1reproducao O Palmeiras não é zona. Não é a casa da Mãe Joana. Felipe Melo está fora, decreta Alexandre Mattos. Cuca venceu o duelo. O treinador havia deixado claro à diretoria. Não perdoaria ter sido chamado de covarde, mau caráter e mentiroso. Era o volante ou ele...
Cuca venceu.

O Palmeiras oficializou.

Felipe Melo não jogará mais pelo clube.

Apenas sete meses bastaram.

A situação ficou clara.

Era Cuca ou Felipe Melo.

O presidente Mauricio Galiotte e o executivo Alexandre Mattos decidiram pela saída do jogador. Não queriam perder de maneira alguma o treinador. E Cuca iria mesmo embora se o volante fosse perdoado. Chamá-lo de covarde, mau-caráter e mentiroso foi a gota d'água.

"Aqui não é a casa da mãe Joana. Não é zona. Nada é maior do que a instituição. Nenhum jogador, dirigente, funcionário, membro de comissão técnica.

"A gente tentou policiar, tentou colocar rédea. E aí, sim, fomos preventivos. Se não tomamos situação agora, pode acontecer coisa pior. Ou não. Mas temos que nos basear no momento. Pelo áudio, pela fala, o momento é esse. De um novo caminho, para que todos fiquem em paz."

Alexandre Mattos é o responsável pela crise no Palmeiras.

Foi dele a ideia de fazer a Crefisa bancar Felipe Melo.

Cuca já havia saído do Palmeiras.

Eduardo Baptista estava chegando quando houve a chance de negociação.

O novo técnico não tinha moral para vetar sua chegada.

Se Cuca estivesse no comando do Palmeiras, diria não ao volante.

Os dois trabalharam juntos no Grêmio em 2004. E eles tiveram problemas. Mas o pivô do desentendimento há 13 anos tem nome e sobrenome. Omar Feitosa. O relacionamento entre os dois nunca foi bom.

Ao contrário do que inúmeros conselheiros afirmaram sobre a chegada de Felipe Melo, Cuca não gostaria de trabalhar de novo com ele. Quem o via como líder, o jogador de personalidade, quem iria comandar o Palmeiras na briga pela Libertadores, era Alexandre Mattos.

Com o currículo importante, com direito à Copa do Mundo, passagens por Juventus, Inter de Milão, Fiorentina, Galatasaray, entre outros clubes, além do interesse do São Paulo, não houve como Eduardo Baptista simular um não a Mattos. Ele também convenceu, sem dificuldades, Leila Pereira, a assinar o cheque e a contratação altíssima foi feita.

 O Palmeiras não é zona. Não é a casa da Mãe Joana. Felipe Melo está fora, decreta Alexandre Mattos. Cuca venceu o duelo. O treinador havia deixado claro à diretoria. Não perdoaria ter sido chamado de covarde, mau caráter e mentiroso. Era o volante ou ele...

Felipe Melo encontrou em Eduardo Baptista um admirador do primeiro ao último minuto de convivência. A confiança era absoluta. O treinador permitia, inclusive, que o volante se posicionasse no vestiário. Tinha liberdade para cobrar os companheiros. Conversavam até sobre estratégia, tática.

O volante foi o jogador que mais sentiu a demissão de Eduardo. Pediu abertamente para Alexandre Mattos segurá-lo. Isso quando Cuca já estava encaminhado. O treinador que havia sido campeão brasileiro com o Palmeiras, em 2016, é muito desconfiado. E soube dessa insistência do volante pela permanência de Baptista. Foi o pior indício para o treinador, ficou com a certeza que Felipe Melo não queria trabalhar com ele.

Os dois sempre tiveram um relacionamento distante, frio. Cuca já havia ficado revoltado com a provocação gratuita de Melo aos uruguaios, que provocou a briga generalizada em Montevidéu. Avisou aos seus jogadores que não toleraria polêmicas com adversários. Falou em geral. Mas todos sabiam. O recado era para Felipe Melo.

Cuca também deixou claro que exigiria dos volantes marcação individualizada quando o Palmeiras perdia a bola. Este estilo não agradou o volante de 34 anos. Exige muito mais fisicamente. Uma correria insana para o veterano volante.

Ficou claro que Felipe Melo não seria nem o xerife e muito menos titula absoluto com Cuca. O volante era 'poupado' de jogos importantes. E foi ficando cada vez mais irritado. Descontou sua raiva em uma discussão tola, mas veemente em um rachão. Seu oponente? Omar Feitosa.

Roger Guedes, Mina e Egídio não são próximos de Felipe Melo. Muito pelo contrário. O jogador teve sérios problemas com o trio. Com Roger Guedes, o desentendimento aconteceu quando Eduardo Baptista ainda era o técnico. O volante foi o principal organizador em um trote violento, estúpido no atacante, em abril. A partir daí, os dois mal se falavam. Até que em um aquecimento, os dois discutiram, diante da imprensa. O atacante se calou, mas Felipe Melo não.

"Porra, assim fica difícil, meu irmão. Tá falando pra caralho. Me respeita, porra. Você é moleque, me respeita, porra!"

Os problemas com Mina e Egídio aconteceram logo depois da eliminação diante do Cruzeiro, na semana passada, no Mineirão. Felipe Melo não gostou de o lateral esquerdo entrar no vestiário com a camisa de Thiago Neves. E tratou de cobrá-lo aos gritos. Com o zagueiro colombiano, a cobrança foi pelo seu posicionamento no gol cruzeirense, que custou a vaga na Copa do Brasil. Os dois jogadores não gostaram e discutiram com o volante.

Mas o problema maior é mesmo com Cuca.

Ele foi técnico do Cruzeiro e do Atlético.

Tem muitos amigos em Belo Horizonte.

E soube de pessoas que trabalham no Mineirão que Felipe Melo saiu reclamando dele, ao ser substituído na semana passada. Reclamava em voz alta que, o Palmeiras não seria campeão de nada com 'esse técnico'. O desabafo chegou aos ouvidos de Cuca. E houve o questionamento.

Felipe Melo teria sido claro, dizendo que na Europa a marcação é por setor, nunca de forma individual. Porque se um jogador é driblado, todo o sistema defensivo fica exposto. Cuca não gostou do que ouviu. Está claro para o treinador que o volante não tem velocidade, é lento para atuar da maneira que ele deseja. E o vê como mero reserva.

Não foi por coincidência que Felipe Melo foi tão 'poupado'. E só tem cinco partidas pelo Palmeiras, no Brasileiro, podendo ser negociado com qualquer outro clube do país. Era o que Cuca desejava. O ter afastado da equipe antes da partida contra o Avaí não foi por acaso.

Felipe Melo esperava um posicionamento dos dirigentes. Ele não veio e então, resolveu, atear fogo no Palestra Itália. E suas declarações no WhatsApp 'por acaso' foram vazadas ontem.

"Aqui não tem jeito, já era. Com esse cara (Cuca) eu não trabalho. Esse cara é covarde, mau caráter, mentiroso. Falou uma coisa e liga para a imprensa para falar um monte. Quando eu falar vou rasgar ele no meio. Agora vamos ver",

"Confesso que tem vários clubes interessados, vários. Corinthians, Inter, São Paulo, Grêmio, Atlético Mineira, Flamengo. Todo mundo está interessado. Agora, o negócio foi ontem. Creio que agora vão clarear as coisas. Presidente quer conversar comigo e falou: "vamos ver se a gente faz alguma coisa e tal. Mas com esse cara (Cuca) eu não fico. A torcida veio contra, então eles estão doidinhos. Vamos ver, parece que estamos conversando com Flamengo aí. Se o Flamengo realmente quiser, este é o momento, nunca esteve tão fácil."

Chamar Cuca de "covarde, mau caráter e mentiroso", e dizer que vai 'rasgá-lo no meio" foi a senha para sair imediatamente do Palmeiras. Os dirigentes palmeirenses têm certeza que o áudio 'vazou' de propósito.

O jogador foi hoje pela manhã ao Palmeiras. Se desculpou com o grupo e com os jogadores. Repetiu a desculpa de que tinha tomado champanhe no aniversário da mulher e perdeu o controle sobre o que falava. Conversou com Mauricio Galiotte e Alexandre Mattos. E ouviu dos dirigentes que não ficaria mais no clube, como queria Cuca. Ele ficará treinando à parte. Até acertar sua saída.

O Palmeiras teve um prejuízo enorme com a desventura com Felipe Melo.

O volante já recebeu R$ 4,3 milhões, em sete meses de clube.

"Não vamos rasgar dinheiro. O torcedor pode ficar tranquilo", dizia Mattos, tentando tranquilizar conselheiros, que estão horrorizados com o desperdício do dinheiro e a desvalorização de Felipe Melo.

O desejo do jogador é jogar no Flamengo.

O Internacional acompanha de perto a situação.

A preferência dos dirigentes é negociá-lo com o Exterior.

Cuca venceu o duelo...
 O Palmeiras não é zona. Não é a casa da Mãe Joana. Felipe Melo está fora, decreta Alexandre Mattos. Cuca venceu o duelo. O treinador havia deixado claro à diretoria. Não perdoaria ter sido chamado de covarde, mau caráter e mentiroso. Era o volante ou ele...

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