Os dois lados da moeda. A felicidade de Paulinho pelo gol da vitória. E toda a desilusão de Thiago Silva pelo gol que deu para o Uruguai. A alegria e a tristeza profunda se encontram no vestiário brasileiro...
Belo Horizonte...

Os dois lados da moeda.

A zona mista do Mineirão permitiu a proximidade de Paulinho.

E de Thiago Silva.

O volante que decidiu a partida contra o Uruguai.

O jogador que está contrariando a lógica de Felipão.

Volante que não se contenta em ser apenas volante.

Mas marcar gols.

Como o que levou o time à final da Copa das Confederações.

Do outro lado, toda a desilusão de Thiago Silva.

O capitão que poderia ter tirado o Brasil da final.

Graças a uma falha infantil, inacreditável.

E provocada pela dor.

Por uma pancada de Lugano.

A alegria de Paulinho se encontrou com a culpa de Thiago...

Como foi o lance do gol da vitória, Paulinho?

Foi a combinação na hora.O David Luiz fez um sinal ao Neymar. Ele puxou a marcação no primeiro pau.E o Neymar colocou a bola atrás da zaga.Eu sabia que a bola chegaria.Foi mérito do trabalho em equipe.Não só meu. Foi um gol da Seleção Brasileira.
Somos um time aqui. Não concordo com o mérito individual da vitória. Sou e faço a questão de ser mais um.

Thiago, como foi a falha no gol de empate?

Ficou preocupado em ficar marcado se o Brasil fosse eliminado?

Não é uma desculpa, não sou jogador de desculpas. Mas estava com muitas dores no meu pé de apoio.Tive um choque com Lugano no primeiro tempo. Senti muitas dores, mas quis seguir na partida. Quando fui dar o passe, a perna prendeu e o passe saiu muito mais curto do que deveria. Eu sei que poderia ficar sim marcado com uma eliminação. Mas procurei continuar com a cabeça tranquila. Sabia que a Seleção poderia conseguir marcar o segundo gol. E eu fiquei em campo. Ainda mais depois das falhas. O Felipão me perguntou se eu queria sair. Nunca eu sairia àquela altura. Iria dar brecha para ser chamado de pipoqueiro. E tem uma coisa que nunca farei é pipocar. Fiquei até o fim. Mas estou me sentindo muito mal com falha.

Paulinho, que benefício psicológico trouxe essa vitória?

O Uruguai é uma equipe experiente e campeã da América?

Foi excelente para o grupo. O Felipão ainda está formando o grupo. Estamos longe do ideal. Neste momento a vitória é fundamental. Chegar à decisão da Copa das Confederações. Um time novo e já finalista é marcante. Trabalharemos com muito mais tranquilidade, confiança. A vitória brigada contra o Uruguai será fundamental para a preparação até para a Copa. Estamos muito satisfeitos. Foi um jogo dificílimo. Tivemos de nos superar. Vencer essa semifinal traz mais para perto os torcedores. Foi ótima.

Thiago, como foi a conversa com o Felipão depois do jogo?

Agora você irá 'zagueirar' mais?

O Felipe elogiou a todos pela vitória. E me disse que muitas vezes você pode jogar mais fácil. Ele quis dizer que eu poderia dar um chutão. Pode ser que eu faça isso nas próximas partidas ou não. Esse é o meu estilo de jogar. Aprendi a atuar saindo com a bola dominada na área. Infelizmente aconteceu esse meu erro que não escondo. Não vou negar. Não tenho desculpas. Mas posso garantir a você: ninguém está se sentindo pior nessa vitória do que eu.

Paulinho, você já convenceu Felipão que volante ataca?

Faz gols?

Ele me dá liberdade para atacar quando eu sinto que tenho espaço, cobertura. Como faço no Corinthians. O professor nunca me pediu para ficar apenas marcando. Ele não quer isso. Então vou para o ataque tranquilo. Ainda mais quando entra o Hernanes e ele fica ao lado do Luís Gustavo. Sei que há cobertura. E vou tranquilo. O Felipão sabe que posso muito bem ficar atrás ou atacar. E a decisão é minha durante o jogo.

Thiago, o que você costuma fazer quando falha?

Vai ser difícil dormir hoje à noite?

 Os dois lados da moeda. A felicidade de Paulinho pelo gol da vitória. E toda a desilusão de Thiago Silva pelo gol que deu para o Uruguai. A alegria e a tristeza profunda se encontram no vestiário brasileiro...

Você pode ter certeza que sim. Quando isso acontece vejo o jogo e o lance várias vezes. Até entender o que poderia ter feito de diferente. Mesmo com a dor. Tanto que continuei em campo e não falhei mais. A minha mulher me diz que me desgasto demais me culpando. Mas eu sou assim. Não tem como ficar sorrindo sabendo que coloquei a classificação da Seleção Brasileira em risco. Isso é me dói muito. Só que joga futebol e se cobra para saber o que estou sentindo. Vai passar, até porque ganhamos. Mas eu vou ver o lance várias vezes nesta noite, já que não vou dormir tão fácil.

Paulinho, o mundo está falando do interesse do Real Madrid.

E que sua transação com o Tottenham foi suspensa.

É verdade?

Olha, eu quero manter o foco na Seleção Brasileira. A proposta do Tottenham chegou nas minhas mãos. Estou analisando, mas não assinei nada ainda. Ouvi falar do interesse do Real Madrid pela imprensa. Não me chegou nada. E nem quero que chegue mais nada agora. Não é o momento. Estamos na final da Copa das Confederações. Quando terminar a competição, sim. Vou parar, pensar e escolher o que for melhor para a minha carreira. Hoje sou jogador do Corinthians.

Thiago, acredita que a final amadurecerá o time?

A Seleção e formada por jogadores jovens demais...

Não aceito isso como desculpa. Todos aqui somos amadurecidos. Passaram por Libertadores, outros jogam na Europa. Estamos todos maduros. Temos condições de chegar bem, firmes, sem ansiedade na decisão da Copa da Libertadores. Não há porque dar desculpas, se esconder na idade. Hoje um jogador de 21, 22 anos já está pronto para as decisões, para as cobranças. O Bernard tem apenas 20 e entrou jogando bem demais. Aqui na Seleção ninguém é inexperiente, não. Até porque chegar até aqui é muito difícil.

Paulinho, você percebe que está virando um ídolo na Seleção?

Você já é no Corinthians.

Tem dimensão do que isso significa?

Eu sou uma pessoa que não falo só em mim de jeito algum. Não estou na Seleção para ser ídolo. Estou aqui para ser mais um. Ajudar a Seleção para brigar pela Copa do Mundo. Não quero ficar preocupado com idolatria. Quero ser uma peça útil para o Felipão. E é o que estou me desdobrando para fazer. Nada além disso.

Você tem uma preferência para a final, Thiago?

Eu sei que a imprensa brasileira nos quer ver medido forças com a Espanha. Acredito que se acontecer estaremos prontos para eles. Somos o Brasil. Eu joguei três anos na Itália e tenho muitos amigos por lá. Adoraria ver a Itália na decisão. Mas se for a Espanha, ótimo. Estaremos prontos para quem vier.

Paulinho, este foi seu gol mais importante na carreira?

O que marquei contra o Vasco na Libertadores do ano passado também foi muito importante. Assim como o de hoje era uma partida decisiva. E como naquele jogo, fico feliz pelo time. Não por mim. Jogo pela Seleção e pelo Corinthians. Não jogo sozinho. Sei separar muito bem as coisas.

Thiago, o que você faz com você não é ma tortura?

E vai poder jogar a final ou as dores são fortes demais?

Foi só uma pancada que eu sofri. Estarei de qualquer maneira nesta final. Quanto à tortura, pode até parecer. Mas sou assim. Não me perdoou por falhar. Foi assim que consegui crescer na carreira. Vou ver o lance muitas e muitas vezes nesta noite. O que aconteceu hoje não irá se repetir comigo...
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