Publicado em 22/02/2013 às 15h32
Organizadas do Corinthians tentam enfrentar a punição da Conmebol. E se articulam: caso não possam entrar nos estádios durante a Libertadores, acompanharão e vibrarão pelo time do lado de fora. Para os jogadores ouvirem…

As organizadas corintianas sentiram o golpe.
A rejeição da sociedade brasileira diante da morte do menino boliviano.
Foi machado o brilho da torcida que impressionou a Fifa.
Que foi aplaudida por invadir o Japão.
Quem vestia algum agasalho de organizada foi xingado na Bolívia.
Ao final da partida teve de ouvir o terrível coro.
"Assassinos, assassinos, assassinos."
Isso valeu até o aeroporto.
A imprensa andina divulga a todo momento detalhes da vida de Kevin.
Do seu sonho de acompanhar o time do coração no estádio.
Contra o campeão do mundo.
Cinco minutos depois, a morte veio pelo sinalizador saído das organizadas.
Na chegada do Brasil, as críticas aos corintianos continuam.
O próprio presidente Mario Gobbi tentando dizer não ter maior ligação com as torcidas.
Toda fidelidade de uma hora para outra passou a ser desprezada.
Desesperados culpavam a imprensa.
Mas a rejeição foi natural, nasceu da estúpida morte de Kevin.
Mal desembarcaram no Brasil, a notícia da FPF.
A Camisa 12 está banida dos estádios paulistas por 60 dias.
O motivo: ter usado fogos de artifício na partida contra o Botafogo de Ribeirão.
A organizada, segundo a FPF, usava o mesmo tipo de sinalizador que matou o garoto.
Não bastasse isso, veio a confirmação da punição da Conmebol.
A entidade quer o Pacaembu vazio nos jogos do Corinthians.
Estádio fechado para os torcedores.
E a proibição de entrarem nas partidas nos estádios dos adversários.
Nunca as diretorias das organizadas corintianas tiveram esse sentimento.
A certeza de que passaram a atrapalhar o time.
Prejudicar o caminho para o bicampeonato da Libertadores.
Justo elas, que tanto ajudaram.
Diante de tanta pressão, elas resolveram reagir.
E com uma decisão que não há nada de violência.
Se a punição da Conmebol, as organizadas começam a se articular.
Estão dispostas a mostrar o quanto amam o Corinthians.
E que não merece serem vistas como assassinas de Kevin Beltrán.
Não aceitarão passivamente o banimento dos estádios.
Daí veio a ideia.
Os torcedores prometem ir aos estádios.
Não só no Pacaembu, mas no Exterior também.
E ficar do lado de fora gritando, apoiando do Corinthians.
Para mostrar o seu amor ao clube.
Buscando passar força, vibração aos jogadores.
Assistindo a partida em telões.
A notícia está se espalhando.
Não há qualquer impedimento legal.
As organizadas podem sim ficar ao redor dos estádios durante os jogos.
A imposição é que eles fiquem fechados e vazios enquanto as partidas acontecerem.
Além de gritar pelo time, as organizadas pretendem fazer festa para os jogadores.
Na chegada ao estádio.
E na saída.
A ideia não para de ganhar adeptos.
É uma postura pacífica, interessante, admirável até.
Enquanto isso, a direção corintiana se desdobra.
Não quer perder o dinheiro que receberia com os jogos em casa.
E tenta alegar à Conmebol que já vendeu 83 mil ingressos para as partidas em casa na fase de grupo.
A entidade já recomendou devolver o dinheiro.
Ou convencer os torcedores a aceitarem deixar o que foi gasto.
E os ingressos valerem para próximas partidas.
O Corinthians já tinha arrecadado perto de R$ 3 milhões.
As reuniões no Parque São Jorge não param.
Assim como as nas sedes das organizadas.
Foi de uma delas que nasceu essa ideia original.
Gritar pelo time fora do estádio.
Isso é paixão, não selvageria.
É disso que o futebol precisa.
Não de vandalismo, irresponsabilidade.
Violência, morte...
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