Organizadas, diretoria, conselheiros. Corinthians, com medo do Palmeiras, pressiona Carille
"Acabou a paz."

"Ou joga por amor ou por terror."

"Vagabundos."

Os muros do Parque São Jorge foram pichados ontem à noite, após a derrota do Corinthians para a Ponte Preta. Nesta manhã, já não havia mais sinais da pichação. O clube mantém um estoque de tinta branca exatamente para esses recorrentes protestos dos torcedores.

Se foi fácil pintar de branco e esconder as queixas, as ameaças dos corintianos, não está fácil a situação para Fábio Carille. O treinador que era apontado como a grande revelação do futebol brasileiro está sendo vítima da própria expectativa que criou.

Os dirigentes, os patrocinadores, os conselheiros, os membros das organizadas e os torcedores em geral se esqueceram da perspectiva que tinham para 2017. Sem dinheiro, por causa da negociação bilionária mal resolvida do estádio, o plano era seguir com uma equipe limitada e conduzida pelo ex-auxiliar de Tite e de Mano. O desejo: evitar vexames, ficar bem longe da zona do rebaixamento e, quem sabe, sonhar com uma vaga para a Libertadores.

Mas com Carille, o time se encaixou. Venceu o Campeonato Paulista. E, mostrando um futebol moderno, de alta intensidade, foi o líder e recordista invicto do primeiro turno do Brasileiro. Chegou a ficar 14 pontos longe do segundo colocado. E 17 do Palmeiras.

Só que veio o segundo turno e o time despencou, como havia previsto Renato Gaúcho. O time está a seis pontos do maior rival. Se o Palmeiras vencer o desinteressado Cruzeiro, na arena da Água Branca, a equipe de Alberto Valentim ficará a três pontos dos corintianos. E no domingo está marcado o confronto entre os dois, em Itaquera. Nova vitória verde, o Corinthians perderá a liderança.

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Justo o time que o treinador corintiano chegou a decretar que não o via mais como rival pelo título. Apenas Grêmio e Santos. Quando tudo estava dando certo para o Corinthians.

Com menos de um ano de carreira como técnico principal do Corinthians, Carille enfrenta a primeira crise. Mesmo estando na liderança do Brasileiro. O presidente Roberto de Andrade está profundamente preocupado. Não sabe como ele lidará com a pressão. E como incentivará seus jogadores que foram o grupo que deveria apenas 'evitar vexames em 2017' e está sendo massacrado porque despertou a possibilidade de ser campeão brasileiro.

De 36 pontos possíveis no returno, o Corinthians conseguiu apenas 12. Está em queda vertiginosa. É o antepenúltimo colocado, o 18º colocado,com 33,3% de aproveitamento. Rendimento de equipe rebaixada. O Palmeiras é o segundo colocado no Segundo Turno, tem 21 pontos, empatado com o Botafogo, líder. E um jogo a menos, o de logo mais, contra o Cruzeiro.

O Corinthians tem o pior ataque do segundo turno entre os 20 times do Brasileiro. Só marcou oito gols em 12 jogos...

Roberto de Andrade terá uma conversa séria com Roberto Carille. Quer saber o que está acontecendo. E o que pode fazer para juntar forças. Seria um desastre, em todos os sentidos, perder a primeira colocação para o Palmeiras, no domingo. Em pleno Itaquerão. A segurança das diretoria já será reforçada, para evitar qualquer problema, em caso de derrota. O time também será mais protegido do que o normal.

Mas os dirigentes sabem que o técnico havia previsto essa possibilidade. Falou claramente que o elenco era pequeno. Os reservas são muito piores do que os titulares. O que impossibilitaria profundas mudanças táticas. A maneira que o Corinthians jogava seria decorada pelos adversários. E que todos poderiam estar desgastados nos últimos meses do ano. Tudo foi mostrado para Roberto de Andrade, logo após a inesperada conquista do Paulista.

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O dirigente só conseguiu contribuir segurando atletas que poderiam ter saído do clube. Guilherme Arana e Balbuena para a Europa e Rodriguinho para a China. Os segurou porque sabiam que eram peças fundamentais para Carille. Não havia dinheiro para reforçar o time.

Roberto de Andrade quer que o treinador e os jogadores sigam mostrando firmeza. Acreditar que serão campeões. E que estarão mais do que prontos para a provável 'decisão' do Brasileiro, no domingo, diante do Palmeiras. Andrade exige que todos não fraquejem nas entrevistas. Não passem insegurança aos torcedores. Não aumentem a crise.

Carille deve seguir esse rumo. Como também mudar taticamente o Corinthians. Clayson ganhou uma vaga 'na raça'. O treinador deixou bem claro ontem em Campinas que ele deverá ser um dos titulares contra o Palmeiras. Ele quer o time mais corajoso ofensivamente. E preparará a equipe para surpreender o maior rival. O que poderá ser um risco. O Corinthians que chegou tão longe atuando no 4-1-4-1, explorando os erros dos adversários, está pressionado para sair para o jogo. Buscar a vitória no ataque, encurralar os palmeirenses no seu campo de defesa, situação que não é característica dos corintianos.

A pressão obriga Carille a ser mais ofensivo.

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"Vamos nos fechar entre a gente e ganhar essa porra", prometeu Clayson, se referindo ao Brasileiro. Ele será titular. A dúvida de Carille é se tira do time Rodriguinho, Jadson ou Romero. Outro jogador que está decepcionando muito nesta reta final é Maycon. Errando passes em demasia, lento, inseguro. Ele não está com sua escalação garantida. Carille poderá acabar com o 4-1-4-1.

Carille fará seus treinamentos decisivos fechados, longe da imprensa.

O treinador e os jogadores não querem que se repita uma situação incômoda, da semana passada. A reunião com membros das organizadas. Eles não gostaram de ter de dar satisfação e serem cobrados pelas lideranças das principais torcidas corintianas.

Mas as organizadas querem nova conversa, 'de apoio'.

Há o medo que Jô possa ser denunciado para o STJD por ter dado um chute sem bola em Rodrigo, zagueiro da Ponte Preta.

Roberto de Andrade quer fazer como em 2015, prometer que a maior parte da premiação oferecida pela CBF, R$ 18 milhões ao campeão brasileiro, será repassada aos jogadores. É o seu grande incentivo na luta pelo título.

O dirigente não quer nem pensar em deixar escapar o hepta brasileiro.

Ainda mais para o Palmeiras.

E em plena Itaquera.

Por isso, ele mesmo sabe.

O clássico de domingo é de 'alto risco'.

Em todos os sentidos...
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