1mowa O principal medo de Tite contra a Colômbia. O temor não está no talento reconhecido do time de José Péckerman. Mas na reação de Neymar. Seu ego não pode sabotar a Seleção...
A depressiva irritação se tornou incrível euforia. Em Manaus, a Seleção Brasileira vive o lado bom da bipolaridade dos jornalista, da torcida. Bastaram a conquista da medalha de ouro olímpica e a convincente vitória diante do Equador, em Quito, por 3 a 0.

Torcedores amazonenses lembram a cidade suíça Weggis, de triste memória, invadindo o gramado para abraçar Neymar. O atacante resolve fazer um vídeo dançando com seus companheiros, como se fossem adolescentes, Tite cumpre a sua obrigação. E se preocupa. Muito.

E não só com o talento reconhecido dos colombianos.

A partida contra o time do argentino José Pékerman traz um componente sério, grave e que todos comentam aos sussurros. O medo de como o principal jogador brasileiro irá se comportar diante da emergente seleção sul-americana.

Para contextualizar a situação é preciso entender o outro lado. Para a imprensa e jogadores colombianos, Neymar não é e nunca foi uma vítima. Está mais para vilão. Por isso não há o menor ressentimento, pena, constrangimento quando ele recebe pontapés, entradas duras. No país do genial Gabriel García Marquez não há espaço para pena do camisa 10 do Brasil.

Na famosa partida na Copa do Mundo de 2014, Zuñiga acertou uma desleal joelhada na costas do brasileiro. A entrada desleal fraturou a terceira vértebra de Neymar, que não pôde seguir no Mundial. A atitude é considerada uma agressão traiçoeira mesmo na Colômbia. Mas, ao contrário do drama que se fez no Brasil, há uma explicação que a torna compreensível.

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O Brasil vencia a partida por 2 a 1 e Neymar fazia tudo para o tempo passar. Passava o pé em cima da bola, provocava os colombianos, queria sofrer falta. Especialmente Zuñiga, seu marcador. O xingou várias vezes, o queria tirar da partida, por expulsão. Até que conseguiu perturbar o jogador a ponto da entrada covarde por trás. Ninguém em Bogotá aplaudiu Zuñiga, mas ele foi compreendido.

No reencontro, na partida pela Copa América do Chile, os colombianos fizeram um rodízio de pontapés em Neymar. Principalmente Zuñiga. O brasileiro estava completamente sem controle psicológico. Começou a revidar, provocar, xingar. Se esqueceu de jogar. Calado, Dunga assistiu aos chiliques de seu principal jogador. Com direito a chutar a bola em Armero, após a partida acabada. Provocou um conflito generalizado. Neymar conseguiu ser expulso após o jogo terminado. Não satisfeito, ainda foi xingar o árbitro chileno Enrique Osses de filho da p... e dizer que ele queria aparece em cima do brasileiro.

Neymar tomou quatro partidas de suspensão. Não atuou mais na Copa América e ainda ficou fora dos dois primeiros jogos da Eliminatória: contra o Chile e Venezuela. Com o vexame, para a opinião pública colombiana ficou provado que a principal estrela brasileira nunca mereceu ser canonizada.

Terceiro ato. Times olímpicos do Brasil e Colômbia se enfrentam em Itaquera. Tivesse uma dose a mais de testosterona, o árbitro turco Cuneyt Cakir teria expulsado Neymar e a medalha de ouro poderia nem ter chegado às mãos dos brasileiros.

Carlos Restrepo não conseguiu seus jogadores. Eles entraram tensos, apesar de talentosos, acreditavam que venceriam o Brasil intimidando, brigando, provocando o time de Micale. E o alvo preferido foi Neymar. Entradas duras, palavrões, pontapés. Tiraram a sua concentração. A ponto de em uma jogada tosca, a não devolução da bola do time colombiano, Neymar decidiu cobrar a falta de fair play dando pontapé por trás, desleal, em Roa. Qualquer árbitro o teria colocado para fora. Menos o acovardado Cuneyet Cakir.

A proteção injustificada ao brasileiro só o tornou figura ainda mais detestada na Colômbia. Há reverência ao talento. Mas não há a menor simpatia por Neymar. Ele é visto como um jogador provocador, que simula sofrer faltas o tempo todo e é protegido pelos árbitros, por ser estrela do Barcelona.

Tite, Edu Gaspar, Silvinho e Cleber Xavier decoraram os três confrontos contra os rivais. E chegaram à conclusão que o time precisará de um Neymar diferente. Tranquilo, ágil e, principalmente, lúcido. Não há a menor dúvida que será provocado, xingado, tomará pontapés. A preocupação é como ele reagirá.

E não o treinador da Seleção teve de agir de sua maneira tradicional. A que lhe dá mais confiança, mais resultados. Longa conversa com Neymar. Em Quito, ela aconteceu e o brasileiro percebeu que seria fundamental à Seleção, desde que atuasse como no Barcelona. Sendo mais uma peça importante e não o responsável por todo o esquema.

Em Manaus, Tite acredita que mais uma vitória nas Eliminatórias passa pela paz de espírito de Neymar. O quer jogando sério durante os 90 minutos. Driblando verticalmente, em busca do gol. Provocações não serão deixadas de lado pelos colombianos. Eles seguem com Neymar atravessado na garganta.

O treinador brasileiro quer que os jogadores mais experientes como Renato Augusto, Daniel Alves e Paulinho mantenha Neymar tranquilo em campo. O protegendo, pressionando a arbitragem em lances mais duros. E, principalmente, o deixando longe das discussões.

O volante Pérez demonstra como o futebol colombiano vê o camisa 10 do Brasil.

"Todos sabemos que o Neymar, quando se dedica a jogar bola, é um dos melhores do mundo, mas acho que, muitas vezes, ele acaba sendo criticado por querer segurar a partida e os adversários. Nós sabemos que ele faz para mexer um pouco com nosso orgulho e não gostamos disso, gostamos de sair para jogar, apertá-los. Obviamente temos jogadores que vão forte na hora do ataque, e quando o Neymar começa a simular muito, nós continuamos em cima e pode causar confusão."

Tite não tem a menor dúvida.

Domar Neymar será fundamental para vencer amanhã.

O jogador tem se mostrado tranquilo.

Colocado no ar vídeo de dança com companheiros.

Só que não é garantia de nada.

Quando ele está no gramado com colombianos...

O resultado é imprevisível.

Pode ser até pior do que vê-lo dançando...

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