1reproducao2 Os bastidores da queda de Cuca do Palmeiras. E a ansiedade por Mano Menezes
"Nesse tempo que passei aqui nessa segunda vez, tentei ao máximo ajudar a equipe, o clube, de todas as formas. Sempre me doando ao máximo. E, infelizmente, mesmo essa máximo não foi capaz de fazer o Palmeiras ter êxito na Copa do Brasil nem na Libertadores, que era o sonho de todos. Infezlimente, ficou. Futebol é assim"

"Agradeço também ao presidente e ao Alexandre (Mattos), que confiaram em mim em me trazer nessa segunda vez. Apesar de ela não ter sido boa como foi no ano passado. Eu vim para o Palmeiras neste ano mesmo abortando meu projeto, que era priorizar algumas outras coisas em minha vida, para ajudar o Maurício (Galiotte), o torcedor, que eu gosto muito. E não foi possível

"Quando nós conversamos de ontem para hoje com o presidente e o Alexandre, a gente entendeu que era o melhor encerrar momentaneamente esse ciclo. E aqui eu externo meu agradecimento a todos, em especial ao torcedor. Meu muito obrigado também pela compreensão e carinho que a gente teve aqui com vocês todos, repórteres. Perdoem alguma coisa que possa ter nos fugido dia ou outro e via que segue. Desejo a todos também uma boa sorte. Fiquem com Deus, a gente se vê aí num futuro.

"Quem sabe um dia eu possa voltar ao próprio Palmeiras, fazer um trabalho tão bom como foi no ano passado, poder montar uma equipe, que é o que eu gosto, e quem sabe no futuro a gente possa ajudar de volta como ajudamos o ano passado? Boa sorte, Palmeiras, e boa sorte a todos. Obrigado."

"O diabo está nos detalhes", crava um antigo provérbio alemão.

O blog antecipou de manhã o péssimo ambiente de Cuca no Palmeiras e que a base política que sustenta o presidente Mauricio Galiotte, o queria fora do clube. O treinador estava irritadiço, diferente. Sem ânimo para prosseguir. Ele sentia no clube e na patrocinadora Crefisa, a profunda decepção com as eliminações da Copa do Brasil, da Libertadores e da impossibilidade de conquista do Brasileiro. R$ 115 milhões investidos no futebol para um fracasso retumbante.

E tendo de se submeter a situações ridículas, como ter, não só de manter Felipe Melo no grupo, como escalá-lo. Um jogador que classificou Cuca como mau-caráter e covarde. Seguiu a determinação de não desvalorizar um patrimônio palmeirense. Se no primeiro ano, o casamento foi quase perfeito, neste segundo, nada deu certo.

Aí é que surge o diabo, ou melhor, os detalhes.

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Basta analisar frases que parecem soltas. "Quem sabe um dia eu possa voltar ao próprio Palmeiras, fazer um trabalho tão bom como foi no ano passado, poder montar uma equipe, que é o que eu gosto." Cuca finalmente, na despedida do clube, deixou claro que trabalhava com atletas que não queria, que não acreditava, que não encaixavam no seu esquema tático. Até que enfim criou coragem para expor que quem montou o elenco caríssimo foi a direção do clube. Porque Eduardo Baptista não tinha força para exigir atleta algum.

Cuca teve de trabalhar com Borja, Guerra, Felipe Melo, Luan, entre outros. Em off, conselheiros diziam que estes atletas tinham a bênção de Cuca, antes de deixar o Palmeiras, ele teria recomendado a contratação do quarteto ao executivo Alexandre Mattos. Mas não era assim. A iniciativa partiu do departamento de futebol. Eduardo Baptista já soube quando as tratativas estavam no final. E só poderia fazer o que fez, dizer amém.

Cuca só resolveu voltar ao Palmeiras porque foi insistentemente assediado. E acreditou que poderia impor a mesma maneira de jogar que deu o título brasileiro em 2016. Só que Borja, Guerra, Felipe Melo não se adaptaram à correria, ao estilo intenso até demais do treinador. Felipe Melo segue achando uma loucura a marcação homem a homem que Cuca aplica, quando seu time perde a bola. Felipe Melo deixou claro aos companheiros, depois da eliminação da Copa do Brasil pelo Cruzeiro, que era esta a razão. Ao não marcar por setor, como as equipes mais modernas do mundo fazem, há muitas brechas aos adversários.

O restante do elenco também acabou por discordar da estratégia que Cuca queria impor. E por isso, o rodízio constante de atletas. Ele passou de maio até outubro, cinco meses, e não encontrou seu time ideal. O que irritava não só o time, mas os dirigentes e os conselheiros importantes, ligados a Mauricio Galiotte, que o derrubaram.

Como o blog também antecipou, Mano Menezes é o nome mais comentado para substituir Cuca. Alexandre Mattos tem informação de que ele não gostou da escolha para comandar o futebol do Cruzeiro, feita pelo novo presidente eleito Wagner Pires. E está disposto a não seguir no clube em 2018. Mattos tem como foco Mano. Seu contrato termina no final do ano.

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O Palmeiras tem pressa. Porque o São Paulo também se interessa por Mano.

O clube colocará Alberto Valetim como treinador interino. Mas não há interesse em transformá-lo em novo Fabio Carille. Muito pelo contrário. Mattos quer um treinador experiente, vivido. E que já tenha trabalhado bem na Libertadores. Mano Menezes foi vice com o Grêmio, em 2007.

Cuca abriu mão da multa que o Palmeiras teria de pagar.

Seu contrato iria até dezembro de 2018.

Ato que deixa as portas abertas para um retorno no futuro.

A dona da Crefisa, Leila Pereira, não quis se envolver na saída do treinador. E nem na busca por Mano. Ela deixa essas decisões para Mauricio Galiotte e Alexandre Mattos.

Outro detalhe que foi puramente irônico de Cuca foi se despedir do Palmeiras com uma camiseta especial. Com uma imagem de Nossa Senhora. Como havia antecipado no post anterior, ele teve sua fé tolhida no Palmeiras. O ex-presidente Paulo Nobre não queria que transparecesse seu apego religioso. Na hora de despedida, Cuca voltou a ser Cuca.

O técnico não ficará desempregado muito tempo. Membros da situação e da oposição do Atlético Mineiro, que disputarão a eleição no final do ano, o querem como técnico. E com toda a liberdade para ser quem é: religioso, supersticioso, cheio de manias. E que adora escolher o elenco com o qual vai trabalhar.

O resumo destes cinco meses de Cuca no Palmeiras.

Pelas expectativas, como vencer a Libertadores, foi um enorme fracasso.

Ainda mais com jogadores fundamentais que nunca desejou trabalhar.

Principalmente sem a camiseta de Nossa Senhora...
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