812 Os sete segredos que fizeram do Grêmio tricampeão da Libertadores. E tornaram possível o bi mundial
Há sete motivos bem definidos que explicam a conquista do Grêmio da Libertadores de 2017. Ele fizeram o time gaúcho surpreender, tirar o protagonismo que deveria ser do Palmeiras, com seus R$ 116 milhões investidos para ganhar a competição. Ou o Flamengo, com seus R$ 62 milhões na montagem do time. Ou ainda, o Atlético Mineiro, R$ 15 milhões.

Gastou 'apenas' R$ 10 milhões na montagem de sua equipe. Com uma folha de pagamento de R$ 8 milhões.

A lição que fica.

Dinheiro não é tudo, de verdade, no futebol.

1º) Renato Gaúcho. Ele estava dois anos sem trabalhar. Ao contrário do que gosta de afirmar, não estava apenas se divertindo nas praias cariocas, jogando futevôlei. Parte do tempo, passou estudando futebol. Acompanhando futebol europeu, trocando ideias constantemente com seu amigo e primeiro campeão mundial com o Grêmio, Valdir Espinosa. Quando houve o convite para retornar pela terceira vez ao clube que é o maior ídolo, levou Espinosa, seu mentor.

Com seu grande poder agregador, personalidade forte, Renato foi moldando o Grêmio. O transformou na melhor equipe que jamais treinou. Com os conceitos de Espinosa, com a sua firmeza de líder no vestiário. É o treinador no Brasil que mais tem o grupo nas mãos.

Assim como buscou renegados, ele vai além do personagem. Por trás da figura folclórica, de bon vivant, havia um homem magoado. E que tinha a plena certeza que estava desacreditado no futebol brasileiro. Sua única conquista até o ano passado era a Copa do Brasil de 2007, com o Fluminense, que treinou cinco vezes.

Sob a coordenação de Espinosa, venceu a Copa do Brasil outra vez, no ano passado. E se preparou para o sonho do tricampeonato da Libertadores. Seu mentor entrou em choque com a diretoria e Espinosa acabou demitido. Renato lamentou, mas teve o total apoio do amigo para seguir seu trabalho.

E Renato Gaúcho trabalho de forma obstinada. Mesclou a fortíssima marcação, com enorme intensidade, com toque de bola refinado, muita movimentação, sem posicionamento fixo do meio para a frente, laterais ofensivos, muita velocidade nos contragolpes. E o preparo físico mais apurado possível.

Foi sua coragem que o fez apostar, com acerto, no jovem Arthur. O onipresente volante de 21 anos, que mostrou personalidade de veterano. Aposta de Renato que foi recompensada pelo título. E que pode acabar com uma vaga na Seleção de Tite em 2018.

Fez um trabalho brilhante em 2017.

Evoluiu como treinador porque, desde 2016, decidiu focar, se tornar um profissional de verdade. Que mantém o foco total em buscar o que há de mais moderno no futebol. E que, por uma questão de pose, finge não ser um grande estudioso.

Foram os conceitos mais modernos que aplicou no Grêmio tricampeão da Libertadores. Amarrados com sua liderança, sua personalidade forte, seu atrevimento.

Renato se reinventou...

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2)A entrega do time.

Para Renato Gaúcho conseguir convencer os atletas do que pensava, ele precisava do que está cada vez mais difícil no futebol moderno. A entrega dos atletas. O grupo que formou tem elementos fundamentais em um time campeão. Primeiro, a capacidade de colocar em prática o que era desenhado. Depois, a vontade, a aplicação. E finalmente, o pleno entendimento que estavam diante de um grande líder, vitorioso, campeão mundial e que não estava para brincadeira. Precisava tanto quanto os jogadores de uma conquista marcante.

A presença dos renegados e desvalorizados Edílson, Lucas Barrios, Cortez, Christian, Fernandinho, Cícero foi fundamental. Jogadores vividos, com currículo, mas que passaram a viver sob a mira da desconfiança. Se uniram para uma grande reviravolta na vida. E acabaram criando o ambiente de sede de vitória que Renato tanto incentivou.

3)A liderança de Geromel e de Kannemann.

Os dois zagueiros além de se completarem, foram os responsáveis por incentivar, lutar, dar exemplo para os demais dentro do campo. Experientes, mas no auge da forma física, formaram uma muralha à frente do gol gremista.

Era aos dois que Renato Gaúcho apelava para cobrar o time. E ambos não deixavam que a intensidade da equipe caíssem. Até porque havia jogadores que não estavam acostumados a manter a concentração durante todos os noventa minutos. Como Luan, Fernandinho, Cortez, Edílson, Lucas Barrios. Mas foram cobrados pela dupla. E aceitaram, entenderam que os gritos, as reclamações eram fundamentais não só para eles, mas para o time. O Grêmio não se tornou uma das equipes mais vibrantes e concentradas da América do Sul por acaso.

4) Marcelo Grohe.

O goleiro gremista cresceu de forma incrível nesta temporada. Ele foi o grande prejudicado nas campanhas anteriores à chegada de Renato Gaúcho. A própria imprensa e torcida gaúcha já estavam descrentes de seu talento. Tantos os gols que sofria, com equipes mal montadas nos últimos anos. A inconsistência defensiva dos times de Enderson Moreira, Luiz Felipe Scolaria e Roger pesava contra Grohe.

A reviravolta veio com Renato Gaúcho. Com a dedicação da equipe, o goleiro passou a treinar de forma ainda mais intensa. Sua dedicação aumentou. Mas o fator primordial foi a confiança. Ela voltou. Esta comunhão de explosão muscular, colocação e convicção nos saltos para defender bolas mais difíceis, que colocou Grohe em um patamar inesperado. E que o credencia a ser um dos goleiros na Copa da Rússia.

Aos 30 anos, está no auge de sua carreira.

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5) Luan. O jogador mais talentoso do Grêmio. Mas também era um dos mais tímidos, retraídos. E que costumava se encolher diante de qualquer dificuldade, pressão. Costumava sumir das partidas. Aceitar a marcação adversária. Foi com ele que Valdir Espinosa e Renato Gaúcho tiveram a maior preocupação. Fizeram de tudo para mostrar o quanto ele tem potencial para transformar um jogo.

Suas arrancadas precisavam ser mais constantes. Seu preparo físico foi aprimorado para que estivesse pronto para os arranques com a bola dominada, em qualquer momento do jogo. Algo que Renato Gaúcho fez muito bem, enquanto levou a sério sua carreira como atacante.

Com arranque, confiança e visão de jogo privilegiada, Luan pôde colocar seu talento a favor do time. Não só em momentos fugazes. Por isso, Renato Gaúcho foi quem mais insistiu com o atleta para que ele não fosse para a Rússia na janela do meio do ano. Ele o convenceu que seria muito valorizado vencendo a Libertadores. E que poderia estar na Copa da Rússia e ainda ser vendido por muito mais dinheiro, na janela deste final de 2017. Após o Mundial.

A permanência de Luan foi fundamental.

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6) A venda de Pedro Rocha. Renato Gaúcho, outra fez, foi cirúrgico. Na "Escolha de Sofia", que teve de enfrentar, acertou em cheio. A diretoria gremista foi clara. Tinha ofertas milionárias por Luan e Pedro Rocha. E um dos dois tinha de sair. Não adiantou o treinador pedir a permanência da dupla.

E cortou na própria carne. Pedro Rocha foi por 12 milhões de euros para o Spartak Moscou. Os R$ 36 milhões arrecadados foram fundamentais para manter os salários, luvas, premiações em dia. E seguir oferecendo a melhor condição possível ao time.

Com a saída de Pedro Rocha, que tinha um defeito difícil de corrigir, a falha na hora de concluir diante do goleiro adversário, fez com que Fernandinho ganhasse uma importância que não esperava no time. E ele soube aproveitar a oportunidade. Finalmente soube usar sua técnica para o bem coletivo de uma equipe.

7)Usando drone ou não, a observação dos adversários.

O Grêmio de Renato Gaúcho soube como nenhuma outra equipe anular os adversários. Foi um trabalho meticuloso e de grande competência. O Lanús não pôde impor seu toque de bola rápido, vibrante. Assim como o surpreendente Barcelona de Guayaquil não teve como utilizar seus contragolpes velozes pelas laterais do campo. E assim por diante.

Os rivais do Grêmio foram caindo um a um. Sem poder usar o que tinham de melhor. Esta é uma vitória que não pode ser repassada só a Renato. Sua Comissão Técnica foi extremamente capaz. E que foi muito além do fotógrafo piloto de drone.

Além de tudo isso, há o item se sempre.

A doação da torcida gremista. Uma das mais dedicadas do país. E que fez de tudo para acompanhar o tricolor por todas as batalhas na Libertadores. Mas este amor não é novidade. É reconhecido pelo país há décadas. Todos os times sofrem com a pressão de jogar em Porto Alegre. Ou mesmo em casa, como o Lanús, ontem. Com os gremistas cantando seu amor ao time antes, durante e depois do jogo.

O Grêmio foi extremamente competente.

É o melhor da América, com justiça, em 2017.

E o libera para sonhar com o bicampeonato mundial.

Nada é impossível para este time...
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