Publicado em 24/02/2013 às 05h54
O UFC fez história. Recebeu as mulheres. Ronda Rousey e Liz Carmouche mereceram ser as pioneiras. Não pela beleza ou homossexualismo. Pelo talento dentro do octógono…

Não foi o massacre que Dana White sonhava.
A bela Ronda Rousey esteve a ponto de ser finalizada.
Sua oponente, e zebra, Liz Carmouche, calou por segundos o Honda Arena.
Ela mochilou Ronda e encaixou um mata-leão.
A maior aposta do UFC esteve por um triz.
Por sorte, as mãos de Liz se fixaram na boca e não no pescoço de Rousey.
Ronda suportou a pressão e mostrou garra e talento para se livrar do golpe.
E se vingou.
Jogou Liz no chão e as duas passaram a duelar pela melhor posição.
Foram várias transições, a busca do ângulo fatal.
Mais forte, com uma impressionante técnica vindo do judô, a campeã se impôs.
E aplicou o golpe que todos esperavam.
Na sua sétima luta de MMA, veio a sétima chave de braço.
Sétima no primeiro assalto.
Vitória empolgante, arrebatadora.
Enquanto Dana White suava, alivado, festa para Ronda e Liz.
As duas fizeram história ontem.
Acabou o tabu.
As mulheres invadiram de vez o UFC.
Fizeram a principal luta da noite, da edição 157.
Já lutaram decidindo o cinturão dos galos.
E abriram caminho no principal evento de MMA do mundo.
Dana queria a vitória de Ronda por um motivo mercadológico.
E machista.
Ela é muito bonita.
Loira, sorridente, corpo muito feminino, repleto de curvas.
Se diz solteira, sem namorados.
Sensacional atrativo para as tevês, fotógrafos e fãs esperançosos.
Tem apenas 26 anos.
Foi medalha de bronze na Olimpíada de Pequim.
Teve uma vida sofrida.
Com o pai cometendo suicídio para interromper uma doença degenerativa.
Ronda expôs o lado obscuro de uma atleta olímpica.
"Dediquei minha vida inteira ao judô.
Ganhei uma medalha de bronze em Pequim.
Recebi dez mil dólares (cerca de R$ 20 mil) da Federação Norte-Americana de Judô.
E depois viraram as costas para mim.
Pensaram nas novas lutadoras e me esqueceram.
Tive de trabalhar como garçonete, não sabia o que fazer.
Minha vida era o judô.
Foi quando descobri o MMA.
É um sonho para mim entrar no UFC."
Sorridente para as câmeras, é muito agressiva lutando.
Campeã no Strikeforce.
Com um cartel espantoso, seis vitórias, seis chaves de braço.
Todas no primeiro assalto.
Como o UFC comprou o Strikeforce, Dana ficou à vontade para negociar com Ronda.
Ela já é uma estrela nos Estados Unidos, capas de várias revistas.
Convites para filmes, campanhas de publicidade.
E excelente lutadora.
A combinação perfeita para abrir nova fonte de renda para o UFC.
Esperta, Ronda fez questão de ser sexy até na pesagem de sexta-feira.
Em cima da balança, colocou os braços para trás e sorriu.
Foi uma festa para os fotógrafos.
Sua oponente também foi um achado.
Liz foi fuzileira naval.
Eletricista de helicópteros.
Participou da guerra do Iraque.
Foram três idas e vindas para os Estados Unidos durante o confronto.
Quando o conflito acabou, decidiu lutar MMA.
Fez uma boa campanha no Strikeforce.
Mas foi chamada por Dana por outro motivo.
Homossexual assumida, quebrou outra barreira no UFC.
Fez filmes promocionais para a luta ao lado de sua companheira.
Além de agradar as mulheres, o público gay também foi atraído para o combate.
Preconceitos foram quebrados.
A noite foi histórica.
Porém o mais importante foi a luta em si.
De altíssimo nível.
É isso o que importa no mundo do UFC.
O mundo da elite do MMA está aberto para mulheres talentosas.
Como Ronda e Liz...
(A decepção do UFC 157 foi masculina.
A luta entre Lyoto Machida e Dan Henderson.
Tão aguardada quanto frustrante.
Os dois adversários se respeitaram demais.
O brasileiro fugiu do confronto, queria só contragolpes.
Buscou a vitória sem riscos.
Foi o que conseguiu diante de um grande adversário.
Só que com 42 anos e que não lutava há um ano e três meses.
A luta não teve golpes contundentes de lado algum.
Lyoto fugiu quase o tempo todo.
A torcida não perdoou e vaiou o combate.
Vaiou muito.
O brasileiro venceu em decisão dividida, contestável até.
29/28, 28/29 e 29/28.
Se houvesse empate, ninguém protestaria.
Talvez uma compensação pela luta que venceu diante de Rampage Jackson.
E que os juízes deram a vitória ao norte-americano.
Mas a vitória deu a Lyoto a chance da disputa pelo título.
Vai esperar a luta entre Jon Jones e Chael Sonnen.
Seu sonho é a revanche contra Jones.
Se lutar contra ontem, o sonho vai virar pesadelo.
De novo...)
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