O São Paulo havia preparado uma festa para a volta de Hernanes ao Morumbi. Mas o time de Dorival Júnior subestimou o Coritiba, sem dez titulares. Pagou caro pela ansiedade. Perdeu o jogo por 2 a 1 e mergulhou, de novo, na zona do rebaixamento...
O que deveria ser uma festa, acabou sendo um velório. O São Paulo preparou uma celebração recorde para a volta de Hernanes ao Morumbi, depois de sete anos. A partida contra o Coritiba deveria ser a confirmação da recuperação do time, fugindo de vez da zona do rebaixamento e abrindo boa perspectiva para o segundo turno do Brasileiro. Afinal, o adversário vinha de quatro derrotas seguidas.

Só que de nada adiantou mais de 53 mil torcedores no Morumbi, novo recorde de público no Brasileiro.

Deu tudo errado. O time paranaense não repetiu a bobagem do Botafogo. Marcelo Oliveira fez seu time marcar muito forte na intermediária e aproveitar a inexplicável escalação de Bruno na lateral direita. Rildo, maior arma ofensiva do Coritiba, deitou e rolou. E foi o grande personagem na vitória por 2 a 1.

Ansioso, sem consciência, e surpreso por estar perdendo a partida, o São Paulo mergulhou outra vez na zona do rebaixamento.

O lance que retrata bem o desespero, a falta do mínimo preparo psicológico e técnico, foi Dorival Júnior exigindo que o goleiro Renan Ribeiro fosse para a área paranaense tentar acertar uma cabeçada, no último lance do jogo. Inaceitável.

Já o Coritiba conseguiu fugir da zona maldita. Saltou para a 12ª posição.

O clube de Leco e Pinotti, os reis do desmanche, estacionou na 17ª posição.

"A gente tentou, e conseguiu criar as chances, mas não conseguiu finalizar em gol. No segundo tempo eles vieram fechados, no contra-ataque conseguiram o pênalti, depois o segundo gol. Não conseguimos reagir antes. Fizemos o gol, mas fica a frustração porque o torcedor não merecia essa derrota", dizia, angustiado, Hernanes. Ele sabia que também não tinha jogado bem. Muito marcado, ao contrário do que aconteceu com o Botafogo, ele não conseguiu se destacar.

O Morumbi foi preparado para a festa. Outra vez, a diretoria apelou. Com ingressos a R$ 10,00, os mais baratos da Série A, a ordem era encher o Morumbi. Fazer a torcida compensar as bobagens que Leco fez vendendo jogadores indiscriminadamente. Situação que derrubou Rogério Ceni. O presidente sabe que é culpado pelo desespero que mergulhou o São Paul.

E ele, seguiu pecando pela falta de noção. Ele se posicionou na entrada do vestiário, antes do jogo. Cumprimentando cada jogador que entrava. Na verdade, os pressionando, querendo a vitória a fórceps. Para compensar sua ganância. Correta para um gerente de banco, não para o presidente de um clube tricampeão mundial.

Os atletas e Dorival se surpreenderam, não esperavam encontrar Leco.

Enquanto isso, a torcida que pagava o ingresso mais barato do Brasil, enchia o estádio. Eram mais de 53 mil são paulinos. O coro era forte antes da partida."Ô,ô,ô...Time grande não cai..." Um pouco de soberba em meio à desgraça.

Na verdade, todos estavam iludidos pela partida contra o Botafogo. Hernandes foi o maestro, o condutor de uma virada épica no Rio de Janeiro. Vitória fantástica, de um time que perdia até os 38 minutos do segundo tempo por 3 a 1. E venceu por 4 a 3.

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Só que Marcelo Oliveira viu e reviu aquele jogo. E percebeu o óbvio. Jair Ventura recuou demais o Botafogo. E organizou uma marcação digna de irmão mais velho sobre o caçula, em relação a Hernanes. Ele teve toda o campo do time carioca para se movimentar, sem ser importunado. Hoje seria diferente. Bem diferente.

Dorival Júnior sabia muito bem da diferença técnica entre os dois elencos. O Coritiba convive com grave problema financeiro. Tem um elenco limitadíssimo. E o maior sonho em 2017 é escapar da zona do rebaixamento. Além de tudo isso, a equipe tinha nada menos do que dez desfalques para o confronto do Morumbi. Kléber, a estrela do time, mas triste colecionador de suspensões. Henrique Almeida, Luizão e William Matheus também estavam suspensos. E mais Werley e Walisson Maia, Anderson, Daniel, Getterson e Iago contundidos. O Coritiba não pôde escalar dez atletas!

O São Paulo tinha todos seus titulares.

63 O São Paulo havia preparado uma festa para a volta de Hernanes ao Morumbi. Mas o time de Dorival Júnior subestimou o Coritiba, sem dez titulares. Pagou caro pela ansiedade. Perdeu o jogo por 2 a 1 e mergulhou, de novo, na zona do rebaixamento...

Dorival escalou sua equipe no 4-3-3. Sem medo. Apostou que os neurônios fariam o ambidestro Hernanes conduzir o time para mais uma vitória. Ele sabia que era obrigatório ganhar esse jogo. Marcelo Oliveira tratou de apelar para o 4-1-4-1, o que era um progresso. Porque nos tempos de Palmeiras, só tinha uma maneira de distribuir seus jogadores, no 4-2-3-1, esquema que havia dado certo no Cruzeiro bicampeão brasileiro, 2013 e 2014.

Acreditando que teria um adversário fácil, o São Paulo começou o jogo completamente aberto. E Marcinho perdeu uma chance incrível, aos três minutos. Recebeu lançamento de Bruno. Seu marcador, Thalisson sofreu uma distensão. Marcinho invadiu a área e, na saída do goleiro Wilson, tocou fraco demais. Léo entrou e tirou a bola em cima da risca.

O lance teve dois efeitos colaterais. Fez o São Paulo ter a certeza de que o jogo seria fácil demais. E o Coritiba percebeu a necessidade de agrupar suas linhas. Hernanes não tinha espaço para respirar. Cueva começou a ser individualista. Petros, além de lento, confundia lançamentos com chutões. E Lucas Pratto desesperado na frente. Bruno e Edimar forçavam dribles e não conseguiam ajudar o ataque. O time paranaense não sofreu para segurar o 0 a 0 no primeiro tempo.

Mas viria a etapa final e a ansiedade do São Paulo beirava o insuportável. Marcelo Oliveira foi um excelente meio campista, percebeu a tensão adversária. E adiantou sua marcação. Preparava os botes para os contragolpes, preferencialmente para o velocista Rildo. Ele já jogou na Ponte, no Corinthians. Dorival tinha o obrigação de cuidar do atacante que lembra antigos pontas esquerdas.

Mas o treinador resolveu confiar em Bruno. Pior para o São Paulo. Aos 10 minutos, Rildo partiu com a bola dominada para cima de Bruno. O lateral o empurrou dentro da área, de forma infantil. Pênalti claro. Thiago Carleto, ex-jogador do São Paulo, cobrou com convicção. 1 a 0, Coritiba. O lado psicológico que já era ruim com o 0 a 0, ficou desesperador.

Dorival Júnior adiantou o time. A torcida cobrando, gritando o velho mote do Atlético Mineiro campeão da Libertadores, "Eu acredito". Era tensão pura. O São Paulo, com Hernanes encalacrado, passou a levantar bolas na área. Rodrigo Caio acertou o travessão em uma cobrança de escanteio. A falta de consciência tática não poderia ser mais nítida.

Melhor para o Coritiba. Em um contragolpe muito bem organizado, pela esquerda, como era previsível, Rildo deu excelente passe para o colombiano Filigrana, livre diante de Renan Ribeiro, marcar 2 a 0, aos 22 minutos.

4sitecoritiba O São Paulo havia preparado uma festa para a volta de Hernanes ao Morumbi. Mas o time de Dorival Júnior subestimou o Coritiba, sem dez titulares. Pagou caro pela ansiedade. Perdeu o jogo por 2 a 1 e mergulhou, de novo, na zona do rebaixamento...

Hernanes, cansado e improdutivo, foi substituído. Jonatan Gomez entrou e mostrou, de novo, sua falta de ofensividade. O São Paulo já era um time que desprezava o meio de campo e só vivia de levantar a bola para a área. Enquanto isso, a torcida apostava que veria uma nova virada, como aconteceu no Rio.

"Eu acredito, eu acredito", era o coro nervoso.

Wilson mostrava muita segurança no gol do Coritiba e ia fazendo bem a sua parte. Até que aos 43 minutos, Denilson aproveitou falha da zaga e descontou. 2 a 1, aos 43 minutos do segundo tempo. O estádio quase veio abaixo, de pulos de 53 mil torcedores esperançosos.

Só o Coritiba mostrou sangue frio e suportou o desespero são paulino.

Venceu, com mérito, a partida.

Com o time mergulhado outra vez na zona do rebaixamento, os torcedores se dividiam. A metade aplaudia o time que lutou, sem consciência, mas lutou. E outra metade, irritada, vaiava.

Mas deu seu apoio durante todo o jogo.

Durante os 90 minutos teve comportamento exemplar.

Leco fez o previsível.

Não apareceu para cumprimentar os jogadores na derrota...

O São Paulo passa por este sufoco pelo presidente que tem...
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