1futurapress5 O triste teatro orquestrado por Mario Gobbi. Jogadores defendendo, de maneira espontânea, Mano Menezes para a imprensa. Com o presidente na plateia. Vexame no Corinthians...
Para quem gosta de teatro ruim, foi um espetáculo e tanto. Mario Gobbi resolveu defender Mano Menezes diante dos jornalistas. Mandar recado aos torcedores. Dizer que ele continuará no clube de qualquer maneira até o final de seu mandato. E Ralf, Fábio Santos e Renato Augusto também apareceram para falar bem do técnico. Tudo orquestrado por Gobbi. O recado não foi para a imprensa e nem à torcida.

Na verdade, Gobbi foi dar uma resposta aos conselheiros do clube. Principalmente os ligados a Roberto de Andrade. O favorito a substituir o presidente na eleição de fevereiro de 2015. Muito ligado a Andrés Sanchez, ele não esconde de ninguém que o treinador que deseja ver no Corinthians é Tite.

Gobbi pretende ter vida ativa no Conselho Deliberativo quando deixar seu cargo. Rompido com Andrés, ele quer mostrar força. E não apenas um marionete. Mas em final de mandato e sem carisma algum, o atual presidente sabe que não ganharia as manchetes. Por isso fez questão da participação dos jogadores.

Por motivos distintos, o trio atendeu a convocação de defender Mano. Ralf quer sair do Corinthians no final do ano. Ele precisa estar bem com a diretoria. Renato Augusto é grato pela paciência do clube com suas inúmeras contusões. E Fábio Santos acabou de renovar seu contrato. Constrangidos, eles falaram.

O mais ridículo é que Gobbi ficou ouvindo o depoimento dos três. Lógico que só elogios a Mano e ao ambiente corintiano. Além das infalíveis promessas de recuperação no Brasileiro. E de total aplicação na primeira partida das quartas-de-final pela Copa do Brasil, quarta-feira, no Itaquerão. Tudo previsível. Para agradar não só Gobbi como Mano. Sem um pingo de espontaneidade.

 O triste teatro orquestrado por Mario Gobbi. Jogadores defendendo, de maneira espontânea, Mano Menezes para a imprensa. Com o presidente na plateia. Vexame no Corinthians...

Foi um tiro no pé de Mario Gobbi. Conselheiros ligados a Roberto de Andrade perceberam a manobra forçada do presidente. E o quanto ele está sem rumo, inseguro. Ele optou por expor três jogadores porque sabia que apenas sua palavra não bastaria. Não repercutiria nem dentro do clube.

Ao mesmo tempo que percebiam a manobra de Gobbi, os conselheiros comentavam sobre o reforço nas grades e na segurança do Centro de Treinamento. O medo que as organizadas invadissem outra vez o local para protestar é enorme. Gobbi sabe que seu discurso também não mobiliza os torcedores. Eles são muito ligados em Andrés Sanchez. E sabem que os dois estão rompidos.

Mano Menezes sabe que não ficará em 2015. Mas nem cogita pedir demissão diante da pressão pela fraca campanha. O teatro de hoje serviu para Gobbi mostrar publicamente o que já está sendo publicado aqui há muito tempo. O presidente corintiano está isolado no apoio ao técnico. Como não tem respaldo entre os conselheiros, nada melhor do que colocar para falar o que ele deseja os jogadores que paga regiamente.

Causou muito espanto a maneira como Gobbi se referiu aos títulos corintianos. Como se fossem mérito seu.

"Quem está falando aqui não é um aventureiro, um marinheiro de primeira viagem. Fui três anos diretor de futebol e três anos sou presidente do Corinthians. Nesses três anos eu participei e fui vice-campeão da Copa do Brasil de 2008, peguei o time na Série B, fui campeão da Série B com 22 pontos de vantagem para o segundo, também tem Campeonato Paulista invicto de 2009, campeão da Copa do Brasil de 2009, campeão invicto da Libertadores, do Mundial e da Recopa."

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O fim do mandato de Gobbi está muito difícil. As dívidas por causa do Itaquerão se acumulam. Não teve como competir com o Internacional por Nilmar. E nem tentou Jones, atacantes que Mano Menezes desejava. As organizadas continuam revoltadas com os preços dos ingressos no Itaquerão. Os candidatos à presidência não se interessam por seu apoio. Os da situação buscam o apoio de Andrés Sanchez. E os da oposição se aliam a Paulo Garcia e Roque Citadini.

Do título do Brasileiro, o dirigente abriu mão faz tempo. Também não quis falar sobre conquista da Copa do Brasil. Mas garantiu um último feito antes do fim do seu mandato: a classificação para a Libertadores da América.

"A vaga na Libertadores é o compromisso mínimo nosso que eu tenho no clube de recolocar o Corinthians na Libertadores."

Sabe o quanto precisa de no mínimo essa classificação. Estão em jogo nada menos do que R$ 9 milhões. As três eventuais partidas do Corinthians na primeira fase da Libertadores chegariam a esse valor no estádio corintiano. A partir daí, R$ 4 milhões no mínimo nos jogos eliminatórios. A diretoria vê como obrigação de Gobbi deixar essa herança para o novo presidente. Para ajudar a pagar os juros do Itaquerão.

E terá de ser com Mano. Queira ou não a torcida, os conselheiros. E Roberto de Andrade. Tite que espere a nova administração se quiser voltar ao Corinthians. Com Gobbi, não. Como prova o triste teatro que os jogadores foram obrigados a participar...
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