O sufoco que o Brasil passa para a Globo mostrar seus jogos após a novela. Gobbi e Alckmin anunciarão metrô aberto até a uma da manhã perto do Itaquerão. Mas e as outras torcidas? É indecente partidas acabarem à meia-noite às quartas-feiras…

2ae9 O sufoco que o Brasil passa para a Globo mostrar seus jogos após a novela. Gobbi e Alckmin anunciarão metrô aberto até a uma da manhã perto do Itaquerão. Mas e as outras torcidas? É indecente partidas acabarem à meia noite às quartas feiras...
Foi deplorável a cena. Centenas de corintianos deixando o Itaquerão correndo. O movimento começou por volta dos 25 minutos do segundo tempo. O time de Mano Menezes fazia excelente partida. Vencia o Bahia pela Copa do Brasil por 2 a 0. O jogo dava gosto de ver. O cheiro de importantes novos gols estavam no ar.

Mas o por quê desses corintianos saírem de forma alucinada do estádio? A resposta estava nas estações Arthur Alvim e Corinthians Itaquera do metrô. Elas fechavam às 0h21 e 0h19 da quinta-feira. Quem foi embora, perdeu o gol de pênalti de Renato Augusto. Com angústia, ouviram a vibração da cobrança aos 44 minutos do segundo tempo.

Quem foi otimista e precisava do metrô passou raiva. Eram falsos os boatos que as estações fechariam a uma da manhã. E encontraram as estações fechadas. Com policiais reforçando a segurança do metrô para evitar depredação. Jornalistas e fotógrafos esperavam pelo flagrante. Aliás, qualquer pessoa que tenha mais de dois neurônios sabia da situação.

Era a primeira partida no Itaquerão às 22 horas. As organizadas haviam implorado aos dirigentes do clube que cuidassem do metrô. Mas a diretoria nada conseguiu. E foi preciso que dezenas de torcedores acabassem expostos. Passassem vergonha e tivessem de comprometer alto dinheiro com táxi. Ou ir a pé pelas perigosas ruas na madrugada paulista até achar algum ônibus que os deixassem no caminho de casa.

A situação era mais do que prevista. Acontece que estamos em ano eleitoral. A assessoria do governador Geraldo Alckmin precisava agir. Ficou muito antipático para o PSDB. O melhor será romper todo o esquema utilizado há nos no metrô paulista. As revisões, consertos e testes são feitos diariamente da uma às quatro da manhã. Ou seja. Para isso, no máximo as estações precisam estar fechadas às 0h21 minutos.

Só que Alckmin não vai se desgastar com a torcida corintiana. Muito menos com a imprensa. E já convocou o presidente corintiano, Mario Gobbi para conversar na próxima terça-feira. O roteiro já está traçado.

Lógico, que o governador do PSDB vai ceder. Nos dias de jogos, as estações próximas do Itaquerão fecharão a uma da manhã. Gobbi sairá no braço do povo. Posará de herói.

A situação é patética. Porque não pode haver dois pesos e duas medidas. Por quê as linhas de ônibus perto do Morumbi não esticam seus horários em dias de jogos? No Canindé, também não. Tudo é normal. E quando finalmente o Palestra Itália for concluído? As estações também avançarão até a uma da manhã? Assim também quando o Santos usar o Pacaembu?

1reproducaoespn O sufoco que o Brasil passa para a Globo mostrar seus jogos após a novela. Gobbi e Alckmin anunciarão metrô aberto até a uma da manhã perto do Itaquerão. Mas e as outras torcidas? É indecente partidas acabarem à meia noite às quartas feiras...

Por mais que seja o clube mais popular de São Paulo, não há motivo de ser privilegiado. Alckmin precisa pensar nos torcedores das demais equipes. As organizadas destes clubes estão se articulando. E apenas esperam a reunião de terça-feira para brigarem por suas reivindicações.

O absurdo é que o ponto principal não será atingido. O absurdo horário das 22 horas. Ele só existe por exigência da Globo. A emissora quer o jogo de quarta depois de sua novela e ponto final. É assim há décadas. As tabelas dos jogos no Brasil e na América do Sul respeitam esse critério.

A CBF consulta a Globo e pergunta quantos jogos do Brasileiro de cada clube quer às 22 horas da quarta-feira. Este é o início do esqueleto da tabela do torneio nacional, da Copa do Brasil. A mesma regra vale para a Conmebol e a Libertadores. E, lógico, as federações e seus falidos estaduais.

A presidente Dilma já fez reuniões com o grupo Bom Senso. E mesmo com jornalistas no Planalto antes da Copa do Mundo. O tema das partidas às 22 horas foi tocado. Mas ela preferiu investir nas dívidas dos clubes. E no calote que os jogadores tomam dos dirigentes. Seu conselheiro, o ministro Aldo Rebelo, sabe. Brigar com a Globo para que as partidas aconteçam, pelo menos, às 21 horas, é uma luta inglória.

Mesmo sabendo que muitos trabalhadores precisam estar nos seus empregos às seis, sete da manhã. Fora os estudantes que também têm sua rotina prejudicada. Tudo por causa da intransigência de um canal de tevê.

Quando acerta a compra da transmissão dos jogos do Brasileiro, da Copa do Brasil, da Libertadores, da Sul-Americana, executivos globais deixam claro. A emissora tem o direito de exigir jogos às 22 horas. E ponto final. CBF e Conmebol aceitam. Assim como os presidentes de federações e clubes. Todos cedem porque precisam do dinheiro.

Por isso se buscam paliativos. Não há coragem para enfrentar o verdadeiro motivo do sufoco. Os corintianos podem comemorar. Terão as estações até a uma da manhã. Os são-paulinos, palmeirenses e santistas só esperam essa confirmação para pressionar os dirigentes de seus clubes. A ideia tem tudo para ser espalhada pelo Brasil.

Vale tudo para não contrariar a Globo e cortar o mal pela raiz, como deveria acontecer. Aldo Rebelo sabe que estaria mexendo em um vespeiro. E aconselha a presidente a se preocupar com a dívida dos clubes.

Que cada cidadão lembre disso quando na próxima terça-feira, Alckmin e Gobbi aparecerem dando as mãos sorridentes para as fotos. Segurar as estações de metrô até a uma da manhã por causa de jogos do Corinthians no Itaquerão não é vitória. É apenas a triste constatação. O futebol deste país é refém de uma emissora de tevê. E ela faz o que lhe dá mais lucro. O torcedor que se vire para voltar para a casa. Os jogos continuarão terminando no indecente horário da meia-noite às quarta-feiras...
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O desespero do lanterna Flamengo tirou do desemprego Vanderlei Luxemburgo. Foi contratado porque sua decadência o tornou um técnico barato. Mas também desacreditado. Um mero colecionador de vexames, demissões e fracassos…

2reproducao11 O desespero do lanterna Flamengo tirou do desemprego Vanderlei Luxemburgo. Foi contratado porque sua decadência o tornou um técnico barato. Mas também desacreditado. Um mero colecionador de vexames, demissões e fracassos...
Em maio, o amigo pessoal e responsável pelo futebol do Palmeiras, José Carlos Brunoro convenceu Paulo Nobre. Valeria a pena comprar a guerra com Mustafá e Belluzzo.

Ele ligou ao seu amigo pessoal, íntimo. O desempregado Vanderlei Luxemburgo. Já eram seis meses que ele estava largado, abandonado pelos grandes clubes. Os fracassos seguidos se seus projetos cansaram os dirigentes.

Marcaram uma reunião. O gerente Omar Feitosa esteve presente. Ambos foram claros. Disseram que, apesar de ser o ano de centenário, o clube vive uma crise financeira. Nem patrocinador consegue há mais de um ano. Nada de reforços importantes, comissão técnica gigante ou trabalho como manager, com direito a comprar e vender jogadores. Seria apenas técnico.

Quanto ao salário, o Palmeiras pagaria R$ 250 mil. E aumentaria de acordo com o desempenho do time. A tal da produtividade. Luxemburgo queria um salário maior e fixo. Não desejava depender da equipe fraca que teria para trabalhar.

Brunoro não teve como convencer Paulo Nobre. E o clube investiu no argentino Gareca.

E Luxemburgo completou oito meses de desemprego. Gente que o rodeia e ainda vive do seu dinheiro espalhou. Clubes do Oriente Médio e da China teriam interesse nele. O irônico é que nunca eram divulgados os nomes das equipes. Empresários sérios, que negociam com clubes grandes do Exterior, sabem que um técnico que há dez anos não ganha um título significativo. não tem mercado lá fora.

São dez anos de fracasso em termos nacionais de Luxemburgo. Virou mero colecionador de demissões e multas rescisórias. Foi assim no Palmeiras, Atlético Mineiro, Flamengo, Grêmio, Fluminense. Estava esquecido. Precisava de mídia.

Por isso não titubeou. Afinal havia jurado a amigos, anos atrás, que trabalharia na Copa de 2014. Não foi o técnico da Seleção Brasileira, como estava nos seus planos. Mas serviu escrever uma coluna para o jornal O Estado de S. Paulo. E comentar alguns jogos para a Fox Sports.

O que ele precisava, conseguiu. Colocar de novo a cara na mídia. Aparecer. Figura constante nas gigantescas salas onde a imprensa do mundo todo se reunia. Mal via um jornalista conhecido, fazia a maior festa. Queria se mostrar respeitado, conhecido. Era constrangedor.

Ao ser demitido do Fluminense, por ter colocado o time na zona do rebaixamento, Luxemburgo avisou que não tiraria qualquer período sabático. Queria trabalhar logo no começo de 2014. Só que ninguém o quis. Os dirigentes haviam se cansado de seus projetos vazios, ocos, sem sentido.

A sua rotina como treinador já foi decorada. Afinal, não muda há décadas. O senhor de 62 anos chega ao clube dizendo que não vem apenas pelo momento ruim do time. Mas para bancar um projeto sólido de reconstrução. Valorização dos jogadores da base. Incentivar os atletas que estão na equipe. Enquanto isso implora por reforços para os dirigentes.

Os princípios básicos de neurolinguística têm o efeito de um efervescente estomacal para alguém doente. Primeiro dá um alívio, o time reage, ganha algumas partidas. Depois, o efeito passa. O problema piora. Vanderlei se desentende com a estrela do clube. Tenta afastá-la para mostrar autoridade. Tudo que consegue é incentivar o ressentimento do grupo de atletas. Perde o comando. Lança juniores imaturos. Briga com dirigentes subalternos. O desgaste atinge o presidente do clube. E vem a demissão.

1reproducao16 1024x680 O desespero do lanterna Flamengo tirou do desemprego Vanderlei Luxemburgo. Foi contratado porque sua decadência o tornou um técnico barato. Mas também desacreditado. Um mero colecionador de vexames, demissões e fracassos...

Tem sido assim nos últimos dez anos. Nem no Flamengo, lanterna do Brasileiro, era prioridade. Os dirigentes sonhavam com o argentino Jorge Sampaoli. Não conseguiram o atrair para a Gávea. Pensaram em Oswaldo de Oliveira no Santos. Só que ele e sua esposa já passaram raiva demais com os atrasos salariais no Botafogo.

Os jogadores flamenguistas não recebem desde junho. Essa foi a principal dificuldade de Ney Franco. Tinha um time fraco e sem receber em dia na Gávea. Os atletas sabiam que seus R$ 500 mil entravam regularmente a cada 30 dias na sua conta. Ele não teve habilidade para resolver a situação. A campanha foi ridícula. Sete jogos. Quatro derrotas e três empates. Nenhuma vitória.

Pesou demais para a demissão de Ney o ato simbólico que teve durante a Copa. Foi para a Disney com a família. Não tinha o direito de fazer essa viagem de recreação com a família. Não diante da terrível situação do Flamengo. Depois de treinar por mais de 20 dias, a goleada por 4 a 0 diante do Internacional mostrou a necessidade da troca.

O diretor de futebol, Felipe Ximenez, vive uma fase terrível. Pior até do que a de Luxemburgo. Depois de bom trabalho no Coritiba, foi contratado pelo Fluminense. Ficou pouco mais de um mês. No Vitória, apenas 42 dias. Chegou em maio na Gávea e está alça de mira de Eduardo Bandeira de Mello. Se o decadente técnico contratado falhar, Ximenez faz as malas com ele.

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A desvalorização de Luxemburgo é palpável. Não tem nada de abstrata. Ele volta à Gávea pela quarta vez. Na última, em 2011, recebia R$ 700 mil mensais. Ney Franco ganhava R$ 500 mil. O sexagenário treinador ganhará R$ 350 mil. Bandeira de Mello só ficou tranquilo por ele ser 'barato'.

Os dirigentes flamenguistas sabem da paixão de Vanderlei por grandes e caras Comissões Técnicas. Ele trabalhará apenas com o ex-jogador Deivid como seu auxiliar. Será a primeira experiência do ex-atacante no cargo. O que é uma temeridade. Em compensação, terá o ótimo preparador físico e parceiro Antônio Mello. E só.

Seu contrato vai até o final de 2015. Com a direção do Flamengo tendo o direito a fazer uma avaliação ao final de 2014. Sua multa rescisória é baixa: dois salários. A meta atual segue o seu momento em queda na carreira. Só tem como missão evitar o rebaixamento para a Segunda Divisão.

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Os jogadores ficaram surpresos com o retorno de Vanderlei. As desavenças que causaram a sua demissão em 2012 foram lembradas. A obsessão por vigiar os atletas na concentração. Sua felicidade por ter filmado Ronaldinho Gaúcho levando para o quarto uma mulher na pré-temporada. E a constrangedora demissão, quando a então presidente Patricia Amorim preferiu ficar com o jogador e o colocou no olho da rua.

Não tinha nem assumido o clube e já pediu a contratação de Robinho. O jogador recebe quer ganhar R$ 800 mil no futebol brasileiro. Seu primeiro pedido nem foi levado em conta pela direção flamenguista. Foi apenas uma clara demonstração do quanto ele está fora da realidade do clube que deve mais de R$ 700 milhões.

Felipe Ximenez faz outra aposta precipitada. Coloca a cabeça na guilhotina por Luxemburgo. O dirigente diz que o contratou pelo passado, por ser flamenguista. Mas a verdade é que o trouxe de volta por ser barato e estar disponível, desempregado.

O clube mais popular do Brasil merecia um comandante muito melhor. Moderno. Que conheça profundamente estratégias atuais. Não alguém que precisa mostrar o currículo, vive iludido, com as glórias do passado. Mais preocupado com o que os jogadores fazem longe do treinamento.

Dez anos é uma eternidade no futebol. Ximenez vai descobrir o que Belluzzo, Kalil, Patricia Amorim, Fábio Koff e Peter Siemsen já sabem. O quanto não vale mais a pena acreditar nos 'projetos' do professor. A decadência o fez um técnico barato. Virou mero colecionador de vexames, demissões e fracassos...

(Acabou agora a entrevista de apresentação de Luxemburgo no Flamengo. Sua maior promessa: mudar o ar condicionado na sala de imprensa. Melhor frase. "Não vi nada de moderno taticamente na Copa." Não viu a versatilidade da Alemanha, os três esquemas táticos que a Holanda utilizava no mesmo jogo. Triste gosto de ranço da década de 90. Pobre Flamengo...)
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“A derrota na Copa foi uma tragédia para o nosso futebol. O jogador brasileiro virou o mais desvalorizado do mundo. Os clubes ficarão ainda mais pobres. O mal que o Felipão fez levará anos para ser apagado.” Milton Neves…

 A derrota na Copa foi uma tragédia para o nosso futebol. O jogador brasileiro virou o mais desvalorizado do mundo. Os clubes ficarão ainda mais pobres. O mal que o Felipão fez levará anos para ser apagado. Milton Neves...
"A Copa do Mundo para o nosso futebol foi uma tragédia. O jogador brasileiro hoje é o mais desvalorizado do planeta. O mercado publicitário que já está em retração, vai fugir dos clubes. Eles vão ficar ainda mais pobres. Os times mais fracos. O mal que o time do Felipão fez levará anos para se apagado.

"Nem o Dunga poderia imaginar na vida que voltaria para a Seleção. O Marin e o Del Nero são gênios. Já tinham chamado o Felipão e o Parreira para se protegerem. A derrota da Seleção ficou na conta dos dois. Com o Dunga já está sendo a mesma coisa. Todos só falam dele e esquecem de quem manda na CBF.

"Hoje o Tite é o técnico mais triste do mundo. Se preparou, ganhou Libertadores e Mundial. Deveria ter sido escolhido para comandar a Seleção. Só não foi pela jogada política brilhante do Marin e do Del Nero. O desprezo ao Tite é uma das maiores injustiças dos últimos anos neste país.

"Ridículo foi o Felipão ficar implorando para continuar. Ele deu um tiro no pé ao voltar à Seleção. Foi um carreirista de primeira. Tinha acabado de rebaixar o Palmeiras. Achou que tinha ganhado na loteria com o convite para voltar à Seleção. Fez um monte de propaganda por aí. E no final veio o maior vexame de todos os tempos.

"A dor que o Felipão está sentindo é como a da morte de um parente. Na hora você fica anestesiado, nem sente direito. Mas o 7 a 1 não vai largá-lo. Por onde for. E hoje só trabalha em seleção de terceiro nível, na Ásia, Oceania. Nenhum dirigente de grande seleção contratará o treinador que fez o Brasil passar por sua maior vergonha."

"Dunga e Felipão têm muita coisa em comum. São gaúchos. E muitas vezes convocaram pelas orelhas grandes. Mas nunca com o bolso."

Milton Neves. Um dos jornalistas esportivos com maior representatividade no país. Aos 62 anos, ele ainda está com os nervos a flor da pele. Indignado. Pelo vexame da Seleção Brasileira na Copa e também pela escolha de Dunga para comandar a Seleção Brasileira.

Foi uma hora de entrevista exclusiva. Puro desabafo, frustração. Indignação. Não esperava pela vergonha que a Seleção passou dentro do campo na Copa das Copas.

Milton, por que o Brasil passou esse vexame?

Porque tínhamos um técnico decadente, uma seleção fraca, com jogadores sem personalidade. E que nos enganou a todos na Copa das Confederações. Não é por acaso que nenhum país que venceu essa tal Copa das Confederações venceu a Copa. Eu também me deixei levar pela vitória diante da Espanha. Não percebemos que era um time orgulho mas decadente, envelhecido. Tanto que foi um fiasco na Copa. O Felipão acreditou que tudo estava resolvido. Não percebeu que a Alemanha, a Argentina, a Holanda estariam na Copa. O que esta ridícula Seleção de 2014 fez foi tirar todo o peso histórico do Brasil de 1950, do Barbosa. Perto desse time, a derrota para o Uruguai agora merece aplausos. Nunca pensei em ver a Seleção perder por 7 a 1. Só não foi dez ou mais porque os alemães tiveram pena. Quanta incompetência junta.

2ae7 1024x576 A derrota na Copa foi uma tragédia para o nosso futebol. O jogador brasileiro virou o mais desvalorizado do mundo. Os clubes ficarão ainda mais pobres. O mal que o Felipão fez levará anos para ser apagado. Milton Neves...

A culpa é de quem?

Do Felipão. Foi ele quem escolheu o time. Virou as costas, esnobou jogadores rodados, experientes que poderiam dar proteção, personalidade à equipe. Kaká, Robinho e até o Ronaldinho Gaúcho no banco seriam muito úteis. O erro de avaliação de Felipão não têm perdão. Foi muita incompetência para um treinador campeão do mundo. A Copa só serviu para mostrar que o tempo dele já havia passado. Até ele mesmo sabia disso quando rebaixou o Palmeiras para a Segunda Divisão. Ridículo foi o Felipão ficar implorando para continuar. Ele deu um tiro no pé ao voltar à Seleção. Foi um carreirista de primeira. Tinha acabado de rebaixar o Palmeiras. Achou que tinha ganhado na loteria com o convite para voltar à Seleção. Fez um monte de propaganda por aí. E no final veio o maior vexame de todos os tempos. A dor que o Felipão está sentindo é como a da morte de um parente. Na hora você fica anestesiado, nem sente direito. Mas o 7 a 1 não vai largá-lo. Por onde for. E hoje só trabalha em seleção de terceiro nível, na Ásia, Oceania. Nenhum dirigente de grande seleção contratará o treinador que fez o Brasil passar por sua maior vergonha.

Os jogadores também não foram frágeis psicologicamente demais? Pesou a obrigação de ter de vencer a Copa do Muno dentro do Brasil?

Não tínhamos um líder. O Thiago Silva foi muito mal escolhido. Antes de começar a Copa ele chegou a fazer uma propaganda dizendo que teve tuberculose e superou a doença, inclusive que matou o meu pai. Dizia que era um vencedor e que agora tinha no braço a braçadeira de capitão do Brasil. Cosme, me desculpe a grosseria, mas nunca a palavra braçadeira combinou tanto com caganeira. Que capitão é esse que em uma decisão por pênaltis senta na bola e abandona os companheiros? Capitão era o Dunga, o Carlos Alberto Torres. O cara precisa ter personalidade. O Matthaus da Alemanha definiu bem o Brasil. Que time é esse que chora no hino, quando ganha, quando perde, quando vai decidir pênaltis? Isso não existe. A preparação psicológica da Seleção foi patética.

Qual o principal erro técnico do Felipão?

Não houve um. Foram vários. Um deles já aconteceu antes mesmo da semifinal contra a Alemanha. A contusão do Neymar foi de uma burrice sem tamanho. O time vencia a Colômbia por 2 a 0 no segundo tempo. Ele estava cansado, machucado, sem energia. Tira o principal jogador do Brasil faltando 15 minutos para acabar, por favor. Mas não. O deixam em campo até tomar uma pancada por trás do Zúñiga e tirá-lo da Copa. O Parreira ainda teve a cara de pau de me responder: "E se a Colômbia empatasse o jogo? Ou virasse? E nós sem Neymar em campo? Iríamos ser crucificados". Fiquei revoltado na hora. Lembrei do Zagallo em 1998 com quando colocou o Ronaldo contra a França. Sabia que ele tinha tido uma convulsão, mas o escalou mesmo assim. "Perder com o Ronaldo foi ruim. E se eu perco sem o Ronaldo, que era o melhor do mundo, como ficaria?" Vi que esses treinadores só pensam neles mesmos. Não estão preocupados com o que será bom para o time. Mas pensam nas consequências para suas carreiras. O Felipão também ficou aliviado com o Neymar fora da Copa. Foi a desculpa ideal pelas derrotas que viriam em seguida. Mas ninguém imaginava que seriam tão humilhantes, principalmente a contra os alemães. O resultado tirou qualquer chance dele seguir na Seleção.

3afp8 1024x576 A derrota na Copa foi uma tragédia para o nosso futebol. O jogador brasileiro virou o mais desvalorizado do mundo. Os clubes ficarão ainda mais pobres. O mal que o Felipão fez levará anos para ser apagado. Milton Neves...

Como foi que você acompanhou a derrota por 7 a 1 para a Alemanha?

Olha, o meu programa na TV Bandeirantes começava logo depois dos jogos do Brasil. Quando a Alemanha marcou 2 a 0, eu fiquei nervoso. Vi que a Seleção não reagiria. Fiquei tão tenso que fui para o meu carro pegar algumas coisas, fazer hora. Quando voltei tive a certeza do desastre. Fiquei revoltado. Não chorei porque esse time não merecia. A Seleção Brasileira me fez chorar duas vezes na vida. A primeira foi na derrota contra a Itália em 1982. A segunda vez foi em 1986, contra as França. Eu trabalhava na rádio Jovem Pan. Quando chegaram os pênaltis, fiquei preocupado, tenso. Sentindo que algo ruim aconteceria. Fui para o banheiro e fiquei apertando a descarga por uns sete, oito minutos. Era era barulhenta. Não dava para ouvir nada. Quando parei de apertar, entrei na redação. E vi que havíamos perdido, sidos eliminados da Copa. Aí chorei. Eu não iria repetir isso com esse time do Felipão. Não merecia.

Você acredita que contra os alemães houve algum grave erro técnico?

Sem a menor dúvida. Quem me alertou foi o Rondinelli e o Brito, dois grandes zagueiros que tivemos no Brasil. O Felipão fez uma grande burrada com o David Luiz. Ele e o Thiago Silva formam a melhor dupla de beques do mundo. Mas com o Thiago na direita e o David na esquerda. O Thiago estava suspenso contra a Alemanha. Aí vai o Felipão e desloca o David Luiz para a direita e coloca o Dante no time. Foi um desastre. David não sabe marcar pela direita. Que colocasse o Henrique ou qualquer outro. Não mexesse com o David. Foi a grande contribuição de Felipão para os alemães. Mas eu também quero falar sobre o Dante.

Pode falar, Milton...

A postura dele no vestiário antes do jogo ao encontrar os alemães foi absurda. Ele começou a abraçar, brincar com os seus companheiros de Bayern de Munique. Perdeu toda a concentração. Parecia que estava indo para um casado e solteiros em um churrasco com os amigos. Chegou na partida, ele estava totalmente desconcentrado. Parecia com vergonha de marcar, dar pontapés nos seus companheiros de time. Se eu no meu camarim consegui enxergar isso, por quê o Felipão não viu? Pura decadência.

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Você acha que a derrota vai pesar na eleição? Prejudicará a Dilma?

Ao contrário de especialistas, eu acredito que sim. Foi péssimo para a presidente a derrota. A humilhação por 7 a 1. Essa raiva, desilusão, decepção passa para quem comanda o país. Vou dar exemplo baseado na minha história. Eu tinha 18 anos e não tinha noção das coisas em 1970. O Brasil ganhou a Copa do Mundo. E o Médici recebeu a Seleção Brasileira. Vi um velhinho com cara de avô vibrando com os jogadores. Depois o vi com um radinho acompanhando futebol. Era o mesmo radinho que o meu pai ouvia. Me encantei com ele. Tinha a maior simpatia pelo Médici. Se tivesse de votar, votaria nele. Mal imaginava que era um ditador, um general linha dura. E que no seu governo muita gente era torturada. Que governava pela força. Dilma não foi derrotada pela Copa. Ele deixará de ganhar votos importantes com a derrota do Brasil.

E o reflexo no futebol dentro do país?

A Copa do Mundo para o nosso futebol foi uma tragédia. O jogador brasileiro hoje é o mais desvalorizado do planeta. O mercado publicitário que já está em retração, vai fugir dos clubes. Eles vão ficar ainda mais pobres. Os times mais fracos. O mal que o time do Felipão fez levará anos para se apagado. O Real Madrid acaba de pagar mais de R$ 100 milhões pelo colombiano Jame Rodrígues. Atletas colombianos, holandeses, alemães estão valorizados. Nós fomos para o fundo do poço. Com exceção do Neymar, que fez uma Copa mais ou menos, quanto valem os outros jogadores? Quem foi vendido antes, melhor. Agora, todos estão em baixa. Esta geração ficará marcada. A derrota por 7 a 1 ficará para sempre no currículo desses jogadores.

Você considerou justo Dunga voltar para a Seleção?

Lógico que não. Ele é uma pessoa de muita importância para o futebol brasileiro dentro do campo. Talvez tenha sido o melhor capitão de todos os tempos. Durante os jogos cansou de gritar, berrar, cobrar o Ronaldo, Romário. Exigia que os dois ficassem no ataque. Não os deixava nem cercar o adversário, mesmo se tivessem sido orientados para isso. Ele gritava: 'vão marcar gols', cercar, marcar é comigo!". Mas como técnico não gosto do seu trabalho. Alguém que desprezou o Neymar e o Paulo Henrique Ganso no melhor momento de suas carreiras, na Copa de 2010, não pode ser levado a sério. Treinador comprometido com atletas que brigaram para servir a Seleção. E que foram levados para a Copa como prêmio, mesmo sem estar atuando bem. Não dá. Copa do Mundo é momento. Não dá para perdoar Dunga por ter deixado Neymar e Ganso em 2010.

Por que ele foi escolhido para o cargo?
Nem o Dunga poderia imaginar na vida que voltaria para a Seleção. O Marin e o Del Nero são gênios. Já tinham chamado o Felipão e o Parreira para se protegerem. A derrota da Seleção ficou na conta dos dois. Com o Dunga já está sendo a mesma coisa. Todos só falam dele e esquecem de quem manda na CBF. O Dunga é tosco, reto e honesto. Mas não deveria ser o técnico, não. Estava desterrado, esquecido. O momento para mim era do Tite. Hoje o Tite é o técnico mais triste do mundo. Se preparou, ganhou Libertadores e Mundial. Deveria ter sido escolhido para comandar a Seleção. Só não foi pela jogada política brilhante do Marin e do Del Nero. O desprezo ao Tite é uma das maiores injustiças dos últimos anos neste país.

Havia clima para um treinador estrangeiro?

Acredito que só um técnico de fora teria condições de chegar aqui e já ir impondo a sua maneira de trabalhar. O José Mourinho. Ele é bom, é português, portanto não teria problemas de comunicação. E mais: mascarado. É mascarado porque só ele quantos títulos ganhou. Não há uma pessoa mascarada que não seja boa no que faz. Eu o contrataria correndo.

2reproducao10 A derrota na Copa foi uma tragédia para o nosso futebol. O jogador brasileiro virou o mais desvalorizado do mundo. Os clubes ficarão ainda mais pobres. O mal que o Felipão fez levará anos para ser apagado. Milton Neves...

Você acha justa a influência da Globo na Seleção. Defende a filosofia pagou, tem privilégios?

Olha, Cosme, há horas em que é difícil aceitar algumas coisas. Eu tentei muito falar com o Felipão durante a Copa. Ele falava sempre com a Globo. É duro. Mas até não acho errado, não. A Globo paga pelo futebol. Sem o dinheiro que ela coloca não haveria futebol no país. Olha, eu sou da Bandeirantes, mas reconheço que o futebol ficaria inviável sem ela. Não estou na cobertura do dia-a-dia da Seleção. Ouço e sei que ela tem privilégios, como as exclusivas com o técnico da Seleção. Mas entendo. Ela paga.

Você defende uma intervenção do governo na CBF?

Não há como. Se a Dilma for fazer isso, a Fifa pode até desfiliar o Brasil. Como fez com a Federação Nigeriana por intervenção do governo. Acredito que há motivo para brigar por uma democratização na eleição da CBF. As coisas não podem continuar com os cartolas votando em cartolas. As federações e os presidentes de clubes sustentam por quanto tempo quiserem os presidentes da CBF. Tinha de haver a possibilidade de pessoas representativas no futebol poderem presidir a CBF. Meu sonho era ver alguém como Zico no cargo. Ele tem tudo para ser o nosso Platini. Mas não há um caminho hoje. O Marin vai sair e o Marco Polo ficará quanto tempo quiser. Ah, antes que eu me esqueça, quero falar uma coisa importante.

Pode dizer...

Estou revoltado com a falta de coragem dos entrevistadores, dos repórteres nas entrevistas coletivas com os técnicos da Seleção. Todos parecem ter medo de perguntar, de falar. A gente fica transmitindo essas porcarias de coletivas e as perguntas me dão vergonha. O Felipão fracassou com o Brasil e depois deu uma coletiva patética. Com direito ao Parreira ler cartinha de uma tal de dona Lúcia. Os repórteres representam a população do país. Tinham de ficar indignados e colocar esses caras na parede. Depois chega o Neymar e abraça o Felipão. Um gesto que de espontâneo não tinha nada. E os repórteres calados. Não aguento mais coletivas vazias com perguntas água com açúcar.

Como ficou o clima na Bandeirantes durante a Copa? Houve duas perdas importantes. As mortes de Luciano do Valle e do doutor Osmar de Oliveira?

Foi duro, muito triste. O Luciano foi antes de a Copa começar. Só que ele era o principal narrador da emissora. Foi uma perda muito importante, representativa. O Téo José assumiu o posto foi muito bem. O Datena se destacou também narrando e surpreendeu muita gente. Mas ele sabe até mais de futebol do que de polícia. A perda do Osmar acabou sendo muito mais próxima a mim. Era comigo que ele comentava os jogos. Ao meu lado no estúdio. Ele ficava sentado em uma cadeira esperando a hora de entrar. Fiz na semana passada o primeiro programa no mesmo estúdio que trabalhamos anos e anos. Aliás, estava com ele desde 1999. Muito tempo. Quando ia começar o programa, olhei para o lugar dele e vi o Ronaldo. Por um centésimo de segundo, me perguntei: cadê o Osmar? Aí que lembrei que ele morreu. As perdas do Luciano e do Osmar foram pesadas demais e em sequência.

A derrota por 7 a 1 para a Alemanha foi a pior de todos os tempos da Seleção Brasileira?

Sem a menor dúvida. E ela vai toda nas costas do Felipão. Incrível ele ter a cara de pau de insistir que deveria continuar na Seleção. Se ele fosse justo, deveria fazer ao contrário do que o Nadal faz quando ganha. O Felipão deveria ir para o centro do Mineirão depois do 7 a 1. Abaixar a cabeça e pedir desculpas para os quatro lados do estádio. E dizer que estava abandonando a Seleção. Fez todos os brasileiros passarem por uma das grandes vergonhas na vida. Mas não fez nada disso. E ainda tentou, de todas as formas, continuar comandando o Brasil. Só aqui mesmo uma atitude dessas. E quando tudo já está ruim, agora vem o Dunga...
 A derrota na Copa foi uma tragédia para o nosso futebol. O jogador brasileiro virou o mais desvalorizado do mundo. Os clubes ficarão ainda mais pobres. O mal que o Felipão fez levará anos para ser apagado. Milton Neves...

Os dez ganhadores do sorteio do livro O Lado Sujo do Futebol. Uma das mais reveladoras e importantes obras sobre os bastidores do futebol brasileiro…

1reproducao15 Os dez ganhadores do sorteio do livro O Lado Sujo do Futebol. Uma das mais reveladoras e importantes obras sobre os bastidores do futebol brasileiro...
"A organização. A atenção para os detalhes. A eficiência. Os Jogos de Berlim (de 1936, organizado pela Alemanha nazista de Hitler) foram um dos melhores espetáculos que vi na minha vida. Tudo era grandioso e perfeito. Você precisa lembrar que período da história era aquele. Todos admiravam o progresso da Alemanha." João Havelange.

"Ganhamos (a Copa de 1994), apesar da imprensa paulista. Filhos da puta!" Ricardo Teixeira.

"A Nike é uma empresa séria e honesta, que investe no Brasil. Mais por interesse em ajudar o esporte brasileiro que para ter lucro." Ronaldo.

"Eu tinha um objetivo claríssimo: ganhar a Copa do Mundo em 2002. Essa era minha 'job description'. Sandro Rosell.

"Olha para mim e me fala se eu diria uma bobagem dessa. Que eu ia dizer que o Lula era nada. E pedir suborno em tribuna, na frente de todo mundo. Faz favor, né?" Ricardo Teixeira.

"Ricardo Teixeira e João Havelange são acusados de deixar de revelar e entregar as comissões à Fifa. Eles causaram danos à Fifa por esse comportamento e enriqueceram ilegalmente." Thomas Hildebrand.

"Ricardo, a Copa é um bolo de 12 pedaços (estádios). O que você vai fazer com os outros onze, eu não sei. Mas se você mexer no meu pedaço, eu te fodo." Juvenal Juvêncio.

2reproducao9 Os dez ganhadores do sorteio do livro O Lado Sujo do Futebol. Uma das mais reveladoras e importantes obras sobre os bastidores do futebol brasileiro...

"(Ministro dos Esportes) Orlando (Silva), manda o Ricardo Teixeira parar de falar merda sobre esse negócio de estádio." Ex-presidente Lula.

"A Copa do Mundo é um evento privado. O papel do governo não é de investir, mas de ser um facilitador e um indutor. Não há motivo para pensar em dinheiro público. Faremos toda a competição com dinheiro privado." Ricardo Teixeira.

Essas são frases singelas que abrem os capítulos do livro O Lado Sujo do Futebol. Uma das melhores e mais reveladores publicações sobre os bastidores do esporte mais amado no Brasil.

Com uma vasta documentação, desvenda o que foi de verdade a passagem de João Havelange e Ricardo Teixeira pela Fifa e CBF. O trabalho de Amaury Ribeiro Junior, Leandro Cipoloni, Luiz Carlos Azenha e Toni Chastinet é brilhante. Não é por acaso que o livro frequenta a lista dos mais vendidos desde o seu lançamento. Muito menos que o próprio Romário fez questão de escrever o prefácio.

Como havia prometido antes da Copa do Mundo, com o maior prazer, mandarei dez exemplares aos leitores do blog. Em uma mistura de textos e palpites sobre os vencedores, o que eu quis foi premiar dez pessoas com algo representativo.

Não há mais espaço para ingenuidade, manipulação cega. O amante do futebol precisa entender de verdade como ele é conduzido no Brasil. Se recusar a ser apenas massa de manobra.

Aqui, os ganhadores. Barbara Emília, Rafael Falasco, Jeter Abreu, And. Cordeiro, Vô Maza, R. Lopes, Elizeu Germano, Edson Sobreira, Marcelo 1977, Guilherme VC. Entrarei em contato por e-mail. Os livros seguirão pelo correio.

Muito obrigado a todos que participaram. Se tiverem a chance, leiam o livro. Outros sorteios acontecerão. Sempre na mesma linha: conscientizar os leitores do que está por trás do futebol. E os torcedores têm a obrigação de saber...
3reproducao2 Os dez ganhadores do sorteio do livro O Lado Sujo do Futebol. Uma das mais reveladoras e importantes obras sobre os bastidores do futebol brasileiro...

Executivo da Globo veio à CBF tentar pressionar Dunga. Não conseguiu. O técnico vai repetir o que fez em 2010. Acabará mesmo com os privilégios da emissora que tanto atrapalharam o Brasil na Copa…

1ae15 Executivo da Globo veio à CBF tentar pressionar Dunga. Não conseguiu. O técnico vai repetir o que fez em 2010. Acabará mesmo com os privilégios da emissora que tanto atrapalharam o Brasil na Copa...
Rio de Janeiro...

Sede da CBF...

A cena mais simbólica da apresentação de Dunga como novo técnico da Seleção. Na entrada do suntuoso prédio da CBF, estava Marcelo Campos Pinto. Mesmo com uma lesão na perna, esperava de muletas. Esperava o final da coletiva para se encontrar com José Maria Marin e o treinador que a emissora não queria.

O diretor da Globo Esportes queria marcar território. O medo era Dunga acabar com os privilégios da emissora, que tanto atrapalham a Seleção. Ouviu o que não queria. Dunga recordou o que aconteceu na África do Sul.

"Não vou mudar a minha essência. Não darei privilégio para ninguém. Todos terão direito à mesma coisa. Tive atritos porque sou gaúcho e porque combinado não é caro. Eu cumpro o que é combinado. Talvez tenha levado muito na ponta da faca, porque cumpri muito, mas muito não foi cumprido. Não mudarei a minha essência, que é comprometimento, transparência e planejamento, mas é como o presidente falou: ninguém vai impedir a imprensa de trabalhar, mas o objetivo maior é a seleção. A seleção tem de estar acima."

Dunga ouviu de Gallo as histórias envolvendo Luiz Felipe Scolari e as farras na granja Comary. Como as visitas de Luciano Huck, de Mumuzinho, de Bruna Marquezine nos treinamentos durante a Copa. Isso não acontecerá de jeito algum com ele comandando o futebol brasileiro.

O executivo da Globo se reuniu com Marin e Dunga após a concorrida coletiva aqui no Rio de Janeiro. Outra vez teve motivo para fechar a cara. Marin e Marco Polo Del Nero juraram que seguirão o caminho da Alemanha. O treinador brasileiro terá licença para perder.

3ae2 Executivo da Globo veio à CBF tentar pressionar Dunga. Não conseguiu. O técnico vai repetir o que fez em 2010. Acabará mesmo com os privilégios da emissora que tanto atrapalharam o Brasil na Copa...

As duas Copas América que acontecerão em seguida, em 2015 e 2016, serão torneios preparativos para a Seleção. Sem o peso de obrigação de vitória para permanecer no cargo. Sua missão é classificar o time de forma firme para a Copa de 2018. Como Gallo comandará a Seleção Olímpica, ele não corre o risco de demissão até lá.

Marin e Marco Polo juraram a Dunga que não repetirão o que fizeram com Felipão. "O projeto é de quatro anos. Quatro anos", repetia o presidente da CBF.

Dunga estava orgulhoso. Sabe muito bem que foi a Globo quem pediu sua cabeça após a Seleção cair na Copa da África. Ricardo Teixeira chegou a jurar a Marcelo Campos Pinto que o treinador não voltaria a pisar na sede da CBF. O dirigente quis humilhar o técnico.

E o demitiu por telefone. Por ironia do destino, Teixeira vive agora no exílio em Londres. E o cargo voltou ao colo de Dunga.

3cbf1 Executivo da Globo veio à CBF tentar pressionar Dunga. Não conseguiu. O técnico vai repetir o que fez em 2010. Acabará mesmo com os privilégios da emissora que tanto atrapalharam o Brasil na Copa...

O técnico fez questão de ridicularizar pesquisas de opinião pública que o rejeitavam no cargo. Sabia muito bem que a principal delas foi feita no Fantástico do último domingo. E que apontou, segundo a Globo, uma rejeição de 85% da população brasileira.

"A pesquisa está aí para ser derrubada. Eu acredito muito no torcedor brasileiro, no carinho que o torcedor tem pela seleção brasileira. Como falei, não sinto essa tamanha rejeição pelo o que está se falando por onde eu passo.

"Toca a nós mudarmos a opinião das pessoas. Vimos que muitas enquetes que foram colocadas, as pessoas deram um jeito de mudar essas enquetes. Minha meta é mudar a maneira das pessoas pensarem a meu respeito.

Nelson Mandela tinha tudo contra e conseguiu mudar a forma das pessoas de pensar com paciência. Espero que eu possa ter 1% da paciência dele."

Marin e Marco Polo ficaram apaixonados pelo lado prático de Dunga. O currículo recente vencedor. Conquistas de Copa América, Copa das Confederações, classificação nas Eliminatórias de 2010 em primeiro lugar folgado. Com quatro rodadas de antecedência.

"Não vim aqui vender sonho. Mas realidade. O futebol brasileiro precisa de resultados dentro do campo. Sem isso não há como seguir um trabalho. A nossa cultura é assim."

Dunga foi bem claro. Ele aproveitou que Marin e Marco Polo estão fragilizados para se impor. Não vai aceitar a cota altíssima que Gallo queria na Seleção principal. Nada de 30% a até 50% de jovens, com idade olímpica.

Não vai arriscar estar no comando da Seleção e perder os próximos jogos. Sabe que precisa, por exemplo, vencer os amistosos contra Colômbia, em Miami, e Equador em setembro, em New Jersey. Argentina, em Pequim e Turquia, em Istambul, em novembro.

Dunga também não quer saber de choro na Seleção. Terá uma conversa séria com os atletas, traumatizados com a Copa do Mundo. Há a certeza que Thiago Silva deixará de ser capitão do time. A busca será por um atleta mais vibrante, talvez David Luiz. Neymar é candidato ao cargo. Repetir o que Messi faz na Argentina. Mas é muito novo e o novo treinador quer alguém mais tarimbado, rodado.

Esperto, o técnico sentiu o quanto a CBF está desnorteada depois dos 7 a 1 para a Alemanha e mesmo os 3 a 0 contra a Holanda. O inédito vexame de duas derrotas, dez gols sofridos, na semifinal e na decisão do terceiro lugar. E vai impor os nomes que desejar na sua Comissão Técnica. Taffarel tem tudo para ser o novo treinador de goleiros. E Andrey Lopes, o "Cebola", deverá ser seu auxiliar. A volta de Jorginho está, por enquanto, descartada.

"Já fomos os melhores. Não somos mais. Seleções como a Alemanha levaram anos trabalhando para conseguir resultados. A campeã do mundo de agora perdeu duas competições e não mudou o seu comando. Não vou vender sonhos. Assumir o Brasil já é um sonho. Voltar é um privilégio. E não vou desperdiçar."

Discursou, para tristeza de Marcelo Campos Pinto...Luciano Huck...Mumuzinho, Fátima Bernardes...Patricia Poeta...Galvão Bueno...

O privilégio acabou. De novo...
1afp21 Executivo da Globo veio à CBF tentar pressionar Dunga. Não conseguiu. O técnico vai repetir o que fez em 2010. Acabará mesmo com os privilégios da emissora que tanto atrapalharam o Brasil na Copa...

A primeira e difícil missão de Dunga: tirar a Seleção da ultrapassada granja Comary. Marin não consegue enxergar. A hora é de acabar com a farra dos patrocinadores e dos torcedores. E deixar a Seleção trabalhar de verdade…

2cbf A primeira e difícil missão de Dunga: tirar a Seleção da ultrapassada granja Comary. Marin não consegue enxergar. A hora é de acabar com a farra dos patrocinadores e dos torcedores. E deixar a Seleção trabalhar de verdade...
Rio de Janeiro...

Domar o gênio explosivo e tentar, usando diplomacia, se livrar da granja Comary. Este será um dos maiores desafios de Dunga na sua volta à Seleção Brasileira. A concentração em Teresópolis é a mostra de quanto é atrasada a mentalidade da cúpula da CBF.

Das 32 seleções que acabaram de disputar a Copa do Mundo, só a brasileira, a anfitriã, não teve o mínimo de privacidade. E nem direito a um treino fechado, reservado exclusivamente a Felipão e seus atletas. Todas os outros 31 selecionados treinaram longe de jornalistas e observadores de times adversários. Só a equipe brasileira se expôs como se estivesse em um programa de auditório.

O mais absurdo e inadmissível exemplo aconteceu exatamente na véspera da pior derrota brasileiras da história. No coletivo em que Felipão decidiria a equipe que enfrentaria a Alemanha. Ao levar seus jogadores para o gramado da granja Comary, o cenário era ridículo.

De um lado, arquibancada para patrocinadores. Lotada de empresários e seus familiares. Crianças com caneta e máquinas fotográficas esperando o final do treino para o contato com os atletas. Era lá que atores globais cansaram de ir se divertir.

Do outro, centenas de torcedores em frente a um condomínio que fica de frente à concentração. Atrás de um gol, uma cobertura de madeira para comportar os cerca de 700 jornalistas que acompanhavam diariamente os treinamentos. Entre nós havia, com toda a certeza, observadores das seleções adversárias da Seleção.

O clima era de feira livre. Não bastassem as credenciais para todo o período de treino, havia as que davam direito a um dia apenas de observação. Geralmente dadas a amigos, dos amigo dos amigos. Muitos levavam salgadinhos e refrigerantes para acompanhar o show.

Fora tudo isso, havia a Globo, Bandeirantes, Fox Sports e ESPN. Todas filmando todo o treinamento. As emissoras a cabo, mostravam tudo ao vivo.

Felipão e seus atletas não tinham liberdade para dar um espirro sem serem fotografados, filmados. Cada grito, cada palavrão de incentivo ou de cobrança de Felipão era ouvido, registrado. Ele passou a Copa inteira se policiando, se tolhendo. Não sendo Felipão.

Questionei o então diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva. Argumentei que todas as seleções treinavam de maneira discreta, profissional, reservada.

"O Felipão faz treinos secretos na cara de vocês, jornalistas, e ninguém sabe o time que vai jogar. A Granja Comary é ótima." Garantia, fiel a José Maria Marin.

A estratégia se mostrou ridícula. Felipão no coletivo decisivo antes da partida contra a Alemanha testou quatro times diferentes. O que entrou em campo no Mineirão, com Bernard no lugar de Neymar, treinou exatos dez minutos. Para enfrentar uma equipe que atuava com os mesmos jogadores há oito anos! O 7 a 1 tem lógica, sim. A humilhação nasceu na granja Comary.

 A primeira e difícil missão de Dunga: tirar a Seleção da ultrapassada granja Comary. Marin não consegue enxergar. A hora é de acabar com a farra dos patrocinadores e dos torcedores. E deixar a Seleção trabalhar de verdade...

Marin detesta tocar no assunto. Ele gastou R$ 15 milhões em reformas da concentração brasileira. Trocou quartos, fez piscinas de água quente, televisão a cabo, Internet, restaurante de excelente nível. Sala de musculação, fisioterapia. Reservou apartamentos individuais para cada atleta. Só se esqueceu do principal: os campos abertos, escancarados.

Não há como tornar a granja Comary inviolável. Ela é cercada por montanhas. Mesmo se a CBF colocar tapumes, aos jornalistas e observadores rivais basta subir o morro.

Dunga sabe disso. Mas é assunto proibido para Marin. O treinador terá o resto do ano para tentar convencer Marco Polo del Nero, o próximo presidente da CBF. Ele é menos apaixonado pela Comary do que o atual comandante da entidade.

O sucessor eleito já ouviu várias e várias queixas sobre o local reservado à Seleção principal. O ideal seria deixar a reformada concentração para as equipes de base. E procurar outro lugar,mais reservado, para Dunga poder trabalhar.

Todas as grandes seleções do mundo mantêm concentrações isoladas. Não é para dificultar a vida de jornalistas. Mas porque o trabalho exige. A visão de Marin é absolutamente ultrapassada. O time não pode ficar exposto como em um aquário, zoológico.

Dunga encarcerou a Seleção Brasileira em um campo de golfe na África do Sul. Os deixou longe do mundo. Estavam mais para personagens de Lost do que uma delegação esportiva. Os jogadores foram proibidos de dar entrevistas longe do olhar de Dunga. Nem mesmo na folga.

O Brasil está precisando desesperadamente de bom senso. Deixar a soberba de se expor como se o time fosse tão bom que não há nada o que esconder. No futebol moderno, há sim. Novas estratégias...Plano A com Neymar; plano B sem Neymar. Dois volantes de marcação; três volantes. Um atacante fixo. Nenhum jogador parado na frente. Três zagueiros; dois.

Implantar duas linhas de marcação. Treinar jogadas de bola parada. Faltas, pênaltis. Movimentação nos escanteios e cruzamentos. Enfim...Uma infinidade de ações que um time moderno tem de fazer em paz. Longe dos olhos de quem quer que seja.

Isso já acontece na Europa há mais de 15 anos. A chacoalhada que o Brasil levou da Alemanha por 7 a 1 precisa servir para acabar a soberba, o provincianismo.

3cbf A primeira e difícil missão de Dunga: tirar a Seleção da ultrapassada granja Comary. Marin não consegue enxergar. A hora é de acabar com a farra dos patrocinadores e dos torcedores. E deixar a Seleção trabalhar de verdade...

A Seleção necessita de uma concentração de verdade, longe dos patrocinadores, dos atores globais, dos espiões de outros países. E até dos jornalistas nacionais. Só assim Dunga poderá trabalhar em paz.

Enquanto o time continuar treinando na ultrapassada Granja Comary estará se escancarando para os adversários. Dunga sabe disso. E vai enfrentar fazer de tudo para tirar a Seleção do local que é a 'menina dos olhos' de Marin. Ele e Marco Polo precisam entender que os R$ 15 milhões gastos na reforma foi um erro. Mas fácil de consertar.

Só em 2013, a receita da CBF ficou em R$ 436,5 milhões. Em 2014, com a Copa do Mundo, esse valor deve passar dos R$ 500 milhões. Esquecer os R$ 15 milhões enterrados na Granja Comary pode fazer toda a diferença. Entre o futuro ou ficar preso no passado por causa de um terreno comprado nas montanhas em 1987, quando nem se cogitava a importância de treinos secretos...
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Globo revoltada com a CBF. A emissora dona do monopólio do futebol no país não aceita a volta de Dunga à Seleção. Confronto sério à vista. Ou Dunga deixará de ser Dunga. Como Felipão não foi Felipão…

2divulgacao Globo revoltada com a CBF. A emissora dona do monopólio do futebol no país não aceita a volta de Dunga à Seleção. Confronto sério à vista. Ou Dunga deixará de ser Dunga. Como Felipão não foi Felipão...
Para bom entendedor, uma última mensagem no Fantástico vale muita coisa. A Globo fez questão de avisar. Dunga, o novo treinador da Seleção, teve 85% de rejeição na pesquisa que a emissora fez com seu público. E fez questão de divulgá-la com destaque. Ou seja. O ressentimento ainda não acabou.

Marin e Marco Polo não terão o apoio da rede de televisão que detém o monopólio do futebol e da Seleção no país. O prejuízo com o vexame na Copa do Mundo foi palpável para a emissora. Havia várias campanhas publicitárias engatilhadas com um eventual título.

A derrota afeta também os campeonatos internos. Nos Brasileiros da Série A e da Série B, de propriedade da emissora. Que os mostra na tevê aberta e a cabo, na Sportv. O clima de ressaca com a derrota do Brasil é generalizado.

Executivos da Globo sonhavam com uma revolução depois de Felipão. A contratação de um executivo com trânsito internacional como Leonardo. E a aposta em um técnico estrangeiro. De renome. Guardiola, Mourinho, Jürgen Klopp. Até o argentino Sampaoli que comanda o Chile.

A Globo esperava e queria uma revolução. Daria novo ânimo para o futebol, produto que assume como seu.

A confirmação de Gilmar Rinaldi já abalou a relação com Marin e Marco Polo. Foi um balde de água fria. Por mais idôneo que Rinaldi seja, e é, colocar um empresário para tomar conta de todas as seleções é simbólico. Inaceitável. Mas o melhor estava reservado para o nome do técnico.

Nunca um treinador havia rompido com a Globo como Dunga. Ele enfrentou o então presidente Ricardo Teixeira em plena Copa da África do Sul. Ele havia encarcerado a Seleção em um clube de golfe. Proibido o acesso dos jornalistas. E as entrevistas mesmo nas folgas.

A 'proibição aos jornalistas' quis e atingiu em cheio o coração da Globo. A emissora foi quem sempre se beneficiou de privilégios na cobertura da Seleção. Mesmo o disciplinador Felipão teve de se dobrar ao acordo entre Marin e Globo. E engoliu Luciano Huck e Mumuzinho atrapalhando coletivos. Bruna Marquezine, Juliana Paes, Carolina Dieckmann na concentração durante a Copa do Mundo.

O então presidente Ricardo Teixeira ficou histérico com a proibição. O executivo responsável pela Globo Esportes, departamento que engloba todo o futebol da emissora, exigiu que a CBF agisse. Teixeira mandou que Dunga cedesse e abrisse a concentração para a Globo. O técnico negou e até ameaçou abandonar o cargo em plena Copa.

2reproducao8 Globo revoltada com a CBF. A emissora dona do monopólio do futebol no país não aceita a volta de Dunga à Seleção. Confronto sério à vista. Ou Dunga deixará de ser Dunga. Como Felipão não foi Felipão...

Em seguida, teve a histórica situação com o apresentador Alex Escobar. Dunga dava uma coletiva e Escobar falava ao celular. Depois de uma resposta, o treinador entendeu que Escobar desdenhava de suas respostas. Passou a xingá-lo enquanto o que falava era traduzido aos jornalistas internacionais. Foi um escândalo.

A Globo rompeu com o técnico. E depois da derrota diante da Holanda, ele foi crucificado na emissora. Nunca um treinador foi tão execrado por um veículo de comunicação. Teixeira logo pediu arrego. Fez jogadores da Seleção homenagearem Escobar. Robinho posou com uma camisa com o nome do jornalista xingado pelo técnico.

1cbf8 Globo revoltada com a CBF. A emissora dona do monopólio do futebol no país não aceita a volta de Dunga à Seleção. Confronto sério à vista. Ou Dunga deixará de ser Dunga. Como Felipão não foi Felipão...

Dunga ficou sem trabalhar por três anos. Mas antes de assumir o Inter, a Globo buscou a reaproximação entre Alex Escobar e ele. Muito constrangidos, os dois até marcaram 'um café' para conversar. O que nunca aconteceu.

Dunga voltou ao futebol depois que seu pai, que passou anos em coma, morreu. Fez um trabalho fraco no Internacional. Ganhou o Gaúcho do confuso Grêmio de Luxemburgo. Mas fracassou no Brasileiro e, apesar de ídolo no Beira-Rio, foi demitido sem dó. O time despencava.

O técnico se recolheu, magoado. Se foi esquecido pelos grandes clubes do país, um país o queria de qualquer maneira comandando sua seleção: a Venezuela. Foram oferecidos salários de R$ 350 mil mensais e mais premiação de R$ 11 milhões caso classificasse o time para a Copa da Rússia.

Dunga estava pronto para aceitar. O presidente da Federação Gaúcha, Francisco Noveletto, estava intermediando sua ida para lá. No meio do processo, Dunga desapareceu. Disse apenas por mensagem no celular que precisava ir a São Paulo. Verdade. Veio e se reuniu com Marco Polo, Marin e Gilmar Rinaldi.

O treinador foi escolhido pelo que representa. Foi o único capitão de toda a história do futebol a levantar o troféu da Copa do Mundo xingando. Em 1994 mostrava a taça e xingava os jornalistas que o perseguiram desde 1990, duvidaram da Seleção de Parreira.

Com ele, Marin tem a certeza que o perfil do psicológico do time brasileiro mudará. Em vez de lágrimas, a raiva, a autoestima. Gilmar Rinaldi convenceu Marin e Marco Polo com os números de Dunga no comando da Seleção. Foram 59 partidas, 41 vitórias, 12 empates e apenas seis derrotas. Conseguiu 76% de aproveitamento. Classificou o time em primeiro nas Eliminatórias, ganhou Copa América e Copa das Confederações.

1afp20 Globo revoltada com a CBF. A emissora dona do monopólio do futebol no país não aceita a volta de Dunga à Seleção. Confronto sério à vista. Ou Dunga deixará de ser Dunga. Como Felipão não foi Felipão...

A cúpula da CBF nem pensou em consultar ou avisar a parceira Globo. Foi um ato de independência inesperado. E que reverberou da pior maneira nos corredores globais. A postura cuidadosa de quem trata o futebol como um produto vai mudar. Ou melhor, já mudou.

Dunga já começa a ser questionado, bombardeado nos programas com espaço para opinião na Sportv. Até a Globo perdeu a história condescendência. A firmeza com que divulgou os 85% de rejeição ao novo 'velho' treinador foi significativa. Os executivos não aceitarão passar pelas mesmas situações vividas em 2010. Ter as portas da Seleção fechadas como os outros veículos de comunicação.

Em 2010, Dunga justificava ser democrático. Não abriria exceção para ninguém. Só se esqueceu que a Globo paga pelo futebol. E exerce o direito que o dinheiro lhe dá há mais de 40 anos, desde a época da Ditadura Militar. Ela sempre teve acesso aos intestinos da Seleção Brasileira.

Só houve um treinador que disse não. E que executivos da emissora tinham certeza que nunca mais pisaria na CBF. Foi esse mesmo que Marin, Marco Polo e Gilmar Rinaldi resgataram. Não levaram em conta a velha e autoritária parceira. O motivo: mostrar independência.

A farra da Globo na granja Comary com Felipão e Parreira foi imposta por Marin. Tirou o foco dos jogadores, atrapalhou profundamente o trabalho. O Brasil foi a única das 32 seleções que disputaram a Copa a ter o direito de fazer um treino secreto em sua concentração. Para agradar a Globo.

Marin e Marco Polo ficaram revoltados quando a própria emissora passou a criticar o trabalho na Granja Comary. Foi amador justamente para agradar a Globo. Quando não deu certo, ela cobrou a falta de seriedade. Por isso teve o troco. Ele se chama Dunga. O treinador com 85% de rejeição dos brasileiros, segundo o Fantástico.

Confronto à vista. Entre os antigos sócios: a emissora que controla o futebol e a CBF. Só há dois caminhos. Ou a Seleção realmente se fecha, faz um trabalho sério, sem privilégios, enfrentando um bombardeio de cobranças. Ou Dunga não será Dunga. Como Felipão não pôde ser Felipão. E hoje se arrepende muito, massacrado pela emissora que tanto ajudou na Copa. Não haverá meio termo...
1reproducao14 Globo revoltada com a CBF. A emissora dona do monopólio do futebol no país não aceita a volta de Dunga à Seleção. Confronto sério à vista. Ou Dunga deixará de ser Dunga. Como Felipão não foi Felipão...

A falta de ambição de Muricy Ramalho. Sem um pingo de dor na consciência, ele abre mão da briga pela Seleção. Até avisa que Dunga merece nova chance. Muricy é o ‘Rubens Minelli” dos anos 2000. Muito mais feliz…

1ae14 A falta de ambição de Muricy Ramalho. Sem um pingo de dor na consciência, ele abre mão da briga pela Seleção. Até avisa que Dunga merece nova chance. Muricy é o Rubens Minelli dos anos 2000. Muito mais feliz...
Mais de 43 mil pessoas lotaram ontem o Morumbi. Fizeram música especial para Rogério Ceni, ele completaria 600 vitórias pelo clube que ama. Trataram de ironizar o Palmeiras pelo clube ter tomado Alan Kardec. Se ajeitaram nas arquibancadas vermelhas prontas para desfrutar uma goleada.

E homenagear aquele que deveria estar na Seleção, pelo menos na concepção do são paulino. Mas o "É Muricy ! É Muricy!" ficou entalado na garganta. Como homenagear o treinador depois do vexame?

A derrota por 1 a 0 para a Chapecoense foi simbólica. Muricy Ramalho parece não ser talhado para a Seleção Brasileira. Não fez desse projeto sua meta de vida. Muito pelo contrário. Por dois motivos. O primeiro não se sujeitar aos caprichos da cúpula da CBF. E o segundo, preservar sua saúde diante de tanta pressão.

Ele nunca se empenhou em fazer política para chegar ao cargo. Como, por exemplo, Vanderlei Luxemburgo. Ele declarou por anos que chegaria ao cargo. Fez alianças profundas com Jota Hawilla, dono da Traffic, e amigo íntimo de Ricardo Teixeira. Chegou ao cargo, mas a CPI do Futebol lhe fechou as portas para sempre da CBF. Assim como agora os clubes grandes já o abandonaram. Na Copa fez um bico como comentarista da Fox Sports e disse a jornalistas que pretende revolucionar o futebol brasileiro, abolindo as concentrações. Pregou ao vento. Continua sem convite para trabalhar.

Muricy seguiu o caminho totalmente contrário do seu contemporâneo Luxemburgo. Preferiu o trabalho na sua plenitude. Sem buscar lobby de imprensa, aliança com dirigentes. Trilhou as pegadas de Rubens Minelli. Treinador revolucionário no futebol brasileiro na década de 70. Tricampeão seguido brasileiro. Venceu dois títulos com o Internacional, 75 e 76. E em 1977 fez o São Paulo campeão, com um time muito fraco, em pleno Mineirão contra um fortíssimo Atlético Mineiro.

Minelli nunca chegou à Seleção Brasileira. Na época, o comando da CBF era carioca. O bairrismo estava muito mais aflorado, até porque os jogadores tinham inúmeros obstáculos para atuar no Exterior. Os melhores ficavam ou no Rio ou em São Paulo. O capitão do Exército, Cláudio Coutinho, foi para a Copa da Argentina em 1978.

Muricy Ramalho pelo menos vai poder dizer que foi além: teve o convite da CBF. Deveria assumir a Seleção na vaga de Dunga. A maneira com que o técnico foi convidado para o cargo expõe como é amador o futebol deste país.

2ae5 A falta de ambição de Muricy Ramalho. Sem um pingo de dor na consciência, ele abre mão da briga pela Seleção. Até avisa que Dunga merece nova chance. Muricy é o Rubens Minelli dos anos 2000. Muito mais feliz...

O Fluminense havia jogado no Maracanã em julho de 2010. Muricy Ramalho estava caminhando para sua coletiva obrigatória. Quando foi abordado por jovem bronzeado, sorridente. Ele o chamou de lado e avisou que então presidente Ricardo Teixeira o queria na Seleção Brasileira. Muricy pensou que fosse pegadinha. Se irritou. Não sabia quem era a pessoa que o abordava e nem como tinha liberdade para entrar no vestiário.

Se tratava de Victor Rios. Auxiliar do diretor de Comunicação da CBF. Ricardo Teixeira havia escolhido Muricy. Mas estava brigado com o então presidente do Fluminense, Roberto Horcades. E mandou Victor convidar o treinador a uma conversa. Muricy só aceitou conversar quando o assessor o colocou para falar por telefone com Ricardo Teixeira.

No dia seguinte, se reuniu com o dirigente e Rodrigo Paiva. Acertou tudo. Mas havia os R$ 5 milhões de multa rescisória para deixar o Fluminense. Horcades mandou avisar que não liberaria o treinador sem o dinheiro. Era uma afronta a Teixeira. Por birra, a milionária CBF avisou que não daria um centavo. E Muricy continuou nas Laranjeiras. Mano Menezes foi para seu lugar.

Outro fator que o desestimula a brigar pela vaga que foi de Felipão é a saúde. Em 2013, Muricy teve uma diverticulite. Nunca passou tão mal na vida. Pensou que poderia até morrer. Ficou obsessivo lembrando da isquemia cerebral que afetou Telê Santana. Se sentiu muito culpado por negligenciar a família em relação ao futebol. Decidiu que teria férias de verdade. Viajaria, descansaria muito mais ao lado da esposa e filhos. Não seguiria o exemplo de Telê, dormindo na concentração do clube. Desde então passou a dosar melhor sua carreira e vida particular.

Ao contrário do que o coordenador de Seleções, Gilmar Rinaldi, declarou, Muricy não se encaixa no perfil do novo técnico da Seleção. Não tem disposição para viajar à Europa para entender as mais modernas maneira de treinar um time. Não quer assumir a postura de um estudante.

Aos 58 anos, o tetracampeão brasileiro quer é reconstruir o São Paulo. Montar uma equipe forte, recolocá-la na Libertadores de 2015. Brigando pelo título nacional. De maneira tradicional. Pressing principalmente no início da partida, duas linhas de quatro, troca consciente de bola do meio para a frente. Do meio para a frente um time sem posição fixa. Situações que viu na Copa do Mundo. E ainda estão sendo treinadas.

A derrota para a Chapecoense mostra que ainda há muito trabalho a fazer. Mas com calma, com a forte pressão de um clube. É o que suporta. Não quer o país todo cobrando uma revolução na Seleção Brasileira. Por isso, Muricy abre mão da concorrência.

4ae A falta de ambição de Muricy Ramalho. Sem um pingo de dor na consciência, ele abre mão da briga pela Seleção. Até avisa que Dunga merece nova chance. Muricy é o Rubens Minelli dos anos 2000. Muito mais feliz...

"O trabalho que Dunga fez foi muito bom. O resultado que teve, até o meio tempo contra a Holanda, estava perfeito. Em 45 minutos mudou tudo. O futebol é difícil. Então, pelo trabalho que ele fez, mesmo não tendo experiência, foi muito bom. Merece outra chance."

Muricy já se colocou fora da briga pelo comando da CBF. Lógico que ele não queria. Mas a derrota para a Chapecoense veio bem a calhar. Não há como defender hoje sua nomeação. O impacto da frustração de ontem pesa. Pelo jeito, Muricy seguirá a trajetória de Rubens Minelli. Não terá o prazer de comandar a Seleção Brasileira. Só que sem sentir um pingo de frustração. Na verdade, uma boa dose de alívio.

Seus dois prazeres na vida são brigar por novos títulos para o São Paulo e viajar com a família. Dispensa as profundas dores de cabeça que a Seleção, com toda a certeza, lhe reservaria...
5ae A falta de ambição de Muricy Ramalho. Sem um pingo de dor na consciência, ele abre mão da briga pela Seleção. Até avisa que Dunga merece nova chance. Muricy é o Rubens Minelli dos anos 2000. Muito mais feliz...

O retorno de Dunga à Seleção não seria revolução. Mas retrocesso. A situação parece encaminhada. Muricy e Tite já agem como preteridos. Esse é o Brasil de Marin e de Gilmar Rinaldi…

1afp19 O retorno de Dunga à Seleção não seria revolução. Mas retrocesso. A situação parece encaminhada. Muricy e Tite já agem como preteridos. Esse é o Brasil de Marin e de Gilmar Rinaldi...
O novo técnico da Seleção já está contratado. Será anunciado às 11 horas, na próxima terça-feira, na sede da CBF. Os jornalistas já foram convocados para a entrevista coletiva de apresentação. Ou seja, tudo se sacramentou.

Resta apenas saber quem será o substituto de Felipão. A rádio Jovem Pan, a revista Placar e o jornal Extra garantem. Gilmar Rinaldi teria acertado o retorno de Dunga. Nome surpreendente. Tanto quanto um empresário coordenar todas as seleções brasileiras.

Tudo rapidamente caminha para uma incrível mudança de cenário. José Maria Marin e Marco Polo del Nero não querem nem pensar em treinador estrangeiro. Nacionalistas, acreditam que o país conquistou cinco títulos com treinadores brasileiros e não seriam eles quem entregaria a Seleção a alguém que não nasceu por aqui.

As candidaturas dos dois favoritos ao cargo estão se desmanchando. Desde que o Corinthians não quis renovar seu contrato, dezembro de 2013, Tite ficou na espreita. Foi para a Europa, se 'reciclar', aprender como os grandes treinadores do mundo preparam os times, as seleções. Esperava usar esses métodos novos na CBF.

A espera tem sido em vão. Desde que Felipão foi demitido não recebeu nenhum contato. A garantia vem da própria família de Tite. E mais, pessoas que trabalham com o treinador garantem ser verdade. Cansado do desprezo por parte de Marin, o técnico já deixou vazar. Ele autorizou Gilmar Veloz a conversar com a Seleção Japonesa. Muito embora, o mexicano Javier Aguirre, tenha deixado tudo certo com o comando do time oriental. Seria uma última manobra para a CBF reagir.

Muricy Ramalho já cortou essa expectativa de Seleção. Seguindo o seu estilo, tratou de encerrar as especulações. Deixou transparecer que não 'teria saco' para comandar o Brasil. Até porque as coisas deveriam ser feitas de acordo com o que ele pensa. Ou seja não se submeteria às exigências de Marin e de Gilmar Rinaldi. Quer autonomia e independência que a CBF não deseja dar.

Marin quer um treinado que seja um funcionário subalterno. Que se adapte às exigências do presidente ao cargo. Não o contrário. Não há mais espaço para 'estrela' mandando na Seleção.

Wanderley Nogueira é um repórter com 44 anos de credibilidade. Não é polêmico. Nem faz questão de brigar para antecipar notícias. Trabalha na rádio Jovem Pan e na TV Gazeta há décadas. Ele está garantindo que Dunga já assinou até contrato com a CBF. Situação estranha. Não é típica da carreira de Wanderley. Bancar de forma tão intensa algo que os colegas não têm indícios.

Gilmar Rinaldi é, ou foi, empresário por 14 anos. Mora em São Paulo. Várias e várias vezes nos últimos anos foi figura constante nos programas de Wanderley. O laço de amizade entre os dois é enorme. O repórter da Jovem Pan já vem escrevendo sobre Dunga desde sexta-feira.

1reproducao13 O retorno de Dunga à Seleção não seria revolução. Mas retrocesso. A situação parece encaminhada. Muricy e Tite já agem como preteridos. Esse é o Brasil de Marin e de Gilmar Rinaldi...

A lógica indica que Gilmar não deixaria o amigo passar por ridículo. Já teria no mínimo o corrigido. Dito que não há negociação alguma. Muito pelo contrário. Hoje, Wanderley já crava a negociação. A revista Placar e o jornal Extra são menos intensos, mas garantem que o caminho para o retorno de Dunga está aberto.

O grande entrave para a volta de Dunga não existe mais. Na África do Sul, o treinador fechou a concentração para a imprensa brasileira. Inclusive para a Globo, situação que nem Felipão conseguiu enfrentar. Luciano Hulk, Mumuzinho, Patricia Poeta fizeram o que desejaram durante a Copa do Mundo.

Dunga teve uma discussão lamentável com o apresentador global Alex Escobar em plena coletiva na África. O xingou em plena coletiva. Situação bizarra. Mas que foi resolvida. Em novembro de 2012. Depois de dois anos e cinco meses. Ele e Escobar marcaram até tomar um café de reaproximação.

"Se um dia voltasse à Seleção não cometeria os mesmos erros", disse antes de voltar ao batente.

Só então o treinador voltou a trabalhar. E não foi nada além do que razoável no Internacional. Ganhou o Campeonato Gaúcho. E foi demitido em plena disputa do Brasileiro. Após quatro derrotas seguidas. O time estava na 11ª colocação. Foram 53 jogos, com 26 vitórias, 18 empates e nove derrotas.

Se for confirmado o furo de Wanderley, a escolha será um retrocesso. Dunga não tem o perfil tático para revolucionar a Seleção Brasileira. É um grande motivador, a exemplo de Felipão. Na Copa da África do Sul ele conseguiu deixar seus jogadores tão ou até mais despreparados psicologicamente para disputar a Copa. O time afundou quando tomou o empate contra a Holanda. E em seguida a virada, sendo eliminado nas quartas.

1ae13 O retorno de Dunga à Seleção não seria revolução. Mas retrocesso. A situação parece encaminhada. Muricy e Tite já agem como preteridos. Esse é o Brasil de Marin e de Gilmar Rinaldi...

Dunga convocou mal para a Copa. Não acreditou na juventude de Neymar e Ganso. Bancou Kaká, apesar de o meia disputar a Copa com o joelho precisando ser operado. Apostou que conseguiria controlar o explosivo Felipe Melo. Enclausurou a Seleção na África. Seu mérito foi tirar o máximo da equipe contra adversários fracos, desestruturados. Venceu a Copa América, Copa das Confederações e a Copa América.

Nada de inovações táticas sob seu comando. Um 4-4-2 tradicional. De muito combate por parte dos seus atletas. Time ortodoxo. Voltado principalmente para os contragolpes em velocidade. E de marcação forte.

Sua demissão foi quase unanimidade nacional. Desde então, só voltou a trabalhar no Internacional, clube em que é um dos maiores ídolos da história. Mesmo assim, saiu pela porta dos fundos, demitido. Sua saída aconteceu em outubro de 2013. Nenhum grande equipe ou seleção o procurou. A não ser empresários representando a Venezuela. Está sem trabalhar há nove meses.

Por coincidência, seus telefones estão desligados. Amigos no Sul garantem que ele esteve os últimos dois dias em São Paulo. Onde mora Gilmar Rinaldi, seu companheiro em campo inclusive na conquista da medalha de prata olímpica em 1984, em Los Angeles. Em conversas nos últimos dias, os dois teriam acertado o retorno à Seleção. Com a certeza de que Dunga aceita viajar para a Europa buscando se reciclar, buscar o 'mais moderno' à Seleção.

Limitando o cenário de treinadores a apenas brasileiros, Marin e Marco Polo caíram em uma armadilha. As opções são muito poucas. A ponto de Dunga ser o favorito a assumir o Brasil de novo. Deixou Tite e Muricy para trás. Isso não é revolução em lugar nenhum do mundo. Seria a contrarrevolução. Mas com Marin, tudo é possível. Se não der certo o seu retorno, em quem o Brasil vai apostar? Em Ricardo Teixeira?
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A decepção de Marin e Marco Polo. Romário é líder disparado nas pesquisas para o Senado pelo Rio. Há a certeza que os ataques à CBF vão até aumentar. A última foi pesada demais. “Só ratos como Marin e Del Nero para escolherem Gilmar Rinaldi”…

1reproducao12 A decepção de Marin e Marco Polo. Romário é líder disparado nas pesquisas para o Senado pelo Rio. Há a certeza que os ataques à CBF vão até aumentar. A última foi pesada demais. Só ratos como Marin e Del Nero para escolherem Gilmar Rinaldi...
O Datafolha jogou um balde de água fria na cúpula da CBF. E a pesquisa esperada não tem nada a ver com a escolha do novo técnico da Seleção. Ela se refere à escolha do senado carioca.

Romário ter sido apontado como líder disparado com sua candidatura pelo PSB chocou. Ele tem 29% da preferência dos eleitorado do Rio de Janeiro. À frente inclusive de César Maia, que foi 12 anos prefeito carioca, com 23%. Os demais candidatos não chegam nem a 8% de intenção de voto.

O caminho firme do ex-jogador ao Senado desagrada profundamente Marin e Marco Polo. O presidente da CBF garantiu no ano passado que entrou na Justiça contra ele. As declarações de Romário foram pesadíssimas. Chegou a pedir a prisão dos dois.

"O presidente da entidade, José Maria Marin, é ladrão de medalha, de energia, de terreno público e apoiador da ditadura. Marco Polo Del Nero, seu atual vice, recentemente foi detido, investigado e indiciado pela Polícia Federal por possíveis crimes contra o sistema financeiro, corrupção e formação de quadrilha. São esses que comandam o nosso futebol. Querem vergonha maior que essa?

Marin e Del Nero tinham que estar era na cadeia! Bando de vagabundos!!!"

A eventual ação na justiça não calou o deputado federal. Pelo contrário, as acusações continuaram. E ontem atingiram não só os dois como também a Gilmar Rinaldi, o novo coordenador de todas as seleções da CBF. Foi uma sequência declarações na sua conta pessoal no twitter.

"Galera, só pode ser uma dessas duas coisas: sacanagem ou pegadinha. É inadmissível Gilmar Rinaldi ser escolhido para assumir o cargo de diretor/coordenador de Seleções da CBF. O cara é empresário de vários jogadores. Tive o desprazer de trabalhar com ele no Flamengo, é incompetente e sem personalidade. Posso afirmar que Rinaldi vai fazer da CBF um banco de negócios para defender os seus interesses."

Lógico que o mais forte ele reservou para os seus inimigos favoritos.

"Só os ratos do Marin e Del Nero para escolherem uma pessoa como essa. Para piorar, ele (Gilmar) ainda é agente FIFA."

1camarafederal A decepção de Marin e Marco Polo. Romário é líder disparado nas pesquisas para o Senado pelo Rio. Há a certeza que os ataques à CBF vão até aumentar. A última foi pesada demais. Só ratos como Marin e Del Nero para escolherem Gilmar Rinaldi...

Chamar o atual e o futuro presidente da CBF de 'ratos' calou fundo na dupla. E seus advogados estudam novo processo contra o deputado. Gilmar Rinaldi pode seguir o mesmo caminho.

Romário não se abala. Segue em plena campanha ao Senado federal. Garante que não irá se calar. Pelo contrário. Estará atento à escolha do treinador. Se não concordar ou considerar estranha, mais críticas virão.

Analistas políticos acreditam que estas acusações funcionam como grande armas para Romário. Atinge em cheio o eleitorado. Ainda mais depois do vexame do Brasil na Copa do Mundo. Atacar a cúpula da CBF atrai a simpatia de grande parte da população.

"As ofensas e mentiras não estão no âmbito parlamentar. Ele pode e será punido pelo que está falando", garantia Marin ainda em 2013, quando garantiu que processaria o político. Desde então, se nega a falar sobre Romário.

Apenas é fato que na CBF há uma torcida imensa para que o ex-jogador da Seleção não consiga se eleger senador. Sua proteção jurídica e política ficaria ainda maior, fora o prestígio.

Romário promete não amenizar suas críticas, acusações. Segue irritadíssimo também pelo fato de a CBF ter prometido em 2011 repassar 32 mil ingressos da Copa a pessoas deficientes. A promessa foi esquecida. O ex-jogador se sente enganado, já que foi ele quem divulgou a 'notícia' depois de encontro com Ricardo Teixeira. Para ele, Marin deveria ter se esforçado para cumprir o acordo e nada fez.

Encorajado com as pesquisas, Romário deverá continuar com as acusações e questionamentos sobre tudo que envolver a CBF de Marin e Marco Polo. Se for eleito senador promete fazer de tudo para tirar o controle do futebol brasileiro da dupla. Quer desesperadamente uma CPI...
 A decepção de Marin e Marco Polo. Romário é líder disparado nas pesquisas para o Senado pelo Rio. Há a certeza que os ataques à CBF vão até aumentar. A última foi pesada demais. Só ratos como Marin e Del Nero para escolherem Gilmar Rinaldi...

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