeu Mano. Ele adiantou o Grêmio para complicar a saída de bola corintiana. Bastou. Foi como se Guardiola tivesse assumido o clube gaúcho.

A alteração travou o Corinthians. E em quatro minutos, Barcos conseguiu marcar dois gols. Ficou evidenciada a falta de entrosamento entre Gil e Anderson Martins. Os corintianos ficaram com muita saudade de Cléber.

Duas bolas que saíram da esquerda, no setor de Fagner. Zé Roberto e Dudu cruzaram. Na primeira, Fábio Santos perdeu a dividida com Barcos e o atacante se antecipou à lentidão de Anderson Martins. 1 a 0, Grêmio, a um minuto.

O gol chocou os corintianos. Mas uma avançada do promissor Dudu complicou tudo de vez. Ele cruzou da esquerda e Fábio Santos furou. Barcos marcou. 2 a 0, Grêmio aos quatro minutos.

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A partir daí, tudo mudou. O jogo foi outro. Com Mano adiantando o Corinthians. E Felipão recuando o Grêmio. Mas de maneira óbvia, sem grande alteração na movimentação dos meias, dos laterais. Tudo era mais músculo, correria. Menos cérebro.

A partida ficou emocionante. Muita briga, gol, bola no travessão, pênalti não marcado, expulsão. Foi guerra e não moderno futebol. Os dois ex-treinadores da Seleção foram muito mais animadores de time do que técnicos.

Com Jadson e Luciano fazendo péssima partida, o Corinthians buscava diminuir a diferença em cruzamentos e jogadas individuais. Em uma delas, aos 16 minutos, Guerrero rasgou a defesa gremista pela esquerda e chutou forte, indefensável para Marcelo Grohe. O gol saiu aos 16 minutos. Haveria emoção garantida até o final.

Era correria de todo o lado. Mano adiantou seu time para marcar até o tiro de meta gremista. Se houvesse um pouco de neurônio no meio de campo gremista, o time poderia ter ampliado. Elias e Ralf atacavam demais. Deixavam a zaga exposta. Mas os jogadores de Felipão estavam interessados em dar carrinhos, chutões. Mostrar o quanto eram viris e perderam chances importantes de contragolpes.

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No vale-tudo que estava o jogo, aos 37 minutos, Ralf acertou um chute excelente de canhota. A bola estourou no travessão. O Corinthians trocava a imaginação pela vibração. E cruzava bolas e mais bolas na área gaúcha. Aos 45 minutos, um lance que estragou toda a arbitragem de Héber Roberto Lopes. Werley cortou com o braço bola que foi chutada para o gol gremista. Pênalti não marcado.

Em seguida, Guerrero foi expulso. Ele ficou testa a testa com Alan Ruiz. Foi empurrado por adversários. O gremista caiu fingindo ter recebido uma violenta cabeçada, o que não aconteceu. O peruano acabou recebendo cartão vermelho.

O jogo acabou com a vitória do Grêmio de Felipão por 2 a 1. O Corinthians de Mano Menezes perdeu pela primeira vez fora de casa.

Mas a partida para quem a acompanhou de forma fria pôde perceber. E algo que vai muito além do mero resultado de mais uma partida nesse Brasileiro. Os conceitos simplórios, atrasados, convencionais taticamente dos dois ex-treinadores da Seleção.

Mano e Felipão se completam. Explicam porque o Brasil está tão atrasado em relação ao futebol moderno jogado na Europa. E passou por um vexame inesquecível na Copa do Mundo de 2014...
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A triste e desesperada comemoração do Palmeiras na vitória diante do péssimo Coritiba. A euforia por não passar o seu centenário como último no Brasileiro. Patética comemoração que desrespeita sua história. Tudo se apequenou no Palestra Itália…

 A triste e desesperada comemoração do Palmeiras na vitória diante do péssimo Coritiba. A euforia por não passar o seu centenário como último no Brasileiro. Patética comemoração que desrespeita sua história. Tudo se apequenou no Palestra Itália...
A vibração parecia de um título. Torcedores pulavam, entusiasmados. Jogadores e Comissão Técnica se abraçando. Dirigentes com os olhos marejados. Tudo isso pela vitória magra por 1 a 0, em casa, diante de um dos piores times que o Coritiba já teve coragem de montar. E a garantia que o clube não passará seu centenário na lanterna do Brasileiro. O Palmeiras se apequenou.

Não é possível que um clube com uma história tão gloriosa se submete a situações humilhantes como a de ontem. A equipe ansiosa, tensa, insegura montada por Careca jogou outra vez mal. Mostrou aos desconfiados 18 mil torcedores porque estava dez partidas sem vitória no Brasileiro.

O técnico argentino manteve o time em um covarde 4-5-1 do primeiro ao último minuto. Mesmo com o Coritiba atuando com dez jogadores durante todo o segundo tempo, depois de um carrinho criminoso de Leandro Almeida no inofensivo Mouche. Incrível a falta de confiança de Gareca nos seus atletas.

Ele queria garantir de qualquer maneira a vitória. E o emprego. Sabia que estava ficando desmoralizado não só no Brasil como na Argentina. Sua campanha no Palmeiras era vergonhosa. Seis derrotas e um empate no Brasileiro. Time em último lugar. Sua família e amigos aconselhando a largar a penitência. E voltar a Buenos Aires, virar as costas ao elenco ruim que tem nas mãos.

 A triste e desesperada comemoração do Palmeiras na vitória diante do péssimo Coritiba. A euforia por não passar o seu centenário como último no Brasileiro. Patética comemoração que desrespeita sua história. Tudo se apequenou no Palestra Itália...

Só que Gareca tem o contrato que o aprisiona. E colocou o Palmeiras da maneira mais precavida possível diante de um adversário pavoroso no Pacaembu. Com o meio de campo sobrecarregado, o volante Marcelo Oliveira pôde arrancar como meia e deixar Juninho livre na grande área. O lateral chutou cruzado e fez o gol palmeirense aos 14 minutos do primeiro tempo.

Foi triste ver tanta emoção. Estava nítido o medo do terceiro rebaixamento em 12 anos. O resultado era suficiente para tirar a equipe da lanterna. E era essa a meta. Jogadores dando chutões, carrinhos, preocupados em parar a partida, gastar tempo. Assumindo no espelho formar um time fraco, inseguro.

Taticamente, o Palmeiras se assumiu pequeno. Do mesmo nível dos sempre amedrontados times de Celso Roth. A torcida se contentou com pouquíssima qualidade que viu. Todos queriam o lado prático do jogo. Os três pontos. Eles vieram de maneira suada, tensa, irritante. Enerva tanta falta de talento, iniciativa, confiança.

A maior prova vem dos bastidores. O bilionário Paulo Nobre já prometeu aos atletas e a Gareca uma premiação para evitar o rebaixamento. Só assim sua campanha pela reeleição seria possível. Mas o presidente foi além. Por ele, o Palmeiras pode abrir mão da Copa do Brasil.

Nobre não quer correr o mesmo risco de Arnaldo Tirone. O dirigente se empolgou com a lábia de Felipão. E fez o Palmeiras investir toda sua força no torneio e se esqueceu do Brasileiro. O título da Copa do Brasil foi ótimo para Felipão. Fez o clube perder pontos preciosos, decisivos no rebaixamento em 2012.

Agora, não. Nobre já liberou Gareca. O time pode cair diante do Atlético Mineiro, ser eliminado nas oitavas será até muito bom para o planejamento. A equipe poderá focar no Brasileiro e evitar a terceira visita à Segunda Divisão em 12 anos.

Toda a alegria no Pacaembu com a vitória depois de dez partidas no Brasileiro foi constrangedora. Inacreditável avaliar o que tantos dirigentes incompetentes, egoístas, sem visão fizeram a este clube.

Colocar R$ 125 milhões do bolso e dar o comando do futebol a uma figura ultrapassada como Brunoro é ser tão fraco presidente quanto Tirone, Belluzzo, Della Monica, Mustafá Contursi.

O Palmeiras está sem rumo desde que os milhões da Parmalat pararam de jorrar. Duas idas para a Segunda Divisão em dez anos, a falta de patrocínio na camisa há um ano e três meses, briga interminável com a W Torre pelas cadeiras de sua arena. Time fraquíssimo nas mãos de um treinador inseguro e arrependido de ter aceito trabalhar no Palestra Itália.

O único desejo no Brasileiro é escapar do rebaixamento. Como caiu na história, o campeão do século XX. O clube brasileiro com o maior número de títulos relevantes nos anos 1900. Chega agonizante dentro do campo, desrespeitando sua tradição.

A três dias de completar cem anos, comemora como uma dádiva dos céus sair da lanterna, voltar a vencer depois de dez jogos. Sobreviver na Primeira Divisão. Tudo ficou pequeno demais no Palestra Itália...
 A triste e desesperada comemoração do Palmeiras na vitória diante do péssimo Coritiba. A euforia por não passar o seu centenário como último no Brasileiro. Patética comemoração que desrespeita sua história. Tudo se apequenou no Palestra Itália...

O roubo no Rio dos troféus dos Mundiais de Vôlei. Nada surpreendente. O mundo já conhece o Brasil como o paraíso dos ladrões. Graças à Jules Rimet derretida e à vida boa que deu a Ronald Biggs…

2reproducao3 O roubo no Rio dos troféus dos Mundiais de Vôlei. Nada surpreendente. O mundo já conhece o Brasil como o paraíso dos ladrões. Graças à Jules Rimet derretida e à vida boa que deu a Ronald Biggs...
O Brasil amanhece hoje na manchete de todos os jornais esportivos do mundo. Não por mais uma conquista importante. Mas por um vexame histórico. As taças dos Campeonatos Mundiais de Vôlei estavam sendo circulando pelo planeta. Para que os fãs do esporte tivessem a oportunidade de admirá-las. Estavam no Rio de Janeiro, dentro de um carro forte. Sim, ladrões arrombaram o veículo e as roubaram ontem à tarde.

Por vergonha, governantes conseguiram segurar a notícia por algumas horas. Tinham a vã esperança de recuperá-las e fugir de mais esse vexame. Não é por acaso que atores e atletas costumam brincar quando precisam vir ao Brasil. Vários colocaram no facebook, no twitter referências ao nosso país como o paraíso dos ladrões.

O roubo dos troféus remete ao triste fim da Jules Rimet. O troféu que a Fifa entregou ao Brasil por ter sido o primeiro país a conseguir vencer a Copa do Mundo por três vezes. Foi entregue em 1970. Mas 13 anos depois foi roubada e derretida.

Toda a história é muito estranha. A taça original estava exposta na sede da CBF. Em uma redoma de vidro à prova de bala. Mas com a base de madeira. Situação bizarra. A base de madeira era um convite para bandidos. Enquanto isso, a cópia da taça estava descansando, protegida em um cofre.

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O representante do Atlético Mineiro na CBF, Sérgio Pereira Ayres, teve a ideia de roubar a taça. Justificou seu apelido de Sérgio Peralta. Foi até a entidade acompanhado do ex-policial Francisco Rocha Rivera, conhecido como Chico Barbudo e o decorador José Luiz Vieira da Silva, o Luiz Bigode. Não tiveram trabalho com o único vigia.

O renderam e levaram a taça, destruindo a base de madeira. Levaram ainda mais três troféus menos importantes. Mas era dourados. E os levaram para o comerciante de ouro, o argentino Juan Carlos Hernandes. Lá a Jules Rimet foi derretida. E o ouro serviu para fazer correntes, brincos. Vendidos a pequenas joalherias cariocas.

Os autores do crime foram presos graças a um marginal. Sergio Peralta tentou convencer Antônio Setta, o 'melhor arrombador de cofres do país na década de 80'. O Broa se recusou. Não queria derreter o troféu mais importante da história do futebol brasileiro em todos os tempos. Peralta riu da postura de Broa e seguiu em frente seu plano.

Peralta, Bigode e Chico Barbudo pegaram pena de nove anos de cadeia. Hernandes foi condenado a três anos. Barbudo morreu assassinado em 89. Peralta sofreu um enfarto fulminante em 2003.

A taça Jules Rimet pesava 3,8 quilos de ouro. Seu valor atual não passaria de R$ 200 mil. O importante era o que representava. De 1930 a 1970, seleções do mundo todo lutaram pelo privilégio de conquistar o troféu. Ninguém jamais imaginaria que ele acabaria derretida por um receptador na periferia do Rio. Com detalhes de sordidez. O aparelho de Hernandes só derretia até 250 gramas de ouro. A taça teve de ser despedaçada antes de derreter.

A Fifa nunca perdoou o criminoso desleixo. Além de a taça nunca mais ser entregue definitivamente a qualquer campeão, os procedimentos de segurança são algo perto da paranoia. Tudo por causa do 'efeito Brasil'.

Também não ajudou o fato de o país dar guarida a Ronald Biggs, um dos assaltantes mais famosos da história da Inglaterra. Ele participou do roubo de um trem pagador, em 1963. Trinta milhões de libras, cerca de R$ 120 milhões, sumiram. E nunca mais foram recuperados.

Biggs fugiu da Inglaterra dentro de um caminhão de móveis. Fez plástica no rosto na França. Foi para a Espanha e Austrália. Chegou ao Brasil. Foi descoberto no Rio. Mas como tinha um filho brasileiro, pôde ficar o quanto quis. Seu herdeiro, Mike, foi integrante do programa da TV Globo, Balão Mágico.

Extremamente debochado, o ladrão ganhou muito dinheiro e fama dando entrevistas. Aproveitou ao máximo a hospitalidade dos brasileiros. Ronald teve um derrame em 2001 e, com saudade de sua terra natal, voltou para a Inglaterra onde foi preso. Morreu depois de uma série de infartos em 2013.

Estas histórias fizeram do Brasil o berço ideal para ladrões. Na literatura, na música, no cinema. E infelizmente, na vida real. Os roubos dos troféus dos Mundiais de vôlei ontem no Rio de Janeiro só servem para justificar a péssima fama do nosso país. Triste terra da vergonha. Da impunidade...
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Os motivos que fazem com que o Cruzeiro de Marcelo Oliveira caminhe firme ao inédito. Fazer Minas Gerais ser campeã do Brasil por duas vezes seguidas. O trabalho no lado azul de Belo Horizonte é impressionante…

1cruzeiro1 Os motivos que fazem com que o Cruzeiro de Marcelo Oliveira caminhe firme ao inédito. Fazer Minas Gerais ser campeã do Brasil por duas vezes seguidas. O trabalho no lado azul de Belo Horizonte é impressionante...
Rafael, Ceará, Manoel, Bruno Rodrigo e Samudio; Willian Faria, Nilton, Marlone e Júlio Baptista; Alisson e Dagoberto. Com Tinga e Borges ainda podendo ser escalados. Essa equipe teria tudo para fazer uma campanha boa campanha no Brasileiro. Mas esse é apenas o time reserva do Cruzeiro.

O titular caminha forte atrás de algo inédito na história de Minas Gerais: o bicampeonato brasileiro. Fábio, Mayke, Dedé, Léo e Egídio; Henrique, Lucas Silva, Ricardo Goulart e Everton Ribeiro; Willian e Marcelo Moreno. Só São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul conseguiram títulos nacionais seguidos.

Nada é por acaso. De maneira discreta, o clube montou o melhor elenco do país. Com jogadores que podem manter o mesmo esquema moderno, de muita variação tática, recomposição montado por Marcelo Oliveira. O treinador tem conseguido algo que parecia utopia. Manter o time quase inteiro de um ano para o outro. Com a mesma vontade, gana. E até novidades táticas com o mesmo elenco. O Cruzeiro campeão brasileiro de 2013 foi aprimorado. Está melhor do que no ano passado.

Já abriu cinco pontos dos demais concorrentes. Sete pontos que perdeu no torneio são discutidos fervorosamente. Até por quem não torce para o Cruzeiro. A folga na liderança poderia ser incrível. 12 pontos na 16ª rodada. Mesmo assim, o aproveitamento já é de 75%. São 11 vitórias, três empates e duas derrotas.

O segredo não repousa apenas na visão tática privilegiada de Marcelo Oliveira. Mas na força para manter a disciplina na Toca da Raposa. Muitos técnicos insistem que não o jogador brasileiro atual é muito vaidoso. E não aceita ficar na reserva. Sabota o bom ambiente do grupo.

Tudo é às claras. "O Dagoberto é excelente jogador. Mas não tem o poder de recomposição do Willian. A verdade é essa. Eu tenho de pensar no melhor para o time." Foi assim ontem que o técnico matou pela raiz o nascimento do que poderia ser uma polêmica. O autor do gol da vitória sobre o Grêmio é um jogador consagrado, mas reserva no Cruzeiro. Deixo claro com todas as letras que é reserva e continuará sendo.

 Os motivos que fazem com que o Cruzeiro de Marcelo Oliveira caminhe firme ao inédito. Fazer Minas Gerais ser campeã do Brasil por duas vezes seguidas. O trabalho no lado azul de Belo Horizonte é impressionante...

No Cruzeiro todos conseguem se controlar diante do assédio feminino. Não há empolgação com as indefectíveis farras, as festinhas de segunda-feira que varam a madrugada. Ao contrário do que acontece no Atlético Mineiro, o que o Cruzeiro tem conseguido o que é praticamente um milagre. Controlar disciplinarmente o grupo. Casos como os de Ronaldinho Gaúcho, Jô, Marcos Rocha não acontecem por lá.

Marcelo Oliveira deixou bem claro aos jogadores. Não permite abuso. E quem se arriscar sabe que a primeira punição será a perda de posição. Pelo nível dos reservas, quem brincar sai do time e pode não voltar.

Os adversários sentem com amargor as variações táticas impostas pelos cruzeirenses. Marcelo Oliveira tem ido muito além de travar seu time na defesa quando o jogo é longe de Belo Horizonte. Pelo contrário. Esteja onde estiver, em vários momentos ele coloca o Cruzeiro marcando forte na intermediária adversária. Como se a partida fosse no Mineirão. Os jogadores seguem os 90 minutos focados na sua orientação.

1ae19 Os motivos que fazem com que o Cruzeiro de Marcelo Oliveira caminhe firme ao inédito. Fazer Minas Gerais ser campeã do Brasil por duas vezes seguidas. O trabalho no lado azul de Belo Horizonte é impressionante...

"Ele enxerga muito futebol. Sabe tirar o melhor de cada jogador. Fazemos de olhos fechados, sem questionar todas as suas ordens. O Marcelo não se irrita em explicar no que sua função tática melhorará o caminho do nosso time. Nos deixa confiante porque tudo o que ele antecipa no treinamento acontece durante o jogo. Ele é excelente treinador", elogia Everton Ribeiro.

A sintonia entre Marcelo e a diretoria é importante até em momentos delicados. Nos pequenos e irritantes atrasos de salários que já aconteceram na Toca da Raposa. Ele tem conseguido administrar, controlar evitando revoltas públicas. As vitórias são a garantia do estádio cheio. E pagamento garantido no fim do mês.

O treinador do melhor time do Brasil tem sido claro com seus atletas. O mais difícil não é chegar, ganhar um título. O terrível é se manter. Se reinventar. Como não aconteceu, por exemplo, com Felipão. O treinador que foi derrotado pelo Cruzeiro tratou de fixar o esquema da Seleção no 4-2-3-1. Tentou repetir na Copa o que fez na Copa das Confederações. O Brasil foi humilhado.

O time mineiro tem variado sua disposição tática com a bola, sem a bola. Seu excelente preparo físico permite a compactação atacando e a recomposição quando atacado. Os contragolpes em velocidade e com vários jogadores ao mesmo tempo é uma característica que chega a lembrar a Alemanha, guardadas as devidas proporções, lógico. Os adversários tem detestado enfrentar o time celeste. Por causa da ousadia de Marcelo.

"Ele está sempre pedindo algo a mais para cada jogador. Não é só repetir o que fizemos no jogo anterior. Isso é bom porque nos estimula e sempre surpreende o time adversário", avalia Ricardo Goulart. Ele e Everton Ribeiro dão parte do crédito de suas convocações à Seleção para Marcelo Oliveira.

A empolgação com a perspectiva do bicampeonato brasileiro tem ficado do lado de fora dos portões da Toca da Raposa. O vivido treinador sabe que a empolgação exagerada pode implodir seu trabalho. Colocar tudo a perder. E o que ele faz? Estimula a competição entre os dois times que conseguiu formar. Por ironia, com jogadores mais consagrados como Júlio Baptista, Dagoberto, Borges, Samudio, Marlone e Manoel na reserva.

O trabalho do Cruzeiro é moderno, profissional. Merece ser destacado. A seriedade na organização. A força da diretoria em segurar os principais jogadores também conta. Houve o assédio nas duas janelas, na do final do ano passado e no meio deste ano. Mas Gilvan só pôde dizer não porque o clube está equilibrado financeiramente.

Ou seja, o momento do Cruzeiro é excelente. Foge da rotina do futebol deste país. E por isso está credenciado a dar o passo que Minas Gerais nunca ousou. Vencer duas vezes seguida o Campeonato Brasileiro. Os rivais Internacional, Corinthians e São Paulo sabem. Cada rodada, cada partida fica mais claro. Será muito difícil evitar mais um triunfo nacional.

É o melhor time do país, com a melhor disposição tática, com uma grande organização fora dos gramados. E que tem o requinte de se afastar das suas agressivas torcidas organizadas. Elas um dia ameaçaram de morte a diretoria e o próprio treinador por ter 'passado atleticano'. Uma enorme bobagem. O tempo passou e está cada vez mais impressionante o acerto do trabalho na Toca da Raposa. É exemplar o que acontece do lado azul de Belo Horizonte...
1reproducao14 Os motivos que fazem com que o Cruzeiro de Marcelo Oliveira caminhe firme ao inédito. Fazer Minas Gerais ser campeã do Brasil por duas vezes seguidas. O trabalho no lado azul de Belo Horizonte é impressionante...

O STJD desmoraliza a Justiça. A agressão do corintiano Petros ao juiz Raphael Claus passou de seis meses na teoria a uma partida na prática. Ele já está livre para jogar. É a vitória da impunidade…

1ae18 O STJD desmoraliza a Justiça. A agressão do corintiano Petros ao juiz Raphael Claus passou de seis meses na teoria a uma partida na prática. Ele já está livre para jogar. É a vitória da impunidade...
Outra vez foi a mesma coisa. Pouco antes da partida entre Corinthians e Goiás, a justiça desportiva desse país foi desmoralizada. O Corinthians conseguiu o efeito suspensivo a Petros. O jogador que na segunda-feira estava suspenso por seis meses, ficava livre para entrar em campo logo na quinta-feira. Foi como a agressão ao árbitro Raphael Claus não tivesse acontecido.

E mais. Não só o advogado corintiano, João Zanforlin tem a certeza que no julgamento no pleno, Petros terá sua pena reduzida para quatro, seis partidas. Os próprios auditores do STJD vão pelo mesmo caminho. Ou seja, no futebol brasileiro os julgamentos não passam de verdadeiros teatros. As duras penas impostas a jogadores, principalmente de clubes grandes, e divulgadas com estardalhaço não se mantêm. Viram pouco mais do que advertência. A sensação de impunidade prevalece.

"Eu só não joguei contra o Goiás porque o Mano não quis me colocar na concentração. Eu e todos no Corinthians sabíamos que O tribunal faria justiça. Nunca foi da minha índole agredir ninguém. Já disse que esbarrei no árbitro para me proteger. Tomei uma paulistinha do Alison do Santos e perdi o equilíbrio, dei um encontrão involuntário no Raphael. Mas tudo finalmente já foi resolvido. Vou continuar jogando e deixar essa confusão ficar no passado.

"Não tinha cabimento mesmo ficar cerceado de trabalhar por seis meses. O futebol é o meu ganha pão. Foi por isso que disse logo após o julgamento que me sentia um assassino, um serial killer. Mas todo o pesadelo acabou. Foi uma pena que não pude participar da goleada do Corinthians contra o Goiás. Mas estarei pronto para atuar contra o Grêmio, se o nosso treinador precisar."

 O STJD desmoraliza a Justiça. A agressão do corintiano Petros ao juiz Raphael Claus passou de seis meses na teoria a uma partida na prática. Ele já está livre para jogar. É a vitória da impunidade...

As declarações de Petros logo a vitória por 5 a 2 do Corinthians ontem no Itaquerão foram diretas. Ele estava aliviado e deixavam antever que tinha a certeza que não seria punido. Os seis meses não passaram de um conto da carochinha, um prazo imaginário, algo para acalmar a sociedade.

Não foi inventado ainda um aparelho que meça intenção. Mas para quem acompanhava o clássico ficou claro que Petros ficou irritado porque Raphael Claus atrapalhou alguns segundos antes Jadson. A raiva do corintiano que vinha logo atrás na jogada se materializou no empurrão pelas costas do árbitro. O lance visto com calma é límpido, cristalino.

A discussão é se seis meses seria ou não um prazo grande demais. Mas o corintiano não deveria escapar de uma punição exemplar. Até para não estimular outros jogadores a tomarem a mesma atitude contra outros juízes.

Na prática, o corintiano só não entrou em campo contra o Goiás ontem. E porque Mano Menezes não quis. Duvidou do estado emocional do seu atleta. No clássico contra o Santos, nem cartão amarelo pela agressão Petros levou. Atuou contra o Bahia. Foi suspenso na segunda-feira e teve o efeito suspensivo quinta-feira. Está livre até que o segundo julgamento no pleno do STJD aconteça.

"Tenho certeza que a pena será drasticamente reduzida. E o Petros vai seguir jogando normalmente pelo Corinthians", assegura o advogado corintiano João Zanforlin.

Conselheiros corintianos comemoravam a vitória nos bastidores. E alegavam que tudo o que o Corinthians fez está dentro da lei. A legislação esportiva segue a Comum, que rege o dia-a-dia deste país. A mesma que estimula a violência. Protege os ricos, aqueles com condição financeira de pagar grandes advogados. Faz com que todos nós passemos a viver com amarga sensação da vitória da impunidade. O efeito suspensivo a Petros é só mais uma derrota da justiça. Como tantas que acontecem pelo Brasil afora...
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Com ameaça de greve por causa das organizadas, Fred faz a diretoria do Fluminense agir. A Globo exige da CBF o time no Maracanã contra o Sport no domingo. Uma paralisação seria caótica para a tevê…

1reproducaofacebook Com ameaça de greve por causa das organizadas, Fred faz a diretoria do Fluminense agir. A Globo exige da CBF o time no Maracanã contra o Sport no domingo. Uma paralisação seria caótica para a tevê...
"Quinta-feira, 4 horas da tarde. Hora de gente séria estar trabalhando. Desembarcando após nossa viagem a Chapecó, voltando do nosso trabalho, o que eu e meus companheiros de time encontramos aqui no Aeroporto Santos Dumont? Cerca de 20 marginais, desocupados, bandidos, vagabundos tentando agredir jogador e quebrando carro de profissionais que dão duro e suam a camisa para defender o time que eles dizem amar.

Isso pra mim é uma pouca vergonha! É inacreditável e profundamente lamentável que, em 2014, após sediar uma Copa do Mundo, o Brasil ainda conviva com essa barbárie. Será que precisaremos juntar nosso grupo de jogadores para sair no braço com esse bando de marginais que não tem nada a perder?

E já vou avisando: se nenhuma atitude for tomada imediatamente pelas autoridades aqui mesmo no aeroporto, a direção do clube também não tomar nenhuma providência, e esses covardes invadirem as Laranjeiras querendo agredir jogador, eu, como capitão do time, vou reunir o grupo, e o Fluminense não entrará em campo no próximo domingo para enfrentar o Sport. Eles usam as armas que têm, e nós usaremos as nossas. A diferença é que somos trabalhadores honestos, já eles são a escória da sociedade. Lugar de bandido é na cadeia!

Tem imprensa pra cobrir o vandalismo dos "torcedores", mas não tem polícia pra cobrir o cacete nesses marginais."

Fred reagiu de maneira furiosa diante da manifestação de torcedores do Fluminense. Ele não se conteve. Não suportou as moedas e notas de dois reais atiradas na direção do time. Principalmente buscando o veterano atacantes. Gritavam 'vai morrer, vai morrer, vai morrer...' Fora os palavrões e gritos de mercenários. Foi um vexame enorme que a equipe passou no aeroporto Santos Dumont.

Nunca um jogador de time grande havia tomado tal atitude. Fred não pensou duas vezes em chamar os membros das organizadas de bandidos, escória da sociedade e pedir polícia para 'cobrir de cacete' os 'marginais'. Foi além. Deixou claro que se a diretoria não tomar atitude, o time pode não entrar em campo no domingo, contra o Sport, no Maracanã.

Ele estava revoltado porque os torcedores humilharam os jogadores. Para evitar o confronto, o time do Fluminense teve de sair pelo desembarque de cargas. A revolta era pela derrota diante da Chapecoense. Fred é acusado de sabotar a equipe. Sem ele, a equipe fazia ótima campanha no Brasileiro. Ele teve de ser escoltado para não ser agredido. A van que transportava os atletas foi atacada pelos torcedores. O carro onde estava Conca teve o seu retrovisor estourado. Cenas lamentáveis.

Após a derrota contra o Botafogo, os muros das Laranjeiras foram pichados. O alvo já era o atacante Fred. Ele está rompido com as organizadas desde antes da Copa. Os torcedores diziam que ele havia se esquecido do clube, que quase caiu no ano passado, priorizando a Seleção.

1reproducao13 Com ameaça de greve por causa das organizadas, Fred faz a diretoria do Fluminense agir. A Globo exige da CBF o time no Maracanã contra o Sport no domingo. Uma paralisação seria caótica para a tevê...

Fred decidiu agir. Acreditava que a diretoria não tomaria qualquer atitude. Postou seu desabafo e ameaça de greve com fotos de todos os jogadores no facebook. A Globo já tem tudo certo. Mostrará a partida contra o Sport, no Maracanã, para Pernambuco. Fora o pay-per-view. Se os jogadores fizerem greve será um caos para o Brasileiro. O medo é que aconteça uma paralisação geral em solidariedade ao Fluminense. Travaria o calendário.

A diretoria do Fluminense já é rompida com as organizadas. E deverá se reunir amanhã com os atletas para abortar essa promessa de greve. A CBF, sindicato dos atletas profissionais do Rio e membros do Bom Senso já trocam telefonemas e mensagens.

Se a cúpula do clube carioca não for muito hábil, a possibilidade de os jogadores do Fluminense não entrar em campo contra o Sport é grande. Não jogar, como diz Fred, é a grande arma que os atletas têm diante do vandalismo. A Globo pressiona a CBF que pressiona o Fluminense. A emissora não quer a greve de jeito algum. Os dirigentes terão de sair do marasmo nas Laranjeiras...

(A pressão da Globo deu certo. A direção do Fluminense garantiu ontem à noite mesmo que todos seus jogadores terão proteção especial. A segurança será reforçada contra as organizadas. Assim os dirigentes conseguiram evitar a greve...)
1ae17 Com ameaça de greve por causa das organizadas, Fred faz a diretoria do Fluminense agir. A Globo exige da CBF o time no Maracanã contra o Sport no domingo. Uma paralisação seria caótica para a tevê...

O lanterna Palmeiras é que está atrapalhando a carreira internacional de Gareca. Se não fosse o contrato, já teria voltado a Buenos Aires há muito tempo. O fraco time é digno do seu péssimo trabalho…

1getty3 O lanterna Palmeiras é que está atrapalhando a carreira internacional de Gareca. Se não fosse o contrato, já teria voltado a Buenos Aires há muito tempo. O fraco time é digno do seu péssimo trabalho...
Jornalistas argentinos revelaram. Ricardo Gareca tinha um sonho. Fazer carreira internacional. Deixar a massacrada economia portenha e buscar status e mais dinheiro no Exterior. Entre 2005 e 2008 perambulou pela Colômbia e Peru. Com o Universitario conseguiu ser até campeão peruano.

Voltou para a Argentina, passou quatro anos no Velez. Foi bicampeão argentino. Mas o clube enfrentava dificuldades financeiras. Ele tinha plena consciência de quanto o mercado internacional pagava bem. Principalmente a Espanha. O idioma espanhol sempre foi um facilitador. Desligado do clube com quem tinha tanta identificação, esperava uma proposta do Velho Continente. Não veio.

Foi quando o responsável pelo futebol do Palmeiras, José Carlos Brunoro, soube da sua existência. O coordenador havia tentado contratar Marcelo Bielsa. Não conseguiu. Mas ficou impressionado com os salários de bons treinadores no país vizinho. Com exceção dos treinadores de grandes currículos como Bielsa, Tata Martino e Sampaioli, R$ 250 mil é um ótimo salário por lá.

Foi assim que chegou a Gareca. O técnico que fez do pequeno Velez uma equipe competitiva, temida na Libertadores. E que tanto incomodava os grandes Boca Juniors e River Plate. O técnico sabia que o Palmeiras vivia dificuldades. Mas acreditou que o clube poderia ser a porta de entrada para o valorizado mercado brasileiro. E daí poder dar vôos maiores.

Teve a promessa de Brunoro que poderia contratar alguns jogadores argentinos. Soube que o elenco era regular apenas. E sua única missão era fazer uma campanha digna neste Brasileiro. Sem obrigação de ser campeão, conquistar vaga para a Libertadores, nada. Seriam algo extra. Se conseguisse, ganharia bônus.

A aposta era da reeleição de Nobre. E em 2015 e 2016, tudo estaria melhor no clube. Com mais dinheiro chegando da nova arena, com novo patrocinador, com time mais forte. Tudo o que o técnico argentino deveria fazer seria um Brasileiro aceitável. Nada além do que isso foi exigido.

E foi selado o contrato até julho de 2015. Com a possibilidade de prorrogação até ao final do eventual segundo mandato de Paulo Nobre. Gareca foi avisado que este ano é o do centenário do clube. E que seria muito cobrado por um bom desempenho. O técnico garantiu que conhecia bem o futebol brasileiro. Passou a convicção que não decepcionaria ninguém.

Não quis assumir a equipe logo de cara. Esperou a Copa do Mundo para treinar os atletas, formar o elenco como gostaria. Fazer o desenho tático do seu Palmeiras. Só que encontrou material humano muito mais fraco do que imaginava. Não percebeu talento e nem personalidade. Seu grupo é inseguro, tenso. A diretoria omissa não consegue dar respaldo aos atletas. O passado vitorioso palmeirense se tornou um grande inimigo do time ruim que frequenta o Palestra Itália.

Aquele que deveria ser o grande ídolo da equipe é o mais problemático jogador: Valdivia. A diretoria fez de tudo para vendê-lo. Com o fracasso da negociação, o atleta voltou e deixou o ambiente pesado. Individualista, ele nunca fez questão de manter bom relacionamento com o restante do elenco. O pouco dinheiro do Palmeiras não foi suficiente para grandes contratações. Vieram jogadores argentinos comuns como Tobio, Allione e Mouche. Cristaldo é o mais talentoso que surgiu de última hora.

Gareca não conseguiu encontrar seus onze ideais. Não para de mudar a equipe. Não há padrão de jogo. O Palmeiras não consegue ser o time de contragolpes velozes como era o Velez. Porque não há atletas com forte pegada no meio de campo e velocidade no ataque. É uma equipe sem personalidade, que permite que os adversários toquem a bola à vontade pelo meio de campo. Marcação frouxa. Defesa inseguro. Goleiro inexperiente demais.

A campanha é vergonhosa no Brasileiro. Lanterna, último colocado no Brasileiro. Dez partidas seguidas sem uma única vitória. Pior equipe a aproveitar a parada na Copa do Mundo. Conseguiu apenas dois pontos em 21 possíveis. Dois empates e oito derrotas. Saldo negativo de oito gols.

Jornais argentinos já espalham o péssimo trabalho de Gareca no Brasil. A interpretação é bem diferente da dada aqui no Brasil, que o treinador não está conseguindo render. Muito pelo contrário. Em Buenos Aires há a certeza que o Palmeiras está enterrando a carreira internacional do técnico. Seus sonhos de centros maiores como a Espanha deixam de existir. Quem vai contratar o responsável pela última colocação do 'grande' Palmeiras no ano de seu centenário.

 O lanterna Palmeiras é que está atrapalhando a carreira internacional de Gareca. Se não fosse o contrato, já teria voltado a Buenos Aires há muito tempo. O fraco time é digno do seu péssimo trabalho...

Logo após a derrota contra o São Paulo, familiares do treinador confidenciaram a jornalistas amigos na Argentina. O melhor seria voltar para Buenos Aires. Abandonar o trabalho que não está dando certo. O mais rápido possível. Só que há o contrato. Gareca ouviu de Brunoro que o Palmeiras não o liberaria de maneira alguma. Se quisesse ir embora teria de pagar a multa contratual. Pagar ao clube seus salários até junho de 2015.

Brunoro e Paulo Nobre garantiam que dariam respaldo. Já há uma premiação prometida aos jogadores se o clube não for rebaixado. Isso é algo impensável, já que o Brasileiro ainda está no primeiro turno. Mas houve essa necessidade tamanha a falta de qualidade do time. Se Palmeiras cair pela terceira vez para a Segunda Divisão em 12 anos, Nobre não teria chance alguma de reeleição.

Mas conselheiros e torcedores organizados estão revoltados. Se o Palmeiras não vencer o Coritiba, sábado no Pacaembu, a situação ficará mais do que complicada no Brasileiro. O clube passará seu centésimo aniversário na zona do rebaixamento. Vexame inesquecível. E que o presidente terá como sobremesa no banquete que prometia ser especial pelos cem anos.

Gareca resolveu pedir paz e união às organizadas no sábado. Mas antes disso deveria organizar dignamente o Palmeiras. Contra o Sport ontem, o time chegou a ter quatro atacantes e apenas dois jogadores no meio de campo. Desespero inaceitável. Os pernambucanos estiveram a ponto de golear o Palmeiras, desperdiçaram chances e mais chances.

O técnico argentino está perdendo no Palmeiras todo o prestígio de um dos bons técnicos da América do Sul. Já demonstrou querer voltar a Buenos Aires. São seis derrotas e um empate no Brasileiro. Está clara a sua insatisfação, vontade de ir embora. Mas está preso pelo contrato. A multa existe, juram conselheiros ligados a Nobre. Foi feita para resguardar o técnico. Mas o aprisionou ao lanterna do Brasileiro.

É excelente o intercâmbio, treinadores do Exterior trabalharem no Brasil. Mas quando o clube está estabilizado, tem um bom elenco, diretoria competente. Infelizmente não é o que acontece no Palestra Itália.

O Palmeiras após a Parmalat é surpreendente. Consegue sempre ser pior. Agora além de estar caminhando para o terceiro rebaixamento em 12 anos, trava a carreira de Ricardo Gareca. Ingênuo técnico que acreditava usar o clube como trampolim para a Europa. Tudo que conseguiu é andar para trás na sua carreira. E está claro que na primeira oportunidade, vai se livrar de Brunoro e seu fraco time. Quem sabe neste sábado?
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A depressão de Tite era evitável. Com Marin e Marco Polo, ele nunca esteve perto da Seleção. Foi uma triste e solitária egotrip. Restou a frustração…

1ae15 A depressão de Tite era evitável. Com Marin e Marco Polo, ele nunca esteve perto da Seleção. Foi uma triste e solitária egotrip. Restou a frustração...Ele teve Flamengo, Internacional, Santos, Atlético Mineiro e Grêmio aos seus pés. Mas disse não. Queria a Seleção Brasileira. Ficou em quarentena desde que o Corinthians não quis renovar seu contrato no final do ano passado. Aconselhado por seu empresário, tentou repetir os passos de Felipão. Mas não teve o apoio irrestrito do ministro dos Esportes, Aldo Rebelo. E também não se livrou da marca de 'homem de Andrés'. Apesar de último técnico campeão mundial e capaz de dar a inédita Libertadores ao Corinthians, ficou fora da Seleção.

"Estou frustrado", resume Tite, abrindo a alma. O técnico amarga a sua derrota mais dura de digerir. Ele sabe que tem muito mais currículo como treinador do que Dunga. A convicção que o domina é que o direito de reestruturar, modernizar a Seleção Brasileira deveria ser sua. Foi quem mais se preparou para isso.

Depois da emocionante saída do Corinthians, Tite não parou de estudar. Viajou várias vezes para a Europa, berço do futebol mais moderno taticamente. Ele fez questão de se reciclar. Cada vez que embarcava, sua eficiente assessoria de imprensa fazia questão de espalhar a notícia. Foi massacrante, pedante até. A vontade de jornalistas que trabalham com ele passou dos limites. E trabalharam contra sem perceber.

Eles são assessores também de Bernard. E foram para a Granja Comary em plena Copa do Mundo. Embora fossem bem tratados pela frente, repórteres do Brasil todo criticavam a postura. E colocaram na conta de Tite. Acreditavam ser ordem de Tite, seus assessores ficarem nos treinos de Felipão. Até mesmo a antiga Comissão Técnica do Brasil ficou raivosa com a 'invasão'. Marin e Marco Polo del Nero também souberam e não gostaram. Foi um grande ponto negativo na briga do ex-treinador para voltar à Seleção.

Tite se iludiu também em relação à sua ligação com Andrés Sanchez. Acreditou que a cúpula da CBF já soubesse que ele estava afastado do ex-presidente corintiano. Tanto que ficou muito magoado com ele quando não teve apoio para mais uma renovação no Parque São Jorge. Ficou ainda mais abalado ao saber que Mano Menezes já havia acertado sua ida ao clube antes mesmo de Tite ser avisado que não continuaria.

 A depressão de Tite era evitável. Com Marin e Marco Polo, ele nunca esteve perto da Seleção. Foi uma triste e solitária egotrip. Restou a frustração...

Marin e Marco Polo não sabiam e não tiveram o menor interesse em saber. Ambos simplesmente não toleram ouvir nada relacionado ao ex-dirigente. Não o perdoam. Não só por ele querer tirar o poder da dupla, prometer que em 2018, quando voltar à presidência do Corinthians, jura que 'arrebentará a CBF'.

Em uma entrevista, Andrés sugeriu que Marin, 82 anos, e Marco Polo, 73 anos, já estão velhos demais. E que não poderiam estar no poder para sempre. Tocou no ponto fraco da dupla. Desde então, a ordem na CBF é virar as costas a tudo que se relacione ao ex-presidente corintiano. Tite sofreu esse efeito colateral.

Adenor está amargurado. Seus assessores fazem questão de oferecer entrevistas do treinador para que não seja esquecido. Seja lembrado. Só que a situação de Tite não é animadora. Quando a Seleção Brasileira caiu nas mãos de Dunga, os jornalistas que trabalham com ele avisaram. Ele negociava com o Japão e havia contatos com outros selecionados.

O incrível é que quando essa notícia chegou às redações, o mexicano Javier Aguirre já havia assinado com os nipônicos. E se havia outro país negociando com Tite não há mais. Ele mesmo faz questão de dizer que vai voltar a trabalhar em clubes brasileiros. Mas em 2015. Precisa se recuperar emocionalmente da frustração de a Seleção ter escapado das suas mãos.

Seus assessores de imprensa e seu empresário, Gilmar Veloz, falharam. Por constrangimento, bondade ou desconhecimento dos bastidores do futebol brasileiro. Tite nunca foi cogitado para assumir a Seleção. Já havia sido assim em 2012, quando havia acabado de ganhar a Libertadores e estava às vésperas do embarque com o Corinthians para o Japão, disputar o Mundial.

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Quando Mano Menezes foi demitido da Seleção, seu coração disparou. Ele tinha certeza que seria o escolhido. O presidente Mario Gobbi chegou a dar entrevista avisando que não o liberaria. Tite ficou sem condições emocionais de falar com os jornalistas, tamanha sua ansiedade. Iria comandar o Brasil na Copa das Confederações, no Mundial, acreditava.

Só 'voltou à Terra' quando soube que Felipão ficaria com o cargo que julgava seu. A pressão da mídia, principalmente paulista, foi tão grande que Marco Polo sugeriu. E Marin concordou. O nome de Felipão foi anunciado antes do Mundial. A antecipação foi genial porque tudo ficaria ainda mais insuportável se o Corinthians ganhasse o título, como realmente acabou ganhando.

Mesmo com a nomeação de Scolari e com a fraca campanha sua no Parque São Jorge em 2013, Tite continuou otimista. E seguiu em campanha pela Seleção. Ao sair do Corinthians, ela aumentou. Passou a agir como político. Com direito a assessoria divulgar sua agenda, suas viagens, suas visitas aos clubes europeus. E dá-lhe entrevistas mostrando como sua visão do futebol era moderna.

Aceitou comentar até a final da Champions League para a ESPN. Não quis trabalhar em nenhuma tevê durante a Copa. Misturou modernidade com ética. O ex-treinador corintiano sabia que Felipão não continuaria no Brasil. Se ganhasse o Mundial, sonhava com Itália, mas aceitaria de bom grado a Rússia, a anfitriã de 2018. Perdendo então, Tite conhece Marin e Marco Polo. Sabia que o treinador seria demitido. Na sua correta visão, o cargo ficaria vago.

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O problema é ter acreditado que o cargo seria seu. Seus assessores e agente não conseguiram travar a sua egotrip. Ninguém lhe explicou que a politicagem, o relacionamento pesam muitas vezes mais do que a competência, currículo para assumir a Seleção Brasileira. Rubens Minelli é a prova viva disso. Melhor treinador disparado do final da década de 70 e início da de 80, nunca chegou perto do cargo. O bairrismo imperou e a cúpula carioca que comandava o futebol não aceitou dar o cargo ao paulista.

A falta de um título mundial com a Seleção também pesou, lógico. E o fato de nunca ter tido nada em comum com a camisa verde e amarela. Como jogador sequer foi cogitado. Ao contrário de Dunga, que foi capitão do tetra e comandante na África do Sul. Imitar Felipão não foi o bastante.

Por isso a profunda tristeza de Tite. Que ainda vai lhe consumir cinco meses para que tenha forças para voltar a trabalhar. Criou um mundo paralelo na sua imaginação. E agora acordou. Virou as costas a grandes clubes esperando pelo convite que considerava obrigação da CBF.

Despertou sozinho, com o gosto de injustiça na boca. Por isso repete a cada instante. "Estou frustrado." Bem-vindo ao futebol brasileiro, onde currículo e conquistas perdem para a política, Adenor. Levante essa cabeça. Feliz, 2015...
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Ricardo Goulart, Elias, Everton Ribeiro, Philippe Coutinho. Com Dunga, o Brasil abre mão de vez do toque de bola. Busca a vibração, marcação, contragolpe, velocidade. A inspiração está no Real Madrid de seu mentor, Carlo Ancelotti…

1getty2 816x1024 Ricardo Goulart, Elias, Everton Ribeiro, Philippe Coutinho. Com Dunga, o Brasil abre mão de vez do toque de bola. Busca a vibração, marcação, contragolpe, velocidade. A inspiração está no Real Madrid de seu mentor, Carlo Ancelotti...
Goleiros: Jefferson (Botafogo) e Rafael Cabral (Napoli); zagueiros: David Luiz (PSG), Marquinhos (PSG), Gil (Corinthians) e Miranda (Atlético de Madrid); laterais: Maicon (Roma), Filipe Luis (Chelsea), Alex Sandro (Porto) e Danilo (Porto); volantes e meias: Luis Gustavo (Wolfsburg), Elias (Corinthians), Fernandinho (Manchester City), Ramires (Chelsea), Everton Ribeiro (Cruzeiro), Oscar (Chelsea), Willian (Chelsea), Philippe Coutinho (Liverpool); atacantes: Hulk (Zenit), Ricardo Goulart (Cruzeiro), Neymar (Barcelona) e Diego Tardelli (Atlético Mineiro).

A primeira e histórica convocação de Dunga no seu retorno à Seleção. Importante não por ele. Mas por representar a renovação depois da vexatória participação do Brasil na Copa sob o comando de Felipão. Com direito à sua pior derrota em todos os tempos: os inesquecíveis 7 a 1 para a Alemanha.

Júlio César, Victor, Dante, Henrique, Thiago Silva, Daniel Alves, Maxwell, Hernanes, Paulinho, Bernard, Jô e Fred foram deixados de lado. Desta lista, apenas o capitão de Felipão, Thiago Silva, está machucado. Júlio César se aposentou da Seleção para não ser aposentado. Os demais foram preteridos. Não interessam a Dunga.

1ae14 Ricardo Goulart, Elias, Everton Ribeiro, Philippe Coutinho. Com Dunga, o Brasil abre mão de vez do toque de bola. Busca a vibração, marcação, contragolpe, velocidade. A inspiração está no Real Madrid de seu mentor, Carlo Ancelotti...

No perfil da Seleção que enfrentará Colômbia e Equador nos Estados Unidos está claro. O treinador quer uma seleção muito mais combativa, participativa. Veloz e forte o suficiente para preencher os espaços, recompor o meio de campo com vibração, raiva. Na teoria um time que não permitiria, por exemplo, as inúmeras trocas de bola que alemães e holandeses fizeram à vontade na intermediária do Brasil na Copa.

As grandes apostas estão em Elias, Everton Ribeiro, Philippe Coutinho e Ricardo Goulart. Jogadores vibrantes, com visão de jogo, raça. Capazes de atuar em várias posições do meio de campo ao ataque. Dunga deixa claro que, para escândalo dos puristas, ele não está nem um pouco interessado no velho e bonito toque de bola brasileiro.

Ele não quis montar um novo Harlem Globetrotters de verde e amarelo. Está claro que está muito mais comprometido com a competição do que Felipão e Parreira jamais estiveram. Não está interessado nos toques, nos dribles de cinema de Neymar. Ele quer saber é do Brasil articulando um contragolpe em poucos segundos. Seu meio de campo, ataque e defesa formando uma simbiose.

Atacar com trocas de posição, triangulações e em bloco quando estiver com a bola. Sem ela, marcar. O perfil dos seus convocados tem em comum, a vontade aliada ao talento. Até mesmo Diego Tardelli aprendeu a compor, ajudar seu meio de campo. No ano passado substituiu Ronaldinho Gaúcho machucado. Na meia, descobriu a importância de correr com a cabeça erguida na intermediária.

1ap2 Ricardo Goulart, Elias, Everton Ribeiro, Philippe Coutinho. Com Dunga, o Brasil abre mão de vez do toque de bola. Busca a vibração, marcação, contragolpe, velocidade. A inspiração está no Real Madrid de seu mentor, Carlo Ancelotti...

Como pude antecipar em post anterior, Marcelo é o exemplo de jogador que Dunga não deseja no elenco. Técnico, talentoso, mas muito displicente. Para total falta de sorte do lateral esquerdo, o grande mentor que o treinador brasileiro resolveu seguir se chama Carlo Ancelotti. O treinador italiano do Real Madrid. Dunga entende porque cada vez mais Coentrão tem espaço no time. Há mais seriedade, consistência pelo lado esquerdo do campo. O time fica muito menos vulnerável. Os volantes não precisam se desesperar com a cobertura quando atua Marcelo. Por isso Filipi Luis.

Pelas laterais, Dunga deseja força, vitalidade. Por isso também esqueceu Daniel Alves. Há tempos ele só se preocupa em atacar como ponta direita. O técnico optou por menos talento, mas segurança. Com Maicon, Danilo e Alex Sandro há a certeza de que todos têm potencial para atacar. Mas sabem marcar. Inclusive também cabecear. São jogadores mais racionais e menos emotivos que os titulares da Copa do Mundo.

Aliás, o perfil 'selfie e choro' vai acabar com Dunga. O treinador deverá ter uma conversa séria com David Luiz. Ele quer o zagueiro mais preocupado em jogar futebol e menos em aparecer para a torcida. A briga será séria com Miranda, Marquinhos, Gil e Thiago Silva, quando se recuperar. Dunga quer muito mais objetividade e firmeza dos zagueiros. Muito mais responsabilidade com a posição do que tiveram na Copa do Mundo. Ele é um grande fã de Miranda. Não será nada surpreendente se o fizer titular da posição. E os outros zagueiros que briguem para jogar com ele.

No gol, Jefferson terá a chance que nunca teve. O goleiro do Botafogo tem 31 anos. Mas nunca chegou o reconhecimento por seu ótimo futebol. Nos bastidores, bobagens são ditas. Como goleiro negro não dá certo na Seleção Brasileiras desde Barbosa. Se o Brasil ganhasse a Copa de 2014 dedicaria o título ao sofrido goleiro de 1950. Com Dunga sua sobriedade deverá ser levada a sério. Mas não poderá bobear. Rafael, ex-Santos, e que atua no Napoli é o preferido de Taffarel, o preparador de arqueiros da Seleção.

Elias e Ramires são favoritos para colocar Luiz Gustavo e Fernandinho no banco. Desde que Dunga coloque meias que tenham energia e vibração. Assim o Brasil sairá mais rápido da defesa e também terá um poder de recomposição sem a bola muito importante. Daí Philippe Coutinho, Everton Ribeiro e Willian brigarão de verdade com Oscar por lugares no time. Deverá ser os duelos mais interessantes e que refletirão em todo o time.

Na frente, Dunga, como também foi escrito neste blog, está empolgado com Ricardo Goulart. Ele quer sentir nos amistosos se o jogador de 23 anos do Cruzeiro tem personalidade para repetir na Seleção o que faz no Brasileiro. Deseja dele desde os treinamentos muita vibração, empenho não só para surgir de surpresa na área adversária. Mas para flutuar, trocar de posição para atrapalhar a marcação adversária. Tabelar, fazer triangulações. Além de dar seus chutes fortíssimos e cabeçadas ao gol. Se repetir o que faz com a camisa azul será uma das apostas como titular da Seleção.

1reproducao11 Ricardo Goulart, Elias, Everton Ribeiro, Philippe Coutinho. Com Dunga, o Brasil abre mão de vez do toque de bola. Busca a vibração, marcação, contragolpe, velocidade. A inspiração está no Real Madrid de seu mentor, Carlo Ancelotti...

Hulk e Tardelli foram chamados como homens de definição. Mas que deverão participar do jogo. Ao atacante do Zenit não caberá a missão de ficar na ponta direita, cortar para o meio e chutar de esquerda para o gol. De preferência de cabeça baixa. Foi o que cansou de fazer na Copa. Individualista e complicador de jogadas. Dunga quer o toque final para o gol, assim como também o de Tardelli. Mas quem não entender a palavra mágica recomposição, ficará fora do time, das próximas convocações. Nem pensar em ficar estático como um cone entre os zagueiros, como fazia Fred.

Neymar terá de entender que não terá toda a liberdade para ser a prima donna. Nem no comportamento festivo e muito menos em campo. Como jogador brasileiro mais talentoso, precisará se mexer nas intermediárias. Nada de ficar parado na ponta esquerda como cansou de fazer com Felipão. Dunga o quer muito mais participativo. Muito mais uma cópia do que Cristiano Ronaldo faz em campo do que Messi.

O resumo do espírito do novo grupo formado para representar o futebol brasileiro: a técnica será um detalhe que poderá resolver ajudar a resolver as partidas. Mas, na cabeça de Dunga, os resultados virão graças ao sacrifício tático. Em uma fortíssima marcação a partir da intermediária adversária. Com pelo menos oito, nove, dez jogadores atrás da linha da bola. A ordem será acabar o espaço que tantos os alemães e holandeses desfrutaram contra o Brasil na Copa do Mundo.

Mais do que nomes, a filosofia está mudada. O Brasil não será mais refém do 4-2-3-1 que Felipão descobriu e fixou no time como em uma partida de pebolim. O sonho de Dunga é um time vibrante, compacto e sem vergonha de marcar sem a bola. Veloz, decidido e, por que não?, técnico na hora de atacar. Sua inspiração? Preste atenção no Real Madrid de seu mentor, Carlo Ancelloti...
2cruzeiro Ricardo Goulart, Elias, Everton Ribeiro, Philippe Coutinho. Com Dunga, o Brasil abre mão de vez do toque de bola. Busca a vibração, marcação, contragolpe, velocidade. A inspiração está no Real Madrid de seu mentor, Carlo Ancelotti...

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