1reproducao5 O péssimo início de Eduardo Baptista no Palmeiras. A derrota para o Ituano estragou um fim de semana perfeito para Galiotte e Leila Pereira. A sombra de Cuca começa a cobrir o Palestra Itália...
Era a noite de 23 de fevereiro de 2016. O Palmeiras perdia para o Audax em Osasco, por 2 a 1. Era a segunda partida de Cuca no comando do time. A primeira, ele já havia sido derrotado, 1 a 0 para o Nacional, em Montevidéu.

O sentimento, no entanto, era de confiança.

Afinal, Cuca havia assumido no lugar de Marcelo Oliveira, treinador que fora mandado embora do Palmeiras por ficar refém de um esquema tático apenas e ter perdido o comando dos jogadores. Com a chegada do novo técnico, último brasileiro a ganhar a Libertaddores, a esperança se tornou contagiosa. Começava na diretoria, se espalhava para o time, chegava aos jogadores e refletia na imprensa. Ainda mais amparado pelos bilhões de Paulo Nobre e a vibração da arena. Era nítido que algo de bom, melhor do que o título da Copa do Brasil.

E veio a promessa de Cuca de conquista do Brasileiro.

O time se reestruturou taticamente.

Venceu a competição.

Desgastado com Paulo Nobre e com pessoas próximas doentes na sua família, Cuca preferiu ir embora. Milionário, ele pode ter um semestre de descanso para depois voltar à China ou assumir uma equipe grande do futebol brasileiro. E seguir com seu sonho de comandar a Seleção Brasileira, depois da Copa de 2018.

Esses dois jogos de Cuca foram lembrados porque bastaram as duas primeiras partidas com Eduardo Baptista em 2017. E a sombra da decepção já começa a dominar o Palestra Itália. A vitória sofrida, suada, contra o Botafogo de Ribeirão Preto por 1 a 0 havia sido o sinal.

Itu é a cidade do Brasil onde o superlativo se impõe até turisticamente. Foi exatamente onde foi estragado o final de semana que seria perfeito aos palmeirenses. Toda a festa no aeroporto de Cumbica às 6h30 do sábado para o artilheiro Borja. Depois, às 19h30, a confirmação que a bilionária Leila Pereira foi a recordista de votos para o Conselho Deliberativo, com 248 votos. Seu marido, José Roberto Lamacchia, também foi eleito, com 66 votos. O bilionário casal, dono da Crefisa, garantirá feliz os milhões em contratações e reestruturação do clube. Talvez até renasça o basquete. Além, é claro, do dinheiro para a Mancha Verde fazer o seu Carnaval.

A escola de samba da torcida, que apoiou a candidatura dos Lamacchia, queria até fazer um carro alegórico em homenagem a Byron, um dos dez cachorros de Leila, mas a dona da Crefisa recusou a nobre homenagem. Os sambistas que usassem de outra maneira o R$ 1,3 milhão que ela doou.

O ambiente no Palmeiras era de pura euforia.

Até que o time entrou em campo em Itu.

De nada adiantou a estreia de Guerra, o melhor jogador da Libertadores de 2016. Talentoso, inteligente, o venezuelano, contratado a peso de ouro pela Crefisa, deu dribles, infiltrou, tabelou, arrematou. Mas não conseguiu fazer com que o Palmeiras escapasse de sua primeira derrota no ano.

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Os torcedores que estava eufóricos, mostraram sua decepção nas redes sociais.

E de uma maneira previsível.

Cuca foi um dos nomes que mais apareceu no twitter na noite de ontem.

A saudade não veio por acaso.

Como foi exposto de maneira direta por este blog, Eduardo Baptista não era o nome indicado para assumir o lugar de Cuca. Nada pessoalmente contra ele, muito pelo contrário. Sempre tive uma ótima relação com seu pai, Nelsinho. Acreditava e sigo nesta direção que Eduardo é muito inexperiente para tanta responsabilidade que o Palmeiras terá em 2017.

O presidente Mauricio Galiotte e Leila Pereira, as duas pessoas mais poderosas do clube, assumem. O ano é para vencer a Libertadores. Nada menos do que isso será aceito. Paulista, Brasileiro, Copa do Brasil não servem. É uma loucura? Sim, sem dúvida. Esses torneios servem apenas para passar confiança na disputa do campeonato capaz de levar o clube à disputa do Mundial.

Cuca deixou a todos mimados.

Não só com a promessa e conquista do Brasileiro.

Mas pela maneira com que o time jogou e quebrou o jejum de 22 anos. De maneira definida, clara. Ele optou pelo 4-3-3. Colocou o Palmeiras como dono da bola quando estava em casa. Ou dono de um contragolpe fatal quando atuava no campo adversário. Troca de passes coordenados, deslocações, jogadas ensaiadas em faltas, em escanteios, em laterais!

O esquema palmeirense não era vistoso.

Mas eficiente.

Transpirava confiança.

Cuca pegou terra arrasada deixada por Marcelo Oliveira.

Eduardo Baptista, não.

Encontrou um time montado. Com a perda do enorme diferencial chamado Gabriel Jesus. Cleiton Xavier que acumulou contusões e atuações fraquíssimas foi para o Vitória, sem deixar saudade.

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Mas a chuva de dinheiro que veio da Crefisa, da arena, da tevê e dos sócios-torcedores garantiram reforços importantíssimos. Borja, Guerra, Felipe Melo, Michel Bastos. Quatro jogadores sem discussão, cobiçados por rivais. E Keno e William artilheiros velozes, versáteis. Mais as promessas Raphael Veiga e Hyoran.

O campeão brasileiro que já era forte se tornou o melhor, disparado.

Esse grupo maravilhoso, mas com cerca de 25 jogadores que desejam ser titulares, caiu nas mãos do estudioso e imaturo Eduardo Baptista. As pessoas fazem de conta que não enxergam. Ele nunca disputou a Libertadores da América. Só comandou até hoje Sport, Fluminense e Ponte Preta. Tem 14 anos de experiência como preparador físico. E apenas três como técnico. Sua primeira providência foi garantir que assistiu a todos 38 jogos do Palmeiras de Cuca no Brasileiro. E, assumindo a postura de aluno, foi terminar um curso de aprimoramento como técnico na CBF no final de 2016.

Ele definiu publicamente seu esquema como o 4-1-4-1. O treinou no reestruturado CT do Palmeiras. E acreditou que os adversários iriam se dobrar. Bastariam a camisa e o nome dos atletas que os rivais se encolheriam na sua grande área e esperariam a goleada. Afinal, Botafogo de Ribeirão e Ituano deveriam ser meros coadjuvantes neste enredo.

Mas intensidade é algo que um time não tem só seu técnico for incompetente, não tiver acesso sequer à televisão, a um simples computador. Os esquemas táticos europeus, os mais desenvolvidos, estão à disposição. Moacir Júnior e Tarcísio Pugliese não são Ancelotti ou Guardiola. Mas fizeram os palmeirenses sofrer e se questionar. Bastaram usar o 4-5-1. Travar os palmeirenses na intermediária com gana, vontade. E pronto.

O campeão brasileiro fará seu estreia na Libertadores dia 8 de março, falta menos de um mês. Contra o vencedor de Junior Barranquilla e Atlético Tucuman. Antes terá pela frente São Bernardo, Linense, Corinthians, Ferroviária e Red Bull.

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Diante das primeiras vaias da torcida e decepção estampada na fisionomia e voz dos repórteres, Eduardo Baptista se defendeu. Tinha perto de sua boca, 11 microfones e um celular de jornalistas. Seguiu o caminho óbvio. Disse que era apenas o segundo jogo. Que havia perdido Tchê-Tchê. E na partida, a contusão precoce do lateral Fabiano atrapalhou. Elogiou a estreia do Guerra. Disse que há o Moisés para entrar. Lamentou ter Borja, só em março na Libertadores, não está inscrito na primeira fase do Paulista.

Nada falou da obviedade tática do seu time, superado pelo 4-5-1 do Ituano. E nem do gol de cabeça que tomou, em escanteio, de Guly, sem a necessidade do jogador sequer saltar. A falta de ousadia quando Fabiano se machucou. Deveria ter colocado Michel Bastos para fazer o jogo fluir, deixando Jean na lateral. E não colocar Tiago Santos, com movimentação idêntica à de Felipe Melo. Depois, desesperado, tentou consertar tirando Edu Dracena, recuando Tiago Santos como zagueiro e colocando Alecsandro como um poste à frente.

Mas o time de Itu dominou de forma assustadora as investidas do campeão brasileiro. O Palmeiras nada criou. E apelou para cruzamentos da intermediária, 'chuveirinhos', que encontravam os zagueiros interioranos de frente para despachar de cabeça, jogadas tão inúteis quanto improdutivas, originadas do puro desespero.

Pior: chutões de Fernando Prass e dos zagueiros. Bolas lançadas da defesa, desprezando o meio de campo. Recurso ainda mais pobre, desprezível para um elenco tão recheado de jogadores técnicos.

Faltaram triangulações pelos lados, infiltrações, tabelas, movimentação coordenada do meio para a frente. Tudo perfeitamente possível de desenvolver nos treinamentos.

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A derrota estragou um final de semana que deveria ser perfeito.

Borja, eleição, Guerra...

O julgamento não é definitivo.

Mas o começo de Eduardo Baptista é decepcionante.

Mostra a insegurança previsível.

Falta de firmeza, rumo.

Os conceitos na teoria são maravilhosos.

Mas na prática têm sido decepcionantes.

Não foram só os torcedores que se mostraram saudosos.

A nostalgia por Cuca contagiou conselheiros importantes.

E ligados tanto a Galiotte como a Leila.

Eles estão incomodados.

O nome do ex-treinador da Ponte não empolgou ninguém.

O único empecilho, responsável pela saída de Cuca, foi embora.

Se chama Paulo de Almeida Nobre.

Os dois meses em casa trouxeram boas notícias para Alexi Stival.

O técnico que não quis renovar resolveu várias situações.

Um retorno antecipado ao trabalho não é impossível.

A pressão só aumenta no Palestra Itália.

Mesmo desprezando o Paulista, o time precisa reagir.

Há muito dinheiro e prestígio em jogo.

Serão investidos mais de R$ 100 milhões pela Crefisa em 2017.

E outros R$ 100 milhões em 2018.

Leila e Galiotte têm pressa.

O ano precisa ser vitorioso.

A tolerância, será mínima.

Até porque Cuca segue livre.

Ao alcance de um toque de celular...
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