134 Os bastidores da amadora demissão de Eduardo Baptista do Fluminense. Uma guerra de egos entre Peter Siemsen, Mario Bittencourt e Celso Barros. O clube é a última das prioridades...
Depois que a poeira abaixou, o que se vê nas Laranjeiras é lastimável. Em todos os sentidos. Mostra o quanto segue sendo amador o futebol brasileiro. A demissão de Eduardo Baptista do Fluminense é algo que envergonha qualquer torcedor. Está marcado por interesses políticos. A prioridade é pessoal. Não o clube.

O desempenho de Eduardo Baptista é indefensável. Não foi nem sombra do treinador que ameaçava ser. Bastaram 26 partidas. O desempenho foi baixíssimo. Apenas oito vitórias, cinco empates e 13 derrotas. 37,1% de aproveitamento. Como exemplo: no Sport, ele teve 52,4% de aproveitamento em 127 jogos.

A decepção foi além dos números. A inconstância do time, a falta de padrão, de organização, de compactação, de modernidade. O Fluminense não acumulou fracassos por acaso.

Além disso e, até mais importante, foi a postura do técnico. Ele se colocou como refém de Fred. Buscava a aprovação do veterano atacante em cada decisão. Fez o mesmo caminho dos treinadores que assumiram o clube desde 15 de março de 2009. Privilegiou o jogador. Fez seu esquema se dobrar à falta de mobilidade, cada vez pior, do artilheiro de 32 anos.

O trabalho de Eduardo Baptista foi pífio. E caiu na armadilha fatal dos inúteis Estaduais. Perdeu os jogos que não poderia. Perdeu em três dias para o Flamengo e Botafogo. Duas derrotas seguidas que o colocam em quarto lugar no grupo A. Atrás do líder Vasco. Mas também dos fraquíssimos Boavista e Bangu.

Baptista tem toda a culpa em implodir sua caminhada nas Laranjeiras. Cometeu os pecados que sustentam qualquer demissão no precipitado futebol brasileiro.

Só que ela foi feita de maneira absurda. O vice de futebol, Mário Bittencourt, decidiu mostrar independência. E mandou o técnico embora ainda no Espírito Santo, onde aconteceu o clássico pelo Campeonato do Rio de Janeiro. Tomou a decisão sem consultar o presidente Peter Siemsen. Bittencourt e o diretor executivo Fernando Simone conversaram com Baptista. O avisaram que seu projeto havia acabado.

O presidente do Fluminense iria tomar a mesma atitude. Demitiria Eduardo. Mas a decisão tinha de ser dele. E ela aconteceria em uma reunião que já havia marcado para o Rio. Aconteceria ontem á tarde. Siemsen ficou irritadíssimo ao saber, por jornalistas, que seu vice tinha se antecipado. E dispensou Eduardo por conta própria.

Para Siemsen, Bittencourt quis mostrar força política. Para a imprensa e para os sócios do clube. Provar que está preparado para ser presidente, nas eleições em novembro.

Por whatsapp e e-mails, para mostrar a mesma falta de consideração, o presidente dispensou seu vice de futebol. E, suspendeu por um mês, o seu diretor executivo. Situação bizarra. Os dois telefonaram para confirmar a mensagem. Ouviram a dispensa.

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A saída de Mario Bittencourt também tem um lado importantíssimo. Afasta o Fluminense de ser punido por gestão temerária. O Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro, o Profut, proíbe que um membro diretivo tenha relação profissional com o clube. Mario é dono do escritório de advocacia que presta serviço nas Laranjeira. A situação era incompatível e poderia acarretar até na perda dos benefícios do refinanciamento das dívidas do clube com o governo.

Havia pressão política para que Siemsen tirasse Bittencourt. Mas não da maneira lastimável, por mensagem de celular. Situação inaceitável em um clube tão importante.

No mesmo dia em que Mario Bittencourt é demitido por mensagem de celular, o empresário Celso Barros vem à público e comunica que será candidato a presidente.

E já fez questão de tentar desmoralizar o ex-vice de futebol. E lembrar o fracasso de Siemsen sem o dinheiro da Unimed.

"Olha, além de ter o problema do vínculo com o escritório de advocacia, e o pagamento milionário aos serviços prestados, ele (Mario) é muito arrogante. Além disso, ele e o Peter sempre quiseram provar que haveria vida sem a Unimed. E provaram o contrário: não houve até agora. Acho que a torcida ficou traumatizada. Trocam técnicos de montão e não conseguem títulos. O último foi em 2012. Aliás, dois títulos: Carioca e Brasileiro, com o patrocínio da Unimed", falou Celso ao Globo.

Como presidente da Unimed, Celso foi responsável por 15 anos de patrocínio milionário ao Fluminense. Sua influência na gestão era imensa. Mas costumava ter presidentes aliados. Era incompatível comandar objetivamente tanto a empresa quanto o clube.

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Agora não há esse problema. Mesmo presidente da Unimed, Celso já não tem poder de decisão. A chapa que apoiava na eleição do ano passado na empresa teve menos de um terço dos votos. Foi a primeira derrota que teve em 21 anos de disputas no Conselho Fiscal e para a Presidência. Quem comanda, na prática, a Unimed Rio é o médico Alfredo Luiz de Almeida Cardoso. Celso segue como presidente, como faz há 16 anos.

Daí seu interesse em mandar para valer no Fluminense.

Enquanto essa fogueira de vaidades vem à tona, Levir Culpi e Paulo Autuori surgem como favoritos para assumir o lugar que era de Eduardo Baptista. Cuca segue com problemas familiares. E, a princípio, não quer trabalhar ainda. Abel Braga segue ainda impossibilitado de trabalhar até o meio do ano. Demitido do Al Jazira, recebe do clube dos Emirados Árabes até junho. Se fechar com um clube antes disso, os árabes não precisam mais pagar seu altíssimo salário, que poderia chegar a R$ 1 milhão.

Está claro que não houve o menor planejamento. Os dirigentes criticavam o trabalho de Eduardo Baptista há pelo menos um mês. Articulavam sua demissão. Mas não tiveram o cuidado sequer de pensar um plano B.

Esta é situação do Fluminense.

Com seu futebol sendo administrado de forma amadora.

Com as pessoas priorizando seus egos.

E só depois em um dos clubes mais importantes do País...
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