Muito obrigado pela confiança. Um grande abraço do constrangido jornalista aos companheiros de todos os dias. Não sei como esses políticos conseguem pedir votos…

19 Muito obrigado pela confiança. Um grande abraço do constrangido jornalista aos companheiros de todos os dias. Não sei como esses políticos conseguem pedir votos...
Quero agradecer aos milhares de leitores que votaram no importante Prêmio Comunique-se.

Estou entre os dez concorrentes à Mídia Escrita.

Foi uma enorme surpresa.

A indicação me deixou muito honrado.

Não sou político, pelo contrário.

Se alguém quiser participar da votação final, o endereço é portal.comunique-se.com.br.

Obrigado pela confiança.

Cosme Rímoli...

(PS.: é muito estranho pedir votos. Constrangedor. Não sei como esses políticos conseguem. Mas tinha de valorizar a confiança dos leitores. E o trabalho pelo blog. São mais de dois milhões de acessos todo mês. Uma honra. Grande abraço, do constrangido jornalista...)

Exclusivo. Depois de um ano, Gilmar Rinaldi assume o erro no corte de Maicon. E que afetou Elias. “Quis preservar a Seleção e o jogador. Ficou muito pior. Aprendi…”

1ae34 Exclusivo. Depois de um ano, Gilmar Rinaldi assume o erro no corte de Maicon. E que afetou Elias. Quis preservar a Seleção e o jogador. Ficou muito pior. Aprendi...
"Não gostaria de falar sobre isso, mas vou falar. Dói para mim como treinador tirar a oportunidade de um jogador na Seleção. Mas às vezes essas coisas acontecem na vida. Nessa situação não quero estar certo, quero ganhar. Isso aconteceu, estou no comando e tenho que tomar decisões. O torcedor pode ter certeza que tomaremos as decisões que forem melhores para a Seleção."

Contrariado, Dunga explicava de maneira genérica o corte de Maicon. O dia era 10 de setembro de 2014. A alegria das vitórias contra Colômbia e Equador havia sumido da feição do seu rosto. Logo depois do primeiro jogo de retorno à Seleção Brasileira, o lateral de 33 anos foi mandado embora.

Dunga tinha no jogador da Roma um dos seus pilares na reformulação que pretendia fazer na Seleção. Mas foi traído.

"Aí tomei a pior decisão possível. Decidi que tudo seria tratado de forma interna. Para preservar a Seleção primeiro. E depois o jogador. Hoje eu reconheço. Errei e não irá acontecer mais. É errando que a gente aprende."

O coordenador da Seleção Brasileira, Gilmar Rinaldi, admitiu de forma exclusiva ao blog, a sucessão de erros da maneira com que foi tratada a primeira crise na volta de Dunga.

"Bom, eu vinha aqui hoje para fazer um comunicado apenas. E um agradecimento ao Maicon, nosso lateral direito. Quero agradecer a passagem dele pela Seleção. Mas hoje ele foi desligado da delegação. E apenas queria mais uma vez agradecer os serviços prestados à Seleção Brasileira.

"Não vou responder perguntas sobre o assunto. Isso é um problema interno. Gostaria que vocês (jornalistas) tivessem a gentileza de não perguntar aos jogadores. Porque é um problema interno que já foi resolvido. Fabinho, jogador do Monaco que está servindo a Seleção Olímpica, já está a caminho. Apenas estou esperando o horário de voo para saber quando ele chega. Obrigado pela compreensão de vocês."

3 300x300 Exclusivo. Depois de um ano, Gilmar Rinaldi assume o erro no corte de Maicon. E que afetou Elias. Quis preservar a Seleção e o jogador. Ficou muito pior. Aprendi...

Foi assim que, no dia 7 de setembro, Gilmar agiu. Apenas avisou que lateral estava cortado por 'um problema', Fabinho viria no seu lugar. Não permitiu perguntas sobre o caso e, sutilmente, proibiu os jornalistas de perguntarem aos jogadores sobre o motivo do corte. Os atletas também estavam orientados a não falar.

Só que a censura abriu espaço para várias versões. Erla, irmã do jogador, deu entrevista em Porto Alegre e garantiu que não houve indisciplina. Disse que o problema era físico. Em seguida, Gilmar desmentiu ainda nos Estados Unidos. Assumiu que foi indisciplina. Os repórteres que acompanhavam a Seleção ficaram sem saber o que explicar. Os atletas seguiam proibidos de falar sobre o tema.

Mas o constrangimento iria ficar cem vezes pior. Um site de humor, Olé do Brasil, sugeriu que Maicon teria se envolvido sexualmente com Elias. Mauricio Meirelles, comediante, simulou uma troca de mensagens com Diego Tardelli. Envolvia o lateral, escatologia e David Luiz.

Jornalistas europeus usaram como fonte séria o Olé do Brasil. E espalharam a 'notícia' envolvendo Maicon e Elias na Internet. O italiano Tancredi Palmeri colaborador da CNN Internacional, da Gazzetta dello Sport, CNN Espanhol e do site beIN Sports se precipitou. E espalhou a 'brincadeira' como verdade para o mundo todo pelo seu twitter.

O clima na Seleção ficou insuportável. O pai de Elias até prometia processar o site.

"Não sou homofóbico, respeito quem é gay. Tenho amigos gays, mas não sou homossexual. Tenho mulher, filho. Um dia ainda vamos dar risada disso, minha esposa leva numa boa até, mas quem escreveu e falou isso precisa ter responsabilidade. Entraremos com ações judiciais", prometeu ainda em New Jersey, com a Seleção.

Mauricio Meirelles assumiu a farsa. Deixou claro que a censura na Seleção foi a responsável por tudo que aconteceu. E na falta da verdade, a mentira serviu de explicação.

3reproducao10 Exclusivo. Depois de um ano, Gilmar Rinaldi assume o erro no corte de Maicon. E que afetou Elias. Quis preservar a Seleção e o jogador. Ficou muito pior. Aprendi...

Quase um ano depois, Gilmar reconhece o erro. Pela primeira vez fala abertamente sobre o caso. E garante que nunca mais repetirá a atitude enquanto for o coordenador da Seleção Brasileira. Esta parte da entrevista exclusiva merecia um capítulo especial.

Gilmar, você assume que todo o episódio com Maicon poderia ter sido evitado? E que o erro partiu da Seleção Brasileira, da maneira com que você lidaram com o que aconteceu?

Cosme, foi uma grande lição. Eu quis preservar a Seleção, o jogador. E no final só deixei tudo pior. Foi uma situação completamente inesperada e que nos pegou de surpresa. Justo com o Maicon, jogador vivido, experiente. Tínhamos de tomar uma atitude interna. Tomamos.

Quando não falamos o que havia acontecido demos margem. E muita gente falou o que quis. E deu no que deu. Aprendi. Qualquer problema disciplinar que ocorrer no futuro será devidamente esclarecido por mim. E ponto final. Os jogadores já sabem. Tentamos preservar o grupo e foi muito pior.

Gilmar, então o que aconteceu com o Maicon? Explique, por favor.

O Brasil havia vencido a Colômbia. Nós demos folga. Os jogadores deveriam voltar até meia-noite. E ficamos tranquilos. Só que chegou a hora do jantar, da reapresentação. E nada do Maicon. A minha primeira reação foi de preocupação. Pedi para os jogadores ligarem para ele.

Quando atendeu deu para ouvir o barulho. Ele estava em uma festa. Não acreditei. Aquilo não poderia estar acontecendo. Os jogadores pediram que voltasse imediatamente. Fiquei esperando um tempo. Mas decidi dormir. Avisei para o chefe da segurança me acordar quando ele chegasse.

No início da manhã, acordei irritado. "Como é que não me acordaram para falar com o Maicon?", pensei. Só que ele não tinha chegado ainda. Quando chegou, lá pela sete horas, eu e o Dunga conversamos com ele. Tínhamos de tomar uma atitude. E tomamos. Para o bem da Seleção. Para o bem do grupo. Fomos firmes, como deveríamos ter sido. A primeira coisa que o Maicon fez foi mostrar arrependimento. E pediu desculpas. O Dunga disse que estava desculpado. Mas o Fabinho estava chegando para o seu lugar. Ele estava desconvocado. Foi quando o Maicon percebeu o que havia feito.

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Você não acha que seria mais simples ter explicado o que aconteceu? Deu margens à muitas especulações...

Sim. Mas como eu já te falei, queria preservar a Seleção. Acreditava mesmo que o problema fosse interno. Pensei até na sequência da carreira do jogador na Roma. A decisão de não falar para a imprensa foi minha. Errei e não tenho vergonha de admitir o erro. Os atletas terão de assumir o que fazem. Não há como manter os problemas de maneira interna. O jornal La Gazzetta dello Sport no dia seguinte já tinha indícios do que tinha acontecido. Aprendi a lição. É melhor sempre falar, explicar, assumir. Cada pessoa precisa arcar com o que faz na vida. O mesmo vale para os jogadores da Seleção.

Depois da dispensa, Dunga e Gilmar disseram que as portas da Seleção continuariam abertas para Maicom. Só que ele nunca mais foi convocado. E nem deverá ser. Depois de amanhã, ele completará 34 anos.

Embora tenha, até hoje, de suportar provocações homofóbicas de torcidas adversárias do Corinthians, Elias não processou o site de humor.

O Olé do Brasil tirou do ar o texto infeliz.

Tancredi Palmeri apagou seu twitter.

Maurício Meirelles segue sua vida normalmente.

Ficou a lição a Gilmar, a Dunga, a Marco Polo.

A censura só piora as coisas.

A verdade é sempre a melhor opção...

(Quero aproveitar o post e agradecer aos leitores. Estou entre os dez finalistas de mídia escrita do importante prêmio Comunique-se. É uma honra estar entre os dez do Brasil. A votação continua. Se alguém quiser votar, o endereço é comunique-se.com.br. Obrigado pela confiança nestes sete anos de blog...)
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Exclusivo. Empresário de Ganso confirmou à diretoria do São Paulo. O meia quer ir para os Estados Unidos jogar no Orlando City, atuar com Kaká. Mas os dirigentes do Morumbi não aceitam vendê-lo…

1ae33 Exclusivo. Empresário de Ganso confirmou à diretoria do São Paulo. O meia quer ir para os Estados Unidos jogar no Orlando City, atuar com Kaká. Mas os dirigentes do Morumbi não aceitam vendê lo...
O empresário de Paulo Henrique Ganso, Giuseppe Dioguardi e o vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, se encontraram ontem. Assunto: o interesse do jogador em ir para os Estados Unidos.

"O Ataíde foi bem claro. O São Paulo não aceita vender o Paulo Henrique para o Orlando. Nós vamos respeitar. Ele tem gosta muito do clube. E tem ainda dois anos de contrato. Só que fiz questão de deixar muito claro ao vice presidente. o Ganso aceita sim ir jogar nos Estados Unidos. O Orlando City tem ótima estrutura. E ele ficou muito próximo do Kaká. Não vou negar que a proposta financeira é ótima. Os clubes se acertando, vai para jogar sim nos Estados Unidos. É mentira que só aceita ir para a Europa.

"A liga norte-americana tem grande potencial. E não para de crescer. Cada vez mais jogadores importantes estão indo disputá-la. Se o São Paulo tiver uma oferta também importante do City, o Ganso vai", me confirma, de forma exclusiva, Dioguardi.

O empresário garante que seu jogador não criará problemas no Morumbi.

"Fui direto com o Ataíde. O Ganso não vai brigar para sair do São Paulo. Se tiver de continuar, vai se aplicar ainda mais. Não vai sabotar o time. Isso apesar dele saber que tem um proposta que quase triplica o seu salário. Ele é maduro suficiente para acreditar no seu futebol. Outras virão. Não ficará criando caso. Ou mostrando seu descontentamento pela imprensa.

"Soube que o Orlando City retirou a proposta pelo Ganso. Tudo bem. A vida vai seguir. Só quero lembrar a todos que foi o Ganso quem quis vir para o Morumbi. Quando estava no Santos, tinha outras propostas. Seu sonhos com a camisa do São Paulo era conquistar títulos. Jogar em um grande time, com elenco forte. Para ganhar tudo no Brasil. Conquistar a Libertadores. Voltar à Seleção. E ele vai continuar acreditando, esperando por isso. Enquanto o seu contrato durar", completa o agente do jogador.

1spfc4 Exclusivo. Empresário de Ganso confirmou à diretoria do São Paulo. O meia quer ir para os Estados Unidos jogar no Orlando City, atuar com Kaká. Mas os dirigentes do Morumbi não aceitam vendê lo...

A proposta do Orlando City ao jogador era realmente altíssima. São nada menos do que 15 milhões de dólares, cerca de R$ 47,5 milhões por cinco anos de contrato. Três milhões de dólares por ano, cerca de R$ 9,8 milhões. O salário do meia passaria a cerca de R$ 791 mil se fosse jogar nos Estados Unidos.

"O Paulo Henrique tem apenas 25 anos. Quem falou que ele precisaria ficar aqui até o final de sua carreira? A Liga Norte-Americana está se fortalecendo. Jogadores saem daqui para jogar na Europa e vice-versa. Poderia acrescentar muito se viesse jogar no Orlando", disse Kaká à rádio Jovem Pan.

O veterano meia foi quem indicou Ganso a Flávio Augusto da Silva. Ele fez fortuna como dono da escola de inglês, Wise Up, e comprou o Orlando City. É dono e presidente. Flávio está profundamente irritado com a diretoria do São Paulo. Ele não aceita o calote que tomou.

A história toda é vergonhosa. O dirigente emprestou Kaká para atuar no São Paulo por empréstimo por seis meses. E em contrato estava muito claro as suas exigências. Este é o contrato.

1reproducaoespn1 183x1024 Exclusivo. Empresário de Ganso confirmou à diretoria do São Paulo. O meia quer ir para os Estados Unidos jogar no Orlando City, atuar com Kaká. Mas os dirigentes do Morumbi não aceitam vendê lo...

O clube brasileiro teria de pagar R$ 1,3 milhão ao jogador, como salários. O acordo previa dois amistosos entre São Paulo e Orlando. Em janeiro no Morumbi, como despedida de Kaká. E outro em fevereiro, nos Estados Unidos, para marcar a chegada da estrela. O Orlando ficaria com 80% do lucro dos dois jogos e o São Paulo com 20%.

Mais: o São Paulo se comprometia a dar ao Orlando City a renda líquida total da estreia de Kaká no Morumbi. Foi diante do Vitória, dia 10 de agosto de 2014. O Orlando ficaria com 20% da diferença da arrecadação do São Paulo com seu ídolo.

O clube paulista teria de mandar ao norte-americano documento provando o valor médio das receitas líquidas no Morumbi, antes da estreia do jogador. Teria dez dias para isso, a partir de 26 de junho. Se não fosse enviado no prazo, correria uma multa de 10 mil dólares, R$ 32 mil a cada 24 horas de atraso.

Tudo acertado. Mas nada pago. O jogador atuou pelo São Paulo normalmente. Mas o dinheiro não chegou ao Orlando City. E nem os amistosos foram confirmados. Pelas contas do clube norte-americano, o São Paulo deve R$ 13,9 milhões. Os americanos ofereciam o perdão dessa dívida, mais R$ 6 milhões pelos 32% dos direitos que o clube do Morumbi tem de Ganso. A proposta valeria até hoje. Mas o time norte-americano desistiu.

3reproducao9 Exclusivo. Empresário de Ganso confirmou à diretoria do São Paulo. O meia quer ir para os Estados Unidos jogar no Orlando City, atuar com Kaká. Mas os dirigentes do Morumbi não aceitam vendê lo...

O presidente Carlos Miguel Aidar mandou dizer que não estava preocupado. E que devia apenas R$ 1,7 milhão, a diferença das arrecadações. Ponto final. Se o Orlando City se sentisse lesado, poderia correr atrás do que acredita ser seu direito.

E os norte-americanos não procuraram a Fifa. Os norte-americanos, de forma geral, têm seus motivos para não confiar na entidade. Preferiu a justiça brasileira. A de São Paulo, onde está sediado o clube brasileiro. E na 27ª Vara está o processo. A cobrança de R$ 13,9 milhões.

Como o São Paulo não se manifestou diante da proposta do Orlando, em relação a Ganso, os norte-americanos garantem que ela não vale mais. Vai procurar outro meia. E quer seu dinheiro.

Só que a situação não é simples assim. O clube virou as costas para uma proposta do Flamengo, antes da Copa América. O clube carioca pagaria R$ 15 milhões pelos 32% que o São Paulo tem do meia. Agora, recusa R$ 19,9 milhões.

Ataíde e Aidar sabe de todo o dinheiro que Ganso deixará de ganhar. O meia tem apenas 25 anos. Seu contrato terminará em setembro de 2017. Pode muito bem seguir embolsando os seus R$ 300 mil mensais até lá. E depois ir embora de graça. Ficará com seus direitos com 27 anos.

A relação de Ganso e Osório não é nada boa. O treinador tentou se aproximar. Mesmo com inúmeras críticas ao meia, ele o manteve como titular. Teve várias conversas particulares com o jogador. Contra o Coritiba, ao ser substituído, ele se recusou a cumprimentar o treinador. E depois também não quis pedir desculpas diante do grupo.

Contra o Sport, na semana passada, teve uma expulsão infantil. Seu rendimento está muito abaixo do seu potencial. Está clara que a contratação não deu certo. Ganso não fez bem para o São Paulo. E o São Paulo não fez bem para Ganso.

4ae17 Exclusivo. Empresário de Ganso confirmou à diretoria do São Paulo. O meia quer ir para os Estados Unidos jogar no Orlando City, atuar com Kaká. Mas os dirigentes do Morumbi não aceitam vendê lo...

Enquanto isso, o dinheiro da venda de Souza foi retido pela justiça para o pagamento de Jorginho Paulista. Lúcio processa o clube por falta de pagamento. Assim como o Orlando City. Luís Fabiano havia deixado tudo acertado com o Cruz Azul do México. Aidar não quis liberá-lo gratuitamente, embora faltem apenas cinco meses para terminar seu contrato. A tendência é que o atacante espere e saia de graça em dezembro.

Não há dinheiro para comprar Dória, apesar do pedido de Osório.

O clube tem atrasado direitos de imagem constantemente. Chegou a ficar três meses e meio sem pagar. Baixou o preço dos ingressos até R$ 10,00 para levar seu torcedor ao Morumbi, estádio que o próprio presidente considera 'ultrapassado, velho'.

Conselheiros não param de questionar a comissão de R$ 18 milhões para o clube fechar com a fabricante de material esportivo, a Under Armour.

Esta é a forma de administrar de Carlos Miguel Aidar e Ataíde Gil Guerreiro...
 Exclusivo. Empresário de Ganso confirmou à diretoria do São Paulo. O meia quer ir para os Estados Unidos jogar no Orlando City, atuar com Kaká. Mas os dirigentes do Morumbi não aceitam vendê lo...

Contra o Bayern de Guardiola, Felipão fez os chineses usarem um esquema novo. O mesmo que Gallo e Roque Júnior recomendaram contra a Alemanha e ele não quis. O mundo gira…

1ap13 1024x576 Contra o Bayern de Guardiola, Felipão fez os chineses usarem um esquema novo. O mesmo que Gallo e Roque Júnior recomendaram contra a Alemanha e ele não quis. O mundo gira...
Alexandre Gallo era um dos observadores dos adversários do Brasil na Copa. Ele acompanhou de perto a Alemanha. Sabia como o time de Joachim Löw jogava. E fez questão de aconselhar Felipão antes da semifinal da Copa de 2014. Sem Neymar, contundido, a Seleção deveria fechar o meio de campo. Não poderia jogar aberto no Mineirão.

A maneira que acreditava que o Brasil pudesse vencer seria marcando forte. Com todos os jogadores atrás da bola. Reduzindo o espaço para o toque de bola. Duas linhas de quatro protegeriam a zaga. A França havia se defendido assim, na derrota por 1 a 0, nas quartas de final, no Maracanã.

1cbf4 Contra o Bayern de Guardiola, Felipão fez os chineses usarem um esquema novo. O mesmo que Gallo e Roque Júnior recomendaram contra a Alemanha e ele não quis. O mundo gira...

Gallo e Roque Júnior entregaram um relatório ao técnico. E nele estava a recomendação da entrada de Paulinho no lugar de Neymar. A saída de Fred do time e a entrada de Willian. Luiz Gustavo, Fernandinho, Paulinho, Oscar e Willian formariam o meio de campo. Apenas Hulk estaria mais adiantado. Ou seja, o Brasil atuaria no 4-5-1.

Felipão não ouviu. Simplesmente trocou Neymar por Bernard, o jogador que tinha 'alegria nas pernas'. E manteve Fred. O esquema? O mesmo 4-2-3-1, de 2013, na Copa das Confederações. Resultado? A Alemanha tocou a bola à vontade. Bastou sair o primeiro gol, aos 11 minutos. Aos 29 minutos já estava 5 a 0 para o time germânico. Ao final, depois de os alemães combinarem nos vestiários diminuírem o ritmo, 7 a 1.

4ae16 Contra o Bayern de Guardiola, Felipão fez os chineses usarem um esquema novo. O mesmo que Gallo e Roque Júnior recomendaram contra a Alemanha e ele não quis. O mundo gira...

Tudo isso voltou à tona mais de um ano depois. Na China, lugar onde Felipão escolheu para se exilar e ganhar ainda mais dinheiro depois do vexame que ele expôs o Brasil na Copa. Seu Guangzhou Evergrande enfrentou o Bayern de Munique. Empatou em 0 a 0. E ganhou um troféu na disputa de pênaltis por 5 a 4.

Não importa que o time de Guardiola esteja em pré-temporada. E os chineses no ápice de sua forma, já que têm um calendário diferente.

O que foi significativo foi a maneira com que o Guangzhou Evergrande jogou. Com cinco jogadores no meio de campo. Apenas Robinho, outro que viajou para enriquecer ainda mais, na frente. Todos atrás da linha da bola quando Bayern atacava. Com os chineses dividindo sério, firme. Sem respeito, reverência.

Paulinho, desprezado no Mineirão, estava em campo. E fez o que Gallo e Roque Júnior haviam recomendado. Até Robinho estava ajudando atrás, brigando pela bola, dando carrinho.

À frente do banco de reservas, Felipão xingava, gritava, raivoso. Com o árbitro, com seus jogadores, com os atletas do Bayern. Não parecia o homem apático do Mineirão que viu a Seleção Brasileira ser massacrada.

Um mero amistoso nesta manhã de quinta-feira muitas indagações, para quem, como eu, estava no Mineirão nos 7 a 1. Desde a concentração, o espírito de competitividade, a postura tática, a vibração. Lógico que as circunstâncias são completamente diferentes. Hoje foram dois times. Não seleções. E muito menos valia vaga para a final de uma Copa do Mundo.

Mas foi muito irônico. Felipão fez tudo como Gallo e Roque Júnior recomendaram. E com um time chinês conseguiu travar o melhor time alemão. Um dos grandes do mundo. Diante do excepcional Pep Guardioala, técnico que 11 de dez jornalistas esportivos queriam ver dirigindo a Seleção Brasileira.

Realmente não existe idade para aprender.

Uma pena que Felipão levou tanto tempo...
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Internacional mostrou todos os defeitos do futebol brasileiro. 3 a 1 para o Tigres foi muito pouco. Mexicanos com justiça na final da Libertadores da América…

18 Internacional mostrou todos os defeitos do futebol brasileiro. 3 a 1 para o Tigres foi muito pouco. Mexicanos com justiça na final da Libertadores da América...
Foi um desastre. O uruguaio Diego Aguirre parece ter sido contaminado pelo futebol no Brasil. O Internacional entrou para a semifinal da Libertadores com todos os defeitos dos clubes nacionais. Lento, fraco psicologicamente, repartido taticamente como se fosse um pebolim, frouxo na marcação.

De nada adiantou vencer o Tigres em Porto Alegre por 2 a 1. Em Monterrey, os mexicanos venceram por um gol a mais. Mas poderiam ter sido três, quatro a mais.Rafael Sóbis até desperdiçou pênalti. 3 a 1 foi até muito pouco. A decisão será contra o argentino River Plate. Mais um fracasso do futebol brasileiro.

Tudo começou errado. Muito errado. Diego Aguirre montou o Internacional de uma forma que poderia parecer ousada. Com o meio de campo aberto. Com apenas Rodrigo Dourado e Aranguiz na marcação. Só dois volantes. D'Alessandro para servir um trio de atacantes: Nilmar, Lizandro Lópes no meio e Valdivia na esquerda.

Na teoria, o treinador uruguaio esperava surpreender o rival brasileiro, Ricardo Ferreti. E o time gaúcho começou o jogo marcando na frente, na intermediária mexicana. Foi uma aposta de risco e sem volta. Porque o técnico do Internacional estava suspenso. Não poderia alterar sua péssima decisão.

Não iria esperar que seu time se abatesse psicologicamente. Jogadores como William e Geferson entraram impressionados, assustados pela importantíssima semifinal da Libertadores. Eles eram os laterais. Os jogadores que tentariam parar os velozes e habilidosos Aquino e Damm. Desde os primeiros minutos ficou claro que eles precisariam de ajuda. O volante 'cão de guarda' Welligton seria perfeito.

Pior do que isso, só a liberdade dada ao mais talentoso jogador em campo. Gignac estava mais solto do que dono de empreiteira no Brasil antes da operação Lava-Jato. Inteligente, ele recuava para a intermediária e fazia o que queria. Nada de ficar parado de costas para o gol. Recebendo a bola diante da zaga e do gol de Alisson, ele foi infernal.

Rafael Sóbis jogava com raiva. Provocava, irritava. Queria vencer o ex-time de qualquer maneira. Mas fazia uma função tática importante. Ele era o homem mais avançado, que atraí a marcação da insegura zaga brasileira. E abria espaço para os outros atacantes do time mexicano.

Os primeiros minutos de pressão do Inter foram mentirosos. D'Alessandro estava muito bem marcado. Rios e Pizzarro não davam espaço. Mostravam muita combatividade, raça. E noção de espaço.

O grande erro do Internacional foi atuar com seus setores muito separados, distantes. Parecia disposto como uma mesa de pebolim, com a defesa longe do meio de campo e com o ataque isolado. Os mexicanos se compactaram. Atuavam com intensidade. Com e sem a bola. Pareciam ter 15 jogadores em campo. O calor de 31 graus, do verão, também foi um forte aliado.

A superioridade se transformou em vantagem de forma irregular. Damm levou a bola pela direita e cruzou. Rios impediu que William subisse para cortar. A carga foi faltosa. No basquete isso acontece constantemente. Enquanto os dois se embolavam, Gignac veio por trás e cabeceou com vontade para as redes. Tigres 1 a 0, aos 17 minutos.

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O gol desmoronou o pouco preparo psicológico do Internacional. Os jogadores baixaram a cabeça derrotados. Foi impressionante. Percebendo isso, os mexicanos partiram decididos para acabar com a semifinal. Rafael Sóbis continuou a desestabilizar principalmente Geferson. Atirou a bola nela, falou, xingou, provocou. O jogador de 21 anos parecia um menino intimidado.

E provou isso aos 40 minutos, em um lance inacreditável. Aquino tentou um longo lançamento para Damm. Alisson saía para a cobertura, se a bola passasse. Mas o lateral se intrometeu. Queria jogar a bola para fora. Mas calculou mal. Ela tocou na sua canela e entrou mansa para o gol colorado. Gol contra aos 40 minutos. 2 a 0, Tigres.

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Os mexicanos seguiram pressionando e, por sorte não terminaram o primeiro tempo vencendo por três, quatro gols de diferença.

Aguirre não pôde entrar em contato com seu auxiliar Enrique Carrera. Eram obrigatórias mudanças no time. A entrada de Alex ou Wellington. Apesar do massacre, bastaria um gol do Inter e a decisão iria para os pênaltis. Em Porto Alegre, o primeiro jogo havia sido vencido pelos brasileiros por 2 a 1.

Porém o mais importante era a mudança da disposição da equipe em campo. O time precisava atuar de forma mais compacta. Travar a pressão dos mexicanos. E jogar com mais personalidade.

Nada disso aconteceu. O Inter voltou da mesma forma, submisso. Aceitando a superioridade do Tigres. Na verdade, a milionária equipe mexicana conseguiu montar uma equipe melhor. Seus jogadores além de melhor treinados têm maior potencial técnico do que a equipe brasileira.

Além disso, o estádio Universitario de Nuevo León não é apelidado de Vulcão por acaso. Seus 40 mil lugares estavam tomados por torcedores entusiasmados. A grande maioria com camisas amarelas, davam a impressão de lava. Não é por acaso que o time nunca perdeu na Libertadores atuando em casa. Foram 15 jogos em todas as vezes que disputou a competição. 9 vitórias e seis empates.

E tudo indicava que esta invencibilidade continuaria. A pressão mexicana era maior. O time queria logo o terceiro gol para despachar o Inter. Logo aos quatro minutos, Aquino invade a área, dribla William, que o derruba. Pênalti. O equatoriano Carlo Vera não titubeia. Rafael Sóbis pede para cobrar. E demonstra também seu nervosismo por enfrentar o ex-time. Bateu muito mal. Fraco no canto esquerdo. Alisson encaixa a bola.

Mas o gol não faria falta. Logo aos 11 minutos, Rios desceu para o ataque. Não havia tanto porque se preocupar com D'Alessandro. O meia argentino estava entregue, cansado, improdutivo. O volante mexicano foi para o ataque constantemente. Neste lance, ele tocou a bola para Sóbis. O brasileiro serviu o veloz Damm. A descida fácil pela direita e o cruzamento. Livre, Rios cabeceou para as redes 3 a 0, Tigres.

6 Internacional mostrou todos os defeitos do futebol brasileiro. 3 a 1 para o Tigres foi muito pouco. Mexicanos com justiça na final da Libertadores da América...

Os mexicanos poderiam ter feito quatro, cinco gols. A superioridade foi assustadora. O Internacional conseguiu descontar quando Sasha, que demorou para entrar, foi para a linha de fundo e cruzou. Lisandro López completou para as redes. Eram 43 minutos. Se o time brasileiro achasse outro gol, chegaria à final da Libertadores.

Mas seria muita injustiça. O time de Monterrey conseguiu, com todo o mérito, eliminar o Internacional. E decidirá a Libertadores da América com o River Plate. Os argentinos já ganharam a vaga para o Mundial. A Libertadores classifica obrigatoriamente um sul-americano.

Os mexicanos chegam à vaga pela Concacaf. Os que optam por jogar a competição da América do Sul abrem mão desse direito. É a terceira vez que um time do México chegam à decisão. Nenhuma equipe conquistou o título. Desta vez a chance é enorme. O Tigres é melhor do que o River.

O Internacional perdeu a chance do sonhado tricampeonato da Libertadores. Outro fracasso do futebol brasileiro. Mas não nada de excepcional na derrota, na eliminação. Já estamos acostumando...
4 Internacional mostrou todos os defeitos do futebol brasileiro. 3 a 1 para o Tigres foi muito pouco. Mexicanos com justiça na final da Libertadores da América...

O Botafogo expõe a vida de Ricardo Gomes. Ele já teve uma isquemia e um AVC hemorrágico. Ninguém sabe se suportará a pressão, a tensão de trabalhar como técnico de novo. Risco desnecessário. Absurdo…

1ae32 O Botafogo expõe a vida de Ricardo Gomes. Ele já teve uma isquemia e um AVC hemorrágico. Ninguém sabe se suportará a pressão, a tensão de trabalhar como técnico de novo. Risco desnecessário. Absurdo...
O Botafogo acaba de anunciar a contratação de Ricardo Gomes. Ele será seu treinador. Sim, seu técnico.

Em 2010, ele teve um AVC, acidente vascular cerebral. Era o treinador do São Paulo. O time perdeu um clássico para o Palmeiras por 2 a 0, no domingo, dia 21 de fevereiro. Suas pernas e braços começaram a formigar. O diagnóstico foi minimizado.

Em vez das três letras, foi dito que ele teve uma isquemia. Seria, a grosso modo, um 'leve' entupimento de vasos sanguíneos cerebrais. Como se o entupimento pudesse ser 'leve'. Foi internado e voltou a trabalhar em dez dias, como se nada tivesse acontecido.

A direção do São Paulo seguiu preocupada. Os diagnósticos que os médicos tinham é que Ricardo estava recuperado. Mas era uma pessoa que tinha a pré-disposição para o AVC. Como milhões no mundo. Inúmeras seguem a vida sem acontecer nada.

O clube havia passado pela trágica experiência com Telê Santana. O treinador teve uma isquemia. Muito mais forte. E, talvez, por ser mais idoso do que Ricardo, não conseguiu se recuperar mais. Até falecer.

3ae15 O Botafogo expõe a vida de Ricardo Gomes. Ele já teve uma isquemia e um AVC hemorrágico. Ninguém sabe se suportará a pressão, a tensão de trabalhar como técnico de novo. Risco desnecessário. Absurdo...

Ricardo, não. Fazia questão de mostrar que estava tudo bem. Ele cobrava os jogadores nos treinamentos, na frente dos jornalistas e dirigentes. Ao contrário de Muricy, o treinador que substituiu, ele era contido durante os jogos. Introjetava as emoções. A irritação, a raiva ficavam no seu semblante, não nas suas palavras, gestos. Era contido demais.

O São Paulo fracassou novamente na Libertadores e começou de maneira muito ruim o Brasileiro. Para não passar pelo vexame da demissão, o clube apenas não renovou seu contrato em agosto de 2010. Ele ficou até fevereiro sem trabalhar. Havia muita preocupação entre os dirigentes em relação à sua isquemia.

Mas em fevereiro de 2011, o Vasco apostou no seu retorno. E ele foi vitorioso. O treinador foi responsável pela conquista da Copa do Brasil. No dia 8 de junho de 2011. No Paraná, em pleno Couto Pereira, diante do Coritiba de Marcelo Oliveira.

Ele parecia ser um entre milhões que, apesar da pré-disposição, não seria assombrado pelo AVC. Até que chegou o clássico contra o Flamengo. No dia 28 de agosto. Ele passou mal. Mas teve forças para se sentar no banco de reservas. Sua boca entortou, não conseguia falar direito. Seu braços e pernas direitos ficaram paralisados. Desta vez ele teve um AVC. Ou seja, vasos sanguíneos não apenas romperam. Mas se romperam, explodiram no seu cérebro.

Foi gravíssimo. Ricardo Gomes poderia ter morrido em público.

"Eu pensei logo no pior quando vi a ambulância. No São Paulo, o Ricardo Gomes teve um AVC e fiquei com medo de que aquilo estava acontecendo novamente", afirmou o zagueiro Renato Silva. Ele estava correto.

Seu quadro de saúde mostrava que tudo era grave demais. Foi operado. Ficou 15 dias na UTI. Teve toda a assistência médica possível. E conseguiu sobreviver. Depois de um ano e quatro meses, ele voltava a trabalhar. Em novembro de 2012. Mas como dirigente. Seria diretor técnico do clube. A sua família era veemente contra retornar ao futebol. Só que ele não quis ouvir ninguém.

2reproducaolance O Botafogo expõe a vida de Ricardo Gomes. Ele já teve uma isquemia e um AVC hemorrágico. Ninguém sabe se suportará a pressão, a tensão de trabalhar como técnico de novo. Risco desnecessário. Absurdo...

Depois de medicado, fez tratamento intensivo de fisioterapia e fonoaudiologia. Mas mancava e tinha dificuldades em falar ao assumir o cargo. Estava evidente que o então presidente vascaíno, Roberto Dinamite, quis premiar a vontade de Ricardo Gomes em voltar a trabalhar.

O trabalho não foi bom. O Vasco tinha sérias dificuldades financeiras. Montou uma equipe fraquíssima. E acabou rebaixado em 2013. Ricardo Gomes foi demitido em fevereiro de 2014. Mas o clube o preservou. A versão oficial é que Gomes havia pedido o desligamento. Para se focar na fisioterapia. Precisava ganhar mais forças nas pernas.

Ele precisava cuidar do seu lado direito. Recuperar os movimentos, que ainda não estavam plenos. Foi o que tratou de fazer. Fugia das entrevistas. Recluso se recusava a falar com jornalistas. Dizia que, quando trabalhava no futebol, era obrigado. Na época, não estava.

Pois agora o Botafogo o anuncia como treinador. Justo o clube com a maior dívida do Brasil. Chegava a R$ 845 milhões no final do ano passado. Ela caminha firme para romper a barreira do R$ 1 bilhão este ano.

A grandeza do clube obriga o time a voltar para a Série A em 2016. O grau de exigência é tão grande que René Simões foi demitido com a equipe na liderança da Segunda Divisão. Caiu porque o time foi eliminado pelo Figueirense na Copa do Brasil. Não importa se os catarinenses formam uma equipe de Série A. A diretoria exigia a classificação.

Nos corredores do Engenhão, o vice de futebol, Antônio Carlos Mantuano, tentou agredir o treinador do Figueirense, Argel. O clima no clube é explosivo. Os dirigentes acreditam que só as vitórias podem amenizar as dívidas. E cobram como se o elenco fosse maravilhoso. Mas é limitadíssimo tecnicamente.

1sspress1 O Botafogo expõe a vida de Ricardo Gomes. Ele já teve uma isquemia e um AVC hemorrágico. Ninguém sabe se suportará a pressão, a tensão de trabalhar como técnico de novo. Risco desnecessário. Absurdo...

René Simões foi embora. Mas fez questão de avisar que dirigentes tentavam influenciar na escalação. Ele não deixou e por isso acabou demitido.

É nesse ambiente bélico, tenso, que Ricardo Gomes volta a trabalhar. Apresenta laudos atestando que está plenamente normal, capacitado.

Mas os atestados médicos não podem aferir o que é a pressão de ser treinador de futebol. Ainda mais em um clube tão importante quanto o Botafogo. De um passado brilhante. Mas que no presente brinca com a falência. Não há dinheiro para ter um grande time. A torcida é tão apaixonada quanto exigente.

Os dirigentes têm grudado na retina o velho Botafogo de Didi, Garrincha, Nilton Santos, Jairzinho, Gerson e tantos outros. Por isso não se conformam com o time na Segunda Divisão. Só que eles apenas enxergam a camisa. Realmente ela é a mesma. Mas os atletas, não. Infelizmente são fracos.

René Simões ganhava R$ 70 mil mensais. O clube carioca precisava de um técnico barato, vivido e competente. Resolveu se lembrar de Ricardo Gomes. O homem que há uma semana fugia dos jornalistas. Não queria falar de jeito algum sobre futebol. Mas que no íntimo, tudo que desejava, era voltar a ser técnico.

4reproducao3 O Botafogo expõe a vida de Ricardo Gomes. Ele já teve uma isquemia e um AVC hemorrágico. Ninguém sabe se suportará a pressão, a tensão de trabalhar como técnico de novo. Risco desnecessário. Absurdo...

Ele não comanda uma equipe desde 2011. São quatro anos afastado. E assume um dos clubes mais problemáticos do país. Se não for o mais. A situação é surreal. Os médicos garantem que não há problema. Que o AVC ficou para trás. Assim como um dia, os doutores vascaínos juraram que a isquemia no São Paulo não voltaria.

Quem teve a possibilidade de ter qualquer contato com Ricardo Gomes sabe. Ele é uma das pessoas mais educadas, competentes, honesta e de melhor coração no futebol deste país. Mas é uma temeridade que retorne ao futebol. Principalmente comandando o Botafogo.

A família de Ricardo não gostaria que ele voltasse a trabalhar. Só que está irredutível. Tanto que não só aceitou a proposta como convenceu os dirigentes que está bem. Outra vez, voltamos ao mundo das estatísticas. Há milhões de pessoas que já tiveram isquemia e AVC que levam vida saudável. Mas outras, não.

Além da genética, pré-disposição, uma das grandes características que levam ao AVC é o stress. A carga emocional de ser técnico de futebol é imensa. O que torna a volta de Ricardo Gomes um enorme motivo de tensão.

Ele deveria retornar aos poucos. Comandando uma equipe de juniores. Sentindo suas reações, percebendo sua saúde. Nunca voltar direto ao profissional. A um clube tão importante na Segunda Divisão. E tão pressionado.

O clube anunciou a contratação em uma nota. Elogiando seu currículo. E fazendo de conta que nada demais aconteceu com Ricardo Gomes. Como se não citando o AVC ele nunca existiu. Assim será o primeiro treinador do Brasil a ter um acidente vascular cerebral hemorrágico em clube grande. E a voltar a trabalhar em outro. Ninguém pode afirmar de forma decisiva o que acontecerá.

Imprudentemente, será uma cobaia.

Está faltando bom senso aos dirigentes botafoguenses.

E amor em excesso ao futebol por parte de Ricardo Gomes.

Não há justificativa racional para o retorno dessa maneira.

Uma vida está sendo colocada em risco de forma desnecessária...
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Corinthians gasta o salário de Ronaldinho Gaúcho no Fluminense. Mas com jogadores emprestados para atuar em outros clubes. Vitor Júnior receberá R$ 600 mil até o final do ano para jogar na Tailândia. Lição de profissionalismo…

1futurapress Corinthians gasta o salário de Ronaldinho Gaúcho no Fluminense. Mas com jogadores emprestados para atuar em outros clubes. Vitor Júnior receberá R$ 600 mil até o final do ano para jogar na Tailândia. Lição de profissionalismo...
Um dos motivos do rompimento entre Mario Gobbi e Andrés Sanchez foi uma prática inacreditável. E que não combina com a administração moderna de qualquer clube de futebol. Emprestar jogador e o clube seguir pagando parte dos salários. Foi a maneira mais fácil que Gobbi encontrou para evitar constrangimentos. Atletas encostados, treinando separados dos outros. E recebendo a cada 30 dias, mesmo sendo, na prática, inútil para o Corinthians.

No ano passado foi constrangedor. Eram exatos R$ 1.520,00 a cada mês. R$ 520 mil para Sheik jogar no Botafogo. R$ 400 mil para Pato defender o São Paulo. R$ 180 mil a Júlio Cesar no Náutico. Douglas, R$ 150 mil, Grêmio. Elton, R$ 100 mil, Flamengo. Ramirez, R$ 80 mil. E R$ 90 mil para Renan ser o goleiro do Bragantino.

1ae31 Corinthians gasta o salário de Ronaldinho Gaúcho no Fluminense. Mas com jogadores emprestados para atuar em outros clubes. Vitor Júnior receberá R$ 600 mil até o final do ano para jogar na Tailândia. Lição de profissionalismo...

Conselheiros estavam revoltados no Parque São Jorge. Alguns queriam até a renúncia de Gobbi pela atitude. Mas Andrés não permitiu. Seria um abalo muito grande na situação, ala política dominada pelo deputado federal do PT e responsável pela eleição de Gobbi.

Quando Roberto de Andrade assumiu, a situação financeira corintiana já era caótica. Graças a um péssimo acordo como o BNDES e a Odebrecht, todo o dinheiro da arrecadação da nova arena é desviada para o pagamento do estádio. O clube precisa sobreviver com o dinheiro de patrocinadores, dos sócios-torcedores, dos sócios.

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Por não poder pagar, o clube perdeu Guerrero para o Flamengo. Não houve a renovação. Sheik ganhava demais, também foi liberado para a Gávea. Elias teve de ser firme com os dirigentes. Eles queriam que o volante retornasse ao Flamengo. Ralf também já entendeu que deverá seguir seu rumo. Danilo não renovará contrato. Ficará até dezembro e depois, nova vida. Livre e sem render um centavo ao Parque São Jorge.

O clube chegou a dever mais de oito meses de direito de imagem a Guerrero. Três, quatro, cinco meses com o restante do time. Dependia do salário. Quanto maior, mais o atleta poderia ficar esperando receber. Até o salário de Tite atrasou, mas fiel à diretoria, ele se calou.

Mas o surpreendente neste cenário é a confirmação que a velha estratégia de Gobbi. O clube segue emprestando jogadores. E pagando seus salários. Exatamente situação de desesperava Andrés Sanchez.

O meia Vitor Júnior foi contratado em 2012. A negociação parecia ser um presente dos deuses. O empresário de Mano Menezes, Carlos Leite, comprou os direitos federativos do jogador. E mesmo diante do interesse do Palmeiras, resolveu repassar o jogador gratuitamente ao Parque São Jorge.

3ae14 Corinthians gasta o salário de Ronaldinho Gaúcho no Fluminense. Mas com jogadores emprestados para atuar em outros clubes. Vitor Júnior receberá R$ 600 mil até o final do ano para jogar na Tailândia. Lição de profissionalismo...

Mas foi 'gratuitamente' até a página dois. O empresário exigiu e o Corinthians assinou contrato de quatro anos com o jogador. Carlos Leite assegurou ao seu jogador nada menos do que R$ 5,7 milhões em salários. Afinal, acertou por R$ 120 mil a cada 30 dias.

Mostrou fraquíssimo futebol com a camisa corintiana. Acabou emprestado para quatro clubes. Mas não deu certo. Botafogo, no Inter, no Coritiba e Figueirense. Seu desempenho deixou a desejar.

No Corinthians só atuou oito vezes. Desde o início do ano estava sem jogar. Sem aceitar romper simplesmente o contrato. Roberto de Andrade deve ter se lembrado de Gobbi.

E acaba de cedê-lo ao Navy, time tailândes. Até o final do ano. Quem pagará os R$ 120 mil mensais? O Corinthians. São mais R$ 600 mil do orçamento.

5ae10 Corinthians gasta o salário de Ronaldinho Gaúcho no Fluminense. Mas com jogadores emprestados para atuar em outros clubes. Vitor Júnior receberá R$ 600 mil até o final do ano para jogar na Tailândia. Lição de profissionalismo...

"É um mercado que muitos brasileiros ainda sequer conhecem, mas que está crescendo bastante. Todos nós sabemos da evolução do futebol asiático, a estrutura dos clubes, e o projeto do Navy me atraiu bastante. É um desafio novo na minha carreira, com objetivos concretos. Estou confiante e animado para obter sucesso nessa nova fase profissional", postou o jogador, feliz com a camisa 10 que vestiu em Bangcoc.

Pato continua embolsando seus R$ 400 mil mensais para jogar pelo São Paulo. Mas há outros André Vinícius, Brayan Riascos, Gustavo Tocantins, Moisés, Pedro Henrique e Zé Paulo estão no Bragantino. Bancados pelo Parque Jorge. Na parceria com o Flamengo de Guarulhos, outros 39 atletas.

São mais de 50 jogadores que o Corinthians segue emprestando e bancando com seus salários. No total, seriam cerca de R$ 800 mil mensais. Salário que Ronaldinho Gaúcho ganhará no Fluminense.

O caso de Vitor Júnior chama mais a atenção quando se depara com o nome de Carlos Leite. O empresário de Mano Menezes tem relação íntima com a diretoria. Já emprestou dinheiro na administração Andrés Sanchez. Situação bizarra. Foi com seu dinheiro que o Corinthians contratou Eduardo Ramos e Saci em 2008. Que, por acaso, eram empresariados por ele.

Seis anos depois, a mesma história. O clube só pagou o 13º no ano passado porque o mesmo agente emprestou R$ 2 milhões. Leite é o empresário de Cássio, Fágner, Gil e Renato Augusto.

6ae3 Corinthians gasta o salário de Ronaldinho Gaúcho no Fluminense. Mas com jogadores emprestados para atuar em outros clubes. Vitor Júnior receberá R$ 600 mil até o final do ano para jogar na Tailândia. Lição de profissionalismo...

Ou seja, não há diferença na maneira de 'administrar' entre Roberto Andrade e Mario Gobbi. Diante do entrave de jogador que não rende e tem contrato longo, o atalho é emprestá-lo. E seguir pagando seu salário.

Não há outras ideias, negociação. Pedir descontos e pagar tudo de uma vez. Nada disso. É só despachar os atletas para outras equipes e seguir pagando seus salários na íntegra. E atrasando quem está defendendo o Corinthians.

O futebol brasileiro segue sendo assustadoramente amador.

E os dirigentes não fazem questão alguma de se modernizar.

Esta foram as primeiras frases que o meia ouviu ao chegar no Navy.

"Yindī t̂xnrạb, Vitor Júnior.

Ngein k̄hxng khuṇ xyū̀ nı ṭhnākhār."

Tradução livre do tailandês..

"Bem-vindo, Vitor Júnior.

Seu dinheiro já está no banco."

E quem pagou foi o Corinthians...
7ae Corinthians gasta o salário de Ronaldinho Gaúcho no Fluminense. Mas com jogadores emprestados para atuar em outros clubes. Vitor Júnior receberá R$ 600 mil até o final do ano para jogar na Tailândia. Lição de profissionalismo...

“O Brasil parece que tem raiva de ter Neymar. Deveria dar graças a Deus por ele ter nascido aqui.” Última parte da exclusiva com Gilmar Rinaldi, coordenador da Seleção Brasileira…

1ae30 1024x737 O Brasil parece que tem raiva de ter Neymar. Deveria dar graças a Deus por ele ter nascido aqui. Última parte da exclusiva com Gilmar Rinaldi, coordenador da Seleção Brasileira...
Chegou a hora de Gilmar Rinaldi falar só sobre a Seleção Brasileira atual. E muito sobre Neymar, a principal estrela de Dunga. Vou direto às perguntas. Elas são muitas.

Gilmar, você estava lá. Como é que aconteceu, em detalhes, a confusão envolvendo Neymar e o jogo da Colômbia, na Copa América?

O Brasil havia perdido o jogo. O Neymar estava muito nervoso, tenso. Ele havia disputado três finais na Europa. E ainda havia o problema do seu contrato com o Barcelona. Estava estressado. Sabíamos, mas não poderíamos abrir mão do seu futebol. Ele foi provocado, tomou pontapés, foi xingado, como é sempre. Não suportou, revidou. Foi expulso. E decidiu esperar o árbitro na entrada do vestiário do juiz (Enrique Osses, chileno). Eu fui avisado e tentei tirá-lo de lá.

Falei, fui firme. Falei que iria se prejudicar. Mandei um segurança puxá-lo de lá. O Neymar empurrou o segurança. Eu mandei então o segurança deixá-lo. O Neymar é um homem e tem de arcar com o que faz. Foi quando o juiz chegou e o Neymar falou que ele queria aparecer em cima dele, umas bobagens. Tomou uma atitude infantil que o prejudicou. Prejudicou o Brasil.

Mas eu quero deixar claro. Não tinha o direito de arrastá-lo à força. Ele é um homem. Um do principais jogadores do mundo. Se ele quer bater boca com juiz depois de expulso, precisa saber que vai se prejudicar. Foi o que aconteceu. Por isso não fiz questão nem de questioná-lo.

Gilmar, me desculpe, mas vou ser direto. Se fosse, por exemplo, o reserva do lateral direito que fizesse o que o Neymar fez, seria convocado novamente? Eu e o mundo sabemos que não. Esse privilégio ao Neymar que pega mal.

Não sou um homem de fugir das situações. Não sei se um reserva de lateral direito voltaria a ser convocado. Mas o Neymar vai porque ele é um dos principais jogadores do futebol mundial. Eu acredito que ele tenha aprendido com o que aconteceu. Depois da punição, ele me procurou e em disse. 'Me desculpe, fui mal. Não me controlei.' Então eu acredito que ele tenha aprendido. Porque eu te garanto que isso não acontecerá novamente. Jogador nenhum mais da Seleção vai falar com o juiz depois de um jogo. Nem o Neymar. Eu também aprendi. Acreditei no bom senso. Errei também.

Como vocês tiveram coragem de dar a tarja de capitão ao Neymar? Ele é muito talentoso. Mas tem apenas 23 anos e é muito imaturo fora do campo.

A decisão foi porque ele é referência para o time no gramado. E tem ótima índole. É imaturo sim. Mas a tarja de capitão está apressando essa maturidade. Ele entendeu o que aconteceu na Copa América. Nunca mais vai tomar uma atitude dessas. Fora do campo, falo para que se cuide. Está sujeito a qualquer tentações de um jovem adulto de 23 anos. Ninguém aqui quer que deixe de viver. Só saiba se preservar. Hoje qualquer celular faz a festa nas redes sociais. Nós queremos que ele seja o capitão da Seleção dentro do campo, na concentração. Na sua vida particular, embora possa ser cobrado por isso, as decisões são dele. Nós confiamos e temos certeza que o Neymar será outro na Seleção depois da Copa América.

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Gilmar, a Globo noticiou que a decisão de não recorrer da suspensão de quatro partidas da Copa América, partiu da Comissão Técnica. Essa decisão tira Neymar dos dois primeiros jogos das Eliminatórias. O que passou pela cabeça de vocês?

Cosme, na Comissão Técnica ninguém é louco. Garanto para você que não foi da Comissão Técnica a decisão de não recorrer. Até porque vou dizer, no regulamento da Copa América, está claro. A suspensão dos jogos da Copa América será cumprida na próxima Copa América. Não tinha essa história de Eliminatórias. Foi um parecer técnico da Fifa. E que temos esperança de reverter. Isso ainda não acabou. Porque Copa América é Copa América. Eliminatórias são Eliminatórias. No ano que vem, os Estados Unidos farão sua Copa América. Se houver uma briga generalizada em uma final, digamos, Brasil e Argentina, todos ficam suspensos para as Eliminatórias? Não tem cabimento. A punição do Neymar não ficará por isso mesmo.

Por que o Neymar não ficou com o grupo. Que capitão é esse? Farreia enquanto o time está decidindo sua vida na Copa América?

O Neymar foi muito sincero conosco. Disse que iria atrapalhar. E prejudicar o ambiente. Sabia que seria o principal foco da imprensa. Se chegasse para um treino rindo, escreveriam que ele não estava nem um pouco preocupado com a suspensão. Se chegasse com a cara amarrada, tinha ficado forçado. Então, o melhor era sair. Eu e o Dunga concordamos. Queriam ver o grupo sem Neymar. Por uma questão de falta de sorte nos pênaltis, o Brasil caiu. Mas é isso. A Seleção não pode depender de ninguém.

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Gilmar, vamos falar a verdade. Este Brasil é sim refém do Neymar. E muuuito.

Cosme, a Argentina tem o Messi. Portugal tem Cristiano Ronaldo. E o Brasil parece que tem raiva de ter o Neymar. Ele é um dos melhores jogadores do mundo. Faria diferença atuando em qualquer seleção. Nós temos é de dar graças a Deus por ele ser brasileiro. E não o perseguir.

A cobertura da imprensa brasileira em relação a Neymar é de raiva. Como se ele tivesse culpa de a Seleção não ter outros jogadores com sua capacidade acima do normal. Mas temos outros excelentes jogadores. O Neymar chama toda a atenção por seu talento, seu carisma. Mas o Brasil não é só ele, não. Mas temo de ficar gratos todos os dias por ele ser brasileiro. Tem apenas 23 anos. Fará muito pelo nosso futebol. Assim como o Oscar, o Willian e tantos outros. Sem ter o potencial do Neymar, mas sendo ótimos jogadores.

Você e o Dunga deixaram claro. Jogadores que foram vendidos para centros mais atrasados como China e Oriente Médio terão de se desdobrar para serem chamados.

É verdade. Falamos abertamente a todos que foram vendidos para lá. A exigência da Seleção Brasileira é muito maior do que um clube chinês ou do Oriente Médio. A perda está no treinamento, leve demais para as nossas exigências. A saída? Contratar um preparador físico particular. Não nos interessa jogadores que treinem um ou duas vezes por semana. Deixarão de ser chamados. O futebol moderno de alto nível exige cada vez mais intensidade, preparo. Quem não se virar, pode ficar rico. Mas não será chamado mais para a Seleção. Seja quem for. Simples assim.

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Gilmar, por favor, e em relação aos psicólogos? A Seleção Brasileira, principalmente essa geração, já mostrou enorme descontrole. Na Copa do Mundo de 2014 foi um desastre. Choro para todo lado. Na Copa América, Neymar deu o vexame que deu. E o time travou sem ele contra o Paraguai. O Thiago Silva não chorou. Mas resolveu dar um tapa na bola na área. Depois não se lembrava do que fez. Será que vocês não enxergam que é preciso um psicólogo para esses jogadores?

Não há como. Primeiro os jogadores rejeitam. Não querem nem ouvir falar. Falei com alguns psicólogos e eles disseram que não há tempo para um trabalho profundo. Eles não se abrem. Nem em competições longas, como Copa do Mundo. Não adianta. Isso já foi discutido. Os atletas não querem. A rejeição é enorme. Se forçarmos criaremos só mais um problema. Esse lado acabará ficando para o Dunga, para os jogadores mais vividos. Só posso dizer que a Seleção mudou muito psicologicamente em relação à Copa do Mundo.

Jornalistas sul-americanos garantem que a Conmebol forçará o Brasil a escolher apenas duas sedes para a Seleção Brasileira. Se for isso, Rio de Janeiro é certeza. A outra será Fortaleza, Recife ou Salvador? São Paulo vocês não são loucos de jogar. Aqui a falta de paciência é enorme...

Por mim, jogaríamos em São Paulo sem medo. Essa questão de torcida é o time que faz com que apoie ou vaie. Não está confirmado que serão apenas duas sedes. Eu gostaria que fosse como antes. Assim se tivermos de jogar nas montanhas de 3.600 metros, no frio, tudo bem. No jogo da volta, iríamos para o Nordeste no calor sufocante. Se tivéssemos de pegar um calor danado na Venezuela, levaríamos a partida daqui para Porto Alegre. Enfim, seria uma grande arma. Mas se forem definidas mesmo apenas duas sedes, a lógica aponta que uma será no Rio. Por causa da nossa concentração, a Granja Comary. A outra, escolheríamos junto com o Dunga, com a presidência.

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Você é coordenador da Seleção. O que acha de treinar na Granja Comary, com a ameaça constante de neblina? A Seleção continuará exposta como foi na Copa do Mundo?

Foi ótimo você perguntar sobre isso. A Granja Comary é a nossa concentração, ponto final. Eu procurei me informar sobre o que aconteceu na Copa. E li alguns posts seus sobre a falta de privacidade total dos jogadores. Fiquei chocado. E era absoluta verdade. Isso não acontecerá mais. Estou garantindo. O acesso a veículos de comunicação estará limitado como acontece em qualquer lugar civilizado do mundo. Seleção Brasileira precisa ser levada a sério, muito a sério. Quando precisar treinar fechado, sem a imprensa acompanhar, vai treinar. Concentração não é lugar para farra, de artistas. Lá é o lugar da Seleção. Há um muro, que não é o da vergonha, como escreveram por aí. Mas um muro de dois metros que permite que os jogadores treinem em paz. A própria população de Teresópolis concordou. A farra acabou. Vamos trabalhar de forma séria.

Você trará treinadores estrangeiros para dar palestras na CBF?

Sim. Mas ninguém virá aqui ensinar como o Brasil terá de fazer para ganhar. Mas que mostrem como trabalham. Sou favorável ao intercâmbio de ideias. Primeiro quero técnicos sul-americanos. O Sampaoli é sim o primeiro da lista. Seu trabalho no Chile é excelente. Seus métodos são interessantes. Quero também que o Gareca venha e explique porque um treinador competente como ele, que faz ótimo trabalho no Peru, não conseguiu se impor no Palmeiras. Sou muito aberto a ideias. Poderemos até ouvir técnicos europeus também, por que não? Não temos preconceito ou medo. As pessoas rejeitaram os nomes de Felipão, Parreira, Zagallo, Carlos Alberto, Lazaroni. Mas é preciso aprender com os acertos e erros no passado. Assim como pensar novas ideias para o futuro. Quero também fazer uma sessão com jornalistas. A CBF quer ouvir o que vocês têm para acrescentar. Criticar é fácil. Difícil é sugerir mudanças factíveis.

Isso não é querer fugir da responsabilidade de vocês? Se o Brasil perder depois desses encontros, a derrota também passa a ser dos técnicos sul-americanos, dos ex-treinadores da Seleção, dos jornalistas...

Não. Vamos ouvir a todos e selecionar o que for melhor. A escolha será sempre nossa. Assim como a responsabilidade. Tudo que acontecer em relação à Seleção, o Marco Polo, eu e o Gilmar seremos os responsáveis.

Você foi campeão do mundo em 94. Não sente a rejeição da população em relação à Seleção? O Marin está preso. O Marco Polo não foi para a Fifa por medo de ser extraditado. A corrupção domina a Fifa. Os brasileiros não rejeitam a Seleção da CBF?

Os brasileiros precisam separar as coisas. Há a Seleção e há a CBF. Eu mesmo errei. Quando me perguntaram se eu concordava com o Parreira. Indagaram se eu achava que a CBF era o Brasil que tinha dado certo. Eu concordei, sem pensar. Na verdade queria falar que a Seleção Brasileira é o Brasil que deu certo.

A Seleção é pentacampeã do mundo. Ninguém tem cinco títulos como nós. A CBF é uma entidade que organiza o futebol e está se modernizando. Há várias acusações, mas não se provou nada contra o Marco Polo del Nero. Nada. Mas isso é problema dele. Eu estou trabalhando para tentar fazer o melhor para a Seleção.

A Seleção representa o nosso povo. O nosso país. Ela não é da CBF. É dos brasileiros. Até porque temos uma geração jovem, que não está pronta, ela precisa ainda mais de apoio. Já foi muito massacrada. E a população pode confiar. Chegaremos muito fortes nas Eliminatórias, nas Olimpíadas e na Copa da Rússia.

Não há porque nos rejeitar. A Seleção representa o Brasil. É motivo de felicidade...
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“A Lei Pelé faz a festa dos empresários. Sabota a Seleção e o futebol brasileiro. Garotos de 10, 12 anos estão indo para a Europa. Fui empresário, vi o outro lado.” Segunda parte da exclusiva com o coordenador da Seleção, Gilmar Rinaldi…

1ae29 A Lei Pelé faz a festa dos empresários. Sabota a Seleção e o futebol brasileiro. Garotos de 10, 12 anos estão indo para a Europa. Fui empresário, vi o outro lado. Segunda parte da exclusiva com o coordenador da Seleção, Gilmar Rinaldi...
Gilmar Rinaldi foi 12 anos empresário. E acredita que este tempo foi mais do que suficiente para entender o que enfraquece o futebol brasileiro. A lei Pelé teve boa intenção, liberou os atletas do escravizante passe. Só que houve um efeito colateral. Não foram os atletas que ganharam. Mas os agentes.

"Estive do outro lado e sei como é fácil. Os clubes estão amarrados. Não podem ter qualquer vínculo com atletas até eles completarem 16 anos. Só que os empresários estão levando os meninos para a Europa com 12, 13, 14 anos. Há casos absurdos até com oito, nove anos. Basta levar os pais. Como o Barcelona fez com o Messi. Nós temos de mudar a nossa legislação. O clube precisa ter o direito de registrar seus jogadores mais jovens. Se não, o futebol brasileiro continuará sendo enfraquecido. E os empresários cada vez mais ricos. Isso cabe ao governo. A Lei Pelé ficou ultrapassada. Fui empresário e sei o que estou falando", resume Gilmar Rinaldi.

Gilmar, vamos falar do trabalho de observação de jovens. E convocação de seleções de base. Soube que na Seleção Brasileira é precário.

Infelizmente é uma coisa absurda. Há várias coisas inacreditáveis. Só um parênteses. Quando assumi, fui atrás do material da Seleção passada. Dados dos jogadores. Estatísticas. Relatórios médicos. Não havia banco de dados. Simplesmente nada. A Seleção pentacampeã do mundo não tinha um mísero banco de dados dos seus atletas. Comecei a fazer imediatamente. Informatizamos a CBF. Tudo está agora nos nossos computadores. Deixaremos um vasto material para quem assumir.

Em relação aos meninos era mais inacreditável ainda. Os técnicos da base eram ex-jogadores sem grande aprofundamento tático, técnico. Tínhamos apenas dois observadores que viajavam pelo país para ver jogadores para as Seleções Brasileiras. Estou falando sério. Neste país imenso, que é um continente, apenas dois iam para lá e para cá, sem método algum, escolhendo jovens promessas. Dependíamos da indicação dos treinadores. Era mais ou menos assim. Digamos, o técnico da sub-15 ligava para o treinador do sub-15 do Internacional ou qualquer outro clube grande. Perguntava se tinha alguém com talento. E, lógico, que ele indicava quem interessa para ele, para o clube. A CBF pediu um e vinha dois, três. Os clubes grandes acabavam impondo seus jogadores.

3ae13 A Lei Pelé faz a festa dos empresários. Sabota a Seleção e o futebol brasileiro. Garotos de 10, 12 anos estão indo para a Europa. Fui empresário, vi o outro lado. Segunda parte da exclusiva com o coordenador da Seleção, Gilmar Rinaldi...

Agora não é mais assim. Pedi a ajuda dos grandes treinadores de cada categoria no Brasil, como um comitê. E escolhemos os melhores. E também passamos a espalhar a analisar os números de cada garoto nos clubes importantes do país. Está longe do ideal, mas agora temos critérios, metodologia. Antes a CBF tinha dois observadores. Os maiores empresários do Brasil sempre tiveram dezenas de observadores. A concorrência era absurda. Os empresários sempre chegavam antes. Descobriam os garotos e os encaixavam na Europa. Nem chegavam ao principal jogando aqui.

Os empresários foram os grandes beneficiados com a Lei Pelé?

Sem dúvida. E quero usar a força da CBF para que os nossos governantes mexam na legislação. Não para favorecer os clubes. Mas para favorecer o futebol brasileiro. Estamos perdendo gerações e gerações. Com a crise financeira que vivemos, mais e mais garotos estão virando as costas para os clubes daqui. Você sabe que é ilegal garotos de 14 anos terem vínculos com os clubes. O primeiro contrato só pode ser assinado com 16 anos. E o craque, o diferenciado aparece com 12, 13, 14 anos. É uma farra.

Fácil demais para qualquer empresário tirar o menino que é destaque no clube e levar sua família para ganhar muito dinheiro na Europa. A situação é séria e reflete na Seleção. Por isso quando alguns são convocados, com o Roberto Firmino, o David Luiz, ninguém mal lembra deles no Brasil. E olha que eles até jogaram um pouco por aqui.

2ap9 1024x576 A Lei Pelé faz a festa dos empresários. Sabota a Seleção e o futebol brasileiro. Garotos de 10, 12 anos estão indo para a Europa. Fui empresário, vi o outro lado. Segunda parte da exclusiva com o coordenador da Seleção, Gilmar Rinaldi...

Daqui para a frente, nem isso. Meninos de 10, 11, 12 anos com excelente potencial como jogadores estão nas mãos de empresários. E estão indo embora. Só vamos ouvir falar deles quando estourarem lá fora. Se os clubes daqui não tiverem o direito de registrá-lo muito mais cedo do que 16 anos, será assim. Isso só beneficia os empresários. Daqui a pouco, os clubes deixam de investir na base. Formar jogadores para os melhores serem levados de graça? Isso reflete em cheio na Seleção Brasileira. Vou usar a minha voz enquanto for coordenador da Seleção para mostrar o absurdo que vivemos.

A CBF está monitorando jovens valores no Exterior?

Estamos fazendo o possível. Mas como já mostrei a você, tudo ainda era muito amador. Se tínhamos dois observadores para um país de mais de 200 milhões de pessoas, é lógico que o trabalho de acompanhamento dos jovens talentos na Europa está no começo. A CBF precisava se modernizar. Essa é uma das minhas missões mais importantes. E vai além do que as pessoas podem acompanhar. Eu sou obrigado a falar que os grandes empresários no Brasil e do mundo estão muito melhores preparados do que a CBF. Isso não pode continuar assim. E não vai.

Mas isso é muito grave, Gilmar. Do que adianta ter uma sede milionária, concentração, cinco títulos mundiais e trabalhar dessa maneira amadora na base?

É exatamente a nossa análise. Foi o que encontramos. As pessoas precisam entender que nada é por acaso no futebol e na vida. Se o trabalho não for muito bem feito com os garotos, não podemos ter uma Seleção Brasileira forte. É sempre o improviso. Por isso a lei tem de ser mudada. A farra dos empresários com os meninos precisa terminar. Os clubes não podem mais ser tão prejudicados. A legislação está ultrapassada. Falo isso não porque sou coordenador da Seleção. Mas porque fui empresário 12 anos. E sabia muito bem o quanto a lei não está ao lado dos jogadores, dos clubes, do futebol brasileiro. A lei brasileira que cuida dos jogadores menores de idade protege e dá todo poder aos empresários. Beneficia 10, 20, 30 agentes. Os deixa milionários. E sabota o futebol deste país.
2ae21 A Lei Pelé faz a festa dos empresários. Sabota a Seleção e o futebol brasileiro. Garotos de 10, 12 anos estão indo para a Europa. Fui empresário, vi o outro lado. Segunda parte da exclusiva com o coordenador da Seleção, Gilmar Rinaldi...

“Não há nada ou ninguém que tire Dunga da Copa de 2018. O Brasil não está preparado para um técnico estrangeiro.” Primeira parte da exclusiva com o coordenador da Seleção, Gilmar Rinaldi…

 Não há nada ou ninguém que tire Dunga da Copa de 2018. O Brasil não está preparado para um técnico estrangeiro. Primeira parte da exclusiva com o coordenador da Seleção, Gilmar Rinaldi...
Não é segredo para ninguém que a Globo declarou guerra à CBF de Marco Polo del Nero. A relação já era péssima, com a escolha do treinador inimigo número um da emissora, Dunga. Com o fracasso na Copa América, a Seleção não conseguiu vaga para a Copa das Confederações. Sem o Brasil a competição de 2017 está inviabilizada para a emissora carioca. Prejuízo pesado.

Há um grande medo na emissora que o país fique de fora da Copa de 2018. Na análise de Galvão Bueno, voz oficial da emissora, os adversários evoluíram enquanto o Brasil estagnou.

A audiência do futebol já tinha despencado 28% nos dez último anos antes da Copa. A vergonha de 2014, com direito a derrota por 7 a 1 da Alemanha, só espantou ainda mais telespectadores. A Coca Cola não quis mais patrocinar o futebol. Diante da crise econômica e os fracassos da Seleção, a preocupação é com novas debandadas. Ambev, Itaú, Johnson & Johnson, Magazine Luiza, Vivo, Volkswagen ainda bancam R$ 1,3 bilhão.

A Globo usa o seu canal esportivo a cabo, o Sportv para falar abertamente o que deseja. Desde o fracasso na Copa do Mundo e a escolha de Dunga, Galvão Bueno e seus parceiros se superam a cada dia. Com a prisão de José Maria Marin, o narrador exigia a presença de Marco Polo na reunião da Fifa. Ele não foi. O único ausente nos 27 membros do Comitê Executivo.

Justo Caio Ribeiro, o mais passivo dos comentaristas, foi tomado de uma acesso de fúria. Defendeu a renúncia do presidente, que não viajou, segundo ele, por medo de ser preso. Ele seguiu o caminho de Ronaldo, que, na Globo, garantiu: Dunga não tem sintonia com os jogadores.

Sem nenhum representante da CBF, a Fifa pode colocar os jogos do Brasil nas Eliminatórias nos dias e horários que desejar. Atrapalhando a vida da Globo. Defender a emissora deveria ser mais uma das funções de Marco Polo. Diante desse cenário, não há dúvida. A atual cúpula da CBF e da Seleção sofrerão pressão enorme nas Eliminatórias, como nunca hoje.

"Não temos medo de nada. Da Globo, de emissora alguma, de quem quer que seja. Nós estamos preparados para qualquer tipo de pressão. E sem dar privilégio para ninguém. Por mais poderoso que acredite ser o veículo de comunicação. Nós aprendemos muito com o que vimos na Copa do Mundo no Brasil. Muito.

"E para quem acredita que o trabalho de Dunga é ruim. Dou os números. São 11 vitórias, um empate e uma derrota. Derrotou a França e Argentina. O Brasil caiu na Copa América diante do Paraguai, depois de um empate. Nos pênaltis. E todos tentam dizer que o trabalho foi péssimo. Em 2007, Dunga venceu essa mesma Copa América e ninguém valorizou. Vamos seguir forte nas Eliminatórias e chegar muito bem na Rússia. Quer queiram ou não.

"Há outro detalhe. O Brasil não teve 40% do time titular na Copa América. Oscar, Danilo e o Luís Gustavo. Aí, perdemos o Neymar. Tire 40% de qualquer equipe do mundo e coloque para fazer um jogo decisivo, eliminatório.

"As pessoas não querem enxergar. Pegamos uma seleção destroçada psicologicamente pela Copa do Mundo. Agora seria a hora da Seleção ser liderada por jogadores vividos. Adriano, Ronaldinho, Kaká e outros. Mas por vários motivos diferentes eles ficaram no caminho. Há um hiato evidente. Jogadores precisam amadurecer precocemente.

"Mas não interessa. Não temos medo de nada. Nem de ninguém E acreditamos no nosso trabalho, na Seleção. Aposto todo o meu patrimônio com quem quiser. O Brasil estará na Copa da Rússia."

A defesa apaixonada da Seleção é do seu coordenador Gilmar Rinaldi. O homem responsável entre outras coisas pela volta de Dunga. Em uma conversa exclusiva de 1 hora e 23 minutos, ele não fugiu de assunto algum. Aqui a primeira das três partes da entrevista.

Gilmar, foi um escândalo internacional. O Zico que é um ídolo, criticou abertamente. Avisou que a Seleção Brasileira não poderia ser um balcão de negócios. Destacou que um jogador desconhecido é convocado, atua três partidas e é vendido por seu clube. Afirmou que a Seleção é comandada por você, um empresário. E que poderia acontecer como no Flamengo, quando era você diretor, mas ficou com três principais jogadores. Poderia fazer o mesmo quando saísse da Seleção...

2reproducao13 Não há nada ou ninguém que tire Dunga da Copa de 2018. O Brasil não está preparado para um técnico estrangeiro. Primeira parte da exclusiva com o coordenador da Seleção, Gilmar Rinaldi...

Ótimo que você perguntou. Meu advogado já entrou na Justiça e o Zico será interpelado. Vai ter de se explicar. Não entendi nada. Sou uma pessoa honesta, minha vida é limpa. Ele sabe bem disso. E todos que trabalham no futebol Fomos companheiros de Flamengo jogando e também na diretoria. Entrei na justiça porque preciso defender a minha honra e o respeito que tenho pelo cargo na Seleção. Tinha certeza que ataques baixos iriam vir. Afinal, fui empresário por 12 anos. Mas cancelei o meu registro na Fifa assim que assumi o cargo. Nunca poderia esperar que o ataque viesse do Zico.

Quando parei de jogar, em 1999, fui convidado a trabalhar no Flamengo. Tive convites do Palmeiras e do São Paulo. Como dirigente, mas me decepcionei. Decidi virar agente Fifa. Quando sai do clube fui procurado pelo Adriano, Juan e Reinaldo. O Reinaldo ainda me falou. "Meu pai morreu. Eu não pude estudar. Sou ignorante. Você pode até me roubar que não vou notar. Mas o quero como meu agente." Fui procurado. Até o Zico sabe. Não sei o motivo do ataque.

Ou seja, minha relação era de pura confiança. Fui assim os meus 12 anos como agente. Não voltarei mais a trabalhar como agente. Estou dando agora a minha palavra. Eu sempre trabalhei muito e fui mão de vaca, com muito orgulho. Quando eu sair da CBF, quero ir para Miami e curtir a vida com a minha família. Sou um homem honrado e vou até o fim nesta acusação absurda do Zico.

Quero dizer outra coisa, os jogadores são jovens. A Brasileira era a Seleção com menos idade da Copa América. Nós estamos com uma nova geração. Eles já atuam em clubes importantes europeus. É lógico que vários seriam e vão ser transferidos. E por altas quantias. Porque são bons. E estão sendo comprados não pelo que fizeram pela Seleção. Mas pelos seus clubes. Como o Roberto Firmino, o Douglas Costa. Eles estão começando suas histórias na Seleção. Não me venha falar que foram comprados porque nós os convocamos. Dirigentes não iriam gastar R$ 100 milhões porque um jogador colocou a camisa verde e amarela. Hoje todo mundo acompanha a carreira do atleta desde a base. Ninguém é idiota. Não me venha com suspeita de esquema, de acusações falsas, sem consistência. Quem quiser me investigar, está à vontade.

O Zico falou uma bobagem e vai ter de se explicar na justiça. Ele é meu amigo, gosto demais dele. O indiquei para trabalhar no Fenerbaçe. Eu era empresário na época. Ganhei quase nada de comissão. Mas fiquei orgulhoso. Ajudei um dos maiores jogadores deste país a trabalhar na Europa como técnico. Mas tenho a minha honra. A acusação foi grave. Ele vai ter de se explicar na Justiça. Não volto atrás.

Gilmar, como você se tornou coordenador da Seleção?

Eu tenho uma ótima casa no litoral paulista. Sempre costumo fazer pizzas para amigos. Encontrei o Beto Saad (empresário) por acaso e ele me disse que o Marco Polo estava por perto. Sugeriu que eu o convidasse para falar sobre futebol. Eu liguei o convidando. Ele foi. Conversamos pouco, já que sou eu quem faz a pizza. Ele era presidente da Federação Paulista e disse que assumiria a CBF. Me perguntou algumas coisas e eu respondi. Fui duro nas respostas. Não estava contente com o que via. Via muita coisa errada. Veio o vexame na Copa. Ele me chamou e perguntou se tinha alguma ideia para a Seleção. Falei que mostraria no dia seguinte. Cheguei lá com 43 novas propostas. O Marco e o Marin me ouviram. Gostaram e me convidaram para ser coordenador. Aceitei porque fui campeão do mundo na Seleção, fui empresário, estou bem financeiramente, sei o quanto tudo estava atrasado na CBF.

Como vocês chegaram ao nome de Dunga?

Eu, o Marco e Marin estudamos uma lista de cinco nomes. Dunga, Tite, Abel Braga, Marcelo Oliveira e Muricy. Chegamos ao nome de Dunga por um simples motivo. A Seleção saiu desmoralizada da Copa do Mundo de 2014. Ele conhece o ambiente da Seleção desde os 12 anos. Fez um ótimo trabalho antes. Ganhou Copa América, Copa das Confederações. Por circunstâncias o Brasil não venceu a Holanda na Copa de 2010. E iria brigar pelo título. A Seleção precisa de uma revolução. Ser modernizada. O Dunga sabia o caminho. Já ganhou, perdeu título como jogador. Foi técnico. Esteve próximo de ganhar uma Copa. Sabia onde errou, onde acertou. O caminho e Os outros quatro treinadores teriam de aprender.

Com Dunga vocês compraram briga com a Globo?

Pensamos no melhor para o futebol brasileiro. Mais nada.

3reproducao7 Não há nada ou ninguém que tire Dunga da Copa de 2018. O Brasil não está preparado para um técnico estrangeiro. Primeira parte da exclusiva com o coordenador da Seleção, Gilmar Rinaldi...

Gilmar, por que não um treinador estrangeiro? Era a grande chance, Gilmar. Esclareça de vez. Por que em vez de copiar, por exemplo, o Guardiola, que tal contratá-lo? Isso é um preconceito absurdo, reserva de mercado....

O Brasil não está preparado para ter um estrangeiro comandando o seu futebol. Basquete é uma coisa, futebol é outra. A CBF não está preparada para um técnico do Exterior na Seleção. Vocês da imprensa também não. Vocês fritaram o Gareca no Palmeiras e estão fazendo o mesmo com o Osório no São Paulo. Salários de treinadores de ponta do mundo como Mourinho, Guardiola, chegam a 14 milhões de euros por temporada, R$ 48 milhões, a CBF não paga. Mas mesmo se pagasse, bastariam duas derrotas e vocês, da imprensa, iriam lembrar do dinheiro, dos métodos seria insuportável. Perda de tempo. Ainda é um problema cultural. Não estamos prontos para estrangeiros na Seleção. Quem sabe daqui uns 20 anos. Agora, não.

Vocês viajam, fazem encontros com treinadores importantes como Ancelotti, Mourinho, Klopp. Conversam, entendem seus métodos, por que não os trazem logo como técnicos? Reserva de mercado para os brasileiros?

Não adianta falar de fora. É preciso conhecer cada engrenagem da Seleção para perceber que não é o momento. Nós não copiamos simplesmente o que esses treinadores fazem. Nós adaptamos para a realidade do jogador brasileiro. É preciso a vivência com o nosso país. Por que não é a mesma coisa acreditar que alguém vai implantar o método do Barcelona, do Chelsea, aqui e pronto. As pessoas imaginam muito, sonham. Não têm noção da prática. A vivência hoje do Dunga na Seleção é fundamental.

5reproducao Não há nada ou ninguém que tire Dunga da Copa de 2018. O Brasil não está preparado para um técnico estrangeiro. Primeira parte da exclusiva com o coordenador da Seleção, Gilmar Rinaldi...

Dentre os vários encontros com treinadores estrangeiros, qual o mais marcante?

Foi ótima a conversa com o Mourinho. Ele é muito firme e fala mesmo. Foi logo perguntando se queríamos mesmo discutir treinamento, métodos de futebol. Dissemos que sim e ele revelou. Há vários treinadores que se especializaram em pedir fotos ao lado dele. E depois sair espalhando que aprenderam sua maneira de trabalhar. É, as coisas são assim. Muito menos bonitas do que as pessoas imaginam. Mas eu e o Dunga gostamos muito do Klopp. Ele também é duro, desconfiado. Perguntou de cara. Se havia tantos outros técnicos mais famosos, por que queríamos falar justo com ele. Dunga não deixou por menos. Porque como técnico do Borussia, ele tinha de montar um time por ano. Montava um bom e os jogadores eram vendidos. Ele queria saber como trabalhava bem e tão rápido. Aí, o Klopp sorriu e falou. 'Amanhã no CT'. Falamos com o Ancelotti, com o Simeone. Temos uma visão importante do que acontece no futebol europeu. Não estamos olhando para o próprio umbigo. Há muita novidade tática pelo mundo. Nós estamos atrás dela. Não vamos copiar, só pegar o que for melhor e encaixar no nosso estilo. Não vamos colocar a Seleção para jogar como o Barcelona, como o Borussia, como o Chelsea e pronto. Isso, nunca.

Você soube da proposta do Guardiola? Ele queria treinar a Seleção de graça?

Nunca soube nada disso. Não chegou nada até mim. E a escolha do técnico da Seleção passa por mim. Até estranhei quando as pessoas falaram. Mas nunca ouvi falar do Guardiola na CBF.

Dentre as situações que afastariam os técnicos de fora da Seleção está o fato de a CBF ter vendido os amistosos até 2022. Vocês não podem nem planejar contra quem gostaria de enfrentar. É uma vergonha, Gilmar.

As coisas são como são. A única coisa que eu garanto, Cosme é que pedimos adversários fortes. Mas quem tem o controle é esta empresa, (a Pitch). Foi o antigo presidente que vendeu os amistosos. Há a perda técnica, sim. Não podemos impor os adversários que seriam ideais. Talvez seja um erro. Talvez. Mas não foi nosso e já está feito. É irreversível. Fica difícil para qualquer treinador aceitar? Fica. Mas é assim e pronto. Não posso ficar chorando, imaginando como deveria ser. Há outro lado ruim. Como ela leva os jogos do Brasil geralmente para a Europa, para Londres, o torcedor vai perdendo a identificação com a Seleção. O que é uma pena. Para compensar, vamos trazer a Seleção Olímpica. Ela fará amistosos pelo Brasil até a Olimpíada. Qualquer treinador que treine o Brasil precisa entender. Cada país tem seus prós e contras.

1reproducao32 Não há nada ou ninguém que tire Dunga da Copa de 2018. O Brasil não está preparado para um técnico estrangeiro. Primeira parte da exclusiva com o coordenador da Seleção, Gilmar Rinaldi...

Gilmar, desculpe a sinceridade, mas vocês são loucos? Já está um desgaste danado. O Brasil perdeu a Copa América. Tem as Eliminatórias que serão difíceis demais. No ano que vem há a Copa América dos 100 anos nos Estados Unidos. Não bastasse tudo isso, o Dunga ainda fica com a Seleção Olímpica? Isso é suicídio...

De jeito nenhum. As coisas foram acontecendo. Quando cheguei, o Gallo era o treinador da Seleção Olímpica e o coordenador da base. Vi que era muita coisa. E o deixei apenas na Seleção Olímpica. Mas avisei para ele que queria um trabalho o mais cuidadoso possível. Veio a convocação para o Mundial. Falei para o Gallo checar nome a nome. Estava cansado de passar vergonha com a chamada de atletas contundidos. Foi o que aconteceu com o Grêmio. Havia um jogador importante (Matheus Piteco), contundido há dois meses. Os donos de seus direitos mandaram carta avisando que se sua contusão piorasse iria processar a CBF. Perguntei ao Gallo se ele havia chegado e disse que sim. O problema era que ele centralizava tudo. Quem deveria ligar para saber o grau das contusões de atletas importantes deveriam ser os médicos da CBF. Mas o Gallo tinha medo que as convocações vazassem. Não confiava em ninguém. Aí é impossível trabalhar. Expliquei ao Marco Polo. E decidimos pela demissão. Em cima da competição. Sabíamos que seríamos massacrados, mas preferimos agir. Graças a Deus escolhemos muito bem o Rogério Micale. Fez excelente campanha e chegou à decisão do Mundial da Austrália. Fomos vice. Mas mostrou a correção da escolha.

Mas e o Dunga, Gilmar?
Eu e o Marco Polo queríamos um treinador vivido, experiente na disputa da medalha olímpica. Sabemos muito bem o que significa. E que melhor técnico para nós? Com enorme capacidade a ponto de comandar a Seleção principal? Com a experiência olímpica (ganhou prata como jogador, em 1984. Gilmar era o goleiro daquele time que perdeu para a França. E Dunga foi o técnico que venceu o bronze em 2008). Sugeri o Dunga para o Marco Polo. Ele aceitou. Telefonamos para ele e não titubeou aceitando. Nós sabemos muito bem o que estamos fazendo. Tudo será bem dividido. O Andrey Lopes (auxiliar de Dunga) irá trabalhar junto ao Rogério Micale. Nada atrapalhará. O Dunga chegará muito bem para a Olimpíada no Brasil. Pronto para brigar pelo ouro.

A diferença da Olimpíada passada é grande. O Dunga não fez como o Mano Menezes, que tomou a seleção olímpica de Ney Franco. E há a certeza que Dunga não será demitido se não vier o ouro...

Sim. Não foi o Dunga que pediu para ir para a Olimpíada, não. Fomos nós que o colocamos. E ele não terá motivos para ser demitido pelo que acontecer em 2016. Estamos muito otimistas. O trabalho está sendo muito sério para a Olimpíada. Mas mesmo que nada dê certo, quero avisar a você e a todos. Não há nada ou ninguém que tire Dunga da Copa de 2018. Que fiquem avisados. Não há melhor treinador para o Brasil no Mundial da Rússia que o Dunga. E ponto final...
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