19 Operação Lava Jato pode travar as negociações do naming rights do Itaquerão. Andrés sabe o quanto Lula foi importante para a Odebrecht construir o estádio. Que empresa quer seu nome envolvido com tantas suspeitas?
Primeiro, foi a prisão de Marcelo Odebrecht. O filho de Emilio, que o substituía na presidência da construtora. Depois veio a revelação feita pelo ex-vice presidente corintiano, Luiz Paulo Rosenberg. Luis Cláudio Lula da Silva recebeu cerca de R$ 500 mil do Corinthians, mas sem cumprir qualquer tarefa, garante o dirigente.

E, hoje, o ex-presidente Lula foi levado pela Polícia Federal. 'Condução coercitiva', sinônimo legal para depoimento obrigatório. Respondeu por três horas sobre acusações de recebimento de propinas de construtoras e desvio de dinheiro da Petrobras. Ele foi o alvo principal da 24ª fase da operação Lava-Jato.

A notícia eclodiu no Parque São Jorge. Porque o ex-presidente e Odebrecht estão profundamente ligados à construção do Itaquerão. Não é segredo para ninguém. Várias e várias vezes, o homem que manda no Corinthians, Andrés Sanchez agradeceu a Lula pelo estádio. Foi além, disse que, se não tivesse de vender os naming rights do estádio, o batizaria de estádio Luiz Inácio Lula da Silva. Com o maior prazer.

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O ex-presidente Ricardo Teixeira viabilizou o estádio como abertura da Copa do Mundo de 2014, também. Vetou oito projetos de reforma do Morumbi. Ela custaria cerca de R$ 500 milhões. O Itaquerão custou R$ 1,2 milhão. Teixeira e Andrés são irmãos de alma. A ponto de o ex-presidente tentar fazer de tudo para que ele o sucedesse na CBF. Não conseguiu porque teve de abandonar o cargo. Estava sob investigação da Polícia Federal.

A relação entre Lula, Odebrecht, Andrés e Itaquerão vem desde 2009.

Vale a pena ler o que a Folha publicou no dia 19 de junho de 2015.

"Em viagem à Guiné Equatorial em 2011, como representante do governo Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula colocou entre os integrantes de sua delegação oficial o executivo Alexandrino Alencar, preso nesta sexta-feira (19) em nova fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

O caso foi revelado pela Folha em 2013.

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A mesma operação também prendeu os presidentes da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otavio Azevedo.

Lula e Alexandrino são conhecidos de longa data: no livro "Mais Louco do Bando", Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, relata uma viagem em 2009 que Alexandrino fez a Brasília com Emílio Odebrecht, presidente do conselho de administração da empresa. Na época, Lula pediu ajuda à Odebrecht para o Corinthians construir seu estádio."

Alexandrino foi preso. Está sendo processado por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Recebeu habeas corpus, mas as acusações continuam.

Tudo isso está voltando à tona neste momento importante na política nacional.

Com o ex-presidente sob suspeita, dando explicações na Polícia Federal.

Com os principais executivos da Odebrecht na cadeia.

Para desespero de muitos no Parque São Jorge. Está marcada uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo do Corinthians. Deverá acontecer na próxima segunda-feira, dia 7 de março.

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De acordo com conselheiros, Roberto de Andrade e Andrés estavam animados. E acreditando que poderiam anunciar a venda dos naming rights do Itaquerão. Depois de seis anos de fracasso. O Bradesco estaria à frente. A ação envolveria não só o batismo do estádio como o patrocínio master da camisa e também o plano de sócio-torcedor.

O clube até rompeu o patrocínio de R$ 30 milhões com a Caixa Econômica. A aposta é grande neste acordo. Afinal, que clube viraria as costas para tanto dinheiro? Só se projetasse ganhar mais.

Só que a operação Lava-Jato pode colocar tudo a perder.

O próprio Andrés Sanchez falou publicamente.

Ele acredita que o Itaquerão será alvo da Polícia Federal.

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"Estão querendo incluir (o estádio) de qualquer jeito, por causa de minha amizade com o Lula. Vivemos num País de hipócritas. Estou muito triste. Eu não estou inocentando Lula, não. Mas o estádio foi o mais barato do Brasil."

Andrés fez a revelação à revista Isto É.

Em Brasília, se cogita que a Polícia Federal faça mesmo essa investigação. Vá fundo nas contas do Itaquerão. Confira se o ex-presidente não se beneficiou da construção do estádio. E se a Odebrecht não ganhou nenhuma compensação em aceitar construir o estádio. 'Compensação' pode ser traduzida como obras no governo Lula e Dilma. No Brasil ou no Exterior. A construtura é vista como 'favorita' do atual governo.

Tudo isso pode tornar inviável o que já é muito ruim.

Colocar centenas de milhões de reais para tentar batizar um estádio em plena crise. Arena que já tem nome popular repetido há mais de seis anos. Itaquerão. É como se uma empresa decidisse batizar o Maracanã ou o Morumbi. É inviável.

A complicação é ainda maior quando há a real possibilidade do estádio passar por uma devassa. Ter a Polícia Federal questionando, examinando todo tipo de relação entre a construtora, o ex-presidente e o Corinthians.

É mais do que desestimulante.

Quase um suicídio para o executivo que fechar esse negócio.

Por isso, os mesmos conselheiros que estavam animados, se mostram tensos, preocupados. A investigação envolvendo Lula e Odebrecht é péssima para o Corinthians. Para a venda dos naming rights.

O ex-presidente sempre foi um aliado poderoso.

E responsável pelo estádio construído pela Odebrecht.

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Digamos que, realmente, seja o Bradesco o dono do novo nome do estádio.

Pague, por exemplo, R$ 320 milhões por um contrato de vinte anos.

Como ficaria a imagem do banco se alguma irregularidade for constatada?

Por exemplo, uma hipotética troca de favores entre Odebrecht e Lula.

O Itaquerão é viabilizado.

E a Odebrecht recebe obras importantes do governo federal.

Seria a desmoralização de tudo envolvendo o estádio.

Uma empresa arriscaria colocar dinheiro sem ter a certeza que nada acontecerá?

Não custa recordar o que Andrés confessou à revista Época em 2011.

"O estádio do Corinthians custa 780 milhões. É mais de 1 bi, e vamos pagar 780. Ponto. A parte financeira ninguém mexeu. Só eu, o Lula e o Emílio Odebrecht (presidente do Conselho de Administração da Odebrecht e pai de Marcelo Odebrecht, preso na Lava Jato).

ÉPOCA - O dia em que essa história vier a público, vai ficar feio para quem?

Sanchez - Não vai ficar feio pra ninguém. Vai ficar, talvez, não imoral, mas difícil para o Lula.
Porque vão falar: “Pô, como é que uma empreiteira se submete a fazer isso? Por que o presidente pediu?"

Quem colocaria R$ 320 milhões...

E seu nome, em um estádio com tantas questões em aberto?

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