114 O Santos é minha casa. Nunca passou pela minha cabeça jogar em outro clube no Brasil. Robinho, 2015. O futebol é um negócio. Vou dar a minha vida pelo Galo. Robinho, 2016...
"Nunca passou (pela minha cabeça jogar em outro clube brasileiro). Pela história que tenho no clube, sempre manifestei vontade de ficar, de jogar no Santos, que é minha casa. Tive propostas de outros clubes do Brasil.

"Sempre gostei da torcida do Flamengo, que é muito bonita. Tive sondagens, mas sempre manifestei minha vontade de ficar no clube pela minha história. Estou muito feliz no Santos e não tenho vontade de jogar em outro time. Tive sondagens de Atlético Mineiro, do Cruzeiro, mas no início das tratativas já acabei cortando.

Não gosto de dar andamento no que não tem fundamento no final. Se eu quisesse usar os clubes, mas como não teria fundamento, agradeci o carinho, mas minha vontade sempre foi a de ficar aqui. No começo das conversas eu já cortei."

Robinho, dia 2 de março de 2015, Sportv.

"O futebol hoje em dia é um negócio. Todas as vezes que tive a felicidade de jogar pelo Santos, fui campeão. Infelizmente, o futebol atual é assim. Você sai de um clube como mercenário. A identificação que tive com o torcedor santista foi muito bonita. Dei a vida pelo Santos e agora vou dar pelo Galo. O futebol é um negócio."

Robinho, 12 de fevereiro de 2016...

Está transparente o motivo da revolta da torcida santista. Ela acreditou na promessa de Robinho de um ano atrás. Aquele que todas as vezes que precisou, a Vila Belmiro estendeu um tapete vermelho. E o acolheu.

Só que agora, a situação mudou.

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Ele quis mais dinheiro e acertou com o Atlético Mineiro. Se esqueceu das acolhidas e das promessas. Que o futebol é um negócio e o jogador pode ir para onde receberá mais dinheiro, ninguém pode contestar.

Só que o jogador que surgiu nas categorias de base, foi lançado na Vila Belmiro para o mundo. Passou dez anos e meio de sua vida com o emblema branco e preto sobre o coração. Não poderia jurar que, no Brasil, só o Santos.

Se enganou na Baixada que ele poderia ser comparado a Rogério Ceni, Marcos. Se percebeu tardiamente que sua ligação não era tão umbilical assim.

Não com o Santos vivendo grande crise financeira.

Não o clube que atrasou seus salários.

E que não pode chegar perto dos R$ 900 mil que poderá render atuar em Belo Horizonte.

O ataque de fúria dos torcedores lembrou muito um namorado trocado. Aquele que acreditou na jura de amor eterno. Mas bastou chegar um pretende com mais dinheiro, um carro melhor, possibilidade de viagens, jóias. E tudo mudou.

A primeira vítima foi a rede onde costumava jogar futevôlei. "Mercenário. Quem ama o Santos somos nós." A pichação aconteceu no Canal 6 de Santos. Em seguida, a fachada do muro do CT Rei Pelé foi quem sofreu. Os desenhos de Robinho foram manchados de tinta branca e verde.

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O clube decidiu que as imagens teriam o mesmo destino de Paulo Henrique Ganso. Foi passada uma tinta branca. Elas desapareceram. E não serão repintadas.

Seu nome desapareceu do site oficial do clube, onde ocupava lugar de honra, na galeria dos grandes ídolos da história. Depois, ele reapareceu e o Santos garantiu que foi um hacker.

Mas o sentimento de Modesto Roma Júnior e dos conselheiros é este mesmo. Querem apagar Robinho da memória. O presidente havia ficado empolgado quando soube que o Guangzhou Evergrande decidiu não renovar seu contrato. Tinha a certeza do retorno ao Santos. O clube pagaria R$ 200 mil e um patrocinador bancaria os outros R$ 400 mil. Seria a hora dele ajudar a equipe que o mostrou ao mundo. E o fez milionário, que já é há muito tempo.

Só que o garoto nascido em São Vicente apaixonado pelo Santos não existe.

"Agora é dar a alma pelo Galo."

E em Belo Horizonte, o sentimento de empolgação da direção do clube e dos torcedores vai pelo mesmo perigoso caminho. Voltamos no tempo. Robinho é a reencarnação de Ronaldinho Gaúcho em 2012. Há uma certeza no ar que ele irá carregar o time de Aguirre nas costas. Fazer o que o irmão de Assis fez com a equipe de Cuca. Dar a Libertadores da América. Levá-la ao Mundial.

Só que Robinho é muito diferente de Ronaldinho Gaúcho. Nunca teve o potencial para ficar entre os dez melhores do mundo. Seu antecessor ganhou duas vezes. Foi campeão do mundo com a Seleção, venceu a Champions. Títulos que o ex-santista nem chegou perto.

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Em clubes, Ronaldinho Gaúcho sempre foi protagonista. Enquanto teve pernas e fôlego, assumia seu papel. Foi um jogador fabuloso. Seu último espasmo aconteceu no Atlético Mineiro, cercado de um excelente time, treinador inspirado e goleiro abençoado.

Robinho sempre foi coadjuvante. Sempre precisou mais do time que Ronaldinho. Sua decadência, aos 32 anos, foi exposta na passagem pela China. Nem a proteção de Felipão foi suficiente. Sem velocidade, explosão muscular, suas pedaladas só aconteciam na sala de musculação. Em cima de uma bicicleta. Não era o jogador diferenciado de dez anos atrás. Por isso os chineses nem pensaram em renovar seu contrato.

Robinho também não tem o espírito de liderança de Ronaldinho Gaúcho. Seu carisma fica no pandeiro que adora tocar nas concentrações. Não é um jogador capaz de motivar os companheiros. Trazer confiança para ganhar a Libertadores.

Não adianta nem separar e esticar os dentes da frente. Em nada Robinho se assemelha ao seu antecessor. Não quer ficar flutuando pelo meio de campo. Já mandou um aviso na coletiva de apresentação. Pode fazer o que Aguirre quiser. Só que completou, esperto. Está acostumado a atuar pelo lado esquerdo do ataque.

Os torcedores do Atlético Mineiro devem conter a sua euforia. O jogador não quer sair de sua zona de conforto. Aliás, enquanto todos os jogadores que vão disputar a Libertadores faziam pré-temporada, o que fazia Robinho? Jogava futevôlei. Sim, na mesma rede que agora o acusa de mercenário. Caberá ao preparador físico Carlinhos Neves tentar colocá-lo em forma, a toque de caixa.

Já a diretoria atleticana que não se iluda.

Caso surja uma proposta melhor ao seu jogador.

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Ele acaba de virar as costas ao clube onde nasceu.

Quanto ao Santos, o romance acabou.

Nem depois de cumprir dois anos no Atlético voltará.

Conselheiros na Vila Belmiro não podem ouvir seu nome.

Torcedores santistas espalham a palavra mercenário nas redes sociais.

Pobres mortais.

Deveriam evitar gastrites, prestando atenção aos conselhos de Robinho.

Não há romantismo.

Nem fidelidade.

"O futebol é um negócio."

Pagou mais, levou...

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