Publicado em 09/02/2011 às 11h36
O time de Mano Menezes pronto para amenizar tantos traumas contra essa tal de França…

Desde 1986, o mesmo desconforto na alma.
A eliminação nos pênaltis na Copa do México já foi dolorida.
Tudo ficaria pior em 1998.
Estava em Paris e vi uma das derrotas mais justas da Seleção Brasileira.
Na justo na final da Copa, os 3 a 0 que poderiam ser 5 a 0...
Depois, os jornalistas brasileiros tiveram de suportar Zagallo não querendo dar explicações sobre Ronaldo...
E as gozações de franceses enlouquecidos de alegrias com a vitória do time de Zidane...
Bastavam descobrir que alguém era brasileiro em Paris e eles começavam a cantar...
The Cup of Live, tema do Mundial de 1998, cantado por Ricky Martin era adaptado...
E o início era cantado em francês.
O refrão foi mudado de here we go, allez, allez, allez para...inesquecíveis un, deux, trois, allez, allez, allez...
Em vez de 'agora nós vamos' para um, dois, três.
Por que um, dois, três?
Sim, pelos três gols que o Brasil tomou na decisão da Copa.
Quase esse blog não existe....
Um grupo de franceses bêbados resolveu cantar e dançar em cima da mesa em que jantavam jornalistas brasileiros.
Eu estava entre eles.
Cansado de tanto escrever para o jornal em que trabalhava e envergonhado pela maneira com que a Seleção perdeu.
Se não surgissem policiais, o UFC seria reunião de jovens noviços...
E provavelmente vários repórteres brasileiros estariam ainda cumprindo pena em Paris...
A única compensação é que jornalistas argentinos foram confundidos com brasileiros...
E tiveram a mesma punição...
Depois desse trauma, outro.
Estava em Frankfurt, em 2006.
Quase chorei de vergonha com o chapéu de Zidade em Ronaldo.
E com a falta de reação do quadrado mágico contra os carrascos franceses, na eliminação da Copa da Alemanha.
Adriano e Ronaldo já estavam fora de forma.
Ronaldinho Gaúcho e Kaká decepcionando mais uma vez com a camisa da Seleção.
E Parreira fingindo que não enxergava.
O trauma foi outro.
Ver depois da partida os jogadores brasileiros na zona mista abraçando os franceses como se nada tivesse acontecido.
A França passou a ser um adversário incômodo para qualquer brasileiro.
Mano Menezes sabe disso.
E para compensar a derrota contra a Argentina, o técnico tem hoje a chance de uma pequena vingança.
Depois do enorme vexame dos franceses na Copa da África, até com greve dos jogadores...
Laurent Blanc tem o desafio de reformular sua seleção.
E a geração não é tão boa.
Ainda não terá Ribéry e Nasri, contundidos.
A estrela é Benzema do Real Madrid.
E o esquema é o 3-6-1, variando para o 3-4-3, quando o time ataca.
O ponto fraco é a defesa francesa: faltosa e lenta.
Mano montou uma equipe só com jogadores que atuam na Europa.
Perdoou Júlio César pelo fracasso na eliminação para a Holanda na África.
E tratou de colocar uma equipe competitiva e não por acaso, deu liberdade para Daniel Alves e André Santos.
Pelas laterais, eles deverão municiar os também velozes Pato e Robinho.
O caminho da vitória contra esses benditos franceses está na correria.
Nenhum trauma será superado.
Mas vai valer a pena acompanhar essa partida com toda atenção.
Mano parece feliz demais com a defesa que montou.
Esse é um primeiro grande passo.
Lucas e Elias também se firmam...
As presenças de Renato Augusto e, principalmente, Hernanes, merecem uma profunda análise.
Mas além das observações por obrigação, é inegável escrever que essa partida é diferente para este repórter.
A França até os finais dos dias será representada por seus torcedores bêbados em cima das mesas em Paris...
E Ricky Martin...
Por isso, o desejo confesso de uma vitória brasileira por goleada hoje...
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