1ae2 Os black blocs fugiram da Gaviões da Fiel. Preferiam nem chegar perto do Itaquerão. Torcidas organizadas, banidas dos estádios, agindo como milícia nos protestos. Era o que faltava nesta Copa...
"Atenção Nação Corinthiana, hoje está marcada uma manifestação em Itaquera, a caminhada começará no Tatuapé e pode terminar em nosso Estádio. Estamos convocando a Nação Corinthiana para ir conosco aqui da sede juntos, para evitarmos qualquer tipo de depredação e vandalismo na casa da FIEL TORCIDA.

Vamos disponibilizar um ônibus, saindo aqui da Sede as 16hs."

Milícia.

"Designação genérica das organizações militares ou paramilitares compostas por cidadãos comuns, armados ou com poder de polícia que teoricamente não integram as forças armadas de um país. As milícias podem ser organizações oficiais mantidas parcialmente com recursos do Estado e em parceria com organizações de caráter privado, muitas vezes de legalidade duvidosa."

Não houve destaque no noticiário o que aconteceu quarta-feira.

Aconteceu mais uma manifestação contra a Copa do Mundo.

Ela estava marcada para acontecer na Zona Leste de São Paulo.

Programada pela Internet, deveria começar em frente ao Itaquerão.

O estádio de R$ 1,2 bilhão construído com o auxílio dos cofres públicos.

Ele pertence a um clube particular, o Corinthians.

Como o Beira Rio e a Arena da Baixada.

Internacional e Atlético Paranaense se aproveitaram do Mundial.

Terão arenas novas com o auxílio do dinheiro da população.

Mas os manifestantes paulistas haviam resolvido cobrar o Itaquerão.

2reproducao1 Os black blocs fugiram da Gaviões da Fiel. Preferiam nem chegar perto do Itaquerão. Torcidas organizadas, banidas dos estádios, agindo como milícia nos protestos. Era o que faltava nesta Copa...

Ele seria o início e o ponto principal dos protestos de quarta.

Mas a cúpula da Gaviões soube o que iria ocorrer.

E não confiou nas autoridades, nos policiais que iriam proteger o estádio.

Decidiu que os membros das organizadas tinham uma missão.

Iriam se juntar para enfrentar os manifestantes.

A ordem era não permitir a depredação do estádio de jeito algum.

E foi o que fizeram.

Os torcedores foram convocados e estavam preparados para o embate.

Os manifestantes ficaram sabendo o que acontecia.

E decidiram.

O ponto de encontro não seria mais na estação Itaquera-Corinthians.

E sim na Tatuapé.

O medo do confronto com os torcedores foi o responsável pela mudança.

Os black blocs fugiram da briga.

O máximo que fizeram foi andar do Tatuapé até a Praça da Sé.

E mostrando sua 'revolta' queimaram álbuns de figurinhas da Copa.

Foi patético.

Infantil.

2ae Os black blocs fugiram da Gaviões da Fiel. Preferiam nem chegar perto do Itaquerão. Torcidas organizadas, banidas dos estádios, agindo como milícia nos protestos. Era o que faltava nesta Copa...

Diante da 'vitória', a organizada promete que a ação se repetirá.

Quando houver qualquer protesto que vá até o Itaquerão, ela estará lá.

Para 'evitar qualquer tipo de depredação e vandalismo'.

Exatamente como foi colocado na convocação.

E espalhado pela Internet.

Principalmente na Copa do Mundo.

O poder de convencimento não será discurso, abraços apertados, beijos.

A Gaviões já se envolveu em inúmeras brigas violentíssimas.

Foi banida em São Paulo, no Rio, em Brasília.

Como a sociedade aceitou calada essa postura de milícia da Gaviões?

Já sabe que os torcedores estarão lá quando novos manifestos acontecerem.

Por que tanta passividade?

Se depois do Itaquerão, a Gaviões resolva proteger a avenida Paulista?

Ou bancos, concessionárias, shopping centers?

Se a Mancha Verde decide proteger o novo Palestra Itália?

A Independente, o Morumbi?

Melhor perguntar para quem entende.

O tenente-coronel Marcos Marinho.

Ele comandou por 17 anos o policiamento dos estádios de São Paulo.

E é hoje o chefe da Comissão da Arbitragem paulista.

Levou respeitabilidade ao cargo.

Era o que a FPF precisava depois do escândalo Edilson Pereira de Carvalho.

É sempre consultado pelo presidente Marco Polo em relação às torcidas.

Principalmente sabe quando elas precisam ser banidas ou não.

Coronel Marinho, a Gaviões da Fiel agiu como milícia diante do Itaquerão na quarta-feira. Sua fama de violenta espantou os manifestantes. Essa postura tem legalidade? Não é a desmoralização da autoridade das polícia? A confirmação que estamos vivendo em um país sem lei?

Cosme, a situação é clara. Vivemos em uma democracia. O Corinthians é uma instituição privada. A Gaviões da Fiel também. A polícia só iria tirar os torcedores de frente do estádio se fosse chamada. Mas não foi. Está mais do que claro que o Corinthians aprovou a atitude. Não é segredo para ninguém a profunda ligação dos dirigentes com as suas organizadas. Não sou eu quem está falando. O Andrés Sanchez confirma isso para quem quiser ouvir. Eu pessoalmente acredito que proteger o patrimônio público ou privado é um dever do Estado, de sua polícia. Mas não há nada na lei que impeça essa prática da Gaviões. Pode parecer errado para muita gente, mas nossa lei é essa.

Coronel e se a moda pega? As torcidas dos outros clubes saem por São Paulo protegendo o que achar melhor das manifestações? Bancos, shopping centers, concessionárias? Os torcedores podem virar milicianos e as autoridades ficam de braços cruzados? A 'novidade' pode se espalhar pelo país.

Infelizmente é uma possibilidade. Todos são livres para circular por onde quiser. O Estado não pode impedir que os torcedores se reúnam onde quiser. Ainda mais com a concordância dos donos dos estabelecimentos. Como já disse, com certeza, a direção do Corinthians sabia da atitude das Gaviões. E não reclamou. Talvez tenha se sentida mais protegida. A democracia tem esses aspectos imprevisíveis. Pode parecer estranho ao leigo, mas tudo está dentro da lei.

O que esses torcedores não podem fazer?

Eles não têm poder de polícia. Podem vigiar o estádio corintiano, mas se partir para o confronto com os manifestantes podem ser presos. Aí se configura a simples agressão. Passam a ser criminosos. Como também eles não tem o direito de cobrar para fazer essa vigia. Quem pode receber é segurança privada, devidamente registrada, formada por profissionais. Não torcedores. Eu sou militar, não gosto da situação. Mas temos de seguir a Constituição no país. Todos são livres para ir e vir. Acho sim um absurdo torcidas organizadas tentar intimidar manifestante. Mas desta vez elas estão dentro da legalidade. Mas se algum desses torcedores encostar a mão em alguém ou até ameaçar aí tudo muda de figura. Viram criminosos comuns.

Isso é um sinal de modernidade, coronel? Ou estamos regredindo em uma sociedade cada vez mais violenta? E que mostra não confiar no Estado, na polícia, nos nossos governantes? De tanto ver depredação no protestos, torcedores organizados, que já foram banidos dos estádios por sua violência, resolveram se assumir função de policiais. Na maior cidade do Brasil. E tudo bem. Para piorar só eles decidirem fazer justiça com as próprias mãos...

As coisas são como são, Cosme...

O biógrafo Ruy Castro adorou a situação.

"Achei ótima a iniciativa do Corinthians.

Esses black blocs gostam de brincar de terrorismo.

Que tentem enfrentar as organizadas corintianas."

Ou seja, mais uma pessoa que não acredita mais nas autoridades do País...
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